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AGENDA CULTURAL

ArtRio 2018 galerias selecionadas 

09/ago

 

 

A ArtRio apresenta as primeiras galerias selecionadas para o Brasil Contemporâneo, que estreia na feira este ano. A galerias que participam do programa apresentarão projetos solo de artistas fora do eixo Rio de Janeiro – São Paulo. O curador carioca Bernardo Mosqueira é diretor do Prêmio FOCO Bradesco ArtRio, e estará à frente do Comitê Curatorial. A ArtRio 2018 acontece de 26 a 30 de setembro na Marina da Glória, Rio de Janeiro, RJ.

 

Brasil Contemporâneo 2018

  • Amparo 60 Galeria de Arte – Recife

 

Artista Bárbara Wagner. Nasceu em Brasília. Vive e trabalha no Recife

  • Galeria de Arte Mamute – Porto Alegre

 

Ío – duo de artistas formado por Laura Cattani (nasceu em Les Lilas-França) e Munir Klamt (nasceu em Porto Alegre). Vivem e trabalham em Porto Alegre.

  • Aura Arte Contemporânea – São Paulo

 

Artista Lilian Maus – nasceu na Bahia. Vive e trabalha em Porto Alegre

  • Galeria Mapa – São Paulo

 

Artista Valdeir Maciel – nasceu em Bacabal, no Maranhão. Faleceu em 2005.

  • OÁ Galeria – Arte Contemporânea – Vitória

 

Artista Rafael Pagatini. Nasceu em Caxias do Sul, Rio Grande do Sul. Vive e trabalha em Vitória.

  • RV Cultura e Arte – Salvador

 

Artista Pedro Marighella. Nasceu em Salvador, onde vive e trabalha.

  • SOMA Galeria – Curitiba

 

Artista Gabriele Gomes. Nasceu em Curitiba. Vive e trabalha no Rio de Janeiro.

  • Luiz Fernando Landeiro Arte Contemporânea – Salvador
  • Sem Título Arte – Fortaleza

 

O Brasil Contemporâneo terá 10 galerias participantes em 2018.

A criação deste novo programa possibilitará destaque para uma visão mais ampla da produção artística nacional. Entre as prioridades da ArtRio está a valorização da arte brasileira e a divulgação dos artistas nacionais entre os colecionadores e curadores.

Valeska Soares na Pinacoteca

07/ago

A Pinacoteca de São Paulo, Luz, São Paulo, SP, museu da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, apresenta, até 22 de outubro, a exposição “Valeska Soares: Entrementes”. Com curadoria de Júlia Rebouças, a mostra ocupa o quarto andar e o espaço de entrada da Pina Estação e expõe uma seleção de 3o anos de produção da mineira, desde o final dos anos 1980, trazendo como temas principais o sujeito e o corpo, a memória e os afetos, e as relações entre espaço, tempo e linguagem.

 

Nascida em Belo Horizonte, em 1957, e radicada em Nova York desde o início da década de 1990, Soares tem a escultura como primeira linguagem e pertence a um grupo internacional de artistas que expandiu as possibilidades da instalação na arte, engajando subjetivamente o espectador. Suas obras, geralmente, recorrem a narrativas ficcionais da literatura para tecer experiências de intimidade e desejo que ultrapassam o campo individual e alcançam a sensibilidade coletiva.

 

Através de materiais evocativos, a artista explora a tensão criada pelas oposições. Suas esculturas e instalações frequentemente apresentam materiais reflexivos, como aço inoxidável e espelhos, em contraste com substâncias orgânicas e sensoriais, como flores, com intuito de ampliar a experiência do visitante no espaço. Neste sentido, Soares se utiliza de diversas técnicas sensoriais, incluindo o som para criar atmosferas e vivências que são tanto convidativas quanto perturbadoras.

 

Para a exposição na Pinacoteca, a curadora selecionou um conjunto de 40 obras provenientes do acervo do museu, de coleções particulares e da própria artista, sendo que algumas dessas últimas são inéditas no Brasil. São pinturas, colagens, objetos, instalações e esculturas que, como o título sugere, apresentam zonas intermediárias de contato: intersecções entre o indivíduo e a sociedade, entre o encoberto/misterioso e o explícito, passado e futuro, etc. “A mostra explora também obras que lançam mão da ideia de coletividade, seja pelo recurso da coleção, explorado em diversos trabalhos por Soares, seja pela constituição de uma experiência compartilhada, como em Epílogo (2016) ou Vagalume(2007)”, define a curadora.

