Exposição individual de Anna Maria Maiolino.

24/set

A galeria Luisa Strina, Cerqueira César, São Paulo, SP, exibe obras inéditas da artista ítalo-brasileira Anna Maria Maiolino.

Premiada com o Leão de Ouro pelo conjunto da obra, a artista exibe esculturas em cerâmica e vidro, desenhos e telas na mostra “Presença”, que ganhou esse nome justamente pela diversidade de sua produção artística e do uso de diferentes técnicas e materiais.

A galeria Luisa Strina abriu a exposição “Presença”, com cerca de 25 obras inéditas de Anna Maria Maiolino, uma das mais influentes no cenário contemporâneo. Com texto crítico de Lotte Johnson, curadora do Barbican Centre, em Londres, a mostra, que está em exibição na Sala 2, apresenta a diversidade da produção da artista e do uso de diferentes técnicas e materiais.

A Galeria Luisa Strina, foi fundada pela colecionadora de arte Luisa Malzone Strina. A galeria principal e seu anexo ficam em São Paulo, Brasil. É a mais antiga galeria de arte de arte contemporânea no Brasil.

Acervos preservados por museus.

Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, Parque do Ibirapuera São Paulo, SP, inaugura “Nzo – Memórias Afro-brasileiras”, primeira exposição da Rede de Acervos Afro-brasileiros.

A mostra reúne mais de 150 obras e registros de diferentes regiões do país, entre esculturas, pinturas, objetos sagrados, vestimentas, discos, músicas, vídeos e fotografias. São acervos preservados por museus, arquivos, comunidades tradicionais, quilombos, terreiros, pontos de memória e outras iniciativas.

“Nzo” significa “casa” em kikongo e, nos candomblés de tradição Angola, também dá nome à casa de culto, espaço de convivência, pertencimento e transmissão de saberes. É a partir dessa ideia que a exposição fala de memória, ancestralidade, identidade, festas e resistência.

A mostra foi construída em um processo de curadoria compartilhada pela própria Rede, com coordenação curatorial de Gabrielle Nascimento e Raissa Albano e assistência de Vinicius Sena Mendes.

Até 28 de fevereiro de 2027.

O retorno de Sérgio Helle.

23/set

O pintor Sérgio Helle marcou seu retorno a uma exposição individual dedicada integralmente à pintura com a abertura de “Húmus”, na Galeria Casa d’Alva, Fortaleza, Ceará. A mostra reúne 31 obras e ganha significado especial na trajetória do artista cearense: há quase quatro décadas ele não apresentava uma individual formada exclusivamente por pinturas.

Reconhecido como um dos pioneiros da infogravura e da arte digital no Ceará, Sérgio Helle apresenta trabalhos em que flores, folhas e formas orgânicas dão o tom. Natureza, passagem do tempo, resistência da vida e finitude atravessam o conjunto, revelando também as transformações incorporadas à sua produção ao longo de décadas de pesquisa e experimentação.

Uma exposição individual de Yuli Yamagata.

21/set

A Kunsthalle Lissabon apresenta “Para onde os sonâmbulos vão?”, uma exposição individual de Yuli Yamagata (São Paulo, 1989). A exposição dá continuidade ao projeto iniciado no Católica Art Center, em outubro de 2025, e resulta de uma colaboração com a Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa, no Porto.

Conhecida pelas suas obras de caráter híbrido, Yuli Yamagata desenvolve uma prática que combina materiais e técnicas têxteis para criar volumes exuberantes que oscilam entre o orgânico e o artificial, o reconhecível e o fantástico. O seu trabalho utiliza referências da cultura pop, do design e do quotidiano para construir um glossário visual, simultaneamente lúdico e inquietante, em que o humor surge lado a lado com o insólito e o familiar é constantemente atravessado pelo inesperado.

Em “Para onde os sonâmbulos vão?”, Yuli Yamagata transforma a Kunsthalle Lissabon num ambiente onírico e imersivo, propondo uma leitura alternativa do espaço. A exposição desenrola-se segundo uma lógica próxima da dos sonhos, como uma sequência de imagens em permanente metamorfose, em que formas, escalas e materiais desafiam a perceção.

