Coleção Fundação Edson Queiroz

24/mar

A Casa França-Brasil, Centro, Rio de Janeiro, RJ, apresenta a exposição “VIRAGENS: arte brasileira em outros diálogos na coleção da Fundação Edson Queiroz”. Construída há mais de três décadas com obras de variados períodos da arte brasileira, esta coleção caracteriza-se por ser uma das mais importantes do país, e encontra-se sediada na Universidade de Fortaleza, no Ceará. Curadoria de João Paulo Quintella, Laura Consendey, Marcelo Campos e Pollyana Quintella e expografia de Helio Eichbauer.

 

A proposta é construir diálogos múltiplos que perpassam alguns capítulos da arte brasileira com obras desde 1913, como a emblemática pintura de Lasar Segall, “Duas amigas”, até os anos 1980. A exposição é constituída por núcleos que apresentam abordagens mais amplas do que os convencionais movimentos e cronologias da história da arte, identificando obras que se relacionam às discussões da forma, aos referenciais da cultura, aos interesses psicológicos e a outros atravessamentos possíveis, observando não só a influência de um artista sobre seus sucessores, mas, antes, as evidências de que arte e sociedade são indissociáveis.

 

Dentre os 43 artistas participantes, constam nomes como Abraham Palatnik, Alfredo Volpi, Amilcar de Castro, Anita Malfatti, Antonio Bandeira, Antonio Gomide, Bruno Giorgi, Candido Portinari, Cícero Dias, Danilo Di Prete, Emiliano Di Cavalcanti, Ernesto de Fiori, Flávio de Carvalho, Frans Krajcberg, Franz Weissmann, Guignard, Hélio Oiticica, Hercules Barsotti, Hermelindo Fiaminghi, Iberê Camargo, Ione Saldanha, Ismael Nery, Ivan Serpa, José Pancetti, Judith Lauand, Lasar Segall, Lothar Charoux, Luiz Sacilotto, Lygia Clark, Maria H. Vieira da Silva, Maria Leontina, Maria Martins, Maurício Nogueira de Lima, Milton Dacosta, Mira Schendel, Rubem Valentim, Samson Flexor, Sérgio Camargo, Sérvulo Esmeraldo, Tomie Ohtake, Vicente do Rego Monteiro, Victor Brecheret e Willys de Castro.

 

A exposição também prevê um ciclo de falas com pesquisadores voltados para as questões da arte moderna brasileira.

 

 

De 25 de março a 25 de junho.

Benjamin em Curitiba

A Simões de Assis Galeria de Arte, Curitiba, PR, abriu a exposição individual do artista Marcos Coelho Benjamim, com apresentação de Guilherme Bueno.

 

 

Benjamin – Tudo está aqui

 

A obra recente de Marcos Coelho Benjamim aglutinou um desdobramento de seus feitos anteriores e um novo passo. Isso não significa ter havido uma “superação” de seus trabalhos realizados até então ou a ruptura com os mesmos; aponta somente para o fato de que certas questões abriram-se para novas abordagens – e nisso, pensamos especificamente no seu trato composicional dos materiais e em suas consequências no entendimento da cor.

 

Característico de seu trabalho pelo menos desde a metade final da década de 1980 é a criação de objetos passíveis de abordarem três frentes: uma primeira em que os campos da pintura e da escultura se mostram intercambiáveis; num segundo caso, eles denotam uma ambivalência entre abstração e figuração, sem, contudo, proporem isso como um dilema ou drama, mas como jogo visual (isto é: como olhamos para uma obra de arte – ou o quê esperamos dela); por fim, na sua capacidade de assimilar simultaneamente uma visualidade “popular” e uma erudita. Exemplificam-nos a série dos Raladores com sua silhueta demarcada e total do suporte (visto que ele não fechava a composição, mas era a forma mesma do trabalho como um todo articulado), a menção a um objeto comum – antes um apelido contingente do que uma descrição, uma legenda ao trabalho – depurada por uma geometria e uma espacialidade pictórica (bidimensional) conjugada a uma plasticidade escultórica (a presença viva da matéria). A paleta terrosa, no seu trato espesso, por sua organicidade, obtinha uma inesperada sensualidade para uma cor quase sempre tratada como tom – uma cor por outros reprimida.

 

Tais colocações, indicativas da parcela de continuidade vista na trajetória do artista, têm sua contrapartida no modo como passam a ser abordadas nos últimos tempos. De imediato, há uma nova paleta em jogo. Benjamim explora cores de uma vibração menos contida; elas decididamente avançam rumo ao espaço. Aqui temos uma interessante comparação: as cores terrosas funcionavam como uma espécie de regulagem entre o quanto a obra tendia a transbordar (por conta de sua textura marcante) ou ter sua área de “influência” e dispersão delimitada ao suporte (dada – perdoe-se o termo – a “frieza” das cores terciárias, a “segurar” a expansão da pintura). A luminosidade média das cores terrosas funcionava como um fiel entre bidimensionalidade do suporte e corporeidade explícita dos materiais. Agora vemo-nos diante de obras cuja luminosidade, ora propelida, ora profunda (e às vezes as duas coisas ao mesmo tempo), optam por uma intercambiável e rica oscilação e vibração do trabalho, algo conquistado paulatinamente pelo seu método de construção.

