Modernismo Brasileiro em Portugal

20/out

O museu mais visitado de Portugal e um dos 100 mais visitados do mundo, segundo a The Art Newspaper, publicação internacional especializada em arte contemporânea, recebe exposição com 76 obras pertencentes à Coleção da Fundação Edson Queiroz, de Fortaleza, CE, de 27 de outubro de 2017 a 11 de fevereiro de 2018. O Museu Coleção Berardo, em Lisboa, apresentará seleção das mais expressivas obras criadas por artistas brasileiros entre as décadas de 1920 e 1960. Com curadoria de Regina Teixeira de Barros e projeto expográfico de Daniela Alcântara, a mostra “Modernismo Brasileiro na Coleção da Fundação Edson Queiroz” faz parte da itinerância com exposições já realizadas na Pinacoteca de São Paulo; na Casa Fiat, em Belo Horizonte; na Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre; no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba; e na Casa França-Brasil, no Rio de Janeiro.

 

 

A coleção na mostra

 

Ao longo dos últimos 30 anos, a Fundação Edson Queiroz (FEQ), mantenedora da Universidade de Fortaleza (Unifor), constituiu uma das mais sólidas coleções de arte brasileira, que percorre cerca de quatrocentos anos de produção artística com obras significativas de todos os períodos. Em 2015, a FEQ começou exposição itinerante por todo o Brasil, passando por São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba e Rio de Janeiro. A exposição dá a oportunidade para que mais pessoas conheçam um dos acervos de artes visuais mais importantes do Brasil, uma forma de disseminar e democratizar o acesso às artes. O tema da exposição “Modernismo Brasileiro na Coleção da Fundação Edson Queiroz” proporciona uma aproximação com as diversas vertentes, influências e movimentos da arte brasileira do início do século XX. “O recorte escolhido pela curadora possibilita também fazer as mais diversas associações entre a trajetória de nossos artistas e o contexto histórico e artístico internacional. Essas foram décadas marcadas por profundas mudanças políticas, econômicas, sociais e culturais em todo mundo”, frisa o vice-reitor de extensão da Unifor, professor Randal Pompeu.

 

No Museu Coleção Berardo, um dos destaques será a obra “Duas Amigas”, de Lasar Segall, pintura referencial da fase expressionista do artista. Por um lado, Segall emprega cores não realistas, imbuídas de valor simbólico, por outro, lança mão de princípios cubistas, simplificando as figuras por meio de planos geometrizados. A exposição percorre também os chamados anos heroicos do modernismo brasileiro, apresentando obras de Anita Malfatti, Antônio Gomide, Cícero Dias, Di Cavalcanti, Ismael Nery, Vicente do Rego Monteiro e Victor Brecheret.

 

A segunda geração modernista, que desponta na década de 1930, está representada por artistas como Alberto da Veiga Guignard, Cândido Portinari, Ernesto De Fiori e Flávio de Carvalho. Deste período, merecem destaque as obras de Alfredo Volpi e José Pancetti que, além de comparecerem com um número significativo de obras na Coleção da FEQ, estabelecem uma transição entre a pintura figurativa e a abstração, apresentada na sequência.

 

O núcleo da exposição dedicado à abstração geométrica – tendência que desponta nos últimos anos da década de 1940 e se consolida na década de 1950 – abrange pintores do grupo Ruptura, de São Paulo, e artistas dos grupos Frente e Neoconcreto, ambos do Rio de Janeiro. Alguns dos nomes presentes nesse segmento são: Amilcar de Castro, Franz Weissmann, Hélio Oiticica, Hércules Barsotti, Luiz Sacilotto, Lygia Clark e Willys de Castro, entre outros. Dois pioneiros da arte cinética participam deste segmento: Abraham Palatnik, com um objeto cinético, e Sérvulo Esmeraldo, com um “Excitável”.

 

Para a curadora Regina Teixeira de Barros, as histórias que delineiam a vizinhança física dos trabalhos artísticos das obras proporcionam diversas possibilidades, uma vez que muitas são as opções apresentadas a um só tempo. “O olhar pode vagar de uma pintura a outra, pendurada ao lado, instalada na parede oposta ou entrevista na sala seguinte. De uma única obra, podem-se desdobrar múltiplas narrativas, que se entrecruzam, se espelham, se confundem ou se confrontam à medida que o olhar avança, retrocede, salta ou recomeça”, ressalta.

