Pierre Verger: dos anos 30 aos 50

24/fev

Em parceria com a Fundação Pierre Verger de Salvador, BA, a  Galeria Marcelo Guanieri, São Paulo, SP, inaugura a programação para o ano de 2015, com a retrospectiva “Pierre Verger, o Mensageiro”. A partir do próximo dia 28 de fevereiro, o público pode conferir 40 imagens, que compreendem a fase de produção da fotografia etnográfica dos anos 1933-1950, do fotógrafo franco-brasileiro. Anterior às pesquisas de Verger sobre a diáspora negra na América, a exposição que retrata países de continentes, como América, África, Asia, recebe, pela primeira vez, no mercado brasileiro, ampliações assinadas em 1993 pelo “mensageiro”.

 

Com residência fixa em Salvador, desde 1946, o então nascido Pierre Verger tornara-se o babalaô Pierre “Fatumbi” Verger, após a conversão ao Candomblé, e os estudos sobre as religiões de matrizes africanas. Foi nesta ocasião, em visita à Bahia, que os editores da Revue Noire, Jean Loup Pivin e Pascal Martin Saint Léon, e o próprio fotógrafo, selecionaram, após minucioso trabalho, 300 negativos, que se transformaram em copias de altíssimas qualidades, e, posteriormente, nos fotolitos do livro “Le Messager” e/ou expostas.

 

Apresentada no ano de 1993, pela Revue Noire, no Musée d’Art d’Afrique et d’Océanie, na França e na Suiça, “Pierre Verger, o Mensageiro” destacou a importância da arte e da cultura africana para o ocidente, com mostras que colocaram, novamente, o público europeu com o trabalho do fotógrafo. Até a Segunda Grande Guerra – portanto, antes de fixar moradia em Salvador – Verger era um reconhecido artista, com fotografias publicadas nas mais importantes revistas francesas e internacionais da época, como Life, Vu, Regards e Arts et Métier Graphiques. 53 anos depois,  com a abertura de“Le Messager”, o nome de Verger recebia a merecida atenção do público, da crítica e da imprensa especializada da Europa.

 

Com a presença do fotógrafo na ocasião da abertura da exposição em Paris, a Revue Noire conseguiu que ele assinasse uma certa quantidade de cópias dos negativos. Não era uma prática comum na trajetória de “Fatumbi” Verger, que privilegiava os negativos, por representarem as suas memórias. Três anos depois, em 1996, no dia 11 de fevereiro, Verger faleceria, na cidade de Salvador, logo após a reedição de seu livro preferido, “Deuses da África”, pela Revue Noire e a publicação, no Brasil, de “Ewe, O uso das plantas na Sociedade Iorubá”, pela Companha das Letras. Até os anos 2000, a Revue Noire comercializou as cópias de “Le Messager” na França, que foram readquiridas pela Fundação Pierre Verger.

 

 

Texto da Fundação Pierre Verger

 

