Exposição Grauben e Francisco da Silva

03/fev

 

 

A Galeria Evandro Carneiro Arte, Gávea, Rio de Janeiro, RJ, realiza até 15 de fevereiro a exposição “Grauben e Francisco da Silva”. A curadoria é de Evandro Carneiro. Destaque para as obras “Pássaro e a sua presa” e “Peixes”, de Francisco da Silva, da década de 1960, período considerado como o mais importante da carreira do artista, e as obras “Pássaros e borboletas na floresta” e “Floresta”, de Grauben.

 

A mostra foi aberta ao público SEM VERNISSAGE devido à Pandemia, durante o horário de visitação da galeria, de segunda a sábado, das 10h às 19h.

 

O Shopping Gávea Trade Center, quando aberto, está funcionando com obrigatoriedade do uso de máscaras e fornece álcool em gel e medição de temperatura para quem entra. Não há necessidade de agendar a visita, pois o espaço é grande e sem aglomerações.

 

Exposição Grauben e Francisco da Silva

 

Dois artistas considerados naíves, mais ou menos contemporâneos entre si e que cresceram no Ceará, reproduzindo a natureza com pontilhismos e cores tropicais. Um iniciou o seu percurso artístico ainda menino, pintando paredes com carvão, tijolo e mato, assim que chegou em Fortaleza, aos seis anos de idade. A outra, cearense de Iguatu, iniciou a pintura já aposentada do serviço público, aos 70 anos e residindo no Rio de Janeiro.

 

Sobre os artistas

 

Maria Grauben Bomilcar Monte Lima nasceu no ano da Proclamação da República (1889) e faleceu em 1972. Sabe-se pouco a respeito de sua biografia anterior à sua trajetória artística, contudo, tratava-se, sem dúvida, de uma mulher corajosa e pioneira, por ter vindo trabalhar no Sudeste, no início do século XX. Em 1910 já era uma das primeiras funcionárias públicas de sua época, na capital federal de então – parece que da Receita Federal, conforme soubemos por uma fonte oral. Em entrevista encomendada pelo MEC e realizada com a artista por Ricardo Cravo Albin – quando diretor do MIS – e em parte reproduzida no Dicionário Brasileiro de Artistas Plásticos vol. 2, diz-se que ela tornou-se pintora por causa do crepúsculo. Moradora de Ipanema, o por do sol lhe encantava pela beleza e pelos tons daquele momento do dia. Ela chorava de emoção e uma sobrinha lhe deu pincéis e tinta por acreditar que aquilo era uma característica tão genuinamente artística que ela deveria tentar se expressar. E pintou, com sucesso, durante doze anos a partir de então. Com cores e tons bastante crepusculares e motivos alegres. Na mesma entrevista, Grauben dizia que não gostava do feio e nem do triste, por isso pintava passarinhos e borboletas nas florestas, com uma base de tela quase sempre azul ou lilás, como o céu de que tanto gostava e o mar de Ipanema, nas suas horas preferidas.

 

Sua singela pintura circulou pelo mundo após ser reconhecida por Ivan Serpa, então professor do MAM-RJ. Foi sua aluna por pouco tempo e seguiu autodidata com suas preferências temáticas e cromáticas. Iniciou suas mostras individuais justamente ali, com o mestre, em 1962 e 1964 (MAM-RJ); em 1965 na Galeria Relevo (RJ) e depois em 1968 e 1969 na Galeria Copacabana Palace (hoje Galeria Ipanema, RJ). Expôs coletivamente em 1962 na Galeria Relevo e no mesmo ano e 1963 no SNAM – Salão Nacional de Arte Moderna, RJ; na Bienal de São Paulo em 1963 e 1965; II Bienal Americana de Arte na Argentina, 1964; Galeria Jacques Massol em Paris (1965). Postumamente participou de coletivas de arte naif no Paço Imperial (1989, ano de seu centenário) e no CCBB (1992, ano da Rio Ecologia), dentre as mais relevantes.

