Arte participativa

25/out

No próximo dia 30 de outubro, o Museu Nacional de Belas Artes (MnBA), Centro, Rio de Janeiro, RJ, inaugura a exposição participativa “Arte Aproxima”, com obras dos artistas Ernesto Neto, Efrain Almeida, Priscila Fiszman, Emilia Estrada, Aline Gonet e da psicóloga Robertha Blatt, idealizadora do projeto, que tem o objetivo de familiarizar o público jovem com o mundo da arte, despertando trocas sensíveis e novas experiências. Com curadoria de Lisette Lagnado, será criado um circuito inédito integrado entre as obras contemporâneas e pinturas emblemáticas da história da arte pertencentes ao Museu, como “A Primeira Missa” (1948), de Cândido Portinari (1903-1962), e obras do século XIX, de artistas como Victor Meirelles (1832-1903) e Pedro Peres (1841-1923). A exposição é incentivada pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura Carioca.

 

“A arte é curativa e transformadora, permite entrar em contato consigo mesmo, trazendo insights. Os artistas vivenciam isso durante a produção das obras, mas essa oportunidade pode existir para todos. O projeto tem como objetivo democratizar e disponibilizar essa experiência para as pessoas”, diz Robertha Blatt, que é psicóloga, educadora há 20 anos e tem 15 anos de experiência em terapia de família. A exposição é aberta a crianças de todas as idades e será complementada com a participação do público. Os artistas e educadores estarão presentes na mostra e os trabalhos criados pelo público ao longo da exposição, através das atividades propostas e dos materiais disponíveis, ficarão expostos, integrando-se às obras existentes, como um grande tricô coletivo que será produzido pelo público e, ainda, uma estrutura a ser construída com tijolos contendo desenhos feitos pelas crianças. Ao longo da exposição, haverá, ainda, conversas com os artistas, a curadora e a idealizadora do projeto.

 

 

Circuito da exposição

 

A mostra começa no segundo andar do Museu Nacional de Belas Artes, onde estão as pinturas “Primeira Missa no Brasil” (1861), de Victor Meirelles (1832-1903) e “Elevação da Cruz” (1879), de Pedro Peres (1841-1923). A artista Emilia Estrada desenvolveu especialmente para a ocasião uma versão do jogo de telefone sem fio, com a finalidade de criar narrativas sobre a história do Brasil.

 

O percurso segue na Sala de Chá, convertida em ambiente imersivo. O lugar foi renomeado de “campo sagrado” por Robertha Blatt, que convida as pessoas a percorrerem um caminho espiral sugerido por amplas camadas de tecidos de voal colorido. Nessa instalação, as crianças recebem uma segunda pele que lhes permite abraçar sensorialmente o espaço externo. Vestidas de ‘guri-guru’, poderão explorar livremente a experimentação desta veste e são convidados a seguirem assim até a sala onde está exposta ‘A Primeira Missa’, de Cândido Portinari (1903-1962), pintura histórica que completa agora 70 anos, consagrada pelo crítico de arte Mário Pedrosa (1900-1981) como ‘uma de suas obras mais bem concebidas. Segundo a educadora Aline Gonet, “o trabalho manual é uma porta de interação com o mundo. “Rosa dos Ventos” é uma proposição que desenvolve a intimidade emocional a partir de técnicas manuais. As pontas de nossos dedos têm uma grande densidade de terminações nervosas, o que permite ao cérebro identificar o que os dedos estão explorando”. “A cada dia, uma trança de tricô amarelo (a cor sagrada na tradição cristã e chinesa, como nos lembra Pedrosa) irá crescer no espaço expositivo, evidenciando a presença de encontros e brincadeiras anteriores”, conta a curadora.

 

Na sala de exposição, a fruição e compreensão do quadro de Cândido Portinari, momento histórico que representa um “enxerto de civilização cristã”, ganha relevo graças a um conjunto de três esculturas de Efarin Almeida, evocando as informações ausentes na grandiosa pintura realizada setenta anos atrás: a fauna, a flora e a presença de povos indígenas quando os portugueses chegaram ao Brasil. Os estandartes com desenhos sobre tela de Emilia Estrada criam uma perspectiva crítica desse maravilhoso Novo Mundo com sua obra “Fake News / Cacofonia”.

 

“Língua de fogo” é a obra-oficina de Priscila Fiszman, em parceria com a bombeira do MnBA, que irá abraçar o tema da segurança e prevenções, explicando o funcionamento de um extintor. Desenhando sobre tijolos, o público irá colaborar na construção coletiva de um templo. “O incêndio do Museu Nacional do Rio, na Quinta da Boa Vista, acarretou a perda de um patrimônio incalculável, mas, também, um trauma ainda incalculável no inconsciente coletivo”, ressalta a curadora. Seguindo na exploração de possibilidades de interação sensorial, de Ernesto Neto introduz a ideia de “esculturacura”, pontuando um recolhimento interior necessário para enfrentar a atual conjuntura sociopolítica, agravada com a disseminação de relações mediadas pela tecnologia. A obra “EstrelaTerra vibra nois. Todos somos nós” consiste em crochê com voal de algodão, bambu, areia, quartzo transparente, folhas secas e folhas de louro e permite que público entre na obra e tenha experiências sensoriais.

 

 

Sobre o projeto

 

Desenvolvido ao longo de um ano, em colaboração com crianças, famílias, pedagogos, artistas, ativistas e psicólogos, o projeto surge da experiência clínica de Robertha Blatt, que vem elaborando novas abordagens para o jovem público acessar emoções difíceis de serem expressas. Por meio de estímulos lúdicos, conversas e dinâmicas, acredita-se na ecologia transformadora da experiência estética como catalizadora de linguagem. O projeto traz em seu bojo a utopia de reconectar as pessoas com a pulsão criativa da vida. A produção executiva é feita pela Next Produções.

 

 

Sobre a curadora

 

Lisette Lagnado é Doutora em Filosofia pela Universidade de São Paulo, crítica de arte e curadora independente. Foi curadora-chefe da 27a Bienal de São Paulo (2006) e da exposição “Desvíos de la deriva”, no Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofia, Madri (2010). Dirigiu a Escola de Artes Visuais do Parque Lage (RJ), onde foi também curadora dos programas públicos (2014-2017). Em 2017, foi curadora da exposição “O Nome do Medo”, de Rivane Neuenschwander em colaboração com Guto Carvalhoneto (Museu de Arte do Rio, MAR). Em 2018, curou a exposição “Cabelo – Luz com trevas” (BNDES, RJ), duas mostras monográficas sobre León Ferrari (Galeria Nara Roesler, SP e NY), e a coletiva “Com o ar pesado demais pra respirar” (Galeria Athena, RJ).

