Mostra celebra o fazer gráfico.

08/out

A exposição “Do museu ao ateliê, do ateliê ao museu: o que a gráfica pode imaginar?”, com curadoria de Luiz Armando Bagolin, acontece no Museu Lasar Segall, Vila Mariana, São Paulo, SP.

Reunindo gravuras de doze artistas visuais – Amália Barrio, Cláudio Caropreso, Comtrario Pereira, Francisco Maringelli, Paulo Penna, PF Cozinha da Gravura (Tauany de Freitas e Ana Luiza Perrella), Pedro Pessoa, Rafael Kenji, Raphael Giannini, Ulysses Bôscolo e Zizi Baptista -, a mostra celebra o fazer gráfico em seu campo expandido, que vai da gravura em metal e da xilogravura à monotipia e ao desenho.

No centro da exposição está o ateliê de gravura como espaço coletivo de trabalho: o lugar onde a imagem não nasce pronta, mas se constrói por etapas, é reimpressa e se transforma a cada passagem pela matriz. Os doze artistas partilham essa prática comum – muitos deles formados ou atuantes em ateliês de gravura de São Paulo – e trazem para a sala um recorte dessa produção feita a muitas mãos.

Visita guiada na Galatea.

 

A Galatea convida para uma visita guiada à exposição “Representações brasileiras – Bienal de Veneza (1978)” com Tomás Toledo e Guto Ezek, autores do texto crítico da mostra, no dia 15 de outubro, às 18h, na Galatea Padre João Manuel, Jardins, São Paulo, SP.

Será uma oportunidade de conhecer mais de perto a representação brasileira concebida por Lélia Coelho Frota para a Bienal de 1978 e conversar sobre as obras reunidas na exposição.

Estes são os últimos momentos de visitar a mostra, que encerra no dia 17 de outubro.

Um patrimônio universal.

07/out

A mostra “Remissões – permanências e releituras”, com curadoria de José Francisco Alves e Marco Aurélio Biermann Pinto, poderá ser visitada a partir do dia 09, na Casa da Memória Unimed, Porto Allegre, RS.

Em exibição, um importante acervo, proveniente de museus e coleções particulares, além de obras de artistas de diversas épocas, inspiradas na experiência social e cultural das Missões, com abordagens sobre aquela produção de arte e arquitetura do século XVI. Há obras produzidas especialmente para a exposição e outras já existentes com o tema, realizadas desde a década de 1940 até o presente.

Serão passados em vídeo fragmentos de um filme raro realizado pelo destacado pesquisador Carlos Galvão Krebs (1914-1992), durante suas investigações sobre as Missões, na década de 1980. A mostra destaca a fundação da Missão de São Nicolau, em 1626, a primeira das Reduções do Tape, no território do atual Rio Grande do Sul, feito da Companhia de Jesus, conhecida como a Ordem dos Jesuítas, e considerado de importância na História Universal

Durante o período da exposição, serão realizadas no Auditório da Casa da Memória Unimed RS palestras gratuitas com especialistas em Missões Jesuíticas, investigadores de Porto Alegre, Santa Maria e Rio Grande (FURG), em duas manhãs de sábado (10h) nos dias 17 deste mês e 28 de novembro.

Mira Schendel em novo livro em Londres.

Temos o prazer de anunciar duas apresentações de Mira Schendel em Londres, neste mês de outubro. Organizadas pela Luxembourg+Co e pela Gomide&Co.

Junte-se à Luxembourg + Co, no sábado, 17 de outubro, às 16h, para o lançamento de livro na Frieze Masters, Londres, Standstand D3 e também para uma conversa informal celebrando o mais recente projeto monográfico: “Mira Schendel: In Transit”.

Publicado pela Buchhandlung Walther König em colaboração com o Estate of Mira Schendel, Gomide&Co, Luxembourg + Co. e Lisson Gallery, “Mira Schendel: In Transit” reúne contribuições de Pia Gottschaller, Isobel Whitelegg, Francesco Stocchi e Yuval Etgar, explorando a linguagem material singular de Mira Schendel e sua abordagem radical do desenho, da pintura e do espaço.