Antes de chegar ao Brasil, antes de se debruçar sobre a cultura afro-brasileira, antes de se tornar babalaô, Pierre Verger era, essencialmente, fotógrafo. Um fotógrafo já reconhecido desde antes da Segunda Guerra Mundial e com fotografias publicadas nas mais importantes revistas francesas e internacionais da época, como “Life”, “Vu”, “Regards” e “Arts et Métier Graphiques”. Quando sua vida e sua obra caminharam em direção às questões afro-brasileiras, tornou-se um homem do candomblé, publicou intensamente sobre essa temática – notadamente sobre sua matriz religiosa -, fixou residência na Bahia e mergulhou tão profundamente nesse novo viver que foi aos poucos desaparecendo da memória de seus contemporâneos franceses e europeus, ao menos como fotógrafo.Em 1993, a Revue Noire, das primeiras a destacar a arte africana no mercado ocidental, realizou a grande exposição Pierre Verger, Le Messager, com mostras na Suíça e na França, no Musée d’Art d’Afrique et d’Océanie. Amplamente divulgadas nos meios de comunicação franceses, esse grande evento cultural recolocou Verger no cenário da fotografia em seu país de origem.No processo de construção dessa exposição e com o objetivo de selecionar imagens para a mostra e para o livro-catálogo, os diretores da Revue Noire vieram até a casa de Verger, na Bahia.  Após um minucioso trabalho, desenvolvido em conjunto com o fotógrafo, levaram mais de 300 negativos para Paris, onde realizaram, pela primeira vez, cópias de excelente qualidade. A maioria dessas ampliações foram, então, utilizadas para fazer os fotolitos do livro Le Messager e/ou expostas.Nessa época, os donos da Revue Noire, aproveitando a presença de Verger em Paris, conseguiram que ele assinasse uma certa quantidade dessas cópias, o que Verger aceitou fazer, embora normalmente não se submetesse a esse tipo de cerimonial.  O que realmente importava para Verger – ao contrário de muitos fotógrafos – eram seus negativos, por representarem suas memórias.  Na verdade, ele dava pouca importância às ampliações, que não costumava vender e que podia reproduzir quando se fizesse necessário.Poucos anos depois, em fevereiro de 1996, Verger faleceu na Bahia, deixando esse conjunto único de imagens, que continuou em poder da Revue Noire, em Paris.  Essas imagens foram comercializadas na França, até o final do ano de 2000, quando a Fundação adquiriu sua quase totalidade.

 

Nesse momento, através da Galeria de Marcelo Guarnieri, com sede em São Paulo, a Fundação coloca à venda, pela primeira vez no mercado brasileiro, essas cópias assinadas por Pierre Fatumbi Verger, em Paris.

 

 

De 28 de fevereiro a 28 de março.

Milagros, de Milton Marques

 

O Ateliê397, Vila Madalena, São Paulo, SP,  com apoio da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo – via ProAC, inaugura a exposição “Milagros”, do artista Milton Marques, com curadoria de Thais Rivitti. A mostra é composta por dois trabalhos novos: uma dupla de retratos e um objeto plástico-sonoro, ambos sem título, de 2015. Os retratos, de dois curadores brasileiros conhecidos, foram feitos a pedido do artista a partir de fotos achadas na internet. Milton encomenda as pinturas e, depois de recebê-las, adiciona a elas um mecanismo que as faz “chorar”. Gotas d’água brotam da tela, na altura dos olhos do retratados, e escorrem pelo quadro. Ao lado dos retratos, a exposição traz um trabalho no qual um mecanismo construído pelo artista faz um pedaço de cortiça roçar nas paredes de taças de cristal em rotação, gerando um ruído que se espalha pelo ambiente. O “choro” dos retratados encontra, assim, seu equivalente sonoro no barulho que vem do cristal.

 
Para a curadora, “o caráter postiço dessas presenças que se sobrepõem no espaço expositivo – o choro falso e o som estranho – colaboram para a criação de um ambiente onde mágica e truque, feitiço e embuste encontram-se em tensão”. O que estaria em jogo, para ela, é a própria função do curador no sistema da arte: “Nessa exposição, Milton explora a operação, algumas vezes atribuída ao curador, de transformar um objeto comum em obra de arte. Essa espécie de transubstanciação que, supostamente, o curador realizaria é, como todo milagre, um gesto cercado de contradições e ambiguidades: há algo sublime e algo duvidoso em sua natureza”.

 

 
Milton Marques é artista plástico nascido em Brasília em 1971. Já participou de inúmeras mostras, individuais e coletivas, no Brasil e  no exterior dentre as quais destacam-se: “Situações Brasília”, Museu Nacional do Conjunto Cultural da República, Brasília, 2012; “Os Primeiros Dez Anos”, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, 2011; “Cinema, Sim – Narrativas e Projeções”, Itaú Cultural, 2008; “Nova Arte Nova”, Centro Cultural Banco do Brasil, São Paulo, 2009; “Contraditório – Panorama da Arte Brasileira”, Museu de Arte Moderna, 2007, “5a, Bienal do Mercosul”, Porto Alegre, Brasil, 2005 e “26a. Bienal de São Paulo”, São Paulo, Brasil, 2004.

