Ozi, 35 anos de Street Art

17/ago

 

 

 

Artista pioneiro do graffiti, Ozi expõe obras que remontam a história da Street Art no Brasil. O Ministério do Turismo, Secretaria Especial da Cultura, Governo do Estado de São Paulo, Prefeitura de São Paulo e Museu da Cidade de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, apresentam “Ozi Stencil – 35 anos de Street Art”, sob a curadoria de Marco Antonio Teobaldo. Com mais de 100 trabalhos nos mais variados suportes – tapumes, telas, madeiras, metais, objetos de uso doméstico, latas de spray e outros itens – utilizados por Ozi em sua trajetória de décadas – pinturas, esculturas, readymades – a mostra preenche todos os espaços do casarão da Chácara Lane, à Rua da Consolação, 1024.

 

 

“A ocupação de cada andar do museu terá uma obra em grande formato, com o propósito de trazer o mesmo impacto que os trabalhos do artista causam nas ruas da cidade”, diz o curador.

 

 

A parceria de doze anos entre artista e curador torna possível apresentar um importante recorte de inventário de parte valiosa da história da Street Art brasileira, com documentos, registros fotográficos, documentários, estudos e obras de Ozi, que datam desde a década de 1980 até o período atual, com trabalhos mais recentes e inéditos.

 

 

“Esta exposição proporciona uma viagem nas mais de três décadas de trabalho do artista, na qual é possível perceber as variadas formas de aplicação do estêncil, sem deixar de se conectar diretamente com a sua atuação nas ruas”, explica Teobaldo.

 

 

Além desses trabalhos, com “Alices”, “Shirleys” e “Monalisas”, será exibido um conjunto de matrizes de estêncil dos itens mais emblemáticos da carreira do artista, criados entre 1984 e 2015. Estarão expostas matrizes originais dos trabalhos da série “Museu de Rua”, com referências a artistas como Anita Malfatti, Van Gogh, Di Cavalcanti, Roy Lichtenstein e Picasso. A biografia do artista é apresentada em dois vídeos que reúnem depoimentos do artista e de parceiros de trabalho. Do acervo de documentação pessoal, são exibidas imagens históricas dos primeiros grupos de grafiteiros e suas intervenções em São Paulo.

 

 

A Street Art no Brasil surgiu em meados dos anos de 1970, em São Paulo, durante o período da ditadura militar, com Alex Vallauri, que reuniu outros artistas como Carlos Matuck, Waldemar Zaidler e Hudinilson Jr., e posteriormente John Howard, Júlio Barreto, Ozi, Maurício Villaça e o Coletivo Tupy não Dá. Esse grupo trouxe a arte para as ruas e escreveram parte importante da história da cena urbana brasileira, dentre eles Ozi.

 

 

 “Inserido naquela atmosfera libertária e precursora, Ozi viu a oportunidade de criar livremente, lançando mão de recursos da sua formação publicitária para produzir um repertório fascinante, privilegiando a cultura Pop que desde então, não tem aliviado ninguém em suas críticas inteligentes e repletas de bom humor”, explica o curador.

 

 

Em 1984, Mauricio Villaça abriu as portas de sua casa, transformando-a na galeria Art Brut, que se constituiu em um espaço da cena underground da época e acolheu artistas visuais e performáticos, poetas e toda sorte de visitantes atraídos por aquela nova forma de pensamento artístico. Foi a partir do encontro destes artistas, que se iniciou uma série de intervenções e ações públicas na capital paulistana, que fariam história na constituição do graffiti brasileiro.

 

 

“Com essa mostra, será possível passar um olhar tanto na produção de estúdio, como em minha atuação pelos quatro cantos da cidade, como artista de arte urbana” define Ozi.