 

 

Sobre a idealizadora

 

Robertha Blatt atua nas fronteiras entre arte, psicologia e educação. Há 15 anos, pesquisa a articulação de práticas terapêuticas e expressões artísticas, trafegando pelos papéis de educadora infantil, terapeuta de família, psicóloga, mãe e artista. Especializada em terapia de família e casal. Seu consultório-ateliê disponibiliza recursos multissensoriais que viabilizam outras manifestações expressivas além do discurso verbal. Explora imersões em museus pelo mundo, observando a interação entre as pessoas e as proposições destes espaços. Interessa- se pelo estudo de terapia somática e bodynamic. Realiza palestras e encontros com os temas voltados para educação e psicologia. Investiga a relação dinâmica entre a expressão das emoções, a criação artística e a construção de si.

 

 

Nilcemar Nogueira – Secretária Municipal de Cultura

 

À frente da Secretaria Municipal de Cultura, temos direcionado esforços para a implementação de uma política de estado baseada na democratização cultural da cidade. Com o compromisso de dar fim ao pesadelo da “cidade partida”, nossa gestão acredita que os conceitos de centro e periferia não contemplam uma política cultural de fato integradora. Por isso, foi traçado um novo mapa simbólico, em que toda a cidade é o centro e cada região é um manancial de produção pulsante de cultura. Para avançar nesse processo de ressignificação e equacionar as potencialidades, elegemos cinco eixos estratégicos: gestão de escuta ampliada e participativa, cultura pela diversidade e cidadania, programa integrado de fomento à cultura, valorização da rede de equipamentos culturais, e memória e patrimônio cultural. Assim pudemos colocar em prática uma série de ações efetivas, com foco no lema “Cultura+Diversidade”. A cultura plural, rica e forte do Rio de Janeiro é, ao lado na natureza opulenta, o grande capital da cidade. Ela tem poder regenerador, capaz de corrigir rumos e mudar vidas. Fortalecer, apoiar e difundir nossa cultura não é apenas dever de cada um de nós: é questão de sobrevivência e de resistência.

 

 

Encontros públicos:

 

01 de novembro de 2018 (quinta-feira), das 14h30 às 17h

 

Junto com artistas propositores, Lisette Lagnado e Robertha Blatt discutem concepção, processo criativo e expõem métodos de trabalho. Ernesto Neto ensinará meditação para as crianças dentro de sua escultura.

 

 

10 de novembro de 2018 (sábado), das 14h às 17h

Roda de conversa com Ernesto Neto e convidados.

 

 

Até 30 de novembro.

Lorenzato no Paço Imperial

24/jul

 

“Lorenzato: pintura com exercício de liberdade”, encontra-se em exibição no Paço Imperial, Centro, Rio de Janeiro, RJ.

 

Pela primeira vez o público carioca tem o privilégio de receber uma exposição individual do artista ítalo-brasileiro, Amadeu Lorenzato, nascido em 1900, em Belo Horizonte, Minas Gerais e falecido em 1995, na mesma cidade.

 

A exposição se compõe de cinquenta e nove pinturas exibidas de uma maneira em que não se torna relevante o caráter cronológico das obras, mas sim suas aproximações por afinidades poéticas e formais. Com uma trajetória singular, o artista produziu uma obra que escapa dos rótulos e classificações, muitas vezes redundantes e simplistas, e que tampouco alcança a complexidade de um verdadeiro trabalho artístico. A obra de Lorenzato está impregnada de seu cotidiano simples e de suas vivências no âmbito artístico e pessoal. Trabalhando com pinturas e esculturas, pegou emprestadas matérias e técnicas das artes decorativas e de seu ofício primeiro (pintor de paredes), do qual tirou o cimento e os pentes para criar texturas na superfície da pintura. Nesses gestos de apropriações de técnicas e materiais, o artista subverte o uso original da matéria e o reinaugura como método no seu fazer artístico. Ao produzir imagens de grande potência visual e poética e ao articular com precisão e maestria o cruzamento híbrido de saberes populares/eruditos, sua produção artística ultrapassa as escolas artísticas, sempre tão hierarquizadas, resultando uma obra atemporal e permitindo vínculos possíveis com a produção modernista brasileira e internacional. Com uma visualidade formal e estrutural sofisticada, Lorenzato nos coloca diante de uma produção que nos faz refletir e encontra ecos na produção artística contemporânea. Ele foi buscar no seu cotidiano simples os “temas” de suas obras: imagens de casas, paisagens e retratos de pessoas próximas, e naturezas-mortas. O universo do artista nos é apresentado em uma ótica amorosa e afetiva. Ele usa suas experiências vivenciais como matéria para produzir um discurso visual, rico, intenso, poético e ao mesmo tempo absolutamente impregnado de um modo de vida permeado pelo exercício de liberdade.

Efrain Almeida e Wilson Lázaro

 

 

Até 05 de agosto.

Na Galeria do IBEU

21/set

 

Questões domésticas, privadas e da memória são as inspirações da mostra “A intimidade é uma escolha”, da artista visual Maria Fernanda Lucena, que será inaugurada no dia 26 de setembro, na Galeria de Arte IBEU, Jardim Botânico, Rio de Janeiro, RJ. Com curadoria de Cesar Kiraly, a vencedora do Prêmio Novíssimos 2016 apresenta um trabalho instalativo, no qual as paredes são cobertas por tecidos garimpados em diferentes oficinas de estofadores espalhadas pela cidade do Rio de Janeiro. Sobre a malha destes tecidos, através da pintura, são retratadas famílias em seus sofás.

 

Os tecidos escolhidos carregam, em suas marcas, histórias vividas por seus donos no cotidiano particular de cada um, sendo expressões do interesse da artista em retratar questões como a da memória expressa através de objetos herdados e descuidadamente guardados. Para Maria Fernanda, cada casa vai se convertendo em um relicário pessoal que reúne objetos que um dia foram desejados ou úteis, mas que, por algum motivo, não seguiram o processo de descarte.

 

“Gosto de mergulhar nas coisas do universo cotidiano das pessoas, capturar imagens e recolher objetos singelos e diversos como velhos brinquedos, televisores, caixinhas com utilidades esquecidas, vestidos de noiva, frascos de perfume que não cheiram mais, relógios que não marcam mais as horas, tecidos retirados de sofás muito usados, dentre muitas outras coisas”, afirma a artista.

 

“Desejo que este mergulho faça com que as coisas que foram antes vividas se desprendam de seus tempos e espaços de origem para vir a fazer parte de uma nova história onde a mistura de novas vidas e realidades se encontrem e se sentem no mesmo sofá”, completa Maria Fernanda.

 

Na edição de 2016 de Novíssimos, Maria Fernanda Lucena apresentou um conjunto de peças de acrílico que encapsulavam objetos afetivos e da vida doméstica, acompanhando-os de pinturas. De acordo com o curador Cesar Kiraly, há alguma continuidade entre as obras que deram o prêmio à artista e as que compõem a exposição que será inaugurada.

 

“Em uma trajetória já consistente, a artista consegue dar um importante salto de originalidade, aproveitando virtudes e indo além do conforto. “A Intimidade é uma Escolha” aborda a experiência na vida das pessoas, em sugestão, de proximidade não declarada, com a própria vida da artista. Esses personagens não estão mais em um relicário, não há mais asfixia, e sim ampla paisagem de afetos circulando”, analisa Kiraly.

