O Mar de Rosas de Paulo von Poser.

11/set

“Mar de Rosas” celebra os trinta anos da exposição que, em 1996, reuniu pela primeira vez um conjunto de obras dedicado exclusivamente à rosa. Desde então, essa flor tornou-se presença constante na arte e na vida de Paulo von Poser, acompanhando sua produção em desenhos, pinturas, aquarelas, gravuras, esculturas, instalações e performances. A rosa surgiu discretamente nos desenhos realizados entre 1980 e 1985 e apareceu como protagonista em uma série desenvolvida em 1988, publicada no calendário do Museu de Arte Contemporânea no ano seguinte. A partir daí, atravessou inúmeras exposições, ora como elemento central, ora integrada às paisagens, às cidades e às reflexões sobre memória, natureza e espaço urbano.

A exposição “Mar de Rosas”, apresentada em 1996 no Espaço Ox, com curadoria de André Millan e Mariângela Bordon, representou um ponto de inflexão nessa pesquisa. Dela nasceu um universo que se expandiu muito além da pintura, dando origem a uma rara coleção de obras, objetos, fotografias, livros, poemas e referências dedicadas à presença e a história da rosa na cultura brasileira e internacional.

Nas décadas seguintes, esse percurso desdobrou-se em projetos realizados no Brasil e no exterior. As rosas dialogaram com as cidades em “Rosas no Ar” e “Rosas na Terra” (1999), transformaram-se em esculturas transparentes na exposição “Horizontes” (2001), participaram de exposições em Paris e Lima, sobrevoaram São Paulo em um dirigível na mostra “Você Está Aqui” (2006), ganharam escala monumental na escultura “Rosé au Calvaire”, instalada em Saint-Flour, na França (2007), permaneceram presentes em séries dedicadas à paisagem, à arquitetura e à cidade e, em 2012, na exposição “Floração”, apresentada no Museu de Arte Sacra de São Paulo, inspiraram desenhos das rosas barrocas presentes no acervo do Museu, e uma série de “Rosas relicários contemporâneos”. Em 2023, essa longa investigação encontrou uma nova dimensão na exposição “Rosas Brasileiras”, apresentada no Farol Santander, que reuniu a coleção construída pelo artista ao longo de décadas e obras de mais de uma centena de artistas brasileiros, provenientes de acervos públicos e privados, unidos pela presença da rosa.

A atual exposição não pretende ser uma retrospectiva. É uma celebração. Reúne obras de diferentes momentos, escolhidas por Paulo von Poser e pela curadora Flávia Daud, revelando a permanência e a transformação de um mesmo tema ao longo de três décadas. Mais do que uma flor, a rosa tornou-se uma linguagem da alma do artista. Presente nas mais diversas culturas e tradições espirituais, símbolo de beleza, regeneração e mistério, ela permanece como um enigma humano inesgotável. Cada nova obra representa uma tentativa de aproximar-se desse centro simbólico, onde natureza, memória e imaginação se encontram.

Celebrar os trinta anos de “Mar de Rosas” no Clube Atlético Monte Líbano é celebrar um percurso artístico que continua em pleno florescimento.

II Ato de Florescer – Colecionar o Presente.

No dia 12 de setembro, será apresentado na Casa 70 Galeria, Gávea, Rio de Janeiro, RJ, um novo momento de “Florescer – Diálogo entre a Arte Moderna Brasileira e a Produção Contemporânea”. 

“Estamos expondo novas obras de novos artistas e propondo uma outra maneira de viver a exposição e descobrir encontros entre diferentes gerações da arte brasileira”, diz a curadora Elis Valadares.

O II Ato reúne obras de Alberto da Veiga Guignard, Antonio Bandeira, Candido Portinari e José Pancetti, em diálogo com Bruno Borne, Bruno Marchetto, Carolina Kasting, Dani Lacerda, Diana Gondim, Fessal, Giovanna Nucci, Heberth Sobral, Iole de Freitas, Lair Uaracy, Lorena Bruno, Lucas Finonho, Lucas Ribeiro, Marcelo Carrera, Marcos Corrêa, Mariana Riera, Marina Rodrigues, Miru Brüggmann, Ricardo Alcaide, Safe Art, Samira Pavesi, Sabrina Cuiligotti, Tatiana Bertrand e Thomaz Velho.

