Nós, os Gatos

16/out

O produtor cultural e artista plástico Marcio Meneghini, falecido este ano, era apaixonado por seu gato Cadu. Dessa paixão nasceu uma grande coleção de peças relacionadas ao mundo felino. Para homenagear Márcio, seu irmão, Écio Cordeiro de Mello, organizou a exposição “Nós, os Gatos”, que abre dia 17 de outubro no Parque das Ruínas, Santa Teresa, Rio de Janeiro, RJ.

 

Serão cerca de 100 peças sobre este bicho misterioso, dono de sete vidas. De brinquedos comprados em lojas de fast food até peças garimpadas em feiras de antiguidades pelo mundo, Marcio foi criando, pouco a pouco, um acervo que convida a todos a conhecerem um pouco mais sobre seu amor pelos animais de estimação. Um programa para toda a família, com classificação livre.

 

Se os gatos têm sete vidas, eles também têm muitas imagens. Pode ser Maneki Neko, o gato da sorte na cultura japonesa; ou Bastet, a personificação da deusa da fertilidade Antigo Egito; e ainda um personagem divino, muito comum nas culturas celta, persa e nórdica. O gato tem sua figura adorada em diferentes épocas, povos e culturas. Do melhor amigo das bruxas para companheiro fiel de Marcio Meneghini, esse animal felino é o tema central da exposição que tem entrada é gratuita e fica em cartaz até o dia 29 deste mês.

 

 

Sobre Marcio Meneghini – Por Cláudia Boechat

 

Um anjo endiabrado. Curioso, singular, querido. Assim era o Marcinho. Angelical por sua generosidade, alegria, solidariedade, carinho. Encapetado por suas travessuras e prazer de viver. Talvez por essas qualidades se apegou a um bichinho bem parecido com ele: o gato, sagrado e profano. Divino no Antigo Egito e favorito das bruxas; animal sensível e amoroso, além de famoso por suas traquinagens.

 

 

De 17 a 29 de outubro.

O IED apresenta a exposição

14/set

No IED Rio, Urca

 

O Istituto Europeo di Design (IED), Urca, Rio de Janeiro, RJ, exibe “A invenção da praia: cassino”, exposição com intervenções de doze artistas: Bruno Faria, Caio Reisewitz, Chiara Banfi, Giselle Beiguelman, Katia Maciel, Laercio Redondo, Laura Lima, Lula Buarque de Hollanda, Maria Laet, Mauricio Adinolfi, Nino Cais e Sonia Guggisberg. Com curadoria de Paula Alzugaray, arquitetura e expografia de Paula Quintas, e identidade visual de Celso Longo e Daniel Trench, a exposição ocupará todo o espaço das ruínas do antigo Cassino da Urca.

 

“A invenção da praia: cassino” tem como ponto de partida conceitual os desenhos preparatórios da arquiteta Lina Bo Bardi para um “Museu à Beira do Oceano”, que seria construído sobre as areias da praia de São Vicente, no litoral sul paulista, para abrigar uma coleção de arte brasileira. Sobre este tema, a curadora Paula Alzugaray realizou em abril de 2014, no Paço das Artes, em São Paulo, a mostra “A invenção da praia”, com a participação de artistas brasileiros e estrangeiros que reinventavam, dentro do espaço expositivo, a natureza da praia.

 

“O Museu de Lina não saiu do papel, mas o edifício que de 1933 a 1946 abrigou o Cassino da Urca, construído sobre as areias da Praia da Urca, será convertido em um autêntico Museu à Beira do Oceano, com trabalhos de doze artistas brasileiros, pensados e realizados especificamente para o local”, explica a curadora.

 

“A invenção da praia: cassino” é um projeto de arte, memória, ficção e arqueologia, observa ela. “Doze artistas foram convidados a escavar o passado, desenterrar mistérios e reescrever as histórias do edifício e de seus personagens, por meio de trabalhos realizados em performance, som, instalação, fotografia, texto e publicação”, conta.

 

Paula Alzugaray comenta que Joel Rufino dos Santos, historiador carioca que nos anos 1980 “ensinou aos brasileiros a valorizar a cultura africana ainda na fase embrionária do movimento negro no Brasil”, dizia acreditar “mais na literatura que na história, como instrumento capaz de contar a saga do povo brasileiro”. “A arte e a ficção são os meios utilizados neste projeto para reinventar histórias camufladas nas paredes e nichos das ruínas do antigo Cassino”, afirma.

 

 

IED: OBRAS DE REVITALIZAÇÃO

 

O prédio que do teatro do antigo Cassino será totalmente revitalizado, com previsão de início das obras ainda este ano, em um processo que abrangerá restauro e modernização de seu espaço para instalação do IED Lab – Centro de Inovação em Design. O antigo teatro abrigará um moderno auditório, para múltiplos usos. O IED é uma rede internacional de onze escolas de design em três países (Itália, Espanha e Brasil), com sede em Milão. Com 1.900 professores, todos inseridos no mercado, mais de mil parcerias com empresas e instituições em todo o mundo, já formou mais de 150 mil profissionais desde a sua fundação, em 1966. O IED é uma rede de ensino que proporciona intercâmbio de culturas e de constante aprimoramento do saber. “Saber é saber fazer” é a proposta que projetou a instituição, em seus mais de 50 anos de atividade, como centro de propostas inovadoras em design.

 

 

Até 16 de setembro.

Hoje e amanhã, o CIGA!!!

11/set

Para os dias 11 e 12 de setembro, segunda e terça-feira, as galerias do Rio de Janeiro prepararam uma programação especial para a quarta edição do CIGA – Circuito Integrado das Galerias de Arte. Serão 20 galerias com programação e horários especiais com abertura de exposições, visitas guiadas, conversas com artistas e performances, entre outras atividades.

 

O CIGA tem entre seus objetivos estimular a visitação às galerias de arte, além dos museus e centros culturais.

 

A organização terá um serviço de van gratuito que irá percorrer todas as galerias. Na segunda-feira a van sai às 17h30 da galeria Mul.ti.plo Espaço e Arte e na terça-feira sai às 17h30 do Espaço Saracura.

 

 

PROGRAMAÇÃO DO CIGA

11 de setembro – Segunda-feira

Bairros: Leblon, Ipanema e Copacabana

Horário: a partir das 17h

Leblon – 17h

 

 

 

Mul.ti.plo Espaço Arte

Rua Dias Ferreira 417, sala 206

Exposição individual “Estados de Imagem”, de Waltércio Caldas.

 

Desenhos, objetos, imagens e a própria exposição tratados como linguagem. Mais do que uma mostra, “Estados de Imagem” é uma reflexão surpreendente em torno da importância do desenho.

 

O espaço da galeria, como um gabinete, foi fundamental para acolher essa mostra de caráter intimista e com relações ao mesmo tempo potentes e delicadas ao olhar do espectador.

