Tarsila em NY

08/fev

A exposição “Tarsila do Amaral: Inventing Modern Art in Brazil”, cumprirá temporada no Museu de Arte Moderna de Nova Yorque, MoMA, de 11 de janeiro a 03 de julho.

Tarsila do Amaral (1886-1973) foi uma das figuras centrais no desenvolvimento da arte moderna do Brasil, e sua influência reverbera em toda a arte do século XX e XXI. Embora relativamente pouco conhecida fora da América Latina, suas pinturas e desenhos refletem suas ambições para sintetizar as correntes da arte de vanguarda e criar uma arte moderna original para seu país de origem. “Tarsila do Amaral: Inventing Modern Art in Brazil”, é a primeira grande exposição de um museu na América do Norte dedicada a artista. A mostra, enfoca seu trabalho na década de 1920, quando viajou entre São Paulo e Paris, participando da vida criativa e social de ambas as cidades e forjando seu próprio estilo artístico, único.
A exposição começa em Paris com o que Tarsila, como ela é carinhosamente conhecida no Brasil, chamou seu serviço militar no cubismo. Seu rico envolvimento com o modernismo europeu incluiu associações com os artistas Fernand Léger e Constantin Brancusi, o marchand Ambroise Vollard e o poeta Blaise Cendrars. A apresentação segue suas viagens ao Rio de Janeiro e às cidades coloniais de Minas Gerais e mostra seu papel crescente e vital na cena artística emergente do Brasil e com sua comunidade de artistas e escritores, incluindo os poetas Oswald de Andrade e Mário de Andrade. Foi durante esse período que Tarsila começou a combinar a linguagem visual do modernismo com os temas e a paleta de sua pátria para produzir uma arte moderna fresca e única, brasileira.

 

A exposição celebra as obras mais ousadas de Tarsila e seu papel na fundação da Antropofagia – movimento de arte que promoveu a idéia de devorar, digerir e transformar as influências européias e outras artísticas para tornar algo completamente novo. As contribuições de Tarsila incluem o marco de 1928, o Abaporu, que foi a inspiração para o Manifesto Antropofágico e serviu como um emblema para o movimento. Apresentando mais de 120 pinturas, desenhos e documentos históricos relacionados à artista, “Tarsila do Amaral: Inventing Modern Art in Brazil” é uma rara oportunidade de conhecer o trabalho da artista, situado, principalmente, em coleções brasileiras.

Individual na SIM, Curitiba

06/fev

Willian Santos, artista nascido e residente de Curitiba, PR, traz para sua primeira individual na SIM Galeria, o intrincamento entre encontros e re encontros com formas nativas de seu universo íntimo e de uma cronologia pictórica universal. Em “Recôndito Plasmado”, as pinturas, desenhos, objetos e esculturas do artista têm em comum a aura enigmática promovida por uma figuração inacabada, que se desmancha e se dilata, e que deixa sua catástase a cargo do público.

 

A partir da visitação à sua pesquisa da última década, o artista flagrou-se em uma recorrência imagética que transborda por toda a presente exibição, mas que ali se apresenta com o desafio plástico próprio do processo criativo de Willian Santos. Como, por exemplo, em suas grandes esculturas em fibra – material inédito em sua produção – em desenhos e pinturas. É justamente por saber do papel das relações inconscientes e individuais na elaboração e apreensão da linguagem artística que Willian Santos prima pela relação de presença e experiência do observador quando materializa sua obra. Fazendo-se, assim, essencial o encontro presencial do observador com seu trabalho para que as múltiplas relações sugeridas por suas obras, se materializem.

 

 

Sobre o artista

 

Willian formou-se em Artes Visuais com Ênfase em Computação pela Universidade Tuiuti do Paraná em 2009. Suas primeiras mostras individuais aconteceram em 2011, com a exposição “Campo Dilatado”, no SESC da Esquina, Curitiba-PR e em 2012 com as exposições “Desenhos”, no Museu de Arte de Joinville, e “Imanência”, na Finnacena Escritório de Arte – Curitiba-PR. A mais recente exposição do artista, “nem todo líquido se desmancha em ar” aconteceu na Galeria Casa da Imagem, em Curitiba-PR. Dentre suas muitas participações em mostras coletivas, destacam-se: em 2017, “QUEERMUSEU: Cartografias da diferença na arte brasileira”, no Santander Cultural, Porto Alegre-RS e “PINTURA (diálogo de artistas)”, na Caixa Cultural, Rio de Janeiro-RJ. E em 2016 o “19º Edital de Incentivo à Produção Chico Lisboa”, no Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli – MARGS, Porto Alegre-RS.