 

Benjamim persiste em criar obras que não se constroem dentro do suporte, mas com ele. Se o modo disso acontecer anteriormente já foi assinalado, os seus tondi da última década deixam claro como isso tem ocorrido. A forma (e sem querer forçar paralelos, mas apenas sugerir uma analogia) se desenvolve similarmente a certos procedimentos da pintura inicial de Frank Stella, em que uma determinada unidade ou módulo progressivamente se expande. Em Benjamim o tondo também surge a medida em que os arcos metálicos são agregados e conjugados. No entanto, há dentre outras diferenças, uma fundamental – o fato de no artista mineiro tal repetição não ser uma operação programada, mas antes o resultado de escolhas feitas somente no decurso mesmo de realização do objeto. A contraprova está em outras séries que optam por um chassis quadrado, no qual o emaranhado de tiras não replicam o seu perfil, mas que, das pequenas tiras das extremidades às maiores próximas ao centro (onde estão parte dos perfis mais extensos), nele resultam, em uma iridescência luminosa que ora parte, ora proporciona um crescente das bordas para o ápice quase epifânico próximo ao centro do “quadro”.

 

O “emaranhado”, por sua vez, parece fruto de dois problemas: mais uma vez dialogando consigo, o artista encontra aqui uma nova solução para sua investida pictórica por meio de dispositivos escultóricos: as tiras são como linhas desenhadas com objetos reais em um espaço real. Melhor dito, ao invés de desenhar, Benjamim prega uma linha – linha que é também plano e volume. O intervalo entre elas, intensifica, na sua diferença de profundidade, a vibração da cor que, dada variação de ângulos conforme as chapas foram colocadas, obtêm intensidades particulares a partir de uma mesma matriz. Daí o farfalhar vivo e ondulante de algumas peças, como nos quadrados e retângulos, ou o caráter mais grave dos losangos, cujo contraste é acrescido da oposição entre frios e quentes das partes frontais e laterais das lâminas. Resumidamente, Benjamim não se enquadra nem no estereótipo “extremamente mental”, nem no “ingenuamente popular (intuitivo)”, nem no “habilmente formalista”. Sua arte transita entre tudo aquilo que se mostra disponível, cuja validade, porém, se ratifica apenas quando algo faz sentido plástico para ele. Benjamim é um artista honestamente visual: nele, tudo é dito pela maneira como as formas são operadas para dar consecução a um trabalho, cuja validade se traduz em sua aptidão para ser efetivamente autêntico, e não justificar empréstimos formais tomados alhures (sem renegar, contudo, sua amplitude de repertório). A melhor palavra para descrever uma obra sua é presença. A sua verdade está no esplendor e maravilhamento sem culpas ou tergiversações que uma obra de arte pode despertar. Óbvio que não indica nem um método nem um princípio exclusivo como a arte deve ser hoje; outrossim deixa-nos perceber que é uma das inúmeras modalidades autênticas segundo as quais ela pode existir.

 

Resta ainda um aspecto a indicar nisso tudo. Foi dito que Benjamim mostrou-se sempre capaz de entrelaçar uma visualidade popular com aquela outra “erudita”. Esse sempre foi um tema espinhoso, pois abria margem para leituras incompletas e reducionistas do artista. Isso ficava patente na discutível “mineiridade” ancestral e profunda de seu trato com sua invenção (valendo-nos da precisa expressão usada por Olívio Tavares de Araújo ao falar do artista). O princípio de Benjamim não é nem descoberta ingênua e acidental nem a pré-determinação da forma: é acima de tudo a potência de testar os mais discrepantes modos de se chegar a arte. Dito concretamente, é sua generosidade plástica de fazer com que cor, forma e matéria – em um resumo simplista, a tríade inicial de seu processo – lograssem com ele a conjugar uma evidência carnal e matérica dos elementos construtivos, com um esplendor e presença quase “mágicos” que, hoje em dia, apenas a arte (mais verdadeiramente) popular consegue atingir. Seus azuis e violetas têm a potência cativante dos antigos santos, mas são igualmente elementos de um mundo próximo e corriqueiro da cultura visual urbana. O desafio que Benjamim nos oferece é o de ser um artista sem classificações ou molduras. É o desafio da honestidade; simples porque tudo está dito, mas numa plástica generosa e inquiridora de todos os seus horizontes.

Guilherme Bueno

 

 

 

Até 29 de abril.

Alvaro Seixas em Salvador

15/mar

A poesia romântica e o caráter subversivo que marcam as obras de autores como Lord Byron, Marques de Sade e Álvares de Azevedo estão por trás da mostra que o artista carioca Alvaro Seixas apresenta em Salvador a partir do dia 23 de março, abrindo a temporada de exposições de 2017 da Roberto Alban Galeria, em Ondina. O trabalho de Seixas insere-se entre os mais representativos e expressivos da arte contemporânea brasileira, uma produção marcada por imagens abstratas, gestuais ou, como ele prefere situar, por uma “abstração literária”.

 

Intitulada “O Coxo, o Sádico e o Poeta”, a mostra é a primeira individual de Alvaro Seixas em Salvador. Sua obra, contudo, já é bastante reconhecida no país. Doutor em artes visuais pela Escola de Belas Artes da UFRJ, vem se consolidando como um dos artistas mais relevantes da sua geração. Em 2015, ele foi o mais jovem artista selecionado para concorrer em uma das mais importantes premiações brasileiras em artes visuais: o Prêmio Marcantonio Vilaça. Além disso, sua obra integra importantes coleções particulares, com trabalhos adquiridos recentemente pelo MAR (Museu de Arte do Rio) e pela importante Alex Katz Foundation, nos Estados Unidos. Dentre suas exposições recentes se destaca a X Bienal do Mercosul, Porto Alegre, 2015.