 

 

Sobre a artista

 

Com formação em Indumentária e design de moda, além de diversos cursos da EAV, Parque Lage, Maria Fernanda Lucena se interessa por lugares, personagens, objetos e, sobretudo histórias. Seus trabalhos são caixas de lembranças, relicário de um tempo da vida que alguém viveu. As narrativas propostas nas obras refletem realidade e ficção ao apresentar um alguém, um lugar, um objeto e ela mesma. Ganhou o Prêmio Novíssimos 2016 da Galeria de Arte IBEU, o que lhe rendeu essa exposição individual. Além dessa mostra, a artista já está agendada para uma individual no Museu da República, no RJ, também em 2017. Em 2016 realizou sua 1ª individual na C. Galeria, sob curadoria de Efrain Almeida. Dentre as exposições coletivas e salões que participou estão “Limiares”, Paço Imperial, RJ; “À Deriva do Olhar”, C. Galeria, RJ, “Somos Todos Clarice”, Museu da República (Galeria do Lago), RJ / 2017; SP-ARTE, C. Galeria, SP, “Novíssimos 2016, Galeria de Arte Ibeu, RJ, “Somos todos Clarice”, curadoria de Isabel Sanson Portella, RJ / 2016, “29 de Setembro”, curadoria de Marcelo Campos e Efrain Almeida, Largo das Artes, RJ / 2015;” Visão de Emergência”, curadoria de Marcelo Campos, Galeria Colecionador, RJ; “À Primeira Vista”, curadoria de Brigida Baltar, Efrain Almeida e Marcelo Campos, Galeria Artur Fidalgo, RJ / 2014; 12º Salão Nacional de Arte de Jataí, Museu de Arte Contemporânea de Jataí, Goiânia; 31º SAPLARC, XXXI Salão de Artes Plásticas de Rio Claro, SP – Prêmio de Menção Honrosa/ 2013; 19º Salão de Artes Plásticas de Praia Grande, Palácio das Artes, SP; II Salão dos Analfabetos, Universidade Federal de Santa Maria, RS / 2012.

 

 

Até 27 de outubro.

Escultura Contemporânea

11/abr

Livro de autoria do professor e curador carioca Marcelo Campos – resultado de três anos de pesquisa – mapeia a produção escultórica brasileira a partir dos anos 1950 sob dez critérios temáticos e terá lançamento no dia 11 no Rio (Casa França-Brasil) e dia 19 de abril em Salvador (Palacete das Artes). Trata-se de um espaço rarefeito na bibliografia da arte brasileira que será ocupado com o lançamento da edição bilíngue de “Escultura Contemporânea no Brasil – Reflexões em dez percursos”, pela Caramurê Publicações.

 

Convidado pela editora baiana para destacar, a princípio, um pequeno grupo de escultores, Campos contrapropôs um contorno conceitual mais abrangente. O editor Fernando Oberlaender aceitou o desafio que resultou em uma obra de fôlego, com suas 420 páginas e 300 ilustrações. O patrocínio é da Global Participações em Energia S.A. (GPE), através da Lei de Incentivo à Cultura do MinC.

 

– Decidi fazer uma pesquisa mais extensa, olhando para artistas e obras canônicas, trabalhos que estabeleceram ou consolidaram mudanças de paradigma. Percebi, nesse levantamento, vertentes conceituais que me chamaram a atenção e optei por essa configuração, explica o autor.

 

Dos 200 artistas listados num primeiro apanhado, Campos selecionou 91 escultores (relacionados abaixo), cujo trabalho se desenvolveu a partir dos anos 1950. Eles estão distribuídos em dez capítulos-conceito, a partir do que o autor chama de “sintoma”: a reunião de “parentescos, células, lugares de encontro, onde a junção das poéticas as torna firmemente históricas”, ele define na introdução do livro.

 

A organização, portanto, não faz o caminho histórico-evolutivo, de alinhamento meramente temporal; também não segue o critério que reúne artistas e obras em movimentos ou grupos. Campos buscou a ampliação do raio de busca para além dos eixos geográficos tradicionais da produção artística brasileira.

 

 

– Pesou também minha identificação crítica com o trabalho. Não incluí os coletivos, mesmo que produzam objetos. E não enveredei pela instalação, privilegiando a tridimensionalidade; a manufatura, que me interessou bastante no livro, de certa forma, se apresenta como um contraponto à teatralidade da instalação. Campos reafirma que não houve intenção de esgotamento da pesquisa ou do olhar enciclopédico.

 

Os temas propostos pelo autor são: 1 – Herança construtiva, geometria revisada; 2 – Corpo, organicidade ; 3 – Atlas, mapas, localizações; 4 – Apropriação conceitual, imagéticas populares; 5 – Eu-objeto, relicários, espólios; 6 – Paisagem, casa e jardim; 7 – Tecnologia, mídias, comunicação; 8 – Ritual, totemismo, ídolos; 9 – A infância, o brinquedo; 10 – Hibridação, rotinas, alquimias.

 

 

Escultura Contemporânea no Brasil – Reflexões em dez percursos: Artistas

 

Abraham Palatnik (RN) | Afonso Tostes (MG) | Agnaldo dos Santos (BA), Alexandre da Cunha (RJ) | Almandrade (BA) | Amílcar de Castro (MG), Ana Linmemann (RJ) | Ana Maria  Tavares (MG) | Ana Miguel (RJ), Angelo Venosa (SP) | Anna Bella Geiger (RJ) | Anna Maria Maiolino (ITA), Artur Bispo do Rosário (SE) | Ascânio MMM (POR-RJ) | Ayrson Heráclito (BA), Bel Borba (BA) | Brennand (PE) | Brígida Balltar (RJ) | Camille Kachani (LIB), Carmela Gross (SP) | Celeida Tostes (RJ) | Cildo Meireles (RJ), Cristina Salgado (RJ) | David Cury (PI) | Edgard de Souza (SP), Edson da Luz (BA) | Eduardo Coimbra (RJ) | Eduardo Frota (CE), Emanuel Araujo (BA) | Efrain Almeida (CE) | Erika Verzutti (SP), Ernesto Neto (RJ) | Felícia Leirner (POL) | Fernanda Gomes (RJ), Flávio Cerqueira (SP) | Franz Weissman (AUT) | Hélio Oiticica (RJ), Iole de Freitas (MG) | Iran do Espírito Santo (SP) |Ivens Machado (SC), Jac Leirner (SP) | Jarbas Lopes (RJ) | Jorge Barrão  (RJ), José Bechara (RJ) | José Bento (BA) | José Damasceno (RJ), José Rufino (PB) | José Tarcisio (CE) |Juarez Paraíso (BA), Juraci Dórea (BA) | Laerte Ramos (SP) | Laís Myrrha (MG), Leonilson (CE) | Lia Menna Barreto (RJ) | Livia Flores (RJ), Luiz Hermano (CE) | Lygia Clark  (MG) | Lygia Pape (RJ), Márcia X (RJ) | Marcius Galan (EUA) | Marcone Moreira (MA), Marepe (BA) | Maria Martins (MG) | Milton Machado (RJ), Nelson Felix (RJ) | Nuno Ramos (SP) | Otavio Schipper (RJ), Paulo Nenflídio (SP) | Paulo Paes (PA) | Paulo Vivacqua (ES), Ramiro Bernabó (AR) | Raul Mourão (RJ) | Renata Lucas (SP), Renato Bezerra de Mello (PE) | Ricardo Ventura (RJ) | Ricardo Basbaum (RJ), Rodrigo Sassi (SP) | Rogério Degaki (SP) | Ronald Duarte (RJ), Rubem Valentin (BA) | Sandra Cinto (SP) | Sergio Camargo (RJ), Tatiana Blass (SP) | Tiago Carneiro da Cunha (SP) | Tonico Lemos Auad (PA), Tunga (PE) | Vanderlei Lopes (PR) | Vinicius S.A (BA), Wagner Malta Tavares (SP) | Waltercio Caldas (RJ) | Zélia Salgado (SP).

