Burle Marx: plantas em movimento.

30/abr

O Museu Judaico de São Paulo, Bela Vista, apresenta até 02 de agosto a exposição “Burle Marx: plantas em movimento”.

A exibição apresenta um recorte introdutório da obra paisagística de Roberto Burle Marx e seus colaboradores, com foco no uso de algumas espécies vegetais. Burle Marx se notabilizou por criar um paisagismo tropical a partir das observações que fazia in loco, em expedições pelo Brasil e em viagens internacionais para o reconhecimento da vegetação de cada lugar, sempre acompanhado por um grupo de amigos botânicos, arquitetos, artistas e jardineiros, além da equipe de paisagistas de seu escritório. Assim, utilizou plantas nativas numa época em que a tradição era importar espécies vegetais de fora do país para desenhar áreas verdes segundo modelos tradicionais franceses e ingleses.

No entanto, Burle Marx nunca aplicou esses princípios de forma sectária, incorporando, em muitos de seus jardins, espécies exóticas tropicais que se adaptavam bem a determinados contextos locais. Nesse sentido, o artista-paisagista combinou a reversão dos estigmas de um país colonizado com a incorporação de elementos exógenos, numa atitude claramente cosmopolita, que pode ser associada à recusa de concepções fixas de identidade nacional. Assim, ao estabelecer uma associação entre plantas e seres humanos, ou entre natureza e sociedade, propomos, nesta exposição, a aproximação entre o legado estético e cultural de Burle Marx e certos princípios progressistas da judeidade, ligados à diáspora e à criação de identidades definidas pelo movimento constante.

Nesta mostra, transcendemos a apresentação meramente sequencial das composições paisagísticas de Burle Marx e sua equipe, e procuramos iluminar a relação entre certos projetos — públicos e privados — e a presença recorrente de determinadas espécies vegetais, reconstruindo um léxico básico com o qual o paisagista trabalhou, sempre de forma coletiva.
“A realização desta exposição neste espaço tem o propósito de ampliar a compreensão sobre o legado de Burle Marx, ao propor uma chave de leitura pouco revisitada em seu trabalho: sua herança judaica. A convite do MUJ, o pesquisador e artista Daniel Jablonski investiga como essa relação, transmitida pela via paterna, se inscreve em uma dimensão pouco visível — mas que atravessa sua maneira de estar no mundo. Uma perspectiva que dialoga com o entendimento do museu, que compreende a experiência judaica como parte de uma história mais ampla de migrações, travessias e múltiplas formas de continuidade.”

Marilia Neustein – Diretora-Executiva do Museu Judaico de São Paulo.

“Ao longo de sete décadas, Roberto Burle Marx e seus colaboradores constituíram um acervo paisagístico com mais de 150 mil itens, reunindo projetos urbanísticos, estudos, croquis, desenhos, fotografias, documentos, publicações, peças de arte e outros materiais. Fundado 2019 como uma organização da sociedade civil, o BMI é é fruto do compromisso inicial dos atuais sócios do Escritório Burle Marx em preservar, difundir e ressignificar o legado de conceitos e realizações que esse arquivo histórico congrega.”
Isabela Ono – Diretora-Executiva do Instituto Burle Marx.

Atuação em projetos de arte pública.

Reforçando a presença brasileira no circuito internacional, Marcello Dantas é nomeado curador da Bienal de Vancouver, ampliando sua atuação em projetos de arte pública, como curador sênior da edição 2027–2029. A mostra, dedicada à arte pública e realizada ao ar livre na cidade canadense, terá detalhes de datas e artistas divulgados nos próximos meses. A nomeação marca o retorno de Marcello Dantas ao projeto. Entre 2013 e 2015, ele já havia participado da bienal com um trabalho de Vik Muniz, desenvolvido em colaboração com comunidades locais e grupos das Primeiras Nações.

Com trajetória que atravessa exposições, documentários e projetos imersivos, Marcello Dantas construiu uma prática ligada à relação entre arte, espaço e participação. Ao longo da carreira, organizou mostras de artistas como Ai Weiwei, Bill Viola, Shirin Neshat e Tunga, além de atuar na direção artística de projetos de grande escala. Recentemente, co-curou a edição de 2024 do Desert X AlUla, na Arábia Saudita, e mantém atuação como diretor artístico do Sfer Ik, no México. Sua experiência também inclui projetos ligados a grandes eventos, como a exposição Pelé Station, apresentada durante a Copa do Mundo de 2006 em Berlim.

Vancouver como território curatorial.

