Siesta

11/jul

O artista peruano Daniel Barclay desenvolve na galeria Emma Thomas, Jardins, São Paulo, SP, o projeto “Siesta”, um lugar intermediário entre o ambiente do ateliê e uma individual, com foco no processo e no relacionamento com o público, sem a mediação do galerista. No dia 11 de julho, às 18h, haverá um diálogo no espaço, momento de pausa no desenvolvimento da ocupação, onde as obras e seus relacionamentos também entram em estado de repouso, siesta.

 

 

Sobre o artista

 

Daniel Barclay nasceu em Lima, Perú, em 1972. Estudou artes plásticas na escola de arte Corrente Alterna (Lima, Peru), entre os períodos 1994 e 1999. Depois realizou uma tese na mesma escola, “Chamán Urbano” centrando-se em estéticas híbridas. Durante este período, foi parte do coletivo Otrosomos (2000-2003). Realizou um MFA na Central Saint Martins (Londres) no período 2003-2004. Nesta etapa aprofundou-se na leitura da imagem influenciada por ideias da “performative writing”, estabelecendo uma aproximação à pintura e instalações em diferentes níveis dos códigos visuais. No ano 2010 participou de uma residência artística na Faap e após diferentes projetos na cidade durante 2 anos, passa a viver e trabalhar em São Paulo.

 

 

Texto de Paula Borghi (setembro de 2014)

 

“…Por seus trabalhos, somos convidados a pensar em outros contextos socioculturais, visto que se trata de uma artista peruano, que estudou na Central Saint Martins em Londres – Inglaterra, de 2003-2004 e desde 2010 a 2011 realizou uma série de residências em São Paulo – Brasil, que o levou a viver em São Paulo. Contextos que se fazem presentes na série “Periodicos/Jornais”, com doze recortes de jornais pintados com geométricas brancas, sendo estes Europeu e Latino. Com um olhar mais atencioso, nota-se que os recortes correspondem ao período que o artista esteve nestes continentes, e que cada matéria aborda questões socioculturais referentes aquela época e região.

 

O mesmo faz-se presente em “Estratificaciones culturales”, onde encontramos uma mesa com uma mescla de livros da literatura brasileira e peruana, em uma espécie de quebra cabeça geométrico que conta a história político geográfica destas nacionalidades. Em “Tuñol filmes”, trabalho iniciado em 2011 na Residência da Curatoria Forense “INSID/OUT” e finalizado em 2014, o artista convida os demais residentes – do Chile, Argentina e Brasil – a construir uma narrativa de ficção para seu filme “Amor quente em Boiçucanga”. Trata-se de um trabalho autoral, porém realizado coletivamente a partir da proposição de responder um formulário e posteriormente posar para uma foto a frente do cartaz do filme.

 

Uma exposição que reúne trabalhos que se comportam individualmente cada qual com sua densidade, pois assim como a estratificação aquática, geológica e sociológica, a exposição apresenta obras em diferentes níveis, seja em pintura, instalação, desenho ou livro. Uma mostra que quando vista em sua totalidade estabelece um corpo híbrido e político, construído por muitos corpos, nações e linguagens. Por esta busca em perceber as muitas camadas culturais da produção de Barclay, tem-se a geometria como um elo condutor, uma linha que guia o olhar para uma forma pura e compreensível a todos, independente do contexto em que ela esta. Pois é através da geometria que o artista rompe as barreira da ideia de nação,  com uma forma que diz a mesma coisa independente de onde esteja.”

 

 

Até 18 de julho.

Fluctuations

A BOSSA Gallery – Fine Art Photography, Design District, Miami, FL, EUA, inaugura a partir deste sábado, dia 08, exposição “Fluctuations”, de Flavia Junqueira e George Goodridge, com curadoria de Liliana Beltran. A presença ambígua de conceitos opostos é frequente na obra dos dois artistas, como ordem e desordem, natureza e criação, restrição e excesso, mecânico e orgânico. Ambos dividem um interesse particular pelo espaço e abordam a ideia de que “arte é uma ilusão da espontaneidade”. Em “Fluctuations”, aproximam-se as contradições e dualismos refletidos em um sonho, um enigma, uma ideia de paisagem, um impulso, um sentimento a ser percebido.

