Um Escultor de Significados.

05/maio

O CCBB, Centro Cultural Banco do Brasil, Belo Horizonte, MG, apresenta até  dia 02 de junho, sob a curadoria de  Lilia Moritz Schwarcz a exposição individual de esculturas “Flávio Cerqueira: Um Escultor de Significados” que reúne 40 obras produzidas ao longo dos últimos 15 anos. Em itinerância em quatro espaços do Centro Cultural Banco do Brasil, a mostra passou por São Paulo e seguirá para Brasília (de 24 de junho a 24 de agosto) e no Rio de Janeiro (de 22 de outubro a 26 de janeiro de 2026).

“Eu penso a escultura como o instante pausado de um filme.”

Flávio Cerqueira

“Meu fazer artístico é o processo de transformação pelo qual passa cada material até se tornar uma escultura: a cera de abelha misturada com óleos e um pó de barro peneirado que transformo em platina e que, modelada por minhas mãos, se torna uma figura. As misturas das ligas metálicas como cobre, estanho, chumbo, zinco, ferro e fósforo derretidos a mais de mil graus centígrados que, despejadas em um bloco de areia com dióxido de carbono, eternizam essas formas modeladas em um dos mais nobres materiais da escultura, o bronze”, diz o artista.

Os questionamentos acerca da individualidade e da coletividade são centrais na produção de Flávio Cerqueira. As figuras retratadas, embora ficcionais e em escalas distorcidas, resguardam níveis de reconhecibilidade com a realidade, acentuando a dinâmica empática que suas narrativas propõem. Desse modo, ressalta denúncias sobre a violência exercida sobre pessoas negras, das suas forças de vilanização à autodestruição e transforma cenas do cotidiano em esculturas de bronze que capturam experiências e questões negras. O artista subverte a história do material que utiliza e, com uma perspectiva decolonial, emprega o bronze – tradicionalmente associado a representações de corpos brancos – em contextos humanizados. Como fotografias, Flávio Cerqueira registra no metal instantes do dia a dia de pessoas negras, nos momentos de lazer, mas também em gestos que evocam Resistência, Memória e Identidade.

Flávio Cerqueira nasceu em São Paulo, SP, 1983. O artista tem passagens por importantes instituições no Brasil e no exterior. Suas obras integram acervos de destaque, como o MASP, MAC-USP, Museu de Arte do Rio, Museu Afro Brasil, Museu Oscar Niemeyer, Museu Nacional da República, Pinacoteca do Estado de São Paulo, Instituto Inhotim, Instituto Itaú Cultural e Instituto Moreira Salles. No cenário internacional, está presente na coleção da Universidade de Missouri Kansas City (UMKC) e participou de mostras na National Gallery of Art, LACMA e The Museum of Fine Arts Houston. Suas exposições e projetos também passaram por centros culturais e galerias como o CCBB, Santander Cultural, National Gallery of Washington e Goodman Gallery.

Iole de Freitas lança livro no Paço Imperial.

Neste sábado, dia 10 de maio, às 15h30, será lançado o livro da exposição “Fazer o Ar”, da artista Iole de Freitas, na Sala dos Archeiros, no Paço Imperial, Centro, Rio de Janeiro, RJ. Para marcar o lançamento, será realizada, às 16h30, uma conversa gratuita e aberta ao público com a artista, o curador e poeta Eucanaã Ferraz e o artista visual e poeta João Bandeira, que assinam textos inéditos no livro. A mostra foi prorrogada e poderá ser visitada até o dia 18 de maio.

Com 120 páginas, o livro, organizado por Eucanaã Ferraz e Rara Dias, traz imagens inéditas da exposição, em um ensaio fotográfico feito por Vicente de Mello, e também fotos de Ricardo Miyada, Maria Camargo, Sérgio Zalis, Jaime Acioli, Iole de Freitas e Helena Makun. Além de textos do curador e poeta Eucanaã Ferraz e do artista visual e poeta João Bandeira, a publicação também terá a transcrição de uma conversa inédita entre eles e Iole de Freitas, realizada no ateliê da artista. No Paço Imperial, o livro será vendido pelo valor promocional de R$ 90,00 e após o lançamento estará disponível na livraria Blooks.

