Exposição coletiva “Ainda Bem”.

08/jul

A Danielian Galeria, Jardim América, São Paulo, SP, exibiu a exposição coletiva “Ainda Bem”. Vale o registro do evento altamente polêmico em sua análise e  proposta estética. Um alerta para os novos tempos.

 Ainda bem

Em 1900, Manuel Teixeira da Rocha representou uma família observando Paris através da janela. A luz que invade o ambiente requintado – adornado por papel de parede, vasos de flores, brinquedos e mobiliário elegante – ilumina os olhares melancólicos de uma mulher branca e seus três filhos, confinados à domesticidade da vida familiar. Recobertos pelo fausto de suas vestes, os personagens manifestam, de modo silencioso e ambivalente, seu fascínio e apreensão diante da exterioridade que lhes chega sob a forma da paisagem envidraçada da cidade moderna. Trancafiados na segurança solitária de uma residência luxuosa, encenam as condições em torno das quais se constrói esta exposição: as estruturas de um mundo fundado na propriedade, na separação e no privilégio, orientado pela e para a burguesia. A partir da experiência da Danielian Galeria com a arte situada entre o século XIX e início do XX, “Ainda bem” reúne alguns exemplares da pintura burguesa que adquiriu força política e simbólica no referido período. Trata-se de uma combinação entre retrato e pintura de gênero empenhada em consolidar um imaginário da classe urbana então ascendente, que – no Brasil, em especial em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo – buscava representar a si mesma como próspera, refinada e culturalmente vinculada à Europa. Através da sensibilidade habilidosa (e não raro criticamente ambígua) de artistas como Moreau, Amoedo, Papf ou Weingärtner, famílias e personagens burgueses emergem no abastado ambiente de salas, bibliotecas e ateliês, protagonizando uma arte de distinção social que hoje se vê confrontada por outros sujeitos, repertórios e projetos.

Tomamos como pano de fundo a recente emergência de práticas – ou, ao menos, de retóricas – voltadas à equidade de gênero, ao antirracismo, ao enfrentamento das desigualdades sociais e à responsabilidade ambiental, hoje bastante disseminadas pelo chamado mundo das artes. Talvez sintomaticamente, enquanto o planeta arde em guerras, colapsos climáticos e políticas de supremacia racial, em galerias, instituições, feiras, ateliês, coleções e universidades nutre-se a expectativa de que as antigas – e persistentes – tradições elitistas, racistas e patriarcais da arte estariam em crise e, enfim, em vias de dissolução. Portanto, é neste momento de intensificação da sensação de “fim do mundo” que evocamos o imaginário burguês para novamente expor e confrontar suas violências, nas quais a própria arte está implicada. Interessa-nos especular acerca do esgotamento histórico desse modo de organização social e de suas formas artísticas, conjurando a possibilidade de sua desintegração.

“Ainda bem” filia-se à perspectiva autocrítica, irônica e tragicômica de Gustavo Speridião em “Ainda bem” que esse tipo de arte um dia irá acabar (2026) – pintura que, mais do que emprestar seu título, oferece o horizonte político desta exposição – para ensaiar aproximações, tensionamentos, provocações e presságios em torno do colapso da arte tal como hoje a conhecemos. Trata-se de imaginar e construir práticas artísticas que não obedeçam, tampouco se intimidem, diante das prescrições históricas, sociais e ontológicas legadas pela formação burguesa da ideia de arte. Se há traços de cinismo em fazê-lo no seio de uma galeria comercial, ao mesmo tempo é precisamente por estarmos aqui que desejamos fazê-lo, desnaturalizando as relações de distância, contemplação e propriedade através das quais – entre a amedrontada transparência da janela e o olhar fetichista da vitrine – o colecionismo tipicamente burguês vem objetificando e mercantilizando as expressões artísticas, seus sujeitos e mundos.

Ainda bem que um dia acabaremos com tudo isso. Nem que seja com o fim do mundo em si mesmo.

Clarissa Diniz – Curadora

A transparência do vidro.

07/jul

Jean-Michel Othoniel exibe “Poetic Living” até 11 de julho na Casa de Vidro, Morumbi, São Paulo, SP. Ao longo de 40 anos, o artista francês Jean-Michel Othoniel desenvolveu uma prática heterogênea que transita entre desenho, escultura e instalação num crescente dimensional que de maneira extremamente hábil nunca se distancia totalmente do diálogo íntimo com a natureza e a arquitetura. A escala que hora reverencia o “homem artesão” e hora se volta ao cosmos absoluto se manifesta de modo colaborativo em que saberes se mesclam e se materializam em “jóias escultóricas”.

