Waltercio Caldas/desenhos e esculturas

23/mar

A Galeria Marcelo Guarnieri apresenta, em sua unidade de Ribeirão Preto, SP, exposição individual de Waltercio Caldas. A mostra, que reúne desenhos e objetos produzidos, em sua grande maioria, nos últimos cinco anos, nos aproxima do interesse do artista pela construção de significados através do olhar e do encontro com o desconhecido.

 

A busca de Caldas é por um olhar modificado pelo espanto do objeto sem nome e sem história.

 

Pelo estado de suspensão em que nos encontramos quando em situações fronteiriças, do espaço “entre”: entre realidade e ilusão, silêncio e matéria, bidimensional e tridimensional, entre palavra e imagem, entre a linha do horizonte e o abismo.

 

A geometria, sendo estruturada por razões matemáticas, é comumente associada à ideia de certeza, assertividade e previsibilidade, no entanto, dentro do trabalho de Caldas, ela parece nos apontar para uma realidade que vai além desses limites: seja nos desenhos sobre papel, quando a linha ou o ponto ganham um corpo e se lançam no espaço para além da superfície, seja nas arestas de seus sólidos geométricos que, ora se apresentando irregulares entre si, ora sugerindo um caminho ainda a ser percorrido até que o volume se complete, nos projetam para outros planos que não se presentificam no traçado. É uma espécie de dúvida do mundo que mobiliza a produção de Waltercio Caldas e que solicita ao observador especulações sobre ele a partir do olhar.

 

A transparência e o reflexo são elementos igualmente importantes nos trabalhos apresentados nesta exposição, que, embora não sejam constituídos por espelhos ou vidros – materiais presentes em muitas das peças do artista -, possuem em sua composição os dados dessas naturezas. É o caso da obra Sem Título, de 2013, composta por arestas de aço inox que sugerem duas formas tridimensionais que se enfrentam, se espelham e que são mediadas por um bloco preto e maciço de obsidiana negra polida. Na cultura Asteca, tal pedra servia de matéria prima para o poderoso espelho de obsidiana, símbolo do deus da feitiçaria, Tezcatlipoca, cujo significado se dá por “Espelho Esfumaçado”; era utilizado em rituais de adivinhação por xamãs e entendido como um objeto que refletia ao mesmo tempo observador e observado. Esse quase- duplo não-idêntico de arestas que se reflete através de um “Espelho Esfumaçado”, parece nos colocar diante da distorção, condição inerente, embora muitas vezes imperceptível, dos materiais reflexivos e translúcidos, e que pode também dar origem ao efeito, a que chamamos de ilusão, dos arranjos da imagem sobre o olho. Tal efeito é explorado ainda nos desenhos, como, por exemplo, naquele de 2014 em que vemos formas ovais ganharem volume e saltarem do plano por meio do jogo de luz e sombra no uso do pastel, ou em outros que se constroem seguindo as leis da perspectiva euclidiana.

 

O repertório da história da arte é entendido por Caldas como material de trabalho, tanto quanto é  o bronze, o aço inoxidável, o ar, os fios de lã ou os campos de cor. “Considero a arte um fluxo, um rio que cada artista faz movimentar um pouco. Por outro lado, vejo a história da arte como  uma matéria contínua, resultado desse fluxo, onde um ou outro trabalho me interessa particularmente. […] Minha intenção ao utilizar a história da arte como matéria plástica é dar crédito a esse fluxo. Materializá-lo de modo que o reconhecimento dessas mudanças se torne assunto do trabalho […]”

 

O uso que faz das palavras em algumas de suas obras, afirma seu interesse pela linguagem como ponte entre uma imagem visível e uma imagem possível e, mais do que isso, como aquilo que pode provocar um momento de desorientação psíquica, um estranhamento. A palavra ganha uma espécie de vida que extrapola a sua função dominante, sugerindo imagens que rearranjam o funcionamento do organismo que habita, seja no desenho, seja no objeto, seja na instalação.

 

 

 

Sobre o artista

 

Waltercio Caldas nasceu em 1946 no Rio de Janeiro, cidade onde vive e trabalha. Suas obras encontram-se nas seguintes coleções: Museum of Modern Art, Nova York, EUA; National Gallery of Art, Washington, EUA; Fundación Cisneros – Colección Patricia Phelps de Cisneros, Nova York, EUA; Caracas, Venezuela; Blanton Museum of Art, Austin, Texas, EUA; Neue Galerie, Staatliche Museen, Kassel, Alemanha; Museu de Arte Moderna de São Paulo, São Paulo, Brasil; Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil; Instituto Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto, Brasil. Participou de inúmeras exposições individuais e coletivas desde o final dos anos 1960, destacando-se: Bienal de Veneza, Itália; Bienal Internacional de São Paulo, Brasil; Documenta, Kassel, Alemanha; Gwangju Biennale, Coreia do Sul; Bienal de Cuenca, Equador; Bienal de Havana, Cuba; Bienal do Mercosul, Porto Alegre, Brasil; Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa; Pinacoteca do Estado de São Paulo, Brasil; Stedelijk Museum Schiedam, Holanda; Queens Museum of Art, Nova York, EUA; MAR – Museu de Arte do Rio, Rio de Janeiro, Brasil; Malba, Fundación Constantini, Buenos Aires, Argentina.

 

 

De 18 de março a 17 de maio.

 

Leonilson: arquivo e memória vivos

08/mar

A Fundação Edson Queiroz, Fortaleza, CE, apresenta, a exposição “Leonilson: arquivo e memória vivos”, no Espaço Cultural Unifor. Organizada pelo Projeto Leonilson, mantido por familiares e amigos do artista cearense, e pela Fundação Edson Queiroz, a mostra, de cerca de 120 obras de José Leonilson Bezerra Dias, conta com generosa seleção de trabalhos do artista, incluindo obras inéditas. A curadoria é de Ricardo Resende, atual curador do Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea, do Rio de Janeiro, e a produção executiva da Base7 Projetos Culturais, de São Paulo, que tem reconhecida expertise na área museológica.

