MARISCAL NO TOMIE OHTAKE

23/ago

Reafirmando seu compromisso de realizar mostras de artes plásticas, arquitetura e design, o Instituto Tomie Ohtake , Pinheiros, São Paulo, SP, traz, em parceira com a Tok&Stok, a exposição “Todas as cores de Mariscal” apresentando o universo multidisciplinar e irreverente de Javier Mariscal, um dos designers mais criativos e versáteis da atualidade. A mostra é construída a partir do desenho e das cores, ferramentas básicas com as quais trabalha o designer catalão, que ganhou fama mundial ao criar o bonequinho “Cobi”, mascote dos Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992.

 

Responsável pela curadoria da exposição, o Estúdio Mariscal traz cerca de 60 obras, entre mobiliário, objetos, luminárias, pinturas, desenhos, brinquedos e projetos gráficos do criador da animação “Chico & Rita”, ambientada na Havana dos anos 40, que concorreu ao Oscar de 2012. A produção de Mariscal guarda como identidade a forte gestualidade do traçado à mão, o desenho – sempre seminal em todo o seu processo criativo –, que resulta numa variada gama de imagens e objetos que aludem a um universo único. “Mariscal joga com as formas e as cores para criar esse universo tão pessoal e artístico onde teima em celebrar a alegria de viver”, destaca a curadoria.

 

Com mais de trinta anos de intensa atividade, Javier Mariscal desenhou objetos para as mais prestigiadas empresas. Moroso, HP, Camper, Uno, Absolut, H&M, e Magis são algumas das marcas que apostaram no estilo versátil do designer espanhol. A exposição pretende submergir o espectador no universo da “fábrica Mariscal”, e assim introduzi-lo ao coração do seu processo criativo e fazê-lo perceber, através dessa experiência, o impulso vital gerado por Javier Mariscal e sua equipe.

 

 

Sobre o artista:

 

Javier Mariscal nasceu em Valencia, 1950, atua em todas as disciplinas do design: mobiliário, interiores, gráfico, paisagismo, pintura, escultura, ilustração, multimedia e animação. Junto com a equipe do Estudio Mariscal, fundado em 1989, o designer realizou, entre muitos trabalhos, a criação do Mascote dos Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992; o design de interior e gráfico da H&M Barcelona; o décimo primeiro andar do Hotel Silken Puerta America, em Madri; a imagem gráfica da 32ª. Edição da America´s Cup; a identidade gráfica e campanhas de comunicação para a Camper for Kids; exposições sobre sua obra em La Pedreira de Barcelona e no Design Museum de Londres; a divulgação da nova Lei Infantil da Catalunha e ainda publicou os livros Mariscal Drawing Life e Sketches. Em 2010 estreou o longa-metragem de animação Chico & Rita, co-dirigido com Fernando Trueba, que concorreu ao Oscar em 2012. Em 2013 lançou seis versões completamente inovadoras e divertidas da famosa Hello Kitty.

 

Até 29 de setembro.

 

No Galpão Fortes Vilaça

15/ago

Chama-se “O problema de Molyneaux”  a segunda individual de João Maria Gusmão e Pedro Paiva em São Paulo, cartaz no Galpão Fortes Vilaça, Barra Funda, São Paulo, SP. Destaque na atual edição da Bienal de Veneza, os artistas apresentam fotografias, esculturas em bronze e filmes em 16mm, todos recentes ou inéditos.

 

Gusmão e Paiva exploram referências ao existencialismo na tradição filosófica, à literatura metafísica assim como ao proto-surrealismo de Alfred Jarry. O título da exposição é extraído de uma questão filosófica, proposta por William Molyneux a John Locke sobre a recuperação da visão. Um homem nascido cego, que sente a diferença entre formas, tais como uma esfera e um cubo, poderia também distingui-las pela visão caso pudesse começar a ver? O problema é comentado por Locke em seu Ensaio acerca do Entendimento Humano sobre as bases do conhecimento e dos mecanismos de cognição da mente humana.

 

Na primeira sala de exposição, oito esculturas de bronze propõem alegorias sobre a natureza das imagens, ilusões óticas e fenômenos físicos. Em Coisas Redondas, uma série de objetos circulares são conectados de forma que parecem ser quadrados sob certos ângulos. Bola de tênis reproduz o movimento de uma bolinha quicando sobre o pedestal. Cavaleiro é uma imagem distorcida que também cria uma ilusão de tridimensionalidade sob determinado ponto de vista. Uma vez que aludem com humor à linguagem científica, estes objetos revelam a natureza narrativa da ciência e da filosofia em suas tentativas de apreensão do mundo.