Trata-se de uma fusão de conhecimentos, técnicas e intenções antropológicas que alicerçam a própria arquitetura de Lina Bo Bardi – uma soma de vivências e posicionamento crítico que tornam seus edifícios abrigos de ideias brutalmente honestas. Para ambos, a construção se soma ao objeto em si na consagração de sua clareza simbólica, um método que o artista define como “geometria emocional”.

Para ele, esse sentimento se traduz de maneira mais clara a partir de 1993, quando  inicia sua parceria com mestres artesãos de Murano e explora as possibilidades técnicas, a sutileza das cores e a transparência do vidro para expressar um estado de encantamento com o mundo. Formas simples como cubos e esferas se organizam em correntes e empilhamentos que põe em perspectiva a nossa distorcida noção espacial – micro arquiteturas feitas de tijolos de vidro aterram nosso olhar enquanto enormes colares ornam algo maior; uma natureza quase imensurável.

Uma relação de proporcionalidade que fundamenta a própria intenção de Lina com a Casa de Vidro – a arquitetura que pousa delicadamente no terreno e reverencia a paisagem; amplos planos envidraçados que incorporam a mata à arquitetura moderna; o piso azul em pastilha de vidro que expande o céu e ilumina os interiores. Interiores esses marcados pela fusão simbólica entre o pragmático, o sagrado e o popular da dinâmica intelectual entre Lina Bo e Pietro Maria Bard

Esses paralelos improváveis se alinham numa feliz coincidência para a exposição “Poetic Living” acontecer no Instituto Bardi/ Casa de Vidro justamente quando se comemoram os 75 anos de sua construção. As obras de Jean-Michel Othoniel refletem em seu brilho um emaranhado de soluções e memórias aqui presentes enquanto expandem a própria experiência do visitante, através da reabertura do caminho para o ateliê de Lina (depois de anos fechados para os visitantes), pelo qual poderão ser conferidas as inéditas “Liseron”, em aço inoxidável, e uma série de luminárias em vidro Murano na mesma linha dos vasos solitários que já dentro da Casa dialogam com o próprio acervo histórico do Bardi.   

Entre outras criações inéditas estão a instalação “Tribute easels to Lina Bo Bardi” – um conjunto de 5 cavaletes inspirados pela icônica solução para o Masp, construídos com blocos de vidro soprados a mão e sobre os quais “flutuam” aquarelas que retratam as flores do próprio jardim.

Bem como uma enorme escultura da série “Mirror Necklace”, em inox e folha de ouro, debruçada sobre a árvore no vão central da sala, no coração da Casa. Completam a mostra um conjunto de tamboretes “Midnight Souls”, distribuídos pelos interiores em harmonia com o acervo permanente de móveis e arte, como uma evolução natural dessa coleção construída ao longo de 40 anos de convívio do casal.

Bruno Simões.

Sobre o artista.

Jean-Michel Othoniel (Saint-Étienne, França, 1964) é um dos grandes nomes da arte contemporânea internacional, graduado pela École Nationale Supérieure d’Arts, na França, e com formação na Villa Medici, na Itália. Suas esculturas, em diálogo com dimensões arquitetônicas, operam uma geometria monumental. Esculpe peças que se assemelham a joias, tanto pelo aspecto formal, quanto pelo preciosismo dos materiais, que vão de contas a tijolos de vidro de Murano soprado. Suas formas contemplativas navegam pelos reinos paradoxais da monumentalidade e delicadeza, do ornamento e do minimalismo. Com mais de 100 exposições individuais ao redor do mundo, além de centenas de exposições coletivas, Jean-Michel Othoniel foi amplamente premiado, com destaque para a distinção de Cavaleiro da Ordem de Artes e Letras da França. Suas obras integram importantes coleções internacionais como, o Centre Pompidou, a Fondation Cartier pour l’art contemporain, em Paris; o Musée National d’Art Moderne de Paris; o Musée d’Art Moderne de la Ville de Paris, o Brooklyn Museum, em Nova York; o Museum of Glass, em Tacoma; a Peggy Guggenheim Collection, em Veneza; o Museum of Contemporary Art (MoCA), Mi

Representada pela Galeria Patricia Costa.

06/jul

Fundada em 2003 por Patricia Costa e Silva, que possui 45 anos de experiência no mercado, a Galeria Patricia Costa, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ, passa a representar a artista Raquel Saliba, escultora que transforma materiais como cerâmica e bronze em instigantes seres que chegam a atingir quase três metros de altura.

