Em dupla

06/set

Rodrigo Andrade

Depois de realizar em 2010 a exposição “Arte brasileira: além do sistema”, na qual artistas populares foram expostos ao lado de contemporâneos, a Galeria Estação, Pinheiros, São Paulo, SP, vem promovendo o encontro entre esses dois mundos. Agora, em “O Jogo dos sete erros – Ranchinho e Rodrigo Andrade – 10 pinturas e 10 versões”, Rodrigo Andrade se propôs a fazer releituras de obras de Ranchinho. O resultado desta “pictofagia” está reunido na exposição com 10 trabalhos inéditos do artista contemporâneo expostos lado a lado às telas do pintor egresso da cultura de raiz.

 

Andrade utilizou-se da apropriação, processo da linguagem contemporânea, e procurou a perfeição em suas releituras do mestre popular. O artista fotografou as obras e projetou as imagens em telas brancas, replicando cada pincelada. O deslocamento entre as versões é pequeno, sutil. De longe, chegam a ser idênticas, com as mesmas nuances no desenho e as diferenças surgindo apenas num olhar aproximado. O título da exposição, “O Jogo dos 7 Erros”, parte exatamente dessa semelhança exacerbada, que só revela na camada grossa de tinta, marca característica de Rodrigo Andrade, no olhar aproximado. O musico Toni Belotto, que é de Assis, mesma cidade de Ranchinho, já fez um filme em super 8 sobre o artista e assina texto para o catálogo da exposição.

 

Sobre Ranchinho

 

O artista Sebastião Theodoro Paulino da Silva, o Ranchinho, nasceu em 1923 e faleceu em Oscar Bressane, SP, 2003. Filho de bóias-frias, foi uma criança frágil e fraca, com muita dificuldade para desenvolver-se e aprender. O desenho sempre foi uma prática constante. Com o tempo não parava mais em nenhum trabalho, vivia sempre em casebres abandonados, catando sucata para vender. Por volta de 1970, o escritor e estudioso de arte José Mimessi, ensinou-lhe o manejo do guache e aos poucos sua obra chegou à cidade de São Paulo, provocando o interesse de vários colecionadores, impressionados com as soluções que adotava em suas pinturas. Em 2000, convidado por Emanoel Araújo, fez a releitura da tela de Almeida Jr. “Caipira picando fumo”, de 1893, que integrou na mostra “Almeida Júnior, um artista revisitado”, na Pinacoteca de São Paulo. Ranchinho participou ainda da Bienal Nacional de São Paulo, 1976; Bienal dos 500 anos, 2000;  e de inúmeras coletivas, entre as quais destaca-se “Pintura primitiva no Brasil”, Museu Carrillo Gil do México, 1980 e “40 pintores primitivos”, Museu Guido Viaro, Curitiba, PR, 1981.

 

Sobre Rodrigo Andrade

 

Estudou no Studio of Graphics Arts, em Glasgow, Inglaterra e frequentou o curso livre de gravura e pintura na Escola de Belas Artes de Paris, França. Desde o início de sua carreira, recebeu importantes prêmios em salões nacionais de arte. Participou da 29ª Bienal de São Paulo, SP, em 2010 e recebeu a Bolsa Vitae de Artes Plásticas em 2004. A partir de 1986, realizou diversas exposições individuais em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Participou de inúmeras exposições coletivas no Brasil e no exterior. Em 2000, iniciou uma série de intervenções pictóricas em espaços públicos: “Projeto Parede” no MAM-SP; “Lanches Alvorada”, em um bar no centro da cidade de São Paulo, e “Paredes da Caixa” no museu da Caixa Econômica Federal, São Paulo, SP.

 

 

Até 31 de outubro.

Cinco séries fotográficas

03/set

A Portas Vilaseca Galeria, Leblon, Rio de Janeiro, RJ, exibe a exposição “Desvios na paisagem”, individual de fotografias de Pedro Victor Brandão. A mostra traz ao público 23 trabalhos produzidos entre 2008 e 2012 abordando a fotografia para além do domínio do visível. São cinco séries que elaboram processualmente a criação de imagens através de transformações químicas, físicas, biológicas e numéricas.

