Luiz Zerbni exibe Estrelas Escolhidas.

26/jun

O Ministério da Cultura, o Nubank e o Instituto Tomie Ohtake, Pinheiros, São Paulo, SP, apresentam “Estrelas Escolhidas”, exposição individual de Luiz Zerbini sob curadoria de Ana Roman e Luiza Mello.

A mostra reúne cerca de 230 obras produzidas ao longo dos últimos dez anos, entre monotipias, pinturas, livros de artista e instalações, marcadas pela investigação da monotipia realizada a partir do contato direto com plantas, folhas, galhos, cascas e outras materialidades. O conjunto inclui trabalhos desenvolvidos a partir do acervo botânico do Instituto Inhotim e do Sítio Burle Marx, além de obras que ampliam o diálogo da produção gráfica de Luiz Zerbini com diferentes contextos, como as pesquisas relacionadas à gravura japonesa Ukiyo-e.

Além das obras gráficas, a exposição apresenta núcleos dedicados às publicações produzidas pelo artista, além de um projeto sobre etnobotânica ainda em desenvolvimento. Mesas e instalações concebidas para a exposição aproximam processos, matrizes, referências e obras finalizadas, revelando o caráter experimental e processual da pesquisa de Luiz Zerbini.

Livro e exposição de Marina Saleme.

A exposição “Ralo”, individual de Marina Saleme, na galeria Luisa Strina, Cerqueira Cesar, São Paulo, SP, apresenta mais de 20 pinturas inéditas em diferentes dimensões, acompanhadas de texto crítico de Galciani Neves. Na mesma ocasião, a Act Arte lança “Marina Saleme”, publicação que traça um amplo panorama da trajetória artística de Marina Saleme. O livro, organizado pela própria artista, reúne pinturas, desenhos e trabalhos que atravessam distintos momentos de sua produção e conta com textos críticos de Ana Maria Belluzzo, Felipe Scovino e Tadeu Chiarelli.

Contemplação do ato de desaparecer

Nas mais de 20 obras que compõem “Ralo”, Marina Saleme mostra que segue movida pelo gesto de descobrir a cor na superfície da tela, deixando-se conduzir pelo processo de elaborar o que a pintura pode ser enquanto pinta, e motivada pelo desejo de se surpreender com os novos desafios de linguagem e de experimentação diante da tela. Por meio de rios, mares, céus e rochas, que se entrecruzam e se unificam, a artista reflete sobre um derretimento do mundo, como se tudo o que está sobre a terra tivesse um destino, um fluxo, uma impermanência, um tempo linear irreversível, que desemboca em um ralo, no ato de escoar.

De acordo com Galciani Neves, que assina o texto crítico da exposição, “Ralo” narra o pensamento de Marina Saleme, que se embrenha entre suas pinturas a partir de um tempo que não cessa, não pausa, e que se esvai como uma espécie de durante sempre fugidio.

Trajetória da artista em mais de 200 páginas

Por ocasião da abertura da mostra, a Act Arte – casa editorial sob direção de Fernando Ticoulat – lança o livro monográfico “Marina Saleme”, que, ao longo de mais de 200 páginas, apresenta um panorama da produção da artista, destacando mais de três décadas dedicadas à pintura e à fotografia. O livro evidencia como, entre atmosferas de silêncio, melancolia e suspensão, Marina Saleme trabalha com a instabilidade das imagens: formas revelam-se ao mesmo tempo em que são ocultadas por camadas de tinta, véus de cor e rastros de matéria.

Temas como fragilidade, incerteza, dissolução e aparição – seja em paisagens fantasmagóricas, figuras esfaceladas ou cenas cotidianas que se tornam enigma – são foco de ensaios críticos de Felipe Scovino, Ana Maria Belluzzo e Tadeu Chiarelli, que contextualizam a pesquisa da artista no campo da pintura contemporânea brasileira, analisando sua relação com o neoexpressionismo dos anos 1980, sua passagem por experimentações matéricas nos anos 1990 e sua expansão para a fotografia nas séries dos anos 2000 e 2010. Ao longo do livro, imagens de obras, séries e detalhes de pinturas revelam um fazer artístico guiado pela intuição, pelo tempo e pelo mistério.

A publicação, editada por Yasmin Abdalla, Paula Nunes e Marina Dias Teixeira, e  publicada pela Act Arte, é uma realização do Ministério da Cultura e conta com patrocínio do Itaú, apoio de Marina Saleme Estamparia e apoio institucional da galeria Luisa Strina.

