Fragmentos de histórias.

24/ago

A Galatea anuncia a representação de Romildo Rocha (1989, vive e trabalha em São Luís do Maranhão, Brasil). Este mês, o artista integra o estande da Galatea na SP-Arte Rotas, em uma apresentação conjunta com Zé di Cabeça, de 26 a 30 de agosto, na ARCA, em São Paulo.

Romildo Rocha utiliza a pintura como linguagem artística através da qual desenvolve e retoma um repertório imagético que possui afinidade com as culturas populares do nordeste brasileiro.

Em especial, suas obras se relacionam às práticas, ambientes e imaginários com os quais convive em seu território de origem no Maranhão, incluindo seu universo familiar como filho de um caminhoneiro e uma quebradeira de coco.

Suas pinturas atuam como fragmentos de histórias, povoadas por personagens, relações e acontecimentos que sugerem enredos da vida comum convocados por sensações e situações como tensão, humor, felicidade, medo e amor, entre outros sentimentos, a partir de telas de variadas proporções, em tons harmoniosos em tinta a óleo e acrílica.

Em sua trajetória artística, Romildo Rocha integrou projetos como Estrondo: vibrações da memória (Coletiva, Lima Galeria, Espaço Fátima Lima, São Luís do Maranhão, Brasil, 2026), 17º Salão dos Artistas Sem Galeria (Coletiva, Zipper Galeria, São Paulo, Brasil, 2026); 1ª Bienal das Amazônias – Bubuia: Águas como Fonte de Imaginações e Desejos (Coletiva, Centro Cultural Bienal das Amazônias – CCBA, São Luís do Maranhão, Brasil, 2023), Xilograffiti (Coletiva, Sesc Consolação, São Paulo, Brasil, 2022) e Paratodos (Individual, Galeria do Sesc Centro, São Luís, Brasil, 2020).

Duas maneiras de narrar o Brasil.

21/ago

A Galatea traz para o estande E04 da feira SP-Arte Rotas 2026 os projetos de Romildo Rocha (1987, São Luís, Maranhão) e de Zé di Cabeça (1969, Salvador, Bahia).

A feira acontece na ARCA, em São Paulo, entre os dias 26 e 30 de agosto. O estande, dividido em dois conjuntos expositivos, converge produções que encontram no território forças inventivas para afirmar outras maneiras de narrar o Brasil e, principalmente, o Nordeste brasileiro.

É do encontro da cultura popular maranhense com o repertório familiar e pessoal, enquanto filho de um caminhoneiro e uma quebradeira de coco, que Romildo Rocha extrai a matéria de sua pintura. O artista constrói cenas em que a lida dos vaqueiros, o Bumba-Meu-Boi, paisagens do interior e situações que acionam sentimentos profundamente humanos surgem como fragmentos de uma memória viva.

Já Zé di Cabeça faz do Subúrbio Ferroviário de Salvador o seu laboratório criativo. Suas pinturas utilizam madeiras de demolição e objetos descartados como suporte para representações de velas, igrejas, terreiros, animais e plantas medicinais que se tornam memórias vivas da periferia soteropolitana.

Seleção de obras da Almeida & Dale.

20/ago

No estande C05, na ARCA, Vila Madalena, São Paulo, SP, a Almeida & Dale promove um encontro entre artistas contemporâneos e figuras-chave do século XX nos contextos brasileiro e latino-americano.  

Confira a seleção de obras de Adriana Varejão, Amilcar de Castro, Ana Elisa Egreja, André Ricardo, Beatrice Arraes, Beatriz Milhazes, Candido Portinari, Carlos Garaicoa, David Almeida, Di Cavalcanti, Diego Rivera, Elena Damiani, Eleonore Koch, Feliciano Centurión, Felipe Cohen, Guga Szabzon, Guillermo Kuitca, Gustavo Caboco, Héctor Zamora, Heitor dos Prazeres, Hélio Melo, Henrique Oliveira, Ivan Campos, Jaider Esbell, José Bento, José Leonilson, Lucas Arruda, Luiz Sacilotto, Lygia Pape, Maria Martins, Mariana Palma, Marina Woisky, Maya Weishof, Mira Schendel, Nelson Felix, Paulo Pasta, Rubem Valentim, Saint Clair Cemin, Sergio Camargo, Sheroanawe Hakihiiwe, Thiago Martins de Melo, Túlio Pinto, Vanderlei Lopes e Vivian Caccuri.

