Na Cidade das Artes Bibi Ferreira.

16/set

O artista Luiz Pizarro inaugura grande mostra individual, a partir de 21 de setembro na Cidade das Artes Bibi Ferreira, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, RJ.

“Oníricas” trata do desejo de um mundo mais harmônico, forjado no humanismo, na arte, na beleza, e no fazer. A exposição, que ocupará quatro espaços na Cidade das Artes, ainda que não seja uma exibição retrospectiva de sua obra, será uma das mais relevantes em sua trajetória artística. Além de novas pinturas da série “Metapaisagens”, mostra realizada com muita repercussão no Paço Imperial em 2023, Luiz Pizarro apresentará instalações interativas e colaborativas e outras proposições artísticas.

“Em nossas vidas, as relações pessoais e comunitárias desafiam nosso dia-a-dia, nossos sonhos por algo mais lúdico, mais poético, mais consensual em termos de sociedade e vida comunitária, elementos esses pertencentes a cada uma das propostas de trabalhos e de ações artístico-educacionais que ali serão ativadas junto ao público”

Ocupando as duas galerias do espaço, além do saguão de entrada para os teatros e a área externa coberta, serão expostas 15 pinturas em acrílica sobre telas de médios a grandes formatos produzidas entre 2023 e 2024, e três grandes instalações interativas e colaborativas. Outras três proposições artístico-educacionais também contarão com a participação do público para sua realização.  A mostra ficará em cartaz gratuitamente até 03 de novembro, e depois seguirá em março para o Núcleo de Orientação e Pesquisa Histórica de Santa Cruz, no Museu Comunitário Palacete Princesa Isabel, situado em Santa Cruz também na Zona Oeste.  Luiz Pizarro, que dá aulas de desenho e pintura no Parque Lage, lançará, em breve, um livro sobre Educação através da Arte, com ênfase em sua experiência como educador principalmente em museus como o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, MAM Rio, onde ocupou o cargo de Curador de Educação de 2013 a 2020.

Entre as instalações, estão:

Cubo dos Desejos, trabalho interativo e colaborativo, cuja execução conta com a participação dos visitantes.  A partir de um cubo de arestas em madeira, os visitantes passam barbantes coloridos por tantos pontos, ganchos, quanto forem as letras de seu nome, pensando num desejo para o planeta. Ao final de várias intervenções, teremos ali uma trama de fios coloridos que registram e simbolizam todos os nomes e desejos que por ali passaram.

Tarrafas ao Mar

Trabalho também interativo e colaborativo, parte de uma rede de pesca suspensa no espaço da sala de exposição, na qual cada visitante anotará num post it da cor de sua preferência, o nome de uma pessoa que ame e outro de uma pessoa em quem confia. Trata-se de fazer uma reflexão sobre a diferença entre amar e confiar que nem sempre se conjugam na mesma pessoa. Esse post-it será, então, colocado numa pequena garrafa plástica que será pendurada em local de sua escolha na rede de pesca.

Contornos do Ocaso

Instalação inédita, imersiva, composta por 25 “pergaminhos”, cada um com cinco imagens, monotipias em papel seda branco de ladrilhos desbotados da piscina onde o artista costuma nadar, além de folhas secas de sua própria casa, abordando o acaso da transformação da matéria pelo tempo e da construção de novas imagens a partir dessa desconstrução temporal. Expostas como uma floresta flutuante no espaço da sala de exposição, permite que o visitante circule através dela vivenciando diferentes perspectivas do olhar sobre a obra e sobre si mesmo dentro dela. O “Ocaso”, declínio do sol, ou em livre interpretação poética, o fim de algo, significa na verdade, segundo ele, o retorno de outras possibilidades de vida, de recomeço. Como o sol que renasce a cada ocaso, a vida recomeça a cada momento de desconstrução dela mesma, como novos estímulos que surgem pelo desaparecimento do que era tido como perene e real.

Além dessas instalações, o artista promoverá também ações “sócio-emocionais” a partir da ativação de outros trabalhos e proposições artísticas para o público. São trabalhos com desenho cego e música e outro a partir do desenho de rosto concomitante através de vidro do espaço e consequente impressão também em papel seda para ser presenteado. Finalizando, Luiz Pizarro ainda propõe que o público se posicione com relação a alguma das obras de sua preferência e, a partir de uma selfie, participe da confecção de mais uma monotipia com sua própria imagem ali registrada.