 

A exposição encerra com a produção das décadas de 1950 e 1960, revelando uma diversidade de expressões artísticas, tão evidentes nas obras de Ivan Serpa, Tomie Ohtake e Iberê Camargo, quanto nas proposições radicais de artistas que haviam participado do movimento neoconcreto carioca. Trata-se do momento em que uma completa revisão de paradigmas se opera e a arte nacional toma novos rumos, aproximando-se da chamada arte conceitual. A exposição reúne ainda uma seleção de artistas que não aderiram a nenhum grupo da época, mas que adotaram uma linguagem abstrato-geométrica singular, mesclando-a com certo lirismo. Destacam-se, nessa seção, os pintores Antônio Bandeira, Maria Helena Vieira da Silva e Maria Leontina.

Juntos: Emanoel Araújo, Samico e Mário Cravo Neto  

28/set

 

A Galeria Base, Jardim Paulista, São Paulo, SP, de Fernando Ferreira de Araújo e Daniel Maranhão, exibe “Geníaco”, composta por 17 obras entre esculturas, xilogravuras e fotografias de Emanoel Araújo, Gilvan Samico e Mário Cravo Neto sob curadoria de Paulo Azeco. A coletiva busca valorizar a cultura nacional – no sentido mais impactante e restrito que este conceito possa ter -, destacando a simbologia, o etéreo e as religiosidades portuguesa e africana, elementos em comum na produção destes artistas e presentes no imaginário do povo brasileiro.

 
“Ser Poeta é ser um geníaco, um filho assinalado das Musas.” A citação de Ariano Suassuna, em “O Romance d`A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta” (marco inicial do Movimento Armorial no Brasil), não somente permeia o título da nova mostra da Galeria Base, como também é essencial para compreendê-la e as conexões que são estabelecidas entre os três artistas participantes. “Suassuna idealizou tal movimento como forma de valorização da cultura nordestina, agregando artes visuais, música e literatura a um tronco comum, no qual se encontravam as influências indígenas e aquelas das diásporas africanas e portuguesas na região. Uma forma peculiar de representar o país, seu povo e cultura, através da junção do erudito ao regional”, comenta Paulo Azeco.

 

Gilvan Samico apresenta sua obra fundamentada na Xilogravura, importante técnica da produção nordestina, tendo o Cordel como inspiração primordial. Ao longo de sua carreira, Emanoel Araújo pesquisou a geometrização ancestral dos africanos e a tomou como elemento principal de sua produção, com presença forte da Xilogravura – reflexo também da influência regionalista. Já a Fotografia de Mário Cravo Neto atinge seu ápice nas imagens em branco e preto, as quais retratam a sua Bahia e formulam questionamentos acerca dos pontos mais sensíveis na formação antropológica da região.

 

 

“Suassuna costumava falar em entrevistas sobre a internacionalização da nossa cultura. Valorizar esse tipo de produção artística, brasileira e autoral, é sem dúvida urgente e necessário.”
Paulo Azeco

 

 

 

De 30 de setembro a 04 de novembro.

Na Fortes D’Aloia & Gabriel

25/set

Gerben Mulder retorna a São Paulo para sua quarta exposição com a Fortes D’Aloia & Gabriel, Barra Funda. Desta vez, o artista holandês ocupa o Galpão, na Barra Funda, com doze pinturas inéditas repletas de personagens excêntricos que evocam imagens épicas e narrativas oníricas.

 

O artista explora um repertório arquetípico do subconsciente e o materializa através de pinceladas vigorosas e velozes, de forma que as narrativas presentes se revelam não apenas nas imagens, mas no próprio tecido da pintura. Em Massacre of the Innocents (O Massacre dos Inocentes), uma composição turbulenta que beira o abstrato, o movimento decompõe os elementos figurativos em um vórtex.

 

Euforia e melancolia se sobrepõem entre fundos sombrios e disparos de cores elétricas. É o caso de End to an Affair (O Fim de um Caso) e Happy Campers (Campistas Felizes). O artista também explora a teatralidade nessas pinturas, articulando seus personagens como em um palco. Em The Blind Leading the Blind (O Cego Guiando o Cego), dois personagens soturnos caminham em uma procissão, enquanto as outras figuras se mesclam com o fundo.

 

Outras obras da exposição revelam personagens grotescos em cenas absurdas. As narrativas não são o mote ou a razão de ser destas pinturas; são, principalmente, uma maneira de criar conexões entre as figuras que “surgem” ao longo do processo criativo, sempre envoltas pelo vocabulário fantasioso (e muitas vezes sarcástico) do artista. Seu humor peculiar transparece através de títulos como Donkey’s Ride of Shame (O Passeio da Vergonha do Burro) ou Fleeing Gondolas, a Brutal Attack by 8 Legged Birds on Unsuspecting Masses (Gôndolas Fugidias, um Ataque Brutal de 8 Aves com Pernas a Missas Insuspeitas). Lado a lado, é como se as pinturas fossem capítulos de um romance fantástico – uma história repleta de fúria e lirismo -, mas também apontam para a intensa aceleração da visualidade contemporânea refletida no cinema, na TV e nas redes sociais.

