Um ato de abertura e sensibilidade.

20/out

A Gentil Carioca apresenta, no Stand 13, Hall: Pink A, uma seleção de obras que dialoga com o tema desta edição, “Fancy: A Flexible, Acrobatic Body” (Fancy: Um Corpo Flexível e Acrobático) em Turim, Itália. A partir dessa questão central, nossa apresentação propõe explorar a imaginação e o corpóreo enquanto ferramentas críticas e políticas, destacando a capacidade da arte de ampliar nossa percepção do mundo e a compreensão de experiências diversas.

O conjunto reunido coloca em jogo um exercício de pensamento, que convida o público a refletir sobre o presente, vislumbrar futuros possíveis e aproximar-se das complexidades culturais que nos atravessam. Ao colocar a criação artística no centro do diálogo coletivo, mostrando que imaginar é também a experiência que nos leva a reconhecer o valor de um ato de abertura e sensibilidade.

Entre 30 de outubro e 01 de novembro.

As relações entre Brasil e Índia.

A exposição “Ananta Ananda” apresenta pela primeira vez no Centro Cultural Veras, Florianópolis, SC, uma mostra individual do artista Ernesto Neto. Reconhecido por suas esculturas e instalações que envolvem o espectador, Ernesto Neto desenvolve há anos um trabalho atento em torno da imagem da serpente em diferentes tradições do mundo, compreendendo-a como símbolo de continuidade, transformação e interconexão entre formas de vida. Para o Veras, o artista se concentrará na figura de Ananta, a serpente que carrega o infinito, na tradição védica. Em associação a Ananda, a bem-aventurança inerente a toda forma de vida em seu estado espiritual, a exposição integrará as relações entre Brasil e Índia que o Veras preserva desde sua origem, especialmente no que concerne às cosmologias indígenas brasileiras e às tradições védicas.

Sobre o artista.

Ernesto Neto nasceu no Rio de Janeiro, Brasil, 1964. Produz esculturas e grandes instalações imersivas, utilizando técnicas artesanais como o crochê para compor estruturas flexíveis e interativas que ativam os nossos cinco sentidos, com a incorporação de elementos botânicos, ervas e especiarias. O artista tece membranas e peles, redes e invólucros que usam a gravidade e o equilíbrio como recursos de composição. Seus trabalhos mantêm sempre uma relação com a natureza, seja por meio de suas fisionomias biomórficas, seja no caráter interligado dos elementos que compõem seus espaços. Os ambientes plurissensoriais de Ernesto Neto são percorridos e habitados, formando locais de encontro, troca e reflexão. O público não é pressuposto como um grupo de observadores, mas acolhido como um coletivo de presenças e corpos ativos nas instalações.

Até abril de 2027.

Esculturas de formas orgânicas em Paris.

O fascinante universo de Sonia Gomes com a exposição “Cœur sauvage”, é o cartaz atual do Palais de Tokyo, em Paris. A exposição convida a apreciar uma abordagem original da arte contemporânea, na qual tecidos, cordas, rendas e materiais reaproveitados se transformam em esculturas expressivas. O Palais de Tokyo, um espaço dedicado à arte contemporânea, está localizado no número 13 da Avenue du Président-Wilson, no 16º arrondissement de Paris. 

Sobre a artista.

Nascida em 1948 em Caetanópolis, MG, Brasil, Sonia Gomes desenvolve uma prática artística reconhecida pelo uso de tecidos e materiais variados. Sua trajetória pessoal e cultural alimenta uma obra na qual os materiais ocupam um lugar essencial. Ela trabalha especialmente com tecidos reaproveitados, cordas, fios, bordados e elementos de renda para criar esculturas de formas orgânicas. Sua abordagem se baseia na transformação. O trabalho de Sonia Gomes também se insere em uma reflexão sobre as heranças culturais, especialmente as afro-brasileiras. Sua abordagem artística dialoga com tradições, práticas criativas e saberes artesanais que contribuem para a riqueza de sua identidade cultural.

Até 14 de fevereiro de 2027. 

Uma exposição especial.

