Exposição individual de Ricardo Ribeiro.

23/set

A Galeria Marcelo Guarnieri, Jardins, São Paulo, SP, apresenta, entre 03 e 17 de outubro, “Ecos”, segunda exposição individual de Ricardo Ribeiro na sede da galeria. A mostra reúne cerca de trinta fotografias realizadas entre 2019 e 2022 em Guaribas, no Piauí, e Timbó, em Santa Catarina, duas cidades distantes geográfica, histórica e culturalmente, mas aproximadas por uma circunstância política singular: ambas registraram votações majoritárias para os dois candidatos que disputavam o segundo turno das eleições presidenciais de 2018. Guaribas, cidade associada ao lançamento do Programa Fome Zero, no início do primeiro governo Lula, tornou-se um dos símbolos do voto no Nordeste; Timbó, no Vale do Itajaí, representa uma região marcada pela imigração europeia, sobretudo italiana e alemã, e que, nos últimos anos, se consolidou como um importante território de apoio a Jair Bolsonaro.

Foi a partir desse contraste que, em 2019, Ribeiro iniciou uma investigação que se prolongaria por quatro anos e que também daria origem ao documentário Norte Sul Esquerda Direita, lançado em setembro de 2026 no 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Ao longo desse período, o artista produziu aproximadamente três mil fotogramas em filme de médio formato e registrou cerca de cento e trinta horas de filmagens da vida cotidiana dos habitantes dessas duas localidades. O projeto nasceu com o apoio da Pollock-Krasner Foundation, sediada em Nova York, que selecionou Ricardo Ribeiro como bolsista em 2019. 

A aparente oposição entre norte e sul, esquerda e direita permanece como uma tensão que organiza o conjunto na exposição. Ao aproximar imagens produzidas nos dois territórios, “Ecos” produz uma espécie de jogo de espelhos entre essas categorias: imagens que se aproximam, se confundem e, por vezes, parecem refletir umas às outras. 

Uma geometria do sensível.

21/set

Este viewing room da Almeida & Dale reúne um conjunto de obras que tomam o geometrismo como princípio estruturante, estabelecendo um arco que se inicia na década de 1960 e alcança a produção contemporânea. Mais do que um estilo ou vocabulário formal, nas obras apresentadas aqui, a geometria aparece aqui como um modo de pensamento em exercícios de forma e composição, assim como instrumento para a elaboração de experiências subjetivas. 

Incluindo obras de nomes como Alfredo Volpi, Amilcar de Castro, Cassio Michalany, Geraldo de Barros, Judith Lauand, Luiz Sacilotto e Lygia Pape, o percurso atravessa as experiências do concretismo e do neoconcretismo, até momentos nos quais a racionalidade construtiva foi progressivamente confrontada pela experiência sensível e pela dimensão fenomenológica da obra. Nesse contexto, a forma deixa de operar como estrutura autônoma para constituir-se como campo de relações, aberto à percepção, ao movimento e à experiência, exemplar nos trabalhos de André Ricardo, Felipe Cohen, Mira Schendel, Montez Magno, Paulo Pasta e Rubem Valentim, entre outros.

O gesto como liberdade e pensamento.

18/set

A Superfície, Vila Madalena, São Paulo, SP, anunciou a exposição coletiva “Gestos” que acontece por ocasião da inauguração da nova sede da Superfície, localizada na Rua Mourato Coelho 790a. Agora, em um único endereço, as atividades da galeria – espaços expositivos, acervo e Arquivo Superfície -, conta com uma livraria e um café abertos ao público. O texto de apresentação é de Paulo Venancio Filho e curadoria assinada por ele em parceria com Gustavo Nóbrega. 

Tomando como ponto de partida o livro homônimo do filósofo Vilém Flusser, a mostra investiga o gesto como um movimento carregado de intenção, liberdade e pensamento. Para Flusser, o gesto é a expressão de uma liberdade que produz sentido. Pintar, desenhar, fotografar, gravar, modelar, escrever, performar ou instalar são diferentes modos de pensamento em ação. Cada linguagem inventa seu próprio gesto; cada artista transforma um procedimento em forma.