 

 

Sobre o artista

 

 

 Ozi, Ozéas Duarte nasceu em 1958, São Paulo, SP. Paulistano, faz parte da primeira geração do graffiti brasileiro, quando na década de 1980 iniciou suas primeiras intervenções urbanas, junto com Alex Vallauri e Maurício Villaça. Desde então, vem desenvolvendo sua pesquisa sobre a técnica de estêncil, criando suas obras a partir de uma estética Pop. Durante sua trajetória profissional, participou de diversas exposições coletivas e individuais no Brasil e exterior. Seus trabalhos figuram em publicações nacionais e estrangeiras. O artista nunca parou de estudar e hoje é pós-graduado em História da Arte pela FAAP. A ligação de Ozi com Vallauri se transformou recentemente em uma homenagem, com o projeto MAR – Museu de Arte de Rua, da Secretaria Municipal de Cultura, com a pintura de mais de 30 metros de altura em uma empena de um prédio, na altura da Praça Princesa Isabel, com um dos personagens mais icônicos de Alex Vallauri, a “Rainha do Frango Assado”.

 

 

Sobre o curador

 

 

Marco Antonio Teobaldo nasceu em 1958, Curitiba, PR. Jornalista, curador e pesquisador. Mestre em Curadoria e Novas Tecnologias pela Universidad Ramón Llull, de Barcelona, Espanha. Desde 2007, vem trabalhando como pesquisador e curador de Artes Visuais, com especial atenção à Street Art. Junto com o artista visual Eduardo Denne, idealizou o Parede – Festival Internacional de Pôster Arte, em 2008 e 2010, no Rio de Janeiro, que reuniu em sua última edição 175 artistas de diferentes partes do mundo. Atualmente, Marco Antonio Teobaldo dirige a Galeria Pretos Novos de Arte Contemporânea (Região Portuária do Rio de Janeiro), situada em um dos mais importantes sítios arqueológicos da Rota dos Escravos (Unesco), onde realiza propostas curatoriais com artistas brasileiros, reunindo mídias tradicionais (pintura, desenho e escultura), fotografia, novas tecnologias (vídeo, arte sonora e arte digital), arte urbana e performance. É também curador residente do Museu Memorial Iyá Davina, na Baixada Fluminense, com exposição permanente sobre a história e memória do candomblé no Rio de Janeiro, por meio de uma rara coleção de objetos sagrados e documentos que datam desde o final do Século XIX, até a década de 1980.

 

 

O MCSP/Chácara Lane

 

 

O Museu da Cidade de São Paulo é um complexo cultural museológico, composto por uma rede de treze edificações históricas, construídas entre os séculos XII e XX, distribuídas nas várias regiões do território. Propõe por meio de seus acervos e exposições, se consolidar como um espaço de reflexão que tem como objeto permanente de estudo a cidade de São Paulo, no qual o indivíduo possa conhecer sobre a diversidade e especificidade da maior cidade do hemisfério sul.  A Chácara Lane é uma das edificações históricas e é remanescente de uma antiga chácara paulistana construída no final do século XIX e uma importante referência histórica para a memória dos assentamentos urbanos na cidade. Naquele final de século os moradores mais abastados possuíam, além da sua moradia no núcleo urbano central, chácaras localizadas em áreas próximas do centro da cidade ou nos seus arrabaldes para o lazer familiar. Desde 2012, abriga o programa curatorial Gabinete do Desenho, que busca apresentar o esboço como raciocínio criativo.

 

 

Produção Executiva: NU Projetos de Arte – Nathalia Ungarelli

Coordenação de produção: Heloisa Leite

Governo Federal, Prefeitura de São Paulo, Secretaria Municipal de Cultura – ProAC Expresso/Lei Aldir Blanc

 

 

De 21 de Agosto até 19 de Setembro.

 

Múltiplos expositores

17/maio

A Galeria Espaço IAB, Galeria de Arte do Instituto de Arquitetos do Brasil, Ponto de Cultura Solar do IAB, Centro Histórico, Porto Alegre, RS, apresenta em seus espaços, diversas exposições de sua programação para 2016. O destaque fica por conta da Sala do Arco com a exibição de “Entrelaçados”, obra conjunta realizada em módulos por Magna Sperb e Débora Lacroix.

