Inédito de Tunga

04/ago

 

Tunga (1952 – 2016) se interessou pela alquimia, pela psicanálise, pelas ciências e pela Filosofia. Ao longo de quatro décadas, construiu uma mitologia singular, na qual as noções de permanência e transformação são fundamentais. Uma das últimas obras realizadas pelo artista e inédita no Brasil, “Eu, Você e a Lua” (2015), será apresentada de 09 de agosto até 28 de janeiro de 2024,  na Sala de Vidro do Museu de Arte Moderna de São Paulo, Parque do Ibirapuera, Portões 2 e 3, São Paulo, SP.

A natureza e o jardim no Museu

03/ago

O Museu de Arte Sacra de São Paulo (MAS.SP), inaugura a exposição coletiva “Volto ao Jardim”, com trabalhos de Carla Fonseca, Julia Bac, Lidia Lisbôa, Nathalie Nery, Paula Scavazzini, Yasmin Guimarães, artistas brasileiras emergentes, que exploram a conexão com a natureza e a beleza dos jardins, proporcionando reflexões sobre tempos incertos e os encantos naturais da vida.. Sob curadoria de Simon Watson, a abertura ocorre no dia 05 de agosto – sábado, às 11hs e permanecerá em cartaz até 01 de outubro.

A mostra, com título mencionado na música de Cartola “As Rosas não Falam”, reconhecida amplamente na versão gravada por Beth Carvalho, inclui estrofe que conduz o conceito da exposição:

“Volto ao jardim,

Com a certeza que devo chorar,

Pois bem sei que não queres voltar,

Para mim,

Queixo-me às rosas,

Que bobagem as rosas não falam,

Simplesmente as rosas exalam…”

“As obras das artistas podem ser compreendidas como mensagens de envolvimento com o mundo natural, de belos jardins e esperança em tempos incertos. E, como na música, esta é uma exibição com sensações doces e amargas. Sendo expostas no inverno, está diretamente ligada aos ciclos da vida, aos finais e recomeços: uma metáfora de nascimento e renovação, bem como um gesto de abraço ao equilíbrio da natureza”, discorre o curador.

A exposição ocupa dois espaços distintos nas instalações do MAS.SP: uma das salas de exposições temporárias e os jardins internos do claustro. Todos os trabalhos estão sendo criados pelas artistas on-site, no MAS.SP e, desta forma, dialogam com esse exemplar do Patrimônio Histórico Brasileiro. A instituição está instalada em uma área pertencente ao Mosteiro da Luz, da Ordem da Imaculada Conceição – Congregação das Irmãs Concepcionistas, circundado por jardins e um chácara conventual. O prédio é um exemplar raro de arquitetura histórica colonial do Brasil. “VOLTO AO JARDIM” é uma jornada de contemplação que abraça os ciclos da vida, simbolizando o nascimento e a renovação. A exposição celebra o talento e a criatividade de seis artistas mulheres brasileiras emergentes, cujas obras revelam uma profunda conexão com a natureza e a harmonia do mundo natural.

“O Museu de Arte Sacra é constantemente reavivado por seus visitantes e por artistas contemporâneos que fazem trabalhos on-site, que dialogam com a tranquilidade do local, ao mesmo tempo em que trazem uma nova perspectiva sobre nossos tempos”. Simon Watson

Galatea novo site

É com muita alegria que apresentamos o novo site da Galatea!

Depois de meses em desenvolvimento, chegou a hora de compartilhar o resultado com vocês. Em nosso site poderão ser encontradas, de modo mais detalhado, informações sobre os artistas, exposições, colaborações e projetos.

A plataforma seguirá em constante evolução para manter o público atualizado das nossas novidades e do percurso dos nossos artistas.

Estamos muito felizes em disponibilizar mais uma forma de contato e difusão do nosso trabalho. A troca com o público é o que dá sentido à nossa empreitada.