Até 25 de julho.

Representando um artista internacional.

24/jun

A Almeida & Dale anuncia a representação de Guillermo Kuitca no Brasil, trabalhando em colaboração com a Hauser & Wirth, galeria que o representa globalmente.

Reconhecido como um dos nomes de maior destaque da arte contemporânea latino-americana, Guillermo Kuitca sustenta há mais de 40 anos uma prática múltipla e inquieta que é informada pelo teatro, a dança, a música e a filosofia. 

Nascido em 1961, vive e trabalha em Buenos Aires, Argentina. O artista mobiliza um repertório iconográfico que inclui objetos do espaço doméstico, modelos de representação arquitetônica e mapas, além de ser reconhecido internacionalmente por seu singular estilo cubistóide.

Guillermo Kuitca teve sua primeira exposição ainda aos 13 anos, em uma galeria na capital argentina. Desde então, teve passagens em importantes exposições ao redor do mundo, entre elas as 18ª, 20ª e 24ª edições da Bienal de São Paulo, a documenta IX, em Kassel, além da 52ª Bienal de Veneza, também como artista representante no Pavilhão da Argentina. Obras do artista estão presentes em importantes coleções institucionais, tais como o 21st Century Museum of Contemporary Art, Japão, Guggenheim Museum, EUA; e MoMA, New York, EUA.

Emanoel Araujo como colecionador.

O Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, Parque do Ibirapuera, Portão 10, São Paulo, SP, inaugura a exposição “Afríquia: o artista como colecionador”, que revisita a trajetória de Emanoel Araujo a partir de sua atuação como colecionador e apresenta ao público os bastidores da formação da coleção africana do Museu.

Com mais de 200 obras, documentos, fotografias e objetos, a mostra revela como o olhar de Emanoel Araujo ajudou a construir um dos mais importantes acervos dedicados às culturas africanas no Brasil.

“Esta exposição parte da compreensão de que toda coleção é também uma narrativa. Ao reunir obras, documentos, fotografias e registros da trajetória de Emanoel Araujo, buscamos mostrar como seu olhar ajudou a construir não apenas uma coleção de arte africana, mas uma forma de pensar as relações entre África, diáspora e identidade afro-brasileira”, afirma Gabrielle Nascimento, curadora da exposição, sobre a pesquisa, o processo curatorial, a coleção africana do Museu e o legado de Emanoel Araujo.

A mostra reúne obras tradicionais e contemporâneas, com destaque para produções da Nigéria e do Benim. O percurso expositivo evidencia as relações estabelecidas por Emanoel Araujo entre África e Brasil, revelando como referências culturais, religiosas e estéticas presentes no continente africano influenciaram sua produção artística e seu projeto museológico.

O título da exposição faz referência à série de xilogravuras Suíte Afríquia I, II e III, produzida por Emanoel Araujo em 1977 após sua participação no II Festival Mundial de Arte e Cultura Negra e Africana (FESTAC 77), realizado na Nigéria. A experiência marcou sua primeira viagem ao continente africano e teve impacto significativo tanto em sua produção artística quanto na formação inicial de sua coleção.

Até 13 de setembro.

Experiências compartilhadas entre Brasil e África.

18/jun

O Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, Parque Ibirapuera, São Paulo, SP, apresenta a exposição “Ginga – A celebração do Futebol na Arte Afro-Atlântica”, que reúne o artista beninense Aston e as artistas brasileiras NeneSurreal e Mariana Calle em uma reflexão sobre futebol, cultura, pertencimento e experiências compartilhadas entre Brasil e África.

Ginga: Aston, NeneSurreal e Mariana Calle transformam o futebol em arte e pertencimento no Museu Afro Brasil Emanoel Araujo. Por meio do futebol, a exposição aproxima arte urbana, ancestralidade e experiências compartilhadas entre Brasil e Benim.

A mostra traz intervenções inéditas de duas importantes representantes da arte urbana contemporânea brasileira, que utilizam suas vivências como mulheres negras para discutir memória, território, identidade e comunidade a partir do universo do futebol.

Ao reunir as produções de Aston, NeneSurreal e Mariana Calle, a exposição propõe um olhar ampliado sobre o futebol, compreendido não apenas como esporte, mas como fenômeno cultural capaz de conectar histórias, territórios e experiências compartilhadas em diferentes contextos afro-atlânticos. A experiência expositiva é complementada por mesas de futebol de botão representando seleções de diferentes países, criando um ambiente de interação que aproxima o público das dinâmicas do jogo e reforça o caráter coletivo e participativo da mostra.

