A Gentil Carioca | 12 Anos

10/set

A programação festiva dos 12 anos da galeria A Gentil Carioca, Centro, Rio de Janeiro, RJ, é

bastante eclética. A saber: abertura da Exposição | Chão de Estrelas, de José Bento com

curadoria do Ricardo Sardenberg; Módulo de Escuta|com Ricardo Basbaum e o compositor

convidado Paulo Dantas; Parede Gentil nº 25 | com Renato Pera com Gentil Apoio de Juan

Carlos Verme e Joel Yoss; Lançamento Camisa Educação nº 63 | com Maíra Senise; Festa |

Celebração 12 anos A Gentil Carioca com Desfile de Drags | parceria Drag-se + Drag Attack;

Bolo comemorativo | Edmilson Nunes e Música |  ”Verônica decide morrer”.

 

A exposição “Chão de estrelas” do artista José Bento, é um mote poético inspirado, é claro,

pela canção homônima de 1935 de Orestes Barbosa e Silvio Caldas. A instalação que dá nome

a mostra é composta de milhares de pedaços de madeira (Vinhático ou popularmente

conhecida como gema de ovo), entremeados por cabos de aço (ou como os assistentes do

artista nomearam “fios de ouro”) tencionados de um lado ao outro da sala expositiva no limite

do rompimento. Assim estamos diante de um plano, monocromático, que flutua na altura do

umbigo do artista, que remete a um horizonte que tenciona a relação entre o monocromo que

é em si uma paisagem dourada onde se encontra o dia e a noite.

 

Minha vida era um palco iluminado

Eu vivia vestido de dourado

Palhaço das perdidas ilusões

Cheio dos guizos falsos da alegria

Andei cantando a minha fantasia

Entre as palmas febris dos corações

 

Meu barracão no morro do Salgueiro

Tinha o cantar alegre de um viveiro

Foste a sonoridade que acabou

E hoje, quando do sol, a claridade

Forra o meu barracão, sinto saudade

Da mulher pomba-rola que voou

 

Nossas roupas comuns dependuradas

Na corda, qual bandeiras agitadas

Pareciam um estranho festival

Festa dos nossos trapos coloridos

A mostrar que nos morros mal vestidos

É sempre feriado nacional

 

A porta do barraco era sem trinco

Mas a lua, furando o nosso zinco

Salpicava de estrelas nosso chão

Tu pisavas nos astros, distraída

Sem saber que a ventura desta vida

É a cabrocha, o luar e o violão

 

O conjunto de obras expostas em “Chão de estrelas”  reúne diversas estratégias utilizadas ao

longo da carreira de José Bento. Notavelmente, a obra Xadrez para Max e Marcel se utiliza da

recriação de objetos do cotidiano em madeira numa aproximação do discurso hiper-realista,

como feito pelo artista em anos anteriores em obras como Cobogó, Telefone e de forma

espetacular em Banheiro Bento quando recriou sabonetes, tampões de ralo etc,  porém aqui

ele acena para o que já foi chamado de “surrealismo mitigado” em seu trabalho. Em Xadrez

para Max e Marcel,  José Bento brinda a famosa foto em que Marcel Duchamp aparece

brindando Max Ernst por meio do jogo de xadrez originalmente desenhado pelo terceiro

artista para a exposição The imagery of Chess, na Julien Levy Gallery, em 1944. Num jogo de

espelhos e auto-referências, aqui José Bento estabelece suas credencias como um artista que

goza com prazer das artimanhas neo-dadas e surrealistas contemporâneas.

 

Já em outra sala, em direto contraponto à mensagem Duchamp-ernestiana, um conjunto de

monocromos que variam entre o amarelo e o vermelho acompanhados de um tapete de

madeira virado para Meca, como uma bússola, que nos relembra de tradições atlânticas que

nos conecta à África e à Europa por meio de uma reticência a paisagem, ao ilustrativo e ao

figurativo, neste caso um “misticismo mitigado”. O surrealismo, embora mais conhecido por

sua ênfase no inconsciente, também sempre enfatizou um aspecto místico de comunicação

com o além.

 

Entre as duas pontas do modernismo ocidental, ou dito de outra forma, entre o abstrato

formal da arte construtiva e a representação discursiva típica do surrealismo, a exposição Chão

de estrelas por meio da poesia substantiva de Orestes Barbosa – barraco, trinco, zinco, chão,

astros etc – estica o seu olhar contemporâneo resgatando a simples poesia dos jogos das coisas

simples. Como comentou o artista certa vez: esse Orestes Barbosa é um gênio porque trouxe

os astros lá de cima e pôs no chão para os humildes pisarem.

