Yoko Ono em São Paulo

12/abr

Com curadoria de Gunnar B. Kvaran, crítico islandês e diretor do Astrup Fearnley Museum of Modern Art, em Oslo, a exposição “O CÉU AINDA É AZUL, VOCÊ SABE…”, pretende revelar os elementos básicos que definem a vasta e diversa carreira artística de Yoko Ono – uma viagem pela noção da própria arte, com forte engajamento político e social. Uma das principais artistas experimentais e de vanguarda, associada à arte conceitual, performance, Grupo Fluxus, happenings dos anos 60, uma das poucas mulheres que participaram desses movimentos, Yoko Ono continua questionando de forma decisiva o conceito de arte e do objeto de arte, derrubando esses limites. Foi uma das pioneiras a incluir o espectador no processo criativo, convidando-o a desempenhar um papel ativo em sua obra.

 

Esta exposição, patrocinada pelo Bradesco e Instituto CCR, foi concebida especialmente para o Instituto Tomie Ohtake, Pinheiros, São Paulo, SP, é formada por 65 peças de “Instruções”, que justamente evocam a participação do espectador para sua realização. São trabalhos que sublinham os princípios norteadores da produção da artista, ao questionar a ideia por trás de uma obra, destacando a sua efemeridade enquanto a dessacraliza como objeto.

 

O curador ressalta que “O CÉU AINDA É AZUL, VOCÊ SABE…”, uma retrospectiva de “Instruções”, evidencia as narrativas que expressam a visão poética e crítica de Yoko Ono. São trabalhos criados a partir de 1955, quando ela compôs a sua primeira obra instrução, “Lighting Piece” (Peça de Acender), “acenda um fósforo e assista até que se apague”. Na exposição, é possível seguir a sua criatividade e produção artística pelos anos 60, 70, 80, até o presente.

 

As “Instruções” de Yoko Ono, conforme o curador do Instituto Tomie Ohtake, Paulo Miyada, oscilam entre sugestões tão sucintas e abertas que se realizam tão logo são lidas, como “Respire”, de 1966; “Sonhe”, de 1964; “Sinta”, de 1963; “Imagine”, de 1962; ou em uma sequência de ações realizáveis por qualquer um que se dedique a isso, como “Pintura para apertar as mãos (pintura para covardes)”, de 1961; “fure uma tela, coloque a sua mão através do buraco , aperte as mãos e converse usando as mãos”; “Peça de Toque” de 1963; “toquem uns aos outros”; “Mapa Imagine a Paz”, de 2003; “ peça o carimbo e cubra o mundo de paz”. Há também as sugestões aplicáveis apenas no campo mental, poético ou imaginário, como “Peça do Sol”, de 1962; “observe o Sol até ele ficar quadrado”; “Capacetes-Pedaço de Céu”, de 2001/2008; “pegue um pedaço de céu, saiba que todos somos parte um do outro”; “Peça para Limpar III”, de 1996 e “tente não dizer nada negativo sobre ninguém, por três dias, por 45 dias, por três meses”.

 

Já as proposições como “Mamãe é linda”, de 1997; “escreva suas memórias sobre a sua mãe”; “Emergir”, de 2013/2017; “faça um depoimento de alguma violência que tenha sentido como mulher”; e “Árvore dos Pedidos para o mundo”, de 2016; “faça um pedido e peça à arvore que envie seus pedidos a todas as árvores do mundo”, são casos, como ressalta Miyada, que ao mesmo tempo antecipam e catalisam o poder atuais dos depoimentos pessoais multiplicados pelas redes. Nessas peças a artista solicita do público as suas histórias e faz de sua obra um algoritmo que os processa, publica e armazena.

 

Entre as obras da exposição há uma série de filmes, dois dos quais com a participação de John Lennon na concepção. Em “Estupro”, 77 min, de 1969, o músico foi codiretor e em “Liberdade”, de 1970, de apenas um minuto, assina a trilha sonora. Também registrada em filme presente na mostra, “Peça Corte”, 16min, de 1965, traz a icônica performance da artista realizada no Carnegie Hall, em 1964, em Nova Iorque, na qual o público pôde cortar um pedaço de sua roupa e levar consigo.

 

 

Até 28 de maio.

Acervo do MASP no Rio

09/fev

Exposição leva acervo do MASP, o maior da América Latina, ao CCBB do Rio de Janeiro, de Belo Horizonte e Brasília; parceria entre as instituições tem patrocínio do Grupo Segurador Banco do Brasil e Mapfre.

 

Ao longo da História da Arte, a representação da figura humana foi um meio de demonstração de poder do Clero e da aristocracia, da adoração de deuses e santos, da mimetização do real, da transformação da sociedade e da própria arte nos séculos 19 e 20. É esta diversidade de formas de representação que a mostra “ENTRE NÓS – A figura humana no acervo do MASP” apresenta ao público carioca, reunindo mais de 100 obras do maior acervo de arte da América Latina. A exposição tem curadoria de Rodrigo Moura e Luciano Migliaccio, da equipe de curadores do MASP, e traz obras dos maiores nomes da arte mundial como Rafael, Goya, Modigliani, Van Gogh, Picasso, Degas- e da arte brasileira: Almeida Júnior, Anita Malfatti, Portinari, Segall e Brecheret, entre outros tantos. Abrangendo um arco histórico que se inicia entre os anos 900-1200 D.C., com as peças pré-colombianas, e vai até os dias de hoje, estabelecendo um recorte cronológico e um diálogo entre as distintas formas de representação e culturas, a exposição abre com peças do acervo que reúnem as mimetizações do sagrado na arte da Europa Medieval, da África e da América pré-colombiana, compondo um diálogo entre os diferentes eixos da coleção do MASP.