 

Marcos Moraes, acerca do trabalho de Flavia Junqueira, diz que “…o processo de gesticular, deliberadamente, é usado na construção das imagens como um meio de esconder a relação habitual e corriqueira com o espaço e com objetos, propondo, pela repetição, acumulação ou até mesmo pelo excesso, cativar e envolver na atmosfera muitas vezes quente e convidativa da casa e, em particular, da festa: um momento de celebração, de alegria e felicidade. Esse sentimento generalizado, em relação ao espaço e ao momento específico – da festa – é reforçado pela presença de objetos que estão presentes na vida diária de cada um de nós, e isso abriga nossas memórias da infância quando nos referimos aos balões, brinquedos, objetos, decorações, vestimentas e especialmente o “clima festivo” que evocam”.

 

As esculturas de George Goodridge adquirem vida própria; elas mudam, se adaptando aos vários momentos de interação com o espaço. Não há barreiras para suas esculturas criativas e lúdicas. Em seus trabalhos “Cooperative Kinects” e “Character Studies”, o artista parte para uma simplificação formal. Marcada pela proliferação de círculos em que conjuntos de tonalidades, de maiores e menores dimensões, de movimentos combinando dentro e fora, se referem à forma primordial, o círculo, representação do nascimento, da união, da junção, da comunhão entre o macro e o micro. A impregnação deste elemento diz respeito ao caminho natural que corre em direção à forma genuína, que é, idealmente, a mais simples de todas, criada precisamente pelo equilíbrio, homogeneidade, regularidade e simetria. Em seguida, este equilíbrio, alcançado pela combinação de formas diferentes, começa a ser desafiado e transformado em sua psicodélica visão imagética.

 

 

 

Sobre os artistas

 

 

Flavia Junqueira

Doutoranda no curso de Pós Graduação do Instituo de Artes da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Mestre em Poéticas Visuais pela Universidade de São Paulo (USP) e Bacharel em Artes Plásticas pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), integrou o projeto do programa de residências da Izolyatsia’s Platform for Cultural Initiatives na cidade de Donestk na Ucrânia com curadoria de Boris Mikailov, participou da residência Cité Internationale Dês Arts em Paris através de bolsa contemplada pela FAAP, integrou em 2010 o Programa PIESP da Escola São Paulo e atuou como assistente de cenografia no Espaço Cenográfico de São Paulo de J.C.Serroni. Entre os principais projetos e exposições coletivas que participou destacam-se, Culture and Conflict: IZOLYATSIA in Exile. Palais de Tokyo, The World Bank Art Program, Kaunas Photo festival, Exposição Individual “Tomorrow i will be born again” na Cité Dês Arts, coletiva una mirada latino americana do projeto Photo España, Temporada de Projetos Paço das Artes, Prêmio Energias na Arte no Instituto Tomie Otahke, Programa Nova Fotografia- MIS, Concurso Itamaraty, Residência RedBull House of Art, Atêlie Aberto da Casa Tomada, entre outros. Algumas de suas obras integram o acervo de museus e espaços culturais como: MAM-SP, MIS-SP, MAB-FAAP, Museu do Itamaraty, Instituto Figueiredo Ferraz, RedBullStation entre outros.

 

George Goodridge

Graduado da Escola de Artes Visuais de Nova York, frequentou a Escola de Arte do Instituto de Chicago. Atuou como consultor técnico sênior no Instituto Escola de Arte e ensinou técnicas visuais na Escola de Artes Visuais em Nova York. Seu trabalho foi representado em inúmeras galerias, museus e coleções corporativas. Foi recentemente apresentado na Syndicated News Network, na revista LandEscape Art Review, WhiteHot Magazine of Contemporary Art, Art Vetting, The Examiner, em vários artigos do The Miami Herald, Art South Florida, Xs Magazine, New Times Magazine, Tropiculture Magazine e em várias transmissões para PBS. Suas pinturas tridimensionais são apoiadas pelos estudos prévios do artista em reconstrução geométrica, pintura tridimensional e instalações conceituais.

 

 

Sobre a BOSSA Gallery – Fine Art Photography

 

BOSSA é a primeira galeria de arte em Miami especializada em fotografia brasileira de alta qualidade. Localizada no Design District, BOSSA soma ao desenvolvimento artístico local sua produção contemporânea de novos nomes da fotografia, colaborando com a expansão de suas carreiras no mercado internacional. A galeria representa fotógrafos brasileiros reconhecidos, bem como os novos nomes, junto com artistas do mercado norte-americano, buscando criar um diálogo entre os dois mercados. A missão da BOSSA é de atuar como uma plataforma para promoção e divulgação da vibrante produção fotográfica contemporânea de artistas brasileiros, ampliando seu alcance internacional. Com um sólido programa conceitual desenvolvido em parceria com curadores convidados, a BOSSA apresenta seus artistas em exposições elaboradas, ao mesmo tempo em que uma série de palestras e conversas ministradas no espaço aproximam o público a um contato íntimo e direto com o trabalho do artista. Vernissages e eventos especiais, permitem aos colecionadores – novos e estabelecidos – uma visão mais intima tanto à carreira do artista como a trajetória da galeria.