 

 

Sobre o autor

 

Marcelo Campos nasceu, vive e trabalha no Rio de Janeiro. É diretor da Casa França-Brasil, desde 2016, professor Adjunto do Departamento de Teoria e História da Arte do Instituto de Artes da UERJ e professor da Escola de Artes Visuais do Parque Lage. É doutor em Artes Visuais pelo PPGAV da Escola de Belas Artes/ UFRJ. Desenvolveu tese de doutorado sobre o conceito de brasilidade na arte contemporânea. É autor de “Um canto, dois sertões: Bispo do Rosário e os 90 anos da Colônia Juliano Moreira” (MBrac/Azougue Editorial, Rio de Janeiro, 2016) e  “Emmanuel Nassar: engenharia cabocla” (Museu de Arte Contemporânea de Niterói/MAC, Niterói, 2010). Foi curador das exposições: “Viragens: arte brasileira em outros diálogos na coleção da Fundação Edson Queiroz”, Casa França-Brasil, 2017; “Orixás”, Casa França-Brasil, 2016; “A cor do Brasil”, cocuradoria com Paulo Herkenhoff, MAR (Museu de Arte do Rio), 2015; “Tarsila e Mulheres Modernas”, cocuradoria com Paulo Herkenhoff, Hecilda Fadel e Nataraj Trinta, 2014, MAR (Museu de Arte do Rio); “Guignard e o Oriente”, junto com Priscila Freire e Paulo Herkenhoff, 2014, MAR (Museu de Arte do Rio).

Instâncias do Olhar

06/abr

A Fortes D’Aloia & Gabriel, Vila Madalena, São Paulo, SP, recebe em sua galeria, “Instâncias do Olhar”, a nova exposição de Efrain Almeida. Personagens habituais na prática do artista ressurgem através de esculturas em madeira e bronze, aquarelas e bordados, repletas de simbolismos e elementos biográficos. As obras parecem formar uma fábula pessoal suspensa no tempo.
Efrain Almeida ressignifica temas e figuras do seu repertório sob uma perspectiva circular. O trabalho central da exposição, por exemplo, tem relação direta com sua mostra anterior em São Paulo: em “Uma coisa linda”, de 2014, o artista exibiu 150 passarinhos em bronze no Galpão, reencenando o pouso de um bando de galos-de-campina no quintal de sua casa. Inédita de 2017, no entanto, há apenas um pássaro, caído de costas sobre um tablado de madeira. A imagem evoca liricamente a memória de seu pai que faleceu ano passado. Era dele a exclamação que deu título à obra de 2014, o que dá mais sentido à escolha lacônica para o nome usado em 2017 (uma referência às palavras die e dad). O galo-de-campina, aliás, é uma ave típica do Nordeste e que, assim como fez seu pai em vida, migra do norte ao sul do país.
Ninho do Beija-Flor, de 2016, contrasta com esse peso ao retratar o instante em que o diminuto pássaro abre os olhos, fazendo seu primeiro contato com o mundo. O conceito da visão como signo mediador entre sujeito e realidade é desenvolvido ainda em outros trabalhos da exposição. As asas da Mariposa, de 2016, mimetizam os olhos de um predador como mecanismo de defesa. No autorretrato “Cabeça”, Mestiço, de 2017, o artista devolve o olhar ao espectador através da superfície reflexiva do bronze. E em “Cabeça”, Transe, de 2017, os olhos da escultura de madeira revelam sua introspecção, em um movimento para dentro de si. Aqui, o interesse de Efrain volta-se ao transe como um estado de interstício – entre imaginário e o real, entre a loucura e a sanidade -, análogo ao próprio ofício do artista.
Em “O Outsider”, de 2017, o autorretrato ganha forma através de uma camisa de seda bordada com o rosto do artista. “Hanging” de 2017, também um bordado de seda, é uma paisagem porosa na qual o horizonte sustenta um ninho. Nas esculturas e aquarelas da série “Pouso”, Efrain retrata beija-flores empoleirados para capturar um instante efêmero de quietude. A paleta reduzida dessas aquarelas evoca o céu de um melancólico fim de tarde, atribuindo à paisagem um estado de espírito.

 

 

Sobre o artista
Efrain Almeida nasceu em Boa Viagem, Ceará, 1964, vive e trabalha no Rio de Janeiro. Entre suas exposições recentes, destacam-se: Uma pausa em pleno voo, Paço Imperial, Rio de Janeiro, 2015; Lavadeirinhas, SESC Santo Amaro, São Paulo, 2015; O Sozinho, Casa França-Brasil, Rio de Janeiro, 2013; 29ª Bienal de São Paulo, 2010; 10ª Bienal de Havana, 2009; Marcas, Estação Pinacoteca, São Paulo, 2007. Sua obra está presente em diversas coleções públicas e privadas do Brasil e do mundo, entre as quais: MoMA – Nova York, MAM São Paulo, Centro Galego de Arte Contemporânea, Santiago de Compostela, Espanha, Toyota Municipal Museum of Art, Toyota, Japão, Pinacoteca do Estado, São Paulo, entre outras.

 

 

Até 20 de maio.

Entreolhares

13/jun

O Museu Afro Brasil, Av. Pedro Álvares Cabral, s/n, Parque Ibirapuera – Portão 10 (acesso pelo portão 3), instituição da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, abre no dia 18 de junho, a exposição “ Entreolhares – poéticas d’alma brasileira” – um amplo recorte da arte popular brasileira, com curadoria de Fábio Magalhães e Edna Matosinho de Pontes. A arte popular brasileira é um dos destaques do acervo do Museu Afro Brasil em um dos núcleos mais apreciados pelos visitantes, onde eles encontram sua história, suas raízes, e lembranças do dia a dia.