 

A segunda sala de exposição foi transformada numa grande sala de projeção com cinco filmes curtos em 16mm. Na grande tela as sequências se desenrolam em loop. Três sóis se põem entre rochedos, um homem cego devora um mamão papaia e frutos geometrizados rodopiam no ar como se fossem um sistema planetário. O ruído do projetor ⎯ os filmes não têm som ⎯ é uma lembrança permanente da materialidade das imagens.

 

Sobre os artistas

 

João Maria Gusmão, Lisboa, 1979 e Pedro Paiva, Lisboa, 1978, colaboram criando objetos, instalações e filmes em 16 e 35mm desde 2001. Já participaram de diversas Bienais, tais como: 8ª Bienal de Gwangju, Coréia do Sul, em 2010; 53ª Bienal de Veneza, 2009, na qual representaram Portugal; 6ª Bienal do Mercosul, Brasil, em 2007; 27ª Bienal de São Paulo, Brasil, 2006. Dentre suas exposições individuais, destacam-se: em 2011, Alien Theory, no Frac Île-de-France, Le Plateau, Paris; There’s nothing more to tell because this is small, as is every fecundation, no Museo Marino Marini, Florença; Tem gwef tem gwef dr rr rr no Kunsthalle Dusseldorf; em 2010 e On the Movement of the Fried Egg and Other Astronomical Bodies, na Ikon Gallery, Birmingham.

 

De 10 de agosto a 14 de setembro.

“In Motion” na Raquel Arnaud

A Galeria Raquel Arnaud, Vila Madalena, São Paulo, SP, apresenta a exposição coletiva “Em Movimento” (“In Motion”) na qual destacam-se os mais significativos artistas em abstração cinética que a marchande Raquel Arnaud vem trabalhando ao longo dos anos. A exposição reúne 14 obras assinadas por nomes seminais como Carlos Cruz-Diez, Jesús Rafael Soto, Luis Tomasello e François Morellet dividem o espaço do primeiro piso da galeria com trabalhos dos artistas Dario Pérez-Flores e Hugo Demarco, da segunda geração e ainda com Elias Crespin e Wolfram Ullrich. A primeira exposição desta vertente artística na galeria foi do venezuelano Carlos Cruz-Diez, em 1987. Segundo Raquel Arnaud, a presente coletiva é uma homenagem ao artista, que em 2013 comemora 90 anos. A galeria também introduziu Jesús Rafael Soto no circuito brasileiro. Paralelamente, no segundo piso, a paulistana Silvia Mecozzi apresenta a individual “Branco de Si”, exposição que reúne trabalhos em mármore realizados pela artista no último ano.

 

 Sobre os artistas:

 

Carlos Cruz-Diez, 1923, Venezuela. É internacionalmente reconhecido pelas suas Fisicromias e Cromointerferências nos espaços e pelas suas obras esculturais em grande escala que exploram a teoria e a prática de cor.

 

Jesús Rafael Soto, 1923-2005, Venezuela. Tempo e movimento foram as principais preocupações nas obras de pintura e escultura e na arte cinética do artista venezuelano. Famoso pelos seus “Penetráveis”, esculturas em que o observador pode atravessar e interagir, Soto mudou para Paris em 1951, onde travou conhecimento com alguns artistas alemães e suíços, entre os quais Josef Albers, e passou a tratar a independência da cor para resolver conscientemente o que chamava de “a ambivalência especial da cor”.

 

Luis Tomasello, 1915, Argentina. Após seus estudos em Buenos Aires, mudou-se para Paris em 1957, onde se juntou a um grupo de artistas cinéticos e de OP arte. Tornou-se conhecido pelas suas “Atmosferas cromáticas”, esculturas fragmentadas que mudavam o padrão das cores, luz e sombra.

 

Dario Pérez-Flores, 1936, Venezuela. Sobre a influência de Jesús Soto e Carlos Cruz-Diez, Pérez-Flores se juntou ao movimento ótico de 1970. Criou trabalhos que sutilmente geram uma vibração ótica, uma atmosfera cromática mutante, atraindo o espectador ao centro da obra.