Lançamento do Catálogo Casa Própria.

O Paço Imperial, Centro, Rio de Janeiro, RJ, apresenta no dia 08 de maio o lançamento do catálogo Casa Própria, da artista Ana Hortides.  Mais do que um simples registro visual, a publicação oferece um levantamento crítico sobre a obra de Ana Hortides, aprofundando-se nas questões materiais e simbólicas que permeiam sua produção artística. Com contribuições dos curadores Daniela Avellar, Lucas Albuquerque e Renato Menezes, o catálogo traz ensaios que discutem a relevância da pesquisa de Ana Hortides no contexto da arte contemporânea brasileira. Além disso, uma entrevista exclusiva de Pollyana Quintella com a artista oferece uma visão íntima de seu processo criativo e de sua trajetória.

Questões do feminino e da natureza.

30/abr

Os caminhos trilhados por Sandra Felzen perpassam as questões femininas, as causas ambientais e suas várias vivências culturais. Seus instrumentos são a arte, a natureza, o estudo da língua hebraica, tudo imerso no contexto da cultura brasileira.

Em “O Tempo, O Feminino, A Palavra”, que abre no dia 08 de maio, na Galeria do Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto, Humaitá, Rio de Janeiro, RJ, a artista constrói artesanalmente um caderno, um útero e inúmeros potes, feitos a partir de tiras de vários tecidos afetivos que coletou ao longo da vida.  O conteúdo do caderno mostra os desdobramentos de sua trajetória artística, suas reflexões sobre a passagem do tempo, sobre o feminino e sua conexão com a Natureza, representada pela árvore. Ela ressalta a importância da palavra como geradora de conteúdos e de sentidos.

Para a artista, a árvore possui uma grande ligação com o feminino. Além da palavra ser feminina em português, ela simboliza o equilíbrio. Ela é o elo entre a terra e o céu. Enraizada, com uma potencialidade de crescimento, doa flores e gera frutos. É a Árvore da Vida.  Árvore da Vida é um conceito na cultura judaica que significa tanto sabedoria como a integralidade do Ser e todas as suas manifestações. As obras de Sandra Felzen contam histórias dos saberes ancestrais e revelam uma visão integrada da experiência humana. Reforçam a ideia de que arte, memória e natureza estão entrelaçadas em um diálogo contínuo com a vida. Esses temas se estendem do caderno, do útero e dos potes até às paredes da galeria, onde suas pinturas se apresentam. Nas telas, a artista se aprofunda nas nuances da cor, da composição e das texturas.

A palavra da artista.

“Meus temas principais, o Feminino e a Árvore, estão entrelaçados e dialogam entre si. Na verdade, são um grande tema único. Ao longo da minha carreira, pintei Umbuzeiros, Umburanas, Bacuris, Bambus, Monjolos, Carnaúbas, Veredas. As árvores representam nossas raízes, que nos dão sustentação. Elas nos fincam na história, em nossas ancestralidades. Ao mesmo tempo, nos dão o sentido de direção e nos remetem às alturas”.

Outros dois temas recorrentes em seu trabalho, inter-relacionados com o todo de sua obra e retratados nas páginas do caderno são os receptáculos (o útero, inclusive) e as janelas/espelhos, que são, segundo a artista, “Portais no Tempo e no Espaço”.

 Sobre a artista. Sandra Felzen

Carioca, Sandra Felzen graduou-se em Química com Mestrado em Ciências Ambientais. Iniciou seus estudos de pintura e desenho durante os anos 1980 em Nova York. Participou de vários cursos na Escola de Artes Visuais do Parque Lage e MAM, no Rio, entre o final dos anos 1980 e início dos anos 1990. Realizou várias exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior ao longo dos 40 anos dedicados à arte.

Até 29 de junho.

A fotografia espanhola nos tempos da Movida.

29/abr

O Instituto Cervantes, Botafogo, Rio de Janeiro, RJ,  apresenta até 30 de maio uma exposição com cerca de 40 registros inéditos no Brasil, sob curadoria de Pablo Sycet.