Esperamos que gostem!

Fotógrafa portuguesa no IMS Paulista

01/ago

A exposição “Fotografia habitada, antologia de Helena Almeida”, 1969-2018 será a primeira individual da renomada artista portuguesa no Brasil em cartaz até 29 de setembro no IMS Paulista, São Paulo, SP. Com curadoria de Isabel Carlos, curadora de arte contemporânea e historiadora de arte, a mostra apresenta uma seleção de obras que têm como suporte a fotografia e o desenho, realizadas entre 1969 e 2018. Os trabalhos abordam temas recorrentes na produção de Helena Almeida, como a interrogação dos gêneros e dos processos artísticos e a autorrepresentação da artista e da mulher. Em sua produção, mais do que um gênero artístico ou documental, a fotografia é um suporte conceitual das ideias e dos processos de criação. Essa subversão dos limites das definições da obra de arte, além da constante reiteração da sua condição de mulher e artista, confere atualidade ao trabalho de Helena Almeida, confirmando a relevância histórica do seu papel numa geração que abriu novos caminhos e processos nos modos de pensar e articular a relação entre a arte e a vida.

Artista portenha na Pina Luz

27/jul

 

A exposição “Marta Minujín: Ao Vivo”, Pina Luz, Praça da Luz, São Paulo, SP, é a primeira mostra panorâmica no Brasil de uma das artistas latino-americanas mais relevantes da sua geração.

A mostra articula mais de cem obras de Marta, de 1963 até hoje. Nos primeiros dias da exposição o público é recebido pela Escultura de los deseos, um inflável de 17 metros no estacionamento da Pinacoteca, edifício Luz. O público também poderá percorrer a galeria de tramas e colchões multicoloridos – como a Galeria Blanda (Galeria Mole), instalação de 1973 feita com 200 colchões que preenchem, junto com projeções, a 1ª sala expositiva

A exposição também conta com videoinstalações e fotoperformances, como a El pago de la deuda externa argentina con maíz (O pagamento da dívida externa com milho) (1985). Em “Marta Minujín: Ao Vivo”, as intervenções urbanas ganham evidência.

Dos colchões aos Monumentos

“Marta Minujín: Ao Vivo” passa por momentos cruciais da carreira da artista portenha. Sua pesquisa sobre o fenômeno social da comunicação e seu potencial disseminador resultou em diversos trabalhos cuja documentação se concentra na 4ª sala expositiva, em obras como Simultaneidad ensimultaneidad! (Simultaneidade em simultaneidade) (1966) e Leyendo las noticias en el Río da Plata (Lendo notícias no rio da Prata) (1965).

No contexto político da década de 1970, a proliferação de ditaduras militares pela América Latina levou Marta Minujín a práticas artísticas voltadas para a conscientização de uma realidade sociopolítica e um projeto de integração entre os países da região. O trabalho mais emblemático da artista nesse sentido foi Comunicando con tierra (1976), remontado para esta exposição, nela há o Nido de hornero (Ninho de joão-de-barro), instalação com a forma de um ninho de joão-de-barro gigante.

A obra El Batacazo, de 1965, foi recriada especialmente para a Pinacoteca. Nela, ícones da mídia conduzem o visitante, que passa por jogadores de futebol do Brasil e Argentina, sobe escadas encontrando playboys e cosmonautas e desce um escorregador para cair em uma boneca inflável que tem o formato do rosto da atriz italiana Virna Lisi.

A mostra termina com uma das videoinstalações mais recentes da artista, Implosión! (Implosão!) (2021). A nova versão da obra promove a imersão em um cubo musical multicolorido.

