Nuno Ramos representado por duas galerias.

02/mar

Almeida & Dale e a Cerrado Galeria anunciam a co-representação do escritor e artista Nuno Ramos. Sua prolífica obra assume a permeabilidade entre pintura, instalação, escultura, texto, peças teatrais e sambas. Seu corpo de trabalho pode ser entendido como um conjunto de tentativas, isoladas ou combinadas, de entranhar o fazer artístico na matéria, de criar arranjos provisórios entre opostos, de concatenar movimentos e de armar cenas conduzidas por atores humanos e não humanos. 

A palavra, o tempo presente e a realidade político-histórica e cultural do Brasil são tópicos recorrentes em sua prática, em diálogo com figuras fundamentais de diferentes áreas da cultura. Suas obras se dirigem aos limites da matéria, da linguagem e do objeto de arte, ora com aspecto vivaz, ora melancólico, colocando em fragilidade a atuação e o controle da própria ação criativa. 

Nuno Ramos iniciou sua trajetória nos anos 1980 e é um dos nomes determinantes da arte contemporânea brasileira. Ele acumula passagens por quatro edições da Bienal de São Paulo, além de participações nas Bienais de Veneza, do Mercosul e de Havana. Foi premiado pelo conjunto de sua obra com o Grant-Award da Barnett and Annalee Newman Foundation e, como autor, recebeu duas vezes o Prêmio Portugal Telecom. Sua obra integra acervos institucionais como os do Instituto Inhotim, Jewish Museum, MAM São Paulo, Pinacoteca de São Paulo, Städtische Galerie Villa Zanders, Tate Modern, Thyssen-Bornemisza e Walker Art Center, entre outros. 

Em 2026, Nuno Ramos estreia no Theatro Municipal de São Paulo como diretor, ao lado de Eduardo Climachauska, na ópera Intolleranza 1960, de Luigi Nono. O artista lança ainda neste ano livro em prosa inédito e um novo título dedicado à sua obra, organizado pela curadora Pollyana Quintella e pelo professor e pesquisador Victor da Rosa.

Mostra do acervo de um colecionador.

27/fev

Parte de um acervo que, por décadas, esteve restrito ao ambiente privado agora ganha as salas do Museu de Arte do Espírito Santo Dionísio Del Santo (MAES), no Centro de Vitória. A exposição “Arte em Todos os Sentidos” iniciou no dia 24 e reúne 41 obras de 36 artistas capixabas e nacionais.

A mostra apresenta pinturas, gravuras, desenhos, fotografias e esculturas selecionadas do acervo do colecionador Ronaldo Domingues de Almeida. A proposta é oferecer ao público um recorte plural da produção moderna e contemporânea. O título da exposição faz referência a uma obra do artista pernambucano Paulo Bruscky. A escolha dialoga com a ideia de ampliar a experiência estética e sensorial do visitante. Segundo o colecionador, o acervo não foi planejado como coleção formal. As aquisições começaram por afinidade e convivência com a arte, ainda nos anos 1980, quando ele frequentava a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Com o tempo, o conjunto cresceu de forma espontânea, reunindo hoje centenas de obras de aproximadamente 100 artistas, em sua maioria capixabas. Curadoria de Nicolas Soares.

Artistas participantes.

Álvaro Conde, Andréia Falqueto,  Ângelo de Aquino, Antônio Poteiro, Augusto Herkenhoff, Carlos Scliar, Cildo Meirelles, Claudia Colares, Dan Mendonça, Dididco, Franz Weismann, Gilbert Chaudanne, Hilal Sami Hilal, Homero Massena, Iole de Freitas, Jocimar Nalesso, José Roberto Aguilar, Maria Bonomi, Lando, Levino Fânzeres, Lincoln Guimarães Dias, Luciano Boi, Paulo Brusscky, Pitágoras Lopes, Prozak, Regina Chulam, Regina Silveira, Rick Rodrigues, Rosana Paste, Sandro Novaes, Sante Scaldaferri, Tom Boechat, Tomie Ohtake, Viva Vilar, Waltércio Caldas, Wesley Duke Lee.

A entrada é gratuita.

Até 26 de abril.

Anna Bella Geiger e Raquel Saliba.

25/fev

Unidas pela potência da arte e por laços de amizade, Anna Bella Geiger e Raquel Saliba ocupam duas salas do Museu Histórico da Cidade, Gávea, Rio de janeiro, RJ, a partir de 1º de março, sob curadoria de Shannon Botelho. No segundo pavimento do casarão, a exposição conjunta “Avesso” propõe um campo de diálogo entre as obras de Anna Bella Geiger e as esculturas de Raquel Saliba, revelando camadas, contrastes e afinidades. No primeiro pavimento (térreo), Raquel Saliba apresenta a individual “Bashar: nós humanos” reunindo esculturas recentes em diferentes técnicas na cerâmica e instalações que ampliam sua investigação material e espacial.