“A fotografia espanhola nos tempos da Movida”, faz um pequeno recorte do movimento contracultural que surgiu em Madrid, Espanha, nos anos 1970. Entre os registros destacados pelo curador estão: Pedro Almodóvar posando no estúdio do fotógrafo Paco Navarro para uma matéria promocional do filme “Mulheres à beira de um ataque de nervos” (1988); a pintora  surrealista Maruja Mallo, egressa do exílio, retratada por Jaime Gorospe; Andy Warhol, clicado por Antonio Zafra em janeiro de 1983, quando expôs na Galería Fernando Vijande; Javier Porto, famoso por cobrir a noite madrilenha nos anos 1980, pela foto de Pedro Almodóvar & McNamara feita na sala Rock-Ola de Madrid, onde grupos musicais de vanguarda se apresentavam em concerto.

Mesmo sendo uma exposição sobre a fotografia gerada pela disruptiva Movida Madrilenha e, portanto, centrada em seus protagonistas (tanto de um lado da câmera quanto do outro), “A fotografia espanhola nos tempos da Movida” tem como proposta ir além e reunir a obra de outros fotógrafos madrilenhos que coexistiram na mesma época com esse fenômeno social e artístico, mas que não tiveram conexão com ele por razões geracionais ou simplesmente de enfoque e temáticas. Assim, não apenas se enriquece a visão de conjunto daqueles anos, mas também se estabelece um diálogo entre os que viveram de perto a noite madrilena e seus desafios, convertendo-a em matéria-prima de seu trabalho, e aqueles que deram as costas a esse movimento urbano para se concentrar em outros temas.

“De fato, embora a existência da Movida possa ser discutida até à exaustão, embora possa ser negada de um extremo ou de outro, é perfeitamente verificável que naqueles anos houve uma mudança muito importante – radical, poderíamos dizer – no tecido social e cultural de Madrid, e de algumas outras das nossas cidades, e que sem dúvida esse entusiasmo e os traços de uma nova cultura urbana vieram das suas mãos, com a fotografia como uma disciplina então emergente mas predestinada a ocupar um lugar de destaque, não só pela consolidação que a sua entrada massiva representou nas galerias e nos museus, mas também porque se encarregou de documentar todas as mudanças que ocorriam porque era, de todas as disciplinas artísticas, a que estava mais sintonizada com o pulsar das ruas”, avalia o curador Pablo Sycet. Além disso, uma vez que a proliferação de uma nova imprensa, alternativa e muito vinculada aos interesses da Movida, mudou totalmente a correlação de forças entre os meios, e essas novas publicações alternativas se voltaram para opções mais visuais, com muita presença de imagens captadas por esses fotógrafos que atuavam como cronistas da Movida, a exposição é complementada com uma ampla seleção dessas publicações para explicitar o papel do papel – e do trabalho analógico, por sua vez – e poder mostrar os pequenos tesouros sem os quais não teria sido possível o mundo hoje conhecido: Terry, Hélice, Madriz, Kaka de Luxe, La Luna de Madrid, Rockocó, Estricnina, Man, Total, Nigth, Dezine, Sur Exprés, que tiveram uma vida mais efêmera e que, justamente por essa circunstância, acabam por se unir no tempo com o imediato lambe-lambe de cartazes de rua da época, também representado nesta mostra pela notável presença fotográfica nesses cartazes que agora retornam para encontrar seu lugar em nossa memória e diante de nossos olhos. É, portanto, um caleidoscópio de imagens raras que suspenderam no tempo uma época fascinante.

Participam da mostra os fotógrafos Colita, Marisa González, Mariví Ibarrola, Ouka Lele, Teresa Nieto, Alberto García Alix, Alberto Sánchez Laveria, Alejandro Cabrera, Antonio Zafra, Cesar Lucas, Ciuco Gutiérrez, Domingo J. Casas, Eduardo Momeñe, Gorka de Duo, Jaime Gorospe, Jaime Travezan, Javier Campano, Javier Porto, Javier Vallhonrat, Jesús Ugalde, Martin Sampedro, Miguel Oriola, Miguel Trillo, Nine Mínguez, Pablo Juliá, Paco Navarro, Paco Rubio, Pedro Guerrero, Ramón Gato.

A obra de Ivens Machado na França.