Sobre a artista

Marta Minujín nasceu em Buenos Aires, 1943. Alcançou grande consagração na Argentina e internacionalmente. Ao longo da carreira, se tornou a embaixadora do movimento pop na Argentina e. embora tenha se identificado com o rótulo, sua produção possui um caráter multidisciplinar, combinando aspectos da arte pop com o happening e a arte conceitual. Marta Minujín produz arte incansavelmente até os dias de hoje, transitando entre diversas linguagens, escalas, circuitos artísticos e sociais. Com seus óculos espelhados e a personalidade extravagante, a artista-personagem é figura em capítulos importantes da História da Arte, passando pelo Novo Realismo, Pop Art, Conceitualismos, Arte pública e multimeios. “Marta Minujín: Ao Vivo” tem curadoria de Ana Maria Maia. A exposição é patrocinada pela Vivo, na cota Platinum, Mattos Filho, na cota Ouro, Ternium, na cota Prata, Iguatemi São Paulo e Ageo, na cota Bronze.

Até 28 de janeiro de 2024.

Territórios, encontros e narrativas

19/jul

A mostra “Chão da praça: obras do acervo da Pinacoteca” inaugurou a sala expositiva da Pinacoteca Contemporânea, a Grande Galeria, Luz, São Paulo, SP. Com coordenação curatorial de Ana Maria Maia, curadora chefe da Pinacoteca, e Yuri Quevedo, a mostra reúne cerca de 60 trabalhos do acervo de arte contemporânea, em montagem pautada pelo desejo de falar sobre territórios, encontros e narrativas de atravessamento. Desenhos, pinturas, fotografias, vídeos e performances compõem a narrativa que é orientada por três grandes ideias: travessias, vizinhanças e transcendências. Em exibição até 30 de julho.

Travessias, Vizinhanças e Transcendências

A ideia de travessia e seu espectro é contemplada nas obras Irruptivo Series (Série irrompimento) (2010), de Regina Silveira (Porto Alegre – RS, 1939), e Galinha d´Angola (2017), de Paulo Nazareth (Governador Valadares – MG, 1977) e na performance Modificação e apropriação de uma identidade autônoma (1980), de Gretta Sarfaty (Atenas – Grécia, 1954).

Já a ideia de vizinhança ganha força pela localização do edifício Pinacoteca Contemporânea, que amplia o perímetro urbano com o qual o museu dialoga diretamente. Além disso, situações de encontro e afeto dão a tônica de uma longa parede, ocupada em uma montagem de obras de Lúcia Laguna (Campos de Goytacazes – RJ, 1941), Bené Fonteles (Bragança – PA, 1953), Matheus Rocha Pitta (Tiradentes – MG, 1982), Yuli Yamagata (São Paulo – SP, 1989), entre outros.

Por fim a ideia de transcendências é apresentada com Parede da memória (1994-2005), de Rosana Paulino (São Paulo – SP, 1967), que elabora uma identidade coletiva entremeando exercícios de lembrar e imaginar. Além de obras como Quebranto (2021), de Jonas Van (Fortaleza – CE, 1989) e Juno B. (Fortaleza – CE, 1982), e Yiki Mahsã Pâti (Mundo dos espíritos da floresta) (2020), de Daiara Tukano (São Paulo – SP, 1982).

Os Artistas

Analívia Cordeiro (SP), Antonio Poteiro (Portugal), Bené Fonteles (BA), Brígida Baltar (RJ), Carmela Gross (SP), Carmézia Emiliano (RO), Castiel Vitorino Brasileiro (ES), Claudia Andujar (Suíça), Claudio Tozzi (SP), Cristiano Mascaro (SP), Daiara Tukano (SP), Delson Uchôa (AL), Djanira (SP), Duhigó (AM), Emanoel Araújo (BA), Emmanuel Nassar (PA), Ernesto Neto (RJ), Gisela Motta e Leandro Lima (SP), Gretta Sarfaty (Grécia), Hudinilson Jr (SP), Ilê Sartuzi (SP), Jonas Van e Juno B (CE), Laura Lima (MG), Lucia Laguna (RJ), Lygia Pape (RJ), Lygia Reinach (SP), Marepe (BA), Maria Bonomi (Itália), Martinho Patrício (PB), Matheus Rocha Pitta (MG), No Martins (SP), Paula Garcia (SP), Paulo D’Alessandro (SP), Paulo Nazareth (MG), Paulo Pjota (SP), Regina Silveira (RS), Renina Katz (RJ), Rommulo Vieira Conceição (BA), Rosana Paulino (SP), Sandra Cinto (SP), Sara Ramo (Espanha), Sidney Amaral (SP), Tiago Sant’Ana (BA), Vera Chaves Barcellos (RS), Yuli Yamagata (SP) e Zica Bérgami (SP).