 

 

Até 08 de setembro.

Coleção Fundação MAPFRE

Desde seus inícios, as coleções de desenhos da Fundação MAPFRE estiveram marcadas por grande interesse em revelar o nascimento da modernidade. A seleção que o Museu Lasar Segall, Vila Mariana, São Paulo, SP,  apresenta, abrange o período compreendido entre finais do século XIX e meados do XX, precisamente o momento em que o desenho ainda vive sua dupla condição. Se, por um lado, é um meio criativo para a execução final de outras obras, ao mesmo tempo mostra sua independência, como arte plena e suficiente em si mesma.

 

Assim sucedia já nos desenhos de Rodin e Klimt, que os próprios artistas incluíam em suas exposições, nas do primeiro Picasso e nas de Henri Matisse; na ironia de George Grosz, em que a mulher se converte em protagonista e nos fala dos diversos caminhos da crítica e da sátira no seio da pintura europeia. Mas também naqueles que, co0m um espírito plenamente vanguardista, nos introduzem nas tendências mais avançadas da arte contemporânea: o próprio Picasso, Juan Gris, Alexander Achipenko ou Moholy Nagy, presentes nesta exposição. Também o dadaísmo de Charchoune, Picabia ou Schwitters, que chega ao surrealismo através da obra de Joan Miró, Salvador Dalí ou Óscar Domínguez. Um surrealismo que, a partir do círculo parisiense de André Breton, permanece na cultura espanhola durante muitos anos, tal como vemos nas formas puras e primitivas de Julio González ou de Alberto (Sánchez), nas primeiras obras de Tàpies.

 

Na segunda metade do século XX, o limite entre os gêneros artísticos parece diluir-se em um universo criativo que mescla o desenho com a pintura, a escultura com a ação e a arquitetura. Um exemplo dessa atitude encontra-se no desenho de Eduardo Chillida incluído na exposição, que combina a qualidade do desenho propriamente dito com as qualidades escultóricas do ferro e da madeira. O caminho para a Coleção nos conduziu a uma perspectiva diferente: não o desenho tradicional, agora uma obra da qual o desenho participa.

 

 

Artistas presentes na exposição Tesouros da coleção da Fundação MAPFRE – obras sobre papel:

 

Albert Gleizes | Alberto Sánchez | Alexander Archipenko | André Lhote | Antoni Tàpies | Auguste Rodin | Daniel Vázquez Díaz | Darío de Regoyos | Edgar Degas | Eduardo Chillida | Sir Edward Coley Burne-Jones | Egon Schiele | Fernand Khnopff | Francis Picabia | Francisco Bores | George Grosz | Gustav Klimt | Henri Matisse | Isidre Nonell | Joaquim Sunyer | Joaquín Torres García | Joan Miró | José Caballero | Juan Gris | Juan Ponç | Julio González | Kurt Schwitters | László Moholy-Nagy | Luis Fernández | Lyonel Feininger | Maruja Mallo | Óscar Domínguez | Pablo Picasso | Paul Klee | Rafael Barradas | Remedios Varo | Salvador Dalí | Serge Charchoune | Sonia Delaunay.

 

 

 Até 28 de agosto.

Los Carpinteros no Rio

06/jun

Composta por mais de 70 obras, “Objeto Vital”, cartaz do CCBB, Centro, Rio de Janeiro, RJ, reúne parte da obra do coletivo artístico Los Carpinteros desde suas origens até hoje. A exposição pretende desvendar esse conceito da “vitalidade” que os objetos ganham através da arte, e essa descoberta é proposta por meio de uma arqueologia da obra dos artistas. Esta é a maior exposição já montada pelo coletivo cubano que apresenta três eixos temáticos: objeto do ofício, objeto possuído e espaço-objeto. Por meio da utilização criativa da arquitetura, da escultura e do design, os artistas exploram o choque entre função e objeto com uma forte crítica e apelo social de cunho sagaz e bem-humorado. O público poderá acompanhar todas as fases do coletivo, desde a década de 1990 até obras inéditas, feitas especialmente para esta exposição. A curadoria traz a assinatura de Rodolfo de Athayde. No dia 03 de maio aconteceu uma palestra com os artistas Marco Castillo e Dagoberto Rodriguez.