 

Os módulos “Recortes” fazem parte da série “Entrelaçados”, construídos a partir de um estudo sobre as tramas de tecidos, redes e telas, transpostos para a linguagem plástica através de recortes eletrônicos sobre chapas (coloridas) em metal oxidado. Para esta exposição dos “Recortes”, 21 peças compõem uma instalação, na qual os módulos são apresentados em composições que constroem caminhos como desenhos num campo expandido. O diálogo entre as tramas e o espaço, se enredam num mix de linguagens entre Arte, Arquitetura e Design.

 

As demais exposições distribuem-se da seguinte forma:

 
Na Sala Negra, “Cruzamentos Cromáticos”, “…experiências e reflexões sobre a pintura e a cor são apresentadas através de trabalhos com fitas de cetim de Angela Zaffari, e alguns trabalhos ainda permanecem no suporte tradicional da tela, mas apontando para o rompimento de algumas amarras no que diz respeito a autonomia da matéria, embora mantendo o foco na sua produção, na repetição sem perder de vista a poética do seu fazer artístico”;

 

Na Sala Anexa, “Vulto”, apresentação dos artistas Anderson Luiz de Souza, Diane Sbardelotto, Paola Zordan, Rafael de Souza e Simone Fogazzi, onde “..o que se mostra são corpos e rostos indefinidos, em fases e localizações distintas, mas todos movimentam-se entre estender, circular, envolver, se contorcem em estágios de ser, deixar de ser para vir a ser outra coisa.  As cinco produções tratam dos problemas da representação, do gesto e da criação de faces, pensando anatomias, superfícies e abstrações. Poéticas visuais próprias, envolvidas numa só pesquisa filosófica sobre o corpo, apresentam inscrições figurativas fugidias, todas expressas pelo conceito de vulto, em desenvolvimento junto a estudos deleuzianos e esquizoanalíticos sobre a dobra e os estratos de subjetivação”;

 

Nas Áreas externas, “IABrasil/IABeabá – 2 St. Arte Urbana: Leonardo Pereira e Paulo Funari”, “…é o resultado do esforço de pesquisa e interesse recente dos artistas pela pintura abstrata, cuja influência pode ser buscada principalmente nos pintores americanos das décadas de 40, 50 e 60 do século XX. A influência da Street Art, graffitis e pichações encontrados em espaços urbanos também é percebida na utilização de grafismos de letras, números e sinais – os cartazes e placas informativos feitos a mão e de origem popular que estão espalhados pela cidade também contribuíram na construção estética deste trabalho”.

 

Até 24 de junho.

Herbert Baglione no Rio

19/out

Expondo pela primeira vez no Rio de Janeiro, Herbert Baglione, realiza seu debut na cena carioca através da Galeria Movimento, Copacabana. A exposição denomina-se “Rito”, e traz obras inéditas que refletem a sua fase transitória desde que começou, no ano de 1999, a pintar as famosas sombras, considerada uma fase negra e pesada no início de sua carreira. São nove telas e dez fotografias que transportam as mais conflitantes emoções, – que ficam claras nas cores e traços de seus trabalhos -, mas desta vez, coloridos e plenos de luz.