A proposta para a próxima edição da Bienal de Vancouver parte de uma leitura direta do território. Segundo Marcello Dantas, a cidade exige um olhar atento à relação entre urbanização, paisagem natural e história local, incluindo a presença das comunidades indígenas. A bienal, fundada em 2002, opera como uma plataforma de esculturas, instalações e projetos de arte pública distribuídos pela cidade. Parte das obras exibidas ao longo dos anos foi incorporada de forma permanente ao espaço urbano, consolidando o evento como um dos principais programas de arte pública da América do Norte. Para 2027-2029, o curador sinaliza interesse em projetos colaborativos e em formatos menos permanentes, com obras pensadas como experiências em transformação, ligadas a temas como pertencimento, deslocamento e ecologia.

A trajetória singular de Waltercio Caldas.

29/abr

Com cerca de 100 trabalhos, exposição percorre seis décadas da produção de Waltercio Caldas e apresenta uma leitura de sua trajetória singular, marcada pela investigação sobre tempo, espaço e percepção. Tempo, para Waltercio Caldas, é matéria de trabalho. Essa é a premissa que estrutura o (tempo), a exposição que a Casa Roberto Marinho, Cosme Velho, Rio de Janeiro, RJ,  inaugura no dia 14 de maio, reunindo cerca de 100 obras produzidas entre 1967 e 2025 por um dos nomes mais influentes da arte contemporânea brasileira. Projetada pelo próprio artista, a exposição ocupa os espaços da instituição com esculturas, pinturas, desenhos, livros e ambientes que abrangem seis décadas de produção e revelam a consistência de uma pesquisa rigorosa em torno das tensões entre forma, espaço e percepção.

Waltercio Caldas surgiu no cenário artístico brasileiro no final da década de 1960, em um momento de intensa renovação das artes visuais no país. Em diálogo com artistas e críticos que repensavam os limites da escultura, do objeto e da ideia de obra de arte, seu trabalho integrou a virada que deslocou o foco da representação para a experiência perceptiva e para o questionamento dos meios da arte. Desde então, sua trajetória vem sendo acompanhada por críticos como Paulo Venancio Filho e Paulo Sergio Duarte, que identificam em sua prática uma investigação rigorosa sobre linguagem, percepção e espaço.

Sobre o artista.

Waltercio Caldas nasceu em 1946, no Rio de Janeiro. Escultor, desenhista, artista gráfico e cenógrafo, estudou pintura com Ivan Serpa, em 1964, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio). Entre 1969 e 1975, fez desenhos, objetos e esculturas. Em 1973 sua primeira individual recebeu o prêmio de melhor exposição do ano pela Associação Brasileira de Críticos de Arte. Nos anos 1970, deu aulas no Instituto Villa-Lobos, no Rio de Janeiro, e foi coeditor da revista Malasartes e do jornal A Parte do Fogo. Integrou a comissão de Planejamento Cultural do MAM Rio, responsável pela criação da Sala Experimental. Realizou exposições no Brasil e no exterior e foi agraciado pela Associação Brasileira de Críticos de Arte, em 1993, com o prêmio Mário Pedrosa, pelo conjunto da obra e por sua mostra individual realizada no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro. Esteve presente em várias Bienais de São Paulo, na Bienal de Veneza e na Documenta de Kasell (Alemanha). Na Bienal Entre Abierto, em Cuenca, Equador, em 2011, recebeu o prêmio com a obra Parábolas de Superfície. Participou da coletiva Art Unlimited em Basileia, Suíça. Em 2005 recebeu o grande prêmio da Bienal da Coreia. Seus trabalhos estão em coleções de importantes instituições, como o Museum of Modern Art (MoMA), em Nova York, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), o Museu Reina Sofia (Espanha), o Centro Georges Pompidou (França), o Museu de Arte (MASP), a Pinacoteca do Estado e o Museu de Arte Moderna de São Paulo.

Até 27 de setembro. 

Diálogo com um cenário internacional.

A Gentil Carioca anuncia a participação da artista Ana Silva na 17ª edição da Sharjah Biennial, que acontecerá de 21 de janeiro a 13 de junho de 2027, em múltiplos espaços no emirado de Sharjah.

Com curadoria de Angela Harutyunyan e Paula Nascimento, a Bienal parte do tema What remains, sits restive para refletir sobre as reverberações de passados não vividos e os desdobramentos contemporâneos de projetos de emancipação.

É nesse contexto que se destaca a participação de Ana Silva, convidada por Paula Nascimento – ao lado de 109 artistas de diferentes geografias – para desenvolver um trabalho comissionado para a Bienal. Sua presença reafirma a força e a relevância de sua pesquisa, agora em diálogo com um cenário internacional ampliado e com debates urgentes em torno de história, território e imaginação política.

