Debret nos Correios

03/mar

Artista integrante da Missão Artística Francesa, movimento que revolucionou o panorama das belas-artes no Brasil no início do século XIX, Jean-Baptiste Debret (1768-1848) fez história ao registrar, com talento e minúcia, personagens e cenas do Brasil – notadamente do Rio, onde residiu entre 1816 e 1831. Paisagens, cenas urbanas, costumes sociais e transformações naquele período, tais como vistos pelo artista, estão em “O Rio de Janeiro de Debret”, em cartaz no Centro Cultural Correios, Centro, Rio de Janeiro, RJ. Com 120 obras pertencentes à Coleção Castro Maya (que reúne mais de 500 trabalhos de Debret, entre aquarelas e desenhos), a exposição engrossa a lista de comemorações pelos 450 anos da cidade.

 
Parte significativa das imagens retrata questões oriundas da polarização entre homens livres e escravos no país, tema caro ao artista. Em uma aquarela, por exemplo, vê-se uma senhora indo à missa em sua cadeira carregada por homens negros. Outro trabalho, de aparente simplicidade, exibe um rico registro da época: reúne no mesmo quadro uma loja de barbeiro, profissional então dedicado a variadas funções, um amolador de facas e uma vendedora de tabuleiro na mão. O Rio de Janeiro da época – então com cerca de 100.000 habitantes – foi retratado por Debret com grande minúcia e intimidade, ao ponto de tornar sua obra um catálogo de porm­enores da vida na cidade, ressaltando-se, principalmente, as questões sobrevindas da polarização da sociedade entre homens livres e escravos, um aspecto nitidam­ente exótico e chocante para os olhos europeus.

 
Debret não poderia ficar de fora das comemorações dos 450 anos do Rio de Janeiro: a iconografia do Brasil no período de transição de um modo de vida colonial para o de Nação independente ficou monopolizada pelo retrato criado por Jean-Baptiste Debret através dos desenhos e aquarelas produ­zidos durante sua estada na Corte.

 
Segundo a curadora da mostra, Anna Paola Baptista, “Debret é o cronista maior da vida do Brasil na primeira metade do século XIX. Ele acompanhou e documentou visualmente o início do Brasil como Nação independente, especialmente no Rio de Janeiro que agora comemora 450 anos”.

 

 
Até 03 de maio.

Esculturas de Roberto Hötte

O Museu Afro Brasil, Parque do Ibirapuera, Portão 10, São Paulo, SP, apresenta um dos novos nomes das artes plásticas brasileiras com a exposição “Roberto Hötte – Um Escultor de Art Brut”. A mostra é composta por 24 esculturas inspiradas no poema “Os Peixes” da norte-americana Marianne Moore, uma das mais importantes poetisas do século XX.

 
O termo francês art brut (arte bruta, em tradução literal) identifica a produção artística de criadores livres de qualquer influência de estilos oficiais, incluindo as diversas vanguardas, ou das imposições do mercado de arte. Criada em 1945, a expressão é de autoria do pintor Jean Dubuffet.

 
“Com esta exposição o Museu Afro Brasil segue com o propósito de trazer ao público a nova leva de artistas do país”, afirma Emanoel Araujo, diretor curatorial do Museu Afro Brasil. Entre as artistas da nova geração, o museu apresentou a exposição “Horizonte Daqui”, de Carolina Caliento, no ano passado. Atualmente está em cartaz “O Banzo, o Amor e a Cozinha de Casa”, de Sidney Amaral, vencedor do Prêmio Funarte de Arte Negra 2012. “A obra de Hötte faz a sua imaginação viajar por caminhos vários: ora popular; ora erudito; ora artesanal na sua feitura; ora se expressa com uma erudição e sabedoria na organicidade de planos cheios e vazios; ora a cor aparece e se repete como um tecido maleável; ora se organiza como textura rígida que forma uma rigidez à procura do espaço, como se quebrasse seus limites nesse mesmo espaço”, afirma Emanoel Araujo.

 
A exposição de Roberto Hötte é composta por 24 esculturas, realizadas na técnica de acrílica sobre tecido, resina e papel. “Eu trabalho também com técnicas de pinturas e colagem”, explica Hötte. A concepção das obras revela um diálogo direto com trabalhos de arte popular, de origem indígena e africana.

