Coleção Fundação Edson Queiroz

24/mar

A Casa França-Brasil, Centro, Rio de Janeiro, RJ, apresenta a exposição “VIRAGENS: arte brasileira em outros diálogos na coleção da Fundação Edson Queiroz”. Construída há mais de três décadas com obras de variados períodos da arte brasileira, esta coleção caracteriza-se por ser uma das mais importantes do país, e encontra-se sediada na Universidade de Fortaleza, no Ceará. Curadoria de João Paulo Quintella, Laura Consendey, Marcelo Campos e Pollyana Quintella e expografia de Helio Eichbauer.

 

A proposta é construir diálogos múltiplos que perpassam alguns capítulos da arte brasileira com obras desde 1913, como a emblemática pintura de Lasar Segall, “Duas amigas”, até os anos 1980. A exposição é constituída por núcleos que apresentam abordagens mais amplas do que os convencionais movimentos e cronologias da história da arte, identificando obras que se relacionam às discussões da forma, aos referenciais da cultura, aos interesses psicológicos e a outros atravessamentos possíveis, observando não só a influência de um artista sobre seus sucessores, mas, antes, as evidências de que arte e sociedade são indissociáveis.

 

Dentre os 43 artistas participantes, constam nomes como Abraham Palatnik, Alfredo Volpi, Amilcar de Castro, Anita Malfatti, Antonio Bandeira, Antonio Gomide, Bruno Giorgi, Candido Portinari, Cícero Dias, Danilo Di Prete, Emiliano Di Cavalcanti, Ernesto de Fiori, Flávio de Carvalho, Frans Krajcberg, Franz Weissmann, Guignard, Hélio Oiticica, Hercules Barsotti, Hermelindo Fiaminghi, Iberê Camargo, Ione Saldanha, Ismael Nery, Ivan Serpa, José Pancetti, Judith Lauand, Lasar Segall, Lothar Charoux, Luiz Sacilotto, Lygia Clark, Maria H. Vieira da Silva, Maria Leontina, Maria Martins, Maurício Nogueira de Lima, Milton Dacosta, Mira Schendel, Rubem Valentim, Samson Flexor, Sérgio Camargo, Sérvulo Esmeraldo, Tomie Ohtake, Vicente do Rego Monteiro, Victor Brecheret e Willys de Castro.

 

A exposição também prevê um ciclo de falas com pesquisadores voltados para as questões da arte moderna brasileira.

 

 

De 25 de março a 25 de junho.

Benjamin em Curitiba

A Simões de Assis Galeria de Arte, Curitiba, PR, abriu a exposição individual do artista Marcos Coelho Benjamim, com apresentação de Guilherme Bueno.

 

 

Benjamin – Tudo está aqui

 

A obra recente de Marcos Coelho Benjamim aglutinou um desdobramento de seus feitos anteriores e um novo passo. Isso não significa ter havido uma “superação” de seus trabalhos realizados até então ou a ruptura com os mesmos; aponta somente para o fato de que certas questões abriram-se para novas abordagens – e nisso, pensamos especificamente no seu trato composicional dos materiais e em suas consequências no entendimento da cor.

 

Característico de seu trabalho pelo menos desde a metade final da década de 1980 é a criação de objetos passíveis de abordarem três frentes: uma primeira em que os campos da pintura e da escultura se mostram intercambiáveis; num segundo caso, eles denotam uma ambivalência entre abstração e figuração, sem, contudo, proporem isso como um dilema ou drama, mas como jogo visual (isto é: como olhamos para uma obra de arte – ou o quê esperamos dela); por fim, na sua capacidade de assimilar simultaneamente uma visualidade “popular” e uma erudita. Exemplificam-nos a série dos Raladores com sua silhueta demarcada e total do suporte (visto que ele não fechava a composição, mas era a forma mesma do trabalho como um todo articulado), a menção a um objeto comum – antes um apelido contingente do que uma descrição, uma legenda ao trabalho – depurada por uma geometria e uma espacialidade pictórica (bidimensional) conjugada a uma plasticidade escultórica (a presença viva da matéria). A paleta terrosa, no seu trato espesso, por sua organicidade, obtinha uma inesperada sensualidade para uma cor quase sempre tratada como tom – uma cor por outros reprimida.

 

Tais colocações, indicativas da parcela de continuidade vista na trajetória do artista, têm sua contrapartida no modo como passam a ser abordadas nos últimos tempos. De imediato, há uma nova paleta em jogo. Benjamim explora cores de uma vibração menos contida; elas decididamente avançam rumo ao espaço. Aqui temos uma interessante comparação: as cores terrosas funcionavam como uma espécie de regulagem entre o quanto a obra tendia a transbordar (por conta de sua textura marcante) ou ter sua área de “influência” e dispersão delimitada ao suporte (dada – perdoe-se o termo – a “frieza” das cores terciárias, a “segurar” a expansão da pintura). A luminosidade média das cores terrosas funcionava como um fiel entre bidimensionalidade do suporte e corporeidade explícita dos materiais. Agora vemo-nos diante de obras cuja luminosidade, ora propelida, ora profunda (e às vezes as duas coisas ao mesmo tempo), optam por uma intercambiável e rica oscilação e vibração do trabalho, algo conquistado paulatinamente pelo seu método de construção.

