Guilherme Kid no Museu de Arte do Rio.

17/set

Com obras inéditas na galeria da Biblioteca, o artista Guilherme Kid investiga a transmissão de saberes entre gerações e territórios nas culturas negras brasileiras e afirma a ancestralidade como fundamento de criação, identidade e permanência.

Terreiros, quintais, rodas e agremiações de samba aparecem nas narrativas do artista Guilherme Kid como espaços fundamentais de formação, preservação e circulação de conhecimentos. Ao reconhecer esses lugares como legítimos produtores de saberes, o artista da Zona Oeste do Rio de Janeiro evidencia a memória compartilhada como instrumento de continuidade e afirmação das culturas negras brasileiras.

A partir dessa poética, o Museu de Arte do Rio inaugura “Quem me ensinou sabia”, primeira exposição individual de Guilherme Kid na instituição. O artista que já colaborou com o MAR em projetos anteriores retorna com um conjunto de obras inéditas. A exposição faz parte da programação do Festival ARUA Summit e conta com a curadoria da equipe MAR, formada por Marcelo Campos, Amanda Bonan, Jean Carlos Azuos e Amanda Rezende.

Em suas pinturas, Guilherme Kid parte da escuta atenta e da vivência cotidiana para investigar como conhecimentos, memórias e tradições são preservados, compartilhados e renovados. A exposição também evidencia uma assinatura visual característica da produção de Kid, marcada pela presença de temas figurativos em suas pinturas, uma de suas principais marcas registradas. Nas obras, a dimensão cotidiana se articula à memória e à ancestralidade, criando imagens que refletem sobre os vínculos entre passado, presente e futuro.

Exposição no MAM Rio e conversa na ArtRio.

Vencedores do Prêmio PIPA no ano passado, um dos mais importantes prêmios de arte contemporânea do país, os carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora participam, neste sábado, dia 19 de setembro, da exposição “Carnaval como método”, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio). No domingo, dia 20 de setembro, às 16h, eles estarão na ArtRio para a conversa “Carnaval e arte contemporânea”, ao lado de Milton Cunha e Leandro Vieira, com mediação de Alicia Cesário. Além disso, Haddad e Bora também integram a exposição “De Olhos d’Água ao Rio-Mar: Olímpia abraça o Rio de Janeiro”, em cartaz na Estação Cultural de Olímpia (ECO), em São Paulo, até março de 2027.

No MAM Rio, a exposição “Carnaval como método” leva para o espaço museológico os processos de criação desenvolvidos no Carnaval das escolas de samba do Rio de Janeiro. A mostra reúne obras inéditas comissionadas a seis carnavalescos em atividade – entre eles, Gabriel Haddad e Leonardo Bora, que, no contexto fabril da Cidade do Samba, desenvolvem o enredo “Torto arado – sobre a terra há de viver sempre o mais forte”, baseado na obra de Itamar Vieira Junior, para a Unidos de Vila Isabel. A mostra também reúne trabalhos dos carnavalescos Joãosinho Trinta (1933-2011), Rosa Magalhães (1947-2024) e Maria Augusta Rodrigues (1942-2025), além de pinturas de artistas ligados ao universo do samba e do Carnaval, como Heitor dos Prazeres e Nelson Sargento. A exposição ocupará o Salão Monumental e o mezanino, com curadoria de Raquel Barreto, Pablo Lafuente e Phelipe Rezende, além da colaboração de Debora Moraes e Edu Gonçalves.

Gabriel Haddad e Leonardo Bora apresentarão quatro trabalhos inéditos no MAM Rio, pensados de forma a mapear as suas próprias memórias afetivas e referências artísticas originárias do universo das escolas de samba. Cada obra assimila e deglute signos, materiais e técnicas que se referem aos trabalhos de quatro artistas do carnaval que já deixaram a vida. 

Uma seleção de 33 artistas de diferentes gerações.

16/set

A Galatea participa da 16ª edição da ArtRio, que acontece entre 16 e 20 de setembro, na Marina da Glória, no Rio de Janeiro. A galeria apresenta uma seleção de 33 artistas que atravessa diferentes gerações e contextos da arte moderna e contemporânea, reunindo nomes fundamentais da produção brasileira, artistas que exerceram influência na cena nacional ou que por ela foram influenciados, além de jovens talentos emergentes.

