Uma linguagem em constante deslocamento.

07/out

Em cartaz no Museu de Arte de Blumenau, SC, a exposição “Paisagem como linguagem: entre espaço, imagem e experiência” está aberta para visitação até o dia 1º de novembro. A artista plástica gaúcha radicada na Itália Cristie Boff foi uma das escolhas da curadora Ana Zavadil para participar da mostra coletiva.

A paisagem nessa exposição, não se apresenta como cenário, ou pano de fundo, mas como uma linguagem em constante deslocamento. Ela emerge entre o que é visto e o que é vivido, entre o espaço que se habita, a imagem que se constrói e a experiência que se partilha. 

A paisagem é abordada não como motivo iconográfico, ou referência geográfica, mas como linguagem transversal, que atravessa práticas, materiais e modos de percepção. Mais do que representar o mundo, as obras operam a paisagem como campo expandido, em que o espaço, a imagem e a experimentação se articulam de forma indissociável, pois, no campo expandido, as categorias tradicionais deixam de ser fixas e passam a operar como relações. A exposição reúne obras que abordam a paisagem como linguagem e experiência, articulando espaço, imagem, corpo e signo e convida o público a experimentar a paisagem como condição compartilhada e em permanente transformação.

Artistas participantes.

Andréa Brächer, Alexandra Eckert, Cátia Usevicius, Cleci A. Serpa, Cristie Boff, Edson Possamai, Esther Bianco (in memorian), Fátima Pinto, Isa Dóris Teixeira de Macedo, Isabel Ferreira, Isabel Marroni, Ivone Rabelo, Jane Maria, Jussara Moreira, Kika Costa, Lisi Wendel, Mara Castilhos, Mari Sangoi, Márcia Marostega, Maria Cristina, Mariza Vedana, Mary Marodin, Mhel Gabbardo, Mylène d’Huyer, Paulo Abenzrragh, Rita da Rosa, Selir Straliotto, Tina Dumoncel e Virginia Ghiggi.

Diferentes possibilidades de sugerir movimento.

06/out

A xilogravura “Procura do Branco” (1966),  de Vera Chaves Barcellos, integra o material educativo da exposição coletiva “Uma Força Estranha”, em cartaz na Sala dos Pomares, na Fundação Vera Chaves Barcellos, em Viamão, RS. Na xilogravura, o contraste cromático entre as linhas verdes e as manchas laranjas sobre o fundo preto e branco, carregam a potência da obra. Criam uma sensação de movimento, como se as formas lutassem para ocupar o mesmo espaço.

Como obras relacionadas, os trabalhos de Lily Hwa e Suely Anna Kelling também exploram diferentes possibilidades de sugerir movimento em um quadro. Na gravura de Lily Hwa, o contraste entre o fundo acinzentado e as linhas escuras cria profundidade. Já na pintura de Suely Anna Kelling, formas ovaladas e traços vermelhos em meio a um vórtice azul-escuro, produzem uma movimentação orgânica e fluida.

O material educativo foi desenvolvido pelas equipes do Programa Educativo, Margarita Kremer e Ethiene Nachtigall, e do Centro de Documentação e Pesquisa da Fundação Vera Chaves Barcellos, por Yuri Flores Machado e João Lizardo. A partir dos três vetores de aproximação propostos por Ana Albani de Carvalho – natureza, corpo e geometrias instáveis -, o conteúdo reúne sete fichas com propostas de atividades relacionadas a 16 obras da exposição, além de reflexões sobre os trabalhos das artistas e sugestões de conteúdos audiovisuais e literários, voltadas a professores e educadores.

A individual institucional de Chico da Silva.

A Galatea tem o prazer de compartilhar a nova individual do artista Chico da Silva (Cruzeiro do Sul, Acre, 1910 – Fortaleza, 1985) And the soul is for the birds (E a alma é para os pássaros) no Nottingham Contemporary, em Nottingham, Reino Unido.

