Grauben representada pela Galatea.

12/maio

A Galatea anuncia a representação da artista Grauben do Monte Lima (Iguatu, 1889 – Rio de Janeiro, 1972) e seu legado. Ainda jovem, a pintora cearense mudou-se para o Rio de Janeiro no início do século XX para atuar como servidora pública dos Ministérios da Agricultura e da Fazenda e tornou-se a primeira mulher a trabalhar na redação da revista Fon-fon, como jornalista e tradutora de contos.

A pintura só entrou em sua vida aos 70 anos, depois de ser presenteada por uma sobrinha com tintas guache e cartolina. A partir disso, e principalmente depois de uma experiência formadora com Ivan Serpa, estima-se que a artista tenha produzido cerca de 3.000 obras até falecer aos 83 anos. As pinturas de pássaros, plantas, flores e borboletas, descritas pelo crítico Walmir Ayala como “neo-impressionismo, com paisagens imaginárias compostas em pequenas pinceladas, como pontos de luz”, rapidamente ganharam amplo reconhecimento.

Participou consecutivamente de três edições da Bienal Internacional de São Paulo na década de 1960, e realizou, em 1966, individual que reuniu 80 de suas pinturas no MAM Rio. Dentre exposições recentes da artista estão: Grauben do Monte Lima (Individual, Museu Inimá de Paula, 2025); Existências paralelas – acervo em (des)construção (Coletiva, Pinacoteca do Ceará, 2025); Cais (Coletiva, Galatea, 2024); Pop Brasil: a arte popular e o popular na arte (Coletiva, CCBB São Paulo, 2002), entre outras. As pinturas de Grauben podem ser encontradas em acervos de museus nacionais e internacionais, tais como Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro – MAM Rio, Brasil; Museu Nacional de Belas Artes – MNBA, Rio de Janeiro, Brasil; Collection Cérès Franco, Montolieu, França.

Com essa representação, a galeria reafirma o compromisso de ampliar o alcance da obra de Grauben e preservar o seu legado.

Damián Ortega em museu de São Paulo.

11/maio

 

A mostra no MASP, apresenta mais de três décadas de trabalho do artista Damián Ortega (Cidade do México, 1967), um dos principais expoentes de sua geração. Transitando entre fotografia, vídeo, escultura e instalação, Damián Ortega convida o público a reexaminar materiais e objetos cotidianos para investigar narrativas sociais, econômicas e políticas. Em sua icônica prática escultórica, ele desmonta objetos, como carros, reorganizando suas partes e exibindo-as em novas configurações. O mesmo pensamento de rearranjo aparece em obras em que dispõe ferramentas, pedras ou tijolos em montagens suspensas. A reorganização desses objetos na forma de diagramas espaciais é frequentemente carregada de humor e comentários políticos e sociais. A exposição destaca obras importantes de sua trajetória e um conjunto de trabalhos que investigam aspectos da arquitetura brasileira. A mostra é organizada em parceria com o Museo de Arte Latino-Americana de Buenos Aires (MALBA) e marca a primeira individual de Damián Ortega em um museu de São Paulo.

O artista conta que concebe a escultura como uma relação entre força, resistência, equilíbrio e gravidade, aproximando-se da engenharia de modo lúdico. “Ortega desenvolve uma linguagem escultórica irreverente a partir de objetos cotidianos. Em sua obra, a ideia de energia é ampla, referindo-se tanto a noções de trabalho quanto a processos físicos de transformação da matéria. Ele equaciona abordagens da sociedade e investigações sobre tempo e espaço, movendo-se entre escalas micro e macro, entre o átomo e o cosmos”, afirma Yudi Rafael.

Com curadoria de Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP; Rodrigo Moura, curador independente, MALBA; e Yudi Rafael, curador assistente, MASP, com assistência de Isabela Ferreira Loures, assistente curatorial, MASP.

Até 13 de setembro.

A curadoria de Max Perlingeiro e Tadeu Chiarelli.

