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AGENDA CULTURAL

Fragmentos e transparências de Isabel Marroni.

22/maio

O Museu de Arte do Paço (MAPA), Porto Alegre, RS, inaugura no dia 30 de maio, a exposição “Tudo Ainda Bruma”, exibição individual da artista visual Isabel Marroni, com curadoria de Anelise Valls.

“Tudo Ainda Bruma” apresenta dois núcleos instalativos da artista inspirados no conto “Voltar”, de Itamar Vieira Junior, em que deslocamento, memória e travessia ativam os corpos como paisagem interna. A exposição constrói um percurso imersivo onde o visitante é conduzido por estruturas têxteis suspensas, fragmentos e transparências que operam como  zonas de suspensão. Lembrar e perder tornam-se movimentos simultâneos. 

Sobre a artista

Isabel Marroni investiga o esvaecimento, a opacidade e formas de cegueira social, buscando transformar ausência e desaparecimento em linguagem visual. Ela iniciou sua trajetória artística em 1980, com formação em cursos livres de desenho e pintura e aprofundamento no Atelier Livre da Prefeitura de Porto Alegre. Participou por oito anos do Coletivo Atelier 6, com atuação em exposições e pesquisas no Brasil e no exterior, ministrou aulas de pintura por 35 anos. Desenvolve atualmente sua pesquisa em diálogo com acompanhamentos curatoriais e residências artísticas no Brasil e no exterior como o NowHere Lisboa sobre monitoria de Cristiana Tejo e Marilá Dardot. Residência artística Arurá na fazenda Bonsucesso – Santo Amaro, RJ, com a curadoria de Flávia Gomes.   

Até 31 de julho.

Estruturas tridimensionais de Maria Nepomuceno.

A Gentil Carioca São Paulo anuncia a exposição ∞ ∞ (infinita infinito), individual de Maria Nepomuceno, que abre ao público no dia 23 de maio, sábado, às 14h.

Em obras inéditas, concebidas especialmente para a exposição, Maria Nepomuceno cria estruturas tridimensionais em espiral que operam entre pintura, escultura e instalação. Trabalhando com cordas, contas, cerâmicas e tecidos, são construídas formas que cedem e pendem sob a ação da gravidade, articulando passagens graduais de cor e relações entre transparência, brilho e opacidade.

Os trabalhos foram desenvolvidos simultaneamente e em constante relação uns com os outros, ocupando o espaço expositivo como um único organismo em expansão. A ideia de infinitude – algo que não começa nem termina, como define a própria artista – atravessa a mostra como princípio construtivo, visível tanto nas formas espirais quanto na continuidade cromática que conecta as peças entre si e à arquitetura do espaço. O texto de apresentação é assinado por Laura Lima. 

Waltercio Caldas na Casa Roberto Marinho.

21/maio

“Tempo”, para Waltercio Caldas (1946, Rio de Janeiro), é matéria de trabalho. Essa é a premissa que estrutura o (tempo), exposição que a Casa Roberto Marinho, Cosme Velho, Rio de Janeiro, RJ, inaugurou reunindo cerca de 100 obras produzidas entre 1967 e 2025 por um dos nomes mais relevantes da arte contemporânea brasileira. Projetada pelo próprio artista, a exposição ocupa os espaços da instituição com esculturas, pinturas, desenhos, livros e ambientes que abrangem seis décadas de produção e revelam a consistência de uma pesquisa rigorosa em torno das tensões entre forma, espaço e percepção.

Para Waltercio Caldas, a exposição é parte constitutiva da obra e uma etapa a mais de sua realização. A organização das peças no espaço, as distâncias entre elas e o percurso do visitante integram o processo de construção da experiência. “Fazer uma exposição é ainda uma prerrogativa da própria obra”, afirma o artista. “Quando trabalhamos com esculturas e objetos, o espaço passa a ser o material e a mostra se torna radicalmente presencial.”