 

Da Europa pré-renascentista, a mostra traz a “Nossa Senhora com o Menino” (1310-20), um dos motivos mais presentes na arte do período, esta atribuída ao Maestro de San Martino alla Palma, e Cristo Morto (1480-1500), de Niccoló di Liberatore dito l’Alunno. O jovem Rafael apresenta seu domínio da perspectiva e dos recursos compositivos e narrativos que o fez se destacar entre os artistas de seu tempo com “Ressurreição de Cristo” (1499-1502). As obras estão em diálogo com a escultura “Sant’Ana e a Virgem criança”, criada no século XVIII por um escultor baiano desconhecido, e esculturas da divindade Yorubá, presente em tribos da região do Congo e da Nigéria.

 

O Renascimento é o momento em que a pintura se volta para a busca da do humano na construção de um caráter exemplar, inserido no contexto histórico. Na mostra, esse novo tempo está representado nas obras de artistas holandeses como “Oficial Sentado”, 1631, de Frans Hals, e “Retrato de um desconhecido”, (1638-40), de Anton Van Dyck, obra inspirada na estética de Tizziano, que traz a representação de um ideal individual de nobreza por meio da figura de um melancólico aristocrata inglês.

 

O pintor e gravador espanhol Francisco Goya y Lucientes está presente com” Retrato da condessa de Casa Flores” (1790-1797) em diálogo com “A educação faz tudo” (1775-1780), do francês Jean-Honoré Fragonard. As obras, em composição com dois dos principais nomes da pintura acadêmica brasileira do século 19,“Interior com menina que lê” (1876-1886), de Henrique Bernardelli, e “O pintor Belmiro de Almeida” (século 19), de José Ferraz de Almeida Junior – evocam o surgimento do Iluminismo europeu e a busca por um ideal civilizatório brasileiro durante o Segundo Reinado.

 

A partir dos séculos 19 e 20, a mimetização do humano é o meio pelo qual se trabalham a sensibilidade da cor e da forma, explorando a experiência plástica, como na “Rosa e azul – As meninas Cahen d´Anvers” (1881), de Pierre-Auguste-Renoir, e “O negro Cipião” (1866-1868), de Paul Cézanne, obra que sintetiza os aspectos da pintura moderna.

 

“Nus” (1919), da pintora francesa Suzanne Valadon, tem como referência a concepção da cor puramente decorativa do pós-impressionismo e de Matisse para expressar o desejo de liberdade e comunhão com a natureza como ideal feminino.

 

Pablo Picasso, com “Busto de homem” -(O atleta), 1909, questiona de maneira provocadora os gêneros e limites da tradição pictórica com a figura de um lutador- provavelmente publicada em jornal. Com o formato de um busto, típico da tradição heroica comemorativa, o caráter do personagem em questão é definido a partir de volumes e texturas, como nas culturas grega e africana, que serviram de influência para todos os movimentos artísticos do início do século 20.

 

Desta época, a mostra traz, ainda, obras emblemáticas de Vincent Van Gogh, “A arlesiana” (1890); Paul Gauguin, “Pobre pescador” (1896); Pierre Bonnard, “Nu feminino” (1930-1933); Amadeo Modigliani, com “Retrato de Leopold Zborowski” (1916-1919), e uma série de esculturas de Edgar Degas que mostram a evolução dos movimentos de uma bailarina –“Bailarina que calça sapatilha direita” (1919-1932), “Bailarina descansando com as mãos nos quadris e a perna direita para a frente” (1919-1932) e o feminino, como em “Mulher grávida” (1919-1932) e “Mulher saindo da banheira” (fragmento), 1919-1932.

 

O Modernismo é o momento da instituição de uma nova identidade nacional, por meio do abandono do academicismo que marcou a arte brasileira no período do Império e da Primeira República até 1922, da exploração de novas temáticas, que buscam a composição do caráter nacional, e de técnicas artísticas.

 

Nas obras de Carlos Prado, “Varredores de rua” (Os garis), 1935, Roberto Burle Marx, “Fuzileiro naval” (1938) e “Vendedora de flores” (1947), obra doada ao museu durante a SP-Arte/2015, estão narradas à realidade do povo diante das injustiças do país, assim como Candido Portinari, com “São Francisco” (1941) e Maria Auxiliadora da Silva, com “Capoeira” (1970), que narram traços da cultura popular brasileira.Nomes referenciais do movimento trazem retratos de figuras importantes do mesmo. É o caso do “Retrato de Tarsila”, de Anita Malfatti, e o “Retrato de Assis Chateaubriand”, criador do MASP, por Flávio de Carvalho.

 

As marcas dos intensos conflitos sociais e políticos do início do século 20 estão nas obras do pintor e muralista mexicano Diego Rivera, “O carregador” (Las Ilusiones), 1944, e “Guerra” (1942), de Lasar Segall, imigrante judeu da Lituânia que se muda para o Brasil no início do século 20. Como é o caso também do pintor ítalo-alemão Ernesto de Fiori, que deixa a Alemanha fugindo da repressão nazista e se torna um nome influente do modernismo brasileiro dos anos 1930 e 1940. Do artista, a mostra apresenta a obra “Duas amigas” (1943).Um dos artistas mais importantes do modernismo brasileiro, o escultor de origem italiana Victor Brecheret, criador do “Monumento às Bandeiras”, marco das celebrações do quarto centenário da cidade de São Paulo, está representado por seu “Autorretrato” (1940).

 

A criação de um acervo fotográfico também tem sido uma constante na história do museu, que as sistematizou, entre 1991 e 2012, por meio das doações da coleção Pirelli MASP, com trabalhos de fotógrafos brasileiros ou que possuam ligações com o Brasil. É o caso da fotógrafa de origem suíça Claudia Andujar, cuja série “Yanomami” (1974), feita a partir de longos períodos de imersão nesta cultura indígena, dialoga na mostra com a fotografia de João Musa, Barbara Wagner, Miguel Rio Branco e Luiz Braga.Movimento fundamental para a elevação da fotografia à categoria de arte, o Foto Cine Clube Bandeirante, fundado em 1939, fomentou e divulgou a obra de autores como Geraldo de Barros, “Menina do leite” (1946), e Antonio Ferreira Filho, “Naquele tempo…” (sem data).