 

Francisco Domingos da Silva (1910 – 1985) tem uma pintura algo mais fantástica do que sua conterrânea. Talvez por ter nascido no Acre e lá ter vivido a sua primeira infância, tempo no qual as memórias são as mais inconscientes. Ainda que também pinte pássaros, os seus são mais fantasiosos. Misturam-se com peixes fabulosos, cobras enormes e até mesmo dragões que expressam o maravilhoso daquela floresta que habitava o seu imaginário de artista. Aos seis anos de idade, foi morar no Ceará e viveu em uma fazenda perto de Fortaleza, onde continuava a conviver com animais e iniciou seus desenhos. Conforme dito acima, com materiais que encontrava na natureza, como tijolos e carvão e sobre paredes e muros (Lélia Coelho Frota, Pequeno Dicionário da Arte do Povo Brasileiro, 2005). Até que em 1943 conheceu Jean Pierre Chabloz que apreciou seus grandes pássaros e peixes amazônicos e o apresentou ao guache, tinta que o artista jamais abandonou, usando-a sobre diversos suportes, sobretudo papel e cartão, ainda que tenha pintado também a óleo sobre madeira. Chabloz o apresentou ao mundo da arte, inicialmente com uma exposição em Fortaleza (1943), depois no Rio de Janeiro (1945); em Genebra (1949); Lausanne (1950) e Neuchâtel (1956). Nos anos 1960, expôs na Galeria Relevo (1963) e na Galerie Jacques Massol em 1965, possivelmente na mesma ocasião em que Grauben expôs lá também! Em 1966 recebeu menção honrosa na Bienal de Veneza, a qual contou com a curadoria de Clarival do Prado Valladares, que na ocasião escreveu: “é o intérprete de uma mitologia diluída na tradição oral de uma região imensa que só ele fixou e refletiu (…)” referindo-se à Amazônia. (Apud. Lélia Coelho Frota, 2005, p. 134). Também o então Ministro da Cultura da França, André Malraux, disse se tratar de “um artista primitivo dentre os maiores do mundo.” (Apud. Walmir Ayala, Dicionário de Pintores Brasileiros, 1997, p.371). Apesar de sua excepcional qualidade, Chico da Silva bebia muito e nos anos 1970 teve alguns surtos psiquiátricos, tendo sido internado recorrentemente. Em 1977 chegou a ter alta de uma clínica para participar da I Bienal Latino Americana, promovida pela Bienal de São Paulo, mas retornava sempre à internação por recaídas da doença (Lélia, 2005). Por causa dessa instabilidade adotou auxiliares que trabalhavam com ele e, em sua confusão mental, passou a assinar obras alheias e/ou coletivas. Assim, deu-se início ao processo de confusão quanto à autenticidade de seu trabalho, quase chegando a comprometer seu nome no mercado de arte. Contudo, por se tratar de um artista excepcional, faz-se necessário um olhar atento, a fim de se continuar promovendo seu talento.

 

Aqui nesta mostra apresentamos dez trabalhos de cada artista, escolhidos com muito critério. Vale a visita!

 

Laura Olivieri Carneiro, janeiro de 2022.

 

Lorenzato na Gomide & Co.

 

Lorenzato

 

 

No dia 09 de fevereiro, a Gomide & Co, Jardim Paulista, São Paulo, SP, convida para a abertura da exposição “Lorenzato: Paisagens” com uma seleção de 35 pinturas do artista mineiro Amadeo Luciano Lorenzato.
Em meio às paisagens que Lorenzato pintou, encontramos variações entre obras de caráter figurativo e narrativo e obras em que as figuras estão ali um tanto difusas, ressaltando o jogo entre as formas e as cores, em um flerte com a abstração. O vocabulário de Lorenzato se constitui de poentes, lagos, montanhas, fachadas, árvores, rios, naturezas-mortas e congêneres; além disso, aparecem também inúmeras fachadas que nos transportam para os bairros periféricos de Belo Horizonte, e estados fronteiriços de Minas Gerais. As pinturas de Lorenzato, que em vida manteve o hábito de “andar para pintar”, nos convidam a revisitar uma variedade de paisagens imaginárias; que figurativas ou abstratas, emergem de uma realidade vivida do artista, mas também despertam uma memória afetiva, quase nostálgica, do espectador.

