Obras inéditas de Anna Maria Maiolino.

30/jul

No dia 08 de agosto, a galeria Luisa Strina, Jardins, São Paulo, SP, abre a exposição “Presença”, com cerca de 25 obras inéditas da artista ítalo-brasileira Anna Maria Maiolino, uma das mais influentes no cenário contemporâneo. Com texto crítico de Lotte Johnson, curadora do Barbican Centre, em Londres, a mostra, que estará em exibição na Sala 2, apresenta a diversidade da produção da artista e do uso de diferentes técnicas e materiais.

Premiada com o Leão de Ouro pelo conjunto da obra, Anna Maria Maiolino exibe esculturas em cerâmica e vidro, desenhos e telas na mostra “Presença”, que ganhou esse nome justamente pela diversidade de sua produção artística e do uso de diferentes técnicas e materiais.

No espaço, o público encontra desenhos realizados com canetas de tinta permanente, a exemplo da série “Na Noite – No Escuro”; uma obra com seis peças em cerâmica Raku; e um conjunto de pontos e linhas, também em cerâmica Raku, denominado “Na Parede”. Há ainda obras em tinta acrílica sobre chapa de radiografia, como as da série “Marcas na Transparência”. No centro da sala, estarão seis esculturas de vidro – as peças “Do Sopro”, da série “Emanados” – apoiadas sobre estruturas de ferro.

Em “Presença”, as formas-esculturas são e sugerem, em sua maioria, signos. “Elas formam um conjunto expressivo com os pequenos desenhos fixados na parede. As obras criam uma presença física e tangível no espaço e com o espectador”, explica a artista. “Há, aqui, a importância de recuperar a presença, entendida como a dimensão física, material, sensorial e espacial da relação humana com o mundo. Valoriza-se o corpo e seus sentidos, tanto do autor quanto do espectador, como experiência estética.”

Até 19 de setemrbo. 

Ancestralidades atravessam gerações.

29/jul

Gabriel Haddad e Leonardo Bora participam da exposição “De Olhos d’Água ao Rio-Mar: Olímpia abraça o Rio de Janeiro”, na Estação Cultural de Olímpia (ECO). Os artistas levam desenhos e projetos do carnaval carioca para a mostra, que integra o 62º Festival do Folclore de Olímpia (FEFOL), em São Paulo. A mostra é realizada pela Prefeitura da Estância Turística de Olímpia, por meio da Secretaria de Cultura e Defesa do Folclore.

Reconhecida nacionalmente como a Capital Nacional do Folclore, Olímpia fortalece, por meio da exposição, a sua missão de incentivar o intercâmbio cultural e ampliar o acesso da população ao patrimônio imaterial brasileiro. Entre as águas do noroeste paulista e o mar carioca, a mostra propõe uma viagem por memórias, saberes e manifestações culturais que aproximam a história de Olímpia e do Estado do Rio de Janeiro. A exposição reúne objetos, fotografias, indumentárias, pinturas, registros audiovisuais e depoimentos que revelam a riqueza das manifestações populares dos dois territórios. O percurso expositivo evidencia como diferentes expressões culturais dialogam entre si, compartilhando valores, ancestralidades e identidades que atravessam gerações.

Até 31 de março de 2027.

A assinatura visual criativa de Daisy Xavier.

27/jul

A Galeria Maneco Müller : Multiplo, Leblon, Rio de Janeiro, RJ, abre a mostra “ANFI”, com uma série recente e inédita de obras de artista Daisy Xavier.

Nos trabalhos, a artista explora a imagem das redes, simbologia recorrente em sua produção, dessa vez em pinturas e desenhos de grande escala, num dos momentos mais representativos da sua trajetória de 40 anos na arte visual. Sobre telas de linho cru ou papel branco, linhas enérgicas se cruzam e se conectam por meio de ganchos, formando redes intrincadas, que desafiam o olhar e parecem extrapolar os limites do quadro.

