Quase figura, Quase forma

19/ago

Dando sequência às comemorações de seus 10 anos, a Galeria Estação, Pinheiros, São Paulo, SP, dessa vez em parceria com a Galeria Millan, realiza a exposição coletiva Quase figura, Quase forma, com curadoria do crítico Lorenzo Mammì. A união das duas galerias, que trabalham com grupos de artistas distintos, reforça a efervescente tese de que não há território que separe a produção reconhecida como popular da temática contemporânea.

 

Alcides Pereira dos Santos, Ana Prata, Aurelino dos Santos, Cícero Alves dos Santos, Felipe Cohen, João Cosmo Felix, João Francisco da Silva, José Bezerra, Neves Torres, Paulo Pasta, Sebastião Theodoro Paulino, e Tatiana Blass são os nomes representados pelas duas galerias. Contudo o curador selecionou também artistas que fazem parte de outros elencos, como Marina Rheingantz (Galeria Fortes Vilaça), Fabio Miguez e Sergio Sister (Galeria Nara Roesler) e Paulo Monteiro (Galeria Mendes Wood).

 

Para Lorenzo Mammì, enquanto muitos artistas contemporâneos estão se reaproximando de questões ligadas à representação ou encarando o problema do suporte de maneira mais individualizada e menos conceitual, a arte popular está gradativamente assumindo uma relação formalmente mais livre com seu repertório tradicional.

 

Ainda segundo Lorenzo Mammì, uma análise criteriosa da produção de arte contemporânea e da popular dos últimos trinta anos revela possíveis convergências a serem exploradas.  Para o curador, o final da década de 70 marca o início de uma valorização da figuração em relação à abstração na pintura contemporânea. “Talvez se possa dizer que, se o século XX foi tendencialmente um século de abstração, o XXI começa como século figurativo”, completa.

 

Paralelamente, Mammì defende que a arte popular brasileira – sempre enraizada nos conceitos de imagem, figura e signo – ampliou seu repertório ao permitir que a vocação autoral de seus representantes ganhasse cada vez mais espaço. “Certo apagamento da imagem, certa dissolução de estruturas narrativas tradicionais e simbologias já constituídas, podem ser identificados também, a meu ver, na arte popular mais recente”, diz o crítico.

 

Mammì ressalta que a arte popular no Brasil, “…nunca foi estritamente folclórica, no sentido de repetir, sem pretensão de singularidade, um repertório comunitário herdado”. Segundo ele, com exceção da arte indígena, este repertório praticamente não existia, ou era de importação muito recente. Mammì destaca ainda que o fato de o artesanato se desenvolver desde o começo perto dos centros urbanos ou dentro deles, onde o comércio era mais intenso, favoreceu uma produção com características individuais mais marcadas. “As fronteiras nunca foram rígidas: artistas de origem popular, como Emygdio de Souza, Agnaldo dos Santos, Djanira e Heitor dos Prazeres, circularam em ambiente culto, enquanto pintores de formação erudita (Guignard, Volpi, Pancetti) se aproximaram da linguagem popular”, completa.

 

 

 

De 21 de agosto a 10 de outubro.

Frida Kahlo – As suas fotografias

12/ago

O Museu Oscar Niemeyer (MON), Sala 3, Curitiba, PR, recebe, pela primeira vez, “Frida Kahlo – as suas fotografias”. A exposição, inédita, reúne 240 fotos do acervo pessoal da artista através de retratos da artista, família e amigos e será exibida no Brasil unicamente no MON.

 

São registros fotográficos da artista desde a infância, tiradas por dois fotógrafos profissionais de sua família: seu pai e seu avô materno. Há também momentos eternizados pela alemã Gisèle Freund e pelo húngaro Nickolas Muray, dois fotógrafos que conviveram com Frida por anos, além de fotografias tiradas pela própria Frida e por outras pessoas, imagens que a pintora gostava de guardar, olhar e se inspirar.

 

Para o curador da exposição, Pablo Ortiz Monasterio, “o acervo reflete de maneira clara os interesses que a pintora teve ao longo da sua tormentosa vida: a família, o seu fascínio por Diego e os seus outros amores, o corpo acidentado e a ciência médica, os amigos e alguns inimigos, a luta política e a arte, os índios e o passado pré-hispânico, tudo isto revestido da grande paixão que teve pelo México e pelos mexicanos”, conta.