Um diálogo entre três gerações.

19/ago

A Luciana Brito Galeria, Jardim Europa, São Paulo, SP, apresenta “Flores e Vasos”, no espaço do Pavilhão. Com curadoria de Nessia L. Pope, reúne fotografias de Rochelle Costi (1961-2022, Brasil), Gaspar Gasparian (1899-1966, Brasil) e Robert Mapplethorpe (1946-1989, EUA), tomando as representações de flores e vasos como eixo para estabelecer um diálogo entre três gerações e distintas abordagens da fotografia.

Flores e Vasos. 

Rochelle Costi, Gaspar Gasparian, Robert Mapplethorpe.

Historicamente associados à tradição da natureza-morta, flores e vasos são aqui reconfigurados por meio de olhares singulares, atravessados por diferentes contextos, procedimentos e sensibilidades. Essa temática atravessa a história da arte como um campo fértil de experimentação formal e simbólica, ocupando um lugar central na tradição da natureza-morta. A partir dos séculos XVI e XVII, artistas europeus passaram a explorá-la como exercício de observação e virtuosismo técnico. Com o advento da fotografia, no século XIX, esse repertório é retomado e reinterpretado: mais do que a dimensão estética dos arranjos, entram em jogo questões como enquadramento, luz, encenação e serialidade. Nesse contexto, flores e vasos transcendem sua condição de meros motivos pictóricos para se constituírem como dispositivos de reflexão acerca do tempo, da forma, da sensualidade e da experiência cotidiana.

Nas fotografias de Gaspar Gasparian, flores e vasos emergem do silêncio, por meio da construção de composições rigorosas, nas quais cada elemento parece cuidadosamente medido. O que se revela não é apenas o arranjo, mas um estado de suspensão, em que o tempo se imobiliza e a imagem se afirma como articulação de forma, luz e permanência. Um aspecto fundamental de sua produção, sobretudo nas décadas de 1940 e 1950, é a construção de cenários em estúdio, concebidos como espaços de experimentação. Neles, Gaspar Gasparian organizava flores, vasos e outros elementos com precisão, controlando minuciosamente a iluminação e o enquadramento. Esses arranjos, ao mesmo tempo que dialogam com a tradição da natureza-morta, evidenciam a fotografia como campo de construção, no qual cada imagem resulta de decisões formais rigorosamente elaboradas.

Já Robert Mapplethorpe aborda o tema a partir de uma dimensão simultaneamente formal e sensual. Nos anos 1970 e 1980, o artista desenvolveu suas célebres séries de flores (lírios, orquídeas e tulipas) em fotografias isoladas ou dispostas em vasos simples, contra fundos neutros. À primeira vista, essas imagens dialogam com a tradição clássica por meio de composições equilibradas e de uma iluminação controlada, contraste acentuado e rigor técnico, de caráter quase escultórico. No entanto, as flores deixam de ser meros elementos decorativos ou alegóricos e passam a ser tratadas como corpos, atravessados por erotização e sensualização, especialmente nas orquídeas. 

Rochelle Costi, por sua vez, em produção mais recente (entre 2015 e 2022), explora a temática a partir de uma dimensão relacional e cotidiana, elaborando anseios, memórias e inquietações por meio do que está no seu dia a dia. A artista encontrava seus objetos de investigação no ambiente doméstico e no entorno do bairro onde vivia, o Pacaembu, região de caráter relativamente bucólico na cidade de São Paulo. Diferentemente de Gaspar Gasparian e Robert Mapplethorpe, Rochelle Costi construia arranjos florais vibrantes, marcados por uma dimensão afetiva e sensível, utilizando flores coletadas e vasos provenientes de sua própria coleção, ou ainda recipientes improvisados, como garrafas, potes e outros objetos banais, que ganham presença e significado nas composições. Seu olhar se intensifica na articulação entre cor, excesso e certa estética kitsch, revelando, nas imagens, modos de vida, gostos e formas de afeto.

