Instalações no MAM Rio

21/set

O MAM Rio, Parque do Flamengo, Rio de Janeiro, RJ, inaugura no próximo dia 22 de setembro, às 15h, em seus jardins e pilotis, três grandes instalações de Cesar Oiticica Filho, que integram a exposição “Metaimagens”, com curadoria de Fernando Cocchiarale. Nos pilotis estarão duas obras interativas. “Caixa de Dança 1” (2002) em que faixas de tecidos cobertos por LEDs estarão à disposição do público para serem vestidos. O convite é para que o público dance, e tenha seus movimentos captados por uma câmera digital. As imagens serão enviadas ao participante por email. “Caixa de Dança 5.0” (2018) é outra grande instalação composta por quatro telas translúcidas dispostas como paredes de um cubo, com oito metros de face, em algodão muito fino, onde são projetadas imagens, vistas tanto do lado de fora como de dentro. Dessa forma, as imagens em movimento estão em sentido de fuga quando vistas do lado interno, e são convergentes, do outro lado, como que atingindo o espectador que está fora do cubo, criando a sensação de contração/expansão, dependendo do ponto de vista. O espectador poderá também dançar, ao som da música que integra a obra. Nos jardins do MAM estará a obra “É Tudo Verdade”, de Cesar Oiticica Filho em parceria com o artista Carlos Cirenza, formada por um conjunto de velas feitas de lona, com nove metros de altura por seis metros de largura, onde estarão estampados os rostos de figuras emblemáticas para o país como Dragão do Mar, Zumbi, Anastácia e Marielle, pintadas com tinta acrílica em tons de vermelho. Até o próximo dia 30 de setembro o conjunto será completado com as imagens dos rostos de Lampião, Olga, Antônio Conselheiro, Jacaré, e o artista José Oiticica, avô de Cesar.

Xico & Iberê

19/set

A Galeria Frente, Jardins, São Paulo, SP, realiza a partir de 22 de setembro uma especial mostra retrospectiva na qual reúne os amigos de uma vida inteira, os gaúchos Xico Stockinger e Iberê Camargo. Em exibição esculturas em bronze e ferro e madeira de Stockinger e pinturas de diversos períodos de Iberê.

 

 

Iberê sobre Xico:

 

“Conheci o Xico em 1947, no Rio, no atelier de Bruno Giorgi. Ele se iniciava na escultura. De imediato nos tornamos amigos. Um ideal comum, a arte, nos aproximou para sempre. Via a sua transferência para Porto Alegre, com certo receio. Temia que a província não favorecesse o desenvolvimento de seu talento. Enganei-me. Foi exatamente no sul, nesta plaga de tradições cruentas que Xico criou seus imortais guerreiros, sempre prontos à luta, armados de escudos e pontudas lanças. Quixotesco, eles existem, heráldico, no intemporal da Arte. E, por certo, combatem em imaginárias refregas-vivências da fantasia do artista. Durante nosso prolongado afastamento, que durou quase trinta anos – ele em Porto Alegre, e eu no Rio – trocamos correspondência, sempre transbordante de humor e afeto. Quando das minhas vindas esporádicas à capital gaúcha, juntos, quixotescamente, nos empenhamos em acirrados debates. Entre muitos, ficou famoso o do Teatro de Equipe, nos idos de sessenta, que cunhou a inexorável expressão – ‘marasmo de Porto Alegre’.

 

Xico é esse escultor vigoroso que doma o ferro, o lenho e o mármore, com mão de mestre. E é ele também de todos nós, um grande amigo.”
IBERÊ CAMARGO
Porto Alegre, 1968.

 

 

Até 27 de outubro.

Volpi/Ione Saldanha na Galeria Ipanema

14/set

A Galeria de Arte Ipanema, Ipanema, Rio de Janeiro, RJ, apresenta, a partir do próximo dia 24 de setembro, a exposição “Alfredo Volpi e Ione Saldanha: o frescor da luminosidade”, que homenageia o grande artista Alfredo Volpi (1896 -1988) em seus trinta anos de morte, reunindo 66 obras em diálogo com outros 20 trabalhos de Ione Saldanha (1919 – 2001), com curadoria de Paulo Venâncio Filho.  Na abertura da exposição, será lançado um livro-catálogo editado pela Barléu, com texto do curador e imagens do fotógrafo Rômulo Fialdini. As obras que compõem “Alfredo Volpi e Ione Saldanha: o frescor da luminosidade”, pertencem a importantes acervos privados no Brasil, como o Instituto Volpi.

