Matéria disponível à transformação.

16/jul

Chama-se “Vertido” a exposição individual de pinturas de Pedro Varela apresentada na Galeria Murilo Castro, Belo Horizonte, MG. A curadoria e o texto de apresentação traz a assinatura de Shannon Botelho.

Vertido

A água não conserva as coisas, ela as transforma. Abaixo da superfície, o tempo adquire outra espessura. Os contornos se deslocam, as cores se alteram, as distâncias já não obedecem à mesma medida. Nada permanece exatamente como era, mas tampouco desaparece. Em Vertido, Pedro Varela faz da pintura um ambiente de imersão, onde as imagens atravessam diferentes tempos e reaparecem continuamente, como se a própria matéria da tinta preservasse o movimento incessante das águas.

Vertido marca a primeira exposição individual do artista na galeria e reúne um conjunto de trabalhos que evidencia uma nova inflexão em sua pesquisa. Sem assumir o caráter de retrospectiva, dado que os trabalhos são recentes e realizados para estarem aqui, o que vemos remonta visualmente diferentes momentos de sua trajetória e faz coexistirem signos, procedimentos e materiais que atravessam mais de vinte anos de carreira. Trata-se de uma exposição que nos convida tanto ao reconhecimento quanto à descoberta, uma vez que as recorrências plásticas permanecem, como se fossem lentamente transformadas pela própria experiência da imersão.

Nas pinturas, a tinta diluída estabelece o ritmo da exposição. Ora ela se espalha em transparências que se aproximam da aquarela, ora concentra-se em espessura, tornando visível o tempo e o gesto do exercício contínuo da pintura. Em outras superfícies, papéis recortados compõem imagens que reafirmam este deslocamento temporal na trajetória de Pedro. As colagens, elas não interrompem a pintura do artista, antes prolongam seu fluxo, fazendo com que matéria e imagem compartilhem valores e desejos criativos. A escala dos trabalhos, por sua vez, amplia a experiência de imersão, pois convida o observador, como em um mergulho, a percorrer uma paisagem em que corpos, flores, arquiteturas, recifes de coral parecem emergir de uma mesma corrente.

Em Vertido, nada retorna exatamente ao lugar de onde partiu. A água, signo aqui tão presente, altera as formas. A memória, força que move e determina o desejo, reinventa as paisagens. E a pintura, linguagem central da pesquisa do artista, faz do tempo uma matéria sempre disponível à transformação. Em um lugar localizado entre o silêncio das profundezas e a pulsação do sangue que faz florescer a vida, Pedro Varela delimita um recorte de universo onde recordar não significa repetir, já que cada imagem é sempre uma possibilidade de reinvenção.

Shannon Botelho.

Sobre o artista.

Pedro Varela nasceu em Niterói, RJ, 1981. Vive e trabalha em Petrópolis, Rio de Janeiro. Atualmente o artista vem desenvolvendo séries de pinturas monocromáticas e desenhos multicoloridos. Tem trabalhos nas seguintes coleções: Coleção SESC (São Paulo-SP); Gilberto Chateaubriand/Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ); Montblanc México (Cidade do México); Sprint Nextel Art Collection, Overland Park. Entre suas principais exposições destacam-se: “Enredado”, exposição com Carolina Ponte no Kunsthal de Viborg, Dinamarca; “Trail with no end in sight”, Galeria Enrique Guerrero, México, 2019; “Tender Constructions”, (com Carolina Ponte), Cité Internationale des Arts, Gallery 4 and 5. Paris, França; “Crônicas tropicais”, MDM Gallery, Paris, 2015; “Tropical”, Galeria Enrique Guerrero, Mexico DF, 2014; “Dusk to dawn… Threads of infinity (com Carolina Ponte)”, Anima Gallery, Doha, Catar, 2014; “Pedro Varela”, Centre Culturel Jean-Cocteau, Les Lilas, 2014; “Pedro Varela”, Xippas, Montevidéu, 2013; “Le Brésil Rive Gauche”, Le Bon Marché Rive Gauche, Paris, 2013.

Até 29 de agosto.

Influência das matrizes culturais africanas.

A Danielian RJ, Gávea, apresenta “Izô” – exposição coletiva que reúne nove artistas brasileiros de diferentes gerações e origens para provocar uma percepção sensível sobre a influência das várias matrizes culturais africanas na produção artística brasileira contemporânea.