Anunciando Dashiell Manley.

12/set

A Simões de Assis, São Paulo, Curitiba, Balneário Camboriú, anuncia a representação do artista Dashiell Manley, baseado em Los Angeles, em colaboração com Jessica Silverman e Marianne Boesky. Conhecido por suas obras que exploram a interseção entre pintura, escultura e vídeo, Dashiell Manley investiga temas como tempo, narrativa e a materialidade da imagem.

O artista possui obras em acervos importantes como The Hammer Museum, JPMorgan Chase Art Collection; Los Angeles County Museum of Art; Museum of Contemporary Art, Los Angeles; Palm Springs Art Museum, Pomona College Museum of Art e Santa Barbara Museum of Art.

Aniversário da galeria A Gentil Carioca.

A sempre muito aguardada festa de aniversário da galeria A Gentil Carioca, Centro, Rio de Janeiro, RJ, contará com a abertura de três exposições simultâneas, o lançamento de duas Paredes Gentil e da nova Camisa Educação. “ENTRA PRA DENTRO”, a exposição individual do artista plástico carioca Miguel Afa, ocupará, no dia 21 de setembro, todo o prédio 17 com aproximadamente 30 pinturas inéditas e uma instalação site specific, enquanto o prédio 11 será dividido em dois ambientes instalativos com obras de Marcela Cantuária e Rodrigo Torres. O evento terá ainda o lançamento das Paredes nos 41 e 42, com intervenções de Jarbas Lopes e Cabelo, e a edição no 90 da Camisa Educação, concebida pelas artistas convidadas Iah Bahia e Siwaju Lima. O tradicional bolo de aniversário surpresa ficará a cargo do coletivo OPAVIVARÁ!. Já a festa na encruzilhada será comandada pelos DJs Ademar Britto, Letgabs e João Penoni, com a participação especial de Vivian Caccuri.

Campanha Arte Para o Bem.

11/set

Le Lis e Galeria Nara Roesler lançam edição limitada de camisetas em parceria com artistas renomados para apoiar o Instituto Protea na luta contra o câncer. O projeto “Arte Para o Bem” une moda e arte em 600 camisetas exclusivas, com estampas de Bruno Danley, Cristina Canale, Laura Vinci e Maria Klabin, cujo lucro das vendas será 100% revertido à ONG, que atua na prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer de mama.

A Le Lis, marca da empresa Veste S.A. Estilo, se une à Galeria Nara Roesler para apresentar o projeto “Arte Para o Bem”, do Instituto Protea, ONG que já custeou mais de 80 mil sessões de quimioterapia e radioterapia, além de consultas e exames, e onde mais de 1800 mulheres tiveram acesso ao tratamento completo contra o câncer de mama. A parceria conta com camisetas estampadas com as obras de quatro artistas consagrados. Ao todo, são 600 peças, sendo 150 unidades para cada desenho, e o lucro da venda desta edição limitada será 100% revertido para a instituição.

Os modelos exclusivos serão apresentados no dia 12 de setembro, na Galeria Nara Roesler, em São Paulo. Durante o evento, além da venda das peças, haverá uma mostra com trabalhos de cada um dos artistas. Após esta data, as camisetas também serão vendidas no e-commerce da Le Lis e na loja da marca no Shopping Iguatemi São Paulo.

Nara Roesler, fundadora da galeria de mesmo nome, conta que apoia o Protea desde sua fundação, quando conheceu Gabriella, que estava tratando de um câncer na mama. “Essa iniciativa me emocionou, pois sei o quão fundamental é iniciar o tratamento o quanto antes. Muitas mulheres não têm acesso ao atendimento preventivo, porque os serviços públicos não conseguem a agilidade necessária”, diz a empresária, que pontua a iniciativa como uma oportunidade para o público da marca de fazer algo para que outras pessoas se curem com mais rapidez.

Tarsila em Paris.

10/set

Sophie Su circulou uma nota na qual anuncia que a exposição “Tarsila do Amaral: Peindre le Brésil moderne” abrirá em Paris no Musée du Luxembourg de 09 de outubro de 2024 a 02 de fevereiro de 2025.

