Mosaico vibrante da cultura brasileira.

28/ago

A rua pulsa. Respira histórias, abriga encontros, guarda memórias em movimento. É nesse fluxo, entre passos, motores, olhares e afetos, que o Brasil se revela e se reinventa todos os dias.

Em cartaz até 11 de outubro, a exposição inédita “Celebrar as ruas: 50 anos de Fiat e brasilidade na Casa Fiat de Cultura” convida a mergulhar nessa paisagem viva, onde arte, celebrações, moda e automóveis se entrelaçam para contar uma história coletiva. Com 112 obras de arte, 104 fotografias, vídeos, instalações experienciais e obras site-specific, o percurso se expande em 17 looks de moda, 7 carros icônicos – incluindo os carros-conceito Dolce Camper e o Mio -, compondo um mosaico vibrante da cultura brasileira.

Entre as grandes atrações, instalações imersivas que convidam ao sentir, veículos históricos que atravessam gerações e experiências sensoriais que despertam memória, pertencimento e imaginação.

Em diálogo com os 50 anos da Fiat no Brasil e os 20 anos da Casa Fiat de Cultura, a mostra celebra caminhos, conecta tempos, imagina o futuro e convida cada visitante a viver, com intensidade, o Brasil em movimento.

Um panorama da obra de Tatiana Blass.

Ministério da Cultura, Nubank e Instituto Tomie Ohtake apresentam Tatiana Blass – Contrarregra, com curadoria de Ana Roman e Lahayda Mamani Poma. A mostra reúne cerca de 50 obras produzidas entre 2008 e 2026, entre pinturas, esculturas, instalações, vídeos e um conjunto de trabalhos inéditos, oferecendo um panorama da produção da artista e de sua investigação sobre matéria, espaço, luz e tempo.

O título da exposição faz referência à figura do contrarregra, responsável por organizar os bastidores e criar as condições para que a cena aconteça sem ocupar o centro do palco. A partir dessa ideia, a mostra aproxima a prática da artista à lógica teatral ao apresentar obras que deslocam a atenção do resultado para os processos que tornam a imagem possível. Embora tenha a pintura como ponto de partida, sua produção se expande para diferentes linguagens – como esculturas, instalações, vídeos, performances – e materiais, como vidro, bronze, cera, cerâmica, entre outros.

Entre os destaques da exposição estão um núcleo significativo de obras inéditas, desenvolvido especialmente para o Instituto Tomie Ohtake, e trabalhos de diferentes momentos da trajetória da artista. As novas pinturas da série “Contraluz”, realizadas sobre vidro, incorporam a arquitetura, a incidência da luz e o deslocamento do visitante à própria imagem, enquanto obras das séries “Metade da fala no chão”, “Quebra-quebra”, “Nó”, “Noite-dia” e “Contrarregra” evidenciam o diálogo que a artista propõe entre pintura, escultura, som e palavra.

A transformação da matéria ocupa um lugar central na mostra. Em diferentes trabalhos, materiais como cera, vidro, bronze e cerâmica permanecem em constante estado de mudança, incorporando o tempo como parte da própria obra. Em vez de apresentar formas definitivas, Tatiana Blass cria trabalhos que se alteram pela ação da luz, do calor, da gravidade ou da presença do público, fazendo da transformação um elemento constitutivo da experiência expositiva.

Desenvolvida em diálogo com a artista, a expografia transforma as salas expositivas em um espaço de encenação. A montagem incorpora dois palcos, que passam a integrar o percurso do público e estabelecem relações diretas com as obras. Mais do que elementos cenográficos, esses dispositivos evidenciam a ideia de bastidor que atravessa toda a exposição. A mostra traz ainda obras inéditas que resultam do encontro entre Tatiana Blass e o músico Kiko Dinucci. A partir de pinturas recentes da artista, os dois iniciaram um diálogo que resultou na capa do novo álbum do compositor e, posteriormente, em uma série de trabalhos desenvolvidos especialmente para a exposição. 

Um novo olhar.