Sobre a artista.

“Ao bordar nossas humanidades sublimes e obscuras nesses rostos semi-abstratos, Ana Silva nos lembra gentilmente que a reapropriação de nossas memórias para melhor construir nosso futuro é um trabalho de corpo a corpo, de coração a coração.”

Charlotte Diez-Bento

Ana Silva vive e trabalha em Lisboa, Portugal, expressa sua criatividade por meio da diversidade de materiais que utiliza. Tela, madeira, metal, tinta acrílica e tecido são elementos que compõem e dão forma à sua arte. Durante suas caminhadas pelos mercados de Luanda, começou a distorcer o uso primário de sacos de ráfia e outros artefatos para um trabalho de memória; de objetos abandonados a objetos revividos: “Não consigo separar meu trabalho da minha experiência em Angola, em uma época em que o acesso a materiais era difícil devido à guerra de independência e à guerra civil. Minha criatividade nasceu da exploração de meu ambiente imediato. Essa experiência teve um grande impacto em minha maneira de trabalhar e em minha vida de modo geral.”

Alice Yura na Pinacoteca de São Paulo.

28/abr

A Pinacoteca de São Paulo apresenta a exposição “Alice Yura: um ato fotográfico”, na Galeria Praça do edifício Pina Contemporânea, São Paulo, SP. Com curadoria de Thierry Freitas, a mostra reúne ensaios visuais recentes em diálogo com um robusto conjunto documental e material herdado da família da artista.

Vencedora do Prêmio FOCO ArtRio de 2022, Alice Yura (1990) nasceu em uma família de imigrantes japoneses que se estabeleceu no Brasil na década de 1950, e foi criada em um ambiente marcado pela produção de imagens. Seu avô, seu pai e seus tios atuaram como fotógrafos em sua cidade natal, no interior do Mato Grosso do Sul, experiência que atravessa e fundamenta sua prática artística. A artista aproxima a imagem dos campos da performance e da teatralidade, desdobrando sua pesquisa em torno da memória e da autobiografia.

Estruturada em três núcleos, a exposição articula diferentes tempos e regimes da imagem. No primeiro, são apresentados materiais provenientes do Foto Yura, estúdio fotográfico da família que, ao longo da segunda metade do século XX, constituiu-se como espaço central de sociabilidade em Aparecida do Taboado, no Rio Grande do Sul. Fotografias, objetos e documentos evidenciam tanto a trajetória da família quanto as transformações da fotografia, do analógico ao digital.

O segundo núcleo reúne o ensaio Foto Yura (2022), no qual a artista investiga suas heranças familiares ao mesmo tempo em que tensiona papéis sociais. Ao se colocar como modelo de seu pai, com o retrato do avô ao fundo, Alice Yura reencena uma linhagem marcada por um ofício historicamente masculino, deslocando as posições de autoria e representação. A exposição recria o cenário dessas imagens, convidando o público a ocupar esse espaço.

No terceiro núcleo, a artista se apropria de arquétipos da história da arte e de figuras da Antiguidade para reencená-los a partir de seu próprio corpo. Ao mobilizar essas imagens, Alice Yura propõe novas possibilidades de identificação e permanência, afirmando a produção de imagens por corpos transexuais como forma de construir lastro simbólico para além das convenções de gênero. A série Restos de Carnaval integra esse conjunto, assim como uma obra inédita na qual a artista se apresenta como Cupido, tensionando iconografias clássicas a partir de uma corporalidade dissidente. Ao tomar a biografia como eixo, a exposição propõe um deslocamento entre documento, memória e ficção, reafirmando a imagem como espaço de presença, encenação e fabulação.

No Museu Vassouras.

Chama-se “Chegança” a exposição de abertura do Museu Vassouras, desenvolvida a partir das narrativas e vivências do Vale do Café, marcando a chegada do Museu na cidade, e a reabertura do espaço para receber as pessoas, contar e compartilhar histórias.

Para que ela aconteça, o curador Marcelo Campos com a assistência curatorial de Thayná Trindade,  costuraram narrativas, mais de 150 obras e 65 artistas para promover um encontro entre pesquisa, escuta e celebração.

Novos curadores na 37ª Bienal de São Paulo.

A Fundação Bienal de São Paulo anuncia Amanda Carneiro e Raphael Fonseca como curadores-chefes da 37ª Bienal de São Paulo. A 37ª Bienal de São Paulo está programada para ocorrer no segundo semestre de 2027, e o projeto curatorial será apresentado no segundo semestre deste ano.