 

 
Sobre o artista

 
Nascido em Curitiba em 1963, mas radicado na cidade de São Paulo, o artista plástico Roberto Hötte realiza sua primeira exposição individual. Ele é formado em design gráfico pela Faap. “O propósito inicial era desenhos para estamparia. Jamais me passou pela cabeça que a coisa tomaria o rumo que tomou. Mas havia algo que me fez continuar. A leitura do poema de Marianne Moore aconteceu nessa época e ele retrata em palavras questões que me são caras: vida, morte, destruição, regeneração e beleza”, afirma Hötte sobre a concepção das esculturas. “O poema foi tão impactante para mim que eu não consegui verbalizar minhas impressões. A forma que encontrei para interpretá-lo foi transformar aqueles desenhos de estamparia nestas esculturas”, acrescenta.

 

 

Até 10 de maio.

Kandinsky no Rio

06/fev

A exposição itinerante “Kandinsky – Tudo começa num ponto”, CCBB, Centro, Rio de Janeiro, RJ apresenta cerca de 150 peças, entre quadros, objetos, fotos, livros e cartas sobre o artista, seus contemporâneos e suas influências. A mostra está dividida em cinco blocos: Kandinsky e as raízes de sua obra em relação com a cultura popular e o folclore russo; Kandinsky e o universo espiritual do xamanismo no Norte da Rússia; Kandinsky na Alemanha e as experiências no grupo Der Blaue Reiter, vida em Murnau; Diálogo entre música e pintura: a amizade entre Kandinsky e Schonberg; Caminhos abertos pela abstração: Kandinsky e seus contemporâneos.

 

As peças em exposição pertencem ao acervo de nove museus e de coleções particulares vindos da Rússia, Alemanha, Áustria, Inglaterra e França. Alguns dos principais itens são do Museu Estatal Russo de São Petersburgo. A organização da mostra também teve participação da Arte A Produções, responsável pela “Virada Russa”, realizada em 2009, no circuito do CCBB.

 

Mais do que apresentar obras do pintor russo, “Kandinsky – Tudo começa num ponto” oferece ao público a oportunidade de conhecer as referências de sua obra, como a relação entre arte e espiritualidade, a cultura popular no norte da Sibéria, o folclore russo, a música e os rituais xamânicos. As peças em exposição estão divididas em três espaços, um deles interativo. Utilizando óculos especiais, o público pode conferir uma das obras do pintor se desmembrando de acordo com o movimento do visitante e emitindo sons. Também é possível ouvir a descrição das cores e de suas características.

 

Na exposição, há pinturas de todas as fases do pintor, ilustrações de contos populares, símbolos religiosos, séries de paisagens, roupas e tambores utilizados em rituais xamânicos, coleções de objetos de cerâmica e litogravuras. Além de Kandinsky, a mostra traz quadros de artistas contemporâneos, como a ex-mulher Gabriele Münter, Alexej Von Jawlensky , Mikhail Larionov, Pavel Filonov, Nikolai Kulbin e Aristarkh Lentulov.

 

O objetivo dos curadores da mostra, Evgenia Petrova e Joseph Kiblitsky, é fazer com que o espectador entenda vida e obra do pintor e também a relação com outros artistas e com a cultura de sua época. A ideia é compreender o contexto que ajudou na sua formação, dar um “mergulho no mundo que cercou e influenciou Kandinsky”. Para o diretor-geral da exposição, Rodolfo de Athayde, entender o gênio criativo implica compreender a sensibilidade que marcou a história da arte no século XX. “Esta exposição apresenta o prólogo dessa história enriquecida, que é a arte moderna e contemporânea. O modo em que se forjou a passagem para a abstração, os recursos a partir dos quais a figuração deixou de ser a única via possível para representar os estados mais vitais do ser humano, e finalmente o novo caminho desbravado a partir dessa ruptura”.

