Pierre Verger/Inédito

19/fev

A Galeria Marcelo Guarnieri, Jardins, São Paulo, SP, exibe fotos do antropólogo e pesquisador Pierre Verger. A mostra contará com cerca de 120 fotografias que foram feitas entre as décadas de 1930 e 1960 nas diversas viagens que fez pelos cinco continentes, além de publicações e materiais de arquivo como documentos e provas de contato. Os quatro núcleos que organizam a exposição destacam diferentes momentos da produção do fotógrafo, sendo compostos por: fotografias encomendadas por ou vendidas para agências, livros editados pela Editora Corrupio, fotografias produzidas durante suas viagens de pesquisa pela Costa do Benin e Bahia e uma seleção de cópias assinadas que integraram a exposição “Pierre Verger, Le Messager” organizada pela Revue Noire em 1993 no Musée d’Art d’Afrique et d’Océanie.

 

O primeiro núcleo apresenta uma seleção do que Verger produziu para importantes agências, jornais e revistas como Alliance-Photo, Magnum, Life e O Cruzeiro, entre os anos de 1932 e 1950. Destacam-se os registros da II Guerra na China, nos quais figuram o cotidiano dos soldados e destroços silenciosos nas cidades de Xangai e Nanquin. Uma das caixas-arquivo que Verger usava para preservar e organizar pequenos envelopes com provas de contato identificadas e catalogadas, assim como outras placas de contato preparadas pelo fotógrafo também integrarão este primeiro núcleo.

 

O segundo núcleo é composto por livros editados pela Corrupio, editora baiana que em 1979 foi fundada a partir do interesse em divulgar e preservar a obra de Pierre Verger, dedicando-se às relações entre África e Bahia. Deste modo, foi a primeira a publicar Pierre Verger no Brasil e manteve uma relação estreita de colaboração com o fotógrafo até o fim de sua vida. Além de livros como “Orixás: os deuses iorubás na África e no Novo Mundo” de 1981 ou até mesmo o projeto original de “50 anos de fotografias de 1982, poderão ser vistas algumas ampliações das imagens que foram reproduzidas em seus livros.

 

O terceiro núcleo traz a produção de Verger de meados dos anos 1940 e início dos anos 1950, quando tratou de investigar as relações entre Bahia e África, mais especificamente os rituais e costumes das culturas e religiões afro-brasileiras e africanas em Salvador e na Costa do Benin. Foi a partir daí que tornou-se um estudioso do culto aos orixás, com uma bolsa de estudos partiu para a África onde renasceu como Fatumbi  “nascido de novo graças ao Ifá” e foi iniciado como babalaô, um adivinho através do jogo do Ifá. Sua pesquisa, que resultou tanto em livros, escritos, fotografias e exposições, é tida como obra de referência para os estudos sobre a cultura diaspórica. Na década de 1990, o fotógrafo Mario Cravo Neto fez algumas ampliações dos negativos referentes ao candomblé na Bahia, essas também integrarão o conjunto deste terceiro núcleo da mostra.

 

O quarto e último núcleo é formado por uma seleção de cópias assinadas por Verger que fizeram parte da importante exposição “Pierre Verger, Le Messager” organizada pela Revue Noire em 1993 no Musée d’Art d’Afrique et d’Océanie. A Revue Noire foi uma das primeiras revistas a destacar a arte contemporânea africana no mercado ocidental e a exposição, apresentada na Suíça e na França, teve um importante papel para o retorno de Pierre Verger ao cenário da fotografia de seu país de origem. As imagens foram feitas entre os anos de 1930 e 1960 e apresentam cenas de rua, de trabalho, de festa e de descanso em diversos países como Peru, Bolívia, Vietnã, Estados Unidos, Japão, Cuba, Brasil e Nigéria.

 

As fotografias de Pierre Verger trazem o registro de manifestações espontâneas da vida humana, priorizando as minorias culturais e situações de contato sem cair em abordagens exotizantes ou pitorescas. Sua câmera Rolleiflex, carregada à altura do peito, lhe permitia aproximações menos invasivas e enquadramentos menos calculados por não se posicionar diante dos olhos. Desse modo, a câmera era mais um instrumento de apreensão de momentos de contato com o outro e a imagem gerada, a expressão de um evento ainda pouco elaborado pela consciência. Para Verger, a fotografia tinha funções estéticas, documentais, afetivas e políticas, e cumpria um importante papel enquanto discurso sobre fotógrafo e fotografado. Em suas palavras: “A fotografia permite ver o que não tivemos tempo de ver, porque ela fixa. E mais, ela memoriza, ela é memória.”