 

E é com humildade que a exposição vai se espalhar pelo SAARA – a Sociedade de Amigos e

Adjacências da Rua da Alfândega. Espalhado em suas famosas lojas/ tendas e por suas ruas

apertadas e barulhentas, aproximadamente oito trabalhos estarão camuflados na paisagem

comercial. Tanto um comentário ao aspecto comercial da exposição, mas principalmente ao

estatuto variável do que é um ready-made hoje em dia, também desafia o espectador a

considerar a paisagem do SAARA como um espaço expositivo, local de troca e de recorrentes

experiências estéticas e sociais.

 

Toda a exposição será “amarrada” por meio de um jornal em formato tablóide que será

repositório dos enigmas das possíveis fontes do trabalho escultórico expansivo do José Bento.

O jornal de certa forma é onde o inconsciente, o místico, e o pedestre artista estão amarrados.

Lá as referências vêm à tona e submergem no meio do palavrório dos outros curadores,

artistas e paisagens.

 

 

Sobre o artista

 

José Bento, nasceu em Salvador, BA, em 1962, vive e trabalha em Belo Horizonte.  Desde a

década de 1980 realiza, sobretudo, esculturas, instalações, além de trabalhos em vídeo,

desenho e fotografia. Expondo em museus, instituições culturais e galerias dentro e fora do

Brasil, seus primeiros trabalhos se desenvolvem a partir da discussão entre o plano e a

tridimensionalidade, como as maquetes e objetos construídos com palitos de picolé. Já em

Árvores, uma de suas obras mais conhecidas, o artista aborda questões materiais: o material

que serve à sua própria representação. A relação entre a arquitetura dos espaços expositivos e

os trabalhos de arte também se mostrou uma fonte de proposições artísticas em sua carreira,

algumas delas site-specific. Seus trabalhos mais recentes lidam com o estatuto da linguagem

escultórica na contemporaneidade e discussões acerca da representação do valor financeiro e

economia no circuito de arte. Participou de inúmeras exposições coletivas e individuais, entre

elas se destacam: On Another Scale, Galeria Continua, San Gimignano, e Tara por Livros,

Galeria Bergamin 2014; Eletric Blue Night, Galeria Mendes Wood, São Paulo;

Correspondências, Galeria Bergamin, São Paulo, ambas coletivas em 2013; participou com a

Floresta Invisível na 2o Bienal do Benim, Porto Novo, Cotonou e Uidá,  e realizou uma

individual na A Gentil Carioca, Rio de Janeiro em 2012; em 2011, 1901-2011, Arte Brasileira e

Depois, na Coleção Itaú, São Paulo; individual, Galeria Celma Albuquerque, Belo Horizonte em

2010 e no mesmo ano, Zum Zum Zum, na A Gentil Carioca, Rio de Janeiro; Poética da

Percepção no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2008; Acervo do MAP

no Espaço de Arte Pitágoras. Museu de Arte da Pampulha, Belo Horizonte; e Chão na Galeria

Bergamin, São Paulo, 2005. Em 2004 realiza individual no Museu de Arte da Pampulha – MAP,

em Belo Horizonte. Integrou o 29º Panorama da Arte Brasileira, MAM/SP, 2005, entre outras.

Recentemente seu trabalho foi publicada na edição da ABC – Arte Contemporânea Brasileira

organizado por Adriano Pedrosa e Luisa Duarte, Cosac Naify, 2014.

 

 

De 11 de setembro a 31 de outubro.

Alê Jordão na Bolsa de Arte/Rio

A Bolsa de Arte do Rio de Janeiro, em sua sede de Ipanema, e os curadores Marcelo Vasconcellos e Walton Hoffmann convidam para a exposição “LIGHT MY FIRE”, mostra individual de Alê Jordão.

Dia: 08 de setembro – Durante o vernissage, – das 17 às 22hs -, haverá uma performance do artista.

Local: Rua Prudente de Morais, 326.

