Investigando as conexões sutis.

05/out

 

A Galeria Marilia Razuk, Itaim Bibi, São Paulo, SP, abriu espaço para o mais novo trabalho de Carolina Colichio. Intitulada “Cavalinhas e Falésias”, a mostra apresenta peças produzidas em alumínio fundido, coordenadas com processos que já pautam suas criações, como a cerâmica, a porcelana, os esmaltes e o milenar método de pintura, a encáustica.

Carolina Colichio transita entre escultura, pintura e instalações e tem sua pesquisa artística criada a partir da prática diária de observação e do deslocamento entre a cidade e a natureza, investigando as conexões sutis entre o ambiente urbano e o tempo profundo do planeta.

Até 03 de novembro.

Dialogar com diferentes formas de perceber o mundo.

30/set

Novo episódio de Depois que Tudo Foi Dito, com Josi, estreou no Arte 1. O Arte1 exibiu o terceiro episódio da série “Depois que Tudo Foi Dito”, realizada pelo MAM São Paulo a partir do 39º Panorama da Arte Brasileira: “Depois que tudo foi dito”. O episódio tem como protagonista a artista Josi.

No episódio, Josi fala sobre sua trajetória e sobre uma prática artística atravessada por memórias de Carbonita, Caeté e do Vale do Jequitinhonha, por saberes populares e por experiências vividas durante uma residência artística no Benim. A artista compartilha seus processos com tintas naturais, preparadas a partir de materiais como feijão-preto, pequi, jenipapo, jurubeba, cascas de árvores, terras e pigmentos minerais, e conta como essas matérias vivas se transformam e participam da construção das obras.

Estruturada em episódios dedicados a artistas, curadoria e público, a série busca ampliar o conhecimento sobre o Panorama da Arte Brasileira e apresenta diferentes perspectivas sobre a exposição. As conversas aproximam as obras das trajetórias de seus criadores, do processo curatorial e das experiências dos visitantes, mostrando como a arte pode dialogar com questões presentes no cotidiano e com diferentes formas de perceber o mundo.

O 39º Panorama da Arte Brasileira: “Depois que tudo foi dito”.

Com curadoria de Diane Lima e gerência de projetos de curadoria de Giovanna Querido, o 39º Panorama da Arte Brasileira: “Depois que tudo foi dito” reúne 33 artistas de 11 estados brasileiros, representando todas as regiões do país e aproximando diferentes gerações, linguagens, materialidades e modos de fazer. A exposição parte de uma reflexão sobre o que pode existir para além dos limites já estabelecidos da representação, da linguagem e da própria ideia de arte brasileira.

Panorama da Arte Brasileira.

Realizado desde 1969, o Panorama da Arte Brasileira acompanha há mais de cinco décadas as transformações da produção artística no país e ocupa um lugar fundamental na trajetória do MAM e na História da Arte Brasileira. Ao longo de suas edições, consolidou-se como uma das principais plataformas de reflexão, experimentação e discussão sobre a arte produzida no Brasil.

“Depois que Tudo Foi Dito” é uma realização do Museu de Arte Moderna de São Paulo, com exibição pelo Arte1 por meio de parceria entre as instituições. A concepção e coordenação do projeto são de Ane Tavares; a direção e edição de vídeo são de Marina Paixão; o roteiro é assinado por Ane Tavares e Juliana Pithon; e a trilha sonora é de David Menezes.

Dois artistas representados pela Galatea.

39º Panorama da Arte Brasileira: Depois que tudo foi dito no Museu de Arte Moderna de São Paulo – MAM/SP.

Quem visitar o 39º Panorama da Arte Brasileira: “Depois que tudo foi dito” no Museu de Arte Moderna de São Paulo – MAM/SP, Parque do Ibirapuera, curado por Diane Lima, poderá conferir obras de Ygor Landarin e Carolina Cordeiro, artistas representados pela Galatea.

Ygor Landarin (Uruguaiana, 1995) apresenta duas obras inéditas comissionadas para a exposição. Da porosidade dos bordados de “Onda mãe” à estrutura mais rígida de “Pedra pai”, o artista incorpora areia, conchas, ouriços e argila coletados em diferentes pontos da costa brasileira.

Carolina Cordeiro (Belo Horizonte, 1983) exibe “O tempo é”, instalação idealizada em 2023 e revisitada para o Panorama. Placas de zinco e espelhos artesanais se distribuem em estruturas de aço, trazendo para a sala de exposição um material familiar às construções e moradias brasileiras e presente também em outros territórios do Sul Global.