Nascida em Itaúna, Minas Gerais, formada em Psicologia, a artista dedica-se exclusivamente à arte há 15 anos, movida por um fascínio singular por técnicas ancestrais e processos primordiais. Entre elas estão a Anagama – queima japonesa – e a Obvara, método de queima cerâmica originado no Leste Europeu no século XII, que consiste em retirar a peça incandescente do forno. Raquel Saliba também experimenta o uso de gás em fornos híbridos combinados com lenha. Em uma de suas séries mais recentes, deixou que a ação do mar oxidasse algumas peças, resultando em superfícies que alternam entre o reluzente e o rústico.

Sobre a artista.

Raquel Saliba já morou em diferentes partes do mundo, o que possibilitou que ela fizesse vários cursos e exposições como no Carrossel do Louvre (maio de 2018), por exemplo. Residindo atualmente no Rio de Janeiro, ela vem se dedicando cada vez mais às esculturas em cerâmica, bronze e outras matérias. Parte de sua formação artística: Curso Objeto e Poema 2025 e 2026 com Xico Chaves no Parque Lage; Colagem com Pedro Varela em 2024; O Processo Criativo com Charles Watson em 2020 no Parque Lage; Encontros e Reflexões, com Iole de Freitas, 2019, Parque Lage, Rio de Janeiro, Brasil; exposição coletiva A Cara do Rio (Centro Cultural dos Correios), 2018; curso Conversando sobre esculturas objeto etc. e tal com Joao Goldberg, Parque Lage, Rio de Janeiro, Brasil em 2016 e 2017; cursos de escultura e cerâmica no Morley College, Londres, Reino Unido 2014 e 2015; cursos de escultura no Heatherley School of Art, Londres, Reino Unido em 2015; workshop “O inconsciente na argila”, com Sandy Brown, Inglaterra, junho de 2015; cursos de Cerâmica e Escultura na UAL (University Arts of London), professor Timothy Harker, Londres, Reino Unido em 2013; Centro de Artes de Fremantle, Austrália Ocidental 2003. Recentemente, participou de duas exposições simultâneas no Museu Histórico da Cidade: a individual “Bashar: nós humanos” e outra com a artista e amiga Anna Bella Geiger, “Avesso”, ambas com curadoria de Shannon Botelho.

Exibição da artista indígena Yacunã Tuxá.

01/jul

A Caixa Cultural RJ, Unidade Passeio,  recebe, a partir do dia 07 de julho, a exposição “Toda Árvore Tem Raiz”, primeira mostra individual da artista indígena Yacunã Tuxá, que reúne mais de 25 obras em diferentes linguagens e suportes, como pintura, fotografia, poesia, muralismo, escultura, lambe-lambe, vídeo mapping e performance. Depois de um sucesso retumbante em Salvador, a exposição permanece em cartaz até 20 de setembro.

O projeto contempla a trajetória da artista indígena pertencente ao povo Tuxá de Rodelas, na Bahia, marcada por deslocamentos forçados e resistência. Yacunã Tuxá vem consolidando uma produção que articula ancestralidade, política e imaginação urbana, com passagens por instituições como o MASP, Pinacoteca de São Paulo e Muncab.

A curadoria de Naine Terena e Vera Nunes em diálogo com a artista, propõe uma experiência expositiva que combina identidade indígena com contextos culturais dos não-indígenas, criando um percurso imersivo que convida o público a refletir sobre os atravessamentos vividos por corpos indígenas, seus territórios e sua espiritualidade. A mostra incorpora elementos simbólicos como o rio, a canoa e a Jurema, planta sagrada que atravessa a mostra como eixo espiritual e político. O feminino indígena emerge como estrutura fundamental, afirmando as mulheres como raízes profundas da terra, sustentando histórias de resistência, cuidado e reinvenção.

Sobre a artista.

Yacunã Tuxá (@yacunatuxa) é uma das principais vozes da arte indígena contemporânea no Brasil, com atuação nas artes visuais, literatura, muralismo e curadoria, articulando memória, ancestralidade e política. Seu trabalho já esteve presente em importantes instituições culturais, rendeu prêmios de destaque, projetos curatoriais e grandes intervenções urbanas, além da publicação de seu primeiro livro de poemas, consolidando sua produção artística como uma potente ferramenta de resistência, afirmação identitária e cura coletiva.

Elegantes manejos da cor.

30/jun

Com 120 obras que fazem uma retrospectiva da trajetória de um dos artistas mais emblemáticos do Planalto Central, a exposição “Galeno, o mistério do simples” é um convite a um universo que mistura referências populares a um dos mais elegantes manejos da cor da arte brasileira. Em cartaz na Caixa Cultural, a exposição traz obras selecionadas pelo curador Paulo Herkenhoff e vem acompanhada de uma vitrine que reúne reportagens históricas do Correio Braziliense sobre Francisco Galeno. 