“Mira Schendel: In Transit” reúne obras que abrangem várias décadas da trajetória da artista, com foco especial na cor, na linguagem e na experiência do deslocamento. A exposição revela uma Mira Schendel moldada pelo movimento – entre lugares, materiais, linguagens e modos de ver.

Côa Road Movie Um ateliê a céu aberto.

O Instituto Ling, bairro Três Figueiras, Porto Alegre, RS,  apresenta “Côa Road Movie”, exposição de Guilherme Dable e Marcelo Moscheta. Resultado de uma expedição artística realizada ao longo dos 135 km do rio Côa, no interior de Portugal, a mostra reúne desenhos, pinturas, aquarelas, fotografias e diferentes registros produzidos durante e após a travessia. 

Ao percorrerem o território da nascente à foz, sem roteiro pré-definido e em constante diálogo com a paisagem, os artistas transformaram a experiência da viagem em matéria artística. As obras refletem sobre memória, tempo, território e os limites entre expedição, viagem e ateliê, propondo um percurso sensorial por uma região marcada pela presença da natureza preservada e por vestígios milenares da ocupação humana.

Criadas a partir do contato direto com a paisagem, as obras surgem de um processo que combina observação, deslocamento, coleta e criação. Como definem os artistas: “Um rio de sedimentos e memória, uma reflexão sobre os limites entre expedição, viagem e ateliê. Mais sensorial do que narrativo, como olhar pela janela de um carro em movimento.”

A abertura acontece no dia 13 de outubro, terça-feira, às 19h, com uma conversa aberta ao público entre os artistas. No encontro, a dupla compartilhará as experiências, percursos e processos de criação que deram origem à exposição.

Sobre os artistas.

Guilherme Dable (1976, Porto Alegre, Brasil) foi um dos fundadores e co-gestor do Atelier Subterrânea, espaço independente baseado em Porto Alegre, ativo entre 2006 e 2015. Vive e trabalha a partir de Porto Alegre. Sua pesquisa abarca principalmente as linguagens do desenho e da pintura, expandindo-se para investigações que flertam com a ocupação do espaço, não se atendo somente aos suportes tradicionais das linguagens. Suas obras estão nas coleções públicas do Museu de Arte do Rio de Janeiro (MAM/RJ), Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS), Fundação Vera Chaves Barcelos (FVCB), Instituto Ling, Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MAC/RS), Casa do Olhar Luiz Sacilotto e da Coleção Gilberto Chateaubriand, entre outras. Foi artista residente no Vermont Studio Center (Estados Unidos) em 2015, no Instituto Cultural Torus (Brasil) em 2018, e no Kristinestad Artist Residency (Finlândia) em 2024.

Marcelo Moscheta (1976, São José do Rio Preto, Brasil) é artista visual e pesquisador cuja prática articula base processual e profunda referência conceitual. Formado em Educação Artística pela UNICAMP, vive e trabalha atualmente em Portugal, onde dedica-se ao Doutorado em Arte Contemporânea na Universidade de Coimbra. Sua pesquisa parte das relações primordiais entre o homem e o meio ambiente, explorando como as intervenções humanas emergem dos atos de perambular e caminhar.

Investigando memória e conexões.

 artista visual Katia Wille investiga conexões entre a natureza-morta, o corpo feminino e a memória em exposição no Centro Cultural Municipal Laurinda Santos Lobo, Santa Teresa, Rio de Janeiro, RJ, sob curadoria de Fernanda Terra.

A ideia de suspensão encontra uma tensão particular na pesquisa elaborada pela artista Katia Wille sobre a flor como corpo e matéria. Partindo dessa investigação que permeia sua trajetória desde 2013, Fernanda Terra selecionou cerca de 20 pinturas em acrílica sobre tela produzidas recentemente e que serão apresentadas em sua mostra individual  “À Carne da Flor”, que inaugura dia 17 de outubro, sábado, às 15h. Completam o conjunto objetos em matelassê e cadernos de desenho e pesquisa da artista.

“Existe uma tentativa desse corpo de sair da forma que o abriga, porque ela já o oprime. A louça se parte, o vaso racha e seus fragmentos passam a integrar a própria composição das obras. A ruptura também aparece na madeira, nos dípticos e nos mosaicos, fazendo da fragmentação uma parte constitutiva das imagens”, afirma Fernanda Terra.

