Sob orientação de Paulo Herkenhoff

13/set

 

Localizada na sede da FGV, em Botafogo, no Rio de Janeiro, a FGV Arte será um espaço voltado à valorização e experimentação artística e a debates contemporâneos em torno da arte e da cultura, buscando incentivar o diálogo com setores mais criativos e heterogêneos da sociedade. A iniciativa pretende conectar, a partir de projetos artísticos, as escolas da FGV, tais como a Escola Brasileira de Administração Pública, Escola de Economia, Escola de Matemática Aplicada, Escola de Ciências Sociais (CPDOC) e a Escola de Comunicação, Mídia e Informação. A FGV Arte prevê ainda seminários, oficinas metodológicas e cursos práticos de formação para as artes.
A exposição inaugural foi intitulada de “A Quarta Geração Construtiva no Rio de Janeiro” pelo curador Paulo Herkenhoff e ficará em cartaz, com entrada gratuita, até novembro de 2023. Na abertura, será lançado o livro “Rio XXI Vertentes Construtivas”, também sob a concepção de Paulo Herkenhoff, que além de organizar a publicação, dirigiu o projeto editorial junto ao artista e designer gráfico Fernando Leite. O livro é o segundo volume da coleção, que se iniciou com “Rio XXI Vertentes Contemporâneas”, lançado em 2019. A relação da FGV com a arte contemporânea vem sendo resgatada desde 2012, quando passou a editar publicações sobre diversas vertentes da arte e do design, a exemplo do livro “Móvel brasileiro moderno”.
“Ainda na década de 1940, a FGV promoveu um curso pioneiro no âmbito artístico que possibilitou a formação especializada para o campo gráfico – em forte expansão à época. A FGV Arte resgata a tradição de incentivo à arte da Fundação, buscando encorajar e desenvolver ainda mais o setor cultural no Rio de Janeiro”, avaliza o presidente da FGV, Carlos Ivan Simonsen Leal, que completa: “A importância do novo espaço se firma na promoção de diálogos multidisciplinares, algo que a Fundação tem em sua missão”.
“A FGV Arte surge em um movimento importante de revitalização do Rio de Janeiro”, diz Sidnei Gonzalez, diretor da FGV Conhecimento, um dos incentivadores do projeto: “O novo espaço abre com a intenção de apoiar a arte contemporânea brasileira e carioca. Local de produção de conhecimento, prospecção de novos artistas e promoção de diálogos, a FGV Arte se integra à cidade, ressaltando um dos seus grandes diferenciais: o setor artístico e seu engajamento criativo”.

Música e arte digital

Durante a abertura da FGV Arte, a esplanada da FGV será palco de um concerto com metais e percussão da Orquestra Sinfônica Brasileira. O repertório cria uma cronologia da música carioca, de Villa-Lobos ao funk. E, pela primeira vez, a abóbada do auditório, projetado por Oscar Niemeyer, receberá um mapping original criado pela SuperUber, a partir das inspirações conceituais e das referências da exposição em cartaz. As projeções sobre a abóboda acontecem de segunda a sexta-feira, dia 15 de setembro, das 18 às 21h.

A exposição

“A Quarta geração construtiva no Rio de Janeiro” reúne 47 artistas cariocas: de origem, por adoção ou visitantes marcados pela cidade, sem limite geracional ou de linguagem, e sob curadoria de Paulo Herkenhoff, que definiu a cidade no século XXI “com novas perspectivas no campo social de circulação da obra de arte”. Para o curador, o processo construtivo, retratado na exposição, permanece fortemente na cidade, com práticas contemporâneas em andamento. Foi a partir daí que Paulo Herkenhoff estabeleceu o conceito de “quarta geração construtiva”: “O século XXI coincide com a quarta geração construtiva, a etapa de maior abertura experimental da relação com a matemática, a topologia, o número, o acaso e improvisos, desastres e a crise do poder, num emaranhado de agendas políticas e conceituais, processos de subjetivação, a explosão do olhar da periferia e um novo ethos, a crítica institucional, a geometria sensível da América Latina, introdução de signos materiais da arte inauditos e o quase nada e o zero”.