 

 

De 23 de janeiro a 03 de março.

Rugendas, imagens do Brasil

24/jan

A CAIXA Cultural, Centro, Rio de Janeiro, RJ, apresenta a exposição “Rugendas, um cronista viajante”, que exibe 50 obras do pintor, desenhista, ilustrador, aquarelista e litógrafo alemão Johann Moritz Rugendas (1802-1858). A curadoria é de Angela Ancora da Luz e o projeto tem patrocínio da Caixa Econômica Federal e o Governo Federal.

 

Rugendas foi um dos mais conhecidos artistas viajantes e, ao lado do francês Jean Baptiste Debret, foi responsável pela divulgação das primeiras imagens do Brasil no exterior. Em sua trajetória, retratou o país durante os anos 1820 com toda a exuberância da natureza e os costumes da população. Era como se Rugendas fosse, dois séculos atrás, um fotógrafo antes da invenção da fotografia.

 

A exposição apresenta um panorama de sua obra com desenhos, aquarelas, litografias e pinturas, divididos em três núcleos: Olhar a terra, com paisagens do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas; Olhar o homem, na qual apresenta cenas da vida cotidiana da população brasileira; e Plantas da terra, que traz estudos da fauna e flora brasileira. Entre as obras reunidas estão presentes 36 originais do famoso álbum Viagem pitoresca através do Brasil (Voyage Pittoresque dans le Brésil), considerado um dos mais importantes documentos iconográficos sobre o Brasil do século 19.

 

Segundo a curadora Angela Ancora da Luz, a importância de se revisitar as obras de Rugendas se dá pela oportunidade de um encontro com o documentarista, que é um dos principais ilustradores do Novo Mundo. “Ele que, possivelmente foi impactado pela natureza exuberante e pela luminosidade de lenta acomodação aos olhos de um europeu, quando participou da Expedição Langsdorff, retorna a partir de suas obras. A exposição objetiva apresentá-las com o olhar de hoje, comprovando que a arte se recria a cada novo olhar, e que nesta dinâmica ela terá sempre propostas e observações atuais a nos acrescentar, como as que serão apresentadas”, comenta Angela.

 

 

Sobre o artista

 

Rugendas chegou ao Brasil em 1821 como documentarista e desenhista da Expedição Langsdorff, que percorreu 16 mil km pelo interior do país com objetivo de constituir um inventário completo do Brasil. Capitaneada pelo barão Georg Heinrich von Langsdorff, médico alemão naturalizado russo, e patrocinada pelo Czar Alexandre I, por D. Pedro I e José Bonifácio, a caravana visava estreitar as relações comerciais com a Rússia.

 

O artista abandonou a expedição em 1824, mas continuou sozinho o registro de tipos, costumes, paisagens, fauna e flora brasileiros. Retornou à Europa no ano seguinte para dedicar-se a produção do luxuoso álbum Voyage Pittoresque dans le Brésil, editado em Paris, 1835, em francês e alemão. A publicação continha 100 obras acompanhadas por textos explicativos.

 

Rugendas ainda retornou Brasil em 1845 e, no Rio de Janeiro, participou das Exposições Gerais de Belas Artes, realizadas pela Academia Imperial de Belas Artes, tornando-se o artista preferido da família Imperial e realizando retratos de seus integrantes.

 

De 28 de janeiro a 11 de março.

Mestre dos Sonhos

09/jan

A CAIXA Cultural, Galeria 1, Centro, Rio de Janeiro, RJ, recebe, de 13 de janeiro a 11 de março, a exposição inédita “Francisco Brennand – Mestre dos Sonhos”, que reúne cerâmicas, pinturas e desenhos criados pelo artista pernambucano aclamado mundialmente por sua arte sincrética, ancestral e extremamente peculiar. O projeto tem patrocínio da Caixa Econômica Federal e do Governo Federal.