Nas obras dos dois artistas, os materiais dizem mais do que sua aparência sugere. A areia e a argila recolhidas por Ygor Landarin, assim como o zinco empregado por Carolina Cordeiro, trazem para o museu experiências ligadas a territórios brasileiros e formas cotidianas de vida. Ao lhes dar lugar na construção das obras, os artistas abrem espaço para outras maneiras de perceber, narrar e imaginar o mundo – questão que percorre esta edição do Panorama.

Até 24 de janeiro de 2027.

A obra de uma artesã sofisticada.

29/set

Em “Malha de Cobre”, Daniela Cutait reúne malhas metálicas, correntes e argolas de cobre sobre suporte de madeira. A composição leva para a parede a lógica construtiva da joalheria, universo que atravessou sua trajetória por quase 15 anos. Quando a luz atravessa os intervalos entre os elementos, as sombras prolongam o desenho e modificam a percepção do volume. A estrutura conserva a precisão do adorno e assume um ritmo orgânico, recorrente na pesquisa da artista.

Sobre a artista.

Daniela Cutait, nasceu em 1969, em São Paulo, SP, cidade onde vive e trabalha. Estudou artes plásticas na FAAP no início dos anos 90, desde sempre curiosa, criativa, comunicativa e inquieta. A artista orbitou pelo universo das pedras, das joias, seus contornos e brilhos, desenhando acessórios de moda por quase 15 anos. 

“Sou uma andarilha, busco inspiração pela beleza na simplicidade e na delicadeza do quase invisível pelas ruas por onde passo, em qualquer lugar do mundo”. 

“A natureza passou a me chamar mais atenção por seu movimento quase esquecido nos dias de hoje devido ao distanciamento das relações pessoais engolidas por esta era cibernética em que vivemos”. 

Ao mesmo tempo orgânicos e ornamentados, espontâneos e estilizados, as esculturas de Daniela trazem uma dimensão textural e visual únicas onde as sombras dão continuidade ao trabalho, dependendo uma da outra, objeto, luz e sombra. Suas séries são o resultado do trabalho de uma artesã sofisticada que através do recolhimento criativo em seu atelier em São Paulo, surge um conjunto de peças feitas em crochê de fios de cobre, correntes em alumínio e contas que brotam de seu acervo pessoal durante os anos que manteve uma relação mais estreita com a moda. A artista examina o contraste dos materiais feitos pelo homem com as formas da natureza em suas instalações etéreas formadas a partir do crochê em fios de metal e malhas tecidas à mão. 

Criou seu próprio conceito, de “Wall Fashion Art” e transformou seus acessórios de moda em arte, sempre inspirada por joalheiros e artistas consagrados como JAR (Joel Arthur Rosenthal), Boucheron, Ruth Asawa, escultora modernista americana, entre muitos outros. As peças são únicas e numeradas. O resultado brinca com o lúdico e o paradoxo da vida efêmera capturada em uma cápsula de tempo.

“Hoje, meu prazer é vestir as paredes das casas das pessoas e não apenas “as pessoas”, afinal cada casulo reflete a nossa história e é a tradução de nossa existência a cada momento”.

Os ciclos da lua e a materialidade da cor.

28/set

Artista constrói ateliê na Serra do Cipó, MG, onde investiga os ciclos da lua e a materialidade da cor. 

A Mitre Galeria, Jardins, São Paulo, SP, apresenta “candeia”, individual de Gisele Camargo com texto curatorial de Miguel A. López. A mostra nasce da mudança da artista para a Serra do Cipó, em Minas Gerais, onde instalou um novo ateliê cercado por cachoeiras, cânions e espécies endêmicas do cerrado.

No centro da exposição, dois polípticos de grande escala ocupam as extremidades opostas da galeria: Lua Cheia e Lua Nova. Cada um traduz as variações cromáticas e luminosas de um momento do ciclo lunar – a escuridão quase total de quando a lua se posiciona entre a Terra e o Sol, e a plenitude de quando aparece inteiramente iluminada.

Para Miguel A. López, a cor na pintura de Gisele Camargo “deixa de ser um atributo estável e passa a constituir um acontecimento: uma vibração instável que oscila entre a experiência sensorial, a observação científica e a especulação poética”.