Participam da coletiva os artistas (por ordem alfabética):

Adriana Eu, Adriana Maciel, Alexandre Vogler, Allan Weber, Alvaro Seixas, Amalia Giacomini , Andrea Brown, Antonio Bokel, Bruno Veiga, Cadu, Carolina Ponte, Daniel Murgel, Deborah Engel, Delson Uchôa, Denilson Baniwa, Francisco Proner, Guilherme Santos Silva, Guilhermina Augusti, Heleno Bernardi, Heberth Sobral, Igor Vidor, Ismael Monticelli, Jefferson Medeiros, Joana Traub Csekö, Joelington Rios, Joey Seiler, Latoog, Lucas Ururah, Luiz Baltar, Luna Bastos, Lyz Parayzo, Marcelo Catalano, Marcelo Conceição, Marcelo Macedo, Marcelo Monteiro, Marcone Moreira, Maria Mazzilo, Michel Groisman, Mulambö, Osvaldo Carvalho, Paulo Vivacqua, Pedro Vitor Brandão, Tainan Cabral, Tantão, Thiago, Ortiz, Toz e Yhuri Cruz.

O livro

Com organização e direção editorial Paulo Herkenhoff e Fernando Leite, Rio XXI Vertentes Construtivas [288 páginas] é o segundo volume bilíngue [português e inglês], da coleção Rio XXI, desenvolvida pela FGV Conhecimento. A nova publicação relaciona as gerações precursoras dos movimentos atuais e suas formas de gerar o raciocínio construtivo nas artes visuais brasileiras. Assinam textos nesta edição (na ordem em que aparecem na publicação) Leno Veras, Glória Ferreira, Paulo Herkenhoff, Sérgio Bruno Martins e Felipe Scovino; e textos adicionais por José Maria Dias da Cruz, Luiz Chrysostomo de Oliveira Filho, Luiz Camillo Osorio, André Pitol, Daniela Name, Guilherme Altmayer, Priscyla Gomes, Fernanda Lopes, Fernando Cocchiarale, Jefferson Medeiros, Christiane Laclau, Aldones Nino, Nathalia Grilo, Vovó Maria Carlota, Ricardo Gomes Lima, Natalia Quinderé e Wair de Paula. A publicação estará à venda a partir do final de novembro.
Coleção de arte

Concomitante à criação da FGV Arte, a Fundação Getulio Vargas está iniciando uma coleção de arte brasileira do século XXI. As primeiras obras incorporadas são uma escultura de Ascânio MMM e um trabalho de Xadalu Tupã Jekupé, artista indígena radicado em Porto Alegre. A coleção tem orientação e coordenação curatorial de Paulo Herkenhoff.

Fundação Getulio Vargas

Instituição de caráter técnico-científico e educativo, foi criada em 20 de dezembro de 1944 como pessoa jurídica de direito privado. Tem por finalidade atuar na produção de conhecimento, com ênfase especial no campo das ciências sociais, administração, direito e economia, contribuindo para o desenvolvimento econômico e social do país.

 

Exibição de obras de Jorge Guinle

12/set

 

 

A Danielian Galeria, Gávea, Rio de Janeiro. RJ, senta apresenta a partir do dia 14 de setembro, às 18h, a exposição “Jorge Guinle – Uma pincrlada certa vale mais do que uma boa ideia, com mais de 85 obras, entre pinturas em óleo sobre tela e desenhos,  desenhos, do pintor Jorge Guinle (1947-1987), considerado um dos principais artistas brasileiros do século 20, com relevância internacional no âmbito da abstração, e uma referência para a chamada Geração 80. As obras são oriundas de diversas coleções particulares.  A exposição tem curadoria de Marcus Lontra Costa e Rafael Peixoto.

 

A exposição inaugura um pavilhão expositivo construído terreno da Danielian Galeria. que acrescenta 600 metros quadrados ao 900 metros quadrados da casa principal da instituição. Para a exposição foram selecionados também cerca de 40 desenhos em diferentes técnicas criados entre os anos 1960 e 1980.