“A rede ao mesmo tempo que cria uma barreira e divide o espaço, permite ver o que está do outro lado, é permeável. Esse entrelaçamento, essa permeabilidade de fronteiras é o que me interessa”, diz a artista, que batizou a mostra de “ANFI”, prefixo grego que significa “em torno”, “ao redor” ou “duplicidade/de ambos os lados”.

“É a primeira individual de Daisy Xavier na galeria e tivemos a alegria de reunir um conjunto de trabalhos inéditos de grande força poética, com a assinatura visual criativa da artista”, finaliza Stella Ramos, sócia do espaço ao lado de Maneco Müller.

Até 04 de setembro.

Universalismo construtivo.

17/jul

O Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte recebe a exposição “Joaquín Torres García – 150 anos”, considerada a mais abrangente já realizada no Brasil sobre um dos principais nomes da arte moderna latino-americana. A mostra fica em cartaz até 12 de outubro.

Idealizada pelo curador Saulo di Tarso, com a colaboração do Museo Torres García, a mostra reúne mais de 400 obras, entre pinturas, desenhos, objetos, manuscritos e documentos históricos. Também integra a exposição a produção de mais de uma centena de artistas brasileiros e estrangeiros que estabelecem diálogos com o legado do artista uruguaio.

Em Belo Horizonte, a montagem incorpora obras inéditas de artistas como Advânio Lessa e Randolpho Lamonier, reforçando a relação entre a produção regional e o pensamento de Torres García. “Cada cidade transforma a exposição em uma experiência diferente. Em Belo Horizonte, buscamos evidenciar as conexões entre o pensamento de Torres García, a arte popular e a cultura mineira, mostrando como sua obra continua dialogando com questões de identidade, pertencimento e criação coletiva. O Sul, para ele, nunca foi apenas um lugar no mapa, mas uma forma de compreender o mundo”, afirma. A etapa mineira também apresenta um percurso curatorial voltado às relações entre o pensamento do artista, a arte popular e a cultura de Minas Gerais. Entre as novidades estão mapas históricos dos séculos XVII e XVIII de Pieter Goos e Jodocus Hondius, inseridos para ampliar os debates sobre identidade cultural e perspectivas decoloniais.

O percurso também destaca a contribuição de Torres García para aproximar as vanguardas europeias das culturas latino-americanas e evidencia o Universalismo construtivo, escola artística criada por ele e desenvolvida pelo grupo Taller Torres García, cuja influência permanece presente nos debates sobre identidade, pertencimento e autonomia cultural.

Entre as obras em destaque está “América Invertida”, considerada uma das imagens mais emblemáticas da história da arte latino-americana. Raramente exibida fora do Museo Torres García, em Montevidéu, a obra propõe uma mudança de perspectiva sobre o lugar da América Latina no mundo.

Leitura panorâmica.

13/jul

Iran do Espírito Santo realiza expoaição no Instituto Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto, São Paulo, SP, sob curadoria de Fernanda Lopes. 

A primeira exposição de Iran do Espírito Santo em Ribeirão Preto é uma leitura panorâmica das últimas duas décadas de produção do artista. Com quase 30 trabalhos realizados entre 2008 e 2025, “Iran do Espírito Santo: Recorrência” reúne desenhos e esculturas, algumas de caráter instalativo, nos quais objetos comuns como lâmpadas, vinis, latas, globos de luz antigos, conta-gotas, bulbos, tigela, fechadura, porcas e roscas, moedas, fitas, lâminas, pregos e gotas, ganham novos corpos em mármore, granito, aço inoxidável, alumínio, cristal, aquarela, lápis e guache.