 

A mostra inclui trabalhos inéditos e recentes – 15 desenhos, três objetos e um múltiplo especialmente concebido para a ocasião.

 

Durante o período da exposição, será lançado o livro “Os Desenhos”, da editora Bei que, com texto de Lorenzo Mammi fala da trajetória dos desenhos do artista. É a primeira publicação a refletir sobre a importância do desenho em sua produção artística. Esta mostra é uma oportunidade única pois ao lado das esculturas e objetos, os desenhos são fundamentais em sua carreira.

 

 

Ipanema – a partir das 17h30

 

 

 

Lurixs Arte Contemporânea

Rua Dias Ferreira 214- Leblon

Exposição “Em Casa”. Coletiva de artistas da galeria e abertura da exposição do artista José Bechara.

 

Artistas: Amalia Giacomini, Coletivo MUDA, Elizabeth Jobim, Gustavo Prado, Geraldo de Barros, Hélio Oiticica, Hildebrando de Castro, José Bechara, Luciano Figueiredo, Manuel Caeiro, Mauricio Valladares, Paulo Climachauska, Raul Mourão, Renata Tassinari, Valdirlei Dias Nunes

 

 

Cassia Bomeny Galeria

Rua Garcia D´Ávila 196

Conversa com o artista Antônio Manuel, que possui mostra individual exposta na galeria

 

 

C. Galeria

Rua Visconde de Pirajá 580

Abertura da exposição “Espúrios”, de Bruno Melo e Felipe Fernandes

 

 

 

Galeria Nara Roesler

Rua Redentor 241

Abertura da exposição de “Morro Mundo”, de Laura Vinci. A mostra vai ocupar a galeria com uma suave massa de fumaça branca e convidar o visitante à experiência de desorientar-se no espaço e reorientar-se no corpo. A sua máquina programada para soltar fumaça à medida que seus sensores de presença são ativados, revela-se ao espectador pelos tubos de vidro que atravessam todo o espaço expositivo. Nesta instalação o vapor é anunciado antes de se dispersar no ar. Assim os tubos não só anunciam a experiência, como também são vitrines por onde o olho pode captar a fumaça em situação de controle. Depois de expelida, a fumaça domina o espaço, tornando as tubulações quase invisíveis para aquele que assiste à cena ao mesmo tempo que é tragado pela névoa

 

 

Martha Pagy Escritório de Arte

Rua Visconde de Pirajá 351, 14 andar Instituto Plajap

Vernissage e visita guiada a exposição ” Paisagens possíveis”, com a presença dos artistas Jaqueline Vojta, Marcelo Jácome e Pedro Gandra.

 

 

Galeria Marcelo Guarnieri

Rua Teixeira de Melo 31, Ipanema 

Exposição individual da artista Amelia Toledo

 

Copacabana – a partir das 19h30

 

 

Marcia Barrozo do Amaral Galeria de Arte

Avenida Atlântica 4240 / Shopping Cassino Atlântico

Mostra dos trabalhos do Ronaldo do Rego Macedo e bate papo com Cesar Bartolomeu

 

Movimento Arte Contemporânea

Avenida Atlântica 4240 / Shopping Cassino Atlântico

Perfomance e conversa com o artista Xico Chaves/SoloTransição

 

 

Patricia Costa Galeria de Arte

Avenida Atlântica 4240 / Shopping Cassino Atlântico

Inspirada em paisagens urbanas, a artista Cláudia Porto propõe um passeio pelo mundo em sua exposição individual, Cláudia PortoAtravessando o Espelho. Com curadoria de Marisa Flórido, a mostra reúne 15 pinturas inéditas, em pequenas e grandes dimensões, produzidas entre 2013 e 2017.

 

 

Galeria Inox

Avenida Atlântica 4240 / Shopping Cassino Atlântico

Há 12 anos, os irmãos Gustavo e Guilherme Carneiro, sócios da Galeria Inox, colecionam obras de Oscar Niemeyer. Entre desenhos e esculturas, o acervo conta com 42 peças. A exposição O. NIEMEYER – Arquivo Inox, traz 20 obras especialmente para o CIGA – CIRCUITO INTEGRADO DAS GALERIAS DE ARTE.

 

A mostra apresenta quatro obras emblemáticas do arquiteto na visão dos colecionadores. “Entre as peças, destacamos duas esculturas – do Sambódromo e uma flor vermelho oferecida de presente para Jorge Amado -, sete desenhos do Memorial JK e um desenho de Niemeyer sobre como deveria ser Copacabana”, conta Gustavo.

 

 

Athena Contemporânea

Avenida Atlântica 4240 / Shopping Cassino Atlântico

Exposição The Fool’s Year, de Matheus Rocha Pitta.

 

Uma única instalação, que dá nome à mostra. A obra é um grande calendário, com 365 dias, onde, no lugar de cada dia, há uma foto de jornal de manifestantes com cartazes ou bandeiras. O artista substituiu as demandas politicas pela data 1o de abril, repetindo esse mesmo dia em todo o calendário. “O 1o de abril não é só o dia da mentira, mas sim o dia em que a verdade e a mentira se confundem. Se vivemos no tempo da pós-verdade então habitamos um eterno primeiro de abril”, afirma o artista. O calendário foi mostrado em Berlin, onde Matheus passou um ano na residência Kunstlerhaus Bethanien. O dia da mentira em inglês se chama “Fool’s Day”, portanto, o calendário, realizado em Berlin, se chama “Fool’s Year”.

 

12 de setembro – Terça-feira

Bairros: Saúde, Glória, Botafogo, Gávea e Jardim Botânico

Horário: a partir das 17h

Saúde – 17h

 

 

Espaço Saracura

Rua Sacadura Cabral 219

Conversa com gestores do espaço e com o artista Alan Sieber

 

Glória – a partir das 18h

 

 

Athena Contemporânea

Rua Barão de Guaratiba, 28

Visita guiada à exposição O Reino do Céu, com a presença do artista Matheus Rocha Pita.

 

Num galpão no bairro da Glória, uma igreja é montada: “O Reino do Céu”, ambiente onde imagens de gás lacrimogênio lançados sobre civis são articuladas em torno de um vocabulário cristão, tais como uma cruz e uma pia batismal. “O público é convidado a percorrer a instalação, que tem um caráter imersivo, semelhante a um caminhar nas nuvens”, afirma. Rocha Pitta faz uma comparação entre as nuvens da iconografia cristã com as nuvens de gás das policias de todo o mundo. “Descontextualizadas, a articulação das imagens no ambiente da igreja apontam pra uma leitura perturbadora do nosso cenário político”, ressalta.

 

Botafogo – a partir das 18h

 

 

Cavalo

Rua Sorocaba 51

Visita guiada a exposição “Luz Partida”, de Felipe Cohen

 

A exposição traz trabalhos inéditos do artista paulistano, que partem da sua pesquisa em geometria e desdobram o tema da paisagem em diferentes suportes. Serão dez pinturas sobre madeira da série ‘Luz partida’, que dá título à exposição. Nessas obras, triângulos de madeira coloridos com tinta acrílica são dispostos como peças em uma estrutura que remete ao tabuleiro de um jogo. Nele, o artista organiza essas peças, criando paisagens minimalistas.