Exposição de Hilal Sami Hilal

11/set

No dia 12 de setembro, Cassia Bomeny Galeria, Ipanema, Rio de Janeiro, RJ, inaugura a exposição “Fora da Palavra”, com obras inéditas de Hilal Sami Hilal, artista capixaba, de ascendência síria, que já fez exposições em importantes instituições no Rio de Janeiro, como MAM Rio e Museu da Chácara do Céu. Com curadoria de Vanda Klabin, serão apresentadas cerca de 20 obras, produzidas este ano, dentre trabalhos feitos em cobre oxidado e corroído e em papel artesanal pigmentado. A exposição tem o conto “A Terceira Margem do Rio” (1962), de Guimarães Rosa (1908-1967), como ponto de partida. Ele conta a história de um pai que abandona a família para viver em uma canoa. Hilal, que já desenvolve desde 2007 uma pesquisa sobre a ausência paterna, criou os trabalhos desta exposição baseando-se no conto.

 

“A memória afetiva acompanha a obra. O conto fala de abandono, culpa, luto, melancolia, delírio, perdão…”, diz o artista. “Hilal rompe com os aspectos descritivos e narrativos, pois a obra não tem mais relação com a representação, contempla uma transposição caligráfica focada no texto, agora em oxidação metálica. Junta uma palavra com a outra, uma materialidade da equivalência do pensar, verdadeiros signos linguísticos, que geram nova visualidade gráfica palpável, perceptível, que brota em vigorosas partículas e, ao mesmo tempo, intensifica o vazio”, afirma a curadora Vanda Klabin.

 

No centro da exposição, pendurado no teto, haverá o grande painel de 2mX3m, composto por 24 placas de cobre vazadas. Como há uma transparência, será possível ver através da obra, tornando o público parte do trabalho. Essa grande peça foi criada a partir dos estudos das obras da exposição, que foram passados para o computador, trabalhados digitalmente e impressos em chapas de cobre, que depois foram corroídas. “Nesse trabalho está todo o estudo, tudo o que pensei sobre o conto: pensamentos, frases, desenhos, mostra o momento visceral do trabalho em construção“, conta.

 

Nas paredes, estarão obras feitas em cobre, com corrosão e oxidação. “Acelero o processo de oxidação com materiais químicos”, explica o artista. Algumas obras possuem a cor do metal corroído, outras um azul intenso; em algumas, as tramas são mais fechadas, há camadas, sobreposições de materiais, em outras, as tramas são mais abertas, mais transparentes e delicadas, como é o caso de uma que traz o desenho semelhante a um mapa vazado no meio da trama de cobre.

 

Um outro exemplo  é a obra da série Bastidor, que mede 1mX1m, e intensifica o espaço, o vazio. Este trabalho representa uma síntese do conto. É marcado com um objeto em ouro 18k. O “Livro Nuvem“ da série Atlas é feito artesanalmente pelo próprio artista, em papel de algodão com pigmentos, medindo 1mx 2m. A obra é composta por cerca de 60 imagens lembrando o céu e o mar. “Acho a paisagem fundamental presença para esta mostra, preciso desta geografia para construir um imaginário espacial e temporal”, afirma.

 

 

Haverá ainda, um trabalho feito em polietileno de alto impacto reciclado, com pintura em grafite. A obra da série “Deslocamentos“ é dividida em quatro módulos, trazendo o tema da separação. “Na presença da obra cria-se um delírio, uma vertigem, que tem muito a ver com o conto em questão”, diz o artista.