 

Em “Vista para o nada”, o artista utiliza filmes instantâneos vencidos para registrar reações químicas traduzidas como paisagens calcadas no acaso. A latência das imagens é trabalhada na série “Dupla Paisagem”, em que colônias de mofo foram cultivadas em filmes preto e branco que esperaram dez anos pela revelação. Em “WYBINWYS – O que você compra não é o que você vê”, imagens da ação da gravidade são sobrepostas por uma película refratora. Para serem acessadas, tais imagens exigem a busca de um ângulo específico por parte do leitor.

 

A série “Não Civilizada” traz nove impressões de paisagens do Rio de Janeiro completamente retocadas digitalmente para um estado “original” inexistente. Construções, aterros e monumentos são substituídos por elementos ressintetizados, remetendo tanto a um passado inabitado como a um futuro cataclísmico, colocando em dúvida o caráter objetivo da fotografia contemporânea e questionando o padrão de urbanização da cidade. A série “Curta”, retrata o processo de revitalização da zona portuária, alvo de uma complexa operação especulativa com a construção de grandiosos totens urbanos. O texto crítico da exposição foi escrito pelo próprio artista, intuindo reflexões sobre impermanência e o estado da paisagem urbana a partir dessas distorções no espaço e tempo fotográficos.

 

Ativa desde 2010, a Portas Vilaseca Galeria se estabeleceu no panorama da arte contemporânea reunindo artistas de diferentes gerações e firmando parcerias entre colecionadores, instituições e curadores.

 

Sobre o artista

 

Nascido em 1985, Pedro Victor Brandão é artista visual e fotógrafo. Formado na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, em cursos livres de 2005 a 2009 e no programa “Aprofundamento”, em 2010. Em 2009, graduou-se em Fotografia pela Universidade Estácio de Sá. Desde 2005 desenvolve trabalhos autorais que versam sobre ressignificações da imagem fotográfica hoje. Em 2011 faz sua primeira exposição individual dentro do projeto “Ocupação Cofre”, na Casa França-Brasil, com a série “Pintura Antifurto”. Entre as exposições coletivas que participou destacam-se “Novíssimos”, Galeria IBEU, 2012, Rio de Janeiro; “Novas Aquisições”, 2010/ 2012, MAM – Rio, 2012 e “Sem Título #1 – Experiências de Pós-Morte”, Galeria Oscar Cruz, 2011, São Paulo. Em 2008, ganhou o 3º Prêmio do 1º Salão de Artes Visuais de Petrópolis e em 2010, foi premiado no XI Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia, com o projeto “O Transitório Fóssil”. Seus trabalhos integram coleções públicas e particulares. Vive e trabalha no Rio de Janeiro.

 

De 05 de setembro a 06 de outubro.

Mostras simultâneas

31/ago

A Galeria de Arte IBEU, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ, exibe duas individuais simultâneas das artistas Bianca Bernardo e Daniela Seixas, com curadoria de Ivair Reinaldim. Bianca Bernardo e Daniela Seixas foram premiadas pela Comissão Cultural do Ibeu pelos melhores trabalhos do Salão de Artes Visuais Novíssimos, realizado em 2011.

 

Bianca Bernardo apresenta a individual “Terra Fabricada” composta por desenhos, objetos e o filme “Terra Fabricada”, realizado em 2012 entre Brasil e Portugal durante o período de residência artística no LARGO, em Lisboa. Ivair Reinaldim, crítico de arte e membro da Comissão Cultural do Ibeu, diz no texto de apresentação da exposição de Bianca Bernardo: “A dimensão que envolve o projeto “Terra Fabricada” de Bianca Bernardo é aquela do confronto com as próprias origens. Mas toda origem é escolha deliberada – por necessidade, eleição afetiva ou desejo –, disposição que visa identificar um lugar, um estar no mundo. Por isso, há nesta exposição algo que extrapola a referência a um local específico, demarcando muito mais uma propensão, um estado de espírito, um querer. Trata-se de um processo com forte apelo ficcional: o filme documental homônimo, que a artista concebe entre Brasil e Portugal, é representação tanto quanto o conjunto de subjetivações que lhe serviu de suporte, uma colagem/montagem de fragmentos diversos, que reúne lembrança familiar, memória induzida e imaginação pessoal”.