Até 02 de agosto.

Ygor Landarin novo artista representado.

17/jun

A Galatea, Jardins, São Paulo, SP, anuncia a representação do artista Ygor Landarin. O artista nasceu em Uruguaiana, Rio Grande do Sul, 1995, e cresceu em Florianópolis, Santa Catarina. Formou-se na Escola de Artes Visuais Parque Lage, no Rio de Janeiro, em 2018, sendo selecionado para o curso Formação e Deformação, da mesma instituição. Vive e trabalha no Rio de Janeiro.

Sua pesquisa artística aborda memórias e heranças visuais ligadas à cidade onde cresceu, desenvolvendo uma poética que aproxima arte e arqueologia, através da escultura, do bordado e da experimentação com diferentes materiais como a areia, a porcelana fria e o cimento. Muitas vezes, seus trabalhos criam abstrações relacionadas a concheiros e sambaquis, investigando camadas de tempo, permanência e transformação.

Desde 2017, colaborou com a artista Brígida Baltar (1959-2022), passando a integrar, posteriormente, a equipe de conservação, memória e continuidade de projetos do Instituto Brígida Baltar. Referência fundamental em sua trajetória, a artista influenciou diretamente a incorporação do bordado na prática do artista. 

Ygor Landarin já participou de residências artísticas como: FAAP (São Paulo) e Domo Damo (São Paulo). Entre as coletivas que integrou, destacam-se: 39º Panorama da Arte Brasileira: Depois que tudo foi dito (MAM-SP); Falácia Natural (Galeria Refresco); A ética e a estética na era da imagem (Centro Cultural Correios RJ); Manguezal (CCBB RJ) e a Bienal de Coimbra (Portugal). Em 2019 e 2021, realizou exposições individuais na Galeria Inox, no Rio de Janeiro, intituladas Ano azul e Corpo Contido, respectivamente. O artista também possui obras na coleção do Museu de Arte do Rio – MAR e em 2026 foi indicado ao Prêmio Pipa.

Estreia de duas novas exposições.

16/jun

A Galeria Raquel Arnaud, Vila Madalena, São Paulo, SP, inaugurou duas exposições que seguem em cartaz até 22 de agosto.

Em “nem mais nem menos, pinturas recentes”, de Carlos Zilio, com curadoria de Tadeu Chiarelli, o artista investiga a pintura como palco de sua própria condição, em preto e branco, entre a superfície e a ilusão.

Já em “etéreas”, com curadoria de Paula Borghi, as artistas Carla Chaim, Marina Weffort, Amalia Giacomini e Laura Belém habitam o espaço entre o vazio e a matéria, onde o que é retirado é tão essencial quanto o que permanece.

Ideais românticos e ideias de cuidado.

Pequeno Destino Amororso.

Small Amorous Destination.

Na arte contemporânea, o amor, o erotismo, bem como os sofrimentos e as desilusões, são o motor da prática de muitos artistas que, desde o século XX, têm reelaborado e complexificado o que é amar. Essas obras, que recorrem a mitologias clássicas e a registros íntimos das sensações despertas pelos encontros, nos confrontam com os aspectos desmedidos das emoções, assim como nos convidam a reconfigurar ideais românticos e as ideias de cuidado. 

Neste viewing room, inspirado pela celebração dessas relações, a Almeida & Dale, Jardins, São Paulo, SP, apresenta uma curadoria de obras de seu acervo em um formato exclusivamente digital.

Veja obras de Cícero Dias, Daiara Tukano, Dudi Maia Rosa, Eliseu Visconti, Ernesto Neto, José Leonilson, Lais Myrrha, Lidia Lisbôa, Maya Weishof, Miriam Inez da Silva, Nelson Felix, Paulo Pires, Rubens Gerchman, Sara Ramos, Sidney Amaral, Tracey Emin e Victor Arruda. 

O modernista Portinari no Masp.

15/jun

A exposição “Portinari Popular”, no Masp, Avenida Paulista, São Paulo, SP, revela o olhar branco sob o corpo negro. Retirantes, cangaceiros, sambistas e moradores do morro estão em alguns dos retratos do artista plástico paulista. Um dos principais representantes da escola modernista no Brasil, Cândido Portinari (1903-1962) retrata um Brasil construído pela mão de obra negra, já destacada à margem da sociedade por decorrência do processo escravagista, mas que vê no trabalho sua redenção. O acervo, de cerca de 50 obras, contém obras do próprio MASP, de colecionadores e de outros museus do Brasil e do Mundo. 

