Dupla Breves Schmidt no IBEU

01/fev

A Galeria de Arte Ibeu, Jardim Botânico, Rio de Janeiro, RJ, abre a programação de 2019 no dia 05 de fevereiro, com a exposição “Transfiguração da Matéria”, da dupla Breves Schmidt. Sob curadoria de Marco Cavalcanti, as artistas Claudia Breves e Cecilia Schmidt apresentam um ensaio na fronteira entre fotografia e desenho, em sequências tensas e oníricas. A origem das 26 obras expostas traz fragmentos de um antigo vitral, que transfigurado pela criação fotográfica passou a ter potencial estético autônomo, como imagem desdobrada. Partindo deste antigo vitral, a dupla constrói uma linguagem específica e instala um processo artístico particular que define direções e poéticas inalcançáveis na fotografia analógica. O processo de transformação e reconfiguração contínua se torna onírico, e as artistas lançam mão do potencial estético, formado pelo inconsciente, para depois torná-lo livre e atemporal.

 

“Quando deslocamos o olhar pelas paredes da galeria, percebemos que o tempo das imagens é imanente, liberto da cronologia a fundir lembranças e esquecimentos. Parece que a serialidade executa uma pilhagem no passado, como piratas do tempo”, analisa Marco Cavalcanti. “Ao desdobrar, multiplicar, serializar e descontruir a antiga matriz em algo surpreendente, a dupla de artistas descobre uma lógica interna e define um processo artístico. É transfiguração da matéria para este frágil tempo em que vivemos”, completa o curador. Formada em 2011, Breves Schmidt aparece eventualmente nos intervalos das carreiras solo das duas artistas. A dupla já realizou trabalhos na mostra Morar Mais por Menos, 2014, e na Feira de Arte Contemporânea, no Espaço Ernani Arte e Cultura, 2014.

 

 

Até 1º de março.

Duas exposições na Europa

28/jan

 

Entre o final de janeiro e início de fevereiro, o fotógrafo e artista visual, Gilberto Perin realiza duas exposições na Europa nas quais apresenta série inédita na “Exposição de Arte Contemporânea da América Latina”, em Genebra, Suíça, e inaugura individual em Lisboa, Portugal. A série inédita “Fake Photos”, composta de 11 imagens que misturam o conceito de fake fotos, fake news e o paradoxo de René Magritte (“A Traição das Imagens”), será exibida em Genebra, a partir do dia 23 de janeiro. Já a série “Sem Identificação”, que foi exposta em 2018 no Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli, entra em cartaz na A Pequena Galeria, em Lisboa, no dia 07 de fevereiro.

 

A Exposição de Arte Contemporânea da América Latina (Exposition D’Art Contemporain D’Amérique Latine), no Centro de Artes da Ecole Internationale de Genève – Ecolint, vai exibir obras de 13 artistas e coletivos da América Latina até o dia 28 de fevereiro. Gilberto Perin foi convidado a expor na Ecolint após participar, no ano passado, de um projeto em parceria entre o Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS), sua Associação de Amigos (AAMARGS) e a escola da Unesco. O projeto “Travessia” propiciou um intercâmbio cultural entre estudantes gaúchos e suíços e artistas convidados. Além de Gilberto, outros dois artistas brasileiros que participaram do projeto também terão seus trabalhos expostos na Ecolint: o pintor Britto Velho e o fotógrafo Nilton Santolin.

 

Em “Fake Photos”, – seu trabalho mais recente -, o artista traduz suas inquietações sobre a autenticidade e a veracidade das imagens produzidas, além de fazer uma reflexão sobre o atual momento político no Brasil e suas relações com as fake news: ao carimbar as imagens com as palavras “Fake Photos”, Gilberto Perin nega tudo aquilo que apresenta. “A relação das minhas fotografias com essa temática me fez pensar sobre as fake news e, no meu caso específico como fotógrafo, nas fake photos. Afinal, o que é arte contemporânea? A fotografia pode ser vista como arte? Os carimbos chamam a atenção sobre se o que vemos na realidade é somente uma imagem ou é aquilo que queremos ver”, explica.