 

Com curadoria e projeto expográfico assinados por Rose Lima, a exposição conta com 31 obras do acervo original do artista, criadas em diversas fases da sua carreira. Seus trabalhos evidenciam temas como reprodução, mitologia, sexualidade, fauna e flora, personagens históricos e divindades, tudo permeado por signos da tradição popular do Nordeste, bastante valorizados em suas criações. A mostra reflete parte do universo místico e fantástico criado pelo artista na Oficina Cerâmica Francisco Brennand e no Parque das Esculturas, dois importantes espaços culturais mantidos em Recife (PE) e que reúnem mais de duas mil obras de arte.

 

“O público vai conhecer o homem Brennand e a riqueza da sua arte. A exposição pontuará seu timbre nordestino com referências diversas à sua família, à literatura, às vivências adquiridas e interações com outros artistas como Abelardo da Hora e Cícero Dias, seus tutores, e os amigos de sua geração que se influenciavam mutuamente, como Ariano Suassuna e Lina Bo Bardi”, destaca Rose Lima.

 

Com realização da Via Press Comunicação, a exposição estreou em Salvador, passou pela CAIXA Cultural São Paulo e agora chega ao Rio de Janeiro. Além de oportunizar o público a conhecer a arte de Brennand, a mostra presta homenagem ao trabalho de um dos artistas plásticos mais importantes do país na atualidade.

 

 

Arte Superlativa

 

Dispostas em quatro alas, as obras em exposição são organizadas cronológica e criativamente, costuradas por uma linha do tempo que perpassa os 90 anos de vida de Brennand. Em cada visita, o público será convidado a uma viagem centenária que começa em 1927, no bairro da Várzea, subúrbio de Recife (PE), no local onde hoje está a Oficina Cerâmica Francisco BrennandSerão exibidas peças representativas que vão desde o começo de sua carreira, a exemplo do quadro “Autorretrato aos 19 anos“, de 1947, até outras mais recentes, como a pintura “Toques”, da série “O Castigo”, de 2013. Além dos quadros e desenhos, a mostra dá destaque às cerâmicas, obras que o notabilizaram internacionalmente. Entre elas, as cerâmicas vitrificadas “La tour de Babel“, de 1975, “Antígona“, de 1978) e “Pelicano“, de 1988.

 

Na ambientação da galeria, a proposta busca uma experiência de imersão visual e sonora que remete o público à Oficina, onde está a maior parte do acervo monumental de Brennand. Grandes painéis fotográficos – reproduções em profundidade de ambientes do local – são somados à sonorização de cantos gregorianos, som marcante do museu-ateliê em Pernambuco e, juntos, transportam o público por um passeio sensorial. A curadora mescla aos trabalhos de Brennand fotos do arquivo pessoal do artista em que aparece com seus pais, esposa e amigos, como Abelardo da Hora e Ariano Suassuna. A mostra apresenta ainda conteúdo audiovisual composto pela exibição do filme documentário “Francisco Brennand“, de 2012, dirigido por Mariana Brennand Fortes, sobrinha-neta do artista. Em outro espaço, a combinação entre tela e “parabólica” sonora, uma instalação de áudio, apresentam as suas intervenções artísticas na Bahia.

 

 

Mestre dos Sonhos

 

Há mais de 45 anos em reclusão artística, o pernambucano Francisco Brennand é pintor, ceramista, escultor, desenhista, tapeceiro e ilustrador. Começou na arte em 1942, durante a juventude, ao conhecer o artista plástico Abelardo da Hora. Durante viagens à Europa, conheceu as obras em cerâmica de artistas consagrados como: Picasso, Chagall, Matisse, Braque, Gauguin, Miró e Antoni Gaudí, artista que o influenciou fortemente. De volta ao Brasil, passou a se dedicar verdadeiramente à cerâmica produzindo diversos painéis em cidades daqui e dos Estados Unidos (EUA). No ano de 1971, reformou a antiga fábrica de cerâmica de sua família, antigo Engenho São João, na Várzea, em Recife, transformando-a na Oficina Cerâmica. Juntamente com o Parque das Esculturasconstruído há 17 anos sobre um arrecife natural em frente à Praça do Marco Zero, a Oficina concentra permanentemente grande parte das obras do artista. Em 75 anos de trabalho artístico, Brennand soma mais de 90 exposições entre Alemanha, França, Inglaterra, Itália, Uruguai, EUA, Portugal, Espanha, além de diversas cidades brasileiras. Hoje, aos 90 anos, se dedica exclusivamente à pintura, atividade que iniciou a sua carreira como artista.

