Paternosto na Dan galeria

11/set

A Dan Galeria, Jardim América, São Paulo, SP, exibe a exposição individual do artista argentino César Paternosto.  A mostra reúne 16 obras e duas esculturas, criadas especialmente para esta ocasião. César Paternosto iniciou a carreira artística como pintor abstrato geométrico no início dos anos 1960, após uma trajetória como pintor figurativo e informalista, escola europeia iniciada durante a Segunda Guerra, em paralelo ao abstracionismo americano. Em 1967, ao mudar-se para Nova York, já com uma carreira consolidada, Paternosto expande as fronteiras formais e teóricas da pintura, convertendo suas criações em objetos, deixando de lado a apreciação frontal da obra.

 

 

Até 12 de outubro.

Artistas cubanos na Casa Daros

04/set

Na próxima terça-feira, 08 de setembro, às 11h, será realizada uma coletiva de imprensa na Casa Daros, Botafogo, Rio de Janeiro, RJ, sobre a exposição “Cuba – Ficción y fantasia”, que será inaugurada em 12 de setembro. A curadoria é de Hans-Michael Herzog e Katrin Steffen. Serão apresentados 130 trabalhos de 15 destacados artistas cubanos: Ana Mendieta, Belkis Ayón, Ivan Capote, Javier Castro, José Bedia, Juan Carlos Alom, Lázaro Saavedra, Los Carpinteros, Manuel Piña, Marta María Pérez Bravo, René Francisco, Santiago Rodríguez Olazábal, Tania Bruguera, Tonel e Yoan Capote. Está será a última exposição da Casa Daros.  Estarão presentes na coletiva os curadores da mostra, o diretor-geral da Casa Daros, Dominik Casanova, e alguns artistas com trabalhos da exposição.

Multiverso de Raimundo Rodriguez

31/ago

A Sergio Gonçalves Galeria, Centro, Rio de Janeiro, RJ, inaugura, no dia 05 de setembro,

sábado, às 14h, a exposição “Multiverso: nada que você já não tenha visto antes”, do artista

plástico Raimundo Rodriguez. A mostra vai apresentar as incontáveis dimensões categóricas

em que a obra de Rodriguez transita, abusando de cores vívidas, do jogo geométrico das

formas e de palavras. Por meio de um apanhado de obras, que formam pequenos universos

díspares, pequenos multiversos povoados, sobretudo, por “quadro-objetos”, serão resgatados

e ressignificados. O trevo da sorte, os latifúndios de papel, a fórmica e o tecido, os lactofúndios

de caixas de leite, a série “diapositivos”, entre outros.

 

A metáfora que tangencia a mecânica quântica, quando transferida poeticamente para o

campo das artes visuais, mais precisamente, para a produção multifacetada do artista plástico

Raimundo Rodriguez, traduz com excelência a capacidade criativa – traço pós-moderno, com

que o artista produz suas obras, desenvolvendo inúmeras linguagens, muitas vezes, em

suportes alternativos como pinturas, desenhos, objetos, “não-objetos”, assemblages/colagens,

esculturas, entre outros. O trabalho do artista conecta-se com a arte popular brasileira, o

neodadaísmo, o dadaísmo, o neorrealismo e a pop art.

 

Em diversos veículos, tais como teatro, carnaval, centros culturais, vídeos e televisão, as

criações de Raimundo Rodriguez ultrapassam limites e preenchem lacunas de expressão. O

artista, acompanhado por sua equipe, foi o responsável pela estética final  das construções da

novela “Meu Pedacinho de Chão”, dirigida por Luiz Fernando Carvalho. A partir de

“Latifúndios”, Raimundo Rodriguez fez pedacinhos de chão remendados onde se desenvolveu

todo o enredo na novela.  A obra  foi incorporada à arquitetura de toda a fictícia “Vila de Santa

Fé”,  onde casas, portas, paredes, janelas, altares, molduras, cimalhas e inúmeros detalhes

foram criados a partir de latas de tinta descartadas e,  em suas mãos, ganharam um novo

significado. Raimundo Rodriguez é representado pela Sergio Gonçalves Galeria de Arte pela

qual participou das quatro últimas edições da SP-Arte e também da Feira Pinta, de Nova York e

Miami.