A relação entre corpo feminino, forma e contenção, pontos fundamentais nessa mostra, encontra uma camada histórica particular no próprio espaço onde será apresentada, o Centro Cultural Municipal Laurinda Santos Lobo. O lugar  leva o nome de uma mulher que desempenhou um importante papel na vida cultural do Rio de Janeiro e na circulação de artistas e intelectuais em seu tempo. A presença de Laurinda Santos Lobo estabelece uma conexão direta com um dos temas que atravessam a exposição: a experiência das mulheres em diferentes momentos históricos e as formas pelas quais suas vozes, corpos e produções encontram espaço de existência e reconhecimento.

Sobre a artista.

Katia Wille é artista visual e pesquisadora. Sua pesquisa estende-se a trabalhos têxteis, instalações e processos colaborativos, incorporando resíduos, bordado e práticas de reutilização como modos de investigar memória, materialidade e construção simbólica. Projetos como Tota Machina (2018-2026), dedicado às relações entre arte e inteligência artificial, e O Avesso do Vestir, desenvolvido no Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea (2023-2024), ampliam essa investigação para contextos tecnológicos e coletivos. Realizou exposições individuais no Brasil e no exterior, entre elas Tudo é Corpo (Centro Cultural Correios, Rio de Janeiro, 2025), I Wear My Insides Out (the Blanc Gallery, Nova York, 2024) e Pilotis (Casa Fiat de Cultura, Belo Horizonte, MG, 2022).

Até 03 de janeiro de 2027.

Uma linguagem em constante deslocamento.

Em cartaz no Museu de Arte de Blumenau, SC, a exposição “Paisagem como linguagem: entre espaço, imagem e experiência” está aberta para visitação até o dia 1º de novembro. A artista plástica gaúcha radicada na Itália Cristie Boff foi uma das escolhas da curadora Ana Zavadil para participar da mostra coletiva.

A paisagem nessa exposição, não se apresenta como cenário, ou pano de fundo, mas como uma linguagem em constante deslocamento. Ela emerge entre o que é visto e o que é vivido, entre o espaço que se habita, a imagem que se constrói e a experiência que se partilha. 

A paisagem é abordada não como motivo iconográfico, ou referência geográfica, mas como linguagem transversal, que atravessa práticas, materiais e modos de percepção. Mais do que representar o mundo, as obras operam a paisagem como campo expandido, em que o espaço, a imagem e a experimentação se articulam de forma indissociável, pois, no campo expandido, as categorias tradicionais deixam de ser fixas e passam a operar como relações. A exposição reúne obras que abordam a paisagem como linguagem e experiência, articulando espaço, imagem, corpo e signo e convida o público a experimentar a paisagem como condição compartilhada e em permanente transformação.

Artistas participantes.

Andréa Brächer, Alexandra Eckert, Cátia Usevicius, Cleci A. Serpa, Cristie Boff, Edson Possamai, Esther Bianco (in memorian), Fátima Pinto, Isa Dóris Teixeira de Macedo, Isabel Ferreira, Isabel Marroni, Ivone Rabelo, Jane Maria, Jussara Moreira, Kika Costa, Lisi Wendel, Mara Castilhos, Mari Sangoi, Márcia Marostega, Maria Cristina, Mariza Vedana, Mary Marodin, Mhel Gabbardo, Mylène d’Huyer, Paulo Abenzrragh, Rita da Rosa, Selir Straliotto, Tina Dumoncel e Virginia Ghiggi.

Diferentes possibilidades de sugerir movimento.

06/out

A xilogravura “Procura do Branco” (1966),  de Vera Chaves Barcellos, integra o material educativo da exposição coletiva “Uma Força Estranha”, em cartaz na Sala dos Pomares, na Fundação Vera Chaves Barcellos, em Viamão, RS. Na xilogravura, o contraste cromático entre as linhas verdes e as manchas laranjas sobre o fundo preto e branco, carregam a potência da obra. Criam uma sensação de movimento, como se as formas lutassem para ocupar o mesmo espaço.