 

“A exposição “Leonilson: arquivo e memória vivos” tem o diferencial de apresentar um grande número de obras inéditas e de traçar uma retrospectiva do artista, reforçando o caráter pedagógico e de formação de público para as artes das mostras realizadas na Universidade de Fortaleza. Esta exposição vai ao encontro da publicação do catálogo raisonné de Leonilson, também realizada pela Fundação Edson Queiroz, no ano em que celebraríamos 60 anos do nascimento desse grande artista cearense”, destaca o vice-reitor de Extensão da Unifor, professor Randal Pompeu.

 

Além do ineditismo de várias obras, a exposição vai inaugurar a ampliação do Espaço Cultural Unifor, que terá sua área acrescida em 539 m2, e terá ainda como atrativo especial o lançamento do catálogo raisonné de Leonilson, patrocinado pela Fundação Edson Queiroz e fruto de 24 anos de pesquisa. Editor do catálogo, Ricardo Resende informa que a publicação, de cerca de 1.000 páginas, distribuídas em três livros, reúne todas as obras de Leonilson, divididas em cerca de 3.500 registros catalográficos, constituindo-se no primeiro catálogo raisonné de artista contemporâneo do Brasil. “Por todos esses motivos, acredito que a exposição será um grande sucesso”, ressalta Ricardo Resende.

 

A exposição tem caráter retrospectivo. Segundo o curador Ricardo Resende, “a mostra não poderia deixar de trazer de forma generosa para o público os trabalhos inéditos e as ‘chaves’ para o que se considera a composição dessa obra expressa por meio dos signos que representam as emoções humanas, dos fragmentos da condição humana e dos dilemas do homem comum, traduzidos em palavras e números”.

 

Para esta exposição, a curadoria indicou obras de acervos de diversas instituições do Rio de Janeiro, São Paulo e Ceará, como a Fundação Edson Queiroz e o Museu de Arte Contemporânea (MAC), do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, de Fortaleza, além de coleções de colecionadores particulares.

 

 

 

Sobre o artista

 

O pintor, desenhista e escultor José Leonilson Bezerra Dias nasceu em Fortaleza, em 1957, e faleceu em São Paulo, em 1993. Em 1961, mudou-se com a família para São Paulo e logo cedo começou a demonstrar o seu interesse pela arte. Fez cursos livres na Escola Panamericana de Arte e depois ingressou no curso de Artes Plásticas da Fundação Armando Álvares Penteado, deixando-o incompleto, para iniciar sua trajetória composta de muitas viagens e se tornar um dos grandes expoentes da arte brasileira contemporânea. Na década de 1980, fez parte do grupo de artistas que lidera a retomada do “prazer” da pintura, conhecido como Geração 80. Participou de diversas mostras no Brasil e no exterior, incluindo Bienais em São Paulo e Paris. Foi nos primeiros anos da década de 1990 que o artista firmou-se como um dos destaques no panorama cultural brasileiro, com uma obra singular e autobiográfica. O artista faleceu jovem, deixando cerca de 4.000 obras, além de múltiplo acervo documental. Sua produção é considerada por críticos brasileiros e internacionais de grande valor conceitual para a História da Arte no Brasil, sendo o retrato autêntico e incansável de uma geração e, que por abordar questões cruciais inerentes à subjetividade humana, se faz capaz de gerar identificação e diálogo universal.

 

 

Visitação: De 14 de março a 09 de julho.

A Natureza observada

16/fev

Na exposição “O SOPRO DA NATUREZA”, que ocupa o Centro Cultural Correios, Centro, Rio de Janeiro, RJ, os artistas franceses Guillaine Querrien e François Houtin partem do regitro de elementos da natureza e paisagens incorporados às técnicas de gravura, pintura e desenho. Em comum, a nacionalidade e o tema de inspiração para suas criações.

 

Pintora e escritora, Guillaine Querrien vive há trinta anos entre o Brasil e a França, tendo desenvolvido seus trabalhos em contato com a natureza brasileira, combinando a abstração e a figuração a partir de estruturas vegetais orgânicas, a paisagem e a fluidez dos movimentos de rios e marés que ela se apropria em sua pintura a óleo e pastéis.

 

 

A palavra da artista

 

O que busco, nessas pinturas, é capturar intimamente lugares que conheço muito bem, onde já estive incontáveis vezes. Minha relação com essas paisagens continua viva, todavia. Não há tédio algum no meu olhar! Ao contrário… A cada vez enxergo mais coisas, e então persigo as novas visões que surgem das ‘velhas’ paisagens,  afirma Guillaine.

 

François Houtin, gravador e desenhista, apresenta o resultado de obras realizadas durante uma residência artística que durou três semanas no Rio de Janeiro, numa explosão que retrata toda a exuberância da vegetação e luz inspirada no Parque Lage e no Jardim Botânico, além de outras paisagens cariocas.

 

 

A palavra do artista

 

Meu trabalho nessa exposição representa tudo o que eu amo. Uma vegetação que não conhecia antes de vir ao Rio. Tive um grande choque! As belas e sábias árvores da Europa… Enquanto aqui, por toda parte, é a exuberância, o gigantismo, riqueza de cores, de formas! E o formidável corpo a corpo entre natureza e concreto, avalia, empolgado, François.

A exposição conta com o apoio do Instituto Francês e da Aliança Francesa do Rio de Janeiro.

 

De 08 de março a 14 de maio.

Cícero Dias em Brasília

06/fev

O Centro Cultural Banco do Brasil, Brasília, SCES Trecho 2, Lote 22 – Asa Sul, DF,apresenta a exposição “Cícero Dias – Um Percurso Poético”. A mostra tem curadoria de Denise Mattar e curadoria honorária de Sylvia Dias, filha do artista, e produção da Companhia das Licenças em parceria com a Base7 Projetos Culturais. Trata-se do conjunto da obra de Cícero Dias, contextualizando sua história e evidenciando sua relação com poetas e intelectuais brasileiros e sua participação no circuito de arte europeu. Assim a mostra, além das obras, apresenta cartas, textos e fotos de Manuel Bandeira, Gilberto Freyre, Murilo Mendes, José Lins do Rego, Mário Pedrosa, Pierre Restany, Paul Éluard, Roland Penrose, Pablo Picasso, Alexander Calder, entre outros. Em 1938, o pintor pernambucano Cícero Dias foi definido como um “selvagem esplendidamente civilizado” pelo então crítico de arte francês André Salmon, que parafraseava um poema de Verlaine para Rimbaud. A definição, realizada após a primeira mostra do artista em Paris, serviu perfeitamente para descrever sua trajetória nas artes.

