Galeria Marcelo Guarnieri, Rio

24/mar

Com a exposição “Marcus Vinicius – A cor das escolhas”, o artista, que completa 20 anos de trajetória em 2018, apresentará na Galeria Marcelo Guarnieri, Ipanema, Rio de Janeiro, RJ, cem pequenas pinturas feitas especialmente para esta exposição, onde explora os limites da cor dentro do conceito de Estrutura Quadro. Em sua segunda exposição individual no Rio de Janeiro, o artista exibirá obras inéditas, produzidas entre 2016 e 2017, explorando a cor e suas nuances. Acompanha a exposição texto do crítico de arte Marcelo Campos.

 

As cem obras dessa mostra medem 30 cm x 35 cm cada uma e são feitas em MDF pintado com tinta acrílica e vidro transparente pintado com esmalte de cura a frio, encaixado no MDF recortado. As obras estarão agrupadas por tonalidade, em cinco conjuntos, compostos por 20 obras cada um: avermelhados, amarelados, azulados, esverdeados e multicoloridos. As 20 obras de cada conjunto são diferentes entre si, mas se repetem nos demais conjuntos, com cores distintas, de acordo com o grupo aos quais pertencem. No entanto, com cores e tonalidades diferentes, muitas vezes têm-se a impressão de serem estruturas distintas.

 

“A pesquisa desenvolvida nessa série de quadros busca alcançar o ponto de unidade de seus elementos constitutivos, como fragmentação do plano através da estrutura modular, unidade cromática, contraste entre o opaco da pintura com a superfície refletora dos vidros, etc”, afirma o artista.

 

A pesquisa de Marcus Vinicius está fundamentada no conceito de “Estrutura Quadro”, uma estrutura conceitual construída a partir do retângulo ou quadrado que, ligada à parede, preserva seu caráter bidimensional e cujos elementos podem ser desmembrados e estudados separadamente e reagrupados segundo uma ordem por ele estabelecida. “Todos os elementos têm uma função e toda função tem uma propriedade. O vidro tem a função de proteger, mas sua propriedade é o reflexo”, conta o artista, que em suas obras mantém a função original do vidro, pintando a parte que fica virada para o quadro, protegendo, desta forma, a pintura. O artista ressalta, ainda, que “quanto mais escura a cor, maior será o reflexo do entorno”. Assim, é criado um grande jogo de cores, em que uma pintura reflete os tons das outras. “A simetria é desafiada pela cor e pela propriedade refletora dos vidros que ampliam o espaço do quadro, através da incorporação e do reflexo dos elementos do entorno, colocando em dúvida a cor e o espaço que vemos. Apesar de ser um trabalho estático, é preciso se movimentar para conseguir apreendê-lo totalmente”, diz.  

 

Apesar de trabalhar com cores diversas e explorar as tonalidade, Marcus Vinicius só utiliza as cores existes, as chamadas “cores de catálogo”, não misturando-as para encontrar tonalidades diversas. “A diferenciação das cores se dá por sua aproximação e pela relação de sua proporção na composição”, explica. “Esse projeto de exposição traz essa dificuldade na construção da variedade das tonalidades de cor, uma vez que o catalogo é limitado. Por exemplo, o amarelo tem quatro tons mais duas ocres. Agrupar os 20 quadros amarelos e dar uma sensação de variação tonal operando dentro desses limites está sendo desafiador”, ressalta.

 

Desde o inicio de sua trajetória, Marcus Vinicius trabalha com a questão da cor, mas isso era feito através de obras em grandes escalas. As pinturas em pequenos formatos surgiram há cerca de dez anos e foram poucas vezes mostradas. O artista cria os trabalhos e os projetos de exposição de acordo com o local onde serão apresentados. Desta forma, esta mostra foi pensada especialmente para o espaço da galeria.

 

 

 

Sobre o artista

 

Marcus Vinicius nasceu em São Paulo, em 1967 e vive e trabalha em Osasco. Formou-se em Artes Plásticas pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo. No ano que vem, completando 20 anos de trajetória, a data será  comemorada com uma exposição retrospectiva que começará no Instituto Figueiredo Ferraz, em Ribeirão Preto, com itinerância por diversas cidades.

 

Dentre suas principais exposições individuais estão “Constructos”, de 2014, no Centro Cultural UFMG, em Belo Horizonte, MG; “Listrados”, de  2004, no Centro Cultural Maria Antônia, em São Paulo; “Sperandios”, de 2000, no SESC Paulista, em São Paulo, SP, e a mostra no Centro Cultural São Paulo, em 1999. Realizou, ainda, três exposições individuais na Galeria Marcelo Guarnieri, sendo duas em Ribeirão Preto: “Agrupamentos horizontais e Acidados”, e 2015 e “Quadriculados e Pontilhados”, em 2010 e uma em São Paulo: “Estrutura quadro: revisão e desdobramento”, em 2014.