 

 

Até 10 de outubro.

Pinturas de Wanda Pimentel

Anita Schwartz Galeria de Arte, Gávea, Rio de Janeiro, RJ, apresenta, a exposição

“Geometria/ Flor”, com cerca de 35 obras inéditas da artista carioca Wanda Pimentel.

 

Com uma importante e reconhecida trajetória artística de quase 50 anos, Wanda

Pimentel expõe no grande salão térreo da galeria pinturas da série “Geometria/Flor”,

iniciadas há dois anos. Cada uma das pinturas tem uma moldura diferente, que integra

o trabalho. Apesar de ser uma série totalmente nova, ela carrega elementos que

sempre estiveram presentes em seu trabalho, como as formas geométricas e as

famosas escadas. “É como se fosse uma celebração de todas as séries que fiz desde

a década de 1960”, conta a artista, ressaltando que sempre trabalha com séries.

“Quando termino uma, quero criar algo novo, totalmente diferente, mas uma série

sempre carrega elementos das outras”.

 

Anita Schwartz destaca que este é “um momento de homenagem ao trabalho e à

trajetória da Wanda Pimentel”, que em outubro participará da Frieze Masters, no

Regent’s Park, em Londres, feira que reúne mestres da história da arte

contemporânea, onde mostrará nove pinturas produzidas nos anos 1960.

 

As obras que estarão na exposição na Anita Schwartz Galeria têm a ver com um

processo iniciado pelo artista em 2011, de rever o passado. “Esses trabalhos tem um

tom dramático, têm a ver com as minhas memórias, mas, ao mesmo tempo, é uma

saudação à vida, rompendo com tudo que já fiz. Vou dissecando lembranças e

construindo novas memórias”, afirma a artista. Neste processo, ela partiu em busca de

lembranças do pai, açoriano, de natureza muito reservada, que faleceu quando ela

tinha 12 anos. Ela atribuiu a esta procura por sua origem o fato de ter incluído o

dourado em seus trabalhos. “O manuseio com o dourado é muito difícil. A condução

da cor deve seguir uma trajetória do não efeito fácil. O dourado da série relaciono com

Portugal, pois é uma cor presente no Barroco, lembrando a celebração da vida”, diz.

“Introduzi nos trabalhos atuais um novo elemento: flores, em tons de branco, vermelho

e dourado. Ao olhar o trabalho, você percebe que há um embate entre geometria e

natureza, por mais paradoxal que seja”, afirma.

 

No terceiro andar da galeria estarão os trabalhos iniciais desta fase, que fazem parte

da série que ela chamou de “Memória”. Serão três caixas de acrílico, medindo 97cm x

33cm cada, onde a artista coloca desenhos e objetos. Em uma delas há um coração

vermelho, cheio de alfinetes, em alusão ao coração de espuma que a sua mãe usava

para colocar os alfinetes enquanto costurava. Em outra, há casulos do bicho-da-seda

e, na terceira, uma linha e uma tesoura desenhadas, como se esta cortasse o

desenho. Junto a esses trabalhos, estarão quatro obras de 1965, que nunca foram

expostas. “São desenhos da época que eu era aluna do Ivan Serpa, feitos com caneta

esferográfica em folha de papel ofício. Nunca mostrei esses desenhos, mas eles falam

muito sobre o meu trabalho”, afirma a artista.

 

Ao invés de texto crítico, o público poderá ler o poema “O último sortilégio”, de

Fernando Pessoa, que Wanda Pimentel encontrou durante o processo de produção

das obras, e considerou muito apropriado com o que estava fazendo. “O poema tem

muito a ver com esses trabalhos. Queria algo sensível, por isso escolhi esta poesia. O

português de Portugal é muito denso, muito bonito quando escrito. E meu pai gostava

muito de Fernando Pessoa”, ressalta. A poesia também estará no catálogo, que será

lançado ao longo da exposição.