 

 

Sobre o artista

 

Nascido em Moscou, em 16 de dezembro de 1844, Wassaly Kandinsky formou-se em Direito antes de iniciar sua vida como pintor. Uma visita a uma exposição de artistas impressionistas franceses e ao Teatro Bolshoi, onde assistiu à ópera Lohengrin, de Richard Wagner, despertaram o desejo de produzir arte. Em 1896, ele se mudou para Munique, na Alemanha, onde iniciou o curso de pintura. Em 1900, ele ingressou na Academia de Artes de Munique, onde estudou com Franz Stuck. Foi neste período que conheceu a artista Gabriele Münter, com quem passou a viver até o início da 1ª Guerra Mundial. Em 1911, Kandinsky e Franz Marc criaram o grupo Der Blaue Reiter (Cavaleiro Azul).  O período em que viveu na Alemanha é considerado o de maior desenvolvimento da arte abstracionista do pintor. No ano seguinte, ele publicou “Do espiritual na arte”, a primeira fundamentação teórica da arte abstrata. Ele escreveu ainda um livro de memórias e uma coletânea de poesias com 55 litogravuras, ambos em 1913. No início da guerra, voltou para Moscou, já sem Gabriele. Participou de eventos culturais e políticos no período após a Revolução Russa. Casou-se com a filha de um general, em 1917, e cooperou com o comitê popular de educação, ensinando arte e auxiliando na reforma e na criação de museus, entre 1918 e 1921. Kandinsky voltou à Alemanha em 1922. Em seguida, aceitou o convite de Walter Groupiuos e começou a lecionar na escola Bauhaus, onde permaneceu até 1932. Os 159 quadros pintados a óleo e as 300 aquarelas produzidos entre 1926 e 1933 se perderam depois que os nazistas declararam o artista “degenerado”.  Aos 67 anos, o pintor se mudou para a França. Ao lado da mulher, ele passou a viver em Neuilly-sur-Seine, perto de Paris. Foi a última morada de Kadinsky até sua morte, em 13 de dezembro de 1944.

 

 

Locais e datas.

 

No Rio até 30 de março.

 

Após: São Paulo receberá o evento entre 18 de abril e 29 de junho de 2015. A exposição se despede do Brasil em Belo Horizonte, entre 21 de julho e 28 de setembro de 2015.

Gonçalo Ivo em Paris

30/nov

A Galerie Boulakia, Paris, apresenta 15 pinturas em grande formato produzidas nos últimos três anos pelo pintor Gonçalo Ivo. Nesta segunda exposição na Galerie Boulakia, a primeira data de 2012, e sua sétima exposição individual em Paris, Gonçalo Ivo, fiel a ele mesmo e à pintura, atividade que desenvolve desde jovem, continua aprofundando questões plásticas que lhe são caras como a cor como forma autônoma de linguagem, uma geometria mais próxima da poesia do que do rigor e uma latente espiritualidade gerada pela sua proximidade e admiração aos grandes mestres do passado.

 

Aos 56 anos, instalado há quinze anos com sua família e seu ateliê em Paris, o artista que conviveu em sua juventude com Iberê Camargo, Aluisio Carvão e que tinha nas paredes da casa paterna Lygia Clark, Volpi, Eliseu Visconti e muitos outros mestres modernos e antigos, apresenta agora para o publico francês séries inéditas de trabalhos.

 

 

Sobre o artista

 

Arquiteto de formação, filho do poeta Lêdo Ivo, desde pequeno convive com artistas e escritores como João Cabral de Mello Neto. Artista internacional com obras no Museu de Arte Geométrica de Dallas, de Long Beach, California e nos principais museus brasileiros como Museu Nacional de Belas Artes, Pinacoteca do Estado de São Paulo, Museu de Arte Contemporânea de São Paulo e Museu do Mar, no Rio de Janeiro entre outros. Possui diversos livros publicados sobre sua obra com textos dos mais relevantes críticos de arte como o francês Marcelin Pleynet e os brasileiros Frederico Morais, Fernando Cocchiarale e Roberto Pontual.

 

 

Sobre a Galerie Boulakia

 

Fundada em 1971, a Galerie Boulakia representa os grandes nomes da historia da arte, dos impressionistas a Jean-Michel Basquiat passando por Picasso, Fernand Leger, Damien Hirst, e Chagall. Sustentou no inicio da carreira obras de artistas então desconhecidos como Sam Francis, Alechinsky, Jorn e Appel. Instalada na Avenue Matignon n° 10, a Galerie Boulakia é das mais prestigiosas galerias francesas.