 

“Valeska Soares: Entrementes” trata, de modo geral, de tudo daquilo que, mesmo sendo matéria de foro íntimo, pode ser vivido em comunhão. “Neste sentido, Detour(2002) – inspirado no conto As cidades e o desejo, do escritor italiano Ítalo Calvino – é um trabalho central, pois parte da ideia de um mesmo sonho que é sonhado e narrado por diferentes pessoas”, conta Rebouças. No conto, os sonhadores, na esperança de encontrar o objeto de seu desejo- — uma mulher que corre desnuda — acabam por criar uma cidade que replica os caminhos onde a perderam. A partir da história, Soares constrói um ambiente que, embora confinado, sugere infinitas saídas pelo resultado de espelhamentos.

 

A artista ainda incorpora qualidades arquitetônicas à sua prática, herança da formação acadêmica neste campo. Nesta perspectiva, ela agrega a ideia de ponto de fuga como eixo central e toma o espaço não apenas como ente físico e ilusório, mas um lugar que possibilita ao visitante perceber-se em relação a ele. “A artista não afasta seus trabalhos do público. As obras dão-se a ver, deixam pistas sobre o processo de sua elaboração, estão evidentes em sua constituição material, abrem-se para o jogo do engajamento sensível e da participação”, diz Rebouças.

 

“Parte da força de sua poética está naquilo que evapora, escorre, esmaece, murcha, silencia, rescinde, derrete, quebra”, complementa a curadora. A instalação “Untitled” (From Vanishing Points), de 1998, pertencente ao acervo da Pinacoteca, é um exemplo disso. Nesta, a artista reproduz um conjunto de vasos de plantas tal como estavam dispostos em seu jardim. Replicados em cera, porcelana e alumínio, marcam a ausência da vida como força orgânica, ao passo que são indícios de um outro tempo ou existência que escapa à tentativa de contenção. Replicam assim a estrutura da memória, uma vez que só é possível lembrar a partir do presente, e é da experiência do agora que se preenchem as lacunas do passado.

 

A mostra de Valeska Soares integra a série de retrospectivas de artistas que iniciaram suas carreiras a partir dos anos 1980, apresentadas sempre no 4º andar da Pina Estação.

 

 

Sobre a artista

 

Valeska Soares nasceu em Belo Horizonte/MG, em 1957, e vive e trabalha em Nova York/EUA. É bacharel em Arquitetura pela Universidade Santa Úrsula, no Rio de Janeiro, e pós-graduada em História da Arte e da Arquitetura pela Pontifícia Universidade Católica (PUC), também no Rio de Janeiro. Após mudar-se para Nova York, em 1992, realizou MFA (Master of Fine Arts) no Pratt Institute, no Brooklyn e, em seguida, começou a frequentar a New York University, School of Education onde se candidata a Doctor of Arts. Sua primeira mostra individual em um museu aconteceu no Portland Institute for Contemporary Art, EUA, em 1998, e sua primeira retrospectiva foi apresentada no Museu de Arte da Pampulha/MG, em 2002. No ano seguinte, uma grande mostra dedicada à sua prática ocorreu no Bronx Museum for the Arts, Nova York/EUA. Soares produziu instalações site-specificpara diversos espaços, incluindo o inSite, em San Diego-Tijuana/EUA (2000); o Museo Tamayo, na Cidade do México (2003) e o Instituto Inhotim, em Brumadinho/MG (2008). Foi uma das indicadas, em 2001, ao Millenium Prize, oferecido pela National Gallery of Canada Foundation. Também participou de diversas bienais, incluindo a de São Paulo (1994, 1998 e 2009); de Veneza/Itália (2005); e a Sharjah Biennial, nos Emirados Árabes (2009).