 

Os desenhos de Albino Braz, parte do núcleo de 102 obras doadas ao MASP em 1974 pelo psiquiatra Osório César, foram realizados por pacientes do Hospital Psiquiátrico do Juquery, no contexto da Escola Livre de Artes Plásticas. Outrora consideradas “arte dos alienados”, essas obras foram reclassificadas e, enquanto arte brasileira, receberam sua primeira exposição no Museu em “Histórias da Loucura: Desenhos do Juquery”.

 

Artistas contemporâneas também integram a mostra, reforçando o caráter do museu em estar aberto a novas mídias, suportes e linguagens da arte. Uma sala apresenta o vídeo “Nada É” (2014), do artista Yuri Firmeza. Pertencente à série “Ruínas”, o vídeo mostra diferentes momentos da história da cidade de Alcântara, no Maranhão, e a documentação da “Festa do Divino”. Trabalho (2013-16), de Thiago Honório, é uma instalação que se apropria de ferramentas recebidas como presente de operários durante a reforma de um espaço no qual o artista participava de uma residência artística, transformando-as em esculturas que metaforizam o corpo dos trabalhadores.A mostra se encerra com a instalação de Nelson Leirner, “Adoração” (Altar para Roberto Carlos), 1966, que remete a uma nova forma de sagrado nos dias de hoje.

 

 

 

De 08 de fevereiro a 10 de abril.

 

Diálogo estético/cultural em Paris

28/out

 

Dezoito artistas plásticos de diversas nacionalidades unem seus discursos estéticos em uma única cidade: Paris. Temas essenciais serão tantas vezes recontados sob o prisma da pluralidade cultural, estética e de suportes. Essa é uma das propostas de “La Beauté d’Un Tout”, exibição coletiva na Galerie de Nesle, Odéon/Pont Neuf. Em uma realidade em que coexistem tanta diversidade e tanta intolerância, o projeto promove, com muita beleza e sensibilidade, uma releitura mais harmônica das relações sociais.

 

Único artista brasileiro do grupo, Eduardo Sampaio participa da iniciativa com sua obra inédita “A Fé do Pescador”, inspirado nos versos das canções de Dorival Caymmi, levando ao projeto, mais do que uma estética, a musicalidade nacional. Apaixonado confesso pela figura humana, ele coloca a figura humana no centro de seu processo criativo.“A figura humana é uma fonte inesgotável de interpretações e beleza”, sintetiza Sampaio, que aceita pela segunda vez o convite para participar da iniciativa.

 

Com curadoria da Agapé Art, também integram o grupo Songmae An, Tzu-Fang Chen, Yi-Chun Chen, Eva Helmlinger, Didier Heslon, Donna Heslon, Sophie Eun Sun Huh, Young Suk Kum, Wilfrid Minatchy, Junseok Mo, Primavera, Claire Rousseau, Suzy Schlie, Myriam Schott, Yu-Hua Shen, Luwalhati Vergara e Cheng-Ying Wan.

 

 
A partir de 05 de novembro.

Gaudí no Brasil

25/out

O Museu de Arte de Santa Catarina, Masc, Florianópolis, tornou-se a primeira cidade do país a receber a exposição “Gaudí, Barcelona 1900”, do arquiteto catalão Antoni Gaudí. A exposição conta com patrocínio da Arteris, com apoio do Governo do Estado de Santa Catarina, por meio da Secretaria de Turismo, Cultura e Esporte (SOL) e da Fundação Catarinense de Cultura (FCC).

 

 

Curadores destacam processos construtivos dos projetos de Gaudí

 

Os curadores da exposição, Raimon Ramis e Pepe Serra Villalba, destacam os processos construtivos dos projetos de Gaudí por meio de modelos tridimensionais que ressaltam detalhes de sua arquitetura. No design, móveis e objetos, que vão de maçanetas de metal a peças em cerâmica e madeira, mostram como a criação artesanal conseguiu fundamentar a indústria. O conjunto das obras reunidas do consagrado arquiteto catalão testemunha a invenção de uma original geometria, calculada a partir da observação e estudo dos movimentos da natureza. Com este princípio racionalista protagonizado pelo orgânico, Gaudí instaura uma estética moderna única que marcou definitivamente a cidade de Barcelona.

 

Para ilustrar ainda mais a potência de um período em que a capital da Catalunha surge como projeto moderno de cidade, os curadores selecionaram 26 trabalhos entre objetos e elementos decorativos concebidos pelos chamados ensembliers(artesãos de alto nível), além de 16 pinturas. São artistas contemporâneos a Gaudí, que desenvolveram suas obras conforme os preceitos do modernismo catalão. Entre eles destacam-se os pintores Ramón Casas e Santiago Rusiñol, e ensembliers como Gaspar Homar ou Joan Busquets, que decoraram e mobiliaram as casas da burguesia catalã do período.

 

Trata-se da mesma burguesia que colaborou para a inovação e processo de integração entre urbanismo, arquitetura, arte, design e indústria, atuando como mecenas dessa importante geração de artistas e artesãos que configuraram um dos movimentos mais férteis e representativos da cultura catalã. “Um momento em que foram construídos os fundamentos culturais da Catalunha atual, em que o processo industrial, o lado íntimo, o momento, o acaso, a mecanização, entre outros, vão ganhando espaço, e a atividade artística vai se abrindo a novas propostas”, explicam os curadores. Neste panorama, sugere ainda a dupla, a obra de Gaudí condensa o debate técnico, estético, ideológico e social da virada do século.

 

A exposição “Gaudí, Barcelona 1900” reúne 71 obras do mestre catalão, sendo 46 maquetes (quatro delas em escalas monumentais) e 25 peças entre objetos e mobiliário. Completam a mostra mais 42 trabalhos de outros artistas e artesãos de Barcelona, produzidos nos anos 1900. Os trabalhos expostos procedem do Museu Nacional de Arte da Catalunha, Museu do Templo Expiatório da Sagrada Família e da Fundação Catalunya-La Pedrera, Gaudí.

 

 

 

Até 30 de outubro.