 

Gerben Mulder nasceu em Amsterdam, Holanda, em 1972, mas vive e trabalha em Nova York há mais de vinte anos. Ele tem participado de diversas exposições ao redor do globo, entre as quais destacam-se as individuais: Works on Paper, Galerie Frank Taal (Roterdã, Holanda, 2013); The Tucson Work, MOCA – Museum of Contemporary Art in Tucson (Tucson, EUA, 2011); Flowers, Newman Popiashvili Gallery (Nova York, EUA, 2010); Galerie Akinci (Amsterdã, Holanda, 2009); Gallery K4 (Munique, Alemanha, 2009).

 

 

 

De 30 de setembro a 18 de novembro.

Na Galeria do IBEU

21/set

 

Questões domésticas, privadas e da memória são as inspirações da mostra “A intimidade é uma escolha”, da artista visual Maria Fernanda Lucena, que será inaugurada no dia 26 de setembro, na Galeria de Arte IBEU, Jardim Botânico, Rio de Janeiro, RJ. Com curadoria de Cesar Kiraly, a vencedora do Prêmio Novíssimos 2016 apresenta um trabalho instalativo, no qual as paredes são cobertas por tecidos garimpados em diferentes oficinas de estofadores espalhadas pela cidade do Rio de Janeiro. Sobre a malha destes tecidos, através da pintura, são retratadas famílias em seus sofás.

 

Os tecidos escolhidos carregam, em suas marcas, histórias vividas por seus donos no cotidiano particular de cada um, sendo expressões do interesse da artista em retratar questões como a da memória expressa através de objetos herdados e descuidadamente guardados. Para Maria Fernanda, cada casa vai se convertendo em um relicário pessoal que reúne objetos que um dia foram desejados ou úteis, mas que, por algum motivo, não seguiram o processo de descarte.

 

“Gosto de mergulhar nas coisas do universo cotidiano das pessoas, capturar imagens e recolher objetos singelos e diversos como velhos brinquedos, televisores, caixinhas com utilidades esquecidas, vestidos de noiva, frascos de perfume que não cheiram mais, relógios que não marcam mais as horas, tecidos retirados de sofás muito usados, dentre muitas outras coisas”, afirma a artista.

 

“Desejo que este mergulho faça com que as coisas que foram antes vividas se desprendam de seus tempos e espaços de origem para vir a fazer parte de uma nova história onde a mistura de novas vidas e realidades se encontrem e se sentem no mesmo sofá”, completa Maria Fernanda.

 

Na edição de 2016 de Novíssimos, Maria Fernanda Lucena apresentou um conjunto de peças de acrílico que encapsulavam objetos afetivos e da vida doméstica, acompanhando-os de pinturas. De acordo com o curador Cesar Kiraly, há alguma continuidade entre as obras que deram o prêmio à artista e as que compõem a exposição que será inaugurada.

 

“Em uma trajetória já consistente, a artista consegue dar um importante salto de originalidade, aproveitando virtudes e indo além do conforto. “A Intimidade é uma Escolha” aborda a experiência na vida das pessoas, em sugestão, de proximidade não declarada, com a própria vida da artista. Esses personagens não estão mais em um relicário, não há mais asfixia, e sim ampla paisagem de afetos circulando”, analisa Kiraly.

 

 

Sobre a artista

 