 

Completando a exposição está uma peça de quase três metros de comprimento que combina dois materiais antagônicos, artifício que Cohen utiliza desde o início de sua carreira : feltro e vidro.

 

Gávea – a partir das 19h

 

 

Anita Schwartz Galeria de Arte

Rua José Roberto Macedo Soares 30

Visita guiada à exposição “Grito e Paisagem”, de Nuno Ramos.

 

A mostra reúne no grande espaço térreo da galeria quatro pinturas com 1,85m de altura e 2,75m de largura, e profundidade em torno de 30 centímetros. A quinta pintura é maior, com 2,75 de altura e 3,70m de largura. Todas são feitas com vaselina, cera de abelha, pigmentos, tinta a óleo, tecidos, plásticos e metais sobre madeira.

 

Esta é a primeira vez que Nuno Ramos mostra no Rio de Janeiro suas pinturas com vaselina e tinta a óleo, em encáustica – técnica milenar de mistura a quente de pigmentos e cera – pesquisa que o destacou no cenário da arte nos anos 1980, e que abandonou no final da década seguinte.

 

 

Silvia Cintra + Box 4

Rua das Acácias, 104 – Gávea

Abertura da exposição Martelinho de Ouro, do artista Marcius Galan.

 

Em sua terceira individual na galeria Silvia Cintra + Box 4, o artista paulistano apresenta uma série de objetos que dialogam com a pintura, arquitetura e o desenho. São obras que provocam o olhar do espectador criando elementos de tensão entre os materiais e sugerindo uma reflexão sobre as relações de desarmonia e conflito.

 

 

Mercedes Viegas Arte Contemporânea

Rua João Borges 86

Visita guiada a exposição “Quase Plano”, do artista Luiz d’Orey

 

É entre a rua e o ateliê… Entre a intenção e o acaso, que acontece a pintura de Luiz d’Orey. Essa é a primeira exposição individual do artista, com 15 pinturas inéditas em formatos diversos. Os trabalhos fazem parte de uma série que vem desenvolvendo há 2 anos. Para a construção de uma imagem, que tem como ponto de partida fotos tiradas de construções e da arquitetura de cidade de NY, o artista utiliza pôsteres arrancados dos tapumes de obra como o seu principal material.

 

 

Galeria da Gávea

Rua Marquês de São Vicente 432

Inauguração do novo espaço da galeria e conversa com o curador Bernardo Mosqueira sobre a exposição do fotógrafo Luis Braga.

 

Ao longo dos mais de 40 anos de sua premiada carreira, o fotógrafo paraense Luiz Braga tornou-se uma sólida referência na produção visual contemporânea brasileira.

 

Sua produção P&B é o grande destaque da mostra individual Espelho d’água, que marca a inauguração da nova sede da Galeria da Gávea, uma casa tombada de 1881. A exposição reúne cerca de 30 trabalhos, a maioria inéditos, produzidos desde os anos 1980 até hoje. De tamanhos variados, há novas impressões e também cópias vintage, impressas pelo artista na época em que as imagens foram feitas.

 

 

Galeria Paçoca

Rua Major Rubens Vaz, 103, casa – Gávea.

Exposição da artista Luluta Alencar.

 

“Como tecer pegadas ao vento” vem novamente carregada de signos de uma narrativa fragmentada, indireta que desconstrói as possibilidades de uma leitura única e linear e que tece a vida e a obra ao mesmo tempo.

 

Nessa exposição o público será testemunha de riquezas afetivas que a artista oferece com a cumplicidade e a intimidade de quem abre um diário.

 

A artista acredita que só o afeto é capaz de criar um canal de comunicação entre as pessoas e é exatamente essa troca genuína de memórias e sentidos que a artista vem buscando em seu trabalho.

 

Jardim Botânico – a partir das 20h

 

 

Carpintaria

Rua Jardim Botânico 971

Exposição de Adriana Varejão e Paula Rego

 

Um diálogo instigante entre duas gigantes da pintura. A portuguesa Paula Rego e brasileira Adriana Varejão exibem lado a lado uma seleção de trabalhos na Carpintaria, espaço da Fortes D’Aloia & Gabriel no Rio de Janeiro, cuja vocação é promover exercícios amplos de pensamento, estimulando o diálogo entre diferentes autores, formas de expressão ou linguagem. Trata-se de um encontro singular que, como num dueto, permitirá ao público identificar sintonias e singularidades, iluminando ainda mais suas poéticas, seja pelo reconhecimento de afinidades seja pela revelação de contrastes.

 

 

 

Sobre a ArtRio

Em 2017, a ArtRio estreia em novo endereço: a Marina da Glória. O evento, que acontece de 13 a 17 de setembro, vai reunir importante galerias brasileiras e internacionais. Chegando a sua 7ª edição, a feira tem entre suas metas ser um dos principais eventos mundiais de negócios no segmento da arte.

 

A ArtRio pode ser considerada uma grande plataforma de arte contemplando, além da feira internacional, ações diferenciadas e diversificadas com foco em difundir o conceito de arte no país, solidificar o mercado, estimular e possibilitar o crescimento de um novo público oferecendo acesso à cultura.

 

A ArtRio é apresentada pelo Bradesco, através da Lei de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura. O evento tem patrocínio da CIELO e Stella Artois, apoio das marcas Minalba, IRB Brasil RE e Pirelli, e apoio institucional da Estácio, Klabin e High End.

 

Artesania Fotográfica

31/jul

O Espaço Cultural BNDES, Centro, Rio de Janeiro, RJ, inaugura dia 1º de agosto a exposição “Artesania Fotográfica – a construção e a desconstrução da imagem”, sob curadoria da pesquisadora Marcia Mello, com obras de sete fotógrafos contemporâneos brasileiros que usam processos alternativos de impressão de imagem, como as praticadas a partir de 1839 e até o início do século XX por amadores e profissionais: daguerreotipia, ambrotipia, fotogravura, cianotipia, albumina e calotipo.

 

Para essa exposição, concebida especialmente para o Espaço Cultural BNDES, a curadora elegeu trabalhos com temáticas recorrentes ao universo fotográfico: retratos, paisagens, objetos, vegetais. No entanto, os resultados obtidos por Ailton Silva, Cris Bierrenbach, Francisco Moreira da Costa, Mauro Fainguelernt, Ricardo Hantzschel, Roger Sassaki e Tiago Moraes surpreendem com abordagens transgressoras, que fragmentam o espaço e trazem uma visualidade contemporânea aos temas clássicos. A produção de fotografias com técnicas históricas contrasta violentamente com a profusão de imagens geradas hoje por aparelhos celulares e a facilidade de sua difusão pelas redes sociais e outras mídias.