O ponto de partida da curadoria de Herkenhoff está nas origens do artista. Nascido em Parnaíba (PI), filho de uma costureira e de um marceneiro que veio tentar a vida na construção de Brasília nos anos 1960, Francisco Galeno fez dos objetos, cores e histórias que o cercavam a matéria prima para as pinturas e esculturas. Lamparinas feitas de alumínio, piões de brincadeiras de crianças, carretéis de linhas, pipas e barcos formavam o universo da infância que acabou transportado para  as pinturas. “A gente está trabalhando com a complexidade simples da obra dele, mas acho que o Galeno aponta para muitas digressões. “O Galeno tem suas particularidades. A obra dele traz uma memória do Nordeste.” O artista foi o responsável pelo painel da Igreja Nossa Senhora de Fatima.

Até 04 de outubro.

Diagramas espaciais de Damián Ortega.

O MASP apresenta a primeira exposição individual de Damián Ortega (Cidade do México, 1967) em um museu de São Paulo, com curadoria de Adriano Pedrosa, Rodrigo Moura e Yudi Rafael. A mostra reúne mais de três décadas de trabalho do artista, que transita entre escultura, instalação, fotografia e vídeo para reexaminar materiais e objetos cotidianos como vetores de narrativas sociais, econômicas e políticas. Em sua prática escultórica icônica, Damián Ortega desmonta objetos – carros, ferramentas, pedras, tijolos – e exibe suas partes reorganizadas em configurações suspensas que funcionam como diagramas espaciais, frequentemente carregados de humor e comentário político. A exposição destaca obras centrais de sua trajetória e um conjunto de trabalhos que investigam aspectos da arquitetura brasileira. A mostra é organizada em parceria com o MALBA – Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires.

Até 13 de setembro.

Repertórios herdados e formas de fabulação.

25/jun

A Galatea apresenta Elias Santos: Alegorias ancestrais, individual do artista baiano Elias Santos (1966, Cairu, Bahia) que ocupa o espaço expositivo do Cofre na unidade da galeria em Salvador. A abertura acontece dia 03 de julho.

Com curadoria de Alana Silveira, diretora da Galatea Salvador, a mostra reúne cerca de 50 desenhos produzidos entre 1995 e 2004 e 12 esculturas produzidas entre 2013 e 2026. Ao longo da pesquisa curatorial, tornou-se evidente que imagens e símbolos presentes nos desenhos realizados no início da trajetória de Elias Santos reaparecem, mais de duas décadas depois, em suas esculturas. É a partir dessas correspondências que a exposição se estrutura, colocando em diálogo diferentes momentos de sua produção.

A série de desenhos foi iniciada quando o artista ainda era estudante da Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia – UFBA. Neles, figuras híbridas que conjugam traços masculinos e femininos são atravessados por conflitos e marcas de sofrimento. “As deformações inscritas nessas figuras podem ser lidas como manifestações de uma violência simbólica produzida por estruturas políticas e sociais que incidem sobre determinados corpos, moldando suas formas de existência e subjetividades” afirma Alana Silveira no texto crítico da exposição.

As máscaras que aparecem nessas figuras remetem a referências culturais do Baixo Sul da Bahia, região onde o artista nasceu. Entre elas estão os Zambiapungas, manifestação popular afro-brasileira associada ao culto aos ancestrais e marcada pela presença de figuras mascaradas.

As esculturas também evocam símbolos e referências associados às cosmologias afro-brasileiras, incorporando formas mais curvas e materiais brilhantes, como o lamê, tecido muito utilizado em vestimentas do candomblé e fantasias carnavalescas afro-baianas. Em conjunto, revelam como imagens e símbolos recorrentes nos desenhos de Elias passam a habitar o espaço tridimensional, projetando repertórios herdados para novas formas de fabulação.

Até 10 de outubro.

Emanoel Araujo como colecionador.

24/jun

O Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, Parque do Ibirapuera, Portão 10, São Paulo, SP, inaugura a exposição “Afríquia: o artista como colecionador”, que revisita a trajetória de Emanoel Araujo a partir de sua atuação como colecionador e apresenta ao público os bastidores da formação da coleção africana do Museu.

Com mais de 200 obras, documentos, fotografias e objetos, a mostra revela como o olhar de Emanoel Araujo ajudou a construir um dos mais importantes acervos dedicados às culturas africanas no Brasil.