Povoando o espaço, as obras distribuem-se pelo chão e pelas paredes,parecendo transbordar os seus próprios limites. Tecidos prolongam-se para além dos suportes, enquanto flores, recorrentes ao longo da exposição, brotam de diferentes corpos e objetos. Elas surgem de cerebelos, do umbigo de um bebé ou de outros lugares inesperados.

Elementos emergem de sapatos de salto, pedaços de queijo transformam-se em novas formas e uma pequena televisão parece ondular no tempo e no espaço. No centro da sala, alguém dorme debaixo de uma cortina de queijo, numa cena que poderia pertencer a um sonho ou simplesmente ao que acontece enquanto os corpos dormem.

Sem oferecer narrativas lineares ou interpretações fechadas, a exposição propõe uma experiência guiada pela associação livre, pela curiosidade e pela perceção sensorial. A (des)configuração de formas, materiais e referências aproxima-se de questões exploradas pelo surrealismo e pela psicanálise, nas quais o sonho permite que imagens, desejos e memórias se encontrem para além da lógica consciente. É também nesse plano que surge a figura do monstro: não necessariamente como uma criatura fantástica, mas como aquilo que perturba as fronteiras entre o familiar e o estranho, o humano e o não-humano, o que conhecemos e o que ainda não sabemos nomear. No universo de Yuli Yamagata, essas fronteiras permanecem deliberadamente instáveis: situações inusitadas e associações improváveis são apresentadas com uma dimensão lúdica e exagerada, fazendo com que o humor surja precisamente daquilo que pode causar estranheza. É nesse espaço liminal que os sonhos escapam aos limites do sono.

A Kunsthalle Lissabon é apoiada pela República Portuguesa – Cultura, Juventude e Desporto / Direção-Geral das Artes e pela Vasco Collection. A exposição “Para onde os sonâmbulos vão?” conta com o apoio da Fortes D’Aloia & Gabriel.

Sobre a artista.

Yuli Yamagata nasceu em São Paulo, SP, 1989, onde vive e trabalha. A sua prática combina materiais têxteis, técnicas de costura, resinas e objetos do quotidiano para criar esculturas nas quais o orgânico e o artificial, o familiar e o fantástico se cruzam. Entre as suas exposições individuais recentes incluem-se: Alô?, Universidade Católica do Porto, Porto, Portugal (2025); Ghosts don’t wear watches, Anton Kern Gallery, Nova York, Estados Unidos (2024); Dois pra cá, dois pra lá, Fortes D’Aloia & Gabriel | Carpintaria, Rio de Janeiro, Brasil (2023); The new, the old and the hole, Anton Kern Gallery, Nova York, Estados Unidos (2023). Yuli Yamagata participou das exposições coletivas: Vai, Vai Saudade, MADRE – Museu d’Arte Contemporânea Donnaregina, Nápoles, Itália (2024); The Appearance: Art of the Asian Diaspora in Latin America and the Caribbean, The Americas Society, Nova York, Estados Unidos (2024); Chão da praça: Obras do acervo da Pinacoteca, Pinacoteca de São Paulo, São Paulo, Brasil (2023); Nunca só essa mente, nunca só esse mundo, Fortes D’Aloia & Gabriel|Carpintaria, Rio de Janeiro, Brasil (2023); entre outras.

Até 07 de novembro.

Uma geometria do sensível.

Este viewing room da Almeida & Dale reúne um conjunto de obras que tomam o geometrismo como princípio estruturante, estabelecendo um arco que se inicia na década de 1960 e alcança a produção contemporânea. Mais do que um estilo ou vocabulário formal, nas obras apresentadas aqui, a geometria aparece aqui como um modo de pensamento em exercícios de forma e composição, assim como instrumento para a elaboração de experiências subjetivas. 

Incluindo obras de nomes como Alfredo Volpi, Amilcar de Castro, Cassio Michalany, Geraldo de Barros, Judith Lauand, Luiz Sacilotto e Lygia Pape, o percurso atravessa as experiências do concretismo e do neoconcretismo, até momentos nos quais a racionalidade construtiva foi progressivamente confrontada pela experiência sensível e pela dimensão fenomenológica da obra. Nesse contexto, a forma deixa de operar como estrutura autônoma para constituir-se como campo de relações, aberto à percepção, ao movimento e à experiência, exemplar nos trabalhos de André Ricardo, Felipe Cohen, Mira Schendel, Montez Magno, Paulo Pasta e Rubem Valentim, entre outros.