 

“Eu tenho que ver a paisagem, as cores. Se não vejo, não pinto.” – Amadeo Luciano Lorenzato, em entrevista concedida a Cláudia Gianetti e Thomas Nölle, Belo Horizonte, jul. 1988.
Sobre o artista

 

Amadeo Luciano Lorenzato. Nascido em 1900 em Belo Horizonte (+1995), filho de imigrantes italianos, passou a infância na capital recém inaugurada. Aos 20 anos de idade, mudou-se com a família para a Arsiero, Itália, onde participou da reconstrução da cidade que fora devastada durante a Primeira Guerra Mundial. Em 1925, durante o breve período em que estudou na Reale Accademia delle Arti em Vicenza, foi introduzido à prática de pintura de cavalete. Entre 1926 e 1930, passou por Roma, onde conheceu o pintor holandês Cornelius Keesman, que tornou-se um grande parceiro de observação e o acompanhou em um circuito de bicicleta, passando pelo leste europeu em direção à Ásia, projeto interrompido devido à recusa do passaporte italiano de Lorenzato. Na década de 1940, passou por Bruxelas e trabalhou em Paris até seu regresso ao Brasil, em 1948. Na cidade de Petrópolis, retomou seu ofício na construção civil, mais especificamente como pintor decorativo de paredes. Em 1949 trouxe a esposa, Emma, e Lorenzo, seu único filho, ao Brasil. Em 1956, em decorrência de um acidente de trabalho, Lorenzato aposentou-se precocemente aos 56 anos. No entanto, o acidente que lhe causou uma aposentadoria prematura não o impediu de dar continuidade às excursões que estimularam seu trabalho no ateliê.
De 09 de fevereiro a 19 de março.
Segunda a sexta,10 às 19 horas
Sábados, 10 às 15 horas

Uso de máscara é obrigatório para visitas. Entrada gratuita.

 

 

 

Lidia Lisbôa na Galeria Millan

 

 

A Galeria Millan, São Paulo, SP, apresenta até o dia 19 de fevereiro, “Acordelados”, primeira individual de Lidia Lisbôa, Guaíra, PR, 1970, na galeria, abrindo o programa institucional de 2022. A artista ganha mostra antológica, com curadoria assinada por Thiago de Paula Souza. A exposição repassa a trajetória da artista desde o final dos anos 1990 até suas investigações mais recentes.

 

A primeira sala da mostra na Galeria Millan contará com as obras da série intitulada “Tetas que deram de mamar ao mundo”, cuja produção foi iniciada em 2011. Tratam-se de esculturas têxteis de grandes dimensões que são alçadas ao teto e caem próximas ao chão, numa forma que remete aos seios femininos. A exposição contará também com trabalhos inéditos, como as esculturas moldadas ora em cerâmica, ora em porcelana, junto a pedaços de vidro fundido que tomam a forma de elementos naturais em “Costelas de Adão” ou antropomórficos, na série intitulada “Alienígenas”. A exposição apresenta ainda desenhos da artista cujas formas reportam aos seus trabalhos escultóricos, em especial, à série “Cupinzeiros”. Nesta série, também presente na exposição, as esculturas em cerâmica estabelecem relações formais e materiais com os cupinzeiros que ocupam a paisagem do campo brasileiro e que remetem às memórias da infância de Lidia Lsbôa.