 

A indústria fotográfica, que se iniciou em 1880, padronizou formatos, técnicas, equipamentos e a maneira de fazer fotografia. A estrutura dos materiais ficou limitada a alguns modelos e as técnicas artesanais caíram em desuso. Pesquisando livros antigos, decifrando fórmulas em manuais técnicos, os fotógrafos dessa mostra adaptam os materiais e as etapas do trabalho para obtenção da imagem única, incomum e intrigante. A exposição inclui equipamentos, instrumental, produtos químicos para trazer ao público um pouco do mundo do laboratório e do estúdio dos fotógrafos. Também estão em exibição alguns exemplares fotográficos históricos para um cotejamento entre a produção atual e a dos séculos anteriores. A fotógrafa Regina Alvarez (Rio de Janeiro, 1948-2007), pioneira na retomada do uso de técnicas alternativas de produção e impressão de fotografia no Brasil nos anos 1970, é homenageada com apresentação de documentos, anotações pessoais e trabalhos de sua autoria.  

 

 

Técnicas

 

Daguerreotipia – imagem única, não reproduzível e totalmente inorgânica, produzida em suporte metálico, sem emulsões, apenas através da reação química entre prata, iodo, bromo e mercúrio.

 

Ambrotipia – imagem fotográfica positiva sobre placas de vidro. Método antigo, surgiu no início da década de 1850, como alternativa ao daguerreótipo.

 

Cianotipia – processo de cópia fotográfica de desenhos, plantas, mapas etc. sobre papel tratado com sais de ferro.

 

Albumina – substância extraída da clara de ovo e usada para fixar os sais de prata ao papel. Foi a forma mais popular de impressão fotográfica até o início do século XX.

 

Calotipo – papel fino sensibilizado em sais de iodeto, brometo e prata que é exposto ainda úmido na câmera e rapidamente revelado, gerando uma imagem negativa.

 

 

Artistas participantes

 

Ailton Silva (Candeias, Bahia, 1980)

As imagens de plantas e paisagens da Argentina usam a impressão sobre papel albuminado (com clara de ovo), muito usado no século XIX, e hoje feitos artesanalmente por ele. Ailton Silva é impressor especializado em processos analógicos históricos e contemporâneos e responsável pelo laboratório do Instituto Moreira Salles, de preservação e restauração de acervos de negativos originais. Vive e trabalha no Rio de Janeiro.

 

Cris Bierrenbach (São Paulo, 1964)

Adaptou técnicas históricas para obter imagens de conteúdo e estética atuais. Ela usa goma bicromatada para a impressão de retratos sobre tecido e a daguerreotipia para objetos reminiscentes do terremoto no Haiti de 2010. Fotógrafa e artista plástica, Cris Bierrenbach iniciou carreira como repórter fotográfica na Folha de São Paulo, em 1989. Desenvolve um trabalho artístico que inclui vídeo, performance, instalação e pesquisa sobre técnicas de impressão fotográfica do século XIX, com ênfase na produção de daguerreótipos. A artista vive e trabalha em São Paulo.

 

Francisco Moreira da Costa (Rio de Janeiro, 1960)

Pesquisa a daguerreotipia desde 1996, sendo o único brasileiro a utilizar a técnica original e está entre os 50 daguerreotipistas contemporâneos em atividade no mundo inteiro.  Os objetos retratados – candeeiros, cestos, jarro de flores, raízes, frutas – trazem o passado abandonado, que percorre toda a produção de Francisco,  que propõe recuperar objetos e paisagem esquecidos pelo tempo. Vive e trabalha no Rio de Janeiro.

 

Mauro Fainguelernt (Rio de Janeiro, 1962)

Seu fazer fotográfico remonta ao princípio da fotografia: a geração de uma imagem em uma câmera escura construída por ele mesmo – Pinhole -, sem lentes ou qualquer outro recurso tecnológico. A série Anamórfica é constituída por imagens feitas com essas câmeras, a partir de experiências com diferentes planos cônicos de projeção. As obras se deslocam entre o plano e o espaço, fotografia e objeto tridimensional, onde a imagem e o objeto se misturam formando uma obra híbrida. Vive e trabalha no Rio de Janeiro.

 

Ricardo Hantzschel (São Paulo, 1964)

Retoma um dos primeiros processos fotográficos desenvolvido por Fox Talbot na Inglaterra, o calótipo, raro nas coleções brasileiras e na prática contemporânea. Viajante, pesquisador, mestre de oficina, íntimo do mar, escolheu registrar territórios de salinas, em Cabo Frio, Araruama e outros canteiros geométricos de brancura total. Em razão de o trabalho ser manual, vê-se a pincelada dos produtos químicos no perímetro da imagem. Vive e trabalha em São Paulo.

 

Roger Hama Sassaki (São Paulo, 1977)

Pratica a ambrotipia, usa o vidro e o papel como suporte para chegar a imagens negativas, com equipamentos antigos e respeitando os formatos diminutos da época, em retratos e paisagens urbanas, nessa exposição. Sassaki atua na área de documentação fotográfica de comunidades brasileiras e também do cenário musical paulistano. Explorador visual, trabalha em estúdio e circula pela cidade com uma caixa de revelação acoplada à bicicleta,   registrando-a em calótipos e ambrótipos. Para  divulgar suas pesquisas de processos históricos em fotografia, criou o site  Imagineiroimagineiro.com.br. Vive e trabalha em São Paulo.

 

Tiago Moraes (São Paulo, 1966)

Usa a cianotipia e a platinotipia para fazer grandes panorâmicas de paisagens urbanas, fragmentadas e complementares, de forte impacto visual. Fotografa com negativo de grande formato, edita dezenas de fotogramas justapostos, usando papel sensibilizado com sais de ferro ou platina. A obra de Tiago Moraes recupera elementos basilares da linguagem e da prática da fotografia, como o formato panorâmico. Ele constrói seus panoramas a partir de uma única sessão de fotografia, onde todo o espaço de percepção visual possível é registrado, com deslocamentos de câmera no sentido horizontal e vertical. Vive e trabalha no Rio de Janeiro.