Construir outros modos de ver.

A Gentil Carioca apresenta “Ballet Noir: O Pós-Virtuosismo”, nova exposição de O Bastardo, no Centro Municipal de Artes Hélio Oiticica, Rio de Janeiro, RJ. Com texto crítico de Osmar Paulino (Curador Negro), a exposição permanece em cartaz até 24 de outubro.

A partir da figura da bailarina negra, O Bastardo investiga as relações entre corpo, movimento e representação, tensionando os códigos que historicamente definiram o que é considerado arte, técnica e virtuosismo. Em diálogo crítico com a tradição da pintura europeia e com as representações da dança, o artista desloca o olhar para outras corporalidades, experiências e histórias que permaneceram à margem dessas narrativas.

Nas pinturas, O Bastardo volta-se não apenas para a beleza do movimento, mas também para aquilo que o sustenta: o esforço, o cansaço, o descanso, o gesto e a própria maquinaria do corpo. A partir de sua experiência como homem e pintor negro afro-brasileiro, o artista constrói outras possibilidades de representação, colocando em questão as hierarquias que atravessam a produção e a experiência da arte.

“Ballet Noir: O Pós-Virtuosismo” propõe, assim, uma contravisualidade, uma afrovisualidade, recusando a virtuosidade como medida de legitimidade e reivindicando outras formas de produzir e experimentar a imagem. Um manifesto visual sobre corpo, poder e a possibilidade de construir outros modos de ver.

Até 24 de outubro. 

Exposição Projeto Acervo.

A Casa de Cultura Laura Alvim, Ipanema, Rio de Janeiro, RJ, convida para mergulhar na arte brasileira das décadas de 1980 e 1990 com a reabertura da exposição “Projeto Acervo – Coleção Casa de Cultura Laura Alvim”.

Preservando o legado cultural da anfitriã, Laura Alvim, a mostra reúne um recorte expressivo do acervo da casa, celebrando a riqueza e a liberdade de expressão plástica da época através de obras figurativas, geométricas e abstratas.

Nesta edição, focaliza o trabalho de artistas consagrados como Rubens Gerchman, Leonílson e Luiz Aquila, além de grandes nomes da arte nacional como Daniel Senise e João Câmara. A exposição também exibe talentos que marcaram a icônica mostra “Como vai você, Geração 80?” e continuaram explorando novas direções artísticas.

A curadoria da exposição é assinada pelas museólogas: Éricka Madeira e Thereza Khunert, 

Até 18 de outubro. 

Diálogo entre estrutura geométrica e percepção.

18/set

Artista da Galeria Mayer Mizrahi, J. Margulis participa da ArtRio – edição de 2026, em sua estreia no circuito carioca de arte. Para a feira, apresenta 26 obras em que planos sobrepostos, volumes, cor e luz criam diferentes configurações a partir do olhar do espectador. Os trabalhos estarão no espaço da Sergio Gonçalves Galeria – P3, no Pavilhão MAR.

J. Margulis desenvolve uma pesquisa que aproxima geometria, movimento e percepção. Suas obras são construídas em camadas, fazendo da profundidade e da relação entre diferentes planos elementos centrais de sua linguagem. A interação do público é parte essencial da experiência diante de sua obra. À medida que o corpo se desloca, novas relações entre as formas se revelam e a composição parece se reorganizar. É nesse diálogo entre estrutura geométrica e percepção que o artista constrói uma obra simultaneamente rigorosa e dinâmica.

Sua produção dialoga com a tradição da arte cinética e óptica latino-americana, ao mesmo tempo em que incorpora linguagem e elementos figurativos. Ao longo de sua trajetória, J. Margulis vem apresentando seu trabalho em exposições e feiras internacionais. Em 2025, realizou Speaking Volumes no Erarta Museum, em São Petersburgo. Em 2026, fez sua estreia no Brasil na SP-Arte, com a Galeria Mayer Mizrahi.

Sobre o artista.