 

A artista trabalha com diversos materiais e técnicas, como desenho, arte têxtil, crochê, performance e esculturas em cerâmica, argila, porcelana e botões. Segundo afirma, “meu trabalho busca evocar a força e o poder do feminino, a potência da mulher como força motriz da significação de sua própria existência no mundo.” Suas obras se relacionam com a memória e as experiências que a artista vivenciou em sua infância no campo. Assim como abordam as formas do corpo feminino, o processo da maternidade e as relações que os modos de vida estabelecem com a territorialidade. Ao reportar-se à sua produção, ela afirma que “(…) em meus trabalhos quero tecer e moldar para desestruturar, para desfazer o que deve ser desfeito e dar vistas a modos de vida e expressões que muitos anos de ocultação quiseram lançar ao esquecimento”.

 

Sobre a artista

 

Após ter se mudado para São Paulo, em 1986, Lidia Lisbôa trabalhou em ateliê de alta costura e, em 1991, iniciou sua produção artística. Obteve formação de Gravura em Metal pelo Museu Lasar Segall, escultura contemporânea e cerâmica no Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia (MuBE) e no Liceu de Artes e Ofícios. Em 1997, participou da exposição coletiva “Tridimensional”, no Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia (MuBE) e, neste mesmo ano, realizou sua primeira exposição individual no Instituto Goethe, em São Paulo. Em 1998, a artista recebeu o Prêmio Maimeri – 75 anos, concedido pelo Liceu de Artes e Ofícios. Em 2020, Lisbôa expôs no Centro Cultural São Paulo e na 12ª Bienal do Mercosul, em 2021, integrou as exposições coletivas “Enciclopédia Negra”, na Pinacoteca de São Paulo; “Carolina Maria de Jesus: um Brasil para brasileiros”, no Instituto Moreira Salles; e a mostra “A Substância da Terra: O Sertão”, com curadoria de Simon Watson, que ocorreu primeiro no Museu Nacional da República com itinerância na Slag Galery em Nova York.

 

Touch – Regina Silveira

 

Regina - Silveira

 

 

A Galeria Hugo França, Trancoso, Rodovia BA 001 s/n, próximo ao trevo Trancoso/Caraíva, Trancoso, Porto Seguro/BA, apresenta uma instalação em site specific de Regina Silveira que traz marcas de mãos agigantadas e recortadas em vinil ocupando mais de 200 metros quadrados e tem o objetivo de aguçar a percepção do espaço, fazendo as pessoas se questionarem sobre o que está fora de escala: as imagens ou os espectadores.

A emblemática obra, que já passou por São Paulo, Argentina, Alemanha, Curitiba, Rio de Janeiro (Complexo da Maré) e Porto Alegre, chega pela primeira vez à Bahia.

 

Funcionamento normal: Segunda a sábado, das 10h às 17h; domingos, mediante agendamento.

 

Até 13 de março.

Galeria Provisória

12/jan

 

 

Idealizada pela arquiteta Aline Araújo em parceria com o artista plástico Anderson Thives, a Galeria Provisória inaugura, temporariamente – como o próprio nome indica -, em Ipanema, Rio de Janeiro, RJ. Sua efemeridade estabelece uma analogia com os tempos atuais de pandemia. Esta primeira ocupação fará uma retrospectiva de Anderson Thives: cerca de 40 peças abordando mostras realizadas, assim como projetos recentes de novas exposições e instalações. Este trabalho pretende reunir outros artistas que dialoguem com a proposta do espaço.

 

Sobre o artista

 

Anderson Thives trabalha exclusivamente com colagem, sua técnica consiste em juntar milhares de quadrados de papel (em torno de cinco mil recortes por metro quadrado) nas mais variadas cores, tons e tamanhos, retirados de revistas e catálogos para formar as imagens.
Com uma grande influência da Pop Art, o artista cria com seu estilo e gosto pela cultura das imagens, sensibilidade, expressão e impacto formado por uma técnica pouco convencional. Sempre coloridas, alegres e vibrantes, suas obras podem ser vistas em diversos museus e galerias mundo afora. Thives também é representado pela Abraham Art, situada na Holanda, uma das maiores distribuidoras de galerias. Em Paris, depois de trabalhar com duas galerias da cidade luz e fazer a maior art fair na Bastille, em 2015 o artista fixou uma nova galeria que leva seu nome, em Rueil-Malmaison, situada ao lado do Jóquei Clube de Paris. Nos Estados Unidos, fez exibições em San Francisco e Nova York e desde 2016 faz parte do coletivo GAB Gallery, em Wynwood District. Anderson Thives já retratou incontáveis figuras conhecidas do mundo artístico e empresarial.