Sobre os curadores.

Amanda Carneiro nasceu em São Paulo, onde vive atualmente. É curadora do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand – MASP desde 2018. Também foi co-organizadora de exposições que recuperaram artistas importantes do século 20, como Abdias Nascimento (2022), Madalena Santos Reinbolt (2022) e Conceição dos Bugres (2021-2022), além de mostras coletivas, como Histórias brasileiras (2022). É graduada, mestre e doutoranda em história social pela Universidade de São Paulo. Atualmente, desenvolve pesquisa sobre o Segundo Festival Mundial de Artes e Cultura Negra e Africana (FESTAC ’77). Antes de ingressar no MASP, trabalhou no Museu Afro Brasil Emanoel Araujo.

Raphael Fonseca nasceu no Rio de Janeiro e vive em Lisboa. É curador de artes visuais da Culturgest, com sedes em Lisboa e no Porto, em Portugal. É curador at large de arte moderna e contemporânea latino-americana no Denver Art Museum, nos Estados Unidos. É curador do Pavilhão de Taiwan na 61ª Exposição Internacional de Arte da Bienal de Veneza (2026). Integra o grupo curatorial da 3ª Counterpublic Triennial (2026) e é um dos cocuradores do festival Sequences, em Reykjavík, na Islândia (2027). Foi curador-chefe da 14ª Bienal do Mercosul (2025), cocurador da 22ª Bienal SESC_Videobrasil (2023) e curador da 1ª Bienal do Barro (2014). Trabalhou como curador do MAC Niterói entre 2016 e 2020. É doutor em História e crítica da arte pela UERJ, mestre em História da Arte pela Unicamp e bacharel em História da Arte pela UERJ. Foi professor de artes visuais do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, entre 2010 e 2022.

MariAntônia recebe a mostra Rever Baravelli.

24/abr

O Centro MariAntonia da USP, Vila Buarque, São Paulo, SP, inaugura no dia 09 de maio, a exposição “REVER BARAVELLI”, dedicada à obra de Luiz Paulo Baravelli. Com curadoria de Maria Alice Milliet e realização da Galeria Marcelo Guarnieri, a mostra reúne aproximadamente 60 obras que atravessam diferentes momentos da trajetória de mais de cinquenta anos do artista.

A exposição propõe uma revisão panorâmica da produção de Baravelli, destacando a diversidade de procedimentos, técnicas e linguagens que caracterizam seu trabalho. Ao longo de décadas, o artista construiu uma obra marcada pela experimentação e pela articulação entre pintura, desenho, objeto e relevo. Em seu trabalho, observa-se uma vontade de extrapolar os limites do quadro, seja em pinturas que adquirem contornos orgânicos ao se afastarem do regime da moldura quadrangular; seja no uso da perspectiva, entendida menos como elemento regulador da visão e mais como força propositiva e vertiginosa, capaz de sugerir profundidades potencialmente infinitas na pintura.

Para a curadora Maria Alice Milliet, a prática de Baravelli se dá na interseção entre arte e artesania. Em seu processo, ele assume o papel de artista/artesão ao manipular materiais como madeira, acrílico ou metal para construir suportes e estruturas que expandem os limites da pintura. Sua iconografia incorpora desde desenhos de observação até uma ampla gama de imagens captadas em diversas mídias. Para tanto, recorre a estratégias como o ready-made e a colagem.

A exposição destaca núcleos importantes de sua pesquisa. Entre eles, as investigações sobre paisagem em sua construção ambígua entre interior e exterior e a recorrência do nu feminino, tema presente desde sua formação nos anos 1960. Nesse conjunto, destaca-se a série realizada em 1984 com a técnica da encáustica, na qual o artista abandona o desenho preparatório e passa a pintar diretamente sobre a tela, produzindo imagens de intensidade dramática e expressiva. Ao longo do percurso expositivo, o público encontrará trabalhos que transitam entre o bidimensional e o tridimensional, incluindo estruturas que evocam maquetes, relevos e pinturas que extrapolam os limites do quadro. Essa diversidade reflete a recusa de Baravelli em se ater a uma linguagem única, reafirmando seu interesse em capturar a complexidade e a instabilidade da realidade visível.

 

Sobre o artista. 

