Novo escritório de arte

29/maio

O Gris Escritório de Arte, Pinheiros, São Paulo, SP, dos sócios Bernard Leroux, Frederic Desmaret e Paulo Azeco, inicia suas atividades e inaugura seu espaço com exposição coletiva, composta por desenhos, pinturas, fotografias, gravuras, esculturas e grafites de artistas tanto com trajetória já consolidada quanto por novos talentos.

 

Resultado de uma longa amizade entre seus fundadores, os quais compartilham a mesma paixão pela arte, o Gris Escritório de Arte possui peculiar curadoria de sua coleção – a qual também é formada por itens de acervo pessoal -, guiada pelo olhar aguçado de Bernard, Frederic e Paulo. A proposta deste novo espaço é ser um instrumento de fomentação cultural, com a intenção de revelar artistas emergentes nacionais e internacionais através da apresentação ao mercado, exibição e comercialização de peças.

 

O Gris marca sua entrada no circuito cultural com trabalhos de qualidade, garantida pelo vasto conhecimento adquirido pelos sócios ao longo de suas carreiras em atividades que se complementam com a rigidez do direito internacional, a harmonia da arquitetura e a liberdade criativa do design. Sem se auto-denominar um escritório especializado em determinado tipo de arte, o intuito é manter a diversidade de períodos e estilos entre as obras disponibilizadas.

 

Nomes como Aecio Sarti, Barbara Wagner, Beto Riginik, Jesus Rafael Soto, Norma Grimberg, Sue Elie Andrade Dé, João Balsini. estão entre alguns artistas confirmados para expor no Gris.

 

 

A partir de 31 de maio.

Indicadores de gênero

Encontra-se em circulação e chama-se “Mulheres Gaúchas – Indicadores de Gênero”, a mais recente publicação da Fundação de Economia e Estatística Siegfried Emanuel Heuser, Porto Alegre, RS. A abordagem da publicação anterior constava com reproduções de pinturas de Iberê Camargo. Na edição atual, foi selecionado expressivo grupo de mulheres/artistas como Clara Pechansky, Magliani, Maria Tomaselli e Zorávia Bettiol, trazendo como homenageada especial a pioneira Tarsila do Amaral.

 

O projeto gráfico é de Nara Fogaça. A equipe técnica contou com as pesquisadoras Clitia Helena Backx Martins (coord.), Gabriele dos Anjos, Irene Galeazzi, Marilene Bandeira e Paula Caputo.

 

Na apresentação, a Secretária de Políticas Para as Mulheres do RS, Ariane Leitão, além de destacar as artistas convidadas, sintetiza  o trabalho da seguinte forma: “…Além de abordar a diversidade de temas referentes à situação da mulher no Rio Grande do Sul e no Brasil, que perpassam questões como sua inserção no mundo do trabalho e do conhecimento, este é mais um material enriquecedor, dando-nos subsídios para trabalharmos com a promoção da igualdade, através da garantia dos direitos humanos das meninas e das mulheres gaúchas.”

Richard Serra no Instituto Moreira Salles/Rio

O Instituto Moreira Salles, Gávea, Rio de Janeiro, RJ, apresenta a exposição “Richard Serra: desenhos na casa da Gávea”, composta por 96 obras selecionadas pelo próprio artista. A mostra foi especialmente concebida para o centro cultural do IMS no Rio de Janeiro, a antiga residência do embaixador Walther Moreira Salles (1912-2001), patrono e criador da instituição. Para instalar seus desenhos no local, o artista solicitou a remoção de algumas paredes falsas, construídas sobre as paredes de vidro do projeto original para que o espaço abrigasse exposições. Os desenhos foram escolhidos a partir da escala da casa, “um espaço doméstico”, segundo Serra. Os trabalhos estarão em diálogo direto com o projeto modernista criado pelo arquiteto Olavo Redig de Campos, em 1948. A construção é caracterizada pela transparência, que permite a interação dos interiores com os jardins de autoria de Roberto Burle Marx.