 

 

Sobre Los Carpinteros

 

O coletivo Los Carpinteros foi fundado em 1992 por Alexandre Arrechea, Dagoberto Rodriguez e Marco Castillo, e manteve-se essa configuração até 2003, ano em que Alexandre Arrechea sai do coletivo para cumprir carreira solo.

 

 

 

Até 02 de agosto.

Artista premiado

02/jun

Kiluanji Kia Henda, artista angolano, venceu o Frieze Artist Award 2017 e irá criar uma nova instalação performática naquela feira internacional de arte contemporânea entre os dias 04 a 08 de outubro em Londres, no Reino Unido.

 

O júri do prêmio, que recebeu candidaturas de mais de 80 países, anunciou que escolheu o projeto de Kiluanji Kia Henda, nascido em 1979, em Luanda, cidade onde continua a viver e a trabalhar em áreas que cruzam a fotografia, vídeo e performance. Criado em 2014, Kiluanji Kia Henda é o primeiro artista africano a vencer este prêmio.

 

A proposta do artista, vencedora do Frieze Artist Award 2017, tem como título “Under the Silent Eye of Lenin”, e consiste numa instalação de duas partes, inspirada no culto do marxismo-leninismo no período pós-independência de Angola.

 

O artista faz um paralelo entre esse culto, e as práticas de feitiçaria durante a guerra civil no país, aplicando também narrativas de ficção científica usadas durante a Guerra Fria entre as então superpotências mundiais dos Estados Unidos e União Soviética. A instalação pretende suscitar a reflexão sobre a ficção e o seu poder de manipulação como arma em situações de extrema violência. “Under the Silent Eye of Lenin” irá mudar ao longo da apresentação da feira de arte.

 

O júri do prémio foi composto por Cory Arcangel (artista), Eva Birkenstock (diretora da Kunstverein, em Dusseldorf, Alemanha), Tom Eccles (diretor executivo do Center for Curatorial Studies, em Nova Iorque, Estados Unidos) e Raphael Gygax (curador), com Jo Stella-Sawicka (diretora artística das Frieze Fairs) como presidente.

Yoko Ono em São Paulo

12/abr

Com curadoria de Gunnar B. Kvaran, crítico islandês e diretor do Astrup Fearnley Museum of Modern Art, em Oslo, a exposição “O CÉU AINDA É AZUL, VOCÊ SABE…”, pretende revelar os elementos básicos que definem a vasta e diversa carreira artística de Yoko Ono – uma viagem pela noção da própria arte, com forte engajamento político e social. Uma das principais artistas experimentais e de vanguarda, associada à arte conceitual, performance, Grupo Fluxus, happenings dos anos 60, uma das poucas mulheres que participaram desses movimentos, Yoko Ono continua questionando de forma decisiva o conceito de arte e do objeto de arte, derrubando esses limites. Foi uma das pioneiras a incluir o espectador no processo criativo, convidando-o a desempenhar um papel ativo em sua obra.

 

Esta exposição, patrocinada pelo Bradesco e Instituto CCR, foi concebida especialmente para o Instituto Tomie Ohtake, Pinheiros, São Paulo, SP, é formada por 65 peças de “Instruções”, que justamente evocam a participação do espectador para sua realização. São trabalhos que sublinham os princípios norteadores da produção da artista, ao questionar a ideia por trás de uma obra, destacando a sua efemeridade enquanto a dessacraliza como objeto.

 

O curador ressalta que “O CÉU AINDA É AZUL, VOCÊ SABE…”, uma retrospectiva de “Instruções”, evidencia as narrativas que expressam a visão poética e crítica de Yoko Ono. São trabalhos criados a partir de 1955, quando ela compôs a sua primeira obra instrução, “Lighting Piece” (Peça de Acender), “acenda um fósforo e assista até que se apague”. Na exposição, é possível seguir a sua criatividade e produção artística pelos anos 60, 70, 80, até o presente.