As obras variam entre a escassez de água e de vida marcada pelas formas deformadas dos retirantes, o trabalho nas plantações, a vida nas favelas e nas periferias. Algumas imagens, hoje consolidadas como estereótipos da Negritude, tiveram um papel importante naquele período, no qual os negros e negras eram totalmente invisibilizados nas obras artísticas ou apareciam ainda como figuras subalternas. 

Para Renata Felinto, que é artista plástica e doutora em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Universidade Estadual de São Paulo, Portinari “deu visibilidade ao desejo do Estado Vargas de apagar as diferenças sociais entre negros, brancos e afrodescendentes de forma geral”. Segundo ela, a principal ferramenta usada para cumprir esse propósito foi a representação do negro no trabalho, a exemplo do “Lavrador de Café”. “Portinari incorporou o conceito de pés e mãos exagerados objetivando ressaltar a importância desses membros na labuta diária, no ganha-pão, no enobrecimento dos que plantam e colhem de sol a sol”, analisa.

As mulheres negras aparecem de várias formas: são mulheres grandes, segurando latas de água, baianas descendo o morro, ou simplesmente andando, como a “Mulata de vestido branco”, mulher sem face que caminha ao vento. Com relação à vida urbana, Portinari pintou mais de uma vez as favelas, cujas representações são coloridas e influenciadas pelo Cubismo. Em uma delas, vê-se uma família negra onde o homem toca violão no pé do morro. Em outra, vê-se um homem negro, boêmio, tocando flauta na rua. 

Renata Felinto considera que essas representações que se pretendem elogiosas é comum. “Figuras assim que tendem a estigmatizar negros e negras são recorrentes na produção do período de 1920 a 1960 de alguns artistas modernistas”, conta. Apesar disso, o artista plástico Moisés Patrício acredita que a obra de Portinari cumpre um papel fundamental de revelar as origens do povo brasileiro. “Com sua obra, ele aponta que existe uma nação chamada Brasil, que foi construída por determinadas mãos, por um determinado cenário, por algumas mortes e dores”, considera.

Moisés Patrício entende ainda que Portinari foi um grande observador da cultura brasileira marcada por influências nordestinas, rurais, indígenas e negras. “Ele tentou dar visibilidade para uma parcela da população que sempre foi considera desimportante, excluída, e faz um resgate de elementos simples como a cabaça, a pipa, o baú, que surgem em muitas imagens, dando um ar misterioso às obras”, pontua.

A exposição vai até 15 de novembro e é gratuita todas as terças-feiras.

Fonte: Brasil de Fato.

Três artistas na Almeida & Dale.

12/jun

A exposição “Matéria Escura” reúne obras de Erika Malzoni, Jacque Faus e Manuella Silveira sob curadoria de Ana Roman, no espaço da Almeida & Dale no número 1430 da rua Fradique Coutinho, Vila Madalena, São Paulo, SP.

A partir das obras das três artistas, a curadoria propõe reflexões sobre a instabilidade e a constante mutação da matéria e das imagens, oferecendo um contraponto à hipervisibilidade de nossos tempos.

A curadora Ana Roman se inspira nos estudos da astrônoma estadunidense Vera Rubin, que descobriu a matéria escura – uma forma invisível de matéria que não emite nem reflete luz, mas cuja existência é percebida pelos efeitos gravitacionais que exerce sobre galáxias e estruturas do universo – para formular a exposição que investiga como a materialidade se anuncia ou dissimula e o que ainda escapa à classificação e à interpretação. Em oposição à tradição moderna, iniciada com o Iluminismo, que se resvala na objetividade científica para dominar e esclarecer o mundo, na mostra Ana Roman busca os limites dessa compreensão a partir do desconhecido ou inexato exposto na pesquisa de Vera Rubin.

“Esta exposição tem como ponto de partida esse lugar das incertezas. Erika Malzoni, Jacque Faus e Manuella Silveira chegam a ele por caminhos distintos, mas todas elas tensionam, à sua maneira, a fronteira entre o que aparece e o que sustenta o aparecimento, entre o dentro e o fora das coisas, entre o que a matéria mostra de si mesma e o que ela guarda”, descreve a curadora.

Em “Matéria Escura”, as obras se aproximam, portanto, não por uma semelhança formal ou de linguagem, mas por reverberarem de diferentes modos a impossibilidade de domínio e interpretação completa da matéria.