 

A série “Sem Identificação” é uma crítica irônica e reflexiva do momento atual, repleto de informações e mensagens visuais. O fotógrafo – junto aos modelos que posaram nus – produziu imagens icônicas, inspiradas em obras de arte conhecidas, e outras que surgiram espontaneamente no momento do ensaio fotográfico. Nas 25 fotografias que compõem a série, os corpos aparecem sem cabeças – efeito obtido apenas com o enquadramento da câmera. “A falta da cabeça e a ausência do olhar causa certo estranhamento e passa a significar uma identidade perdida, levando-se em conta que a cabeça é o centro de tudo: das emoções até a decisão da nossa vida ou morte. Em tempos de selfies, “Sem Identificação” tem concepção simples e direta, onde a nudez é apenas a parcela aparente daquilo que não é revelado sobre a nossa identidade e pensamento”, afirma o fotógrafo.

 

Sobre o artista

Gilberto Perin nasceu em Guaporé, RS, vive e trabalha em Porto Alegre. Formado em Comunicação Social pela PUC-RS, é fotógrafo, diretor de cena e roteirista. Tem dois livros publicados: “Camisa Brasileira” (2011) e “Fotografias para Imaginar” (2015). Suas obras são publicadas em livros, jornais e revistas brasileiras e também no exterior, e fazem parte de acervos de museus, entidades culturais e coleções particulares. Entre suas exposições individuais, destacam-se: “Linha d’Água e Sem Identificação” (2018) no MARGS; “Fotografias para Imaginar” (2013 e 2015), no Instituto dos Arquitetos do Brasil e Pinacoteca Aldo Locatelli, as duas em Porto Alegre: “Vestiário” (2013), no Museu do Futebol de São Paulo; “Camisa Brasileira” (2010 a 2018), Porto Alegre, no interior do Rio Grande do Sul, na França e Itália; “Conexões Infinitas” (2009), no Centro Cultural Erico Verissimo, em Porto Alegre. Participou também de exposições coletivas, como “Queermuseu” (2017 e 2018), no Santander Cultural em Porto Alegre e no Parque Laje no Rio de Janeiro; “A Fonte de Duchamp, 100 Anos de Arte Contemporânea”, MARGS, Porto Alegre; “Objectif Sport” (2016), circuito internacional da Aliança Francesa, em Porto Alegre na Galeria La Photo; “Manifesto: Poder, Desejo, Intervenção” (2014), MARGS, Porto Alegre; “The Beautiful Game: o Reino da Camisa Amarela” (2014), Museu dos Direitos Humanos do Mercosul, Porto Alegre; “De Humani Corporis Fabrica”, MARGS, Porto Alegre; “Cromo Museu” (2012), MARGS, Porto Alegre.

 

 

“Fake Photos” – Exposition D’Art Contemporain D’Amérique Latine

De 23 de janeiro a 28 de fevereiro de 2019 – Entrada franca

Local: Centre Des Arts – École Internationale de Genève – Ecolint

Campus La Grade Boissiére – 62, route de Chêne, CH-1208 – Genebra – Suíça

 

 

“Sem Identificação”

De 07 de fevereiro a 08 de março de 2019 – Entrada franca

Local: A Pequena Galeria –  Av. 24 de Julho 4C, 1200-109 – Lisboa – Portugal

 

My Way

11/jan

Atravancando meu caminho,

Eles passarão…

Eu passarinho!”

Mario Quintana

 

Em seu “Poeminho do Contra” Mario Quintana faz troça, nada circunstancial, do fato de ter sido rejeitado (novamente) como membro da Academia Brasileira de Letras (assim reza a lenda), e de maneira sarcástica, dentro de seu linguajar direto e sem pompa, característica do poeta que acabou por deixar uma marca indelével na literatura brasileira, nos fala do eterno embate entre permanência e efemeridade. Para Hannah Arendt a permanência de uma obra de arte dá à Humanidade uma sensação de imortalidade pelo que é criado por meros mortais, uma constância que se sobrepõe ao tempo.

 

Reunidos em torno da ideia de apresentar o seu mundo particular tanto das ideias quanto das imagens, os artistas da mostra “My Way” abrem o ano expositivo da Casa França-Brasil, Centro, Rio de Janeiro, RJ, com liberdade de apresentarem novos trabalhos ou revisitarem questões que entendam ainda em voga de processos anteriores e que precisem ser novamente evocados pelo olhar do outro, pelo público que, como dizia Marcel Duchamp, “…mais tarde se transforma na posteridade (…), estabelece o contato entre a obra de arte e o mundo exterior”.