 

 

 

MILAGROS por Thais Rivitti

 
Na exposição “Milagros”, Milton Marques apresenta duas obras novas: um par de retratos de curadores brasileiros que, tendo acoplados um mecanismo de gotejamento, soltam água imitando um choro e um aparelho construído pelo artista no qual pedaços de cortiça encostam nas bordas de taças de cristal em constante rotação, propagando pelo ambiente um som ligeiramente diferente cada taça.

 
Os retratos, de curadores conhecidos, foram encomendados pelo artista e tiveram como base fotografias disponibilizadas na internet ou em revistas de arte. As imagens se condensam na tela tal com vieram dos meios de comunicação e conservam algo de seu contexto original (uma expressão, uma pose). A série de retratos que Milton está fazendo compreende muitos outros retratados, além dos dois presentes. Mais do que a intenção de personificar esse ou aquele indivíduo, a discussão centra-se na própria figura (genérica) do curador que está atuando no presente, que aparece como resultado nas buscas do google ou o dá declarações sobre seu ofício à imprensa.

 
Depois de selecionar as imagens, Milton acopla a elas um mecanismo que faz com que elas soltem água pelos olhos, simulando o ato de chorar. Essa intervenção nas imagens, esse choro postiço inserido ali pelo artista, acaba por gerar uma série de relações provocantes. A ideia de milagre vem a mente uma vez que a obra evoca imediatamente as histórias populares que relatam imagens de santos que choram. Além disso, como o próprio nome da exposição sugere, milagros são também ex-votos, peças (fotos, desenhos, réplicas de partes do corpo) feitas em agradecimento a alguma graça alcançada.

 
“Milagros”, assim, refere-se muito diretamente ao universo mágico religioso do qual, no processo de modernização, a arte teria se separado. E não o faz sem certa ironia. Evidentemente há uma menção a certos poderes extraordinários que são atribuídos aos curadores em nosso sistema da arte. Mas a obra não para diante dessa denúncia, não se resolve em um esquema paródico. Se flerta com o cômico, também recoloca as dificuldades que hoje cercam a atuação desse profissional cuja tarefa é a de separar o joio do trigo na produção de arte de seu tempo. Os critérios para se afirmar a qualidade a um objeto de arte talvez nunca tenham sido tão difíceis de enunciar quanto são hoje. Por mais que curadores esforcem-se em tornar claras suas escolhas, posições e olhares, há sempre algo, em uma leitura de obra, em uma aposta nesse ao naquele artista, que não pode ser sintetizado por um discurso rigorosamente objetivo. Talvez as lágrimas venham dessa condição – mais semelhante a do profeta do que ao santo – de muito solitariamente enxergar algo ali, onde normalmente não se vê nada.

 
A evocação do milagre está presente também na obra sonora, que acaba por funcionar como um coro, uma tradução sonora dos vários choros no espaço. Preenchidas com vinho, as taças, que são componentes essenciais da peça recém realizada, remetem tanto ao episódio bíblico das Bodas de Caná, onde Jesus transforma água em vinho, como ao próprio ato litúrgico da eucaristia, no qual o vinho transubstancia-se em sangue de Cristo. Nessa exposição, Milton explora a operação, em parte atribuída ao curador, de transformar um objeto comum em obra de arte. Essa espécie de transubstanciação que, supostamente, o curador realizaria é, como todo milagre, um gesto cercado de contradições e ambiguidades: há algo sublime e algo duvidoso em sua natureza.

 

 
De 23 de fevereiro a 20 de março.