 

 

De 02 de dezembro a 05 de janeiro de 2015.

Raquel Arnaud apresenta Carla Chaim e Ding Musa

25/nov

A galeria Raquel Arnaud, Vila Madalena, São Paulo, SP, apresenta duas exposições simultâneas: Carla Chaim e Ding Musa.

 

 

Carla Chaim

 

Composta por diferentes suportes como desenho, fotografia e escultura, as obras recentes de Carla Chaim na mostra “Pesar o Peso” ocupam o térreo da galeria. Em todas essas mídias, a artista estabelece um diálogo entre o corpo e formas básicas geométricas. As obras evidenciam a dicotomia existente entre o corpo, orgânico em movimento, e as formas duras e estáticas dos desenhos e de peças que parecem ora flutuar, ora pesar no espaço.

 

Nesta exposição, segundo Chaim, o corpo se mostra como agente do trabalho de arte, surgindo como personagem que se transforma em esculturas e volumes. Já os desenhos insinuam o corpo como agente inicial e, no processo de feitura, aparece como agente primordial. Alguns são construídos com grafite em pó sobre papel, matéria primeira de desenhos, rascunhos e anotações. Eles falam do próprio processo de construção de planos, e quase se transformam em esculturas, ou desenhos tridimensionais, pela sutil dobra do papel.

 

Para o crítico Cauê Alves, que assina o texto expositivo, “a discussão da noção de corporeidade fica mais explícita nas fotografias em que a superfície do corpo da artista, em escala real, surge parcialmente coberta pelo mesmo papel japonês de outros trabalhos. Mas nele as dobras retas claramente não se adaptam ao corpo em movimento da artista e, aos poucos, dão lugar aos amassados. A impossibilidade de encontrar uma sincronia completa, um encaixe perfeito entre o corpo e as dobras do papel, resultam em imagens em que os movimentos dos braços e pernas são limitados pela geometria. Mas ao se aproximar da dança, é como se a artista elevasse ao grau máximo a expressividade que uma folha retangular desenrolada pode adquirir. O conflito entre o corpo humano e o corpo do papel se resolve na constatação da origem orgânica em comum compartilhada por ambos”, afirma.

 

Na série “Queda”, o conceito de desenho e de escultura se fundem tanto nos materiais quanto nos diálogos que a artista cria entre as obras e entre a arquitetura da galeria. O plano bidimensional e o  tridimensional se confundem entre o processo inicial e o resultado final da obra. Eles coexistem do início ao fim do processo, se transformando em “desenhos tridimensionais” e “esculturas bidimensionais”.

 

 

Ding Musa

 

No segundo andar, em sua exposição de estreia na galeria Raquel Arnaud, Ding Musa reúne em “Equações” uma série de trabalhos que lida ao mesmo tempo com o conceito de infinito de limite. “A idéia de infinito como experiência sensorial fracassada, ou como uma tentativa humana de experimentá-la através da estética aliada à matemática e a representação e seus limites”, ressalta o artista.

 

Esses trabalhos recentes de Musa, fotografias, objetos de metal, parede de azulejos, e instalação com espelhos, fotografia – singulares ou em duplas, com paralelismos ou espelhamentos, segundo o crítico Paulo Miyada faz pensar em fórmulas químicas, proporções algébricas, equivalências geométricas e equilíbrios de forças. “São notações fundamentais para toda a educação porque nos deixam expressar, quantificar e calcular relações entre grandezas mais ou menos abstratas”, afirma.

 

Segundo Miyada, ainda, muitas das obras da exposição de Ding Musa, principalmente quando há duas ou mais partes similares, convidam o espectador a perscrutar possíveis diferenças entre elas. “Perceber as relações de equivalência aparente e a infinita desigualdade que a realidade traz. É prática que faria bem também para duvidar da pecha de “exatas” que a educação aplica aos campos de conhecimento mais afins às fórmulas e equações”, completa.

 

 

De 26 de novembro a 20 de dezembro.

