Pinakotheke: Mabe, livro e exposição

08/abr

Ao comemorar dez anos de atividades na cidade de São Paulo, a Pinakotheke, Morumbi, São Paulo, SP, inaugura a exposição “Manabu Mabe (1924-1997) anos 1950 e 1960” que reúne 36 pinturas, a maioria inédita, das décadas de 1950 e 1960 e lança um livro correlato de autoria de Paulo Herkenhoff, uma iniciativa do Banco BTG Pactual. Nesta exposição, a galeria introduz o sistema QR Code para que os visitantes visualizem em seus celulares e tablets informações complementares de cada obra: vídeos, áudios e novas referências.

 

A mostra ressalta a produção de Mabe a partir do abstracionismo, nas décadas de 1950 e 1960, período em que o artista alcança o reconhecimento máximo. O núcleo principal das obras reunidas refere-se à coleção Profili, formada na década de 1960 por Arturo Profili, amigo de Mabe e seu primeiro agente, fundador da Galeria Sistina em São Paulo e da Galeria Profili na Itália, onde Mabe realizou bem sucedidas exposições. Esta coleção nunca exposta na sua totalidade representa o melhor da produção do artista deste período.

 

Já o livro homônimo, concebido pela Edições Pinakotheke (bilíngue português-inglês) apresenta texto do crítico Paulo Herkenhoff, excertos de textos publicados no Brasil e no exterior e mais de 150 reproduções. A publicação “Manabu Mabe (1924-1997) anos 1950 e 1960” traz ainda uma cronologia ilustrada com fotos de diversas épocas da vida do artista.

 

Conforme destaca Paulo Herkenhoff, o estudo da produção de Mabe implica compreender seus embates, suas conquistas, hesitações e contradições, a persistência dos liames orientais em sua produção, a excelência do ato pictórico-caligráfico e o sentido de sua pintura no contexto da modernidade brasileira do pós-guerra.  “Sua pintura permite, na verdade, compreender o modo de recepção intelectual da arte abstrata no processo liderado pela Bienal de São Paulo e, mesmo, indicar as fragilidades e incongruências na compreensão conceitual da pintura vigente”, afirma o crítico. Segundo ele, ainda, os artistas brasileiros nascidos no Japão, como Mabe, Tomie, Shiró, trazem um traço, um nome próprio ideogramático (e a língua, o olhar, a caligrafia pictórica, uma visão de mundo que expande o campo da pintura).

 

Sobre o artista

 

Manabu Mabe, pintor, gravador, ilustrador, nasce no Japão em 1924. Emigra com a família para o Brasil em 1934. Trabalha na lavoura de café no interior de São Paulo. Interessado em pintura, começa a pesquisar em revistas japonesas e livros sobre arte e inicia a prática da pintura em 1945. No fim da década de 1940, muda-se para a cidade de São Paulo. Integra-se ao Grupo Seibi e participa das reuniões de estudos do Grupo 15. Na década de 1950 tem participação ativa no contexto da arte brasileira torna-se um dos artistas mais destacados do abstracionismo informal no país.

 

A partir de 1957 inicia a sua trajetória no campo da abstração. Manabu Mabe explora em suas obras o empastamento, a textura e o traço e se revela um colorista de porte. Ao voltar-se para o universo das formas caligráficas, percebe também as possibilidades de criar uma linguagem lírica com a cor. Dessa forma, em meados desta década começa a aproximar-se também de certos aspectos do tachismo.

 

Em 1959, Mabe alcança consagração nacional e internacional. Recebe o prêmio de melhor pintor nacional na V Bienal de São Paulo. Sobre a premiação de Mabe comentou o crítico Mario Pedrosa no que chamou de “ofensiva tachista e informal”: “Um jovem artista japonês desconhecido, Manabu Mabe, é o vitorioso. Mal chegado do interior de São Paulo, onde fazia seu estágio obrigatório de imigrante, Mabe ganha instantânea notoriedade. De gosto inefavelmente japonês, as manchas de Mabe têm um poder emocional de fácil comunicabilidade, e com elas inaugura-se em definitivo a voga tachista no Brasil”. Neste mesmo ano, é homenageado com o artigo “The Year of Manabu Mabe”, publicado na revista Time, em Nova York.