A robusta lista de artistas para o estande da Galatea na ArtRio 2026 reúne Anísio O. Couto, Arthur Palhano, Bogdan Koshevoy, Carlos Cruz-Díez, Carolina Cordeiro, Dani Cavalier, Edival Ramosa, Ernesto Neto, Francisco Galeno, Frans Krajcberg, Gabriel Branco, Gabriela Melzer, Gabriella Marinho, Grauben do Monte Lima, Guilherme Gallé, Hércules Barsotti, Ione Saldanha, Jac Leirner, Jaider Esbell, Joji Ikeda, Jorge Guinle, Leo Battistelli, Maíra Dietrich, Mari Ra Chacon, Mucki Botkay, Park Chae Biole, Park Chae Dalle, Roberto Burle Marx, Rodrigo Andrade, Silia Moan, Tito Terapia, Tomie Ohtake e Ygor Landarin.

O conjunto propõe um diálogo entre diferentes momentos e vertentes da arte moderna e contemporânea, aproximando experiências ligadas à abstração geométrica e construtiva, à pintura figurativa, às práticas têxteis e a pesquisas que exploram a materialidade por meio da cerâmica, da madeira e de outros suportes.

Memória familiar e imaginação.

15/set

A Fortes D’Aloia & Gabriel apresenta “espírito jardim humana”, primeira exposição individual de Tadáskía desde seu ingresso na galeria. Com abertura efetuada em 14 de setembro, na Carpintaria, Jardim Botânico, Rio de Janeiro, RJ, a mostra reúne trabalhos que articulam memória familiar e imaginação. Ancoradas em uma cosmologia própria, as obras combinam formas abstratas e elementos orgânicos, que assumem figuras híbridas, situadas entre personagens e ambientes.

Em pinturas sobre tela e sobre suportes escultóricos em papel couro, folheado de madeira e MDF, a artista desenvolve um léxico de formas e presenças associado a uma espécie de anima, entendida como força constitutiva de sua criação. Bichos, legumes, cabelos, cascas e outras referências atravessam esse repertório, ao lado de galhos, palhas de taboa, bromélias, frutas, ovos, líquidos e outros materiais que se prolongam no espaço expositivo. Em suas “aparições”, como a artista denomina as fotografias realizadas em 35mm, assim como nas superfícies, ranhuras, relevos e passagens de cor, diferentes elementos se articulam entre imagem, matéria e forma. Aquilo que se apresenta de modo sugerido na pintura e no desenho ganha corpo e volume nos trabalhos escultóricos, estabelecendo relações entre diferentes meios e procedimentos.

“espírito jardim humana” assinala também uma inflexão sutil na produção recente de Tadáskía, marcada pelo aparecimento de áreas de branco e do suporte exposto. O branco reaparece nos desenhos e no interior das cascas, relevos pintados a óleo, e também em trechos onde a tinta foi raspada. Essas áreas de vazio assumem uma função compositiva, introduzindo intervalos de luz e abertura que alteram o ritmo e a atmosfera das obras. Ao redor desse núcleo, as esculturas articulam elementos encontrados e objetos transformados, aproximando materiais de diferentes origens e temporalidades. Grafismos e campos de cor organizam superfícies e camadas que ampliam as relações entre pintura, desenho e escultura.

Até 31 de outubro.

Uma criação artística diversa e potente.

11/set

Para a ArtRio 2026, Marina da Glória, Rio de Janeiro RJ, A Gentil Carioca, Pavilhão Terra, Stand A7, apresenta obras que enfatizam o potencial de uma criação artística diversa e potente, atravessada por dimensões críticas, estéticas, lúdicas, sociais e políticas.

A apresentação reúne trabalhos de Agrade Camíz, Arjan Martins, Ana Silva, Cabelo, Carlos Jacanamijoy, Diego Kohli, Denilson Baniwa, Jarbas Lopes, João Modé, José Bento, Kelton Campos Fausto, Laura Lima, Marcela Cantuária, Mariana Rocha, Maria Laet, Maria Nepomuceno, Misheck Masamvu, Miguel Afa, Novíssimo Edgar, O Bastardo, OPAVIVARÁ!, Pascale Marthine Tayou, Renata Lucas, Rose Afefé, Rodrigo Torres, Sallisa Rosa, Siwaju, Vinícius Gerheim e Vivian Caccuri.

Entre 17 e 20 de setembro.

II Ato de Florescer – Colecionar o Presente.

No dia 12 de setembro, será apresentado na Casa 70 Galeria, Gávea, Rio de Janeiro, RJ, um novo momento de “Florescer – Diálogo entre a Arte Moderna Brasileira e a Produção Contemporânea”. 

“Estamos expondo novas obras de novos artistas e propondo uma outra maneira de viver a exposição e descobrir encontros entre diferentes gerações da arte brasileira”, diz a curadora Elis Valadares.