 

A mostra é dividida em seis seções: A primeira retrata os pais da artista. Foram as numerosas imagens de seu pai, que fotografava a si mesmo em diferentes ocasiões que deixaram uma marca permanente na pintora: o autorretrato. A segunda destaca a Casa Azul, as primeiras poses de Frida para seu pai e as diversas reuniões que lá aconteceram. A Casa Azul é a residência que foi dos pais da pintora, no bairro de Cocoyacán, na Cidade do México, e que atualmente abriga o Museu Frida Kahlo, de onde vieram as obras desta exposição. A terceira revela o lado íntimo de Frida Kahlo. Há imagens feitas, e estilizadas por ela, recortes fotográficos mutilados, dos quais a artista elimina ou elege alguns dos protagonistas. Na quarta concentra-se os amores. São fotografias de seus amigos mais próximos, familiares, alguns dos seus amantes e, principalmente, Diego Rivera. A quinta traz um numeroso arquivo reunido por Frida, tanto pela qualidade visual, no caso das anônimas, como pelo seu valor, no caso das assinadas por grandes artistas. Nesta seção há desde cartões de visita do século 19 até retratos realizados por autores de destaque da história da fotografia e amigos pessoais. A sexta e última seção é dedicada às imagens relacionadas com as questões políticas.

 

A diretora cultural do Museu Oscar Niemeyer, Estela Sandrini, diz que é uma honra o MON ser o único espaço no Brasil a receber esta mostra. “O público poderá conferir de perto a intimidade de Frida, o olhar da artista sob outros olhares e sob seu próprio ponto de vista”, pontua.

 

 

 

Sobre a artista

 

Magdalena Carmen Frida Kahlo y Calderon, conhecida como Frida Kahlo, nasceu no dia 06 de julho de 1907 em Coyoacan, no México. Em 1925, aos 18, enquanto estudava medicina, sua vida mudou de forma trágica. Frida e o seu noivo Alejandro Gómez Arias estavam em um ônibus que chocou-se com um trem. Ela sofreu múltiplas fraturas, fez várias cirurgias (35 ao todo) e ficou muito tempo presa em uma cama. Foi nessa época que ela começou a pintar freneticamente. Frida sempre se autorretratou – suas angústias, suas vivências, seus medos e principalmente seu amor pelo marido, o pintor e muralista mexicano mais importante do século 20 Diego Rivera, com quem se casou em 1929, e que ajudou Frida a revelar-se como artista.

 

Em 1939 fez sua primeira exposição individual, na galeria de Julien Levy, em Nova York, e foi sucesso de crítica. Em seguida, seguiu para Paris. Lá conheceu Picasso, Kandinsky,  Duchamp, Paul Éluard e Max Ernst. O Museu do Louvre adquiriu um de seus autorretratos. Em 1942 Frida e o marido começaram a dar aulas de arte em uma escola recém-aberta na Cidade do México. Após muitos altos e baixos, como os três abortos e a relação amorosa rodeada por casos extraconjugais dos dois, seu estado de saúde piorou. Em 1950 os médicos diagnosticaram a amputação da perna e ela entrou em depressão. Pintou suas últimas obras, como Natureza Morta (Viva a Vida).

 

Na madrugada de 13 de julho de 1954, Frida, com 47 anos, foi encontrada morta em seu leito. No diário, deixou as últimas palavras: Espero alegre a minha partida – e espero não retornar nunca mais. As obras de Frida Kahlo possuem uma estética muito próxima ao surrealismo com influência da arte folclórica indígena mexicana, cultura asteca, tradição artística europeia, marxismo e movimentos artísticos de vanguarda. Destacou-se ainda pelo uso de cores fortes e vivas. Entre suas principais obras estão: “Autorretrato em vestido de veludo” (1926), “O ônibus” (1929), “Frida Kahlo e Diego Rivera” (1931), “Autorretrato com colar” (1933), “Autorretrato como tehuana” (1943), “Diego em meu pensamento” (1943) e “O marxismo dará saúde aos doentes” (1954).

 

 

Até 21 de novembro.