Na primeira edição, inaugurada em julho, o espaço ampliou sua proposta curatorial ao promover um diálogo entre a arte moderna brasileira e a produção contemporânea representada pela galeria. Foram reunidas obras de quatro pilares fundamentais da pintura moderna brasileira em diálogo com a produção contemporânea desenvolvida pelos artistas representados pela CASA70 Galeria.

Na sequência, nos dias 18 e 19 de setembro, das 10h às 18h, acontece o II Ato de Florescer – Colecionar o Presente que sairá da Casa70 e estreia na Semana de Arte do Rio com a participação de 13 espaços de arte e criatividade.

Até 30 de setembro.

Quando São Francisco encontra Guido Totoli.

Exposição reúne obras de diferentes décadas e criações recentes em torno de uma referência que acompanha o artista desde a infância.

Guido Totoli apresenta, em 17 de setembro, no Instituto Italiano de Cultura de São Paulo, Higienópolis, a exposição “Guido Totoli e São Francisco – Terra, Transformação, Espírito”, com curadoria de Claudia Totoli. A mostra reúne 22 obras entre desenhos, pinturas, esculturas e cerâmicas, realizadas em diferentes momentos de uma trajetória que atravessa mais de sete décadas, incluindo tanto peças de seu acervo pessoal quanto trabalhos criados especialmente para a ocasião. A partir de sua relação com São Francisco de Assis, o conjunto estabelece um diálogo entre terra, transformação e espírito.

A escolha de São Francisco é proposital e sua presença acompanha a produção de Totoli, ganhando na exposição novas possibilidades de leitura a partir do diálogo entre obras de diferentes períodos. Para a curadora, esse percurso evidencia uma afinidade que ultrapassa a representação do santo e se aproxima de valores presentes na própria produção do artista, como a relação com a natureza, a simplicidade e a atenção ao outro.

“A relação de Guido com São Francisco atravessa sua trajetória. Ao selecionar as obras, fui percebendo como a figura do santo, sua relação com a natureza e sua atenção aos mais necessitados já estavam presentes, de diferentes formas, em sua produção. Parecia que tudo já estava conversando”, define Claudia Totoli.

Essa leitura também orientou a construção do espaço expositivo. O percurso parte da ideia de peregrinação: no centro, as esculturas formam uma cruz grega inscrita em um octógono; ao redor, desenhos, pinturas e painéis cerâmicos apresentam diferentes momentos da vida e da mensagem de São Francisco. Elementos sonoros e uma fragrância inspirada em folhas e capim fresco integram a montagem. 

A exposição integra a programação do Instituto Italiano de Cultura de São Paulo dedicada aos 800 anos da morte de São Francisco de Assis, aproximando diferentes tempos da produção de Totoli em torno de uma referência que permanece ativa em seu trabalho.

A fala do artista.

“Com a minha idade e experiência, pude transitar por vários temas durante minha carreira. Experimentei vários instrumentos, mas foi na pintura, cerâmica, escultura em terracota e desenho que adquiri um conhecimento muito grande. Manusear esses materiais é a minha vida”.

“Hoje, para me inspirar, junto tudo o que aprendi na minha vida e que se completou agora. Onde estou, na rua, no carro, estou tendo ideias. Daí me preparo mentalmente através dessas ideias e coloco em prática.”.

Até 07 de novembro.

 

Superando os limites do espaço e do tempo.

08/set

A exposição “Ismael Nery: armadilha moderna”, dedicada ao trabalho de Ismael Nery (1900-1934), pintor, desenhista, arquiteto, decorador, cenógrafo e poeta, investiga a trajetória de um dos artistas mais inquietantes do Modernismo Brasileiro. 

Ismael Nery apropriou-se de linguagens como a ilustração, o cubismo e o surrealismo, alterando-as a partir de suas próprias inquietações. Em pinturas, desenhos e poemas, o corpo tornou-se o lugar onde ele investigou a instabilidade da identidade, a fusão entre os gêneros, a corrupção da matéria e o desejo religioso de superar os limites do espaço e do tempo. 

A mostra reúne cerca de 230 obras, entre desenhos, pinturas, retratos, autorretratos e composições com figuras humanas sensuais, muitas vezes andróginas, algumas ameaçadoras, que operam na fronteira entre o afeto e a violência, o desejo carnal e o trauma da finitude. 

Desde sempre compreendido como uma das vozes mais singulares da arte brasileira, Ismael Nery tem sua trajetória revista pela Pinacoteca nessa mostra panorâmica que apresenta suas contradições, sua densidade teórica e a radicalidade de suas invenções.

Em cartaz até 31 de janeiro de 2027.

Sobre o artista.