Informa ainda que “..essa legendária exposição, organizada pela curadora Cecília Braschi, destacará a importância de Tarsila do Amaral como figura central do Modernismo Brasileiro, com obras que capturam o imaginário popular e moderno de um Brasil em transformação. Estamos muito felizes em compartilhar que participamos da organização da exposição, colaborando com Cecília Braschi na curadoria e nos empréstimos das obras. Gostaríamos de convidar vocês para este momento especial! Se estiverem em Paris e desejarem convites exclusivos para a exposição, por favor, RSVP até quinta-feira, 12 de Setembro. Estamos à disposição para maiores informações. Será uma honra contar com sua presença neste evento imperdível!Abraços, Sophie Su”.

Antônio Roseno no CCBB Rio.

A exposição A.R.L. Vida e Obra, do fotógrafo e pintor brasileiro Antônio Roseno de Lima (1926-1998), entrou em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro. Vale conhecer a produção do artista outsider, natural de Alexandria, RN, que migrou para São Paulo e encontrou na arte a forma de se expressar. Semianalfabeto e morador da periferia de Campinas, A.R.L., como decidiu assinar suas obras, afirmando sua identidade como um cidadão, foi descoberto no final da década de 1980 pelo artista plástico e professor doutor do Instituto de Artes da UNICAMP, Geraldo Porto, que assina a curadoria da mostra. A exposição reúne mais de  90 obras, na sua grande maioria pinturas, principal suporte usado pelo artista. Há ainda à disposição do público 3 três reproduções  em 3D, facilitando a acessibilidade para pessoas com deficiência visual. A mostra, que já passou pelos CCBBs SP, BH e DF, fica no CCBB Rio até 28 de outubro, encerrando sua temporada.

O pintor tirou da sua própria realidade a inspiração para criar obras que são reflexo da mais pura e encantadora Art Brut, termo francês, criado por Jean Dubuffet, para designar a arte produzida livre da influência de estilos oficiais e imposições do mercado de arte, que muitas vezes utiliza materiais e técnicas inéditas e improváveis. Seus temas centrais foram autorretratos, onças, vacas, galos, bêbados, mulheres e presidentes. Apesar das condições precárias em que vivia na favela Três Marias, em Campinas (onde morou de 1962 até sua morte, em junho de 1998), Roseno expressava seus sonhos e observações do cotidiano através de suas pinturas, muitas vezes utilizando materiais improvisados encontrados no lixo: pedaços de latas, papelão, madeira e restos de esmalte sintético. Impressionado pela singularidade da obra de Antônio Roseno, o curador Geraldo Porto conta que a primeira vez que viu seus quadros foi em uma exposição coletiva de artistas primitivistas no Centro de Convivência Cultural de Campinas, em 1988.

Como forma de rebater reportagens da época, que o demonstravam como favelado, analfabeto e doente, passou a escrever em seus quadros em letras garrafais: “Sou um homem muito inteligente”, no intuito de se livrar dessas imagens tão negativas. A.R.L. viveu com Soledade, sua grande companheira na vida, e mesmo diante da devoção de sua mulher, o artista insistia em repetir em sua obra: “Nunca tive amor na vida”, independentemente das quase quatro décadas de relacionamento que os dois mantiveram.

Em 1991 Geraldo Porto fez a curadoria da primeira exposição individual de A.R.L., na galeria de arte contemporânea Casa Triângulo, de Ricardo Trevisan, em São Paulo. Logo após, uma televisão alemã fez uma matéria sobre Roseno, veiculada na Europa durante a Documenta de Kassel. O jornal brasileiro Folha de São Paulo recomendou sua mostra como uma das melhores da temporada. Seus trabalhos hoje figuram em publicações de renome mundial. Antônio Roseno faleceu em 1998, quando uma boa parte de seus trabalhos já estava em coleções de arte no Brasil e no exterior. Infelizmente, outra grande parte foi descartada pelo caminhão da prefeitura, chamado pela família para limpar a casa.

A emergência do novo.

O artista plástico Júlio Vieira ocupa o Centro Cultural Correios Rio de Janeiro com “Entrespaços”, exposição que apresenta pinturas em óleo e acrílica e objetos que exploram novas concepções de paisagem.

