Vik Muniz reproduz itens do acervo.

02/jul

O Museu Nacional, São Cristóvão, Rio de Janeiro, RJ, abre mostra com obras de Vik Muniz com as cinzas do incêndio. Com ajuda da equipe que trabalhou no resgate e de cientistas, artista reproduz peças originais do acervo da institução.

Comovido com o incêndio que destruiu o Museu Nacional, em setembro de 2018, Vik Muniz criou uma coleção em polímero infundido com as cinzas, na qual reproduz itens do acervo. 

Tudo foi desenvolvido em parceria com as equipes que atuaram nos escombros e cientistas da PUC-Rio. 

Até 30 de agosto.

5ª Chamada do Programa Hélio Oiticica.

A artista visual Katia Wille integra a exposição coletiva da 5ª Chamada do Programa Hélio Oiticica, que entra em cartaz dia 4  de julho no Centro Municipal de Artes Hélio Oiticica, com a série I.N.E.U.V.’s | isto não é uma veste, apresentada em diálogo com a obra Nas Quebradas, de Hélio Oiticica. Ela se junta na mostra a Lucas Vaz, Jan M.O, Marcelo Rezende, Naomi Cary e Olívia Albergaria, artistas contemporâneos cujas pesquisas estabelecem conexões com o legado experimental de um dos nomes centrais da arte brasileira.

Partindo da frase que orienta a série “Obra no corpo, corpo na obra”, Katia Wille desenvolve um conjunto de trabalhos vestíveis que desloca a experiência artística para o campo da participação, da transformação e da criação compartilhada. Constituídas por fragmentos têxteis provenientes de diferentes histórias e usos, as I.N.E.U.V.’s – sigla lúdica para “isto não é uma veste” – permanecem abertas à recomposição. Sistemas de botões permitem ampliar dimensões, conectar módulos e unir peças distintas, gerando configurações sempre renovadas.

Ao ocupar o Centro Municipal de Artes Hélio Oiticica, a série reafirma a permanência de questões centrais na obra do artista carioca: a participação, a experimentação, a dimensão sensorial da arte e sua potência coletiva. Em um momento em que as discussões sobre corpo, convivência e pertencimento ganham renovada relevância, o diálogo entre as I.N.E.U.V.’s e Nas Quebradas evidencia a força de uma herança artística que continua produzindo novas possibilidades de existência.

Até 1º de agosto.

Exibição da artista indígena Yacunã Tuxá.

01/jul

A Caixa Cultural RJ, Unidade Passeio,  recebe, a partir do dia 07 de julho, a exposição “Toda Árvore Tem Raiz”, primeira mostra individual da artista indígena Yacunã Tuxá, que reúne mais de 25 obras em diferentes linguagens e suportes, como pintura, fotografia, poesia, muralismo, escultura, lambe-lambe, vídeo mapping e performance. Depois de um sucesso retumbante em Salvador, a exposição permanece em cartaz até 20 de setembro.

O projeto contempla a trajetória da artista indígena pertencente ao povo Tuxá de Rodelas, na Bahia, marcada por deslocamentos forçados e resistência. Yacunã Tuxá vem consolidando uma produção que articula ancestralidade, política e imaginação urbana, com passagens por instituições como o MASP, Pinacoteca de São Paulo e Muncab.

A curadoria de Naine Terena e Vera Nunes em diálogo com a artista, propõe uma experiência expositiva que combina identidade indígena com contextos culturais dos não-indígenas, criando um percurso imersivo que convida o público a refletir sobre os atravessamentos vividos por corpos indígenas, seus territórios e sua espiritualidade. A mostra incorpora elementos simbólicos como o rio, a canoa e a Jurema, planta sagrada que atravessa a mostra como eixo espiritual e político. O feminino indígena emerge como estrutura fundamental, afirmando as mulheres como raízes profundas da terra, sustentando histórias de resistência, cuidado e reinvenção.

Sobre a artista.

Yacunã Tuxá (@yacunatuxa) é uma das principais vozes da arte indígena contemporânea no Brasil, com atuação nas artes visuais, literatura, muralismo e curadoria, articulando memória, ancestralidade e política. Seu trabalho já esteve presente em importantes instituições culturais, rendeu prêmios de destaque, projetos curatoriais e grandes intervenções urbanas, além da publicação de seu primeiro livro de poemas, consolidando sua produção artística como uma potente ferramenta de resistência, afirmação identitária e cura coletiva.