Com curadoria de Rafael Peixoto e Marcus Lontra, a mostra parte do vocábulo de origem bantu, izô, que representa a força essencial do fogo, como inspiração para colocar em diálogo obras de Ayrson Heráclito, Artur Barrio, Cipriano, Dionísio del Santo, Gonçalo Ivo, Jayme Figura, Lidia Lisbôa, Luiz Hermano, Mario Cravo Jr. além de um importante conjunto de ex-votos brasileiros.

A exposição conta ainda com comentários críticos complementares de Heitor Reis, importante curador e gestor cultural que esteve a frente do MAM da Bahia por mais de uma década e de Cipriano, artista e teórico no desenvolvimento de um pensamento brasileiro afro-referenciado.

Segundo os curadores, “O Brasil das misturas, das violências, dos encontros e dos embates possui estas histórias em suas raízes mais profundas. Em cidades como Salvador e Rio de Janeiro, esta presença é vivida no cotidiano das ruas, no falar, no vestir e no modo de estar em comunidade. Não à toa, essa ideia de África Mãe, que aparece como fonte de inspiração para vários tipos de expressão, esconde por debaixo dos véus da amálgama social brasileira o apagamento de origens e tradições, que sobrevivem subliminarmente metamorfoseadas principalmente nas manifestações de origem popular. Pensar a riqueza de visualidades africanas é tão complexo quanto pensar a multiplicidade de manifestações criativas no Brasil. Longe desta intenção, esta mostra mergulha na percepção de uma força que emerge no gesto e na ação humana de expressar-se através da arte. Fogo que arde de dentro pra fora”.

Até 19 de setembro. 

As transformações da paisagem nacional.

14/jul

Trabalhos de Di Cavalcanti, Tarsila do Amaral, Carybé, Alfredo Volpi e Cândido Portinari estão entre as mais de 200 obras de “Coleção Ingá: Brasil plural”, que chega ao Centro Cultural da Justiça Federal, Cinelândia, Rio de Janeiro, RJ. Parte do acervo do Museu do Ingá, de Niterói, a seleção reúne pinturas, esculturas, gravuras e objetos dos séculos XIX e XX.

Os curadores Marcus Lontra e Rafael Peixoto organizaram a seleção em seis núcleos, que perpassam temas como religião, identidade e pertencimento, as transformações da paisagem nacional, e a arte popular. Dentre as obras principais, estão o painel monumental de “Brasil em quatro fases”, de de 3 x 8 metros, no qual  Di Cavalcanti conta a história do Brasil desde a chegada dos portugueses, e o conjunto de quadros “Embarcações com índios”, de Carybé.

Até 27 de setembro.

Nova exposição na Casa70 Galeria.

13/jul

Se “Eclosão”, exposição que marcou a abertura da CASA70 Galeria, Gávea, celebrou o nascimento de um novo espaço dedicado à arte no Rio de Janeiro, “Florescer” lança um olhar sobre aquilo que acontece em seguida: o crescimento, a consolidação e a continuidade.

A exposição reúne obras de Alberto da Veiga Guignard, Antonio Bandeira, José Pancetti e Candido Portinari – quatro pilares fundamentais da pintura moderna brasileira – em diálogo com a produção contemporânea desenvolvida pelos artistas representados pela CASA70 Galeria. 

Participam da mostra Bruno Borne, Diana Gondim, FESSAL, Giovanna Nucci, Lair Uaracy, Lorena Bruno, Lucas Finonho, Lucas Ribeiro, Marcelo Carrera, Marcos Corrêa, Mariana Riera, Marina Rodrigues, Miru Brüggmann, Samira Pavesi, Tatiana Bertrand e Thomaz Velho.

“Longe de estabelecer uma leitura linear da história da arte, “Florescer” propõe um encontro entre diferentes momentos da produção artística brasileira, revelando continuidades, permanências e novas interpretações que atravessam décadas de criação”, afirma Elis Valadares.

Entre pinturas, esculturas, fotografias, obras sobre papel, design e mobiliário, a exposição convida o público a perceber que a arte se desenvolve por meio do diálogo entre gerações. 

Até 30 de setembro.

 

Roda de conversa celebra variedade de gerações.