 

A exposição pretende ressaltar a diversidade de pensamentos, e de como é possível estarem lado a lado, conviverem pacífica e harmoniosamente linguagens as mais variadas, que se apresentam não como um impedimento ao diálogo, ao contrário, como motor que faz girar a engrenagem do saber, da curiosidade, do despertamento e do deslumbramento. Cada um faz a sua jornada íntima. Como diz a música: “eu vivi uma vida plena, viajei por todos os caminhos, mas mais do que isso, eu fiz do meu jeito”.

 

Osvaldo Carvalho (curador)

 

 

 

Artistas: Angela Od, Bet Katona, Cesar Coelho, Eduardo Mariz, Fábio Carvalho, Gabriel Grecco, Helena Trindade, Hugo Houayek, Jozias Benedicto, Leonardo Videla, Lia do Rio, Marcia Clayton, Osvaldo Carvalho, Osvaldo Gaia, Otavio Avancini, Patrizia D’Angello, Paulo Jorge Gonçalves, Rafael Vicente, Raimundo Rodriguez, Rodrigo Pedrosa, Stella Margarita, Suely Farhi, Viviane Teixeira.

 

 

 

 

Até 11 de fevereiro.

 

Antonio Dias – O ilusionista

22/dez

A exposição presta uma homenagem ao grande artista falecido recentemente, reunindo trabalhos pertencentes aos acervos do Museu – a coleção própria e a de Gilberto Chateaubriand, em comodato na instituição desde 1993. Com curadoria de Fernando Cocchiarale e Fernanda Lopes, a mostra reúne perto de 60 obras do artista. O público poderá ver o percurso do artista nas décadas de 1960, 70 e 80, em trabalhos feitos em diversos suportes e materiais. Completa a exposição um retrato do artista feito por Ivan Cardoso (1952).

 
“Antonio Dias é um dos mais relevantes artistas brasileiros contemporâneos”, destacam os curadores no texto que acompanha a exposição. Eles explicam que a exposição não buscou “qualquer mediação que não aquela do sequenciamento visual e das relações objetivadas na montagem”, que “confronta o visitante de maneira direta com a maioria as obras”. Dos trabalhos expostos, doze não estão datados.

 
Fernando Cocchiarale e Fernanda Lopes assinalam que desde o início de sua trajetória, Antonio Dias “encontrou no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro uma instituição sintonizada com as questões que contribuíram de modo decisivo para a renovação da produção artística brasileira”. “Definitivamente não é possível contar nossa história sem falar de Antonio Dias, assim como nossas coleções não teriam a mesma força sem as quase 60 obras do artista que delas fazem parte e que agora podem ser vistas pelo público do Museu”, afirmam.

 

 
A seguir, uma minibiografia do artista, em texto dos curadores.

 

Nascido em Campina Grande, na Paraíba, Antonio Dias mudou-se para o Rio de Janeiro em 1958, aos 14 anos de idade. No Rio, trabalhou como desenhista, ilustrador e artista gráfico, e frequentou as aulas de Oswaldo Goeldi (1895-1961) no Atelier Livre de Gravura da Escola Nacional de Belas Artes – período em que conheceu artistas ligados ao neoconcretismo carioca, com os quais estabeleceu contato.

 

 
Reconhecimento no Brasil e no exterior

 
Foi, no entanto, a sua participação em exposições como “Opinião 65” e “Propostas 65” – que reuniram em 1965 no MAM Rio e na FAAP, em São Paulo, tanto artistas brasileiros como de outros países; e a Bienal de Paris, em 1969, que despontou com destaque o jovem Dias, tanto nacional quanto internacionalmente. Os jovens integrantes dessas mostras tinham em comum o desejo de ultrapassar as poéticas abstrato-concretas em nome da aproximação da realidade social e política dos anos 1960. Tal tendência já estava em curso desde o final da década de 1950 quando ocorreu a reorientação mundial do foco nas sintaxes formais do abstracionismo, para as possibilidades semânticas sinalizadas pela volta a uma nova figuração. Nessas seis décadas de intensa atividade produtiva, em que viveu em Paris, Milão, Berlim, Colônia e no Rio de Janeiro, Antonio tornou-se uma referência inequívoca da arte contemporânea brasileira, e internacional.