Com formação em Indumentária e design de moda, além de diversos cursos da EAV, Parque Lage, Maria Fernanda Lucena se interessa por lugares, personagens, objetos e, sobretudo histórias. Seus trabalhos são caixas de lembranças, relicário de um tempo da vida que alguém viveu. As narrativas propostas nas obras refletem realidade e ficção ao apresentar um alguém, um lugar, um objeto e ela mesma. Ganhou o Prêmio Novíssimos 2016 da Galeria de Arte IBEU, o que lhe rendeu essa exposição individual. Além dessa mostra, a artista já está agendada para uma individual no Museu da República, no RJ, também em 2017. Em 2016 realizou sua 1ª individual na C. Galeria, sob curadoria de Efrain Almeida. Dentre as exposições coletivas e salões que participou estão “Limiares”, Paço Imperial, RJ; “À Deriva do Olhar”, C. Galeria, RJ, “Somos Todos Clarice”, Museu da República (Galeria do Lago), RJ / 2017; SP-ARTE, C. Galeria, SP, “Novíssimos 2016, Galeria de Arte Ibeu, RJ, “Somos todos Clarice”, curadoria de Isabel Sanson Portella, RJ / 2016, “29 de Setembro”, curadoria de Marcelo Campos e Efrain Almeida, Largo das Artes, RJ / 2015;” Visão de Emergência”, curadoria de Marcelo Campos, Galeria Colecionador, RJ; “À Primeira Vista”, curadoria de Brigida Baltar, Efrain Almeida e Marcelo Campos, Galeria Artur Fidalgo, RJ / 2014; 12º Salão Nacional de Arte de Jataí, Museu de Arte Contemporânea de Jataí, Goiânia; 31º SAPLARC, XXXI Salão de Artes Plásticas de Rio Claro, SP – Prêmio de Menção Honrosa/ 2013; 19º Salão de Artes Plásticas de Praia Grande, Palácio das Artes, SP; II Salão dos Analfabetos, Universidade Federal de Santa Maria, RS / 2012.

 

 

Até 27 de outubro.

120 anos de Di Cavalcanti

19/set

Um dos mais importantes artistas do modernismo brasileiro, Emiliano Di Cavalcanti é o tema da mostra retrospectiva na Pinacoteca de São Paulo, museu da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo. “No subúrbio da modernidade – Di Cavalcanti 120 anos” entrou em cartaz no mês em 02 de setembro, mês em que se comemora 120 anos de nascimento do artista. Entre pinturas, desenhos e ilustrações, mais de 200 obras, realizadas ao longo de quase seis décadas de carreira e que hoje pertencem a algumas das mais importantes coleções públicas e particulares do Brasil e de outros países da América Latina, como Uruguai e Argentina.

 

Obras icônicas e outras pouco vistas foram distribuídas em sete salas do primeiro andar da Pina Luz, sob a curadoria de José Augusto Ribeiro. Segundo o pesquisador, a exposição pretende investigar como o artista desenvolve e tenta fixar uma ideia de “arte moderna e brasileira”, além de chamar a atenção para a condição e o sentimento de atraso do Brasil em relação à modernidade europeia no começo do século XX. “Ao mesmo tempo, o título se refere aos lugares que o artista costumava figurar nas suas pinturas e desenhos: os bordeis, os bares, a zona portuária, o mangue, os morros cariocas, as rodas de samba e as festas populares – lugares e situações que, na obra do Di, são representados como espaços de prazer e descanso”, explica Ribeiro. Além da atuação pública de Di Cavalcanti como pintor, a mostra destaca aspectos menos conhecidos de sua trajetória, como as ilustrações e charges para revistas, livros e até mesmo capas de discos. Também foi abordada sua condição de mobilizador cultural e correligionário do Partido Comunista do Brasil (PCB). “Esse engajamento reforça o desejo de transformar o movimento moderno em uma espécie de projeto nacional”, completa Ribeiro.

 

A Pinacoteca prepara um catálogo que reunirá três ensaios inéditos escritos pelos autores José Augusto Ribeiro, curador da mostra, Rafael Cardoso (historiador de arte e do design), e Ana Belluzzo, professora e crítica de arte. O livro trará ainda reproduções das obras apresentadas, uma ampla cronologia ilustrada e um compilado de textos já publicados sobre a trajetória do artista. A exposição tem patrocínio de Banco Bradesco, Sabesp, Ultra, Escritório Mattos Filho e Alexandre Birman.

 

 

Até 22 de janeiro de 2018.

Leda Catunda em Portugal

14/set

As obras presentes na exposição individual de Leda Catunda a partir de 16 de setembro na Kubik Gallery, Porto, Portugal, são essencialmente pinturas-objeto organizadas em várias camadas de tecidos recortados e sobrepostos. Nos tecidos finos e transparentes é possível visualizar imagens e estampas, refletindo naturezas diversas, variando entre abstrações simples e ornamentais e figurações do universo pop, presentes no quotidiano.

