Apresentação internacional de Maxwell Alexandre.

21/out

A primeira exposição individual de Mawell Alexandre em Londres acontece na Galeria Carlos Ishikawa.

Para a ocasião, foi desenvolvido o print Londres 2026 – “pintor preto, figuração branca”, que marca um momento importante da série “Clube” e sua apresentação internacional, a primeira com a galeria. A seleção dessa obra foi feita a partir de uma produção prolífica e intensa de obras novas para a mostra, que resultou em 93 pinturas num período de 2 meses e meio.

Com pouco mais de um mês de antecedência à abertura da exposição, as vendas do print foram abertas exclusivamente em agosto no Brasil – presencialmente no MAM – Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro durante o evento @artecore e online, no site da @pavilhaoloja

Apresentando o resultado de três anos de pesquisa.

A Galeria Alma da Rua, Vila Madalena, São Paulo, SP, apresenta “Refúgio”, de Gatuno, com pinturas que reúnem animais, paisagens e elementos da natureza em composições que evocam diferentes sentidos de abrigo e proteção. Sob curadoria de Lara Pap, as obras remetem à busca por um lugar de acolhimento e segurança, mas também à possibilidade de encontrar esse espaço na relação com a Natureza.

Em exibição 26 pinturas em tinta acrílica sobre tela, resultado de uma pesquisa desenvolvida ao longo de três anos e alimentada pelas viagens do artista pela Europa e pelo norte da África. Entre as obras estão “Guará Vermelho”, “A Fogueira”, “Oásis”, “Raposa do Deserto”, “Tamanduá-Bandeira”, “Guardiã da Mata”, “Fonte da Vida”, títulos que revelam a variedade de referências.

Na perspectiva curatorial de Lara Pap, “Refúgio” propõe um olhar sobre o abrigo que ultrapassa sua dimensão física e alcança as ideias de proteção e pertencimento. As pinturas aproximam referências de diferentes ambientes e espécies, articulando experiências recolhidas pelo artista com imagens elaboradas a partir de seu repertório pessoal.

Apresentando essas fontes em um mesmo conjunto, Gatuno deixa espaço para que cada pintura estabeleça sua própria relação com o tema. O refúgio, assim, não se limita a um lugar específico: ganha sentidos distintos conforme as imagens, as associações e as experiências que cada obra desperta no olhar do público.

De 25 de outubro a 26 de novembro.

Fim é o nome do que vem antes do começo.

J.P. Cuenca reúne cerca de 70 obras nascidas de 144 processos judiciais, com curadoria de Victor Gorgulho e texto crítico de Cipriano. A exposição abre em 24 de outubro na NND|AZECO, São Paulo, SP.

Em junho de 2020, um tuíte satírico sobre o então presidente da República e a Igreja Universal rendeu a João Paulo Cuenca 144 processos quase idênticos, movidos por pastores em cidades espalhadas pelo país, além de uma enxurrada de ameaças de morte, e foi dentro de casa, enquanto a defesa corria nos tribunais, que ele começou a desenhar os próprios símbolos de proteção.

Seis anos depois, esse repertório ganha as paredes da galeria em pinturas a óleo sobre colagens, mosaicos feitos de manuscritos e originais de livros, assemblages e uma série de 15 néons, com cruzes, tridentes e setas surgindo entre camadas de grafite, penas, sementes e spray, enquanto a luz dos tubos leva o desenho para o ar, “em grandes cores e alto contraste”, como define o artista.

Victor Gorgulho, que acompanha Cuenca há mais de dez anos e assina aqui a primeira colaboração formal entre os dois, vê um artista que “esgarça amarras estéticas” até alcançar “um território livre”, onde arte e magia caminham de mãos dadas, e uma série movida por algo mais próximo do diálogo do que do revide, “um convite à proximidade, um desejo de enxergar o outro”, que encontra no sincretismo religioso brasileiro o chão para essa conversa. “Não há lados vencedores, não há bom ou mau”, resume o curador.

É desse Brasil sincrético que parte a leitura de Cipriano em Riscar o segredado: encantar a intenção, texto que aproxima os desenhos de Cuenca dos pontos riscados da umbanda, herança africana que dá forma ao que não se vê, e reconhece no artista “aquele que desenha o invisível que protege o segredo que guarda”. Nessa chave, o néon, um gás preso num vidro transparente, vira quase uma prova material da ideia, “cheio de invisível”, capaz de acordar “o suporte de seu sono”.