Essa é a primeira exposição individual institucional europeia do artista acreano conhecido por suas composições imaginativas, inspiradas nas tradições orais do Norte do Brasil, no folclore, nas narrativas indígenas, marcadas pelo uso de cores intensas e traços intrincados.

Reunindo obras fundamentais de diferentes momentos de sua trajetória, a mostra apresenta uma ampla seleção de pinturas que percorrem o universo visual singular de Chico da Silva – de cenas oceânicas a vastos mundos cósmicos, onde criaturas marinhas flutuam pelo espaço e seres híbridos se encontram.

A exposição, que contou com a colaboração da galeria Mendes Wood DM, convida o público a reconsiderar o legado de Chico da Silva e abre novas possibilidades de encontro com a arte indígena contemporânea brasileira em contexto internacional.

Um diálogo transgeracional.

A aproximação entre Abraham Palatnik (Natal, 1928 – Rio de Janeiro, 2020) e Juan Parada (Curitiba, 1978) em exposição (Reverbero, Resonance) na Simões de Assis, Curitiba, PR, exibe um encontro entre os artistas que converge em um diálogo transgeracional que investiga cinetismo, luz e matéria.

Os rumos da história da arte foram recalculados pela presença de Abraham Palatnik, ao lado de Jesús Rafael Soto e Carlos Cruz-Diez. O grupo ocupa um lugar fundamental e fundador na arte cinética latino-americana ao potencializar o artesanal e a utilização de suportes pouco convencionais nas artes visuais. Os aparelhos cinecromáticos de Palatnik – estruturas de motores e luzes – obtiveram grande reconhecimento, tendo inclusive participado da primeira Bienal de São Paulo, em 1951, com menção especial do júri internacional. 

Diante da amplitude de sua dimensão matérica, Abraham Palatnik também realizou obras que dispensam a utilização de dispositivos eletrônicos e simulam o movimento na projeção de camadas e sombras. 

Há um diálogo com a poética de Juan Parada, que desenvolve sua pesquisa em cerâmica e escultura há mais de duas décadas. Ao longo de sua trajetória de pesquisa, afinou seu conhecimento técnico, como quando em 2016, realizou uma residência artística no Jingdezhen International Studio na China e posteriormente na Holanda, em 2022, no European Ceramic Workcentre em Oisterwijk. Os artistas apresentam uma dinâmica visual em ressonância, em um ritmo progressivo da forma na criação de relevos e volumetria, evidenciando a destreza técnica somada a reinvenção da linguagem.

Em Abraham Palatnik e Juan Parada nenhum processo e sistema pode ser descrito por relações lineares de causa e efeito, são atuantes e habitam o território do devir e da variabilidade. Ambos constroem sistemas completos/complexos em produção de sentido. A matemática e a precisão constroem sistemas virtuais, mas é na matéria que nos deparamos com a dimensão física e temporal dos artistas, desvelando seus desvios.

Até 17 de outubro. 

Individual de Ana Calzavara no Rio de Janeiro.

05/out

Artista paulista apresenta trabalhos inéditos criados durante uma intensa temporada de trabalho em Lisboa. Em “Desenredo”, pinturas convidam a uma renovação do olhar diante de um mundo saturado de imagens. 

Como fazer uma imagem persistir em meio ao turbilhão visual do mundo contemporâneo? Como devolver duração a uma imagem em uma cultura com excesso de estímulos visuais? É a partir dessas questões que Ana Calzavara constrói “Desenredo”, sua segunda exposição individual na Maneco Müller : Multiplo Galeria, Leblon. 

A série inédita de pinturas a óleo aprofunda a investigação poética da artista sobre a experiência do olhar e a forma como apreendemos as imagens em um cotidiano atravessado por telas e fluxos incessantes de informação. Partindo dessa fragmentação, as pinturas de Ana Calzavara buscam justamente o contrário: captar do espectador um olhar mais duradouro e concentrado, no qual a atenção seja, de alguma forma, recuperada.

O texto crítico da mostra é de Pedro Duarte.

