Kyriakakis/Michalany na Raquel Arnaud

28/jul

A Galeria Raquel Arnaud, Vila Madalena, São Paulo, SP, apresenta simultaneamente as exposições individuais de Geórgia Kyriakakis e Cassio Michalany. “Tectônicas” é o título da exposição que Geórgia Kyriakakis realiza no primeiro piso da Galeria Raquel Arnaud. As seis séries de trabalhos que compõem a mostra são resultado de uma recente viagem da artista à Patagônia, cujas paisagens e condições climáticas serviram como fio condutor para a produção das obras reunidas. São fotografias, esculturas, desenhos e instalações que revelam a recorrente influência das questões geográficas na obra de Kyriakakis, das quais ela se apropria para evidenciar frágeis relações de equilíbrio, instabilidade e transitoriedade em seu trabalho e no mundo.

 

Segundo Paula Braga, que assina o texto da exposição, Geórgia Kyriakakis escolheu como tema de investigação um fenômeno básico e regulador de todos os ciclos do que é criação artística ou natural: as forças de desequilíbrio e equilíbrio. “A exposição Tectônicas é um tratado sobre forças invisíveis: a força criadora, a gravitacional, e acima de tudo forças vitais de resistência”, completa.

 

Entre os trabalhos, a série “Equador” evidencia os elementos geográficos, além de trazer a noção de força que tanto interessa à artista. Como explica Braga, “valendo-se de elementos gráficos de representação da superfície da Terra – mapas, legendas, pontos, palavras – este trabalho cartografa o equilíbrio”. Nesta obra é preciso distribuir o peso dos imãs na superfície de placas de ferro para magneticamente manter a linha do Equador na posição que tradicionalmente a conhecemos, passando por três cidades do planeta: Macapá no Brasil, Macowa no Congo e Pontianak na Indonésia.

 

Na série “Vidros”, duas placas de vidro são presas na parede por furos localizados no meio delas, de modo que sua posição final se dá pelo equilíbrio das mesmas após girarem naturalmente no ponto fixo. Após essa etapa, a artista aplica sobre os vidros tortos fotografia com paisagens da Patagônia, tomando o cuidado de manter a linha do horizonte paralela ao chão. “Nesta obra está a síntese da relação conflituosa entre desmoronamento e equilíbrio:  aprumar-se requer adaptação ao ângulo de inclinação do plano de apoio, e exige uma certa movimentação tectônica, invisível, interna, tanto na arte quanto na natureza e portanto na vida”, explica Braga.

 

Ao mesmo tempo  em que a obra de Geórgia Kyriakakis parece sentir atração pelo risco, pelo desequilíbrio, sempre oferece uma possibilidade de estabilidade. “A obra constitui-se no processo de conciliar a atração pelo caos do desmoronamento com a satisfação da necessidade de sentir que tudo está no eixo”.

 

 

Sobre a artista

 

Geórgia Kyriakakis, nasceu em Ilhéus, BA, 1961. Vive e trabalha em São Paulo. Geórgia é formada em Artes Plásticas pela FAAP, mestre e doutora em Artes pela USP. Leciona desde 1997 na Faculdade de Artes Plásticas da FAAP e no Centro Universitário Belas Artes, onde também atua na pós-graduação. Dentre as exposições, vale mencionar “Espelhos e Sombras”, no Museu de Arte Moderna de São Paulo e no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro (1994 e 1995 respectivamente); a 23ª Bienal Internacional de São Paulo (1996); as exposições “Beelden uit Brazilie”, no Stedelijk Museum de Schiedam, e “De Huit Van Witte Dame” (ambas na Holanda, 1996); a terceira edição do projeto “Arte/Cidade” (São Paulo, 1997); a exposição “Caminhos do Contemporâneo”, no Paço Imperial (Rio de Janeiro, 2001); e as mostras “São Paulo – 450 Anos – Paris”, no Instituto Tomie Ohtake (São Paulo), e “Heterodoxia”, na Galeria Artco (Lima, Peru), ambas em 2004. Em 2008, participou da mostra “Parangolé – Fragmentos desde los 90”, no Museo Pateo Herreriano, em Valladolid, na Espanha. No mesmo ano, a editora espanhola Dardo/DS lançou, em parceria com a Galeria Raquel Arnaud, uma monografia trilíngue sobre seu trabalho. Em 2009 realizou a individual “Outros Continentes” na Galeria Raquel Arnaud, que a representa desde 2001.

 

 

 

Pintura/Objeto de Cassio Michalany

 

Um dos pintores mais reverenciados de sua geração, Cassio Michalany apresenta no segundo piso da galeria a sua mais recente produção. Famoso por suas pinturas em superfícies planas, o artista concebeu para a mostra “Pintura/Objeto” 15 trabalhos inéditos que exploram a tridimensionalidade. Segundo Cauê Alves, que assina o texto da exposição, não se trata de ruptura em seu percurso, mas de um processo de maturação que reencontra na caixa a possibilidade de reorganizar o espaço tridimensional a partir de cores, luzes e formas.