 

 

Sobre o artista
Alê Jordão nasceu e vive em São Paulo, SP. Estudou na FAAP na segunda metade dos anos 90, com Sandra Cinto, Dora Longo Bahia, Paulo Pasta, Felipe Chaimovich, Edu Brandão, Carmela Gross, Regina Silveira e Nelson Leirner – principal referência para o artista. Estudou também na Domus em Milão, escola originária da experiência do design e arquitetura pós-modernos italianos dos anos 70 e 80. Jordão inicia a vida artística profissional em 2001 e ao longo da carreira vem definindo um corpo de trabalho potente e complexo, material e conceitualmente.
Para Jordão, o objeto-obra não é apenas aquilo que sobra de um processo construtivo, mas algo que se forja e retém os significados dos modos de construir, deixando-os explícitos, comunicativos, vivos no objeto. A tecnologia e o design dizem muito sobre o resultado material e imaterial que o artista deseja produzir. Os objetos-obras de Jordão são conjuntos de elaboradas produções que podem envolver tecnologias completamente distintas.

 

Até 25 de setembro.

 

Entre a Documenta e Paris

Dois dos artistas representados pela OMA |Galeria, São Bernardo do Campo, SP, RIEN e Thiago Toes, partiram mais uma vez para a Europa para mostrar seus trabalhos. A primeira escala foi em Lüben, Alemanha. A cidade abriga o 13º Internationale Werkstattwoche, um simpósio que conta com uma residência artística (24 artistas, de nove países, entre pintores, escultores e fotógrafos), durante a qual promove momentos de convivência comunitária produzindo suas obras. Ao final da convivência, as obras passaram a ser expostas no local e, em 2016, integrarão exposições itinerantes por quatro cidades alemãs. A escolha dos artistas ocorreu por meio de edital, que avalia o currículo artístico dos candidatos. Toes e RIEN já realizaram diversas exposições no Brasil e no exterior e suas peças compõem relevantes coleções particulares.

 

Aproveitando a passagem pela Europa, em Paris, entre os dias 11 e 21 de setembro, Andrey Rossi, Toes e RIEN terão suas obras expostas na galeria Espace des Arts Sans Frontières. O local é conhecido por apresentar promessas das artes de vários pontos do mundo. Segundo o galerista da OMA | Galeria, Thomaz Pacheco, estes eventos são muito importantes para a divulgação da arte brasileira no exterior. “A escolha dos artistas para a residência na Alemanha demonstra o quanto a arte contemporânea brasileira tem conquistado cada vez mais espaço mundialmente. Em Paris, trata-se de uma exposição individual, em que cada artista ocupará uma sala da galeria e as obras poderão ser comercializadas. Esse tour europeu será um grande privilégio a todos nós e, certamente, trará ótimos frutos aos artistas e à arte brasileira”, afirma.

Fotos de Claudia Andujar

08/set

O Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro, Gávea, exibe a exposição “Claudia Andujar: no

lugar do outro”. A curadoria é de Thyago Nogueira. A mostra lança nova luz sobre a trajetória

da fotógrafa de origem húngara ao apresentar trabalhos pouco conhecidos da primeira parte

de sua carreira, anterior ao seu envolvimento com os índios Yanomami. São reportagens

fotográficas e ensaios pessoais, que incluem desde os registros documentais em preto e

branco do começo da carreira até a experimentação gráfica colorida do final dos anos 1960 e

começo dos anos 1970.

 

A mostra é dividida em quatro núcleos. O núcleo “Famílias Brasileiras” apresenta um dos

primeiros trabalhos de fôlego feitos por Claudia no Brasil. Entre 1962 e 1964, a fotógrafa

registrou o cotidiano de quatro famílias de contextos muito distintos: uma família baiana dona

de uma próspera fazenda de cacau, uma família da classe média paulista, uma família de

pescadores caiçaras isolada em uma praia de Ubatuba (SP) e uma família mineira religiosa.

Feito com a intenção de entender como viviam os brasileiros, Claudia almejava publicar o

trabalho em uma revista, mas o perfil diverso do conjunto não interessou à publicação.

 

O segundo núcleo é formado por reportagens desenvolvidas pela fotógrafa para a revista

Realidade, onde trabalhou de 1966 a 1971. Criada em 1966, Realidade foi um marco na

imprensa brasileira pela qualidade das matérias e por reunir um time notável de fotógrafos,

que incluía nomes como Maureen Bisilliat, George Love e David Drew Zingg. A ousadia editorial

de Realidade foi o ambiente perfeito para que Claudia mergulhasse em temas controversos,

espinhosos e poucos discutidos na imprensa.