 

 

De 24 de fevereiro até 04 de abril.

Duas exposições

13/fev

A Biblioteca Mário de Andrade, Anhangabaú/República, São Paulo, SP, inaugura no dia 20 de fevereiro duas exposições inéditas que abrem o ciclo de mostras de artes plásticas de 2018.

 
“A Respeito da Proximidade” de Luiz Paulo Baravelli, ocupará a Sala Oval e Sala Adjacente da Biblioteca. Produzidas desde a década de 1980 até os dias de hoje, as pinturas fazem parte da série “Caras”, que começou a ser desenvolvida por ocasião da 41ª Bienal de Veneza em 1984, da qual o artista participou. O trabalho foi retomado em 2015 e tem como premissa não seguir uma ideia de evolução ou linearidade.

 
Antes de serem “Caras” – pinturas que são quase objetos, estruturas quase autônomas – alguns daqueles rostos já habitavam outras de suas pinturas – aquelas que seguem mais ou menos o esquema figura e fundo – como mais um dos elementos de composição. São como personagens recortados de uma cena e aumentados em 500 vezes o seu tamanho, podendo ser deformados, alterados, misturados ou mesmo inventados, criados do zero. A exposição contará também com alguns estudos e desenhos do artista que foram produzidos em consonância com a série.

 

 

Sobre o artista

 
Baravelli é um dos maiores expoentes do panorama artístico paulistano e internacional de seu tempo. Nascido em 1942, em 1960 inicia o curso de Artes Plásticas na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), onde permanece por apenas dois anos. Em 1962, inicia arquitetura na Universidade de São Paulo (USP) e, paralelamente, frequenta aulas de pintura e desenho com o grande mestre Wesley Duke Lee. É nessa ocasião que o artista inicia a prática de modelos vivos – atividade que até hoje exerce e que certamente constitui o embrião para as obras expostas nesta exposição.

 

 

Até o dia 22 de abril.

 

 

 

 

Também será inaugurada no dia 20 de fevereiro, “Fósseis Contemporâneos”, de Miguel Anselmo. Segundo o autor, a exposição parte da premissa que “o ser humano é frágil por natureza, e o que temos ao nosso alcance para nos socorrer é fortificar-nos, abrigar-nos. Fortificar nossa substância material”.

 
Nas telas do artista visual e restaurador gaúcho, que vive e São Paulo desde 2001, o tema principal é a vulnerabilidade inata do homem. Suturas bordadas tornam-se ossos, enquanto pinceladas precisas enganam os olhos e se transformam em azulejos, madeiras e papéis de parede. “Os ossos no meu trabalho simbolizam a essência de vidro do ser humano, ao passo em que os azulejos e demais elementos decorativos representam ambientes que as pessoas usam para se proteger, nossas fortificações, exteriores e interiores; nossos abrigos”, completa Anselmo.

 
A exposição “Fósseis contemporâneos” compreende 17 telas, que misturam bordado e pintura a óleo, mais uma instalação, formada por uma coluna vertebral de resina plástica e PVC sobre uma cama de azulejos quebrados, que vai ocupar o centro do espaço expositivo. As obras foram produzidas entre 2014 e 2018.

 

 

Até de junho.

 

 

 

São Paulo Cultural

05/fev

Inaugurado em 1947, oito anos – Centro, São Paulo, SP -, após o início de sua construção, o edifício Altino Arantes foi inspirado no famoso Empire State Building, de Nova Iorque. Mas sua aparência inicial não foi planejada assim. Aliás, o prédio teve três projetos antes de ganhar a estrutura e altura que vemos, de 161 metros. Na primeira sala, coberta do chão ao teto por vermelho, a cor do banco Santander, já é possível sentir que experiências diferentes aguardam à frente. Essa sensação, por sinal, se confirma. No próximo ambiente, retangular, só o que há são espelhos. Mas logo uma guia avisa: “Um vídeo de três minutos será exibido. Caso alguém se sinta mal, pode segui adiante, pela porta na outra extremidade”. Depois do alerta, quase não há tempo para a curiosidade florir e diversas imagens são exibidas por todos os cantos da sala, em várias direções. Com isso, o verdadeiro show se forma e os visitantes passam a conhecer um pouco mais sobre o icônico edifício Altino Arantes, e como ele se tornou um ícone para a cidade. É o novo espaço cultural do Santander onde funcionou o antigo Banco do Estado.