Mondrian/De Stjil no CCBB/Rio

19/out

“Mondrian e o Movimento De Stjil”, é o cartaz atual do CCBB, Centro, Rio de Janeiro, RJ, trata-se de uma mostra panorâmica que apresenta pinturas, desenhos de arquitetura, maquetes, mobiliário, documentários, publicações de época e fotografias do grupo de artistas que criaram o movimento da vanguarda moderna holandesa, De Stijl, iniciado como revista em 1917. O ícone do movimento é o pintor Piet Mondrian. Esses artistas elaboraram um tipo de “arte total”, usando cores primárias para criar obras sem restrições, claras e limpas, de acordo como que eles imaginavam que seria o futuro. A exposição mostra também o percurso de Mondrian da figuração à abstração. O acervo foi cedido pelo Museu Municipal de Haia.O movimento que foi uma reação às atrocidades da I Guerra Mundial, procurou formas de mudar o mundo através da arte. Designers, arquitetos e artistas plásticos uniram forças, em 1917, para lançar a revista De Stijl (O Estilo), uma publicação, em preto e branco, com apenas 1 000 exemplares. Trinta obras de Mondrian serão expostas na mostra, ao lado de trabalhos de setenta de seus contemporâneos, no maior acervo do gênero já exibido na América Latina. “Vieram trabalhos de fases pouco conhecidas, mas repletas de obras-primas. Mondrian sempre esteve em busca de uma linguagem que priorizasse o essencial e teve uma longa carreira, cheia de influências, antes de se encontrar no Stijl”, diz o curador Pieter Tjabbes.

 

 

Até 09 de janeiro de 2017.

 

A Missão Artística Francesa

15/set

A Pinakotheke Cultural Rio, Botafogo, Rio de Janeiro, RJ, apresenta a exposição “A Missão Artística Francesa e seus discípulos”, que comemora o bicentenário da chegada Missão Artística Francesa (1816-2016) ao Brasil. Com curadoria de Maria Eduarda Marques e Max Perlingeiro, a mostra reúne pinturas, desenhos, gravuras esculturas, documentos, além de peças de Numismática. São obras raramente vistas, produzidas por artistas que integraram a “Missão”, seus discípulos e também de seu antecessor Nicolas Poussin (1594-1665), cuja pintura em óleo sobre tela “Himeneu travestido assistindo a uma dança em honra a Príapo, 1634-1638”, da coleção do MASP é vista, pela primeira vez, em exposição no Rio de Janeiro.

 

Como sempre nas exposições da Pinakotheke Cultural, a mostra será acompanhada de uma publicação, com as imagens das obras e textos dos dois curadores, e ainda do filósofo, sociólogo e crítico francês Jacques Leenhardt, que recentemente publicou o livro “Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil – Jean-Baptiste Debret” (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo), resultado de mais de dez anos de pesquisa.

 

A vinda da “Missão Francesa ao Brasil”é o fato fundamental da história da pintura no século XIX. A corte portuguesa, fugindo à invasão das tropas francesas de Napoleão, sob o comando do general Jean-AndocheJunot (1771-1813), aportou na Bahia no início de 1808, transferindo-se em seguida para o Rio de Janeiro. O fato é que a “Missão Francesa” – o grupo de artistas e artífices reunidos por seu líder Joachim Lebreton (1760-1819) – chegou ao Rio de Janeiro a bordo do brigue de três mastros “Calpe”, de bandeira norte-americana, na data de 20 de março de 1816.

 

Um dos destaques da mostra é o quadro de Nicolas Poussin (1594-1665), um dos mestres da pintura francesa, que pertenceu à família real espanhola. O painel de grandes dimensões da coleção MASP, que mede 167cm x 376cm.  A grande surpresa do processo da restauração foi a aparição de um falo ereto na figura central do quadro, o “Príapo”, deus da fecundidade e dos jardins, que sofreu, em séculos anteriores, “repinte de pudor”. A tela “Himeneu travestido assistindo a uma dança em honra a Príapo” mostra o deus grego do casamento, vestido de mulher, em uma dança para Príapo, que costuma ser representado com o falo em perpétua ereção. Sua pintura repercutiu nos pintores neoclássicos dos séculos XVII ao XIX. Considerado fundador do classicismo francês, Poussin influenciou todo o classicismo europeu, em especial a arte de Jacques Louis David, que adotou o rigor formal de suas composições. David acrescentou o sentido da virtude revolucionária ao ideal clássico de Poussin. Os artistas franceses que integraram a chamada “Missão Artística” de 1816, formados nos cânones do neoclássico, e contemporâneos de David, eram filiados à arte de Poussin, que lhes serviu de referência estética.

 

A exposição terá, ainda, obras de artistas da Missão Francesa, como Nicolas-Antoine Taunay (1755-1830), Jean Baptiste Debret (1768-1848), Auguste Taunay (1768-1824), Auguste Grandjean de Montigny (1776-1850), Charles-Simon Pradier (1783-1847), Marc Ferrez (1843-1923), ZépherinFerrez (1797-1851), Hippolyte Taunay (1793-1864), Adrien Taunay (1803-1828), Félix Émile Taunay (1795-1881). Completam a mostra pinturas feitas pelos discípulos da Missão Francesa, como August Muller (1815-1883), Charles-Simon Pradier (1783-1847), Manuel de Araújo Porto-Alegre (1806-1879) e Simplício Rodrigues de Sá (c. 1800-1839).

 

As obras que compõem a exposição pertencem a importantes coleções públicas e particulares do Rio de Janeiro, de São Paulo e do Ceará, como o Museu de Arte de São Paulo (MASP), o Instituto Moreira Salles, o Museu Dom João VI, e o Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro, Museu Imperial, em Petrópolis, Fundação Edson Queiroz, em Fortaleza, o Instituto São Fernando, em Vassouras, no Estado do Rio, e a Coleção Hecilda e Sergio Fadel, no Rio de Janeiro.