O 144 vem do Apocalipse, doze tribos vezes doze apóstolos, a conta dos selados no Juízo Final. O caso que dá nome à série também deixou rastro fora do ateliê, ao contribuir para que o STF reconhecesse, em 2024, o assédio judicial contra jornalistas e levar o MPF a mover, no anoseguinte, uma ação civil pública contra a Igreja Universal, e a viagem que Cuenca fez pelo país atrás dos pastores virou o longa “144 – Apocalipse Não”, premiado no Festival do Rio com a Menção Honrosa da Associação dos Correspondentes de Língua Estrangeira e em cartaz na 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.

Sobre os artistas e o curador. 

J.P. Cuenca é escritor, cineasta e artista visual, nasceu no Rio de Janeiro, em 1978. É autor de seis livros traduzidos para oito idiomas e vencedor do Prêmio Machado de Assis da Fundação Biblioteca Nacional. Foi eleito um dos 20 melhores jovens romancistas brasileiros pela Granta. “144 – Apocalipse Não”, que integra a 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, é seu segundo longa-metragem.

Victor Gorgulho, curador, jornalista e pesquisador, mestre em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Foi curador-chefe do Instituto Inclusartiz, realizou projetos ao lado de nomes como Hans Ulrich Obrist e Paulo Herkenhoff. Assinou exposições na Tanya Bonakdar Gallery, em Nova York, na Fortes D’Aloia & Gabriel e na Carpintaria; coeditou o livro “Paula Rego e Adriana Varejão: Entre os vossos dentes” (Lenz Press, 2025). Escreveu textos críticos para mais de cem artistas.

Cipriano, artista e pesquisador, nasceu em Petrópolis, RJ, em 1981. Sua macumba pictórica parte da gramática dos cultos afro-brasileiros, como a Umbanda, e combina materiais ligados às práticas espirituais de matriz bantu, como pemba, carvão e tecido. Mestre em Educação pela UFJF, participou de exposições no MASP, no MAR, no MAC Bahia e no Sesc. Tem obra no acervo do MASP e em 2027, estará na Bienal de Sharjah.

Até 20 de fevereiro de 2027.

Exposição interativa desafia a imaginação.

E se um fogão cantasse e as cores tivessem sabor? O Museu Vale, Galeria Gabinete, Parque Cultural Casa do Governador, Praia da Costa, Vila Velha, ES, abriu exposição interativa que desafia a imaginação. A inédita “Imaginalivre!”, do coletivo Opavivará! ocupa três espaços da Grande Vitória. 

Até onde a imaginação pode ir? Na exposição “Imaginalivre!”, ela é desafiada a cada obra. Um fogão canta, cadeiras de praia deixam de ser individuais, redes aproximam histórias e as cores podem até ganhar sabor. Na mostra gratuita e inédita do coletivo carioca Opavivará!, produzida pelo Museu Vale, cada instalação convida o público a participar, mostrando que, quando a arte rompe com o óbvio, o visitante também deixa de ser apenas espectador. Ao longo de sua temporada, até dezembro de 2026, a exposição ocupa três espaços da Grande Vitória, transformando a visita em uma experiência coletiva, sensorial e lúdica.

A exposição reúne instalações, vídeos e dispositivos relacionais que atravessam mais de duas décadas de produção do coletivo. A mostra se expande para o Parque Botânico Vale e o Parque Costeiro Vale, em Vitória, onde duas obras ganham novos diálogos com a paisagem natural e permanecem em cartaz até 13 de dezembro.

Um ato de abertura e sensibilidade.

20/out

A Gentil Carioca apresenta, no Stand 13, Hall: Pink A, uma seleção de obras que dialoga com o tema desta edição, “Fancy: A Flexible, Acrobatic Body” (Fancy: Um Corpo Flexível e Acrobático) em Turim, Itália. A partir dessa questão central, nossa apresentação propõe explorar a imaginação e o corpóreo enquanto ferramentas críticas e políticas, destacando a capacidade da arte de ampliar nossa percepção do mundo e a compreensão de experiências diversas.

O conjunto reunido coloca em jogo um exercício de pensamento, que convida o público a refletir sobre o presente, vislumbrar futuros possíveis e aproximar-se das complexidades culturais que nos atravessam. Ao colocar a criação artística no centro do diálogo coletivo, mostrando que imaginar é também a experiência que nos leva a reconhecer o valor de um ato de abertura e sensibilidade.