O título da exposição faz referência a uma das obras do artista que integram a Coleção Figueiredo Ferraz. Recurrency (1999) foi apresentada pela primeira vez na 48ª Bienal de Veneza, quando Iran integrou a representação brasileira em uma das mais importantes e antigas exposições do mundo. Composta por discos de cobre, latão e aço inoxidável, ela reproduz, em escala ampliada, moedas de diferentes países, na maioria de países europeus, anteriores ao Euro, acumuladas indistintamente pelo artista durante algumas viagens. Inscrições, imagens e valores de troca foram eliminados, retornando esses objetos à sua forma mais básica e abstrata (um círculo ou um cilindro), e, assim, deslocando nossa atenção para a presença física desses objetos, evidenciando peso, volume e materialidade. Além de apontar para dinâmicas monetárias e a ideia de mercadoria no campo da arte, Recurrency chama atenção para uma chave de leitura importante para a obra de Iran do Espírito Santo: a recorrência como método de investigação da realidade.

Para o artista, tudo começa no desenho. É a partir dessa recorrência que se estrutura todo seu pensamento e sua produção. Iran parece desenhar como quem procura alguma coisa, movido pelo desejo de contato. Ele é uma maneira de entender a realidade das coisas cotidianas, uma ferramenta para identificar empiricamente as regras que governam o que está à nossa volta. Aqui, o que é tido como pequeno e prosaico ganha uma espécie de densidade. Iran olha, olha de novo, olha mais uma vez. E a cada volta parece encontrar algo que não tinha percebido antes. São objetos que, quando são colocados em palavra, permanecem sempre os mesmos. Lâmpadas são sempre lâmpadas. Assim como fechaduras, moedas e latas. Mas, quando são dados a ver, reaparecem forçando novas interpretações.

Insistentes, esses objetos são, nas palavras de Iran, como “sonhos recorrentes”. Essas “coisas que se insinuam e que cobram uma maior atenção” em alguns momentos deixam o espaço do papel para ganhar o espaço tridimensional. Aqui, elas têm sua identidade cotidiana suspensa, deixando a funcionalidade de lado para se aproximarem da abstração. Entre o reconhecimento e o estranhamento, essas esculturas convivem com uma curiosa ambiguidade: afirmam seu peso e sua presença física, estabelecendo inclusive outras relações com o espaço ao seu redor, ao mesmo tempo em que parecem quase imateriais, como imagens tornadas sólidas. Os elementos permanecem os mesmos. O que muda é o nosso olhar ou a nossa percepção sobre eles. Revelando uma prática construída pela atenção paciente, Iran do Espírito Santo nos leva a ver não o que estava escondido, mas o que até então passava despercebido.

Fernanda Lopes.

Até 26 de setembro.

Exposição coletiva “Ainda Bem”.

08/jul

A Danielian Galeria, Jardim América, São Paulo, SP, exibiu a exposição coletiva “Ainda Bem”. Vale o registro do evento altamente polêmico em sua análise e  proposta estética. Um alerta para os novos tempos.

 Ainda bem

Em 1900, Manuel Teixeira da Rocha representou uma família observando Paris através da janela. A luz que invade o ambiente requintado – adornado por papel de parede, vasos de flores, brinquedos e mobiliário elegante – ilumina os olhares melancólicos de uma mulher branca e seus três filhos, confinados à domesticidade da vida familiar. Recobertos pelo fausto de suas vestes, os personagens manifestam, de modo silencioso e ambivalente, seu fascínio e apreensão diante da exterioridade que lhes chega sob a forma da paisagem envidraçada da cidade moderna. Trancafiados na segurança solitária de uma residência luxuosa, encenam as condições em torno das quais se constrói esta exposição: as estruturas de um mundo fundado na propriedade, na separação e no privilégio, orientado pela e para a burguesia. A partir da experiência da Danielian Galeria com a arte situada entre o século XIX e início do XX, “Ainda bem” reúne alguns exemplares da pintura burguesa que adquiriu força política e simbólica no referido período. Trata-se de uma combinação entre retrato e pintura de gênero empenhada em consolidar um imaginário da classe urbana então ascendente, que – no Brasil, em especial em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo – buscava representar a si mesma como próspera, refinada e culturalmente vinculada à Europa. Através da sensibilidade habilidosa (e não raro criticamente ambígua) de artistas como Moreau, Amoedo, Papf ou Weingärtner, famílias e personagens burgueses emergem no abastado ambiente de salas, bibliotecas e ateliês, protagonizando uma arte de distinção social que hoje se vê confrontada por outros sujeitos, repertórios e projetos.