 

Benjamim persiste em criar obras que não se constroem dentro do suporte, mas com ele. Se o modo disso acontecer anteriormente já foi assinalado, os seus tondi da última década deixam claro como isso tem ocorrido. A forma (e sem querer forçar paralelos, mas apenas sugerir uma analogia) se desenvolve similarmente a certos procedimentos da pintura inicial de Frank Stella, em que uma determinada unidade ou módulo progressivamente se expande. Em Benjamim o tondo também surge a medida em que os arcos metálicos são agregados e conjugados. No entanto, há dentre outras diferenças, uma fundamental – o fato de no artista mineiro tal repetição não ser uma operação programada, mas antes o resultado de escolhas feitas somente no decurso mesmo de realização do objeto. A contraprova está em outras séries que optam por um chassis quadrado, no qual o emaranhado de tiras não replicam o seu perfil, mas que, das pequenas tiras das extremidades às maiores próximas ao centro (onde estão parte dos perfis mais extensos), nele resultam, em uma iridescência luminosa que ora parte, ora proporciona um crescente das bordas para o ápice quase epifânico próximo ao centro do “quadro”.

 

O “emaranhado”, por sua vez, parece fruto de dois problemas: mais uma vez dialogando consigo, o artista encontra aqui uma nova solução para sua investida pictórica por meio de dispositivos escultóricos: as tiras são como linhas desenhadas com objetos reais em um espaço real. Melhor dito, ao invés de desenhar, Benjamim prega uma linha – linha que é também plano e volume. O intervalo entre elas, intensifica, na sua diferença de profundidade, a vibração da cor que, dada variação de ângulos conforme as chapas foram colocadas, obtêm intensidades particulares a partir de uma mesma matriz. Daí o farfalhar vivo e ondulante de algumas peças, como nos quadrados e retângulos, ou o caráter mais grave dos losangos, cujo contraste é acrescido da oposição entre frios e quentes das partes frontais e laterais das lâminas. Resumidamente, Benjamim não se enquadra nem no estereótipo “extremamente mental”, nem no “ingenuamente popular (intuitivo)”, nem no “habilmente formalista”. Sua arte transita entre tudo aquilo que se mostra disponível, cuja validade, porém, se ratifica apenas quando algo faz sentido plástico para ele. Benjamim é um artista honestamente visual: nele, tudo é dito pela maneira como as formas são operadas para dar consecução a um trabalho, cuja validade se traduz em sua aptidão para ser efetivamente autêntico, e não justificar empréstimos formais tomados alhures (sem renegar, contudo, sua amplitude de repertório). A melhor palavra para descrever uma obra sua é presença. A sua verdade está no esplendor e maravilhamento sem culpas ou tergiversações que uma obra de arte pode despertar. Óbvio que não indica nem um método nem um princípio exclusivo como a arte deve ser hoje; outrossim deixa-nos perceber que é uma das inúmeras modalidades autênticas segundo as quais ela pode existir.

 

Resta ainda um aspecto a indicar nisso tudo. Foi dito que Benjamim mostrou-se sempre capaz de entrelaçar uma visualidade popular com aquela outra “erudita”. Esse sempre foi um tema espinhoso, pois abria margem para leituras incompletas e reducionistas do artista. Isso ficava patente na discutível “mineiridade” ancestral e profunda de seu trato com sua invenção (valendo-nos da precisa expressão usada por Olívio Tavares de Araújo ao falar do artista). O princípio de Benjamim não é nem descoberta ingênua e acidental nem a pré-determinação da forma: é acima de tudo a potência de testar os mais discrepantes modos de se chegar a arte. Dito concretamente, é sua generosidade plástica de fazer com que cor, forma e matéria – em um resumo simplista, a tríade inicial de seu processo – lograssem com ele a conjugar uma evidência carnal e matérica dos elementos construtivos, com um esplendor e presença quase “mágicos” que, hoje em dia, apenas a arte (mais verdadeiramente) popular consegue atingir. Seus azuis e violetas têm a potência cativante dos antigos santos, mas são igualmente elementos de um mundo próximo e corriqueiro da cultura visual urbana. O desafio que Benjamim nos oferece é o de ser um artista sem classificações ou molduras. É o desafio da honestidade; simples porque tudo está dito, mas numa plástica generosa e inquiridora de todos os seus horizontes.

Guilherme Bueno

 

 

 

Até 29 de abril.

Curso de arte contemporânea

19/fev

As galerias SIM e Simões de Assis, Curitiba, PR, convida para o segundo curso de arte contemporânea “A ideia e o objeto na arte contemporânea”, que será ministrado pelo crítico e curador Jacopo Crivelli Visconti, e acontecerá às segundas-feiras, a partir de 20 de Março, das 19hs às 21hs.

 

A proposta do curso é abordar a produção artística contemporânea das últimas duas décadas, através de obras realizadas a partir de meados dos anos 1990. Cada uma das cinco aulas será concebida como uma curadoria, buscando criar relações entre as obras apresentadas, sugerindo uma leitura que facilite a interpretação das obras, e ao mesmo tempo viabilizando a compreensão e a familiarização com alguns dos temas recorrentes na produção contemporânea.