Waltercio surgiu no cenário artístico brasileiro no final da década de 1960, em um momento de intensa renovação das artes visuais no país. Em diálogo com artistas e críticos que repensavam os limites da escultura, do objeto e da ideia de obra de arte, seu trabalho integrou a virada que deslocou o foco da representação para a experiência perceptiva e para o questionamento dos meios da arte. Desde então, sua trajetória vem sendo acompanhada por críticos como Paulo Venancio Filho e Paulo Sergio Duarte, que identificam em sua prática uma investigação rigorosa sobre linguagem, percepção e espaço.

A curadoria é de Lauro Cavalcanti.

Até 27 de setembro. 

Damián Ortega em São Paulo.

A mostra no MASP, São Paulo, SP, apresenta mais de três décadas de trabalho do artista Damián Ortega (Cidade do México, 1967), um dos principais expoentes de sua geração. Transitando entre fotografia, vídeo, escultura e instalação, Damián Ortega convida o público a reexaminar materiais e objetos cotidianos para investigar narrativas sociais, econômicas e políticas. Em sua icônica prática escultórica, ele desmonta objetos, como carros, reorganizando suas partes e exibindo-as em novas configurações. O mesmo pensamento de rearranjo aparece em obras em que dispõe ferramentas, pedras ou tijolos em montagens suspensas. A reorganização desses objetos na forma de diagramas espaciais é frequentemente carregada de humor e comentários políticos e sociais. A exposição destaca obras importantes de sua trajetória e um conjunto de trabalhos que investigam aspectos da arquitetura brasileira. A mostra marca a primeira individual de Damián Ortega em um museu de São Paulo.

Curadoria: Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP; Rodrigo Moura, curador independente, MALBA; e Yudi Rafael, curador assistente, MASP, com assistência de Isabela Ferreira Loures, assistente curatorial, MASP

Até 13 de setembro. 

Rodrigo Cass e a Geometria Sensível.

A Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa inaugurou a exposição “Geometria Sensível”, de autoria de Rodrigo Cass na Escola das Artes, no Porto, a primeira exposição individual do artista em Portugal, com organização da Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa em colaboração com a Brotéria, e também na Brotéria, em Lisboa, no dia 26 de maio. 

No cerne da exposição está a noção de “geometria sensível”, que se manifesta nas formas, nas cores e nos gestos que atravessam as obras. Mais do que uma abordagem estritamente formal, essa geometria revela-se como um campo de tensão entre racionalidade e intuição, onde estruturas geométricas se articulam com experiências sensoriais e afetivas. Assim, o trabalho de Rodrigo Cass expande-se para uma dimensão em que gestos ativam planos e objetos, instaurando relações dinâmicas entre matéria e percepção, ao mesmo tempo em que evoca uma dimensão mística atravessada pelos quatro elementos – terra, água, ar e fogo – como forças primordiais que informam, transformam e vitalizam.

Sobre o artista.

Rodrigo Cass nasceu em São Paulo, SP, 1983. O artista dialoga com a tradição construtiva da arte brasileira por meio de um vocabulário formal que alude aos experimentos concretos e neoconcretos das décadas de 1960 e 1970. O interesse do artista por intersecções e fraturas do plano pictórico é notável, fazendo com que suas superfícies adquiram dimensões volumétricas no espaço em telas, relevos e vídeos. Concreto, fibra de vidro e linho, coloridos com têmpera, são alguns de seus materiais mais utilizados. Projetadas sobre objetos esculturais, as obras em vídeo de Rodrigo Cass fundem a fisicalidade da performance com a lógica pictórica, em que a cor e a textura aparecem como elemento construtor do espaço. Em sintonia com o carácter tecnicamente híbrido e conceitualmente polivalente da prática de Rodrigo Cass, o gesto do corpo comunica-se com a pincelada sobre a superfície da pintura, criando um campo de ressonâncias entre possibilidades formais e uma espacialidade virtual.