Como obras relacionadas, os trabalhos de Lily Hwa e Suely Anna Kelling também exploram diferentes possibilidades de sugerir movimento em um quadro. Na gravura de Lily Hwa, o contraste entre o fundo acinzentado e as linhas escuras cria profundidade. Já na pintura de Suely Anna Kelling, formas ovaladas e traços vermelhos em meio a um vórtice azul-escuro, produzem uma movimentação orgânica e fluida.

O material educativo foi desenvolvido pelas equipes do Programa Educativo, Margarita Kremer e Ethiene Nachtigall, e do Centro de Documentação e Pesquisa da Fundação Vera Chaves Barcellos, por Yuri Flores Machado e João Lizardo. A partir dos três vetores de aproximação propostos por Ana Albani de Carvalho – natureza, corpo e geometrias instáveis -, o conteúdo reúne sete fichas com propostas de atividades relacionadas a 16 obras da exposição, além de reflexões sobre os trabalhos das artistas e sugestões de conteúdos audiovisuais e literários, voltadas a professores e educadores.

A individual institucional de Chico da Silva.

A Galatea tem o prazer de compartilhar a nova individual do artista Chico da Silva (Cruzeiro do Sul, Acre, 1910 – Fortaleza, 1985) And the soul is for the birds (E a alma é para os pássaros) no Nottingham Contemporary, em Nottingham, Reino Unido.

Essa é a primeira exposição individual institucional europeia do artista acreano conhecido por suas composições imaginativas, inspiradas nas tradições orais do Norte do Brasil, no folclore, nas narrativas indígenas, marcadas pelo uso de cores intensas e traços intrincados.

Reunindo obras fundamentais de diferentes momentos de sua trajetória, a mostra apresenta uma ampla seleção de pinturas que percorrem o universo visual singular de Chico da Silva – de cenas oceânicas a vastos mundos cósmicos, onde criaturas marinhas flutuam pelo espaço e seres híbridos se encontram.

A exposição, que contou com a colaboração da galeria Mendes Wood DM, convida o público a reconsiderar o legado de Chico da Silva e abre novas possibilidades de encontro com a arte indígena contemporânea brasileira em contexto internacional.

A permanência da tradição cerâmica.

A Japan House, Avenida Paulista, Bela Vista, São Paulo, SP, recebe, a exposição “Cerâmica em Curso”, dedicada à história, às técnicas e à permanência da tradição cerâmica japonesa. A mostra reúne 19 peças e percorre desde exemplares produzidos há milhares de anos até criações contemporâneas decorativas e utilitárias e ainda apresenta trabalhos dos seis principais polos ceramistas do Japão.

O percurso começa com obras dos períodos Jōmon, iniciado por volta de 14 mil A.C., e Muromachi, entre os séculos 14 e 16, apresentando diferentes momentos da evolução da cerâmica no Japão. Uma das peças mais antigas foi moldada à mão e decorada por meio da pressão de cordas sobre a argila ainda úmida, técnica que deixava marcas na superfície antes da queima em fogueiras ao ar livre.

Já o exemplar do Período Muromachi mostra o avanço das técnicas de produção. Com aparência mais rústica, a peça apresenta marcas provocadas pelo fogo e uma superfície irregular, resultado do uso de fornos construídos em terrenos inclinados, que favoreciam a circulação das chamas e do calor. A exposição também dedica espaço aos chamados “seis fornos antigos” do Japão: Bizen, Echizen, Seto, Shigaraki, Tamba e Tokoname. As regiões, consolidadas ao longo dos séculos como importantes polos de produção, foram reunidas sob essa denominação na década de 1950 pelo pesquisador japonês Koyama Fujio.

A exposição apresenta ainda amostras das argilas utilizadas em cada região. As diferenças na composição do solo influenciam diretamente aspectos como cor, textura e brilho das peças. Em Echizen, por exemplo, a presença elevada de ferro na argila favorece tonalidades avermelhadas e terrosas. Já Seto, na província de Aichi, é conhecida por uma argila com menor presença de ferro, característica que possibilita a produção de peças com tonalidades mais claras, próximas do branco.

Ao combinar objetos históricos e obras recentes, “Cerâmica em Curso” mostra como uma tradição construída ao longo de séculos permanece viva não apenas como patrimônio cultural, mas também no design e nos objetos do cotidiano japonês.

Até 30 de maio de 2027.