 

Vitorioso também na I Bienal de Paris, no ano seguinte recebeu o cobiçado Prêmio Fiat na XXX Bienal de Veneza. Daí em diante sua carreira segue em franca ascensão. Realiza grandes mostras nos Estados Unidos e na Europa; e pela primeira vez expõe no Japão, em 1965. A partir da década de 1970, cristaliza seus procedimentos anteriores – que reaparecem estilizadamente em quase toda sua produção, incorpora em seus quadros figuras humanas e formas de animais, apenas insinuadas ou sugeridas, mas em geral representadas em grandes dimensões. Paralelamente, as grandes massas transparentes e etéreas com que vinha trabalhando adquirem um aspecto de solidez.

 

Nos anos 1980 as figuras voltam em suas telas, mas em formas abstratas e sutis. As espatuladas mesclam as cores e surgem novas formas, novas cores. As composições são ricas em detalhes. Cada espaço da tela tem sua própria concepção e surgem as formas geométricas em contradição com as formas gestuais. As cores são cada vez mais vibrantes, sem agredir o espectador que contempla a obra.

 

No dia 30 de janeiro de 1979, um trágico acidente aéreo fez com que o artista perdesse uma quantidade significativa das melhores obras produzidas ao longo de sua carreira. Um avião cargueiro decola do aeroporto de Narita no Japão ao término da sua exposição e desaparece de forma misteriosa. De 1980 até a sua morte em 1997 realiza inúmeras exposições no Brasil e no exterior.

 

Até 18 de maio.

No Espaço Cultural Citi

O crítico de arte Jacob Klintowitz assina a apresentação e a curadoria da exposição individual de Manu Maltez no Espaço Cultural Citi, Paulista, São Paulo, SP. Artista multimídia, Manu Maltez é um destes artistas jovens que respira arte e utiliza todos os meios dos quais tem conhecimento para expressar-se seja desenho, gravura, música, ou atuando como instrumentista, editor e ilustrador.

 

Manu Maltez por Jacob Klintowitz

 

O fragmento e o paradoxo.

 

Talvez seja a intermitência na produção o que causa certa espécie em Manu Maltez. Eu acompanho o seu trabalho há muitos anos e tenho sempre a impressão de que ele cria por imersão profunda: a cada série um mergulho no incógnito. E, logo depois, ele se dedica à outra coisa. Assim ele desenha, faz gravura, compõe, toca contrabaixo, ilustra poemas e ficção que o emociona, edita livros. E esta amplitude de interesses explica porque a sua imagem pessoal é um pouco difusa. A nossa ainda é uma época de especialistas. O lado paradoxal, entre outros elementos, é que, após obter qualidade, ele parece desinteressado da continuação.

 

É claro que este artista se move por desafios formais. Encontrar o equivalente visual do poema “O corvo”, de Edgar Allan Poe é uma temeridade. Está longe de ser o melhor de Poe, mas é o mais famoso e o mais comentado. As traduções são inúmeras e este poema é acompanhado por um brilhante ensaio de Poe sobre a construção literária. É um paradoxo, pois o romântico e expressionista Poe faz um tratado cartesiano sobre o processo criativo do poema. Em minha opinião trata-se não de uma descrição veraz, do ponto de vista histórico, mas de outra obra de ficção. Esta contradição essencial deve ter atraído de maneira fatal Manu Maltez.

 

O que é fascinante é a qualidade do seu desenho. Feito de densidades diferentes, gestual e preciso ao mesmo tempo, muitas vezes ele lembra os esboços e estudos de mestres renascentistas. O acabamento contemporâneo, com o seu conceito de mostrar o processo do fazer – os andaimes da obra – pode recordar o que antigamente era só um estudo. É o caso de Maltez. Mas nele a memória associativa é requintada. E a sua gravura, para ficarmos no terreno visual, criada com o mínimo de elementos, retoma a extraordinária tradição brasileira da gravura que já nos deu Marcello Grassmann, Octávio Araújo, Mário Gruber, Maria Bonomi, Anna Letycia, Lívio Abramo, Oswaldo Goeldi, entre tantos outros importantes artistas.

 

Manu Maltez é um jovem artista de talento afirmativo. A amplitude de suas realizações é animadora. Este admirador de Kafka, Goya, Fellini, Grassmann, Goeldi, Rosa, Stravinsky, Poe, Glauber, Tom, Iberê, Thelonius Monk, tem nos habituado à pequenas séries de alta qualidade. Fragmentos. Agora, na passagem para a maturidade artística, talvez seja a hora de nos apresentar uma sinfônica completa.

 

Até 24 de maio.