 

Hugo Demarco, 1932-1995, Argentina. Demarco começou cedo a expandir sua prática na pintura, explorando novos materiais que permitiram sua diferente abordagem com a cor. Mesmo declarando nenhuma afiliação, seus trabalhos combinam a herança do construtivismo e a ampla tradição da Bauhaus, a autonomia da arte e sua natureza experimental. Focando a cor e o movimento, ele pinta telas e cria relevos e objetos motorizados que desafiam a percepção do espectador.

 

François Morellet, 1926, França. Para o artista francês um trabalho de arte basta por si só. Seus títulos são sofisticados e descrevem as condições da produção da obra. Em sua extensa carreira trabalhou com inúmeros materiais, mas determinado a encontrar um novo modo de expressão, começou a usar o neon em 1963, material cujas especificações como luminosidade e o fato de ser manufaturada, o interessavam.

 

Elias Crespin, 1965, Venezuela. Suas esculturas – eletrocinéticas – são composições simples de figuras geométricas, que suspensas por fios invisíveis e animadas mecanicamente por complexas formas matemáticas computadorizadas, geram movimentos de extrema leveza e harmonia.

 

Wolfram Ullrich, 1961, Alemanha. Trabalha com abstrações geométricas tridimensionais. Suas obras lidam com o ambiente espacial da instalação, dinamizando as relações entre espaço e movimento como variáveis constantes.

 

 Até 14 de setembro.

Suzuki no Espaço Citi

14/ago

O Espaço Cultural Citi, Paulista, São Paulo, SP, inaugurou exposição “Yukio Suzuki – O Exato Momento da Inefável Aparência das Coisas”, mostra póstuma de pinturas e desenhos. A curadoria é do crítico Jacob Klintowitz. Trata-se de uma exposição de rara oportunidade, pois o artista sempre foi muito discreto no seu convívio público. E é uma mostra de imensa delicadeza pois este é o perfil de sua obra.

Yukio Suzuki por Jacob Klintowitz
Yukio Suzuki.

 

O exato momento da inefável aparência das coisas.

Um homem contempla a imagem de um homem projetada num espaço sem registro e parâmetros. Espaço no qual está ausente a gravidade. Um espaço na Terra que parece não pertencer à Terra. Nem a gravidade da atração dos corpos, nem a gravidade de comportamento do homem que sabe o que seja a realidade. Em Yukio Suzuki a verdade é um complexo sistema de aparências, reflexos da aparência e percepção de sombras.

 

Yukio Suzuki, 1926-2004, foi um artista único, inventor de visualidades sutis. Foi pioneiro da ideia de apropriação, que nele foi grandiosa: certo dia ele se apropriou da praia de Copacabana. Na foto lá está Yukio, sereno, e uma pedra com a sua assinatura pousada na areia mais conhecida do país. E, ao mesmo tempo, foi o mais silencioso dos artistas. Ele tinha a convicção de que a obra falava por si mesmo. Era assim que se movia.

 

Suzuki não sabia de realidade nenhuma que não fosse a de imagens existentes em dois planos, o físico e o pressentido. Ou, talvez, em três, o físico, o psíquico e o de uma sensação intuída, habitante em lugar desconhecido. E é esta intuição, além da categorização, distante da nomeação, o que se impõe no seu percurso. Yukio Suzuki é o artista que registra o sistema do que não está sistematizado, do existente apenas porque sentido por um ser humano.

 

A comprovação da existência desta intuição, o que lhe dá súbita corporeidade, é ter sido captada por este artista que se entrega à ela, que aceita o luminoso mundo, já distante das sombras, que se impõe a ele como um modelo absoluto e ao qual ele se submete e dedica a vida. Sentir é o objetivo do artista e com uma delicadeza infinita apesar de humana, ele assinala este sentimento do mistério. É uma arte do inefável e ele, de uma modéstia infinita apesar de humana, está a serviço do inefável e é o seu sacerdote.

 

Poucas vezes encontramos um artista tão disponível e que se deseja instrumento de seu sentimento do mistério. Talvez, em algum momento, este artista sorriu diante de seu continente descoberto, do imerso que emerge, mas este sorriso não aflorou e permaneceu, também ele, como um movimento interior, como o reconhecimento de que ele encontrara a sua verdadeira pátria, o lugar dos reflexos da aparência, o desfiladeiro das sombras, o horizonte do arco-íris, o continente do inefável, que parece o ter escolhido como porta-voz.
Até 11 de outubro.