Gonçalo Ivo em Paris

05/nov

A Galerie Boulakia, Paris, apresenta 15 pinturas em grande formato produzidas nos últimos três anos pelo pintor Gonçalo Ivo. Nesta segunda exposição na Galerie Boulakia, a primeira data de 2012, e sua sétima exposição individual em Paris, Gonçalo Ivo, fiel a ele mesmo e à pintura, atividade que desenvolve desde jovem, continua aprofundando questões plásticas que lhe são caras como a cor como forma autônoma de linguagem, uma geometria mais próxima da poesia do que do rigor e uma latente espiritualidade gerada pela sua proximidade e admiração aos grandes mestres do passado.

 

Aos 56 anos, instalado há quinze anos com sua família e seu ateliê em Paris, o artista que conviveu em sua juventude com Iberê Camargo, Aluisio Carvão e que tinha nas paredes da casa paterna Lygia Clark, Volpi, Eliseu Visconti e muitos outros mestres modernos e antigos, apresenta agora para o publico francês séries inéditas de trabalhos.

 

 

Sobre o artista

 

Arquiteto de formação, filho do poeta Lêdo Ivo, desde pequeno convive com artistas e escritores como João Cabral de Mello Neto. Artista internacional com obras no Museu de Arte Geométrica de Dallas, de Long Beach, California e nos principais museus brasileiros como Museu Nacional de Belas Artes, Pinacoteca do Estado de São Paulo, Museu de Arte Contemporânea de São Paulo e Museu do Mar, no Rio de Janeiro entre outros. Possui diversos livros publicados sobre sua obra com textos dos mais relevantes críticos de arte como o francês Marcelin Pleynet e os brasileiros Frederico Morais, Fernando Cocchiarale e Roberto Pontual.

 

 

Sobre a Galerie Boulakia

 

Fundada em 1971, a Galerie Boulakia representa os grandes nomes da historia da arte, dos impressionistas a Jean-Michel Basquiat passando por Picasso, Fernand Leger, Damien Hirst, e Chagall. Sustentou no inicio da carreira obras de artistas então desconhecidos como Sam Francis, Alechinsky, Jorn e Appel. Instalada na Avenue Matignon n° 10, a Galerie Boulakia é das mais prestigiosas galerias francesas.

 

 

De 02 de dezembro a 05 de janeiro de 2015.

Bienal de Veneza

15/out

A Fundação Bienal de São Paulo anuncia a nomeação do crítico e professor Luiz Camillo Osorio como o curador da participação oficial brasileira na 56ª Esposizione Internazionale d’Arte – La Biennale di Venezia, que acontece entre os dias 09 de maio e 22 de novembro de 2015 nos espaços do Giardini e Arsenale. Cauê Alves foi designado curador assistente. Curador geral 56ª Exposição Internacional de Arte – la Biennale di Venezia: Okwui Enwezor.

 

 

Sobre os curadores

 

Luiz Camillo Osorio, Rio de Janeiro, 1963, Brasil, professor de estética no departamento de Filosofia da PUC-RJ e curador-chefe do MAM Rio, realizou importantes projetos curatoriais no Brasil e no exterior, entre os quais “Iberê Camargo: Um trágico nos trópicos” (Fundação Iberê Camargo/CCBB-RJ), “O Desejo da Forma” (Akademie der Künste, Berlim, 2010), “MAM 60” (2008) e “Haus der Kulturen der Welt” (Copa da Cultura Berlim, 2006). É autor de “Razões da Crítica” (Zahar) e de livros monográficos sobre Flavio de Carvalho, Abraham Palatnik e Angelo Venosa (CosacNaify).

 

Cauê Alves, São Paulo, Brasil, 1977, mestre e doutor em filosofia pela USP, professor da PUC-SP e do Centro Universitário Belas Artes, desde 2006 é curador do Clube de Gravura do MAM-SP. Realizou, entre outras curadorias, “MAM(na)OCA: arte brasileira do acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo” (2006), “Quase líquido”, Itaú Cultural (2008) e “Mira Schendel: avesso do avesso” (2010), Instituto de Arte Contemporânea. Foi curador-adjunto da “8ª Bienal do Mercosul” (2011) e um dos curadores do “32º Panorama da Arte Brasileira” do MAM-SP (2011).