 

Para a revista Realidade, Claudia fotografou as polêmicas operações do médico-espírita Zé

Arigó, em Congonhas do Campo (MG); a intensa atividade de uma parteira na pacata cidade de

Bento Gonçalves (RS); a situação dos pacientes do Hospital Psiquiátrico do Juqueri, em São

Paulo; uma sessão de psicodrama, e o controverso “trem baiano”, que levava imigrantes

desempregados em São Paulo de volta a seus estados natais. Além de reportagens, Claudia

também desenvolveu ensaios fotográficos para ilustrar matérias da revista. Fazem parte da

exposição uma série sobre relacionamentos homossexuais, cujas fotos não foram publicadas

pela revista, e um ensaio sobre a natureza dos pesadelos.

 

O terceiro núcleo é formado por três ensaios experimentais que Claudia desenvolveu em São

Paulo a partir de seu interesse pela cidade e pelo corpo humano. Fazem parte desse núcleo a

série sobre a “Rua Direita”, os nus da série “A Sônia” e fotos aéreas tiradas com filme

infravermelho.

 

O quarto e último núcleo da mostra contém fotografias de natureza feitas durante as primeiras

viagens à região da Amazônia, no começo dos anos 1970, especialmente ao longo do rio Jari,

no Pará, e em Roraima. Claudia fotografou as cachoeiras de Santo Antônio e o lavrado

roraimense com a experimentação e a sensibilidade que marcaram sua produção do período.

Em 1971, enquanto trabalhava numa edição especial da revista Realidade dedicada à

Amazônia, Claudia entrou em contato com os índios Yanomami. A partir de então,

transformou a documentação e a proteção desse povo em missão de vida. Seu trabalho como

fotógrafa e sua atividade política à frente da Comissão Pró-Yanomami trouxeram contribuições

inestimáveis ao país. Durante os anos que se seguiram, a produção de Claudia ligada aos índios

se sobrepôs ao extenso trabalho feito nas décadas anteriores, que agora começa a ser

retomado.

 

É essa produção ainda pouco vista e estudada que a exposição Claudia Andujar: no lugar do

outro vem regastar. Desde que chegou ao Brasil, nos anos 1950, Claudia mergulhou em

realidades que desconhecia e se interessou por núcleos fechados (como na série das famílias

brasileiras) ou grupos marginalizados e isolados (como os adeptos do espiritismo ou os

pacientes do Juqueri). Claudia usava a fotografia para entender o país que adotara, para

compreender o outro e descobrir a si mesma. Durante toda a carreira, Claudia fez questão de

se aproximar do outro e de se pôr em seu lugar – daí o título da exposição. Um deslocamento

que também ocorreu no âmbito geográfico, quando Claudia foi obrigada a abandonar suas

raízes e reconstruir a vida em um novo país. Ao focar-se nas primeiras décadas de sua carreira,

Claudia Andujar: no lugar do outro nos ajuda a entender a relevância, a originalidade e a

complexidade da produção de uma das mais importantes fotógrafas brasileiras.

 

 

Sobre a artista

 

Claudia Andujar nasceu na Suíça, em 1931, e em seguida mudou-se para Oradea, na fronteira

entre a Romênia e a Hungria, onde vivia sua família paterna, de origem judia. Em 1944, com a

perseguição aos judeus durante a Segunda Guerra Mundial, fugiu com a mãe para a Suíça, e

depois emigrou para os Estados Unidos, onde foi morar com um tio. Em Nova York,

desenvolveu interesse pela pintura e trabalhou como intérprete na Organização das Nações

Unidas. Em 1955, veio ao Brasil para reencontrar a mãe, e decidiu estabelecer-se no país, onde

deu início à carreira de fotógrafa. Sem falar português, Claudia transformou a fotografia em

instrumento de trabalho e de contato com o país. Ao longo das décadas seguintes, percorreu o

Brasil e colaborou com revistas nacionais e internacionais, como Life, Aperture, Look, Cláudia,

Quatro Rodas e Setenta. A partir de 1966, começou a trabalhar como freelancer para a revista

Realidade. Recebeu bolsa da Fundação Guggenheim (1971) e participou de inúmeras

exposições no Brasil e no exterior, com destaque para a 27a Bienal de São Paulo e para a

exposição Yanomami, na Fundação Cartier de Arte Contemporânea (Paris, 2002).