Sarah Morris no Brasil

11/fev

A Galeria Fortes Vilaça e a White Cube São Paulo, apresentam a primeira exposição de Sarah Morris no Brasil. Para essas exposições simultâneas – serão exibidas doze pinturas na White Cube, Vila Mariana, um filme e uma série de trabalhos sobre papel na Fortes Vilaça, Vila Madalena  – a artista lança seu olhar para as duas principais cidades brasileiras, com suas complexas camadas de leitura. A artista examina a cultura e a ideologia do capitalismo tardio e seus efeitos na arquitetura, planejamento urbano e burocracia social, dando origem ao que Bettina Funcke identificou como “a hiper-intensidade de nosso tempo”.

 

 
Até 28 de março.

Exposição experimental

02/fev

 

Entre os dias 3 e 12 de fevereiro de 2015, o anexo da Galeria Millan, Vila Madalena, São Paulo, SP, – espaço ainda em construção – recebe “NO SOUND”, uma exposição experimental (que pode ser entendida como um happening) curada por Sofia Borges, que também participa como artista. Com obras antigas e inéditas, ela e os artistas Antonio Malta, Erika Verzutti, Paulo Monteiro, Rafael Carneiro e Theo Michael ocupam o espaço em transformação. As obras deste grupo são entendidas pela curadora como “objetos iniciais” ou ponto de partida. Em um segundo momento, eles e outros artistas, como Chico Togni e Suiá Ferlauto, serão convidados a intervir no espaço com a produção de novas obras, desenhos, esculturas, pinturas, peças de teatro, danças e poemas, tendo como suporte objetos e superfícies já presentes na exposição. A proposta da curadora é que a mostra esteja sempre em transformação.

 

 
De caráter experimental, “NO SOUND” gira em torno de conceitos como mimese, linguagem e a impossibilidade de algo ser, em si, plenamente compreensível. Por exemplo, uma obra dos artistas Sofia Borges e Theo Michael será o ato de constantemente renomear todas as obras expostas. A curadora também pretende constantemente alterar a posição dos trabalhos na exposição, para com isso criar novos diálogos entre as obras, o espaço e o público.

 

 
Sofia Borges entende que esta exposição acontecerá em quatro fases, sendo duas dentro do espaço expositivo e duas fora dele. A primeira fase pode ser considerada como o “núcleo duro” da mostra, composto pelas obras apresentadas desde o início da exposição. Nesta fase, Sofia Borges exibe fotografias em grande formato, a maioria em tons de cinza: são trabalhos já exibidos entre 2012 e 2014, além de fotografias inéditas. Antonio Malta participa com pinturas a óleo, produzidas em 2013 e 2014, também em grande formato. Erika Verzutti e Paulo Monteiro apresentam esculturas em bronze. Rafael Carneiro produziu uma pintura a óleo especialmente para a exposição, apresentando ainda desenhos do começo de sua carreira.

 

 
A segunda fase consiste nos dez dias de duração da exposição, período que pode ser entendido como um happening. Nesta fase ocorrerá a criação, in loco, de  novas obras ou de intervenções sobre os objetos iniciais. Nesta etapa, Theo Michael, Rafael Carneiro e Antonio Malta serão convidados a desenhar sobre fotografias em grande formato de Sofia Borges. É desta fase que participará o segundo grupo de artistas, com atuações específicas propostas pela curadora: Chico Togni, por exemplo, será convidado a produzir obras não-figurativas, em tons de cinza, branco ou preto, partindo do conceito de Belo de Platão, com papelão, papel e materiais da construção.

 

 
Nas fases que acontecerão fora do espaço expositivo, a curadora convidará pessoas de diversas áreas, onde quer que elas estejam, a produzir obras, textos e reflexões sobre os conceitos da exposição.

Afonso Tostes na Galeria Milan

A Galeria Millan, Vila Madalena, São Paulo, SP,  abre a temporada de exposições de 2015 com a mostra “Sala de trabalho”, individual de Afonso Tostes, que apresenta nova série de esculturas e primeira mostra do artista na galeria. A exposição ocupa o andar térreo da galeria. Inéditos, os trabalhos exibidos são desdobramentos da série apresentada na exposição “Tronco”, realizada no início de 2014, na Casa França-Brasil, no Rio de Janeiro. São cerca de 50 esculturas realizadas nos cabos de ferramentas empregadas em diversos tipos de serviços, todas de uso manual: foices, martelos, enxadas, pás, rastelos, forcados, facões e outros.