25/abr

A primeira exposição institucional da obra de Ivens Machado na França será inaugurada no dia 30 de abril, no Carré d’Art – Musée d’Art Contemporain em Nîmes, apresentando uma visão panorâmica do corpo de trabalho do falecido artista.

Com curadoria de Jean-Marc Prévost, a mostra reúne esculturas, vídeos e fotografias, revelando as dimensões eróticas de sua obra, bem como as características violentas e transgressoras que atravessam seus temas e materiais. Despertando paralelos formais e conceituais entre os procedimentos do artista e o contexto sócio-histórico do Brasil nos anos 1970, a exposição faz uma introdução substancial de Ivens Machado para o público francês.

A exposição “Ivens Machado” integra a programação da Temporada França-Brasil 2025, realizada pelos Ministérios das Relações Exteriores e da Cultura do Brasil e da França.

Até 05 de outubro.

Diálogo e conexões formais.

“Mirage”, exposição individual de Marina Rheingantz no Musée des Beaux-Arts, abrirá na próxima semana em Nîmes, França.

A mostra estabelece um diálogo entre os trabalhos de Marina Rheingantz e obras históricas da coleção permanente do museu, revelando conexões formais e simbólicas entre a abstração paisagística da artista e diversos períodos e gêneros da História da Arte.

Com curadoria de Barbara Gouget, “Mirage” integra a programação da Temporada Brasil-França 2025, realizada pelos Ministérios das Relações Exteriores e da Cultura do Brasil e da França.

Até 05 de outubro.

Diferentes fases de Elizabeth Jobim.

24/abr

A Casa Roberto Marinho, inaugura duas exposições dedicadas à obra de Elizabeth Jobim: “A inconstância da forma” e “Entre olhares – Encontros com a Coleção Roberto Marinho”. A ocupação dos dois andares do instituto cultural marca as quatro décadas de carreira da artista carioca, apresentando as diferentes fases de sua produção e traçando relações visuais entre suas obras.

“No térreo, Elizabeth Jobim estabelece um diálogo único com o nosso acervo. Assim, seguimos com a tradição das exposições individuais contemporâneas do Cosme Velho, que promovem não apenas a exibição de trabalhos, mas novas leituras e interações entre passado e presente”, diz Lauro Cavalcanti, o diretor da Casa Roberto Marinho.

No andar superior, a curadoria de Paulo Venancio Filho opta por uma mostra panorâmica com mais de 50 desenhos e pinturas, revelando como, ao longo dos anos, a pesquisa artística de Elizabeth Jobim evoluiu de forma pendular, em constante relação com sua própria trajetória.

A palavra da artista

“As exposições pontuam os principais momentos do meu percurso. Com o Paulo, decidimos incluir trabalhos do início da minha carreira que há tempos não eram expostos. Já na seleção para o térreo, em que faço a curadoria a partir do acervo da Casa Roberto Marinho, entram artistas cujas obras dialogam diretamente com a minha produção”.

Reconhecida como um dos principais nomes da arte contemporânea brasileira, Elizabeth Jobim integrou a icônica exposição Como vai você, Geração 80?, realizada no Parque Lage em 1984. Agora, ao ocupar os espaços da Casa Roberto Marinho, revisita sua obra marcada pela interseção entre pintura, escultura e instalação.

O Instituto Casa Roberto Marinho fica na Rua Cosme Velho, nº 1105, Rio de Janeiro.

Playground aberto.

23/abr

Pela primeira vez no Brasil, “O Outro, Eu e os Outros” propõe uma reflexão sobre o papel do indivíduo no coletivo e no espaço público. A instalação interativa Iván Argote: O Outro, Eu e os Outros ocupa o vão livre do MASP-Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, Avenida Paulista, até 10 de agosto. Esta é a primeira exposição realizada pelo museu no vão livre após a concessão do espaço para o MASP.

O vão livre de 74 metros de extensão foi projetado pela arquiteta Lina Bo Bardi como uma praça cívica, um local de encontro e convivência destinado a manifestações culturais diversas, como dança, teatro, música e circo, além de exposições interativas e didáticas. O trabalho de Iván Argote (Bogotá, Colômbia, 1983) reforça a vocação do espaço ao propor uma instalação interativa composta por duas plataformas móveis dispostas nas extremidades do vão, transformando-o em um campo de experimentação sensorial e social.