08/jul

O Ministério da Cultura e a Fundação Vera Chaves Barcellos convidam o público para o encerramento da mostra “Há pouco?” no próximo sábado, dia 11 de julho, a partir das 14h30, na Sala dos Pomares, Rodovia Tapir Rocha, 8480 – parada 54, Viamão, RS. Integrando o Programa Educativo da exposição, será realizada uma visita mediada, com uma breve apresentação de Bruna Fetter, curadora e diretora cultural da Fundação, seguida da roda de conversa intitulada “Gravura: impressões e outros vestígios”, com as artistas Helena Kanaan, Lurdi Blauth, Maristela Salvatori e Nara Amélia.

Na ocasião, será oferecido transporte para deslocamento de Porto Alegre até Viamão (ida e volta), com saída às 13h30 em frente ao Theatro São Pedro, Praça Mal. Deodoro, no Centro Histórico de Porto Alegre. A inscrição é gratuita (acesse o formulário) e aberta ao público geral. Vagas do ônibus limitadas a 45 participantes.

Em cartaz ao longo do primeiro semestre, “Há pouco?” reúne mais de 90 obras de 94 artistas mulheres e engloba diversas linguagens, como gravura, desenho, fotografia, pintura, arte postal e vídeo. Composta inteiramente por trabalhos pertencentes ao Acervo Artístico da Fundação Vera Chaves Barcellos, a mostra constitui um recorte institucional até então inédito e plural, que celebra a variedade de gerações, saberes, contextos, temáticas, mídias e escalas; O conjunto evidencia a presença de artistas históricas de reconhecimento nacional e internacional, ao mesmo tempo em que destaca a cena artística local

A paisagem como espaço de transformação.

07/jul

A Galatea exibe “A invenção do Paraíso: Gabriela Melzer & Ygor Landarin”, exposição que reúne trabalhos inéditos dos artistas na unidade da galeria em Salvador. A mostra aproxima duas pesquisas que, embora desenvolvidas a partir de procedimentos distintos, convergem na investigação da paisagem como espaço de transformação.

Na exposição, Gabriela Melzer apresenta um conjunto de pinturas que dá continuidade à sua pesquisa em torno da abstração e da cor. Inspirada por formas encontradas na natureza e pelas transformações produzidas pelo tempo sobre a arquitetura e a paisagem.

Ygor Landarin apresenta trabalhos desenvolvidos a partir de seu interesse pelas paisagens costeiras brasileiras e pelos vestígios que o tempo deposita sobre a matéria. Bordados, esculturas e vitrálias incorporam areia, conchas, pedras, resina e porcelana fria em composições que acabam por servir como cartografias afetivas das cidades que viveu e dos territórios com os quais se relacionou em sua trajetória. A obra de Juarez Paraíso torna-se um ponto de partida importante de parte da produção do artista, especialmente na série Paraízo (2026).

Embora partam de linguagens distintas, as pesquisas de Gabriela Melzer e Ygor Landarin compartilham interesses fundamentais. Em ambos os trabalhos, a forma surge como algo em permanente constituição, resultado de processos de acumulação, transformação e reinvenção. O paraíso, que dá título à exposição, aparece não como um lugar idealizado, mas como uma construção continuamente reelaborada pelo tempo e pela imaginação.

A arte entre o sagrado e o profano.

03/jul

Evandro Carneiro Arte, Gávea, Rio de Janeiro, RJ,  apresenta de 08 a 31 de julho, a exposição “Pérola Bonfanti: a arte entre o sagrado e o profano”. Nessa mostra, a Galeria Evandro Carneiro Arte apresenta 46 trabalhos da artista, entre desenhos, pinturas, gravuras e objetos, além de uma obra a ser performada no dia 17 de julho, às 19h.

Exposição Pérola Bonfanti

Pérola Bonfanti nasceu em 1983, no Rio de Janeiro, em berço iluminado: num encontro da arte com a psicanálise. Filha do artista Gianguido Bonfanti, professor da Escola de Artes Visuais do Parque Lage e da psicanalista Marisa Maia, suas referências transitaram entre os mestres das artes e os símbolos do inconsciente humano. As travessias entre o sensível e o intangível – conceitos tão essenciais na obra de Pérola – sempre estiveram presentes em sua trajetória e formação.