 

As “Instruções” de Yoko Ono, conforme o curador do Instituto Tomie Ohtake, Paulo Miyada, oscilam entre sugestões tão sucintas e abertas que se realizam tão logo são lidas, como “Respire”, de 1966; “Sonhe”, de 1964; “Sinta”, de 1963; “Imagine”, de 1962; ou em uma sequência de ações realizáveis por qualquer um que se dedique a isso, como “Pintura para apertar as mãos (pintura para covardes)”, de 1961; “fure uma tela, coloque a sua mão através do buraco , aperte as mãos e converse usando as mãos”; “Peça de Toque” de 1963; “toquem uns aos outros”; “Mapa Imagine a Paz”, de 2003; “ peça o carimbo e cubra o mundo de paz”. Há também as sugestões aplicáveis apenas no campo mental, poético ou imaginário, como “Peça do Sol”, de 1962; “observe o Sol até ele ficar quadrado”; “Capacetes-Pedaço de Céu”, de 2001/2008; “pegue um pedaço de céu, saiba que todos somos parte um do outro”; “Peça para Limpar III”, de 1996 e “tente não dizer nada negativo sobre ninguém, por três dias, por 45 dias, por três meses”.

 

Já as proposições como “Mamãe é linda”, de 1997; “escreva suas memórias sobre a sua mãe”; “Emergir”, de 2013/2017; “faça um depoimento de alguma violência que tenha sentido como mulher”; e “Árvore dos Pedidos para o mundo”, de 2016; “faça um pedido e peça à arvore que envie seus pedidos a todas as árvores do mundo”, são casos, como ressalta Miyada, que ao mesmo tempo antecipam e catalisam o poder atuais dos depoimentos pessoais multiplicados pelas redes. Nessas peças a artista solicita do público as suas histórias e faz de sua obra um algoritmo que os processa, publica e armazena.

 

Entre as obras da exposição há uma série de filmes, dois dos quais com a participação de John Lennon na concepção. Em “Estupro”, 77 min, de 1969, o músico foi codiretor e em “Liberdade”, de 1970, de apenas um minuto, assina a trilha sonora. Também registrada em filme presente na mostra, “Peça Corte”, 16min, de 1965, traz a icônica performance da artista realizada no Carnegie Hall, em 1964, em Nova Iorque, na qual o público pôde cortar um pedaço de sua roupa e levar consigo.

 

 

Até 28 de maio.

Acervo do MASP no Rio

09/fev

Exposição leva acervo do MASP, o maior da América Latina, ao CCBB do Rio de Janeiro, de Belo Horizonte e Brasília; parceria entre as instituições tem patrocínio do Grupo Segurador Banco do Brasil e Mapfre.

 

Ao longo da História da Arte, a representação da figura humana foi um meio de demonstração de poder do Clero e da aristocracia, da adoração de deuses e santos, da mimetização do real, da transformação da sociedade e da própria arte nos séculos 19 e 20. É esta diversidade de formas de representação que a mostra “ENTRE NÓS – A figura humana no acervo do MASP” apresenta ao público carioca, reunindo mais de 100 obras do maior acervo de arte da América Latina. A exposição tem curadoria de Rodrigo Moura e Luciano Migliaccio, da equipe de curadores do MASP, e traz obras dos maiores nomes da arte mundial como Rafael, Goya, Modigliani, Van Gogh, Picasso, Degas- e da arte brasileira: Almeida Júnior, Anita Malfatti, Portinari, Segall e Brecheret, entre outros tantos. Abrangendo um arco histórico que se inicia entre os anos 900-1200 D.C., com as peças pré-colombianas, e vai até os dias de hoje, estabelecendo um recorte cronológico e um diálogo entre as distintas formas de representação e culturas, a exposição abre com peças do acervo que reúnem as mimetizações do sagrado na arte da Europa Medieval, da África e da América pré-colombiana, compondo um diálogo entre os diferentes eixos da coleção do MASP.

 

Da Europa pré-renascentista, a mostra traz a “Nossa Senhora com o Menino” (1310-20), um dos motivos mais presentes na arte do período, esta atribuída ao Maestro de San Martino alla Palma, e Cristo Morto (1480-1500), de Niccoló di Liberatore dito l’Alunno. O jovem Rafael apresenta seu domínio da perspectiva e dos recursos compositivos e narrativos que o fez se destacar entre os artistas de seu tempo com “Ressurreição de Cristo” (1499-1502). As obras estão em diálogo com a escultura “Sant’Ana e a Virgem criança”, criada no século XVIII por um escultor baiano desconhecido, e esculturas da divindade Yorubá, presente em tribos da região do Congo e da Nigéria.