Ismael Nery (Belém, PA, 1900 – Rio de Janeiro, RJ, 1934) foi pintor, desenhista, arquiteto, cenógrafo, ilustrador e poeta. Ingressou na Escola Nacional de Belas Artes em 1917 e complementou seus estudos na Académie Julian, em Paris, em 1920. Em suas viagens à Europa, entrou em contato com expoentes do surrealismo e do cubismo, como André Breton, Marcel Noll e Marc Chagall, desenvolvendo, contudo, uma poética própria pautada pelo Essencialismo. Autor de uma vasta produção gráfica e pictórica focada na figuração humana, na anatomia, na androginia e na retratística, faleceu precocemente aos 33 anos em decorrência de complicações da tuberculose. 

Sua filosofia fundamentava-se no desprendimento das noções de tempo e espaço, buscando na criação o desdobramento do “eu” e a revelação de uma verdade imutável situada por trás das formas efêmeras da matéria. Essa busca traduziu-se no recorrente tema da androginia e da duplicidade. Em suas telas, corpos desprovidos de gênero definido, figuras calvas e duplos espelhados se fundem em um abraço sensual ou melancólico. Exemplo central desse procedimento é a obra Autorretrato com Adalgisa (sem data), na qual a face do artista e a de sua esposa, a escritora e poeta Adalgisa Nery (1905-1980), aparecem sobrepostas e portadoras dos mesmos traços anatômicos, sugerindo manifestações complementares de um único organismo espiritual. Em outras obras, Ismael Nery desestrutura a anatomia das figuras humanas – expondo suas vísceras para depois reconstituí-las enquanto unidade. Em obras como Visão Interna – Agonia (1931) e Eternidade (1931), o corpo surge aberto, visceral e fragmentado: as entranhas humanas articulam-se com a paisagem e com a terra, convertendo o sofrimento em meditação sobre a mortalidade e a eternidade.

Memória familiar e imaginação.

02/set

A Fortes D’Aloia & Gabriel apresenta espírito jardim humana, primeira exposição individual de Tadáskía desde seu ingresso na galeria. Com abertura em 14 de setembro de 2026, na Carpintaria, Jardim Botânico, Rio de Janeiro, RJ, a mostra reúne trabalhos que articulam memória familiar e imaginação. Ancoradas em uma cosmologia própria, as obras combinam formas abstratas e elementos orgânicos, que assumem figuras híbridas, situadas entre personagens e ambientes.
Em pinturas sobre tela e sobre suportes escultóricos em papel couro, folheado de madeira e MDF, a artista desenvolve um léxico de formas e presenças associado a uma espécie de anima, entendida como força constitutiva de sua criação. Bichos, legumes, cabelos, cascas e outras referências atravessam esse repertório, ao lado de galhos, palhas de taboa, bromélias, frutas, ovos, líquidos e outros materiais que se prolongam no espaço expositivo. Em suas “aparições”, como a artista denomina as fotografias realizadas em 35mm, assim como nas superfícies, ranhuras, relevos e passagens de cor, diferentes elementos se articulam entre imagem, matéria e forma. Aquilo que se apresenta de modo sugerido na pintura e no desenho ganha corpo e volume nos trabalhos escultóricos, estabelecendo relações entre diferentes meios e procedimentos.
espírito jardim humana assinala também uma inflexão sutil na produção recente de Tadáskía, marcada pelo aparecimento de áreas de branco e do suporte exposto. O branco reaparece nos desenhos e no interior das cascas, relevos pintados a óleo, e também em trechos onde a tinta foi raspada. Essas áreas de vazio assumem uma função compositiva, introduzindo intervalos de luz e abertura que alteram o ritmo e a atmosfera das obras. Ao redor desse núcleo, as esculturas articulam elementos encontrados e objetos transformados, aproximando materiais de diferentes origens e temporalidades. Grafismos e campos de cor organizam superfícies e camadas que ampliam as relações entre pintura, desenho e escultura.
Até 28 de outubro.

As redes de Daisy Xavier.

31/ago

Maneco Müller: Multiplo Galeria, Leblon,  Rio de Janeiro, RJ, promove conversa entre Daisy Xavier e o crítico de arte Fred Coelho. Com quatro décadas de trajetória na arte visual, artista carioca fala de sua pesquisa poética ligada à sua atuação como psicoterapeuta. O encontro acontece no dia 03 de setembro, a partir das 18h30, com entrada franca.