 

Dentre suas principais exposições coletivas estão: “Momento Contemporâneo”,(2014; “Além da forma – plano, matéria, espaço e tempo”, 2012; “O colecionador de sonhos – Coleção Dulce e João Carlos de Figueiredo Ferraz”, 2011; ambas no Instituto Figueiredo Ferraz, em Ribeirão Preto; “Volpi e as Heranças Contemporâneas”, 2006, no MAC/USC, São Paulo, SP; “Marcus Vinicius e Wagner Malta Tavares”, 2006,  no Museu de Arte de Ribeirão Preto; “30 anos de Arte Brasileira na Coleção SESC”, 2005, no SESC Interlagos, em São Paulo; “Uma viagem de 450 anos”, 2004, no SEC Pompéia, em São Paulo;  “Heterodoxia Natal” , 2004, no Espaço Cultural Casa da Ribeira, em Natal; “40 anos, 40 artistas”, 2003, no MAC/USP, em São Paulo, SP; “Genius Loci, o Espírito do Lugar”, 2002, no Centro Universitário Maria Antônia, em São Paulo, SP; “Conduta de Imagem, 2001, no Museu Metropolitano, em Curitiba; “Se Pudesse ser Puro”, 2001, no Museu de Arte de Santa Catarina, em Florianópolis, SC; “Iniciativas”, 2000, no Centro Cultural São Paulo, SP; “Heranças Contemporâneas 3”, 1999, no MAC/USP, SP,“Vazio, Profundidade e Linha”, 1999, Centro Cultural Correios, Rio de Janeiro, RJ, entre outras.     

 

 

 

De 23 de março a 06 de maio.

Fabio Mauri na Bergamin & Gomide

07/mar

A Galeria Bergamin & Gomide, Jardins, São Paulo, SP, tem o prazer de apresentar a partir de 11 de março a primeira exposição individual no Brasil do artista italiano Fabio Mauri, o qual participou em 2012 da dOCUMENTA(13), em Kassel, além de seis edições da Bienal de Veneza (1954, 1974, 1978, 1993, 2013, 2015).

 

A mostra FABIO MAURI (SENZA ARTE) foi realizada em parceria com Olivier Renaud-Clément e com a galeria suíça Hauser & Wirth, que abriga toda a coleção do artista, e fez em 2015 e 2016 uma grande retrospectiva de Mauri nos Estados Unidos e em Londres.

 

Mauri nasceu em Roma, em 1926, e teve sua vida e obra marcadas pelo fascismo. Sua família era proprietária de uma das editoras mais importantes de literatura no país, por consequência, Mauri foi criado entre escritores e artistas e naturalmente se tornou amigo próximo de intelectuais e grandes nomes da vanguarda italiana do pós-guerra, como Ítalo Calvino, Umberto Eco, Pier Paolo Pasolini e Jannis Kounellis.

 

No final dos anos 1950, Mauri inicia sua produção artística em formatos tradicionais, como pinturas em telas e desenhos em papéis. Desde então, sua obra já tinha grande preocupação com questões ideológicas e políticas, o que foi acentuado nas décadas seguintes com o desenvolvimento da sua produção em formatos mais contemporâneos, em particular seu interesse pela “imagem projetada” e pela “tela escura” do cinema e da televisão – através de vídeos e projeções – além do elemento cênico, que se dava através da inserção do público dentro da obra em suas ações/performances e instalações, seja de forma participativa ou apenas como observador.

 

Segundo Carolyn Christov-Bakargiev, curadora da dOCUMENTA (13) e do Castello di Rivoli, “É verdade que Mauri abordou temas numerosos e diversos, usando uma variedade de abordagens expressivas, mas um fio comum fundamental, quase uma obsessão, percorre todos os seus movimentos, apesar do caráter multiformes de sua obra. Subjacente a todas as suas obras está uma meditação na tela – o cinema e a televisão – e as implicações da projeção para a sociedade e para a subjetividade contemporânea.”

 

Para a exposição na galeria, 25 obras foram selecionadas: no salão principal dois carpetes de grandes dimensões vão ocupar o centro da galeria, com as frases Forse l’arte non è autonoma [Talvez a arte não seja autônoma] e Non ero nuovo [Eu não era novo], ambos de 2009, e que fizeram parte da dOCUMENTA (13), em 2012, além de uma série de colagens e as instalações On the Liberty (1990) e Ventilatore (1990); no segundo ambiente serão apresentados treze trabalhos da série Photo Finish (1976); a última sala foi reservada para uma projeção do vídeo Seduta su l’ombra, de 1977. Todos os trabalhos são inéditos no Brasil e retratam um recorte abrangente da obra do artista.