 

 

Sobre a curadora

 
Júlia Rebouças nasceu em Aracaju/SE, em 1984, e vive entre Belo Horizonte e São Paulo. É curadora, pesquisadora e crítica de arte. Foi cocuradora da 32ª Bienal de São Paulo, Incerteza Viva(2016). De 2007 a 2015, trabalhou no departamento curatorial do Instituto Inhotim/MG. Colaborou com a Associação Cultural Videobrasil, integrando a comissão curadora dos 18º e 19º Festivais Internacionais de Arte Contemporânea SESC Videobrasil, em São Paulo. Foi curadora adjunta da 9ª Bienal do Mercosul, em Porto Alegre (Se o clima for favorável), em 2013. Realizou diversos projetos curatoriais independentes, dentre os quais destacam-se a exposição MitoMotim, no Galpão VB, em São Paulo, de abril a julho de 2018, e Zona de Instabilidade, com obras da artista Lais Myrrha, na Caixa Cultural Sé, em São Paulo, em 2013, e na Caixa Cultural Brasília, em 2014. Integrou o corpo de jurados do concurso que selecionou o projeto arquitetônico e curatorial do Pavilhão do Brasil na Expo Milano 2015, realizado em janeiro de 2014, em Brasília. Desenvolve projetos editoriais e escreve textos para catálogos de exposições, livros de artista e colabora com revistas de arte. Graduou-se em Comunicação Social/ Jornalismo pela Universidade Federal de Pernambuco (2006). É mestre e doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da Universidade Federal de Minas Gerais (2017).

 

 

 

Catálogo

 
“Valeska Soares: Entrementes”será complementada com um catálogo que reúne textos de Júlia Rebouças e das curadoras Maria do Carmo Pontes, Melissa Rocha e Isabella Rjeille. Também inclui imagens da exposição e de outras obras, além de uma adaptação da obra “Disclaimer”, especialmente para a publicação.

 

 

Múltiplos da artista

 

Valeska Soares participa do Projeto de Múltiplos, criado pela Pinacoteca, com o objetivo de angariar recursos para a instituição. Para este, a artista concebeu uma tiragem de 20 impressões de 5 gravuras, que misturam processos digitais e de serigrafia a partir de uma nova interpretação da obra Doubleface, de 2017, na qual ela se apropria de retratos pintados a óleo por outros artistas e intervém sobre eles. Para o Múltiplo desenvolvido especialmente para a Pinacoteca, o ponto de partida foram cinco retratos de mulheres pertencentes ao acervo do museu. Os trabalhos podem ser adquiridos de forma avulsa ou em conjunto. Doubleface – 5 trabalhos de 54,4cm x 42 cm
Ed. 20 + 2 P.A. (cada).

Individual de Paula Klien

Chegou a vez do Rio de Janeiro ver de perto as obras de Paula Klien, que já passaram por importantes palcos no cenário da arte contemporânea. Em 2017, a artista carioca mostrou o trabalho seis vezes no exterior. Em Berlim, representada localmente, foram três vezes. Também em Nova Iorque, Buenos Aires e Londres, numa concorrida apresentação solo na Saatchi Gallery. Esse ano, expôs pela quarta vez em Berlim e no Brasil teve alguns de seus trabalhos exibidos em São Paulo, onde é representada pela galeria Emmathomas. A exposição individual “Extremos líquidos”, terá curadoria de Marcus de Lontra Costa e reúne mais de 20 trabalhos da artista na Casa de Cultura Laura Alvim, Ipanema, Rio de Janeiro, RJ.

 

De acordo com Marcus de Lontra Costa, Paula Klien trabalha dentro de uma imagem que não tem limites determinados e que não tem verdades absolutas. É uma pintura que, em certo momento, parece quase querer flutuar, quase querer sumir. Ao mesmo tempo em que é um desenho, é uma coisa que não se consegue precisar. É no conceito da modernidade líquida de Bauman que a artista parece oscilar.

 

“Eu lavo água preta”, diz Paula Klien. Em seu processo criativo, lava, inúmeras vezes, as marcas criadas por ela com o nanquim, procurando pela riqueza das cicatrizes que não conseguem ser apagadas. “O resultado tem uma relação com a beleza que o tempo traz”, revela a artista.

 

Ainda segundo Lontra, as pinturas, quase sempre em grandes formatos e monocromáticas, são variações de cinzas. São cenários, são imagens, são paisagens poéticas que surpreendem pela ousadia, pela criatividade e pela capacidade da artista de dominar com precisão os seus meios técnicos, os seus meios expressivos, a sua própria linguagem.

