A obra monumental de Carlos Tenius.

14/jul

A Coordenação de Artes Visuais – SMC informa a prorrogação do período de visitação da exposição “Carlos Tenius – Voo Livre”, com curadoria de Eduardo Veras e Paula Ramos, até dia 31 de julho, na sala Aldo Locatelli do Museu de Arte do Paço (MAPA). 

Esculturas 

A mostra apresenta algumas das primeiras esculturas do artista, produzidas em seu período formativo no antigo Instituto de Belas Artes, além de diversos desenhos preparatórios para o monumento, até então inéditos. Exibe, ainda, recortes de jornal, fotografias e cadernos privados. A seleção também inclui a primeira maquete em aço dos Açorianos, que Carlos Tenius preserva em casa, em sua sala de estar, e a segunda maquete, ainda maior, também em aço, com quase três metros de extensão. A peça, que faz parte do acervo artístico municipal, subiu do porão da Prefeitura de Porto Alegre para figurar na exposição.

Açoriano

O visitante tem a chance de conferir um açoriano, de quase dois metros de altura. Previsto nos desenhos e até nas maquetes do monumento, ele não entrou na montagem final. Na hora da fixação, em 1974, a intuição de Carlos Tenius sugeriu que o personagem era desnecessário, que ele estava, por assim dizer, sobrando. Esta é sua primeira aparição pública. A exposição inclui uma seleção de fotografias históricas, que registram etapas do processo que tornou a obra possível: fundição, montagem e festa de inauguração do Monumento aos Açorianos, há cinco décadas.

As relações entre Arte e Arquitetura.

A Galeria Eduardo Fernandes, Vila Madalena, São Paulo, SP, anuncia a abertura da exposição “Falemos de Arquitetura”, com curadoria e texto de Agnaldo Farias, no próximo sábado, 19 de julho, das 11h às 16h. 

A mostra reúne artistas representados pela galeria como Ana Amélia Genioli, Daisy Xavier, Edgar Racy, Guilherme Dable, Gustavo Prata, Heloísa Crocco, Jacqueline Duncan e Roberto Mícoli, em diálogo com os artistas convidados Artur Lescher (Galeria Nara Roesler), José Carlos Vilar e Penna Prearo. A exposição propõe uma reflexão sobre as relações entre Arte e Arquitetura, aproximando diferentes pesquisas em torno do espaço, da matéria, da forma e da percepção.

Leitura panorâmica.

13/jul

Iran do Espírito Santo realiza expoaição no Instituto Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto, São Paulo, SP, sob curadoria de Fernanda Lopes. 

A primeira exposição de Iran do Espírito Santo em Ribeirão Preto é uma leitura panorâmica das últimas duas décadas de produção do artista. Com quase 30 trabalhos realizados entre 2008 e 2025, “Iran do Espírito Santo: Recorrência” reúne desenhos e esculturas, algumas de caráter instalativo, nos quais objetos comuns como lâmpadas, vinis, latas, globos de luz antigos, conta-gotas, bulbos, tigela, fechadura, porcas e roscas, moedas, fitas, lâminas, pregos e gotas, ganham novos corpos em mármore, granito, aço inoxidável, alumínio, cristal, aquarela, lápis e guache.

O título da exposição faz referência a uma das obras do artista que integram a Coleção Figueiredo Ferraz. Recurrency (1999) foi apresentada pela primeira vez na 48ª Bienal de Veneza, quando Iran integrou a representação brasileira em uma das mais importantes e antigas exposições do mundo. Composta por discos de cobre, latão e aço inoxidável, ela reproduz, em escala ampliada, moedas de diferentes países, na maioria de países europeus, anteriores ao Euro, acumuladas indistintamente pelo artista durante algumas viagens. Inscrições, imagens e valores de troca foram eliminados, retornando esses objetos à sua forma mais básica e abstrata (um círculo ou um cilindro), e, assim, deslocando nossa atenção para a presença física desses objetos, evidenciando peso, volume e materialidade. Além de apontar para dinâmicas monetárias e a ideia de mercadoria no campo da arte, Recurrency chama atenção para uma chave de leitura importante para a obra de Iran do Espírito Santo: a recorrência como método de investigação da realidade.

Para o artista, tudo começa no desenho. É a partir dessa recorrência que se estrutura todo seu pensamento e sua produção. Iran parece desenhar como quem procura alguma coisa, movido pelo desejo de contato. Ele é uma maneira de entender a realidade das coisas cotidianas, uma ferramenta para identificar empiricamente as regras que governam o que está à nossa volta. Aqui, o que é tido como pequeno e prosaico ganha uma espécie de densidade. Iran olha, olha de novo, olha mais uma vez. E a cada volta parece encontrar algo que não tinha percebido antes. São objetos que, quando são colocados em palavra, permanecem sempre os mesmos. Lâmpadas são sempre lâmpadas. Assim como fechaduras, moedas e latas. Mas, quando são dados a ver, reaparecem forçando novas interpretações.