 

Trabalhando em paralelo aos principais movimentos artísticos da época, como a Pop Art e a Arte Povera, Mauri colocou em discussão o papel da comunicação midiática como formadora da sociedade lá na década de 1960, quando a televisão ainda dava os primeiros passos. Enquanto artistas na Europa e nos Estados Unidos exploravam as nuances do consumismo e dissecavam os materiais essenciais da criação artística, Mauri abria frente para um questionamento que iria além da estética e da representação: como dar forma a algo tão abstrato como uma ideologia? Qual o papel do artista, do público e da mídia dentro dessa discussão? A problemática que o artista investigou por tantos anos é um assunto extremamente atual nos dias de hoje, sua obra reflete pontos cruciais da vida em sociedade e do pensamento do homem moderno.

 

Em 2015 a obra Il Muro Occidentale o del Pianto [O muro ocidental ou das lamentações], de 1993, ocupou a primeira sala do pavilhão central na 56a Bienal de Veneza, com curadoria de56ª Bienal de Veneza, com curadoria de Okwui Enwezor. No mesmo ano o artista participou também pela primeira vez da Bienal de Istambul e sua obra foi incluída como parte da exposição permanente do Castello di Rivoli, enquanto outros trabalhos foram adquiridos pelo Centre Pompidou, em Paris.

Registro

06/mar

Uma conversa com:
João Farkas, Edu Simões, Rogério Reis, Felipe Taborda e Walter Firmo na Galeria Marcelo Guarnieri, Ipanema, RJ, dia 11 de março, às 14hs, durante a exposição de João Farkas.

Novíssima Pintura Brasileira

30/jan

A exposição “A luz que vela o corpo é a mesma que revela a tela” apresenta trabalhos da geração de artistas pós-internet. A CAIXA Cultural, Centro, Rio de Janeiro, RJ, apresenta inaugurou a exposição “A luz que vela o corpo é a mesma que revela a tela”, que apresenta 100 obras da produção recente de 36 pintores contemporâneos brasileiros. Sob curadoria de Bruno Miguel, a mostra é um recorte heterogêneo que mescla artistas já consolidados com outros menos recorrentes nas grandes exposições e busca revelar como a pintura é contaminada pelo pensamento de seu tempo e como prossegue viva comentando as questões do mundo atual. O projeto tem patrocínio da Caixa Econômica Federal e Governo Federal.

 

A mostra é dividida em nove temas – “O individuo social”; “Narrativas outras”; “Em ruínas; Corpo Fim”; “O Belo e não”; “Imagem-margem-poesia”; “Habitat; Deus ex”; e “Transbordamentos” -, que estabelecem relações subjetivas entre pintores surgidos a partir do fim dos anos 1990. “O fato de terem suas pesquisas desenvolvidas e afirmadas após o surgimento da internet não é um dado conceitual e sim um recorte curatorial para investigar um momento específico da história da pintura brasileira, da arte e do mundo”, explica o curador. Em cada tema, as questões são apresentadas a partir de contrastes e oposições, e o ritmo da exposição se desenha em processos híbridos de criação.

 

Em “A luz que vela o corpo é a mesma que revela a tela”, além do curador Bruno Miguel, que também participa da mostra como expositor, foram convidados a exibir o resultado de suas investigações e experimentações no campo da pintura contemporânea os artistas Alan Fontes, Alexandre Mury, Alvaro Seixas, Ana Elisa Egreja, Ana Prata, Bruno Belo, Bruno Dunley, Bruno Vilela, Caio Pacela, Camila Soato, Dalton Paula, Eder Oliveira, Fabio Magalhães, Gabriel Secchin, Gisele Camargo, Gustavo Speridião, Julia Debasse, Makh Hanamakh, Marcelo Amorim, Marcone Moreira, Mariana Leico, Mariana Palma, Marina Rheinghantz, Paloma Ariston, Paulo Almeida, Paulo Nimer Pjota, Pedro Varela, Rafael Alonso, Rafael Carneiro, Rodrigo Martins, Rodrigo Torres, Sidney Amaral, Thiago Martins de Melo, Victor Mattina e Vitor Mizael.

 

A mostra é uma produção de ADUPLA, formada por Anderson Eleotério e Izabel Ferreira, responsável por importantes publicações e exposições itinerantes pelo Brasil, como Athos Bulcão, Milton Dacosta, Carlos Scliar, Henri Matisse e Bandeira de Mello, entre outros.

 

 

 

Até 12 de março.

Wolfenson no Anexo/Millan

26/jan

O Anexo Millan, Anexo, Vila Madalena, São Paulo, SP, apresenta série inéditas de fotografias na exposição individual “Nósoutros”, de Bob Wolfenson, realizadas nas ruas de visitadas pelo mundo afora, com ênfase em Nova Iorque. O fotógrafo paulistano apresenta, desta vez, um conjunto de 28 trabalhos feitos ao longo de quatro anos, em cerca de 15 cidades do mundo, sempre em esquinas, cruzamentos e faixas de pedestres.