 

 

Sobre Max Perlingeiro

 

Editor e empresário no setor cultural. Nasceu no Estado do Rio de Janeiro, em 1950, graduando-se em Engenharia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1973) e Engenharia de Segurança pela Escola de Engenharia da Universidade do Brasil (1974). Organizou diversas exposições de arte no Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Fortaleza, Brasília, Londres, Lisboa, Buenos Aires e Paris. Em 1980, criou a primeira editora especializada em livros sobre arte brasileira no país – Edições Pinakotheke, cujas publicações têm conquistado premiações nacionais como o Prêmio Jabuti (Câmara Brasileira do Livro), Prêmio Gonzaga Duque (Associação Brasileira de Críticos de Arte), Prêmio de Literatura (Instituto Nacional do Livro) e Prêmio Triomus (Comitê Brasileiro do Conselho Internacional de Museus). As publicações educacionais voltadas para o público infantil recebem a chancela de “altamente recomendável”.

 

Nessas três décadas à frente da Pinakotheke, planejou empresarialmente projetos culturais como “História da Pintura Brasileira no Século XIX” (Vera Cruz Seguradora e Fundação Roberto Marinho), “Seis Décadas de Arte Moderna – Coleção Roberto Marinho” (Fundação Roberto Marinho, no Rio de Janeiro, Fundação Gulbenkian, em Lisboa, e Ministério das Relações Exteriores, em Buenos Aires), “Pintores alemães no Brasil durante o século XIX” (Siemens S/A, premiada pela Associação Paulista de Críticos de Arte), “Portinari em Londres”, comemorativa do centenário de nascimento de Candido Portinari, “José Pancetti, marinheiro, pintor e poeta”, “Alberto da Veiga Guignard”, “Emiliano Di Cavalcanti”, “Bruno Giorgi”, comemorativa do centenário de nascimento do artista, “Antonio Bandeira”, “Lasar Segall, Corpo Presente”, Franz Weissmann”, comemorativa do centenário de nascimento do artista, e mais recentemente, “ManabuMabe – obras dos anos 1950 e 1960” e “Arte Contemporânea Brasileira dos anos 1950 aos dias atuais”.

 

Integrou o conselho curador da Coleção Roberto Marinho, da Coleção Cultura Inglesa, e o conselho consultivo do Museu Nacional de Belas Artes. Atualmente integra também o conselho das instituições Paço das Artes e Museu da Imagem e do Som de São Paulo, ligados à Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, e o Instituto Lina e Pietro Maria Bardi, em São Paulo. Hoje, dedica-se com exclusividade à gestão da empresa Pinakotheke Cultural, que inclui três sedes: Rio de Janeiro, São Paulo e Fortaleza. É especialista na administração de relevantes coleções particulares no Brasil. Tem participado de debates e conferências sobre Editoração (Bienal do Livro, em São Paulo), Direitos autorais (ECAD) e especialmente sobre seguro de obras de arte (Instituto de Resseguros do Brasil), área na qual tem prestado consultoria a seguradoras e museus oficiais. Em 1989 foi condecorado com o título de Cavaleiro da Ordem de Rio Branco, por relevantes serviços prestados à cultura brasileira, pelo Ministério de Relações Exteriores do Governo Federal.

 

 

 

De 22 de setembro a 26 de novembro.

Projeto Zone Brésil(s)

14/set

Doze artistas brasileiros da ArtMaZone compõem o projeto Zone Brésil(s), com vernissage em 23 de setembro, na Igreja Notre Dame de Quilly, Bretteville sur Laize, Normandie, França. No dia seguinte será a vez da inauguração da coletiva que ficará abrigada na Galeria da Prefeitura. O vernissage será também evento de abertura à convenção política local, com a presença inclusive da secretária de estado Clotilde Valter, ministra do Trabalho, Emprego, Formação Profissional e Diálogo Social.

 

A pedido da Câmara Municipal de Bretteville sur Laize, e atendendo a um convite de honra para o Brasil, a iniciativa integra a tradicional Quinzaine de Quilly, programa cultural que inclui outras expressões, além das artes plásticas, e nesta edição tem como tema o Brasil.

 

Sub a curadoria de Nina Sales, idealizadora da ArtMaZone, participam desta exibição coletiva os artistas Christiana Guinle, Rafael Suriani, Patricia Figueiredo, Marcio Goldzweig, Lin Lima, João Santos, Claudia Malaguti, Stella Bierrenbach, Renata Sgarbi, Frederico Duarte, Iris Della Roca, Livia Melzi, além do convidado, Jean-François Rauzier.

 

 

Dois espaços

 

Igreja Notre Dame de Quilly
O projeto da exposição sublima a universalidade e a diversidade de temas abordados na atual arte brasileira – imagem da mulher, sexualidade, morte, religião, meio ambiente.

Galeria da Prefeitura
Um diálogo transversal é estabelecido entre as culturas francesa e brasileira, tendo como base observações sob os contrastes sociais e os fluxos migratórios que ligam os dois países.
Texto da curadora Nina Sales

 

 

Brasil: entre a tradição e a modernidade

 

“Sobre o que falamos quando evocamos o patrimônio mundial? Sobre monumentos marcantes e relíquias emblemáticas da história da arte? Sobre culturas hegemônicas indiscutíveis? Sobre regras acadêmicas ou sobre novas tendências subversivas? Claro, a história da arte promove a produção de obra primas, de movimentos e de revoluções que ampliam nossa visão sobre a arte.

 
O fenômeno crescente da globalização impulsiona o desenvolvimento da pesquisa artística. Nações jovens com um patrimônio rico mostram suas criações e se tornam a mais nova referência do segmento. Identidade, temporalidade e fronteiras também se desintegram no seio de “Zone Brésil(s)”, proporcionando uma exposição catártica. Herança e contemporaneidade se fundem para sublimar um Brasil que defende suas verdadeiras cores, cores estas de um território criativo e atual. Um hino à arte contemporânea! ”.