 

 

Vista 360° do 4, por Vik Muniz

 

No 4º andar, entre a antiga rotina bancária e o hall dos presidentes, está uma exposição fotográfica que é um verdadeiro presente, não só para o Edifício, pois se trata de uma mostra permanente, mas também para a cidade. Criadas por Vik Muniz, as fotos retratam uma vista 360º dos prédios de São Paulo, o que inclui o Farol Santander no centro, como painel principal. As imagens expostas representam a vista que o artista tinha, do entorno do prédio, quando ele era criança e caminhava pelo local, com sua mãe. Essa obra, porém, não é uma fotografia da cidade, nem uma pintura. Muniz é um artista plástico famoso por seu apelo sustentável e por produzir experimentos/esculturas com diversos tipos de materiais, de cabelo a alimentos. Para criar a “Vista 360º do 4”, o artista utilizou mais de 20 toneladas de sucatas retiradas da reforma que transformou o antigo Edifício Banespa no atual Farol Santander. Para perceber isso, no entanto, é preciso se aproximar bem dos quadros, dada a perfeição do que ele construiu.

 

 

 

Exposições itinerantes

 

Essa é uma das grandes novidades do Edifício. Agora, o 22º, 23º e 24º andar do antigo Banespão respiram arte! A ideia é que o 22º e o 23º abriguem instalações de artistas nacionais e internacionais, sempre sobre temas interligados. Durante os primeiros meses após a inauguração do Farol Santander, o destaque entre as exposições fica por conta de um coletivo russo, chamado Tundra, com “The Day We Left Field”, que em português significa “O dia em que Saímos do Campo”. Lá, a recomendação é clara: não use celular, deite-se em um dos puffs da sala escura e aproveite a instalação audiovisual, que transporta qualquer pessoa para um mundo fictício, repleto de lasers e paisagens sonoras. A experiência é única e incrível!

Individual de Diógenes Moura

31/jan

O escritor, curador de fotografia e editor Diógenes Moura expõe “Livro de Rua (série fashion-abandono)”, na Galeria Utópica, Vila Madalena, São Paulo, SP. As 34 imagens inéditas que compõem a mostra foram clicadas pelo autor em seu celular, ao longo da pesquisa que vem realizando desde 2010, no bairro paulistano dos Campos Elísios – onde reside há 30 anos. O projeto versa sobre literatura, imagem e esquecimento.

 

Os “pacotes-existência”, como define o autor, estão aos nossos pés como resquícios de humanidades à beira do grande abismo que se tornou o mundo contemporâneo. Em “Livro de Rua (série fashion-abandono)”, uma poética da crueza toma forma de imagem para chamar atenção a uma discussão importante: os inúmeros indivíduos que passam a viver nas ruas da cidade em situação de abandono. “Pode doer, sim. Como doem e não doem os pacotes-existência que aqui estão e que se espalham (cada dia mais um, ou dois, ou três) pelas ruas do bairro, na região central de São Paulo depois de perderem o emprego, a casa, a família, a esperança, o amanhã dilacerado pelo que está por vir. Lá e aqui eles estão no silêncio e nos gritos da loucura coberta por fuligem: a segunda pele da imagem. São como nós. Estão aos nossos pés”, comenta.

 