08/maio

A Pinakotheke, prestigiosa instituição de arte fundada no Rio de Janeiro por Max Perlingeiro em 1979, reconhecida pela excelência de suas exposições e publicações, abre para o público sua nova sede em Higienópolis, São Paulo, SP, no dia 18 de maio, com a exposição “Surrealismos: arte para além da razão”, uma vasta visão sobre as diversas facetas desta vertente da arte iniciada na primeira década do século 20.

A mostra inaugural do novo espaço tem curadoria de Max Perlingeiro e Tadeu Chiarelli, e reunirá aproximadamente 100 obras de 60 artistas – europeus, latino-americanos, norte-americanos e do Caribe. O novo espaço em Higienópolis é acompanhado também de uma reestruturação da Pinakotheke, e no novo organograma, Max Perlingeiro é o diretor-geral, e seus filhos assumem a diretoria-executiva de cada espaço – Max Morales Perlingeiro, em São Paulo; Mariana Perlingeiro Mattos, no Rio de Janeiro; e Victor Perlingeiro, em Fortaleza – e Camila Perlingeiro, que já é a responsável pelas edições dos livros de arte, passa a responder como diretora criativa. Ivan Perlingeiro, irmão de Max, será o diretor de operações. O novo endereço passou por obras de adequação e modernização, a cargo do escritório Luciano Dalla Marta Arquitetura.

Na entrada, o público será recebido por vídeos das artistas contemporâneas Letícia Parente, Lenora de Barros, Kátia Maciel e Lia Chaia. No primeiro andar estarão trechos dos filmes clássicos “Le Sang d’un poète” de Jean Cocteau e “Un chien andalou”, de Luis Buñuel e Salvador Dalí. No segundo andar, ficarão os núcleos do Surrealismo europeu, do norte-americano e caribenho. Na área central, a sala especial de Louise Bourgeois; e em destaque as obras de Magritte – “La magie noire”, e “La fin du monde”; a escultura “Mujer de pie”, de Picasso; a escultura “Femme debout”, de Giacometti; a pintura “O enigma de um dia”, de Giorgio de Chirico, pertencente ao MAC USP; “Configuration”, de Hans (Jean) Arp; e “St. Tropez”, de Picabia; a grande xilogravura “Metamorphose”, de M.C. Escher, com quatro metros de comprimento. Na última sala, outro trabalho de Escher – “Bond of Union”; dois óleos sobre tela de Ferdinand Desnos: “Le lapin blanc” e “Sem título”; obras de Salvador Dalí: a escultura em bronze “Vénus spatiale”, três trabalhos da série “La suite catalane”: “L’etoile de mer”, “Les fleches” e “Les pigeons”- e “The Persistence of Memory II”, em lã e colagem; e “Sem título”, de Victor Brauner.

Publicação ilustrada.

Ao longo da exposição, será lançado pela Pinakotheke Editora um livro bilíngue sobre o tema “Surrealismos: arte para além da razão”. Fartamente ilustrada, a publicação terá textos de Max Perlingeiro, Tadeu Chiarelli, Dawn Adès, João Frayze-Pereira e Thiago Gil Virava.

De 18 de maio até 15 de agosto. 

Jardim do Éden de Joana Vasconcelos.

07/maio

Pela primeira vez o Brasil recebe no Farol Santander, Centro, São Paulo, SP, uma das obras mais emblemáticas de Joana Vasconcelos: “Jardim do Éden”. Uma instalação imersiva que convida o público a caminhar por um labirinto que expõe a artificialidade da natureza através de uma inusitada experiência ótica.

Esse percurso transporta o espectador para um paraíso de sonhos e imaginação através dessa obra única que já passou por diversos continentes. “Jardim do Éden” é uma instalação que convida o espectador a caminhar. Através do fluxo luminoso e dos motores síncronos, as flores artificiais dispostas em forma de labirinto produzem um efeito cinético semelhante ao produzido pela fibra ótica. Ao mesmo tempo uma suave trilha sonora – que alude ao canto de dezenas de pequenos insetos – produzida pelo som mecânico das respetivas máquinas em funcionamento. 

O percurso neste paraíso onírico expõe a artificialidade da natureza através de uma inusitada experiência ótica, unicamente possível devido à exigência da sua apresentação num espaço interior privado de luz natural. Joana Vasconcelos concebe um surpreendente simulacro que reporta invariavelmente para o questionamento, a sabotagem e a apropriação de uma narrativa ancestral.

