Ana Maria Pacheco na Pinacoteca

28/nov

 

A Pinacoteca de São Paulo, São Paulo, SP, apresenta a exposição de Ana Maria Pacheco com cerca de 50 obras, entre gravuras, livros de artista e esculturas, realizadas entre 1998 a 2012. Segundo o curador Carlos Martins, os grandes destaques da mostra são as esculturas “Noite escura da alma”, que reúne um grupo de figuras dispostas em torno de uma figura central, compondo uma arena forjada por uma situação intrigante e ameaçadora, e “Memória roubada I” e “Memória roubada II”, que remetem a um tempo passado muito ligado a memória de um universo religioso. Além de uma seleção de gravuras, com obras de pequeno e grande formato, que oferece um significativo panorama da produção da artista, um testemunho de seu rico imaginário.

 

Esta é a primeira exposição de Ana Maria Pacheco na Pinacoteca. Radicada em Londres desde 1973, Ana Maria consolidou seu trabalho em meio ao competitivo cenário artístico europeu, trazendo como traço definitivo a simbiose de influências da vivência londrina com o imaginário de origem brasileira. Sua obra se reporta às tradições da nossa cultura popular a e, por meio de seu amplo conhecimento de história, literatura e da tradição iconográfica, constrói um mundo muito particular de imagens densas e sombrias, carregadas de ironia e metáforas, sempre surpreendentes. “Ana Maria Pacheco sabe provocar nossa imaginação e sensibilidade. Com suas gravuras e esculturas, a artista nos arrebata e, em estado de cumplicidade, somos levados ao seu mundo repleto de situações insólitas, muitas vezes assustadoras”, afirma o curador Carlos Martins.

 

Ana Maria possui múltipla formação nos campos da arte, música e educação – graduou-se em 1965 pela Universidade Católica e pela Universidade Federal de Goiás. A escultura foi a sua forma de expressão privilegiada, desde o princípio, e sua participação na Bienal de Artes de Goiás, em 1970, foi reconhecida com uma premiação; em 1971, expôs na Bienal de São Paulo. Com uma bolsa de estudos concedida pelo Conselho Britânico do Rio de Janeiro, partiu para Londres onde estudou na Slade School of Fine Art, de 1973 a 1975. Atualmente vive e trabalha em Londres, sendo a primeira artista estrangeira a usufruir do projeto promovido pela National Gallery de residência artística.

 

Até 03 de fevereiro de 2013.

Dois na Galeria Estação

23/nov

Para sua última exposição do ano, a Galeria Estação, Pinheiros, São Paulo, SP, apresenta Julio Martins da Silva (1893, Icaraí – RJ / 1978, Rio de Janeiro – RJ) artista praticamente esquecido, embora de grande importância para a arte popular brasileira. Além de participar da Bienal de Veneza em 1978, naquele mesmo ano, foi tema do filme O que eu estou vendo vocês não podem ver, de Carlos Augusto Calil, professor da ECA-USP e hoje Secretário Municipal de Cultura de São Paulo. Agora, tem seu trabalho reconhecido pelo olhar de Paulo Pasta, que faz a curadoria desta mostra com 19 obras do acervo da galeria.

 

Julio Martins da Silva, pintor tardio, passou a usar a tinta a óleo somente depois da aposentadoria definitiva. Interessava-e principalmente pela natureza, sobretudo por paisagens. Suas telas, sempre retratando uma cena organizada, com pinceladas leves de cores calmas e harmoniosas, contrapõem uma vida de muitas dificuldades. “Esse contraste entre uma vida feita de adversidades e privações e uma produção em que isso não aparece, ou melhor, na qual se elabora justamente o oposto dessa condição, constitui, como já procurei apontar, uma das principais contradições da obra de Julio Martins da Silva”, afirma o curador.