 

 

Sobre a artista

 

Wanda Pimentel nasceu no Rio de Janeiro, em 1943. Estudou pintura com Ivan Serpa,

no MAM Rio, em 1965. Dentre suas principais exposições individuais estão a

exposição no MAM Rio, em 2004; no Paço Imperial, em 1999 e em 1997; no Centro

Cultural Banco do Brasil, em 1994; entre outras. Dentre suas principais exposições

coletivas estão: “Artevida Política”, no MAM Rio, em 2014; “Nova Figuração anos

1960-1970”, no MAM Rio, em 2009; “Panorama dos Panoramas”, no MAM São Paulo,

em 2008; “Arte contemporânea e patrimônio”, no Paço Imperial, em 2008; “Arte Como

Questão/Anos70”, no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, em 2007; “Manobras

Radicais”, no CCBB São Paulo, em 2006; “Um Século de Arte Brasileira – Coleção

Gilberto Chateaubriand”, no MAM Rio, na Pinacoteca do Estado de S.Paulo e no

Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, ambas em 2006; “Abrigo Poético – Diálogos com

Lígia Clark”, no MAC de Niterói, em 2006; “Arte En América Latina (Coleccion Eduardo

Constantini)”, no MALBA, em Buenos Aires, em 2001; entre outras. Participou, ainda,

do Salão da Bússola (1969), no MAM Rio; Salão de Verão (1969), no MAM Rio; V

Salão de Arte Contemporânea de Campinas (1969), no Museu de Arte

Contemporânea de Campinas; XVIII Salão Nacional de Arte Moderna, no Ministério da

Educação e Cultura- Rio de Janeiro/RJ (1969); II Salão Esso de Artistas Jovens

(1968), no MAM Rio e Representação Brasileira à Bienal de Paris (1969), no MAM Rio.

 

 

 De 09 de setembro a 17 de outubro.

Antônio Dias na Nara Roesler/Rio

25/ago

Antonio Dias ganhou uma revisão de uma parcela singular de sua produção multifacetada: os

papéis do Nepal, exibidos pela primeira vez no Brasil. A mostra “Papéis do Nepal 1977-1986”

está em cartaz até 26 de setembro  Galeria Nara Roesler, Ipanema, Rio de Janeiro, RJ, que traz

nessa iniciativa um aprofundamento no universo do consagrado artista.

 

Pela pluralidade temática e processual, Dias evidencia sua recusa em adotar um único ponto

de vista da produção artística e, com isso, não deixa que o espectador se acomode na

facilidade de um significado pronto da obra. Nas palavras do historiador da arte italiano

Sandro Sprocatti, o trabalho de Dias projeta “uma situação antiperspectiva por excelência,

uma vez que nega a exclusividade de um ponto de vista não só devido à instabilidade

representacional (ambiguidade substancial do signo e do espaço) mas, acima de tudo, porque

implica a pluralidade das condições de fruição, ou seja, as condições existenciais que o

observador tem em relação ao próximo”.

 

Os papéis que figuram na exposição foram produzidos durante uma viagem de Dias ao Nepal

em 1977, com a finalidade de aprender a manufatura de papéis artesanais. A fase do Nepal é

uma ruptura na trajetória pregressa do artista, calcada fortemente no conceitualismo, na

utilização de mídias então incipientes, como o vídeo, e na criação de um léxico visual que

englobava elementos pop, planos geométricos definidos por cor e palavras.

 

Esse repertório, repetido sistematicamente e embaralhado entre si, questionava o caráter da

convenção social e da instituição artística como produtora de significados codificados e

estanques, validados por um sistema de inserção e representatividade internacional, a que o

regional deveria se submeter – o que se tornava evidente pelos títulos em inglês das obras,

como a famosa série “The Illustration of Art”.

 

 

Até 26 de setembro.

Marcello Nitsche, registro de uma trajetória

21/ago

A exposição retrospectiva do artista Marcello Nitsche abarca sua extensa trajetória, desde a

década de 1960 até dias atuais. Sua carreira artística é marcada pelo diálogo estreito com a

cultura pop, pela leitura ativa da paisagem e dos signos urbanos, pela exploração de diversas

linguagens – como pintura, desenho, intervenções no espaço urbano e a realização de filmes

em super-8 mm. Destaca-se, igualmente, sua atuação nos debates e projetos obre arte-

educação e no cenário político da redemocratização do país, nos anos 1980, sobretudo pela

realização da identidade visual da campanha Diretas Já. A mostra reúne mais de cem do artista

nas últimas cinco décadas.