 

Daniela Seixas apresenta, nesta que é sua segunda exposição individual intitulada “E toda umidade que há no meio”, desenhos, objetos, vídeos e palavras. Nos trabalhos realizados em 2010-2011 e 2012, a artista parte do enfrentamento da experiência com o desenho, com as palavras e suas atmosferas. Seja no gesto incessante que expõe a proximidade entre o risco e o mar ou nas surpresas das trocas invisíveis e desenhos no mundo. A artista reúne os trabalhos sob aquilo que chama de uma “discreta vigília e tentativa”. No texto de apresentação da exposição de Daniela Seixas, Ivair Reinaldim diz: “A paisagem não está fora; ela nos atravessa e se constitui a partir de nossa experiência: eis como podemos apreender a exposição de Daniela Seixas. É por meio da linguagem, no sentido estendido e corporificado das palavras, que a artista reúne um conjunto de proposições, capaz de fornecer um panorama insólito e fragmentado do mundo: uma atmosfera rarefeita; contudo, na eminência de sua condensação. São projetos que se realizam enquanto possibilidades de encontro poético entre aquilo que a artista materializa por meio de objetos, desenhos, vídeos e ações e a disposição subjetiva do espectador para atribuir significados a sua experiência imediata. Encontro que reforça o momento em que nossas vivências dão sentido à existência”.

 

Até 14 de setembro.

Dois na Casa França-Brasil

22/ago

Cromática

A exposição individual de Waltercio Caldas, denominada “Cromática”, é atual cartaz da Casa França-Brasil, Centro, Rio de Janeiro, RJ. Esta é a primeira grande exposição do artista no Rio após a mostra retrospectiva realizada no MAM em 2010. O evento acontece em um ano bastante produtivo e premiado para Waltercio, que acaba de lançar dois novos livros. Além disso, conquistou o prêmio da Bienal de Cuenca e prepara outra importante exposição para a Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre.

 

Diz a lenda que, na estreia de seus filmes, o diretor Alfred Hitchcock costumava pregar, na porta dos cinemas, um cartaz que dizia: “Não contem o final para seus amigos”.  Nessa mesma linha, a surpresa é um dos ingredientes essenciais dessa nova exposição de Waltercio Caldas, evento que procura estimular algumas reflexões: O que acontece quando nos vemos diante de uma obra de arte?  Como estender um momento fugidio até o limite possível? Dá para explicitar coisas que não são explícitas?

 

Para o artista, nada é mais importante do que o momento em que o objeto de arte se apresenta para a pessoa: “- Esse instante, tem características “inaugurais” – acentua. – Quando o objeto de arte aparece pela primeira vez, se apresenta somente na integridade da sua própria percepção. É “o momento do objeto”, aquele instante inicial de surpresa e aparecimento – que pretendo que dure  o maior tempo possível”.  – destaca.

 

 

Metáfora do valor

 

Em todas as suas grandes exposições, a Casa França-Brasil convida um outro artista para ocupar o espaço do Cofre. Desta vez a escolhida é Analu Cunha, artista alagoana radicada no Rio de Janeiro cuja obra é centrada nas questões da imagem e das qualidades ambíguas e contraditórias que lhes atribui.

 

A instalação “Pickpocket” – que usará como suporte uma TV LED de 24 polegadas, discretamente embutida na parede do cofre – pretende realçar o caráter soturno (e mesmo secreto) desse lugar, normalmente fechado “a sete chaves”. A porta entreaberta convida o espectador a acompanhar o surgimento de uma imagem misteriosa, que se transforma e se modifica gradualmente até o fim abrupto do filme.

 

Valendo-se da metáfora do “valor” econômico, a artista propõe ao visitante uma reflexão sobre as ambiguidades de nossa própria vida privada, sobre o que decidimos mostrar ou esconder, exibir a esmo ou trancar num cofre.

 

 

Até  21 de outubro.

A poética das ruas

Devotionalia 1

Os premiados artistas contemporâneos Dias & Riedweg inspiraram-se em João do Rio e levaram ao Centro de Artes Hélio Oiticica os caminhos videopoéticos do Rio em que vivem. “Até que a rua nos separe”, é a exposição que reúne alguns dos mais expressivos trabalhos da dupla no Centro de Artes Hélio Oiticica, Centro, Rio de Janeiro, RJ. A exibição foi qualificada pelos autores como uma ode a João do Rio, considerado o maior cronista das doçuras e mazelas cariocas entre o final do século 19 e o início do século 20.