 

“A série de pinturas que apresentarei em Salvador pode ser “conceitualizada” como abstrata, gestual e outros termos familiares, mas eu gosto de pensar em uma outra ideia, a da “abstração literária”, uma vez que meu modo de pintar passou a admitir não apenas elementos do vocabulário das artes visuais, mas da literatura e da poesia, em particular da poesia romântica byronista e da literatura de Sade: suas contradições, fantasias e caráter subversivo”, justifica Alvaro Seixas.

 

Para ele, a academia acaba muito integrada à sua forma de trabalhar porque “ela deve ser um espaço pulsante, justamente para não corrermos o risco de reproduzirmos um novo “academicismo”, ou seja, cheio de regras de como ser um artista contemporâneo(…) Eu procuro sempre “puxar o meu tapete” quando estou dando aula ou pintando um quadro: considero a perplexidade um objetivo louvável do fazer artístico, seja sobre uma tela de pintura ou no âmbito de uma universidade”.

 

Nesse sentido, na exposição da Roberto Alban Galeria, Seixas disse ter buscado inspiração na persona e na obra de um autor não tão debatido nas universidades de artes plásticas brasileiras: Lord Byron. “Quando lemos uma poesia do Byron muitas vezes a cor de fundo é algo a ser decifrado ou inventado. Quando me proponho e decifrar uma obra complexa como “Don Juan”, em campos e rabiscos de cores, estou jogando com a maneira que o expectador ou observador lida com a pintura em contraste com a poesia”, explica.

 

Nas telas de Alvaro Seixas que serão expostas em Salvador, chama a atenção o uso que o artista faz das cores, que surgem de forma viva, com função de “criar contrastes visuais e teóricos, servindo também para seduzir e confundir o expectador”. Nessa profusão cromática, o artista estabelece um rico diálogo entre materiais tradicionais, como a tinta a óleo, e as tintas spray neon e estruturas metálicas pré-fabricadas. “O spray neon é uma paleta industrial de tempos recentes, cada vez mais popular. É a tinta que encontro tanto na loja de materiais de construção do lado do meu ateliê como também numa loja de street wear cool de Botafogo e do Leblon. Misturar esses universos: azul da Prússia e rosa neon, por exemplo, é fazer um jogo metafórico e narrativo com os materiais – a matéria tem a sua própria história para contar e mesclar essa história com a vida de figuras tão impressionantes como Byron, Azevedo e Sade me pareceu um grande e cativante desafio”.

 

O texto de apresentação da mostra é do crítico e curador Felipe Scovino, que ressalta que o caráter pensante da obra de Alvaro Seixas se traduz na sua capacidade de trabalhar conjuntamente a narrativa dos três poetas escolhidos: Lord Byron (o coxo), Sade (o sádico) e Álvares de Azevedo (o poeta). “Esses personagens e suas motivações contaminam e alimentam nesse momento a obra de Alvaro Seixas”, afirma Scovino, para quem o artista “não tem medo do ridículo, pois ele ridiculariza a si próprio antes de mais nada. É por essa atmosfera e personagens que tem o desejo, nas suas mais diversas ambições, o amor, a libido e a paixão violentamente expostas que a sua mostra segue”.

 
De 24 de março a 23 de abril.

Rubem Valentim em Brasília

14/mar

Chama-se “Rubem Valentim Construção e Fé”, a mostra na Caixa Cultural, Brasília, DF, com curadoria de Marcus de Lontra Costa. A exposição exibe pinturas, relevos e esculturas do artista baiano Rubem Valentim. Suas obras sintetizam em formas geométricas as simbologias místicas de matriz africana e se destacam na arte moderna construtivista e concretista brasileira. Um artista vanguardista que, ao residir em Brasília na década de 1960, incorpora de forma única a tridimensionalidade à sua obra.

 

 

De 15 de março a 28 de maio.

12 Contemporâneos 

13/mar

A CAIXA Cultural, Galeria 1, 

 

Centro, Rio de Janeiro, RJ, recebe, de 18 de março a 14 de maio, a exposição coletiva “PINTURA (Diálogo de artistas)”, através de doze trabalhos de doze artistas diferentes, selecionados e dispostos de maneira que a unidade da mostra se dá pela investigação pictórica de cada participante e não pelo diálogo entre as obras. O projeto aposta na diversidade de pesquisas genuínas de pintura utilizando ora a tela e seus meios tradicionais, ora experimentações para ampliar o questionamento sobre as possibilidades da arte no tempo presente. O projeto tem patrocínio da CAIXA Econômica Federal e Governo Federal.

 

 

A proposta de diversidade reuniu artistas como os portugueses Rui Macedo e Ema M; o vencedor do prêmio PIPA Online 2014, Paulo Nimer PJota; além de Hugo Houayek, James Kudo, Pedro Varela, Rafael Alonso, Vânia Mignone, Zalinda Cartaxo, Alvaro Seixas, Elvis Almeida e Willian Santos.

 

 

No espaço expositivo, partindo do pressuposto de que toda exposição de artes visuais toma forma como um diálogo entre artistas, para construir essa discussão, decidiu-se afastar as possíveis semelhanças entre as obras, como suporte e técnicas, ao invés de aproximá-las. Acompanhado de um pequeno texto escrito por cada artista, cada trabalho pode expressar o entendimento próprio de seu criador sobre pintura.

