Um registro oportuno e necessátio.

11/fev

O lançamento do catálogo da exposição “Sobre Águas” no Museu do Paço Municipal, Porto Alegre, RS, celebra a água como origem, missão e destino da obra de Vera Reichert, lembrando as exposições realizadas ao longo de sua itinerância, nas cidades de Novo Hamburgo, São Paulo, Brasília e Nova Iorque.

O catálogo é um convite à imersão, à reflexão e ao reconhecimento, revelando uma linguagem visual que interliga memória e futuro deste elemento que nos une e preenche. Com a curadoria e a produção de André Venzon, a publicação apresenta um conjunto de obras, imagens e textos que documentam os espaços que “Sobre Águas” circulou, o público e a trajetória da artista nesta memória das águas, onde cada página revela vida e paixão, para melhor conhecer a obra de Vera Reichert que a água tornou destino. Um registro oportuno e necessário. 

Obras de Tarsila do Amaral em Brasília.

Com obras de 10 instituições nunca reunidas em um único espaço e vindas de São  Paulo, a exposição “Transbordar o mundo: os olhares de Tarsila do Amaral” desembarcou no Centro Cultural TCU, Brasília, DF, com 63 obras da artista mais icônica do Modernismo brasileiro. Com curadoria de Karina Santiago, Rachel Vallego e Renata Rocco, a mostra faz um passeio original pela obra da artista ao abordar temas que  combinam a trajetória estética de Tarsila do Amaral com seu percurso de vida.

A curadoria quis explorar um recorte alternativo à forma cronológica que geralmente conduz as exposições de Tarsila do Amaral. “O que estamos fazendo é mostrar a Tarsila de forma que nunca foi mostrada, então temos um recorte em quatro núcleos nos quais não necessariamente uma obra que faz parte da imagem das fases da Tarsila está relacionada ao tema”, explica Karina Santiago. Além dos núcleos com as obras, haverá também uma sala imersiva, com curadoria de Paola Montenegro e Juliana Miraldi, para explorar detalhes do “Abaporu” (1928), obra emblemática da produção da artista e que hoje pertence ao Museu da Arte Latina de Buenos Aires (Malba). 

Até 10 de maio.

Gestão marcada por inovação institucional.

Consolidação internacional da Bienal de São Paulo.

O Conselho de Administração da Fundação Bienal de São Paulo reelegeu Andrea Pinheiro para a presidência de sua Diretoria Executiva, consolidando a continuidade de uma gestão marcada por inovação institucional, ampliação do acesso à arte e fortalecimento do papel público da Bienal de São Paulo no Brasil e no exterior. Para o biênio 2026-2027, ela permanece com a mesma chapa que a acompanhou nos últimos dois anos: Maguy Etlin (primeira vice-presidente), Luiz Lara (segundo vice-presidente), Ana Paula Martinez, Francisco Pinheiro Guimarães, Maria Rita Drummond, Ricardo Diniz, Roberto Otero e Solange Sobral.

Andrea Pinheiro iniciou seu primeiro mandato em 02 de janeiro de 2024 com a proposta de reforçar os modelos de governança da Bienal e fortalecer sua atuação pública e educativa. Um dos principais legados do primeiro mandato foi a implementação de um novo modelo de governança para a escolha curatorial, com a criação de um comitê colegiado para a seleção da curadoria da 36ª Bienal de São Paulo. A iniciativa será repetida para a 37ª Bienal. Para Andrea Pinheiro, a reeleição representa a validação de um projeto institucional construído de forma coletiva, com responsabilidade e visão de longo prazo. “Nosso compromisso é aprofundar os movimentos iniciados neste primeiro mandato, fortalecendo a governança, ampliando o papel educativo da Bienal e consolidando sua atuação internacional, sempre entendendo a arte como um campo de diálogo e escuta”, conclui, No cenário internacional, a nova gestão projeta um dos momentos mais relevantes da atuação recente da Fundação Bienal de São Paulo: a participação brasileira na 61ª Bienal de Veneza, que contará com a curadoria de Diane Lima e obras de Adriana Varejão e Rosana Paulino, dois nomes centrais da arte contemporânea brasileira. 

O livro da obra de Maria Klabin.

10/fev

Em meio à exposição “Língua d’água”, na Nara Roesler São Paulo, lançará o livro “Maria K.”, o primeiro dedicado à obra da artista Maria Klabin (1978, Rio de Janeiro). Com 256 páginas, capa dura, formato de 17,5 x 24,5cm, bilíngue (port/ing), a publicação editada por Nara Roesler Books tem apresentação de Luis Pérez-Oramas e textos de Pryscila Gomes e Pollyanna Quintella. Na ocasião, a artista conversará sobre seu trabalho com Pollyanna Quintella. “Língua d’água”, que reúne pinturas e desenhos inéditos de Maria Klabin, fica em cartaz até 28 de fevereiro.