Tomamos como pano de fundo a recente emergência de práticas – ou, ao menos, de retóricas – voltadas à equidade de gênero, ao antirracismo, ao enfrentamento das desigualdades sociais e à responsabilidade ambiental, hoje bastante disseminadas pelo chamado mundo das artes. Talvez sintomaticamente, enquanto o planeta arde em guerras, colapsos climáticos e políticas de supremacia racial, em galerias, instituições, feiras, ateliês, coleções e universidades nutre-se a expectativa de que as antigas – e persistentes – tradições elitistas, racistas e patriarcais da arte estariam em crise e, enfim, em vias de dissolução. Portanto, é neste momento de intensificação da sensação de “fim do mundo” que evocamos o imaginário burguês para novamente expor e confrontar suas violências, nas quais a própria arte está implicada. Interessa-nos especular acerca do esgotamento histórico desse modo de organização social e de suas formas artísticas, conjurando a possibilidade de sua desintegração.

“Ainda bem” filia-se à perspectiva autocrítica, irônica e tragicômica de Gustavo Speridião em “Ainda bem” que esse tipo de arte um dia irá acabar (2026) – pintura que, mais do que emprestar seu título, oferece o horizonte político desta exposição – para ensaiar aproximações, tensionamentos, provocações e presságios em torno do colapso da arte tal como hoje a conhecemos. Trata-se de imaginar e construir práticas artísticas que não obedeçam, tampouco se intimidem, diante das prescrições históricas, sociais e ontológicas legadas pela formação burguesa da ideia de arte. Se há traços de cinismo em fazê-lo no seio de uma galeria comercial, ao mesmo tempo é precisamente por estarmos aqui que desejamos fazê-lo, desnaturalizando as relações de distância, contemplação e propriedade através das quais – entre a amedrontada transparência da janela e o olhar fetichista da vitrine – o colecionismo tipicamente burguês vem objetificando e mercantilizando as expressões artísticas, seus sujeitos e mundos.

Ainda bem que um dia acabaremos com tudo isso. Nem que seja com o fim do mundo em si mesmo.

Clarissa Diniz – Curadora

Roda de conversa celebra variedade de gerações.

O Ministério da Cultura e a Fundação Vera Chaves Barcellos convidam o público para o encerramento da mostra “Há pouco?” no próximo sábado, dia 11 de julho, a partir das 14h30, na Sala dos Pomares, Rodovia Tapir Rocha, 8480 – parada 54, Viamão, RS. Integrando o Programa Educativo da exposição, será realizada uma visita mediada, com uma breve apresentação de Bruna Fetter, curadora e diretora cultural da Fundação, seguida da roda de conversa intitulada “Gravura: impressões e outros vestígios”, com as artistas Helena Kanaan, Lurdi Blauth, Maristela Salvatori e Nara Amélia.

Na ocasião, será oferecido transporte para deslocamento de Porto Alegre até Viamão (ida e volta), com saída às 13h30 em frente ao Theatro São Pedro, Praça Mal. Deodoro, no Centro Histórico de Porto Alegre. A inscrição é gratuita (acesse o formulário) e aberta ao público geral. Vagas do ônibus limitadas a 45 participantes.