 

Nos últimos três anos e meio Herbert Baglione fez exposições individuais em lugares muito especiais e que concentram muita energia, como Colômbia e México. O artista, sensível, e em busca de respostas profundas, viu coisas que não mais revisita em seus trabalhos: a angústia, o lado negro, o lado que provocava discussões relativas à religiosidade, o sexo e a violência de uma forma geral. O artista encontra-se em outro momento e no processo atual a sensibilidade é notória por isso foca e traz luz e alegria nos trabalhos, como se fosse um processo de limpeza em obras com leveza e sentido mais abstratizante. Nos trabalhos anteriores, destacam-se a série “1000 Shadows”. A primeira “sombra” foi pintada em 1999 no Brasil e, a partir, daí o artista apaixonado – e estudioso autoditada – pela Arquitetura e Fotografia, começou a utilizar a interferência urbana. Ele está entre os poucos que usam calçadas, telhados e até mesmo os gramados como tela. Já o “EQM (Estado quase morto)”, também importante, nada mais é do que a visão que se tem entre vida e morte. Um trabalho muito mais espiritual.

 

Sobre o artista

 

Movido por uma curiosidade e desejo de provocação ímpar, com 20 anos de carreira, Herbert Baglione, começou a desenhar aos três anos de idade. Seu estilo distinto e a complexidade dos temas explorados, visíveis em suas ilustrações, pinturas, fotografias e intervenções, fazem de Baglione um nome respeitado no cenário da arte contemporânea.  O artista já foi publicado inúmeras vezes, inclusive na capa, da Revista Juxtapoz, uma das principais no segmento de arte e cultura urbana no mundo. Além disso, seu trabalho também está presente no livro premiado de um estudioso londrino, Rafael Schacter, o The World Atlas of Street Art and Graffitti, e uma de suas pinturas (Um minuto de silêncio) se mantém viva em São Paulo, sendo a única da Binneale (evento que trouxe artistas para fazerem intervenções na cidade) que não foi apagada pela prefeitura. Seus trabalhos estão em importantes coleções como no Museu de Arte Contemporânea de Bogotá, Eugênio Sidoli (Itália), Rik Reinking (Alemanha), Fernando Abdalla, Joshua Liner (NY), Steve Lazarides (Inglaterra), entre outras. Herbert, que já participou de exposições individuais no México, Colômbia, França, Espanha, EUA, Itália, Inglaterra, Canadá, Tunísia, Dinamarca, SP e Porto Alegre. Baglione foi convidado para a Coletiva Street Art – Um Panorama Urbano, que aconteceu ano passado, na Caixa Cultural, onde ao lado de suas obras estavam trabalhos de Banksy.

 

Os principais contatos com a pintura, o desenho e a fotografia, se deram na década de 80, quando Herbert ainda era uma criança, fazendo intervenções nas fotos de família, desenhando amigos da escola e depois reproduzindo logotipos de bandas de Rock.

 

Fã assumido de The Jam, Justin Sullivan e principalmente do folk cinematográfico de Tom Waits, o trabalho de Herbert tem forte influência musical. No início dos anos 90, por conta da necessidade de maior espaço para suas criações e experimentações, começou a usar a rua como seu atelier e teve como escola a contracultura, consumia quadrinhos e tocava bateria em banda punk. Esta bagagem lhe possibilitou conhecer, reconhecer e interceder no espaço urbano de forma a extrair o melhor da arquitetura, pintura, instalações e fotografia, linguagem que o artista incorpora com sabedoria pois leva o expectador a um outro olhar sobre a produção artística. Seus trabalhos extraem do universo urbano a fluidez e liberdades presentes da prática da street art e combina forte carga conceitual, que é incorporada às suas referências de movimentos artísticos, da Art Noveau e Minimalismo ao Expressionismo abstrato, e Pop Art. Levanta questões pessoais à discussões sobre o papel do homem na sociedade, armado pela ideia do consumismo imediato, tecnologia e tabus. Em 2001 e 2002 aconteceram as exposições Urban Discipline em Hamburgo – Alemanha, com alguns dos principais artistas do mundo naquele momento. Representando o Brasil tinha o grupo formado por Herbert, OsGemeos , Vitché e Nina. Os trabalhos de Banksy também estavam na mostra. Em 2001 Baglione foi convidado para uma individual nos EUA e a carreira internacional segue até hoje.