 

O Renascimento é o momento em que a pintura se volta para a busca da do humano na construção de um caráter exemplar, inserido no contexto histórico. Na mostra, esse novo tempo está representado nas obras de artistas holandeses como “Oficial Sentado”, 1631, de Frans Hals, e “Retrato de um desconhecido”, (1638-40), de Anton Van Dyck, obra inspirada na estética de Tizziano, que traz a representação de um ideal individual de nobreza por meio da figura de um melancólico aristocrata inglês.

 

O pintor e gravador espanhol Francisco Goya y Lucientes está presente com” Retrato da condessa de Casa Flores” (1790-1797) em diálogo com “A educação faz tudo” (1775-1780), do francês Jean-Honoré Fragonard. As obras, em composição com dois dos principais nomes da pintura acadêmica brasileira do século 19,“Interior com menina que lê” (1876-1886), de Henrique Bernardelli, e “O pintor Belmiro de Almeida” (século 19), de José Ferraz de Almeida Junior – evocam o surgimento do Iluminismo europeu e a busca por um ideal civilizatório brasileiro durante o Segundo Reinado.

 

A partir dos séculos 19 e 20, a mimetização do humano é o meio pelo qual se trabalham a sensibilidade da cor e da forma, explorando a experiência plástica, como na “Rosa e azul – As meninas Cahen d´Anvers” (1881), de Pierre-Auguste-Renoir, e “O negro Cipião” (1866-1868), de Paul Cézanne, obra que sintetiza os aspectos da pintura moderna.

 

“Nus” (1919), da pintora francesa Suzanne Valadon, tem como referência a concepção da cor puramente decorativa do pós-impressionismo e de Matisse para expressar o desejo de liberdade e comunhão com a natureza como ideal feminino.

 

Pablo Picasso, com “Busto de homem” -(O atleta), 1909, questiona de maneira provocadora os gêneros e limites da tradição pictórica com a figura de um lutador- provavelmente publicada em jornal. Com o formato de um busto, típico da tradição heroica comemorativa, o caráter do personagem em questão é definido a partir de volumes e texturas, como nas culturas grega e africana, que serviram de influência para todos os movimentos artísticos do início do século 20.

 

Desta época, a mostra traz, ainda, obras emblemáticas de Vincent Van Gogh, “A arlesiana” (1890); Paul Gauguin, “Pobre pescador” (1896); Pierre Bonnard, “Nu feminino” (1930-1933); Amadeo Modigliani, com “Retrato de Leopold Zborowski” (1916-1919), e uma série de esculturas de Edgar Degas que mostram a evolução dos movimentos de uma bailarina –“Bailarina que calça sapatilha direita” (1919-1932), “Bailarina descansando com as mãos nos quadris e a perna direita para a frente” (1919-1932) e o feminino, como em “Mulher grávida” (1919-1932) e “Mulher saindo da banheira” (fragmento), 1919-1932.

 

O Modernismo é o momento da instituição de uma nova identidade nacional, por meio do abandono do academicismo que marcou a arte brasileira no período do Império e da Primeira República até 1922, da exploração de novas temáticas, que buscam a composição do caráter nacional, e de técnicas artísticas.

 

Nas obras de Carlos Prado, “Varredores de rua” (Os garis), 1935, Roberto Burle Marx, “Fuzileiro naval” (1938) e “Vendedora de flores” (1947), obra doada ao museu durante a SP-Arte/2015, estão narradas à realidade do povo diante das injustiças do país, assim como Candido Portinari, com “São Francisco” (1941) e Maria Auxiliadora da Silva, com “Capoeira” (1970), que narram traços da cultura popular brasileira.Nomes referenciais do movimento trazem retratos de figuras importantes do mesmo. É o caso do “Retrato de Tarsila”, de Anita Malfatti, e o “Retrato de Assis Chateaubriand”, criador do MASP, por Flávio de Carvalho.

 

As marcas dos intensos conflitos sociais e políticos do início do século 20 estão nas obras do pintor e muralista mexicano Diego Rivera, “O carregador” (Las Ilusiones), 1944, e “Guerra” (1942), de Lasar Segall, imigrante judeu da Lituânia que se muda para o Brasil no início do século 20. Como é o caso também do pintor ítalo-alemão Ernesto de Fiori, que deixa a Alemanha fugindo da repressão nazista e se torna um nome influente do modernismo brasileiro dos anos 1930 e 1940. Do artista, a mostra apresenta a obra “Duas amigas” (1943).Um dos artistas mais importantes do modernismo brasileiro, o escultor de origem italiana Victor Brecheret, criador do “Monumento às Bandeiras”, marco das celebrações do quarto centenário da cidade de São Paulo, está representado por seu “Autorretrato” (1940).