Segundo a artista, o nome da exposição, “Desenredo”, remete a esse embaralhamento do olhar, a uma narrativa que explodiu, se despedaçou e não é mais linear. “A exposição traz essa experiência da fragmentação, mas numa tentativa de subvertê-la. Quero provocar o espectador para olhar o mundo de uma forma diferente da que estamos acostumados. A exposição nasce do desejo de renovar a experiência do espectador com a imagem, de fazer com que essa imagem se relacione com ele de uma forma mais persistente, que não seja descartada, que traga uma reflexão”, explica a artista.

Mostra abre no dia 08 de outubro e pode ser visitada até 21 de novembro.

Em diálogo com a arquitetura otomana.

Artista brasileiro ocupa cisterna bizantina de 500 anos com exposição em Istambul. Em sua primeira exposição individual na Turquia, Alex Červený reúne mais de 30 obras em um complexo otomano de 500 anos, incluindo uma cisterna bizantina. Articuladas pelo espaço como um códice, as obras dialogam diretamente com a arquitetura otomana.

Durante a Semana de Arte de Istambul, realizada entre 23 e 27 de setembro, o artista brasileiro Alex Červený apresentou sua primeira exposição individual na Turquia. Intitulada Atlas of Encounters (em tradução livre, Atlas de Encontros), a mostra ocupou o Zeyrek Çinili Hamam, histórico complexo de banho turco e museu com cerca de 500 anos, projetado por Mimar Sinan, considerado o principal arquiteto do Império Otomano. A exposição reúne mais de 30 obras e permanece em cartaz até 31 de janeiro de 2027.

Instalada também na cisterna bizantina sob o hamam do século XVI, a exposição reúne trabalhos apresentados pela primeira vez, incluindo obras recém-encomendadas e peças desenvolvidas a partir da primeira visita do artista a Istambul. A arquitetura do edifício não funciona apenas como cenário: é parte fundamental da experiência proposta pela mostra.

O sonho é um vasto território.

01/out

Para a Art Basel Paris 2026 entre 23 e 25 de outubro,  no Grand Palais, A Gentil Carioca (Stand A4) apresentará o tema “Sonhos e Pesadelos”. O sonho é um vasto território, onde as formas se expandem livremente e a lógica da vida cotidiana se dissolve. Sonhar não é uma fuga, mas a construção de mundos nos quais escolhemos acreditar. mundos que podem, às vezes, se transformar nos pesadelos de nossas próprias construções. Buscamos apresentar obras em que o sonho assume múltiplas formas e escalas, tornando-se uma matéria política e um confronto para imaginar outras formas de viver, recusando o que está dado e persistindo na luta.

Objetos simbólicos do cotidiano.

Em sua primeira exposição individual, “Uma certa memória”, sob curadoria de Vanda Klabin, na Artur Fidalgo galeria, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ, Emika Takaki apresenta uma série de pinturas recentes que transitam por objetos simbólicos do cotidiano. Suas telas funcionam como potentes metáforas visuais em torno do silêncio, da ancestralidade e da diáspora nipo-brasileira.

Através de rigorosos campos monocromáticos e do uso de cores escassas, o trabalho de Emika Takaki transforma o ato de olhar em um espaço de contemplação e encontro profundo entre o passado e o presente, a nostalgia e o esquecimento.

Até 30 de outubro.

Dialogar com diferentes formas de perceber o mundo.

30/set

Novo episódio de Depois que Tudo Foi Dito, com Josi, estreou no Arte 1. O Arte1 exibiu o terceiro episódio da série “Depois que Tudo Foi Dito”, realizada pelo MAM São Paulo a partir do 39º Panorama da Arte Brasileira: “Depois que tudo foi dito”. O episódio tem como protagonista a artista Josi.

No episódio, Josi fala sobre sua trajetória e sobre uma prática artística atravessada por memórias de Carbonita, Caeté e do Vale do Jequitinhonha, por saberes populares e por experiências vividas durante uma residência artística no Benim. A artista compartilha seus processos com tintas naturais, preparadas a partir de materiais como feijão-preto, pequi, jenipapo, jurubeba, cascas de árvores, terras e pigmentos minerais, e conta como essas matérias vivas se transformam e participam da construção das obras.