 

 

A mostra

 

A exposição traz um panorama de toda produção do artista, dividida em três grandes núcleos que delineiam seu percurso poético. São eles: Brasil, Europa e Monsieur Dias – Uma vida em Paris – cada um deles, por sua vez, dividido em novos segmentos, cuja leitura não deve ser realizada de modo estanque, mas entrecruzada e simultaneamente.

 

 

Brasil

 

A mostra é aberta pelo subnúcleo “Entre Sonhos e Desejos”, que traz um conjunto de 30 aquarelas produzidas entre 1925 e 1933, todas bastante diversas do que era produzido na época. São trabalhos que emocionam pela peculiaridade, sendo ao mesmo tempo líricos, agressivos, caóticos, sensuais e poéticos.O núcleo é encerrado com a sequência “E o Mundo começava no Recife…”, que traz um conjunto de obras que fizeram um contraponto às lembranças rurais, mostrando as recordações urbanas do jovem Cícero no Recife. As casas coloniais debruçadas para o mar, os sobrados e seus interiores, os jardins com casais românticos, e as alcovas – com amores mais carnais. A mudança da aquarela para o óleo interferiu na dinâmica da produção do artista, tornando-a mais narrativa, mais estática e mais bem construída. Ele produziu obras excepcionais, entre elas Sonoridade da Gamboa do Carmo e Gamboa do Carmo no Recife.

 

 

Europa

 

O núcleo é anunciado pelo segmento “Entre a Guerra e o Amor”, que reúne majoritariamente reproduções de fotos, cartas, documentos, além de desenhos e aquarelas, de pequeno formato, realizadas por Dias durante a II Guerra Mundial, em condições precárias. São testemunhos das suas vivências no conflito, e também de seu amor por Raymonde, que se tornaria sua mulher.Perseguido pela ditadura de Vargas, Dias chegou a Paris em 1937 e logo integrou-se à cidade, cujo ambiente artístico era marcado pela forte presença dos surrealistas e muito mais aberto do que o Brasil à arte instintiva e à negação da razão. Poucos meses após a sua chegada, o artista apresentou uma exposição na Galerie Jeanne Castel, com obras trazidas do Brasil e outras já pintadas em Paris. Sua recepção foi um sucesso de público, de crítica e de vendas.“Cícero Dias, mestre de uma paleta mais nuançada que abundante, ansioso pela fantasia das cores, deseja também, como um poeta, expressar a natureza de sua terra natal. Em todos os elementos, confirma tudo aquilo que o folclore nacional despertou em sua obra. Podemos dizer que é selvagem? Talvez. Mas, então, se o admitirmos, seremos forçados a considerar esse ‘selvagem esplendidamente civilizado’, de que Rimbaud nos fala. Cícero Dias não irá decepcionar os sonhadores que não desejam tirar os pés do chão. Os surrealistas encontrarão alguém para conversar”, afirmou na ocasião o crítico André Salmon.Perseguido em Paris, Dias seguiu para a capital portuguesa, onde sua obra sofreu uma mudança radical. Seu trabalho tornou-se eufórico e selvagem, exorcizando os fantasmas da guerra ainda não terminada. Este momento de sua produção define osegmento “Lisboa – Novos Ares”.“Nesse período Cícero Dias parece saltar sobre nós, ele nos sacode em telas que fariam inveja aos ‘fauves’, pela audácia e pela novidade das buscas cromáticas, dos traços ousados e dos temas irreverentes, irônicos e provocativos. Títulos ambíguos completam as obras: Mamoeiro ou dançarino?, Galo ou Abacaxi? Ele simplifica o desenho, usa pinceladas brutas, cores inusitadas e estridentes, e tonalidades intensas e brilhantes. Tudo grita e desafia!”, destaca a curadora.
Ainda na Europa, Dias deu início à sua despedida da figuração, em um trabalho que ficou conhecido como fase vegetal, retratada na exposição pelo subnúcleo “A Caminho da Abstração”. O artista criou múltiplas imagens superpostas a partir da vegetação, incorporando novos elementos plásticos e borrando fronteiras entre figuração e abstração.Dias passou então a trabalhar com formas curvas e sensíveis, abrindo o caminho para a abstração plena, pintando telas rigorosamente geométricas e tornando-se o primeiro artista brasileiro a trabalhar com essa vertente. Sua produção deste período está reunida no segmento “Geometria Sensível”.Em 1948, Cícero veio para o Brasil para executar uma série de pinturas murais abstratas, consideradas as primeiras da América Latina. O trabalho foi realizado na sede da Secretaria de Finanças do Estado de Pernambuco, em Recife, e mais uma vez, causou intensa polêmica.

 

 

Monsieur Dias – Uma vida em Paris

 

O núcleo Monsieur Dias, como é conhecido Cícero Dias na França, abre com o segmento “Abstração Plena”, conjunto de obras nas quais o artista abandona as curvas e as cores suaves. Longe do Concretismo e da proposta de supressão da subjetividade, o abstracionismo de Dias entretanto, é vibrante, quente e luminoso, mais próximo de Kandinsky. Na Europa, seu trabalho foi acolhido com entusiasmo, ele passou a integrar o Grupo Espace e a expor na importante galeria Denise René.Avesso a escolas e fiel a si próprio, Cícero Dias desenvolveu nos anos 1960, paralelamente à sua pesquisa geométrica, uma série chamada “Entropias”, nas quais deixava a cor escorrer, misturar-se, e esvair-se. A série, que dá nome a mais um dos subnúcleos da mostra, é apresentada por um pequeno grupo de obras na exposição.“Menos do que tachismo, ou abstracionismo informal, a pesquisa parece um despudorado mergulho nas possibilidades do uso da tinta; sem retas, sem linhas marcadas, sem nenhum esquema formal a cumprir – o fascínio da liberdade, do deixar-se ir”, afirma a Denise Mattar. “Não por acaso ele as chamava de entropias, uma medida de desordem das partículas em um sistema físico, o movimento natural que leva todas as coisas de volta à terra: o carro abandonado que vira ferrugem, o gelo que se dissolve na água, os mortos que retornam ao pó”, completa.A exposição é encerrada por um conjunto de sete obras produzidas pelo artista na década de 1960, quando retornou à figuração, trazendo de volta um imaginário lírico. Os trabalhos de “Nostalgia” remetem às lembranças de sua juventude no Recife. As telas “Seresta” e “Nostalgia” compõem este segmento e são algumas das mais importantes desse período.
Cícero Dias – Um percurso poético traz ainda alguns subnúcleos complementares: “Memórias – Cícero e seus amigos” e “Teatro”. Por fim, o segmento voltado para o teatro trará originais de alguns dos figurinos realizados por Dias para importantes espetáculos, tal como o balé Maracatu de Chico Rei, de Francisco Mignone, em 1933; e o balé Jurupari, de Villa-Lobos, em 1934.