27/ago

O Ministério da Cultura e a Fundação Vera Chaves Barcellos convidam para a abertura da exposição coletiva “Uma Força Estranha”, que será inaugurada no dia 29 de agosto de 2026, sábado, das 11h às 17h, na Sala dos Pomares, em Viamão, RS.
Dando continuidade à programação expositiva de 2026, dedicada à produção de artistas mulheres, “Uma Força Estranha” traz um novo olhar para o Acervo Artístico da Fundação, reunindo 53 obras de 36 artistas brasileiras e internacionais. O conjunto contempla trabalhos em desenho, pintura, gravura,  fotografia, vídeo, objeto, instalação, entre outras técnicas e linguagens. A organização é de Vera Chaves Barcellos, com expografia de Arthur Bonfim e textos de Ana Albani de Carvalho

Nas palavras de Vera Chaves Barcellos:
“Uma Força Estranha se inspira em uma das obras primas da música popular brasileira de todos os tempos, a criação de 1978, de Caetano Veloso, eternizada pela incomparável voz de Gal Costa. Em Força Estranha, Caetano traça poeticamente a defesa da criação e da linguagem artística como uma força incontida que impulsiona o/a artista a criar de forma verdadeira e atemporal. Aqui, podemos ver exemplos dessa força estranha nessas verdades expressas em suas mais diversas formas, nas obras deste conjunto de mulheres.”

Artistas participantes.

Regina Silveira, Lia Menna Barreto, Maria Lídia Magliani, Gisela Waetge, Wanda Pimentel, Karin Lambrecht, Marina Camargo, Maria Lucia Cattani, Débora Bolzsoni, Teresa Poester, Helena D’Avila, Fernanda Chemale, Romy Pocztaruk, Dione Veiga Vieira, Ío (Laura Cattani e Munir Klamt), Paula Krause, Brígida Baltar, Lurdi Blauth, Ananda Kuhn, Elaine Tedesco,  Thereza Miranda Alves, Ana Maria Tavares, Lily Hwa, Suely Anna Kelling, Vera Chaves Barcellos, Mara Alvares, Sarah Bliss, Mariana Silva da Silva, Virginia de Medeiros, Heloisa Schneiders da Silva, Carla Borba, Begoña Egurbide, Monika Funke Stern, Marlies Ritter, Teresa Puppo, Francesca Llopis.

Multiplicidade de vozes e identidades.

26/ago

A Nara Roesler, Jardim Europa, São Paulo, SP, convida no dia 29 de agosto, das 11h às 15h, para a aberturada da exposição “Speaking in Tongues” (Falando em línguas), com curadoria de Magalí Arriola, que apresenta obras – esculturas, pinturas, desenhos, fotografia, objetos – dos artistas Antonio Dias, Dan Graham, Carlos Bunga, Tania Pérez Córdova, Jonathan Torres, Ann Lislegaard, Petrit Halilaj, Gino De Dominicis, Adriano Amaral, Julia Gallo e a dupla Guadalupe Rosales e rafa esparza.

A curadora explica que “Speaking in Tongues” (Falando em línguas) se opõe à “lógica contemporânea que busca nos categorizar como indivíduos – apagando todas as formas de opacidade – criando categorias e associações”. Contra essa tendência, a mostra reúne uma multiplicidade de vozes e identidades, e “reativa a especulação, o sonho e outras formas de subjetividade como estratégias para resistir à urgência de cristalizar o futuro”.

“Aquilo que se apresentava como futuro deixa de ser o lugar das grandes narrativas, previsões, promessas ou adivinhações e passa a ser, em vez disso, um campo conjectural no qual tecnologia e messianismo, medo e nostalgia, espera e utopia, conspiração e linearidade, trama e profecia se entrelaçam”, afirma Magalí Arriola. 

A mostra integra o ciclo comemorativo dos 50 anos de trajetória de Nara Roesler, e celebra o Roesler Hotel, projeto iniciado em 2004 e que, ao longo de 29 edições, acolheu artistas, curadores e ideias de diferentes partes do mundo, como um espaço de experimentação. Nesta edição especial, foi convidada a escritora e curadora Magalí Arriola, ex-diretora do Museo Tamayo, na Cidade do México, e curadora do Pavilhão do México na 58ª Bienal de Veneza (2019), e curadora chefe da Bienal Internacional de Arte e Cidade de Bogotá (Bog27) em 2027, entre muitas outras funções.

Até o dia 24 de outubro. 

Seleção de obras da Almeida & Dale.