 

Segundo Paulo Pasta, as paisagens do artista possuem características muito particulares, mais próximas da imaginação do que da realidade. O curador aponta, ainda, como raramente se pode ver em suas obras a representação de uma natureza selvagem, desregrada e a mata, quando aparece, também é elaborada em formas amenas e ordenadas. “Acredito que o arquétipo mesmo de suas paisagens seja o jardim, nele, Julio M. da Silva parece encontrar o seu tema perfeito”, completa.

 

Sobre o artista

 

Neto de escravos africanos e filho de pais analfabetos, Julio Martins da Silva nasceu no interior do Rio de Janeiro  e começou a trabalhar ainda menino para sobreviver.  Aos 17 anos, já órfão de pai e mãe, mudou-se definitivamente para a capital fluminense onde foi cozinheiro e operário. Apesar da difícil condição social, sempre buscou completar sua alfabetização, sobretudo para ler seus poetas preferidos, Castro Alves e Casemiro de Abreu. Era, também, um amante das artes. Além de desenhar com lápis desde a juventude,  gostava de fazer serenatas e frequentava, sempre que possível, teatros e cinemas. Segundo Lélia Coelho Frota em seu “Pequeno Dicionário da Arte do Povo Brasileiro”,  o artista realizou inúmeras exposições individuais em galerias de arte do Rio de Janeiro e de São Paulo,  entre elas, destaque para a mostra no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, 1975; e  a participação na Bienal de Veneza, 1978 e uma exposição individual em Washington, 1984.

 

Transcursos 

 

Paralela à exposição de Julio Martins da Silva acontece, no 1° andar da galeria, a exposição de Aline van Langendonck, artista que participou do programa de Residência Artística do Ateliê Acaia, em 2012, que recebe apoio da Galeria Estação. Com curadoria de Tiago Mesquita, a mostra “Transcursos” reúne um conjunto de trabalhos que versa sobre as possibilidades de relação de enquadramentos durante o deslocamento no espaço.

 

A mostra reúne o vídeo Rio Grande realizado nas linhas de trem da CPTM em São Paulo; uma série de monotipias nas quais uma faixa preta compõe o espaço de diferentes maneiras, além de sugerir um desdobramento de imagens em sequencia com quebras de linearidade; cadernos de desenho que investigam variações de formas de objetos cotidianos; objetos de madeira instalados entre o vão da sala expositiva; além da documentação do processo de pesquisa e trabalho relacionada ao período da residência nos ateliês do Instituto Acaia.

 

Até 19 de dezembro.

Maureen Bisilliat lança livro

09/nov

A consagrada Maureen Bisilliat lança, na Livraria Cultura, Conjunto Nacional, São Paulo, SP, pela editora Terra Virgem, o livro “Maureen Bisilliat”, contendo 50 imagens registradas ao longo de sua trajetória fotográfica. A origem desse trabalho remonta a cópias manuseadas pela autora há décadas, entre fotografias em branco e preto, coloridas,  tonalizadas, alteradas, interferidas e guardadas. Essas obras estão reproduzidas da maneira em que foram encontradas: ampliações dobradas, amassadas, manchadas e metamorfoseadas pelo esquecimento.

 

A seleção de imagens que compõem a publicação obedece a uma metodologia básica e intuitiva, que permitiu criar um fluxo abrangente, atemporal e descompromissado, diferente das cronologias anteriores que Bisilliat estabeleceu em seus projetos.

 

O livro “Maureen Bisilliat” apresenta fotografias já conhecidas do público, marcantes na carreira da fotógrafa, além de imagens inéditas e faz parte da coleção “Fotógrafos Viajantes”, da editora Terra Virgem, da qual já foram lançados exemplares de Pierre Verger, Cássio Vasconcellos, Pedro Martinelli e Loren McIntyre, sob a batuta do editor Roberto Linsker.