 

 

De 08 de fevereiro a 03 de abril.

MAM 2017 com Anita Malfatti

27/jan


Com curadoria de Regina Teixeira de Barros, mostra celebra centenário da primeira mostra de arte moderna no Brasil. Cerca de 70 obras, entre desenhos e pinturas de retratos, nus e paisagens, ilustram três fases da carreira de Anita Malfatti.
O Museu de Arte Moderna de São Paulo, Grande Sala, Parque do Ibirapuera, São Paulo, SP, abre, no dia 07 de fevereiro, a exposição “Anita Malfatti: 100 anos de arte moderna”, apresentando obras representativas da trajetória de um dos mais importantes nomes da arte brasileira do século XX. Para retratar a vasta produção da pintora, desenhista, gravadora e professora Anita Malfatti (São Paulo – SP, 1889 – 1964), a curadora Regina Teixeira de Barros concebeu a mostra como uma homenagem ao centenário da exposição inaugural do modernismo brasileiro, uma individual de Anita aberta em dezembro de 1917, e que recebeu severa crítica do conservador Monteiro Lobato na ocasião. A mostra do MAM exibe desenhos e pinturas que ilustram retratos, paisagens e nus de três fases distintas da trajetória artística, expostas ao lado de fotografias e documentos da época como cartas, convites e catálogos, com patrocínio Master: Bradesco, PWC.

 
Cem anos se passaram desde que a Exposição de arte moderna Anita Malfatti alterou os rumos da história da arte no Brasil, por ser a primeira mostra reconhecidamente moderna realizada no país e considerada o estopim para a realização da Semana de Arte Moderna de 1922. Realizada no centro de São Paulo, entre 12 de dezembro de 1917 e 10 de janeiro de 1918, a individual da artista exibia 53 obras, sendo 28 pinturas de paisagem e retratos, 10 gravuras, cinco aquarelas, além de desenhos e caricaturas. O conjunto representava um consistente resumo de seis anos de produção da artista, compreendidos pelos anos de aprendizado na Alemanha (1910-1913) e nos Estados Unidos (1914-1916), além de trabalhos realizados no regresso a São Paulo. Até então, a cidade de São Paulo só havia sediado mostras de arte de cunho acadêmico. Segundo a curadora, a mostra de Anita foi recebida com assombro e curiosidade, tendo visitação intensa e venda de oito quadros expostos, mas após a publicação da crítica de Monteiro Lobato intitulada “A propósito da exposição Malfatti”, no jornal O Estado de S. Paulo de 20 de dezembro de 1917, boa parte do público concordou com as ideias do renomado autor, fazendo com que cinco obras compradas fossem devolvidas. Regina explica que desde então, o nome de Anita ficou associado ao de Lobato. “Adepto fervoroso da arte naturalista, Lobato desdenhou dos ismos da arte moderna (como expressionismo e cubismo), mas não deixou de reconhecer a competência de Anita elogiando o talento fora do comum e as qualidades latentes da jovem artista”, explica a curadora.

 
No MAM, a mostra Anita Malfatti: 100 anos de arte moderna conta com obras que abrangem diversos aspectos da produção, apresentando uma artista sensível às tendências e discussões em pauta ao longo da primeira metade do século XX. A exposição tem como finalidade apresentar um recorte da trajetória de Anita, dividindo em três momentos: os anos iniciais que a consagraram como o “estopim do modernismo brasileiro”; a época de estudos em Paris e a produção naturalista; e, por fim, as pinturas com temas populares. A exposição inicia com um conjunto de trabalhos realizados na Alemanha, seguido de retratos e paisagens expressionistas exibidos em 1917, que causaram grande impacto no, até então, tradicional meio paulistano, entre as quais os óleos sobre tela “O japonês” (1915/16), “Uma estudante” (1915/16), “O farol” (1915) e “Paisagem (amarela) Monhegan” (1915). Desse período também consta um conjunto de desenhos a carvão, composto de nus masculinos e retratos.

 
Entre a primeira e a segunda parte da mostra, sobressai o interesse pela temática nacional, onde figuram trabalhos famosos como “Tropical” (c.1916), “O homem de sete cores” (1915/16) e “Figura feminina” (1921/22). Além desses, constam obras realizadas a partir do convívio com os modernistas como o pastel “Retrato de Tarsila” (1919/20), a pintura “As margaridas de Mário” (1922) e o célebre desenho “O grupo dos cinco” (1922), que retrata os modernistas Tarsila do Amaral, Mario de Andrade, Menotti del Picchia, Oswald de Andrade e a própria Anita Malfatti.

 
No segundo nicho são apresentados os frutos dos anos de estudo em Paris, que representam uma fase mais naturalista em que são produzidas paisagens europeias como nas pinturas a óleo “Porto de Mônaco” (c. 1925) e “Paisagem de Pirineus, Cauterets” (1926), e nas aquarelas “Veneza, Canal” (c.1924), “Vista do Fort Antoine” em Mônaco (c. 1925), somados a desenhos de nus feitos com linhas finas e suaves na década de 1920. São desse período também pinturas singulares como “Interior de Mônaco” (c. 1925) e “Chanson de Montmartre” (1926).