 

 

Sobre a participação brasileira na 55 ª Bienal de Veneza

 

A mais antiga das grandes mostras internacionais de arte, a Bienal de Veneza oferece, a cada dois anos, uma grande exposição coletiva e dezenas de pavilhões nacionais. O pavilhão do Brasil, por sua vez, construído em 1964 no espaço mais prestigiado do evento italiano, o Giardini, é o lugar onde o próprio país escolhe e expõe artistas que a cada nova edição o representam. Desde 1995, a responsabilidade por essa escolha foi outorgada pelo governo Brasileiro à Fundação Bienal de São Paulo, reconhecimento da grande importância da instituição – a segunda mais antiga no gênero em todo o mundo – para as artes visuais do país.

 

Desde 1995, as participações brasileiras no evento são organizadas em colaboração conjunta entre o Ministério das Relações Exteriores – mantenedor do pavilhão brasileiro -, o Ministério da Cultura – por meio do aporte de recursos da Fundação Nacional de Arte (Funarte) – e a Fundação Bienal de São Paulo – responsável pela escolha do curador e produção das mostras. “A organização da participação brasileira nas Bienais de arte e arquitetura de Veneza já faz parte da tradição da Fundação Bienal, uma instituição independente, respeitada internacionalmente e comprometida com o pensamento e a produção da arte contemporânea”, afirma Luis Terepins, comissário da exposição e Presidente da Fundação Bienal de São Paulo.

 

 

 

 De 09 de maio a 22 de novembro de 2015.

Exposição “Pérolas”

30/jul

Como parte do Ano da Cultura Qatar-Brasil 2014, o Museu de Arte Brasileira da FAAP, Higienópolis, São Paulo, SP, realiza a exposição “Pérolas”, apresentando peças das coleções de Qatar Museums, Mikimoto & Co., Yoko Londres e Alfardan, Qatar. A mostra foi organizada pelo Qatar Museums. A exposição reúne mais de 200 peças – entre joias e obras de arte – mostrando a grande variedade de cores e formas de pérolas naturais e cultivadas, o uso das pérolas ao longo dos séculos, tanto no Oriente quanto no Ocidente, como um símbolo de prestígio e riqueza, as variações de gostos em diferentes culturas e as mudanças no design de joias com pérolas para celebridades como Salvador Dalí, Elizabeth Taylor e Lady Di.

 

 

A exibição inicia com um olhar revelador sobre a história natural das pérolas. Discorre sobre a pesca e comércio no Golfo Pérsico, Europa e Ásia, desde a Antiguidade aos dias atuais. Uma coleção de pérolas raras e de moluscos portadores de pérolas indica como as pérolas do Golfo têm sido há muito tempo algumas das mais cobiçadas e valiosas do mundo. A segunda parte da exposição explora a utilização das pérolas em joias e destaca as mudanças do design ao longo da história. Com isso, a mostra avança no tempo e espelha a modernidade, realçando o trabalho contemporâneo realizado pelos designers de hoje. Também é possível apreciar na exposição o processo de cultivo das pérolas e sua produção em escala industrial, iniciada por Kokichi Mikimoto, no Japão.

 

 

 

Sobre o Qatar Museus

 

 

Qatar Museums (QM) conecta os museus, instituições culturais, sítios e patrimônios históricos no Qatar, e cria condições para que prosperem e floresçam. A entidade centraliza recursos e propicia uma abrangente organização para o desenvolvimento de museus e projetos culturais, com a ambição, a longo prazo, de criar uma forte e sustentável infraestrutura cultural para o Qatar. Sob o patrocínio de Sua Alteza, o Emir, Xeique Tamim bin Hamad Al-Thani, e chefiada por sua Presidente, Sua Excelência, a Xeique Al-Mayassa bint Hamad bin Khalifa Al-Thani, QM está consolidando os esforços do Qatar no sentido de tornar-se um vibrante centro para as artes, cultura e educação, no Oriente Médio e além. Desde a sua fundação, em 2005, QM supervisiona o desenvolvimento do Museu de Arte Islâmica (MAI), do Mathaf: Museu Árabe de Arte Moderna e do Centro Turístico do Patrimônio Mundial Al Zubarah. QM também administra a Galeria QM, em Katara, e o Espaço de Exposições ALRIWAQ DOHA. Os futuros projetos da instituição incluem a abertura do programa “Posto de Bombeiros: Artistas Residentes em 2014” e a inauguração dos muito aguardados Museu Nacional do Qatar e o Museu Olímpico e do Esporte do Qatar.