 

 

Da mesma forma, a seleção de artistas esteve intimamente relacionada com as diferentes visões individuais sobre a pintura a partir de suas qualidades originais e essenciais. Não houve preferência por nenhum tipo de abordagem ou material. Assim, o público encontrará trabalhos em óleo, acrílicas, objetos em gesso e instalações.

 

 

Como parte da programação da mostra, haverá uma palestra sobre a pintura e seus desdobramentos com os convidados Fernanda Lopes, Ivair Reinaldin e Raphael Fonseca.

 

A palestra ocorre no dia 15 de abril, às 17h, no Cinema 1 da CAIXA Cultural Rio de Janeiro, com entrada fraca. Os ingressos serão distribuídos uma hora antes na bilheteria do espaço.

 

 

 

Sobre os artistas

 

 

Alvaro Seixas

 

Nascido em Niterói, em seus trabalhos mais conhecidos, Alvaro Seixas explora as ideias de “pintura”, “abstração” e “apropriação” e como esses conceitos se relacionam com o panorama artístico-cultural atual. Recentemente, o artista tem incluído, em seus desenhos e pinturas, palavras e textos, valendo-se de sua força narrativa, teórica e crítica, mas sem deixar de encará-los como valiosos elementos plásticos e sensíveis. Dentre suas exposições recentes destacam-se a coletiva Ornamentos (2013), na Galeria A Gentil Carioca, no Rio de Janeiro; a individual Paintbrush (2015), na Galeria Mercedes Viegas Arte Contemporânea, também no Rio; a coletiva Pequenas Pinturas (2016), no espaço Auroras, em São Paulo (2016). Em 2015 foi o mais jovem artista selecionado para concorrer à quinta edição do Prêmio CNI-SESI Marcantonio Vilaça para as Artes Plásticas e integrou a mostra coletiva por ocasião da premiação no MAC-USP. Em 2011, publicou o livro Sobre o Vago: Indefinições na Produção Artística Contemporânea e, em 2013, Palácio. Possui obras em diversas coleções particulares, destacando-se a Coleção Diógenes Paixão (Rio de Janeiro). Recentemente, uma série de seus desenhos passou a integrar a coleção do Museu de Arte do Rio (MAR). Alvaro é, ainda, editor da The Melting Painter Magazine TM, uma revista digital independente. Seu tema é exclusivamente a pintura, tendo a cada edição diversos pintores brasileiros como colaboradores.

 

 

 

Elvis Almeida

 

Nascido no Rio de Janeiro, Elvis Almeida é graduado em gravura pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Estudou, ainda, serigrafia na Escola de Artes Visuais do Parque Lage e História da Arte na Rede Maré (Rio de Janeiro, RJ). Recebeu bolsa da Incubadora Furnas Sociocultural para Talentos Artísticos (2007), o Prêmio Categoria Grafite do 47º Salão de Artes Plásticas de Pernambuco (2008) e bolsa Interações Florestais da Terra UNA (2011). Realizou sua primeira individual na Galeria Amarelonegro (Rio de Janeiro, RJ), em 2010 e participou de mostras em São Paulo, Rio de Janeiro, Pará e EUA. Indicado ao Prêmio Pipa 2016.

 

 

Ema M

 

Portuguesa, Ema M é o pseudônimo artístico de Margarida Penetra Prieto. A artista é doutoranda em Artes Plásticas e promove exposições individuais e coletivas em Portugal desde 1999. Tem participado como ilustradora em publicações e livros dedicados, principalmente, a crianças. EMA M está representada em coleções particulares e institucionais, em Portugal, Espanha e França. No Brasil a artista já participou de exposições no Centro Cultural Oi Futuro (RJ), no Museu do Trabalho (RS) e na galeria Amarelonegro (RJ).

 

 

 

Hugo Houayek

 

Doutorando na Linha de Linguagens Visuais no programa de pós-graduação em Artes Visuais da Escola de Belas Artes da UFRJ. Tem experiência na área de Artes, com ênfase em pintura, atuando principalmente nos seguintes temas: arte contemporânea, pintura, arte e história da arte. Possui experiência com curadoria e produção de exposições, edição e publicação de livros. Atua também como professor em cursos de artes visuais. Expõe regularmente desde 2002, além de possuir 2 livros publicados.

 

 

 

James Kudo 

 

Graduou-se em design gráfico pela Faculdade de Belas Artes em 1989. Morou em Nova York, de 1992 a 1994, onde estudou pintura abstrata na Art Student League, orientado pelo professor Bruce Dorfman. Trabalhou como pattern designer no escritório de arquitetura Diamond & Baratta. O artista a “topofilia” como tema principal de seu trabalho e busca lembranças da cidade natal, Pereira Barreto, que foi coberta parcialmente por água decorrente da construção de uma usina hidrelétrica. Kudo tem obras expostas no Museu de Arte Contemporanea (MAC) de São Paulo, na Pinacoteca do Estado de SP, no Miura Museum Matsuyama e outros. Entre as exposições individuais, destacam-se Topofilia, na Galeria Zipper e Telurica, na Galeria Laura Marsiaj. Entre as coletivas, destacam-se:Expeditionen in ästhetik und nachhaltigkeit, no Memorial America Latina, em São Paulo; Espelho Refletido, no Centro de Artes Helio Oiticica, no Rio de Janeiro; Entre Hemisferios, na Gunter Braunsberg Galerie, em Nuremberg, Alemanha e Today, no Museu Miura, em Matsuyama, no Japão.