 

“Em Extremos Líquidos teremos uma artista surpeendentemente madura e ao mesmo tempo tensa e provocativa. A obra de Paula Klien está num momento muito particular, onde ela se impõe subjetivamente pela sua verdade e pela sua beleza, mas ela também anuncia novos caminhos que a artista há de trilhar. É portanto, um compromisso de todos aqueles que se interessam por arte contemporânea, de conhecer essa produção estranha, sofisticada e bela”. Sugere o curador.

 

 

Até 02 de setembro.

Exposição de Fernando Campana

06/ago

Fernando Campana abre, pela primeira vez no Rio de Janeiro, seu laboratório individual na mostra “Macacos Robôs Furacões”. Uma imersão do designer no campo das artes, através de pinturas em aquarela, desenhos em grafite, colagens com peças automotivas, entre outras obras. A mostra conta com as séries “Macacos” e “Robôs” e a série “Furacões” que serão apresentadas na galeria Luciana Caravello Arte Contemporânea, Ipanema, Rio de Janeiro, RJ, a partir do dia 07 de agosto.

 

O designer traz um método dinâmico para se expressar na arte e uma capacidade quase sistemática de coletar informações e conectar-se às histórias. Muitas vezes, ele estabelece uma conexão momentânea a episódios de sua infância para inspirar suas criações. A abordagem para sua série ‘Robôs’ está em sua mente desde pequeno. Fernando queria se tornar astronauta e este alter ego é sua máquina que está em constante produção. A expressão de sua criatividade começa a partir daqui e o caráter dualista do robô é colecionar informações, sensações e memórias. Ele se lembra e esquece, porque a memória volta e se torna uma história histórica, bem como uma sensação futurista. A série se origina a partir de desenhos em grafite, enquadrados em molduras feitas de sobreposições de EVA, e se expande a inéditas colagens com peças automotivas, nunca antes trabalhadas em seus projetos.

 

A série “Macacos” começou a ser criada um pouco antes da verdadeira tragédia da matança, a partir de sua relação ingênua com os macacos na infância. Naquela época, ele trazia consigo a esperança de domesticá-los ou de estabelecer um relacionamento humano, o que acarretou em um aprendizado de tolerar e respeitar o comportamento irracional. Os macacos acusados de transmitir febre amarela já estavam lá no papel em seu ateliê pessoal, exatos e precisos; e os belos retratos da humanidade desses primatas foram desenvolvidos com a intenção de comunicar o conceito sem sentido da diversidade. Esta tragédia foi usada como uma metáfora para ver nos macacos uma crítica social que colocou o dedo na pequena vontade burguesa de punir a diversidade. Os desenhos são feitos em aquarela, enquadrados em um patchwork de pedaços de molduras, desconstruindo o padrão clássico de molduras e propondo um novo DNA a um objeto conhecido.

 

A inédita série “Furacões” surge a partir de um outro processo criativo, mais intuitivo, que é maturado pelo tempo, pelas relações e por seu entorno. Os sentidos tornam-se mais apurados e buscam expressar, inconscientemente, o que está por vir, como seus primeiros desenhos que originaram essa série e que antecederam os recentes furacões que aconteceram nos Estados Unidos. “Arte não se define, mas se decifra de acordo com a evolução mental ou espiritual ou amplitude de visão do observador”, destaca Fernando.

 

 

Sobre o artista

 

Em 1983, Fernando Campana (1961) em parceria com seu irmão Humberto Campana (1953) fundaram o Estúdio Campana em São Paulo. O estúdio se tornou famoso pelo design de mobiliário, por criações de peças intrigantes – como as poltronas Vermelha e Favela – e, também, por ter crescido nas áreas de Design de Interiores, Arquitetura, Paisagismo, Cenografia, Moda, entre outras. O trabalho dos Campana incorpora a ideia de transformação, reinvenção e integração do artesanato na produção em massa; tornando preciosos os materiais do dia-a-dia, pobres ou comuns, que carregam não só a criatividade em seu design, mas também características bem brasileiras – as cores, as misturas, o caos criativo e o triunfo de soluções simples. Os irmãos foram homenageados com o prêmio “Designer do Ano” pela Design Miami, em 2008 e os “Designers do Ano” pela Maison & Objet, em 2012. Neste mesmo ano, eles foram selecionados para o Prêmio Comité Colbert, em Paris; homenageados pela Design Week, em Pequim; receberam a “Ordem do Mérito Cultural”, em Brasília, e foram condecorados com a “Ordem de Artes e Letras” pelo Ministério da Cultura da França. Em 2013, eles foram listados pela revista Forbes entre as 100 personalidades brasileiras mais influentes. Em 2014 e 2015 a Wallpaper os classificou, respectivamente, entre os 100 mais importantes e 200 maiores profissionais do design.