 

Assim como João do Rio, o autor de “A alma encantadora das ruas”, os dois artistas se identificam com os movimentos, sentidos e sensações que a cidade inspira. Como cronistas ampliados pela tecnologia de seu tempo, Dias e Riedweg compõem retratos fiéis das várias realidades cariocas com som, imagem e movimento. A exposição compõem-se de nove instalações em vídeo e outras obras que envolvem fotografia, desenhos e música, sem abrir mão do movimento e do pulso da vida na cidade.

 

 

Sobre os artistas

 

Maurício Dias nasceu no Rio de Janeiro, 1964, e Walter Riedweg em Lucerna, Suíça, 1955. Trabalham juntos desde 1993 e participaram de algumas das mais importantes exposições de arte contemporânea internacionais, como a 12ª Documenta de Kassel 2007, Bienal de Veneza, 1999, e outras bienais, como as de São Paulo, Havana, Mercosul, Liverpool, Xangai, Gwanjú e Tenerife.

 

Com individuais de grande formato realizadas no CCBB do Rio de Janeiro, no MACBA de Barcelona, no Kiasma em Helsinki, no Le Plateau de Paris, no MUAC da Cidade do México e no Americas Society de Nova Iorque, a dupla se consolidou no cenário de arte contemporânea internacional por seu trabalho pioneiro, que mistura projetos participativos de arte pública e videoinstalação.

 

Dias & Riedweg tornaram-se conhecidos do público carioca a partir da primeira exibição de “Devotionalia”, no Museu de Arte Moderna. O trabalho, que teve grande ressonância crítica e popular, é hoje parte do acervo do Museu Nacional de Belas-Artes. Convidados pelo curador Paulo Herkenhoff para a 24ª Bienal de São Paulo em 1998, tiveram participação marcante com a videoinstalação “Os Raimundos, Severinos e Franciscos”. Logo a seguir fizeram outra videoinstalação, “Belo é também tudo aquilo que não foi visto”, com um grupo de pessoas cegas do Instituto Benjamim Constant (exibida na 25ª Bienal de São Paulo) e “Mera Vista Point”, um projeto de arte no mercado informal paulistano, criado para o Arte Cidade 4, em São Paulo.

 

Os artistas consolidaram sua trajetória em 2002, com a grande individual “O Outro começa onde nossos sentidos encontram o mundo”, curada por Catherine David (Documenta X), no CCBB do Rio de Janeiro.

 

 

Até 30 de setembro.

Na Galeria Marcelo Guarnieri

20/ago

A Galeria Marcelo Guarnieri, Ribeirão Preto, São Paulo, SP, apresenta a exposição “YOUR PRINCESS IS IN ANOTHER CASTLE”, individual de Rogério Degaki, para a qual o artista selecionou onze obras: dez esculturas e uma instalação.

 

Rogério Degaki trata em seus trabalhos, de forma delicada, questões relacionadas ao corpo e à sexualidade, com influências de contos de fadas, televisão, cultura pop e revistas em quadrinhos, com repertório visual que inclui desde personagens fictícios de natureza fantástica até referências à história da arte.

 

Em sua mais recente pesquisa o artista inicia um novo caminho e, por essa razão, grande parte das peças serão suspensas no espaço expositivo, criando com isso uma dinâmica instalativa e relacionando as peças ao universo do videogame.

 

Sobre o artista

 

Rogério Degaki, nasceu, vive e trabalha em São Paulo, SP. Graduado em Artes Plásticas pela Fundação Armando Álvares Penteado, foi residente na Cité Internationale des Arts, Paris, em 2005. Realizou diversas exposições individuais e participou de importantes coletivas como “O Colecionador de Sonhos”, 201, Instituto Figueiredo Ferraz; “Nova Escultura Brasileira”, 2011, Caixa Cultural Rio de Janeiro e a mostra “Quando vidas se tornam forma: diálogo com o futuro”,  no Museu de Arte Moderna de São Paulo, 2008, com curadoria de Yuko Hasegawa, além de exposições internacionais em instituições como o Ybca-Yerba Buena Center for the Arts, São Francisco, EUA; Hiroshima City Museum of Contemporary Art e Museum of Art Tóquio, Japão.

 

Até 15 de setembro.