 

O resultado final apoia-se na ideia de auxiliar na construção de um repertório “histórico”, fundamental para a compreensão das obras mais recentes. As aulas serão precedidas por uma análise de obras icônicas da história da arte internacional dos últimos 50 anos. Dessa forma, será possível entender alguns conceitos vigentes, como o que inspira o título do curso, isto é, a relação entre a presença física do objeto artístico e sua substituição por uma ideia, tema fundamental desde a consolidação da arte contemporânea no final dos anos 1960.

 

 
Sobre o palestrante

 
Jacopo Crivelli Visconti é crítico e curador independente. Doutor em Arquitetura pela Universidade de São Paulo (USP), é autor de Novas derivas (WMF Martins Fontes, 2014). Como curador da Fundação Bienal de São Paulo (2007-2009), foi responsável pela participação oficial brasileira na 52ª Biennale di Venezia (2007). Entre seus trabalhos mais representativos como curador independente, estão: Memórias del subdesarrollo (2017), no Museum of Contemporary Art (San Diego, EUA), no Museo de Arte de Lima (Peru) e no Museo Jumex (México); Sean Scully (2015), na Pinacoteca do Estado de São Paulo (Brasil); 12ª Bienal de Cuenca (2014), em Cuenca (Equador); e Ponto de equilíbrio (2010), no Instituto Tomie Ohtake (São Paulo, Brasil). É colaborador regular de revistas de arte contemporânea, arquitetura e design, além de escrever catálogos de exposições e monografias de artistas. Desde 2015, é curador do setor Open Plan da SP-Arte.

 

 

Programação

 

  • Aula 1 – 20/03
    O caminhar como prática artística.
  • Aula 2 – 27/03
    A dissolução do objeto nas práticas contemporâneas.
  • Aula 3 – 10/04
    Considerações sobre o papel do mercado.
  • Aula 4 – 17/04
    A superação do conceito de autor.
  • Aula 5 – 24/04
    Novas ideias, novos meios e novos suportes.

 

Valor: R$ 600,00, com vagas limitadas

 

Datas: segundas-feiras, de 20 de março a 24 de abril
Horário: das 19hs às 21hs.

Local: SIM Galeria – Al. Presidente Taunay, 130A, Curitiba

 
Faça sua inscrição enviando um e-mail para: info@simgaleria.com ou entrando em contato pelos telefones: 41 3322 1818 | 41 3232 2315

Noções de gênero

07/fev

A exposição “Almofadinhas”, na galeria GTO, Sesc Palladium, Centro, Belo Horizonte, MG, abriga três jovens artistas contemporâneos. Aexibição nasceu do encontro de três artistas homens (Fábio Carvalho, RJ, Rick Rodrigues, ES e Rodrigo Mogiz, MG) de gerações diferentes e localidades e estados de origem também distintos,que se dedicam a trabalhos no território do sensível e do delicado, tendo o bordado – mesmo que não exclusivamente – como um dos meios de suas produções artísticas.

 

A curadoria é de Ricardo Resende, especialmente convidado para se juntar aos “Almofadinhas”. Resende, que foi diretor geral do Centro Cultural São Paulo, atualmente está no Museu do Bispo do Rosário no Rio de Janeiro, além de já ter realizado inúmeras e importantes curadorias e ter passado por outras instituições como o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, MAC-USP;Museu de Arte Moderna de São Paulo, MAM-SP; Funarte; e Centro Dragão do Mar, em Fortaleza, CE. Trabalhou também com o “Projeto Leonilson”, que como Bispo do Rosário é outro expoente e importante artista ligado às questões do bordado na arte contemporânea brasileira.

 

Os três artistas se apresentam pela primeira vez juntos depois de muitas conversas à distância, por meio das redes sociais, sobre as afinidades conceituais e imagéticas de suas obras e como poderiam fazer algo coletivamente. A partir daí nasce o termo “Almofadinhas”, por meio da descoberta de um texto que relata a origem da expressão, que comumente ficou conhecida para designar pejorativamente homens ricos, sofisticados e muito bem vestidos. Ocorreu em 1919, no auge da Primeira República, em Petrópolis, RJ,uma reunião de “rapazes elegantes e efeminados” para definir quem era o melhor na arte de bordar e pintar almofadas trazidas da Europa especialmente para a ocasião. Tal episódio criou tanto alvoroço que acabou sendo criado este termo para designar, talvez com um certo grau de “revolta”, o ócio e ousadia desses rapazes.

 

Os “Almofadinhas” deixaram para trás a praxe que determinava que os homens trajassem roupas escuras, ostentassem barbas e bigodes espessos, destacando sua virilidade, competência e um espírito de liderança nato, optando por roupas mais leves e de cores mais claras, personificando um novo homem do pós‐guerra, em harmonia com um crescente sentimento de “viver a vida intensamente” daquele período.

 

É a partir daí que nasce em Fabio Carvalho, Rick Rodrigues e Rodrigo Mogiz o conceito “Almofadinhas” ou como melhor eles definem, a entidade “Almofadinhas”, que parte desta (ainda) surpresa de se ver homens que bordam, mas que se pesquisarmos mais a fundo, descobriremos que muitos homens estão ligados a esta atividade, que acabou sendo associada em nossa cultura ocidental patriarcal, ao trabalho artesanal feminino e doméstico. Dessa forma os três artistas provocam a tradição, trazendo o bordado uma vez mais para o campo da arte contemporânea, ampliando as discussões sobre questões de gênero, afetividade e sexualidade.