A exposição “Chão da praça: obras do acervo da Pinacoteca” tem patrocínio do Bradesco, na cota Apresenta, e da Bloomberg, na cota Prata.

Curadoria: Ana Maria Maia e Yuri Quevedo, com colaboração de Ana Paula Lopes, Horrana de Kassia Santoz, Pollyana Quintella, Renato Menezes, Thierry Freitas e Weslei Chagas.

Fotógrafos e fotógrafas

18/jul

Em cartaz no MIS, Museu da Imagem e do Som, Jardins, São Paulo, SP, a coletiva “Imagens para o futuro” propõe uma reflexão sobre os modelos atuais de convivência. Com curadoria de Ivana Debértolis e Mônica Maia, a mostra apresenta o trabalho de 16 fotógrafas e 16 fotógrafos e traz um recorte visual de possíveis caminhos para a sociedade brasileira.

No dia 05 de agosto, sábado, às 15h, ocorrerá uma conversa com Simonetta Persichetti, jornalista especializada em fotografia e integrante do Conselho Editorial da @artebrasileiros, para debater o tema da exposição com o público.

Buscando construir uma narrativa imagética contestadora e abrangente, foram selecionados fotógrafos e fotógrafas de diversas regiões do país, tais como: Amanda Perobelli, Bruno Morais, Helen Salomão, Hudson Rodrigues, Hugo Martins, Ingrid Barros, Isis Medeiros, Lalo de Almeida, Luisa Dörr, Raphael Alves. Imagens em formatos maiores na área externa da sala estarão acompanhadas de depoimentos, entre eles um trecho da ativista indígena Txai Suruí: “Através da arte os povos originários vêm espalhando e semeando sonhos para adiar o fim do mundo.”.

Em cartaz até 13 de agosto.

Iole de Freitas no Instituto Tomie Ohtake

17/jul

 

Em instalação monumental inédita, a artista retoma a dança para sublinhar o movimento, o espaço e a forma. Ao entrar no grande hall do Instituto Tomie Ohtake, Pinheiros, São Paulo, SP, – até 17 de setembro – o visitante vai se deparar com uma surpreendente instalação de dimensão monumental concebida pela artista visual que completa cinco décadas de carreira. “Iole de Freitas: Colapsada, em pé”, com curadoria de Paulo Miyada, é uma mostra organizada em torno desta instalação, produzida com tubos metálicos e placas de policarbonato marcados pelo uso prévio como partes de instalações feitas pela artista nos últimos vinte e cinco anos. Essa nova peça apoia-se sobre o solo e se ergue como um abrigo aberto repleto de movimento.

“Ela dispensou a possibilidade de criar novas linhas e planos suspensos na idiossincrática arquitetura desse espaço de passagem e cruzamento desenhado por Ruy Ohtake, e desceu ao chão de seu ateliê as peças constituintes de dez de suas exposições. Tubos metálicos e placas de policarbonato marcados pelo uso (com arranhões, manchas, sujidades e desgastes) foram então girados, recombinados, aparafusados, soldados”, explica o curador chefe do Instituto Tomie Ohtake.