O II Ato reúne obras de Alberto da Veiga Guignard, Antonio Bandeira, Candido Portinari e José Pancetti, em diálogo com Bruno Borne, Bruno Marchetto, Carolina Kasting, Dani Lacerda, Diana Gondim, Fessal, Giovanna Nucci, Heberth Sobral, Iole de Freitas, Lair Uaracy, Lorena Bruno, Lucas Finonho, Lucas Ribeiro, Marcelo Carrera, Marcos Corrêa, Mariana Riera, Marina Rodrigues, Miru Brüggmann, Ricardo Alcaide, Safe Art, Samira Pavesi, Sabrina Cuiligotti, Tatiana Bertrand e Thomaz Velho.

Na primeira edição, inaugurada em julho, o espaço ampliou sua proposta curatorial ao promover um diálogo entre a arte moderna brasileira e a produção contemporânea representada pela galeria. Foram reunidas obras de quatro pilares fundamentais da pintura moderna brasileira em diálogo com a produção contemporânea desenvolvida pelos artistas representados pela CASA70 Galeria.

Na sequência, nos dias 18 e 19 de setembro, das 10h às 18h, acontece o II Ato de Florescer – Colecionar o Presente que sairá da Casa70 e estreia na Semana de Arte do Rio com a participação de 13 espaços de arte e criatividade.

Até 30 de setembro.

Leituras que ultrapassam as classificações.

10/set

A Galatea e o TropiGalpão apresentam a coletiva “Atravessamentos Naturais”, com curadoria de Tomás Toledo, sócio fundador da Galatea, no espaço do Tropigalpão no Rio de Janeiro. A mostra reúne trabalhos de Anísio O. Couto, Chico da Silva, Grauben do Monte Lima, Silia Moan e Ygor Landarin e abre no dia 17 de setembro, das 18h às 21h.

A exposição tem como eixo as obras de Chico da Silva e Grauben do Monte Lima, dois artistas históricos que dedicaram suas produções à natureza brasileira, transformando elementos da paisagem, da fauna e da flora em universos pictóricos marcados pela fabulação e pela experimentação cromática.

A partir de suas obras, a mostra estabelece justaposições com os trabalhos de Anísio O. Couto, Silia Moan e Ygor Landarin, três artistas contemporâneos cujas pesquisas permitem olhar para esses autores históricos a partir de questões do presente. Ao destacar a atualidade das produções de Chico da Silva  e Grauben do Monte Lima, a exposição propõe leituras que ultrapassam as classificações que por muito tempo as restringiram ao campo da arte popular.

A pesquisa antropológica de Douglas Lopes.

sta é a primeira mostra de Douglas Lopes fora do Complexo da Maré, onde ele nasceu, trabalha e mora até hoje. Sua pesquisa antropológica, através da fotografia, foi escolhida por Sergio Burgi, do Instituto Moreira Salles, para participar de um prêmio internacional em Bolonha, Itália, foi o único indicado do Rio de Janeiro. Ele foi diretor de fotografia da série da Globoplay “Marielle, o documentário”. A Fábrica Bhering, Santo Cristo, é um prédio industrial histórico, na zona portuária do Rio de Janeiro, que funciona como  polo de arte, cultura e economia criativa.

Douglas Lopes inaugura a mostra “Entre a Favela, o Inferno e o Céu”, na Fábrica Bhering, o artista apresenta fotografias que exploram as relações entre paisagem, memória e os imaginários construídos sobre as favelas cariocas. Artista visual e fotógrafo, Douglas Lopes (1991) inaugura exposição individual na quarta, 16 de setembro, das 11h às 18h, no quinto andar da Fábrica Bhering. Com curadoria de Vinicius Mesquita, “Entre a favela, o inferno e o céu” apresenta séries de fotografias emblemáticas de sua produção e uma instalação inédita.

A mostra é parte de um projeto mais amplo de Douglas Lopes, contemplado com uma bolsa de dois anos no Programa de Inovação Social, Tecnológica e Ambiental (Pista), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ). Conduzido por agentes culturais de diferentes favelas e complexos, o programa tem como objetivo estimular iniciativas concebidas e desenvolvidas a partir desses territórios. Além da exposição, o projeto contempla a publicação de um livro e a reestruturação da plataforma digital do fotógrafo, que será relançada no evento, e passa a se chamar Estúdio Maré.

Até 18 de fevereiro de 2027.

Investigando relações entre interior e exterior.

09/set

No sábado, 19 de setembro, a partir das 19h, Agrade Camíz inaugura sua nova exposição individual, “Nome Próprio”, n’A Gentil Carioca, Centro, Rio de Janeiro, RJ. Com texto crítico do curador, escritor e crítico cultural ganês-americano Larry Ossei-Mensah, a mostra reúne um conjunto de pinturas recentes que dão continuidade à pesquisa da artista sobre memória, experiência urbana e as formas como lugares e vivências se transformam em linguagem.