 

Embora Richard Serra seja mais conhecido por suas obras site-specific e por esculturas de grande escala feitas com placas de aço retorcido, o desenho tem sido igualmente importante para ele. No Brasil, o artista apresentará a série de importância histórica “Drawings after Circuit”, 1972, feita a partir da famosa escultura “Circuit”, formada por quatro placas apoiadas e saindo dos cantos de uma sala da Documenta de Kassel, em 1972. Serra explica que os desenhos “registram o que eu vi enquanto me movimentei 360 graus pela sala…Os desenhos são um diagrama da abertura e do fechamento das placas enquanto se caminha entre elas.” Além de “Drawings after Circuit”, a maioria dos cadernos de anotações expostos na antiga biblioteca da casa mostrará esboços feitos durante ou logo depois da instalação de esculturas. O artista nunca faz desenhos preparatórios para uma escultura e considera o ato de desenhar uma atividade totalmente independente do seu trabalho tridimensional.

 

Serão apresentados também desenhos feitos com diferentes materiais e técnicas, incluindo a recente série “Courtauld Transparencies”, apresentada pela primeira vez em 2013 na Courtauld Gallery, em Londres. Serra descreve o processo: “Ocorreu-me que, se eu cobrisse duas folhas de Mylar com crayon derretido e ensanduichasse uma folha limpa no meio, eu poderia capturar minhas marcas dos dois lados da folha limpa”.

 

Para Richard Serra, o desenho sempre foi, antes de tudo, um meio de experimentação privilegiado: “Tenho trabalhado com diversos materiais e em diversas superfícies, mas um princípio básico nunca se altera: o processo sempre é mais importante do que o resultado”.

 

A exposição será acompanhada pelo lançamento do livro “Escritos e entrevistas, 1967-2013”, de Richard Serra, editado pelo Instituto Moreira Salles. O conjunto de textos, em sua maioria inéditos em português, dá ao leitor um panorama das preocupações do artista e do desenvolvimento do seu trabalho nos últimos 40 anos.

 

No dia 17 de julho, o IMS promoverá o lançamento do catálogo da mostra “Richard Serra: desenhos na casa da Gávea”, com fotos de Cristiano Mascaro documentando o período de montagem e a exposição no IMS do Rio de Janeiro.

 

 

 

Sobre o artista

 

Richard Serra nasceu em São Francisco, USA, em 1938. Estudou na Universidade da Califórnia (Berkeley e Santa Bárbara) e na Yale University. Desde 1966, mora em Nova York. Sua primeira exposição individual foi em 1966 na Galeria La Salita, Roma, e, três anos depois, expôs na galeria Castelli Warehouse, Nova York. Sua primeira exposição individual em um museu aconteceu em 1970 no Museu de Pasadena, Califórnia. Desde então, tem participado de várias edições da Documenta em Kassel, Alemanha e da Bienal de Veneza. Seus trabalhos tem sido apresentados em individuais realizadas em museus internacionais como: Museu Stedelijk, Amsterdan, Holanda; Centre Georges Pompidou, Paris, França; Museu de Arte Moderna de Nova York, NY; além de outros museus dos Estados Unidos, na Europa e na América Latina. Em 2005, oito obras em grande escala foram instaladas permanentemente no Museu Guggenheim de Bilbao, Espanha. Entre 2011 e 2012, o Museu Metropolitan de Nova York, o Museu de Arte Moderna de São Francisco, Califórnia, e a Menil Collection, em Houston, Texas, realizaram uma grande retrospectiva de seus desenhos. Em 2013, Serra expôs seus desenhos na Courtauld Gallery, Londres, Inglaterra. Em abril deste ano, o artista instalou uma grande escultura permanente no deserto, na reserva natural de Brouq, no Qatar.

 

 

 

Até 28 de setembro.

 

Encontro: Richard Serra e Michael Kimmelman

No dia 27 de maio, aconteceu um evento aberto ao público, quando Richard Serra conversou com Michael Kimmelman, crítico de arte e arquitetura do The New York Times, sobre a relação entre a arte e a cidade. O evento foi realizado no Teatro Adolpho Bloch (antigo Teatro Manchete), no Rio de Janeiro, abrindo a programação de 2014 do Fórum de Arquitetura e Urbanismo Arq.Futuro.

Arte popular no Solar

Em meio à obra de restauro do Solar Visconde do Rio Seco, Praça Tiradentes, Rio de Janeiro, RJ, sete conjuntos de peças, de diferentes regiões brasileiras, estão agrupadas como instalações, de modo a potencializar sua importância.