Insólitos e Concretos na Arte Aplicada

13/ago

No mercado há mais de três décadas, a galeria Arte Aplicada, Jardins, São Paulo, SP, tem como principal foco a diversidade. A galeria marcou o início da carreira de artistas hoje renomados, como Guto Lacaz e Palatnik, entre muitos, e também do argentino León Ferrari no Brasil, e mantém ainda olhos abertos para o futuro, apostando sempre em novos nomes. O próximo cartaz da Arte Aplicada é o pintor Herton Roitman, com 20 obras das séries inéditas “Insólitos e Concretos“, curadoria de Sabina de Libman, com assamblage, colagens e pinturas. Na mesma ocasião, realiza o lançamento do livroIntensa Magia“, da jornalista, escritora e dramaturga portuguesa, radicada no Brasil, Maria Adelaide Amaral.

 

Seguindo uma constante em seu trabalho, Herton Roitman utiliza-se de objetos e materiais não inerentes à pintura na criação da série “Insólitos”. Com obras tridimensionais – feitas a partir de fragmentos pinçados na realidade urbana da cidade – Roitman transmite sua influência teatral, cenográfica. Já em “Concretos”, o artista exibe seu lado criterioso e perfeccionista, ao utilizar-se, organizadamente, de formas geométricas e de cores intensas, remetendo seu trabalho a um conceito, de certa forma, utópico. Sintonizado com o tempo e com o mundo que o cerca, Roitman define-se como um observador, imerso em um grande centro urbano caótico, porém inspirador: “Me encantam as grandes cidades….Tenho minhas defesas, como a musica que é minha grande paixão. Meu trabalho é minha interferência no meio deste caos”.
Livro
Por sua vez, Maria Adelaide Amaral retrata, em “Intensa Magia”, um lançamento da Giostri Editora, apresenta uma comédia dramática focada na relação familiar. O tema é discorrido a partir do aniversário do patriarca da família, Alberto, indivíduo descontente com a vida e amargo, que decide expor, de maneira inesperada, as insatisfações familiares acumuladas ao longo dos anos. As declarações ocorrem na mesma data em que Zezé, sua filha mais nova, faz o anúncio de seu noivado.
Sobre o artista

 

Herton Roitman nasceu em Porto Alegre, RS. Pintor e gravador, reside e trabalha em São Paulo, SP, desde 1968. Formou-se como ator pela Universidade Federal de Minas Gerais. Estudou desenho, tecnologia da cor e História da Arte em cursos de extensão universitária pela mesma Universidade. Foi coordenador cultural de artes cênicas da Fundação Itaú Clube de 1978 a 1987. De 1979 a 1984 foi professor de educação artística nos colégios Palmares e Galileu Galilei. Desde 1986 dedica-se exclusivamente às artes visuais realizando exposições individuais e coletivas em salões e galerias profissionais no Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre.

 

 

Sobre a escritora

Maria Adelaide Amaral  é jornalista, escritora e dramaturga, sua primeira peça foi “A Resistência”, 1975, mas o primeiro texto montado foi “Bodas de Papel”, em 1978, em São Paulo. Publicado em 1986, “Luísa, Quase uma História de Amor”, deu-lhe o prêmio Jabuti de melhor romance daquele ano. O convite para a TV veio em 1990, quando Cassiano Gabus Mendes a chamou para escrever com ele a novela “Meu bem, meu Mal”. Autora de vários romances, adaptações e traduções de textos teatrais, sua biografia “A emoção libertária”, escrita por Tuna Dwek, foi publicada pela Imprensa Oficial.

 

 

De 17 a 31 de  Agosto.

 

RAQUEL ARNAUD EXIBE SILVIA MECOZZI

12/ago

Após um período sem expor na cidade, a última individual foi em 2005, na Pinacoteca do Estado, Silvia Mecozzi exibe na galeria Raquel Arnaud, Vila Madalena, a exposição “Branco de Si“. A exposição reúne uma instalação com placas em mármore que revestem o piso, uma escultura de cerca de 3 metros presa ao chão e outra com 70 cm fixa na parede, ambas produzidas no mesmo material. Em 2011 a artista realizou a série de fotografias “deserto das p_almas”, na qual retratava palmas das mãos de pessoas do seu círculo afetivo. Na série atual, a artista tratou de ampliar estes registros e esculpir no mármore as linhas das mãos fotografadas, criando relevos na pedra.