A PESQUISA DE GAIS

12/ago

A galeria Huma Art Projects, Humaitá, Rio de Janeiro, RJ, inaugura a exposição “Gais – As poucas modificações feitas não desfiguraram o diretório: fotomontagem originalcopia” com 20 trabalhos trabalhos inéditos do artista nascido no Rio em 1980, e oriundo do grafite. Serão apresentadas dez fotomontagens originais com moldura de madeira e dez cópias ampliadas com moldura branca, de tamanhos variados. Esta nova pesquisa surgiu quando o artista comprou revistas da década de 1950 e 1960, em uma banca de jornal perto de casa, e começou a fazer colagens, utilizando também spray e acrílica. A frase “As poucas modificações feitas não desfiguraram o diretório” estava em uma reportagem, que trazia ainda uma imagem de uma mulher parada em uma esquina, que nomeou outro trabalho também presente na exposição.

 

Criado na Maré, conjunto de favelas no Rio, Gais, assinatura de Douglas Santos Tavares, ainda muito jovem começou a grafitar os muros da cidade e a participar de festivais e exposições do gênero. Seu trabalho chegou às ruas de Amsterdan e Roterdan e, no ano passado, teve uma tela de 100cm x 140cm leiloada por dez mil libras esterlinas na prestigiosa Phillips de Pury em Londres. Em março deste ano ele integrou a exposição “Gramática Urbana” no Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica. A curadoria é de Vanda Klabin. As obras de Gais estão em várias coleções particulares, como o fundo de arte Brazil Golden Art dirigido por Heitor Reis.

 

De 14 de agosto a 29 de setembro.

CAIXA CULTURAL MOSTRA BEATRIZ MILHAZES

11/ago

Uma das mais importantes e valorizadas artistas brasileiras contemporâneas retorna ao Rio de Janeiro após 10 anos sem uma exposição individual na cidade. “Beatriz Milhazes: Gravuras” é o nome da mostra que a Caixa Cultural, Centro, Rio de Janeiro, RJ, exibe em sua Galeria 1, ao público carioca. A coleção de gravuras apresentadas é uma coleção pertencente ao acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo.

 

Estarão expostas 17 gravuras de grandes dimensões doadas à Pinacoteca do Estado de São Paulo, em 2008, pela artista e pela Durham Press, da Pensilvânia, EUA, onde, desde 1996, Beatriz Milhazes tem estado em residências regulares, para o planejamento e desenvolvimento desse magnífico conjunto de trabalhos. As gravuras que compõem a mostra não devem ser consideradas apenas como uma analogia de suas pinturas. A exposição foi produzida pela Tisara Artes.

 

Para o diretor-técnico da Pinacoteca do Estado de São Paulo, Ivo Mesquita, o trabalho de Beatriz Milhazes “…está entre os mais conhecidos e originais no panorama internacional da visualidade contemporânea, tendo criado um vocabulário plástico próprio, com densas superfícies pictóricas, compostas por planos e formas coloridas, vibrantes e evocativas”.

 

“Elas são também uma investigação em torno das possibilidades do meio: a serigrafia oferece cores sólidas, não moduladas, cortes precisos, opacidade, enquanto o bloco de xilogravura possibilita a textura e certo imediatismo. A gravura é um método e processo que nos últimos dez anos, certamente, colabora na estruturação, ampliação e adensamento da pintura e da colagem de Milhazes, assim como na expansão de sua prática em projetos de intervenções na arquitetura de diferentes edifícios”, afirma Ivo Mesquita.

 

 

De 13 de agosto a 30 de setembro.

DOIS NA GALERIA LAURA MARSIAJ

07/ago

“Delay”, da artista Waleria Américo apresenta um conjunto de trabalhos inéditos, todos resultados de sua última pesquisa. A exposição na Galeria Laura Marsiaj, Ipanema, Rio de Janeiro, RJ, é composta por vídeos, fotografias, desenhos e indica a temporalidade particular que se articula entre lugar, corpo e deslocamento. Revela uma série de imagens que servem como relatos e notas, que se ativam por um corpo/memória, em fragmentos de vários lugares, tempos e ritualidades.