 

 

QM está empenhada em instigar as futuras gerações das artes, do patrimônio cultural e profissionais de museologia do Qatar. Em seu cerne está o compromisso de fomentar o talento artístico, criando oportunidades e desenvolvendo as habilidades necessárias para atender à emergente economia da arte do Qatar. Por meio de um programa multifacetado e de iniciativas de arte pública, QM procura ampliar os limites do tradicional modelo de museu, além de criar experiências culturais que transbordam para as ruas e buscam envolver as plateias mais amplas possíveis. Por meio de uma vigorosa ênfase na arte e na cultura, de dentro para fora, e estimulando um espírito de participação nacional, QM está ajudando o Qatar a encontrar a sua própria voz, característica e inconfundível, nos debates culturais globais de hoje.

 

 

 

Ano da Cultura Qatar-Brasil 2014

 

 

O Ano da Cultura Qatar-Brasil 2014 é um programa de intercâmbio cultural de um ano de duração dedicado a conectar as pessoas do Estado do Qatar e da República Federativa do Brasil por meio de cultura, comunidade e esporte. Através de um ano de inovadoras atividades de intercâmbio cultural, indivíduos e instituições de ambos os países criam parcerias duradouras e fortalecem as relações bilaterais. O Qatar-Brasil 2014 é realizado sob o patrocínio da presidente de Qatar Museums (QM), Sua Excelência, a Xeique Al-Mayassa bint Hamad bin Khalifa Al-Thani, em parceria com o Ministério da Cultura, Artes e Patrimônio Histórico do Qatar. É o terceiro Ano da Cultura consecutivo lançado por Qatar Museums, após os sucessos do Qatar-Japão 2012 e do Qatar-Reino Unido 2013.

 

 

 

Até 28 de setembro.

Singular & plural

28/jul

O Instituto Moreira Salles, Higienópolis, São Paulo, SP, apresenta a exposição “Araújo Porto-Alegre: singular & plural”, com trabalhos de Manuel de Araújo Porto-Alegre. A exibição consta de quase 90 obras, com destaque para a sua produção gráfica. Foram reunidas aquarelas, esboços, caricaturas, esboços, rascunhos e desenhos feitos a grafite e a nanquim. Artista múltiplo, Porto-Alegre atuou também como arquiteto, cenógrafo, crítico, historiador, escritor, jornalista e diplomata. A exposição também apresenta textos, poemas e projetos de arquitetura e cenografia.

 

A curadoria é de Leticia Squeff, professora do departamento de História da Arte da Unifesp e de Julia Kovensky, coordenadora de Iconografia do Instituto Moreira Salles. O projeto partiu da intenção de levar ao público um álbum composto por desenhos e documentos que pertenceram ao autor e que hoje integra o acervo do IMS. A maioria das obras abrange o período em que Araújo Porto-Alegre esteve na Europa pela primeira vez (1831-1837), acompanhando seu mestre Jean-Baptiste Debret, que definitivamente voltara para a França.

 

 

Sobre o artista

 

Manuel de Araújo Porto-Alegre (1806-1879) nasceu em Rio Pardo-RS e, em 1827, seguia para o Rio de Janeiro. Araújo Porto-Alegre é uma das figuras mais desconcertantes da história da cultura e das artes no Brasil. Entre suas diversas atividades, atuou como arquiteto; fez trabalhos de cenografia e decoração para teatro e para festas da monarquia; é considerado autor das primeiras caricaturas realizadas no país; foi idealizador da estátua equestre de d. Pedro I, no Rio de Janeiro; escreveu novelas, peças para teatro e poemas; esteve em cargos de poder em instituições de cultura importantes da época, como o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (ihgb) e a Academia Imperial de Belas Artes (Aiba), para a qual concebeu um projeto de reformulação pedagógica, com desdobramentos na arte brasileira da segunda metade do século XIX.