 

Os artistas apresentam cerca de 15 conjuntos de obras de diferentes momentos de suas trajetórias, além de trabalhos inéditos feitos especialmente para o projeto, que vão desde almofadas bordadas a trabalhos suspensos e de parede onde o têxtil está sempre presente em diversos formatos, apresentando figuras masculinas, pássaros, flores, armas de fogo, dentre outras iconografias.

 

No período final da exposição estão previstos o lançamento do catálogo da exposição “Almofadinhas”, com um bate papo com os artistas e o curador, no dia 22 de março, às 19hs, além de uma oficina de bordado só com homens, no dia 24 de março, a partir de 15hs.

 

 

De 16 de fevereiro até 26 de março.

Palatnik no CCBB/Rio

31/jan


O CCBB, Centro, Rio de Janeiro, RJ, exibe a retrospectiva itinerante do mestre internacional da arte cinética Abraham Palatnik, com curadoria assinada por Pieter Tjabbes e Felipe Scovino. “A Reinvenção da Pintura” apresenta 92 obras produzidas entre os anos de1940 e 2000. A exposição composta por pinturas, desenhos, esculturas, móveis, objetos e estudos do artista brasileiro conhecido por obras que combinam luz e movimento e, em muitos casos, utilizam instalações elétricas.“A obra de Palatnik caracteriza-se por uma qualidade inegável: permite não só observar as passagens do moderno ao contemporâneo, mas também estudar e reconhecer uma das

 

primeiras associações entre arte e tecnologia no mundo, um diálogo cada vez mais presente a partir da metade do século XX. Esta exposição ultrapassa os limites da pintura e da escultura modernas, intenção que o artista manifestou claramente nos Aparelhos cinecromáticos, nos Objetos cinéticos e em suas pinturas, quando passou a promover experiências que implicam uma nova consciência do corpo”, pontuam os curadores no texto de apresentação da exposição.

 

Segundo os curadores, a singular contribuição de Palatnik para a história da arte não se dá apenas por sua posição como um dos precursores da chamada arte cinética- caracterizada pelo uso da energia, presente em motores e luzes-, mas também pela leitura particular que faz da pintura e em especial pela articulação que promove entre invenção e experimentação:“Seu lado ‘inventor’ está presente em uma artesania muito particular que o deixa cercado em seu ateliê por porcas, parafusos e ferramentas construídas por ele mesmo e não pelas tintas,imagem característica de um pintor. O crítico de arte Mário Pedrosa e o escritor Rubem Braga já afirmavam, na década de 1950, que Palatnik pintava com a luz”.

 

“Palatnik dinamizou a arte concreta expandindo-a para além de seu campo usual e integrou-aà vida cotidiana por intermédio do design. Ao longo de sua trajetória, o artista produziu cadeiras, poltronas, ferramentas, jogos e sofás, entre outros objetos. Sua obra habita o mundo de distintas maneiras, apontando para uma formação incessante de novas paisagens e leituras à medida que diminui, desacelera e molda o tempo. Nesta exposição reunimos todos esses momentos da obra extraordinária de Abraham Palatnik. Uma obra que oferece ao público experiências marcantes e solicita, em troca, uma entrega total”, afirmam os curadores.

 

 

A palavra da curadoria

 
A obra de Abraham Palatnik (1928) caracteriza-se por uma qualidade inegável: permite não só observar as passagens do moderno ao contemporâneo, mas também estudar e reconhecer uma das primeiras associações entre arte e tecnologia no mundo, um diálogo cada vez mais presente a partir da metade do século XX. Esta exposição ultrapassa os limites da pintura e da escultura modernas, intenção que o artista manifestou claramente nos Aparelhos Cinecromáticos, nos Objetos Cinéticos e em suas pinturas.A retrospectiva“Abraham Palatnik- A Reinvenção da Pintura” começa pelas obras nas quais se vê a técnica acadêmica com a qual ele romperia no final da década de 1940 para dedicar-se à arte cinética, caracterizada pelo uso da energia, presente em motores e luzes, com as séries Aparelhos Cinecromáticos e Objetos Cinéticos.

 

Essa mudança de rumos na produção de Palatnik ocorreu em um momento decisivo para a arte nacional. Nascia a Bienal de São Paulo, um dos marcos na entrada do país no circuito da arte internacional. Palatnik participou da Bienal de 1951 com um Aparelho Cinecromático, uma invenção- tão artesanal quanto engenhosa – de uma pintura feita de luz e movimento.Se os Aparelhos Cinecromáticos criaram uma nova forma de pintar, os Objetos Cinéticos podem ser vistos como uma renovação na forma de ocupar o espaço. No lugar dos volumes da escultura, esses aparelhos lúdicos, coloridos e quase sempre motorizados ocupam o espaço com movimento, aproximando a pesquisa de Palatnik das proposições de Alexander Calder e Soto. Palatnik foi um dos precursores da arte cinética e da arte concreta. Mas também dinamizou a arte concreta, expandindo-a para além de seu campo usual, e integrou-a à vida cotidiana por intermédio do design. O experimentalismo e a organicidade sobrevoam a sua trajetória – em particular na série de obras que utilizam a madeira como suporte e meio,aproveitando os desenhos naturais dos veios dos troncos de jacarandá.