A Maneco Müller: Multiplo Galeria, que promove o encontro em torno da exposição “Anfi”, atual cartaz da galeria, com entrada gratuita, uma oportunidade para o público conhecer com mais profundidade a obra da artista carioca com 40 anos de trajetória e cujo processo criativo acontece em diálogo com sua formação em psicologia e atuação como psicoterapeuta. 

O bate-papo parte dos trabalhos reunidos em “Anfi”, primeira exposição individual de Daisy Xavier na galeria, e aborda questões recorrentes em sua pesquisa, como a permeabilidade das fronteiras entre “o dentro e o fora”, identidade e alteridade. Na produção da artista, essas relações são frequentemente representadas pela figura da rede, que ganha destaque nas pinturas e desenhos que compõem a mostra. Neles, linhas se sobrepõem, cruzam e se conectam, formando tramas que desafiam a lógica, numa dinâmica visual que funciona como metáfora dos fluxos instáveis do inconsciente.

Autor do texto crítico da mostra, Fred Coelho participa do encontro para aprofundar as questões presentes na pesquisa de Daisy Xavier e nos trabalhos reunidos em “Anfi”. Em sua análise, ele destaca a força das tramas criadas pela artista e a maneira como elas estabelecem relações com aquilo que não está imediatamente visível: “Dos traços firmes e urgentes que Daisy provoca nesses trabalhos, temos uma série de diálogos em direção ao que não está ali”.

A exposição fica em cartaz até 04 de setembro.

Um novo olhar.

27/ago

O Ministério da Cultura e a Fundação Vera Chaves Barcellos convidam para a abertura da exposição coletiva “Uma Força Estranha”, que será inaugurada no dia 29 de agosto de 2026, sábado, das 11h às 17h, na Sala dos Pomares, em Viamão, RS.
Dando continuidade à programação expositiva de 2026, dedicada à produção de artistas mulheres, “Uma Força Estranha” traz um novo olhar para o Acervo Artístico da Fundação, reunindo 53 obras de 36 artistas brasileiras e internacionais. O conjunto contempla trabalhos em desenho, pintura, gravura,  fotografia, vídeo, objeto, instalação, entre outras técnicas e linguagens. A organização é de Vera Chaves Barcellos, com expografia de Arthur Bonfim e textos de Ana Albani de Carvalho

Nas palavras de Vera Chaves Barcellos:
“Uma Força Estranha se inspira em uma das obras primas da música popular brasileira de todos os tempos, a criação de 1978, de Caetano Veloso, eternizada pela incomparável voz de Gal Costa. Em Força Estranha, Caetano traça poeticamente a defesa da criação e da linguagem artística como uma força incontida que impulsiona o/a artista a criar de forma verdadeira e atemporal. Aqui, podemos ver exemplos dessa força estranha nessas verdades expressas em suas mais diversas formas, nas obras deste conjunto de mulheres.”

Artistas participantes.

Regina Silveira, Lia Menna Barreto, Maria Lídia Magliani, Gisela Waetge, Wanda Pimentel, Karin Lambrecht, Marina Camargo, Maria Lucia Cattani, Débora Bolzsoni, Teresa Poester, Helena D’Avila, Fernanda Chemale, Romy Pocztaruk, Dione Veiga Vieira, Ío (Laura Cattani e Munir Klamt), Paula Krause, Brígida Baltar, Lurdi Blauth, Ananda Kuhn, Elaine Tedesco,  Thereza Miranda Alves, Ana Maria Tavares, Lily Hwa, Suely Anna Kelling, Vera Chaves Barcellos, Mara Alvares, Sarah Bliss, Mariana Silva da Silva, Virginia de Medeiros, Heloisa Schneiders da Silva, Carla Borba, Begoña Egurbide, Monika Funke Stern, Marlies Ritter, Teresa Puppo, Francesca Llopis.

Multiplicidade de vozes e identidades.

26/ago

A Nara Roesler, Jardim Europa, São Paulo, SP, convida no dia 29 de agosto, das 11h às 15h, para a aberturada da exposição “Speaking in Tongues” (Falando em línguas), com curadoria de Magalí Arriola, que apresenta obras – esculturas, pinturas, desenhos, fotografia, objetos – dos artistas Antonio Dias, Dan Graham, Carlos Bunga, Tania Pérez Córdova, Jonathan Torres, Ann Lislegaard, Petrit Halilaj, Gino De Dominicis, Adriano Amaral, Julia Gallo e a dupla Guadalupe Rosales e rafa esparza.