 

A plasticidade característica do mármore permitiu à artista gravar linhas e criar planícies e depressões, como numa mão. Em formato circular, a instalação deve ser sentida pelo público, que pode andar sobre as placas. Segundo Yuri Quevedo, que assina o texto sobre o trabalho de Silvia Mecozzi, o branco e o cinza do mármore e os sulcos que o trabalho fez nele, tornam-se matéria etérea e sensual, e intrigam pela luz. “Esses elementos guardam em si seu próprio segredo, e a relação entre eles parece ocultar uma história de relações que se expressa no relevo de um deserto […Espaço do afeto e não da história. Fronteira daquilo que cada corpo sabe de si mesmo]”, conclui.

 

 

Sobre a artista

 

Filha e neta de pintores, Silvia Mecozzi estudou com Carlos Fajardo e Sergio Fingermann e foi assistente de Luiz Paulo Baravelli. Em sua primeira individual, organizada na Pinacoteca do Estado de São Paulo em 1994, recebeu o Prêmio Revelação de Pintura da Associação Paulista de Críticos de Arte. Desde 2000, destacam-se as individuais “Mera Esfera Espera Espinho”, apresentada no Museu de Arte Moderna da Bahia, Salvador; Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli, Porto Alegre, RS, e no Espaço Cultural dos Correios, Rio de Janeiro, RJ, em 2003, e na Galeria Raquel Arnaud, em 2004. Em 2005, apresentou “Ouriças” na Estação Pinacoteca, São Paulo, SP, e em 2007, realizou individual na Galeria Sycomore Art, Paris. Em 2009, apresentou a obra “Libérer l’horizon, réinventer l’espace”, na Cité Internationale des Arts, Paris, e a videoinstalação “Olódòdó”, no Museu de Arte Moderna da Bahia, Salvador. Participou também de importantes exposições coletivas desde a década de 1990: “O Traje como Objeto de Arte”, no Palácio das Artes, Belo Horizonte, MG, e na Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Portugal, ambas em 1990; 5ª Bienal de Santos e 23º Salão de Arte Contemporânea de Santo André, em 1995, obtendo neste o Prêmio Aquisição; “Temporada de Projetos”, no Paço das Artes, São Paulo, SP, 1997 e “Viagens e Identidades”, United Artists V, na Casa das Rosas, São Paulo, 1999. Entre 2000 e 2008, além de exposições coletivas, como “Ópera Aberta”, na Casa das Rosas, 2002, e “Natureza-morta/Still Life”, na Galeria de Arte do Sesi e no Museu de Arte Contemporânea de Niterói, RJ, 2004, integrou “Arte Contemporânea: uma história em aberto”, 2004, “Transparências”, 2007, e “Entre o plano e o espaço”, 2008, organizadas pela Galeria Raquel Arnaud, que representa a artista desde 2002.

Paralelamente, no piso térreo da galeria, é exibida a coletiva “Em Movimento” com obras dos artistas cinéticos Carlos Cruz-Diez, Dario Pérez-Flores, Elias Crespin, Luis Tomasello e Jesús Soto.

 

 

De 15 de agosto a 14 de setembro.

 

 

Órbitas de Florian Raiss e Paulo von Poser

07/ago

A Galeria Lume, Itaim Bibi, São Paulo, SP, exibe a instalação conjunta “Órbitas”, resultado da parceria inédita entre Florian Raiss e Paulo von Poser. O projeto conta com esferas de cerâmica, pintadas “a quatro mãos”, com expografia pensada para dar efeito de flutuação no espaço da galeria. A obra foi concebida e desenvolvida especialmente para a edição deste ano da semana de design. Foram dispostas dezessete esferas de cerâmica esmaltadas e em suspensão no espaço físico da galeria, em referencia aos vários sentidos que a palavra órbita representa, especialmente na Astrologia.
 
O principal objetivo desta série inédita de Florian Raiss e Paulo von Poser, é estimular a potência do movimento do olhar dos espectadores, sua imaginação e suas diversas possibilidades. Todo o espaço da instalação é desenhado de forma a posicionar os globos numa superfície infinita, sem prumo, sem limites, o que tende a fortalecer o diálogo que há entre os traços dos artistas que dividem a autoria de cada peça.
 