 

 

De 07 de agosto a 06 de setembro.

Alan Fontes – Exposição Nacional

Luciana Caravello Arte Contemporânea, Ipanema, Rio de Janeiro, RJ, inaugura, no dia 07 de agosto, a mostra “Exposição Nacional”, do artista Alan Fontes, com obras que abordam as transformações no espaço urbano da cidade do Rio de Janeiro. Para realizar os trabalhos, o artista mergulhou nos relatos documentais da “Exposição Nacional do Rio de Janeiro”, realizada em 1908, em comemoração ao 1º Centenário da Abertura dos Portos do Brasil, que tinha a intenção de mostrar a então nova capital federal – urbanizada pelo prefeito Francisco Pereira Passos e saneada por Oswaldo Cruz – para as autoridades nacionais e estrangeiras.

 

Serão apresentadas nove pinturas, em óleo e encáustica sobre tela, e quatro livros-objetos, em óleo e afresco sobre concreto, em que o artista dá continuidade ao projeto iniciado há três anos, em que pesquisa o espaço urbano do Rio de Janeiro, trabalhando nas lacunas de uma memória em constante mutação. “Uma pesquisa, entretanto, que não tem caráter documental e é aberta ao devaneio poético e o qual a pintura, com toda a imprecisão da mancha encarna com eficácia”, afirma o artista, que apresentou a primeira parte dessa pesquisa no CCBB Rio de Janeiro, em 2016, com o apoio do Prêmio CCBB Contemporâneo.

 

Na Luciana Caravello Arte Contemporânea, Alan Fontes apresentará obras inéditas, que serão divididas em três módulos. No primeiro, estarão pinturas que representam alguns dos palácios e pavilhões que fizeram parte da “Exposição Nacional”, de 1908, e dos quais só existem limitados registros fotográficos. As pinturas expressionistas reconstituem os prédios imersos em ruídos análogos aos que estão envoltos as lembranças e os documentos já desgastados pelo tempo.

 

O segundo módulo reúne pinturas da série “Black Lands”, que “situam os prédios da época em espécies de oceanos negros que simbolizariam um espaço poético da memória. Algo na fronteira da lembrança e do esquecimento”, conta Alan Fontes.  Algumas destas pinturas foram expostas este ano na semana de arte de Nova York, em projeto solo do artista na feira VOLTA.

 

O terceiro módulo é composto por livros-objeto de concreto, que servem como suporte para pequenas pinturas afresco compostas a partir de imagens do evento de 1908. “Tais objetos escultóricos relacionam simbolicamente as pinturas ao peso matérico que compõem as edificações que não existem mais”, ressalta o artista.

 

 

Sobre a Exposição Nacional de 1908

 

A Exposição Nacional foi realizada entre 28 de janeiro e 15 de novembro de 1908, no bairro da Urca, no Rio de Janeiro, foi organizada oficialmente para comemorar os 100 anos do Decreto de Abertura dos Portos às Nações Amigas, e para se fazer um inventário econômico do Brasil na época. Mas, na realidade, a intenção da exposição era mostrar a então nova capital federal – urbanizada pelo prefeito Francisco Pereira Passos e saneada por Oswaldo Cruz – para as autoridades nacionais e estrangeiras que visitavam a cidade.

 

Governos de estados, do Distrito Federal e de associações comerciais, agrícolas e industriais participaram do evento, que teve pavilhões para os estados mostrarem os seus principais produtos nas áreas agricultura, pastoril, indústrias e artes liberais. Além dos estados brasileiros, Portugal participou do evento, sendo a única participação estrangeira.