Insistentes, esses objetos são, nas palavras de Iran, como “sonhos recorrentes”. Essas “coisas que se insinuam e que cobram uma maior atenção” em alguns momentos deixam o espaço do papel para ganhar o espaço tridimensional. Aqui, elas têm sua identidade cotidiana suspensa, deixando a funcionalidade de lado para se aproximarem da abstração. Entre o reconhecimento e o estranhamento, essas esculturas convivem com uma curiosa ambiguidade: afirmam seu peso e sua presença física, estabelecendo inclusive outras relações com o espaço ao seu redor, ao mesmo tempo em que parecem quase imateriais, como imagens tornadas sólidas. Os elementos permanecem os mesmos. O que muda é o nosso olhar ou a nossa percepção sobre eles. Revelando uma prática construída pela atenção paciente, Iran do Espírito Santo nos leva a ver não o que estava escondido, mas o que até então passava despercebido.

Fernanda Lopes.

Até 26 de setembro.

Nova exposição na Casa70 Galeria.

Se “Eclosão”, exposição que marcou a abertura da CASA70 Galeria, Gávea, celebrou o nascimento de um novo espaço dedicado à arte no Rio de Janeiro, “Florescer” lança um olhar sobre aquilo que acontece em seguida: o crescimento, a consolidação e a continuidade.

A exposição reúne obras de Alberto da Veiga Guignard, Antonio Bandeira, José Pancetti e Candido Portinari – quatro pilares fundamentais da pintura moderna brasileira – em diálogo com a produção contemporânea desenvolvida pelos artistas representados pela CASA70 Galeria. 

Participam da mostra Bruno Borne, Diana Gondim, FESSAL, Giovanna Nucci, Lair Uaracy, Lorena Bruno, Lucas Finonho, Lucas Ribeiro, Marcelo Carrera, Marcos Corrêa, Mariana Riera, Marina Rodrigues, Miru Brüggmann, Samira Pavesi, Tatiana Bertrand e Thomaz Velho.

“Longe de estabelecer uma leitura linear da história da arte, “Florescer” propõe um encontro entre diferentes momentos da produção artística brasileira, revelando continuidades, permanências e novas interpretações que atravessam décadas de criação”, afirma Elis Valadares.

Entre pinturas, esculturas, fotografias, obras sobre papel, design e mobiliário, a exposição convida o público a perceber que a arte se desenvolve por meio do diálogo entre gerações. 

Até 30 de setembro.

 

Exposição coletiva “Ainda Bem”.

08/jul

A Danielian Galeria, Jardim América, São Paulo, SP, exibiu a exposição coletiva “Ainda Bem”. Vale o registro do evento altamente polêmico em sua análise e  proposta estética. Um alerta para os novos tempos.

 Ainda bem

Em 1900, Manuel Teixeira da Rocha representou uma família observando Paris através da janela. A luz que invade o ambiente requintado – adornado por papel de parede, vasos de flores, brinquedos e mobiliário elegante – ilumina os olhares melancólicos de uma mulher branca e seus três filhos, confinados à domesticidade da vida familiar. Recobertos pelo fausto de suas vestes, os personagens manifestam, de modo silencioso e ambivalente, seu fascínio e apreensão diante da exterioridade que lhes chega sob a forma da paisagem envidraçada da cidade moderna. Trancafiados na segurança solitária de uma residência luxuosa, encenam as condições em torno das quais se constrói esta exposição: as estruturas de um mundo fundado na propriedade, na separação e no privilégio, orientado pela e para a burguesia. A partir da experiência da Danielian Galeria com a arte situada entre o século XIX e início do XX, “Ainda bem” reúne alguns exemplares da pintura burguesa que adquiriu força política e simbólica no referido período. Trata-se de uma combinação entre retrato e pintura de gênero empenhada em consolidar um imaginário da classe urbana então ascendente, que – no Brasil, em especial em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo – buscava representar a si mesma como próspera, refinada e culturalmente vinculada à Europa. Através da sensibilidade habilidosa (e não raro criticamente ambígua) de artistas como Moreau, Amoedo, Papf ou Weingärtner, famílias e personagens burgueses emergem no abastado ambiente de salas, bibliotecas e ateliês, protagonizando uma arte de distinção social que hoje se vê confrontada por outros sujeitos, repertórios e projetos.