A data não poderia ser mais oportuna: além de marcar o aniversário da fundação da cidade do Rio de Janeiro, 1º de março insere as exposições em um mês mundialmente reconhecido como o Mês da Mulher. As mostras seguem abertas ao público até 03 de maio, com entrada gratuita.

Leminski inspira exposição coletiva.

Inspirada em poema de Paulo Leminski, “Espaçotempo” reunirá 34 artistas em uma exibição coletiva que investiga a noção de tempo a partir de diferentes práticas e materialidades apresentam trabalhos em pintura, desenho, escultura, fotografia, gravura, vídeo, objeto, bordado, serigrafia, tear e ações interativas constroem um campo plural de pesquisas. 

O poema “O mínimo do máximo”, de Paulo Leminski (1944-1989), é o mote inspirador da exposição que articula questões que transitam entre o individual e o coletivo, entre o real e o imaginado, deslocando a ideia de tempo de uma leitura linear e cronológica. Poeta que atravessou a literatura brasileira com humor, síntese e pensamento afiado, Paulo Leminski aparece aqui como um disparador sensível: seu poema abre um campo de ressonâncias entre palavra e imagem, em diálogo com as artes visuais. Propondo uma reflexão sobre as múltiplas percepções do tempo a partir de experiências subjetivas, memórias e atravessamentos íntimos, a exposição abrirá no dia 1º de março, no Museu Histórico da Cidade do Rio de Janeiro, Gávea, e permanecerá em cartaz até 03 de maio. A curadoria traz a assinatura de Isabel Sanson Portella.

As obras apresentadas percorrem uma ampla variedade de suportes e linguagens, como pintura, desenho, escultura, vídeo, ação interativa, tear, serigrafia, fotografia, gravura, bordado e objeto, evidenciando a diversidade de pesquisas e procedimentos que atravessam a exposição. Participam da mostra Ana Carolina Videira, Ana Herter, Ana Zveibil, Anna Bella Geiger, Antonio Bokel, Aruane Garzedin, Ashley Hamilton, Breno Bulus, Cláudia Lyrio, Esther Bonder, Fernanda Sattamini, Flavia Fabbriziani, Giba Gomes, Gláucia Crispino, Heloísa Madragoa, Jaime Acioli, Liane Roditi, Manoel Novello, Manu Gomez, Maristela Ribeiro, Marlene Stamm, Michelle Rosset, Mônica Pougy, Nathan Braga, Panmela Castro, Patrizia D’Angello, Pedro Carneiro, Raul Mourão, Renata Adler, Stella Mariz, Vicente de Melo e Aldonis Nino, Virgínia Di Lauro e Yoko Nishio, artistas oriundos de estados como Bahia, Amapá, São Paulo e Rio de Janeiro, além dos Estados Unidos.

observador e o objeto.

24/fev

A Galeria Marcelo Guarnieri, Jardins, São Paulo, SP,  apresenta, entre 07 de março e 11 de abril, “Vazio Entre”, terceira exposição individual do artista Carlos Fajardo na sede da galeria. A mostra reúne um conjunto de vinte e quatro desenhos recentes e inéditos e cinco esculturas trabalhadas em vidro, aço corten, aço polido e tecido que exploram a relação entre ausência e presença através das transparências dos materiais, dos intervalos entre superfícies e da brancura do papel. Carlos Fajardo dá continuidade à investigação que desenvolve há seis décadas sobre as relações espaciais entre o corpo, o objeto e a Arquitetura, realizada nesta ocasião através de um diálogo entre a arte e o pensamento quântico.

Em 1966, Carlos Fajardo produziu “Neutral”, obra que se tornaria fundamental para o desenvolvimento do seu pensamento artístico e filosófico. Composta por dois cubos transparentes, sendo um deles de acrílico e o outro formado apenas por um traço que atravessa cada uma das seis superfícies do primeiro, a peça foi entregue ao comprador como um guia de instruções para montagem. Em “Neutral” é possível observar a gênese de alguns interesses que se tornaram complexos ao longo de mais de cinquenta anos de atividades do artista: a elaboração da obra estabelecida pela relação entre o observador e o objeto, o desenho como um modo de pensamento e trabalhos como portadores de ideias que ultrapassam o fazer manual.