20/ago

No estande C05, na ARCA, Vila Madalena, São Paulo, SP, a Almeida & Dale promove um encontro entre artistas contemporâneos e figuras-chave do século XX nos contextos brasileiro e latino-americano.  

Confira a seleção de obras de Adriana Varejão, Amilcar de Castro, Ana Elisa Egreja, André Ricardo, Beatrice Arraes, Beatriz Milhazes, Candido Portinari, Carlos Garaicoa, David Almeida, Di Cavalcanti, Diego Rivera, Elena Damiani, Eleonore Koch, Feliciano Centurión, Felipe Cohen, Guga Szabzon, Guillermo Kuitca, Gustavo Caboco, Héctor Zamora, Heitor dos Prazeres, Hélio Melo, Henrique Oliveira, Ivan Campos, Jaider Esbell, José Bento, José Leonilson, Lucas Arruda, Luiz Sacilotto, Lygia Pape, Maria Martins, Mariana Palma, Marina Woisky, Maya Weishof, Mira Schendel, Nelson Felix, Paulo Pasta, Rubem Valentim, Saint Clair Cemin, Sergio Camargo, Sheroanawe Hakihiiwe, Thiago Martins de Melo, Túlio Pinto, Vanderlei Lopes e Vivian Caccuri.

Diálogo com obras de artistas autodidatas.

17/ago

A Galatea apresenta “Representações brasileiras: Bienal de Veneza”, exposição que revisita a representação brasileira concebida pela pesquisadora e curadora Lélia Coelho Frota para a 38ª Bienal de Veneza, ocorrida em 1978. A abertura acontece quinta-feira, 20 de agosto, das 18h às 21h, na Galatea Padre João Manuel, Jardins, São Paulo, SP.

A mostra, que conta com texto crítico de Tomás Toledo e Guto Ezek, lança um novo olhar sobre essa curadoria, que, ainda nos anos 1970, levou ao circuito internacional produções da arte contemporânea em diálogo com obras de artistas autodidatas, então pouco acolhidos pelo mercado por serem associados ao campo da arte popular.

A partir do acervo da galeria, a exposição reúne obras de diferentes períodos dos artistas que integraram a mostra italiana de 1978, não como uma reconstituição da montagem original, mas como uma leitura ampliada de suas produções.

São eles: Carlos Fajardo, Geraldo Teles de Oliveira (G.T.O.), Júlio Martins da Silva, Luiz Aquila, Maria Auxiliadora, Madalena dos Santos Reinbolt, Paulo Garcez e Wilma Martins, além de trabalhos das comunidades indígenas do Alto Xingu, incluindo inéditos do Médio Xingu, e do paisagista Roberto Burle Marx, apresentados em Veneza por meio de trabalhos audiovisuais comissionados ao cineasta Marcelo Tassara.

As tramas flexíveis de Ascânio MMM.

13/ago

A Galeria Silvia Cintra+Box, Gávea, Rio de Janeiro, RJ, 4 apresenta até 26 de setembro, a produção inédita de Ascânio MMM: formatos irregulares e muita cor em tramas flexíveis de alumínio.

Um conjunto de trabalhos inéditos é o que o escultor Ascânio MMM apresenta na exposição “Poex**”, na galeria Silvia Cintra+Box 4, com abertura no sábado, 15 de agosto, de 16 às 19 horas. “Poex” reúne 10 peças de parede e uma escultura de chão, penetrável, de quase quatro metros de altura, realizadas entre 2024 e 2026.

A novidade desta série de trabalhos de perfis de alumínio e parafusos é a troca dos perímetros quadrados e retangulares, da fase anterior, por irregularidades na montagem dos elementos de metal vazado que constituem a peça.

Em seu texto de apresentação, o crítico Felipe Scovino diz que “Poex passa não só a adotar formatos irregulares, mas, acima de tudo, institui a ruptura da trama. O sistema em grid […] não deixa de existir, mas passa a ser atravessado por um regime da falta”. Felipe Scovino defende que nesta mostra, o vazio é uma força poética do trabalho.

**Poex é a abreviação de “poética experimental”, expressão proposta por Paulo Herkenhoff a respeito da pesquisa do artista, no livro “Ascânio MMM: poética da razão”.