Vik Muniz: Espelhos de papel

27/mar

Vik Muniz inaugura a sua primeira mostra na Galeria Nara Roesler, Jardim Europa, São Paulo, SP, espaço que passou a representá-lo no Brasil desde o ano passado e no qual ele inicialmente estreou, em novembro último, no papel de curador, assinando uma coletânea dedicada à Op-art. “Espelhos de papel”, a nova exposição, com onze obras inéditas, é a primeira individual de Muniz em São Paulo desde 2010.

 

As obras apresentadas pertencem à nova série “Imagens de Revista 2”, na qual o artista vem trabalhando nos últimos dois anos. Tendo mais uma vez a fotografia como objeto final de sua produção, Vik volta a se apropriar dos fragmentos de revistas., utilizando papéis rasgados, criteriosamente escolhidos a partir de imagens de publicações variadas. “Elas precisam ser rasgadas para parecerem mais acidentais, como se tivessem caído ali como confetes”, diz ele sobre o processo de colagens.

 

Vik Muniz joga com os limites da representação, recompondo imagens de obras referenciais que já fazem parte do repertório visual do espectador. A série atual parte do constante interesse do artista pelas ilusões de ótica e pelas brincadeiras, que ele diz explorar igualmente a sério. Vik conta que em visitas a museus observou que os espectadores, às vezes, se moviam para frente e para trás, numa espécie de transe, enquanto exploravam a fronteira mágica entre conceito e objeto. Para ele, justo nesse ponto de transição dá-se o encontro que considera o sublime em arte: “Esses são os momentos que contêm em sua transcendência a própria natureza da representação”.

 

Em seu texto de apresentação da mostra “Espelhos de papel”, o jornalista Christopher Turner observa que, à primeira vista, as obras parecem familiares, uma galeria de imagens famosas.“Mas quando olhadas de perto elas não são o que parecem”. Cada quadro é uma colagem composta por centenas de imagens artisticamente arrumadas de acordo com a gradação de cores: “Esse vertiginoso mosaico de imagens superpostas, que dissolvem o plano do quadro numa multiplicidade de pontos focais, foi escaneado e ampliado para que o espectador possa ver os cabelos, as fibras e até a celulose do papel cortado nas bordas”, escreve Turner.

 

O conjunto de fotografias digitais C-print em grandes formatos, que constitui a montagem da Galeria Nara Roesler, foi selecionado pelo próprio Vik Muniz. A mostra “Espelhos de papel” inclui composições a partir das pinturas de Monet, Coubert, de Kooning e Wilhelm Eckersberg, entre outras. Os trabalhos foram produzidos nos estúdios do Brooklyn, em Nova York, e da Gávea, Rio de Janeiro, cidades entre as quais o artista se divide atualmente.

 

Para a crítica e curadora Luisa Duarte, “…sua obra abriga uma espécie de método que solicita do público um olhar retrospectivo diante do trabalho. Para “ler” uma de suas fotos, é preciso indagar o processo de feitura, os materiais empregados, identificar a imagem, para que possamos, enfim, nos aproximar do seu significado. A obra coloca em jogo uma série de perguntas para o olhar, e é nessa zona de dúvida que construímos nosso entendimento”.

 

Simultaneamente à mostra solo de Vik Muniz, a Galeria Nara Roesler apresenta, na programação paralela do projeto Roesler Hotel, a individual “Atacama: 1234567” – da curadora chilena Alexia Tala, que traz pela primeira vez ao Brasil a obra do artista britânico Hamish Fulton.

 

Sobre o artista

 

Vik Muniz nasceu em 1961, em São Paulo, SP. Vive e trabalha em Nova York e Rio de Janeiro. Participou de inúmeras bienais, como da 49ª Bienal de Veneza, Itália, 2001; 24ª Bienal Internacional de São Paulo, Brasil, 1998; Bienal de Arte Contemporânea de Moscou, Rússia, 2009, entre outras. “Vik”, no Centro de Arte Contemporânea de Málaga, Espanha, 2012; “Relicário”, no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, Brasil, 2011; e “Vik Muniz”, no Nichido Contemporary Art, em Tóquio, Japão, 2010, são suas mais recentes exposições individuais. Algumas das mostras coletivas de que participou são: “Swept Away”, no Museum of Arts and Design, em Nova York, 2012, e “Pure Paper”, na Rena Bransten Gallery, em São Francisco, 2011, ambas nos Estados Unidos; “Fragments latino-américains’, na Maison de l’Amérique Latine, em Paris, França, 2010; e “Surface Tension”, no Metropolitan Museum of Art, em Nova York, Estados Unidos, 2009. Suas obras integram acervos como os do Centre Georges Pompidou, em Paris, França; Guggenheim Museum, em Nova York, Estados Unidos; Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, em Madri, Espanha; e Inhotim – Instituto de Arte Contemporânea, em Brumadinho, MG, Brasil.