 
Dias nunca parou de produzir ativa e renovadoramente uma obra cujo valor e importância podem ser resumidos com base neste escrito de Giulio Argan: “… uma obra é vista como obra de arte quando tem importância na história da arte e contribuiu para a formação e desenvolvimento de uma cultura artística. Enfim: o juízo que reconhece a qualidade artística de uma obra, dela também reconhece a historicidade”.

 

 

Até 24 de março de 2019.

Verve exibe Luiza Malzoni

A Verve Galeria, Jardim Paulista, São Paulo, SP, encerra seu calendário expositivo de 2018 com a individual “Olho d`Água”, da artista visual Luisa Malzoni, sob curadoria de Ian Duarte Lucas. A mostra tem como temática a memória, e apresenta 30 obras produzidas a partir de técnicas antigas de fotografia e cinema, compondo processos de impressão artesanais do século XIX, tais como o Cianótipo, a albumina e o Marrom Van Dyke em tecido, que em muitas obras também é bordado. A artista também explora releituras e desdobramentos de sua experiência em restauro de filmes de cinema antigos, utilizando filmes S8 resgatados entre seus familiares, os quais se transformam em suporte para pinturas.

 
A produção de Luisa Malzoni se baseia em uma extensa pesquisa sobre processos ancestrais de imagem, sob o ponto de vista da memória: “A memória e as técnicas antigas estão quase sempre presentes no meu trabalho, pelo menos como inspiração. Gosto de misturar o antigo com o novo. O artesanal com o digital. As técnicas antigas são o embrião, a minha grande paixão”, comenta a artista. Peças elaboradas entre 2001 e 2018 integram a individual, cujo título faz referência a uma nascente de água – no sentido de que seus estudos recaem na origem da fotografia – e também ao nome de seu ateliê.

 
Acerca do método de criação, Luisa Malzoni deixa a coloração de cada técnica assumir o resultado de suas obras, como no caso do “Cianótipo”, que rende uma cor azul, e do “Marrom Van Dyke”. Em outras peças, a artista colore fotografias e filmes à mão, obtendo novas possibilidades estéticas. “Sou muito apaixonada por fotografia antiga e pelo cinema silencioso. Tenho a grande sorte de poder trabalhar com ambos, que aliás estão superelacionados. Gosto muito de técnicas antigas e artesanais. Explicar como funciona meu método de produção eu não sei, mas tenho grande paixão por estudar e criar”, conclui. A coordenação é de Allann Seabra.

 

 

Até 02 de fevereiro de 2019.

1º Prêmio MTD de fotografia

Prêmio idealizado pelo Movimento Territórios Diversos faz homenagem a Walter Firmo. Pela primeira vez a Zona Oeste vai ser palco de uma cerimônia de premiação e mostra fotográfica, no Palacete Princesa Isabel, em Santa Cruz, Rio de Janeiro. Sob o tema “Mais amor por favor”, com intuito de resgatar o sentimento de humanidade e amor ao próximo, na contramão dos individualismos, o Prêmio MTD de fotografia: Walter Firmo vai reunir profissionais e amantes da fotografia numa grande festa.

 
Segundo a Associação Cultural Movimento Territórios Diversos, organizadora do evento, com o avanço tecnológico a arte da fotografia vem sendo trabalhada a partir de diversos recursos em manipulações de imagens que temos em mãos. Os programas de edição são eficazes, contudo, fazer uma fotografia vai muito além do clique, edição e/ou manipulação. Ter um olhar sensível é fundamental para capturar a melhor imagem na hora de apertar o disparador. O prêmio pretende valorizar o “olhar”, a difusão da arte fotográfica, os lugares ainda não visitados e incentivar os amantes e profissionais da fotografia, por meio de uma Cerimônia de Premiação e Mostra fotográfica com workshops. O local escolhido para a premiação abriga o Ecomuseu de Santa Cruz, e ainda é um espaço cultural imperial pouco conhecido do grande público.