Com a apresentação de uma obra de Waltercio Caldas concebida especialmente para a exposição, “Gestos” reúne trabalhos de Andréa Hygino, Anna Maria Maiolino, Artur Barrio, Carlos Vergara, Celeida Tostes, Christo, Cildo Meireles, Clóvis Dariano, Dominique Gonzalez-Foerster, E. M. de Melo e Castro, Fernando Lemos, Iberê Camargo, José Resende, Letícia Parente, Luiz Alphonsus, Mara Alvares, Márcia X, Maria Laet, Mira Schendel, Neide Sá, Regina Silveira, Sonia Andrade, Thereza Simões, Tunga, Vera Chaves Barcellos e Wanda Pimentel, “Gestos” propõe um percurso em que diferentes gerações e contextos históricos se encontram sem hierarquias. Em comum, cada obra evidencia o gesto como operação estética, pensamento materializado e forma de relação com o mundo.

Até 17 de outubro.

A trajetória artística de Fernando Lemos.

17/set

“Quanto mais desejo, mais invento o que vejo, Fernando Lemos” é a exposição que o Instituto Moreira Salles, Avenida Paulista, São Paulo, SP, exibe e celebra o centenário de nascimento do artista luso-brasileiro Fernando Lemos (1926-2019) apresentando ao público seu arquivo de fotografias, desenhos, obra política, poesia, projetos de design gráfico e moda adquirido pelo Instituto Moreira Salles em 2019, logo antes de sua morte. O estudo desse arquivo, em associação com o material preservado pela família, permite acompanhar a trajetória artística de 70 anos de produção de Fernando Lemos através de aproximadamente 400 objetos.

A exposição “Quanto mais desejo, mais invento o que vejo” é um projeto de parceria entre a Fundação Cupertino Miranda (Porto), a Fundação Calouste Gulbenkian (Lisboa) e o Instituto Moreira Salles.

Até 07 de fevereiro de 2027.

Pesquisa sobre o brega e o tecnobrega.

A artista Nazas, participante do 39º Panorama da Arte Brasileira: Depois que tudo foi dito, realiza a ativação da obra “Fiz uma ráfia pra você”, parte da programação pública da exposição e do Ateliê Aberto, programa do MAM Educativo, 17 de setembro. A ação acontece no contexto da residência artística que Nazas realiza na YBYTU, em parceria com o MAM São Paulo. A residência aproxima sua pesquisa sobre o brega e o tecnobrega por meio de ações que articulam leitura, produção manual, performance e encontros de celebração. 

Nesta atividade, com apoio do Educativo do MAM, Nazas propõe uma escuta coletiva de músicas de brega e tecnobrega, seguida da produção manual de pequenas faixas de ráfia. Cada participante poderá transformar um trecho de canção ou uma memória afetiva em uma espécie de mensagem íntima. A faixa produzida pela artista durante a residência na YBYTU também estará presente na atividade, conectando o processo desenvolvido na residência à programação pública do Panorama. Para maiores de 18 anos.

Sobre a artista.

Nazas (Thays Chaves) nasceu em Ourém, PA, Brasil (1997). É artista visual, pesquisadora e arte-educadora, desenvolvendo uma prática multidisciplinar que, desde 2017, estuda as aspirações românticas, as estéticas visuais e as tecnologias culturais do tecnobrega – uma cultura musical e visual popular na região Norte do Brasil. A artista reinterpreta os códigos e símbolos expressivos desse universo, seus excessos, sua sentimentalidade e sua linguagem visual luminosa, transformando-os em reflexões sobre identidade, afeto e pertencimento. Seu trabalho frequentemente expressa um romantismo intensificado, em que linguagem, memória e emoção se entrelaçam por meio de formas e textos experimentais. Em 2025, foi indicada ao Prêmio PIPA. Entre as exposições recentes, destacam-se as coletivas Complexo Brasil, em Lisboa (2025), e Insurgências e o Contraponto do longe, no Centro Cultural Bienal das Amazônias, Belém, (2024)

Narrativas da diáspora asiática no Brasil.

Para o projeto Independent 20th Century 2026, a Gomide&Co apresenta uma obra que explora narrativas da diáspora asiática no Brasil. A seleção reflete sobre a arte diaspórica através do conceito de trânsito, entendido tanto como tema quanto como estratégia na construção de trajetórias artísticas.

O projeto reúne pinturas e esculturas de artistas de ascendência asiática, destacando os diálogos culturais que moldaram a abstração informal, lírica e caligráfica do pós-guerra, bem como seus desdobramentos dentro das práticas modernas e contemporâneas. A incorporação de referências do Leste Asiático contribuiu para expandir e diversificar o panorama artístico latino-americano, que foi profundamente moldado pelas experiências de artistas imigrantes e seus descendentes.