 

O percurso começa com uma homenagem ao mestre Nuca, de Pernambuco, e seus leões de Tracunhaém. Provoca um mergulho no universo feminino pela visão sensorial das rendas e bordados do Brasil e das bonecas da Zezinha, mestre artesã do Vale do Jequitinhonha (MG).

 

A caminhada no labirinto de 200 cabeças da Irinéia sugere a passagem pelo país áspero e misterioso da imaginação dessa mulher guerreira, moradora da comunidade quilombola da União dos Palmares, em Alagoas.

 

A planície de flores secas, do grupo Flor do Cerrado Design e Artesanato, de Samambaia (DF), leva à floresta flutuante de 700 Varinhas da Conquista, feitas por famílias da Ilha do Marajó (PA). A travessia dessa floresta descortina as luzes da cidade, através das luminárias de lã de ovelhas criadas pela Associação de Artesãos Ladrilã – núcleo Pedras Altas (RS).

 

A iniciativa é do Sebrae e marca a apresentação do projeto do novo Centro de Referência do Artesanato Brasileiro, que ocupará o conjunto histórico de três prédios centenários na Praça Tiradentes. Coordenação de curadoria de Jair de Souza com a consultoria de José Nemer e Adelia Borges.

 

 

Sobre os artistas

 

Maria José (Zézinha) Gomes da Silva, Turmalina, MG, modelagem e queima de barro

 

Noivas, mães com seus filhos, moças em suas tarefas domésticas. Mulheres idealizadas em suas perfeições estáticas, impecáveis, manifestando o desejo de pureza, integridade e elegância popular. Elas são as bonecas de barro de Zezinha, entre as mais conhecidas cerâmicas do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. Maria José Gomes da Silva, a Zézinha, aprendeu a modelar o barro com seus pais, também ceramistas. Suas bonecas têm um olhar de enigma e, ao longo do tempo, foram ficando ainda mais sofisticadas, com ricos vestidos cheios de detalhes e pequenos adereços. Pura feminilidade pintada com barro rosa claro e branco, e com pigmentos de minérios da região que são aplicados antes da queima no forno a lenha.

 

 

Irinéia Rosa Nunes da Silva, União dos Palmares, AL, cerâmica

 

Foi na comunidade quilombola do Muquém, em Alagoas, que Irinéia Rosa Nunes da Silva começou a modelar o barro. A partir de suas mãos, surgiram figuras humanas, animais e cabeças. Nossas cabeças se juntam às dela, compondo uma verdadeira colagem involuntária em movimento. Quem vê de fora descobre essa potência e identidade. O trabalho sempre é feito com o marido, Antônio Nunes. É ele quem retira o barro das margens do rio Mundaú e pisa na argila até amaciá-la. É então que Irinéia molda as cabeças, que depois irão para os fornos artesanais. O talento do casal é reconhecido no mundo. A artesã já foi indicada ao Prêmio Unesco de Artesanato para a América Latina e o Caribe em 2004 e faz parte do registro do Patrimônio Vivo de Alagoas. As “Cabeças de Irinéia” fazem parte de diversas coleções de arte.

 

 

Nuca e Marcos de Nuca, Tracunhaém, PE, barro cozido

 

Figuras totêmicas, assírias, enigmáticas, assim são os leões do Mestre Nuca. Manoel Borges da Silva nasceu em Nazaré da Mata, em Pernambuco, mas cresceu em Tracunhaém. E foi nesta cidade – em que “o barro ou vira santo, ou vira panela” – que aprendeu, ainda menino, a trabalhar com a argila. Um dia, trabalhando por encomenda, fez surgir do barro um leão. Os caracóis foram ideia de sua mulher e parceira Maria. Mestre Nuca, que em 2005 recebeu o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco, morreu em fevereiro de 2014. Nesta sala, seus leões encontram a companhia dos de seu filho Marcos Borges da Silva, que imortaliza e dá sequência à obra do pai e mestre.

 

 

Até 26 de julho.

Livro de Cristina Schleder na Cultura/SP

28/maio

A Luste Editores lança “Os Tapetes Voadores da Mata Atlântica”, da artista plástica Cristina Schleder, com fotografias autorais que registram texturas, tramas e detalhes de sua inspiração maior – a Natureza. As imagens e espelhamentos de alguns fragmentos possibilitam novos significados à importância e beleza deste ecossistema.