Luis Pérez-Oramas – diretor artístico de Nara Roesler, poeta, historiador da arte, curador-chefe da 30ª Bienal de São Paulo (2012) – destaca em seu texto de apresentação uma característica marcante na obra de Maria Klabin: “Olhar o corpo que dorme, assim como olhar o resíduo de legumes e alimentos – o hermetismo das frutas – é como olhar para a pintura que nos olha: isto é, olhar aquilo que nos espera, aquilo que supõe nossa existência, mesmo que nós ignore. Olhar o que nos olha potencialmente, mesmo a partir de seus restos”.

Pollyana Quintella assinala em seu texto que “…há mais de trinta anos Maria escolhe seus motivos entre o que é mais íntimo, mais repetido, mais disponível e, por isso mesmo, mais carregado de silêncio”.

As diferentes linguagens do arquiteto.

Alguns dos edifícios mais conhecidos da paisagem paulistana e em grandes metrópoles ao redor do mundo levam sua assinatura, ainda que poucos saibam definir, com precisão, qual é seu estilo arquitetônico. Essa dificuldade, longe de ser um problema, integra o enigma e a força de Isay Weinfeld, criador cuja obra escapa a rótulos fáceis e desafia classificações rígidas. Mas reduzi-lo apenas à Arquitetura seria um equívoco. Ao longo de cinco décadas de produção intensa e coerente, o arquiteto paulistano construiu uma trajetória que atravessa, com rara fluidez, o design, as artes visuais e o cinema. Essas múltiplas frentes de atuação estarão reunidas em “Et Cetera”, a mais abrangente mostra dedicada à sua carreira, que ocupará o Instituto Tomie Ohtake, Pinheiros, São Paulo, SP, entre os dias 05 de março e 17 de maio.

Com curadoria de Agnaldo Farias, identidade gráfica de Giovanni Bianco e catálogo de fotos feitas por Bob Wolfenson, a mostra não se organiza como uma retrospectiva convencional, mas como a exposição de um modo de pensar e criar. Em seu texto de apresentação, Agnaldo Farias observa que a arquitetura não ocupa exatamente o primeiro lugar na hierarquia íntima de Isay Weinfeld. Antes vêm a música e o cinema, e talvez aí esteja a chave de sua maneira de compreender o espaço. “Isay faz arquitetura sem saber desenhar. Desafiou um dos princípios basilares da arquitetura. Aliás, a fixação de seu primeiro desenho logo à entrada da exposição, uma casinha feita na infância, funciona como um recado aos estudantes: existem caminhos além daqueles previstos pelos currículos das escolas”, ressalta.

Ao celebrar 50 anos de atividade do arquiteto, “Et Cetera” não soa como retrospectiva nostálgica, mas como afirmação de uma prática ainda viva, curiosa e aberta ao inesperado. Em um momento em que o mundo criativo tende à especialização extrema, a obra de Isay Weinfeld lembra que a imaginação, quando verdadeiramente livre, prefere sempre o território aberto do etcetera.

No mesmo período, o Instituto Tomie Ohtake apresenta também Ruy Ohtake – Percursos do habitar, em cartaz a partir de 07 de março, exposição que inaugura a nova fase da Casa-ateliê Tomie Ohtake, no Campo Belo, reforçando o momento da instituição dedicado à Arquitetura.

Lourival Cuquinha em exposição coletiva.

09/fev

O artista Lourival Cuquinha participa da exposição coletiva “Toda vez que dou um passo o mundo sai do lugar”, realizada pelo Banco do Nordeste Cultural em parceria com a VIVA do Brasil, em cartaz na Galeria Janete Costa no Parque Dona Lindu, em Recife, PE. 

Com curadoria de Beth da Matta e Jacqueline Medeiros, a exposição reúne obras de 44 artistas pernambucanos e nasce da potência, da pluralidade e da inventividade que caracterizam o cenário das artes visuais em Pernambuco. Através da produção de artistas de diferentes gerações, linguagens e poéticas, a exposição marca a estreia das atividades do BNB Cultural na capital pernambucana, reafirmando seu compromisso com o fomento à arte contemporânea.

A mostra propõe um diálogo entre artistas de diferentes gerações, linguagens e técnicas. As obras exploram temas contemporâneos e identitários por meio de suportes diversos, incluindo pintura, materiais orgânicos e processos experimentais. Lourival Cuquinha participa da exposição com “Senador” (2018), articulando debates ainda latentes no cenário político brasileiro. 

Até 26 de abril.

Um artista acreano na Colômbia.

A obra do artista visual acreano Ueliton Santana é destaque no Museu de Arte Moderna de Medellín (MAMM), na Colômbia, integrando a exposição “Bubuia. Águas como fonte de imaginações e desejos”, em cartaz até o dia 22 de fevereiro. A mostra reúne produções que dialogam com temas como memória, território e cultura nas Amazônias.