 

A palavra do artista
Nósoutros
A ideia desta série me ocorreu em 2012, num passeio pela praia de Coney Island, nos arredores de Nova York. Ao iniciar o caminho de volta a Manhattan, observei com interesse uma massa de desconhecidos entre si que aguardavam para atravessar a rua depois de um dia de lazer intenso sob o sol escaldante do verão nova-iorquino. A postura compartilhada de meros pedestres esperando o sinal abrir os tornava semelhantes, ao mesmo tempo que figurinos e tatuagens, anatomia, cor da pele e atitude (euforia ou introspecção) os distinguia. Fotografei-os com minha Leica de pequeno formato e guardei essas imagens como uma simples curiosidade de viajante. Mais tarde, ao revê-las em meu computador, surgiu a vontade de fotografar e organizar cenas como aquela mundo afora, ressaltando um dos mais marcantes paradoxos do ser humano, tão evidente naquele primeiro instante registrado: o de ser igual e diferente, o desejo de pertencer a um grupo e ao mesmo tempo querer se distinguir dele.

 

A ambição de criar painéis representativos de identidades humanas diversas porém genéricas me levou a vários países e populações. Um ano depois voltei a Coney Island, devidamente equipado com uma câmera de médio formato cuja performance na captura das imagens em alta definição é sua característica principal – suponho e quero que este aspecto permita ao espectador passear os olhos pelas ampliações e ver até o que o fotógrafo não enxerga quando dispara o obturador. Escolhi também fotografar grupos mais singulares, como os judeus ortodoxos de Crown Heights, os afro-americanos do Harlem, ambos em Nova York, bem como executivos engravatados chegando ao trabalho num típico dia de frio do inverno inglês, na City londrina. No mais, a maioria das cenas mostradas aqui foi feita a partir da procura fortuita de lugares onde o afluxo de transeuntes parecesse adequado ao meu intuito. No entanto, ao postar a câmera em um cruzamento e apontá-la para os que vão atravessar a rua, encontrei naturais desconfianças, mas encontrei também: as velozes transformações dos hábitos urbanos, os múltiplos signos da moda e a pluralidade étnica cada vez mais comum na vida contemporânea. Tudo isso emoldurado por recortes nas grandes metrópoles e pela condição climática vigente de cada época e local, a qual determinava a roupa e os humores dos passantes.

 

O processo de realização das fotografias seguiu princípios rígidos: as tomadas foram sempre feitas em cruzamentos ou faixas de segurança, e as pessoas estavam de fato naqueles lugares, mesmo que não tenham sido fotografadas no mesmo momento em que as que aparecem a seu lado na cópia final. Fiz algumas montagens para ressaltar os pressupostos que me levaram a realizar esta ideia. Por mais racional que seja uma empreitada como esta, o imponderável estará sempre presente enquanto houver o instante fotográfico. Nos anos em que me dediquei a este trabalho, pude perceber claramente que quando se está com uma máquina fotográfica no meio da rua, mesmo que com um tripé e com conceitos específicos em mente, não se pode controlar muita coisa. A rua é viva e nos impõe essa vivacidade.

 

 

 

 

De 31 de janeiro a 24 de fevereiro.

 

“Bursa” | Ramsés

12/dez


No dia 13 de dezembro, das 17h às 22h, “A Estufa” + “Emma Thomas”, inauguram na Rua Wisard, 53, Vila Madalena,um programa de três meses de intervenções e instalações que se relacionam com as disfunções da ideologia do capital e também sua contraposição, a reconexão com a natureza. O próprio espaço expositivo como um site specific abriga ações, obras, performances e projetos que se relacionam com as investigações de ciclos, processos de transformação e impermanência.O artista e designer Ramsés Marçal inaugura esta parceria com uma série de esculturas que, em uma primeira camada, dialoga sobre o peso da existência e da cultura de consumo. A mostra “Bursa” fica em cartaz até 15 de janeiro.

 

 
“Bolsas de Pedra” – Ramsés Marçal

 

Texto: Fred Goyanna

 

Na atual relação entre arte e consumismo percebemos aspectos bem diversos daqueles observados nas primeiras produções da Pop Art, ainda nos anos 1960. Se antes tínhamos artistas com posturas irônicas e questionadoras, hoje assistimos à construção de uma afinidade mais sutil, e mais perigosa, entre os mundos das artes e do consumo. Sente-se, em parte da produção contemporânea, mais vontade de ser consumida do que de abordar, de maneira talvez incômoda, o fenômeno do consumismo e o seu vazio.

 

Ramsés Marçal nos apresenta bolsas de pedra.

 

É com esse objeto-fetiche que ele enfrenta a contradição e questiona a aparente impossibilidade da arte ser consumida e, ao mesmo tempo, questionar o próprio consumo. Mais que isso. Sem abrir mão da sua poética_ onde a violência, a morte, as dores de amores sempre estiveram presentes_ ele comenta “o peso de existir” enquanto extrai da pedra dura a leveza visual possível nesses tempos de consumo pesado.