Em cartaz ao longo do primeiro semestre, “Há pouco?” reúne mais de 90 obras de 94 artistas mulheres e engloba diversas linguagens, como gravura, desenho, fotografia, pintura, arte postal e vídeo. Composta inteiramente por trabalhos pertencentes ao Acervo Artístico da Fundação Vera Chaves Barcellos, a mostra constitui um recorte institucional até então inédito e plural, que celebra a variedade de gerações, saberes, contextos, temáticas, mídias e escalas; O conjunto evidencia a presença de artistas históricas de reconhecimento nacional e internacional, ao mesmo tempo em que destaca a cena artística local

A transparência do vidro.

07/jul

Jean-Michel Othoniel exibe “Poetic Living” até 11 de julho na Casa de Vidro, Morumbi, São Paulo, SP. Ao longo de 40 anos, o artista francês Jean-Michel Othoniel desenvolveu uma prática heterogênea que transita entre desenho, escultura e instalação num crescente dimensional que de maneira extremamente hábil nunca se distancia totalmente do diálogo íntimo com a natureza e a arquitetura. A escala que hora reverencia o “homem artesão” e hora se volta ao cosmos absoluto se manifesta de modo colaborativo em que saberes se mesclam e se materializam em “jóias escultóricas”.

Trata-se de uma fusão de conhecimentos, técnicas e intenções antropológicas que alicerçam a própria arquitetura de Lina Bo Bardi – uma soma de vivências e posicionamento crítico que tornam seus edifícios abrigos de ideias brutalmente honestas. Para ambos, a construção se soma ao objeto em si na consagração de sua clareza simbólica, um método que o artista define como “geometria emocional”.

Para ele, esse sentimento se traduz de maneira mais clara a partir de 1993, quando  inicia sua parceria com mestres artesãos de Murano e explora as possibilidades técnicas, a sutileza das cores e a transparência do vidro para expressar um estado de encantamento com o mundo. Formas simples como cubos e esferas se organizam em correntes e empilhamentos que põe em perspectiva a nossa distorcida noção espacial – micro arquiteturas feitas de tijolos de vidro aterram nosso olhar enquanto enormes colares ornam algo maior; uma natureza quase imensurável.

Uma relação de proporcionalidade que fundamenta a própria intenção de Lina com a Casa de Vidro – a arquitetura que pousa delicadamente no terreno e reverencia a paisagem; amplos planos envidraçados que incorporam a mata à arquitetura moderna; o piso azul em pastilha de vidro que expande o céu e ilumina os interiores. Interiores esses marcados pela fusão simbólica entre o pragmático, o sagrado e o popular da dinâmica intelectual entre Lina Bo e Pietro Maria Bard

Esses paralelos improváveis se alinham numa feliz coincidência para a exposição “Poetic Living” acontecer no Instituto Bardi/ Casa de Vidro justamente quando se comemoram os 75 anos de sua construção. As obras de Jean-Michel Othoniel refletem em seu brilho um emaranhado de soluções e memórias aqui presentes enquanto expandem a própria experiência do visitante, através da reabertura do caminho para o ateliê de Lina (depois de anos fechados para os visitantes), pelo qual poderão ser conferidas as inéditas “Liseron”, em aço inoxidável, e uma série de luminárias em vidro Murano na mesma linha dos vasos solitários que já dentro da Casa dialogam com o próprio acervo histórico do Bardi.   

Entre outras criações inéditas estão a instalação “Tribute easels to Lina Bo Bardi” – um conjunto de 5 cavaletes inspirados pela icônica solução para o Masp, construídos com blocos de vidro soprados a mão e sobre os quais “flutuam” aquarelas que retratam as flores do próprio jardim.

Bem como uma enorme escultura da série “Mirror Necklace”, em inox e folha de ouro, debruçada sobre a árvore no vão central da sala, no coração da Casa. Completam a mostra um conjunto de tamboretes “Midnight Souls”, distribuídos pelos interiores em harmonia com o acervo permanente de móveis e arte, como uma evolução natural dessa coleção construída ao longo de 40 anos de convívio do casal.

Bruno Simões.

Sobre o artista.