 

Na década de 1980, o artista inicia outra pesquisa com cor: a criação de telas com cordas coladas para dar volume, e novamente a exploração das cores com a tinta. Na série W, o artista estuda os jogos óticos resultantes do corte (que hoje realiza com laser) e subsequente reagrupamento de tiras de madeira pintada, técnica que teve origem na série Relevos Progressivos (feitos com papel cartão) iniciada na década de 1960. Palatnik movimenta as varetas do ‘quadro fatiado’ no sentido vertical, ‘desenhando’ o futuro trabalho, construindo um ritmo progressivo da forma, conjugando expansão e dinâmica visual e “explorando o potencial expressivo de cada material”. A produção de Palatnik, apresentada nesta retrospectiva em todas as suas facetas, intriga e encanta: suas obras vão construindo uma narrativa visual marcante e profundamente elaborada sobre os horizontes alargados por ele.

 

 

Até 24 de abril.

Leda Catunda – I love you baby

21/dez

Ainda que tardiamente, discute-se hoje a grande discrepância entre a representação feminina e masculina nos acervos, museus e publicações de arte relativos às produções modernas e contemporâneas. Particularmente no Brasil, o fato chama atenção uma vez que é possível traçar um resumo da arte do século XX, tendo artistas mulheres como um dos pilares: Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Lygia Clark, Mira Schendel, Tomie Ohtake e Anna Maria Maiolino são alguns exemplos.

 

O projeto “Nossas Artistas”, criado pelo Instituto Tomie Ohtake, Pinheiros, São Paulo, SP, parte desta percepção e propõe uma sequência de mostras individuais dedicadas a artistas que fizeram e fazem a história da arte brasileira. Leda Catunda, São Paulo SP, 1961, inaugura o programa com a exposição “I love you baby”, sob curadoria de Paulo Miyada, também curador do Instituto Tomie Ohtake. Egressa da geração 80, Catunda é exemplar, segundo Miyada, da potência de uma obra que não se pode (ou deve) explicar exclusivamente pelo gênero da artista ou por qualquer generalização do “universo feminino”.

 

A mostra reúne mais de uma centena de trabalhos, realizados de 2003 a 2016, entre pinturas, colagens, gravuras, desenhos e objetos, além de obras feitas especialmente para as paredes das salas do Instituto. Neste conjunto, o uso do desenho como estrutura pictórica estabelece uma síntese inédita do transbordamento de imagens e matérias recorrente na obra de Catunda. Como uma catalizadora da cultura material, a artista constrói reflexões sobre assuntos tais como o consumo, as várias estridentes linguagens comportamentais, a efemeridade e a espetacularização, a partir da utilização de elementos cotidianos, como toalhas, tapetes, lonas, plásticos, camisetas, janelas, fórmicas, entre outros.

 

Nesses novos trabalhos, a artista ressalta ainda o auto-espetáculo fertilmente disseminado pelo uso das novas tecnologias. “Recentemente, ao deixar-se elaborar frente à sua pesquisa pictórica e à transformação gradual das noções de gosto, da moda, do popular, do consumo e do ornamento, a artista levou sua obra a entrar em potente ressonância com o mundo habitado por “pessoas imagens”, histericamente dedicadas a arrasar no look, tirar foto no espelho e, claro, postar no facebook”, explica Miyada.

 

Para o curador, ainda, “I love you baby” demonstra como Leda Catunda lida diretamente com o mundo atual, com seus encantos, fantasias, ilusões e mentiras. “A sensibilidade de Catunda nasce do convívio constante com a pintura, sua história e seus desdobramentos contemporâneos – e se expande em choque apaixonado pela abundância de imagens, marcas e estilos que rege o cotidiano de quase todo cidadão atual, dentro e fora das grandes cidades”.

 

 

 

 

Até 22 de janeiro de 2017.

Aposta na Vanguarda

07/dez

Pop, Nova Figuração e Após

 

A Ricardo Camargo Galeria, Jardim Paulistano, São Paulo, SP, através da mostra “Pop, Nova Figuração e Após”, comemora 21 anos de trabalho e o titular da casa, o marchand Ricardo Camargo, assina a curadoria da exposição que conta com a parceria da AD-Almeida e Dale. O texto no categorizado catálogo traz a apresentação assinada por Roberto Comodo.

 

 

Apresentação

 

Em 2015 duas megaexposições internacionais, a The World Goes Pop, da Tate Modern de Londres; e a mostra itinerante pelos Estados Unidos International Pop, promovida pelo Walker Art Center, de Minneapolis – colocaram a Pop Art no centro das artes plásticas mundiais. Obras de Antonio Dias, Wesley Duke Lee, Cláudio Tozzi, Nelson Leirner, Raimundo Colares e Glauco Rodrigues, entre outros artistas, brilharam nessas mostras.

 

Antecipando este movimento num gesto ousado para o mercado, a Ricardo Camargo Galeria realizou em 2007 a exposição Vanguarda Tropical, reunindo 44 trabalhos de oito artistas plásticos expoentes da arte brasileira dos anos 60. Foi também um gesto coerente deste galerista, que mantém contato contínuo há quase 50 anos com os artistas da vanguarda nacional, iniciado na galeria Art-Art – a primeira galeria de arte contemporânea de São Paulo, inaugurada em dezembro de 1966 – e em seguida na Galeria Ralph Camargo, que a sucedeu.