Em telas de grande e média escala, o artista sobrepõe e redimensiona múltiplas camadas para criar espaços imaginários. Indo além dos elementos orgânicos comuns na pintura de paisagem tradicional, o artista inclui em suas obras elementos territoriais, de identidade e subjetivos. Camadas e perspectivas são embaralhadas, possibilitando ao observador diferentes olhares sobre o seu entorno. Entre os elementos, todos retirados de lugares reais, estão referências coletadas por Júlio Vieira em seus deslocamentos cotidianos por metrópoles no Brasil e no exterior e homenagens à iconografia de artistas que admira. Segundo a curadora Daniela Avellar, os entrespaços são “espaços onde podemos perceber a emergência do novo”.

O artista ainda apresenta a série de bandeiras “7 ervas”, onde explora questões da pintura em formato tridimensional. Confeccionadas em veludo e feltro, cada uma delas traz bordada a imagem de uma erva relacionada a poderes de proteção na cultura brasileira, criando um espaço para o ritual e o sensível.

Até 26 de outubro.

Panorama sobre a década de 1980.

 

Com nome inspirado na música dos irmãos Marina Lima e Antônio Cícero, a exposição “Fullgás – artes visuais e anos 1980 no Brasil” vai ser inaugurada em 02 de outubro, no CCBB, Centro, Rio de Janeiro, RJ. Marina Lima autorizou o uso do título como também amou a homenagem dos curadores Raphael Fonseca, Amanda Tavares e Tálisson Melo, já que a música está completando 40 anos em 2024. “Fullgás”, assim como a música de Marina Lima, “…deseja que o público tenha contato com uma geração que depositou muito de sua energia existencial no fazer arte assim como em novos projetos de país e cidadania – uma geração que, nesse percurso, foi da intensidade à consciência da efemeridade das coisas, da vida”, dizem os curadores.

São mais ou menos 300 obras de artistas, como Adriana Varejão, Beatriz Milhazes, Daniel Senise, Leda Catunda e Leonilson, e também de outros, de todas as regiões do país, como Jorge dos Anjos (MG), Kassia Borges (GO), Sérgio Lucena (PB), Vitória Basaia (MT), Raul Cruz (PR), apresentando um amplo panorama sobre a década de 1980. Além dos quadros, a mostra incluirá elementos da cultura visual da época, como revistas, panfletos, capas de discos e objetos.

A “Geração 80” ficou marcada com a mostra “Como vai você, Geração 80?”, no Parque Lage, em 1984. “Queremos mostrar que diversos artistas de fora do Rio e São Paulo também estavam produzindo na época e que outras coisas também aconteceram no mesmo período histórico, como, por exemplo, o “Videobrasil”, um ano antes, que destacava a produção de jovens videoartistas do país”, completam os curadores.

Identidade artística de dois mundos.

09/set

“Re-localizando o Horizonte” inaugurou no Instituto Cervantes de São Paulo, SP. Trata-se de uma exposição coletiva com artistas da Argentina, Cuba, Chile e Brasil que celebra laços históricos, culturais e artísticos que uniram a Espanha à América Latina. Como destacou Gutiérrez Viñuales, catedrático em Arte Latino-americana no Departamento de História da Arte da Universidade de Granada, “a Espanha encontrou na América um espelho cultural onde se olhar e encontrar razões para sua própria identidade, enquanto que a América encontrou na tradição hispânica elementos plausíveis de serem revividos e entrelaçados com sua própria história, sua cultura e, portanto, sua arte, confirmando-se como um sustento da nacionalidade”.

A exposição “Re-localizando o Horizonte” celebra essas conexões, evidenciando como, ao longo do tempo, esses vínculos experimentaram tanto momentos de aproximação quanto de distanciamento. A mostra busca explorar a rica diversidade da arte latino-americana, ao mesmo tempo em que reflete sobre a influência mútua e as complexas relações que forjaram a identidade artística de ambos os mundos.

Curada por Mahara Martínez, a exposição coletiva apresenta uma seleção de obras de artistas latino-americanos que, através de diversos enfoques e meios, exploram a interseção entre a identidade cultural e as experiências pessoais. Os artistas Vero Murphy (Argentina), Mariana Tocornal (Chile), Larry Gonzalez (Cuba), Julia Retz (Brasil), Camila Bardehle (Chile), Nestor Arenas (Cuba), Evelyn Sosa (Cuba) e Renato Almeida (Brasil) oferecem, com suas obras, uma visão única que questiona e reinterpreta o ambiente natural e urbano a partir de uma perspectiva crítica e poética.