 

Dessa investigação entre “corpo subjetivo” e “corpo geográfico” surgem questões no qual o corpo é agente determinante, tanto mecanicamente pelo deslocamento entre diferentes geografias e paisagens, quanto, nas construções subjetivas na qual a instância relacional é ativada, “Delay”, reverbera o desejo pelo outro lugar, pelo desconhecido. Os trabalhos compõem uma cartografia, que se conjuga por proximidade e distanciamento, busca e desejo, limite e risco e anuncia o posicionamento do corpo dentro desse rizoma. A curadoria é de Bitu Cassundé.

 

No Anexo da galeria, Carlos Mélo apresenta “Sobre humano”, uma instalação na qual dezenas de ossos de boi colados e sobrepostos formam uma escada-escultura, cuja funcionalidade se encerra na fragilidade. A montagem denuncia a precária condição de um corpo estranho sem pele encostado em uma parede.

 

A exposição divulga uma citação de Félix Guatari: “Quanto mais se sobe numa hierarquia, mesmo pseudorrevolucionária, menos possível se torna a expressão do desejo (em compensação, ela aparece nas organizações de base, por mais deformada que seja) a esse fascismo do poder, nós contrapomos as linhas de fugas ativas e positivas, porque essas linhas conduzem ao desejo, às máquinas do desejo, a organização de um campo social de desejo: não se trata de cada um fugir pessoalmente, mas de fazer fugir, como quando se arrebenta um cano ou um abcesso”.

 

 

De 07 de agosto a 05 de setembro.

ANA DURÃES E O “MUNDO DAS COISAS”

O Espaço Cultural Eletrobras Furnas, Botafogo, Rio de Janeiro, RJ, apresenta a exposição individual de Ana Durães “Mundo das coisas”. A curadoria é de Denise Mattar e serão exibidos cerca de 35 pinturas inéditas, em técnica mista inusitada, além de projeções de trabalhos de outras fases da produção da artista. A produção de Ana Durães transita da artesania à tecnologia, ousando aplicar técnicas das mais diversas em um mesma obra como estêncil, a partir de fotografia digitalizada e spray. “Ana Durães sempre criou situações ambíguas entre fundo e figura, grafia e desenho, fotografia e pintura. Em suas obras ela retrata fragmentos do cotidiano, que, mergulhados em névoas e cores, transformam-se em evocações de um mundo real – repleto de irrealidade”, analisa a curadora Denise Mattar no texto de apresentação da mostra.

 

A exposição se estrutura em três segmentos:

 

“Os anônimos”: uma série de 20 retratos onde alguns rostos são de reconhecimento público, mas a artista optou por “identificá-los” como anônimos.

 

“Mundo das coisas”: pinturas com imagens criadas,  reinventadas do cotidiano ou transpostas de fotografias. Uma delas tem como base um registro do fotógrafo húngaro George Brassaï. Nesse conjunto, a artista usa, pela primeira vez, a tinta spray como base para a pintura a óleo. A poética reside no que não é aparente no mundo das coisas.

 

“Heterônimos”: projeções de trabalhos que Ana Durães cria para personagens de novela e as pinturas expressionistas de “Ingrid Hermanns”, heterônimo que Ana Durães criou para si própria. É uma pintora alemã, fascinada pela paisagem brasileira. Através de “Ingrid”, Ana se investiu de um olhar europeu e produziu telas de natureza tropical.

 

Sobre a artista

 

Ana Durães nasceu em Diamantina, MG, e está radicada no Rio de Janeiro. Começou a pintar aos dez anos. Diferentemente de muitos de seus pares, escolheu ser artista plástica desde então. Estudou na Escola Guignard de Belo Horizonte antes de se mudar para o Rio para cursar a Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde se graduou. Seu currículo registra uma ação inédita no Rio de Janeiro, quando, em 1999, ela substituiu as bandeiras dos postos BR backlights com imagens de anjos. Ana também assinou a ambientação da sala de promessas da igreja de Aparecida do Norte e da Igreja de Cosme e Damião, no Rio, tirando-lhes o aspecto soturno e imprimindo-lhes uma visualidade alegre.

 

Desde 1983, a artista soma dezenas de exposições individuais e coletivas em várias cidades brasileiras, em Buenos Aires, Washington, Berlim e Paris.

 

Ana Durães é, no momento, a ghost pintora do grafiteiro “Rodinei”, papel do ator Jayme Matarazzo, em “Cheias de Charme” , novela da TV Globo.

 

 

De 09 de agosto a 07 de outubro.