Até 21 de junho.

Burle Marx: plantas em movimento.

30/abr

O Museu Judaico de São Paulo, Bela Vista, apresenta até 02 de agosto a exposição “Burle Marx: plantas em movimento”.

A exibição apresenta um recorte introdutório da obra paisagística de Roberto Burle Marx e seus colaboradores, com foco no uso de algumas espécies vegetais. Burle Marx se notabilizou por criar um paisagismo tropical a partir das observações que fazia in loco, em expedições pelo Brasil e em viagens internacionais para o reconhecimento da vegetação de cada lugar, sempre acompanhado por um grupo de amigos botânicos, arquitetos, artistas e jardineiros, além da equipe de paisagistas de seu escritório. Assim, utilizou plantas nativas numa época em que a tradição era importar espécies vegetais de fora do país para desenhar áreas verdes segundo modelos tradicionais franceses e ingleses.

No entanto, Burle Marx nunca aplicou esses princípios de forma sectária, incorporando, em muitos de seus jardins, espécies exóticas tropicais que se adaptavam bem a determinados contextos locais. Nesse sentido, o artista-paisagista combinou a reversão dos estigmas de um país colonizado com a incorporação de elementos exógenos, numa atitude claramente cosmopolita, que pode ser associada à recusa de concepções fixas de identidade nacional. Assim, ao estabelecer uma associação entre plantas e seres humanos, ou entre natureza e sociedade, propomos, nesta exposição, a aproximação entre o legado estético e cultural de Burle Marx e certos princípios progressistas da judeidade, ligados à diáspora e à criação de identidades definidas pelo movimento constante.

Nesta mostra, transcendemos a apresentação meramente sequencial das composições paisagísticas de Burle Marx e sua equipe, e procuramos iluminar a relação entre certos projetos — públicos e privados — e a presença recorrente de determinadas espécies vegetais, reconstruindo um léxico básico com o qual o paisagista trabalhou, sempre de forma coletiva.
“A realização desta exposição neste espaço tem o propósito de ampliar a compreensão sobre o legado de Burle Marx, ao propor uma chave de leitura pouco revisitada em seu trabalho: sua herança judaica. A convite do MUJ, o pesquisador e artista Daniel Jablonski investiga como essa relação, transmitida pela via paterna, se inscreve em uma dimensão pouco visível — mas que atravessa sua maneira de estar no mundo. Uma perspectiva que dialoga com o entendimento do museu, que compreende a experiência judaica como parte de uma história mais ampla de migrações, travessias e múltiplas formas de continuidade.”

Marilia Neustein – Diretora-Executiva do Museu Judaico de São Paulo.

“Ao longo de sete décadas, Roberto Burle Marx e seus colaboradores constituíram um acervo paisagístico com mais de 150 mil itens, reunindo projetos urbanísticos, estudos, croquis, desenhos, fotografias, documentos, publicações, peças de arte e outros materiais. Fundado 2019 como uma organização da sociedade civil, o BMI é é fruto do compromisso inicial dos atuais sócios do Escritório Burle Marx em preservar, difundir e ressignificar o legado de conceitos e realizações que esse arquivo histórico congrega.”
Isabela Ono – Diretora-Executiva do Instituto Burle Marx.

Alice Yura na Pinacoteca de São Paulo.

28/abr

A Pinacoteca de São Paulo apresenta a exposição “Alice Yura: um ato fotográfico”, na Galeria Praça do edifício Pina Contemporânea, São Paulo, SP. Com curadoria de Thierry Freitas, a mostra reúne ensaios visuais recentes em diálogo com um robusto conjunto documental e material herdado da família da artista.

Vencedora do Prêmio FOCO ArtRio de 2022, Alice Yura (1990) nasceu em uma família de imigrantes japoneses que se estabeleceu no Brasil na década de 1950, e foi criada em um ambiente marcado pela produção de imagens. Seu avô, seu pai e seus tios atuaram como fotógrafos em sua cidade natal, no interior do Mato Grosso do Sul, experiência que atravessa e fundamenta sua prática artística. A artista aproxima a imagem dos campos da performance e da teatralidade, desdobrando sua pesquisa em torno da memória e da autobiografia.