Desde o final da década de 1990, no século XXI, os trânsitos migratórios do Japão, da China e de outros países do Leste Asiático promoveram encontros entre diferentes tradições visuais e modernismos locais. Essas trocas materializaram-se de diversas maneiras – em gestos caligráficos, economia formal, rigor construtivo e abordagens à cor e ao material.

O projeto reúne artistas cujas trajetórias se desenvolveram por meio dessas experiências de deslocamento e intercâmbio cultural. Shoko Suzuki é uma figura central na história da cerâmica artística no Brasil, tendo introduzido o forno noborigama e a queima em alta temperatura no país; Megumi Yuasa desenvolveu uma prática que une cerâmica, filosofia, e política, ao mesmo tempo que contrapõe contribuindo para a formação de artistas e para o desenvolvimento da cerâmica contemporânea no Brasil; Massao Okinaka propôs uma síntese entre o “sumi-e” e um realismo objetivo influenciado por vertentes ocidentais. Inclui-se também Tomie Ohtake, figura central da abstração brasileira, reconhecida por sua investigaçãode cor e forma; Manabu Mabe, cujo trabalho evoluiu da pintura figurativa de paisagem para a abstração informal; Naotoshi Kinoshita, que encontrou na paisagem brasileira um campo fértil para unir referências de sua formação artística japonesa com uma linguagem de síntese formal e intensidade expressiva; Alina Okinaka, cuja pintura, particularmente através da natureza-morta, investiga as relações entre forma, cor e composição por meio de elementos do cotidiano; e Sachiko Koshikoku, cujo trabalho abstrato uniu referências da cultura japonesa e elementos extraídos das tradições visuais mesoamericanas e andinas.

A seleção também inclui Akinori Nakatani, cuja produção cerâmica incorporou referências mesoamericanas e sistemas gráficos associados às culturas indígenas das Américas; e Chen Kong Fang, um pintor sino-brasileiro cujo trabalho estabeleceu conexões entre as tradições visuais orientais e a pintura ocidental.

Embora seja essencial reconhecer a singularidade de diferentes diásporas – cada uma moldada por trajetórias, tensões e imaginários específicos – também é possível identificar experiências compartilhadas. Embora as origens desses movimentos sejam frequentemente associadas a guerras, perseguições e outros eventos macropolíticos, suas consequências também se desdobram no cotidiano: no lar, na língua, nos afetos, na comida e na relação com um novo território.

O projeto, portanto, consiste em examinar como essas experiências de deslocamento e pertencimento se inscrevem em diferentes linguagens artísticas. Ao reunir trajetórias e gerações distintas, a seleção destaca as maneiras pelas quais artistas de ascendência asiática têm participado da formação e da transformação da Arte Moderna e Contemporânea no Brasil.

Uma autoidentidade positiva.

O artista Zéh Palito (Limeira, 1986), pintor, é um contador de histórias. A Simões de Assis, Jardins, São Paulo, SP, anuncia exposição entre 26 de setembro e 07 de novembro.

Sua prática oferece uma perspectiva visual sobre a vida diária da diáspora africana contemporânea. Seus personagens são posicionados em uma postura de poder que demonstra uma autoidentidade positiva, imbuídos de contentamento e respeito. Os retratos são permeados por símbolos, adornos, estampas, flores, frutas tropicais, piscinas e carros, os sujeitos são os protagonistas de suas narrativas. Zéh Palito trabalha em escalas variadas, pinturas site-specific, telas pequenas a dimensões monumentais, além de esculturas em fibra de vidro e alumínio e mosaicos em azulejo, material que tem sido incorporado também em suas pinturas. 

O universo familiar do artista se manifesta como território de memória, atravessado pela musicalidade do samba e do hip-hop e por um vasto repertório de referências e heranças culturais brasileiras, africanas e norte-americanas. Zéh Palito adiciona elementos de uma iconografia midiática, incluindo roupas e marcas, em uma figuração que reflete seu extenso repertório de referências à história da arte e ao gênero do retrato. Elemento fundamental de sua prática é elevar e inspirar vozes e sujeitos sub representados ao propor visões encantadoras para o presente e o futuro. O artista já produziu murais em mais de 30 países pelas Américas, África, Europa, Oriente Médio e Ásia. 