 

Galeria Provisória

Rua Visconde de Pirajá, 284, Ipanema.

Abertura: dia 13 de janeiro de 2022 às 17 horas.

Sunset ao som do músico Philip Kelley.

De segunda a sábado, das 12h às 19h.

 

Lygia Clark 100 anos, Pinakotheke SP

10/jan

 

 

A Pinakotheke Cultural São Paulo apresenta até o dia 15 de janeiro a histórica exposição “Lygia Clark (1920-1988) 100 anos”, com cerca de 100 trabalhos em sua quase totalidade inéditos para o público brasileiro, selecionados pelo curador Max Perlingeiro, entre pinturas, desenhos, gravuras, bichos, trepantes, obra mole, casulo, objetos relacionais, fotografias e documentos. Considerada pela crítica nacional e internacional como uma das mais relevantes artistas do século 20, Lygia Clark já ganhou exposições em museus prestigiosos como o MoMA de Nova York, e o Museu Guggenheim de Bilbao, Espanha, entre muitas outras instituições.

 

Nesta exposição da Pinakotheke Cultural São Paulo, o público pode ver o desenvolvimento do pensamento da artista ao longo de sua trajetória. A exposição foi feita com colaboração da Associação Cultural Lygia Clark. Dentre as obras nunca exibidas ao público, estão a coleção de “Bichos” pertencente ao crítico inglês Guy Brett, grande amigo de Lygia Clark desde a individual da artista na Signals Gallery, em Londres, em 1965; as obras formais de 1943 a 1952, como a série “Escadas” (1947); os “Objetivos Relacionais” (1968-1973), considerado por muitos seu experimento mais radical; além várias obras das séries “Superfície Modulada” e “Espaço Modulado”.

 

Acompanha a exposição o livro bilíngue (port/ingl) homônimo “Lygia Clark (1920-1988) 100 anos”, 316 páginas, com textos críticos inéditos, imagens e informações sobre as obras, uma seleção da correspondência pessoal entre Lygia e amigos artistas e intelectuais, e uma cronologia resumida atualizada.

 

A exposição traz ainda uma animação do ensaio fotográfico feito por Alécio de Andrade da performance “Arquiteturas biológicas II”, que Lygia Clark criou em 1969 no Hôtel d’Aumont, em Paris. A animação foi feita por Fabrício Marques, e o realejo é de Gabriel Pinheiro.

 

Em dias alternados, o público pode ver os filmes “Memória do corpo” (1984), de Mário Carneiro, 30’, com produção de Solange Padilha e videografia de Waltercio Caldas, que registrou a última proposta desenhada pela artista, a “Estruturação do Self”; e “O mundo de Lygia Clark” (1973), de Eduardo Clark, com direção de fotografia de David Drew Zingg e Antonio Guerreiro, e música de Naná Vasconcelos.

 

Uma sala especial foi montada para exibir a videoinstalação “DSÍ – embodyment” (2021), 8’, três câmeras com três distintos monitores, com registro da performance de Carolyna Aguiar, e direção de Leticia Monte e Ana Vitória. Na videoinstalação, o espectador é convidado a “experienciar estados inaugurais do corpo fragmentário em sua perspectiva pulsante de vida e morte”, explicam Ana Vitória e Leticia Monte. “Aqui o corpo debate-se em constante luta de vir a ser o que se é, desventrando-se e recolhendo-se continuamente em uma incessante dança-luta imemorial, lugar dos vazios-plenos, que Lygia Clark insiste que revisitemos”.
“Lygia Clark (1920-1988) 100 anos” ficará em cartaz na Pinakotheke Cultural São Paulo até o 15 de janeiro de 2022, com entrada gratuita e protocolo anti-Covid.