Tomamos como pano de fundo a recente emergência de práticas – ou, ao menos, de retóricas – voltadas à equidade de gênero, ao antirracismo, ao enfrentamento das desigualdades sociais e à responsabilidade ambiental, hoje bastante disseminadas pelo chamado mundo das artes. Talvez sintomaticamente, enquanto o planeta arde em guerras, colapsos climáticos e políticas de supremacia racial, em galerias, instituições, feiras, ateliês, coleções e universidades nutre-se a expectativa de que as antigas – e persistentes – tradições elitistas, racistas e patriarcais da arte estariam em crise e, enfim, em vias de dissolução. Portanto, é neste momento de intensificação da sensação de “fim do mundo” que evocamos o imaginário burguês para novamente expor e confrontar suas violências, nas quais a própria arte está implicada. Interessa-nos especular acerca do esgotamento histórico desse modo de organização social e de suas formas artísticas, conjurando a possibilidade de sua desintegração.

“Ainda bem” filia-se à perspectiva autocrítica, irônica e tragicômica de Gustavo Speridião em “Ainda bem” que esse tipo de arte um dia irá acabar (2026) – pintura que, mais do que emprestar seu título, oferece o horizonte político desta exposição – para ensaiar aproximações, tensionamentos, provocações e presságios em torno do colapso da arte tal como hoje a conhecemos. Trata-se de imaginar e construir práticas artísticas que não obedeçam, tampouco se intimidem, diante das prescrições históricas, sociais e ontológicas legadas pela formação burguesa da ideia de arte. Se há traços de cinismo em fazê-lo no seio de uma galeria comercial, ao mesmo tempo é precisamente por estarmos aqui que desejamos fazê-lo, desnaturalizando as relações de distância, contemplação e propriedade através das quais – entre a amedrontada transparência da janela e o olhar fetichista da vitrine – o colecionismo tipicamente burguês vem objetificando e mercantilizando as expressões artísticas, seus sujeitos e mundos.

Ainda bem que um dia acabaremos com tudo isso. Nem que seja com o fim do mundo em si mesmo.

Clarissa Diniz – Curadora

A transparência do vidro.

07/jul

Jean-Michel Othoniel exibe “Poetic Living” até 11 de julho na Casa de Vidro, Morumbi, São Paulo, SP. Ao longo de 40 anos, o artista francês Jean-Michel Othoniel desenvolveu uma prática heterogênea que transita entre desenho, escultura e instalação num crescente dimensional que de maneira extremamente hábil nunca se distancia totalmente do diálogo íntimo com a natureza e a arquitetura. A escala que hora reverencia o “homem artesão” e hora se volta ao cosmos absoluto se manifesta de modo colaborativo em que saberes se mesclam e se materializam em “jóias escultóricas”.

Trata-se de uma fusão de conhecimentos, técnicas e intenções antropológicas que alicerçam a própria arquitetura de Lina Bo Bardi – uma soma de vivências e posicionamento crítico que tornam seus edifícios abrigos de ideias brutalmente honestas. Para ambos, a construção se soma ao objeto em si na consagração de sua clareza simbólica, um método que o artista define como “geometria emocional”.

Para ele, esse sentimento se traduz de maneira mais clara a partir de 1993, quando  inicia sua parceria com mestres artesãos de Murano e explora as possibilidades técnicas, a sutileza das cores e a transparência do vidro para expressar um estado de encantamento com o mundo. Formas simples como cubos e esferas se organizam em correntes e empilhamentos que põe em perspectiva a nossa distorcida noção espacial – micro arquiteturas feitas de tijolos de vidro aterram nosso olhar enquanto enormes colares ornam algo maior; uma natureza quase imensurável.

Uma relação de proporcionalidade que fundamenta a própria intenção de Lina com a Casa de Vidro – a arquitetura que pousa delicadamente no terreno e reverencia a paisagem; amplos planos envidraçados que incorporam a mata à arquitetura moderna; o piso azul em pastilha de vidro que expande o céu e ilumina os interiores. Interiores esses marcados pela fusão simbólica entre o pragmático, o sagrado e o popular da dinâmica intelectual entre Lina Bo e Pietro Maria Bard

Esses paralelos improváveis se alinham numa feliz coincidência para a exposição “Poetic Living” acontecer no Instituto Bardi/ Casa de Vidro justamente quando se comemoram os 75 anos de sua construção. As obras de Jean-Michel Othoniel refletem em seu brilho um emaranhado de soluções e memórias aqui presentes enquanto expandem a própria experiência do visitante, através da reabertura do caminho para o ateliê de Lina (depois de anos fechados para os visitantes), pelo qual poderão ser conferidas as inéditas “Liseron”, em aço inoxidável, e uma série de luminárias em vidro Murano na mesma linha dos vasos solitários que já dentro da Casa dialogam com o próprio acervo histórico do Bardi.   