 

Representante da obra do artista, a Danielian Galeria é responsável, há cerca de três anos, por cuidar do acervo pessoal de Jorge Guinle, composto por mais de sete mil desenhos, ainda pouco conhecidos, além de outros objetos do artista, que pertenciam ao fotógrafo Marco Rodrigues, seu companheiro. A união entre Marco Rodrigues e Jorge Guinle é símbolo da conquista dos direitos LGBTQIA+ no Brasil, por ter sido a primeira união homoafetiva reconhecida pela justiça brasileira brindo jurisprudência para o assunto.

Em exposição até 04 de novembro.

 

Coleção Emanoel Araújo

05/set

Em paralelo com a Bienal de São Paulo, a Bolsa de Arte apresenta – desde o dia 06 de setembro – uma exposição e leilão destacando a coleção de Emanoel Araujo (1940-2022), o renomado artista brasileiro que, também foi diretor de museu e curador.
O leilão ocorrerá nas noites de 25 a 28 de setembro, a partir das 20h.
Devido à importância de Emanoel Araújo, esta exposição atrairá colecionadores e diretores de museus de todo o mundo, incluindo os que vieram a São Paulo para participar da feira de arte bienal. Um público altamente qualificado.
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Emanoel Araujo reuniu uma impressionante coleção de mais de 4.000 obras, celebrando a riqueza e a diversidade da cultura brasileira por meio de old masters, pinturas, esculturas brasileiras, design, fotografia, arte sacra, jóias coloniais, cerâmicas e artesanato. No próximo ano, outro leilão será realizado, apresentando peças da coleção do Museu Afro Brasil, fundado por Emanoel Araújo em 2004.
Uma coleção que reflete a riqueza da cultura brasileira
A exposição destaca a coleção de Araújo, oferecendo uma visão mais ampla da riqueza cultural do Brasil. A importância do legado de Emanoel Araújo e de sua coleção transcende as fronteiras da arte.
A coleção de Emanoel Araújo abrange desde representações de Orixás na religião afro-brasileira até representações europeias em bronzes coloniais.

Passabilidade

01/set

Sob o título geral de “Novo Poder: Passabilidade, Miss Brasil” trata da série de pinturas que Maxwell Alexandre fez em papel pardo com imagens de pessoas negras em um cubo branco, relacionadas ao conceito de passabilidade – isto é, caminhar seguro e despercebido no espaço público –  no mundo da arte.
As pessoas retratadas adotam postura debochada; outras refletem o dia a dia, como uma senhora com saia florida e estudantes. Na Casa SP-Arte,  Jardins. São Paulo, SP.

Bandeiras&Cores

31/ago

Depois de passar por São Paulo, Vaduz (capital de Liechtenstein), Bruxelas, Búzios e mais recentemente Guajiru e Fortaleza, o projeto “Bandeiras e Cores Entre Nós” chega ao Centro Cultural Correios, no Rio de Janeiro, onde vai reunir 36 bandeiras customizadas por artistas de várias procedências. Mantendo sua vocação itinerante, o evento tem como proposta levar as obras a galerias e espaços culturais que ultrapassam as fronteiras continentais, levantando bandeiras – literalmente – como mobilizadoras sociais e vitais em diferentes formatos, com temas atuais e de relevância para o país.

Selecionados através de uma convocatória, já estiveram presentes mais de 120 profissionais, residentes em diferentes regiões do Brasil do exterior. A realização é da Arte2 Produtora, representada pela artista plástica e curadora Angela de Oliveira junto com a galerista, fotógrafa e curadora Ana Arcioni, que assinam e dirigem o projeto. Nesta edição, elas contam com a colaboração da também artista plástica Renata Costa, que se une a elas na co-curadoria.

Sobre as obras

Cerca de 36 bandeiras em tecido de voal, medindo 2,50 por 1.,0 cm, ocuparão o espaço expositivo, impressas e costuradas em varão de madeira e fixadas nos perfis metálicos existentes no teto por fios de nylon, conferindo leveza e fluidez às obras, cujo tema é livre.