Em “Corpos vulneráveis em tempos de crise”, Ueliton Santana aborda a fragilidade da existência e a violência que atravessa diferentes territórios amazônicos. A instalação apresenta figuras que confrontam o espectador desde o primeiro instante, propondo uma reflexão direta sobre as marcas da violência e da exclusão. Inspiradas em práticas e saberes culturais de povos amazônicos, as redes que compõem a obra sustentam e protegem os corpos representados. De acordo com o texto noticiado pelo próprio museu, “…o descanso se transforma em dignidade e os corpos se convertem em um gesto de resistência frente à violência”.

Um vídeo publicado pelo MAMM detalha as inspirações de Ueliton Santana para a obra, que reúne a representação de seis corpos, de diferentes tamanhos, envoltos em redes e dispostos no chão. Todas as redes utilizadas na instalação foram pintadas à mão pelo artista. “Esta obra não se olha, se confronta”, afirma no vídeo divulgado.

Símbolo emblemático da França.

06/fev

A capital paulista recebe a exposição inédita Galo Parade, que reúne 10 esculturas gigantes do galo gaulês (Le Coq Gaulois), um dos símbolos mais emblemáticos da França, criadas por artistas contemporâneos brasileiros. As obras celebram a conexão cultural entre Brasil e França por meio da arte e poderão ser visitadas gratuitamente até 22 de fevereiro, na Esplanada Cetenco Plaza – 3 entradas (dias úteis):Av. Paulista, 1842; ⁠Rua Frei Caneca, 1381; Alameda Ministro Rocha Azevedo, 72.; aos finais de semana, pela Alameda Ministro Rocha Azevedo, 72.  

O galo gaulês tem origem em um trocadilho da língua latina, na qual gallus significava tanto “galo” quanto “habitante da Gália”, nome antigo da França. Ao longo dos séculos, o símbolo ganhou status nacional, representando valores como vigilância, coragem e orgulho. Na Galo Parade, esse ícone é reinterpretado por artistas com vínculos com a cultura francesa, seja por meio de vivências, estudos ou referências artísticas. Participam da exposição Isabelle Tuchband e Thiago Neves, artistas que já levaram suas obras à França em mostras coletivas e individuais, além de Aline Fraga Seelig, Ana K Brizzi, Carol Murayama, Caligrapixo, Cris Campana, Isa Silva, Kamila de Deux e Mateus Bailon. A curadoria é assinada pela francesa Catherine Duvignau. Como parte das ações comemorativas, a entrada do edifício onde está localizado o escritório da Pluxee, em Pinheiros, receberá a pintura de um galo gaulês, criada pela artista Kamila Mello, em celebração à conexão cultural entre Brasil e França. 

“Ao ocupar o espaço urbano durante o período do aniversário da cidade, a Galo Parade convida o público a uma experiência estética vibrante, reforçando São Paulo como um território de encontro entre culturas, linguagens artísticas, arte acessível e histórias compartilhadas”, comenta Catherine Duvignau.

A cor como linguagem.

O artista Pivetti participa da exposição “Cromatismo: Alegoria das Cores”, que abriu, no Vogue Gallery BR, localizado no Vogue Square, Rio de Janeiro, RJ. Carioca, Pivetti apresenta as obras “Engolindo Sapo” e “Drag King”, nas quais aposta na clareza da emoção e na força da cor como linguagem. A curadoria é assinada por Fátima Simões.

Presença brasileira na ZonaMaco.

05/fev

A Simões de Assis, São Paulo/Curitiba/Balneário Camboriú, apresenta na ZonaMaco 2026, Centro Citibanamex, Av. del Conscripto 311, Lomas de Sotelo Hipódromo de las Américas, Miguel Hidalgo, Ciudad de México, uma seleção de obras que tem como eixo a ideia de matéria e de suas transformações e metamorfoses. A arte latino-americana tem sido, há muito tempo, celebrada por suas contribuições aos movimentos Concreto, Geométrico, Cinético e à Op Art, como se a produção visual da região tivesse começado apenas na década de 1950 e se limitasse exclusivamente a esses meios e discursos. No entanto, sabemos que existem aspectos visuais muito mais amplos que podem ser reconhecidos do México à Argentina, do Atlântico ao Pacífico, e que, há séculos, artistas vêm criando perspectivas, estéticas, narrativas e modos de existir singulares. Com esta seleção, a galeria busca fomentar uma discussão sobre a investigação de diferentes materiais em contextos e poéticas distintas, bem como sobre sua importância na Arte Contemporânea.

Artistas:

Abraham Palatnik, Carlos Cruz-Diez, Dashiell Manley, Felipe Suzuki, Gabriel de la Mora, Jean-Michel Othoniel, João Trevisan, Juan Parada, Julia Kater, Macaparana, Manfredo de Souzanetto, Mano Penalva, Marcia de Moraes, Mika Takahashi, Patricia Iglesias Peco, Sergio Lucena e Thalita Hamaoui.