 

A sua trajetória, que vai do pragmatismo do design à sublimação artística, é marcada pela presença dos conteúdos mais crus e mais pulsantes da vida. Neste trabalho, porém, é como se uma sensibilidade feminina tivesse se aproximado do artista. Uma mulher passou por aqui. Desfilando, vaidosa, vida afora ela esconde um segredo. De repente, num encontro, arma na mão, tudo se esclarece:

 

– A bolsa ou a vida!
– Como?!…
– Passa a bolsa!
– Toma! Ela é de pedra.
(Recife, outubro de 2016)

 

 
Sobre o artista

 

Ramsés Marçal, Recife, PE, Brasil, 1976.Atualmente vive e trabalha em Recife, estudou e trabalhou em Florença e São Paulo.Estudou na Florence Academy na Itália e desenho industrial na Faculdade de Belas Artes de São Paulo. Atua entre artes plásticas, design, montagem de mostras e projetos expográficos (FAAP, Oca, Bienal). Ministrou no 5ºInDesign, encontro Nacional dos Estudantes de Design, a oficina Criação de Texturas Tridimensionais, realizou palestra no Fórum Gestão do Design Belas Artes, entre outras atuações acadêmicas. Como artista, participou de diversos grupos de pesquisa e durante seus 10 anos em São Paulo, manteve um ateliê coletivo de produção onde junto com Miguel Sanches criou o projeto “Fogo”, para atuções conceituais na fronteira entre a arte contemporânea e o design. Participou de diversas mostras coletivas, entre elas nas galerias Emma Thomas, Baró e Moura Marsiaj.Após dois anos de pesquisa no sertão de Pernambuco e na zona metropolitana de Recife, retoma a observação sobre suas origens e cultura, utilizando os elementos do entorno como material para suas criações e inquietações existencialistas.

 

 
Sobre A Estufa

 

“A Estufa. Onde você se inspira e inspira.”

 

A Estufa é realmente um espaço alternativo, plural, onde acontecem exposições e eventos culturais. É também o showroom exclusivo da linha de tintas Terracor e uma fina loja de paisagismo, com muitas plantas, vasos e peças para jardins. A Estufa tem gente que projeta. Gente que ajuda você a tornar realidade aquilo que pensou. E mesmo o que você não pensou. Vá lá e dê uma olhada sem pressa. Converse. Sinta. Você vai gostar.

 

 
Sobre a galeria Emma Thomas

 

A galeria Emma Thomas foi inaugurada em 2006 com o intuito de ampliar a discussão em arte contemporânea, modificando e adaptando as práticas do meio a fim de aproximar a produção artística do público – democratizar o acesso ao conteúdo e ao consumo de cultura nacional. É uma das pioneiras no circuito de jovens galerias brasileiras trabalhando transversalmente com os artistas, curadores e coletivos, através da elaboração de mostras, palestras, cursos, feiras nacionais e internacionais. A galeria se caracteriza por sua pulsante atividade e como ambiente livre para a experimentação, amadurecimento, fortalecimento e consolidação da cena artística local. Ao longo dos últimos anos, acumulou diversos prêmios como Melhor Galeria Jovem em Buenos Aires (ArteBA), segunda melhor Galeria de São Paulo pela revista Época e pela Folha de São Paulo em 2015. Em 2016, a galeria abre um novo espaço de intercâmbio e mostras pop up no LowerEastSide, Nova York, e paralelamente em São Paulo atua fora do “cubo branco” em ocupações e intervenções nômades e colaborativas, como possíveis novas plataformas para o questionamento cultural.

 

 
Sobre os Colaboradores:

 
Este projeto é realizado nos moldes de economia colaborativa e agradece a todos os envolvidos pela parceria, apoio e profissionalismo. O Studio transdisciplinar MNMA, formado por Andre Pepato e Mariana Schmidt desenvolveram o projeto arquitetônico; a equipe do Galpão Wisard 53 das empresas Terracor e A Estufa fazem parte da estrutura, idealização, execução e apoio; a Brutal Agency de Paulo Peixoto desenvolve parte da comunicação e novas mídias; a colaboração e cenotécnica do Studio Chicão Guerrero; SURI Ceviche& Bar para a abertura do projeto.

 

Para a mostra Bursa:Trilha sonora Original composta por Berna Vieira – Estúdio Batuka;texto e voz de Fred Goyanna; esculturas, apoio de Paulo Artesanatos.