 

De 2 de abril a 11 de maio.

Em Ribeirão Preto

23/mar

A galeria Marcelo Guarnieri, Ribeirão Preto, São Paulo, SP, agora em novo endereço, inaugurou as exposições de Tomie Ohtake, Alice Shintani e Acervo Aberto #1. Após sete anos mantendo suas atividades na Rua São José, a galeria passa agora a ocupar um novo edifício na Rua Nélio Guimarães, 1290. O espaço foi ampliado visando uma maior flexibilidade expositiva, o que permitirá a realização de projetos simultâneos e a possibilidade de exibir parte do acervo.

 

A abertura contou a exposição terceira individual de Tomie Ohtake na galeria. A exposição é formada por pinturas, esculturas e gravuras de décadas distintas e a mostra é parte integrante das comemorações do centenário da artista. Tomie mantém grande vitalidade em seu processo de produção, realizando trabalhos em diversos suportes e escalas. Seus gestos são livres e com referenciais orgânicos. Desde os anos 60 há uma linha coerente e potente nas obras da artista. Em Ribeirão Preto podemos ver um de seus projetos no Teatro Pedro II, para o qual a artista desenhou a cúpula para a reinauguração da casa nos anos 90.

 

Sobre a artista

 

Tomie Ohtake vive e trabalha em São Paulo, SP. Nasceu em Kyoto, no Japão, em 1913. Veio ao Brasil na década de 30, radicando-se em São Paulo. Em 1968 naturaliza-se brasileira. Começa sua produção apenas com 40 anos de idade e a partir disso desenvolve um caminho coerente que perpassa seis décadas ininterruptas. Tomie Ohtake participou de diversas bienais internacionais como as de São Paulo, Veneza, Bienal Latino-Americana de Havana e diversas outras. Em suas exposições recentes destaca: Pinturas Cegas, na Fundação Iberê Camargo – Porto Alegre; Mulheres, no Museu de Arte Contemporânea de Niterói; A Poética da Forma, Museu Oscar Niemeyer – Curitiba, dentre outras.

 

Alice Shintani / O cru e o cozido

 

Alice Shintani vem trabalhando a partir de uma idéia expandida de pintura que abrange do suporte tradicional sobre tela a intervenções pictóricas e ambientes imersivos. “Procuro criar situações que embaralhem de alguma forma esse jeito de olhar dos nossos tempos, de rotular e descartar imediatamente. A idéia é propor uma experiência que seja um tanto irreprodutível através das imagens, isto é, que você possa criar as suas próprias conexões com o trabalho ali ao vivo (e com as pessoas, com o mundo), que isso ainda valha a pena nesses nossos dias tão midiáticos.”

 

Para a inauguração da nova Galeria Marcelo Guarnieri, a artista apresenta uma série inédita de pinturas. “O Cru e o Cozido”, título que ilustra a mostra, homenageia a obra homônima do antropólogo Claude Lévi-Strauss, célebre por uma análise cuidadosa de centenas de mitos ameríndios, a partir da qual apresenta um olhar afetivo e pleno de alteridade sobre as múltiplas culturas desse Outro e, por consequência, sobre o modo como percebemos a cultura ocidental e a nós mesmos. Referências à parte, a mostra é proposta como uma experiência silenciosa e aberta ao observador participante, convidando-o a movimentar o seu próprio repertório de ideias e a sua imaginação particular.

 

Sobre a artista

 

Alice Shintani vive e trabalha em São Paulo, SP. Neta de imigrantes japoneses, Alice Shintani é formada em Engenharia de Computação pela UNICAMP. Realizou diversas exposições individuais entre elas “Hanafuda”, Galeria Mercedes Viegas, Rio de Janeiro, RJ, 2012; “Bakemono”, Casa Triângulo, São Paulo, SP, 2011; “Sinopse”, Galeria Mercedes Viegas, Rio de Janeiro, RJ, 2010; “Éter”, Galeria Virgilio, São paulo, SP, 2009; Galeria Marcelo Guarnieri, Campinas, São Paulo, SP, 2008; “Quimera”, Galeria Virgílio, São Paulo, SP, 2007, entre outras. Principais mostras coletivas: “Além da Forma: plano, matéria, espaço e tempo” e “O Colecionador de Sonhos”, Instituto Figueiredo Ferraz, 2012-2013; “Técnicas de Desaparecimento”, Cuba, 2012; “Rumos Artes Visuais”, Instituto Itaú Cultural, São Paulo, SP; Espaço Ecco,  Brasília, DF e Paço Imperial, Rio de Janeiro, RJ, 2009; “Nova Arte Nova”, CCBB RJ e SP, 2008; “Oriente, Ocidente”, Centro Cultural São Paulo, 2008; “Temporada de Projetos”, Paço das Artes, São Paulo, SP, 2007. Em 2012 recebeu premiação no “II Concurso Itamaraty de Arte Contemporânea”, através de júri formado por grupo de curadores internacionais.