 

O nome da exposição, “Fora da Palavra”, foi tirado de um dos versos da música “Terceira Margem do Rio”, de Caetano Veloso e Milton Nascimento, que é baseada no conto de Guimarães Rosa. “A palavra está presente nas obras, mas existe mais do que isso, existe algo que não se diz, há a interpretação de cada um, o que cada um vai ver, de que forma aquilo vai tocar cada pessoa. O que a arte traz está fora da
palavra, é o que te captura, o que te toca”, como diz a música “fora da palavra, quanto mais dentro aflora” afirma o artista. O trabalho de Hilal Sami Hilal transita entre o fazer manual, técnicas milenares e a tecnologia moderna  para criar suas peças.

 

 

 

 

Sobre o artista

 

 

Capixaba de origem síria, Hilal Sami Hilal (Vitória, 1952) iniciou-se, nos anos 1970, no desenho e aquarela para depois decidir se aprofundar em técnicas japonesas de confecção do papel. A partir daí, com uma viagem ao Japão, sua pesquisa intensificou-se, resultando numa segunda viagem a esse país no final dos anos 1980. Cruzando influências culturais entre o Oriente e o Ocidente, entre a tradição moderna ocidental e a antiga arte islâmica, surgiram suas “rendas”. Confeccionadas com um material exclusivo, criado com celulose retirada de trapos de algodão e misturada com pigmentos, resina e pó de ferro e de alumínio, as rendas privilegiam a força gestual do artista, que assim constrói a tela a partir de linhas que se cruzam, de cores que se revelam na mistura dos materiais e da sensação de ausência gerada pelos espaços em branco. O trabalho, colocado a curta distância da parede, beneficia-se das sombras projetadas, criando um rendilhado virtual.

 

 

 

 

De 12 de setembro a 03 de novembro.

Amélia Toledo, Dobras da Memória

10/set

Uma das precursoras da arte interativa no Brasil, Amélia Toledo chega à Galeria Murilo Castro, Belo Horizonte, MG, com a exposição “Dobras da Memória”. Gratuita e inédita, a mostra integra a quarta edição do Circuito 10 Contemporâneo e fica aberta à visitação até o próximo dia 29 de setembro. São cerca de 25 obras icônicas, escolhidas por Marcus Lontra Costa – mesmo curador de “Lembrei que Esqueci”, exposição dedicada à trajetória da artista plástica paulistana, que ganhou dois grandes prêmios de crítica, no ano passado.

 
“Dobras da Memória” é um marco para a galeria Murilo Castro, que agora passa a representar Amélia Toledo (1926-2017) em Minas Gerais. “Estamos muito honrados em representar esta grande artista e fazer sua primeira exposição depois de ‘Lembrei que Esqueci’, eleita a melhor exposição de 2017 pela Associação Brasileira de Críticos de Arte”, afirma Murilo Castro. “Conheci a obra de Amélia quando ainda era colecionador, há mais de 30 anos. Agora, depois de mais de um ano de negociações, chegamos a esse formato. Faremos não só essa mostra, mas também garantiremos uma presença mais significativa da artista na ArtRio 2018”, completa o galerista.

 

De acordo com Marcus Lontra Costra, a arte de Amélia Toledo buscava a criação coletiva e a aproximação com as pessoas  – características que resultaram em trabalhos como as “Esferas de Resina”, as “Marcianitas” e as “Esferas Hápticas”. “São experiências, na maioria das vezes, lúdicas e despojadas de critérios e dos materiais eruditos, que poderiam vir a engessar suas sinceras e afetuosas empreitadas abstratas. Objetos lúdicos à espera do toque, do abraço e do envolvimento, cheios de poesia e sedução”, afirma o curador.

 

Ganham destaque na mostra as esculturas “Dragões Cantores” (2007) – concebidas com pedras em estado bruto e esculpidas pelo impacto causado pelas ondas do mar sobre um pilar de concreto bruto –-e “Impulsos” (1999-2017), composto por pedras parcialmente polidas, como quartzo, ametista e calcita. Amélia tem uma presença muito importante na arte brasileira e na arte interativa em particular, porque sempre foi muito altiva nesse sentido. Suas obras são como se estivessem saindo dela mesmo, ela não criava se preocupando com o mercado”, sublinha Murilo Castro.