 
Em cada edição o Prêmio fará uma homenagem à notáveis personalidades da fotografia. Nessa edição de abertura do Prêmio, Walter Firmo será o homenageado. Firmo é fotógrafo, jornalista e professor de carreira reconhecida nacional e internacionalmente. Sua obra investiga a figura humana, os costumes e festas populares brasileiras como o Carnaval do Rio de Janeiro. Em sua produção destacam-se ainda os retratos de músicos brasileiros, como Clementina de Jesus, Cartola e Pixinguinha.

 

 

O Prêmio MTD de Fotografia: Walter Firmo é uma iniciativa sustentável baseada em três pilares.

 
Econômico: valorização das trocas, economia colaborativa e parcerias.

 
Social: cultura, arte, bem-estar social, desenvolvimento de localidades, compromisso com a humanidade. Eventuais excedentes não utilizados na execução do Prêmio serão destinados à manutenção de projetos sociais.

 
Ambiental: compromisso com o meio ambiente, reutilização de materiais para composição da infraestrutura da Mostra.

 
Após a pré-seleção as imagens inscritas no concurso serão avaliadas por um corpo de jurados formado por dez profissionais renomados da área da fotografia e pelo Júri Popular, através de redes sociais. Os 20 Finalistas terão suas imagens expostas na mostra fotográfica, que acontecerá em 16 de fevereiro de 2019 e afixadas em murais da cidade. Os 3 Vencedores nas categorias Profissional e Amadores, levarão troféus e bolsas de estudos na área da fotografia. O primeiro lugar de cada categoria ganhará o Selo Walter Firmo de elogio e reconhecimento.

 
Participam da organização a gestora cultural e conselheira municipal de cultura do Rio de Janeiro Elizabeth Manja, os Produtores Culturais: a ambientalista Bianca Marins, o artista plástico Sergio Dias e a fotógrafa Gilmara Nunes, componentes da equipe gestora do Ponto de Cultura Movimento Territórios Diversos Associação Cultural, instituição realizadora do Prêmio. Além da fotógrafa Cacau Fernandes, convidada para atuar na coordenação técnica. O corpo de júri conta com os nomes de Wânia Corredo, Severino Silva, Cristina Fromet, Marco Antônio Portela, Bruna Prado, Júlio Regis, Belle Maia, Alex Ribeiro, Leo Mano e Wander Rocha.

Caetano Dias no México

20/dez

O questionamento da nossa realidade, cada vez mais complexa, e o papel da própria arte dentro dessa realidade, colocando questões básicas sobre a nossa existência e o nosso lugar no mundo atual, onde a arte não faz afirmações, faz perguntas, em trabalhos com vídeo, pintura, obras tridimensionais, instalação multimídia, fotografia digital, performance, refletindo as relações entre corpo e identidade, memória e pertencimento, levando a discussão sobre ideias e poéticas, são alguns dos principais eixos da arte de Caetano Dias.

 

Uma das vertentes deste trabalho em fotografias e vídeos está em exposição na cidade de San Cristóbal de Las Casas, no extremo sul do México, fronteira com a Guatemala, no estado de Chiapas, México, como integrante da programação do XVII Festival Tragameluz, com curadoria de Luciana Accioly. O artista é exclusivo da galeria Paulo Darzé, Salvador, Bahia.

 

 

Sobre o artista

 

Caetano Dias é considerado pela crítica nacional como um dos mais importantes artistas surgidos ultimamente na Bahia. Nasceu em Feira de Santana, Bahia, em 1959. Vive e mora em Salvador, Bahia. Começou a expor individualmente a partir de 1989. Participou de exposições importantes representando a Bahia e o Brasil, como XVIII Festival de La Peinture (França), The Brazilian Northeast Festival Contemporary Art (Portugal), Feira Internacional de Arte (Estados Unidos). Entre suas individuais fora do Brasil temos: Nova York (Neuhoff Galery), Paris (Galerie Vivendi), Havana (Casa das Américas). Sua obra foi premiada no 16º Festival de Arte Contemporânea Sesc/Videobrasil (2007) com residência no Le Fresnoy, em Tourcoing, França.