Até 20 de dezembro, a Casa Baka, Cidade Baixa, Porto Alegre, RS, recebe a exposição “No fundo da superfície”, que reúne obras do artista, professor e pesquisador de Santa Vitória do Palmar, Lauer Santos, e artistas convidados de diferentes gerações, como Cris Bierrenbach, Mariana Lemmertz e Rafa Curtinovi. As produções destes artistas estabelecem diálogos com a pesquisa de Lauer Santos. 

Com curadoria de Andrei Moura e Diego Groisman, a exposição parte de um conjunto de trabalhos de Lauer Santos sobre intimidades, olhares e desejos. Essa estrutura aparece em sua recente série “Vestiários”, composta por pinturas que capturam a atmosfera destes espaços, nos quais as fronteiras entre público e privado são diluídas e as interações pessoais ganham outros contornos; e também na série “Reflexos”, que explora a aparição de formas em superfícies especulares. Para além de pensar a superfície em oposição ao que está em profundidade, a mostra articula relações e tensionamentos sugeridos pelos termos, considerando essas dimensões como constituintes da experiência dos corpos, da subjetividade e das relações humanas. 

Um conflito entre rigidez e movimento.

16/out

O MAM Rio apresenta “Projeto parquinho”, da artista e professora Andréa Hygino, como parte da programação do Espaço Petrobras, dedicado à apresentação de obras de jovens artistas comissionadas especificamente para o foyer do museu. Elaborada especialmente para o espaço, a instalação reúne cinco estruturas híbridas que combinam elementos de um parque infantil com cadeiras escolares, criando brinquedos que, pela própria configuração, impossibilitam a brincadeira. A obra parte da imagem do parquinho para refletir sobre os mecanismos de disciplina e controle presentes no ambiente escolar e questionar as regras que orientam os processos de ensino e aprendizagem. Na obra de Andréa Hygino, a disciplina e o controle são desafiados pela impossibilidade de obedecer às regras do jogo. Ao impedir o uso dos brinquedos, “Projeto parquinho” cria um conflito entre rigidez e movimento, entre o desejo de utilizar o brinquedo e a frustração diante da impossibilidade de fazê-lo. A curadoria é de Phelipe Rezende.

Sobre a artista.

Andréa Hygino é artista visual, arte-educadora e professora. Possui bacharelado em artes visuais (UERJ), mestrado em linguagens visuais (UFRJ) e atualmente cursa o doutorado em artes visuais (UFMG). A artista se debruça sobre o ambiente escolar e sobre os processos de aprendizado, adestramentos, disciplina e repetição. Encontra na desobediência de estudante o lugar necessário da crítica e da criação. Em seus trabalhos, as memórias de infância – como a escola criada por sua mãe e que funcionava em casa – entrelaçam-se às experiências como artista e professora e às condições da educação pública no Brasil. Integrou exposições em espaços como Instituto Tomie Ohtake, Galeria Antônio Sibassoly, Paço Imperial e Kunstverein Bielefeld. Participou de residências no JA.CA – Centro de Arte e Tecnologia,  Bag Factory Artists’ Studios, Artistes en Residence e Silo – Arte e Latitude Rural. Foi vencedora do 3º Prêmio SeLecT de Arte e Educação (categoria Camisa Educação, realizada em coautoria com Luiza Coimbra), do Prêmio FOCO ArtRio 2022 e do Prêmio PIPA 2025. Participou da equipe curatorial da 14º Bienal do Mercosul (2025), Porto Alegre, RS, como curadora educativa.

Até 17 de março de 2027.

Últimos dias de Vonta de vi dada dada.

A Fortes D’Aloia & Gabriel apresenta “Vonta de vi dada dada”, em seus últimos dias, a nova exposição individual de Ernesto Neto, que foi inaugurada simultaneamente nos espaços Barra Funda e Jardins da galeria, em São Paulo. 