 

4º Circuito 10 Contemporâneo

 

Unir forças para formar novos públicos, fomentar e renovar o mercado da arte em Belo Horizonte. Esses são alguns dos objetivos do 10 Contemporâneo, projeto pioneiro que reúne, desde 2016, algumas das principais galerias de arte da capital mineira. Juntas, as galerias vêm promovendo uma série de ações colaborativas e populares – sendo a principal delas o Circuito 10 Contemporâneo, cuja quarta edição teve início no último dia 1º e segue até 29/9, simultaneamente em nove galerias.

 

Nesta edição, além da Galeria Murilo Castro, participam AM Galeria, Beatriz Abi-Ackl, Celma Albuquerque, Lemos de Sá, Manoel Macedo, Orlando Lemos, Periscópio e Studio Cícero Mafra. Cada galeria realiza uma exposição inédita, com obras de artistas locais e nacionais, de diferentes gerações e linguagens, que vão de pinturas a esculturas, passando por desenhos, colagens, bordados e fotografias.

 

 

Sobre a Galeria Murilo Castro

 

A Murilo Castro é uma galeria de arte contemporânea inaugurada em 2002 na capital mineira. Por meio de exposições e representação de artistas, a galeria destaca artistas estabelecidos, em meio de carreira e talentos emergentes que atuam local e internacionalmente. Além do programa de exposições, e participação feiras de arte nacionais e internacionais, a Galeria Murilo Castro realiza uma série de palestras que conectam a comunidade, profissionais de arte e artistas para gerar respostas às questões sociais e culturais, desenvolvendo uma relação mais próxima entre os artistas e público interessado em aprender e colecionar arte contemporânea.

Fotos de André Sheik

05/set

A exposição individual “EU SOU O POST(e)”, do artista visual André Sheik, com curadoria de Raul Mourão, é o cartaz atual do espaço Marquês 456, Gávea, Rio de Janeiro, RJ. Em exibição fotografias – tiradas entre 2014 e 2018 – da série “Antropomórfica”. Sombras de postes da cidade aparecem misturadas com a sombra do artista, criando personagens gráficos inusitados. Raul Mourão, amigo pessoal de Sheik e curador da exposição, viu as imagens no Instagram e sugeriu levar a criação artística para a galeria.

 

“Nessa série, Sheik incorpora o non sense e vai para a rua criar cartoons instantâneos, espalhados nas calçadas da cidade. O resultado final sugere um conjunto de estranhos personagens: um padre e sua bíblia, o cachorro de boca aberta e cerveja na mão, um homem de três cabeças, a bolsa da raposa”, comenta Raul.

 

O humor e a ironia são traços presentes na obra de Sheik. Segundo ele, a brincadeira com o nome da exposição também leva a pensar na relação das pessoas com a própria imagem nos tempos atuais: “O título da exposição ” EU SOU O POST(e)”, – surgiu desde o início, e apesar de polêmico, optamos por ele, porque nos leva a pensar ironicamente na forma como lidamos com nossa própria imagem hoje nas redes sociais”.

O resultado será apresentado ao público no espaço Marquês 456, na Gávea, do dia 29 de setembro até o dia 10 de outubro.

 

 

 

Sobre os artistas

 

 

André Sheik

Nasceu no Rio de Janeiro em 1966. Artista, curador, poeta e músico, dedica-se às artes visuais desde 1999, participou de exposições e mostras no Brasil (RJ, SP, MG, PE, CE, ES, BA, PR), em Portugal, França, Polônia, Suécia, EUA, Bolívia, Venezuela, Colômbia e Cuba, e já foi sócio de galeria. Atualmente, é editor executivo da revista Concinnitas, do Instituto de Artes da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ); pesquisador associado do Núcleo de Tecnologia da Imagem da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); colaborador em grupo de pesquisa sobre o mercado de arte na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO); cursa Bacharelado em História da Arte na UERJ.