Em princípio, os desenhos dos dois artistas podem parecer opostos e como definiu Paulo Kassab Jr., curador da exposição, “…após uma observação mais profunda, nota-se uma intensa complementaridade assinalada pela pesquisa do ser humano em suas subversões e pelas representações que retratam seus anseios.” Este encontro entre os dois artistas cria uma atmosfera imprevisível, onde a sobreposição gera uma dimensão ambígua e onírica. Pela própria forma da esfera, seus dois lados nunca estão dentro do mesmo campo de visão. Ou seja, apenas uma parte é revelada, enquanto a outra se projeta na mente do observador, o qual recria o cenário de acordo com sua realidade.
 
A propósito das inúmeras possibilidades de bem visualizar a instalação, Paulo Kassab Jr. reitera: “Assim voltamos aos assuntos estudados pelos dois artistas (Raiss e von Poser) durante mais de 30 anos: o homem como autor e revelador da sua própria condição e do seu entorno. A imaginação não como um estado, mas como a própria existência humana, como definiu William Blake”. A ação proposta pela Galeria Lume promove o design e suas relações com a arte. Trata-se de um evento aberto ao público, o qual é convidado a interagir em meio a esse universo de objetos “fora de órbita”. A coordenação é de Felipe Hegg.

 

Sobre os artistas
 

Florian Raiss atua no circuito de arte de São Paulo e Rio de Janeiro desde 1981. Estudou pintura na Academia de Belas Artes de Roma entre 1973 e 1975. Estudou desenho, entre 1975 e 1977, com Gilberto Aceves Navarro, na Academia de São Carlos da Universidade do México, na Cidade do México. Entre as exposições que participou, destacam-se: coletiva “Viva Brasil Viva”, no Kulturhuset, em Estocolmo, em 1989; Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP, São Paulo, 1991; “Barro em América”, Museu Sofia Imber, em Caracas, Venezuela, 1992; e MAM/RJ, Rio de Janeiro, 1994/1995.
 

Paulo von Poser nasceu em São Paulo e formou-se arquiteto pela FAU/USP em 1982. Iniciou sua relação com o desenho em 1978, ao ingressar na faculdade. A partir daí, se descobriu como artista plástico, fazendo em 1982 sua primeira exposição. Projetos gráficos, instalações, manifestações de arte pública, vídeos, cenários ilustrações, estampas, fotografias, cerâmicas, painéis de azulejos, aulas e exposições tem sido diferentes meios para o emprego de sua arte pop e gráfica. Paulo Von Poser expôs obras em diversas cidades brasileiras e em países como Alemanha, Peru, Bolívia e França. Lançou em 2010 seu primeiro livro, “A Cidade e a Rosa”.
 

 

De 13 de agosto a 27 de setembro.

A pintura de Lucy Citti Ferreira

05/ago

A Pinacoteca de São Paulo, Luz, São Paulo, SP, apresenta a exposição “Lucy Citti Ferreira”, com cerca de 60 trabalhos realizados entre 1930 e 1990. As obras fazem parte de um conjunto de pinturas, desenhos, gravuras, fotografias, recortes de jornal, manuscritos, correspondências e documentos pessoais, catálogos e convites de exposições, que foram doados por Lucy -São Paulo, SP, 1911 – Paris, França, 2008 – para a Associação Pinacoteca Arte e Cultura-APAC, poucos meses antes de sua morte. A doação foi recebida por Regina Teixeira de Barros, curadora da Pinacoteca que, junto com Rosa Esteves, pesquisadora do Museu Lasar Segall e amiga da artista, ficaram responsáveis por organizar e catalogar todo o conteúdo recebido. “Estimava-se, à primeira vista, que houvesse cerca de 600 obras sobre papel a serem catalogadas (…). Entretanto, após quase três anos chegou-se a um número mais do que cinco vezes maior: foram catalogadas 3219 obras de Lucy”, afirma Regina Teixeira de Barros, curadora da mostra.
Esta exposição é a mais completa já realizada sobre sua obra. É uma rara oportunidade de ver um significativo conjunto da artista reunido num só espaço, pois sua última mostra individual aconteceu em 1988 no Museu Lasar Segall, ocasião em que também doou para a Pinacoteca cinco obras, um desenho e quatro xilogravuras.  A exposição Lucy Citti Ferreira começa com pinturas realizadas no período de formação da artista em Paris e termina com um conjunto de paisagens imaginárias realizadas em aquarela, na década de 1980. Entre os dois extremos estão os desenhos, aquarelas e pinturas que a artista produziu entre 1935 e o final da década de 1950, período mais produtivo de sua carreira. Aí estão contemplados retratos, naturezas-mortas, grupos de figuras, cenas de interiores e, em maior evidência, os autorretratos, que se sobressaem tanto pela  qualidade da pintura quanto pela quantidade de variações sobre o tema. Por meio dessa seleção de obras também é possível acompanhar as sutilezas das transformações formais que se apresentam nesse intervalo: do alinhamento às características do retorno à ordem, às simplificações da figura levemente contaminadas pelas tendências abstracionistas do pós-Guerra.
“A mostra tem como objetivo evidenciar a qualidade da obra de Lucy e reparar, na medida do possível, o apagamento a que foi relegada. Ao mesmo tempo, a ocasião é propícia para explicitar sua singularidade, que muitas vezes foi posta em dúvida devido à (superficial) similaridade de algumas obras com aquelas de Lasar Segall, de quem foi modelo e discípula. Finalmente, essa mostra tem a intenção de saldar um compromisso selado muitos anos antes, de acolher sua obra, estudá-la e divulgá-la com a merecida distinção, de maneira a inseri-la efetivamente na história da arte brasileira”, afirma a curadora Regina Teixeira de Barros.
Sobre a artista