 
Cada peça é única, não apenas pela intervenção escultórica, também pelo desgaste de uso que cada ferramenta apresenta. A interferência escultórica do artista remete à ossatura humana, em escala real, como se o instrumento fosse a extensão dos corpos que o utilizaram, referindo-se à relação entre o homem e a técnica. A exposição reflete também sobre a convivência de operações rudimentares com as técnicas digitais, que ainda coexistem com processos arcaicos de produção, desigualdade nas relações de trabalho, escravagismo, fome e outros aspectos não superados pelo desenvolvimento tecnológico.

 
Para o artista, o conjunto das peças, entendida como instalação, pode despertar no espectador uma forte carga de memória, uma vez que um dos elementos presentes nas obras é a própria ação do tempo. O artista espera, desse modo, que o público potencialize e expanda o entendimento em relação aos trabalhos expostos.

 

 
Até 28 de fevereiro.

Individual de Dino Pazzanese

28/jan

A Galeria Vilanova, Vila Nova Conceição, São Paulo, SP, exibe “Taste Wild Water”, exposição individual do artista plástico Dino Pazzanese, com curadoria de Bianca Boeckel. As 6 telas que compõem a exposição mostram figuras femininas com histórias nada óbvias e traços marcantes, ora em cenários claros, ora escuros, secundários à profundidade dos olhares e sofrimentos retratados.

 

A inspiração de Dino Pazzanese para esta série encontra-se em diversas fontes: desde a natureza e nossa relação com ela, até conflitos entre anseios e necessidades com os nossos instintos; a loucura que a sociedade impõe e subtrai das nossas verdadeiras inclinações e sonhos. Com estilo que acredita ser inerente à individualidade de sua própria alma, em “Taste Wild Water”, o artista pinta mulheres com contornos retilíneos e traços fortes, transmitindo mais que meros sentimentos em suas feições, envolvidas em atmosferas que denotam paz, aprisionamento, melancolia ou até mesmo sensualidade. Caracterizada por suas figuras e histórias de inclinação mitológica, a pintura de Dino Pazzanese pode também representar situações políticas, emocionais e românticas, enquanto persegue a história do mundo. Sobre seu trabalho, o artista comenta: “Em relação às cores, são representações também de elementos geralmente naturais, com bastante vontade de buscar as cores do sol ou da luz da lua, da terra ou das plantas, e as forças e exuberância do corpo e os lampejos da alma.”.

 

Por opção e propositadamente, Dino Pazzanese se desvincula da arte contemporânea, por acreditar e apostar sempre em sua verdade pessoal. Conceitos à parte, eis uma oportunidade única de conhecer este mundo peculiar do artista. Nas palavras de Bianca Boeckel: “Com esta mostra, oferecemos um mergulho em novas sensações visuais e percepções. Um passo ousado para a Galeria Vilanova, que visa sempre surpreender com novas temáticas.”.

 

 

De 07 de fevereiro a 05 de março.

Nario Barbosa, coletiva no Itaú Cultural

22/jan

Em meio a cliques e linhas coloridas, o fotógrafo Nario Barbosa – um dos artistas representados pela OMA | Galeria – vai ter um ano agitado em 2015. Para iniciar suas atividades, integra a mostra coletiva “A Arte da Lembrança – A Saudade na Fotografia Brasileira”, no Itaú Cultural, São Paulo, SP. As duas imagens com intervenções de Nario Barbosa fazem parte do acervo pessoal de Rubens Fernandes Junior – jornalista, curador e crítico de fotografia – e contam com bordados típicos do Nordeste. “Sou sergipano e acho que essa característica que transponho na foto vai remeter a muitas lembranças. Afinal, é essa a ideia”, diz o artista.