 

Para a criação da série, Cristina Schleder adentrou a área da Mata Atlântica munida de olhos treinados em busca do inusitado, do oculto, e não de uma mera imagem. Em seus momentos preferidos, os pós chuva ou os dias nublados de luz prateada, quando a vegetação atinge seu pico de beleza, a artista vislumbrava detalhes de cores que surgiam em troncos e musgos, criando uma inédita fábula visual formada por fotografias marcantes. Sua imersão era tamanha que encontrava novos personagens, os quais a acolhiam e descortinavam um novo cenário, levando-a a lembrar das estórias em que os seres viajavam em tapetes voadores. Desenhos, formatos, cores e padronagens surgiam diante da artista, leves e harmônicos, que possibilitavam a imaginação de Cristina Schleder alçar vôo.

 

Os Tapetes Voadores da Mata Atlântica não versa apenas sobre o lúdico: também nos permite acesso à precisão da técnica e a conquista da verdade, visto que as formas e tons são exibidos em sua verdade máxima sem interferência ou alteração; o titulo de cada fotografia é o código da própria maquina quando apertado o disparador – sendo que cada imagem é realizada por um único clique, enfatizando a o momento único de cada cena.

 

Nas palavras da própria artista, travestida em uma personagem de contos “…a verdade deste pensamento mágico conseguia levá-la para todos os lugares imaginados, sentada em seu próprio tapete voador que a mata, com seus fios, tramas e bordados, teceu especialmente para ela.” A apresentação é de Tereza de Arruda.

 

Onde e quando: 05 de Junho de 2014, quinta-feira, das 18h às 22h na Livraria Cultura – Shopping Iguatemi, Jardim Paulistano.

Portinari em Paris

É Impossível segurar pelo menos aquela lágrima da emoção pura e visceral do encontro com uma obra de arte única!
Durante a visita intensa à exposição do díptico “Guerra e Paz” de Portinari ao som de Villa-Lobos, o publico é cativado. Lindo de se ver.
A obra majestosa é apresentada em frente a um igualmente gigantesco espelho. O universo do pintor é desvendado nas paredes do Salão Nobre do Grand Palais que se transformou em um Salão da Paz. E todos, todos, todos os visitantes são atenciosamente recebidos por João Cândido, diretor do Projeto Portinari e filho do pintor.

 

 

Texto de Luis Fernando Verissimo

 

Murais

 

No Grand Palais, o espaço de arte de maior prestígio em Paris, foi inaugurada a exposição dos dois murais, “Guerra e Paz”, que Cândido Portinari fez para o interior do prédio das Nações Unidas, em Nova York. Antes de serem doados à ONU, em 1956, os grandes painéis foram exibidos no Brasil, e agora chegam a Paris no início da fase internacional de um projeto de exposição, fora da área restrita do foyer da ONU, que começou com outra turnê pelo Brasil e terminará com sua volta a Nova York em 2015.

 

A obra de Portinari está magnificamente apresentada no Grand Palais, junto com estudos preparatórios para os murais e outros trabalhos do artista, e a solenidade teve a presença do filho de Portinari – que morou durante muito tempo em Paris –, do embaixador do Brasil na França, Bustani, da Marta Suplicy e de outros responsáveis pelo projeto, além de dezenas de brasileiros e simpatizantes orgulhosos.

 

Ninguém mencionou que Portinari não pôde comparecer à inauguração dos seus murais na ONU em 1956 porque era comunista, e os americanos não deixaram ele entrar no país. Me lembrei da história do mural que Nelson Rockefeller encomendou ao mexicano Diego Rivera para o saguão de entrada do Rockefeller Center em Nova York . O mural deveria retratar o avanço da Humanidade através do trabalho e do progresso científico. Rivera foi o escolhido porque era um dos pintores favoritos da mãe de Nelson Rockefeller, que obviamente não informou ao filho quais eram as convicções políticas do mexicano.

 

Pode-se imaginar a cara do Nelson ao ver, no mural pronto, o Lenin de mãos dadas com trabalhadores, simbolizando a união que emanciparia o proletariado mundial da opressão capitalista. Rockefeller pagou ao Rivera, mas mandou pôr abaixo o mural. Não adiantou a oferta do pintor de incluir Abraham Lincoln como emancipador, talvez ao lado de Lenin. O mural foi destruído. Antes da sua destruição,Rivera pediu que o fotografassem.