 

 

Picasso na Caixa Cultural/Rio

09/set

O Instituto Tomie Ohtake, a CAIXA Cultural Rio de Janeiro, Arteris e IRB BRASIL RE, apresentam no Rio de Janeiro, Centro, RJ, nas Galerias 2 e 3, a exposição “Picasso: mão erudita, olho selvagem”, com 138 obras, entre pinturas, desenhos, gravuras, esculturas, cerâmicas e fotografias pertencentes ao MuséeNational Picasso-Paris. Organizada pelo Instituto Tomie Ohtake em conjunto com o Musée National Picasso-Paris. A exposição tem curadoria de Emilia Philippot, também curadora da instituição francesa.

 

As obras traçam um percurso cronológico e temático em torno de conjuntos que seguem as principais fases de Pablo Picasso, nascido em Málaga, Espanha, em 25 de outubro de 1881, e morto em Mougins, França, em 8 de abril de 1973. A exposição percorre sua trajetória desde os anos de formação, com o óleo sobre tela “L’Homme à lacasquette” (1895), até os últimos de produção, como na gravura em metal “Couple: femme et hommechien. Avecfemme à lafleur” (1972). O patrocínio é da Arteris e IRB BRASIL RE, com apoio da CAIXA, da Prosegur e da Repsol Sinopec Brasil, realizado através da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Rouanet).

 

 

 

A exposição

 

 

A exposição com mais de 130 obras do gênio da arte do século XX esteve em cartaz no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, onde foi sucesso de público e crítica, possibilita uma rara imersão do público no universo do artista espanhol, que viveu grande parte de sua vida na França. Das 138 obras, 109 são de Picasso: 27 pinturas, 42 desenhos, 20 gravuras e 20 esculturas, incluindo 12 cerâmicas, em sua quase totalidade nunca vistas no Brasil. Também integram a mostra 22 fotografias feitas por AndresVillers (1930-2016) em parceria com Picasso, e três fotografias feitas por Pierre Manciet durante as filmagens de “La viecommencedemain” (1949), de Nicole Védrès, no ateliê do artista em Fournas, Vallauris, na França. O filme, de 89 minutos, também poderá ser visto pelo público, junto com dois outros: “Guernica” (1950), de Alain Resnais e Robert Hessens, com 13 minutos, que aborda a obra-prima de Picasso, entre pinturas, desenhos e esculturas feitas por ele entre 1902 e 1949; e “Le Mystère Picasso” (1956), de Henri-Georges Clouzot, com 78 minutos, que revela seu processo criativo.

 

A curadora EmiliaPhilippot destaca o fato de que as obras expostas revelam para o público a ligação íntima e pessoal que alimenta toda a produção de Picasso, presente nos retratos íntimos da mãe do artista ou de seu primeiro filho, Paul, na celebração apaixonada da sensualidade feminina de Marie-Thèrèse Walter, e nas denúncias intransigentes dos males causados pelos conflitos contemporâneos, da Guerra Civil Espanhola ou da Ocupação da França pelas tropas alemãs. “Escolhemos aproveitar o caráter específico da coleção para esboçar um retrato do artista que questiona sua relação com a criação, entre fabricação e concepção, implantação e pensamento, mão e olho”, afirma EmiliaPhilippot. Estão presentes nos trabalhos as experiências vividas por Picasso. “Os laços afetivos do amante, as dúvidas do homem, as alegrias do pai de família, os compromissos do cidadão: tudo se introduzia em sua arte”, completa.

 

Uma característica importante da exposição é que o acervo é composto por obras selecionadas e mantidas pelo artista ao longo de sua vida. São trabalhos que estiveram ao seu lado e pertencem ao MuséeNational Picasso-Paris, um dos mais importantes do mundo sobre o artista, formado por doações sucessivas dos herdeiros do pintor, em 1979 e 1990.

 

 

 

Percurso da exposição

 

 

As obras estão dispostas de acordo com um roteiro cronológico e temático, em dez seções: “O primeiro Picasso. Formação e influências (por volta de 1900)”; “Picasso exorcista. As senhoritas de Avignon (processo da geometrização das formas)”; “Picasso cubista. O violão (relação com a música)”; “Picasso clássico. A máscara da antiguidade (a maternidade, o teatro e a dança)”; “Picasso surrealista. As banhistas”; “Picasso engajado.Guernica (estudos da obra, fotos e foco na apresentação da tela em 1953 no Brasil/ 2ª Bienal de São Paulo)”; “Picasso na resistência. Interiores e vanitas (processo de trabalho durante a guerra, vida doméstica e vaidades)”; “Picasso múltiplo. A alegria da experimentação (da cerâmica ao fotograma)”; “Picasso trabalhando. O Mistério Picasso (a magia de seu processo criativo na pintura)”; e “O último Picasso: o triunfo do desejo (erotismo em todos seus estados)”.

 

 

 

Sobre EmiliaPhilippot

 

 

EmiliaPhilippot é diplomada pela Écoledu Louvre e especializada em conservação do patrimônio pelo Institutnational Du Patrimoine (Paris). Foi gerente de projeto na RéuniondesMuséesNationaux, Paris (2007 e 2009), onde organizou a exposição “Le grand monde d’Andy Warhol”, nas Galeriesnationalesdu Grand Palais (2009). Foi responsável pelas coleções de artes decorativas, artesanato e design industrial no Centre nationaldesArtsPlastiques (Paris), entre 2010 e 2012, coordenando a exposição “Liberty, EqualityandFraternity”, no WolfsonianMuseum (Miami), em 2011. Responsável pela segmento de artes gráficas e pinturas do MuséeNational Picasso-Paris desde 2012, Philippot preparou a reabertura do museu e organizou importantes mostras como “¡Picasso! L’expositionanniversaire no MuséeNational Picasso-Paris” (2015); “Picasso chez Delacroix no MuséeNationalEugéneDelacroix” (Paris 2015); “MiquelBarceló, Sol y Sombra”, no MuséeNational Picasso-Paris (2016), e está desenvolvendo a exposição “Histoires d’Olga – Filtres de l’Histoireauprès de Picasso”, no MuséeNational Picasso-Paris prevista para março de 2017.

 

 

 

Até 20 de novembro.