Entre os dois polípticos, quatro pinturas de médio formato apresentam formas sinuosas e ondulantes sobre fundos escurecidos. Silhuetas que podem ser vegetais, correntes de água, sombras animais, campos magnéticos ou fenômenos atmosféricos.

O ateliê na Serra do Cipó funcionará também como residência artística interdisciplinar, recebendo artistas, biólogos, botânicos, brigadistas do cerrado e astrônomos. “Acredito que o artista contemporâneo tem uma função com a sociedade”, diz Gisela Camargo. “Faz parte do meu trabalho trazer outras pessoas para vivenciar este lugar que eu amo tanto.”

Até 03 de outubro.

Celebrando o centenário da imigração lituana.

Margarida Pandolfo, mãe d’OSGEMEOS, estreou a sua primeira mostra solo no Museu da Imigração, Mooca, São Paulo, SP. “Assim Bordei Meus Sonhos” reúne crochês, bordados e pinturas que dialogam com a obra de seus filhos e a memória da imigração lituana. A exposição “Assim Bordei Meus Sonhos” celebra o centenário da imigração lituana trazendo obras inéditas que misturam a arte urbana dos filhos famosos com a tradição têxtil familiar. A mostra busca difundir a cultura do país báltico. Por isso, “Assim Bordei Meus Sonhos” traz em seus fios um olhar sensível sobre as memórias afetivas e a identidade dessa comunidade.

A trajetória da artista.

Margarida Leda Kanciukaitis Pandolfo nasceu no ano de 1944 em São Paulo, filha de um imigrante da Lituânia e uma brasileira. Aprendeu a bordar desde cedo, aos 10 anos, com a família e nas aulas de artes do ensino fundamental. No entanto, as responsabilidades da vida adulta fizeram com que ela se afastasse dessa paixão. Mãe de 4 filhos, Dona Margarida viu dois deles, Gustavo e Otávio Pandolfo, seguirem a veia artística da família. A dupla se transformou n’OSGEMEOS, artistas de rua consagrados cujas obras se espalham por São Paulo, Nova York, Londres e outras importantes cidades globais. Décadas depois, após Dona Margarida completar 60 anos, seus filhos a incentivaram a voltar a bordar. Começava aí uma nova fase para a família, que culmina na novíssima exposição de Margarida Pandolfo em São Paulo. 

“Assim Bordei Meus Sonhos: Margarida L. Kanciukaitis Pandolfo” colore o Museu da Imigração até outubro. Esta é a primeira mostra solo de Dona Margarida, que já participou de coletivas em países como Brasil, Estados Unidos e Lituânia. “Assim Bordei Meus Sonhos” foi um presente dos filhos Otávio, Gustavo, Adriana e Arnaldo Pandolfo, que organizaram toda a montagem de surpresa para a mãe.

“Assim bordei meus sonhos” se constrói a partir de reflexões sobre as dores e desejos ligados às experiências de migração, conectando a trajetória da artista às diversas origens da sociedade brasileira. Essa narrativa dialoga diretamente com o espaço do Museu da Imigração, cujo acervo preserva a história de milhões de pessoas que cruzaram fronteiras em busca de um novo destino.

Até 05 de outubro. 

Seis décadas de produção cerâmica.

Livro dedicado a Shoko Suzuki, ceramista nipo-brasileira responsável por introduzir o forno noborigama no Brasil. A publicação reúne seis décadas de produção e situa, no presente, uma das obras mais singulares da Cerâmica Contemporânea Brasileira. A edição percorre as formas e séries fundamentais de uma pesquisa construída no diálogo entre o Tempo, a Terra e o Fogo. Este livro conta com apoio das galerias Gomide&Co (São Paulo) e Salon 94 (Nova York).

Ficha técnica.

Organização: Eduardo Vasconcellos; Textos: Eduardo Vasconcellos, Rachel Hoshino e Tie Jojima; Projeto gráfico: Felipe Chodin; Idiomas: Inglês / Português.

Formato: N.º de páginas: 224; Encadernação: Brochura; Dimensão: 21 x 26 cm; 825 g; Ano: 2026; ISBN: 978-65-986161-8-2.; R$ 290,00.

 

Uma exposição para LFV.