José Margulis (Caracas, Venezuela) 1970. Vive e trabalha em Miami. Formado em Administração pela Universidad Metropolitana, iniciou sua trajetória artística na fotografia. Sua pesquisa atual articula abstração geométrica, arte cinética e investigação perceptiva. Entre suas exposições individuais, destaca-se Speaking Volumes, no Erarta Museum, em São Petersburgo, em 2025. Participou de importantes feiras internacionais, entre elas Art Basel Week, SP-Arte, Abu Dhabi Art e KIAF. Sua obra integra coleções em diferentes países e está presente no acervo do Museo Ixchel, na Guatemala. 

O gesto como liberdade e pensamento.

A Superfície, Vila Madalena, São Paulo, SP, anunciou a exposição coletiva “Gestos” que acontece por ocasião da inauguração da nova sede da Superfície, localizada na Rua Mourato Coelho 790a. Agora, em um único endereço, as atividades da galeria – espaços expositivos, acervo e Arquivo Superfície -, conta com uma livraria e um café abertos ao público. O texto de apresentação é de Paulo Venancio Filho e curadoria assinada por ele em parceria com Gustavo Nóbrega. 

Tomando como ponto de partida o livro homônimo do filósofo Vilém Flusser, a mostra investiga o gesto como um movimento carregado de intenção, liberdade e pensamento. Para Flusser, o gesto é a expressão de uma liberdade que produz sentido. Pintar, desenhar, fotografar, gravar, modelar, escrever, performar ou instalar são diferentes modos de pensamento em ação. Cada linguagem inventa seu próprio gesto; cada artista transforma um procedimento em forma.

Com a apresentação de uma obra de Waltercio Caldas concebida especialmente para a exposição, “Gestos” reúne trabalhos de Andréa Hygino, Anna Maria Maiolino, Artur Barrio, Carlos Vergara, Celeida Tostes, Christo, Cildo Meireles, Clóvis Dariano, Dominique Gonzalez-Foerster, E. M. de Melo e Castro, Fernando Lemos, Iberê Camargo, José Resende, Letícia Parente, Luiz Alphonsus, Mara Alvares, Márcia X, Maria Laet, Mira Schendel, Neide Sá, Regina Silveira, Sonia Andrade, Thereza Simões, Tunga, Vera Chaves Barcellos e Wanda Pimentel, “Gestos” propõe um percurso em que diferentes gerações e contextos históricos se encontram sem hierarquias. Em comum, cada obra evidencia o gesto como operação estética, pensamento materializado e forma de relação com o mundo.

Até 17 de outubro.

Guilherme Kid no Museu de Arte do Rio.

17/set

Com obras inéditas na galeria da Biblioteca, o artista Guilherme Kid investiga a transmissão de saberes entre gerações e territórios nas culturas negras brasileiras e afirma a ancestralidade como fundamento de criação, identidade e permanência.

Terreiros, quintais, rodas e agremiações de samba aparecem nas narrativas do artista Guilherme Kid como espaços fundamentais de formação, preservação e circulação de conhecimentos. Ao reconhecer esses lugares como legítimos produtores de saberes, o artista da Zona Oeste do Rio de Janeiro evidencia a memória compartilhada como instrumento de continuidade e afirmação das culturas negras brasileiras.

A partir dessa poética, o Museu de Arte do Rio inaugura “Quem me ensinou sabia”, primeira exposição individual de Guilherme Kid na instituição. O artista que já colaborou com o MAR em projetos anteriores retorna com um conjunto de obras inéditas. A exposição faz parte da programação do Festival ARUA Summit e conta com a curadoria da equipe MAR, formada por Marcelo Campos, Amanda Bonan, Jean Carlos Azuos e Amanda Rezende.

Em suas pinturas, Guilherme Kid parte da escuta atenta e da vivência cotidiana para investigar como conhecimentos, memórias e tradições são preservados, compartilhados e renovados. A exposição também evidencia uma assinatura visual característica da produção de Kid, marcada pela presença de temas figurativos em suas pinturas, uma de suas principais marcas registradas. Nas obras, a dimensão cotidiana se articula à memória e à ancestralidade, criando imagens que refletem sobre os vínculos entre passado, presente e futuro.