Marcianos e Intergaláticos

05/set

A Casa Nova Arte e Cultura Contemporânea, Jardim Paulista, São Paulo, SP, inaugura a exposição “Ulla, Ulla, Ulla, Ulla! Marcianos, Intergalácticos e Humanos”,com curadoria de Jane de Almeida. Em paralelo à 32a Bienal de São Paulo a coletiva apresenta obras com inspiração “alienígena” dos artistas David Medalla (Filipinas), Fernando Duval (Brasil), Henrique Alvim Corrêa (Brasil), Kiluanji Kia Henda (Angola) e OlafBreuning(Suiça).

 

A mostra propõe ao público a reflexão sobre imagens clichês da ciência, a construção de seres e objetos do espaço exterior, além da produção de utopias no século XXI. Partindo da ideia de que estamos vivendo tempos políticos estranhos e “mensagens ambíguas vêm sendo transmitidas por seres intergalácticos ao planeta Terra”, a curadoria convida “artistas com contatos especiais com o cosmos” para esta exposição. De acordo com a curadoria, “alguns artistas ousam decodificar figurativamente seres espaciais desconhecidos, outros invertem e alteram as imagens científicas, alguns se apresentam com a própria forma alienígena e outros elaboram utopias para o século XXI. “Ulla, Ulla, UllaUlla!é composta por 5 artistas brasileiros e estrangeiros.

 

O destaque da exposição são as obras do artista brasileiro Henrique Alvim Corrêa (1876 – 1910), criador das ilustrações de “Guerra dos Mundos”, ficção e clássico do autor britânico H.G. Wells no qual relata a invasão de marcianos na Terra e que completa neste ano 110 anos desde seu lançamento. Será exibida uma edição original do livro “Guerra dos Mundos” de 1906, com 31 gravuras feitas por Alvim Corrêa, além de cinco desenhos originais que deram origem a esta edição do livro. A exposição apresentará também uma pintura a óleo inédita produzida em 1900.

 

David Medalla, artista filipino que será homenageado na próxima Bienal de Veneza, apresenta as obras “Stitch in Time AroundMars” (Costurando no Tempo ao Redor de Marte) e “CosmicPandora’sMicro-Box”(Micro-Caixa de Pandora Cósmica). O primeiro consiste em uma instalação que convida o público a bordar em um tecido suas utopias sobre a possível existência de planetas e seres desconhecidos e o último trabalho, que foi desenvolvido durante sua estadia em São Paulo em 2010, apresenta dejetos e objetos coletados pelo artista, criando uma ‘caixa de pandora’ contemporânea. São Paulo, desta forma, transforma-se no “cosmos” de Medalla.

 

O angolano Kiluanji Kia Henda, destaque da última Bienal de São Paulo e Bienal de Veneza, apresenta a obra “The badguysandgoodguys” (Os caras bons e os caras maus) de 2016, composta por uma série de 10 serigrafias que traça uma narrativa sobre a influência da Guerra Fria na África. O título do trabalho e as legendas foram apropriadas do documentário “Histórias da Guerra Fria”, produzidos em 1997 pelo fundador da CNN, Ted Turner. As imagens alienígenas contrastam com as legendas de guerra, compondo a ideia primeira da exposição: como as práticas políticas se desassociam da realidade do cidadão comum, tornando-se alienígenas e alienadoras.

 

Fernando Duval, artista brasileiro, participante da última Bienal do Mercosul, traz a obra “Instrumentos musicais de Wasthavastahunn”, série de desenhos de 2010 na qual apresenta os instrumentos musicais de seu universo artístico pertencente ao planeta “Fahadoica”, da Galáxia de Washemin. Estes instrumentos pertencem à importante instituição wasthiana que é o Instituto do Silêncio. O universo artístico de Duval produz um referente paralelo ao nosso universo científico e às nossas instituições “reais”.

 

Outro destaque é o artista suíço OlafBreuning que apresenta os vídeos “Home 1”, de 2004 e “Home 2”, de 2007 e “Cansomeonetelluswhywe are here”(Alguém pode nos dizer porque nós estamos aqui), instalação de 2010. OlafBreuning, possui obras em importantes galerias de arte como a Saatchi de Londres, e com apresentações em importantes espaços artísticos como a WhiteChapel, o Centre Georges Pompidou ou a Bienal do Whitney é muitas vezes considerado “freak” (bizarro), ou como ele mesmo gosta de se considerar “naif”(ingênuo). Breuning é, ele mesmo, um “alien” da arte contemporânea e seus filmes “Home 1”e “Home 2” desafiam não só os limites entre realidade e ficção, mas também os conceitos instituídos de obra de arte.

 

O nome da exposição, “Ulla! Ulla! Ulla! Ulla! Marcianos, Intergalácticos e Humanos”, foi inspirado em manifestos futuristas das utopias socialistas dos soviéticos. Refere-se ao som das naves marcianas da obra de H.G Wells e ao manifesto “A trombeta dos marcianos” do poeta russo VelimirKhlebnikov. Escrito em 1916, este ano marca o centenário do manifesto que faz uma espécie de convocação para se pensar a arte e a invenção. Um outro manifesto posterior, assinado pelo intelectual russoViktor Shiklovsky, também faz uso do “Ulla, Ulla” para receber alienígenas que literalmente deveriam alienar os humanos”, diz Jane de Almeida.

 

A mostra conta, ainda, com uma série de encontros nomeados “Utopias e Escapismos do Século XXI – ou, Como decodificar o que a classe política quer nos dizer. Ulla, Ulla!”. A programação dos encontros será divulgada no decorrer do período expositivo.

 

 

Até 02 de novembro.