Sobre a técnica, Diógenes Moura define: “Não são fotografias. São imagens feitas com um celular. Fotografia é abismo. Imagem feita com celular não possui segunda pele. Basta olhar e pronto. A diferença pertence a quem ver. O outro se incorpora ao primeiro plano e nada mais”. Mais que estética, a reflexão: “Fashion-abandono é um subtítulo perverso. Tem a ver com modismo, com a variação dos invólucros que protegem cada um desses personagens. (…) Na mesma cidade onde cachorros passeiam em carrinhos de bebê e são chamados pelos donos de ‘meu filhinho’. Na mesma cidade onde um homem, catador de papelão, é assassinado com uma flechada no pescoço em pleno Século XXI. As imagens de ‘Livro de Rua’ são o que me interessam na cidade onde vivo, entre violência e paixão. Meu por de sol é o Minhocão. Meu contraluz são as lanternas vermelhas dos automóveis no caos do trânsito interrompido. Minha poesia vem da voz da mulher belissimamente desvairada que corre em baixo do viaduto gritando que ‘a saudade é como um dia de Domingo, às 17h30’. Dói nela e dói em mim. Deus tomou Gardenal. Mas nada de tragédias. Aqui estamos e a cidade é um presépio. Tem alma. Pulsa e adormece. E cochicha bem baixinho nos ouvidos de cada um de nós: “Ou você me decifra ou te devoro em trinta segundos”.

 

 

Sobre o artista

 

Escritor, curador de fotografia, roteirista e editor independente. Nasceu em Recife, Pernambuco. Viveu durante 17 anos em Salvador, onde fez parte da equipe de criação da TV Educativa da Bahia. Vive em São Paulo desde 1989, no mesmo bairro, Campos Elísios. Premiado no Brasil e no exterior, foi Curador de Fotografia da Pinacoteca do Estado de São Paulo entre 1999 e 2013, onde realizou exposições, edições de livros e reflexões sobre o pensamento fotográfico tornando o acervo do museu um dos mais importantes da América Latina. Recebeu três vezes o Prêmio APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte) pelo seu trabalho como curador. Com Ficção Interrompida – Uma Caixa de Curtas, ganhou novamente o Prêmio APCA de melhor livro de contos/crônicas, em 2010. Com o mesmo título, foi finalista do Prêmio Jabuti de Literatura, em 2011. Tem publicados, entre outros, Elásticos Chineses – Poemas Sujos (Casa de Palavras/Fundação Casa de Jorge Amado, 1999), Drão de Roma – Dezembro Caiu (Casa de Palavras/Fundação Casa de Jorge Amado, 2006) e Fulana Despedaçou o Verso (Terra Virgem Editora, 2014). O Livro dos Monólogos – Recuperação para Ouvir Objetos, seu novo livro, será publicado pela Vento Leste Editora em maio de 2018.

 

 

Galeria Utópica

 

Em 2017 a FASS, pioneira na apresentação de fotografias do início do século 20 no mercado brasileiro, comemorou 10 anos de existência e passou a chamar-se Utópica. Pesquisamos e mostramos a fotografia moderna, a ligação entre fotografia e literatura, o fotojornalismo e vários outros assuntos atiçados pela curiosidade e as contribuições de nossos colaboradores e parceiros, aos quais devemos grande parte de nosso prestígio. Sediada em São Paulo, a Utópica representa as obras de 17 fotógrafos. São eles: Wagner Almeida, Rogério Assis, Luiz Carlos Barreto, Aracy Esteve Gomes, Fernando Lemos, German Lorca, Juca Martins, Beth Moon, Carlos Moreira, Monica Piloni, Rogério Reis, Felipe Russo, Guillermo Srodek-Hart, Evandro Teixeira e Valdir Zwetsch, e os acervos dos fotógrafos Annemarie Heinrich e Martín Chambi. Além desses nomes, a Galeria conta em seu acervo com obras de mais cerca de 30 fotógrafos consagrados, como o brasileiro Carlos Bippus (primeira metade do séc. 20), o húngaro Lászlo Moholy-Nagy e o alemão Heinz Hajek-Halke (1898 – 1983).

 

 

De 03 de fevereiro a 03 de março.

Basquiat em São Paulo

29/jan

“Eu sei desenhar, mas não quero”, costumava dizer Jean-Michel Basquiat (1960-1988), conhecido por pinturas que lembram grafites e traços robustos que se assemelham a desenhos infantis. Nos anos 1970, o artista negro começou a ganhar popularidade ao pichar muros em Nova York com a assinatura de “SAMO” (“same old shit”, ou “mesma merda de sempre”) passando depois ao suporte convencional das telas.

 

“Ele queria ser visto, por isso grafitava em lugares que chamassem a atenção”, diz Pieter Tjabbes, que assina a curadoria da primeira retrospectiva do artista no Brasil.