 

 

Até 21 de setembro.

Coleção Sylvio Perlstein

08/abr

Atração no MAM, Flamengo, Rio de Janeiro, RJ, a exposição que reúne 150 obras do colecionador Sylvio Perlstein provoca um efeito ambíguo sobre o visitante. A primeira sensação é de caos, como se os trabalhos pouco ou nada tivessem a ver uns com os outros. Há módulos dedicados à pop art, à fotografia vintage, ao surrealismo, à arte povera e ao minimalismo, por exemplo. Aos poucos, entretanto, vai se revelando um certo espírito comum a todo o conjunto, que mescla algo de curioso, bem-humorado – inusitado, como anuncia o nome da mostra. Um dos colecionadores mais reputados do mundo, o brasileiro de origem belga, atualmente radicado em Paris, tem aqui exibida uma relevante parte do seu acervo. Há nomes canônicos, como Dalí, Kandinsky, Magritte, Warhol, Man Ray, Basquiat, Duchamp, Miró e Haring (que comparece com seu primeiro óleo sobre tela, Mickey Mouse, de 1981), entre muitos outros. Sumidades da arte contemporânea, a exemplo de Richard Serra e Nan Goldin, também ocupam o espaço e convivem com nomes menos conhecidos. Pautada pelo olhar único de Perlstein, à margem de tendências e do mercado, a coleção não reúne necessariamente as obras mais famosas desses artistas – o que, inusitadamente, só reforça a sua expressividade. Após o Rio de Janeiro, a exposição será exibida no MAM-SP.

 

 

A palavra do curador do MAM-RIO

 

Conheci Sylvio Perlstein faz uns dez anos. O marchand Jean Boghici ligou-me dizendo que estava com um colecionador belga que amava o Rio, crescera na cidade e formara ao longo da vida uma das coleções mais interessantes que conhecia. À época, eu era crítico de arte do jornal O Globo. Não perdi tempo e fui conhecê-lo em um hotel de Ipanema. De fato, Sylvio era uma pessoa peculiar. De bermuda e sandálias, fomos conversar no calçadão. Alguns dias depois, publiquei uma entrevista com ele na capa do Segundo Caderno.

 

Sua coleção era, de fato, única. Todavia, o que mais me interessou é que ela foi sendo formada junto aos artistas que conhecera e que lhe abriam as portas do ateliê e dos amigos artistas. Os surrealistas vieram por meio da amizade com Man Ray. Os minimalistas e conceituais por meio de Robert Ryman – que conhecera em um bar, ainda em meados da década de 1960. Assim, ele foi construindo uma coleção que juntava partes da arte do século 20 que nunca conversam nos livros de história e crítica. Os surrealistas e os conceituais, os dadaístas e os minimalistas, os europeus, os norte-americanos e os brasileiros.

 

Enfim, muita coisa boa da arte do século 20, momentos marcadamente radicais, convivem sem cerimônia nas salas, nos quartos e na biblioteca de sua casa parisiense. O ambiente que acolhe a coleção é autêntico e traz um pouco da vida daquelas obras. Não há afetação nem deslumbramento de colecionador que transforma a casa em galeria. As obras pertencem à casa, ao espaço de habitação, de convivência, de moradia. Na biblioteca, objetos dadaístas e peças primitivas misturam-se aos livros e elementos decorativos sem diferenciações e caixas de acrílico. O espaço é todo ele artístico e não artístico, nos convida a ficar nele sem perder o travo de estranhamento de todos aqueles “mundos”, que palpitam sem parar.

 

Trazer essa coleção ao MAM é compartilhar um pouco do meio século de convivência íntima de Sylvio Perlstein com obras de arte seminais – e pouco colecionáveis. É o desdobramento, com a arrojada intervenção de Leonel Kaz, daquela primeira conversa na praia de Ipanema, em que ele dizia adorar o Rio e querer mostrar aqui sua coleção. Aí está. Mais que uma coleção, o que vemos é o resíduo de uma experiência cotidiana.
Luis Camillo Osorio

 

 

Até 25 de maio.

Fontes: site MAM-RIO; VEJA-RIO.