 

Poéticas de um outro

14/dez

 

 

A BELIZÁRIO Galeria, Pinheiros, São Paulo, SP, abre a mostra coletiva “POÉTICAS de um outro”, com seu time de 17 artistas representados, exibindo 56 trabalhos em diferentes suportes – pinturas, esculturas, objetos, fotografias, desenhos – criando uma unidade visual resultante das vivencias pessoais de cada artista e os processos resultantes das mesmas.

 

A pintura se reposiciona como técnica responsável por trabalhos relevantes, como vem ocorrendo em outros locais, no âmbito da arte contemporânea. Bruno Duque, Celso Orsini, Fernanda Junqueira, Fernando Burjato e Matheus Machado utilizam o suporte com maestria criando telas, ora com paleta de cores diversas ora em p&b, para narrar suas histórias e experiencias. Ao lado delas, as obras resultantes da habilidade manual dos artistas Antônio Pulquério, Deneir Martins, Marc do Nascimento, Marcos Coelho Benjamim, Maxim Malhado e Paulo Nenflidio apresentam trabalhos tridimensionais, expressando seus registros em esculturas e objetos. Os desenhos, com suas delicadezas de linhas e traços, mas não menos assertivos, são de autoria de Elias Muradi, Jean Belmonte, Marco Ribeiro e Rodrigo Rigobello enquanto Juliana Notari e Sara Não Tem Nome optaram pela fotografia como registro de suas performances.

 

“POÉTICAS de um outro” oferece um olhar lateral onde o distinto e o diverso se apresentam em consonância com o todo, narrando histórias pessoais interconectadas através das liberdades de criação, e escolhas narrativas da contemporaneidade permitindo leituras e assimilações pessoais por parte do observador. O universo de cada artista é único. Sua mensagem é sempre pessoal. Orlando Lemos uniu as estrofes dos versos, sensibilizando-se com suas poéticas distintas e redigiu um poema visual uníssono.

 

Até 05 de março de 2022.

 

 

 

MAR por Luiz Martins

13/dez

 

 

 

A Galeria BASE, Jardim Paulista, São Paulo, SP, encerra sua agenda expositiva de 2021 com “MAR”, do artista multimídia Luiz Martins, composta por duas séries: “Vestígios Primários” com trabalhos em técnica de têmpera acrílica e “Mar”, composta por obras inéditas, criadas em nanquim e aguada, em um conjunto de 25 desenhos e pinturas que atestam o comprometimento do artista com questões de sustentabilidade e preservação ambiental. A curadoria é de Ana Paula Lopes.

 

Segundo conceito elaborado pela curadora, “a exposição MAR, na Galeria Base em São Paulo, reúne uma produção que explora uma materialidade pictórica na técnica do desenho e da pintura, compostos por uma rugosidade e um gradil de formas, onde as cores transitam pelo ocre e nas escalas de preto e cinza, que dilatam conceitos etnográficos, antropológicos e políticos de um território marítimo, constituídos por uma fatura linguística e matérica, que são explorados pelo artista.”

 

Dividida em duas partes, a mostra exibe no piso térreo “Vestígios Primários” onde obras com utilização de cores nas quais muitas delas resultam de uma técnica autoral – de têmpera acrílica sobre papel de algodão para alcançar a paleta pictórica pretendida – onde o artista marca a superfície do papel em alusão às cicatrizes deixadas nas peles dos escravos dando origem a formas rupestres. “Luiz une suas origens – negra e indígena – o resultado é um conjunto potente com acabamento refinado e uma técnica única”, explica Daniel Maranhão.