 

O interesse pela variação entre cores e o estudo do espaço permanecem presentes. Cassio Michalany continua a trabalhar a justaposição e o diálogo de planos coloridos homogêneos, principais marcas de sua obra. As caixas, na sua maioria em pequenas dimensões, foram manufaturadas pelo próprio artista em seu ateliê utilizando pedaços retangulares de madeiras com tamanhos diferentes, sendo cada parte pintada com uma única cor. Para Cauê Alves, o que sobressai no todo são as formas coloridas e a relação harmônica que elas estabelecem entre si a partir de uma proporção sensível. “Mesmo quando há certo desequilíbrio, em que a composição pende mais para um lado ou outro, o conjunto possui uma espécie de circularidade que se fecha e se completa com a permutação das formas na caixa”. Mas o crítico ressalta não ser uma lei matemática que regula o trabalho e sim um espaço gerado pelas relações entre cores e formas.

 

Sobre o uso das cores, Michalany continua a trabalhar uma paleta restrita formada por tons sóbrios. Em “Pintura/objeto” as cores não se repetem numa mesma obra ou mesmo posição do objeto, o que, segundo Cauê Alves, “dá um aspecto mais dispersivo ao todo, cada tom apontando numa direção”.

 

 

Sobre o artista

 

Cássio Michalany, nasceu em São Paulo, 1949, vive e trabalha na capital paulista. Arquiteto da FAU-USP de formação, o artista há quarenta anos se dedica à pintura. O interesse pela arte começou na década de 60, quando foi aluno de Luiz Paulo Baravelli e Frederico Nasser, passando, de 1969 a 1985, à condição de professor de desenho no Curso Universitário, na Faculdade Farias Brito, no Iadê e no MAM/SP. Desde 1980, passa a pintar quadros feitos com telas justapostas. Entre suas principais exposições, destaque para a participação na XIX Bienal Internacional de São Paulo (1987); O que faz você, geração 60? No MAC-USP (1991); Bienal Brasil do século XX, (1994); 20 artistas/20 anos, no CCSP (2002); Cassio Michalany, no Instituto Tomie Ohtake, (2003); Pintura sobre parede, Centro Universitário Maria Antônia, (2004) e Pinturas – Permutações de cor, na Estação Pinacoteca, (2010).

 

 

Exposição: Geórgia Kyriakakis – Tectonicas

 

Até 29 de agosto.

 

 

Exposição: Cássio Michalany – Pintura/objeto

 

Até 20 de setembro.

Mira Schendel – Retrospectiva

A Pinacoteca do Estado de São Paulo, Praça da Luz, São Paulo, SP, instituição da Secretaria de Estado da Cultura, apresenta a exposição retrospectiva da artista suíça, naturalizada brasileira, Mira Schendel que ao lado de seus contemporâneos Lygia Clark e Helio Oiticica, reinventou a linguagem do Modernismo Europeu no Brasil. Com patrocínio do banco Credit Suisse, a mostra é organizada pela Pinacoteca de São Paulo e a Tate Modern, Londres, em associação com a Fundação de Serralves – Museu de Arte Contemporânea, Porto.

 
Com curadoria de Tanya Barson da Tate Modern e Taisa Palhares da Pinacoteca, a exposição já foi apresentada na Tate onde foi um grande sucesso de público, depois foi para a Fundação de Serralves, Porto, Portugal, e agora completa a última parte da itinerância na Pinacoteca. Mais uma vez, o público brasileiro será privilegiado. Além das obras expostas nas mostras anteriores, no Brasil serão incluídas maior número de trabalhos das séries “Bordados” e “Naturezas-mortas” (década de 1960) e “Mandalas” (década de 1970), bem como a série “Papéis Japoneses” (década de 1980) e um conjunto significativo de trabalhos do acervo do Museu de Arte Contemporânea da USP, que foram doados pelo crítico de arte e amigo da artista, o colecionador Theon Spanudis.

 

Apresentada em ordem cronológica a exposição, que ocupa o primeiro e segundo andar do museu, reúne cerca de 300 obras, entre pinturas, desenhos, esculturas e instalações, todas realizadas entre os anos 1950 e 1987, incluindo a última série produzida em vida pela artista, as pinturas conhecidas como “Sarrafos”. O grande destaque da mostra fica por conta da produção de obras em papel de arroz dos anos 1960: a série “Monotipias”, “Trenzinho”, “Droguinhas”, todas de 1965; a sala de “Objetos gráficos”, 1967, os “Cadernos”, 1970, as instalações “Ondas Paradas de Probabilidade”, 1969, e “Variantes 1977”; além da série “O retorno de Aquiles”, 1964, em que pela primeira vez Mira Schendel utiliza o texto como elemento visual da composição. “Esta é a primeira grande mostra da Mira Schendel desde 1996. De lá para cá, a artista tornou-se muito mais reconhecida no contexto internacional, o que se reflete na exposição pelo grande número de obras de coleções e museus internacionais como o Museum of Modern Art – NY, o Houston Museum, a Tate Modern – Londres entre outros. Neste sentido, é uma oportunidade única para o público brasileiro apreciar essas obras que dificilmente serão expostas novamente no Brasil tão cedo.” Afirma Taisa Palhares.

 

A exposição é acompanhada por um catálogo ilustrado, editado pela Pinacoteca de São Paulo e a Tate Publishing. Com textos inéditos de Tanya Barson, Taisa Palhares, Cauê Alves, Isobel Whitelegg, John Rajchman e Lisette Lagnado, o catálogo é uma versão ampliada da edição inglesa.