 

Até 27 de abril.

Na Galeria Oscar Cruz

22/mar

O artista plástico Ramon Martins realiza sua primeira exposição individual na Galeria Oscar Cruz, Itaim, São Paulo, SP. A mostra recebeu o curioso e enigmático título “Depois do Fim”. Ramon Martins exibe em suas obras, autenticidade e afinidade, compondo uma espécie de antropofagia étnica imaginaria retratadas com virtuosismo psicodélico próprios do artista: casamento arranjado, cangaceiro e calendário maia mixados, banhistas asiáticas e memórias imaginárias são alguns dos temas apresentados nesta exposição. Esta é a quinta exposição de sua carreira e apresenta oito pinturas, cinco desenhos, duas fotografias impressas em chapa de aço, soundscape e mural feito na galeria. Assim como delicada beleza do afinar de uma orquestra preambulando o espetáculo, “Depois do Fim” convida a novos questionamentos.

 

Sobre o artista

 

Ramon Martins é ex-aluno da Escola Guignard, funde a experimentação do estúdio com a energia da rua. Faz graffiti, performance, instalações, esculturas, sitio especifico e pintura em telas. É nesse ofício, a pintura, que sintetiza seu estilo fluido, cheio de misturas técnicas surpreendentes. Ramon Martins explora a técnica do estêncil, herdada do graffiti, passeia pela tinta acrílica, aquarela e têmpera, com grande repertório pictórico. Sua obra está representada em coleções institucionais brasileiras importantes, incluindo o MAM-RJ e MASP-SP. O artista já apresentou seu trabalho em murais e exposições no Brasil e na Europa.

 

Exposições recentes: “Transfer” – Pavilhão das Culturas Brasileiras, Parque do Ibirapuera – São Paulo, SP; “Mon Ra” – Solo Show at Galerie Geraldine Zberro – PAR/FR;  “De Dentro Para Fora De Fora Para Dentro”, MASP-SP & Galeria Choque Cultural, São Paulço, SP; “R.U.A Festival – mural painting “Love Spreads”, RTDM/NL; “Rotterdam Carnival” -Painting on Angola’s Allegoric Car, RTDM/NE; “A Forca da Rua” (The Strengh of the Street) – ABC Trust Auction – LDN/UK; “O Encontro”, Ano da França no Brasil, Centro de Cultura Renato Russo, BSB – DF; “Graffiti Etat Des Lieux” – Galerie du Jour/Agnès B, PAR/FR; “Morreu de Amor” – Solo Show na Galerie Geraldine Zberro, PAR/FR.

 

Até 27 de abril.

Milan/Nassar: Infiltrações

Em sua quinta mostra na Galeria Millan, Vila Madalena, São Paulo, SP, Emmanuel Nassar ocupa mais que o espaço expositivo tradicional, infiltrando-se pelas demais áreas da galeria, explorando-as de forma a esfumaçar os limites autorais entre suas obras e as dos outros artistas que ocupam tais espaços. A mostra tampouco se restringe a apresentar apenas sua produção mais recente, colocando lado a lado trabalhos de diferentes períodos e em diferentes suportes (objetos, pinturas, chapas metálicas e desenhos), prezando pela ampla gama de novos significados que podem surgir a partir dessas relações.

 

Emmanuel Nassar se torna ainda mais ousado na exploração crítica dos mecanismos que sustentam o meio das artes (modus operandi que permeia sua trajetória desde os anos 1980). “Infiltrações” traz uma ampliação do repertório de apropriações e embaralhamentos de Nassar, que cita e se deixa citar por obras de outros artistas, criando uma espécie de jogo para o visitante e questionando o conceito de espaço individual, coletivo e autoral.