Multitalentosa, graduou-se em Música Popular Brasileira na Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 2009. Pérola é expressão tangível de uma voz sagrada; quem a escuta cantar percebe esse dom. Um som que transcende a música e se expressa igualmente em seus desenhos e pinturas. Desde 2001, frequentou alguns cursos livres da EAV / Parque Lage, aprimorando a sua formação artística, até chegar a ser monitora do Programa Fundamentação, patrocinado pela Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro, em 2012, quando desenvolveu sua pesquisa artística com tanta propriedade que transcendeu os muros da Escola e foi pintar na rua, com o coletivo Flutuarte, superando limites espaciais e estruturais como os de classes sociais e os de suporte físico.

Deslocou-se um pouco mais no espaço e passou dois anos em Nova York (2012-2014), especializando os seus estudos de arte urbana, com a sua temática mítica, agora simbolicamente transfigurada no jogo, como metodologia lúdica em que o tabuleiro era a própria cidade. Participou da Free Art Society, organização sediada no East Village focada em democratizar o acesso às artes, promovendo projetos multimídia em espaços públicos, como fizera anteriormente no Rio. A partir deste trabalho, foi convidada a realizar em Viena a exposição Quatro Aces que itinerou pelo Museu Albertina e depois Museu de História da Arte (Hofburg), Tesouro Nacional, dentre outras instituições. O projeto obteve tanto sucesso que, como resultado, além de apresentar a instalação, a artista lecionou palestras e workshops na Alemanha, no Gamification Lab da Universidade Leuphana, ao sul de Hamburgo. Por meio da eletronic art, Pérola ampliou para o virtual a sua concepção espaço-temporal, já extensa e lúdica.

Pérola Bonfanti realizou exposições individuais nas galerias DialogArt (Viena), Wozen (Lisboa), Fornaciai Gallery (Florença), Galeria da Praça e Espaço Alienista (Rio de Janeiro), e participou de coletivas em instituições como o MARCO – Museu de Arte Contemporânea de Mato Grosso do Sul, o Centro Cultural dos Correios, o Centro Cultural da Justiça Federal e, em 2026, da exposição O Que Insiste em Viver, no bar conceitual Miolo (Rio de Janeiro).

Laura Olivieri Carneiro

Vik Muniz reproduz itens do acervo.

02/jul

O Museu Nacional, São Cristóvão, Rio de Janeiro, RJ, abre mostra com obras de Vik Muniz com as cinzas do incêndio. Com ajuda da equipe que trabalhou no resgate e de cientistas, artista reproduz peças originais do acervo da institução.

Comovido com o incêndio que destruiu o Museu Nacional, em setembro de 2018, Vik Muniz criou uma coleção em polímero infundido com as cinzas, na qual reproduz itens do acervo. 

Tudo foi desenvolvido em parceria com as equipes que atuaram nos escombros e cientistas da PUC-Rio. 

Até 30 de agosto.

Exibição da artista indígena Yacunã Tuxá.

01/jul

A Caixa Cultural RJ, Unidade Passeio,  recebe, a partir do dia 07 de julho, a exposição “Toda Árvore Tem Raiz”, primeira mostra individual da artista indígena Yacunã Tuxá, que reúne mais de 25 obras em diferentes linguagens e suportes, como pintura, fotografia, poesia, muralismo, escultura, lambe-lambe, vídeo mapping e performance. Depois de um sucesso retumbante em Salvador, a exposição permanece em cartaz até 20 de setembro.

O projeto contempla a trajetória da artista indígena pertencente ao povo Tuxá de Rodelas, na Bahia, marcada por deslocamentos forçados e resistência. Yacunã Tuxá vem consolidando uma produção que articula ancestralidade, política e imaginação urbana, com passagens por instituições como o MASP, Pinacoteca de São Paulo e Muncab.

A curadoria de Naine Terena e Vera Nunes em diálogo com a artista, propõe uma experiência expositiva que combina identidade indígena com contextos culturais dos não-indígenas, criando um percurso imersivo que convida o público a refletir sobre os atravessamentos vividos por corpos indígenas, seus territórios e sua espiritualidade. A mostra incorpora elementos simbólicos como o rio, a canoa e a Jurema, planta sagrada que atravessa a mostra como eixo espiritual e político. O feminino indígena emerge como estrutura fundamental, afirmando as mulheres como raízes profundas da terra, sustentando histórias de resistência, cuidado e reinvenção.

Sobre a artista.