Ao aproximar Gaspar Gasparian, Robert Mapplethorpe e Rochelle Costi em torno da tradição da natureza-morta de flores e vasos, a exposição Flores e Vasos coloca em diálogo três gerações e contextos distintos da fotografia. Em Gaspar Gasparian, os arranjos são cuidadosamente encenados, revelando um interesse experimental e formal, herdado do experimentalismo inédito do Foto Cine Clube Bandeirante; em Robert Mapplethorpe, flores e vasos são depurados e monumentalizados como formas escultóricas, atravessadas por tensão simbólica e erótica; já Rochelle Costi desloca esse repertório para o campo do cotidiano e do afeto, evidenciando hábitos e construções culturais. Entre encenação, idealização e contingência, os três artistas reconfiguram o gênero, expandindo-o como campo de investigação sobre forma, corpo e vida social.

Até 17 de outubro.

A fotografia como reação a uma provocação.

.na boca da noite…, o novo livro de Nair Benedicto, reúne 30 fotografias realizadas entre 2018 e 2024 durante uma série de expedições pelo Rio São Francisco. Concebido por Fausto Chermont como um ensaio independente a partir dessas imagens, revela uma dimensão mais silenciosa e poética do olhar de uma fotógrafa reconhecida por sua produção documental e social. O lançamento será no sábado, 22 de agosto, das 11h às 16h, na Kobbi Gallery, Vila Madalena, São Paulo, SP.

Com 64 páginas e tiragem de 500 exemplares, a publicação apresenta uma Nair Benedicto que observa a paisagem, as pessoas e o território sem abandonar a atenção que sempre orientou sua fotografia, mas permitindo que a experiência do lugar conduza a imagem para outro campo. 

No texto que acompanha, escrito pela própria fotógrafa em 2024, essa experiência aparece como fluxo de imagens e sensações. No lusco-fusco da “boca da noite”, árvores, ventos, plantas rasteiras, pequenas flores entre pedras de minério, pessoas e animais surgem diante de seu olhar. A paisagem se transforma continuamente e, com ela, também aquilo que a fotógrafa acreditava saber.

Sobre a artista.

Nair Benedicto nasceu em 1940, em São Paulo. Construiu uma trajetória de mais de cinco décadas dedicada à fotografia. Formada em Rádio e Televisão pela USP, fundou em 1979 a Agência F4, ao lado de Juca Martins, Delfim Martins e Ricardo Malta, e participou da criação do NAFoto, em 1991. Sua produção aborda questões sociais brasileiras, com trabalhos dedicados, entre outros temas, às mulheres, aos povos indígenas, aos trabalhadores e à infância. Suas fotografias integram acervos de importantes instituições brasileiras e internacionais, entre elas o MoMA (NY, US), e o MAM-Rio. Em 2025, doou seu acervo fotográfico à Unicamp.

Entre o mundo terreno e outras dimensões.

18/ago

A NND | AZECO SP, Centro, inaugura no sábado, 22 de agosto, exposição concebida e curada por Bertô, com coordenação de Paulo Azeco e texto de Thaís Bambozzi. “Enoque vai ao centro da Terra” reúne 30 artistas convidados pelo artista a partir de uma pesquisa que tem como ponto de partida o Livro de Enoque, antigo texto apócrifo marcado por visões, criaturas e acontecimentos que transitam entre o mundo terreno e outras dimensões.

Bertô parte de sua própria produção para abrir a exposição ao encontro com outros artistas. Ao reunir nomes de diferentes gerações, trajetórias e repertórios, constrói uma mostra em que as obras não precisam compartilhar uma mesma linguagem para estabelecer relações. O que as aproxima é a possibilidade de imaginar, transformar e criar mundos próprios. 