 

 

Nario Barbosa, que recentemente foi um dos vencedores da etapa nacional do Metro Challenge – considerada uma das maiores competições de fotografias do mundo -, na categoria Fuga Urbana, foi convidado por Diógenes Moura, curador da exposição.

 

 

“A Arte da Lembrança – A Saudade na Fotografia Brasileira” propõe ao público reconhecer os diferentes ângulos e modos de conviver com um sentimento tão singular, por meio de um recorte de imagens datados de 1930 a 2014 de 36 fotógrafos que primam pela poética.

 

 

 

De 24 de janeiro a 08 de março.

Paulo von Poser lança livro

21/jan

O artista plástico Paulo von Poser lança “Um Viaduto Chamado Minhocão”, livro de desenhos incompletos e abertos para cada leitor colorir e interferir. A ideia é que, a partir do mesmo contorno, cada um terá sua própria e única versão final da mesma imagem, um convite à participação popular nesta causa urbana. Com textos e poesias de Gil Veloso, o projeto surgiu do desejo do artista plástico de levar o público a “colorir como uma ação afirmativa de interferência direta”, um desejo de conversa através de um desenho coletivo, a partir de seus próprios sonhos para uma cidade mais sustentável e humanizada.

 

 
Envolvido no projeto do Parque Minhocão desde sua criação, Paulo von Poser busca conquistar os habitantes da urbe que tanto preza, fazendo-lhes um convite para imaginarem, principalmente através do olhar e das cores dos mais jovens – crianças e adolescentes -, qual a cidade que gostariam de encontrar no futuro. Se não em sua totalidade, ao menos em um local específico.

 

Os leitores são convidados a participar de uma galeria virtual no site do artista, enviando e compartilhando seus desenhos coloridos. “Faça sua parte. Descubra e compartilhe com seus amigos e crianças, seus filhos, vizinhos e parentes. Desenhe junto com eles… Divirta-se! Nossa cidade precisa e merece seu afeto colorido.”

Com uma trajetória de mais de 30 ano nos circuitos culturais nacional e internacional, Paulo Von Poser inicia o ano de 2015 com um projeto que fala diretamente a seu coração e a seus temas mais caros: vida e urbanismo, com toques de civilidade e sensibilidade.

 

 

Evento: Lançamento do livro “Um Viaduto Chamado Minhocão”.

Autores: Paulo von Poser e Gil Veloso

 

 

Data: 25 de janeiro de 2015, domingo, das 11 às 15h

Local: Viaduto do Minhocão (acesso pela estação Marechal Deodoro do metrô)

Arte em movimento na OMA

15/jan

Acostumado às telas e esculturas, a partir deste final de semana o público visitante da OMA | Galeria, Centro, São Bernardo do Campo, ABC, SP, vai experimentar novas vertentes artísticas no local, que passa a receber o “Arte Performativa: corpo e espaço”. Idealizado como eventos que utilizam diversas linguagens, materiais e, principalmente, o corpo como ferramentas, Elen Gruber, Mariana Vilela e Renan Marcondes vão materializar posturas críticas, sensações e informações sobre o mundo. A curadoria é assinada por Ananda Carvalho, que integra o Núcleo de Críticos do Paço das Artes.

 

 

“O espaço para esse tipo de arte dentro de galerias é super restrito. Dessa forma, damos oportunidade não só para os artistas realizarem seus trabalhos, mas também para o público do ABC ter acesso a outro formato de arte desconhecido pela maioria das pessoas. Os artistas convidados são excelentes, o nível está altíssimo, e esse é mais um importante passo na consolidação do espaço como referência de arte e cultura na região”, comenta Thomaz Pacheco, galerista da OMA | Galeria.

 

 

Os eventos terão um intervalo de 15 dias entre um e outro, sendo que a primeira performance pode ser acompanhada ao vivo neste sábado, 17, a partir das 11h. As duas restantes serão simultâneas no dia 30, às 19h.