 

“LIG DES” leva à área de convivência da unidade Sesc Pompeia, Água Branca – Oeste, São

Paulo, SP,  grandes esculturas infláveis denominadas bolhas, esculturas de pequeno porte,

obras de suportes e características variadas, maquetes de obras para locais abertos, desenhos,

pinturas, registros em fotografia e em filmes em 8mm, documentando acontecimentos em

torno de sua obra.

 

O diálogo entre o espaço do Sesc Pompeia e a mostra é um destaque a parte, em que se revela

um fator potencializador para a exposição. Segundo a curadora, Ana Maria de Moraes

Belluzzo, “LIG DES” dialoga com as características do espaço, que já foi uma fábrica,

transformado em ambiente nada convencional de cultura e convívio por Lina Bo Bardi”.

 

 
Texto da curadora

 

A nova visão da natureza moderna impõe-se pela paisagem urbana aos jovens artistas

brasileiros atuantes em meados dos anos 1960. Fábrica e cidade constituem a moderna

paisagem e marcam, de modo peculiar, a experiência artística de Marcello Nitsche entrelaçada

à vida de São Paulo.

 

A presença dessas obras no espaço da fábrica do Sesc Pompeia é um estimulante ponto de

partida. O local, transformado pela imaginação da arquiteta Lina Bo Bardi em espaço não

convencional de convívio e cultura, atualiza sua vocação ao mostrar essa obra aberta à

existência no espaço urbano.

 

A experiência de Marcello Nitsche se desdobra num momento em que se agitam convenções

artísticas e o país é assaltado por profundas transformações políticas e culturais, momento em

que artistas alargam o campo perceptive e lançam mão da apropriação estética de coisas que

povoam o entorno imediato dos habitantes da cidade.

 

A contribuição precoce de Marcello brota no interior de movimentos de renovação cultural no

país, em diálogo com coletivos internacionais da época pop, em meio ao debate sobre o novo

realismo e o retorno à figura. É parte dos avanços da nova objetividade brasileira. Em âmbito

paulista, as experimentações acolhidas pelo grupo REX contam com o substrato trazido ao

debate por mestres da Faap, afinados com a pauta arquitetônica.

 

Em diálogo com diferentes interlocutores, sua obra irrompe no vigor das concepções, sob

diferentes mídias. No teor experimental dos anos 1960, 1970, 1980, apuram-se aberturas para

contemporaneidade.

 

A apreciação retrospectiva do repertório do artista deve-se à cordialidade das coleções

públicas e privadas e à presença de versões fac-similares de peças desaparecidas, construídas

pelo Sesc para a ocasião.

 

Que o caráter inaugural dessa obra chegue às novas gerações, reproduzindo a surpresa vivida

por seus pares com o aparecimento de cada novo trabalho de Marcello.

Ana Maria de Moraes Belluzzo

 

 

Sobre o artista

 

Marcello Nitsche é paulistano, e seu trabalho se apresenta nos anos 1960, em meio ao cenário

de uma São Paulo que tem sua paisagem transformada pelo crescimento urbano industrial.

 

 

Até 30 de agosto.

Valéria Costa Pinto na Marsiaj Tempo Galeria

A artista Valéria Costa Pinto, ocupa todo o espaço expositivo da Marsiaj Tempo Galeria,

Ipanema, Rio de Janeiro, RJ, com a exposição “Do plano ao espaço”. A mostra apresenta obras

bidimensionais e tridimensionais, além de um site specific idealizado para o anexo da galeria.

 

Seu trabalho mais recente volta-se para a pesquisa da intercessão entre o interior e o exterior,

que se confundem nos diversos suportes da mostra: papel, cartão, madeira. A cor, usada

pontualmente pela artista ao longo de sua carreira, serve de ligação entre esses diversos

formatos. Vemos o uso do branco, preto e cinza, mesclados ao vermelho e gradações de rosa.