 

Procedimento que compartilha com uma série de artistas de sua geração, a apropriação de imagens pré-existentes, o esvaziamento de seu significado prévio e sua ressignificação (em geral como invólucro formal aberto a uma multiplicidade de significados, nenhum mais correto que o outro) são marcas do trabalho de Nassar. O artista paraense construiu seu universo poético a partir da contaminação entre a tradição erudita (especialmente a construtiva) e a imagética popular do norte do Brasil, aproximando ambas as linguagens, ao mesmo tempo em que permite que se questionem mutuamente, em espécie de eterno procedimento dialético.

 

Se, como foi dito pelo crítico Tadeu Chiarelli, Nassar esgarça “até o limite as bordas entre arte e antiarte, testando, nesse processo, a cumplicidade dos outros componentes do circuito e a complacência do espectador comum”, é justo dizer que, em “Infiltrações”, Nassar descobre novos limites tanto para essa fronteira quanto às relações que a envolvem.

 

Até 20 de abril.

Ricardo Camargo exibe Edo Rocha

O artista plástico e arquiteto Edo Rocha apresenta na Ricardo Camargo Galeria, Jardim Paulistano, São Paulo, SP, a exposição “O Passado Presente”, uma síntese da sua produção artística de 1967 a 2013, período em que expressou sua emoção e pensamento por meio de diversos tipos de materiais e técnicas. Essas duas vertentes do seu trabalho podem ser identificadas entre as 22 obras selecionadas, entre telas, esculturas, aquarelas e transparências. Merece destaque uma série de sete relevos em papel sobre papel produzidos em 2012, nos quais mescla sinais de impulsividade, delicadeza e movimento.

 

Há dez anos Edo Rocha não fazia uma exposição em São Paulo. Sua última mostra foi Arquitetura e Arte. Mesmo com pouco tempo para dedicar ao ofício, ele nunca deixou de manifestar sua expressão artística desde quando começou a pintar aos 13 anos de idade. Edo Rocha aproveita o momento para dedicar a mostra a seus amigos e gurus Wesley Duke Lee e o Willys de Castro, que interferiram de maneira definitiva em seu trabalho.

 

A palavra do artista

 

É incomum um artista falar sobre sua obra. Na verdade, quando ele quer comunicar sua emoção, ele faz a obra e não a explica. Comecei a pintar aos 13 anos e com 17 estava na IX Bienal de São Paulo. Ser um artista e arquiteto não é fácil, pois a arquitetura toma muito tempo e dedicação. Em 50 anos, pintei mais de 600 quadros e em 40 anos de arquitetura, mais de 900 projetos e mais de 10.000.000 de m² projetados, enfim, bastante trabalho. Esta exposição, “O Passado Presente”, tenta mostrar a releitura dos dois lados do meu trabalho, relacionado com o pensamento e a emoção.

 

Durante minha trajetória tive 2 W, amigos & gurus que interferiram de forma positiva no meu trabalho. O Wesley Duke Lee e o Willys de Castro, coincidentemente os dois começavam com W e os 2 eram o extremo. Wesley, a emoção, provocação, irreverente e inusitado, o Willys, o concreto, racional, previsível e coerente.

 

Demorou algum tempo para que estas duas forças, aparentemente antagônicas, se harmonizassem em um único pensamento. Esta exposição junta o pensamento, a emoção, o sentimento e a sensação, de forma a permitir enxergar melhor o futuro.

 

Sobre o artista

 

Edo Rocha. Arquiteto, urbanista, artista plástico e fotógrafo. Formado pela FAU, é presidente da Edo Rocha Arquiteturas. Com uma trajetória artística de mais 50 anos, participou da Bienal Internacional de São Paulo, nas edições de 1967 e 1969, realizou diversas exposições no Brasil e no exterior. É, desde 1980, membro do Conselho do Museu de Arte Moderna de São Paulo, MASP e ainda faz parte do Conselho da Associação dos Escritórios de Arquitetura, ASBEA.

 

Até 23 de março.

40 fotos de Boris Kossoy

08/mar

“Busca-me”, é a nova e inédita série concebida por Boris Kossoy, nome fundamental na história da fotografia brasileira – como autor e pensador –, será apresentada nesta sua primeira individual na galeria Berenice Arvani, Cerqueira César, São Paulo, SP. Conforme aponta o curador da exposição Diógenes Moura, as 40 fotografias (peças únicas, sem cópias), “não são apenas imagens, nem em seus signos e em suas representações, mas cada uma contém a vida inteira do fotógrafo”.