Claudia Andujar no IMS SP

11/dez

A retrospectiva da obra de Claudia Andujar dedicada aos Yanomami, povo indígena ameaçado de extinção, ocupa dois andares do IMS Paulista, São Paulo, SP, com aproximadamente 300 imagens e uma instalação da fotógrafa e ativista, além de livros e documentos sobre a trajetória da tribo em busca de sobrevivência. O conjunto traça um amplo panorama do longo trabalho de Andujar junto aos Yanomami, retomando aspectos pouco conhecidos da luta da fotógrafa pela demarcação de terras indígenas, militância que a levou a unir sua arte à política. A seleção do material exposto é resultado da pesquisa de muitos anos realizada pelo curador Thyago Nogueira, coordenador da área de fotografia contemporânea do IMS, no acervo de mais de 40 mil imagens da artista.

 

Na abertura, dia 15 de dezembro, às 11h, Claudia Andujar participa de uma conversa no auditório do IMS Paulista com o curador da exposição e com o líder indígena Davi Kopenawa. Na ocasião será lançado o catálogo com mais de 300 imagens, acompanhadas de textos de Thyago Nogueira, de Andujar e do antropólogo Bruce Albert, que se aliou a ela na luta pela preservação dos Yanomami. Dia seguinte,conduzido por Kopenawa. A partir de janeiro de 2019 estão previstos novos eventos relacionados à exposição, entre seminários, conversas e visitas.

 

“Claudia Andujar – A luta Yanomami” foi realizada com apoio e consultoria do Instituto Socioambiental (ISA), e colaboração da Hutukara Associação Yanomani (HAY).

 

 

Sobre a artista

 

Claudia Andujar nasceu na Suíça, em 1931, e em seguida mudou-se para Oradea, na fronteira entre a Romênia e a Hungria, onde vivia sua família paterna, de origem judaica. Em 1944, com a perseguição aos judeus durante a Segunda Guerra Mundial, fugiu com a mãe para a Suíça, e depois emigrou para os Estados Unidos, onde foi morar com um tio. Em Nova York, desenvolveu interesse pela pintura e trabalhou como guia na Organização das Nações Unidas. Em 1955, veio ao Brasil para reencontrar a mãe, e decidiu estabelecer-se no país, onde deu início à carreira de fotógrafa.

 

Sem falar português, Claudia transformou a fotografia em instrumento de trabalho e de contato com o país. Ao longo das décadas seguintes, percorreu o Brasil e colaborou com revistas nacionais e internacionais, como LifeApertureLookCláudiaQuatro Rodas e Setenta.

 

A partir de 1966, começou a trabalhar como freelancer para a revista Realidade. Recebeu bolsa da Fundação Guggenheim (1971 e 1977) e participou de inúmeras exposições no Brasil e no exterior, com destaque para a 27ª Bienal de São Paulo e para a exposição Yanomami, na Fundação Cartier de Arte Contemporânea (Paris, 2002). Em 2015, a exposição “No lugar do outro”, IMS Rio, apresentou a primeira parte da carreira da fotógrafa. A segunda parte da carreira, dedicada aos Yanomami, será apresentada na retrospectiva Claudia Andujar: A luta Yanomami.

 

 

Até 07 de abril de 2019.

Visita mediada 

10/dez

No próximo dia 15 (sábado), às 11h, a Simone Cadinelli Arte Contemporânea, Ipanema, Rio de Janeiro, RJ, promoverá uma visita mediada na exposição “Baixa dos Sapateiros” com o artista Tiago Sant’Ana e a curadora Clarissa Diniz. Esta exposição individual, trata da imagem histórica dos sapatos como símbolo de libertação pós-abolição negra no Brasil. Essa abolição, oficiosa e sem reparação, era simbolizada pelo gesto de pessoas negras poderem calçar sapatos – tal qual a população branca. O título, “Baixa dos sapateiros”, remete a uma região de mesmo nome em Salvador, na Bahia, local em que muitas pessoas negras recorriam para confeccionar seus sapatos. “O nome surge com essa proposta de falar de um lugar em que muitas pessoas iam desejando essa representação da liberdade, que eram os sapatos”, informa o artista. “Era uma geografia que simbolicamente envolvia uma expectativa por essa promessa de cidadania para as pessoas negras, que nunca chegou completamente até hoje”, completa. Considerado um dos pontos altos da exposição, as esculturas com sapatos de açúcar cristal estabelecem um paralelo com o complexo sistema de exploração da cana-de-açúcar e a chegada de muitos engenhos na região do Recôncavo. Clarissa Diniz é responsável pela curadoria da exposição, que conta com vídeo, fotografias, objetos e instalações em torno do tema.