 

 

Sobre o artista

 

Alan Fontes nasceu em Ponte Nova, MG, 1980. Vive e trabalha em Belo Horizonte, MG. É Mestre em Artes Visuais pela Universidade Federal de Minas Gerais. Suas últimas exposições individuais foram “The Book of the Wind”, na Galeria Emma Thomas, Nova York (2016); “Poéticas de uma Paisagem – Memória em Mutação”, no Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro (2016); “Sobre Incertas Casas”, na Galeria Emma Thomas, São Paulo (2015); “Desconstruções”, na Baró Galeria, São Paulo (2014); “Sweet Lands” e “La Foule”, ambas na Galeria Laura Marsiaj, Rio de Janeiro (2012); “A Casa”, no Paço das Artes, São Paulo (2008), entre outras. Participou das mostras “Ao Amor do Público I”, no Museu de Arte do Rio, Rio de Janeiro (2016); Mostra Bolsa Pampulha do MAP, Museu de Arte da Pampulha, Belo Horizonte (2014); Prêmio FOCO Bradesco/Art Rio, Rio de Janeiro (2013), entre outras. Realizou as residências Pintura Além da Pintura, do CEIA, Belo Horizonte (2006); 5ª Edição do Programa Bolsa Pampulha, Belo Horizonte (2013); e Residência Baró, São Paulo (2014). Dentre as últimas premiações recebidas estão Bolsa Pampulha 5ª edição (2014); 1º Prêmio Foco Bradesco/ArtRio (2013) e o I Prêmio CCBB Contemporâneo.

 

 

De 07 de agosto a 06 de setembro.

A àrvore de Ernesto Neto

03/ago

A Suíça tem um museu especialmente dedicado à arte brasileira e diversas galerias brasileiras tem participação destacada em feiras realizadas no país. A Estação Central de Zurique recebeu recentemente – para exibir – uma escultura de 2 mil metros quadrados do artista brasileiro Ernesto Neto, internacionalmente dono bem sucedida carreira artista entre os nomes de ponta da arte contemporânea brasileira.

 

Desde 2003 em funcionamento na Basileia, a Fundação Brasileia tem como missão apresentar ao público europeu a arte do Brasil. Nomes como o grafiteiro Zezão, o pintor, escultor e fotógrafo Alex Flemming e a artista plástica Christina Oiticica já realizaram exposições.

 

Para curadores e artistas, é a abordagem democrática da arte nacional que atrai os suíços. A árvore gigante de Ernesto Neto, por exemplo, permite ao público utilizar o espaço livremente. “Esse é um espaço público, e essa obra é sobre intimidade”, contou.

Marcelo Ghandi na TATO

A Galeria TATO apresenta, em sua última semana,”Na Fresta”,Vila Madalena, São Paulo, SP, exposição individual do artista visual Marcelo Gandhi, sob curadoria de Nancy Betts. Em “Marcelo Gandhi – de 1500 a 2016” o artista de Natal, radicado em São Paulo, apresenta ao público obras inéditas, produzidas entre o final de 2017 e 2018.

 
Segundo palavras da curadora, Nancy Betts, o artista cria a começar pelas três telas com assinaturas e datas 1500, 1964 e 2016 – um encadeamento linear de momentos históricos do país. Traz uma fábula autoral acerca do processo de colonização, que como um dispositivo hegemônico, ou seja, um poder “toma de assalto a vida” na voz de Peter Pal Pelbart. Assim, as datas indicam que o domínio perdura até hoje nas mais variadas e sutis versões de controle político, midiático e social. A exposição é eclética e o artista assume a pressuposta incoerência como forma de posição política e estética – a arte é sua maneira de ativismo, e a heterogeneidade o modo de se reinventar.

Nas 14 obras inéditas produzidas pelo artista – entre pinturas, objetos e desenhos – estão presentes as misturas, o ruído, os materiais precários, os símbolos e as metáforas. Uma inquietação positiva e inesgotável é o comprometimento do artista com o seu processo criativo.

 
Em novo endereço, dentro da Aura Arte Contemporânea, na rua Wisard, 397. A proposta atual da Galeria TATO permite a ampliação dos serviços de consultoria para colecionadores, arquitetos e artistas, além de dar continuidade ao trabalho com artistas representados e convidados, desenvolvendo novas parcerias para espaços expositivos, como a recém-inaugurada “Na Fresta”.