Para a concepção da obra, pela primeira vez em seis décadas, a dança retornou direta e explicitamente ao seu fazer artístico, como modo de apreensão do espaço e concepção da forma. Neste processo ela começou a experimentar fragmentos de dança, cenas curtas ou anotações corporais em meio à obra em construção. Conforme Paulo Miyada, mover-se, só ou na companhia de seu neto, Bento, transformou-se numa espécie de notação que antecipa e testa relações entre partes e formas. “Trata-se da dança como régua, sismógrafo, desenho, maquete, laboratório”, ele destaca.

A questão com o corpo contida neste imenso “acontecimento da obra construída” convida as pessoas a percorrer a instalação em livre movimento. “Essa peça é um abrigo aberto, uma cena à espera de atores voluntários, uma partitura espacializada de dança, um dispositivo de medição do corpo e do espaço; é uma máquina para a vivência de múltiplos estados de presença, para a experimentação de modos de aparecer e perceber-se”, completa Paulo Miyada. Os fragmentos filmados dessa experiência com a dança integram duas videoinstalações inéditas como parte da exposição desenvolvida em diálogo entre artista e o curador, que resultará ainda em uma publicação a ser distribuída gratuitamente.

Enquanto no Instituto Moreira Salles, em “Iole de Freitas, anos 1970 / Imagem como presença”, exposição em cartaz com curadoria de Sônia Salzstein, a artista apresenta uma parte de sua história reelaborada por uma instalação contemporânea, no Instituto Tomie Ohtake, ela abre novos caminhos em sua obra ao reprocessar elementos constitutivos de sua trajetória: a dança e a própria matéria de suas instalações.

Sobre a artista

Nascida em Belo Horizonte (MG), em 1945, Iole de Freitas mudou-se aos seis anos para o Rio de Janeiro, onde iniciou sua formação em dança contemporânea. Estudou na Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), cidade em que hoje vive e trabalha. A partir de 1970, viveu por oito anos em Milão, onde começou a desenvolver e expor seu trabalho em artes plásticas a partir de 1973. A artista participou de importantes mostras internacionais, como a 9ª Bienal de Paris, a 16ª Bienal de São Paulo, a 5ª Bienal do Mercosul e a Documenta 12, em Kassel, Alemanha. Além de comparecerem a individuais e coletivas em várias cidades do mundo, seus trabalhos integram importantes coleções, entre as quais, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC USP); Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP); Museu de Arte Contemporânea de Niterói; Museu Nacional de Belas Artes, RJ; Museu do Açude, RJ; Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio); Museu de Arte do Rio (MAR); Bronx Museum (EUA); Winnipeg Art Gallery (Canadá); e Daros Collection (Suíça).

Emanoel Araujo na 35ª Bienal de São Paulo

04/jul

É com alegria que a Simões de Assis, São Paulo, Curitiba e Balneário Camboriú, anuncia que Emanoel Araujo (Santo Amaro da Purificação, 1940 – São Paulo, 2022) integra a seleção de artistas da 35ª Bienal de São Paulo – coreografias do impossível – com curadoria de Diane Lima, Grada Kilomba, Hélio Menezes e Manuel Borja-Villel.

O artista explorou fortemente a presença da herança africana na cultura brasileira a partir de formas gráficas, objetos e gestos que traduziam uma dimensão expandida e transcendente, sendo referência para diversos artistas. Na exposição, com abertura prevista para 06 de setembro, o relevo escultórico em madeira de Araujo integra um conjunto de trabalhos que retomam as vozes das diásporas e dos povos originários, ampliando o diálogo local e internacional, valorizando diversos contextos impossíveis e como os artistas desenvolveram estratégias para contorná-los.