Sessenta anos depois, Carlos Fajardo mantém-se fiel às discussões suscitadas pela fenomenologia, mas assim como o tempo, que avançou, o repertório filosófico do artista se expandiu, aproximando-se das reflexões sobre a composição e o comportamento da matéria através dos fundamentos da física quântica. Ao recusar a concepção de uma matéria fixa e plenamente determinada, essa perspectiva evoca um nível microscópico no qual os fenômenos são descritos em termos de probabilidades, interações e correlações, e no qual a observação integra as condições de manifestação do que é observado. A partir da compreensão de que a realidade física é entendida como relacional e dependente das interações que a atualizam, a palavra “vazio” deixa de ser sinônimo de ausência e a palavra “entre” adquire nova densidade, ativando um modo de percepção menos centrado no intervalo entre objetos fixos e mais atento às relações que o constituem.

O que Carlos Fajardo propõe nesta exposição é uma experiência viva e relacional. Nas paredes laterais, dispõem-se trabalhos que exploram, por meio da variação cromática, a transição entre a segunda e a terceira dimensão. À esquerda, um quadrado em azul cerúleo preenche o campo da visão periférica de quem entra, evocando a ideia de transcendência em sua relação com a história da arte moderna e seu uso na representação de atmosferas, composições celestes e aquáticas. Depois, uma série de vinte e quatro desenhos em carvão e pastel seco oscila entre o vermelho, o amarelo, o azul e o preto, revelando, pela fricção do pigmento sobre a superfície do papel, a estrutura reticular da fibra. Os traços, articulados às bordas do A4 e marcados por gestos curtos e precisos, formam, coletivamente, uma sequência que se anima através do movimento do visitante ao percorrer o espaço.

Metáfora para uma formação cultural.

12/fev

A exposição “Como funcionam os vulcões” inaugurou o programa de 2026 da Carpintaria, Jardim Botânico, Rio de Janeiro, RJ. A mostra reúne obras de Amélia Toledo, Arthur Chaves, Barrão, Cerith Wyn Evans, Ernesto Neto, Ivens Machado, Janaina Wagner, Leda Catunda, Maria Manoella e Mauro Restiffe, Rivane Neuenschwander e Cao Guimarães, Rodrigo Cass, Rodrigo Matheus, Tiago Carneiro da Cunha, Valeska Soares e Yuli Yamagata.

Concebida em diálogo com a chegada do Carnaval no Rio de Janeiro, “Como funcionam os vulcões” toma a imagem do vulcão como metáfora para uma formação cultural complexa. Longe de um fenômeno visível ou imediato, a exposição evoca processos que se desenvolvem ao longo do tempo, acumulando pressões, desejos, conflitos e fantasias até alcançar um ponto de liberação. Nesse sentido, o Carnaval é proposto não apenas como espetáculo, mas como a manifestação de um longo processo de gestação moldado por forças sociais, materiais e simbólicas.

Percorrendo escultura, instalação, desenho, vídeo, pintura e técnicas mistas, a exposição enfatiza como o sentido se produz por meio da duração e da persistência material. As obras reunidas lidam com dinâmicas de acúmulo, transformação e emergência. Reunindo artistas de diferentes gerações e posições, a mostra apresenta práticas atentas a estados de latência e erupção, suspensão e excesso. Materiais são reunidos, sobrepostos, esticados, comprimidos ou colocados em movimento, registrando tensões entre controle e imprevisibilidade, estrutura e instabilidade. O encontro com as obras se dá entre o maravilhamento e a tensão, entre o que é encenado e o que permanece em estado latente.

Espaços e formas de convivência.

Uma exposição coletiva na Flexa reúne obras de diferentes tempos históricos para refletir sobre o Carnaval. 

A Flexa, Leblon, Rio de Janeiro, RJ, inaugurou sua agenda de 2026 com “Carnavalizar: método e invenção”, exposição coletiva com curadoria de Daniela Avellar, que investiga o carnaval como verbo.

Carnavalizar, no contexto da mostra, é entendido como um estado e uma ação capazes de reorganizar corpos, espaços e formas de convivência. Partindo da compreensão de que carnavalizar, no Brasil, é um gesto provido de método e inteligência própria, a exposição reconhece a festa como uma prática inventiva forjada sobretudo nas comunidades negras urbanas em resposta às diferentes formas de violência. Nesse sentido, o carnaval é entendido como um campo de criação cultural, política e sensível.

Ao reunir artistas de diferentes gerações, a exposição articula temporalidades, referências e repertórios que atravessam a experiência do corpo coletivo, as materialidades da festa, ritmos como o samba, o funk, e as arquiteturas vernaculares. Afastando-se de uma abordagem documental, a coletiva propõe um carnaval quase abstrato, mais um estado do que uma representação, afirmando o ato de carnavalizar como uma forma de conhecimento capaz de redimensionar o coletivo e projetar futuros possíveis.