 

Predominam os tons terrosos, porém cores vivas, como amarelo e vermelho, completam a unidade. Trata-se de “Um conjunto de tons de ocre e cor, que se desenvolve a partir de uma simultaneidade entre antropologia e a etnografia rupestre, delineado por uma grafia circular, que tenciona uma aspereza e secura de um cerrado, como se fossem gravuras em rochas”, explica Ana Paula Lopes

 

No andar superior, tem-se a série ‘Mar’ que surge após longo período de gestação criativa. “Mar” nasce em 2016 quando Luiz Martins começa a coletar materiais lançados à praia pelo mar em suas caminhadas pela Praia do Sonho. Conchas, pedra, corais e tantos outros materiais orgânicos são levados ao ateliê e dão início à construção de desenhos “como se assim devolvesse ao mar aquilo que foi lançado por ele”, complementa Maranhão.

 

Segundo Luiz Martins, ao falar sobre os novos trabalhos, comenta: “Série de desenhos na qual faço uma representação dos fragmentos encontrados em caminhadas pelas areias em busca de entender a potencialidade desses elementos deixados pelos mares em longo de sua trajetória, elementos que para mim representam força, energia e fluidos de ligação entre vida contemporânea e ancestralidade”.

 

Esses novos desenhos e pinturas não mostram o óbvio; não são registros de verde e azul, que vem à mente quando se pensa em mar. Ao revés, são imagens em branco e preto, com nuances de cinza. As técnicas escolhidas pelo artista – nanquim e aguada – acrescidas por alguns artifícios como sopro mecânico, mostram-se como fundamentais e precisas para que Luiz Martins alcance o resultado pictórico final por ele explorado.

 

“Mar de Luiz Martins, de águas profundas, quase equiparadas às do oceano, que amalgama uma pluralidade de conceitos e poéticas, expressando outras imagéticas que não associamos quando nos referimos ao mar.” Ana Paula Lopes

 

Sobre o artista

 

Luiz Martins, Machacalis, MG. Luiz Martins tem origem indígena pelo lado paterno, sendo filho de mãe negra. Conviveu com os índios de sua tribo, os Maxacalis até os 17 anos, quando se mudou para São Paulo, para cursar a Faculdade de Belas Artes de São Paulo. Expôs pela primeira vez em 1996, na Fundação Cásper Líbero, com curadoria do Professor Walter Zanini. A partir de então, integrou diversas mostras individuais e coletivas no Brasil e no exterior como Polônia, Lituânia, Dinamarca, Itália, Portugal, Áustria e Japão. Desde 2008 mantém ateliê fixo na cidade de Viena, com o artista venezuelano Gustavo Mendez. Atualmente conta com 3 livros publicados e suas obras fazem parte de Coleções importantes, como a do MAC USP.

 

Abertura: 11 de dezembro – sábado – das 12:00 às 17:00

 

Período: de 13 de dezembro a 05 de fevereiro de 2022.

 

Exposição colaborativa

06/dez

 

 

 

Fortes D’Aloia & Gabriel e Lévy Gorvy, Palm Beach, Fl, USA, anunciam “Nature Loves to Hide”, uma exposição colaborativa que alude às múltiplas formas pelas quais artistas históricos e contemporâneos abordam a natureza e a paisagem. Inspirando-se no mundo natural, os dez artistas presentes na mostra imbuem-se do aforismo do filósofo grego Heráclito – “a natureza gosta de ocultar-se” – contemplando em suas obras as esferas históricas, comunitárias e imaginativas compreendidas pelo gênero da paisagem. Representados pela Lévy Gorvy, Tu Hongtao (n. 1976), Francesco Clemente (n. 1952) e Pat Steir (n. 1938) se concentram em motivos singulares da natureza – a floresta, flores e cachoeiras – para envolver os visitantes em uma contemplação espiritual. As artistas Lucia Laguna (n. 1941), Adriana Varejão (n. 1964), Janaina Tschäpe (n. 1973) e Marina Rheingantz (n. 1983), da Fortes D’Aloia & Gabriel, utilizam-se de diversas tradições de pintura de paisagem para investigar questões culturais e pessoais, recorrendo à abstração como força libertadora de composição, ao mesmo tempo em que retêm traços emblemáticos da figuração. Em contraste, obras de Lucio Fontana (1899 – 1968), Willem de Kooning (1904 – 97) e Yves Klein (1928 – 62), selecionadas pela Lévy Gorvy, e de Rivane Neuenschwander (n. 1967), representada pela Fortes D’Aloia & Gabriel, integram a mostra com trabalhos altamente conceituais que redefinem radicalmente as noções convencionais dos limites do espaço e da terra. Como uma ponte entre o que faz parte do cânone e do que é contemporâneo, “Nature Loves to Hide” oferece uma experiência imersiva e multifacetada da pintura e da paisagem.