A exposição integra o projeto intitulado “Sentidos e sons de uma ilha”, que durante o mês de setembro incluirá eventos de música, exposições, palestras, literatura e cinema cubano.

Em cartaz até 05 de outubro.

Reflexões sobre a inclusão e a diversidade.

O artista visual Mauricio Kaschel apresenta até 26 de outubro a exposição “Atípico”, no Museu de Arte e Cultura de Caraguatatuba (MACC), SP, sob curadoria de Claudia Lopes, onde apresenta uma proposta sobre a reflexão dos padrões sociais estabelecidos, celebrando a singularidade de cada indivíduo e questionando conceitos de normalidade e anormalidade. O artista desenvolveu uma produção que desafia as convenções estéticas e narrativas tradicionais. Utilizando uma paleta monocromática e o papelão como suporte, suas obras dialogam com a solitude e a introspecção, convidando o público a refletir sobre a inclusão e a diversidade. Suas figuras solitárias, em poses meditativas, expressam a complexidade de sua experiência como indivíduo.

A curadora Claudia Lopes destaca que a exposição “Atípico” é um manifesto visual que questiona as normas sociais e celebra a diferença. Segundo ela, “ao desvendar os mistérios do papelão e da cor, o artista nos convida a olhar além das aparências e a reconhecer a beleza na diversidade humana”. Essa abordagem introspectiva é fundamental para a compreensão do trabalho de Mauricio Kaschel, que utiliza sua arte como uma ferramenta para explorar sua identidade e o lugar do indivíduo na sociedade. Sua produção é marcada por uma técnica autodidata que alia experimentação a uma meticulosa atenção aos detalhes. Sua escolha pelo suporte rústico e imperfeito reflete seu desejo de criar uma conexão direta com a realidade material e as deficiências existentes na vida cotidiana. Cada corte no papelão simboliza as cicatrizes da existência humana, refletindo sua jornada pessoal e artística.

“Atípico” também integra a condição neuro divergente de Mauricio Kaschel em sua prática artística. Diagnosticado no Espectro Autista nível 1 aos 35 anos, encontrou na arte um meio de expressão que transcende as limitações impostas pelas normas sociais. “Atípico” é, portanto, uma afirmação de sua identidade e não uma celebração da neurodiversidade, abordando temas como autenticidade, autorreflexão e alerta social. A mostra propõe uma reflexão sobre as relações humanas no contexto da arte contemporânea. O trabalho de Mauricio Kaschel valoriza a autoaceitação, desafiando as normas e expectativas da sociedade. Claudia Lopes observa que, em um mundo que frequentemente busca conformidade, “Atípico”, um grito de liberdade e aceitação, celebrando a pluralidade humana em todas as suas formas, convida o público a um diálogo introspectivo. Nas profundezas do azul, por exemplo, o artista encontra os segredos antigos, os mistérios do universo ecoando nas dobras do material. Cada obra é uma dança entre luz e sombra, um eco das palavras não ditas que reverberam na memória do observador. “Atípico” se posiciona como uma reflexão profunda sobre a arte e a condição humana, explorando suas complexidades e o fazer artístico como meio de expressão individual e coletiva. A exposição oferece ao público uma oportunidade única de se engajar com questões fundamentais sobre a identidade, a diferença e a inclusão, através do olhar sensível e da técnica apurada de Mauricio Kaschel.

Sobre o artista

Maurício Kaschel (Campinas, SP) – iniciou sua trajetória artística aos 12 anos, com uma exposição no Hospital de Câncer Infantil Boldrini, onde foi tratado de uma grave condição de saúde. Graduado em Cinema pela Faculdade de Cinema e Mídias Digitais (Brasília, DF), dedicou uma década ao audiovisual, atuando como roteirista e colorista. Publicou livros infantis e infantojuvenis, e exerceu diversas funções além de professor de artes e storytelling. Em 2022, redirecionou seu foco para as artes visuais, sendo reconhecido em 2023 com o prêmio do 45º Salão de Artes Plásticas Waldemar Belisário, em Ilhabela, SP. Participou de residência artística no Ateliê Ziriguidum, em Poços de Caldas, MG, e já expôs suas obras em diversas mostras, individuais e coletivas, incluindo “Caminho” (2023), Salão de Arte UNIVAP (2024) e a XX Mostra de Arte do Vale do Paraíba (2024).