 

“As suas imagens de casais amorosos, retiradas da internet e que remetem para situações idílicas, são tão planas quanto as etiquetas e rótulos daquilo que consumiu na sua estadia no Porto. São epítomes de momentos sem densidade, sem história, desterritorializados. É a sua exposição crua e direta, no conforto da “maciez” da forma que as torna perturbadoras, precisamente porque reveladoras de um desconforto provocado pela sobreposição de significados que se anulam. A convergência da sedução visual com a denúncia de platitude vivencial contemporânea cria um potencial eminentemente disruptivo na discursividade destas obras. Obrigam-nos a olhar para além da pele, para o forro mais ou menos desvelado das nossas inquietações, dúvidas e desorientações perante o real”. (*)

 

(*) Retirado de “A Dúvida Orgânica” – texto alusivo à exposição “Leda e a Espessura do Real” de Leda Catunda, autoria de Miguel Von Hafe Pérez.

 

 

Sobre a artista

 

Leda Catunda nasceu em São Paulo em 1961, onde vive e trabalha. Entre suas exposições individuais, destaca-se a mostra “Pinturas Recentes”, no Museu Oscar Niemeyer (Curitiba, 2013) que itinerou para o MAM Rio (Rio de Janeiro, 2013); “Além de Leda Catunda: 1983-2008”, retrospectiva realizada na Estação Pinacoteca (São Paulo, 2009). Uma das expoentes da chamada “Geração 80”, a artista esteve nas antológicas “Como Vai Você, Geração 80?”, Parque Lage (Rio de Janeiro, 1984); e “Pintura como Meio”, MAC-USP (São Paulo, 1983). Sua carreira inclui ainda participações em três Bienais de São Paulo (1994, 1985 e 1983), além da Bienal do Mercosul (Porto Alegre, 2001) e da Bienal de Havana (Cuba, 1984). Sua obra está presente em diversas coleções públicas, como: Instituto Inhotim (Brumadinho); MAM Rio de Janeiro; Fundação ARCO (Madrid, Espanha); Stedelijk Museum (Amsterdam, Holanda); além de Pinacoteca do Estado, MAC-USP, MASP, MAM (todas em São Paulo).

 

Às 18h30min

Performance de Vinicius Massucato, “Um Ciclone Tropical”.

ArtRio 2017

13/set

Começa nesta quarta-feira, dia 13 de setembro a 7ª edição da ArtRio. Estreando em novo local, a Marina da Glória, a feira apresenta novo formato para visitação das galerias, com seus principais programas PANORAMA e VISTA em um mesmo espaço, permitindo uma melhor visualização de todos os estandes. O evento também terá programas especiais curados, como o SOLO, o MIRA e o PALAVRA. A ArtRio vai até domingo, 17 de setembro. Em linha com uma tendência mundial, que cada vez mais privilegia a qualidade e a experiência e não o volume e massificação, a ArtRio apresentará esse ano cerca de 70 galerias, todas aprovadas por seu Comitê de Seleção.

 

“Essa edição da ArtRio vai trazer uma série de mudanças, buscando apresentar uma feira extremamente consistente e madura, em total adequação às demandas do mercado face a um evento desse porte. Teremos mais integração entre os programas e galerias, oferecendo uma melhor visitação e circulação. O novo espaço vai permitir ainda a realização de novos programas curados, que sempre trazem um frescor e novas possibilidades de leitura da arte”, indica Brenda Valansi, presidente da ArtRio.

 

A ArtRio é apresentada pelo Bradesco, através da Lei de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura. O evento tem patrocínio da CIELO e Stella Artois, apoio das marcas Minalba, IRB Brasil RE e Pirelli, e apoio institucional da Estácio, Klabin e High End.

 

 

Seleção das galerias

 

O Comitê de Seleção de 2017 é formado pelos galeristas Alexandre Gabriel (Fortes D’Aloia & Gabriel / SP); Anita Schwartz (Anita Schwartz Galeria de Arte / RJ); Elsa Ravazzolo (A Gentil Carioca / RJ); Eduardo Brandão (Galeria Vermelho / SP) e Max Perlingeiro (Pinakotheke / RJ). As galerias participantes dos programas PANORAMA e VISTA passaram pela aprovação do Comitê, que analisou diversos pontos como relevância em seu mercado de atuação, artistas que representa – com exclusividade ou não -, número de exposições realizadas ao ano e participação em eventos e/ou feiras.

 

 

Programas e galerias

 

PANORAMA

Participam galerias nacionais e estrangeiras com atuação estabelecida no mercado de arte moderna e contemporânea.

 

VISTA

Programa dedicado às galerias mais jovens, que contam com projeto de curadoria experimental. Com foco em arte contemporânea emergente, as galerias desenvolvem propostas artísticas inovadoras especialmente para feira.