 

Sobre a artista

 

Fotógrafa e documentarista, Maureen Bisilliat foi bolsista da Fundação Guggenheim, do CNPq e da FAPESP. Nascida na Inglaterra, a artista vive no Brasil desde 1952, radicando-se no país. Iniciou na fotografia em 1962, tendo atuado por dez anos nas revistas Realidade e Quatro Rodas. Estas “andanças” resultaram na elaboração de um projeto traçando equivalências fotográficas dos mundos retratados por Euclides da Cunha, Guimarães Rosa, Jorge Amado, João Cabral de Melo Neto e Adélia Prado; publicou em livros os resultados desse traçado. De 1972 a 1977 visitou diversas vezes o Xingu. Em 1979, lançou, em coautoria com os irmãos Villas-Bôas, a publicação “Xingu / Terra” e participou com uma sala especial da XIII Bienal Internacional de São Paulo, 1975. Em 1988, foi convidada por Darcy Ribeiro para contribuir na criação de um acervo de arte popular latino-americana, do qual nasceu o Pavilhão da Criatividade no Memorial da América Latina. Foi diretora deste espaço de 1989 a 2010. Em 2003, o Instituto Moreira Salles adquiriu seu acervo fotográfico, publicando, em 2009, o livro “Fotografias / Maureen Bisilliat”. O interesse do Instituto Moreira Salles pela sua obra reavivou o interesse da própria autora pelos seus trabalhos, até então esquecidos nos armários do tempo. O “Prêmio Porto Seguro de Fotografia”, a Ordem do Ipiranga, a Ordem do Mérito Cultural e a Ordem do Mérito da Defesa, recebidos todos no ano de 2010, indicam a repercussão desta redescoberta.

 

Lançamento: 13 de novembro.

Dois em Ribeirão Preto

José Carlos Machado

A Galeria Marcelo Guarnieri, Ribeirão Preto, São Paulo, SP, apresenta as exposições de José Carlos Machado e Guto Lacaz. Os dois projetos são divididos em salas distintas: na sala 01 as esculturas produzidas desde a década de 80 por José Carlos Machado, cujos trabalhos são construídos em madeira, ferro, metal, imã e água. Em seus trabalhos há “… uma busca pela instabilidade do objeto, seja construindo peças onde o ponto de equilíbrio é a sutil ação de repulsa entre duas peças, seja pelo momento onde a água quase transborda de um espaço de contenção. As peças mantêm uma perspectiva formal que é desestabilizada pelos possíveis campos de energia”. Na sala 02, a galeria apresenta o recente trabalho de Guto Lacaz, que consiste em livros de sua biblioteca pessoal abertos em páginas onde aparecem personagens que são ícones das artes visuais e da ciência como Marcel Duchamp, Nam June Paik, Tesla e Rodchenko; neles são construídos mecanismos analógicos que ativam ações específicas em cada obra.

 

Sobre os artistas

 

José Carlos Machado vive e trabalha em São Paulo, SP. Graduado em arquitetura pela FAU – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo – USP. Participou de diversas exposições coletivas a partir da década de 80 como o Projeto Macunaína, 19ª Bienal Internacional de São Paulo e outras.

 

Guto Lacaz vive e trabalha em São Paulo, SP. Graduado em arquitetura pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de São José dos Campos. Desde os anos 70 participa de exposição e bienais em diversas partes do mundo.

 

De 09 de novembro a 01 de dezembro.

 

Jaildo Marinho na Pinakotheke Cultural

29/out

A Pinakotheke Cultural, Botafogo, Rio de Janeiro, RJ, apresenta a exposição “Jaildo Marinho – Le Vide Oblique”, com obras produzidas nos últimos dez anos pelo artista nascido em Pernambuco, em 1970, e radicado na França desde 1993. A curadoria é de Max Perlingeiro. “Jaildo Marinho – Le Vide Oblique” foi apresentada em Paris, de março a junho deste ano, na Maison da América Latina, com curadoria do crítico de arte francês Jacques Leenhardt e do diretor da Pinakotheke Cultural, Max Perlingeiro.