 

A mostra, no CCBB São Paulo, Centro, São Paulo, SP, conta com cerca de 80 obras do artista do acervo do israelense Jose Mugrabi. Considerado o maior colecionador de Basquiat no mundo – embora não revele quantas peças do artista possui, nem o valor pelo qual cedeu as obras ao CCBB – Mugrabi tem ainda em seu acervo peças de Andy Warhol.

 

Segundo o curador da mostra, foi por colecionar trabalhos de Warhol que Mugrabi conheceu Basquiat. Warhol foi um grande colega de Basquiat e calcula-se que tenham produzido cerca de cem telas juntos.

 

No CCBB, estarão expostas três telas da dupla. “Eles tinham uma relação muito intensa”, explica o curador, frisando que, no entanto, o cunho não era sexual. Além de telas, há na exposição desenhos e objetos – caso da porta de um apartamento em que o artista morou com uma namorada e traz escritos como “famous negro athlets” (famosos atletas negros), um aceno crítico de Basquiat ao fato de que, na época, negros só atingiam a fama se fossem jogadores de basquete ou cantores de jazz.

 

Fora de museus

 

Calcula-se que mais de 80% dos trabalhos de Basquiat estejam na mão de colecionadores, e não de museus. Ao morrer precocemente – Basquiat teve overdose de ecstasy e cocaína aos 27 anos – ele tinha produzido, em sete anos, cerca de 2.000 peças. Os preços das obras do artista subiram exponencialmente após a sua morte, e os museus não conseguiram acompanhar suas vendas.

 

Além disso, instituições não costumavam comprar obras de iniciantes. “Hoje os museus não têm fundos para comprar mais as obras de Basquiat”, diz o curador. Por exemplo, em 2017, uma obra do neoexpressionista bateu recorde em vendas de artistas americanos em leilão ao ser arrematada por US$ 110 milhões em Nova York.

 

Marcus Bastos, professor do departamento de artes plásticas da USP, acredita que a crise econômica dos anos 1970 tenha ajudado na ascensão de Basquiat. Para Bastos, a crise possibilitou que artistas vivessem em Manhattan, e não na periferia de Nova York, então “uma cidade com clima underground”. Quando a situação econômica melhorou, nos anos 1980, eles estavam bem posicionados e “estouraram”.

Fonte: Touch of class

 

 

Até 07 de abril.

 

Semana temática

Durante esta semana, o Wesley Duke Lee Art Institute, Jardim Paulistano, São Paulo, SP, mostrará como foi o período vivido por Wesley no Japão. Em 1965, ele é convidado por Pietro Maria Bardi como principal representante do Brasil na 8ª Bienal de Tóquio e não só participa como também recebe o primeiro prêmio dedicado à pintura.  Devido ao sucesso na Bienal, passa mais cinco meses no país, expondo na Tokyo Gallery (a galeria de arte mais importante do Japão) e estudando caligrafia e Sumi-ê. O Japão se tornou uma grande inspiração para o Wesley em toda sua carreira, sendo parte importantíssima de sua trajetória.

“SÃO PAULO | VON POSER”

22/jan

A Verve Galeria, Jardim Paulista, São Paulo, SP, inaugura seu calendário expositivo de 2018 com “SÃO PAULO | VON POSER”, do artista plástico paulistano Paulo von Poser e curadoria de Ian Duarte Lucas. Planejada para as comemorações dos 464 anos de São Paulo, a individual contempla nove séries inéditas, perfazendo um total de vinte e seis peças – em técnicas distintas de desenho, acrílica sobre tela, instalação e objetos -, que desvendam a relação do artista com a cidade onde nasceu, onde vive e trabalha, e que representa sua maior inspiração ao longo de seus 35 anos de carreira.

 

“Minha rua em São Paulo é um estranho assombro, sem casas nem vizinhos da frente, nem asfalto tem – a rua é de terra mesmo! Moro e trabalho literalmente no mato, no mais absoluto silêncio da natureza na periferia sul da cidade. Neste desenho me surpreendi com a presença de pessoas e o movimento desta rua deserta de onde saio todos os dias em busca da arte e da vida urbana”. A citação de Paulo von Poser se refere a “minha rua” (desenho em carvão e acrílica sobre tela), trabalho realizado na Riviera Paulista, às margens da Represa de Guarapiranga. “Ao conduzir o expectador por uma São Paulo muito pessoal, o artista aborda um conceito que permeia toda a sua pesquisa: a deriva, procedimento psicogeográfico proposto pelo escritor Guy Debord, representante do movimento situacionista, que tem como objetivo estudar os efeitos domeiourbanonos estadospsíquico e emocional das pessoas. Ao registrar seus percursos, o artista se deixa conduzir pelo próprio ambiente urbano para produzir seus trabalhos, outro ponto de contato com os situacionistas, que propunham a abolição da noção de arte enquanto atividade especializada – sua superação viria pela transformação ininterrupta do meio urbano”, comenta Ian Duarte Lucas, curador da mostra.  