 

 

Até 15 de novembro.

Dias & Riedweg na Casa Daros

04/set

A Casa Daros, Botafogo, Rio de Janeiro, RJ, apresenta, a videoinstalação “Nada Absolutamente Nada”, de Dias & Riedweg, feita a partir de uma série de 30 oficinas realizadas pelos artistas entre abril e agosto deste ano, com pacientes psiquiátricos do Instituto de Psiquiatria da UFRJ (IPUB), integrantes do grupo A Voz dos Usuários. Os 12 integrantes do projeto foram indicados por suas equipes clínicas e devidamente acompanhados por profissionais de saúde sob a direção do psiquiatra e professor Julio Verztman (IPUB/UFRJ).
No dia 29 de agosto, sábado, às 17h, o filósofo Peter Pelbart e os especialistas Tânia Rivera, Julio Vertzman e Octávio Serpa reúnem-se com os artistas para um bate-papo público no auditório da Casa Daros.
As oficinas dos artistas foram estruturadas a partir da leitura e da livre interpretação de uma seleção de contos do escritor suíço Robert Walser (1878-1956), que passou por diversas internações psiquiátricas entre 1929 e 1956, e cuja obra se tornou influência definitiva na literatura contemporânea de língua alemã. Os participantes escrevem suas próprias histórias e pensamentos, recriando a sua maneira o universo mágico e sedutor dos contos de Walser.
Nas oficinas realizadas em um dos espaços ainda não renovados da Casa Daros, portanto desconhecido do público, os artistas e o grupo A Voz dos Usuários recriaram roteiros e histórias a partir desses novos textos produzidos, e os materializam em vídeos “que nos revelam o cotidiano da cidade em locais e situações escolhidas e registradas pelos pacientes”, dizem Dias & Riedweg. “Assim, visitamos as casas dessas pessoas, seus caminhos diários e seus locais prediletos na cidade, bem como detalhes, ao mesmo tempo anônimos e pessoais, da enfermaria do hospício, cenário incontornável nos momentos de crise”, contam os artistas. Mais que um retrato sobre a condição psiquiátrica, o trabalho constrói um ensaio poético e filosófico que questiona a definição e o lugar da loucura na vida contemporânea. “A rua e o caminho; a casa e a clínica – o lar; a clausura e o espaço aberto; o dia e a noite; o espaço entre as orelhas e o espaço de fora, eu e o outro; o esperado e o acaso”. A Voz dos Usuários é um grupo independente e atuante de pacientes do IPUB, que surgiu e se desenvolveu sob a supervisão do Dr. Octávio Serpa, para estudar e discutir o fenômeno das “pessoas que ouvem vozes” e seus desdobramentos na vida cotidiana e no tratamento psiquiátrico.

 
Dias & Riedweg e a obra de Robert Walser
Durante todo o ano de 2015, Dias & Riedweg vêm trabalhando a partir da obra do escritor Robert Walser. Conceberam e realizaram uma performance inicialmente apresentada como intervenção na peça “Puzzle D”, de Felipe Hirsch no Teatro do Sesc Villa Mariana, em São Paulo, em março deste ano, e posteriormente no Festival de Performance “Der Längste Tag”, em Zurique, Suíça, em junho passado. Essa é a segunda incursão de Dias & Riedweg no universo psiquiátrico. A primeira ocorreu com um grupo de 50 pacientes internos do mesmo IPUB / UFRJ após uma série de cem oficinas realizadas ao longo de 2011 no próprio hospital, e que deram origem à obra “Corpo santo”. Essa videoinstalação de 2012 foi comissionada pela Coleção Prinzhorn, e apresentada naquela instituição, em Heildeberg, Alemanha. No Brasil, partes deste vídeo foram apresentadas na 30ª Bienal de São Paulo, no ano passado. A obra completa, entretanto, ainda não foi mostrada no país. Uma terceira experiência profissional dos artistas no campo da psiquiatria é o projeto “Cidades de Deus”, que aborda a “Síndrome de Jerusalém”, termo psiquiátrico designado para nomear os surtos de delírio religioso recorrentes entre turistas e peregrinos que visitam os locais sagrados dos territórios da Palestina e Israel, e que apontam, de formas diversas, para o real confronto político dessa região. Após uma primeira residência dos artistas no Jerusalem Center of Visual Arts, em 2013, o projeto se encontra em fase de produção.