 

PANORAMA

A Gentil Carioca – Rio de Janeiro; Almeida & Dale Galeria de Arte – São Paulo; Anita Schwartz Galeria de Arte – Rio de Janeiro; Artur Fidalgo Galeria – Rio de Janeiro; Athena Contemporânea – Rio de Janeiro; Athena Galeria de Arte – Rio de Janeiro; Baró Galeria – São Paulo; Carbono Galeria – São Paulo; Casa Triângulo – São Paulo; Cassia Bomeny Galeria – Rio de Janeiro; Celma Albuquerque – Belo Horizonte; Ceysson & Bénétière – Luxembourg – New York – Saint Etienne – Paris; Fólio – São Paulo; Fortes D´Aloia & Gabriel – São Paulo / Rio de Janeiro; Galeria da Gávea – Rio de Janeiro; Galeria de Arte Ipanema – Rio de Janeiro; Galeria Frente – São Paulo; Galeria Inox – Rio de Janeiro; Galeria Lume – São Paulo; Galeria Marcelo Guarnieri – Rio de Janeiro / São Paulo / Ribeirão Preto.

 

ESTREIA

Galeria Millan – São Paulo; Galeria Murilo Castro – Belo Horizonte; Galeria Nara Roesler – São Paulo / Rio de Janeiro / Nova York; Galeria Sur- Montevidéu / Punta del Este; Hilda Araujo Escritório de Arte – São Paulo; Gustavo Rebello Arte – Rio de Janeiro; Lemos de Sá Galeria de Arte – Nova Lima; Luciana Caravello Arte Contemporânea – Rio de Janeiro; Lurixs: Arte Contemporânea – Rio de Janeiro; Marcia Barrozo do Amaral Galeria de Arte – Rio de Janeiro; Marilia Razuk – São Paulo; Mercedes Viegas Arte Contemporânea – Rio de Janeiro; Movimento Arte Contemporânea – Rio de Janeiro; Mul.ti.plo Espaço Arte – Rio de Janeiro; Other Criteria – Nova York; Paulo Kuczynski Escritório de Arte – São Paulo; Pinakotheke – Rio de Janeiro / São Paulo / Fortaleza; Roberto Alban Galeria – Salvador; Silvia Cintra + Box 4- Rio de Janeiro; Simões de Assis Galeria de Arte – Curitiba; Vermelho – São Paulo; Zipper Galeria – São Paulo.

 

VISTA

55SP – São Paulo – ESTREIA; Boiler Galeria – Curitiba – ESTREIA; Cavalo – Rio de Janeiro; C. Galeria – Rio de Janeiro – ESTREIA; Frameless Gallery – Londres; Gaby Indio da Costa Arte Contemporânea – Rio de Janeiro – ESTREIA; Galeria Superfície – São Paulo – ESTREIA; Martha Pagy Escritório de Arte – Rio de Janeiro; RV Cultura e Arte – Salvador – ESTREIA; Tal Projects – Rio de Janeiro.

 

A editora alemã Taschen terá um estande com seus principais títulos de Arte.

 

 

SOLO

Curadoria da norte-americana Kelly Taxter, co-curadora do Jewish Museum de Nova Iorque. Com o tema Brazilwood, uma mistura de Brazil e Hollywood, a curadora faz um questionamento sobre a liberdade da cultura pop na arte contemporânea frente à diversidade das expressões culturais no mundo globalizado. Kelly Taxter foi indicada pela publicação ArtNet como uma das 25 mulheres atuando em curadoria que mais se destacam no mercado global.

 

White Cube; Marian Goodman; Salon 94; Fortes D´Aloia & Gabriel; Galeria Nara Roesler; Marilia Razuk; Baró Galeria; A Gentil Carioca.

 

 

MIRA

A ArtRio terá este ano um projeto totalmente dedicado a vídeo arte. Será a primeira edição do MIRA, realizado em parceria com a Fundação Iberê Camargo. Bernardo José de Souza, curador residente da Fundação, vai assinar também a curadoria do MIRA. Abaixo, os artistas apresentados no programa: Luiz Roque; Gabriel Abrantes; Ana Vaz; Laura Huertas Millán; Cristiano Lenhard; Anna Franceschini; Tomas Maglione.

“Frauenpower”

12/set

A Galeria Houssein Jarouche, Jardim América, São Paulo, SP, exibe “Frauenpower”, com curadoria de Paulo Azeco e 32 obras de diversos artistas que estão relacionados ao universo da Pop Art, como Andy Warhol, Anna Maria Maiolino, Barbara Wagner, Claudio Tozzi, Ivan Serpa, Marina Abramović, Nelson Leirner, entre outros. A mostra busca resgatar um percurso histórico das representações visuais da mulher, a partir das vanguardas da década de 1960, e discutir a idealização do corpo feminino, a criação de padrões estéticos, considerando os aspectos sociais e antropológicos dessas imagens.