 

 

Sobre o artista

 

Tiago Sant’Ana nasceu em Santo Antônio de Jesus, em 1990. É artista da performance, doutorando em Cultura e Sociedade pela Universidade Federal da Bahia. Desenvolve pesquisas em performance e seus possíveis desdobramentos desde 2009. Seus trabalhos como artista imergem nas tensões e representações das identidades afro-brasileiras – tendo influência das perspectivas de coloniais.  Foi um dos artistas indicados ao Prêmio PIPA 2018. Realizou recentemente a exposição solo “Casa de purgar” (2018), no Museu de Arte da Bahia e no Paço Imperial, no Rio de Janeiro. Participou de festivais e exposições nacionais e internacionais como “Histórias Afro-atlânticas” (2018), no MASP e no Instituto Tomie Ohtake, São Paulo,. SP, “Axé Bahia: The power of art in an afro-brazilian metropolis” (2017-2018), no Fowler Museum at UCLA, “Negros indícios” (2017), na Caixa Cultural São Paulo, “Reply All” (2016), na Grosvenor Gallery, e “Orixás” (2016), na Casa França-Brasil. Foi professor substituto do Bacharelado Interdisciplinar em Artes na Universidade Federal da Bahia entre 2016 e 2017.

 

 

Sobre a curadoria

 

Clarissa Diniz é curadora e escritora em arte. Graduada em Licenciatura e Educação Artística/Artes Plásticas pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Artes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Foi gerente de conteúdo do Museu de Arte do Rio – MAR entre 2013 e 2018, onde desenvolveu também projetos curatoriais. Publicou os livros “Crachá – aspectos da legitimação artística”, “Gilberto Freyre” – em coautoria com Gleyce Heitor -; “Montez Magno”, em coautoria com Paulo Herkenhoff e Luiz Carlos Monteiro; e “Crítica de arte em Pernambuco: escritos do século XX” (coautoria com Gleyce Heitor e Paulo Marcondes Soares), dentre outros. De curadorias desenvolvidas, destacam-se “O abrigo e o terreno” (cocuradoria com Paulo Herkenhoff. Museu de Arte do Rio – MAR, 2013), “Ambiguações” (Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro, 2013), “Pernambuco Experimental” (Museu de Arte do Rio – MAR, Rio de Janeiro, 2013), “Do Valongo à Favela: imaginário e periferia” (cocuradoria com Rafael Cardoso, Museu de Arte do Rio – MAR, 2014), entre outras.

Sete fotógrafos no Museu Afro Brasil

05/dez

O Museu Afro Brasil, promove no próximo dia 08 de dezembro, às 12h, a abertura da exposição coletiva “Olhares Revelados”. Como sugere o nome da mostra, “Olhares Revelados” pretende desnudar aos olhos do espectador a arte da constante busca pelo sentido da imagem no fazer fotográfico. A curadoria da exposição é de Silvio Pinhatti.

 

Nos últimos anos, temos experimentado a cada instante um imenso crescimento da produção de imagens por multidões de celular em punho e redes sociais como o Instagram e o Facebook. Como é possível, num cenário como esse, valorizar a produção fotográfica e ressignificar o ofício do fotógrafo? Se hoje um senso comum afirma que ‘qualquer um’ pode produzir imagens – que vão se perder nas redes sociais num movimento praticamente sem autoria – como cristalizar a arte fotográfica com o cuidado, a atenção e o labor que ela merece? Como estender uma linha do tempo que faça jus a artistas tão fundamentais, que nos ensinaram que a fotografia é uma arte narrativa, memorável, imprescindível? Se tem se tornado tão banal a produção de imagens prolixas, é possível observar nelas uma frouxidão de sentido que sem dúvida não faz parte da fotografia como surgiu e se encorpou ao longo do século XX. Desse modo, é preciso que estejamos atentos aos artistas-fotógrafos que continuam zelando por essa arte”, afirma Pinhatti.