 

Na Fresta: Chega com a missão de ser um espaço dedicado a projetos temporários de conteúdo transcultural. Nasce da necessidade cada vez maior de modelos flexíveis e inovadores de atuação no mercado de arte.

KubikGallery e Emanuel Nassar

02/ago

A Kubik Gallery (Porto, Portugal e São Paulo, SP) comunica período de férias e anuncia a abertura da exposição “Trapiocas”, individual de Emmanuel Nassar no dia 22 de setembro.

 

Sobre o artista

 

Emmanuel Nassar nasceu em 1949, em Capanema, Brasil, vive e trabalha em Belém e São Paulo. Trabalha com elementos associados à tradição popular brasileira, influenciado pelo pop e pela arte construtiva.

 

O artista exibiu seus trabalhos nas 20ª e 24ª Bienal Internacional de São Paulo, ganhou o grande prêmio da 6ª Bienal de Cuenca e participou da 45 ª Bienal de Veneza. Seu trabalho está nas coleções do Museu da Universidade de Essex (Inglaterra), Fundação Cisneros – Coleção Patricia Phelps de Cisneros (Nova York/Caracas), Marcantonio Vilaça, MAM-Museu de Arte Moderna de São Paulo, MAM – Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Museu de Arte Contemporânea de Niterói, Museu de Arte Moderna de São Paulo, Museu do Estado do Pará, Pinacoteca do Estado de São Paulo, entre outros.

Em torno de Nery no MAM SP

01/ago

A Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, a convite do MAM São Paulo, organizou três mesas de debate inspiradas na exposição “Ismael Nery: feminino e masculino”,com curadoria de Paulo Sergio Duarte. O curador da exposição descreve o artista como alguém que teve coragem de caminhar sozinho, de descobrir-se e de construir um olhar sincronizado com a arte de seu tempo, mas não com os intelectuais de seu país. Assim, insinua que o artista construiu seu universo pictórico por meio do trabalho de desvelamento – um processo de retirada de camadas e véus que o levou à descoberta de si, ao encontro com o mundo e à sua arte. A primeira aconteceu em 26 de julho e as seguintes em 02 de agosto e 09 de agosto às 20h no Auditório do MAM São Paulo, Parque Ibirapuera, portão 3.

 

Nascido em 1900 Ismael Nery morreu aos 34 anos, de tuberculose. Segundo Duarte, Nery era católico e professava sua fé em discussões filosóficas; na época estava na moda ser materialista e anticlerical, mas ele era um dândi narcisista – a exposição está repleta de autorretratos e autorretratos com sua mulher, Adalgisa, reconhecida pela beleza e inteligência. Ainda, segundo a apresentação do curador, o pintor era vaidoso e exímio dançarino; poderia se dizer hoje que era um “artista performático”.

 

A questão de gênero e a sexualidade estão muito presentes em sua ousada produção. São olhares maliciosos, figuras andróginas, relações entre feminino e masculino, corpos fundidos – como se uma ou mais camadas de decoro e civilização tivessem sido retiradas da tela – e a impressão que sempre há algo anterior, primordial, misterioso, de difícil nomeação. Questões dessa mesma natureza sempre estiveram na pauta da Psicanálise. Acreditamos que esta exposição e os debates a seguir nos dão a oportunidade de compartilhar nosso pensamento com o de outras áreas da cultura.

Luciana Saddi – Diretora de Cultura e Comunidade da SBPSP

 

Visita mediada à exposição “Ismael Nery: feminino e masculino”pelos educadores do MAM: 20h

 

Debate no auditório: 20h30 

 

Mesa 1 – quinta-feira, 26 de julho, às 20h30

A cosmogonia de Ismael Nery, com Silvana Rea

A psicanalista vai abordar a poética de Ismael Nery em suas relações com a história da arte e com a psicanálise.

Silvana Reaé graduada em cinema e psicologia, Doutora em Psicologia da Arte pela Universidade de São Paulo, diretora científica da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo.

A lei do desejo, com Pedro Paulo Pimenta

Na história da filosofia, há um momento, a segunda metade do século XVIII, em que o desejo sexual passa a representar o desejo enquanto tal. Essa identificação tem como contraparte a atribuição exclusiva do prazer sexual à espécie humana, o que acarreta uma redefinição da ideia de gênero.

Pedro Paulo Pimentaé professor livre-docente de filosofia moderna na USP e autor de A trama da natureza(Unesp, 2018).