 

 

 

Até 19 de outubro.

Pinturas de Cristina Canale

A riqueza formal dos trabalhos de Cristina Canale, que está entre os mais importantes pintores brasileiros em atividade, pode ser vista de perto em sua nova individual na Galeria Nara Roesler, Pinheiros, São Paulo, SP. A mostra, traz cerca de 12 obras produzidas entre 2013 e 2014, reforçando as relações entre figuração e abstração que norteiam a pesquisa incessante da artista desde 1993.

 

Conceituando os trabalhos exibidos na galeria, Cristina Canale afirma: “Procurei criar territórios de abstração dentro de um contexto figurativo. Estas áreas abstratas surgem, por exemplo, como fundo da composição, substituindo o que seria um contexto ambiental ou dentro de algum elemento da pintura – como, no caso da obra Menina e Vento no vestido da mulher – passando então a protagonizar a obra. Ou o geométrico é identificado a um elemento figurativo – como o caso da casa-tenda na tela Casa Triângulo.”

 

Dessa forma, sua produção recente é calcada no binômio figura-abstração, com ênfase no orgânico-geométrico, subvertendo uma divisão da linguagem abstrata em dois recursos distintos. “A abstração como linguagem dentro da História da Arte tem se desenvolvido na direção do geométrico ou do gestual. Nas áreas em que uso a referência geométrica, ela traz também o gestual, uma vez que as formas têm tratamento diferenciado e não inteiramente gráfico. A ideia é confrontar as linguagens da abstração com a da figuração.”

 

“Essa questão já faz parte da minha ‘dramaturgia’ desde sempre, mas com diferentes enfoques. O diferencial nesse grupo de trabalhos é a equivalência de peso entre o plano figurativo e a referência abstrata. A narrativa nessa série também aquiriu tons de abstração, e não mais literários. É mais atmosfera que história”, explica a artista.

 

 

Pesquisa pictórica

 

Para Cristina Canale, o ano de 1993 marcou o abandono definitivo de uma pintura mais matérica e empastada, ao gosto do neorrealismo alemão que caracterizava o grupo de pintores denominado Geração 80 – do qual Canale fez parte ao lado de nomes como Beatriz Milhazes e Daniel Senise (amigos próximos da artista). De acordo com o crítico Fernando Cocchiarale, “a superação, na Alemanha, dos preceitos pictóricos que a situavam no contexto da Geração 80 marca uma inflexão fundamental da obra de Canale. Desde então, as transformações de seu trabalho devem ser buscadas unicamente na maturação interna ao processo criativo”.

 

Em 1993, com sua mudança para Berlim, a artista parte para uma nova busca pictórica que transforma a construção de perspectiva, a temática e a utilização de matéria-prima em seus quadros, sintetizando as dinâmicas do movimento da vida através da tensão entre cultura e natureza, arquitetura e ser vivo. Nesse movimento, ela traduz o fluxo oculto do cotidiano em elementos opostos. Em lugar do excesso de tinta, camadas econômicas, mesmo translúcidas, permitindo superposições. Em vez da perspectiva construída no ponto de fuga, uma tridimensionalidade mínima, quase planar. Em oposição à utilização de símbolos rígidos, a alternância de uma geometria baseada em elementos arquitetônicos, como ladrilhos e lajotas, abandona a frieza formal por meio da inserção de elementos familiares e de seres vivos.

 

Nas palavras do curador Luiz Camillo Osorio, “A figura ganha o primeiro plano e está sendo projetada para fora. Neste aspecto é uma imagem que trabalha em sentido anti-perspectivo, vinda de dentro para fora da tela e não levando o olhar em direção a um ponto de fuga. O olhar do espectador ganha densidade e fluidez, assumindo uma materialidade que as imagens virtuais não têm. A pintura é uma reserva diante da manipulação desenfreada das coisas. Diante das pinturas de Cristina Canale estamos sempre à espera de uma deflagração do mundo enquanto cor.”

 

 

Até 23 de agosto.

Modernos / contemporâneos: design brasileiro de móveis

A nova exposição da galeria Bolsa de Arte, Jardins, São Paulo, SP, “Modernos/Contemporâneos: design brasileiro de móveis”, exibe peças de alguns dos nomes mais expressivos do design nacional. Com curadoria de Alberto Vincente e Marcelo Vasconcellos, sócios da Galeria Memo, a exposição traz cerca de 50 criações, assinadas por artistas das décadas de 1940, 1950 e 1960, mas também de nomes contemporâneos.

 

O critério que norteia a mostra é o caráter pouco óbvio do que será apresentado neste panorama. A exposição traz cerca de 50 criações que dialogam naturalmente com o mercado de arte. A ideia é fazer um contraponto entre itens vintage e novos, ressaltando a essência do que torna cada peça atemporal, mas extinguido qualquer seqüência cronológica na apresentação. Entre os destaques ressalte-se, por exemplo, a cadeira “Três Pés”, de Joaquim Tenreiro, mas também lançamentos como a série “Palafitas” de Brunno Jahara.