 

Segundo Moura, depois da exposição realizada na Pinacoteca do Estado de São Paulo, em 2008, Kossoy recolheu-se como de costume, em casa e em vários países do mundo e está de volta para comprovar que uma fotografia não possui apenas uma face exterior. “E, não sendo exterior, um dos seus manequins poderá inclusive sorrir, ou derramar uma lágrima. A fotografia de Kossoy é precisa: domina o tempo. O espectador sente a presença do fotógrafo invisível querendo sair para encontrar o sol, se aproximar do hidrante vermelho que, como os ETs, estão de volta. Os hidrantes, os ETs ou a natureza onde novamente no meio das folhas encontraremos outra máscara, um grito”, completa o curador.

 

Em “Busca-me”, Boris Kossoy evoca seu mundo flutuante, “um roteiro imaginado, entre muitos outros, de situações, prazeres, amores, perfumes e dores que afetaram para sempre seus sentidos. Vemos personagens deste teatro imaginário onde coabitam seres dos dois mundos e imaginamos os espectadores com eles interagindo numa relação secreta e triangular”, explica o fotógrafo. Todo esse universo foi interpretado a partir de paisagens, ruas e praças, o olhar do fotógrafo através das janelas, diante de espelhos, pelo interior de vitrines, nas telas do cinema e da TV e dos aparelhos eletrônicos.

 

Boris Kossoy, com seu preciosismo técnico e teórico, extrai, sobretudo, do profundo os fundamentos de sua fotografia. Com isso, vem construindo uma trajetória que o coloca como um dos mais importantes fotógrafos brasileiros, autor de produção aclamada também internacionalmente.

 

Sobre o artista

 

Suas obras fazem parte de importantes coleções permanentes, como do Museum of Modern Art – MoMA, N.Y; George Eastman House, Rochester, N.Y; Smithsonian Institution, Washington, D.C.); Bibliothèque Nationale de Paris, Paris, França; Museu de Arte de São Paulo, São Paulo, SP, entre outras.

 

Como pensador, Kossoy, recentemente assinou a curadoria da elogiada mostra “Um olhar sobre o Brasil. A Fotografia na construção da Imagem da Nação”, realizada no Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, SP. Em sua produção intelectual, destacam-se os livros: Viagem pelo Fantástico; Hercule Florence, a Descoberta Isolada da Fotografia no Brasil; Origens e Expansão da Fotografia no Brasil – Século XIX; Fotografia e História; Realidades e Ficções na Trama Fotográfica e Os Tempos da Fotografia: O Efêmero e o Perpétuo.

 

Kossoy é também professor titular da Escola de Comunicações e Artes da USP, foi diretor do Museu da Imagem e do Som de São Paulo e do IDART – Divisão de Pesquisas do Centro Cultural São Paulo criou dentro da mesma universidade NEIIM – Núcleo de Estudos Interdisciplinares de Imagem e Memória. É membro do conselho consultivo da Coleção Pirelli-MASP de Fotografia, entre outras instituições culturais.

 

Até 19 de abril.

Rodrigo Kassab explora limites

05/mar

A Galeria LUME, Itaim Bibi, São Paulo, SP, inaugura sua programação de exposições de 2013 com “Priva-cidade, Publi-cité”, mostra individual de Rodrigo Kassab, na qual são exibidas pela primeira vez todas as fotografias da série que dá nome à mostra.

 

Esse conjunto de fotografias é composto por imagens de linhas paralelas que delineiam fachadas de prédios e janelas, que são o cerne dessas fotografias. Em “Priva-cidade, Publi-cité”, o artista faz uma investigação dos limites e das relações entre os espaços públicos e os privados. “Percebi que este limite estava muito presente em cortinas e janelas, e, ao fotografá-las, poderia colocar o espectador entre esses dois espaços, como um voyeur, mas sem o elemento fetiche do voyeurismo, que é o medo de ser percebido”, explica Rodrigo.

 

O que se vê nessas fotografias são fragmentos de histórias, que, embora pessoais, estão à vista de quem passa diante dessas janelas. “A eterna pausa da fotografia nos dá segurança e nos permite a reflexão. Se pararmos para pensar, esse jogo entre público e privado vai acompanhar a foto onde quer que ela esteja”, diz ainda o artista.

 

Em sua pesquisa conceitual, Rodrigo Kassab escolhe um ambiente e caminha a esmo por ele até se deparar com elementos que servem como resposta a suas indagações. A série foi iniciada em Paris, daí o motivo para uma das palavras do título estar em francês. “Se essas imagens fossem estar situadas em algum lugar, esse lugar seria o espaço que há entre a privacidade e a publicidade, que parece imenso, mas na verdade é menor que o traço que separa o titulo”, reflete o fotógrafo.