 

Entre os artistas confirmados, estão Acácio Pereira, Ara Vilela, Carla Barros, Carlos Sulian, Cati Alionis, Colenese, Cristhina Bastos, Cristina Pacheco, Deborah Netto, Emanuelle Calgaro, Francisco Ivo, Gray Portela, Gualton Remo, Gui Brescia, Henrique Diogo, Hermano Cananea, India Prado, Jansen Vichy, Josephine Di Giovanna, Ju Moraes, Justina D´Agostino, Lenny Lopes, Marcia Fontenelle, Mari Pereira, Miguel Nader, Miriam Gonçalves, Paula Loraine, Renata Costa, Ricardo Massolini, Roberto Vamos, Rose Maiorana, Silvana Ravena, Soraya Boechat, Simone Bellusci, Tarso Sarraf, Thais Moraes e Valéria Oliveira.

 

Luiz Hermano no Recife

29/ago

 

A exposição “Vinte Palavras Girando ao Redor do Sol”, individual de Luiz Hermano sob curadoria de Walter Arcela é o atual cartaz da Amparo 60, praia de Boa Viagem, no Recife, PE.

A palavra do curador

“Luiz Hermano @luizhermanof é um artista da síntese. As obras selecionadas nesta exposição estruturam-se a partir da seriação geométrica, do apinhamento e da reiteração de um mesmo elemento, deslizado da sua função original, mas nunca da sua forma. Os elementos combinados são entrelaçados por simples arames de cobre e, em algumas ocasiões, um mesmo fio é o elo do todo da estrutura. Essa delimitação consciente de materialidades e recursos da feitura nos rendeu o mote curatorial, a partir do qual friccionamos a poesia do pernambucano João Cabral de Melo Neto com a poética de Luiz Hermano, percebendo em ambos a tendência do que o primeiro escreveu no poema: “Falo somente com o que falo: / com as mesmas vinte palavras/ girando ao redor do sol.” (1961)”

Visitação: Até 30 de setembro

As cores de Marcus Vinicius

16/ago

A Galeria Marcelo Guarnieri, Jardins, apresenta, entre 19 de agosto e 30 de setembro, “Quem tem medo do vermelho, amarelo, azul e de outras sessenta e três cores?”, segunda exposição de Marcus Vinicius no endereço de São Paulo. O título da mostra faz referência à icônica série “Who’s Afraid of Red, Yellow and Blue” de Barnett Newman, cujo trabalho com as cores primárias em estruturas sumárias também tem sido explorado por Marcus Vinicius em sua investigação na pintura desde os anos 1990.

“Quem tem medo do vermelho, amarelo e azul e de outras sessenta e três cores?” reúne 6 obras, sendo uma delas formada por um conjunto de 66 pinturas nomeadas pelo artista de “pinturas do avesso” que apresentam as cores utilizadas por ele ao longo de seus 25 anos de trabalho. Intitulada de “Catálogo” (2023), a obra segue uma ordem de funcionamento particular, cujos critérios de composição e display se estabelecem a partir de uma leitura analítica e retrospectiva de sua produção. As pinturas em tinta automotiva sob vidros, montadas com perfis de alumínio anodizado, são distribuídas em 6 fileiras horizontais, em quadros de 3 tamanhos diferentes: 50×50 cm, 50×70 cm e 50×100 cm. A variação das dimensões está associada à frequência do uso das cores ao longo da produção do artista. Elas estão distribuídas na parede não por um critério estético, mas pela ordem em que aparecem no catálogo de cores industriais.

Além de “Catálogo” (2023), obra que ocupa toda a extensão de uma das paredes da galeria, medindo 4,5 X 9 m, a mostra apresenta outros 5 trabalhos inéditos de uma nova série chamada “Aparelhos Analíticos”, sendo 4 deles de grandes dimensões, também realizados com tinta automotiva, técnica utilizada pelo artista pela primeira vez. Marcus Vinicius experimenta as possibilidades da pintura industrial para dar continuidade a sua pesquisa sobre a cor e os efeitos ópticos causados pela interação entre a superfície espelhada e transparente do vidro e a superfície opaca da madeira.