Estruturada em três núcleos, a exposição articula diferentes tempos e regimes da imagem. No primeiro, são apresentados materiais provenientes do Foto Yura, estúdio fotográfico da família que, ao longo da segunda metade do século XX, constituiu-se como espaço central de sociabilidade em Aparecida do Taboado, no Rio Grande do Sul. Fotografias, objetos e documentos evidenciam tanto a trajetória da família quanto as transformações da fotografia, do analógico ao digital.

O segundo núcleo reúne o ensaio Foto Yura (2022), no qual a artista investiga suas heranças familiares ao mesmo tempo em que tensiona papéis sociais. Ao se colocar como modelo de seu pai, com o retrato do avô ao fundo, Alice Yura reencena uma linhagem marcada por um ofício historicamente masculino, deslocando as posições de autoria e representação. A exposição recria o cenário dessas imagens, convidando o público a ocupar esse espaço.

No terceiro núcleo, a artista se apropria de arquétipos da história da arte e de figuras da Antiguidade para reencená-los a partir de seu próprio corpo. Ao mobilizar essas imagens, Alice Yura propõe novas possibilidades de identificação e permanência, afirmando a produção de imagens por corpos transexuais como forma de construir lastro simbólico para além das convenções de gênero. A série Restos de Carnaval integra esse conjunto, assim como uma obra inédita na qual a artista se apresenta como Cupido, tensionando iconografias clássicas a partir de uma corporalidade dissidente. Ao tomar a biografia como eixo, a exposição propõe um deslocamento entre documento, memória e ficção, reafirmando a imagem como espaço de presença, encenação e fabulação.

Novos curadores na 37ª Bienal de São Paulo.

A Fundação Bienal de São Paulo anuncia Amanda Carneiro e Raphael Fonseca como curadores-chefes da 37ª Bienal de São Paulo. A 37ª Bienal de São Paulo está programada para ocorrer no segundo semestre de 2027, e o projeto curatorial será apresentado no segundo semestre deste ano.

Sobre os curadores.

Amanda Carneiro nasceu em São Paulo, onde vive atualmente. É curadora do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand – MASP desde 2018. Também foi co-organizadora de exposições que recuperaram artistas importantes do século 20, como Abdias Nascimento (2022), Madalena Santos Reinbolt (2022) e Conceição dos Bugres (2021-2022), além de mostras coletivas, como Histórias brasileiras (2022). É graduada, mestre e doutoranda em história social pela Universidade de São Paulo. Atualmente, desenvolve pesquisa sobre o Segundo Festival Mundial de Artes e Cultura Negra e Africana (FESTAC ’77). Antes de ingressar no MASP, trabalhou no Museu Afro Brasil Emanoel Araujo.

Raphael Fonseca nasceu no Rio de Janeiro e vive em Lisboa. É curador de artes visuais da Culturgest, com sedes em Lisboa e no Porto, em Portugal. É curador at large de arte moderna e contemporânea latino-americana no Denver Art Museum, nos Estados Unidos. É curador do Pavilhão de Taiwan na 61ª Exposição Internacional de Arte da Bienal de Veneza (2026). Integra o grupo curatorial da 3ª Counterpublic Triennial (2026) e é um dos cocuradores do festival Sequences, em Reykjavík, na Islândia (2027). Foi curador-chefe da 14ª Bienal do Mercosul (2025), cocurador da 22ª Bienal SESC_Videobrasil (2023) e curador da 1ª Bienal do Barro (2014). Trabalhou como curador do MAC Niterói entre 2016 e 2020. É doutor em História e crítica da arte pela UERJ, mestre em História da Arte pela Unicamp e bacharel em História da Arte pela UERJ. Foi professor de artes visuais do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, entre 2010 e 2022.

MariAntônia recebe a mostra Rever Baravelli.