 
Até 13 de dezembro.

Toz na Europa

A partir do dia 10 de setembro os franceses poderão contemplar o trabalho de Tomaz Viana, o Toz, um dos artistas mais conceituados no cenário da arte urbana brasileira. A Prefeitura de Paris está  transformando todo o 13º Arrondissement, em parceria com a empresa de construção civil SEMAPA, que desenvolveu um conceito de vitrine artística através do projeto SCOPE. Toz foi convidado para fazer um site specific levando as cores do Rio para a cidade através do personagem “Vendedor de Alegria”, com 5 metros de altura e cabeça composto por 1000 bolas de vinil suspensas. Trata-se de um espaço visível ao público, uma estação de metro desativada, localizada em dois grandes eixos do bairro. A obra ficará no local por quatro meses.

 

Depois desse projeto, o artista segue para o “Vision Art Festival” na cidade de Crans-Montana, na Suíça. O festival tem como missão unir arte e natureza para criar algo novo. Combina a paisagem da cidade com os trabalhos de diversos artistas vindos de todos os lugares do mundo. A programação conta com um dia educativo e interativo com crianças de escolas das redondezas, festas, workshops, atrações musicais e até uma corrida de downhill. Por lá Toz vai pintar uma Estação de Esqui e todo o caminho percorrido pelo teleférico ganhará as cores e formas do artista.

Artistas cubanos na Casa Daros

Na próxima terça-feira, 08 de setembro, às 11h, será realizada uma coletiva de imprensa na Casa Daros, Botafogo, Rio de Janeiro, RJ, sobre a exposição “Cuba – Ficción y fantasia”, que será inaugurada em 12 de setembro. A curadoria é de Hans-Michael Herzog e Katrin Steffen. Serão apresentados 130 trabalhos de 15 destacados artistas cubanos: Ana Mendieta, Belkis Ayón, Ivan Capote, Javier Castro, José Bedia, Juan Carlos Alom, Lázaro Saavedra, Los Carpinteros, Manuel Piña, Marta María Pérez Bravo, René Francisco, Santiago Rodríguez Olazábal, Tania Bruguera, Tonel e Yoan Capote. Está será a última exposição da Casa Daros.  Estarão presentes na coletiva os curadores da mostra, o diretor-geral da Casa Daros, Dominik Casanova, e alguns artistas com trabalhos da exposição.

Cartão-postal para colorir

Uma série de seis cartões postais ilustrados pelo artista Leandro Selister são distribuídos gratuitamente na loja Koralle no Santander Cultural, Centro Histórico, Porto Alegre, RS. A proposta do artista envolve a retirada dos postais para que pintem as ilustrações em preto & branco, escrevam mensagens e enviem para qualquer lugar do Brasil. Encontra-se destinada no local uma caixa de coleta para receber os cartões já endereçados, com postagem e custo feitos pelo próprio Santander Cultural. A iniciativa, que traz imagens do prédio histórico de 1932, um projeto do artista catalão Fernando Corona, visa estimular a volta da escrita e buscar outra forma de comunicação em nosso mundo atual totalmente regido pela digitação.

Lucio Salvatore exposição e instalações

03/set

O artista plástico ítalo brasileiro Lucio Salvatore apresenta ao público carioca a exposição “Fragmento #2015_1”, com curadoria de Fernando Cocchiarale. A mostra reúne instalações, fotos e vídeos que serão apresentadas em dois módulos, o primeiro no Centro Cultural dos Correios, Centro, Rio de Janeiro, RJ, de 04 de setembro a 03 de outubro de 2015, e o segundo conjunto de obras instaladas em algumas ruas e estabelecimentos comerciais do centro do Rio de Janeiro, de 3 a 11 de setembro.

 

“A exposição é feita de rupturas e pedaços deslocados de uma unidade que nunca existiu, recompostos segundo novas constituições que as obras impõem”, explica Salvatore. A mostra inicia um ciclo de projetos que já foram pensados em forma de fragmento, são discursos incompletos, abertos, a serem manipulados pelo público, pelo tempo.