Principais exposições coletivas: “When We See Us”, curadoria de Koyo Kouoh, Museum Zeitz MOCAA, Cape Town, itinerou pelo Kunstmuseum Basel – Gegenwart, Basileia, Suíça; Bozar – Centre for Fine Arts, Bruxelas, Bélgica; e Liljevalchs Konsthall, Estocolmo, Suécia; “The Culture”, Baltimore Museum of Art, Baltimore; “Femmes”, curadoria de Pharrell Williams, Perrotin, Paris; “Color of the times”, Leeahn Gallery, Seoul; “Between the World and Me”, Museum of Contemporary Art of Querétaro, México; “Afro Brasilidades”, curadoria de Paulo Herkenhoff e João Victor Guimarães, FGV Arte, Rio de Janeiro; “The Speed of Grace”, Simões de Assis, São Paulo; “Vai Saudade”, Zéh Palito e Heitor dos Prazeres, Simões de Assis, Curitiba; “Quilombo: vidas, problemas e aspirações do negro”, Instituto Inhotim, Brumadinho;  e “Vidas Negras do Brasil”, Museu Afro Brasil, São Paulo. 

Principais exposições individuais: “Cars, Pools and Melanin”, Perrotin Gallery, Nova York; “Tropical Diaspora”, Eubie Blake Cultural Center, Baltimore; “We saw the future”, Gallery Idrawalot, Berlim; “Between the World and me”, Fundación AMMA, Queretaro, México; “Zéh Palito – Do pranto o oceano, e nadamos no amor”, MAC Bahia, Salvador; “Eu sei porque o pássaro canta na gaiola”, Simões de Assis, São Paulo.  

Seus trabalhos estão nas coleções ICA – Institute of Contemporary Art, Miami, EUA; PAMM – Pérez Art Museum Miami, USA; El Museo del Barrio, Nova York, EUA; Baltimore Museum of Art, Baltimore, EUA; Rennie Museum, Vancouver, Canadá; MACQ – Museo de Arte Contemporâneo Querétaro, México; AMMA – Fundación Amparo y Manuel, Cidade do México; The Xiao Museum of Contemporary Art, Rizhao, China; X Museum, Pequim, China; MAC Bahia, Salvador, Brasil; Instituto Inhotim, Brumadinho, Brasil.

Panorama, um episódio inédito a cada semana.

16/set

O Museu de Arte Moderna de São Paulo e o Arte1 firmam parceria para a exibição da série de vídeos “Depois que Tudo Foi Dito”, uma realização do MAM sobre o 39º Panorama da Arte Brasileira: Depois que tudo foi dito.  A série estreia no Arte1, com um episódio inédito a cada semana.

Estruturada em episódios dedicados a artistas, curadoria e público, a série busca ampliar o conhecimento sobre o Panorama da Arte Brasileira e apresenta diferentes perspectivas sobre a exposição. As conversas aproximam as obras das trajetórias de seus criadores, do processo curatorial e das experiências dos visitantes, mostrando como a arte pode dialogar com questões presentes no cotidiano e com diferentes formas de perceber o mundo.

A estreia é dedicada ao artista Marcelo Conceição, que relembra sua trajetória entre as ruas e feiras do Rio de Janeiro, o ateliê e o museu. No episódio, ele fala sobre memória, sobrevivência e liberdade e apresenta seu processo de criação, marcado pela busca e ressignificação de materiais encontrados em feiras.

39º Panorama da Arte Brasileira: Depois que tudo foi dito

Com curadoria de Diane Lima e gerência de projetos de curadoria de Giovanna Querido, o 39º Panorama da Arte Brasileira: Depois que tudo foi dito reúne 33 artistas de 11 estados brasileiros, representando todas as regiões do país e aproximando diferentes gerações, linguagens, materialidades e modos de fazer. A exposição parte de uma reflexão sobre o que pode existir para além dos limites já estabelecidos da representação, da linguagem e da própria ideia de arte brasileira.

Panorama da Arte Brasileira

Realizado desde 1969, o Panorama da Arte Brasileira acompanha há mais de cinco décadas as transformações da produção artística no país e ocupa um lugar fundamental na trajetória do MAM e na História da Arte Brasileira. Ao longo de suas edições, consolidou-se como uma das principais plataformas de reflexão, experimentação e discussão sobre a arte produzida no Brasil.

A concepção e coordenação do projeto são de Ane Tavares; a direção e edição de vídeo são de Marina Paixão; o roteiro é assinado por Ane Tavares e Juliana Pithon; e a trilha sonora é de David Menezes.

Representação do artista Francisco Galeno.