 

 

De 22 de outubro a 19 de novembro.

A arte de TOZ na Galeria Movimento

28/nov

O marchand Ricardo Kimaid, à frente da Galeria Movimento, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ, inovou no mercado de arte carioca e, em 2006, se tornou um dos primeiros representantes brasileiros de artistas de street art. Hoje Ricardo trabalha com artistas consagrados no cenário da arte contemporânea como Toz, Titi Freak, Tinho, Herbert Baglione, Ramon Martins,  Arthur Arnold, Paulo Vieira, Thais Beltrame, entre outros..

 

Oito anos depois o galerista dobra o espaço da galeria Movimento (passa a ter 140 m2) e, para acompanhar as comemorações, inaugurou a exposição “UM por todos e todos por UM”, na qual o artista Toz (Tomás Viana), com quem Ricardo trabalha desde o início de sua carreira, apresentará pela primeira vez múltiplos de seu Toy Art.

 

Dois dos principais personagens da história artística de Toz, Nina e Shimu, estarão expostos em versão Toy Art, obras de vinil, com 15 cm de comprimento. A mostra dá continuidade ao projeto que teve início na Art Rua, sucesso com recorde de venda, e sold out dos prints de Toz, antes mesmo de abrir a feira, com preços mais flexíveis, fazendo com que mais pessoas possam ter uma obra de Toz em casa. Além dos Toy Art, Toz vai expor três fine art inéditos e duas gravuras também nunca expostas, produzidas especialmente para esta exposição.

 

 

Sobre a Galeria Movimento

 

Ricardo Kimaid tem como  exemplo de aposta certeira o artista Tomás Viana, mais conhecido como Toz, que se tornou hoje um dos maiores artistas urbanos do país. Os holofotes aos trabalhos de Toz vieram com o talento do artista e seu grande parceiro e galerista Ricardo, que apostou e acreditou nele desde o início da representação de seus trabalhos. Toz já conquistou uma série de colecionadores, críticos, foi indicado ao Prêmio Pipa 2014, fez uma exposição individual no Centro Municipal de Arte Helio Oiticica, lançou o livro Toz – Traço e Trajetória, entre outras conquistas. Ricardo também representa outros artistas de peso, como o Tinho, que foi colocado como o segundo lugar do Prêmio Pipa on line 2012, tem acervo na Pinacoteca do Estado de São Paulo, e também está entre os grandes artistas urbanos do país. Sem falar em Arthur Arnold , Mateu Velasco, que já participou de coletiva em Budapeste e ainda montou uma individual em Paris.

 

O marchand tem como ponto de vista que, os artistas urbanos, a partir do momento em que entram na galeria não são mais grafiteiros e sim artistas plásticos “Aqui são produzidas obras de arte. O grafite fica na rua. Para produzir uma tela, o artista tem que parar, pensar, tem que ter tempo e dedicação. É diferente”, finaliza. A Galeria Movimento realiza anualmente quatro exposições, sempre alinhadas à curadorias e textos críticos de nomes importantes como Daniela Name, Isabel Portella e Felipe Scovino, além de sempre inovar na criatividade dos cenários de suas aberturas.

 

 

Até 30 de dezembro.

Thiago Toes na Reserva+

18/dez

Thiago Toes

O artista plástico Thiago Toes realiza sua primeira exposição individual em terras cariocas. A mostra “Uma Luz que Nunca se Apaga” reúne cinco telas e três desenhos, e está em cartaz na galeria Reserva +, Copacabana, Rio de janeiro, RJ.

 

Entre as obras expostas e inéditas, está a pintura “Desejando Milagres”, uma tela geométrica com tinta acrílica e aquarela, que compõem grande parte de seus trabalhos. “Essa pintura tem tudo a ver com o título. Um milagre é uma forma de luz, de fazer isso acontecer. Quero despertar a fé nas pessoas, fazer com que elas acreditem em um bem maior”, afirma o artista.