 

 

Raul Mourão

Raul Mourão é artista plástico, nasceu no Rio de Janeiro em 1967. Estudou na Escola de Artes Visuais do Parque Lage e expõe seu trabalho desde 1991. Sua obra abrange a produção de desenhos, gravuras, pinturas, esculturas, vídeos, fotografias, textos, instalações e performances. Com muitas exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior, também é escritor, curador, produtor de exposições e editor de publicações de arte.

 

 

 

Até 10 de outubro.

Siron Franco na Marcelo Guarnieri SP

04/set

A Galeria Marcelo Guarnieri, Jardins, São Paulo, SP, apresenta “Em nome de Deus”, primeira exposição individual de Siron Franco na galeria. A exposição reúne 13 obras que evocam a questão das disputas religiosas e das simbologias elaboradas a partir delas. Siron Franco explora a representação do corpo humano em imagens estilhaçadas ou espectrais que nos dão acesso à relação paradoxal entre sacralidade e violência. A educação religiosa que teve quando criança permitiu a Franco ver de dentro e refletir sobre tais questões durante toda sua produção artística, mas a vandalização de algumas de suas obras públicas nos últimos anos o fizeram pensar sobre elas a partir de outra perspectiva.

 

Para esta exposição, o artista preparou um ensaio que é composto não só por pinturas, mas também por objetos, caso de “Esqueleto do Bezerro de Ouro” – o bezerro, um dos muitos bichos que já habitaram suas telas, agora aparece no espaço tridimensional. A obra faz referência ao mito do Bezerro de Ouro, ídolo confeccionado por Aarão a fim de suprir a ausência de seu irmão Moisés que havia subido o monte Sinai para receber os mandamentos de Deus. À pedido do povo, ansioso por uma liderança que os guiasse, Aarão produziu tal escultura com as jóias das mulheres, contrariando os princípios bíblicos que condenavam a idolatria. As jóias simbolizariam o ego, o pedido do povo foi interpretado como um “culto a si mesmo”. Na linguagem corrente, a expressão “bezerro de ouro” tornou-se sinônimo de um falso ídolo, ou de um falso “deus” por exemplo, simbolicamente, o dinheiro. Coberto por folhas de ouro, a representação do Bezerro na obra de Siron agora é dada por seu esqueleto e ainda que seja associado à morte ou infortúnio, ganha ares de sacralidade e beleza.

 

As relações ambíguas entre forma e conteúdo se estendem, alcançando também suas pinturas. A imagem do corpo humano é uma frequente, embora nunca revelado em sua totalidade. Fazendo uso de sobreposições de camadas de tinta, de formas e de pinceladas variadas, Franco nos permite acessar apenas fragmentos, corpos desmembrados ou sufocados, visíveis somente por frestas. Silhuetas, sombras e múmias compõem um universo que nos remete à culturas antigas, já o uso do spray e de certos grafismos nos trazem de volta ao tempo presente, remetendo às pichações. Do aglomerado de tinta de algumas telas, brotam rostos – ora perturbados, ora inexpressivos -, traços vigorosos que lembram arranhões ou cordas para amarrar. A representação do corpo vai além da figuração e pode ser observada também nos gestos que o próprio artista emprega em sua prática, evidentes na superfície pastosa da pintura. Nem tudo pode ser visto a olho nu ou nem mesmo nos é permitido ser visto: máximas do discurso sacro que na obra de Siron Franco adquirem um sentido filosófico. O jogo de revelar e ocultar associado ao vocabulário utilizado por Siron Franco nos leva a refletir sobre a poderosa relação que a humanidade construiu com o sagrado e com a adoração, nem totalmente divina e nem totalmente infernal, complexa e enigmática.