  

Em “vistas privadas” (desenho sobre papel, técnica mista), paisagens urbanas, como o bairro do Glicério, o Parque Dom Pedro e a Igreja da Boa Morte, são recriadas com os traços de Paulo von Poser. Na obra intitulada “vistas públicas”, são apresentadas cenas da cidade elaboradas com grafite e guache sobre papel. “A exposição toma ainda uma dimensão urbana literal, na medida que propõe atividades pela cidade ao longo de seus dois meses de duração. A obra “tempo livre” percorrerá espaços importantes de São Paulo para o artista, e será completada em aulas de desenho abertas ao público, simbolizando esta cidade que se constrói a cada dia em suas incontáveis histórias”, conclui o curador.

 

 

 

De 23 de janeiro a 31 de março.

Tunga no MASP

20/dez

A exposição “Tunga: o corpo em obras” encerra o programa anual de 2017 do MASP, Avenida Paulista, São Paulo, SP, em torno das histórias da sexualidade, que incluiu mostras individuais dos artistas Teresinha Soares, Wanda Pimentel, Miguel Rio Branco, Toulouse-Lautrec, Tracey Moffatt, Guerrilla Girls, Pedro Correia de Araújo e a exposição coletiva “Histórias da sexualidade”. O MASP agradece muito especialmente ao Acervo Tunga pela doação de uma escultura da série “Morfológicas” exposta nesta mostra. A exposição tem curadoria de Isabella Rjeille, assistente curatorial e Tomás Toledo, curador, MASP. A expografia é da Metro Arquitetos Associados.

 

A sexualidade e o erotismo são temas centrais na produção de Tunga (Palmares, Pernambuco 1952 – Rio de Janeiro, 2016) desde sua primeira exposição individual, intitulada “Museu da masturbação infantil”, realizada em 1974 no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Essa mostra de 1974 incluiu desenhos abstratos que, posteriormente, pautariam o raciocínio acerca desses temas na produção do artista. Eram obras cujas formas evocavam imagens eróticas ou processos de gozo, elementos que reaparecem expostos em desenhos daquele mesmo ano.

 

Nesta exposição, a sexualidade não constitui apenas um tema da produção do artista, mas um modo de compreender relações, vínculos, transformações e criações entre corpos, matérias e linguagens. A escolha dos trabalhos e sua disposição no espaço foram definidas a fim de potencializar essas relações e promover diálogos entre obras de diferentes períodos e técnicas, em detrimento de uma organização cronológica. O título da mostra “Tunga: o corpo em obras” tem duplo sentido: alude tanto ao corpo como assunto das obras do artista, como propõe um olhar sobre sua produção como um corpo continuamente em obras, ou seja, em constante transformação. Essa leitura surgiu da natureza diversa e circular da obra de Tunga, cujos trabalhos não se encerram em categorias estanques. Referências ao corpo, à sexualidade e ao erotismo podem ser observadas em todas as obras expostas: o nu (Vê-nus e Eixos exógenos), a pele e a maquiagem (em desenhos ou sobre as esculturas na série Lábios), os cabelos (Tranças e Escalpes), dedos, vulvas e falos (Morfológicas e A cada doze dias e uma carta), o masculino e o feminino (Tacapes e Tranças) e o magnetismo do desejo (com os ímãs em Tacapes, Lezart e Palíndromo incesto).