Marcus Vinicius é licenciado em Artes Plásticas pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo e inicia sua participação em exposições no Brasil no início dos anos 1990. A partir da ideia de “Estrutura quadro”, conjunto de regras criadas por ele mesmo para guiar o seu processo de produção, Marcus Vinicius explora as propriedades de materiais e cores industriais. Seus quadros dialogam com o universo da indústria, sem, no entanto, estarem de todo entregues a ele. Regidos pela ordem da produção modular em série, esses trabalhos podem se apresentar, inicialmente, impessoais e herméticos, mas, sob um olhar mais atento, revelam a complexa relação entre os seus elementos. Sua feitura é, desde o início, administrada por uma inteligência do sensível: as formas, combinações de cores e variação de materiais são cuidadosamente escolhidas e pensadas por Marcus Vinicius, que, em um tempo bem menos acelerado que o da indústria, os articula na busca pelo ajuste de uma química interna do quadro.

O vidro, por exemplo, é convocado por sua propriedade reflexiva e pela dúvida que seu efeito óptico pode gerar à visão do observador. Não se trata da transparência pura e simples, mas sim da opacidade, das artimanhas visuais. Por outro lado, o uso da tinta sobre madeira em cores tão frequentemente observadas no cotidiano da cidade criaria um terreno seguro para a visão – estaríamos certos do que nosso olho vê -, mas o atrito entre cores distintas acaba por gerar alguma vertigem, terceiras cores que são percebidas só virtualmente. Marcus Vinicius está interessado pela pintura, por aquilo que pode acontecer no espaço bidimensional, mas também por aquilo que pode ser gerado na terceira dimensão. Não somente seus efeitos ópticos, mas suas experiências físicas, através dos suportes geométricos em madeira ou alumínio construídos por ele mesmo em sua oficina.

No Centro Cultural Correios

O Centro Cultural Correios, Centro, Rio de Janeiro, RJ, apresenta até o dia 16 de setembro, a exposição “Fronteiras Abertas” que consiste em três exibições individuais simultâneas dos artistas Fábio Carvalho, Luiz Badia e Osvaldo Carvalho, com curadoria de Sonia Salcedo del Castillo. “Fronteiras Abertas” reuniu artistas que têm uma grande conexão de estilo e linguagem entre seus trabalhos. O elo de ligação é uma obra figurativa baseada em elementos simbólicos envolvidos numa abstração lírica e estilizada. Uma corrente da arte contemporânea que assimila aspectos da Pop Art e do Surrealismo, ao mesmo tempo flertando com a Urban Art.

A palavra da curadoria

Os três artistas em suas exposições abrem, literalmente, suas fronteiras numa simbiose que alarga sua conexão, criando assim um corpo só, falando de meio ambiente e brinquedos da infância, que promovem uma reflexão acerca da existência humana, a partir do confronto entre perene e efêmero. À maneira lúdica, tal abordagem – expandida em formas, palhetas, faturas, traços, suportes e meios diversos -, é carregada de valores simbólicos e alegóricos, através dos quais conduzem à indagações em torno da urgência de clareza e equidade à melhoria da condição humana. Embora cada artista se valha de recursos poéticos distintos, operam retóricas subjetivas de maneira coesa. Em todos eles, formas e imagens pré-existentes são reunidas em miríades de escritas possíveis. Relacionada ao conceito de cultura da imagem e seu poder manipulador da massa social, “Fronteiras Abertas” é uma exposição que flerta sonho e realidade por meio de montagens, nas quais se aplicam todos os procedimentos alegóricos, implicados no modus operandi da vida nos dias atuais.

Uma abordagem conceitual

11/ago

Alexandre Murucci exibe, até 16 de setembro, “A floresta azul”, no Centro Cultural dos Correios SP, sob curadoria de Victor Gorgulho, onde reúne uma série de novos trabalhos que abordam questões fundamentais relacionadas ao patrimônio natural do Brasil, a importância dos povos originários, as ameaças enfrentadas pela Floresta Amazônica e o panorama sociopolítico que afeta o futuro do planeta. Através de uma abordagem conceitual, o público será convidado a refletir sobre a vida que flui na floresta, conferindo-lhe a tonalidade azul.