 

 

Pedro Varela 

 

Graduado em Gravura pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro em 2005, foi bolsista do programa de iniciação cientifica pelo CNPq com a pesquisa: “A Pintura dos anos 80 no Brasil e seus desdobramentos”, orientado pela professora Angela Ancora da Luz e co-orientado pelos professores Júlio Sekiguichi e Lourdes Barreto. Entre 2001 e 2006 participou de cursos na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, entre eles Arte e Filosofia, Pintura II e Arte Hoje. Participou também dos 33º, 35º, 36º e 37º Festivais de inverno da UFMG. Seus trabalhos podem ser encontrados em coleções do MAR (Museu de Arte do Rio), do Museu de Arte Moderna (MAM), também no Rio de Janeiro; na Coleção Gilberto Chateaubriand, em Montblanc, no Mexico; no SESC Brasil e na Sprint Nextel Art Collection.

 

 

 

P Jota

 

Vencedor do PIPA Online 2014, Paulo Nimer “PJota” vive e trabalha em São Paulo. Seus trabalhos carregam uma seleção de imagens, cores, símbolos e suportes que dialogam com princípios socioculturais emergentes, vasculhando entre paredes estreitas pelas relações entre cultura e sobrevivência e como isso se aplica na estética e na vida destes locais. Entre suas mais recentes exposições coletivas, destacam-se Synthesis between contradictory ideas and the plurality of the object as image II, em Maureen Paley (Londres); Synthesis between contradictory ideas and the plurality of the object as image I, na Mendes Wood DM (São Paulo); New Shamans/Novos Xamãs: Brazilian Artists, na Rubell Family Collection (Miami) e Beyond the cartoon, em Artuner (Nova Iorque).

 

 

 

Rafael Alonso 

 

Objetos, instalações e pinturas compõem o universo produtivo de Rafael Alonso. O artista é formado e mestre pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde foi professor entre 2009 e 2010. Entre as exposições mais recentes, destacam-se as individuais Torto e Panorama, ambas no Rio de Janeiro, e Calça de Ginástica, em Curitiba. O artista também já participou de inúmeras coletivas, como Atlas Abstrato, no Centro Cultural São Paulo, Alster Kunst Salon, em Hamburgo, e Cariocas, na Maison Folie Wazemmes.

 

 

 

Rui Macedo 

 

Nascido em Portugal, Rui Macedo já foi contemplado com bolsas de apoio de instituições como a Fundação Calouste Gulbenkian e a Promoción del Arte. Entre as exposições individuais, destacam-se: La totalidad imposible (Espanha), Memorabilia (Portugal) e In situ – carta de intenções (MAC de Niterói).  Em 2017, o trabalho do artista estará presente em exposições no Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul e na Fundação Millenium BCP (Portugal). No Brasil o artista já participou de exposições no Museu da República (RJ), no Museu Nacional do Complexo Cultural da República (DF), no MAC Niteroi (RJ), na galeria Amarelonegro (RJ) e ainda tem participação confirmada em uma exposição agendada para 2017, no Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul.

 

 

 

Vânia Mignone 

 

Nascida em Campinas, Vânia Mignone é formada em Artes Plásticas pela UNICAMP e em Publicidade pela  PUC Campinas. A partir da década de 1990, envolveu-se com pintura e desenho, duas vertentes que se conjugam em sua obra desde então. O eixo central de sua pintura é a narrativa, que se constrói a partir de figuras, palavras e objetos equilibrados sem hierarquias no plano da tela. A artista faz uso despojado de um repertório de personagens, artefatos e artifícios mundanos. Já teve seus trabalhos expostos na Casa Triângulo (São Paulo), na Galeria Mercedes Viegas (Rio de Janeiro) e no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo.

 

 

 

Willian Santos 

 

Graduado Bacharel em Artes Visuais com Ênfase em Computação Gráfica pela Universidade Tuiuti do Paraná. Envolve em suas obras a história da arte como matéria prima para analogias com o raciocínio de realidade ampliada abordada pela tecnologia. Com afinco na investigação, na manufatura e no desenvolvimento destes e outros conceitos em torno da pintura, a história se refaz aspirando suas relações de “presentidade”, onde o real, os símbolos e os ícones nos são indagados por suas energias capciosas. Num processo de cordialidade, o artista está intencionado a desenvolver experiências que fomentam um público desperto. Destaca-se, entre as suas últimas atividades, a premiação no 19º Edital de Incentivo à Produção Chico Lisboa no MARGS – Museu de Arte do Rio Grande do Sul, em 2016. Em 2015, as exposições coletivas LIMIAR, na Sim Galeria; Aí estão elas que se diz já foram e nunca faltam, na Galeria Casa Imagem, em Curitiba; e 40º SARP – Salão de Arte de Ribeirão Preto, no MARP.