Reinterpretando elementos culturais pré-coloniais.

20/maio

A Nara Roesler São Paulo convida para o dia 26 de maio para a abertura da exposição “Antes da forma, o encanto”, de Mônica Ventura, a primeira individual da artista na galeria, com mais de trinta obras inéditas, produzidas este ano, entre instalações, esculturas, pinturas e um vídeo, que dão continuidade à sua pesquisa desenvolvida nos últimos dez anos, em que resgata e reinterpreta elementos culturais pré-coloniais como a arquitetura e as técnicas de trabalhos manuais dos povos afro-ameríndios. 

A curadora Catarina Duncan, no texto que acompanha a exposição, destaca que “a palavra fetiche chega ao vocabulário da arte marcada por uma violência histórica”. “Sua raiz remonta ao latim facticius, aquilo que é fabricado, artificial, feito pela mão humana. No português, o termo deriva para a palavra feitiço, utilizada no contexto colonial para nomear objetos venerados pelas populações da Costa do Ouro na África investidos de poder espiritual e tratados pelo olhar europeu como superstição, exotismo e desrazão”. Catarina Duncan aponta que a exposição “propõe um deslocamento do fetiche colonial para a obra ritual – não como relíquia etnográfica, mas como presença ativa”.

“A exposição pensa identidades como rede em movimento contínuo, tornando o espaço expositivo em um laboratório, abrigo e altar. Da alquimia e da espagíria à construção de altares; dos modos de erguer paredes de terra às geometrias devocionais; das oferendas votivas às arquiteturas simbólicas que atravessam o hinduísmo e o Candomblé. Essências, circulação, retornos: tudo gira como roda. Nesse circuito, acessamos princípios dinâmicos como passagens, trocas e recomeços”, afirma a curadora.

Até 1º de agosto. 

Reverência ao legado de Emanoel Araujo.

A exposição “Um Xirê Para Emanoel”, do artista Alberto Pitta, com curadoria de Vera Nunes, no Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, Parque do Ibirapuera, São Paulo, SP, será inaugurada no dia 22 de maio, às 18h30. A mostra reúne obras de Alberto Pitta em diálogo com trabalhos de Emanoel Araujo e Mãe Detinha de Xangô, propondo um percurso atravessado por ancestralidade, memória e permanência da arte negra brasileira.

Integrando a programação do Festival Akwaba, realizado pela Fundação Palmares, a mostra, com apoio da galeria Nara Roesler,  transforma o espaço expositivo em uma grande roda de encontro e reverência ao legado de Emanoel Araujo. Mais do que uma homenagem, a exposição propõe uma experiência construída a partir da circulação de memórias, da ancestralidade afro-brasileira e da celebração da permanência da arte negra como força de criação, continuidade e transformação.

A ideia da mostra surgiu durante encontros entre o artista, equipes do Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, Fundação Palmares e Galeria Nara Roesler, realizados no contexto de preparação do festival. Ao longo das conversas, nasceu o desejo de criar uma primeira exposição dedicada ao conjunto da produção de Alberto Pitta em diálogo com obras de Emanoel Araujo.

Sobre o artista.

Alberto Pitta é artista visual, designer e cenógrafo baiano, reconhecido por sua produção ligada à cultura afro-brasileira e às tradições do Carnaval de Salvador. Sua trajetória é marcada pelo uso de signos africanos, tecidos, estampas e referências aos orixás, articulando arte, ancestralidade e identidade negra em diferentes linguagens visuais. É fundador do tradicional Cortejo Afro, grupo criado em 1998 e conhecido pela valorização da estética e da cultura negra no carnaval baiano. Ao longo da carreira, participou de exposições, projetos culturais e ações voltadas à preservação e difusão das matrizes africanas na arte contemporânea brasileira.

Encontro entre artista expositor e curadoria.