Claudio Paiva no MAR

08/jan

A exposição “Claudio Paiva – O colecionador de linhas” em cartaz no MAR, Centro, Rio de Janeiro, RJ, exibe pela primeira vez ao público, o corpus da sua obra. Foram selecionados trabalhos dos diversos momentos de sua trajetória – dos anos 60 até seu falecimento em 2011.

Claudio Paiva participou de um importante momento da arte brasileira, ao lado Cildo Meireles, Umberto Costa Barros, Antonio Manuel, Artur Barrio, Luiz Alphonsus entre outros. Mesmo com a produção ininterrupta desde seu surgimento, seu trabalho, entretanto, tem sido esporadicamente mostrado. Desde o final dos anos 60, estabelece seu campo de criação visual através da articulação de três esferas: o desenho, a palavra e o objeto.

 

Na atual exposição constam mais de 200 obras entre desenhos com suportes e técnicas variadas, instalações e vídeos, entre eles uma série de entrevistas inéditas com depoimentos sobre o artista, lembranças afetivas por parte dos amigos que lhe acompanharam ao longo de sua vida.

 
Para o artista desenho é um projeto em si:

 

“Há um pacto entre os meios, entre a linha e a cor; se por um lado, o desenho quer ser cor, quer ser pintura; por outro lado o desenho não quer ser nada além da linha.” (PAIVA, Claudio, Niterói, 2001).

 

“A relação entre a palavra e o desenho cria uma nova imagem onde os papeis de deslocam. A palavra participa da elaboração da imagem e a imagem pretende desenhar a palavra: Desenho de uma palavra, é também o título de um de seus desenhos. Cria-se, então, um espaço topológico entre palavra e imagem, configuração de um singular espaço poético.” (BOMPUIS, Catherine, Rio de Janeiro, 2002, Catálogo da Exposição Armadilha para tempestade, pag. 2).

 

Desde o início de sua produção, Claudio realizou também diversas instalações, que posteriormente se transformaram em instalações de bolso. Cordões, velas, caixas de fósforo, fazem lembrar, de uma maneira leve, lúcida, e que é ainda possível a tudo transgredir, tudo renomear e recolocar instantaneamente com nada ou quase nada. Esses objetos híbridos: “O descanso do paralelepípedo”, “O Colecionador de nada”, “Guerra fria”, “Lúcifer”, “O princípio do prazer”, formam uma coleção de pequenos paradoxos.

 

A curadoria é de Evandro Salles e Catherine

 

 

Até 03 de junho

Tunga no MASP

20/dez

A exposição “Tunga: o corpo em obras” encerra o programa anual de 2017 do MASP, Avenida Paulista, São Paulo, SP, em torno das histórias da sexualidade, que incluiu mostras individuais dos artistas Teresinha Soares, Wanda Pimentel, Miguel Rio Branco, Toulouse-Lautrec, Tracey Moffatt, Guerrilla Girls, Pedro Correia de Araújo e a exposição coletiva “Histórias da sexualidade”. O MASP agradece muito especialmente ao Acervo Tunga pela doação de uma escultura da série “Morfológicas” exposta nesta mostra. A exposição tem curadoria de Isabella Rjeille, assistente curatorial e Tomás Toledo, curador, MASP. A expografia é da Metro Arquitetos Associados.

 

A sexualidade e o erotismo são temas centrais na produção de Tunga (Palmares, Pernambuco 1952 – Rio de Janeiro, 2016) desde sua primeira exposição individual, intitulada “Museu da masturbação infantil”, realizada em 1974 no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Essa mostra de 1974 incluiu desenhos abstratos que, posteriormente, pautariam o raciocínio acerca desses temas na produção do artista. Eram obras cujas formas evocavam imagens eróticas ou processos de gozo, elementos que reaparecem expostos em desenhos daquele mesmo ano.