 

Segundo os curadores: “Esta mostra é composta por cerca de 200 obras, pertencentes a instituições públicas e coleções privadas, abarca um longo período da produção artística popular. A partir da década de 40 até a contemporaneidade,  o recorte curatorial reúne um conjunto abrangente e diversificado da expressão autoral de criatividade popular, desde as carrancas do mestre Guarany, das cerâmicas do mestre Vitalino, até os grandes mestres atuais, ativos nas diversas regiões do Brasil. Diversos estados estarão aqui representados: Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais,  Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo, de onde vem esta rica coleção.

 

Nos anos 40/50, as obras de Vitalino, Louco, Agnaldo dos Santos e Geraldo Teles de Oliveira tiveram grande repercussão no meio artístico e chamaram a atenção da sociedade para o enorme significado da expressão popular. Houve grande valorização da arte popular autoral. Djanira, Heitor dos Prazeres, Jose Antônio da Silva, Agnaldo dos Santos participaram das Bienais de São Paulo.

 

Mário de Andrade e os modernistas já haviam demonstrado grande interesse pela arte popular, desde a década de 1920.  Obras de Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Cícero Dias, Guignard, entre vários outros artistas dão mostras de proximidade poética com a arte popular.

 

Percebe-se também, atualmente, grande confluência entre poéticas de artistas contemporâneos (Efrain Almeida, Marepe, Emmanuel Nassar, Alex Cerveny) e de artistas populares (Véio, José Bezerra, Marinaldo Santos). Nos últimos anos, são muitos os críticos de arte voltados ao estudo da arte e artistas contemporâneos que organizaram exposições abordando a expressão popular.

 

 

 

Dos artistas

 

A mostra reúne um grande número de artistas populares, reconhecidos e consagrados, como Vitalino, Mestre Guarany, Zé Caboclo, Manuel Eudócio, Artur Pereira, Geraldo Teles de Oliveira, Itamar Julião, Nino, José Antônio da Silva, Mestre Molina, Isabel Mendes da Cunha, Alexandre Filho, Louco, Poteiro, Ranchinho, entre outros, além de artistas populares mais jovens que se destacam nas mais diversas regiões do Brasil.

 

A exposição conta com artistas modernos e contemporâneos, sensíveis às expressões e temas populares e pretende estabelecer diálogos entre eles – que se dá no encontro amoroso entre o popular e o erudito. Obras de Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Guignard, Cícero Dias, Cláudio Tozzi, Siron Franco, Beatriz Milhazes, Nelson Leirner, entre outros, estarão ao lado daquelas de Adir Sodré, Heitor dos Prazeres, Paulo Pedro Leal, Cardosinho. Esse encontro de poéticas voltadas para um Brasil profundo diz respeito à nossa identidade e traz à luz as narrativas do que somos ou do que sonhamos que somos.”

 

A exposição recebeu incentivos do projeto PROAC da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo e é patrocinada pela CPFL – Companhia Paulista de Força e Luz.

 

 

De 18 de junho a 07 de agosto.

EAV Parque Lage/ livro 40 anos

17/nov

A Escola de Artes Visuais do Parque Lage promove dia 18 de novembro de 2015, às 19h, o lançamento do livro “O que é uma escola livre?” (Oca Lage e Editora Cobogó, 2015), uma compilação de mais de cem depoimentos escritos especialmente a convite da diretora da instituição, Lisette Lagnado. A publicação reúne mais de cem depoimentos de artistas, críticos, poetas, pensadores, professores, estudantes, curadores e dirigentes de instituições no Brasil e no exterior, que responderam à pergunta: “O que é uma escola livre?” Na noite de lançamento haverá leitura de trechos do livro, projeções no Palacete de imagens históricas, a cargo da artista Tina Velho e seus alunos do Núcleo de Arte e Tecnologia da EAV, em sincronia com obra sonora de Franz Manata e Saulo Laudares.  

 

“Como celebrar os quarenta anos de uma das instituições mais cultuadas da cidade por seu compromisso com a redemocratização do país e a emergência de novos valores?”, indaga Lisette Lagnado no texto de apresentação. “Este modesto livro se propõe a interrogar o futuro de uma escola de arte consagrada por uns e outros como ‘lugar anárquico’ ou espaço para trocas, ‘jardim da oposição’ e invenção de percursos, espaço mítico de experiência e formação de plateias”, explica. “Longe de pretender ser exaustivo, procurou-se dar voz às múltiplas e contraditórias expectativas em torno da missão de uma escola de arte no século 21”. Lisette Lagnado conta que os depoimentos poderiam ter até trezentas palavras, serem “uma única frase, ou ainda virem na forma de uma imagem”. “A publicação contemplou professores fundadores e atuais, ex-diretores, ex-alunos e estudantes em vias de formação, além de artistas e figuras públicas que tenham passado pela EAV ou se dediquem à difusão da arte e da cultura”, destaca.

 

Marcio Botner, presidente da Oca Lage, organização social que administra a Escola, instituição pertencente à Secretaria Estadual de Cultura, diz que a EAV Parque Lage “é o Taj Mahal da cultura”. “Foi um presente de amor de Henrique Lage para sua mulher, a cantora lírica Gabriella Besanzoni”, e que seria “importante conhecermos o passado e entendermos o presente para darmos um salto para o futuro. Isto é que é liberdade!”. Para a elaboração do livro, Lisette Lagnado coordenou uma comissão editorial integrada por Fernando Cocchiarale, Helio Eichbauer e Roberto Conduru (que formam a Comissão de Ensino da Escola), Marcio Botner, e Marcelo Campos, coordenador do Memória Lage, projeto selecionado pelo Edital Petrobras 2012, que reuniu, catalogou e digitalizou cinco mil documentos do acervo da EAV Parque Lage. “O que é uma escola livre?” integra uma série de atividades em torno das comemorações dos 40 anos da Escola de Artes Visuais do Parque Lage.

 

 

Sobre a EAV Parque Lage

 

Fundada em 1975 pelo artista  Rubens Gerchman (1942-2008), que a dirigiu até 1979, a EAV Parque Lage é uma referência no país pela liberdade criativa e seu caráter pluridisciplinar, e também está intimamente ligada à cidade do Rio de Janeiro, por suas atividades artísticas e culturais. Foi cenário de emblemáticos filmes do Cinema Novo, como “Terra em Transe” (1967), de Glauber Rocha, e “Macunaíma” (1969), de Joaquim Pedro de Andrade, e ainda de “O homem do Rio” (1964), de Philippe de Broca, com Jean-Paul Belmondo e Ariane Mnouchkine. A Escola de Artes Visuais do Parque Lage ocupa uma área de cerca de 175 mil metros quadrados, à beira da Floresta da Tijuca, e aos pés do Corcovado, e tanto sua área verde, com variedade de espécies da Mata Atlântica, como seu conjunto arquitetônico, são tombados como patrimônio paisagístico, ambiental e cultural pelo IPHAN. Seu Palacete-sede foi construído em 1924 pelo empresário Henrique Lage para sua mulher, a cantora lírica Gabriella Besanzoni (Roma, 1888-1962), e o casal se notabilizou pelas festas e saraus que ofereciam à sociedade da época.