 

 

 

Zalinda Cartaxo 

 

Como artista, o trabalho de Zalinda Cartaxo está voltado para a reflexão das possibilidades da pintura. A partir do conceito de pintura, a artista pensa a mesma como conceito. Os doutorados que realizou, ambos em artes, viabilizaram o exercício da conciliação entre o pensamento e a prática. É doutora em Artes Visuais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e em Artes pela Universidade de São Paulo (USP). Também realizou pós-doutorado na Faculdade de Belas-Artes do Porto (FBA), em Portugal. É professora adjunta na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNI-RIO), onde faz parte do corpo docente do Programa de Pós-graduação em Artes Cênicas (PPGAC) como professora colaboradora.  Também é autora, tendo publicado o livro Pintura em Distensão.

 

 

De 18 de março a 14 de maio.

Legendas: Rui Macedo

Vânia Mignone

Marcelo Lange na Verve Galeria

10/mar

A Verve Galeria, Jardim Paulista, São Paulo, SP, abrirá, em 16 de marco, “Substantivo Abstrato”, exposição individual de Marcelo Lange com curadoria de Ian Duarte Lucas. O termo “substantivo abstrato” é aquele quedesigna seres que dependem de outros para se manifestar ou existir e, nesse caso, os trabalhos estão diretamente relacionados com as interferências humanas, transformando a matéria básica a partir dessa ação, contemplando o efeito proposto pelo artista.

 

O conceito diretor da mostra tem como pilar principal uma definição em que a “arte não é 100% pura”; seu resultado final é o de todas as intervenções externas provocadas pelo artista e outros elementos por ele selecionados. Como define Ian Duarte Lucas, “o artista plástico explora técnicas e processos não convencionais na produção de suas obras. Trabalhando no campo da abstração, a série inédita de pinturas em que comunica a expressão do mundo interior e as inúmeras interferências do ser humano e da arte no contexto contemporâneo. ”

 

A abstração para Marcelo Lange já se destaca durante seu processo de pintura. Não há limitação em tonalidades ou combinações pictóricas; elas nascem conforme as sensações e sentimentos do artista, gerando uma ampla combinação de cores. O artista pouco se utiliza do pincel, preferindo jogar tinta na tela e espalha-la com a mão, criando assim uma maior proximidade e intimidade táctil com as obras.

 

A expressão dos significados trocados para a melhor forma como são observados é o mote dessa exposição, que abarca toda a história decorrente das transformações que vem ocorrendo no mundo. O próprio artista declara que busca ampliar a diversidade de materiais e técnicas utilizadas para ir ao encontro da poética escolhida.

 

 

Sobre o artista 

 

Natural de São Paulo, Marcelo Lange é bacharelado em economia e psicologia e atua no mercado financeiro desde 1991. Iniciou sua carreira artística com algumas pinturas no ano de 2003 e fotografa desde 2015, mas só entrou de fato no circuito das artes em maio de 2016, com sua primeira exposição individual na Galeria Lordello e Gobbi, sob a curadoria de Deyse Peccinini. Depois, em dezembro do mesmo ano, participou da exposição coletiva na Art Lab Gallery, com curadoria de Marcia Goldstein. Agora, exibe seus trabalhos pela primeira vez na Verve Galeria, com a mostra individual, Substantivo Abstrato.

 

 

De 16 de março a 16 de abril.

Leonilson: arquivo e memória vivos

08/mar

A Fundação Edson Queiroz, Fortaleza, CE, apresenta, a exposição “Leonilson: arquivo e memória vivos”, no Espaço Cultural Unifor. Organizada pelo Projeto Leonilson, mantido por familiares e amigos do artista cearense, e pela Fundação Edson Queiroz, a mostra, de cerca de 120 obras de José Leonilson Bezerra Dias, conta com generosa seleção de trabalhos do artista, incluindo obras inéditas. A curadoria é de Ricardo Resende, atual curador do Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea, do Rio de Janeiro, e a produção executiva da Base7 Projetos Culturais, de São Paulo, que tem reconhecida expertise na área museológica.

 

“A exposição “Leonilson: arquivo e memória vivos” tem o diferencial de apresentar um grande número de obras inéditas e de traçar uma retrospectiva do artista, reforçando o caráter pedagógico e de formação de público para as artes das mostras realizadas na Universidade de Fortaleza. Esta exposição vai ao encontro da publicação do catálogo raisonné de Leonilson, também realizada pela Fundação Edson Queiroz, no ano em que celebraríamos 60 anos do nascimento desse grande artista cearense”, destaca o vice-reitor de Extensão da Unifor, professor Randal Pompeu.

 

Além do ineditismo de várias obras, a exposição vai inaugurar a ampliação do Espaço Cultural Unifor, que terá sua área acrescida em 539 m2, e terá ainda como atrativo especial o lançamento do catálogo raisonné de Leonilson, patrocinado pela Fundação Edson Queiroz e fruto de 24 anos de pesquisa. Editor do catálogo, Ricardo Resende informa que a publicação, de cerca de 1.000 páginas, distribuídas em três livros, reúne todas as obras de Leonilson, divididas em cerca de 3.500 registros catalográficos, constituindo-se no primeiro catálogo raisonné de artista contemporâneo do Brasil. “Por todos esses motivos, acredito que a exposição será um grande sucesso”, ressalta Ricardo Resende.

 

A exposição tem caráter retrospectivo. Segundo o curador Ricardo Resende, “a mostra não poderia deixar de trazer de forma generosa para o público os trabalhos inéditos e as ‘chaves’ para o que se considera a composição dessa obra expressa por meio dos signos que representam as emoções humanas, dos fragmentos da condição humana e dos dilemas do homem comum, traduzidos em palavras e números”.