Calder e a Arte Brasielira

Em “Calder e a Arte Brasileira”, o Instituto Itaú Cultural, Cerqueira César, São Paulo, SP,lança luz sobre a influência no Brasil da obra do artista norte-americano, pioneiro da arte cinética, e traz à tona a importância de seu papel na formação do neoconcretismo no país.A leveza, movimento e colorido da obra de Alexander Calder em materiais como o metal, o ferro e o arame inundam os três andares do espaço expositivo do Itaú Cultural. Com curadoria de Luiz Camillo Osorio, e em parceria com a Expomus e a Calder Foundation, conduzida por Alexander S. C. Rower, neto do artista, em Nova York, a mostra apresenta 60 peças – 32 do próprio artista, entre móbiles, guaches, maquetes, desenhos, óleos sobre tela e dois audiovisuais. Outras 28 são produções de 14 brasileiros, que revelam a proximidade de seu trabalho ao do artista.

 

Nos anos 40 e 50, experimentalistas como Abraham Palatnik, Lygia Clark, Hélio Oiticica, Willys de Castro, Judith Lauand, Lygia Pape, Waltercio Caldas, Antonio Manuel e Luiz Sacilotto também embarcaram no caminho da arte cinética influenciando gerações até hoje. A influência se detecta em Ernesto Neto, Franklin Cassaro, Carlos Belvilacqua, Cao Guimarães e RivaneNeuenschwander, igualmente presentes na exposição.

 

Segundo Luiz Camillo Osorio, a poética de Calder, cujo rigor construtivo ganha tonalidade lírica, é uma referência para os artistas brasileiros, com quem teve relação estreita, porém ainda pouco afirmada. Existem obras suas em coleções brasileiras desde os anos de 1940, por meio das quais pode se seguir o rastro de sua influência na vanguarda do país. O movimento presente nos móbiles do norte-americano, por exemplo, está também na série de “Bichos”, de Lygia Clark, nos relevos espaciais dos “Parangolés” de Oiticica e nos “Cinecromáticos” de Palatnik.Alexander S.C. Rower relata: “A visita do meu avó ao Brasil teve um impacto duradouro, tanto emocional como intelectual. Ele ficou fascinado pela exuberância e energia da cultura brasileira – ele amou especialmente o samba. No sentido inverso, seus móbiles cativaram os artistas brasileiros e a classe artística. A exposição no Itaú Cultural apesenta esse fascinante diálogo – afirmando mais uma vez a afinidade de Calder com o espírito brasileiro”.

 

O artista norte-americano realizou a sua primeira exposição no Brasil no final da década de 1940. Passados 13 anos, participou da segunda Bienal de São Paulo deixando influências diretas no imaginário poético no país. Sua relação com os arquitetos modernos foi próxima. Também com o crítico de arte Mario Pedrosa, que teve posição determinante para que se realizasse uma retrospectiva de Calder no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, em 1959. “A sua obra inscreveu-se na formação construtiva brasileira, misturando o lúdico e o geométrico e isso merece melhor avaliação histórica”, observa o curador. “É esta relação que pretendemos trabalhar nesta exposição.”

 

A mostra “Calder e a Arte Brasileira”, de acordo com Luiz Camillo Osorio, busca evidenciar essa relação e a sua disseminação no imaginário artístico brasileiro, além de mostrar importantes trabalhos da trajetória do norte-americano. “Apresentamos obras de alguns de nossos artistas que foram, direta ou indiretamente, marcados por ele”, diz o curador.A relação geracional com a tradição concreta e neoconcreta, a vontade comum de concentração e expansão da forma abstrata -no plano pictórico e fora dele -, são conferidas no piso -2.De Calder encontram-se ali, entre outras obras, guaches sobre papel, “Sem título”, de 1946, “Composição”, do mesmo ano e doada pelo artista ao MASP, em 1948. Elas figuram no mesmo espaço que Abraham Palatnik com “Aparelho cinecromático”, 1969/86, “Objeto Cinético”, 1986, e mais um de mesmo nome, de 1990/1991. Lygia Clark, entre outros brasileiros, está presente neste andar com o guache, nanquim e grafite sobre papel “Composição”, 1952. De Hélio Oiticica tem “Mestaesquema”, um de 1957, outro de 1958. Só para citar mais alguns, este andar comporta “Ascenção”, de 1959, de Willys de Castro e, ainda, “Concreto 28”, obra de Judith Lauand, de 1956.

 

No piso -1, a linha curatorial sugere o desdobramento subliminar da influência de Calder na arte contemporânea brasileira. “O ponto que cabe ressaltar aqui é a presença do corpo na ativação da forma, a incorporação do movimento e da geometria atravessados por um contexto social e cultural específico, onde passado e futuro se entrecruzam”, observa o curador. De Calder, estão ali, por exemplo, a maquete “Brasília” (c.a.1959), “Móbile amarelo”, preto, vermelho, branco, de 1946. Dos brasileiros, encontram-se dos “Bichos” de Lygia Clark, dos “Bilaterais” e “Parangolés”, de Hélio Oiticica, às esculturas de Waltercio Caldas, de 1997 e 2002, “NaveMeditaFeNuJardim”, 2015, de Ernesto Neto e “Catamarã Aéreo”, 1997, de Carlos Bevilacqua.Por fim, no primeiro andar, os móbiles desenham-se no espaço, desmaterializam-se, resistem à gravidade. Citando algumas das obras de Calder que ali convivem, estão “Vermelho, Branco, Preto” e “Bronze”, 1934, nunca antes exibida no Brasil, “Digitais Escarlate”, 1945 – obra de extrema importância que não é exposta há mais de 60 anos, nunca esteve no Brasil e sempre foi mantida com a família do artista -, “Bosquet é o Melhor dos Melhores”, 1946, “Trinta e dois discos”, 1951, exibida na Bienal de São Paulo, em 1953-1954. Elas dialogam com produções como “O ar mais próximo”, 1991, de Waltercio Caldas, “Três Cassarinhos Vermelhos na Gaiola”, 2010, de Franklin Cassaro, ou “Sopro”, 2000, de Cao Guimarães e RivaneNeuenschwander.

 

Neto de Calder e condutor da mostra, Alexander S.C. Rower reforça a identidade brasileira do avô relatando que sua visita ao Brasil teve um impacto tanto emocional como intelectual. “Ele ficou fascinado pela exuberância e energia da cultura brasileira”, conta.

 

 

Até 23 de outubro.