Fotos de German Lorca

29/jun

A Galeria Marcelo Guarnieri apresenta, entre 08 de julho e 05, “Galeria São Luís – Geometria das Sombras”, primeira exposição de German Lorca (1922- 2021) em seu endereço de São Paulo. A mostra reúne 50 fotografias produzidas entre as décadas de 1940 e 2010 e se organiza em três núcleos: “Galeria São Luís”, que consiste em uma reedição da exposição do artista na Galeria São Luís, em 1966; “Icônicas”, que apresenta um conjunto de suas fotografias mais clássicas e “Série Geometria das Sombras”, composta por 24 imagens desenvolvidas por Lorca em 2014, já aos 92 anos, e exibidas integralmente pela primeira vez.

Um dos pioneiros da fotografia moderna no Brasil, German Lorca nasceu em São Paulo em 1922 e assim como outros filhos de imigrantes europeus que chegaram à capital paulista no início do século XX, cresceu no operário bairro do Brás. Ali pôde testemunhar, desde criança, a dinâmica da vida do bairro em meio a transformações que alteravam sucessivamente o ritmo e a paisagem urbana. Lorca forma-se como contador no Liceu Acadêmico de São Paulo em 1940 e tem o seu primeiro contato com a fotografia em 1945, registrando eventos familiares. Em 1948 ingressa no Foto Cine Clube Bandeirante, um clube de fotógrafos frequentado por entusiastas, amadores e profissionais, que acreditavam que a fotografia era uma forma de arte que podia revelar a estética oculta da modernidade cotidiana. Lorca pôde explorar, em uma troca constante com os outros integrantes, as especificidades da técnica fotográfica, entendendo os enquadramentos, jogos de luz e solarizações como recursos plásticos e discursivos.

Na década de 1960, German Lorca já havia participado de diversos salões de fotografia no Brasil, na América Latina, nos Estados Unidos e na Europa, e em paralelo à sua produção artística, se estabelecia como um premiado fotógrafo de publicidade. Em 1966, ano em que transfere seu estúdio para um prédio maior e mais adequado à escala de suas produções comerciais, realiza a segunda exposição individual de sua carreira, na Galeria São Luís, em São Paulo. A Galeria São Luís, que abrigou exposições de importantes artistas brasileiros como Tomie Ohtake, Mira Schendel e Flávio de Carvalho, foi fundada em 1959 pelo empresário e colecionador Ernesto Wolf (1918-2003) e dirigida por Anna Maria Fiocca (1913-1994), antiga proprietária da Galeria Domus. Naquela ocasião, Lorca apresentou fotografias realizadas desde os anos 1950, em que registrava paisagens, retratos e cenas do cotidiano, explorando a geometrização de suas composições de maneira mais sutil. O fotógrafo também experimentava com cenas em movimento, ressaltando os aspectos plásticos da imagem desfocada, como em “Aeroporto 61” (1961), exibida no ano anterior na VIII Bienal Internacional de São Paulo. A versão original do cartaz da mostra de 1966, reeditado a partir da intervenção de J. Henrique Lorca para a atual exposição na Galeria Marcelo Guarnieri em 2023, é de autoria do designer Alexandre Wollner.

Em outubro de 2014, durante um período em que precisou ficar recluso em sua residência por ordens médicas devido a problemas de saúde, German Lorca dedicou-se ao estudo das formas das sombras causadas pela luz do sol em interação com estruturas, ambientes e objetos que o rodeavam. Naquela ocasião, acompanhado de sua Leica M9 Digital, Lorca registrou as 24 imagens que formam o ensaio fotográfico que ele denominou de “Geometria das Sombras”, impresso em 2015 pelo processo giclée com pigmento Ultrachrome em papel de algodão Hahnemühle Photo Rag Baryta. Esta é a primeira vez que o ensaio, sua última produção em vida, é exibido integralmente.

Sua obra integra importantes coleções ao redor do mundo como Museu de Arte de São Paulo (MASP), Pinacoteca do Estado (São Paulo), Museu de Arte Moderna de São Paulo, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC USP), MoMA (New York), Cisneros Fontanals Art Foundation (Miami) e Itaú Cultural (São Paulo).