 

 

Sobre o artista

 

Siron Franco nasceu em 1947 na cidade de Goiás Velho, no estado de Goiás. Atualmente vive e trabalha na cidade de Goiânia. Sua produção é reconhecida desde a década de 1970, tendo participado ao longo de sua carreira de exposições em importantes museus nacionais e internacionais como MASP, MAM-RJ, MAM-SP, Pinacoteca do Estado de São Paulo, The Bronx Museum of the Arts nos Estados Unidos e Nagoya City Art Museum no Japão. Participou da 2ª Bienal de Havana, de diversas edições do Panorama da Arte Brasileira do MAM-SP e da Bienal Internacional de São Paulo, sendo premiado na 13ª edição. Seus trabalhos resultam de uma relação intensa com a matéria, facilmente observável nas generosas camadas de tinta a óleo que utiliza em suas pinturas, ou na diversidade de materiais brutos que escolhe para compor suas esculturas ou instalações, tal qual o concreto, aço, chumbo, mármore e resina. Essa intensidade ganha ares dramáticos nos corpos ou fragmentos de corpos que retrata com frequência, sejam corpos de bichos, de gente, de santos, mortos ou vivos. O ar soturno do universo que criou ao longo de seus cinquenta anos de atividade incorpora a sátira e o absurdo para abordar questões políticas e sociais, como a relação violenta e desequilibrada que o homem possui com a natureza e com a sua própria humanidade. Suas obras integram coleções de museus nacionais e internacionais, como Metropolitan Museum of Art, Nova York, Estados Unidos; Essex Collection of Art from Latin America, Colchester, Grã Bretanha; Museu Salvador Allende, Santiago do Chile, Chile; Monterey Museum of Contemporary Art – MARCO, Monterrey, México; Museu Nacional de Belas Artes – MNBA, Rio de Janeiro, Brasil; Museu de Arte de São Paulo – MASP, São Paulo, Brasil; Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro – MAM/RJ, Rio de Janeiro, Brasil; Museu de Arte Moderna de São Paulo – MAM/SP, São Paulo, Brasil; Museu de Arte Moderna da Bahia – MAM/BA, Salvador, Brasil. Este ano, Siron Franco participa da 33ª Bienal de São Paulo. No ano passado participou das exposições Siron Franco em 38 obras: 1974-2017, na Biblioteca Mário de Andrade, Attenzione Fragile, na Embaixada do Brasil em Roma e Caution Fragile, na Embaixada do Brasil em Londres.

 

 

 

Até 20 de outubro.

Unidos pela cor.

30/ago

Assim podemos colocar a relação dos artistas Ana Luiza Rego, Bruno Schmidt e Roberto Barciela. Com linguagens e poéticas completamente díspares, eles se juntaram na exposição “Margens e Confluências”, que abre no dia 1º de setembro, na galeria principal do Parque das Ruínas, Santa Teresa, Rio de Janeiro, RJ. Com curadoria de Isabel Sanson Portella, a exposição será composta por cerca de 15 obras e uma instalação e poderá ser visitada até 30 de setembro.

 

“A arte contemporânea legitima a cor despojando-a das técnicas tradicionais da pintura e transgride plataformas ao pensar em novas modalidades da imagem: coloca o espectador e o espaço como elementos centrais da experiência cromática”, analisa Isabel Portella.

 

Nos trabalhos de Ana Luiza Rego, representações bem humoradas de objetos que se tornaram ícones de consumo, ascensão social e luxo compõem um cenário para a história de personagens inspiradas na figura bíblica de Salomé, independentes, poderosas e atemporais, que transitam por diferentes épocas. Entre estes elementos, representações masculinas inspiradas em João Batista apresentam um tipo de homem descartável, que já não cabe mais no mundo feminino contemporâneo da mulher independente. A técnica utilizada, óleo sobre tela, resulta em uma pintura matérica, rítmica, onde o olhar circula pela obra acompanhando as pinceladas e os pontos de cor.

 

Com desdobramento da série “Extrativista Urbano”, Bruno Schmidt utiliza fragmentos de revestimentos sintéticos resgatados de escombros, buscando nas ruas o suporte físico para seus trabalhos e invertendo o olhar para o chão, tirando dos abandonos e entulhos a base para o projeto intransitável. Pisos desgastados e descartados formam um grande mosaico com as intervenções geométricas. Invertidos em sua concepção, mostra o improvável como protagonista, a indigência resgatada da forma, reposicionando para as paredes do Parque das Ruínas.