 

“Olhares Revelados” reúne 87 fotografias de sete fotógrafos brasileiros: Andrea Fiamenghi, Eidi Feldon, Gil Rennó, Lucila de Avila Castilho, Paulo Behar, Pedro Sampaio e Tuca Reinés. Para além do ofício que une os sete profissionais, os artistas selecionados possuem em comum o afeto e a celebração do fazer fotográfico tal qual o mesmo se popularizou no século 20, buscando por meio da fotografia a beleza, a comunicação e a impressão de sentido à imagem.

 

 

 

Sobre os artistas

 

Andrea Fiamenghi
Nascida em São Paulo, Andrea Fiamenghi vive em Salvador, na Bahia, desde os quatro anos idade. Sua paixão pela fotografia a fez encontrar-se com a obra de Pierre Verger, grande fotógrafo e antropólogo francês, residente em Salvador. Do encontro com a obra e sob a influência do mestre, começa a retratar o povo nas ruas de Salvador e a desenvolver pesquisas. Na mostra “Olhares Revelados”, Andrea apresenta imagens da Cerimônia Águas de Oxalá e as festas do calendário religioso do Terreiro Iiê Axé Opô Aganju.

 
Eidi Feldon
Designer e fotógrafa, Eidi Feldon fez orientação de fotografia com Claudia Andujar nos anos 1970, e desde então sempre esteve de máquina em punho. Em “Olhares Revelados”, Feldon mostra registros da série “Thesaurus – O Lugar da Observância”, que reúne fotos que nos falam de um vestígio de tempo passado, mas também de um conjunto de circunstâncias do presente, que antevê os aspectos disruptivos de uma civilização que atravessa o seu momento mais pungente de deterioração ecológica.

 

Gil Rennó
Há quinze anos vivendo na Serra da Mantiqueira, Gil Rennó vem fotografando a fauna e a flora locais, sua gente, seu comércio e seus hábitos. Na exposição “Olhares Revelados” o artista apresenta fotografias de duas manifestações da cultura popular local cruciais para a população da Serra da Mantiqueira. São elas as comemorações da Festa de Treze de Maio no bairro do Quilombo em São Bento do Sapucaí, e a Via Sacra no município de Gonçalves (MG), em que a população faz uma peregrinação em volta da pedra do Cruzeiro.

 
Lucila de Avila Castilho
Nascida em São Paulo, em 1957, a artista é especialista em fotografia de viagem. Segundo o fotógrafo André Douek: “Na fotografia de Lucila identificamos os elementos, as estações e as criaturas. Estamos diante das cenas da gênesis”. Na exposição “Olhares Revelados”, Lucila apresenta imagens da Escócia, Chile, Itália e Islândia.

 

Paulo Behar
Com diversas fotos publicadas pela National Geographic e BBC Brasil, Paulo Behar procura registrar as belezas da natureza e vida selvagem, com um olhar que busque impactar e emocionar o espectador. Na mostra “Olhares Revelados”, o artista mostra fotografias da natureza selvagem encontradas em lugares como Chile, Cananéia (SP), Cubatão (SP), Pantanal do Rio Negro (MS), Poconé (MT), Barão de Melgaço (MT), Jardim (MS), Miranda (MS), Porto Jofre (MT).

 

Pedro Sampaio
Paulistano de 27 anos, acostumado à vida da metrópole e com formação multidisciplinar, Pedro Sampaio fotografa a resistência cultural dos que vivem à margem da globalização nos centros urbanos. Em suas viagens para Cuba, Irã, Líbano, países desacreditados pela imagem dos noticiários ou comunidades brasileiras isoladas da grande mídia, a fotografia lhe permitiu registrar aquilo que testemunhava.

 

Tuca Reinés
O premiado fotógrafo Tuca Reinés exibe retratos feitos na aldeia de Jerusalém, província de Laikipia, centro do Quênia, África. Com cerca de 300 habitantes, a aldeia congrega três das principais etnias do norte do país: Samburu, Turkana e Borana.

 

 

Até 13 de janeiro de 2019.