O questionamento central da exposição é expresso pelo próprio artista: “De que cor é uma floresta?” O título oferece uma resposta implícita a essa indagação, insinuando que a floresta é azul, em virtude da vitalidade que exala para o ambiente. Alexandre Murucci adentra o âmago da discussão sobre a Floresta Amazônica, utilizando diversos meios artísticos para examinar as complexidades da região e sua relação com a realidade geopolítica contemporânea.

Através de diferentes mídias e suportes, o artista aborda uma das questões mais urgentes da atualidade brasileira e do mundo contemporâneo: a preservação da Amazônia. Seja por meio de uma abordagem crítica e incisiva sobre o passado de descaso e projetos fracassados que marcaram a história da maior floresta tropical do mundo, ou através de um olhar poético que oferece uma visão panorâmica do passado e do presente da região e do Brasil, convida o público a embarcar em um percurso labiríntico que abrange os aspectos sociais, políticos e culturais desse território que se destaca pelo descaso e, ao mesmo tempo, pelo fascínio que desperta em todos os seres que compartilham este planeta, a nossa Terra. A Floresta Azul, representa a vida que flui no ar em forma líquida e vital, conferindo à floresta uma tonalidade azul, em contraste com as cores convencionais associadas a esse ecossistema. Com um enfoque conceitual marcante, Alexandre Murucci exibe trabalhos em diversos suportes, incluindo uma instalação que dará nome à exposição, intitulada “labirintos espaciais”. Essa imensa e delicada composição é construída a partir de bastidores de madeira e telas de seda sintética, criando uma paisagem flutuante inserida em uma figura concretista.

“Ora lançando mão de um olhar crítico e mordaz diante do passado historicamente conhecido de descaso e sucessivos projetos fadados ao fracasso na maior floresta tropical do mundo; ora nos apresentando um panorama do ontem-hoje da Amazônia e do Brasil através de um singular olhar poético, o artista convida o espectador a um percurso labiríntico – literal e metafórico – por entre os meandros da história social, política e cultural de um território a um só tempo fruto do descaso e do fascínio infindo dos olhos (e dos pulmões) de todos os seres que habitam este planeta que ainda chamamos de…Terra”, discorre Victor Gorgulho.

“De que cor é uma floresta? Verde como deveria? Amarela e seca? Vermelha como quando arde em chamas? Negra, após suas mortes? Para o artista ela é azul, pela vida que transpira pelo ar. Vida em forma líquida e vital!, diz Alexandre Murucci.

Sobre o artista

Alexandre Murucci nasceu no Rio de Janeiro, RJ, 1961. Vive e trabalha no Rio de Janeiro. Artista plástico com formação pela Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV). Sua trajetória de mais de 30 anos inclui trabalhos com suportes múltiplos, com ênfase em escultura, fotografia, instalação, vídeo e arte digital (NFT). Suas obras, de cunho conceitual, abordam principalmente temas relacionados a identidades, inserções periféricas e polaridades dos fluxos de poder, sempre com um viés político-histórico e referências metalinguísticas no âmbito da arte. Obteve reconhecimento ao longo de sua carreira, participando de mais de 80 exposições em seu trajeto profissional. Em 2009, foi agraciado com o prêmio Bolsa Iberê Camargo e, no mesmo ano, recebeu o convite para participar da mostra coletiva “Las Américas Latinas – Fatigas Del Querer” em Milão, com curadoria de Philippe Daverio. Em 2011, recebeu o 2º prêmio da Fundação Thyssen-Bornemisza, de Viena, no projeto “The Morning Line” – TBA21. Entre suas exposições individuais de destaque estão “Cadeau”, na Galeria Mariantonia – USP, em 2022; “Arquipélago”, na Galeria de Arte Maria de Lourdes Mendes de Almeida, em 2019; “O Fio de Ariadne”, no Centro Cultural Correios, ambas no Rio de Janeiro, em 2021; “Las Américas Latinas” em Milão, Itália, em 2014; e a exposição “Nicho Contemporâneo” no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, em 2010. Além disso, suas obras já foram exibidas em diversos países, como EUA, Eslovênia, Cuba e Alemanha. Em 2011, representou o Brasil na Bienal da Áustria e, em 2019, na 13ª Bienal do Cairo. Em 2017, foi selecionado por meio de um open-call mundial para o Pavilhão de Grenada na 57ª Bienal de Veneza, com comissariado de Susan Mains e curadoria de Omar Donia. Também se destacou como um dos primeiros artistas a exibir suas obras em formato NFT durante a ARTRIO, feira presencial de arte, através da galeria Metaverse Agengy, uma participação inédita internacionalmente.