“Esta exposição parte da compreensão de que toda coleção é também uma narrativa. Ao reunir obras, documentos, fotografias e registros da trajetória de Emanoel Araujo, buscamos mostrar como seu olhar ajudou a construir não apenas uma coleção de arte africana, mas uma forma de pensar as relações entre África, diáspora e identidade afro-brasileira”, afirma Gabrielle Nascimento, curadora da exposição, sobre a pesquisa, o processo curatorial, a coleção africana do Museu e o legado de Emanoel Araujo.

A mostra reúne obras tradicionais e contemporâneas, com destaque para produções da Nigéria e do Benim. O percurso expositivo evidencia as relações estabelecidas por Emanoel Araujo entre África e Brasil, revelando como referências culturais, religiosas e estéticas presentes no continente africano influenciaram sua produção artística e seu projeto museológico.

O título da exposição faz referência à série de xilogravuras Suíte Afríquia I, II e III, produzida por Emanoel Araujo em 1977 após sua participação no II Festival Mundial de Arte e Cultura Negra e Africana (FESTAC 77), realizado na Nigéria. A experiência marcou sua primeira viagem ao continente africano e teve impacto significativo tanto em sua produção artística quanto na formação inicial de sua coleção.

Até 13 de setembro.

Celebrando Nara Roesler

23/jun

A Nara Roesler Rio de Janeiro convida para a abertura da exposição “As formas do tempo”, com curadoria de Bernardo Mosqueira, no dia 25 de junho, às 18h. A mostra reúne pinturas, esculturas, vídeos, fotografias, instalações e obras site specific, com obras de 22 artistas, de múltiplas gerações e ligados ao território do Rio de Janeiro, em uma reflexão sobre a capacidade da arte de nos ensinar sobre o tempo. Esta é a terceira exposição da programação que celebra os 50 anos de atuação de Nara Roesler como galerista.

As mais de 30 obras da exposição refletem sobre diferentes formas do tempo, entre história, mito, memória, esquecimento, presença, movimento, transformação, construção, ruína, finitude, retorno, “espiralidade” e infinitude. “Os trabalhos convidam o público a experimentar temporalidades que escapam à lógica cronológica, emaranhando diferentes texturas e escalas temporais e sugerindo modos de estar no mundo que libertem nossa força vital da submissão à linearidade e às narrativas de progresso”, diz o curador.

Bernardo Mosqueira contou com a colaboração da curadora assistente Ana Clara Simões Lopes, afirma “sentir-se honrado em participar das celebrações em torno de Nara Roesler, cuja trajetória considera extraordinária e singular na história do sistema da arte no Brasil, tendo participado ativamente da consolidação da arte contemporânea brasileira ao longo dos últimos cinquenta anos”. 

“Não há como separar a história recente da arte brasileira da história da Nara”, destaca.

A mostra reúne obras de 17 artistas representados por Nara Roesler, nascidos no Rio de Janeiro ou que escolheram a cidade como lugar de morada e trabalho. Alguns nomes são Antonio Dias, Brígida Baltar, Carlito Carvalhosa, Daniel Senise, Elian Almeida, Raul Mourão, Marcos Chaves, Maria Klabin e Vik Muniz.

“As formas do tempo” apresenta também trabalhos de Hélio Oiticica (1937-1980, Rio de Janeiro), cujo legado foi representado pela galeria entre 2005 e 2019.

Até 22 de agosto.

Em torno de Ana Holck.

22/jun

Uma “Conversa com Ana Holck e Felipe Scovino” na galeria Maneco Müller: Multiplo. O bate-papo acontecerá em torno da exposição “Imprevistos”, que marca os 25 anos de trajetória da artista Ana Holck.

No dia 01 de julho, às 18h30, será realizada uma conversa com a artista Ana Holck e o crítico de arte e curador Felipe Scovino, na galeria Maneco Müller: Multiplo, no Leblon. Esta será uma oportunidade para o público conhecer melhor o trabalho de Ana Holck e seu processo de produção. Felipe Scovino acompanha o trabalho da artista há muito tempo e falará sobre as obras recentes, em diálogo com sua consolidada trajetória de mais de 20 anos nas artes. A entrada é gratuita mediante confirmação através do telefone (21) 2294-8284.

“Ana Holck possui um amplo conhecimento, seja técnico, conceitual ou histórico, que também é transdisciplinar. Seu trabalho dialoga criticamente com o discurso escultórico contemporâneo, mantendo ao mesmo tempo uma forte qualidade poética e experiencial”, ressalta Daniela Labra.