 

 

 

 

Tradicional coletiva

 

 

A Galeria Jacques Ardies, Vila Mariana, São Paulo, SP, encerra a temporada de 2021 com a “Grande Coletiva de Arte Naïf” que apresenta trabalhos de 13 artistas brasileiros, e propõe um resgate da produção recente no campo da arte popular nacional, destacando temas da vida cotidiana, experiências pessoais, festas, paisagens campestres e urbanas, além da beleza da natureza.

 

A missão da galeria é incentivar a Arte Naïf brasileira; foram convidados os artistas que resistiram ao desanimo e continuaram pintando apesar das malezas e do desconforto causados pela pandemia. “Esses artistas têm em comum a sutileza com que retratam os temas ligados à natureza e ao dia-a-dia. Usando as cores com habilidade, eles transmitem em cada um de seus quadros a alegria, o lirismo e o otimismo característicos do povo brasileiro”, explica Jacques Ardies, curador da mostra.

 

A chamada Arte Naïf é uma expressão artística que surgiu junto com a eclosão da arte moderna. Os artistas naïfs, na maioria das vezes, não fazem questão de seguir as regras da academia e, por meios próprios, criam uma linguagem pessoal, transmitindo suas experiências de vida. Buscam, com determinação, superar eventuais desafios técnicos, propondo um estilo original, sem compromisso com a perspectiva, e executado com total liberdade.

 

“Grande Coletiva de Arte Naïf”

 

Artistas expositores: Ana Denise, Ana Maria Dias, Cristiano Sidoti, Edivaldo, Enzo Ferrara, Helena Coelho, Isabel de Jesus, Lucia Buccini, Mara D. Toledo, Rodolpho Tamanini Netto, Sônia Furtado e Vanice Ayres Leite.

 

Sobre a galeria

 

A Galeria Jacques Ardies, na Vila Mariana, está sediada em imóvel antigo totalmente restaurado. Desde sua abertura em Agosto de 1979, atua na divulgação e a promoção da arte naif brasileira. Ao longo dos últimos 42 anos, realizou inúmeras exposições tanto em seu espaço como em instituições nacionais e estrangeiras, onde podemos destacar MAC/ Campinas, MAM/ Goiânia, Espace Art 4 – Paris, Espaço Cultural do FMI em Washington DC, USA, Galeria Jacqueline Bricard, França, a Galeria Pro Arte Kasper, Suíça e Gina Gallery, Tel-Aviv, Israel. Em 1998, Jacques Ardies lançou o livro Arte Naif no Brasil com a colaboração do crítico Geraldo Edson de Andrade e em 2003, publicou o livro sobre a vida e obra do artista pernambucano Ivonaldo, com texto do professor e crítico de arte Jorge Anthonio e Silva. Em 2014, publicou Arte Naïf no Brasil II, que acaba de ser impresso em língua francesa, com textos de Daniel Achedjian, Peter Rosenwald, Marcos Rodrigues e Jean-Charles Niel. A galeria possui em seu acervo obras, entre quadros e esculturas, de 80 artistas representativos do movimento da Arte Naif brasileira.

 

Até 22 de Dezembro.