 

 

Sobre a curadora

 

Marcia Mello é bacharel em Letras pela UFRJ, pesquisadora, curadora e conservadora de fotografia. Entre 2006 e 2016 foi diretora-curadora da Galeria Tempo, RJ. É autora dos livros “Só Existe um Rio” (Andrea Jakobsson Estúdio, 2008) e “Refúgio do Olhar, a fotografia de Kurt Klagsbrunn no Brasil dos anos 1940” (Casa da Palavra, 2013), ambos em parceria com Mauricio Lissovsky. Entre suas atividades mais recentes, estão a co-curadoria de  “Kurt Klagsbrunn, um fotógrafo humanista no Rio (1940-1960)”, “Rossini Perez, entre o morro da Saúde e a África” e “Ângulos da Notícia, 90 anos de fotojornalismo em O Globo”, no MAR, todas em 2015. Assinou a curadoria de “Tempos de Chumbo, Tempo de Bossa – os anos 60 pelas lentes de Evandro Teixeira”, Centro Cultural da Justiça Federal, RJ, 2014, e “Deveria ser cego o homem invisível?”, individual de Renan Cepeda na Galeria Espaço SESC Copacabana, 2015. Como pesquisadora, participou das exposições e livros: “Alair Gomes – A new Sentimental Journey” (Cosac Naify, 2009) e “Caixa Preta – fotografias de Celso Brandão” (Estúdio Madalena, 2016), ambas com curadoria de Miguel Rio Branco e exibidas na Maison Européenne de la Photographie em Paris.

 

 

Até 22 de setembro.

José Bechara em “Fluxo Bruto”

20/jul

Exposição no Salão Monumental do MAM, Parque do Flamengo, Rio, com trabalhos inéditos, celebra os 60 anos do artista, e sua trajetória iniciada em 1992.  A exposição “Fluxo Bruto”, com abertura no dia 25, com trabalhos inéditos de José Bechara, celebra seus 60 anos e sua trajetória iniciada em 1992. A curadoria é de Beate Reifenscheid, curadora e diretora do Ludwig Museum, Koblenz, Alemanha.

 

No próximo dia 27 de julho, das 15h às 18h, haverá uma conversa gratuita e aberta ao público, com o artista e os curadores Beate Reifenscheid, Fernando Cocchiarale e Fernanda Lopes, curadores do MAM Rio. A distribuição de senhas será feita a partir das 14h, na bilheteria do Museu. A palestra será ministrada em língua inglesa, sem tradução. Capacidade 50 pessoas.

 

A mostra reúne trabalhos tridimensionais em grande escala, realizados em alumínio, mármore, madeira e vidros planos, além de pinturas sobre lona. O conjunto é formado por trabalhos inéditos, alguns deles desenvolvidos a partir de obras anteriores, que ganharam “novas ativações, contaminados pelas demais peças e pelo espaço arquitetônico”, comenta o artista.

 

José Bechara diz que “Fluxo Bruto” propõe uma “mirada para trabalhos em permanente alteração. Em estado bruto, esses trabalhos movimentam-se no curso da produção, e devem se concluir na obra a seguir”. “Com exceção das pinturas, todos os demais trabalhos serão ‘construídos’ no espaço expositivo durante os dias de montagem, a partir de escolhas frente às relações espaciais e de vizinhança entre as obras”, explica o artista. Na grande parede branca do Salão Monumental, com trinta metros de comprimento, estarão três diferentes trabalhos com vidros planos, pertencentes ao que o artista chama de “pesquisa recente”.

 

Beate Reifenscheid afirma que “José Bechara é um dos artistas mais interessantes da cena de arte contemporânea brasileira. Iniciou a carreira como pintor, com uma forma de linguagem radicalmente reduzida, compromissada, ainda hoje, com a arte concreta no sentido mais amplo da palavra. São a sua noção e o seu entendimento profundos das estruturas construtivas que formam o esqueleto interno de suas pinturas, que modulam cores num tipo de espaço flutuante, ilimitado”. Ela observa que “fica claro também que o foco do artista está sempre em penetrar o espaço e compreender suas dimensões em percepção. O concreto e o não concreto estão fundamentados diretamente no nível das perspectivas possíveis”. A curadora destaca que “na arte contemporânea, o vidro é um material recém-explorado e artistas famosos, como Pierre Soulages, Gerhard Richter e Ai Weiwei, fizeram experiências com ele. As obras em vidro de José Bechara salientam a percepção conceitual do construtivismo brasileiro e a transferem para uma abordagem contemporânea”.

 

O primeiro, “Rabiscada”, utilizará cerca de dez placas – transparentes e leitosas – algumas suspensas e outras apoiadas no piso com cerca de 3,5m de altura e 10m de largura. Em meio às placas, uma linha geométrica formada por cerca de 20 varas finas, com 2m cada, na cor laranja percorrerá toda a extensão do trabalho desenhando por vezes à frente, por trás e também suspensas ou apoiadas na parede.

 

O segundo trabalho em vidro, “Sobre brancos”, abrange quatro placas de vidro suspensas contra a parede branca principal do Salão monumental. A obra contém outros elementos de “variados tons de branco, incluindo papel vegetal e finas lâmpadas brancas de neon também na cor branca”.

 

O terceiro trabalho em vidro, com o título provisório “ ngelas”, é o que exigirá maior logística na montagem, e demandará um guindaste para içar ao local expositivo três esferas maciças de diferentes mármores, pesando a maior cerca de 1,6 tonelada e as duas menores 250 kg cada, aproximadamente.  Todos os elementos (vidros e esferas) estarão suspensos a alturas entre 2 metros e 30 cm do piso.

 

Na grande parede de concreto, ao fundo do Salão monumental, estará uma nova versão da peça “Miss Lu Super-Super (2009-2017)”, que terá sua volumetria ampliada e ganhará elementos “intrusos” também em alumínio, chegando ao tamanho aproximado de 10m X 10m X 3m.

 

Na parede que faz face ao terraço, estarão três pinturas inéditas de aproximadamente 1,7m0 X 3,30m cada, além de um díptico “Visto de frente é infinito“, de cerca de 1,80m X 5m, pertencente à coleção Dulce e João Carlos Figueiredo Ferraz, e outras duas pinturas da coleção Gilberto Chateaubriand/MAM Rio.

 

Fernando Cocchiarale e Fernanda Lopes, curadores do MAM, observam no texto que acompanha a exposição, que os trabalhos de José Bechara, em alumínio, mármore, madeira, placas de vidro, tinta e oxidação de emulsões de cobre e ferro, são “tridimensionais que se confundem com pinturas, bidimensionais que se aproximam de esculturas”. “Trabalhos inéditos por estarem, de fato, sendo vistos pela primeira vez ou por reunirem peças realizadas em anos anteriores em outros arranjos, como a ampliação da volumetria original ou a adição de elementos intrusos, pensados a partir da relação com o espaço arquitetônico ou do diálogo com o conjunto da exposição”, comentam.

 

 

Trajetória

 

José Bechara iniciou sua trajetória com uma exposição individual no Centro Cultural Candido Mendes, no Rio de Janeiro, em 1992, mesmo ano em que integrou as coletivas “Gravidade e Aparência”, e “Diferenças”, ambas no Museu Nacional de Belas Artes, e “9X6”, na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, todas no Rio de Janeiro.

 

“Só me lembro dessa coisa de 25 anos de trabalho quando alguém me pergunta. Como todos os dias acontece alguma coisa nova, tem sempre um ‘acidente’ novo no ateliê, eu não penso nisso. Dou mais atenção ao que pode acontecer do que o que aconteceu. Todo dia se parece com o primeiro dia. Quanto à idade, é a mesma coisa, já que todo dia tenho um novo plano. Estou sempre pensando em fazer alguma coisa que precisa de  tempo pra ser feita, então acho que não tenho muito interesse em idade. Tenho uma leve obsessão pelo porvir. Ainda”, diz o artista.