 

Entre os contemporâneos está um banco de Zanini de Zanine e peças pouco vistas, como a mesa lateral da série “Desconfortáveis”, dos irmãos Campana, a mesa “Metro” de Carol Gay, a cadeira “Cuica” de Carlos Motta e a mesa “Cone”, de Nido Campolongo, todos de tiragens limitadas. Peças do acervo particular de Aida Boal, uma rara cômoda da fábrica Cimo, um lustre de três andares, assinado por Joaquim Tenreiro, a “Easy Chair vintage”, de Oscar Niemeyer, e a poltrona “Revisteiro”, de Zanine Caldas também poderão ser apreciados na exibição.

 

 

Sobre as duas fases

 

O design de móveis teve uma época áurea no Brasil entre as décadas de 1940 e 1960, com grandes criadores, guiados quase sempre por uma estética alinhada com a arquitetura modernista. Além de peças que ficaram para a história, um grande legado do movimento foi a introdução de aspectos de brasilidade na produção moveleira nacional, contrapondo-se à cultura copista que se impunha até então. Hoje, a atividade vive novamente um momento de efervescência no País. Não se pode falar em movimento, talvez não caiba pensarmos em uma geração (apenas). A diversidade expressiva e do perfil de seus criadores é a marca do design brasileiro de móveis contemporâneos, que hoje ganha o mundo, revivendo com características tão distintas

 

o reconhecimento conquistado há décadas pelos designers brasileiros modernos. Entre
os expoentes de agora, há herdeiros do modernismo, gente da marcenaria, artistas ecléticos, designers próximos da arte contemporânea, outros embrenhados na cultura popular. Madeira, metais, plástico, acrílico, tecidos e revestimentos sintéticos fazem parte deste amplo universo, em processos artesanais e industriais.

 

 

Sobre a curadoria

 

Albert Vicente e Marcelo Vasconcellos são sócios da Galeria MeMo (Mercado Moderno), especializada em design, no corredor cultural do Rio de Janeiro. Entre as ações de divulgação do design em que estão envolvidos nos últimos anos, estão a organização dos livros Móvel Brasileiro Moderno (Aeroplano/FGV) e Design brasileiro de móveis: cadeiras, poltronas, bancos (Olhares), a curadoria das mostras  Hiperbólico – Jahara 10 anos, Isto é uma mesa e Do moderno ao contemporâneo, todas no Museu Histórico Nacional. Além disso, a produção de mostras de Sergio Rodrigues, Fernando Mendes, Rodrigo Calixto e Zanini de Zanine na própria galeria e em espaços como a Casa Electrolux e o Museu Oscar Niemeyer, entre 2012 e 2014. A MeMo foi o único espaço dedicado ao design na América Latina a sair publicada por três anos consecutivos na revista WallPaper, guia de viagem para turistas antenados.

 

 

Sobre a Bolsa de Arte

 

Criada em 1971, a Galeria Bolsa de Arte tem sido um importante agente propulsor do mercado de arte nacional, especialmente no segmento de leilões de arte moderna e contemporânea. Em 1999, lança a edição bilíngue do livro “Joaquim Tenreiro – o mestre da Madeira” com exposição retrospectiva na Pinacoteca do Estado de São Paulo, sob a curadoria da arquiteta Janete Costa, antecipando a revalorização do móvel moderno brasileiro, observada na última década. Com escritórios em São Paulo e Rio de Janeiro, a Galeria foi pioneira, em 2008, quando promoveu um leilão com peças de design.

 

 

Até 04 de agosto.

Singular & plural

O Instituto Moreira Salles, Higienópolis, São Paulo, SP, apresenta a exposição “Araújo Porto-Alegre: singular & plural”, com trabalhos de Manuel de Araújo Porto-Alegre. A exibição consta de quase 90 obras, com destaque para a sua produção gráfica. Foram reunidas aquarelas, esboços, caricaturas, esboços, rascunhos e desenhos feitos a grafite e a nanquim. Artista múltiplo, Porto-Alegre atuou também como arquiteto, cenógrafo, crítico, historiador, escritor, jornalista e diplomata. A exposição também apresenta textos, poemas e projetos de arquitetura e cenografia.

 

A curadoria é de Leticia Squeff, professora do departamento de História da Arte da Unifesp e de Julia Kovensky, coordenadora de Iconografia do Instituto Moreira Salles. O projeto partiu da intenção de levar ao público um álbum composto por desenhos e documentos que pertenceram ao autor e que hoje integra o acervo do IMS. A maioria das obras abrange o período em que Araújo Porto-Alegre esteve na Europa pela primeira vez (1831-1837), acompanhando seu mestre Jean-Baptiste Debret, que definitivamente voltara para a França.

 

 

Sobre o artista

 

Manuel de Araújo Porto-Alegre (1806-1879) nasceu em Rio Pardo-RS e, em 1827, seguia para o Rio de Janeiro. Araújo Porto-Alegre é uma das figuras mais desconcertantes da história da cultura e das artes no Brasil. Entre suas diversas atividades, atuou como arquiteto; fez trabalhos de cenografia e decoração para teatro e para festas da monarquia; é considerado autor das primeiras caricaturas realizadas no país; foi idealizador da estátua equestre de d. Pedro I, no Rio de Janeiro; escreveu novelas, peças para teatro e poemas; esteve em cargos de poder em instituições de cultura importantes da época, como o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (ihgb) e a Academia Imperial de Belas Artes (Aiba), para a qual concebeu um projeto de reformulação pedagógica, com desdobramentos na arte brasileira da segunda metade do século XIX.