Jean-Michel Othoniel (Saint-Étienne, França, 1964) é um dos grandes nomes da arte contemporânea internacional, graduado pela École Nationale Supérieure d’Arts, na França, e com formação na Villa Medici, na Itália. Suas esculturas, em diálogo com dimensões arquitetônicas, operam uma geometria monumental. Esculpe peças que se assemelham a joias, tanto pelo aspecto formal, quanto pelo preciosismo dos materiais, que vão de contas a tijolos de vidro de Murano soprado. Suas formas contemplativas navegam pelos reinos paradoxais da monumentalidade e delicadeza, do ornamento e do minimalismo. Com mais de 100 exposições individuais ao redor do mundo, além de centenas de exposições coletivas, Jean-Michel Othoniel foi amplamente premiado, com destaque para a distinção de Cavaleiro da Ordem de Artes e Letras da França. Suas obras integram importantes coleções internacionais como, o Centre Pompidou, a Fondation Cartier pour l’art contemporain, em Paris; o Musée National d’Art Moderne de Paris; o Musée d’Art Moderne de la Ville de Paris, o Brooklyn Museum, em Nova York; o Museum of Glass, em Tacoma; a Peggy Guggenheim Collection, em Veneza; o Museum of Contemporary Art (MoCA), Mi

A arte entre o sagrado e o profano.

03/jul

Evandro Carneiro Arte, Gávea, Rio de Janeiro, RJ,  apresenta de 08 a 31 de julho, a exposição “Pérola Bonfanti: a arte entre o sagrado e o profano”. Nessa mostra, a Galeria Evandro Carneiro Arte apresenta 46 trabalhos da artista, entre desenhos, pinturas, gravuras e objetos, além de uma obra a ser performada no dia 17 de julho, às 19h.

Exposição Pérola Bonfanti

Pérola Bonfanti nasceu em 1983, no Rio de Janeiro, em berço iluminado: num encontro da arte com a psicanálise. Filha do artista Gianguido Bonfanti, professor da Escola de Artes Visuais do Parque Lage e da psicanalista Marisa Maia, suas referências transitaram entre os mestres das artes e os símbolos do inconsciente humano. As travessias entre o sensível e o intangível – conceitos tão essenciais na obra de Pérola – sempre estiveram presentes em sua trajetória e formação.

Multitalentosa, graduou-se em Música Popular Brasileira na Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 2009. Pérola é expressão tangível de uma voz sagrada; quem a escuta cantar percebe esse dom. Um som que transcende a música e se expressa igualmente em seus desenhos e pinturas. Desde 2001, frequentou alguns cursos livres da EAV / Parque Lage, aprimorando a sua formação artística, até chegar a ser monitora do Programa Fundamentação, patrocinado pela Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro, em 2012, quando desenvolveu sua pesquisa artística com tanta propriedade que transcendeu os muros da Escola e foi pintar na rua, com o coletivo Flutuarte, superando limites espaciais e estruturais como os de classes sociais e os de suporte físico.

Deslocou-se um pouco mais no espaço e passou dois anos em Nova York (2012-2014), especializando os seus estudos de arte urbana, com a sua temática mítica, agora simbolicamente transfigurada no jogo, como metodologia lúdica em que o tabuleiro era a própria cidade. Participou da Free Art Society, organização sediada no East Village focada em democratizar o acesso às artes, promovendo projetos multimídia em espaços públicos, como fizera anteriormente no Rio. A partir deste trabalho, foi convidada a realizar em Viena a exposição Quatro Aces que itinerou pelo Museu Albertina e depois Museu de História da Arte (Hofburg), Tesouro Nacional, dentre outras instituições. O projeto obteve tanto sucesso que, como resultado, além de apresentar a instalação, a artista lecionou palestras e workshops na Alemanha, no Gamification Lab da Universidade Leuphana, ao sul de Hamburgo. Por meio da eletronic art, Pérola ampliou para o virtual a sua concepção espaço-temporal, já extensa e lúdica.