 

José Bechara se programa para participar, em setembro, da Bienalsur, em Buenos Aires, em outubro, da Bienal de Beijing, e em dezembro apresentará uma individual na galeria norte-americana Diana Lowenstein, por ocasião da Art Basel Miami. Em fevereiro de 2018, fará um projeto especial para a galeria XF Projects, em Madri. O artista expôs este ano em Portugal, com curadoria de Miguel Sousa Ribeiro, no Espaço Adães Bermudes, em Alvito, no Centro de Artes e Cultura de Ponte de Sor, e no Círculo de Artes Plásticas de Coimbra. Esteve presente na ARCO 2017 (Feira de Arte Contemporânea), em Madri, nos espaços da galeria espanhola XF Projects (Palma de Maiorca e Madri), e das galerias portuguesas Mario Sequeira, na cidade de Braga, e Carlos Carvalho, em Lisboa. Em 2016, integrou a exposição “(In) Mobiliario”, na Galeria Habana, em Havana; “The agony and the ecstasy – Latin American art in the collections of Mallorca; A review based on contemporaneity”, no Museo d’Art Modern i Contemporani de Palma, em Palma de Mallorca, Espanha; “Este lugar lembra-te algum sítio? – 1º momento”, no Centro para os Assuntos de Arte e Arquitetura, Guimarães, Portugal; e a premiada “Em polvorosa – Panorama das Coleções MAM Rio”, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Em novembro de 2015, o Ludwig Museum fez uma grande individual do artista, com curadoria de Beate Reifenscheid.

 

 

Minibio de José Bechara

 

José Bechara nasceu no Rio de Janeiro em 1957, onde trabalha e reside. Estudou na Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV), localizada na mesma cidade. Participou da 25ª Bienal Internacional de São Paulo; 29ª Panorama da Arte Brasileira; 5ª Bienal Internacional do MERCOSUL; Trienal de Arquitetura de Lisboa de 2011 e das mostras “Caminhos do Contemporâneo” e “Os 90” no Paço Imperial – RJ. Realizou exposições individuais e coletivas em instituições como Fundação Eva Klabin–BR; Culturgest – PT; Instituto Figueiredo Ferraz–BR; Fundação Iberê Camargo – BR; MEIAC – ES; Instituto Valenciano de Arte Moderna – ES; MAM Rio de Janeiro – BR; MAC Paraná – BR; MAM Bahia – BR; MAC Niterói – BR; Instituto Tomie Ohtake – BR; Museu Vale – BR; Ludwig Museum (Koblenz) – DE; Haus der Kilturen der Welt – DE; Ludwig Forum Fur Intl Kunst – DE; Kunst Museum – DE; Museu Brasileiro da Escultura (MuBE) – BR; Centro Cultural São Paulo – BR; ASU Art Museum – USA; Museo Patio Herreriano (Museo de Arte Contemporáneo Español) – ES; MARCO de Vigo – ES; Es Baluard Museu d’Art Modern i Contemporani de Palma – ES; Carpe Diem Arte e Pesquisa – PT; CAAA – PT; Musee Bozar – BE; Museu Casa das Onze Janelas – BR; Casa de Vidro/Instituto Lina Bo e P.M. Bard –  BR; Museu Oscar Niemeyer – BR; Centro de Arte Contemporáneo de Málaga (CAC Málaga) – ES; Museu Casal Solleric – ES; Fundação Calouste Gulbenkian – PT; entre outras. Possui obras integrando coleções públicas e privadas, a exemplo de MAM Rio de Janeiro – coleção Gilberto Chateaubriand – BR; Pinacoteca do Estado de São Paulo – BR; Museu Oscar Niemeyer – BR; Centre Pompidou – FR; Es Baluard Museu d’Art Modern i Contemporani de Palma – ES; Instituto Figueiredo Ferraz – BR; MAC Niterói –  Coleção João Sattamini – BR; Instituto Itaú Cultural – BR; MAM Bahi – BR; MAC Paraná – BR; Ludwig Museum (Koblenz) – DE; Culturgest – PT; Benetton Foundation – IT; CAC Málaga – ES; ASU Art Museum USA; MOLAA – USA; Ella Fontanal Cisneros – USA; Universidade Cândido Mendes – BR; MARCO de Vigo – ES; Brasilea Stiftung – CH; Fundo BGA – BR.

 

 

Sobre Beate Reifenscheid  

 

Beate Reifenscheid é historiadora da arte, crítica de arte e curadora, especializada em Arte Contemporânea e Arte do século XX, relações artísticas entre Europa e China, e no papel dos museus e suas exposições. Estudou História da Arte, Estudos Alemães, Jornalismo e Comunicação na Ruhr-University, em Bochum, Alemanha, e na Universidade de Madri, Espanha. Em 1985 se tornou Mestre em Arte, e em 1988 recebeu seu PhD em História da Arte, pela Ruhr-University Bochum. Integrou de 1989 a 1991 a equipe do Saarland Museum, em Saarbrücken, Alemanha, onde chefiou, de 1991 a 1997, o Departamento de Pinturas e Desenhos, e também o de Departamento de Comunicação. Desde 1997 é diretora do Ludwig Museum, em Koblenz, Alemanha, e desde 2000 profere conferências em diversas instituições. É, desde 2013, professora honorária na Universidade de Koblenz-Landau, na Alemanha. Preside o ICOM (Comitê Internacional de Museus) da Alemanha.

 

 

 

De 26 de julho a 05 de novembro.

Filme para Milhazes

05/jul

Após a exibição de “Arquitetura da Cor”, documentário sobre a obra de Beatriz Milhazes, dirigido por José Henrique Fonseca, a Fortes D´Aloia & Gabrial/Carpintaria, Jardim Botânico, Rio de Janeiro, RJ, promove uma conversa entre a artista e a curadora Luiz Interlenghi.

 

 

Quando

Dia 06 de julho

Hora

19hs

 

 
Sobre a artista

 
Beatriz Milhazes é formada em Comunicação Social. Ingressou na Escola de Artes Visuais do Parque Lage em 1980, onde estudou até 1983. Como professora de pintura, lecionou até 1996. Milhazes é considerada uma das mais importantes artistas brasileiras. Consolidou sua carreira no circuito nacional e internacional das Artes Plásticas com participação nas bienais de Veneza (2003), São Paulo (1998 e 2004) e Shangai (2006), e exposições individuais em museus e instituições prestigiosas, como a Pinacoteca do Estado de São Paulo (2008); a Fondation Cartier, Paris (2009); a Fondation Beyeler, Basel (2011); a Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa (2012); o Museo de Arte Latinoamericano (Malba), Buenos Aires (2012); e, mais recentemente, o Paço Imperial, Rio de Janeiro (2013), e o Pérez Art Museum, Miami, USA (2014/2015). Suas obras integram as coleções do Museum of Modern Art (MoMA), Solomon R. Guggenheim Museum e The Metropolitan Museum of Art (Met), em Nova York; do 21st Century Museum of Contemporary Art, no Japão; e do Museo Reina Sofia, em Madrid, entre outros. A artista vive e trabalha no Rio de Janeiro.