Lucy Citti Ferreira, nasceu em São Paulo, SP, em 1911 e faleceu em Paris, França, em 2008. Foi pintora, desenhista, gravadora e professora. Viveu a infância e adolescência na Itália e na França com a família. Em 1930 frequenta o curso noturno de desenho de modelos clássicos na École Régionale des Beaux- Arts do Havre, França. Inicia seus estudos de pintura com André Chapuy. De 1932 a 1934, freqüenta a École Nationale des Beaux-Arts, em Paris. Aperfeiçoa-se em Pintura com Fernand Sabatté e escultura com Armand Matial. Expõe no Grand Palais e no Salon des Tuilleries. Retorna ao Brasil e instala seu ateliê na Rua Martinico Prado, em Higienópolis, em São Paulo. Conhece o pintor Lasar Segall, de quem se torna aluna e modelo. Volta a morar em Paris em 1947 e, no ano seguinte, expõe na Galerie Jeanne Bucher, em Paris. Em 1954, faz exposição individual no Museu de Arte de São Paulo. Em 1988, realiza a exposição individual “Sombras e luzes” no Museu Lasar Segall. Nessa ocasião, doa cinco obras (um desenho e quatro xilogravuras) para a Pinacoteca do Estado de São Paulo e sete obras (seis pinturas e um desenho) para o Museu da Arte Moderna de São Paulo. Em 2000 participa da exposição “Mostra do redescobrimento: Negro de corpo e alma”, organizada pela Fundação Bienal de São Paulo. Em 2004 participa da exposição “Mulheres pintoras”, na Pinacoteca do Estado, São Paulo e da mostra “O olhar modernista de JK”, no Ministério das Relações Exteriores, Palácio do Itamaraty, Brasília, DF.
Até 19 de outubro.

 

 

Nuno Ramos, Anjo e Boneco

02/ago

Chama-se “Anjo e Boneco” a nova exposição individual de Nuno Ramos na Galeria Fortes Vilaça, Vila Madalena, São Paulo, SP.  A mostra traz uma série de desenhos em larga escala, inéditos, todos realizados com guache. O título da exposição é parte de um verso extraído da obra “Elegias de Duíno “, de Ranier Maria Rilke – “Anjo e boneco: haverá espetáculo” (tradução de Dora Ferreira da Silva). Nuno Ramos, ele mesmo também um escritor, inspira-se frequentemente na obra de outros poetas, escritores e compositores. Sua série de desenhos anteriores partia do famoso diário de memórias de Daniel Paul Schreber, e em “Faca só Lâmina”, uma série de desenhos sobre alumínio, Nuno utilizava versos extraídos de um poema de João Cabral de Melo Neto, para citar apenas alguns exemplos.