 

A criação de um acervo fotográfico também tem sido uma constante na história do museu, que as sistematizou, entre 1991 e 2012, por meio das doações da coleção Pirelli MASP, com trabalhos de fotógrafos brasileiros ou que possuam ligações com o Brasil. É o caso da fotógrafa de origem suíça Claudia Andujar, cuja série “Yanomami” (1974), feita a partir de longos períodos de imersão nesta cultura indígena, dialoga na mostra com a fotografia de João Musa, Barbara Wagner, Miguel Rio Branco e Luiz Braga.Movimento fundamental para a elevação da fotografia à categoria de arte, o Foto Cine Clube Bandeirante, fundado em 1939, fomentou e divulgou a obra de autores como Geraldo de Barros, “Menina do leite” (1946), e Antonio Ferreira Filho, “Naquele tempo…” (sem data).

 

Os desenhos de Albino Braz, parte do núcleo de 102 obras doadas ao MASP em 1974 pelo psiquiatra Osório César, foram realizados por pacientes do Hospital Psiquiátrico do Juquery, no contexto da Escola Livre de Artes Plásticas. Outrora consideradas “arte dos alienados”, essas obras foram reclassificadas e, enquanto arte brasileira, receberam sua primeira exposição no Museu em “Histórias da Loucura: Desenhos do Juquery”.

 

Artistas contemporâneas também integram a mostra, reforçando o caráter do museu em estar aberto a novas mídias, suportes e linguagens da arte. Uma sala apresenta o vídeo “Nada É” (2014), do artista Yuri Firmeza. Pertencente à série “Ruínas”, o vídeo mostra diferentes momentos da história da cidade de Alcântara, no Maranhão, e a documentação da “Festa do Divino”. Trabalho (2013-16), de Thiago Honório, é uma instalação que se apropria de ferramentas recebidas como presente de operários durante a reforma de um espaço no qual o artista participava de uma residência artística, transformando-as em esculturas que metaforizam o corpo dos trabalhadores.A mostra se encerra com a instalação de Nelson Leirner, “Adoração” (Altar para Roberto Carlos), 1966, que remete a uma nova forma de sagrado nos dias de hoje.

 

 

 

De 08 de fevereiro a 10 de abril.

 

Diálogo estético/cultural em Paris

28/out

 

Dezoito artistas plásticos de diversas nacionalidades unem seus discursos estéticos em uma única cidade: Paris. Temas essenciais serão tantas vezes recontados sob o prisma da pluralidade cultural, estética e de suportes. Essa é uma das propostas de “La Beauté d’Un Tout”, exibição coletiva na Galerie de Nesle, Odéon/Pont Neuf. Em uma realidade em que coexistem tanta diversidade e tanta intolerância, o projeto promove, com muita beleza e sensibilidade, uma releitura mais harmônica das relações sociais.

 

Único artista brasileiro do grupo, Eduardo Sampaio participa da iniciativa com sua obra inédita “A Fé do Pescador”, inspirado nos versos das canções de Dorival Caymmi, levando ao projeto, mais do que uma estética, a musicalidade nacional. Apaixonado confesso pela figura humana, ele coloca a figura humana no centro de seu processo criativo.“A figura humana é uma fonte inesgotável de interpretações e beleza”, sintetiza Sampaio, que aceita pela segunda vez o convite para participar da iniciativa.

 

Com curadoria da Agapé Art, também integram o grupo Songmae An, Tzu-Fang Chen, Yi-Chun Chen, Eva Helmlinger, Didier Heslon, Donna Heslon, Sophie Eun Sun Huh, Young Suk Kum, Wilfrid Minatchy, Junseok Mo, Primavera, Claire Rousseau, Suzy Schlie, Myriam Schott, Yu-Hua Shen, Luwalhati Vergara e Cheng-Ying Wan.

 

 
A partir de 05 de novembro.

Gaudí no Brasil

25/out

O Museu de Arte de Santa Catarina, Masc, Florianópolis, tornou-se a primeira cidade do país a receber a exposição “Gaudí, Barcelona 1900”, do arquiteto catalão Antoni Gaudí. A exposição conta com patrocínio da Arteris, com apoio do Governo do Estado de Santa Catarina, por meio da Secretaria de Turismo, Cultura e Esporte (SOL) e da Fundação Catarinense de Cultura (FCC).