Estruturada em episódios dedicados a artistas, curadoria e público, a série busca ampliar o conhecimento sobre o Panorama da Arte Brasileira e apresenta diferentes perspectivas sobre a exposição. As conversas aproximam as obras das trajetórias de seus criadores, do processo curatorial e das experiências dos visitantes, mostrando como a arte pode dialogar com questões presentes no cotidiano e com diferentes formas de perceber o mundo.

O 39º Panorama da Arte Brasileira: “Depois que tudo foi dito”.

Com curadoria de Diane Lima e gerência de projetos de curadoria de Giovanna Querido, o 39º Panorama da Arte Brasileira: “Depois que tudo foi dito” reúne 33 artistas de 11 estados brasileiros, representando todas as regiões do país e aproximando diferentes gerações, linguagens, materialidades e modos de fazer. A exposição parte de uma reflexão sobre o que pode existir para além dos limites já estabelecidos da representação, da linguagem e da própria ideia de arte brasileira.

Panorama da Arte Brasileira.

Realizado desde 1969, o Panorama da Arte Brasileira acompanha há mais de cinco décadas as transformações da produção artística no país e ocupa um lugar fundamental na trajetória do MAM e na História da Arte Brasileira. Ao longo de suas edições, consolidou-se como uma das principais plataformas de reflexão, experimentação e discussão sobre a arte produzida no Brasil.

“Depois que Tudo Foi Dito” é uma realização do Museu de Arte Moderna de São Paulo, com exibição pelo Arte1 por meio de parceria entre as instituições. A concepção e coordenação do projeto são de Ane Tavares; a direção e edição de vídeo são de Marina Paixão; o roteiro é assinado por Ane Tavares e Juliana Pithon; e a trilha sonora é de David Menezes.

Presença de Brumadinho no mapa internacional.

29/set

O colecionador Bernardo Paz prepara novo museu de arte contemporânea em Brumadinho. Idealizador do Inhotim, MG, Bernardo Paz avança em um novo projeto cultural que deve ampliar ainda mais a presença de Brumadinho no mapa internacional da arte contemporânea.

O empreendimento vem sendo noticiado como um novo museu a céu aberto, localizado nas proximidades do Inhotim, instituição que Bernardo Paz começou a idealizar nos anos 1980 e que abriu ao público em 2006. Segundo informações publicadas pela imprensa, o espaço circula com nomes provisórios como Instituto Bernardo Paz e Museu das Árvores. A proposta mantém diálogo com uma das marcas mais reconhecidas da trajetória de Bernardo Paz: a aproximação entre arte, paisagem, arquitetura e natureza em escala monumental.

Bernardo Paz amplia legado cultural em Brumadinho.

As reportagens indicam que o novo projeto já teria recebido investimentos expressivos, com paisagismo em andamento, plantio de milhares de árvores e a previsão de pavilhões distribuídos em uma área cercada por mata. Também foi noticiado que o acervo reunido para o espaço pode chegar a cerca de 3 mil obras de arte contemporânea. Entre os nomes mencionados nas matérias estão artistas como Anna Maria Maiolino, Sonia Gomes e Michael Heizer. A imprensa também aponta negociações envolvendo outros artistas internacionais, em sintonia com a proposta de criar um espaço voltado à produção contemporânea em diálogo com território, memória, matéria e experiência.

Nos últimos anos, Bernardo Paz também protagonizou um movimento decisivo para a institucionalização do Inhotim, ao transferir de forma definitiva obras, galerias e parte significativa da estrutura do instituto para uma governança voltada à perenidade da instituição. Essa passagem consolidou o caráter público de um projeto que nasceu de uma coleção privada e se tornou referência cultural brasileira. 

Mais do que a criação de um novo espaço expositivo, a iniciativa aponta para a continuidade de uma visão cultural de longo prazo: produzir experiências em que arte e natureza não funcionam como cenários separados, mas como partes de uma mesma paisagem sensível, pública e transformadora.