 

 

Até 21 de setembro.

Leonilson: Truth, Fiction

25/jul

A Pinacoteca do Estado de São Paulo apresenta, no quarto andar da Estação Pinacoteca, Largo General Osório, Santa Ifigênia, São Paulo, SP, a mostra “Leonilson: Truth, Fiction”. Com curadoria de Adriano Pedrosa, a exposição reúne mais de 150 obras de José Leonilson, entre pinturas, desenhos, bordados, objetos e uma instalação. A seleção concentra-se na produção “madura” do artista, com trabalhos realizados a partir de 1987, e inclui a última peça concebida pelo artista: a instalação montada na Capela do Morumbi em 1993.

 

Para Adriano Pedrosa, esse período assinala a intensificação das qualidades sintéticas, ou “minimalistas”, na obra do artista – como em desenhos e bordados feitos com poucas linhas (para representar figuras diminutas e grafar textos breves, valorizando os vazios e as grandes áreas de cor) ou, ao contrário, em papeis e tecidos preenchidos por conjuntos de um mesmo elemento (que pode ser uma sequência numeral ou um punhado de botões).

 

Como sugere o título da exposição, a curadoria também investiga as maneiras pelas quais a obra do artista se compõe tanto da apropriação ou de referências do real como dos exercícios de fabulação. Por exemplo, quando justapõe conteúdos autobiográficos e ficcionais; quando mistura a agenda pública dos noticiários com episódios da vida privada, etc. O nome da mostra, a propósito, vem dos escritos presentes em um desenho de 1990, intitulado “Favorite game”.

 

Ainda segundo o curador, a exposição não deve se distribuir pelo espaço em ordem cronológica, mas dividida em sete módulos, que consideram aspectos formais, temáticos, técnicos ou temporais: “Mapas”, “Diário”, “Matemática e Geometria”, “Brancos”, “Capela do Morumbi” e “1991”, além de um núcleo dedicado às ilustrações que Leonilson publicou no jornal “Folha de S. Paulo” entre 1991 e 1993. Acompanha a mostra, ainda, um livro com entrevista inédita realizada por Adriano Pedrosa com Leonilson, em 1991, e reproduções das obras presentes na Estação Pinacoteca. Nesta entrevista, o artista fala de sua formação artística, do início da trajetória profissional, da arte e da música por que se interessa e do meio artístico no Brasil, entre outras coisas. A edição deste volume, a ser publicado pela Cobogó, é também de Adriano Pedrosa, com a colaboração de Isabel Diegues.

 

 

De 09 de agosto a 09 de novembro.

Trabalhos de Leonilson na Galeria Superfície

22/jul

A segunda exposição da mais nova galeria da cidade, a Galeria Superfície, Jardins, São Paulo, SP, está centralizada na produção dos 10 últimos anos de vida do artista José Leonilson Bezerra Dias (1957-1993), conhecido apenas como Leonilson. Intitulada “Leonilson: Verdades e Mentiras”, a mostra, que conta com texto e curadoria da artista Leda Catunda, amiga pessoal do artista, reúne obras de diferentes formatos, como desenhos, pinturas, aquarelas e esculturas. São obras garimpadas em coleções particulares, entre elas, algumas nunca exibidas ao público.

 

A produção de Leonilson é um verdadeiro arquivo sobre sua vida, uma incansável busca de intensidade poética individual, onde a obra é o suporte e registro. Os últimos anos de sua vida foram marcados por um sentido de vulnerabilidade humana e na possibilidade de transcendência.

 

O despojamento e a simplicidade característicos de sua obra, particularmente aos desenhos desse período, são tensionados pela morte anunciada e pela busca de sentido para a travessia da vida para o estado espiritual.

 

“…A energia do desejo encontra sua realização amorosa, agora conscientemente, na sublimação, que forja os interstícios da linguagem. O seu trabalho, em grande parte, sempre esteve envolvido com o sentido do ser, com sua identidade e com o exercício pleno da vida como únicos valores a serem procurados. Nesta etapa final da carreira, no entanto, seu interesse concentra-se na questão do corpo, do seu próprio corpo feito metáfora, buscando, através da arte, alguma possibilidade de transcendência. Leonilson se transforma no observador de seu próprio processo, revelando-se publicamente: o corpo é assumido em sua condição de máquina desejante, que contém mente e espírito e está em permanente embate com o mundo”, escreveu o curador Ivo Mesquita, no livro “LEONILSON: use, é lindo, eu garanto”, de 1997.

 

 

De 22 de julho a 30 de agosto.

Guillermo Kuitca na Pinacoteca – SP

A Pinacoteca do Estado de São Paulo, Luz, São Paulo, SP, uma instituição da Secretaria de Estado da Cultura, apresenta a exposição “Guillermo Kuitca: Filosofia para princesas”. Com cerca de 50 obras, entre pinturas, desenhos e uma instalação, a mostra reúne trabalhos produzidos durante toda a sua trajetória artística, desde os anos 1980 até 2013. Kuitca, nascido em Buenos Aires, Argentina, 1961, é considerado um dos mais importantes pintores latino-americanos e sua obra trata de temas como deslocamento, isolamento, solidão e representações abstratas de espaço, como mapas, planos de teatro e plantas arquitetônicas.