Nascida e criada no Rio de Janeiro, Agrade Camíz parte de experiências relacionadas aos espaços em que cresceu, especialmente o Jacaré e os subúrbios da cidade. Em “Nome Próprio”, essas experiências não aparecem como relatos ou imagens a serem reconhecidas, mas como algo que permanece incorporado à maneira como a artista constrói suas pinturas. Portões, janelas, muros, fachadas e outras formas presentes em sua memória tornam-se pontos de partida para investigar relações entre interior e exterior, proximidade e distância, proteção e exposição.

O título da exposição parte justamente dessa relação entre nomear e reconhecer: um nome pode identificar uma pessoa, mas não é capaz de abarcar toda a sua complexidade. Da mesma maneira, as pinturas de Agrade Camíz oferecem referências e pontos de reconhecimento sem se fecharem em um significado único.

A abertura celebra também os 23 anos d’A Gentil Carioca, com uma festa que reúne Quimera (Escola de Mistérios), Baixa Santo Sound System e Glau. Na mesma ocasião, será inaugurada a Parede Gentil nº 46, “O levante das mariposas”, de Marcela Cantuária, em memória das guerrilheiras Sônia e Helenira, além de um bolo especial de Novíssimo Edgar e Adelia Santanna.

Em sua nova exposição, Agrade Camíz marca um novo momento de sua pesquisa, em que referências que atravessaram sua trajetória já não precisam ser explicitamente retratadas. A arquitetura se torna estrutura, a memória se transforma em cor e o corpo passa a operar como medida da experiência.

A exposição “Nome Próprio” fica em cartaz até 31 de outubro.

Formas geométricas com materiais industrializados.

A Nara Roesler, Ipanema, Rio de Janeiro, RJ, convida no dia 10 de setembro, das 18h às 21h, para a abertura da exposição “Jose Dávila – Natural forms” (Formas naturais). O artista mexicano Jose Dávila (1974, Guadalajara, México), que tem obras em coleções de prestigiosos museus, faz sua primeira exposição no Rio de Janeiro, com oito esculturas feitas especialmente para o espaço de Nara Roesler Rio de Janeiro, além de uma pintura inédita no Brasil.

Jose Dávila criou protótipos de suas esculturas e reproduziu em seu ateliê em Guadalajara, no México, em escala real, o espaço da Nara Roesler Rio de Janeiro, para estudar de que maneira os trabalhos conversariam entre si. Ele acompanhará pessoalmente a montagem da exposição, e diz que expor no Rio de Janeiro “é de um peso cultural extremamente importante”. “Expor no Brasil é sempre significativo, pois a arte, a arquitetura e o paisagismo do país me influenciaram muito e estão inerentemente presentes em minha obra”, afirma.

Para o artista, uma pedra encontrada na paisagem possui uma configuração escultórica. “São esculturas antes da escultura”, afirma. Sem opor o mundo natural ao mundo industrializado, o artista busca a capacidade de reconhecer as formas primárias e, a partir de gestos mínimos e cores sutis, encontrar sua poesia. Além das esculturas, estará na exposição a pintura “The fact of constantly returning to the same point or situation” (2025), em serigrafia e tinta vinílica sobre linho cru, com 180 x 210 x 06 cm.

As esculturas foram concebidas especialmente para a exposição, e para desenvolvê-las, Jose Dávila estudou tudo milimetricamente, criando protótipos, de modo a ter a ideia mais aproximada possível do espaço que utilizará. Ele reproduziu em seu ateliê, em Guadalajara, o espaço da galeria em escala real, e passou a trabalhar dentro dele. As dimensões e proporções das obras respondem diretamente à arquitetura.

Para “Natural Forms” (Formas naturais), Jose Dávila aprofundou a afinidade entre sua pesquisa e o Rio de Janeiro através do Neoconcretismo. Ao recordar o Manifesto Neoconcreto, redigido pelo poeta e crítico de arte Ferreira Gullar e assinado por Amílcar de Castro, Franz Weissmann, Lygia Clark e Lygia Pape, entre outros artistas, o artista observa que o movimento carioca marcou uma separação em relação ao Concretismo de São Paulo, deslocando a geometria de um campo estritamente racional para uma experiência mais intuitiva, orgânica e sensível. “Tento fazer as mesmas perguntas que os artistas que assinaram o Manifesto Neoconcreto: como levar uma intuição orgânica, sutil e suave à forma geométrica com materiais industrializados?”.

Até 08 de novembro.