 

Agradecimentos do artista: Rita Marçal, Marisa Marçal, Berna Vieira, Fred Goyanna, Carol Monteiro, Keops Ferraz, Rafael Chamie, Vera Freire, Viviane David, Gustavo Peixoto, Giuliano Calife, Tácio Ferraz, Arminda Jardim, Miguel Sanches, Verucio Ferraz, Paulo Cabral, Fernando Lima, Maiara Lira, Rose Marçal, Roberto da Cruz, Roberto José, Paulo da Cruz, Patricia Marçal, Ridete Marçal, Rinalva Marçal, Paulo Sérgio Alves, Luan Victor, Margarida de Cândida, Ramos Mineiro, Lula Portela, equipe da Emma Thomas e a todos que colaboraram para a viabilização deste projeto.

 

Lucia Laguna no MAR

31/out

O MAR, Museu de Arte do Rio, Centro, Rio de Janeiro, RJ, apresenta exposição individual de pinturas de Lucia Laguna. As obras de Lucia Laguna atravessam interesses diversos, como o cotidiano urbano: a inteligência estética das favelas, o subúrbio, o trânsito, a arquitetura do espaço coletivo. Lucia não pinta sozinha, experimenta – como também ocorre com o signo linguístico – a aguda consciência de um processo coletivo, e social, de constituição e reinvenção da pintura. A curadoria traz as assinaturas de Clarissa Diniz e Cadu.

 

 

A partir de 29 de novembro.

Estandartes de Heberth Sobral

19/out

A Galeria Pretos Novos de Arte Contemporânea, Gamboa, Rio de Janeiro, RJ, vai inaugurar a exposição “Estandartes”, de Heberth Sobral, sob curadoria de Marco Antonio Teobaldo, no dia 29 de outubro, a partir de uma inusitada releitura das obras de Jean-Baptiste Debret sobre os costumes de africanos escravizados no Rio de Janeiro. O artista cria as mesmas cenas retratadas pelo artista francês no passado, a partir do uso de peças de plástico da marca de brinquedos Playmobill. As nove obras da exposição são apresentadas em formato de estandartes de grandes dimensões, com forte influência dos festejos populares  e do Barroco de Minas Gerais, terra natal do artista.

 

Em 2010, Heberth Sobral exibiu pela primeira vez a série “Violência não é brincadeira”, na qual retratava cenas e tipos urbanos cariocas em situações de violência divulgadas nos meios de comunicação. A característica marcante dessas obras é o uso da estética do universo Playmobill que fazem as vezes dos personagens retratados pelo artista. Esta criação acabou por se tornar a marca registrada de Sobral, que continuou a explorar este recurso, partindo também para reproduções de cenas de obras de arte icônicas, e, posteriormente, na releitura de padronagens de azulejaria portuguesa que desenvolveu em uma residência artística em Cascais, Portugal.

 

De acordo com o curador da exposição, o artista teve uma grande dificuldade em encontrar no Brasil as figuras de Playmobill de personagens negros, deparando-se com o desafio em importá-las, para que pudesse criar seus dioramas e fotografá-los, com o enquadramento muito aproximado aos apresentados nas pranchas de Debret. Em alguns casos, foi necessário criar adereços de forma artesanal, como as máscaras de ferro, abanadores e algumas peças de vestuário. Em outros, houve intervenções para que a cenografia e figurino apresentassem aspectos de desgaste do tempo, como revela o curador Marco Antonio Teobaldo.

 

 

De 29 de outubro até 14 de janeiro de 2017.

Valdir Cruz, fotos no MON

17/out

 

O Museu Oscar Niemeyer, MON, Curitiba, PR, apresenta a mostra “Valdir Cruz: IMAGO – o olhar do sabiá”. Vivendo em Nova Iorque desde 1978, o artista expõe agora em Curitiba o resultado de um trabalho desenvolvido ao longo de mais de 30 anos no Estado do Paraná. A exposição, produzida pelo MON, ocupa a sala 7. Com curadoria de Rubens Fernandes Junior, a exposição apresenta 80 imagens, divididas em três temas: Catedral Basílica de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais (1991 a 1993), com 30 obras; O caminho das águas (1994 a 2005), com 14 fotografias, e o ensaio Guarapuava (1982 até 2011), composto por 36 fotos da cidade, sobre este último, o fotógrafo comenta: “Foi um projeto de vida. Trinta anos de fotografia, que resultou em um total de mais de 5 mil negativos”.

 

A exposição apresenta o trabalho de um dos mais respeitados fotógrafos em âmbito internacional. “Para o Museu Oscar Niemeyer, realizar esta mostra de Valdir Cruz, reconhecido pelo altíssimo nível do acabamento do seu trabalho que faz com que o preto e o branco possam revelar um espectro de cores tão ou mais completo que qualquer imagem colorida, demonstra o empenho com que trabalhamos para trazer ao público o que de mais importante acontece na esfera das artes visuais no mundo, ainda com orgulho por se tratar de um artista paranaense”, ressalta a diretora-presidente do MON Juliana Vosnika.