24/abr

O Centro MariAntonia da USP, Vila Buarque, São Paulo, SP, inaugura no dia 09 de maio, a exposição “REVER BARAVELLI”, dedicada à obra de Luiz Paulo Baravelli. Com curadoria de Maria Alice Milliet e realização da Galeria Marcelo Guarnieri, a mostra reúne aproximadamente 60 obras que atravessam diferentes momentos da trajetória de mais de cinquenta anos do artista.

A exposição propõe uma revisão panorâmica da produção de Baravelli, destacando a diversidade de procedimentos, técnicas e linguagens que caracterizam seu trabalho. Ao longo de décadas, o artista construiu uma obra marcada pela experimentação e pela articulação entre pintura, desenho, objeto e relevo. Em seu trabalho, observa-se uma vontade de extrapolar os limites do quadro, seja em pinturas que adquirem contornos orgânicos ao se afastarem do regime da moldura quadrangular; seja no uso da perspectiva, entendida menos como elemento regulador da visão e mais como força propositiva e vertiginosa, capaz de sugerir profundidades potencialmente infinitas na pintura.

Para a curadora Maria Alice Milliet, a prática de Baravelli se dá na interseção entre arte e artesania. Em seu processo, ele assume o papel de artista/artesão ao manipular materiais como madeira, acrílico ou metal para construir suportes e estruturas que expandem os limites da pintura. Sua iconografia incorpora desde desenhos de observação até uma ampla gama de imagens captadas em diversas mídias. Para tanto, recorre a estratégias como o ready-made e a colagem.

A exposição destaca núcleos importantes de sua pesquisa. Entre eles, as investigações sobre paisagem em sua construção ambígua entre interior e exterior e a recorrência do nu feminino, tema presente desde sua formação nos anos 1960. Nesse conjunto, destaca-se a série realizada em 1984 com a técnica da encáustica, na qual o artista abandona o desenho preparatório e passa a pintar diretamente sobre a tela, produzindo imagens de intensidade dramática e expressiva. Ao longo do percurso expositivo, o público encontrará trabalhos que transitam entre o bidimensional e o tridimensional, incluindo estruturas que evocam maquetes, relevos e pinturas que extrapolam os limites do quadro. Essa diversidade reflete a recusa de Baravelli em se ater a uma linguagem única, reafirmando seu interesse em capturar a complexidade e a instabilidade da realidade visível.

 

Sobre o artista. 

Luiz Paulo Baravelli é formado em Arquitetura pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, e por desenho e pintura pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP). O artista iniciou sua carreira em meados dos anos 1960 produzindo pinturas, desenhos e colagens, influenciadas, de maneira mais direta, pela obra de Wesley Duke Lee, seu ex-professor na FAAP, e de modo mais amplo, pelo vocabulário da cultura Pop. Baseando sua prática na intersecção e troca entre a produção e o ensino de arte, Baravelli participa da fundação da Escola Brasil, em 1970, junto a José Resende, Carlos Fajardo e Frederico Nasser; da Revista Malasartes entre 1975 e 1976 e da Revista Arte em São Paulo entre 1981 e 1983, ambas junto a importantes artistas e críticos da cena contemporânea. Participou de inúmeras exposições individuais e coletivas destacando-se: Bienal de São Paulo (Brasil); Bienal de Veneza (Itália); Bienal de Havana (Cuba); Bienal do Mercosul, Porto Alegre (Brasil); Museu de Arte de São Paulo (MASP- Brasil); Pinacoteca do Estado, São Paulo (Brasil); Hara Museum of Contemporary Art, Tóquio (Japão); Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro (Brasil); Museu de Arte Moderna de São Paulo (Brasil); Instituto Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto (Brasil); Itaú Cultural, São Paulo (Brasil); Museo de Arte Moderno de Buenos Aires (Argentina);  Museu de Arte Contemporânea (MAC) da Universidade de São Paulo (Brasil); Instituto Tomie Ohtake, São Paulo (Brasil) e Paço Imperial, Rio de Janeiro (Brasil).

Até 26 de julho. 

 

Granato e a força simbólica das máscaras.

A DAN Galeria Contemporânea, Itaim Bibi, São Paulo, SP, exibe a exposição “Máscaras, Ivald Granato – Quem é você?” até 25 de junho.