 

Nesta exposição, a sexualidade não constitui apenas um tema da produção do artista, mas um modo de compreender relações, vínculos, transformações e criações entre corpos, matérias e linguagens. A escolha dos trabalhos e sua disposição no espaço foram definidas a fim de potencializar essas relações e promover diálogos entre obras de diferentes períodos e técnicas, em detrimento de uma organização cronológica. O título da mostra “Tunga: o corpo em obras” tem duplo sentido: alude tanto ao corpo como assunto das obras do artista, como propõe um olhar sobre sua produção como um corpo continuamente em obras, ou seja, em constante transformação. Essa leitura surgiu da natureza diversa e circular da obra de Tunga, cujos trabalhos não se encerram em categorias estanques. Referências ao corpo, à sexualidade e ao erotismo podem ser observadas em todas as obras expostas: o nu (Vê-nus e Eixos exógenos), a pele e a maquiagem (em desenhos ou sobre as esculturas na série Lábios), os cabelos (Tranças e Escalpes), dedos, vulvas e falos (Morfológicas e A cada doze dias e uma carta), o masculino e o feminino (Tacapes e Tranças) e o magnetismo do desejo (com os ímãs em Tacapes, Lezart e Palíndromo incesto).

 

 

Sobre o artista

 

Antônio José de Barros Carvalho e Mello Mourão, conhecido como Tunga, foi o primeiro artista contemporâneo e o primeiro brasileiro a ter uma obra exposta no Museu do Louvre, em  Paris. Obras suas estão em acervos permanentes de museus como o Guggenheim de Veneza, além do Instituto Inhotim, em Brumadinho, Minas Gerais. Nascido em Palmares, Pernambuco, Tunga mudou-se para o Rio de Janeiro, onde cursou Arquitetura e Urbanismo. O filho do escritor Gerardo de Mello Mourão iniciou a carreira no começo dos anos 1970. Arquiteto de formação, Tunga transitou por diferentes linguagens, das artes visuais à literatura, incluindo a escultura, a instalação, o desenho, a aquarela, gravura, vídeo, texto e a instauração. Frequentemente, suas obras se alimentam de um repertório que provém de distintos campos do conhecimento, como a psicanálise, a filosofia, a química, a alquimia, bem como as memórias e as ficções.

 

 

Até 09 de março de 2018.

Obra 7 Noites, 365 Dias

11/dez

  1. Pavel Herrera, artista cubano que vive em São Paulo-SP, é representado pela Galeria Sancovsky, Jardim Paulistano, São Paulo, SP. Até o dia 22 de dezembro o público terá a oportunidade de visitar sua primeira exibição individual – “Ponto de Fuga” – na qual apresenta obras desenvolvidas, uma parte em Havana, Cuba, outra em São Paulo. J. Pavel Herrera exibe trabalhos em pintura e desenho, tendo a paisagem como temática que dialoga sobre o fenómeno da insularidade e que traduz o olhar de uma pessoa que nasceu numa ilha.

 

 

Sobre a galeria

 

Localizada na Praça Benedito Calixto em São Paulo sob a direção de Marcos Sancovsky, a galeria tem como objetivo apresentar uma significativa produção de artistas jovens e de artistas já consolidados, que trabalham com diferentes linguagens como pintura, vídeo, escultura, performance, entre outras. Sua programação contempla desde exposições individuais dos artistas representados a coletivas de curadores convidados.

Obras de Sérvulo Esmeraldo

05/dez

O Instituto Ling, Porto Alegre, RS, apresenta a exposição “PulsationsPulsações – Do arquivo vivo de Sérvulo Esmeraldo”, do artista cearense falecido em fevereiro deste ano, pouco antes de completar 88 anos. A exposição mostra uma das trajetórias mais originais da arte brasileira: conhecido por seu rigor geométrico-construtivo. O artista incursionou por técnicas diversas como escultura, gravura, ilustração e pintura. Sérvulo Esmeraldo é um dos pioneiros da arte cinética e autor de obras de geometria e luminosidade singulares.