Pérola Bonfanti realizou exposições individuais nas galerias DialogArt (Viena), Wozen (Lisboa), Fornaciai Gallery (Florença), Galeria da Praça e Espaço Alienista (Rio de Janeiro), e participou de coletivas em instituições como o MARCO – Museu de Arte Contemporânea de Mato Grosso do Sul, o Centro Cultural dos Correios, o Centro Cultural da Justiça Federal e, em 2026, da exposição O Que Insiste em Viver, no bar conceitual Miolo (Rio de Janeiro).

Laura Olivieri Carneiro

Livro e exposição de Marina Saleme.

26/jun

A exposição “Ralo”, individual de Marina Saleme, na galeria Luisa Strina, Cerqueira Cesar, São Paulo, SP, apresenta mais de 20 pinturas inéditas em diferentes dimensões, acompanhadas de texto crítico de Galciani Neves. Na mesma ocasião, a Act Arte lança “Marina Saleme”, publicação que traça um amplo panorama da trajetória artística de Marina Saleme. O livro, organizado pela própria artista, reúne pinturas, desenhos e trabalhos que atravessam distintos momentos de sua produção e conta com textos críticos de Ana Maria Belluzzo, Felipe Scovino e Tadeu Chiarelli.

Contemplação do ato de desaparecer

Nas mais de 20 obras que compõem “Ralo”, Marina Saleme mostra que segue movida pelo gesto de descobrir a cor na superfície da tela, deixando-se conduzir pelo processo de elaborar o que a pintura pode ser enquanto pinta, e motivada pelo desejo de se surpreender com os novos desafios de linguagem e de experimentação diante da tela. Por meio de rios, mares, céus e rochas, que se entrecruzam e se unificam, a artista reflete sobre um derretimento do mundo, como se tudo o que está sobre a terra tivesse um destino, um fluxo, uma impermanência, um tempo linear irreversível, que desemboca em um ralo, no ato de escoar.

De acordo com Galciani Neves, que assina o texto crítico da exposição, “Ralo” narra o pensamento de Marina Saleme, que se embrenha entre suas pinturas a partir de um tempo que não cessa, não pausa, e que se esvai como uma espécie de durante sempre fugidio.

Trajetória da artista em mais de 200 páginas

Por ocasião da abertura da mostra, a Act Arte – casa editorial sob direção de Fernando Ticoulat – lança o livro monográfico “Marina Saleme”, que, ao longo de mais de 200 páginas, apresenta um panorama da produção da artista, destacando mais de três décadas dedicadas à pintura e à fotografia. O livro evidencia como, entre atmosferas de silêncio, melancolia e suspensão, Marina Saleme trabalha com a instabilidade das imagens: formas revelam-se ao mesmo tempo em que são ocultadas por camadas de tinta, véus de cor e rastros de matéria.

Temas como fragilidade, incerteza, dissolução e aparição – seja em paisagens fantasmagóricas, figuras esfaceladas ou cenas cotidianas que se tornam enigma – são foco de ensaios críticos de Felipe Scovino, Ana Maria Belluzzo e Tadeu Chiarelli, que contextualizam a pesquisa da artista no campo da pintura contemporânea brasileira, analisando sua relação com o neoexpressionismo dos anos 1980, sua passagem por experimentações matéricas nos anos 1990 e sua expansão para a fotografia nas séries dos anos 2000 e 2010. Ao longo do livro, imagens de obras, séries e detalhes de pinturas revelam um fazer artístico guiado pela intuição, pelo tempo e pelo mistério.

A publicação, editada por Yasmin Abdalla, Paula Nunes e Marina Dias Teixeira, e  publicada pela Act Arte, é uma realização do Ministério da Cultura e conta com patrocínio do Itaú, apoio de Marina Saleme Estamparia e apoio institucional da galeria Luisa Strina.

Até 25 de julho.