 

“Os três ensaios aqui reunidos pela primeira vez denotam não apenas a importância da produção fotográfica de Valdir Cruz, mas, principalmente, resgatam sua presença no cenário das artes visuais do Estado do Paraná, depois de 25 anos sem expor em Curitiba. Cada uma das fotografias aqui exibidas tem uma história particular. São evocativas e de uma beleza sublime. Seu olhar não apenas investiga e documenta, mas se evidencia sua emoção naquele espaço territorial que abrigou as primeiras investigações e experimentações com a fotografia”, pontua o curador.

 

O projeto da Catedral Basílica Nossa Senhora da Luz dos Pinhais foi feito todo em fotografia de grande formato, ou seja, chapas em negativo de 18 x 24 cm. “A ideia era trabalhar a luz de um ano sobre a catedral. Era o pensamento de que o desenho arquitetônico da catedral em um determinado momento do ano iria me oferecer luz natural internamente onde fosse necessário, e assim aconteceu”, diz o fotógrafo.

 

Também o equipamento utilizado para fotografar e a técnica de impressão das cópias celebram a fotografia. O centenário da catedral ocorreu em 1993. A coleção foi exposta em Nova Iorque – CathedralSt John ofDivine (1994) – na Capela de StBonifacio, no Museu de Arte de São Paulo – MASP (1996), e em Curitiba pela primeira vez, nesta mostra no Museu Oscar Niemeyer.

 

“O que caracteriza os ensaios de Valdir Cruz é seu trabalho bastante singular nos dias de hoje, registrado em chapas de grande formato e seus sofisticados processos de impressão – gelatina de prata, platina e paládio, impressão digital com tinta mineral de longa permanência. Além disso, o desenvolvimento desses ensaios exigiu, à exceção do ensaio da Catedral, grandes deslocamentos e um tempo muito diferente da vida acelerada do nosso cotidiano”, ressalta o curador Rubens Fernandes Junior.

 

O caminho das águas se concretizou após uma extensa pesquisa sobre as quedas d’água no Paraná entre os anos de 1994 – 2005. Também em formato grande chapas, em negativo, no tamanho de 10 x 12 cm.

 

O curador complementa: ”Valdir Cruz sempre se manteve ligado às suas raízes: o ensaio sobre a Catedral é um importante documento sobre a edificação, o desenho das luzes no seu interior e, acima de tudo, um testemunho de fé; o ensaio sobre as Águas mostra a exuberância das quedas d’águas e das cachoeiras, bem como a diversidade da paisagem do interior do Paraná; e o ensaio Guarapuava é um verdadeiro testemunho visual, autobiográfico e com alguma nostalgia do filho pródigo”.

 

Um dos procedimentos adotados pelo artista, de acordo ainda com o curador, que revela um diferencial, é o acompanhamento de todas as etapas da realização da imagem, controles técnicos necessários para garantir a qualidade capaz de surpreender mesmo os olhares mais desatentos. Depois de revelado o negativo é escaneado em alta resolução para depois ser impresso, ampliado e digitalizado, com vários pigmentos (cinzas e pretos) que criam uma atmosfera diferenciada.

 

“O trabalho de Valdir Cruz é singular, pois não só encanta como surpreende pela maestria artística conseguida a partir de temas muitas vezes simples, mas que o artista retrata com sensibilidade única e indescritível. Para o Governo do Estado do Paraná e o Museu Oscar Niemeyer, trazer essa exposição de Valdir Cruz, elaborada ao longo de 30 anos de sua carreira, é, além de uma honra, uma oportunidade ímpar, um verdadeiro brinde à nossa população, que terá a chance de travar esse contato tão direto com o trabalho do artista”, comenta o secretário de Estado da Cultura, João Luiz Fiani.

 

 

Sobre o artista

 

Valdir Cruz nasceu em Guarapuava, no sul do Paraná, em 1954. Embora esteja vivendo nos Estados Unidos há mais de 30 anos, o principal foco de seu trabalho em fotografia é o povo e a paisagem do Brasil. De 1995 a 2000, concentrou-se em Faces da Floresta, projeto que documentou a vida dos povos indígenas do norte da Amazônia brasileira e que lhe valeu, em 1996, uma bolsa da Fundação Guggenheim. Seu trabalho está presente nas coleções permanentes do Museu de Arte de São Paulo (Masp), Museum of Modern Art (MoMA), de Nova Iorque, Museum of Fine Arts, de Houston, e do Smithsonian Institute, em Washington, D.C., entre outras. Valdir Cruz divide seu tempo entre seus estúdios em Nova Iorque e São Paulo.Publicou os seguintes livros: Guarapuava (São Paulo, Terra Virgem Edições, 2013), patrocínio Banco Mizuho do Brasil S.A. e Caminhos do Paraná S.A.; Bonito: Confins do Novo Mundo (Rio de Janeiro, Capivara Editora, 2010), patrocínio BNP Pariba; Raízes: Árvores na paisagem do Estado de São Paulo (São Paulo, Imprensa Oficial, 2010); O caminho das águas (São Paulo. Cosac Naify, 2007), patrocínio Fundação Stickel; Carnaval, Salvador, Bahia 1995-2005 (Nova Iorque, Throckmorton Fine Art, 2005); Faces da Floresta: Os Yanomami (São Paulo, Cosac Naify, 2004); Faces of the rainforest: The Yanomami (Nova Iorque, power House, 2002), apoio Fundação Guggenheim; Faces of the rainforest (Nova Iorque, Throckmorton Fine Art, 1997); Catedral Basílica de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais (Nova Iorque, Brave Wolf Publishing, 1996), apoio Associação Cultural Avelino A. Vieira – Bamerindus.