Livro de Julieta de França

04/ago

A Coletiva Projetos Culturais e a FUNARTE realizam na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, Jardim  Botânico, Rio de Janeiro, RJ, o lançamento do livro “Julieta de França – Lembrança de minha carreira atística”. O livro torna pública as reproduções imagéticas do álbum “Souvenir de ma carrière artistique”, da artista Julieta de França, arquivos gentilmente cedidos pelo Museu Paulista.

 

Julieta de França, nascida em 1872 e falecida em 1951, foi uma escultora paraense que construiu sua carreira entre Belém, Rio de Janeiro e Paris. Seu nome não figurou entre aqueles referenciados pela história da arte brasileira. Felizmente, sua trajetória vem se tornando conhecida e revelada às novas gerações.

 

Em 2007, José Roberto Arruda França, sobrinho-bisneto da artista, doou ao Museu Paulista um álbum que até então estava de posse de seus familiares. Trata-se de um objeto muito especial, em que Julieta de França reconstrói, – por meio da compilação de fotografias, cartas, recortes de jornais e certificados -, seu caminho percorrido na tentativa de reconhecimento como artista, em uma época e contexto marcados pelo protagonismo eminentemente masculino.

 

No intuito de enriquecer a disponibilização do conteúdo do álbum, a publicação, organizada por Amanda Bonan com Lia Baron e Nara Reis, conta com duas contribuições autorais inéditas. Com agudo rigor historiográfico, Ana Paula Cavalcanti Simioni pontua dados biográficos sobre a artista, costurados com um trabalho de reconstituição do contexto cultural de seu tempo. Por sua vez, Leila Danziger,  nos abre o ambiente estético a ser explorado na apreciação do objeto e atualiza nossa sensibilidade diante do material
Com a difusão de imagens do álbum, acompanhadas de reflexões contemporâneas sobre a sua composição, as organizadoras do livro esperam “..que a publicação colabore para o aprofundamento da pesquisa sobre a vida e a obra desta artista, instigando também a investigação sobre a trajetória de tantas outras.”  A distribuição do livro será gratuita.  Este projeto foi contemplado pelo Edital “Prêmio Funarte Mulheres nas Artes Visuais”, 2013/2014.

 

QUANDO – 12 de agosto de 2014, às 19h 

Modernos / contemporâneos: design brasileiro de móveis

28/jul

A nova exposição da galeria Bolsa de Arte, Jardins, São Paulo, SP, “Modernos/Contemporâneos: design brasileiro de móveis”, exibe peças de alguns dos nomes mais expressivos do design nacional. Com curadoria de Alberto Vincente e Marcelo Vasconcellos, sócios da Galeria Memo, a exposição traz cerca de 50 criações, assinadas por artistas das décadas de 1940, 1950 e 1960, mas também de nomes contemporâneos.

 

O critério que norteia a mostra é o caráter pouco óbvio do que será apresentado neste panorama. A exposição traz cerca de 50 criações que dialogam naturalmente com o mercado de arte. A ideia é fazer um contraponto entre itens vintage e novos, ressaltando a essência do que torna cada peça atemporal, mas extinguido qualquer seqüência cronológica na apresentação. Entre os destaques ressalte-se, por exemplo, a cadeira “Três Pés”, de Joaquim Tenreiro, mas também lançamentos como a série “Palafitas” de Brunno Jahara.

 

Entre os contemporâneos está um banco de Zanini de Zanine e peças pouco vistas, como a mesa lateral da série “Desconfortáveis”, dos irmãos Campana, a mesa “Metro” de Carol Gay, a cadeira “Cuica” de Carlos Motta e a mesa “Cone”, de Nido Campolongo, todos de tiragens limitadas. Peças do acervo particular de Aida Boal, uma rara cômoda da fábrica Cimo, um lustre de três andares, assinado por Joaquim Tenreiro, a “Easy Chair vintage”, de Oscar Niemeyer, e a poltrona “Revisteiro”, de Zanine Caldas também poderão ser apreciados na exibição.