 

Agora, com a exibição de “Pop, Nova Figuração e Após”, a Ricardo Camargo Galeria, fecha um ciclo e também abre novas fronteiras. A mostra apresenta 58 obras, 18 delas inéditas, de 25 artistas de ponta da arte nacional, que transitaram entre a Pop Art e a Nova Figuração ou foram além – como Mira Schendel com o desenho “Símbolos”, de 1974, feito em caneta hidrográfica, e Ivald Granato homenageado em um emblemático óleo de 1977.

 

Na exposição, a contundência do inédito óleo de Antonio Henrique Amaral, “Banana grafite com cordas”, de 1973, sintetiza seu vigoroso repúdio ao regime militar e mantém diálogo com o objeto “Catraca”, de Claudio Tozzi, travada por um cadeado no ano de 1968, quando a ditadura iniciou a sua fase mais repressiva. Tozzi ainda está presente com “Multidão” (1968) e no trabalho inédito “Viet Paz”, (1966), que retrata a desigual e brutal Guerra do Vietnã, entre demais obras. Seu colega de geração, Rubens Gerchman se impõe com a majestosa tela “Mata e o arrojo de Gnosis”, em spray sobre alumínio, pintadas em Nova York nos anos 70, além da pintura e colagens Policiais identificados da chacina, da série “Registro Policial”, de 1988.

 

Na vertente Pop, Maurício Nogueira Lima, que foi um puro concretista, surpreende com as exuberantes telas “Bang!”, “Goool” e “Tchaf! Negativo”, todas de 1967; e no exclusivo retrato de Marilyn Monroe, feito em 1969. Já José Roberto Aguilar expande a sua novíssima figuração mágica no óleo “Destruidor de mitos”, de 1965, e “Cenas Urbanas”, sua primeira pintura com spray sobre tela, elaborada em 1966. São obras que mantém proximidade com as de Tomoshige Kusuno, autor do monumental painel de telas a óleo esticadas em estrutura de madeira, de 1970, e das delicadas obras “Vibração de Resíduos”, “Herança da perspectiva” e “Diamante nº 6”, feitas nos anos 60.

 

O mestre Wesley Duke Lee ressurge na mostra com a arte ambiental “Retrato de Luzia (a Santa Amarense)” ou “à respeito de Titia” – liquitex sobre tela e planta viva em um vaso – que participou da exposição Iconografia Botânica na inauguração da Galeria Ralph Camargo em 1970. Além da obra “Retrato de um amigo”, (Guido Santi, presidente da Olivetti na época), de 1967, inteiramente Pop, com sua moldura recortada; e o exemplar da Série das Ligas, de 1960, a obra mais antiga da exibição.

 

Ex-alunos de Wesley, Luis Paulo Baravelli mostra o raríssimo trabalho “Ceci e Peri”, de 1968, em madeira bruta pintada, azulejos e madeira balsa, enquanto Carlos Fajardo expõe o singular óleo “Santos Dumont”, pintado em 1967. Com a obra mais recente na mostra, o irônico espírito contestador de Nelson Leirner surge em “Jogos Americanos”, de 2001, nas 40 unidades de silk-screen sobre fórmica que indaga “Você tem fome de que?”, que foram expostas no Museu de Arte Moderna de São Paulo.

 

Outras preciosidades da exposição são os três trabalhos de Antonio Dias, dois deles dos anos 60 – um característico guache e um ladrilho esmaltado a fogo – além da deslumbrante xilogravura “Fósforos”, de 1978, em spray acrílico azul. Nesse mesmo patamar também estão três pinturas de Glauco Rodrigues dos anos 60, duas da série “Astronauta” – que estiveram na sua primeira individual na famosa Galeria Relevo, no Rio de Janeiro, de Jean Boghici, em 1966 – e a inusitada “Cara e careta”. Além de duas obras de Raimundo Colares de 1966 – em lápis, nanquim e aquarela – com seu vibrante grafismo inspirado nas cores dos ônibus cariocas.

 

A mostra da Ricardo Camargo Galeria traz ainda obras significativas de artistas importantes, mas pouco vistos, realizadas na década de 60, como Maria Helena Chartuni e Samuel Szpigel. Totalmente pop, Maria Helena exibe um “Diptíco de Roberto Carlos”, um “Tríptico do Chacrinha e seus calouros” e um exuberente “Ostentório de Marilyn Monroe”, com óleo sobre tela recortada e montada em estrutura de ferro pintado. Já Szpigel realiza uma retumbante e mordaz crítica política nas telas “Aliança para o Progresso” e “Liberdaaaade”.

 

Com a exposição “Pop, Nova Figuração e Após”, a Ricardo Camargo Galeria reafirma a aposta na ousadia de diferentes enfoques da vanguarda brasileira dos anos 60, que agora ganha merecido reconhecimento internacional.

 

Roberto Comodo

 

 

 

Até 23 de dezembro de 2016.
Reabre de 03 a 31 de janeiro de 2017.