 

 

Sobre a Cpobog

 

Criada em 2008, a Editora Cobogó é especializada na publicação de livros sobre arte e cultura contemporâneas. Entre os diversos títulos lançados estão livros de Andy Warhol (A filosofia de Andy Warhol  e Popismo), Hans Ulrich Obrist (Hans Ulrich Obrist – Entrevistas vols. 1 a 6, Caminhos da Curadoria); Ariane Mnouchkine (A arte do presente);  John Cage (De segunda a um ano);  Merce Cunningham (O dançarino e a dança), além das coleções Dramaturgia, com importantes textos do teatro contemporâneo brasileiro e internacional, e O Livro do Disco, que mergulha no universo de álbuns emblemáticos da história da música brasileira e internacional. Em artes visuais, o catálogo da editora inclui as monografias bilíngues dos artistas brasileiros contemporâneos Adriana Varejão, Erika Verzutti, Nuno Ramos, Efrain Almeida, Rivane Neuenschwander, Paulo Nazareth, Laura Lima, Rodrigo Andrade, Luiz Braga, Alexandre da Cunha e Paulo Monteiro, entre outros. Além disso, também foram publicados os panoramas Pintura Brasileira séc. XXI, Desdobramentos da Pintura Brasileira séc. XXI, Fotografia na Arte Brasileira séc. XXI e Outras Fotografias na Arte Brasileira séc. XXI.

 

“Vértice”, mostra da série “Coleções”

13/out

“Para cada obra, há uma história”. Essa máxima de Sérgio Carvalho, cuja coleção de arte contemporânea protagoniza a exposição Vértice – a primeira da série “Coleções” –, define bem o espírito da mostra: a apresentação de trabalhos de artistas brasileiros contemporâneos, selecionados por três curadoras de diferentes lugares e gerações, com o objetivo de trazer ao público um panorama da arte contemporânea brasileira, com base no intercâmbio de distintos olhares.

 

Ao apresentar ao espectador, simultaneamente, três visões curatoriais, “Vértice” propõe uma discussão sobre as inúmeras possibilidades de um acervo e da produção de um conjunto de artistas. A partir de visitas coletivas e da troca de informações com o colecionador, as curadoras começaram a delinear uma forma de “classificar” as obras no âmbito da exposição, que será apresentada em três “módulos”, sempre sujeitos à contaminação e deslocamentos. “Relatos, Construções e Assombros”, respectivamente de Marília Panitz, Polyanna Morgana e Marisa Mokarzel, lançam olhares particulares sobre a coleção que passam por uma abordagem política, histórica e lúdica. Vértice reúne pinturas, esculturas, desenhos, fotografias, vídeos e instalações, num total de mais de 200 obras selecionadas entre as mais de 1.500 obras de arte contemporânea da coleção Sérgio Carvalho. Realizada pela 4 Art Produções Culturais, a mostra entra em cartaz no Centro Cultural Correios, Centro, Rio de Janeiro, RJ.

 

 

Sobre o colecionador

 
Residente em Brasília, aos 54 anos, Sérgio Carvalho reúne hoje depois de 12 anos de coleção obras de alguns dos mais importantes artistas contemporâneos brasileiros, entre os quais Regina Silveira, Nelson Leirner, Iran do Espírito Santo, Efrain Almeida, Emmanuel Nassar, Hildebrando de Castro, Rubens Mano, Berna Reale, Jonathas de Andrade, Sofia Borges e Rodrigo Braga. Sua coleção demonstra que o colecionismo pode ser instigado pelo amor à arte e pela possibilidade do registro de um período das artes visuais de determinado tempo.

 

 

De 14 de outubro a  13 de dezembro.

CFB: 25 anos

11/ago

A Casa França-Brasil, um espaço da Secretaria de Estado de Cultura administrado pela organização social Oca Lage, apresenta a partir do próximo dia 15 de agosto “CFB: 25 anos”, cinco mostras simultâneas que celebram seus 25 anos de atividade. O curador Pablo León de la Barra reuniu trabalhos dos artistas Cildo Meireles, Alfredo Jaar, Beto Shwafaty, e os filmes “Canoas” (2010), de Tamar Guimarães; “Superfícies vibráteis” (2005), de Manon de Boer; e “Bete & Deise” (2012), de Wendelien van Oldenborgh. O espaço central será ambientado como local de convivência, como “uma praça cultural”, onde o público poderá ver uma seleção de documentos de exposições realizadas na Casa desde 1990, em curadoria conjunta com Natália Quinderé.

 

Do artista chileno Alfredo Jaar (1956), residente em Nova York desde 1982, estará o letreiro “Cultura = Capital” (2012-2015), que ficará suspenso a 3,5 metros do chão do espaço central. Ele amplia o conceito de “Arte = Capital” (“Kunst = Kapital”) de Joseph Beuys, e acompanha o pensamento dos filósofos Antonio Gramsci e Friedrich Nietzsche de que “cultura é fundamental para a existência humana”. “Para Jaar, arte e cultura constituem um espaço de resistência e desempenham um papel fundamental em nossas vidas políticas diárias”, comenta Pablo León de la Barra. “Em tempos de recessão econômica, quando cultura e educação logo sofrem cortes orçamentários, ‘Cultura = Capital’ reconhece que cultura não é apenas um fator de desenvolvimento econômico, mas uma necessidade básica e elemento indispensável para o progresso social. Invertendo a equação, sem cultura, não existe capital”, afirma o curador.

 

O espaço do Cofre será ocupado com dezesseis obras icônicas de Cildo Meireles (1948) sobre a moeda brasileira, “em uma pequena retrospectiva” das séries “Zero Cruzeiro” (1974), que, observa o curador, “questiona o valor do dinheiro”; “Inserções em Circuitos Ideológicos” (a partir de 1970), que “demonstra como os indivíduos podem interferir na economia, na política e na ideologia”; e ainda “Projeto Cédula (1970-2015).

 

Na primeira sala lateral, estará a instalação “Remediações” (2010-2014), de Beto Shwafaty, artista nascido em São Paulo em 1977. Ele discute criticamente o projeto nacional brasileiro e sua transposição para os campos da cultura visual, nas estratégias de propaganda, desde o final do século 19 até os tempos atuais, passando pelo modernismo e pelo regime militar. Para isso, criou um ambiente com linguagem museográfica, com móveis, vitrines em acrílico, painéis com treliças, fotografias e intervenções feitas sobre material impresso, como cartazes, e um monitor de televisão onde é exibido em looping um vídeo videocolagem de dez minutos, com uma colagem feita a partir de material de arquivo de cinco décadas, onde o Brasil turístico é intercalado por cenas de Zé Carioca, criado por Walt Disney dentro da política de “boa vizinhança”, uma fala do geógrafo Milton Santos sobre o legado colonial, e ainda cenas de “Terra em Transe”, de Glauber Rocha. A obra cria “uma tensão entre desejo e realidade”, diz o curador.