Luiz Paulo Baravelli é formado em Arquitetura pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, e por desenho e pintura pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP). O artista iniciou sua carreira em meados dos anos 1960 produzindo pinturas, desenhos e colagens, influenciadas, de maneira mais direta, pela obra de Wesley Duke Lee, seu ex-professor na FAAP, e de modo mais amplo, pelo vocabulário da cultura Pop. Baseando sua prática na intersecção e troca entre a produção e o ensino de arte, Baravelli participa da fundação da Escola Brasil, em 1970, junto a José Resende, Carlos Fajardo e Frederico Nasser; da Revista Malasartes entre 1975 e 1976 e da Revista Arte em São Paulo entre 1981 e 1983, ambas junto a importantes artistas e críticos da cena contemporânea. Participou de inúmeras exposições individuais e coletivas destacando-se: Bienal de São Paulo (Brasil); Bienal de Veneza (Itália); Bienal de Havana (Cuba); Bienal do Mercosul, Porto Alegre (Brasil); Museu de Arte de São Paulo (MASP- Brasil); Pinacoteca do Estado, São Paulo (Brasil); Hara Museum of Contemporary Art, Tóquio (Japão); Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro (Brasil); Museu de Arte Moderna de São Paulo (Brasil); Instituto Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto (Brasil); Itaú Cultural, São Paulo (Brasil); Museo de Arte Moderno de Buenos Aires (Argentina);  Museu de Arte Contemporânea (MAC) da Universidade de São Paulo (Brasil); Instituto Tomie Ohtake, São Paulo (Brasil) e Paço Imperial, Rio de Janeiro (Brasil).

Até 26 de julho. 

 

Granato e a força simbólica das máscaras.

A DAN Galeria Contemporânea, Itaim Bibi, São Paulo, SP, exibe a exposição “Máscaras, Ivald Granato – Quem é você?” até 25 de junho.

A força das máscaras africanas é inegável. Como percebeu Picasso, a arte negra impressiona e não só por confrontar a estética naturalista, mas por ter na origem uma função mágica; ele viu as máscaras como instrumentos de comunicação.  No caso de Granato, a atração por essa iconografia, tão estranha aos códigos ocidentais, veio da busca de suas raízes culturais e do desejo de afirmação identitária. Tal como aconteceu com Picasso, não foram os valores formais que o seduziram, inicialmente, mas o reconhecimento da força simbólica das máscaras.

Os mascarados – usando costumes de fibras naturais e portando adereços feitos de peles, chifres, penas, conchas etc. – dançam e praticam gestos simbólicos conforme certas convenções. Essas atuações, guardadas todas as ressalvas, encontram ressonância nas práticas performáticas de Ivald Granato, atividades que atravessaram toda sua carreira e o fizeram reconhecido.

Adriana Varejão e Rosana Paulino em Veneza.

23/abr

Brasil aposta em força feminina e espiritualidade no Pavilhão de Veneza. O projeto curatorial reúne duas das artistas mais importantes do país em um diálogo inédito sobre memória, fé e colonialidade.

A Fundação Bienal de São Paulo anunciou o projeto curatorial do Pavilhão do Brasil na Biennale Arte 2026, que será ocupado integralmente pelas artistas Adriana Varejão e Rosana Paulino. Intitulada “Comigo ninguém pode”, a exposição tem curadoria de Diane Lima e propõe um encontro inédito entre duas trajetórias fundamentais da arte contemporânea brasileira. Realizada em parceria com o Ministério da Cultura e o Ministério das Relações Exteriores, a participação brasileira conta com patrocínio da Petrobras.

Inspirada na planta popular que dá nome à mostra – símbolo de proteção e resiliência -, a exposição parte de uma dimensão sensível e simbólica para articular questões ligadas à história, espiritualidade e natureza. Em uma abordagem instalativa, o projeto rompe com a linearidade do tempo e coloca em diálogo obras históricas e produções inéditas das artistas, abordando feridas coloniais, processos de transformação e a construção de imaginários no Brasil.

A expografia, assinada por Daniela Thomas, foi concebida em diálogo direto com a arquitetura modernista do Pavilhão do Brasil, projetado em 1964 por Giancarlo Palanti, Henrique Mindlin e Walmyr Lima Amaral. A proposta é ativar o espaço como parte da experiência, com obras que se distribuem de forma não convencional, criando percursos sensoriais e aproximando pintura, escultura e desenho de uma dimensão quase performativa.

Ao reunir mais de três décadas de produção de ambas as artistas, “Comigo ninguém pode” enfatiza tensões e aproximações simbólicas, materiais e cromáticas. Enquanto Rosana Paulino investiga memória, corpo e reconstrução a partir da experiência da mulher negra, Adriana Varejão explora, por meio da pintura, simulações de materiais como carne, azulejo e concreto. O encontro entre as duas artistas constrói uma narrativa potente sobre identidade, história e imaginação, projetando o Brasil no centro do debate contemporâneo internacional.

Fonte: Das Artes.