A curadora explica que “Speaking in Tongues” (Falando em línguas) se opõe à “lógica contemporânea que busca nos categorizar como indivíduos – apagando todas as formas de opacidade – criando categorias e associações”. Contra essa tendência, a mostra reúne uma multiplicidade de vozes e identidades, e “reativa a especulação, o sonho e outras formas de subjetividade como estratégias para resistir à urgência de cristalizar o futuro”.

“Aquilo que se apresentava como futuro deixa de ser o lugar das grandes narrativas, previsões, promessas ou adivinhações e passa a ser, em vez disso, um campo conjectural no qual tecnologia e messianismo, medo e nostalgia, espera e utopia, conspiração e linearidade, trama e profecia se entrelaçam”, afirma Magalí Arriola. 

A mostra integra o ciclo comemorativo dos 50 anos de trajetória de Nara Roesler, e celebra o Roesler Hotel, projeto iniciado em 2004 e que, ao longo de 29 edições, acolheu artistas, curadores e ideias de diferentes partes do mundo, como um espaço de experimentação. Nesta edição especial, foi convidada a escritora e curadora Magalí Arriola, ex-diretora do Museo Tamayo, na Cidade do México, e curadora do Pavilhão do México na 58ª Bienal de Veneza (2019), e curadora chefe da Bienal Internacional de Arte e Cidade de Bogotá (Bog27) em 2027, entre muitas outras funções.

Até o dia 24 de outubro. 

Três mestres da charge.

14/ago

A exposição Charge Mestra reúne a obra de três grandes artistas gaúchos: Edgar Vasques, Santiago Neltair Abreu e Celso Augusto Schröder, no Centro Histórico-Cultural Santa Casa, Porto Alegre, RS.

A abertura será no dia 20 de agosto, às 18h. E haverá uma programação especial para celebrar o início desta mostra.

“Charge Mestra” apresenta um conjunto de desenhos, publicações e documentos sobre o processo de criação dos artistas, organizados e selecionados ao longo de cinco décadas de produção. A proposta é apresentar uma mostra inédita, com reflexão crítica e bem-humorada sobre a realidade histórica e contemporânea, evidenciando a força e a relevância das charges como linguagem e pensamento.

A exposição fica em cartaz até 27 de setembro, na Sala de Múltiplos Usos I do CHC Santa Casa, de segunda a sábado, das 8h às 18h30, com entrada franca.

Nova exposição de Ernesto Neto.

10/ago

A Fortes D’Aloia & Gabriel apresenta “Vonta de vi dada dada”, uma nova exposição individual de Ernesto Neto, inaugurada simultaneamente nos espaços Barra Funda e Jardins da galeria, em São Paulo. 

Reunindo um novo conjunto de instalações escultóricas, trabalhos sobre papel e intervenções textuais, a mostra amplia a investigação de longa data do artista sobre a interdependência entre corpos, materiais e sistemas vivos. Distribuídas entre os dois espaços, esculturas em crochê de algodão, cordas trançadas, bambu, aço corten e argila assumem configurações orgânicas que evocam insetos, raízes, montanhas, florestas e outras formas híbridas, propondo a escultura como um campo de relações, movimento e transformação contínuas.

No centro da exposição está uma nova série de esculturas murais que Neto denomina InsePás: estruturas tensionadas e celulares que se expandem pelas paredes, tetos e cantos da arquitetura como organismos vivos ou fluxos de energia atravessando o espaço. Desenvolvidos a partir de pesquisas anteriores sobre suspensão, equilíbrio e estruturas relacionais, esses trabalhos aprofundam a compreensão do artista da escultura como algo ativado pelo encontro, e não como forma estática. Em diálogo com eles, a exposição inclui uma escultura de grande escala em aço corten cuja estrutura ramificada evoca simultaneamente uma paisagem montanhosa e um corpo vivo sustentado por relações de equilíbrio e apoio mútuo.

Em conjunto, as obras transformam a galeria em um ecossistema permeável, mais do que em um espaço expositivo neutro. Escultura, desenho, escrita e som articulam-se como manifestações de uma visão de mundo marcada pelo pensamento cosmológico, pela interdependência ecológica e pelo conhecimento incorporado. Em vez de estabelecer separações entre natureza e cultura, ou entre arquitetura e corpo, a exposição propõe um ambiente em que formas humanas e não humanas coexistem em constante intercâmbio, reafirmando a compreensão de Ernesto Neto de que a vida se sustenta por meio das relações, da reciprocidade e da vitalidade compartilhada entre todos os seres.