 

 

Sobre as duas fases

 

O design de móveis teve uma época áurea no Brasil entre as décadas de 1940 e 1960, com grandes criadores, guiados quase sempre por uma estética alinhada com a arquitetura modernista. Além de peças que ficaram para a história, um grande legado do movimento foi a introdução de aspectos de brasilidade na produção moveleira nacional, contrapondo-se à cultura copista que se impunha até então. Hoje, a atividade vive novamente um momento de efervescência no País. Não se pode falar em movimento, talvez não caiba pensarmos em uma geração (apenas). A diversidade expressiva e do perfil de seus criadores é a marca do design brasileiro de móveis contemporâneos, que hoje ganha o mundo, revivendo com características tão distintas

 

o reconhecimento conquistado há décadas pelos designers brasileiros modernos. Entre
os expoentes de agora, há herdeiros do modernismo, gente da marcenaria, artistas ecléticos, designers próximos da arte contemporânea, outros embrenhados na cultura popular. Madeira, metais, plástico, acrílico, tecidos e revestimentos sintéticos fazem parte deste amplo universo, em processos artesanais e industriais.

 

 

Sobre a curadoria

 

Albert Vicente e Marcelo Vasconcellos são sócios da Galeria MeMo (Mercado Moderno), especializada em design, no corredor cultural do Rio de Janeiro. Entre as ações de divulgação do design em que estão envolvidos nos últimos anos, estão a organização dos livros Móvel Brasileiro Moderno (Aeroplano/FGV) e Design brasileiro de móveis: cadeiras, poltronas, bancos (Olhares), a curadoria das mostras  Hiperbólico – Jahara 10 anos, Isto é uma mesa e Do moderno ao contemporâneo, todas no Museu Histórico Nacional. Além disso, a produção de mostras de Sergio Rodrigues, Fernando Mendes, Rodrigo Calixto e Zanini de Zanine na própria galeria e em espaços como a Casa Electrolux e o Museu Oscar Niemeyer, entre 2012 e 2014. A MeMo foi o único espaço dedicado ao design na América Latina a sair publicada por três anos consecutivos na revista WallPaper, guia de viagem para turistas antenados.

 

 

Sobre a Bolsa de Arte

 

Criada em 1971, a Galeria Bolsa de Arte tem sido um importante agente propulsor do mercado de arte nacional, especialmente no segmento de leilões de arte moderna e contemporânea. Em 1999, lança a edição bilíngue do livro “Joaquim Tenreiro – o mestre da Madeira” com exposição retrospectiva na Pinacoteca do Estado de São Paulo, sob a curadoria da arquiteta Janete Costa, antecipando a revalorização do móvel moderno brasileiro, observada na última década. Com escritórios em São Paulo e Rio de Janeiro, a Galeria foi pioneira, em 2008, quando promoveu um leilão com peças de design.

 

 

Até 04 de agosto.

A Magia de Miró

24/jul

Obras de Miró para a CAIXA Cultural, Galeria 3, Centro, Rio de Janeiro, RJ, passam a ser exibidas na exposição “A Magia de Miró, desenhos e gravuras”, que reúne 69 trabalhos do artista espanhol e 23 fotografias em preto e branco registradas pelo curador Alfredo Melgar, fotógrafo galerista em Paris e Conde de Villamonte. A mostra já passou pela CAIXA Cultural São Paulo e Curitiba, e por prestigiadas galerias e museus da Europa, América e Oceania.

 

A “Magia de Miró” revela um plano mais íntimo e pessoal do mundo do artista catalão ao exibir esboços ou notas, além de obras produzidas sobre papel, com lápis e giz de cera ao longo dos seus últimos cinco anos de vida. As ilustrações correspondem a diferentes épocas da sua produção, entre 1962 e 1983, e remetem ao universo do processo criativo do artista, que pintou e desenhou sobre qualquer superfície que permitisse exibir sua enorme criatividade e conhecimento.

 

Melgar conheceu Miró quando começou a fotografar profissionalmente, durante uma vernissage no mítico Moulin de La Galette, em Paris. “Vestido como um dândi, de porte e maneiras aristocráticas, seus olhos azuis, penetrantes e sonhadores traziam o ar do mar Mediterrâneo. Ao seu lado, sempre discreta e elegante, Pilar Juncosa completava o quadro do perfeito matrimônio catalão, exalando correção, sobriedade, ordem, trabalho e disciplina. Eu tinha na época menos de 30 anos, minha obra fotográfica era escassa”, declara.