O artista Adriano Mangiavacchi, que acaba de completar 85 anos – mais da metade deles vividos no Brasil -, participará de um bate-papo com a curadora de sua exposição “Pintar é Preciso”, como parte da programação do CIGA (Circuito Integrado de Galerias de Arte), iniciativa da ArtRio. O encontro será no próximo sábado, 23, às 15h, na Galeria Patrícia Costa, no Shopping Cassino Atlântico, Rio de Janeiro, RJ.

Desde 2023, Adriano Mangiavacchi vem se dedicando à aquarela, linguagem que passou a orientar sua produção mais recente. A leveza e a fluidez desse meio serviram de ponto de partida para a série de pinturas realizadas ao longo do último ano, agora apresentadas ao público na Galeria Patrícia Costa. 

“O conjunto de aquarelas e a série pinturas, cuja execução foi inspirada nas aquarelas, são os elementos dinamizadores dessa nova exposição de Adriano Mangiavacchi. Apontam para um novo campo de investigação e de ambivalências, provocadas pela luminosidade das cores, criando condições adversas de percepção. As sutis variações cromáticas se mesclam umas dentro das outras, guardam uma relação entre si e apresentam, ao mesmo tempo, uma liberdade de gestos e desdobramentos de formas e planos de cores que se erguem através das tintas, seja na superfície da tela ou do papel, em zonas interligadas. O artista utiliza técnicas diferenciadas, mas sempre potencializando o cromatismo, seja pela saturação ou acumulação; pela urgência ou pelo imediatismo; ou pelo próprio jogo de luz e sombra”, define Vanda Klabin.

Até 06 de junho.

Siron em exposição na Paulo Darzé.

19/maio

Quatro décadas de uma parceria reafirmada pelo tempo e pela renovação constante é o eixo da exposição “A vida como ela é”, recém aberta na Paulo Darzé Galeria, em Salvador. Siron Franco, é um artista goiano e, mais uma vez, apresenta suas obras na Bahia, onde desde sua participação na II Bienal Nacional da Bahia e a conquista do Prêmio Aquisição, é figura presente no cenário cultural baiano. A atual exposição é a sexta da parceria de Siron e a Paulo Darzé.

Mais do que uma retrospectiva, a mostra se apresenta como um percurso compartilhado, que evidencia a continuidade de um diálogo entre artista e galeria. A produção de Siron Franco se ancora em uma relação direta com a experiência da vida, explorando zonas de encontro entre o vivido, o imaginado e o inventado. Nesse território, suas pinturas instauram tensões que convidam o olhar a permanecer em movimento, sem se esgotar em interpretações imediatas.

Reconhecido por uma linguagem intensa e singular, o artista constrói uma obra que tensiona o espectador, provocando reflexões sobre percepção e existência. Em “A Vida Como Ela É”, essa inquietação se manifesta de forma renovada, reafirmando a capacidade da arte de instigar, deslocar e ampliar modos de ver e habitar o mundo.

Celebrando a obra do escultor Carlos Tenius.

O MAPA (Museu de Arte do Paço) inaugurou a exposição “Carlos Tenius – Voo Livre”, com curadoria de Paula Ramos e Eduardo Veras, na Praça Montevidéu, nº 10 (antiga prefeitura de Porto Alegre), coincidindo com o Dia Nacional do Artista Plástico, e aniversário do escultor.

A mostra celebra a obra máxima de Carlos Tenius, o “Monumento aos Açorianos” (1974), uma homenagem da Coordenação de Artes Visuais – CAV ao artista, que apresenta esculturas, desenhos inéditos, materiais de imprensa, documentos, cadernos pessoais e fotografias que contam as etapas de fundição, montagem e inauguração do monumento, há cinco décadas. Sua obra, método e atuação como artista-professor são referências, inspirando pesquisas sobre materialidade e dimensão pública, conectando memória histórica à produção artística contemporânea.

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