 

Porém, diferentemente de desenhos anteriores, o artista trabalha com poucos elementos e materiais para compor os trabalhos desta nova série. As composições são todas feitas somente com guache, carvão e pastel seco apresentando em sua maioria apenas uma cor em contraste com o negro do carvão. Há formas geométricas combinadas com linhas gestuais, como em “Anjo e Boneco 18: Compreendemos Facilmente os Criminosos”. O jogo entre as linhas e formas parece estar sempre na beira do desequilíbrio. Há uma expectativa do porvir, a composição não é estática. Nuno também incorpora escorridos e manchas causados pelas tintas, trazendo o acaso para o processo de criação.
Comum a quase a todos os desenhos, além do título da série, são diferentes versos, também extraídos da IV Elegia de Rilke, impressos sobre o papel em letras de forma com carvão. “Como o coração de uma bela maçã” ou “abandonas a serenidade dos mortos” podem ser lidos entre as linhas, semicírculos e tinta, formando a composição. Ao extrair os versos de seu contexto original e incluí-los nos desenhos, Nuno explora a ressonância das palavras em um contexto de abstração. Ao alinhar todos os desenhos, apoiados na parede, bem perto uns dos outros, contornando o espaço da galeria, o artista cria a sua própria narrativa, o seu próprio poema, visual e literário. Há uma beleza latente, da mesma potência de suas esculturas.

 

Sobre o artista

 

Nuno Ramos nasceu em 1960, em São Paulo, onde vive e trabalha. Formou-se em Filosofia pela Universidade de São Paulo em 1982. Artista plástico, compositor, cineasta e escritor, participou de diversas exposições coletivas e individuais, destacando-se recentemente: em 2012, “O Globo da morte de tudo” (em parceria com Eduardo Climachauska) na Galeria Anita Schwartz, Rio de Janeiro, “Ai Pareciam Eternas!” na Galeria Celma Albuquerque, Belo Horizonte e “Solidão, Palavra” no Sesc Pompéia, São Paulo; em 2010 “Fruto Estranho” no MAM, Rio de Janeiro; e a 29ª Bienal Internacional de São Paulo. Publicou em 2011 seu oitavo livro, Junco, pela editora Iluminuras, vencedor do prêmio Portugal Telecom de Literatura na categoria poesia. Em 2008, venceu Prêmio Portugal Telecom para melhor livro do ano com Ó, também da Iluminuras.

 

Até 14 de setembro.

A realidade em Lucian Freud


Um dos pintores mais importantes do século 20, Lucian Freud, é o atual cartaz do MASP-SP, Paulista, São Paulo, SP. O artista que morreu há dois anos em Londres, onde se radicou depois de fugir da Alemanha nazista, fez fama e fortuna retratando pessoas que encontrava no dia a dia: desde sua mulher ao açougueiro. Também retratou personagens do underground londrino, como o travesti Leigh Bowery, quase sempre nus e em poses que fogem do padrão.
São gordos, suados, carecas. De pernas abertas, o sexo exposto, rugas e marcas de expressão exacerbadas, a pele como espécie de histórico sulcado de vidas nada fáceis. São seis pinturas de quase todas as fases de sua carreira, dos anos 1940 aos anos 1980, e mais de 40 gravuras e fotografias de seu ateliê, onde seus modelos chegavam a posar ao longo de anos para uma única tela ficar pronta.
Das 78 obras na mostra de Lucian Freud que o Masp abre hoje, só seis são pinturas, embora esse seja o meio de expressão que o consagrou.
Uma delas foi Sue Tilley, fiscal do serviço social britânico, que posou nua para Freud. Seu retrato, uma mulher gigantesca, seus volumes de pele e gordura transbordando de um sofá kitsch. Esse e outros retratos nada convencionais acabaram tirando o artista da reclusão.
Artista que despontou no auge das estripulias dos Jovens Artistas Britânicos, entre eles Damien Hirst e Tracey Emin, Freud se manteve figurativo, no sentido quase clássico do termo, fiel ao retrato acima de tudo.
“Uma apreciação completa da obra de Freud só foi possível nos últimos anos”, diz Richard Riley, curador da mostra no Masp. “Até pouco tempo atrás, ele era visto como uma figura reacionária à arte contemporânea, um excêntrico fora da realidade.”
Mas é na cruel realidade acentuada nas telas de Lucian Freud que está seu vigor, bem mais do que em muitas e qualquer obra de seus contemporâneos. “Ele tinha fascínio pela textura da pele e montanhas de carne humana”, diz Riley. “É um retrato inabalável e sem medo da forma humana verdadeira.”
Com exceção de uma pintura que representa a cabeça de um galo (morto) e de uma gravura que mostra um fragmento do jardim do artista, em Londres, todas as obras de Lucian Freud expostas no Masp são retratos.
Até 13 outubro.