 

Na série “Réguas”, Roberto Barciela proporciona uma alternância ao intensificar o colorismo industrial com a descoberta da imagem no plano, fazendo emergir a tridimensionalidade que leva o espectador a exercer um jogo entre imagem e impacto cromático. O artista utiliza materiais e suportes diversos como acrílico, isopor, espuma, madeira e ferro, levando a ideia de pintura ao espaço. Além disso, o artista levará ao espaço uma instalação inédita que pertence à Cena Poética, da série “Maquetes”, um projeto de instalação construído em espaços específicos. Como base, o chão será forrado de fragmentos de espelho e areia lavada e, sobre esses espelhos, colunas de ferro, elementos vazados, gerando verticalidade, preenchendo o espaço com um pequeno núcleo de grama esmeralda na qual será plantado um bonsai, colocado quase ao centro da obra.

 

 

 

Sobre Ana Luiza Rego

 

 

Ana Luiza Rego tem a vida dividida entre Rio e Nova York, além de frequentes idas à Europa, onde mantém laços familiares, foram anos de pesquisas visitando exposições e museus pelo Brasil e exterior. Entre as exposições mais marcantes, destacam-se “Geraçōes” – Ana Luiza Rego e Rubens Gerchman – Museu da República – Rio; “Rio” – Galeria Patricia Costa; “Brasilialaniche Knust auf Papier” – MOYA – Museum of Young Art – Vienna; “Arte Brasileira Sobre Papel” – Fundação Medeiros e Almeida – Lisboa; “Arte Brazilleña sobre papel” – Palacio Maldonado – Madrid.

 

 

 

Sobre Bruno Schmidt

 

 

Bruno Schmidt é artista plástico, carioca e nascido em 1967. Estudou na Faculdade de Comunicação Hélio Alonso e na Escola de Artes Visuais do Parque Laje EAV. Participou de residência na França, onde expôs três vezes.

 

 

 

Sobre Roberto Barciela

 

 

Roberto Barciela é artista plástico, nasceu no Rio de Janeiro, onde mora e vive atualmente. Suas obras fazem parte de coleções particulares. Participou de exposições e salões de arte no Brasil e no exterior, onde recebeu prêmios e menções honrosas: Premiado no Novíssimos IBEU 2008; Prêmio SESC de Fotografia Marc Ferrez – edição 2009; Prêmio Aquisição no 7o. Salão de Acubá – Cuiabá MT, 2011. Participa pelo quarto ano consecutivo de exposições no exterior. Fez residência artística na França, Provence, Saint Véran, no ano de 2016. Roberto atua como Artista Visual desde os anos 1980, formado pela Escola de Artes Visuais EAV. Roberto Barciela atualmente trabalha no ateliê do Vale das Videiras, Petrópolis, Rio de Janeiro / RJ.

Vivências reais e fictícias de Gilberto Perin

29/ago

“Linha d’Água” e “Sem Identificação” são duas séries de fotografias que serão expostas pelo fotógrafo Gilberto Perin, nas Salas Negras do MARGS,

Museu de Arte Ado Malagoli, Porto Alegre, RS, com abertura no dia 05 de setembro, às 19 horas. Os dois conjuntos, segundo Perin, têm como ponto em comum “uma visita às salas escuras da alma, com se expressou o cineasta Ingmar Bergman se referindo ao sentido da Arte”.

 

Na primeira série, “Linha d’Água”, são apresentados 25 dípticos onde Gilberto Perin cria uma autoficção com associações e vivências reais ou fictícias. As imagens têm a reminiscência como elemento catalizador mas, muitas vezes, a fronteira entre a realidade e a ficção é indefinida e nebulosa. “Portanto, o voo – ou o mergulho – é livre”, explica o conhecido fotógrafo.

 

A ideia de utilizar a relação entre duas imagens é encontrar novos significados para cada fotografia ao se combinar com outra, ganhando um novo significado numa forma de poética visual. As fotografias colocadas lado a lado podem estimular ao espectador a sua própria ficção nas imagens associadas à infância, vida adulta ou envelhecimento.