Reunindo um novo conjunto de instalações escultóricas, trabalhos sobre papel e intervenções textuais, a mostra amplia a investigação de longa data do artista sobre a interdependência entre corpos, materiais e sistemas vivos. Distribuídas entre os dois espaços, esculturas em crochê de algodão, cordas trançadas, bambu, aço corten e argila assumem configurações orgânicas que evocam insetos, raízes, montanhas, florestas e outras formas híbridas, propondo a escultura como um campo de relações, movimento e transformação contínuos.

Em conjunto, as obras transformam a galeria em um ecossistema permeável, mais do que em um espaço expositivo neutro. Escultura, desenho, escrita e som articulam-se como manifestações de uma visão de mundo marcada pelo pensamento cosmológico, pela interdependência ecológica e pelo conhecimento incorporado. Em vez de estabelecer separações entre natureza e cultura, ou entre arquitetura e corpo, a exposição propõe um ambiente em que formas humanas e não humanas coexistem em constante intercâmbio, reafirmando a compreensão de Neto de que a vida se sustenta por meio das relações, da reciprocidade e da vitalidade compartilhada entre todos os seres.

A matéria como linguagem.

14/out

Entre os dias 19 e 23 de outubro, o Instituto Ling, Bairro Três Figueiras, Porto Alegre, RS, convida o público a acompanhar a artista Raphaela Melsohn enquanto desenvolve uma obra inédita diretamente em uma das paredes do centro cultural. O processo poderá ser acompanhado ao vivo, das 10h30 às 20h. 

Raphaela Melsohn é a última artista a integrar o projeto Ling Apresenta | Por uma “geografia da ação”: corpo, matéria, território, com curadoria de Galciani Neves, que reúne artistas da região Sudeste em diálogo com o contexto cultural gaúcho por meio de intervenções concebidas especialmente para o Instituto Ling. Sua prática transita entre diferentes linguagens, articulando pesquisa, escultura, instalação e outros meios. A artista participou de residências em instituições como SURO (México), AZ West (Estados Unidos) e Pivô (Brasil). Em 2022, foi comissionada pelo Socrates Sculpture Park (Nova York) para desenvolver uma obra em diálogo com Subterranean Tropicália Projects: PN15, de Hélio Oiticica.

No dia 24 de outubro, às 10h, Raphaela Melsohn participa de um encontro com o público ao lado da curadora para compartilhar reflexões sobre o desenvolvimento e o resultado da intervenção. A participação é gratuita mediante inscrição. 

Após a conclusão, a obra ficará exposta para visitação até dia 19 de dezembro. 

Campo expandido de linguagem.

13/out

A Galeria Estação, Pinheiros, São Paulo, SP, apresenta “Toda minúcia”, primeira exibição individual de Andre Barion em São Paulo. Com curadoria de Amanda Tavares e texto de catálogo de Omar Porto, a mostra reúne 27 trabalhos produzidos entre 2023 e 2026, muitos deles inéditos. A pesquisa do artista parte das possibilidades pictóricas e escultóricas dos tecidos, em obras que aproximam costura, pintura e escultura. A exposição ocupa o segundo andar e o mezanino da galeria.

A trajetória de Andre Barion afirma uma pesquisa que transforma o tecido em um campo expandido de linguagem, no qual gesto, matéria e imagem se articulam como formas de construção simbólica. Sua produção destaca-se no cenário contemporâneo brasileiro ao propor uma leitura sensível e estruturada da natureza, consolidando uma poética singular que articula intimidade, repetição e invenção formal.

Sobre o artista.

Andre Barion nasceu em 1996.  Desenvolve uma prática artística estruturada a partir da relação entre desenho, costura, pintura e construção espacial, articulando procedimentos que transitam entre o universo doméstico e a elaboração formal da imagem. Nascido em São Paulo, SP, iniciou sua trajetória por meio de uma investigação contínua do gesto manual, aproximando práticas cotidianas de um vocabulário visual rigorosamente construído. Sua formação se dá no entrecruzamento entre experimentação e pesquisa, consolidando uma linguagem que tensiona tradição e contemporaneidade.

Até 28 de novembro.

Exposição de esculturas de Leonardo Stockinger.