 

Com curadoria de Giancarlo Hannud, curador da Pinacoteca do Estado de São Paulo, os trabalhos exibidos na mostra integram coleções públicas e privadas na Europa, Estados Unidos, Argentina e Brasil. Um dos destaques da mostra fica por conta da instalaçao “Le sacre”, (A sagração), de 1992, que ocupará o Octógono, espaço central da Pinacoteca. Formada por 54 camas, sobre as quais foram pintadas mapas de diversos lugares do mundo, “Le sacre” pertence ao Museum of Fine Arts de Houston, e já foi apresentada em museus como IVAM Centre del Carme, Valencia, em 1993, Fondation Cartier, Paris, em 2000 e o Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofia, Madri, em 2003. “Le sacre, obviamente é um desenvolvimento do meu trabalho com colchões, retomando a primeira obra que fiz com esse objeto, uma série de três colchões que foi mostrada na Bienal de São Paulo de 1989. As camas de Le sacre são menores do que camas de verdade, por isso às vezes são chamadas de “camitas”. Eu queria brincar com a perspectiva e o tamanho das coisas; não estamos tão próximos delas quanto pensamos. Eu queria um olhar ampliado de algo, como a cama, um objeto tão próximo quanto nosso próprio corpo, para então visualizá-la dentro da casa, a casa dentro da cidade, e a cidade dentro do mapa. Um zoom que se aproxima cada vez mais, ou se afasta cada vez mais”.

 

 

Sobre o artista

 

Guillermo Kuitca é um dos principais artistas argentinos e começou seus estudos artísticos na década de 1970, no ateliê de Ahuva Szlimowicz. Radicado em Buenos Aires, tem uma carreira internacional de grande projeção, já tendo representado a Argentina na Biennale di Venezia, 2007. Também participou da Documenta IX, em 1992, e mais recentemente, em 2010, seu trabalho foi tema de uma retrospectiva intitulada “Guillermo Kuitca: Everything, Paintings and Works on Paper, 1980-2008”, que passou pelas seguintes instituições norte-americanas, Miami Art Museum, o Albright-Knox Art Gallery, em Buffalo, o Walker Art Center, em Minneapolis, e o Smithsonian Hirshhorn Museum and Sculpture Garden, Washington, D.C.

 

 

Até 02 de novembro.

Duas mostras na Emma Thomas

18/jul

A Galeria Emma Thomas, Jardins, São Paulo, SP, promove a abertura de duas exposições individuais. A saber: na Sala 1, Luiz Ernesto exibe “Pintura Muda”  e na Sala 2, Susana Bastos comparece com “Eixo”.

 

 

 

Sobre a pintura de Luiz Ernesto

 

Inventário dos objetos sós | Agnaldo Farias

 

 

À Má,

que ama

os objetos

 

Prato, espelho, copo, guarda-chuva, despertador, garrafa, lápis… Luiz Ernesto prossegue em seu inventário de objetos comuns, particularmente os que povoam nossas casas, membros imprevistos da nossa família, que vão chegando trazidos por nós mesmos ou presenteados ou ainda esquecidos por aqueles que nos visitam, vai saber como, quais são as rotas que eles traçam pelo mundo. Mas vão chegando e permanecendo, às vezes em razão de um interesse nosso por uma atividade qualquer, uma tarefa urgente que nos obriga a comprar matéria prima e instrumentos, e há também os que restam de gostos abandonados, produto dessa inexplicável ternura que em certos momentos da vida devotamos por uma determinada classe de coisas, um desejo de apego que também é a manifestação de uma vontade de estender nossos domínios. O elenco desses objetos é virtualmente infinito, a começar pelas roupas, nossa pele portátil mais à mão, que não mais usamos e que sempre nos esquecemos de dar, que se quedam quietas, suspensas e encerradas nos armários tendo aos pés o couro suado dos sapatos, enchendo-se de pó e da morrinha que inutilmente tentamos minimizar pelo recurso as flores secas que recheiam os sachês acetinados.

 

 

Os objetos contam com a nossa desatenção para continuarem por ali, coabitando nosso espaço; sobrevivem a nossa volta em parte porque nunca lhes deitamos a vista mas também porque adiar é uma prática doméstica. Por outro lado, há que se considerar sua notável habilidade no exercício da fuga e ocultamento, o quanto se esgueiram por debaixo e detrás dos móveis, no fundo das gavetas, como se refugiam cômodos nas prateleiras mais altas, como se prestam ao contato íntimo e promíscuo com outros objetos, transformando-se em tralha triste, socada e amafumbada no interior das caixas empilhadas nos porões, sótão, garagens e nos quartos denominados, a propósito, quartos de despejo.

 

 

Há anos Luiz Ernesto vem pensando os objetos, colocando-os em suspensão. Toma coisas comuns, um prato de porcelana com a borda ornamentada por um relevo; dois guarda-chuvas pendurados lado a lado na parede, a espera de serem utilizados; um copo de plástico, desses cuja textura canelada sequer consegue impedir que se deforme quando o pegamos para beber água; um despertador de corda azul, de pé e de costas, ostentando as pontas achatadas das engrenagens com as quais acertamos seu funcionamento; uma folha de papel pautado, arrancada do caderno espiral e levemente amassado; um espelho que parece refletir uma cortina, que em lugar de abrir uma passagem, veda-a.