 

É deste conceito que surgiu o nome da exposição, com a premissa de que deve sempre existir uma luz que nunca se apaga, que representa nossas esperanças. As cores presentes nas telas também transmitem essa ideia e falam por si só, como, por exemplo, as cores claras que representam espasmos de sonhos; as escuras refletem o universo interior; enquanto as quentes demonstram sentimentos. A paleta de cores estimula esse desejo de conforto, luz e busca por calmaria e reflexão interior.

 

Seus desenhos são marcados pelos traços geométricos, a arte abstrata, o cubismo e o surrealismo. Além de tudo, os trabalhos refletem poesias, como um salto no vazio, nos sonhos, no universo paralelo e particular do artista. Em grande parte dos desenhos, um personagem surge em meio às cores e cria então seu próprio habitat íntimo e excepcional. Mistérios e inquietudes são retratados através de cores gélidas, que em algumas ocasiões ganham um toque forte de vida, com tons de magenta, laranja, lilás, azul, branco e cinza.

 

Sobre o artista

 

Thiago Henrique, ou Toes, como é conhecido, descobriu o graffiti na adolescência e fez as primeiras experimentações aos 15 anos. Hoje faz parte da nova geração de grafiteiros de São Paulo, estado onde cresceu e mora.

 

O artista já realizou trabalhos em Miami (Projeto Wynwood Walls), Los Angeles e, junto com a dupla Osgemeos, realizou alguns trabalhos, como um mural para o festival Indie Hip Hop (Sesc). Em outubro de 2010 ganhou patrocínio da marca de roupas RVCA e foi o único artista da empresa a expor seu trabalho para o projeto Design For Humanity (Billabong). Em março de 2011, recebeu o convite para ser um dos artistas do festival Risadaria, com curadoria d’Osgemeos, e expos seu trabalho na Bienal de São Paulo.

 

A percepção de arte e a naturalidade com que lida com os tons e contrastes se encarregaram, com o tempo e com a sua vontade, de transpor os aspectos visuais do graffiti. Hoje e cada vez mais Thiago se dedica à pintura de telas com o uso de pincel, aquarela, pastel, óleo e até mesmo spray e látex.

 

Até 04 de janeiro de 2013.

A PESQUISA DE GAIS

12/ago

A galeria Huma Art Projects, Humaitá, Rio de Janeiro, RJ, inaugura a exposição “Gais – As poucas modificações feitas não desfiguraram o diretório: fotomontagem originalcopia” com 20 trabalhos trabalhos inéditos do artista nascido no Rio em 1980, e oriundo do grafite. Serão apresentadas dez fotomontagens originais com moldura de madeira e dez cópias ampliadas com moldura branca, de tamanhos variados. Esta nova pesquisa surgiu quando o artista comprou revistas da década de 1950 e 1960, em uma banca de jornal perto de casa, e começou a fazer colagens, utilizando também spray e acrílica. A frase “As poucas modificações feitas não desfiguraram o diretório” estava em uma reportagem, que trazia ainda uma imagem de uma mulher parada em uma esquina, que nomeou outro trabalho também presente na exposição.

 

Criado na Maré, conjunto de favelas no Rio, Gais, assinatura de Douglas Santos Tavares, ainda muito jovem começou a grafitar os muros da cidade e a participar de festivais e exposições do gênero. Seu trabalho chegou às ruas de Amsterdan e Roterdan e, no ano passado, teve uma tela de 100cm x 140cm leiloada por dez mil libras esterlinas na prestigiosa Phillips de Pury em Londres. Em março deste ano ele integrou a exposição “Gramática Urbana” no Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica. A curadoria é de Vanda Klabin. As obras de Gais estão em várias coleções particulares, como o fundo de arte Brazil Golden Art dirigido por Heitor Reis.

 

De 14 de agosto a 29 de setembro.