A obra funciona como uma grande gangorra que se inclina conforme o deslocamento dos visitantes, refletindo as dinâmicas de equilíbrio e movimento coletivo. Quando uma única pessoa se move, o equilíbrio se mantém quase inalterado; no entanto, a ação coletiva pode redefinir completamente a inclinação da plataforma, que pende para um lado ou para o outro. A situação mais complexa ocorre quando os participantes distribuem seu peso de maneira equilibrada, alcançando um estado de estabilidade.

Com curadoria de Adriano Pedrosa, diretor artístico do MASP, e assistência de Matheus de Andrade, assistente curatorial, a instalação propõe novas leituras sobre espaços públicos, intervenções urbanas e estruturas de poder. As gangorras de Iván Argote desafiam monumentos – símbolos da memória coletiva e da História – ao transformar o espaço público em um playground aberto: um local de encontro que incentiva a convivência, o diálogo e a interação dentro da comunidade.

“É um momento histórico do museu. O projeto de Lina Bo Bardi prevê como uma de suas características centrais a confluência entre o espaço museológico e o vão livre. O trabalho de Argote dialoga com o pensamento de Lina e sugere uma metáfora para a relação entre indivíduo e sociedade, evidenciando o poder da colaboração para provocar mudanças. Ao aliar ludicidade e reflexão, o artista convida o público a repensar suas interações no espaço urbano e na vida em comunidade. Uma obra muito adequada para essa nova fase do MASP”, afirma Matheus de Andrade.

O trabalho agora encontra-se no Brasil, após ser exposto na Bienal de Lyon, na França, em 2024; em Riade, na Arábia Saudita, em 2023; e no Centquatre de Paris, em 2017. Reformuladas para se adequar ao vão livre do MASP, as gangorras têm 15 metros de comprimento, cinco metros de largura e dois de altura. A obra poderá ser vista por quem passar pela Avenida Paulista a qualquer momento, e acessada pelos visitantes todos os dias, das 10h às 22h.

Sobre o artista.

Iván Argote nasceu em 1983, em Bogotá, Colômbia, e está radicado em Paris. Artista e cineasta, realiza filmes, fotografias, esculturas e performances, além de instalações de grandes dimensões, muitas vezes construídas para espaços públicos. Seus trabalhos problematizam as relações do homem contemporâneo com as estruturas de poder, os sistemas de crenças e os espaços urbanos. Em 2024, participou da 60ª Bienal de Veneza e instalou uma escultura no High Line de Nova York, além de ter realizado exposições individuais em Copenhague, Dallas, Berlim e Ardez, na Suíça.

Obra em contínua reinvenção.

17/abr

Uma trajetória artística marcada por transformações, em que se misturam ironia, política, crítica de arte e memória, é tema de uma exposição no Itaú Cultural (IC), em São Paulo. A mostra Carlos Zilio: uma retrospectiva de 60 anos de criação – A querela do Brasil oferece uma visão panorâmica do artista visual e professor Carlos Zilio. A exposição segue até 06 de julho.

Com curadoria de Paulo Miyada, são apresentadas cerca de cem obras, entre pinturas, objetos e instalações, criadas entre 1966 e 2023, abrangendo todas as fases do trabalho do artista: sua militância contra a ditadura civil-militar de 1964, que o levaria à prisão; sua tese de doutorado, intitulada A querela do Brasil – a questão da identidade da arte brasileira, feita no exílio; seu retorno ao Brasil, quando passa a se dedicar ao ensino; e sua experimentação com a forma e a geometria, a abstração e a subjetividade.

Como disse Pualo Miyada ao Itaú Cultural, é “uma trajetória de muitas vidas”. Carlos Zilio estudou pintura com Iberê Camargo, no começo da década de 1960, período em que integrou mostras importantes como Opinião 66 e Nova Objetividade Brasileira. Em 1975, após produzir obras com o objetivo de promover agitação política e conscientização social e ter se envolvido com a luta armada, é preso. No cárcere, com recursos limitados, cria desenhos. Pouco depois de ser solto, exila-se. De volta ao Brasil, também se dedica ao ensino.