15/set

A Galatea anuncia a representação do artista Francisco Galeno (1956, Parnaíba, Piauí – 2025, Parnaíba, Piauí) e seu legado. Nascido na região do Delta do Parnaíba, Francisco Galeno cresceu em uma família de artesãos, entre ofícios ligados à carpintaria, ao couro, à costura, à renda e à construção de canoas. Ainda jovem, mudou-se para Brasília, estabelecendo-se em Brazlândia, onde iniciou sua trajetória artística. A partir de 2012, passou a dividir sua vida e produção entre Brazlândia e Parnaíba, mantendo ateliê nas duas cidades até seu falecimento, em 2025, aos 68 anos.

Interessado pelas artes desde jovem, Francisco Galeno estudou música e teatro antes de se dedicar às artes visuais. Em 1977, frequentou o ateliê-escola de Moreira Azevedo e, no ano seguinte, realizou curso livre de pintura com Maria Pacca, no Centro de Criatividade da Fundação Cultural do DF, dirigido por Luiz Áquila.

Para além dos estudos formais, o artista reivindicou o aprendizado advindo do contato com os artesãos que o cercavam, com a paisagem e os objetos da sua infância, e com a cidade de Brasília. Foi essa mescla que possibilitou o alcance de uma autenticidade no seu trabalho: carretéis, anzóis, pipas e latas de sardinha ora são depurados em linhas e formas geométricas para entrar na sua pintura, ora são apropriados em sua condição de objeto, sendo rearranjados de forma lírica e lúdica para compor uma obra escultórica.

Em seu currículo somam-se exposições nacionais e internacionais, tais como: sua última retrospectiva “Galeno, o mistério do simples” (Caixa Cultural Brasília, DF, Brasil, 2026); “Galeno, uma nova direção – Estripulias” (Museu Nacional dos Correios, Brasília, 2014); “Francisco Galeno” (Galerie Debret, Paris, 2002); “Viva Brasil Viva” (Coletiva, Liljevalchs Konsthall, Estocolmo, 1991); entre outras.

Em 2009, Francisco Galeno finalizou, a convite do IPHAN, o painel que ocupa o altar da Igrejinha Nossa Senhora de Fátima, em Brasília, onde estava uma pintura de Alfredo Volpi, apagada pelos militares na década de 1960. Suas obras fazem parte de diversas coleções permanentes, tais como: Museu de Arte de Brasília – MAB, Brasília; Palácio do Itamaraty, Brasília; Museu de Arte Contemporânea – MAC Niterói, Rio de Janeiro; Museu Nacional de Belas Artes – MNBA, Rio de Janeiro.

Exposição investiga modos de narrar.

14/set

A artista Rose Afefé participa do 39º Panorama da Arte Brasileira: Depois que tudo foi dito, no MAM São Paulo, com curadoria de Diane Lima. Reunindo 33 artistas de 11 territórios e diferentes gerações e perspectivas, a exposição investiga modos de narrar, imaginar e construir a arte brasileira contemporânea, a partir de uma questão formulada pela filósofa Denise Ferreira da Silva sobre aquilo que pode existir para além do que já foi dito e feito sobre a violência colonial e racial.

A pesquisa de Rose Afefé parte do resgate de memórias e da relação com os territórios, articulando pertencimento, ocupação, convivência e fabulação. Desde 2018, esse percurso se materializa em “Terra Afefé”, uma microcidade em escala humana construída com terra e adobe na zona rural de Ibicoara, na Chapada Diamantina. Pensada como espaço de encontro, a obra articula arte e vida e mobiliza saberes locais, natureza e formas de organização coletiva, investigação que a artista desloca e reelabora em diferentes contextos.

No Panorama, essa pesquisa se desdobra em “Posse Simbólica”, série de 21 pinturas realizada em 2025 a partir da coleta de terra em um canteiro de obras da Grande Paris. As pinturas refletem sobre posse, pertencimento e fabulação de territórios, transformando fachadas em espaços simbólicos para tensionar fronteiras e criar formas de redistribuição e vínculo. A série também incorpora uma carta escrita por uma criança após uma conversa com a artista no Solar dos Abacaxis, na qual pede para viajar à África e conhecer seus ancestrais. A carta passa a integrar o trabalho como parte de um gesto que busca transformar a obra em meio para a realização desse desejo.

O 39º Panorama da Arte Brasileira: “Depois que tudo foi dito” permanece aberto ao público até 24 de janeiro de 2027, no MAM São Paulo.