 

 

JARDIM DE INVERNO / ARQUIVO 25 ANOS

 

O espaço central será transformado em um “Jardim de Inverno / Praça Pública”, onde será exposto o arquivo histórico de 25 anos da CFB como centro cultural, com dez estações com mesas-vitrines, cadeiras e vasos de plantas, onde o público poderá mergulhar em uma seleção de eventos realizados ao longo da história da instituição. Pablo León de la Barra buscou criar um espaço acolhedor, e ao mesmo tempo recuperar a história tanto da construção, criada em 1820 para ser uma Praça de Comércio, quanto das exposições realizadas ao longo de seus 25 anos. “A Casa tem um público cativo, que vem aqui para ler, estar em um local público e seguro. Transformamos então o espaço central em uma grande sala de leitura, uma praça cultural”, explica o curador. A inspiração vem de “Un jardin d’hiver” (“Um jardim de inverno”), obra de 1974 do artista belga Marcel Broodthaers, um jardim de palmeiras com vitrines contendo gravuras “como forma de crítica aos discursos coloniais e à autoridade das instituições culturais”. Para compartilhar a curadoria deste espaço, Pablo León de la Barra convidou Natália Quinderé, que pesquisou os arquivos da instituição e levantou documentos sobre as exposições realizadas nos últimos 25 anos, que foram selecionados e serão dispostos em oito núcleos:

 

 

1.    Fotografia em foco

 

“Cartier Bresson & Sebastião Salgado: Fotografias”, de 27 de junho a 29 de julho de 1990; e “Retratos da Bahia: fotografias de Pierre Verger e aquarelas de Carybé”, de 19 de setembro a 7 de outubro de 1990

 

2.    “Missão artística francesa e os pintores viajantes: França-Brasil no século XIX”, de 13 de novembro a 16 de dezembro de 1990, com curadoria de Jean Boghici

 

3.    “Apoteose Tropical: desfile-exposição com pinturas de Glauco Rodrigues”, de 31 de janeiro a 3 de março de 1991, com curadoria de Frederico Morais.

 

Índios na Casa

 

“Brasilidades: Amazônia e a França – Portinari – A Festa do Bumba”, de 28 de  maio a 23 de junho de 1991, organizado pela antropóloga Berta Ribeiro;           “Programa de índio: Kuarup”, em 8, 10 e 11 de agosto de 1991; e “Grafismo Kadiwéu”, de 7 a 30 de maio de 1993.

 

5.   Internacionais – um pequeno recorte

 

“Miró: Águas-fortes e litografias”, de 25 de abril a 11 de junho de 1996; “Niki de Saint Phalle”, de 8 a 26 de janeiro 1997, com curadoria de Jean-Gabriel Mitterand; “Cerâmicas de Picasso”, de 7 de dezembro de 1999 a 22 de janeiro de 2000, com curadoria de Picasso Bernard Ruiz Picasso.

 

6. “Situações: Arte Brasileira – anos 70”, de 16 de agosto a 24 de setembro de 2000, com curadoria de Glória Ferreira e Paula Terra.

 

7. “Arte e religiosidade no Brasil – Heranças Africanas”, de 19 de fevereiro a 26 de abril de 1998, com curadoria de Emanoel Araújo e Carlos Eugênio Marcondes de Moura.

 

 

8.    Cenários espetaculares

 

“Isto é a França em Quadrinhos – I Bienal Internacional de Quadrinhos”, de31 de outubro a 5 de dezembro de 1991; “Viva a água”, de 1° de junho a 5 de julho de 1992; e “Egito Faraônico – Terra dos deuses”, de 27 de setembro de 2001 a 7 de abril de 2002, com curadoria de Elisabeth Delange, curador associado Antônio Brancaglion Jr e Marly Atsuko Shibata (assistente).

 

 

9.    Por que uma Casa França-Brasil?

 

Inaugurada em 1990, a Casa França-Brasil surgiu da conjunção de vários projetos culturais: a tentativa de criar 16 Casas de Cultura por todo Estado do Rio de Janeiro; a criação de um corredor cultural no Centro do Rio, com início no Museu de Arte Moderna; e o desejo do antropólogo Darcy Ribeiro (1922-1997), à época em que foi vice-governador, de restaurar a construção projetada por Grandjean de Montigny (1776-1850) a pedido de D. João VI, para ser Praça do Comércio, concluída em 1820. Alfândega a partir de 1824, arquivo de bancos ítalo-germânicos durante a Segunda Grande Guerra, e II Tribunal do Júri, entre 1956 e 1978, o prédio estava desativado. Em 1985 foi feita a assinatura para o restauro, uma parceria entre a Secretaria estadual de Cultura, o SPHAN/Pró-Memória, a Fundação Roberto Marinho e a Rhodia S.A. O projeto museográfico ficou a cargo de Pierre Catel, financiado pelo Ministério da Cultura da França, e após cinco anos de obras a Casa França-Brasil foi inaugurada, em 29 de março de 1990. A cocuradora Natália Quinderé conta que “os eventos realizados pela Casa, entre 1990 a 2008, abrangiam desde exposições de artistas brasileiros e estrangeiros, mostras sobre a cultura popular a salões de antiquário e de colecionadores de selos”. A partir de 2008, a Casa França-Brasil passou por uma nova reforma e transformação de sua missão institucional, com foco na arte contemporânea.

 

 

10.  Anos 2009-2015

 

Em 24 de outubro de 2009, a Casa França-Brasil reabriu suas portas, sob a direção de Evangelina Seiler, depois de um ano de reformas físicas do prédio e de mudança em sua missão institucional. A obra inaugural foi uma enorme estrutura suspensa por cabos e com planos transparentes da artista Iole de Freitas, projetada especialmente para esse espaço. A partir de então passaram pela instituição artistas de linguagens e produção diversa, como Laura Lima, Hélio Oiticica, Daniel Senise, Waltercio Caldas, José Rufino, Laercio Redondo, Carmela Gross, Cristina Iglesias e Dias & Riedweg. Paralelamente, o cofre da antiga Praça do Comércio e da Alfândega passou a abrigar trabalhos de artistas de trajetórias variadas, convidados, normalmente, pelo artista que ocupava o vão central e as salas principais. Expuseram ali Amália Giacomini, Ana Miguel, Pedro Victor Brandão, Analu Cunha, Efrain Almeida, Daniel Steegmann, Marcelo Cidade, Jorge Soledar, entre outros.

