A contemplação do céu noturno, a passagem do tempo e a relação entre o ser humano e o cosmos são os temas centrais da exposição “Ancestral: Luzes do Infinito”, do fotógrafo e artista visual Fredy Vieira aberta ao público desde o dia 5 de junho em Cambará do Sul, RS. A mostra reúne imagens da Via Láctea, constelações e paisagens noturnas registradas principalmente nos Campos de Cima da Serra e em diferentes regiões do Rio Grande do Sul. As fotografias convidam o visitante a uma experiência de contemplação e reflexão sobre o tempo, a memória e a ancestralidade presentes na luz das estrelas.
Inspirada pela busca de alcançar aquilo que não pode ser tocado, a exposição propõe um encontro entre a escala humana e a dimensão do Universo. Cada imagem resulta da convergência entre o instante do registro fotográfico e o tempo percorrido pela luz dos astros até chegar à Terra, transformando a fotografia em uma ponte entre passado e presente.
Ancestral
é o desejo de alcançar o que não se pode ver. É a tentativa de materializar o intangível, de tocar aquilo que permanece distante, suspenso entre o mistério e a imaginação. As estrelas atravessam todos os registros de Fredy Vieira. Não como objeto, mas como busca. Uma insistência em capturar o céu, em guardar o que, por natureza, escapa. Nessas imagens, a fluidez da paisagem encontra a permanência aparente do cosmos. Aparente porque a luz das estrelas também é passado. O que vemos já aconteceu. Cada brilho é uma lembrança viajando através do tempo. Trinta segundos de exposição. Anos, séculos ou milênios de viagem. Entre esses dois extremos nasce a fotografia. Talvez contemplar as estrelas seja uma forma de enfrentar nossa própria finitude. Um gesto antigo de quem procura compreender não apenas o universo ancestral que nos cerca, mas também aquilo que nos antecede e nos constitui. Olhar para o céu é olhar para o tempo, é olhar para dentro. E contemplar estas imagens é habitar, por um instante, esse encontro entre a imensidão do cosmos e a breve experiência humana.
“Dada a vastidão do espaço e a imensidão do tempo, é uma alegria compartilhar um planeta e uma época com Annie.”
Carl Sagan
Sobre o artista.
Fotojornalista, astrofotógrafo e artista visual, Fredy Vieira nasceu em Porto Alegre, RS, em 1976. Cursou Jornalismo na Unisinos e é formado em Fotografia Digital pela ESPM. Ao longo de sua trajetória, atuou em veículos de comunicação e agências nacionais e internacionais de fotografia, recebeu o Prêmio Press de Fotografia em 2016 e 2018 e foi cofundador da primeira Feira da Fotografia Artística de Porto Alegre. Em “Ancestral: Luzes do Infinito”, o artista aprofunda sua investigação sobre a paisagem noturna e os vínculos que unem Natureza, Tempo e Memória, convidando o público a habitar, por alguns instantes, o encontro entre a imensidão do cosmos e a experiência humana.