 

 

Sobre o artista

 

Antônio José de Barros Carvalho e Mello Mourão, conhecido como Tunga, foi o primeiro artista contemporâneo e o primeiro brasileiro a ter uma obra exposta no Museu do Louvre, em  Paris. Obras suas estão em acervos permanentes de museus como o Guggenheim de Veneza, além do Instituto Inhotim, em Brumadinho, Minas Gerais. Nascido em Palmares, Pernambuco, Tunga mudou-se para o Rio de Janeiro, onde cursou Arquitetura e Urbanismo. O filho do escritor Gerardo de Mello Mourão iniciou a carreira no começo dos anos 1970. Arquiteto de formação, Tunga transitou por diferentes linguagens, das artes visuais à literatura, incluindo a escultura, a instalação, o desenho, a aquarela, gravura, vídeo, texto e a instauração. Frequentemente, suas obras se alimentam de um repertório que provém de distintos campos do conhecimento, como a psicanálise, a filosofia, a química, a alquimia, bem como as memórias e as ficções.

 

 

Até 09 de março de 2018.

Rodrigo Andrade na Pina Estação

18/dez

A Pinacoteca de São Paulo, instituição da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, inaugurou a exposição retrospectiva da obra de Rodrigo Andrade no quarto andar da Pina Estação. A Pina Estação fica próxima à estação Luz da CPTM, vizinha à Sala São Paulo. Com curadoria de Taisa Palhares e patrocínio do Banco Credit Suisse, “Rodrigo Andrade: Pintura e matéria (1983-2014)” reúne pela primeira vez um conjunto de mais de 100 trabalhos, apresentando uma visão abrangente de sua carreira, desde 1983 até os últimos cinco anos de sua produção. Entre os trabalhos apresentados destacam-se as obras de sua fase abstrata, quando Andrade começa a usar o estêncil, além de pinturas da série “Matéria noturna”, expostas na 29ª Bienal. A exposição vem dar continuidade às mostras de revisão de carreira de artistas que emergiram no cenário brasileiro durante a década de 1980, que a Pinacoteca realiza há mais de dez anos. Vale lembrar que entre as obras apresentadas, está uma instalação criada exclusivamente para o prédio da Pina Estação, seguindo a produção de intervenções pictóricas realizadas pelo artista nos anos 2000 em espaços públicos, como “Lanches Alvorada”, “Paredes da Caixa” e “Óleo sobre”. Um catálogo da exposição será publicado com reproduções de obras, um ensaio da curadora e um texto de Michael Asbury, autor convidado.

 

 

Sobre o artista

 

Andrade é um pintor paulistano, nascido em 1962, que iniciou sua trajetória artística em 1977, período em que estudou gravura com Sergio Fingermann. Na década de 1980 formou o grupo conhecido como Casa 7, que incluía Nuno Ramos, Fabio Miguez, Carlito Carvalhosa e Paulo Monteiro. Sua produção inicial foi marcada pela observação dos comics norte-americanos e de pintores como o canadense Philip Guston. Em seguida, sua pintura passa a se identificar com uma produção então chamada de “matérica”, por valorizar o acúmulo de tinta e de outros elementos no suporte (papelão, madeira, etc), bem como a gestualidade ao preencher a superfície da pintura.

 

Até 12 de março de 2018.

Prova de Artista/Fortes D’Aloia & Gabriel

Já está aberta ao público a exposição “Prova de Artista” que encerra a programação 2017 da Fortes D’Aloia & Gabriel. A mostra permanecerá em cartaz até 24 de fevereiro na Galeria, Vila Madalena, São Paulo, SP. “Prova de artista” traz obras assinadas por Cabelo, Cristiano Lenhardt, Jac Leirner, Leda Catunda, Lucia Laguna, Luiz Zerbini, Mauro Restiffe, Odires Mlászho, Pedro França, Rodrigo Cass, Rodrigo Matheus e Sara Ramo.

 

Prova de Artista toma o título de empréstimo do termo originário da gravura – as provas de artista são as cópias que o autor reserva para si, à parte da edição final de uma obra – para investigar a relação de intimidade que o artista mantém com o próprio trabalho. Concebida e organizada pela equipe da Fortes D’Aloia & Gabriel, a coletiva reflete o desejo de desvelar questões próprias do fazer artístico que muitas vezes ficam restritas aos bastidores da produção.