 

A mostra, com curadoria de Ricardo Resende, traz 84 peças – entre gravuras, matrizes, desenhos, estudos, relevos, maquetes, instalações, documentos e fotografias – que fazem parte do arquivo do IAC – Instituto de Arte Contemporânea, São Paulo, SP. Organizada a partir do arquivo de Sérvulo Esmeraldo – atualmente sob a guarda do IAC, a exposição compreende a fase em que o artista viveu na França entre os anos de 1957 e 1980.

 

“PulsationsPulsações” joga uma luz sobre o rico processo criativo do artista em seus primeiros anos na França, uma fase de aprendizado, de iniciação nas técnicas da gravura em metal e litografia. Contempla os desenhos e as gravuras em metal que compõem esse período europeu, sob a influência do abstracionismo lírico que vigorava na capital francesa naquele momento, que seria uma resposta à action painting nova-iorquina. É acompanhada, ainda, de uma seleção de esculturas e de duas pinturas posteriores a essa fase, quando explorou a topologia das coisas e formas.

 

 

A palavra do curador

 

São trabalhos definitivos para a compreensão da importância de sua contribuição para a arte brasileira. O que se vê no arquivo agora exposto é esse mesmo olhar e os mesmos gestos divagantes, que passam por todas as formas de representação artística, principalmente daquelas que não conhecemos. Manchas, ranhuras, rabiscos e linhas, pulsações das quais saem novas formas sobre o papel e sobre o espaço.

 

Sobre o artista

 

Sérvulo Esmeraldo nasceu em 27 de fevereiro de 1929 no Crato, Ceará. Na infância morou no Engenho Bebida Nova, propriedade rural da família, produtora de açúcar mascavo, aguardente e rapadura. Ainda criança, fez incursões pela modelagem em barro e pequenos trabalhos tridimensionais em madeira de casca de cajá, onde reproduzia paisagens rurais. Aos 13 anos, criou sua primeira xilogravura, “Homem trabalhando com enxada”, impressa na tipografia do jornal A Ação, órgão da diocese. Na década de 60, ganhou uma bolsa de estudos do governo francês para estudar em Paris, na École Nationale Supérieure des Beaux-Arts. Nessa época, passou a morar em Neuilly-Plaisance – onde viveu por quase 20 anos – e conheceu artistas como o argentino Julio Le Parc e o venezuelano Jesús Rafael Soto, que então davam os primeiros passos na chamada Arte cinética. Deixou de se dedicar exclusivamente à gravura e passou a experimentar outras linguagens como o tridimensional e, claro, a arte cinética. Sua série mais conhecida do período é “Excitáveis” – objetos feitos de acrílico, que reagem ao toque do espectador – trabalho que o destacou no cenário da arte cinética internacional. Entre muitas exposições realizadas com sua obra nos últimos anos, destacam-se a retrospectiva “Sérvulo Esmeraldo”, na Pinacoteca do Estado de São Paulo, em 2011, e a individual “Arquivo vivo de Sérvulo Esmeraldo”, no Instituto de Arte Contemporânea, SP, em 2014, exposição que deu origem à mostra no Instituto Ling, em Porto Alegre. Sérvulo Esmeraldo faleceu em fevereiro de 2017, em Fortaleza. Criou até o seu último momento de vida, pouco antes de completar 88 anos de idade, deixando um legado dos mais inquietantes da arte brasileira dos séculos XX e XXI.

 

Organização: Instituto Ling e Instituto de Arte Contemporânea de São Paulo / Realização: Ministério da Cultura / Governo Federal / Patrocínio: Crown Embalagens

 

 

Até 31 de março de 2018.

Magliani – cartas e impressões

17/nov

Em Jaguarão, cidade fronteiriça com o Uruguai, no Rio Grande do Sul, iniciativa visa dar visibilidade à trajetória de uma das principais artistas do estado. A ação norteada pela Universidade Federal do Pampa – UNIPAMPA, Campus Jaguarão, pode ser considerada como um território acadêmico de mobilidade e de transitoriedade de indivíduos advindos de diversos lugares do Brasil. Nesse sentido, percebeu a necessidade de criar uma Galeria Intercultural, que venha a facilitar o diálogo com os estudantes através das artes visuais, de maneira a proporcionar uma maior integração cultural entre a comunidade acadêmica e a comunidade externa. Maria Lídia dos Santos Magliani (Pelotas/RS/1946 – Rio de Janeiro/RJ/2012) foi escolhida para ser a homenageada, por sua irreverência e luta, com o nome da Galeria Intercultural Magliani – GIM, que agora inaugura na UNIPAMPA.