 

Italiano radicado no Rio de Janeiro, Lucio Salvatore já apresentou dois projetos por aqui. O primeiro, “One Blood/Fenomenologia da memoria”,  em 2010/2011 (no Centro Cultural Correios, no Rio de Janeiro, com mais de 15.000 visitantes, e no museu MuBE, em São Paulo),que impressionou a todos, onde o artista utilizou o sangue dos próprios retratados. E a segunda, “Projeto de Redução Espacial” com o tema da relaçao entre ‘capital e natureza’, em 2014 (Centro Cultural Correios, no Rio de Janeiro), onde o artista apresentou uma série de monotipias realizada com um método de frotagens representando a memória topográfica de mina de escavação e lavoração de pedras.

 

A exposição Fragmento #2015_1 é dividida em dois módulos : o primeiro, apresentado no Centro Cultural Correios, é um conjunto de obras cuja questão dominante são Os jogos de Significados que acontecem ao longo da vida da obra de arte, desde a sua criação e relação com o público até a posse pelo colecionador. As obras levantam uma questão de poder entre as pessoas que participam delas. A dialética entre unidade e multiplicidade é muito presente nas obras de Salvatore.

 

 

1º Piso/Instalações

 

O JOGO DA FORMA #7, 2015 – Instalação – Estojo com 6 pedras, espelho, placa com as regras do jogo, 48 fotos das esculturas realizadas pelo público.

 

1400 MANIPULAÇÕES E UMA REGRA, 2015 – Instalação – 1400 quadrados pretos, papel de algodão, regra de colagem, ação de colagem realizada pelo público. A obra trata da relação de poder entre o artista que cria um campo de significados e os utilizadores da obra que a manipulam

 

MARGEM INDIFERENTE, 2015 – A palavra marginal escrita pelo artista na entrada dos Giardini foi cancelada pela passagem do público convidado para estreia da 56a Bienal de Arte de Veneza, em maio de 2015, durante 12 horas, o tempo da ação coletiva. Registro da obra: #2 fotos, um livro com uma seleção de 512 imagens da passagem do público.

 

QUADRADO PRETO | 100 MANIPULAÇÕES, 2015 – 100 quadrados pretos, papel de algodão, regra de colagem, ação de colagem realizada por um artista reconhecido usado como mão de obra.

 

POST-AR, 2015 – #4 caixas, cada uma contendo 9.936 cm3 de ar enviadas pelo correio da Itália até o Rio de Janeiro. O sistema logístico utilizado para o deslocamento de ar é a matéria prima da obra: embalagem, selos, sistema de pagamento, trabalho de funcionários de empresas envolvidas, acionistas das empresa, alfândega, impostos etc.

 

 

2º Piso/Sala vídeo

 

O FIM DO QUADRADO PRETO #1, 2015 – Vídeo – Parte de um projeto realizado na Itália nos meses de junho e julho de 2015 e representa também uma conexão com a próxima exposição que Salvatore está preparando para 2016 Fragmento #2016_1. O artista desenhou nas paredes de uma pedreira um quadrado preto em homenagem aos 100 anos da criação da pintura de Malevich e logo em seguida quebrou esta parede com máquinas para escavação reduzindo-a em mil fragmentos de rochas que carregam as marcas pretas do quadrado.

 

LAVRA (RASTRO), PATERNIDADE, INDÍCIO, 2015 – Vídeo – Também é parte de um projeto realizado na Itália nos meses de junho e julho de 2015 e representa igualmente uma conexão com a próxima exposição que Salvatore está preparando para 2016. O artista tem tem se apropriado do processo de escavação dentro de uma pedreira a procura de uma forma de escultura expandida, simbólica da forma primordial do homem deixar sinal (rastro, marca) da sua passagem, da criação do mundo a partir da terra herdada. Salvatore que até agora nunca tinha assinado as obras criadas, resolve pela primeira vez usar sua assinatura para questionar o valor dela junto ao significado da obra.

 

O segundo conjunto de obras cria um circuito externo ao Centro Cultural Correios composto por obras instaladas em algumas ruas e estabelecimentos comerciais do centro do Rio de Janeiro. Estas obras tratam da questão legal e política do espaço, de situações de ocupações, de posse e propriedade legal ou real da terra e do ambiente urbano.

 

 

Circuito externo/Urbano da exposição/Instalações

 

UN METRO QUADRATO DI TERRA #1, 2014 – Instalação com dimensões variáveis. Processo de Venda Imobiliária. Contrato de compra e venda de um lote de terra, fotos da propriedade de terra expostas numa agência imobiliária do Rio de Janeiro. Essa obra é um contrato de compra e venda de uma porção (1/100) de metro quadrado de terra de propriedade do artista na Itália, identificado por uma escultura de mármore. Questão da obra de arte como investimento, até objeto de especulação.