 

O fotógrafo russo Nikita Pirogov diz que “…o díptico é a combinação do passado e do presente, das tradições e das suas novas ramificações. Os dípticos foram utilizados pela primeira vez na Grécia Antiga, muito antes da invenção da Imprensa. Eles vieram na forma de duas ou mais placas de argila para o texto de gravação ou imagens”.

 

“Sem Identificação”, a segunda série que Gilberto Perin apresenta, é uma crítica irônica e reflexiva de um tempo desconcertante, repleto de informações e mensagens visuais. Perin, junto aos os modelos que posaram nus, criou fotografias explorando imagens icônicas ou, simplesmente, imagens que surgiram espontaneamente no momento do ensaio fotográfico.

Em tempos de selfies, “Sem Identificação” tem concepção simples e direta onde a nudez é apenas a parcela aparente daquilo que não é revelado sobre a nossa identidade e pensamento. Gilberto Perin através de suas imagens pergunta “…que indivíduos somos nessa sociedade que têm impulsos tão primitivos a ponto de anular a identidade do outro?”.

 

 

 

Sobre o artista

 

 

Gilberto Perin, formado em Comunicação Social pela PUC-RS (1976), fotógrafo, diretor de cena e roteirista. Algumas exposições individuais: “Fotografias para Imaginar” (2013 e 2015), no Instituto dos Arquitetos do Brasil e Pinacoteca Aldo Locatelli, as duas em Porto Alegre: “Vestiário” (2013), no Museu do Futebol de São Paulo; “Camisa Brasileira” (2010 a 2018), Porto Alegre, no interior do Rio Grande do Sul, na França e Itália; “Conexões Infinitas” (2009), no Centro Cultural Erico Verissimo, em Porto Alegre. Algumas coletivas:“Queer Museu” (2017 e 2018), em Porto Alegre e no Parque Laje no Rio de Janeiro; “A Fonte de Duchamp, 100 Anos de Arte Contemporânea”, MARGS, Porto Alegre; “Objectif Sport” (2016), circuito internacional da Aliança Francesa, em Porto Alegre na Galeria La Photo; “Manifesto: Poder, Desejo, Intervenção” (2014), MARGS, Porto Alegre; “The Beautiful Game: o Reino da Camisa Amarela” (2014), Museu dos Direitos Humanos do Mercosul, Porto Alegre; “De Humani Corporis Fabrica”, MARGS, Porto Alegre; “Cromo Museu” (2012), MARGS, Porto Alegre. Dois livros de fotografias publicados: “Camisa Brasileira” (2011); e “Fotografias para Imaginar” (2015). Tem fotografias publicadas em jornais e revistas brasileiras e do Exterior; além de fotografias em capas de livros e obras em museus, entidades culturais e coleções particulares.

 

 

Até 04 de novembro.

MAM 70: MAM e MAC USP

27/ago

O Museu de Arte Moderna de São Paulo, Parque do Ibirapuera, São Paulo, SP, exibirá “MAM 70: MAM e MAC USP”, uma exposição comemorativa. A exibição é uma colaboração entre o Museu de Arte Moderna de São Paulo e o Museu de Arte Contemporânea da USP, com destaque para mostras emblemáticas da primeira fase do MAM, nas décadas de 1940 e 1950, antes da doação de sua coleção para o MAC. A mostra visa identificar os elementos em comum entre as instituições. Serão apresentadas exposições importantes na narrativa da história da arte brasileira, como a primeira Bienal de São Paulo, realizada pelo MAM em 1951, e a mostra do Grupo Ruptura, em 1952. Além das mostras periódicas Jovem Arte Contemporânea, criada pelo MAC em 1967, e o Panorama da Arte Brasileira, criado pelo MAM em 1969. Estas mostras, juntamente com a Bienal, ocuparam papel fundamental no calendário artístico brasileiro, consagrando-o no circuito internacional. Serão expostas obras integrantes das mostras originais do MAM e de mostras posteriores do MAM e do MAC, construindo uma genealogia de exposições a partir de uma raiz museológica comum. A curadoria é de Ana Magalhães, Helouise Costa e Felipe Chaimovich.

 

 

De 04 de setembro (abertura) até 16 de dezembro