 

 

Os objetos são, como se vê, simples, mas o artista trata-os como se não fossem, ao contrário, como se fossem magníficos, resultado de uma operação longa e calculada, que principia sempre com uma fotografia, vale dizer, a escolha de um objeto, a construção de um ângulo e de uma pose, o retrato. A imagem sempre sofre uma edição: o objeto é eviscerado de seu contexto, separado da mesa, parede etc, em que foi fotografado. Embora a nitidez da imagem seja preservada, ela é fixada numa superfície turva constituída de fibra de vidro e resina epóxi. Sai assim do espaço real para ocupar o espaço pictórico, o espaço da linguagem, o espaço de produção da realidade.
Do objeto à imagem, da imagem à pintura, cada objeto selecionado por Luiz Ernesto, subtraído de seu contexto, sobra solitário. Somente ele e a luz que acusa sua presença. Pousado num lugar quase abstrato, um quadrilátero com pretensões de neutralidade não fora os rumores que atravessam seu corpo leitoso, manchando-o, desmentindo sua aparência atmosférica, deixando-o palpável o suficiente para que os objetos se acomodem nele e possam deitar suas sombras. Sob a luz, cada objeto é uma fábrica de produzir sombras.

 

 

O que são, afinal, os objetos? o que trazem consigo, embutidos? que sorte de enigmas? o quê e o quanto revelam? Indagações como estas flutuam sobre cada uma dessas pinturas.

 

 

Os objetos estão em repouso, estáticos, reluzentes em sua solidão montada sobre uma superfície que oscila entre nuvem e pedra, parede caiada e céu pesado, quase chão. Daí enigmáticas, daí magníficas. Esse lugar que as imagens ocupam paira acima de onde estamos, e converte-se em território propício a sugestões e devaneios, que o artista fertiliza através da inclusão de textos.

 

 

Luiz Ernesto vem abrindo um caminho singular no âmbito da pintura. Antes exclusivamente dedicada a representação de objetos, a partir do começo da década passada sua pintura passou a incluir palavras isoladas, verbos e substantivos. A incorporação da linguagem verbal, de natureza abstrata, coincidiu, como forma de compensação, com o tratamento cada vez mais “objetual” que ele passou a dar a sua pintura, trocando a tela de tecido convencional por planos realizados a partir de fibra de vidro, construídos a partir de sucessivas camadas de resina. Ao invés do suporte clássico, o tecido de linha à lona esticada no chassis, tema final das investigações pictóricas pertencentes ao alto modernismo, expresso nas pinturas monocromáticas, nas telas cortadas por Lucio Fontana, o artista optou por uma matéria-prima própria a indústria, amplamente utilizada em automóveis, pranchas de surfe, ainda que passível de ser trabalhada artesanalmente.

 

 

A presença de sentenças organizadas em desenhos próprios a poesia, algumas semelhantes a haikais, significou uma alteração substantiva de seu projeto original, transformando sua pintura em pintura-poesia, algo aparentado com o projeto “verbivocovisual”, nascido na esteira de James Joyce, responsável pelo termo, aqui instaurado pelos poetas Haroldo e Augusto de Campos, Décio Pignatari, José Lino Grunewald e Ronaldo Azeredo, e que visava garantir a integração entre som, sentido e visualidade. Em Luiz Ernesto, contudo, a imagem é mantida, prova de sua força e irredutibilidade e, conquanto suas poesias sejam cuidadosas no que se refere à forma e conteúdo, sua novidade consiste em confrontar os dois, ícone e símbolo, imagem e palavra, fazendo com que do entrechoque os sentidos se proliferem. Colocando-os juntos – justapostos, lado a lado, um sobre o outro etc, fica-se sem saber o que nasce antes, o que equivale a dizer que o trânsito entre ambas linguagens, entre imagem e texto, fecunda-as. Como prova, basta o exemplo do copo frágil, matéria branca sobre campo branco, parcialmente tomado pela sombra que se prolonga numa lâmina, por efeito da luz que incide sobre ele, e o jogo de palavras produzido pelo vocábulo “ínfimo”, com seu primeiro “i” retraído, grave, em contraposição a claridade de “dia”, contida no interior da palavra que fecha o verso.

 

 

O apuro em calibrar os poemas, garantindo que não se reduzam a legendas das imagens, espraia-se na série de fotografias que o artista apresenta nessa sua nova exposição, um benvindo desdobramento dessa pesquisa poética fundada no despojamento, na eloquência do silêncio e da solidão.

 

 

O amontado de lápis remete a queda e desarranjo do feixe em que anteriormente estavam organizados. Um acidente e, consequentemente um embaralhamento de cores, todas elas comedidas em seus corpos longilíneos exatos. Texto e imagem enlaçam-se na construção de um resultado que, não obstante sua fixidez, reconduz ao movimento ocorrido, a dança compreendida como a fonte de um arco de cores que jorra pelo ar.