 

Com texto do crítico Paulo Sergio Duarte, a exposição é composta por seis prints (pigmento

mineral sobre papel de algodão), um relevo em papel e cinco em madeira, além de três

pequenas esculturas. No anexo da galeria, a pesquisa se adensa, radicalizando a ocupação do

espaço através de paredes avolumadas por formas geométricas e cores.

 

 

A palavra da artista

 

Valéria Costa Pinto traz para sua vasta e diversificada obra novas abordagens para as mesmas

questões, aquelas da Bauhaus e do construtivismo russo. “A obra não deve ser muda. É através

do movimento que faço essa interação, procurando sempre a relação entre espectador/obra.

Ora manipulando o objeto, ora fazendo com que o espectador se desloque no espaço ao

redor, ora transformando uma forma definida em outra diferente como se o objeto tivesse

vida. Um objeto dinâmico e não estável. Ressalto o valor afetivo e intuitivo com a obra.”

 

 

Até 12 de setembro.

Arquitetura da Luz

Em sua segunda exposição individual na Galeria Oscar Cruz, Itaim, São Paulo, SP, Hildebrando

de Castro apresenta uma série inédita de pinturas e relevos que comprovam seu domínio

refinado da técnica da pintura, mantendo sempre presente a sua constante preocupação com

a luz.

 

Nessa nova série de obras, ainda relacionadas com a arquitetura, percebe-se que mesmo

sendo uma pintura realista, o artista sempre deixa margem para a imaginação do observador,

na medida em que as composições retratadas flertam constantemente com a abstração

geométrica, a op-art, arte cinética e o construtivismo, porém sem nunca abandonar o terreno

da representação figurativa, é justamente aí que reside todo o mistério e encanto de sua

proposta.

 

 

De 03 de setembro a 24 de outubro.

Adriana Varejão exibe “Pele do Tempo”

Em cartaz no Espaço Cultural Airton Queiroz, UNIFOR, Fortaleza, CE, a mostra “Pele do Tempo”

reúne 32 obras de Adriana Varejão e 4 obras de artistas que a influenciaram, abrangendo 23

anos de trabalho. Uma das artistas brasileiras mais conhecidas internacionalmente, Varejão

realiza trabalhos que se baseiam na pintura e, sobre essa, que é a mais clássica das linguagens

da arte, consegue subverter e abrir inúmeros campos de questão. A curadoria traz a assinatura

de Luisa Duarte.

 

 

De 26 de agosto a 29 de novembro.

Artista holandês na SIM galeria

20/ago

A SIM galeria, Curitiba, PR, apresenta a exposição individual de Frank Ammerlaan, artista

holandês residente em Londres.

 

Nos trabalhos de Ammerlaan, a essência do múltiplo é manifesta na contínua coexistência de

suportes, materiais e processos mistos, como escultura, pintura, fotografia e vídeo

juntamente de elementos sintéticos e naturais como tinta óleo, linhas de costura, metais e

agentes químicos.

 

Na exposição “Outside the wireframe”, produzida durantes sua residência artística recente no

espaço experimental de arte PIVÔ, na cidade de São Paulo, o interesse permanente no que é

periférico, indistinguível e despercebido é amplamente contemplado.

 

As caminhadas diárias de Ammerlaan na ida e volta de seu ateliê temporário, localizado no

centro de São Paulo, se tornaram uma profunda jornada para dentro e fora do motor da

cidade movido à ansiedade e instabilidade. Ao fazer uso de objetos ready-made como

latinhas de alumínio, vidro e banner de PVC, em “Outside the wirefram”e o artista convoca

uma série de elementos tanto familiares como também invisíveis à capital brasileira. Um

conjunto de ícones que perpassa os catadores de latinhas das quais algumas esculturas são

feitas e que nos fala sobre inventivos subsistemas criados sob circunstâncias econômicas

difíceis. Como também que inclui um banner de serralheria em que o artista aponta

evidências de extrema ansiedade geral quanto à segurança. E até mesmo que destaca do

cenário urbano cotidiano, tampas de bueiro e piche como indicação de um ambiente

publicitário alternativo. E até mesmo piche e tampas de bueiros que nos separam de um

mundo sob nossos pés.