“Enoque vai ao centro da Terra” propõe um deslocamento do olhar e se aproxima formalmente da ideia de um surrealismo contemporâneo: sair do mundo tal como ele se apresenta para imaginar aquilo que poderia existir além dele.  

Ao convidar seus pares para compartilhá-la, Bertô transforma uma pesquisa pessoal em uma experiência coletiva, aproximando artistas que, em diferentes momentos e por caminhos distintos, também encontram na imagem uma forma de inventar outras realidades.

Artistas participantes.

Alcides Tuim Sales, Amanda D’Onofrio, Amira Rodrigues, Ana Kia, André Bontorim, Andy Villela, Antônio Brandão, Antônio Poteiro, Ariano Suassuna, Carol Tudili, Chico da Silva, Daniel Barreto, Dora Smék, Efrain Almeida, Eleonore Koch, Feliciano Centurión, Gabriel Furmiga, Gerben Mulder, Gilvan Samico, Leda Catunda, Mano Wladimir, Maria Livman, Marlon Amaro, Mestre Irinéia, Nana Guarnieri, Pedro França, Raphael Medeiros, Raphaela Melsohn, Sara Ramo, Thomaz Rosa e Zé Carlos Garcia.

Até 03 de outubro.

Diálogo com obras de artistas autodidatas.

17/ago

A Galatea apresenta “Representações brasileiras: Bienal de Veneza”, exposição que revisita a representação brasileira concebida pela pesquisadora e curadora Lélia Coelho Frota para a 38ª Bienal de Veneza, ocorrida em 1978. A abertura acontece quinta-feira, 20 de agosto, das 18h às 21h, na Galatea Padre João Manuel, Jardins, São Paulo, SP.

A mostra, que conta com texto crítico de Tomás Toledo e Guto Ezek, lança um novo olhar sobre essa curadoria, que, ainda nos anos 1970, levou ao circuito internacional produções da arte contemporânea em diálogo com obras de artistas autodidatas, então pouco acolhidos pelo mercado por serem associados ao campo da arte popular.

A partir do acervo da galeria, a exposição reúne obras de diferentes períodos dos artistas que integraram a mostra italiana de 1978, não como uma reconstituição da montagem original, mas como uma leitura ampliada de suas produções.

São eles: Carlos Fajardo, Geraldo Teles de Oliveira (G.T.O.), Júlio Martins da Silva, Luiz Aquila, Maria Auxiliadora, Madalena dos Santos Reinbolt, Paulo Garcez e Wilma Martins, além de trabalhos das comunidades indígenas do Alto Xingu, incluindo inéditos do Médio Xingu, e do paisagista Roberto Burle Marx, apresentados em Veneza por meio de trabalhos audiovisuais comissionados ao cineasta Marcelo Tassara.

Exposição da artista mexicana Tania Ximena.

14/ago

A Galatea anuncia “Tania Ximena: No encalço do líquen”, individual da artista mexicana Tania Ximena (Hidalgo, México, 1985) com abertura no dia 20 de agosto, das 18h às 21h, na Galatea Oscar Freire, São Paulo, SP. Realizada no contexto do programa de intercâmbio entre a Galatea e a LLANO, galeria que representa a artista na Cidade do México, a mostra reúne um conjunto de cinco obras inéditas em grande formato, com texto curatorial de Miguel A. López, curador-chefe do Museo Universitario del Chopo.

A exposição é continuidade de La Marcha del Líquen (O avanço do líquen), projeto interdisciplinar que vem desdobrando-se em diferentes apresentações no Brasil. Em 2025, a videoinstalação homônima foi exibida na Sala de Vídeo do MASP, marcando a primeira exposição individual da artista no país. No mesmo ano, o díptico “Ira en la laguna negra” (Raiva na Lagoa Negra), também derivado dessa investigação, integrou um pop-up realizado pela Galatea.

Ao investigar os efeitos do derretimento das geleiras e da elevação do nível do mar entre a Antártica e o Golfo do México, o projeto aprofunda uma pesquisa que permeia questões centrais da produção de Tania Ximena. Entre pintura, vídeo, fotografia e instalação, a artista explora as relações entre humanidade e natureza, entendendo a paisagem como um agente ativo de transformação e refletindo sobre os modos de coexistência diante das mudanças climáticas.