25/set

Intelectual múltiplo, escritor, humorista, cartunista, tradutor, roteirista, dramaturgo e romancista, Luis Fernando Verissimo (1936-2025) completaria 90 anos. Para marcar a data e celebrar a trajetória deste que foi um dos autores mais populares do Brasil, o Centro Cultural Fiesp, Avenida Paulista, São Paulo, SP, exibe, “Traçando Verissimo – O Mundo Fabuloso do Mestre do Humor”. 

A exposição reúne mais de 300 itens até então guardados no baú da casa do escritor, em Porto Alegre. A seleção inclui desenhos, charges, originais de livros, objetos pessoais, cadernos de anotações da infância e fotos de família. há ainda instalações interativas reproduzindo personagens famosos criados pelo autor de Comédias da Vida Privada, como o Analista de Bagé, da série homônima de crônicas literárias, e As Cobras, famosas nas tirinhas publicadas em jornais diários, além de segmentos expositivos dedicados ao jazz – Luis Fernando Verissimo também foi músico e tocava saxofone -, vídeos e depoimentos de artistas e escritores. 

A visita permite um mergulho bem-humorado pelas múltiplas facetas de Luis Fernando Verissimo. A curadora e editora Isa Pessoa, que editou os livros do escritor por mais de quinze anos, partiu dos seus anos de convivência e intimidade para realizar a curadoria. 

Até 28 de fevereiro de 2027.

Uma investigação concentrada na cor.

24/set

 Galeria Mayer Mizrahi, Jardim Paulista, São Paulo, SP, exibe, a partir de 03 de outubro, “O arrebatamento da pintura”, exposição individual de Sou Kit Gom, com curadoria de Denise Mattar. A mostra reúne 30 pinturas realizadas entre 2023 e 2026, nas quais ambientes e outros elementos reconhecíveis permanecem como pontos de partida para uma investigação cada vez mais concentrada na cor, no gesto e na própria matéria da pintura.

Na leitura da curadora, a força do trabalho de Sou Kit Gom está na relação entre o que imagina e o que acontece quando a pintura começa a se fazer. Ele parte de uma composição pensada e desenhada, mas, diante da tela, aceita que o processo tome outros caminhos. “Quando pinto, tudo muda”, diz o artista. A cor, então, ganha autonomia e passa a participar da construção da obra.

Flores, vasos, casas, árvores, mesas e cadeiras continuam reconhecíveis, mas deixam de cumprir apenas a função de representar o mundo para se tornarem também cor, matéria, gesto e estrutura. “Uma flor começa como flor e termina como pincelada”, observa a curadora. A figura permanece, mas é atravessada pela pintura, em um movimento que aproxima o artista da abstração não pela eliminação do mundo visível, mas por sua transformação. Sou Kit Gom identifica esse movimento ao dizer que está em um caminho de “abdicar da figura”, embora ela ainda permaneça como uma espécie de âncora enquanto a pintura procura escapar dela. Para Denise Mattar, a tensão entre estrutura e liberdade, reconhecimento e dissolução, motivo e matéria é justamente o que dá vida ao trabalho.

“A ideia encontra a matéria, o desenho encontra a cor, a estrutura encontra o gesto. E a pintura reivindica seu próprio caminho. Nesse embate, entre aquilo que o artista pretende fazer e aquilo que a pintura exige dele, está o lugar mais vivo da obra de Sou Kit Gom.” – Denise Mattar.

Até 31 de outubro.

Exposição individual de Anna Maria Maiolino.

A galeria Luisa Strina, Cerqueira César, São Paulo, SP, exibe obras inéditas da artista ítalo-brasileira Anna Maria Maiolino.

Premiada com o Leão de Ouro pelo conjunto da obra, a artista exibe esculturas em cerâmica e vidro, desenhos e telas na mostra “Presença”, que ganhou esse nome justamente pela diversidade de sua produção artística e do uso de diferentes técnicas e materiais.

A galeria Luisa Strina abriu a exposição “Presença”, com cerca de 25 obras inéditas de Anna Maria Maiolino, uma das mais influentes no cenário contemporâneo. Com texto crítico de Lotte Johnson, curadora do Barbican Centre, em Londres, a mostra, que está em exibição na Sala 2, apresenta a diversidade da produção da artista e do uso de diferentes técnicas e materiais.

A Galeria Luisa Strina, foi fundada pela colecionadora de arte Luisa Malzone Strina. A galeria principal e seu anexo ficam em São Paulo, Brasil. É a mais antiga galeria de arte de arte contemporânea no Brasil.