Siron em Roma

19/jun

O pintor Siron Franco faz uma pausa entre as preparações de comemoração de seus 70 anos em 2018 e realiza exposição individual – com nova série de trabalhos – a partir do próximo dia 30 na Sala Palestrina, Palazzo Pamphilij, Embaixada do Brasil.

Jaildo Marinho no MAM-Rio

06/jun

Artista brasileiro radicado em Paris há mais de 20 anos, Jaildo Marinho apresenta sua produção recente na mostra “Cristalização” no MAM-Rio, Praia do Flamengo, Rio de Janeiro, RJ. Formada por 13 pinturas, uma instalação e cinco esculturas, a mostra é uma releitura da abstração geométrico-construtiva que exerceu prolongada influência na arte moderna brasileira. Ao integrar nestas obras elementos formais construtivistas e materiais clássicos (mármore de Carrara, por exemplo), Jaildo Marinho os ressignifica no universo híbrido da produção contemporânea. A curadoria é de Jacques Leenhardt. Uma realização da Pinakotheke Cultural (leia-se Max Perlingeiro).

 

 

Cristalização de Jaildo Marinho

 

por Jacques Leenhardt

 

Esta exposição de Jaildo Marinho está organizada em torno de uma instalação central: “Cristalização”, obra de 2017. Em um ambiente impregnado pelas cores da ametista, essa peça é construída em redor de um vazio: essa é, em geologia, a condição para que o tempo infinito dos processos minerais venha a formar cristais que, ao se desenvolverem livremente, acabam constituindo um geodo. Emblema da exposição inteira, essa estrutura cristalina reproduz, na escala do museu, o longo processo através do qual se elabora o mundo mineral, mediante reduplicações e simetria.

 

Flávio de Carvalho declarava em seu Manifesto para o Salão de Maio de 1939: “A arte abstrata, safando-se do inconsciente ancestral, libertando-se do narcisismo da representação figurada, da sujeira e da selvageria do homem, introduz no mundo plástico um aspecto higiênico: a linha livre e a cor pura, quantidades pertencentes ao mundo de raciocínio puro, a um mundo não subjetivo que tende ao neutro.” A exposição de Jaildo Marinho constitui uma reflexão profundamente renovada a partir de Mondrian e do neoconcretismo brasileiro, o de Hélio Oiticica e de Waldemar Cordeiro.

 

A geração de artistas da qual Jaildo faz parte pensa imediatamente em termos de espaço perceptivo e, portanto, também de espaço de museu. A obra deixa de ser considerada em sua autonomia de objeto confinado em si mesmo. Ela pertence, de imediato, a um conjunto: cada parte traz a sua contribuição para a exposição, como um todo que oferece a moldura em que cada elemento adquire o seu sentido.

 

Ao colocar a sua exposição sob o signo da cristalização, Jaildo impõe a evidência dinâmica da repetição, do efeito especular e da estrutura abismal enquanto princípios composicionais.

 

Ao conferir uma importância particular à luz e às suas variações em Cristalização, Jaildo Marinho reposiciona o espectador e a sua sensibilidade no âmago do processo artístico. A pulsação da luz no geodo assinala o face a face entre o tempo da visita, sensível e movente, que ritma a existência do observador, por um lado, e, por outro, o tempo mineral secular que arbitra a fabricação do cristal. A tensão entre essas duas temporalidades abre à força, aqui, as portas misteriosas do incomensurável. A vida – a pequena diferença que nos faz existir em sua fragilidade apreensiva, simbolizada pelo fluxo colorido da luz – é confrontada com o rigor cristalino das telas. A pujança enigmática desse dispositivo submerge o espectador em frente ao choque entre os jogos incertos de sua própria memória e a insuperável fixidez do tempo mineral. Eis uma experiência estética única que enfatiza o valor inestimável desta exposição de Jaildo Marinho.

 

 

 

Até 02 de julho.

Arte e vida

15/mai

Em junho, a série “A Academia ocupa o ateliê” apresenta o curso “Arte e vida: do moderno ao contemporâneo”, com Ricardo Fabbrini nos dias 06, 13, 20 e 27 de junho. Uma promoção do Ateliê397, Pompéia, São Paulo, SP, quatro encontros com vagas limitadas.

 

Os encontros analisam as tentativas de embaralhar arte e vida, com ênfase nas intervenções urbanas, a partir dos anos 1990. Fabbrini examina as intervenções que teriam por finalidade, segundo o curador Hans Obrist, construir “espaços e relações visando à reconfiguração material e simbólica de um território comum”. Sua finalidade seria – nos termos do artista Rirkrit Tiravanija – constituir durante certo tempo, novos espaços de interação – “plataforma” ou “estação”-: “um lugar de espera, para descansar e viver bem”, em que “as pessoas conviveriam antes de partirem em direções distintas”. Seriam intervenções que “mediante pequenos serviços” corrigiriam, segundo Nicolas Bourriaud, as falhas nos vínculos sociais ao redefinirem as referências de um mundo comum e suas atitudes comunitárias. Seria um lugar de esperança e mudança, porém não nostálgico, porque dissociado da ideia já devidamente arquivada, que orientou as vanguardas, de utopia. O curso perguntará, assim, se o investimento da arte de vanguarda na transformação do mundo segundo o esquema revolucionário orientado por uma “utopia política” foi substituído por um “realismo operatório” voltado para a “utopia cotidiana, flexível” (ou “heterotopia”, no termo de Michel Foucault). Por fim, examinará a relação entre a arte contemporânea e o ativismo urbano – como grupos feministas, negros, LGBT, ou em coletivos contra a gentrificação, de denúncia da vulnerabilidade social, do Parque Augusta ao Ocupe Estelita – que tensionam estética e política, sem ceder à ameaça de ver suas ações transformadas em “mercadoria vedete do capitalismo espetacular”, na expressão de Guy Debord.

 

 

Programa:

Aula 1 – 06/06

Caminhadas estéticas: do dandy ao dadá.