 

 

Até dia 04 de dezembro.

Marcone Moreira no Paço Imperial

14/set

A primeira exposição individual de Marcone Moreira, em uma instituição cariocareúne conjunto representativo de sua obra. Azuis, vermelhos, amarelos, verdes, brancos desbotados, prata. Lado a lado, empilhados ou formando ângulos retos. Uma explosão de vida no pátio do Paço Imperial, Centro, Praça XV de Novembro, Rio de Janeiro, RJ. É “Visualidade Ambulante”, trabalho impregnado de histórias e significados, a obra que inicia o percurso da mostra de Marcone Moreira, como um cartão de visitas anunciando uma de suas principais características: a ressignificação de objetos do cotidiano.

 

A curadoria é de Moacir dos Anjos e configura um recorte preliminar de cerca de dezanos da carreira do artista, incluindo projetos dos anos 2000 até sua mais recente produção,“Território”, trabalho feito especialmente para a mostra. Na obra inédita, Marcone reúne quatro porteiras de fazendas, de quatro diferentes regiões do Brasil, promovendo o encontro delas para que juntas delimitem um novo espaço.

 

– Nessa exposição, o artista reafirma as questões que o inquietam desde o início da carreira:o antagonismo entre o local e o global, o popular e o erudito, o poder econômico e a desigualdade social – revela o curador. Moacir destaca ainda que as obras de Marcone lançam um olhar sobre as tensões do Brasil de hoje, desigual e conflituoso, com marcantes oposições como o direito de propriedade e o direito do trabalho.

 

As características apontadas pelo curador estão evidenciadas logo no espaço anterior à primeira sala da exposição, onde dois porretes detrabalho estão pendurados por uma corda. São instrumentos profissionaiscoletados no Rio de Janeiro e no interior do Maranhão. O primeiro, de borracha, usado para bater em peixe nas feiras urbanas; o segundo, de madeira, indispensável para a extração do babaçu.

 

– Para Marcone não é necessário fazer; ele se apropria de formas de objetos existentes e nos reapresenta de outra maneira. Com seu filtro artístico, nos leva a olhar objetos com que nos deparamos no diaadia como se fosse pela primeira vez – ressalta o curador.

 

Um barco fatiado, estendido ao longo do piso, exibe a visualidade amazônica do artista na primeira sala expositiva. Essa estrutura horizontal traz uma das marcas mais identificáveis da obra de Marcone, as peças em madeira de embarcação apresentadas com um conceito ambíguo de meio de transporte e labuta. As obras com madeira de carrocerias de caminhão também estão na exposição: pedaços regulares e muito semelhantes compõem uma variedade gráfica e pictórica, como uma grande grade vertical, que também faz referência ao mundo do trabalho.

 

– A ideia é reunir um conjunto significativo e representativo da diversidade de meios que venho explorando nos últimos anos, além das peças mais reconhecíveis da minha carreira, como as esculturas em madeiras de embarcações, e um conjunto de peças com madeiras de carroceria de caminhão, material que volto a usar depois de uma experiência no interior de Goiás ano passado. Vídeo e fotografia também fazem parte da mostra – diz o artista.

 

No vídeo “Horizonte de ferro”, 2014, Marcone revela imagens antagônicas do homem e da máquina, onde a estrutura de poder rasga a paisagem – a linha férrea que escoa a produção de minério de Carajás é também peça fundamental no constante fluxo migratório entre os estados de Maranhão e Pará.

 

O díptico fotográfico “Ausente presença”, na última sala, é a obra mais contundente da mostra. De um lado, imagem de pés esculpidos em barro dentro da lama; do outro, texto memorial com os nomes dos 19 trabalhadores mortos pela Polícia Militar do Pará, na chacina de Carajás, em 1996.

 

A exposição Marcone Moreira tem o patrocínio da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro e da Secretaria Municipal de Cultura, através do Programa de Fomento à Cultura da Prefeitura do Rio – Viva a Arte! 2015.

 

 

 

De 21 de setembro a 20 de novembro.