Minibio

Ascânio Maria Martins Monteiro, abreviado para Ascânio MMM, nasceu em Fão, em 1941. Mudou-se definitivamente para o Rio de Janeiro com a família em 1959, e naturalizou-se brasileiro em 1970. Vive e trabalha no Rio. É formado em Arquitetura (UFRJ) e estudou arte na Escola Nacional de Belas Artes. Em 1972, Ascânio MMM ganhou o Grande Prêmio do Panorama da Arte Brasileira do MAM-SP e o Prêmio Viagem e Aquisição no Salão Nacional de Artes Plásticas 1978 [MEC Rio]. Participou da Bienal Internacional de São Paulo 1969 e 1979 – nesta última como artista convidado, e da Bienal do Mercosul 1997. Ele integra os acervos do MASP, MAC-SP, MAM-SP, MAM Rio, Museu Nacional de Belas Artes [RJ], Museu de Arte do Rio [MAR] e Pinacoteca do Estado de São Paulo. Seu currículo soma cerca de 36 individuais no Rio, SP, BH, Curitiba, Recife, Lisboa, Porto, e 110 coletivas e salões. Nos anos 2020, participou de coletivas históricas no MASP, MAC SP, MAM Rio, MAM SP e no Instituto Tomie Ohtake. O escultor tem obras de grandes dimensões em espaços públicos, como na sede da Prefeitura do Rio de Janeiro [Av. Presidente Vargas, Centro], no Edifício Argentina [Praia de Botafogo 228], no Edifício Residencial Daniel Maclise [Rua Cosme Velho 415, Cosme Velho], nos hotéis Royalty Copacabana e Barra da Tijuca, na sede da GlaxoSmithKline, Jacarepaguá [RJ]; no Edifício Matarazzo, onde está a sede da Prefeitura de São Paulo, na Sé, no Edifício Salvador Dali, Belo Horizonte, e na Assembleia Legislativa de Teresina, Piauí. No exterior, Ascânio tem peças na sede da Caixa Geral de Depósitos de Lisboa e no Largo do Cortinhal, em Fão, Portugal, e no Edifício Nissin, Tóquio, Japão.

Paço Imperial realiza seminário.

Evento gratuito acontece nos dias 21 e 22 de agosto, com a participação de artistas, curadores e pesquisadores, e integra a exposição “Nordeste Expandido: estratégias de (re) existir”.

O seminário contará com a participação de artistas, curadores e pesquisadores, como as curadoras e professoras Izabela Pucu, Luiza Interlenghi e Marisa Flórido Cesar; o historiador, sociólogo e pesquisador Alexandre Barbalho; os artistas Alan Adi, Simone Barreto e Dinho Araujo; a psicóloga, professora e arte-educadora Mariana Bessa e a artista, gestora cultural, educadora e curadora Samantha Moreira.

O seminário terá duas rodas de conversa, uma no dia 21 e outra no dia 22 de agosto, ambas com entrada gratuita. A primeira será “Nordestes e pesquisas em trânsito”, no dia 21 de agosto, sexta-feira, às 16h, que propõe um espaço de diálogo sobre a região e a sua produção a partir do olhar de Izabela Pucu, Luiza Interlenghi, Marisa Flórido, Alexandre Barbalho e Alan Adi. Mais do que pensar o Nordeste como uma unidade homogênea, a ideia é reconhecer o que emerge de diferentes territórios, experiências, temporalidades e modos de produzir conhecimento. Cada pesquisa constrói, desloca ou tenciona determinadas imagens e sentidos atribuídos à região. Assim, a roda busca abrir espaço e alargar conceitos para que diferentes vozes e experiências revelem as diferenças, as contradições, os deslocamentos e as reinvenções. Nesse movimento, a produção artística também se apresenta como campo de criação e disputa, capaz de inventar outras imagens e possibilidades para os Nordestes. Entre pesquisas, produções e experiências, a arte aparece como espaço de trânsito.