A força das máscaras africanas é inegável. Como percebeu Picasso, a arte negra impressiona e não só por confrontar a estética naturalista, mas por ter na origem uma função mágica; ele viu as máscaras como instrumentos de comunicação.  No caso de Granato, a atração por essa iconografia, tão estranha aos códigos ocidentais, veio da busca de suas raízes culturais e do desejo de afirmação identitária. Tal como aconteceu com Picasso, não foram os valores formais que o seduziram, inicialmente, mas o reconhecimento da força simbólica das máscaras.

Os mascarados – usando costumes de fibras naturais e portando adereços feitos de peles, chifres, penas, conchas etc. – dançam e praticam gestos simbólicos conforme certas convenções. Essas atuações, guardadas todas as ressalvas, encontram ressonância nas práticas performáticas de Ivald Granato, atividades que atravessaram toda sua carreira e o fizeram reconhecido.

Sheroanawe Hakihiiwe apresenta Thapiri/Sonho.

A galeria Fortes D’Aloia & Gabriel, Jardins, apresenta “Thapiri/Sonho”, a primeira exposição individual de galeria de Sheroanawe Hakihiiwe em São Paulo, após sua apresentação individual no MASP, Tudo isso somos nós, em 2023. Artista yanomami radicado na Amazônia venezuelana, Hakihiiwe apresenta na FDAG Jardins um conjunto de pinturas e monotipias que articulam uma linguagem visual enraizada em saberes e modos de ver indígenas. Compostas por linhas, pontos, círculos e padrões repetidos, as obras, que foram expostas ano passado em mostra homônima no MAC Parque Forestal, em Santiago, no Chile, partem de observações do cotidiano na floresta. Rastros de animais, estruturas vegetais e formações naturais são traduzidas em um vocabulário gráfico marcado pela síntese e pelo ritmo.

Radicado na comunidade yanomami de Mahekoto-Theri, Hakihiiwe desenvolve uma prática que reflete a continuidade entre experiência vivida e imaginada. Suas composições ecoam as estruturas mnemônicas das tradições orais yanomami, nas quais repetição e acumulação operam como formas de sustentar e transmitir conhecimento entre gerações. Por meio desse procedimento, seu trabalho produz uma memória simultaneamente corporal, simbólica e coletiva.

As obras em exposição articulam aquilo que é observado durante o dia com o que é vivenciado nos sonhos: presenças, sinais e formas de conhecimento transmitidas por espíritos e outros seres. Nesta mostra, a pintura opera como registro e também como meio de passagem, situando o visitante em uma experiência em camadas, onde diferentes planos de existência se entrecruzam. A apresentação reflete o compromisso contínuo de Hakihiiwe com a preservação e ativação dos conhecimentos culturais, simbólicos e ecológicos de sua comunidade.

Neste ano, o trabalho de Hakihiiwe foi apresentado em importantes exposições internacionais, incluindo Wayamou: Lenguas de lo común, no Museo Tamayo, na Cidade do México, onde expõe em diálogo com Laura Anderson Barbata, de quem aprendeu, no início dos anos 1990, técnicas de produção de papel com fibras naturais em um intercâmbio de saberes. Atualmente, participa de Several Eternities in a Day: Form in the Age of Living Materials, no Hammer Museum, em Los Angeles, onde apresenta uma instalação de grande escala com pinturas e desenhos. O artista também integra Exposition Générale, na Fondation Cartier pour l’art contemporain, em Paris, mostra inaugural do novo espaço da instituição, que possui obras suas em sua coleção permanente.

As obras desta exposição foram exibidas pela primeira vez na Sala TAC, em Caracas, Venezuela, em 2023. No Chile,em 2025, a mostra Thapiri / Sueño teve curadoria de Paola Nava e Luis Romero. Agradecemos especialmente a Melina Fernández Temes e  Luis Romero da ABRA Caracas, galeria de Sheroanawe Hakihiiwe na Venezuela, também ao MAC de Santiago do Chile e Paola Nava por seu apoio e colaboração.

Até 13 de junho.