 
Para finalizar, a terceira parte engloba trabalhos realizados nos anos 1930-40, época em que a artista se dedicou a retratar familiares, amigos e membros da elite, além de temas populares. Destacam-se as obras “Liliana Maria” (1935-1937) e “Retrato de A.M.G.” (c. 1933), em que figuram sua sobrinha e o amigo Antônio Marino Gouveia, ambas com tratamento naturalista. Na primeira, o fundo neutro é substituído por uma paisagem à maneira renascentista; na segunda registra uma de suas pinturas que pertencia à coleção do retratado. Nessa fase, apresentam-se ainda paisagens interioranas e temáticas populares como em “Trenzinho” (déc. 1940), “O Samba” (c. 1945), “Na porta da venda” (déc. 1940-50). A mostra se encerra com pinturas aparentemente naïf e reveladores da habitual ousadia da artista, em que utiliza cores fortes para criar espaços mais achatados como em “Composição” (c.1955) e “Vida na roça” (c.1956).

 

 

Sobre a curadora

 
Regina Teixeira de Barros é curadora independente e historiadora da arte especializada em arte brasileira moderna. Possui Mestrado em Estética e História da Arte pela ECA-USP e é doutoranda do Programa de Pós-graduação Interunidades em Estética e História da Arte da USP. É professora de História da Arte Moderna e Contemporânea na Faculdade Santa Marcelina desde 2002. Ministra a disciplina de Curadoria de Exposições de Arte na pós-graduação em Museologia, Colecionismo e Curadoria do Centro Universitário Belas Artes. Entre 2003 e 2015, trabalhou na Pinacoteca do Estado de São Paulo, onde realizou diversas curadorias como Tarsila viajante, Arte no Brasil: uma história do Modernismo na Pinacoteca de São Paulo e Arte construtiva na Pinacoteca. Como curadora independente, destacam-se Antônio Maluf (Centro Universitário Maria Antônia da USP, 2002), Tarsila e o Brasil dos modernistas (Casa Fiat, BH, 2011) e Arte moderna na Coleção da Fundação Edson Queiroz (Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre, e Museu Oscar Niemeyer, Curitiba, 2016).

 

 
De 07 de fevereiro até 30 de abril.

Na Soleira da Noite

12/dez


A Galeria Sancovsky, São Paulo, SP, apresenta “Na Soleira da Noite”, exposição coletiva composta por 10 artistas, entre eles os quais, Oswaldo Goeldi, Lucas Costa e Regina Johas. Com curadoria de Claudio Cretti, a mostra apresenta mais de 20 trabalhos entre pinturas, desenhos, fotografias, filmes e gravuras, que fazem uma reflexão poética sobre a ausência de luz na produção recente de arte.

 
Tendo em comum uma luz finita pequena, que surge na escuridão, ou simplesmente de uma paleta reduzida a cores escuras e noturnas, as obras exibem de forma simples a sobriedade de questões vindas do expressionismo moderno.

 
Dentro dessa seleção exclusiva feita por Claudio Cretti, as obras de Oswaldo Goeldi aparecem nesse conjunto como uma proposição poética para a produção contemporânea, que se volta para o mundo da mesma forma que se coloca no universo da arte, ou seja, as preocupações e inquietações desses artistas atualizam questões de nossos dias à luz da tradição.

 

 

Artistas

 
Fazem parte da exposição os artistas: Ana Bê Elorza, Flora Leite, Germana Monte-Mór, Karen de Picciotto, Lucas Costa, Mariana Galender, Oswaldo Goeldi, Pedro França, Regina Johas e Thomaz Rosa.

 
Até 23 de dezembro.

ArtRio Carioca

07/dez

Obras de grandes nomes da arte moderna e contemporânea estarão na primeira edição da ArtRio Carioca. O evento é um desdobramento da Feira Internacional de Arte do Rio de Janeiro e vai acontecer entre os dias 08 e 11 de dezembro, no Shopping Village Mall, na Barra da Tijuca.

 
A feira de arte, que tem a participação exclusiva de galerias da cidade, amplia o calendário de ações da plataforma ArtRio e promove mais uma oportunidade para colecionadores e interessados em arte de ter acesso a uma seleção de trabalhos de importantes galerias.

 
Reconhecida como uma cidade com forte vocação cultural, o Rio reúne um público cada vez mais crescente em exposições e eventos de artes. Além da feira, em paralelo ao evento irão acontecer palestras sobre arte, mercado e colecionismo, com início já no mês de novembro.

 
A ArtRio CARIOCA é um projeto da BEX, produtora cultural especializada em artes visuais, cuja atuação tem sido um diferencial no cenário brasileiro, com ações e projetos que integram as instituições, galerias, artistas e curadores, formando novas audiências, estimulando o colecionismo e o crescimento do mercado das artes visuais.

 

 

Galerias participantes:

 
A Gentil Carioca, Anita Schwartz Galeria de Arte, Athena Contemporânea, Athena Galeria, Artur Fidalgo, Almacén Thebaldi, Colecionador Escritório de Arte, Galeria Movimento, Galeria da Gávea, Galeria Nara Roesler, Galeria de Arte Ipanema, Galeria INOX, Gustavo Rebello, Jacarandá, LURIXS: arte contemporânea, Marcia Barrozo do Amaral, Mul.ti.plo Espaço Arte, Silvia Cintra + Box 4, Pinakotheke, Ronie Mesquita, UQ! Editions e Um Galeria.

O livro de São Sebastião

05/dez

Anita Schwartz Galeria de Arte, Gávea, Rio de Janeiro, RJ, apresenta a partir de 14 de dezembro próximo a exposição “O livro de São Sebastião”, com trabalhos inéditos e feitos especialmente para o espaço da galeria pelo artista pernambucano Bruno Vilela, que desde 2001 é atuante na cena nacional e internacional. Serão apresentadas 15 pinturas, das quais sete óleos sobre tela e oito trabalhos sobre papel, nos quais Bruno Vilela utiliza diversas técnicas, desde a sobreposição da tinta óleo ao pastel seco e carvão, ao uso da folha de prata. As obras dão sequência à pesquisa do artista sobre arquétipos e mitologias, em que desta vez se aprofunda no universo judaico-cristão e no hermetismo.
“Pintar é uma maneira de reproduzir as imagens do inconsciente em uma tela. Na impossibilidade de se fotografar sonhos e pesadelos, é possível entrar em estado de sonho através da pintura”, conta Bruno Vilela, que aborda o universo onírico, e investiga memórias ancestrais e pessoais. “Esta exposição é como um livro. Seus textos foram perdidos. Mas suas ilustrações sobreviveram”, diz ele.