AVESSO DO AVESSO

25/jul

A Galeria Movimento, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ, recebe o ilustrador, designer e artista gráfico Mateu Velasco com a exposição ” Avesso do avesso”. A mostra reúne uma coleção de obras, editadas pelo marchand Ricardo Kimaid, criadas pelo artista durante o ano. As novas obras envolvem o telespectador na inquietação do artista com o “tempo” e a “vida corrida contemporânea” com a necessidade de pesquisar novos materiais e linguagens. Obcecado pelo universo humano e pelo comportamento urbano, Mateu é conhecido pelos personagens com cabeças pensantes cheias de cabelos e objetos voadores, cores que provocam poesia nas formas leves e delicadas.

 

Em ” Avesso do avesso”, Mateu Velasco expõe uma série de gravuras em metal, pinturas em madeira e telas inéditas. Nas obras criadas em madeira, o artista usa tinta, pastel, lápis de cor e acrílica com spray.

 

Mateu consegue refletir o dia-a-dia e decifrá-lo em suas obras. Daí surgem personagens lúdicos como mulheres nadando, fantasiadas, andando de skate ou simplesmente paradas olhando para o nada. No processo de construção das gravuras, ranhuras e texturas buscam imperfeições que foram deixadas no tempo e suas gravuras ganharam detalhes coloridos de tinta como pingo de chuva, aro de bikes e folhagens delicadas.

 

Durante a exposição e para criar na galeria o vazio do “avesso”, que simbolizam recomeço, repensar, vivenciar, Mateu cria um ambiente novo com elementos da natureza como tronco de árvores, folhas secas e som ambiente.

 

O artista que já criou estampas para marcas cariocas como Ecletic, Cantão,Maria Filó, Nike e Adriana Barra, acabou de desenvolver um mapa ilustrado do Rio de Janeiro com as comunidades pacificadas. O artista vê seu trabalho cada vez mais se distanciar do universo do grafiteiro.

 

“Eu procurava temas para as novas obras. Em como ia conduzir. Primeiro pintei, depois o processo se voltou para gravuras e ficou claro que eu estava falando do avesso do que vivemos hoje… Avessa é a natureza do ser humano. O ser humano é o próprio avesso! … Nao estou apegado a nenhum suporte. O próximo passo é transformar em tridimensional as gravuras em metal. Trabalho antigo, que já tinha retomado e que estou encantado”. Explica o artista.

 

 

De 02 a 31 de agosto.

ITALIANOS E BRASILEIROS, MURAIS PARA O RIO

06/jul

A Caixa Cultural, Centro, Rio de Janeiro, RJ, apresenta o projeto coletivo denominado “Mural Itália-Brasil”. Desde o dia 16 de maio, o artista brasileiro Ozi e a dupla italiana Orticanoodles (Wally e Alita) trabalharam juntos no Rio de Janeiro no projeto “Mural Itália-Brasil”, idealizado pelo curador Marco Antonio Teobaldo. Os artistas criaram murais no respirador da estação de metrô da Cinelândia e na comunidade do Vidigal, levando sua arte para os espaços ao ar livre, chamando a atenção também das pessoas que não costumam frequentar os ambientes de exposição de obras de arte.

 

O projeto “Mural Itália-Brasil” é uma ação conjunta entre oito artistas dos dois países, por ocasião das comemorações do “Momento Itália-Brasil”, para a promoção da arte urbana italo-brasileira, nas cidades de Brasília, Salvador e Rio de Janeiro. Um artista local e convidados italianos, criam murais utilizando as técnicas de grafitti, pôster arte, máscaras de estêncil e adesivos, técnicas que compõem o repertório da street art.

 

De acordo com o curador Marco Antonio Teobaldo, “…este projeto vai estimular a arte urbana, promovendo ações educativas para geração de novos talentos, e, propor aos artistas urbanos e à população em geral, uma consciência de preservação do patrimônio público de suas cidades”.