Entre 30 de outubro e 01 de novembro.

As relações entre Brasil e Índia.

A exposição “Ananta Ananda” apresenta pela primeira vez no Centro Cultural Veras, Florianópolis, SC, uma mostra individual do artista Ernesto Neto. Reconhecido por suas esculturas e instalações que envolvem o espectador, Ernesto Neto desenvolve há anos um trabalho atento em torno da imagem da serpente em diferentes tradições do mundo, compreendendo-a como símbolo de continuidade, transformação e interconexão entre formas de vida. Para o Veras, o artista se concentrará na figura de Ananta, a serpente que carrega o infinito, na tradição védica. Em associação a Ananda, a bem-aventurança inerente a toda forma de vida em seu estado espiritual, a exposição integrará as relações entre Brasil e Índia que o Veras preserva desde sua origem, especialmente no que concerne às cosmologias indígenas brasileiras e às tradições védicas.

Sobre o artista.

Ernesto Neto nasceu no Rio de Janeiro, Brasil, 1964. Produz esculturas e grandes instalações imersivas, utilizando técnicas artesanais como o crochê para compor estruturas flexíveis e interativas que ativam os nossos cinco sentidos, com a incorporação de elementos botânicos, ervas e especiarias. O artista tece membranas e peles, redes e invólucros que usam a gravidade e o equilíbrio como recursos de composição. Seus trabalhos mantêm sempre uma relação com a natureza, seja por meio de suas fisionomias biomórficas, seja no caráter interligado dos elementos que compõem seus espaços. Os ambientes plurissensoriais de Ernesto Neto são percorridos e habitados, formando locais de encontro, troca e reflexão. O público não é pressuposto como um grupo de observadores, mas acolhido como um coletivo de presenças e corpos ativos nas instalações.

Até abril de 2027.

Esculturas de formas orgânicas em Paris.

O fascinante universo de Sonia Gomes com a exposição “Cœur sauvage”, é o cartaz atual do Palais de Tokyo, em Paris. A exposição convida a apreciar uma abordagem original da arte contemporânea, na qual tecidos, cordas, rendas e materiais reaproveitados se transformam em esculturas expressivas. O Palais de Tokyo, um espaço dedicado à arte contemporânea, está localizado no número 13 da Avenue du Président-Wilson, no 16º arrondissement de Paris. 

Sobre a artista.

Nascida em 1948 em Caetanópolis, MG, Brasil, Sonia Gomes desenvolve uma prática artística reconhecida pelo uso de tecidos e materiais variados. Sua trajetória pessoal e cultural alimenta uma obra na qual os materiais ocupam um lugar essencial. Ela trabalha especialmente com tecidos reaproveitados, cordas, fios, bordados e elementos de renda para criar esculturas de formas orgânicas. Sua abordagem se baseia na transformação. O trabalho de Sonia Gomes também se insere em uma reflexão sobre as heranças culturais, especialmente as afro-brasileiras. Sua abordagem artística dialoga com tradições, práticas criativas e saberes artesanais que contribuem para a riqueza de sua identidade cultural.

Até 14 de fevereiro de 2027. 

Uma exposição especial.

Até 20 de dezembro, a Casa Baka, Cidade Baixa, Porto Alegre, RS, recebe a exposição “No fundo da superfície”, que reúne obras do artista, professor e pesquisador de Santa Vitória do Palmar, Lauer Santos, e artistas convidados de diferentes gerações, como Cris Bierrenbach, Mariana Lemmertz e Rafa Curtinovi. As produções destes artistas estabelecem diálogos com a pesquisa de Lauer Santos. 

Com curadoria de Andrei Moura e Diego Groisman, a exposição parte de um conjunto de trabalhos de Lauer Santos sobre intimidades, olhares e desejos. Essa estrutura aparece em sua recente série “Vestiários”, composta por pinturas que capturam a atmosfera destes espaços, nos quais as fronteiras entre público e privado são diluídas e as interações pessoais ganham outros contornos; e também na série “Reflexos”, que explora a aparição de formas em superfícies especulares. Para além de pensar a superfície em oposição ao que está em profundidade, a mostra articula relações e tensionamentos sugeridos pelos termos, considerando essas dimensões como constituintes da experiência dos corpos, da subjetividade e das relações humanas. 

Fronteira entre o reconhecível e o incerto.