 

Artista que passa até onze horas no ateliê, Bruno Vilela foi tema de um episódio da série “Se Cria Assim”, do cineasta Cláudio Assis, dirigido por Beto Brant. Com 26 minutos de duração. O filme exibido este ano no canal Arte 1 será projetado no contêiner localizado no terraço da galeria. Além de dois livros de artista – “Animattack” (2014) e “Vôo Cego” (2010) – Bruno Vilela estreou ano passado na ficção, com o romance “A sala verde”, escrito após 70 dias cumprindo residência artística no Palácio do Marquês de Pombal, em Lisboa, a convite da instituição Carpe Diem Arte e Pesquisa. A publicação de 166 páginas, que inclui pinturas e montagens feitas pelo artista, estará à venda na galeria, durante o período de exposição, por R$ 35,00.

 

A cada série de trabalho Bruno Vilela usa um caderno onde anota ideias, o que lê, filmes que assiste, com o registro daquele período e produção. Ele colocará à disposição do público para leitura e manuseio o caderno que acompanha este trabalho “O livro de São Sebastião”.

 
Obras
A exposição segue uma narrativa misteriosa em muitas medidas, após estudo do espaço da galeria, para dispor seus trabalhos de acordo com esta narrativa, dividida em cinco capítulos. As obras ocupam o grande piso térreo, a escada, e o segundo andar. No diagrama feito pelo artista, ele comenta cada trabalho. A seguir, um resumo desses comentários:
(Cap. 1)
O Divã (2016, óleo e carvão s/ papel, 115cm x 150cm) – Uma visão da sala de Freud e seu divã. Para mim os sonhos e pesadelos são uma espécie de teatro, ou cinema fantásticos. Hiperfantásticos. O realismo mágico na pele. Com a prática é possível ter cada vez mais consciência durante os sonhos e aumentar o poder de memória de suas “cenas”.

 

Fio de prata (2016, óleo s/ tela, 90cm x 200cm) – Já houve o descolamento do corpo com o espírito. A alma entra na escuridão e fundo se avista a floresta do subconsciente. Um salto no vazio. A lua aparece no lugar da cabeça. É a luz para iluminar a escuridão da noite.

 

Moisés (2016, óleo e pastel seco sobre papel, 60cm x 80cm) – Uma luz sai de uma fenda na montanha. É o Monte Sinai. Referência ao momento em que Moisés vê a Sarça ardente e conversa com Deus. Tem alguma coisa lá longe na paisagem. O que tem dentro daquela fenda? Daquela caverna?

 

A Virgem dos Rochedos (2016, óleo sobre tela, 189,5cm x 120cm) – Lembrança da pintura de Da Vinci vista na National Gallery, em Londres. Não se vê os seres encantados, só suas auréolas.
(Cap. 2)
Maria (2016, óleo e carvão sobre papel, 65cm x 80cm) – Maria. Os ossos sagrados que nunca desaparecem. O útero é a caverna escura e a auréola o símbolo da santidade que brilha na sombra.

 

Fabíola (2016, óleo s/tela, 180cm x 140cm) – O amor de São Sebastião está na exposição frente a frente com o urso, na mesma altura dos olhos encarando o animal. Ela não tem os dois dedos, indicador e médio, fundamentais para um arqueiro. Os franceses arrancavam os dois dedos dos arqueiros ingleses. Por isso, levantar esses dois dedos na Inglaterra, é uma ofensa. Já os ingleses arrancavam o dedo médio dos arqueiros franceses. Daí surgiu o gesto de levantar o dedo!
São Sebastião (2016, óleo s/tela, 140cm x 190cm) – O urso. A resiliência. Foi flechado e não morreu. Foi um dos personagens centrais do romance “Fabíola” (“A Igreja das Catacumbas”), escrito em 1854 pelo Cardeal Nicholas Wiseman. Na minha desconstrução do mito o urso acha que foi flechado, mas não foi. Ele criou seu próprio sofrimento. A explicação está na arqueira, Fabíola, que não tem os dedos indicador e médio.
O Anjo (2016, carvão sobre papel, 92cm x 114cm) – Existem muitas referências a discos voadores na Bíblia. E uma vasta pesquisa em diversos livros como no clássico: “Eram os Deuses Astronautas?”, de Erich von Däniken.

 

 

(Cap. 03)
Paradise Lost (2016, óleo e pastel seco sobre papel, 80cm x 110cm) – “Paraíso Perdido”, escrito por John Milton, originalmente publicado em 1667 em dez cantos. O poema descreve a história cristã da “queda do homem”, através da tentação de Adão e Eva por Lúcifer e a sua expulsão do Jardim do Éden. Uso a imagem das placas Pioneer, que foram colocadas a bordo das naves espaciais Pioneer 10 (1972) e Pioneer 11 (1973), com uma mensagem pictórica que possa ser interceptada por vida extraterrestre ou até mesmo humanos do futuro. As placas mostram as figuras nuas de um homem e uma mulher. Na minha mitologia pessoal fazem o papel de Adão e Eva. Atrás vemos a árvore da Ciência do Bem e do Mal (“Gênesis” 3:22).

 

Red Right Hand (2016, óleo sobre tela, 150cm x 120cm) – A mulher com a espada é a versão feminina do Arcanjo Gabriel. “Red Right Hand” é uma música de Nick Cave baseada num texto de John Milton, “Paradise Lost” (1667). A mão vingativa de Deus. O Arcanjo em forma de mulher. A unha da mão vermelha é branca, e a unha da mão branca é vermelha. Yin & Yang circulando no corpo. A bengala é de preto velho. Para Milton, antes de serem expulsos, Adão e Eva receberam uma revelação do Arcanjo Gabriel sobre o horror que o homem cometeria ao longo da história da humanidade.