Entre outras criações inéditas estão a instalação “Tribute easels to Lina Bo Bardi” – um conjunto de 5 cavaletes inspirados pela icônica solução para o Masp, construídos com blocos de vidro soprados a mão e sobre os quais “flutuam” aquarelas que retratam as flores do próprio jardim.

Bem como uma enorme escultura da série “Mirror Necklace”, em inox e folha de ouro, debruçada sobre a árvore no vão central da sala, no coração da Casa. Completam a mostra um conjunto de tamboretes “Midnight Souls”, distribuídos pelos interiores em harmonia com o acervo permanente de móveis e arte, como uma evolução natural dessa coleção construída ao longo de 40 anos de convívio do casal.

Bruno Simões.

Sobre o artista.

Jean-Michel Othoniel (Saint-Étienne, França, 1964) é um dos grandes nomes da arte contemporânea internacional, graduado pela École Nationale Supérieure d’Arts, na França, e com formação na Villa Medici, na Itália. Suas esculturas, em diálogo com dimensões arquitetônicas, operam uma geometria monumental. Esculpe peças que se assemelham a joias, tanto pelo aspecto formal, quanto pelo preciosismo dos materiais, que vão de contas a tijolos de vidro de Murano soprado. Suas formas contemplativas navegam pelos reinos paradoxais da monumentalidade e delicadeza, do ornamento e do minimalismo. Com mais de 100 exposições individuais ao redor do mundo, além de centenas de exposições coletivas, Jean-Michel Othoniel foi amplamente premiado, com destaque para a distinção de Cavaleiro da Ordem de Artes e Letras da França. Suas obras integram importantes coleções internacionais como, o Centre Pompidou, a Fondation Cartier pour l’art contemporain, em Paris; o Musée National d’Art Moderne de Paris; o Musée d’Art Moderne de la Ville de Paris, o Brooklyn Museum, em Nova York; o Museum of Glass, em Tacoma; a Peggy Guggenheim Collection, em Veneza; o Museum of Contemporary Art (MoCA), Mi

Representada pela Galeria Patricia Costa.

06/jul

Fundada em 2003 por Patricia Costa e Silva, que possui 45 anos de experiência no mercado, a Galeria Patricia Costa, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ, passa a representar a artista Raquel Saliba, escultora que transforma materiais como cerâmica e bronze em instigantes seres que chegam a atingir quase três metros de altura.

Nascida em Itaúna, Minas Gerais, formada em Psicologia, a artista dedica-se exclusivamente à arte há 15 anos, movida por um fascínio singular por técnicas ancestrais e processos primordiais. Entre elas estão a Anagama – queima japonesa – e a Obvara, método de queima cerâmica originado no Leste Europeu no século XII, que consiste em retirar a peça incandescente do forno. Raquel Saliba também experimenta o uso de gás em fornos híbridos combinados com lenha. Em uma de suas séries mais recentes, deixou que a ação do mar oxidasse algumas peças, resultando em superfícies que alternam entre o reluzente e o rústico.

Sobre a artista.

Raquel Saliba já morou em diferentes partes do mundo, o que possibilitou que ela fizesse vários cursos e exposições como no Carrossel do Louvre (maio de 2018), por exemplo. Residindo atualmente no Rio de Janeiro, ela vem se dedicando cada vez mais às esculturas em cerâmica, bronze e outras matérias. Parte de sua formação artística: Curso Objeto e Poema 2025 e 2026 com Xico Chaves no Parque Lage; Colagem com Pedro Varela em 2024; O Processo Criativo com Charles Watson em 2020 no Parque Lage; Encontros e Reflexões, com Iole de Freitas, 2019, Parque Lage, Rio de Janeiro, Brasil; exposição coletiva A Cara do Rio (Centro Cultural dos Correios), 2018; curso Conversando sobre esculturas objeto etc. e tal com Joao Goldberg, Parque Lage, Rio de Janeiro, Brasil em 2016 e 2017; cursos de escultura e cerâmica no Morley College, Londres, Reino Unido 2014 e 2015; cursos de escultura no Heatherley School of Art, Londres, Reino Unido em 2015; workshop “O inconsciente na argila”, com Sandy Brown, Inglaterra, junho de 2015; cursos de Cerâmica e Escultura na UAL (University Arts of London), professor Timothy Harker, Londres, Reino Unido em 2013; Centro de Artes de Fremantle, Austrália Ocidental 2003. Recentemente, participou de duas exposições simultâneas no Museu Histórico da Cidade: a individual “Bashar: nós humanos” e outra com a artista e amiga Anna Bella Geiger, “Avesso”, ambas com curadoria de Shannon Botelho.