 

O projeto já foi realizado com grande repercussão em Brasília e Salvador, durante o mês de maio. No Rio de Janeiro, foi inaugurada a exposição com o registro dos trabalhos realizados nas três capitais, quando também foi lançado o catálogo do projeto.

 

Texto de Heloisa Buarque de Hollanda

Cruzamentos Possíveis

 

O Brasil, e não apenas São Paulo como se pensa, tem um claro sotaque italiano. Nada mais adequado do que celebrar essa linhagem precisamente num ano em que se comemora oficialmente a presença da cultura italiana no Brasil. O Momento Itália-Brasil foi a oportunidade que o curador Marco Antonio Teobaldo aproveitou para uma das experiências mais interessantes da arte pública atual. Uma exposição simultânea de artistas que trabalham intervenções em muros e fachadas usando técnicas de estêncil, colagem, graffiti, desenho e pintura.

No caso deste projeto Mural Itália-Brasil, a experiência foi expandida numa proposta de criação colaborativa entre artistas italianos e brasileiros. Foram escolhidas as cidades de Brasília, Salvador e Rio de Janeiro como os suportes ou loci das realizações.  E então, os artistas que poderiam continuar distantes pela geografia, língua e pela cultura, mas que conseguiram uma profunda identidade através da criação.

Os artistas tomaram conhecimento do trabalho de seus parceiros e a partir daí começaram uma comunicação virtual cuja probabilidade de acerto era pequena. Mesmo assim, valendo-se de atalhos como o Google Translator, e da identificação por meio de suas linguagens e técnicas artísticas, fluiu um entendimento riquíssimo. Do virtual para o presencial, surgiram alguns aspectos inesperados. Primeiro o trajeto inusitado da criação. Nas três cidades, foram escolhidos locais de alto impacto urbano para a produção dos murais: um espaço institucional, um espaço central de grande circulação e visibilidade e um espaço excluído das cidades, dentro das periferias e comunidades. Para cada local, um público, uma resposta. E para cada um, um novo contato, uma nova descoberta entre culturas.

O encontro profundo entre duas linguagens em busca de uma única obra gerou um resultado surpreendente. Em Brasília, os artistas foram Guga Baygon, cuja marca são figuras que lembram ETs, e o coletivo romano Eikonprojekt, cuja temática são santos católicos e super-heróis. Olhando os murais, feitos a seis mãos, o trabalho criado a partir de universos tão distintos resultou num hibridismo de imaginários cruzados e surrealista.

Em Salvador, os três murais realizados pelo Corexplosion e Lucamaleonte, cujo trabalho é de pintura a partir de desenhos de animais em P&B e ouro, espalharam cor e fantasia sobre a cidade. Animais selvagens em traço fino e estêncil não apenas conviviam, mas ainda pareciam ser interpelados pela cor intensa dos animais estilo toy arte do baiano Core.

No Rio, última etapa do projeto, a surpresa se intensifica. A dupla escolhida foi o paulistano Ozi, precursor da street art no Brasil, e o coletivo de Milão Orticanoodles, retratistas com atuação em galerias e ruas. Mesmo antes do primeiro contato com o parceiro Ozi, o casal italiano elegeu Gilberto Gil como tema do mural gigante na Cinelândia, devido à sua atuação como artista, político e ambientalista. Nesta única vez, durante o projeto, em que os artistas produziram murais independentes, o que se vê é um diálogo sobre cidades e mitos. Ozi, na superfície da coluna que se ergue no meio da praça, faz surgir, num sofisticadíssimo trabalho em estêncil cor, um São Sebastião multicultural rodeado de arcos romanos e pela dramaturgia do mar carioca. No contraplano, Gilberto Gil reina absoluto num trabalho belíssimo feito de máscaras de acetado recortadas à mão.

Itália e Brasil em três experiências que deixarão sua marca nas cidades por onde passou.

 

 

Até 12 de agosto