 

A homenagem tem o intuito de dar visibilidade à obra da artista e manter viva a sua história, estimulando que mais mulheres produzam e façam arte. Magliani nasceu em Pelotas e ainda criança se mudou para Porto Alegre com a família. Pintora, desenhista, gravadora, ilustradora, escultora, figurinista, cenógrafa e atriz. Na década de 1960 cursou Artes plásticas, e pós-graduação em pintura no Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, sendo a primeira artista negra a ser formada pela Instituição embora tenha havido um artista anterior. Pioneiro, Djalma Santos, formou-se na década de 1950. Sua arte está voltada às temáticas da solidão humana, do corpo e da mulher. A exposição “Magliani – cartas e impressões” reúne um conjunto de 14 trabalhos, entre xilogravura, monotipia e gravura em metal, que se constituem como um pequeno diário visual. A série “Cartas” é o retorno da artista às cores intensas na sua pintura com um certo lirismo – embora mais dramático – mas que remete a seus primeiros trabalhos.

 

Essa exposição se tornou possível graças a uma parceria que a equipe gestora do projeto. Em reconhecimento da importância do conjunto de sua obra, a Câmara de Vereadores de Porto Alegre, inaugurou a Rua Maria Lídia Magliani, artista plástica gaúcha, no dia 30 de setembro desse ano, também uma importante iniciativa de um círculo de amigos da artista junto ao poder público visando preservar sua memória.

 

GIM configura-se como a proposta de uma galeria de arte no âmbito acadêmico, como um Programa de Extensão, ressaltando a importância desses espaços culturais na construção e na estruturação de novos poderes simbólicos, que dialoguem e sejam reflexo do convívio entre a comunidade acadêmica e a comunidade do entorno da UNIPAMPA, possibilitando a integração e o compartilhamento da produção cultural em diversas esferas do conhecimento e das linguagens artísticas. Nesta lógica, os objetivos da Galeria são: possibilitar, com a criação do espaço intercultural e multiuso, a produção e a propagação de outras linguagens estéticas dentro das artes e visuais; promover a experiência à comunidade acadêmica e fronteiriça, a expor seu trabalho de arte resultantes do diálogo integrador; estimular o trânsito da comunidade externa à UNIPAMPA para a visitação da GIM, bem como o olhar contemplativo e crítico do público para com as obras expostas.

 

 

De 20 de novembro a 05 de dezembro.

Carla Chaim na Athena Contemporânea

14/nov

A galeria Athena Contemporânea, Copacabana, Shopping Cassino Atlântico, Rio de Janeiro, RJ, apresenta, a partir do dia 21 de novembro, a exposição “Carla Chaim – óleo fita carbono”, com obras inéditas, pensadas especialmente para esta mostra, a partir do espaço da galeria. As obras buscam ultrapassar os limites da concepção tradicional de desenho, explorando-o não como traço, mas como pensamento. Será apresentada uma videoinstalação, composta de dois vídeos, na qual a artista usa o próprio corpo como ferramenta para o desenho, explorando o espaço expositivo da galeria. Serão apresentados, ainda, desenhos-objetos, feitos em papel-carbono a partir da arquitetura do espaço.

 

A ideia da exposição parte de uma pesquisa da artista, iniciada em 2015, usando espaço como matéria-prima para as obras. A planta da galeria chamou a atenção de Carla Chaim por ter a forma de U, com dois lados separados e iguais no tamanho. A partir disso, ela criou as obras da exposição. Os desenhos-objetos, intitulados “Desenhos falsos”, foram feitos com várias camadas de papéis-carbono recortados nesse formato. “Penso o desenho não como linha, mas como forma, como pensamento. É o mesmo processo do desenho, é um esboço, um exercício de pensamento”, afirma a artista.

 

“Trata-se de uma exposição basicamente em preto-e-branco e que se utiliza de uma das linguagens mais tradicionais da história da arte, porém de uma maneira mais experimental onde noções de controle e acaso se chocam”, diz o curador Raphael Fonseca.