Aula 2 – 13/06

As Derivas: Surrealismo e Situacionismo

Aula 3 – 20/06

Estética Relacional: Nicolas Bourriaud e Jacques Rancière

Aula 4 – 27/06

Cidade, Utopia e heterotopia

 

 

Sobre Ricardo Fabbrini

 

Ricardo Fabbrini é professor doutor em Filosofia no curso de Graduação e no Programa de Pós-graduação em Filosofia no Departamento de Filosofia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo; e professor do Programa de Pós-graduação Interunidades em Estética e História da Arte da USP. Possui graduação em Direito pela Faculdade de Direito da USP e em Filosofia pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da mesma Universidade. É doutor em Filosofia pela USP, onde obteve também o título de mestre. É autor de “O Espaço de Lygia Clark” (Editora Atlas) e “A arte depois das vanguardas” (Editora Unicamp). Tem experiência na área de Estética, atuando principalmente nos seguintes temas: estética, filosofia da arte, arte contemporânea, arte moderna, e arte brasileira.

Novas do Museu Afro Brasil

11/mai

O Museu Afro Brasil, instituição da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, Parque do Ibirapuera, Portão 10, abre três novas exposições no dia 13 de maio. A mostra “Geometria afro-brasileira e africana” alia modernidade e ancestralidade em um conjunto de artistas afro-brasileiros e pela primeira vez, Emanoel Araujo fará parte, como escultor, de uma exposição com sua própria curadoria. Já “A quem interessar possa – Trajetos e Trejeitos de São Paulo” trará obras que integram a representação histórica da cidade de São Paulo, entre pinturas, esculturas, fotografias, documentos e objetos. Por fim, “1888” tem como tema central a relação entre a escravidão e religiosidade.

 

 

Exposição “Geometria afro-brasileira e africana”

 

Emanoel Araujo, fundador, diretor e curador do Museu Afro Brasil e da mostra, observa que “a geometria talvez seja a forma mais antiga de representação plástica manifestada pelas culturas ao longo do tempo. Definida em diversas manifestações, desde dos desenhos rupestres das cavernas, nas manifestações decorativas de padrões geométricos e repetitivos nos têxteis, nos adornos e escarificações de muitas etnias, pinturas corporais de africanos e também dos nossos indígenas”.

 

Nesta mostra será possível ver uma bela pintura de Owusu-Ankomah, um artista contemporâneo ganense radicado na Alemanha, conhecido por toda a Europa e que fez parte da premiada “Africa Africans”, no Museu Afro Brasil, em 2015.

 

Além de Owusu-Ankomah, também estarão presentes mais de 200 obras, como esculturas, pinturas, gravuras e outras produções de artistas como Rubem Valentim, Almir Mavignier, Edival Ramosa, Jorge dos Anjos, Washington Silveira e Rommulo Conceição, um artista que vive e trabalha em Porto Alegre.

 

Emanoel Araujo complementa: “Essa é a primeira vez que me envolvo como artista numa curadoria feita por mim, para dizer que a minha escultura é uma arquitetura de planos desenvolvidos com ritmos, tensões e cores sem uma representação com o real e com pensamento plástico e estético de um afrodescendente. Em 2007 apresentei na exposição “Autobiografia do Gesto”, no Instituto Tomie Ohtake, relevos que chamava ‘Cosmogonia dos Deuses Africanos’. Esta escultura era uma tentativa de unir a geometria a aspectos inidentificáveis do sagrado afro-baiano.  

 

A geometria se identifica na arte africana, não como no ocidente, não como a arte eurocêntrica e, muito menos, como escola ou linguagem. Ela está embutida, internada no corpo de muitas das manifestações artísticas diversas, desenhadas nas máscaras, nos corpos escarificados, tecidos Kubas do Congo ou nos tecidos de Gana, como nas finas cascas de árvores dos Bambuti do Congo”.

 

Exposição “A quem interessar possa – Trajetos e Trejeitos de São Paulo”

 

Cerca de 250 obras, entre pinturas, esculturas, documentos, manuscritos, fotografias e objetos históricos, integram esta mostra, em uma representação histórica da cidade de São Paulo.

 

Artistas como Aldemir Martins, Antonio Henrique Amaral, Danilo di Prete, Fernando Odriozola, Massao Okinaka, Norberto Nicola, Odetto Guersoni, Quirino da Silva, Raphael Galvez, Roberto Sambonet e Yolanda Mohalyi, trazem toda a sedução da metrópole de 463 anos, que esbanja energia, vitalidade e diversidade e tem consciência de seus espaços arrebatadores e persegue em seu próprio tempo encontros dos seus metálicos caminhos.

 

Uma verdadeira e saudosa viagem ao passado, que permite ainda recordar, ou conhecer, objetos históricos comemorativos do Quarto Centenário de São Paulo, molduras produzidas pelo Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo e outros objetos que todo cidadão paulistano já viu, ou ouviu falar, como cartões postais, discos de vinil, brinquedos (de indústrias paulistas), roupas e mapas antigos.

 

 

Exposição “1888”

 

O dia que se celebra oficialmente a abolição da escravatura é uma tentativa de reparação, que segundo o curador da mostra, Emanoel Araujo “uma reparação não reparável, uma marca do atraso. É a reparação de mais de trezentos anos de sangue derramado, de dor, de sofrimento, de brutalidade, de inconsciência, de terror, de marcas tão terríveis que parecem que nunca serão saradas, que continuam incomodando, provocando o ódio e o esquecimento daqueles que por séculos carregaram essa terra sobre as costas, sobre os ombros, sobre os pés, sobre as mãos, os olhos, os ouvidos, os sentidos. Mas os sentidos foram guardados e arquivados. E voltaram, voltaram silenciosamente, amparados por seres do infinito. Voltaram dançando, também invocados por cânticos para sarar as feridas, para curar os males e os assombros. Ainda hoje ruindo, arranhando, servindo”.

 

“1888” é a instalação do artista Ferrão, que Emanoel Araujo descreve como “uma espécie de altar, de Peji, louvando o que deve ser louvado. Uma grande metáfora que traz no seu interior as oferendas, como o terno ou a procissão do Congo, do Afoxé, do Maracatu, da Calunga, que têm o feitiço, a salvação e a memória de seu povo”.

 

A mostra consiste em uma composição que reúne 1200 fotografias que apresentam retratos colhidos nas congadas que se apresentam em manifestações religiosas do sul de Minas Gerais.

 

A composição também abarca 14 esculturas em ferro, pedra e madeira. No centro da sala uma escultura em ferro medindo 3,30 metros de altura chama atenção: em seu interior desce uma corrente que sustenta duas pedras envoltas em ferro (masculino) e em sua ponta superior sustenta uma forma oval em ferro rasgado com solda (feminino). No entorno da escultura central 25 pedras envoltas em ferro, número este definido a partir da somatória dos quatros dígitos do ano de 1888, serão espalhadas pelo chão representando o homem e as ferragens utilizadas no aprisionamento dos escravos.

 

Em outras paredes oratórios se destacam simbolizando sete orixás. Esses oratórios são confeccionados a partir da reciclagem de caixas de papelão revestidas com tecidos e resina, pintadas de preto. Dentro estão inseridos materiais diversos encontrados no dia-a-dia em referência ao consumo, sincretismo religioso.

 

 

Até 09 de julho.