 

Para esta exposição, a curadoria indicou obras de acervos de diversas instituições do Rio de Janeiro, São Paulo e Ceará, como a Fundação Edson Queiroz e o Museu de Arte Contemporânea (MAC), do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, de Fortaleza, além de coleções de colecionadores particulares.

 

 

 

Sobre o artista

 

O pintor, desenhista e escultor José Leonilson Bezerra Dias nasceu em Fortaleza, em 1957, e faleceu em São Paulo, em 1993. Em 1961, mudou-se com a família para São Paulo e logo cedo começou a demonstrar o seu interesse pela arte. Fez cursos livres na Escola Panamericana de Arte e depois ingressou no curso de Artes Plásticas da Fundação Armando Álvares Penteado, deixando-o incompleto, para iniciar sua trajetória composta de muitas viagens e se tornar um dos grandes expoentes da arte brasileira contemporânea. Na década de 1980, fez parte do grupo de artistas que lidera a retomada do “prazer” da pintura, conhecido como Geração 80. Participou de diversas mostras no Brasil e no exterior, incluindo Bienais em São Paulo e Paris. Foi nos primeiros anos da década de 1990 que o artista firmou-se como um dos destaques no panorama cultural brasileiro, com uma obra singular e autobiográfica. O artista faleceu jovem, deixando cerca de 4.000 obras, além de múltiplo acervo documental. Sua produção é considerada por críticos brasileiros e internacionais de grande valor conceitual para a História da Arte no Brasil, sendo o retrato autêntico e incansável de uma geração e, que por abordar questões cruciais inerentes à subjetividade humana, se faz capaz de gerar identificação e diálogo universal.

 

 

Visitação: De 14 de março a 09 de julho.

Mamute, ano cinco

25/fev

A Galeria Mamute, Centro Histórico, Porto Alegre, RS, anuncia a abertura da exposição “Do Abismo e Outras Distâncias”, no dia 09 de março, a partir das 20hs, em comemoração ao seu quinto ano de atividades profissionais. A mostra, tem curadoria de Bruna Fetter e reúne obras dos 18 artistas representados, dentre os quais Antônio Augusto Bueno, Bruno Borne, Claudia Barbisan, Claudia Hamerski, Clovis Martins Costa, Emanuel Monteiro, Fernanda Gassen, Frantz, Hugo Fortes, Marília Bianchini, Pablo Ferretti e Sandra Rey.

 

 

A palavra da curadoria

 

Do Abismo e Outras Distâncias

 

Em um cenário social e político no qual parece cada vez mais difícil a convivência entre opiniões e crenças distintas, a internet e as redes sociais têm sido um fórum que – mais do que permitir a exposição, a difusão e o amplo debate de ideias – vêm aprofundando as distâncias entre diferentes pontos de vista. Ao invés de ampliar suas visões de mundo através do acesso praticamente irrestrito à informação, as pessoas tendem a viver cada vez mais dentro de seus universos pessoais, ou bolhas, como chamamos comumente. À facilidade de um mero clique, laços virtuais e reais são desfeitos. Familiares deixam de se falar. Colegas de trabalho cortam relações para além das estritamente necessárias. Vizinhos passam a implicar (ainda mais) entre si. Amizades de infância são desfeitas. Com alguns outros cliques fornecemos informações sobre preferências ideológicas à grande matrix que, se valendo de algoritmos, traça nosso perfil e passa a oferecer aquilo que nos é confortável e corrobora nossas verdades. A opinião subjetiva e individual passa a ser a verdade disponível, e não aceitamos nada além dela.
Nesse contexto, no qual ‘pós-verdade’ foi escolhida a palavra do ano de 2016 pelo dicionário Oxford, falta tolerância para com a diferença. Segundo a definição apresentada pelo dicionário, o adjetivo faz referência a ‘circunstâncias em que os fatos objetivos têm menos influência na formação de opinião pública do que apelos emocionais e opiniões pessoais’. Os editores esclarecem: no termo, o prefixo ‘pós’ não é utilizado como referência a um acontecimento passado (como em pós-guerra), mas sim para salientar a rejeição ou irrelevância do conceito precedido. Como no caso em que notícias falaciosas são compartilhadas milhares de vezes mesmo que seus disseminadores estejam cientes de sua carga de inverdade. Para quem viraliza as supostas notícias, não importa que dados concretos e informações comprovadas atestem a não veracidade de tais declarações, apenas que sua reverberação reifique suas próprias crenças. Uma versão de Maquiavel 3.0 para justificar os meios em função dos fins.
Para além da falta de respeito, há uma escassez generalizada de empatia. Em um mundo no qual as minorias estão cada vez mais cientes da relevância de reforçar seu lugar de fala e de garantir que suas vozes sejam amplificadas, irônica e paradoxalmente há uma surdez coletiva para a diferença se aprofundando. Tal surdez possui uma estética própria: a estética dos muros de separação, das barreiras de contenção, das fronteiras que, aos poucos, se convertem em abismos.
Refletindo a respeito dessas questões e do papel da arte em tempos tão conturbados, Do Abismo e outras distâncias celebra os cinco anos de vida, projetos e proposições da galeria Mamute. A partir de uma seleção de trabalhos – em sua grande maioria inéditos -, a mostra se propõe a lidar com a diferença, com o ruído, e a nos fazer olhar para as distâncias existentes, sejam elas realidades ínfimas, ou metáforas abissais. Trazendo obras de todos os artistas representados pela galeria, a mostra questiona os gritos e os silêncios, as tensões e os embates da vida contemporânea, propondo aproximações dialógicas entre obras de poéticas bastante distintas.
Essas aproximações aparecem na mostra calibrando as ‘outras distâncias’ presentes no título, em encontros ora delicados, ora tensos. Como uma corda que, por proximidade física, vibra junto com outra mesmo sem ter sido tocada, a ideia aqui é acionar tensões poéticas que nos permitam fazer conexões simbólicas para além do dito e do desdito. Talvez seja utópico pensar que a arte tenha capacidade para derrubar barreiras e permitir nos aproximarmos uns dos outros com menos defesas. Mas talvez ela possa, pela via do sensível, nos ajudar a reconhecer e experienciar aquilo que mal cabe em palavras, tornando o diferente menos distante.
Bruna Fetter