 

Serão apresentadas 39 obras, dentre pinturas e esculturas, produzidas entre 2002 e 2012, algumas inéditas. Jaildo Marinho faz um permanente diálogo com o construtivismo. Suas esculturas, em mármore branco de Carrara e de Thassos, têm formas geométricas, algumas com a utilização da cor em tinta acrílica. As pinturas são em tinta acrílica sobre madeira e fio de algodão.

 

Na abertura da exposição será lançado um livro com a qualidade que marca a Editora Pinakotheke, com 157 páginas, trilíngue (português/inglês/francês), com textos do poeta Lêdo Ivo, do crítico de arte francês Jacques Leenhardt e do jornalista e escritor Mario Hélio Gomes, além do registro fotográfico das esculturas e pinturas realizadas nos últimos quinze anos.

 

Sobre o artista

 

Jaildo Marinho teve sua formação artística na Universidade Federal de Pernambuco.Viajou para Paris em 1993, onde trabalha e vive com a família. Em 1999, iniciou um trabalho como professor no ateliê de escultura e fundição da ADAC Ville de Paris. Na França, conheceu Carmelo ArdenQuin e passou a fazer parte do Grupo MADI. O reconhecimento pelo seu trabalho veio com o titulo de cidadão parisiense concedido pelo Governo francês em 2008.

 

Realizou exposições individuais nos seguintes espaços: Hungarian Academy of Sciences – Centre for Regional Studies, 2010; Fundação Joaquim Nabuco, Recife, Galeria Manuel Bandeira – ABL, Rio de Janeiro, 2008; Espaço Cultural Marcantonio Vilaça, Brasília, DF, 2007; Palais Omnisports de Paris Bercy, Paris, 2006; Casa do Brasil,  Espanha, Bibliothèque Historique de la Ville de Paris, ambas em 2004; Centre Culturel Franco-Brésilien, 1999 e 2003 e Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco, 2002, entre outras.

 

As principais exposições coletivas foram no Musée d’Art et d’Histoire de la Ville de Cholet, França, Palais de Glacê, Buenos Aires, em 2011; Castel  dell’Ovo, Itália, 2010;  Conservatoire des Arts Plastiques de Montigny-le-Bretonneux e no Grand Palais, Maison de L’Amérique Latine, França; Spazio Arte Pisanello, Itália, 2008; Satoru Sato Art Museum, Japão, 2007; Moscow Museum of Contemporary Art, Moscou; Ludwig Museum,  Alemanha, Fondation Nationale des Arts Graphiques et Plastiques, França, em 2001, entre outros.

 

Recebeu os seguintes prêmios: Medalha de Ouro do Festival Internacional de Mahares, Tunísa, em 1995, e 3º Prêmio em escultura da Bienal de Malta, em 1999.

 

De 30 de outubro a 08 de dezembro.

Itabirito na Kunsthalle

Dando continuidade à série “Processos”, a KUNSTHALLE São Paulo, Pinheiros, São Paulo, SP, apresenta a primeira exposição individual de Ricardo Itabirito, com curadoria de Marina Coelho. Numa trajetória que se iniciou com o desenho industrial, o artista desenvolve seu trabalho dando ênfase ao processo de execução das obras, à relação com a matéria, ao ato de pintar, à gestualidade de cada pincelada e à escolha da paleta de cores. Tais questões são, para Itabirito, mais importantes do que a busca de um possível tema ou conteúdo conceitual. A KUNSTHALLE São Paulo, é um espaço dedicado à arte contemporânea. Abrigando exposições e projetos de artistas nacionais e internacionais, o espaço é caracterizado pela experimentação, formação de comunidade e criação de discussões em torno de temas atuais da sociedade e da arte contemporânea. Este conceito democrático busca proporcionar um ambiente informal, na tentativa de eliminar as hierarquias existentes nas relações entre artista, curador e público.