 

Com influência do construtivismo, grande inspiração para “Priva-cidade, Publi-cité” é a arquitetura, analisada sob o espectro de reflexo humano e interação social, além do fator efemeridade, visto que as construções fotografadas para a série podem deixar de existir em algum momento, dando lugar a novas histórias, compartilhadas com o mundo, acidentalmente ou não, através das janelas. A curadoria é de Paulo Kassab Jr e a coordenação de Felipe Hegg.

 

Formado em Cinema e Fotografia, Rodrigo Kassab trabalha como diretor de cinema, diretor de fotografia e fotógrafo. Além das artes visuais, o artista se interessa principalmente pela arquitetura e música, artes que busca retratar em suas imagens. Morou em Paris de 2008 a 2011.

 

Até 25 de março

 

Agnieszka Kurant no Brasil

22/fev

A galeria Fortes Vilaça, Vila madalena, São Paulo, SP, exibe a primeira exposição individual no Brasil, da artista polonesa Agnieszka Kurant apresentando uma série de trabalhos que tem como fio condutor o seu interesse por elementos fugazes ou imperceptíveis. Estes elementos norteiam as obras que tem suportes diversos e fazem referências à historia, à ciência e à literatura.

 

A idéia de um “capital fantasma” (Phantom Capital), que dá título à exposição, permeia todos os trabalhos na mostra. Este conceito se refere a uma troca de valores simbólicos, de forças intangíveis ou invisíveis que muitas vezes influenciam nossa sociedade sem que necessariamente tenhamos consciência disto.

 

Na obra “Phantom Library”, a artista produz livros imaginários, títulos que nunca foram escritos, lidos ou publicados mas que aparecem em livros reais de autores como Stanislaw Lem, Roberto Bolaño e Jorge Luis Borges, entre outros. Kurant os apresenta como objetos esculturais para os quais ela comprou números de ISBN e adquiriu códigos de barra dando-lhes assim um status no mundo material.

 

Já “MacGuffin” é uma escultura em forma de tapete que se move misteriosamente. O tapete é uma reprodução de um dos tapetes na sala da conferência de Yalta, onde os líderes mundiais definiram a divisão do mundo no pós guerra. O título da obra é um termo de técnica narrativa que define um objeto ou pessoa cuja importância não se define na trama, de certa forma como um fantasma.

 

Em88,2 mhz”, – o título da obra muda de acordo com a frequência de rádio utilizada na exposição -, um toca-fitas com um rádio transmissor, emite o som de pausas silenciosas extraídas de diferentes discursos políticos, intelectuais ou econômicos. O som é captado por uma antena que o retransmite para um rádio em um terceiro espaço da exposição. A fita com a compilação de silêncios é, por sua vez, a concretização de um trabalho fictício existente no conto de Heinrich Boll “Murke’s collected Silences” , de 1955.

 

A exposição também inclui um mapa-mundi retratando ilhas inexistentes, inventadas por exploradores do passado, impresso com tinta termo sensível que faz a imagem desaparecer conforme o calor. E “Uncertainty Principle”, uma escultura em forma de uma ilha que “magicamente” levita no ar, entre outros trabalhos na mostra, aos poucos revela o universo do desconhecido que alimenta a obra conceitual de Agnieszka.

 

Sobre a artista

 

Agnieszka Kurant nasceu em 1978 na Polônia e vive e trabalha em Nova York. Representou seu país natal na Bienal de Veneza em 2010 com um trabalho em colaboração com a arquiteta Aleksandra Wasilkowska. Já participou de exposições individuais e coletivas tais como, CoCA, Torun, PL, 2012; Witte de With, Rotterdam, 2011; Performa Biennial, Nova York, 2009; Athens Biennale, Greece, 2009; Frieze Projects, London 2008, Moscow Biennale, 2007; Tate Modern, London, 2006; Mamco, Geneva, Italy, 2006 and Palais de Tokyo, Paris, 2004; entre outras. Foi artista residente na Location One, Nova York, 2011-2012; Paul Klee Center (Sommerakademie), Bern, 2009; ISCP, New York 2005; e Palais de Tokyo, Paris, 2004. Foi finalista, em 2009, do International Henkel Art Award, MUMOK, Vienna. Sua monografia “Unknown Unknown” foi publicada pela editora Sternberg Press,  2008.

 

Até 23 de março.