 

 

Sobre Miró

 

Nascido em Barcelona, na Espanha, em 20 de abril de 1893, Miró é um dos mais renomados artistas da História da Arte Moderna. Estudou com Francisco Galí, que o apresentou às escolas de arte moderna de Paris, transmitiu-lhe sua paixão pelos afrescos de influência bizantina das igrejas da Catalunha e o introduziu à fantástica arquitetura de Antonio Gaudí. Em suas pinturas e desenhos, tentou descobrir signos que representassem conceitos da natureza em um sentido poético e transcendental, revelando os aspectos em comum com dadaístas e surrealistas, e sendo influenciado principalmente pelo pintor e poeta Paul Klee.

 

Miró também trazia intuitivamente a visão despojada de preconceitos que os artistas das escolas fauvista e cubista buscavam, mediante a destruição dos valores tradicionais. A partir de 1948, na Espanha e em Paris, realizou uma série de trabalhos de conteúdo poético, entre eles esculturas, com variações temáticas sobre mulheres, pássaros e estrelas. Em 1954, ganhou o prêmio de gravura da Bienal de Veneza e, quatro anos mais tarde, ganhou o Prêmio Internacional da Fundação Guggenheim pelo mural que realizou para o edifício da Unesco, em Paris. Miró faleceu em 25 de dezembro de 1983, em Palma de Maiorca, na Espanha.

 

De 28 de julho a 28 de setembro.

 

Após a temporada no Rio de Janeiro, a exposição segue para as unidades da CAIXA Cultural de Recife, PE, (a partir de outubro de 2014) e de Salvador, BA, (a partir de dezembro de 2014).

 

Intercâmbio cultural

18/jun

À convite de Thelma Innecco e Lorena Coutinho, da Modernistas Hospedagem e Arte, Santa Teresa, Rio de Janeiro, RJ, e da diretora de arte Betty Prado, o curador Renato De Cara, fez uma seleção especial no acervo da Galeria Mezanino, São Paulo, SP, para apresentar seus artistas ao Rio de Janeiro. O objetivo é promover um intercâmbio cultural entre galerias de outros estados. Esta é a segunda exposição entre galerias de fora na Anexo, a primeira foi a Art Cycling, com curadoria de Alessandra Clark. Com um casting de artistas brasileiros contemporâneos, a Galeria Mezanino procura mostrar ousadia, técnica e experimentação no cruzamento das linguagens artísticas.

 

Na Galeria Anexo, na Modernistas, serão apresentadas doze artistas, que trabalham com pintura, fotografias e gravuras. Entre os artistas do acervo estão nomes como o gravurista e pintor Francisco Maringelli; Jaime Prades, um dos pioneiros da urban art em São Paulo; as pinturas de Sergio Niculitcheff, Sergio Lucena e Mauricio Parra; gravuras e pinturas de Ulysses Bôscolo; André Albuquerque; os desenhos homoeróticos de Francisco Hurtz; as fotografias adulteradas de Leo Sombra; as ilustrações de Filipe Jardim; Thelma Vilas Boas e Christiano Whitaker.

 

 

Sobre as galerias

 

O espaço ao lado da Modernistas Hospedagem e Arte, em Santa Teresa,  acolhe outro empreendimento: a Anexo Galeria de Arte. A proposta do novo espaço é trabalhar com artistas brasileiros e estrangeiros, que desenvolvam trabalhos nas mais diversas mídias, como pintura, desenho, escultura, fotografia e arte urbana. Uma mistura de estilos e propostas, que é uma consequência natural da diversidade tão característica do Rio de Janeiro.

 

A Galeria Mezanino é um espaço idealizado pelo jornalista, fotógrafo e curador Renato De Cara. Voltada ao pensamento e reflexão sobre arte, atua como observatório do que é tendência na produção artística contemporânea brasileira. Desde 2006, realiza exposições regulares e promove conversas e encontros com curadores e profissionais de arte, além de oficinas com pintores, escultores, fotógrafos e gravadores buscando, a partir do diálogo entre várias linguagens, dimensionar e dar visibilidade ao trabalho dos criadores.

 

 

De 25 de junho a 30 de julho.