Tiago Carneiro da Cunha na Carpintaria.

30/jun

A Fortes D’Aloia & Gabriel apresenta “Férias para Sempre”, exposição individual de Tiago Carneiro da Cunha. Reunindo um novo conjunto de pinturas, a mostra do artista paulistano, radicado no Rio de Janeiro, se desenvolve por meio de cenas enigmáticas nas quais estados de lazer, prazer e repouso tornam-se cada vez mais difíceis de distinguir de imagens de colapso, desaparecimento ou morte. Corpos reclinados aparecem ao longo das obras, espalhados por praias, jardins, ruas e interiores, sua imobilidade suspensa entre férias e catástrofe. Ao mesmo tempo bem-humoradas, inquietantes e teatrais, as pinturas resistem a narrativas fixas, permitindo que momentos de ócio, vulnerabilidade e absurdo componham um tableau aberto a múltiplas interpretações.

Todas as telas são produzidas em um formato recorrente, compartilhando as mesmas dimensões, como variações dentro de uma mesma estrutura formal e conceitual. As composições se abrem para espaços amplos que oscilam entre paisagem e cenário teatral, conforme os enquadramentos panorâmicos de Tiago Carneiro da Cunha criam um campo visual em que primeiro plano e fundo se tornam protagonistas equivalentes. Coqueiros inclinados ecoam as posturas das figuras, enquanto crepúsculos dramáticos, focos concentrados de luz e construções espaciais marcadas conferem a muitas cenas uma qualidade quase autoiluminada. A exposição inclui duas interpretações distintas da Pietà, aproximando um dos motivos centrais da tradição clássica de imagens extraídas da vida contemporânea. Ao longo de “Férias para Sempre”, ambientes idílicos e urbanos convivem e se contaminam, animados por referências à cultura visual e à atmosfera cotidiana do Rio de Janeiro. Em conjunto, essas pinturas exploram o território incerto onde espetáculo e intimidade, humor e melancolia, férias eternas e descanso final começam a se confundir.

Entre suas exposições individuais recentes destacam-se Maldita Comédia, Fortes D’Aloia & Gabriel, São Paulo e Green Galaxy, Misako & Rosen, Tóquio. Participou também das exposições coletivas Terraphilia: Beyond the Human in the Thyssen-Bornemisza Collections, no Museo Nacional Thyssen-Bornemisza,  Estado Bruto, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), Rio de Janeiro e A iminência das poéticas – 30ª Bienal de São Paulo. O artista possui obras em importantes coleções públicas, entre elas o SFMoMA – San Francisco Museum of Modern Art, em San Francisco; TBA21 Thyssen-Bornemisza Art Contemporary Collection, Madrid; a Saatchi Collection, em Londres; o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio); o Museu de Arte do Rio (MAR); e o Arizona State University Art Museum, em Tempe.

A exposição é acompanhada por um texto de Gabriel Secchin.

Até 29 de agosto.

Roberto Burle Marx pelos amigos.

25/jun

Exposição revela o lado mais íntimo e afetivo de Roberto Burle Marx no Centro Cultural Correios, Rio de Janeiro, RJ. Entre memórias, fotografias, documentos históricos e experiências imersivas, Roberto Burle Marx pelos   amigos convida o público a descobrir a dimensão mais humana de um dos maiores criadores brasileiros. A exposição revela um artista movido pela amizade, pela música, pela diversidade cultural e pelo encontro entre arte e natureza, apresentando um olhar raro e afetivo sobre sua trajetória. 

Muito além do paisagista que revolucionou a relação entre arte e natureza no Brasil, Roberto Burle Marx surge agora como anfitrião, colecionador, amigo, humanista e homem profundamente entrelaçado com a diversidade cultural que moldou sua trajetória. É essa dimensão menos conhecida de um dos maiores criadores brasileiros que ganha protagonismo em Roberto Burle Marx pelos amigos, exposição em cartaz no Centro Cultural Correios Rio de Janeiro, a partir do dia 1º de julho de 2026.