 

 

Em várias dessas fotografias os objetos não estão a sós com as palavras, mas apresentados na situação em que estavam quando de seu registro. Os corpos e cores dos textos, dos objetos retratados e dos lugares em que estavam, chegam-nos juntos, e a tudo isso, a essa interpenetração de dimensões basculantes, ensina-nos Luiz Ernesto, chamamos espaço. Como acontece com o corpo liso e reflexivo da garrafa que condensa e expande o azul para o alto, em direção ao céu, para os lados, parede e mesa, fazendo desta a borda de um mar no qual flutua, horizontalmente exata, o verso hendecassílabo que afirma a poder dos objetos, por pequenos que sejam.

 

 

 

Sobre os trabalhos de Susana Bastos

O estágio de ser  por Luciana Garcia-Waisberg

 

 

Uma muda não é uma planta. Ela é o estágio de ser uma planta. Uma muda não se apreende, pois o que ela é agora já não será no próximo instante. Nem sempre é bela, pois seu desenho não possui um contorno definido. Sua forma poderia representar perfeitamente a esperança, na medida em que ela abrange a liberdade do começo de um ciclo e o frescor do futuro em aberto.

 

 

Em sua exposição Eixo, Susana Bastos apresenta um conjunto escultórico resultante de um processo de investigação de formas e espaços que evocam o limiar entre natural e artificial, entre perfeição e imperfeição, entre pureza geométrica e sensualidade orgânica.

 

 

Bagos de sementes, mudas de plantas e galhos secos fazem parte deste conjunto, onde cada instalação apreenderá um tempo contido no estágio de ser alguma coisa: De ser forma, de ser ideia, de ser matéria. E também de ser sonho, de ser esperança, de ser história.

 

 

Do sonho em ser semente, da esperança em ser muda e da história escrita por um galho seco, o tempo passa incessantemente em torno de eixos. O relógio conta o tempo, o planeta percorre o tempo e o homem define seu tempo. Em torno de eixos, o tempo passa e dá forma à história de todos os tempos. Em torno de eixos, ciclos se renovam.
Dos sete mil carvalhos semeados por Joseph Beuys às casas partidas ao meio por Gordon Matta-Clark, o estágio de ser é lidar permanentemente com algo novo, ora substituindo o passado, ora fissurando o presente, ora lançando esperança ao futuro, para poder trazer de volta (ao eixo) uma nova ordem que constrói, destrói e renova o ciclo espaço-temporal das coisas. E viver será sempre existir de novo, pois o que é agora será outra coisa daqui a pouco.

 

 

 

Até 21 de agosto.

Investigações formais na Marcelo Guarnieri

17/jul

A exposição “Estrutura Quadro: Revisão e Desdobramentos”, exposição individual de Marcus Vinicius pode ser conferida na Galeria de Arte Marcelo Guarnieri, Jardins, São Paulo, SP.

 

Em sua primeira exposição na unidade de São Paulo da Galeria de Arte Marcelo Guarnieri, Marcus Vinícius exibe seu recente trabalho de pesquisa “Estrutura Quadro: Revisão e Desdobramentos”. Num total de 34 obras, divididas em 06 séries diferentes – “Listrados”, “Arrimados”, “Emendados”, “Acidados”, “Alumínio” e “Constructos”, o artista reafirma a característica e urgência de seu trabalho autoral: a investigação da “Estrutura Quadro”. O conceito nasce do processo do artista em retrabalhar o objeto quadro, a partir de sua estrutura e funcionalidade conhecidas, mas investindo-o em diversas possibilidades estéticas, com o uso de novos materiais.

 

No processo contínuo de investigação, a partir de problemas que surgem durante o caminhar, Marcus desenvolve soluções técnicas, formais e conceituais, que apontam desdobramentos. “Antigamente os trabalhos partiam de projetos prévios, mas agora os projetos são posteriores ao início do trabalho. O projeto vai acontecendo para resolver um trabalho iniciado, quando necessário”, aponta o artista.

 

Para a exposição “Estrutura Quadro: Revisão e Desdobramentos” – com obras com dimensões que variam de pequenos a grandes formatos, Marcus Vinícius retoma três séries desenvolvidas ao longo dos últimos 10 anos, os “Emendados” de 2001, os “Arrimados” de 2003 e os “Listrados” de 2004, além de sua produção experimental recente.

 

Entre as novidades para a exposição, destaque para os trabalhos acidados, alumínio, emendados e listrados. Nos “Acidados”, ácido sobre vidro transparente que recebe jateados e adesivos coloridos. Pequenos espaços criados pelos adesivos enfatizam a capacidade da obra em criar uma relação de fosco e reflexo; uma sensação ambígua de espaço e de interferência da cor do adesivo no vidro transparente. Nas obras em “Alumínio”, estruturas construídas com chapas de forro de alumínio escovado e vidro conferem importância ao material; a propriedade do material incorpora reflexos de cor e do entorno, ativando um espaço interno da obra.

 

Nos “Emendados”, quadros independentes juntam-se para compor uma única obra. A montagem horizontal do quadro cria um dinamismo entre as partes, formando uma unidade que só pode ser percebida através do deslocamento do olhar e do observador. Obras construídas em MDF, os quadros “Listrados” recebem vidros incolores apoiados, que são projetados para frente. Além do contraste entre o MDF pintado e os vidros coloridos, os projetados refletem o ambiente que circunda a obra.

 

Ao utilizar a cartela de cores de catálogo, as obras do artista refletiram a sua preocupação com uma linha de abordagem industrial e construtivista.

 

 

De 26 de julho a 23 de agosto.