 

As obras de Itabirito apresentam figuras sem fundo, que rompem com o raciocínio renascentista, no qual se desenha delimitando com contornos, demarcando volumes, pensando na perspectiva e no fundo. Fundamental para o artista alcançar essa primitividade foi encontrar no suporte do papel a solução para a inexistência do fundo, pois, diferentemente de uma tela não pintada, que talvez tenha a conotação de uma obra inacabada, o papel em branco é um signo diferente que possibilita essa experiência. Os papéis estão fixados em bases de madeira apoiadas diretamente no chão, o que confere às obras uma presença volumétrica equivalente à de um corpo humano.

 

Para Itabirito o pintar e o repintar, com centenas de pinceladas, imprimem em suas obras uma força, uma presença energética, que podem ser visualizadas em cada uma de suas figuras. Apresentadas em escala humana, estas não têm rostos, olhos nem bocas, pois não estão ali para representar alguém, uma identidade, mas para tocar em questões universais da condição humana, questionar a representação do ser e, principalmente, criar uma comunicação que se dá através da sensação, e não pela palavra.

 

Até 07 de novembro de 2012.

Nove no CCBB-SP

26/out

O Centro Cultural Banco do Brasil, Centro, São Paulo, SP, apresenta “Planos de Fuga – uma exposição em obras”. Com curadoria de Rodrigo Moura, de Inhotim, e Jochen Volz, de Inhotim e curador-chefe da Serpentine Gallery, de Londres, a mostra apresenta trabalhos que dialogam com a arquitetura do prédio do CCBB-SP, incluindo instalações site-specific.

A mostra reúne trabalhos de nove artistas contemporâneos: Carla Zaccagnini, Cildo Meireles, Cristiano Rennó, Gabriel Sierra, Marcius Galan, Mauro Restiffe, Renata Lucas, Rivane Neuenschwander e Sara Ramo. Também estão na exposição obras de três artistas históricos: a suíça radicada no Brasil Claudia Andujar  e os americanos Gordon Matta-Clark e Robert Kinmont. As obras de Cildo Meireles e Rivane Neuenschwander são inéditas no Brasil.

 

Segundo os curadores “Planos de fuga é uma tentativa de se imaginar uma exposição como ato coletivo, no sentido que esta ocupação temporária específica do edifício gera uma co-habitação planejada, composta de múltiplas combinações. As obras do núcleo histórico entram como notas de referência, aludindo a estados de ânimo, lugares e operações distantes fisica e temporalmente do nosso contexto, mas a fins a ele por espírito”.

 

Sobre as obras

 