 

O Pontífice (2016, óleo e folha de prata sobre tela, 90 cm x 130 cm) – A Ponte do Diabo ou Ponte Mizarela, localizada na fronteira de Portugal com a Espanha, na Serra do Gerês. Segundo o mito um fugitivo da justiça se vê aos pés de um penhasco, onde abaixo passava um rio cheio de pedras. Apelou para o Diabo que construiu a ponte, em troca lhe ofereceu a alma. Depois de escapar, a ponte é derrubada pelo demônio e seus perseguidores não podem lhe pegar mais. Depois do ocorrido, aflito pelo que fez, o ladrão pede a ajuda de um padre. Esse o faz invocar novamente o criador da ponte. E lhe pede que a construa novamente. Ele faz sua vontade e levanta a ponte. Então surge o padre lhe joga água benta, fazendo o anjo do mal desaparecer. A ponte foi construída pelo Diabo, mas mantida pelo emissário de Deus. O padre, O Pontífice. Que como Mercúrio, Hermes, Exu e Pã, faz a ligação entre o mundo dos mortais e o Divino. A ponte simboliza essa passagem. A aureola é feita de folha de prata, forma o símbolo do infinito, ou a fita de Möebius, junto com o vão da ponte.
O Dilúvio (2016, óleo sobre tela, 110cm x 140cm) – O Fechamento. A balsa de salvamento é arremessada ao mar e o barco naufraga. No fundo vem vindo a tempestade, que já molha a tela, a visão do observador, com o escorrido da tinta. Representa O Homem, Adão e Eva, a humanidade. Expulsos do paraíso perdido.

 

(Cap. 04)
A escada de Jacó (2016, carvão s/ papel, 80cm x 60cm) – Esta obra fica na escada da galeria e faz a ponte entre o térreo e o segundo andar. O espectador vê e sente a passagem na própria escada que está prestes a subir para encontrar as duas últimas obras.
(Cap. 05)
A Terra (2016, carvão mineral e folha de ouro s/papel, 140cm x 115cm) – Do pó ao pó. A lembrança do mundo clássico grego no jarro de cerâmica. A terra presente no jarro é eterna, como os ossos, nunca desaparece. De dentro sai flutuando, com o mesmo diâmetro da boca do jarro, a serpente. Ouroborus. Aquela que se arrasta pela terra.

 

O Céu (2016, carvão mineral e folha de ouro s/papel, 140cm x 115cm) – No livro sagrado do hermetismo, o “Caibalion”, o primeiro e mais importante dos sete preceitos herméticos é:” O todo é mente. O Universo é mental”. A Deusa tem o rosto solar. O Sol é representado pelo ouro em diversas civilizações. A pedra filosofal dos hermetistas, que se disfarçavam de alquimistas (químicos de suas épocas), transformava metais pesados em ouro. Mas isso era uma metáfora pra transformar sentimentos e mentes primitivas e vulgares em luz através do conhecimento. O ouro, o sol, a luz, são o conhecimento divino. Na arte hermética e alquímica o sol é representado pela figura humana de um homem ao lado de uma mulher com a lua no rosto. Aqui eu subverto essa imagem clássica do misticismo e fecho essa história, não linear, fruto de um sonho, simbólica e espiritual, com as últimas palavras de William Turner no leito de morte: “Deus é o Sol”.

 
Sobre o artista
Bruno Vilela nasceu em Recife, 1977, onde vive e trabalha. O artista participa de mostras individuais e coletivas no Brasil e no exterior deste 2001. Seu trabalho integra coleções como a do Centro Cultural São Paulo, Banco Mundial, em Washington, Centro Dragão do Mar, e Centro Cultural do Banco do Nordeste, em Fortaleza, Museu de Arte Moderna Aluísio Magalhães (MAMAM), Fundação Joaquim Nabuco e Museu do Estado de Pernambuco, em Recife. Das exposições individuais realizadas, destacam-se “A Sala Verde”, Palácio Pombal, Carpe Diem Arte e Pesquisa, Lisboa/Portugal, “ELA”, Dragão do Mar, Fortaleza, em 2015; “Dia de festa é véspera de dia de luto”, Paço das Artes, São Paulo, em 2013; “O Céu do Céu”, Museu do Estado de Pernambuco, Recife, em 2009; “Bibbdi Bobbdi Boo”, Galeria Massangana, FUNDAJ, Recife, em 2008; “Réquiem sobre papel”, Museu Murilo La Greca, Recife, em 2006. Dentre as coletivas selecionadas, estão “Orixás” Casa França Brasil, Rio de Janeiro, 2016; “Art from Pernambuco”, Embaixada do Brasil, Londres, 2015; “New Brasil Bolivia Now”, Memorial da América Latina, São Paulo, 2013; “Metrô de superfície”, Paço das artes, São Paulo, 2012; “World Bank Art Program”, Washington, e “Jogos de guerra”, Caixa Cultural Rio de Janeiro, 2011; “Investigações Pictóricas”, MAC Niterói, 2009, 58º Salão de Arte Contemporânea do Paraná, MAC, Curitiba, e Prêmio Internacional de Pintura de Macau, IMM, Macau, China, 2001.

 
De 14 de dezembro a 04 de março de 2017.

 

Oito décadas de Arte Naïf 

11/nov

Jacques Ardies, marchand franco-belga estabelecido no Brasil e proprietário da galeria que recebe o seu nome é também o curador da mostra coletiva “Arte Naif, uma viagem na alma brasileira”, com abertura no dia 12 de novembro, no Memorial da América Latina – Galeria Marta Traba, Barra Funda, São Paulo, SP.

 

Interpretar a “arte naif” por si só já é um desafio, visto que se trata de uma expressão regional que percorre o mundo assumindo aspectos de acordo com os artistas que expõe suas próprias experiências, por meio de linhas e formas peculiares, sem ter recebido uma orientação formal. Algumas de suas principais características são o uso de cores fortes, a retratação de temas alegres, traços figurativos, a idealização da natureza e sem a preocupação com a perspectiva, ou seja, às vezes, ela é bidimensional. É exatamente por isso que no Brasil, esta arte goza de um ambiente ideal que se amplifica mais ainda graças à exuberância das florestas, à intensa luminosidade e ao conhecido calor humano brasileiro.

 

Como trata-se de um país com tamanha vastidão cultural, para a mostra, foram escolhidos 70 nomes representativos desse gênero específico de expressão artística. Os artistas foram divididos em três núcleos: Histórico – composto por registros de nomes já reconhecidos no segmento e com trajetória sólida; Atual, com nomes ativos no presente, cujos trabalhos também sofrem influencias de novas técnicas e temas contemporâneos e complementando a exposição, uma área especial composta por 10 esculturas do segmento destacado.