 

Ao longo da década de 1970, a artista austríaca (radicada em NY) Kiki Kogelnik desenvolveu a série “Woman”, na qual formulava críticas sobre a imagem feminina tal qual era retratada na publicidade da época – ora frágil, ora sexualizada -, em trabalhos discretamente feministas, irônicos e com forte carga imagética Pop. Reconhecendo a arte como veículo de significação e comunicação visual, “Frauenpower” – expressão alemã utilizada para designar poder feminino – nasce de uma pesquisa sobre a produção desta artista, no intuito de investigar a figura da mulher e a influência da mídia na construção de um imaginário do corpo feminino.

 

Arquétipo da Vênus de Botticelli, o ideal de beleza e perfeição surge como referência para a construção dos processos de auto-imagem e consequente afirmação e negação. Este conceito é visto nos trabalhos de Marina Abramović, Sandra Gamarra e Lenora de Barros, os quais depositam, na figura da musa, seu contraponto. Além da imagem, o consumo também é abordado, no que se refere à objetivação dos corpos, sexualização e misoginia, além da influência imagética feminina sobre a figura masculina, levando à transcendência de limitações de gênero – como se observa também nas obras de Vânia Toledo, Nan Goldin e Carlos Vergara.

 

Nas palavras do curador Paulo Azeco: “Por fim, não se trata de uma mostra com cunho feminista, e sim uma celebração da força visual da mulher. Entender o encantamento que fez dessa figuração um dos principais temas de toda a História da Arte, analisando um espectro mais profundo que apenas a beleza do retrato”.

 

Artistas: Alex Katz, Allan D’Arcangelo, Andy Warhol, Anna Maria Maiolino, Barbara Wagner, Bob Wolfenson, Carlos Dadorian, Carlos Vergara, Cibelle Cavalli Bastos, Claudia Guimarães, Claudio Tozzi, Delima Medeiros, Ivan Serpa, Kiki Kogelnik, Lenora de Barros, Marina Abramović, Mel Ramos, Nan Goldin, Nelson Leirner, Russel Young, Tracey Emin e Vânia Toledo.

 

 

De 16 de setembro a 18 de novembro

Hilal Sami Hilal na ArtRio

11/set

A Marcia Barrozo do Amaral – Galeria de Arte vai levar este ano somente obras de Hilal Sami Hilal à ArtRio. Hilal vai expor trabalhos em papel artesanal, peças em cobre e duas grandes fotografias. Esta é a terceira vez que a galeria leva somente um artista. Nas vezes anteriores, Ascânio MMM foi o artista contemplado.

 

Um dos trabalhos em exibição é o “Atlas IV”, objeto-livro, da série “Deslocamentos”, iniciada em 2010. Esta obra de 2015 pertence a uma série de trabalhos, que tratam de questões relacionadas ao transitório. Produzida com papel feito à mão, de trapo de algodão e pigmentos, a obra remete à ideia aproximada de que as formas de folhas e nuvens são grandes aquarelas.

 

“O meu objetivo é provocar o desejo de deslocamento no espectador. Quero que ele saia da apatia. É uma convocação com a ideia de provocar pensamentos que dissolvam o estabelecido e os dogmas. Consequentemente novos questionamentos e topologias que se fazem presentes dão a possibilidade de uma experiência física, mental, onírica e matérica”, afirma o artista.

 

Hilal também vai levar cinco peças de cobre, da série “Atlânticos” à ArtRio. Nestas obras, ele registra desenhos com uma caneta especial em placas normalmente utilizadas em circuitos impressos de computador, da espessura de uma folha de papel. O resultado das várias camadas de oxidação oriundas do processo são inúmeras possibilidades de tonalidades de azuis esverdeados.

 

A exposição ainda vai contar com fotos que podem ser associadas a paisagens. São duas peças da série “Terceira margem” impressas em fine art (método de reprodução com o uso de papéis e pigmentos minerais, que garantem qualidade, perfeição nas cores e durabilidade de até 275 anos).

 

Com experiências em oficinas de papel feito à mão no Japão, Sami Hilal desenvolve pesquisa na área desde 1977. Foi professor da Universidade Federal do Espírito Santo, onde criou a oficina de papel artesanal. Começou a trabalhar com cobre nos anos 2000, quando utilizou a técnica do circuito impresso de computador, que é uma derivação da gravura em metal.