Na ArtRio Carioca

05/dez

A Galeria Marcia Barrozo do Amaral, com mais de 30 anos representando grandes nomes do cenário da arte, apresenta obras selecionadas exclusivamente para a primeira edição da Art Rio Carioca, que acontece entre os dias 08 e 11 de dezembro, no Shopping Village Mall, na Barra da Tijuca. Entre os artistas presentes no stand da galeria de Marcia Barrozo do Amaral estão os artistas Frans Krajcberg e Ascânio MMM. Outros nomes como Galvão, que atualmente apresenta uma exposição individual na galeria, Anna Letycia, que firmou-se como centro de referência nacional para o ensino das técnicas e do desenvolvimento da gravura, Luiz Philippe, Wilson Piran e Manfredo de Souzanetto também terão seus trabalhos apresentados. A feira de arte promove mais uma oportunidade para colecionadores e interessados em arte de ter acesso a uma seleção de trabalhos das mais importantes galerias.

 

Oito décadas de Arte Naïf 

11/nov

Jacques Ardies, marchand franco-belga estabelecido no Brasil e proprietário da galeria que recebe o seu nome é também o curador da mostra coletiva “Arte Naif, uma viagem na alma brasileira”, com abertura no dia 12 de novembro, no Memorial da América Latina – Galeria Marta Traba, Barra Funda, São Paulo, SP.

 

Interpretar a “arte naif” por si só já é um desafio, visto que se trata de uma expressão regional que percorre o mundo assumindo aspectos de acordo com os artistas que expõe suas próprias experiências, por meio de linhas e formas peculiares, sem ter recebido uma orientação formal. Algumas de suas principais características são o uso de cores fortes, a retratação de temas alegres, traços figurativos, a idealização da natureza e sem a preocupação com a perspectiva, ou seja, às vezes, ela é bidimensional. É exatamente por isso que no Brasil, esta arte goza de um ambiente ideal que se amplifica mais ainda graças à exuberância das florestas, à intensa luminosidade e ao conhecido calor humano brasileiro.

 

Como trata-se de um país com tamanha vastidão cultural, para a mostra, foram escolhidos 70 nomes representativos desse gênero específico de expressão artística. Os artistas foram divididos em três núcleos: Histórico – composto por registros de nomes já reconhecidos no segmento e com trajetória sólida; Atual, com nomes ativos no presente, cujos trabalhos também sofrem influencias de novas técnicas e temas contemporâneos e complementando a exposição, uma área especial composta por 10 esculturas do segmento destacado.

 

Segundo Jacques Ardies, a Arte Naïf baseia-se na liberdade para expressar memórias e emoções, por isso, escolhe apresentá-la em montagem em ordem cronológica, começando pela década de 40 até os dias atuais, com destaque para a pintura tropicalista, as evocações divinas em degradés sofisticados e outras características marcantes como cenas paulistanas, cores quentes, a boemia carioca e baianas em trajes finos. O curador observa que os artistas conseguem superar suas dificuldades técnicas e criar uma linguagem inédita, pessoal e singular. Essa liberdade da execução permite maior dedicação ao essencial da arte que pode ser observada pelas pessoas que ainda preservam intacta sua capacidade de encantar-se com o que pode ser apreciado numa exposição.

 

 

Artistas participantes

 

Agenor, Agostinho Batista de Freitas, Alba Cavalcanti, Ana Maria Dias, Antônio Cassiano, Antônio de Olinda, Antônio Julião, Antônio Porteiro, Artur Perreira, Bajado, Barbara Rochltiz, Bebeth, Chico da Silva, Conceição da Silva, Constância Nery, Crisaldo Morais, Cristiano Sidoti, Denise Costa, Dila, Doval, Edivaldo, Edna de Araraquara, Edson Lima, Elisa Martins da Silveira, Elza O.S, Ernani Pavaneli, Francisco Severino, Geraldo Teles de Oliveira, Gerson, Gilvan, Grauben, Helena Coelho, Iaponí Araújo, Ignácio da Nega, Iracema, Isabel de Jesus, Ivan Moraes, Ivonaldo Veloso de Melo, José Antônio da Silva, José de Freitas, José Perreira, Lia Mittarakis, Louco, Lourdes de Deus, Lucia Buccini, Luiz Cassemiro, Madeleine Colaço, Magdalena Zawadzka, Maite, Malu Delibo, Mara Toledo, Marcelo Schimaneski, Maria Auxiliadora, Maria Guadalaupe, Miranda, Mirian, Neuton de Andrade, Olimpio Bezerro, Passarinheiro, Raimundo Bida, Rodolpho Tamanini Netto, Rosina Becker do Valle, Silvia Chalreo, Soati, Sônia Furtado, Vanice Ayres, Waldemar, Waldomiro de Deus, Wilma Ramos e Zé do Embu.

 

 

A galeria

 

A Galeria Jacques Ardies, na Vila Mariana, está sediada em imóvel antigo totalmente restaurado. Desde sua abertura em Agosto de 1979, atua na divulgação e a promoção da arte naif brasileira. Ao longo de 37 anos, realizou inúmeras exposições tanto em seu espaço como em instituições nacionais e estrangeiras, onde podemos destacar MAC/ Campinas, MAM/ Goiânia, Espace Art 4 – Paris, Espaço Cultural do FMI em Washington DC, USA, Galeria Jacqueline Bricard, França, a Galeria Pro Arte Kasper, Suíça e Gina Gallery, Tel-Aviv, ,Israel. Em 1998, Jacques Ardies lançou o livro “Arte Naif no Brasil” com a colaboração do crítico Geraldo Edson de Andrade e em 2003, publicou o livro sobre a vida e obra do artista pernambucano Ivonaldo, com texto do professor e crítico de arte Jorge Anthonio e Silva. Em 2014, publicou Arte Naïf no Brasil II, de sua autoria, com textos complementares dos colecionadores Daniel Achedjian, Peter Rosenwald, Marcos Rodrigues e Jean-Charles Niel. A galeria possui em seu acervo obras, entre quadros e esculturas, de 80 artistas representativos do movimento da Arte Naif brasileira.