 

Mesa 2 – quinta-feira, 2 de agosto, às 20h30

O sexo e as pessoas ou a desnaturalização do sexual proposta por Freud, com Oswaldo Ferreira Leite Netto

Como psicanalista, o autor tece considerações sobre a sexualidade humana e a impossibilidade de considerá-la em seus aspectos biológicos apenas: masculino e feminino.

Oswaldo Ferreira Leite Nettoé psiquiatra e psicanalista da SBPSP, onde coordena o grupo de estudos “Psicanálise e Homossexualidade”, e membro do comitê de identidade de gênero e diversidade da IPA. É diretor do Serviço de Psicoterapia do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP.

Desenhos da intimidade: a sinceridade do traço secreto, tesouro do artista, com Alex Cerveny

O artista falará sobre o que é próprio do desenho, da intimidade de Ismael  Nery com a representação do corpo/mente e a liberdade que este tipo de desenho, “secreto” e informal, proporciona.

Alex Cerveny pertencente à geração de artistas surgida no Brasil nos anos 1980, com formação independente, especializou-se primeiro em desenho e gravura, expandindo depois para outros meios. Desde 2002, é representado pela galeria Casa Triângulo, de São Paulo.

 

Mesa 3 – quinta-feira, 9 de agosto, às 20h30

Espectros, com Leopold Nosek

Com quantos espectros se faz uma pessoa?

Leopold Noseké psicanalista da SBPSP. Autor, entre outros trabalhos, do livro “A Disposição para o Assombro” ed. Perspectiva. Em 2014 ganhou o prêmio Mary Sigourney Award.

O poço de contradições, com Paulo Sergio Duarte

Uma obra singular no modernismo brasileiro realizada sobre a base de conflitos entre religião e sexualidade.

Paulo Sergio Duarte, curador da exposição é crítico, professor de História da Arte e professor-pesquisador do Centro de Estudos Sociais Aplicados (CESAP) da Universidade Candido Mendes e da Escola de Artes Visuais do Rio de Janeiro (Parque Lage). Dirigiu projetos culturais e educacionais para o governo federal e para os governos estadual e municipal do Rio de Janeiro. Publicou diversos livros sobre arte moderna e contemporânea.

 

Quintas-feiras

26 de julho, 2 de agosto, 9 de agosto às 20h

Auditório do MAM São Paulo

Parque Ibirapuera, portão 3

Lauren Shapiro em São Paulo

A Galeria VilaNova, Vila Nova Conceição, São Paulo, SP, inaugura “Fragile Terrains”, da artista visual norte-americana Lauren Shapiro, sob curadoria de Sebastiano Varoli. Em parceria inédita com a Art Bastion Gallery, sediada em Miami, Flórida, USA, a individual apresenta quinze esculturas, uma instalação e uma projeção, as quais fazem referência à relação insustentável da sociedade com o ecossistema, revelando estruturas vivas encontradas pela artista na natureza – cuidadosamente coletadas por meio de moldes, em florestas e rios -, que emergem do solo e interagem com elementos arquitetônicos da paisagem urbana.

 

O trabalho de Lauren Shapiro busca inspiração nos fenômenos climáticos, nas conexões entre sistemas ecológicos e nas geometrias ocultas na natureza, além da influência humana nestes ambientes. Residente em Miami, é fascinada pela interconexão dos sistemas aquáticos do planeta e ciente de como o avanço do nível do mar em inúmeras regiões costeiras tem relação com o derretimento de geleiras, em razão do aquecimento global.

 

Em um site-specific, Lauren Shapiro visitou florestas e rios, de onde coletou formas – com uso de moldes de silicone – de objetos naturais. A partir desses protótipos, a artista cria as partes que compõem suas esculturas em argila, empilhando-as uma acima ou ao lado da outra, o que resulta em um trabalho frágil e de natureza transitória – sendo as eventuais alterações físicas de sua obra registradas em fotografia e vídeo. Sobre esta estrutura, ainda são inseridos origames em papel dobrado. Desta forma, suas peças fazem referência às questões de fragmentação florestal, erosão e da insustentabilidade na maneira como o homem se relaciona com o meio-ambiente.

 

 

De 07 de agosto a 08 de setembro.

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