 

A série “Untitled” de imagens impressas em vidro aramado de alta segurança exibe um

material nunca antes usado em exposições do artista, de acordo com ele “Trabalhar em um

novo contexto como a residência desperta novas idéias, te faz, por exemplo, pensar de forma

diferente sobre os materiais”. Permeada por ambigüidades, a série é feita de um material

transparente de alta segurança que busca oferecer segurança enquanto não necessariamente

esconde algo. Ela inclui imagens desenhadas por linhas de armações de arame que lhes

concedem certo aspecto de pop arte, mas ao mesmo tempo uma aparência anônima, uma vez

que nos permite enxergar formas, mas não superfícies. Além disso, um objeto poderoso ainda

que pequeno, a bandeira de mesa, que não mostra nenhum emblema ou insígnia pode ainda

assim simbolizar uma idéia de proteção e defesa de um determinado território ou cultura.

Sobre a figura tridimensional humana, seu aspecto fantasmagórico é justaposto com uma

imagem impressionantemente detalhada.

 

A antítese da abordagem emocional e racional está profusamente presente nas pinturas do

artista na quais aspectos atmosféricos e nebulosos se contrastam com padrões geométricos

precisos feitos de linhas de costura e bordado. Possivelmente sob a influência de seu

treinamento primeiro, em marcenaria, assim como devido a pratica constante de desenhos

técnicos, nos trabalhos de Ammerlaan linhas são de alguma forma, privilegiadas em

detrimento de volume.

 

Em algumas das pinturas de “Outside the wireframe” os conceitos binários característicos dos

trabalhos de Ammerlaan podem ser apresentados mais sutilmente do que em outras. Ao

observar uma pintura a partir de certa distância da tela, seus aspectos atmosféricos e

nebulosos se destacam, porém, uma vez que os padrões em baixo relevo começam a ser

reconhecidos, a pintura simultaneamente exige ser observada mais de perto. Padrões e

linhas, assim, são formas de racionalizar e se apropriar do conceito de periférico com

efetividade. Simultaneamente a qualidade etérea das pinturas contribui para um

engendramento mais amplo das idéias e objetos do periférico.

 

“Outside the wireframe” revela que o imperceptível, o periférico e o sutil podem ser

encontrados em situações e cenários que transcendem efeitos óticos provocados por uma obra

de arte. Aponta claramente que o invisível existe, por exemplo, na rotina cotidiana dos

habitantes de metrópoles como São Paulo. Ao utilizar-se de piche e ao delinear tampas de

bueiros encontradas nas ruas que circundam seu ateliê na cidade, Ammerlaan realça padrões

gravados em tais peças de metal- alguns deles padrões de linhas cruzadas e atravessadas

também comuns a outros trabalhos do artista-, feitos, por  exemplo, por empresas de

telecomunicação para fins publicitários. Geralmente despercebidos, tais padrões e nomes de

marcas atuam como indícios de uma atividade publicitária quase imperceptível acontecendo

sob nossos pés. Um fato ainda mais interessante diante da controversa proibição de

publicidade exterior que busca minimizar a poluição visual da cidade implantada na última

década em São Paulo.

 

A exposição “Outside the wireframe” é uma oportunidade única para todos familiarizados ao

ambiente urbano de observar uma complexa cidade como São Paulo, em suas múltiplas

possibilidades periféricas, através dos cantos dos olhos argutos e precisos do artista

contemporâneo Frank Ammerlaan.

 

 

Sobre o artista

 

Frank Ammerlaan é um proeminente artista plástico nascido na Holanda e residente da cidade

de Londres cujas exposições individuais e coletivas têm sido exibidas nos últimos seis anos em

prestigiados museus e galerias pela Europa e em cidades como Copenhague, Bruxelas, Berlin e

Londres bem como em Nova York e outras grandes capitais internacionais.

 

 

De 27 de agosto até 26 de setembro.