Sobre o curador

Victor Gorgulho nasceu no Rio de Janeiro, RJ, 1991.  Vive e trabalha no Rio de Janeiro. Curador, jornalista e pesquisador, é graduado em Jornalismo pela Escola de Comunicação da UFRJ e atualmente mestrando em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio, com um profundo envolvimento no campo das artes visuais. Atuando como Curador-chefe do Instituto Inclusartiz, já esteve à frente de importantes exposições no cenário artístico contemporâneo. Entre suas curadorias notáveis estão “Vivemos na melhor cidade da América do Sul”, em colaboração com Bernardo José de Souza, realizada em Átomos, Rio de Janeiro, em 2016, e na Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre, em 2017; “terceiro mundo pede a bênção e vai dormir”, realizada na Despina, Rio de Janeiro, em 2017; “Eu sempre sonhei com um incêndio no museu” – Laura Lima & Luiz Roque” no Teatro de Marionetes Carlos Werneck, no Rio de Janeiro, em 2018; e “Perdona que no te crea”, na Fortes D’Aloia & Gabriel, Rio de Janeiro, em 2019. Victor Gorgulho também co-curou a exposição “Escrito no Corpo” em parceria com Keyna Eleison, em exibição na Carpintaria, no Rio de Janeiro, até fevereiro de 2021. Desde 2019, atua como curador do MIRA, programa de videoarte da ArtRio. Integra o corpo curatorial da Despina, centro de pesquisa e residência artística no Rio de Janeiro, sob a direção de Consuelo Bassanesi. Com vasta experiência jornalística, foi editor assistente de cultura do Jornal do Brasil (2014-2017) e é colaborador de veículos como o El País Brasil. Coorganizou, juntamente com a crítica e curadora Luisa Duarte, o livro “No tremor do mundo – Ensaios e entrevistas à luz da pandemia” (Editora Cobogó, 2020).

José Gamarra – Antologia

A exposição “José Gamarra – Antologia”, originalmente apresentada no Museu Nacional de Artes Visuais do Uruguai (MNAV), atual cartaz até 22 de outubro na Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre, RS, cuja oraganização de Enrique Aguerre, Heber Perdigón e Gustavo Possamai, oferece um panorama de quase oito décadas da carreira de um dos mais importantes artistas nascidos na nação vizinha, referência incontornável nas artes plásticas, não apenas no seu país de origem, mas além das suas fronteiras.

José Gamarra foi aluno de Iberê Camargo no Instituto de Belas Artes do Rio de Janeiro em 1959 e, graças ao apoio que recebeu do mestre, foi nomeado professor de pintura na FAAP/Fundação Armando Álvares Penteado, em São Paulo. Sua obra desenvolveu-se principalmente na França, onde se estabeleceu definitivamente em 1963, e onde iniciou a produção de suas paisagens da selva amazônica.

Esta mostra, de caráter antológico, abrange seus principais períodos criativos, que se iniciam com os seus desenhos e pinturas precoces, criados na infância e juventude, atravessam a abstração de seus signos até chegarem às suas sempre reveladoras e surpreendentes selvas. As pinturas de Gamarra possuem raízes profundas na história da América Latina e, segundo o próprio artista, podem ser interpretadas como uma espécie de crônica. Suas selvas têm sido visitadas por novos conquistadores que, com seus lança-chamas, apagam o arco-íris e substituem o majestoso condor por helicópteros. “Dupla agressão, contra homens e contra a natureza”, afirma o artista. Assim, a política está sempre presente em sua obra, abordando temas como a guerra, a agressão à natureza, a condição dos indígenas, o passado, o presente e o destino da América Latina. Não se pode compreender a história da arte produzida no Uruguai sem a contribuição do mestre José Gamarra – opinião esta, unanimemente aceita.