 

AQUI TAMBÉM TEM ESPAÇO PARA ARTE – Instalação com dimensões variáveis. Esta obra é parte de um projeto iniciado por Salvatore em 2014, um projeto que questiona a natureza da utilização do espaço público para fins públicos ou privados. O projeto consiste em ocupações realizadas com diferentes objetos e sistemas usados cotidianamente por pessoas e empresas para delimitar e utilizar espaços públicos. Para fragmento #2015_1 o artista ocupará um espaço do centro da cidade, um lugar que não será revelado explicitamente para que a obra possa levantar o questionamento e a dúvida do público frente a cada espaço, cuja ocupação seja questionável. O artista desta maneira quer utilizar o questionamento e a dúvida do público como matéria prima da obra.

 

BANCA NEUTRAL – O Poder da Escrita Menos o Poder da Imagem – Instalação com dimensões variáveis. Esta obra é parte de um projeto do artista iniciado em 2014. Ele adquiriu em bancas de jornais do Rio de Janeiro revistas que tratam explicitamente de politica, substituiu as capas e contracapas destas revistas reproduzidas com os textos originais sem formatação e sem imagens e recolocou as revistas novamente em circulação nas bancas. Para exposição Fragmento #2015_1 Salvatore instala nas vitrines de uma banca do centro do Rio de Janeiro uma série de revistas manipuladas.

 

Lucio também estará participando do circuito de exposições para convidados da ArtRio 2015, onde vai receber o público que fizer reservas antecipadas para uma visita guiada a sua exposição.

 

Em ocasião da exposição Fragmento #2015_1 Salvatore apresentará pela primeira vez ao público da cidade o projeto do museu que esta desenvolvendo MAC Rio de Janeiro – Museu de Arte Contemporânea do Rio de Janeiro

 

 

 

Sobre o artista

 

Artista plástico ítalo brasileiro, vive e trabalha no Rio de Janeiro. Formado em economia na Universidade Bocconi de Milão, estudou filosofia e arte na EAV Parque Lage. Suas obras tratam das ‘relações de poder e manipulação’ dentro de uma comunidade a partir de questões linguísticas, políticas, econômicas e tecnológicas. Exposições individuais selecionadas: Superstudio, Milão (2008), Grant Gallery, New York (2007, 2009), Potsdamer Platz, Berlin (2007). No Brasil: Museu Brasileiro de Escultura MuBE em São Paulo (2011) e no Centro Cultural Correios no Rio de Janeiro (2010 e 2014).

 

 

 Sobre o curador Fernando Cocchiarale

 

Crítico de arte, curador e professor de filosofia da arte do Departamento de Filosofia da PUC-RJ, é também professor da Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Autor de artigos, textos e resenhas publicados em livros, catálogos, jornais e revistas de arte do Brasil e do exterior. Foi curador e coordenador do programa Rumos Itaú Cultural Artes Visuais, Coordenador de Artes Visuais da Funarte, e curador do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAMRJ), além de membro de inúmeros júris e comissões de seleção de mostras e salões no Brasil. É curador independente, sendoresponsável por exposições no MAM-RJ, Itaú Cultural (SP), Santander Cultural (RS), Oi Futuro, (RJ), Paço Imperial (RJ), Casa França-Brasil (RJ), Museu Nacional do Centro Cultural da República (DF). É doutor em Tecnologias da Comunicação e Estética pela Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

 

 

De 03 de setembro a 03 de outubro.

 

Circuito Externo: De 03 a 11 de setembro.

Interpretações e traduções

02/set

Com curadoria de Lilia Moritz Schwarcz, a exposição “Nelson Leirner leitor do outros e de si mesmo” na Galeria Vermelho, Jardim Paulista, São Paulo, SP,  apresenta cerca de 75 obras de Nelson Leirner nas quais o artista interpreta, traduz e dialoga com trabalhos de 12 artistas de diversas épocas, como Leonardo da Vinci, Lucio Fontana, Damien Hirst, Yayoi Kusama, Lucio Fontana e Mondrian. Cada espaço da Galeria Vermelho fica reservado às interpretações de cada um desses artistas com obras produzidas por Nelson Leirner entre os anos de 1968 e 2015.

 

 
Até 03 de outubro.