Idealizada pelo Memorial Judaico de Vassouras, a exposição percorre episódios pouco conhecidos da biografia de Burle Marx, como suas origens familiares, filho de um judeu alemão e de uma professora católica pernambucana de ascendência francesa, a passagem pela Alemanha durante a juventude e o impacto da ascensão do nazismo sobre sua família paterna. Fotografias inéditas e documentos históricos ajudam a compreender como essa herança multicultural reverberou em sua visão de mundo e em sua produção artística, especialmente em seus últimos anos de vida.

Até 22 de agosto.

Celebrando Nara Roesler

23/jun

A Nara Roesler Rio de Janeiro convida para a abertura da exposição “As formas do tempo”, com curadoria de Bernardo Mosqueira, no dia 25 de junho, às 18h. A mostra reúne pinturas, esculturas, vídeos, fotografias, instalações e obras site specific, com obras de 22 artistas, de múltiplas gerações e ligados ao território do Rio de Janeiro, em uma reflexão sobre a capacidade da arte de nos ensinar sobre o tempo. Esta é a terceira exposição da programação que celebra os 50 anos de atuação de Nara Roesler como galerista.

As mais de 30 obras da exposição refletem sobre diferentes formas do tempo, entre história, mito, memória, esquecimento, presença, movimento, transformação, construção, ruína, finitude, retorno, “espiralidade” e infinitude. “Os trabalhos convidam o público a experimentar temporalidades que escapam à lógica cronológica, emaranhando diferentes texturas e escalas temporais e sugerindo modos de estar no mundo que libertem nossa força vital da submissão à linearidade e às narrativas de progresso”, diz o curador.

Bernardo Mosqueira contou com a colaboração da curadora assistente Ana Clara Simões Lopes, afirma “sentir-se honrado em participar das celebrações em torno de Nara Roesler, cuja trajetória considera extraordinária e singular na história do sistema da arte no Brasil, tendo participado ativamente da consolidação da arte contemporânea brasileira ao longo dos últimos cinquenta anos”. 

“Não há como separar a história recente da arte brasileira da história da Nara”, destaca.

A mostra reúne obras de 17 artistas representados por Nara Roesler, nascidos no Rio de Janeiro ou que escolheram a cidade como lugar de morada e trabalho. Alguns nomes são Antonio Dias, Brígida Baltar, Carlito Carvalhosa, Daniel Senise, Elian Almeida, Raul Mourão, Marcos Chaves, Maria Klabin e Vik Muniz.

“As formas do tempo” apresenta também trabalhos de Hélio Oiticica (1937-1980, Rio de Janeiro), cujo legado foi representado pela galeria entre 2005 e 2019.

Até 22 de agosto.

Em torno de Ana Holck.

22/jun

Uma “Conversa com Ana Holck e Felipe Scovino” na galeria Maneco Müller: Multiplo. O bate-papo acontecerá em torno da exposição “Imprevistos”, que marca os 25 anos de trajetória da artista Ana Holck.

No dia 01 de julho, às 18h30, será realizada uma conversa com a artista Ana Holck e o crítico de arte e curador Felipe Scovino, na galeria Maneco Müller: Multiplo, no Leblon. Esta será uma oportunidade para o público conhecer melhor o trabalho de Ana Holck e seu processo de produção. Felipe Scovino acompanha o trabalho da artista há muito tempo e falará sobre as obras recentes, em diálogo com sua consolidada trajetória de mais de 20 anos nas artes. A entrada é gratuita mediante confirmação através do telefone (21) 2294-8284.

“Ana Holck possui um amplo conhecimento, seja técnico, conceitual ou histórico, que também é transdisciplinar. Seu trabalho dialoga criticamente com o discurso escultórico contemporâneo, mantendo ao mesmo tempo uma forte qualidade poética e experiencial”, ressalta Daniela Labra.

Daniel Senise no Paço Imperial.

17/jun

Após 32 anos, um dos nomes mais reconhecidos da arte contemporânea, Daniel Senise volta a fazer uma individual no Paço Imperial, Rio de Janeiro, RJ. Em “Os dois lados da janela”, com curadoria de Pollyana Quintella, o público verá 59 trabalhos que abrangem a produção do artista do anos 2000 até agora, incluindo trabalhos inéditos – quatro produzidos este ano, e outros quatro que também nunca saíram do seu ateliê, produzidos entre 2024 e 2026.