Entre os trabalhos apresentados em “Planos de Fuga” estão seis instalações site-specific criadas especialmente para o CCBB-SP. É o caso de “Cortina”, de Cristiano Rennó, que ocupará o vão central do edifício com centenas de faixas de plástico translúcido, vermelhas e amarelas, afixadas no terceiro andar do prédio e suspensas no vão. Também a instalação de Sara Ramo, montada no antigo cofre do banco, no piso subsolo. A artista desenvolveu um labirinto – mental, físico e emocional – tendo entre as referências a caixa forte do Tio Patinhas, os canteiros de obras da construção civil e a mineração de metais preciosos.  O fotógrafo Mauro Restiffe foi convidado para documentar o processo de criação da mostra, assim como o momento anterior à sua chegada ao espaço e o entorno do CCBB-SP. O resultado será fixado em um livro finalizado logo após a abertura da mostra e lançado com a exposição já inaugurada, sendo ao mesmo tempo obra e catálogo.  Entre os destaques da exposição, “Ocasião”, de Cildo Meireles, projeto de 1974 que foi construído em 2004,  na Alemanha. Um grande espelho espião conecta dois quartos independentes. No primeiro, há uma bacia cheia de dinheiro e espelhos nas paredes, fazendo o espectador se confrontar com sua imagem e o monte acessível de dinheiro. A segunda sala está vazia e escura, com o espelho espião funcionando como uma janela para a primeira sala. “A Conversação”, de Rivane Neuenschwander, foi exibida em 2010 no New Museum, de Nova York. É inspirada no filme homônimo de Francis Ford Coppola, de 1974, no qual um especialista em escutas acredita que está sendo observado, e traz dispositivos de vigilância instalados em pontos estratégicos de um museu. No núcleo histórico de “Planos de Fuga”, um conjunto de obras de artistas que ajudaram a criar referência nas relações entre arte e lugar. De Gordon Matta-Clark veremos “Coat Closet”, obra de 1973, que pertence à coleção de Inhotim e será exibida pela primeira vez no Brasil. Repórter fotográfica nos anos 1960, Claudia Andujar apresenta o trabalho inédito “São Paulo Através do Carro”, no qual fotografou a cidade enquanto uma amiga dirigia. E do experimentalista Robert Kinmont, as séries “My Favorite Dirt Roads”, de 1969, uma seleção das estradas de terra favoritas do artista, e “8 Natural Handstands”, de 1969/2009, que combina fotografia, escultura e performance e fala da  relação romântica do artista com o meio e sua presença na paisagem da Califórnia, onde ele nasceu, cresceu e trabalha até hoje.

 

De 27 de outubro de 2012 a 6 de janeiro de 2013.

Miro no século XVII

25/out

A FASS, Vila Madalena, São Paulo, SP, galeria especializada em fotografias do início do século XX, além de cópias de época, ou vintage, apresenta “Miro – Um fotógrafo no século XVII”, exposição composta por onze trabalhos de Miro, releituras de  pinturas do século XVII, entre as quais, telas de Caravaggio.

 

São onze imagens que capturam por linguagem fotográfica obras renascentistas italianas, flamengas, francesas e espanholas, uma seleção que Miro utilizou como referência, para admirar a semelhança, atingida sem qualquer tipo de intervenção ou manipulação digital. As fotos, com tiragem de cinco, foram feitas em estúdio, apenas com os recursos à mão do fotógrafo na década de 1980: câmeras de grande formato e filmes positivos em placas de 4×5 polegadas.

 

As fotografias reunidas na mostra refletem um momento de introspecção do autor, às voltas com questões existenciais como a finitude e transitoriedade da vida, temas caros aos mestres daquele período.  Na versão de Miro, obas como “São Jerônimo”, de 1606, “São João Batista”, de 1604, e “Flagelação de Cristo”, de 1607, encantam e emocionam pela sensação de presença que exalam os personagens, os corpos que, vindos da pintura, parecem avançar em nossa direção reivindicando humanidade.

 

Nas naturezas mortas, essa procura obsessiva por um vislumbre da verossimilhança representada em telas de 400 anos atrás alcança um grau de expressividade que transcende a mera reprodução e gera uma nova mensagem.  Exemplos desse estilo recriados por Miro são as telas “Bodegon de Cocina”, de 1665, de Mateo Cerezo e “Bodegon e Paisagem”, atribuída a Juan Van Der Hamen y Léon.

 

Sobre o artista

 

Azemiro de Souza, o Miro, nasceu em 1949, na cidade de Bebedouro, SP. Foi laboratorista, assistente e nos anos 70 e 80 tornou-se um dos fotógrafos de publicidade e moda mais influentes do Brasil. Com um estilo influenciado pelas artes cênicas, pintura e cinema, Miro criou não só belos trabalhos fotográficos, mas tendências, além de dar cara a várias marcas. Sua busca quase obsessiva pela imagem precisa e fiel à sua imaginação moldou o mito criado em torno de sua obra. Em 2010 lançou o livro “Artesão da Luz”, pela Luste Editores.

 

 

Até 22 de dezembro.