Cosmologia afro-brasileira e referências rituais.

10/ago

A Simões de Assis apresenta a individual de Ayrson Heráclito, “Ojú-Inú”, em seu espaço em São Paulo. A partir da noção iorubá de Ojú-Inú – “olho interno” – Ayrson Heráclito apresenta um conjunto de obras atravessadas pela cosmologia afro-brasileira e pelas referências rituais que orientam sua prática artística.

Com texto crítico de Hélio Menezes, a exposição reúne cerca de 30 obras entre esculturas, aquarelas, fotografias e vídeos. Compartilhando da ideia de percepção estética e espiritual formulada pelo historiador da arte Rowland Abiodun, Heráclito propõe um percurso em que matéria, memória, corpo e ancestralidade se articulam como formas de conhecimento e criação.

Realizada enquanto o artista integra a 61ª Exposição Internacional de Arte da Bienal de Veneza, In Minor Keys, a mostra apresenta trabalhos inéditos que aprofundam questões centrais de sua pesquisa, estabelecendo diálogos entre ritual, história e imaginação.

A trajetória de Efrain Almeida.

07/ago

A Fortes D’Aloia & Gabriel apresenta “O homem nu”, a primeira mostra panorâmica da obra de Efrain Almeida (1964 – 2024) na galeria desde seu falecimento. Reunindo trabalhos produzidos entre 1995 e 2024, a exposição oferece uma vista ampla de sua trajetória e propõe uma leitura de sua produção a partir das relações entre corpo, espiritualidade e desejo. Nascido em Boa Viagem, Ceará, o artista desenvolveu uma obra profundamente marcada pelos materiais, pelos saberes e pelas tradições culturais da região do Cariri, transitando entre escultura, instalação, pintura, bordado e aquarela. Ao longo de quase três décadas, articulou diferentes geografias, crenças, identidades e tradições materiais por meio de uma linguagem visual na qual madeira, tecido, bronze e papel tornam-se suportes para experiências ao mesmo tempo íntimas e universais.

A exposição é centrada nas esculturas de Efraim Almeida, ao lado de aquarelas, pinturas a óleo e bordados. Entre os motivos recorrentes estão corpos e fragmentos do corpo, vestimentas, autorretratos e animais nativos do Nordeste brasileiro, especialmente aves.  Em sua obra, referências ao imaginário católico convivem com a sensualidade do corpo nu, que adquire dimensões tanto eróticas quanto sagradas. Em O Outsider (2017), um autorretrato bordado surge sobre uma camisa de seda translúcida, cuja transparência e aparente leveza reforçam uma recorrente sensação de transitoriedade, onde o rosto aparece como um emblema num suporte esvoaçante. 

Embora profundamente enraizada nas experiências, paisagens e tradições do interior do Ceará, a obra de Almeida nunca se restringe ao registro autobiográfico ou regional. Sua produção transforma referências locais em imagens capazes de evocar experiências universais, fazendo da memória, da espiritualidade, da fragilidade do corpo e do desejo questões compartilhadas. Essa passagem entre o íntimo e o coletivo, entre o local e o universal, encontra paralelo na própria escala de suas esculturas: executadas com notável precisão e frequentemente em pequenas dimensões, elas estabelecem uma relação expansiva com o espaço expositivo, reorganizando a percepção do ambiente e exigindo do espectador uma aproximação atenta. Uma atenção semelhante se estende às representações de animais, observadas com delicadeza e frequentemente apresentadas de modo deslocado na arquitetura. Entre elas, “Lázaro” (2005), escultura em madeira de um cão que estende a língua em direção à parede da galeria, faz referência à figura bíblica do mendigo cujas feridas eram lambidas apenas por cães, condensando em um único gesto dimensões de cuidado, abandono e ternura que atravessam toda a obra do artista.

A exposição é acompanhada por um texto de Márcia Fortes.

Até 24 de outubro.