As obras ocuparão todas as salas do primeiro andar do Paço, agrupadas “por afinidade”, não necessariamente por séries ou ordem cronológica, conta Daniel Senise, que participou intensamente de todo o processo de montagem da exposição, e estará presente na abertura no dia 04 de julho de 2026, a partir das 11hs. 

Ao longo da exposição, o público verá ainda uma série pequenas pinturas – as “pinturinhas” de Daniel Senise, experiências que ele faz em seu ateliê, além de textos de Pollyana Quintella, as “legendas expandidas”, que comentam algumas obras ou o conjunto do ambiente.

Até 06 de setembro.

Arte e Natureza integrados.

16/jun

O Museu Histórico da Cidade, Estrada Santa Marinha, s/n, Gávea. Rio de Janeiro, RJ, inaugura a exposição “PRO-POLIS”, mostra individual do artista Ricardo Siri. Serão apresentadas cerca de 20 obras inéditas, feitas com mel, cera de abelha e própolis, que integram arte, natureza e sociedade

Há cerca de oito anos, o artista transdisciplinar Ricardo Siri começou a estudar e a criar abelhas nativas brasileiras. Esse processo lhe rendeu prêmios, como o terceiro melhor mel do Brasil, e transbordou para a sua criação artística. O resultado será apresentado pela primeira vez na exposição “PRO-POLIS”, que será inaugurada no dia 27 de junho. Com curadoria de Fernanda Lopes, serão apresentadas obras inéditas, entre pinturas e esculturas, produzidas com mel, cera de abelha e própolis. “Os trabalhos estabelecem uma ponte entre natureza, cidade e cultura, revelando processos invisíveis de construção coletiva, proteção e transformação”, afirma o artista.

Completam a exposição, estruturas em formatos de colmos, feitos com corda e cera de abelha, que se relacionam com os trabalhos da exposição e também com a pesquisa que o artista vem desenvolvendo há muito tempo sobre os ninhos.

Sobre o artista.

Ricardo Siri é artista transdisciplinar. Músico, compositor e meliponicultor. Formado pela Los Angeles Music School. Com sete álbuns autorais lançados, recebeu em 2010 o prêmio da Música Brasileira pelo álbum “Ultrasom”. Suas performances emergiram do palco, e seus instrumentos viraram poesias sonoras. Sua carreira expande definitivamente para as artes visuais, sendo convidado a realizar exposições e performances no Brasil e exterior como o Victoria and Albert Museum – Londres , NBK Gallery – Berlim e  Portikus – Frankfurt. Com uma trajetória que une natureza e tecnologia, Ricardo Siri desenvolve esculturas e instalações, que criam pontes sensoriais entre o orgânico e o urbano. Sua prática artística nasce do cuidado com os organismos vivos e propõe uma escuta profunda do mundo.

Até 22 de agosto.

Prática escultórica e pesquisa investigativa.

08/jun

A Gentil Carioca anuncia a representação da artista Siwaju e celebra sua chegada ao programa da galeria, reconhecendo a força e a consistência de sua pesquisa.

Sobre a artista.

Nascida em São Paulo, em 1997, Siwaju vive e trabalha no Rio de Janeiro. Sua prática escultórica investiga a relação entre tempo e diferentes ecologias, utilizando aço reaproveitado – coletado, doado e reciclado – para construir conexões entre matéria e cosmos, energias visíveis e invisíveis, corpo, espaço e ambiente. Sua produção opera em uma temporalidade espiralada, em constante expansão e retorno, ativando saberes da afrodiáspora. Formada em Artes Visuais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2025), participou do Programa Formação e Deformação da EAV Parque Lage e da Escola Livre de Artes do Galpão Bela Maré (ELÃ), ambos em 2022. Recentemente, recebeu o Prêmio do Concurso Gilberto Chateaubriand de Arte Contemporânea com a obra Ààlà Ọ̀run-Ayé (Fronteira entre o céu e a terra) (2025), que passará a integrar o acervo do Palácio Itamaraty. Também foi indicada ao Prêmio PIPA e apresentou a individual Aos temporais, marés de retorno, no auroras, em São Paulo. Em 2025, realizou Spectrum, sua primeira individual n’A Gentil Carioca, e integrou mostras em instituições como o MAM Rio, o Museu de Arte do Rio (MAR) e o Instituto Inhotim.