Símbolo emblemático da França.

06/fev

A capital paulista recebe a exposição inédita Galo Parade, que reúne 10 esculturas gigantes do galo gaulês (Le Coq Gaulois), um dos símbolos mais emblemáticos da França, criadas por artistas contemporâneos brasileiros. As obras celebram a conexão cultural entre Brasil e França por meio da arte e poderão ser visitadas gratuitamente até 22 de fevereiro, na Esplanada Cetenco Plaza – 3 entradas (dias úteis):Av. Paulista, 1842; ⁠Rua Frei Caneca, 1381; Alameda Ministro Rocha Azevedo, 72.; aos finais de semana, pela Alameda Ministro Rocha Azevedo, 72.  

O galo gaulês tem origem em um trocadilho da língua latina, na qual gallus significava tanto “galo” quanto “habitante da Gália”, nome antigo da França. Ao longo dos séculos, o símbolo ganhou status nacional, representando valores como vigilância, coragem e orgulho. Na Galo Parade, esse ícone é reinterpretado por artistas com vínculos com a cultura francesa, seja por meio de vivências, estudos ou referências artísticas. Participam da exposição Isabelle Tuchband e Thiago Neves, artistas que já levaram suas obras à França em mostras coletivas e individuais, além de Aline Fraga Seelig, Ana K Brizzi, Carol Murayama, Caligrapixo, Cris Campana, Isa Silva, Kamila de Deux e Mateus Bailon. A curadoria é assinada pela francesa Catherine Duvignau. Como parte das ações comemorativas, a entrada do edifício onde está localizado o escritório da Pluxee, em Pinheiros, receberá a pintura de um galo gaulês, criada pela artista Kamila Mello, em celebração à conexão cultural entre Brasil e França. 

“Ao ocupar o espaço urbano durante o período do aniversário da cidade, a Galo Parade convida o público a uma experiência estética vibrante, reforçando São Paulo como um território de encontro entre culturas, linguagens artísticas, arte acessível e histórias compartilhadas”, comenta Catherine Duvignau.

Uma seleta em pequenos formatos.

03/fev

Um um formato exclusivamente digital, a Almeida & Dale, São Paulo, SP, apresenta uma curadoria de obras de seu acervo. A seleção inaugural destaca pequenos formatos na obra de artistas em evidência no circuito contemporâneo e de figuras emblemáticas da arte do século XX.  

Esculturas em prata e resina, aço corten, caixas de fósforo, cerâmica e bronze de Tunga, Amilcar de Castro, Lygia Clark, Lidia Lisbôa e Efrain Almeida, respectivamente, dialogam com óleos de Lorenzato, Paulo Pasta, Alex Červený, Louise Bourgeois, Miriam Inez da Silva, David Almeida, Rodrigo Andrade, e acrílicas de Rubem Valentim e Jaider Esbell. Somam ainda o conjunto obras de Hélio Melo, Leonilson, Sara Ramo, Eleonore Koch, Adriana Varejão, Tarsila do Amaral e de Henrique Oliveira.

A ampliação de significados.

A Coordenação de Artes Visuais, Secretaria Municipal de Cultura, Prefeitura de Porto Alegre e o Museu de Arte do Paço promovem a exposição “Transfigurações” do artista Edu Devens e curadoria de Andre Venzon.

Sobre o artista.

Edu Devens nasceu em 1971, Piratini/RS, vive e trabalha em Pelotas/RS. Artista visual e pesquisador, graduando em Artes Visuais pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), desenvolve uma produção que investiga os corpos dissidentes e a fragmentação dos modelos normativos da masculinidade. Por meio da fotografia expandida, da transferência de imagem, da escultura e da instalação, sua obra tensiona os regimes de visibilidade do corpo e os dispositivos simbólicos que sustentam suas representações.

Na mostra, “Transfigurações”, que chega à Sala da Fonte, no Museu de Arte do Paço, Porto Alegre, RS, está reunida a mais recente série “Fragmentos do masculino”, em mármore, além da série “Experimentações Clandestinas” sobre ferramentas de pá e corte e a escultura “Transmutar” sobre caixas de isopor. A prática da transferência fotográfica manual de retratos e nus artísticos para suportes de pedra, metal e isopor cria uma interlocução entre pele, memória e matéria. Essa operação artística, simultaneamente, enriquece cada elemento e dá a esses objetos uma vida emergente, conferindo-lhes expressão e ampliação de significados.