 

 

FILMES

 

A segunda sala lateral será transformada em um cinema, com a exibição de filmes –  cada um em um período – de três artistas que reexaminam momentos recentes da história cultural e política do Brasil:

 

15 a 27 de agosto – “Canoas” (2010, 13’30’’), 16mm transferido para digital, cor/som, de Tamar Guimarães, nascida em 1967 em Belo Horizonte, e residente em Copenhague. Em “Canoas”, é encenado um coquetel na emblemática casa modernista de Oscar Niemeyer, a Casa das Canoas, que ele projetou em década de 1950 para morar. Em meio à aparente frivolidade burguesa da festa, e enquanto são servidos por criados e garçons, os convidados discutem o passado do Brasil no que se refere às contradições entre a arquitetura moderna e o projeto social modernista, o trauma da ditadura política e do exílio, e as distinções de classe e de raça, mas também a presença de um desejo erótico pelo outro.

 

28 de agosto a 9 de setembro – ““Superfícies vibráteis” (2005, 38’), falado em francês e português, com legendas em português, 16mm transferido para digital, da artista Manon de Boer, nascida em 1966 em Kodaicanal, Índia, e radicada em Bruxelas. Em seu filme, ela dá voz às memórias pessoais da psicanalista brasileira Suely Rolnik, que, nos anos de 1960, partiu em exílio para Paris devido à ditadura brasileira e, na década seguinte, estudou com os filósofos franceses Félix Guattari (1930-1992) e Gilles Deleuze (1925-1995).

 

10 a 20 de setembro – “Bete & Deise” (2012, 41’), HD, em português e legendas em inglês, da artista Wendelien van Oldenborgh, nascida em 1962, em Roterdã, Holanda, onde vive. “Bete & Deise” apresenta um encontro entre duas mulheres em um canteiro de obras, no Rio de Janeiro. A atriz Bete Mendes e a cantora de funk Deise Tigrona conversam sobre o uso de suas vozes e posições na esfera pública, permitindo que as contradições que trazem internamente venham à tona. Utilizando uma montagem que combina de modo sugestivo as vozes das duas mulheres com suas imagens, Van Oldenborgh nos confronta com reflexões sobre a relação entre produção cultural e política e o poder que pode ser gerado quando questões públicas se entrelaçam com o pessoal.

 

 

JORNAL

 

A exposição será acompanhada de um jornal em formato tabloide, com tiragem de cinco mil exemplares e distribuição gratuita ao público visitante. A publicação terá textos de Pablo León de la Barra, Natália Quinderé, e do músico e do arquiteto Guilherme Wisnik.

 

 

PABLO LEÓN DE LA BARRA

 

Nascido em 1972, na Cidade do México, Pablo León de la Barra tem PhD em History and Theory, pela Architectural Association, Londres, em 2010. Curador independente, realizador de exposições, pesquisador em arte e arquitetura, é também curador-residente do programa Guggenheim UBS MAP para América Latina, em Nova York.

 

 

NATÁLIA QUINDERÉ

 

Natália Quinderé é doutoranda em História e Crítica de Arte no Programa de Artes Visuais da UFRJ (PPGAV/EBA), onde pesquisa sobre os museus de artista. É coeditora executiva da revista Arte & Ensaios (PPGAV/EBA/UFRJ), e trabalhou em alguns projetos curatoriais. Em janeiro de 2015, participou do programa EAVerão, da Escolas de Artes Visuais do Parque Lage.

 

 

De 15 de agosto a 20 de setembro.

Efrain Almeida no Paço Imperial

25/jun

Uma pausa em pleno voo é a individual que Efrain Almeida apresenta no Paço Imperial, Centro, Rio de Janeiro, RJ, com abertura no dia 02 de julho, sob curadoria do professor-doutor Marcelo Campos. O artista exibe pela primeira vez no Rio de Janeiro, trabalhos em bronze, ao invés da madeira, matéria-prima marcante na sua produção anterior. Agora, a madeira é usada como molde para a fundição em metal. Um conjunto de esculturas em instalação ou isoladas, aquarelas, porcelana e bordado, datados de 2012 a 2015, compõem esta mostra do artista cearense, radicado no Rio de Janeiro, onde não expõe há seis anos.

 

 

 

Uma pausa em pleno voo

 

 

A exposição marca ainda dez anos de encontro de Efrain com o curador Marcelo Campos. “Uma pausa em pleno voo” era o título do texto que Campos escreveu à época. Segundo Efrain, esta pausa é o momento em que o olhar congela um acontecimento frágil, efêmero. Este foi o ponto de partida para esta mostra, que começou a ser planejada há cinco anos: como o artista potencializa o pequeno gesto em algo poético que é a obra.

 

 

A instalação “Uma coisa linda” tem 150 pássaros [galos-de-campina] em bronze policromado [preto, branco e vermelho], distribuídos pelo piso da galeria em grupos de unidades variáveis, formando uma cartografia determinada pelo artista. Cada peça tem sua singularidade. O conjunto rememora a cena do pouso de um bando desses pássaros, que haviam sumido da região, no quintal da casa dos pais de Efrain, no sertão do Ceará. Eles voltaram, assim como o artista, que retorna com frequência à sua cidade natal.

 

 

“10 Hummingbirds”, outra instalação, é composta por dez beija-flores, também em bronze policromado, com tonalidades diferentes, fincados na parede pelo longo bico.

 

 

Os beija-flores aparecem ainda no bordado e nas quatro aquarelas. O bordado é feito sobre duas camadas de organza de seda, compostas de tiras de cores como se fossem camadas de tinta. As aquarelas têm a mesma lógica do bordado, em tons vermelhos e azuis do entardecer.

 

 

Na escultura de um cisne negro, em bronze pintado com tinta acrílica, Efrain foi buscar na memória fabular dos contos de Andersen o simbolismo do cisne que se transforma em princesa. Em “Platano Bordallo”, o artista reproduz em porcelana um segmento de galho com insetos, que fica perpendicular à parede.

 

 

 

Sobre o artista

 

 

Efrain Almeida nasceu em Boa Viagem, Ceará, 1964, vive e trabalha no Rio de Janeiro. Entre 1986 e 1990, estudou na Escola de Artes Visuais do Parque Lage e no Museu de Arte Moderna, no RJ.  Começou a expor em 1987, como integrante do XI Salão Carioca de Arte. Daí em diante, tem mostrado seu trabalho em centenas de cidades brasileiras, da Ásia, Europa e dos EUA. Entre as diversas exposições do seu currículo, destaca-se Marcas, retrospectiva sobre seu trabalho realizada em 2007 na Estação Pinacoteca, em São Paulo, e sua participação na Bienal de São Paulo de 2010. Efrain Almeida faz parte do elenco da Galeria Fortes Vilaça, São Paulo, e da CRG Gallery, Nova York. Sua obra está em importantes coleções públicas, como a do Museu de Arte Moderna de São Paulo; Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães – MAMAM [Recife]; Museu de Arte Contemporânea do Ceará; Centro Galego de Arte Contemporânea, Santiago de Compostela, Espanha; ASU Art Museu, Universidade do Arizona, EUA; Museum of Modern Art – MoMa [Nova York, EUA] e Toyota Municipal Museum of Art, Japão.

 

 

 

Até 13 de setembro.