Yacunã Tuxá (@yacunatuxa) é uma das principais vozes da arte indígena contemporânea no Brasil, com atuação nas artes visuais, literatura, muralismo e curadoria, articulando memória, ancestralidade e política. Seu trabalho já esteve presente em importantes instituições culturais, rendeu prêmios de destaque, projetos curatoriais e grandes intervenções urbanas, além da publicação de seu primeiro livro de poemas, consolidando sua produção artística como uma potente ferramenta de resistência, afirmação identitária e cura coletiva.

Shiro: uma escala de nuances.

A exposição na Japan House, Avenida Paulista, São Paulo, SP, conta com curadoria da diretora cultural da instituição, Natasha Barzaghi Geenen, aborda a cor branca apresentando suas nuances e simbologias por meio de quatro elementos: a neve, o papel, a seda e o sal.

Tonalidades de branco

Com curadoria da diretora cultural da instituição, Natasha Barzaghi Geenen, a mostra introduz diversas tonalidades da cor branca no Japão, passando por quatro elementos: papel, seda, neve e sal, revelando as suas relações com a cultura japonesa. A inspiração para o recorte veio da leitura da obra “O País das Neves” (1948), de Yasunari Kawabata. 

“Shiro não é fruto de um conceito específico, tem uma inspiração poética e abstrata. O branco, enquanto junção de todas as demais cores, serve aqui como ponto de partida simbólico para pensar como o Japão carrega tantas nuances e sutilezas, como é um país de muitas gamas, que podem passar despercebidas, mas não para o povo japonês, cujo olhar é apurado até para essas mínimas diferenças do branco”.

Natasha Barzaghi Geenen

O papel

No núcleo de Papel, a instalação “Poem of life”, da artista Ayumi Shibata, é feita de inúmeras folhas de papel cortadas como na técnica de kiri-ê e amarradas entre si, simbolizando o desejo da artista pela paz e harmonia do mundo. 

A seda

Para o núcleo de Seda, a artista Kaoru Hirano apresenta uma obra produzida especialmente para a exposição. Conhecida por desconstruir peças de roupa em suas criações, Kahoru Hirano escolheu trabalhar com um juban branco de seda (peça de vestuário tradicional japonesa usada por baixo do quimono), de sua avó paterna, falecida em 2018, para criar uma espécie de teia suspensa na instalação “untitled-grandmother”. 

A neve

Já o núcleo Neve, aborda as paisagens do Norte do Japão, com seus invernos rigorosos, que evocam uma sensação de branco infinito, como descrito no livro de Kawabata. Foram selecionadas três fotografias de Land Art (intervenções feitas diretamente na paisagem natural), do artista Tomohiro Kajiyama. 

O sal

Assim como a neve, o sal também é especial no dia a dia dos japoneses. Embora o Japão seja um país cercado por mar, o seu ambiente não é propício à produção de sal. Dentre as inúmeras variações de sais encontradas no mundo, a mostra apresenta cinco tipos, originários de diversas regiões do Japão, evidenciando suas diferentes características e granulações.

Sobre os artistas.

Ayumi Shibata (Yokohama, 1982)

Artista de kiri-ê estudou xilogravura e técnica mista na National Academy School of Fine Arts, em Nova Iorque, explorando materiais e métodos de expressão. Transferiu a sua base de atuação para Paris, onde desenvolveu iniciativas internacionalmente por dois anos, incluindo a criação e exposição de suas obras no Atelier 59 Rivoli. Retornou ao Japão em 2018, que tem sido sua base de atividades desde então.

Kaoru Hirano (Nagasaki, 1975)

A artista cria instalações a partir do desfazer e reconstruir, fio por fio, de roupas antigas, guarda-chuvas e outros materiais. Seu trabalho explora a memória individual, bem como relações sociais e históricas. Em 2025, recebeu uma bolsa de apoio da Fundação Adolph e Esther Gottlieb, atuando nacional e internacionalmente

Tomohiro Kajiyama (Shizuoka, 1985)

Mudou-se para Hokkaido em 2018, para Nakasatsunai Village, uma região com cerca de 3.800 habitantes no norte do Japão. Com o objetivo de redescobrir os recursos locais, em 2019 passou a produzir snow art de forma autodidata e estabeleceu seu estilo autoral “free-leg”, baseado em caminhar livremente sobre a neve, seguindo o instinto. 

Até 25 de outubro.