No dia 22 de agosto, às 15h, será realizada a conversa “Territórios, imaginação e educação – processos educativos”, que propõe um encontro entre artistas que, em diferentes edições do projeto, também participaram da construção e da experiência dos processos educativos. A partir dessas vivências, a conversa busca refletir sobre as relações entre arte, território e educação, compreendendo o educativo não apenas como mediação, mas como espaço de encontro, escuta, experimentação e produção coletiva de sentidos. As experiências dos participantes permitem pensar como diferentes territórios atravessam as práticas artísticas e educativas e como a imaginação pode criar outras formas de perceber, ocupar e narrar esses espaços. Nesse percurso, a roda pretende compartilhar experiências e pensar coletivamente os caminhos possíveis para processos educativos que sejam sensíveis às particularidades dos territórios e às múltiplas formas de produzir conhecimento.

A exposição “Nordeste Expandido: estratégias de (re) existir” pode ser vista até o dia 06 de setembro. Com curadoria de Jacqueline de Medeiros e curadoria adjunta de Cecília Gallindo Cornélio, a mostra apresenta 216 obras de 110 artistas da região Nordeste do Brasil, em uma itinerância iniciada em 2023 no Recife, que já passou por Fortaleza, Natal, São Luís, Teresina, João Pessoa e Aracaju até chegar ao Rio de Janeiro.

Nova exposição de Ernesto Neto.

10/ago

A Fortes D’Aloia & Gabriel apresenta “Vonta de vi dada dada”, uma nova exposição individual de Ernesto Neto, inaugurada simultaneamente nos espaços Barra Funda e Jardins da galeria, em São Paulo. 

Reunindo um novo conjunto de instalações escultóricas, trabalhos sobre papel e intervenções textuais, a mostra amplia a investigação de longa data do artista sobre a interdependência entre corpos, materiais e sistemas vivos. Distribuídas entre os dois espaços, esculturas em crochê de algodão, cordas trançadas, bambu, aço corten e argila assumem configurações orgânicas que evocam insetos, raízes, montanhas, florestas e outras formas híbridas, propondo a escultura como um campo de relações, movimento e transformação contínuas.

No centro da exposição está uma nova série de esculturas murais que Neto denomina InsePás: estruturas tensionadas e celulares que se expandem pelas paredes, tetos e cantos da arquitetura como organismos vivos ou fluxos de energia atravessando o espaço. Desenvolvidos a partir de pesquisas anteriores sobre suspensão, equilíbrio e estruturas relacionais, esses trabalhos aprofundam a compreensão do artista da escultura como algo ativado pelo encontro, e não como forma estática. Em diálogo com eles, a exposição inclui uma escultura de grande escala em aço corten cuja estrutura ramificada evoca simultaneamente uma paisagem montanhosa e um corpo vivo sustentado por relações de equilíbrio e apoio mútuo.

Em conjunto, as obras transformam a galeria em um ecossistema permeável, mais do que em um espaço expositivo neutro. Escultura, desenho, escrita e som articulam-se como manifestações de uma visão de mundo marcada pelo pensamento cosmológico, pela interdependência ecológica e pelo conhecimento incorporado. Em vez de estabelecer separações entre natureza e cultura, ou entre arquitetura e corpo, a exposição propõe um ambiente em que formas humanas e não humanas coexistem em constante intercâmbio, reafirmando a compreensão de Ernesto Neto de que a vida se sustenta por meio das relações, da reciprocidade e da vitalidade compartilhada entre todos os seres.

Cosmologia afro-brasileira e referências rituais.

A Simões de Assis apresenta a individual de Ayrson Heráclito, “Ojú-Inú”, em seu espaço em São Paulo. A partir da noção iorubá de Ojú-Inú – “olho interno” – Ayrson Heráclito apresenta um conjunto de obras atravessadas pela cosmologia afro-brasileira e pelas referências rituais que orientam sua prática artística.

Com texto crítico de Hélio Menezes, a exposição reúne cerca de 30 obras entre esculturas, aquarelas, fotografias e vídeos. Compartilhando da ideia de percepção estética e espiritual formulada pelo historiador da arte Rowland Abiodun, Heráclito propõe um percurso em que matéria, memória, corpo e ancestralidade se articulam como formas de conhecimento e criação.

Realizada enquanto o artista integra a 61ª Exposição Internacional de Arte da Bienal de Veneza, In Minor Keys, a mostra apresenta trabalhos inéditos que aprofundam questões centrais de sua pesquisa, estabelecendo diálogos entre ritual, história e imaginação.