Objetos de Manuela Ribadeneira

A exposição “Objects of certitude objects of doubt” (Objetos de certeza, objetos de dúvida), da artista equatoriana Manuela Ribadeneira – uma das mais destacadas artistas contemporâneas latinas é o cartaz da Casa Triângulo, Itaim, São Paulo, SP. A artista já representou seu país na Bienal de Veneza, em 2007, e foi, por diversas vezes, destaque nas mais importantes publicações de arte do mundo. Radicada na Europa há mais de uma década, Manuela Ribadeneira soube aproveitar a distância geográfica com seu país para refletir sobre questões de índole pós-colonial e construção de identidade.

 

A mostra reúne uma coleção de objetos que fazem referências diretas “às viagens dos europeus e ao Descobrimento das Américas, e também ao direito que cada pessoa tem de definir seu território e nacionalidade, além de relacionar o processo de colonização ao desenvolvimento científico”.

 

Alguns dos objetos apresentados referem-se a instrumentos de navegação utilizados nas viagens de europeus que desembarcaram nas costas das Américas, outros remetem a desenvolvimentos científicos mais tardios, peças de aviões e submarinos, e objetos diversos que tenham relação ao ato de navegar.

 

Mariana Ribadeneira sempre constrói seu trabalho com base em alguns temas centrais, como a relação de um povo com o território que habita, a incongruência entre os desejos das pessoas e os interesses do Estado, ou a fragilidade e a natureza efêmera das barreiras supostamente intransponíveis e fronteiras.

 

Para a artista, o que está sempre no centro dos debates sejam de cunho territorial, político ou relacionado à identidade, áreas que constituem seu campo de ação e pesquisa, é sempre o homem: suas aspirações e sonhos, seus desejos e suas verdadeiras convicções.

 

De 27 de outubro a 24 de novembro.

Em busca do essencial

17/out

A LUME Photos, Itaim-Bibi, São Paulo, SP, inaugura “Naïve”, a primeira exposição individual do fotógrafo Gabriel Wickbold com 14 imagens da série homônima. Em sua busca pela essência do homem, registrou imagens de rostos de modelos pintados com guache e efeitos craquelados, sobrepostos por insetos ou plantas. Para Gabriel Wickbold, este ser humano ingênuo (tradução da palavra francesa naïve), fossilizado, atua “adubando algo novo, gerando vida através de sua carcaça pura”. O título da série faz alusão ao sentimento de superioridade do homem em relação à Natureza.

 

Sempre estiveram presentes no trabalho do fotógrafo a figura humana e a criação de interferências em seus personagens com o emprego da tinta. Em “Naïve”, a novidade fica por conta da interação com outros elementos da natureza, acessórios dispostos com a intenção de questionar a posição do homem no mundo. Apesar de forte relação com a temática do impacto ambiental provocado pela ação humana, as questões fundamentais nas obras de Gabriel Wickbold são filosóficas, interiores. Nesses trabalhos, o fotógrafo foca-se na natureza do homem, arrogante devido a sua falta de conhecimento acerca da vida que o cerca, da vida que está além de sua própria vida.

 

Em “Naïve”, Gabriel Wickbold optou por fotografar apenas as cabeças dos modelos, já que é a parte do corpo onde se concentram as ideias e emoções. Antes do clique, o inseto ou planta é posicionado sobre a face. Todos os elementos que compõem as obras do artista estão presentes no momento da fotografia. Tão importante quanto a técnica do manuseio da câmera é esse processo de transformação dos modelos em homens-instalação. O artista trata a fotografia como instrumento para representar sua estética, que é utilizada como um impulso para o conteúdo, um meio de exprimir sua visão de mundo. “A arte é reflexo do homem e suas questões. Essa série veio como uma transpiração desse meu momento”, diz. A curadoria é de Paulo Kassab Jr e a coordenação de Felipe Hegg.

 

Até 23 de novembro.