O Brasil na Copa

05/jun

O Brasil, agora situado como sede da Copa do Mundo, é o tema da exposição apresentada na Galeria de Arte André, Jardim América, São Paulo, SP. Foram convidados 24 artistas para que criassem obras alusivas ao país e ao evento que sedia o mundial de futebol. A exposição, denomina de “O Brasil na Copa”, apresenta cerca de 32 obras distribuídas entre pinturas e esculturas, e exibe o Brasil como um todo em trabalhos assinados pelos artistas Inos Corradin, Antonio Bontempo, Alina Cubas Fonteneau, Sonia Menna Barreto, Herton Roitman, Alex Orsetti, Anita Kaufmann, Antonio Miranda, Cássio Lázaro, Eduardo Kobra, Fernando Cardoso, Gustavo Nackle, Marco Stellato, Margarita Farré, Walmir Teixeira, Fernando Cardoso, Heloize Rosa, Moysés Mellim, Élon Brasil, Eduardo Petry, João César de Mello, Marcos Garrot, Rafael Resaffi, Tania Corsini e Kenji Fukuda.

 

 

Até 28 de junho.

Portinari em Paris

28/maio

É Impossível segurar pelo menos aquela lágrima da emoção pura e visceral do encontro com uma obra de arte única!
Durante a visita intensa à exposição do díptico “Guerra e Paz” de Portinari ao som de Villa-Lobos, o publico é cativado. Lindo de se ver.
A obra majestosa é apresentada em frente a um igualmente gigantesco espelho. O universo do pintor é desvendado nas paredes do Salão Nobre do Grand Palais que se transformou em um Salão da Paz. E todos, todos, todos os visitantes são atenciosamente recebidos por João Cândido, diretor do Projeto Portinari e filho do pintor.

 

 

Texto de Luis Fernando Verissimo

 

Murais

 

No Grand Palais, o espaço de arte de maior prestígio em Paris, foi inaugurada a exposição dos dois murais, “Guerra e Paz”, que Cândido Portinari fez para o interior do prédio das Nações Unidas, em Nova York. Antes de serem doados à ONU, em 1956, os grandes painéis foram exibidos no Brasil, e agora chegam a Paris no início da fase internacional de um projeto de exposição, fora da área restrita do foyer da ONU, que começou com outra turnê pelo Brasil e terminará com sua volta a Nova York em 2015.

 

A obra de Portinari está magnificamente apresentada no Grand Palais, junto com estudos preparatórios para os murais e outros trabalhos do artista, e a solenidade teve a presença do filho de Portinari – que morou durante muito tempo em Paris –, do embaixador do Brasil na França, Bustani, da Marta Suplicy e de outros responsáveis pelo projeto, além de dezenas de brasileiros e simpatizantes orgulhosos.

 

Ninguém mencionou que Portinari não pôde comparecer à inauguração dos seus murais na ONU em 1956 porque era comunista, e os americanos não deixaram ele entrar no país. Me lembrei da história do mural que Nelson Rockefeller encomendou ao mexicano Diego Rivera para o saguão de entrada do Rockefeller Center em Nova York . O mural deveria retratar o avanço da Humanidade através do trabalho e do progresso científico. Rivera foi o escolhido porque era um dos pintores favoritos da mãe de Nelson Rockefeller, que obviamente não informou ao filho quais eram as convicções políticas do mexicano.

 

Pode-se imaginar a cara do Nelson ao ver, no mural pronto, o Lenin de mãos dadas com trabalhadores, simbolizando a união que emanciparia o proletariado mundial da opressão capitalista. Rockefeller pagou ao Rivera, mas mandou pôr abaixo o mural. Não adiantou a oferta do pintor de incluir Abraham Lincoln como emancipador, talvez ao lado de Lenin. O mural foi destruído. Antes da sua destruição,Rivera pediu que o fotografassem.

 
E o reproduziu no México, acrescentando alguns detalhes que não estavam na primeira versão. Como Marx e Trotsky, além de Lenin. E – para completar a vingança – o pai de Nelson, John D. Rockefeller, um notório abstêmio, é retratado como um bêbado, simbolizando a dissolução moral dos ricos.

 

Nelson Rockefeller não desistiu do seu mural. Contratou um tal de José Maria Sert para pintá-lo. O mural continua lá, na entrada do Rockefeller Center. A sua figura principal é o Abraham Lincoln.