 

Para a videoinstalação, ela percorreu todo o espaço da galeria, com um bastão oleoso na mão, riscando as paredes por onde passava, fazendo com o seu próprio corpo o desenho do U. Em cada uma das salas havia uma câmera registrando a ação. O desenho foi apagado em seguida e na mostra será apresentado apenas o registro em vídeo. Os filmes das duas salas serão colocados “um de costas para o outro”. Para vê-los, será necessário circular as imagens, fazendo também um movimento com o corpo, assim como o que foi feito pela artista. “O espectador tem parte no trabalho, dando a volta nas projeções para compreender o todo. É um labirinto cíclico”, diz a artista.

 

Mais do que um suporte para o desenvolvimento de uma ideia, ou um esboço inicial de um trabalho a ser criado, o desenho na obra de Carla Chaim aparece essencialmente como um vestígio da ação de um corpo em um determinado suporte, um rastro de sua presença ou mesmo o remanescente sinal de um gesto. A artista usa o próprio corpo como uma ferramenta de trabalho, pensando-o também como um lugar de discussão conceitual, explorando seus limites físicos e sociais. “Uso o espaço e o movimento do corpo para imprimir um desenho, que é o próprio movimento em si”, ressalta Carla Chaim, que diz que os trabalhos não tentam criar narrativas ou contar histórias, eles são o próprio fazer. “O mais importante é o processo, os trabalhos não são pensados para ter uma forma final, isso vai depender do processo de execução”.

 

 

Sobre a artista

 

Carla Chaim (São Paulo, 1983. Vive e trabalha em São Paulo). Graduada em Artes Plásticas pela Fundação Armando Álvares Penteado – FAAP (2004), onde também fez pós-graduação em História da Arte (2007). Carla participou de diversas residências artísticas, entre elas Arteles, Finlândia (2013) e The Banff Centre for the Arts, Canadá, (2010). Dentre suas exposições individuais mais recentes estão “White Flag”, este ano, no LambArts, em Londres; “Objetos notáveis”, na Galeria do Lago, Museu da República, no Rio de Janeiro; “Colapso de Onda”, no CCBB Rio de Janeiro, entre outras. Seu trabalho foi apresentado em exposições coletivas incluindo: Frucht & Faulheit, Lothringer13 Halle, Munique, Alemanha; CODE, Osnova Gallery, Moscou, Rússia (2017); Ao Amor do Público I, Museu de Arte do Rio – MAR, Rio de Janeiro, Brasil (2016); Film Sector, Art Basel, Miami, EUA (2015); Ichariba Chode, Plaza North Gallery, Saitama, Japão (2015); Impulse, Reason, Sense, Conflict, Cisneros Fontanals Art Foundation – CIFO, Miami, USA (2014). Carla Chaim recebeu diversos prêmios, como CCBB Contemporâneo, Prêmio FOCO Bradesco ArtRio, Prêmio Funarte de Arte Contemporânea e Prêmio Energias na Arte. Em 2016, Carla foi nomeada para o Future Generation Art Prize, onde em 2017 apresentou instalações e fotografias no Pinchuk Art Centre, Kiev, Ucrânia, e no Palazzo Contarini Polignac, Veneza, Itália, em um evento colateral à Bienal de Veneza. Sua obra faz parte de coleções como Ella Fontanals-Cisneros, Miami, USA; Museu de Arte do Rio – MAR, RJ, Brasil; e Ministério das Relações Exteriores, Itamaraty, Brasília, Brasil.

 

 

Sobre a galeria

 

A Athena Contemporânea foi fundada em 2011 pelos irmãos Eduardo e Filipe Masini como um espaço inovador de criação, discussão e divulgação de arte contemporânea. Mais do que um espaço expositivo, a galeria se posiciona como lugar de pesquisa, de aprofundamento conceitual e de trocas artísticas, buscando sempre iniciativas inovadoras. A galeria vem se firmando como uma das mais destacadas no cenário brasileiro, representando conceituados e promissores artistas nacionais e internacionais, e investindo em parcerias com curadores e instituições para o desenvolvimento da carreira de seus artistas.

 

 

De 21 de novembro a 27 de janeiro de 2018.