09/out

“Todas as Outras Casas”, exposição individual de esculturas de Leonardo Stockinger pode ser visitada no casarão rosa da Rua Luciana de Abreu, 450, Porto Alegre, RS, onde funciona a Galeria Stockinger. Com a curadoria de Heloisa Medeiros, “Todas as Outras Casas” estabelece uma relação direta de sua obra com a ocupação dos espaços, a transitoriedade das coisas, das pessoas, seus desafios e desejos.   

A fala do artista.

“A ideia de Todas as Outras Casas é simples e vai muito de encontro com o que eu acredito. Que é a arte exercendo sua função principal de alicerce da comunicação. Compartilhar, trocar e interagir. A proposta é um encontro que celebra a arte e as conexões”.

“Os reencontros e as descobertas dos últimos meses em Porto Alegre deixaram marcas em lugares desconhecidos em mim e na minha arte. Produzi em alta intensidade, ampliei meu vocabulário e reacessei lugares de sentimento profundo. Abro as portas de casa, deixo entrar, saio e sempre volto, foi mais ou menos assim esse tempo. Muitos me viram trabalhando diariamente, foi uma vitrine a céu aberto, alguns entraram para ficar, outros deram só uma passadinha, até os acenos foram marcantes”.

.

Sobre o artista

Nascido em Porto Alegre (RS) em 1980, radicado na Austrália desde 2005, Leonardo Stockinger é um escultor formado em 2009 pela Escola Nacional de Arte em Sydney, Austrália. Em 2012 formou-se no TAFE como técnico em fabricação de metais. O artista cresceu cercado por arte. O avô, Francisco Stockinger, artista austríaco-brasileiro, um dos principais escultores modernos de sua geração, o influenciou profundamente. Em 2025, apresentou a exposição “Vísceras-Corpo e Existência”, em Porto Alegre e Sydney. Em 2026 apresentou “Depois de 1000 Anos”, no Museu de Arte do Paço, com curadoria de Bernardo José de Souza.

 

Abertura de um novo campo de investigação.

07/out

O artista Rodrigo de Castro, retoma a pintura a partir da experiência tridimensional em nova exposição. Há três anos, ao apresentar suas esculturas na Galeria Patrícia Costa, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ, Rodrigo de Castro experimentava pela primeira vez a passagem da pintura para a tridimensionalidade. A experiência, no entanto, não representou uma ruptura, muito pelo contrário:  a abertura de um novo campo de investigação. Agora, na exposição “Rodrigo de Castro: A Ordem Sensível”, que abre no dia 15 de outubro, percorre o caminho inverso.

Com curadoria assinada, mais uma vez, por Vanda Klabin, a mostra reúne trabalhos nos quais Rodrigo de Castro amplia sua pesquisa sobre estrutura, equilíbrio, ritmo e percepção. “As esculturas nasceram, num primeiro momento, da observação das telas. A vontade de fazer com que a cor ocupasse o espaço me levou a pesquisar uma maneira de construir essa cor como escultura. Então, as esculturas se alimentavam, vamos dizer assim, do pensamento das pinturas. Eu percebo que agora acontece um diálogo no sentido inverso: a observação das esculturas me levou a trazer para o plano as complexidades que as esculturas criaram no espaço….Então, essas observações das esculturas abriram um caminho diferente, um novo caminho de pesquisa para levar como fonte daquela cor no espaço as maneiras de realizar isso na pintura. Há uma convergência maior entre cor, espaço e luz, fazendo fluir um diálogo mais intenso entre o que é pintura e o que é escultura porque na verdade é tudo fruto de um mesmo pensamento”, diz Rodrigo de Castro.

Sobre o artista.

Nascido em Belo Horizonte e formado em Engenharia, Rodrigo de Castro atualmente vive e trabalha em São Paulo, onde mantém seu ateliê, tendo realizado sua última individual no Rio de Janeiro em 2023. Ao longo de sua trajetória, participou de diversas coletivas e tem no currículo cerca de dez exposições solo, uma delas em Lisboa, em 2019. Atuou como curador em algumas mostras de seu pai, o artista e escultor Amílcar de Castro.

Até 14 de novembro.