 

 

Curadores destacam processos construtivos dos projetos de Gaudí

 

Os curadores da exposição, Raimon Ramis e Pepe Serra Villalba, destacam os processos construtivos dos projetos de Gaudí por meio de modelos tridimensionais que ressaltam detalhes de sua arquitetura. No design, móveis e objetos, que vão de maçanetas de metal a peças em cerâmica e madeira, mostram como a criação artesanal conseguiu fundamentar a indústria. O conjunto das obras reunidas do consagrado arquiteto catalão testemunha a invenção de uma original geometria, calculada a partir da observação e estudo dos movimentos da natureza. Com este princípio racionalista protagonizado pelo orgânico, Gaudí instaura uma estética moderna única que marcou definitivamente a cidade de Barcelona.

 

Para ilustrar ainda mais a potência de um período em que a capital da Catalunha surge como projeto moderno de cidade, os curadores selecionaram 26 trabalhos entre objetos e elementos decorativos concebidos pelos chamados ensembliers(artesãos de alto nível), além de 16 pinturas. São artistas contemporâneos a Gaudí, que desenvolveram suas obras conforme os preceitos do modernismo catalão. Entre eles destacam-se os pintores Ramón Casas e Santiago Rusiñol, e ensembliers como Gaspar Homar ou Joan Busquets, que decoraram e mobiliaram as casas da burguesia catalã do período.

 

Trata-se da mesma burguesia que colaborou para a inovação e processo de integração entre urbanismo, arquitetura, arte, design e indústria, atuando como mecenas dessa importante geração de artistas e artesãos que configuraram um dos movimentos mais férteis e representativos da cultura catalã. “Um momento em que foram construídos os fundamentos culturais da Catalunha atual, em que o processo industrial, o lado íntimo, o momento, o acaso, a mecanização, entre outros, vão ganhando espaço, e a atividade artística vai se abrindo a novas propostas”, explicam os curadores. Neste panorama, sugere ainda a dupla, a obra de Gaudí condensa o debate técnico, estético, ideológico e social da virada do século.

 

A exposição “Gaudí, Barcelona 1900” reúne 71 obras do mestre catalão, sendo 46 maquetes (quatro delas em escalas monumentais) e 25 peças entre objetos e mobiliário. Completam a mostra mais 42 trabalhos de outros artistas e artesãos de Barcelona, produzidos nos anos 1900. Os trabalhos expostos procedem do Museu Nacional de Arte da Catalunha, Museu do Templo Expiatório da Sagrada Família e da Fundação Catalunya-La Pedrera, Gaudí.

 

 

 

Até 30 de outubro.

Mondrian/De Stjil no CCBB/Rio

19/out

“Mondrian e o Movimento De Stjil”, é o cartaz atual do CCBB, Centro, Rio de Janeiro, RJ, trata-se de uma mostra panorâmica que apresenta pinturas, desenhos de arquitetura, maquetes, mobiliário, documentários, publicações de época e fotografias do grupo de artistas que criaram o movimento da vanguarda moderna holandesa, De Stijl, iniciado como revista em 1917. O ícone do movimento é o pintor Piet Mondrian. Esses artistas elaboraram um tipo de “arte total”, usando cores primárias para criar obras sem restrições, claras e limpas, de acordo como que eles imaginavam que seria o futuro. A exposição mostra também o percurso de Mondrian da figuração à abstração. O acervo foi cedido pelo Museu Municipal de Haia.O movimento que foi uma reação às atrocidades da I Guerra Mundial, procurou formas de mudar o mundo através da arte. Designers, arquitetos e artistas plásticos uniram forças, em 1917, para lançar a revista De Stijl (O Estilo), uma publicação, em preto e branco, com apenas 1 000 exemplares. Trinta obras de Mondrian serão expostas na mostra, ao lado de trabalhos de setenta de seus contemporâneos, no maior acervo do gênero já exibido na América Latina. “Vieram trabalhos de fases pouco conhecidas, mas repletas de obras-primas. Mondrian sempre esteve em busca de uma linguagem que priorizasse o essencial e teve uma longa carreira, cheia de influências, antes de se encontrar no Stijl”, diz o curador Pieter Tjabbes.

 

 

Até 09 de janeiro de 2017.