 

 

 

(Depoimento da jornalista Rosangela Meletti, de Paris)

 

 

Até 09 de junho. 

Tauromaquia : Picasso, Dalí e Goya no MAB

21/maio

O espetáculo das touradas desde sempre inspirou artistas do mundo todo. Por conta deles, o touro ganhou lugar especial e significado em muitas das obras de grandes mestres e incontáveis artistas, que usaram a tauromaquia (combate a touros) como um instrumento para representar simbolicamente a luta contra o poder opressor. Costurando uma seleção entre a estreita relação da produção artística de Picasso, Dalí e Goya, o Museu de Arte Brasileira, MAB, da FAAP, Higienópolis, São Paulo, SP, e a Produtora Mega Cultural apresentam, pela primeira vez no Brasil, a exposição “Tauromaquia”.

 

Com curadoria de Monika Burian Jourdan e Serena Baccaglini, a mostra reúne diversas obras e séries. São cerca de 180 imagens, entre desenhos originais e gravuras  de Francisco Goya, Pablo Picasso e Salvador Dalí que evidenciaram o fascínio pelo universo da corrida de touros e desenvolveram trabalhos consistentes e relevantes em torno do tema, tão intrinsecamente ligado à cultura ibérica. Muitas das obras trazidas ao Brasil para esta exposição foram raramente vistas antes. Dentre elas está o estudo de Picasso para “Guernica”, nas mesmas dimensões do painel original.

 

“Na maioria das civilizações o touro, tema central da exposição, é um símbolo místico que significa força, coragem e fertilidade. Esta força animal que os touros mostram é retratada de forma fascinante nas obras destes artistas”, explica Monika Bourian Jourdan. “Para os artistas, a tourada não representa apenas um espetáculo. Para Goya, por exemplo, tauromaquia foi inicialmente uma ferramenta para expressar sua dissidência política. A exposição apresentará a série completa de gravuras Tauromaquia, de Goya, uma das suas séries mais famosas”.

 

Picasso foi influenciado por Goya. Baseou-se no uso do conhecimento do “chiaroscuro” (luz e sombra) de Goya para a produção de sua própria obra, utilizando-a como instrumento de protesto contra a ditadura do General Franco. Picasso e Goya utilizaram este tema para manifestar profundo sofrimento e resistência à opressão.

 

Nos anos 1966-67, Salvador Dalí transformou a famosa “Tauromaquia Suite” (1957-59), de Picasso numa extensão do diálogo artístico que os dois artistas mantiveram durante anos. Alguns desses trabalhos fazem parte das obras desta exposição.

 

Goya, por sua vez, usou a tauromaquia para expressar sua dissidência política contra os nobres, opressores do povo. Suas obras retrataram a tourada como uma arena mística, em que algo está sempre acontecendo. Esta exposição apresentará uma de suas mais famosas séries sobre este tema. Vista como um confronto entre a liberdade e a força bruta, a tauromaquia pode também ser interpretada neste conjunto de obras como uma metáfora do poder opressor ou da capacidade para autoafirmação e emancipação. Em muitas civilizações, o touro, figura central desta mostra, tem o significado de força, bravura e fertilidade.

 

 

Até 22 de Junho.

Dalí no CCBB

19/maio

Considerado um dos mais excêntricos artistas do seu tempo, o célebre pintor, desenhista, gravador e esciltor, Salvador Dalí, ocupa o CCBB, Centro, Rio de Janeiro, RJK, com a mais completa exposição do artista espanhol já organizada no Brasil. Em outubro a mostra, que foi negociada para visitar o país há cinco anos, seguirá para o Instituto Tomie Ohtake, SP.

 

Ao todo, as trinta pinturas a óleo, mais de uma centena de trabalhos gráficos e a instalação exibidas têm o valor estimado em US$ 170 milhões. A maior parte das obras são provenientes do Teatro Museu Dalí, em Figueras, a cidade natal do artista.

 

As obras selecionadas incluem as primeiras pinturas de Salvador Dalí, quando ele se inspirava em sua família e em paisagens; o período cubista; as obras que revelam seu interesse pelos pintores metafísicos e finalmente sua fase surrealista, estilo do qual foi o maior representante mundial. O auge da mostra, com o maior número de obras, é o período que compreende a fase surrealista.

 

 

Até 22 de setembro.