Em sua primeira exposição individual, “O Enigma da Pedra”, na Gomide&Co, Cerqueira César, São Paulo, SP, Nilda Neves apresenta um novo conjunto de pinturas em que grutas e paisagens noturnas ocupam lugar de destaque. O que ainda é possível enxergar quando quase não há luz? Nesse limite da visão, o olhar passa a operar de outra maneira: reconhece silhuetas, entrevê personagens, encontra sinais, símbolos e presenças que permanecem entre o visível e o imaginário, enquanto a luminosidade intensa da lua, das estrelas e dos pequenos pontos de luz atravessa paisagens onde a noite ainda é verdadeiramente escura.

É nessa fronteira entre o reconhecível e o incerto que Nilda Neves dá continuidade à sua observação da natureza, fazendo conviver aquilo que viu e viveu com o que ouviu, lembrou e imaginou, em uma espécie de cartografia do sertão, de suas histórias, mitos, fauna, flora e formas de vida. Macambiras, mandacarus, barrigudas e baobás, fósseis, ninhos de aves, casas de abelha, armadilhas e um conjunto de elementos compõem um sertão que não é apenas geográfico, mas também afetivo, narrativo e mental. Artista multidisciplinar, Nilda Neves estudou contabilidade e foi professora de matemática, comerciante, cabeleireira, entre outras profissões, antes de se dedicar às artes visuais e à literatura, com a pintura surgindo mais tarde na sua vida, e o amplo reconhecimento vindo em torno de 2015. Hoje, suas obras integram as coleções do Museu de Arte do Rio – MAR, do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo – MAC USP, do Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba – MACS e da Pinacoteca de São Paulo. Além da ascensão institucional, sua produção construiu ao redor de si uma comunidade de admiradores. A exposição inédita da Gomide&Co traz um novo olhar para este universo já conhecido e a oportunidade de acompanhar seus novos desdobramentos. Com texto crítico de Renato Menezes, curador da Pinacoteca, a exposição abre em 29 de outubro, encerrando a programação expositiva de 2026 da Gomide&Co.

Até 22 de janeiro de 2027.

Um conflito entre rigidez e movimento.

16/out

O MAM Rio apresenta “Projeto parquinho”, da artista e professora Andréa Hygino, como parte da programação do Espaço Petrobras, dedicado à apresentação de obras de jovens artistas comissionadas especificamente para o foyer do museu. Elaborada especialmente para o espaço, a instalação reúne cinco estruturas híbridas que combinam elementos de um parque infantil com cadeiras escolares, criando brinquedos que, pela própria configuração, impossibilitam a brincadeira. A obra parte da imagem do parquinho para refletir sobre os mecanismos de disciplina e controle presentes no ambiente escolar e questionar as regras que orientam os processos de ensino e aprendizagem. Na obra de Andréa Hygino, a disciplina e o controle são desafiados pela impossibilidade de obedecer às regras do jogo. Ao impedir o uso dos brinquedos, “Projeto parquinho” cria um conflito entre rigidez e movimento, entre o desejo de utilizar o brinquedo e a frustração diante da impossibilidade de fazê-lo. A curadoria é de Phelipe Rezende.

Sobre a artista.

Andréa Hygino é artista visual, arte-educadora e professora. Possui bacharelado em artes visuais (UERJ), mestrado em linguagens visuais (UFRJ) e atualmente cursa o doutorado em artes visuais (UFMG). A artista se debruça sobre o ambiente escolar e sobre os processos de aprendizado, adestramentos, disciplina e repetição. Encontra na desobediência de estudante o lugar necessário da crítica e da criação. Em seus trabalhos, as memórias de infância – como a escola criada por sua mãe e que funcionava em casa – entrelaçam-se às experiências como artista e professora e às condições da educação pública no Brasil. Integrou exposições em espaços como Instituto Tomie Ohtake, Galeria Antônio Sibassoly, Paço Imperial e Kunstverein Bielefeld. Participou de residências no JA.CA – Centro de Arte e Tecnologia,  Bag Factory Artists’ Studios, Artistes en Residence e Silo – Arte e Latitude Rural. Foi vencedora do 3º Prêmio SeLecT de Arte e Educação (categoria Camisa Educação, realizada em coautoria com Luiza Coimbra), do Prêmio FOCO ArtRio 2022 e do Prêmio PIPA 2025. Participou da equipe curatorial da 14º Bienal do Mercosul (2025), Porto Alegre, RS, como curadora educativa.

Até 17 de março de 2027.