“Enquanto houver o amanhã/ Creia na Felicidade”

19/fev

Galeria Marcelo Guarnieri, Jardins, São Paulo, SP, inaugura exposição de esculturas e pinturas de Rogério Degaki. O artista criou esculturas, a partir de referências – verdadeiras reminiscências pessoais – como as fantasias dos personagens de desenhos animados de sua predileção na infância. Para a exposição na unidade São Paulo, destacam-se as principais fases de sua produção artística, com foco para as peças produzidas entre os anos de 2011 e 2013, e pinturas executadas em 2005.

 
O título da mostra, “Enquanto houver o amanhã/ Creia na Felicidade”, é uma tradução da letra da música japonesa “ASU TO IU HI GA ARU KAGIRI / SHIAWASE WO SHINJITE”, cantada em diversas versões e diferentes intérpretes. Como frequentador dos tradicionais karaokês de SP, Rogério, que possui ascendência nipo-brasileira, cantava, em suas horas de lazer, a versão do cantor Akikawa Masafumi. Da ligação de memória afetiva e pessoal, o artista constrói um universo lúdico, reafirmando o caráter pop de seus recentes trabalhos, que dialogam com as propostas de artistas contemporâneos como Jeff Koons e Takashi Murakami.

 
Nas esculturas, Degaki continua o exercício iniciado há dez anos em sua trajetória, de criar objetos que fazem parte do cotidiano, com elementos de humor e ironia, em esculturas de isopor, que recebe acabamento com fibra de vidro, resina plástica e a valiosa finalização com pintura automotiva. Na obra “Co-op”, de 2012, a construção da peça com figuras de cabeça grande e corpo pequeno, remete ao imaginário atual das simulações computadorizadas e da tecnologia 3D. Parte das peças e das pinturas de “Enquanto houver o amanhã/ Creia na Felicidade”, são inéditas, e outras foram expostas em ocasiões como o 17º Cultura Inglesa Festival, no Centro Britânico Brasileiro, no ano de 2013, e na individual “Your princess is in another castle”, na unidade Ribeirão Preto da Galeria Marcelo Guarnieri, em 2012.

 

 

Sobre o artista

 

Rogério Degaki (1974- 2013), bacharel em Artes Plásticas pela Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP) em 2000, participou de exposições coletivas em importantes museus, como o Yerba Buena Center for the Arts-San Francisco (EUA), MOT-Museum Of Art-Tokyo (JP), Museum of Contemporary Art-Hiroshima (JP) e Museu de Arte Moderna de São Paulo (BR).

 

De 18 de fevereiro a 18 de março.

A Natureza observada

16/fev

Na exposição “O SOPRO DA NATUREZA”, que ocupa o Centro Cultural Correios, Centro, Rio de Janeiro, RJ, os artistas franceses Guillaine Querrien e François Houtin partem do regitro de elementos da natureza e paisagens incorporados às técnicas de gravura, pintura e desenho. Em comum, a nacionalidade e o tema de inspiração para suas criações.

 

Pintora e escritora, Guillaine Querrien vive há trinta anos entre o Brasil e a França, tendo desenvolvido seus trabalhos em contato com a natureza brasileira, combinando a abstração e a figuração a partir de estruturas vegetais orgânicas, a paisagem e a fluidez dos movimentos de rios e marés que ela se apropria em sua pintura a óleo e pastéis.

 

 

A palavra da artista

 

O que busco, nessas pinturas, é capturar intimamente lugares que conheço muito bem, onde já estive incontáveis vezes. Minha relação com essas paisagens continua viva, todavia. Não há tédio algum no meu olhar! Ao contrário… A cada vez enxergo mais coisas, e então persigo as novas visões que surgem das ‘velhas’ paisagens,  afirma Guillaine.

 

François Houtin, gravador e desenhista, apresenta o resultado de obras realizadas durante uma residência artística que durou três semanas no Rio de Janeiro, numa explosão que retrata toda a exuberância da vegetação e luz inspirada no Parque Lage e no Jardim Botânico, além de outras paisagens cariocas.

 

 

A palavra do artista

 

Meu trabalho nessa exposição representa tudo o que eu amo. Uma vegetação que não conhecia antes de vir ao Rio. Tive um grande choque! As belas e sábias árvores da Europa… Enquanto aqui, por toda parte, é a exuberância, o gigantismo, riqueza de cores, de formas! E o formidável corpo a corpo entre natureza e concreto, avalia, empolgado, François.

A exposição conta com o apoio do Instituto Francês e da Aliança Francesa do Rio de Janeiro.

 

De 08 de março a 14 de maio.