 

Ao debruçar-se sobre as decisões que levam o artista a reconhecer a obra já em seu estado final ou compreendê-la como experimento de sua vivência no ateliê, a exposição promove a redescoberta de obras como Retalhos de Plástico (1996) de Leda Catunda. Tido pela artista como um estudo, o trabalho permanecia inédito e “esquecido” até então, podendo agora adentrar novos territórios semânticos. Rodrigo Cass exibe, em sequência, quatro vídeos realizados entre 2006 e 2007. São seus primeiros flertes com essa mídia, cuja mise-en-scène caseira revela um vínculo íntimo e afetivo. Contents (2017), uma pintura de concreto sobre linho, também desenvolve essa noção ao reinterpretar a pauta de seu caderno de anotações com alguns conceitos-chave que norteiam sua pesquisa.

 

Em conjunto, os trinta desenhos Sem título (2017) de Cabelo denotam um ritmo intenso de produção, excerto de uma série de 140 estudos a óleo realizada em apenas três dias. Antes de ganharem painéis, telas e murais de maior escala, seus seres híbridos convivem com anotações processuais, onde o próprio artista assinala a intensidade de sua práxis ao afirmar em um dos desenhos: “não paro”. A palavra também é explorada nas Cartas para Poemas Automáticos (2012) de Odires Mlászho, nas quais fragmentos de clichês tipográficos se mesclam ao fundo reticulado para dar origem a composições abstratas.

 

Retrato (2008) de Luiz Zerbini representa um ponto de virada em sua carreira e exemplifica sua diversificada investigação pictórica. Exibida originalmente como parte de uma instalação no Centro Universitário Maria Antonia (São Paulo, 2008), a obra é uma grande tela negra que vai à divisa da problemática da representação na pintura: sua superfície reflexiva é preenchida por vultos do entorno.

 

Jac Leirner apresenta duas obras que demonstram um contínuo compromisso de explorar os materiais até o limite. Osso 008 (40 Desenhos) (2008) é concebida a partir dos estudos de sua série com sacolas de plástico, enquanto Timeline (2008-2014) é feita com aparas de papel de outra obra, elegidas e agrupadas por inscrições das datas. De maneira análoga, os Desenhos (2016) de Lucia Laguna ganham forma a partir das sobras materiais de sua atividade: são colagens com as fitas utilizadas nas suas telas que traduzem de forma autônoma a abstração desenvolvida nas pinturas. Sara Ramo, por sua vez, cria esculturas de gesso pedra em Matriz e a Perversão da Forma (2015) a partir das máscaras de papel presentes em seu vídeo Os Ajudantes (2015).

 

O Radiador Bruto 5 (2017) de Cristiano Lenhardt é parte de um série iniciada em 2014. Retiradas do mundo em seu estado cru, a obra revela uma curiosa abstração espontânea, cuja geometria flerta com o aspecto randômico de outros trabalhos do artista. Em processo similar, Rodrigo Matheus instala a carcaça de um aparelho antigo de ar-condicionado no canto superior de uma das paredes da Galeria. Potencializado pela ambiguidade permissiva do teste, o corpo estranho adere ao espaço e instaura-se entre a dúvida e a possibilidade do pertencimento real.

 

A série Vermeer (1997-2002) de Mauro Restiffe esgarça os limites da metalinguagem ao explorar as possibilidades de presença de uma mesma fotografia em diferentes contextos. Se Vermeer (1997) apresentava uma pintura entrecortada de Johannes Vermeer no museu, Wrapped Vermeer (1999) é a foto da foto de 1997 embrulhada em plástico bolha, enquanto em Hanging Vermeer (2002) a mesma reaparece pendurada no laboratório fotográfico. Essa última, editada pela primeira vez especialmente para esta exposição, é apresentada com uma sequência de folhas de contato fotográficas que explicitam diferentes momentos da série e o processo de escolhas do artista.

 

Com Environ (2017), Pedro França ocupa o segundo andar da Galeria criando um ambiente distópico em tons verdes e azuis de chroma key. As peças são ambivalentes e podem ser lidas tanto como esculturas autônomas quanto como objetos de cena cuja presença converge no trabalho em vídeo que completa a instalação. Usando as superfícies de chroma key para inserir efeitos visuais, o artista continuará editando o vídeo ao longo da mostra, oferecendo uma obra em mutação que se coloca incessantemente à prova.

 

 

A galeria cumprirá o recesso de fim de ano: fechada entre 22 Dezembro 2017 e 07 Janeiro de 2018. No Carnaval: fechada entre 10 e 14 Fevereiro de 2018.