Mira Schendel em NY

06/set

“Sarrafos and Black and White Works”, exposição de Mira Schendel na Hauser & Wirth New York, 69th Street, 32 East 69th Street. Mira Schendel “Sarrafos e trabalhos em preto e branco”. Com abertura no dia 07 de setembro, é a primeira exposição focada nas últimas duas séries na carreira de uma figura seminal da arte moderna latino-americana. Organizado com Olivier Renaud-Clément, esta exposição examina as séries de Sarrafos (1987) e Brancos e Pretos de Mira Schendel (1985 – 1987) através de obras que tentam conciliar as práticas de pintura e escultura.

 

Nascida em Zurique, Suíça, em 1919, Mira Schendel foi criada em Milão, Itália, onde realizou estudos em Arte e Filosofia. A partir de 1941, ela foi obrigada a mudar-se entre a Bulgária, a Áustria e a Iugoslávia para evitar a perseguição, finalmente se instalando em São Paulo, Brasil, em 1953. Embora ela estivesse inicialmente envolvida com os movimentos concretos e neo-concretos que surgiram na década de 1950, Schendel rapidamente estabeleceu sua independência, desenvolvendo uma linguagem visual distinta influenciada por seu envolvimento com um círculo de poetas, físicos, filósofos e outros artistas visuais. Enquanto esses pares buscaram uma resposta exclusivamente brasileira ao modernismo europeu, Schendel traçou um curso autônomo, formando sua própria abordagem de abstração e inspirando influências que vão desde a física quântica até a fenomenologia, do Budismo Zen às experiências de deslocamento.

 

A combinação singular de etérea e tangibilidade que caracteriza a arte de Schendel encontra seu clímax na série “Sarrafos e Brancos e Pretos” em exibição na Hauser & Wirth, 69th Street. Os “Sarrafos” são painéis de tempera brancos, cada um cruzado de maneira discreta por uma única barra preta angulada que entra no espaço físico do visualizador, exigindo ser experimentado ao invés de ser visto. Paralelo às vigas transversais fragmentadas, essas barras pretas atuam como gestos de individuação, interrompendo as superfícies monocromáticas das quais se projetam.

 

A série “Sarrafos” compreende um total de doze trabalhos, seis dos quais estão incluídos nesta exposição. Schendel observou que eles foram sua primeira tentativa bem sucedida de “agressividade”, que atribuiu ao impacto do clima sociopolítico em que foram feitos. O Brasil estava então em estado de agitação, com uma recessão econômica e os protestos contra a Ditadura Militar aumentando. Referindo-se à estréia da série em 1987, Schendel explicou: “(Sarrafos) surgiu do momento de falta de determinação e desordem que o Brasil viveu em março deste ano, quando aparentemente estávamos vivendo em um Weimar tropical … E esses trabalhos constituem uma reação à situação de paralisação do momento.

 

Desenvolvido de 1985 a 1987, a série “Brancos e Pretos” de Schendel acaba de preceder a sua “Sarrafos”, na sua ênfase no movimento e no espaço, essas pinturas de tempera e gesso aparecem a uma distância de painéis planos pontuados por arcos e linhas pintadas; mas uma inspeção mais próxima revela pequenas variações de textura que somam sombras e formam sutis relevos escultóricos.

 

A exposição continua com os desenhos relacionados de Schendel e trabalha em papel da década de 1960 até a década de 1980. Entre eles, está “Untitled (série Sarrafinhos)”, um trabalho delicado de quatro partes em papel da década de 1960, com composições que antecipam as rígidas projeções de madeira dos Sarrafos. Também estão à vista os precursores de Brancos e Pretos, uma série sem título de obras em torno de 1986 sobre o papel de arroz japonês – um material que se tornou uma característica da obra de Schendel, dada pela primeira vez pelo crítico de arte e físico brasileiro, Mário Schenberg. Para esses trabalhos, Schendel organizou e coloriu folhas de papel de arroz translúcido para criar planos distintos e monocromáticos, cruzados por marcas negras únicas de lápis de cera.

 

As séries “Aquarelas, Aguadas e Toquinhos” de Schendel iluminam seu fascinante fascínio pelos materiais e suas aplicações técnicas. Em seus tratamentos de tinta e tinta, que vão desde marcas densas e escuras a planos liquefeitos de cor neutra, entre opacidade e transparência, primeiro plano e fundo, desenvolvendo uma gama expressiva que atuaria como forragem criativa nas próximas décadas.

 

“Mira Schendel. Sarrafos e Black and White Works” é organizado com a colaboração da Bergamin & Gomide, São Paulo, e o apoio de colecionadores.

 

 

Até 21 de outubro.