 

 

A galeria Marta Traba

 

A Galeria Marta Traba de Arte Latino-Americana é um espaço privilegiado para a difusão da arte latino-americana e para o intercâmbio cultural com os países do nosso Continente. Projetada por Oscar Niemeyer, a Galeria é hoje o único espaço museológico existente no Brasil, inteiramente dedicado às artes e à cultura latino-americanas. Ocupando uma área de 1.000 m², o espaço é sustentado por uma única coluna central, circundado por painéis que permitem ao visitante, desde a entrada, uma visão do conjunto das obras expostas.

 

 

Até 06 de janeiro de 2017.

Curadoria de Efrain Almeida

08/nov

A artista carioca Maria Fernanda Lucena, que foi selecionada e premiada pelo “Novíssimos 2016”, da Galeria de Arte IBEU, se interessa por lugares, personagens, objetos e principalmente histórias. Seu trabalho gira em torno da pintura e sua pesquisa tangencia questões da memória e da passagem do tempo. Através de um vínculo com objetos pessoais e afetivos, a artista compõe caixas de lembranças e relicários onde temporalidades distintas se associam para dar origem a uma possível narrativa.

 

Em sua primeira individual no Rio de Janeiro na C. galeria, Ipanema, Rio de Janeiro, RJ, Maria Fernanda apresenta 21 trabalhos compostos por telas, caixas e objetos que se misturam com imagens de épocas distintas, envolvendo diferentes técnicas de produção como a pintura à óleo sobre tela de linho, além de caixas de madeira e acrílico que formam as instalações. As obras reúnem objetos garimpados pela artista, que são da década de 70 até a atualidade, incluindo slides selecionados na Praca XV, com os quais ela cria narrativas enfatizando o conceito da transtemporalidade.

 

Através da pintura, Maria Fernanda cria narrativas que seguem o fio da história de um objeto, o qual passa a fazer parte de uma nova historia. Essa narrativa não tem fim. São histórias dentro de histórias, episódios singulares, retratos da vida cotidiana ou de momentos especiais de familiares, vizinhos, pessoas conhecidas e outras esquecidas. Na exposição intitulada “Paisagens Emocionais”, com curadoria assinada por Efrain Almeida, a página do Instagram criada por Maria Fernanda, que leva o nome da mostra, poderá ser visitada, ela disponibilizou as fotografias referências para os trabalhos, sem suas intervenções, dando margem ao espectador para entender suas criações.

 

 

A palavra do curador

 
“Durante o processo de pesquisa, vieram algumas mudanças significativas em sua produção. A primeira, substituir a tinta acrílica por óleo; em seguida, a troca de suporte, ela passa, então, a usar, em vez de telas comuns, quadros antigos já pintados e objetos cotidianos, interferindo sobre esses com pinturas, onde o retrato e a paisagem são temas recorrentes. Seus retratados são constituídos, na grande maioria, de entes próximos ou pessoas que ela simplesmente considera biograficamente interessantes. Fernanda mergulha no universo cotidiano destas pessoas, através de seus pertences, de fotos de viagens, de memórias ou objetos casualmente encontrados.”

 

 

Sobre a artista

 
Maria Fernanda Lucena tem formação em Indumentária e Desing de moda. Em 2013, ingressou na turma do Curso Teoria e Portfólio na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. O curso era, então, ministrado por Efrain Almeida, Marcelo Campos e Brígida Baltar. Entre as exposições coletivas que participou no Rio de Janeiro estão ” Novíssimos 2016”, Galeria de Arte IBEU; “X4”, no Solar Grandjean de Montigny – PUC; “29 de setembro”, no Largos das Artes; “Visão de Emergência”, na Galeria Colecionador; e À Primeira Vista”, na Galeria Artur Fidalgo. Maria Fernanda também expôs seus trabalhos em coletivas em São Paulo, Rio Grande do Sul, além das obras apresentadas na SP Arte 2016, no stand da C Galeria. Para 2017, a artista já tem duas exposições agendadas, no Museu da República e na Galeria IBEU.

 

 

Sobre a C. galeria

 
A C. galeria é uma galeria de arte contemporânea que, através de ideias e formatos inovadores, quer contribuir para uma nova forma de fazer e pensar arte e para um novo colecionismo, estimulando seus artistas a explorarem seu potencial criativo e artístico. Dirigida por Camila Tomé – uma das fundadoras da extinta MUV Gallery, que encerrou suas atividades em 2016 – a C. galeria surge ocupando o mesmo espaço da antiga MUV, em Ipanema, no Rio de Janeiro, e passa a representar os artistas Andréa Brown, Bob N, Bruno Belo, Eloá Carvalho, Felipe Fernandes, Maria Fernanda Lucena, Marcos Duarte, Pedro Cappeletti, Piti Tomé e Ruan D’ornellas.

 

 

De 23 de novembro a 20 de janeiro de 2017.