 

Segundo Jacques Ardies, a Arte Naïf baseia-se na liberdade para expressar memórias e emoções, por isso, escolhe apresentá-la em montagem em ordem cronológica, começando pela década de 40 até os dias atuais, com destaque para a pintura tropicalista, as evocações divinas em degradés sofisticados e outras características marcantes como cenas paulistanas, cores quentes, a boemia carioca e baianas em trajes finos. O curador observa que os artistas conseguem superar suas dificuldades técnicas e criar uma linguagem inédita, pessoal e singular. Essa liberdade da execução permite maior dedicação ao essencial da arte que pode ser observada pelas pessoas que ainda preservam intacta sua capacidade de encantar-se com o que pode ser apreciado numa exposição.

 

 

Artistas participantes

 

Agenor, Agostinho Batista de Freitas, Alba Cavalcanti, Ana Maria Dias, Antônio Cassiano, Antônio de Olinda, Antônio Julião, Antônio Porteiro, Artur Perreira, Bajado, Barbara Rochltiz, Bebeth, Chico da Silva, Conceição da Silva, Constância Nery, Crisaldo Morais, Cristiano Sidoti, Denise Costa, Dila, Doval, Edivaldo, Edna de Araraquara, Edson Lima, Elisa Martins da Silveira, Elza O.S, Ernani Pavaneli, Francisco Severino, Geraldo Teles de Oliveira, Gerson, Gilvan, Grauben, Helena Coelho, Iaponí Araújo, Ignácio da Nega, Iracema, Isabel de Jesus, Ivan Moraes, Ivonaldo Veloso de Melo, José Antônio da Silva, José de Freitas, José Perreira, Lia Mittarakis, Louco, Lourdes de Deus, Lucia Buccini, Luiz Cassemiro, Madeleine Colaço, Magdalena Zawadzka, Maite, Malu Delibo, Mara Toledo, Marcelo Schimaneski, Maria Auxiliadora, Maria Guadalaupe, Miranda, Mirian, Neuton de Andrade, Olimpio Bezerro, Passarinheiro, Raimundo Bida, Rodolpho Tamanini Netto, Rosina Becker do Valle, Silvia Chalreo, Soati, Sônia Furtado, Vanice Ayres, Waldemar, Waldomiro de Deus, Wilma Ramos e Zé do Embu.

 

 

A galeria

 

A Galeria Jacques Ardies, na Vila Mariana, está sediada em imóvel antigo totalmente restaurado. Desde sua abertura em Agosto de 1979, atua na divulgação e a promoção da arte naif brasileira. Ao longo de 37 anos, realizou inúmeras exposições tanto em seu espaço como em instituições nacionais e estrangeiras, onde podemos destacar MAC/ Campinas, MAM/ Goiânia, Espace Art 4 – Paris, Espaço Cultural do FMI em Washington DC, USA, Galeria Jacqueline Bricard, França, a Galeria Pro Arte Kasper, Suíça e Gina Gallery, Tel-Aviv, ,Israel. Em 1998, Jacques Ardies lançou o livro “Arte Naif no Brasil” com a colaboração do crítico Geraldo Edson de Andrade e em 2003, publicou o livro sobre a vida e obra do artista pernambucano Ivonaldo, com texto do professor e crítico de arte Jorge Anthonio e Silva. Em 2014, publicou Arte Naïf no Brasil II, de sua autoria, com textos complementares dos colecionadores Daniel Achedjian, Peter Rosenwald, Marcos Rodrigues e Jean-Charles Niel. A galeria possui em seu acervo obras, entre quadros e esculturas, de 80 artistas representativos do movimento da Arte Naif brasileira.

 

 

A galeria Marta Traba

 

A Galeria Marta Traba de Arte Latino-Americana é um espaço privilegiado para a difusão da arte latino-americana e para o intercâmbio cultural com os países do nosso Continente. Projetada por Oscar Niemeyer, a Galeria é hoje o único espaço museológico existente no Brasil, inteiramente dedicado às artes e à cultura latino-americanas. Ocupando uma área de 1.000 m², o espaço é sustentado por uma única coluna central, circundado por painéis que permitem ao visitante, desde a entrada, uma visão do conjunto das obras expostas.

 

 

Até 06 de janeiro de 2017.

Na CAIXA Cultural Rio 

01/nov

A CAIXA Cultural, Galeria 4, Centro, Rio de Janeiro, RJ, apresenta “Mostra Bienal CAIXA de Novos Artistas”, que reúne trabalhos de jovens talentos das artes visuais de todo o Brasil. A exposição apresenta 36 obras em diversos formatos: fotografia, escultura, pintura, gravura, desenho, objeto, instalação, videoinstalação, intervenção e novas tecnologias. A seleção das obras traz a assinatura da curadora Rosemeire Odahara Graça.

 

Resultado de projeto de apoio à cultura promovido pela CAIXA, a exposição recebeu 1.977 obras inscritas por 860 artistas iniciantes de todo o Brasil e selecionou trabalhos de 24 participantes. Os critérios de escolha foram originalidade, experimentação, inovação, conceito, qualidade artística e contemporaneidade. “Escolhemos as obras que tivessem um valor em si mesmas e que conversassem com as propostas contemporâneas de arte”, explica Rosemeire. Seguindo o regulamento da Seleção, foram escolhidos artistas que ainda não haviam exibido trabalhos em exposição individual.

 

A curadora avalia que a “Mostra Bienal CAIXA de Novos Artistas” foi bem sucedida em sua proposta de divulgar artistas ainda iniciantes ou recém-saídos da universidade, numa época de esvaziamento de espaços físicos de exibição nas artes visuais, com o fim dos grandes salões de arte e a chegada da internet. “Nesse novo momento de reformulação das artes visuais no Brasil, a Mostra Bienal CAIXA trouxe uma solução interessante para dar visibilidade a esses artistas”.

 

A Mostra Bienal CAIXA de Novos Artistas encerra esta edição no Rio de Janeiro depois de passar por todas as unidades da CAIXA Cultural: Curitiba, São Paulo, Brasília, Fortaleza, Recife e Salvador.

 

 

De 01 de novembro a 31 de dezembro.