 

 

 

Acompanhe a programação:

 

 

17/1, a partir das 11h, Mariana Vilela apresenta Um convite a …: ação na qual despe-se em palavras e/ou veste a galeria com palavras escritas em pemba (uma espécie de giz utilizado em culturas africanas). A artista procura, por meio de um exercício de escrita automática, esvaziar os seus pensamentos. Ou ainda, desconstruir a noção cartesiana de pensamento do público na medida em que a significância é construída pela ação como um todo e não por letras ou palavras específicas. Não importa a temática de suas frases, mas, sim, os seus desencadeamentos que aos poucos vão abandonando as regras que regem a estrutura da língua para tornarem-se linhas e desenhos.

 

 

30 – a partir das 19h, Renan Marcondes apresenta Como um jabuti matou uma onça e fez uma gaita com um de seus ossos e Elen Gruber convida o público para conhecer sua Sala de Exercícios.

 

 

Renan Marcondes vai realizar uma coreografia para a construção de uma instalação. Através de movimentos mínimos, o artista vai reorganizar o espaço para propor perspectivas não dicotômicas. Em seu processo de criação, recorre a representações gráficas da matemática para compor gestos orquestrados pelas relações de peso e leveza entre seu corpo e objetos. Com suas ações, ele propõe novas formas de observação do mundo em que sujeito, objeto e espaço se misturam.

 

 

Já Elen Gruber convida a todos para participar de aulas de ginástica em sua Sala de Exercícios. Entretanto, as ações propostas não são os mesmas encontradas em uma academia tradicional. A artista desenvolve uma série de exercícios, individuais e em dupla, que derivam do padrão de forma, força e resistência de seu próprio corpo ou da sua relação com outro corpo. Por esta perspectiva, a expressão física materializa outras forças mais abstratas vividas pelo indivíduo nas relações sociais.

 

 

 

Apresentações ao vivo nos dias 17 (a partir das 11h) e 30 de janeiro (a partir das 19h).

 

 

Projeções entre os dias 18 de janeiro e 07 de fevereiro.

Photoarts Gallery | Iguatemi Alphaville

17/dez

 

A Photoarts, um novo conceito em galeria, após abrir espaço no Shopping Iguatemi São Paulo e realizar exposição temporária nos shoppings Iguatemi Alphaville e Market Place, inaugura sua galeria no shopping Iguatemi Alphaville, com cerca de 100m2 dedicados à exposição e comercialização de fotografias de 56 artistas nacionais e estrangeiros. A galeria se baseia na tendência internacional de trabalhar com amplas tiragens de obras de profissionais gabaritados, montadas pelo processo de metacrilato, sendo que um percentual do valor da venda das obras – como posicionamento já adotado anteriormente -, será doado à TUCCA – Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer.

 

Com um padrão que foge do convencional cubo branco, a Photoarts possui paredes negras, algumas salas com paredes em cores diversas, iluminação que varia entre spots direcionados às imagens em exposição e backlights com fotografias de Mila Mayer no teto, exibindo cenas registradas em Aspen (Colorado, Estados Unidos), o que gera a impressão de estarmos dentro de uma floresta, no outono. Citando alguns dos fotógrafos com obras no local, temos os brasileiros Alexandre Militão, Angelo Pastorello e Maurício Nahas, os norte-americanos Brian Xavier e Richard Gottardo, os europeus Andreas Kunz e Aneta Ivanova, os asiáticos Hanson Mao e Weerapong Chaipuck, entre vários outros nomes.

 

Ao entrar na galeria, a proposta é que o visitante tenha uma experiência completa e inspiradora, assimilando a principal intenção da Photoarts, nas palavras de seu criador: “A arte é para todos e, por isso, deve ser também didática aos olhos menos treinados.”

 

A curadoria é de Paulo Varella.

 

 

Data: 19 de dezembro de 2014, sexta-feira, às 18h

 

Local: Shopping Iguatemi Alphaville – Alameda Rio Negro, 111 Alphaville, Barueri – São Paulo