Exibição da artista indígena Yacunã Tuxá.

01/jul

A Caixa Cultural RJ, Unidade Passeio,  recebe, a partir do dia 07 de julho, a exposição “Toda Árvore Tem Raiz”, primeira mostra individual da artista indígena Yacunã Tuxá, que reúne mais de 25 obras em diferentes linguagens e suportes, como pintura, fotografia, poesia, muralismo, escultura, lambe-lambe, vídeo mapping e performance. Depois de um sucesso retumbante em Salvador, a exposição permanece em cartaz até 20 de setembro.

O projeto contempla a trajetória da artista indígena pertencente ao povo Tuxá de Rodelas, na Bahia, marcada por deslocamentos forçados e resistência. Yacunã Tuxá vem consolidando uma produção que articula ancestralidade, política e imaginação urbana, com passagens por instituições como o MASP, Pinacoteca de São Paulo e Muncab.

A curadoria de Naine Terena e Vera Nunes em diálogo com a artista, propõe uma experiência expositiva que combina identidade indígena com contextos culturais dos não-indígenas, criando um percurso imersivo que convida o público a refletir sobre os atravessamentos vividos por corpos indígenas, seus territórios e sua espiritualidade. A mostra incorpora elementos simbólicos como o rio, a canoa e a Jurema, planta sagrada que atravessa a mostra como eixo espiritual e político. O feminino indígena emerge como estrutura fundamental, afirmando as mulheres como raízes profundas da terra, sustentando histórias de resistência, cuidado e reinvenção.

Sobre a artista.

Yacunã Tuxá (@yacunatuxa) é uma das principais vozes da arte indígena contemporânea no Brasil, com atuação nas artes visuais, literatura, muralismo e curadoria, articulando memória, ancestralidade e política. Seu trabalho já esteve presente em importantes instituições culturais, rendeu prêmios de destaque, projetos curatoriais e grandes intervenções urbanas, além da publicação de seu primeiro livro de poemas, consolidando sua produção artística como uma potente ferramenta de resistência, afirmação identitária e cura coletiva.

Elegantes manejos da cor.

30/jun

Com 120 obras que fazem uma retrospectiva da trajetória de um dos artistas mais emblemáticos do Planalto Central, a exposição “Galeno, o mistério do simples” é um convite a um universo que mistura referências populares a um dos mais elegantes manejos da cor da arte brasileira. Em cartaz na Caixa Cultural, a exposição traz obras selecionadas pelo curador Paulo Herkenhoff e vem acompanhada de uma vitrine que reúne reportagens históricas do Correio Braziliense sobre Francisco Galeno. 

O ponto de partida da curadoria de Herkenhoff está nas origens do artista. Nascido em Parnaíba (PI), filho de uma costureira e de um marceneiro que veio tentar a vida na construção de Brasília nos anos 1960, Francisco Galeno fez dos objetos, cores e histórias que o cercavam a matéria prima para as pinturas e esculturas. Lamparinas feitas de alumínio, piões de brincadeiras de crianças, carretéis de linhas, pipas e barcos formavam o universo da infância que acabou transportado para  as pinturas. “A gente está trabalhando com a complexidade simples da obra dele, mas acho que o Galeno aponta para muitas digressões. “O Galeno tem suas particularidades. A obra dele traz uma memória do Nordeste.” O artista foi o responsável pelo painel da Igreja Nossa Senhora de Fatima.

Até 04 de outubro.

Diagramas espaciais de Damián Ortega.

O MASP apresenta a primeira exposição individual de Damián Ortega (Cidade do México, 1967) em um museu de São Paulo, com curadoria de Adriano Pedrosa, Rodrigo Moura e Yudi Rafael. A mostra reúne mais de três décadas de trabalho do artista, que transita entre escultura, instalação, fotografia e vídeo para reexaminar materiais e objetos cotidianos como vetores de narrativas sociais, econômicas e políticas. Em sua prática escultórica icônica, Damián Ortega desmonta objetos – carros, ferramentas, pedras, tijolos – e exibe suas partes reorganizadas em configurações suspensas que funcionam como diagramas espaciais, frequentemente carregados de humor e comentário político. A exposição destaca obras centrais de sua trajetória e um conjunto de trabalhos que investigam aspectos da arquitetura brasileira. A mostra é organizada em parceria com o MALBA – Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires.

Até 13 de setembro.