 
E o reproduziu no México, acrescentando alguns detalhes que não estavam na primeira versão. Como Marx e Trotsky, além de Lenin. E – para completar a vingança – o pai de Nelson, John D. Rockefeller, um notório abstêmio, é retratado como um bêbado, simbolizando a dissolução moral dos ricos.

 

Nelson Rockefeller não desistiu do seu mural. Contratou um tal de José Maria Sert para pintá-lo. O mural continua lá, na entrada do Rockefeller Center. A sua figura principal é o Abraham Lincoln.

 

 

 

(Depoimento da jornalista Rosangela Meletti, de Paris)

 

 

Até 09 de junho. 

O design italiano em exibição no Rio

27/maio

Istituto Europeo di Design faz a inauguração oficial de sua sede no Rio de janeiro, no local onde funcionou o Cassino da Urca (hoje restaurado), e recebe para a exposição de móveis e luminárias da coleção da Fondazione Sartirana Arte, de Pavia, Itália. A curadoria é de Giorgio Forni, presidente da Fondazione Sartirana Arte. A produção é do Istituto Italiano di Cultura.  A mostra, denominada “Protagonistas do Design Italiano”, apresenta mais de 100 peças marca a inauguração oficial do IED Rio, prestando uma homenagem especial a Giotto Stoppino, um dos mais importantes designers italianos, falecido em 2011. Stoppino foi o ícone do dressing home design dos anos 1960 e 1970, e é o criador de 21 obras que compõem a exposição, sendo três delas suas peças emblemáticas: as cadeiras “Alessia” e “Maia” e o sofá “Cavour”. A curadoria é de Giorgio Forni, presidente da Fondazione Sartirana Arte.  “Protagonistas do Design Italiano” reúne criações de Gancarlo Zompi, Enzo Catellani, Marco Lodola, Ferruccio Laviani, Marcelo Pirro, Vico Magistretti, Castigioni & Frattini e Philippe Starck. Estão também na mostra móveis e luminárias desenvolvidos pelas empresas Zanotta, Poggi e Kartell.

 

 

Criatividade e inovação

 

A exposição destaca a excelência do design, como a indústria do móvel optou por peças criativas e inovadoras para mobiliar casas. São dois grandes pensamentos que estão na mostra: a produção da região da Lombardia, de que participaram arquitetos e pesquisadores criativos, e a da Toscana, com escultores que fizeram móveis, diluindo, em meados do século 20, as fronteiras entre arte e design.  Milão, capital do design italiano, tem sua síntese em seu Salão do Móvel (Salonedel Mobile) evento anual, realizado entre março e abril, que apresenta as criações de uma rede, única no mundo, de empresas que desenham e produzem o melhor dos móveis. O design italiano é principalmente reconhecido por ter empresas tradicionais, muito ativas há mais de um século, famosas por sua estreita simbiose entre a excelência no rendimento, a tecnologia industrial e a qualidade dos materiais, muitas vezes incomuns, aliadas à inovação criativa dos arquitetos. O resultado dessa cultura de design tem se convertido em um modelo para toda a indústria internacional. Esta busca de excelência estará na exposição, que vai refletir a filosofia do design italiano, o de impressionar e seduzir o espectador com formas inesperadas com as quais são definidas, de maneira única, as funções de um objeto de uso comum: uma cadeira, uma mesa, um sofá, uma cama, uma fonte de luz… Eficiência e comodidade devem ser garantidas, mas com o valor agregado de uma nova estética, que capture e acenda o desejo naqueles que poderão usá-los.

 

 

 

Sobre o designer homenageado

 

Giotto Stoppino (1926 – 2011), o designer homenageado na mostra “Protagonistas do Design Italiano”, foi um revolucionário do design nas décadas de 1960 e 1970, participou em várias edições da Trienal de Milão, e exibiu suas obras na Itália e no exterior. As cadeiras de Giotto Stoppino que estarão na exposição irão destacar para o público um aspecto notável da atividade de projetos deste autor que marcou, de maneira decisiva, a história do desenho da decoração deste último meio século. “Esta exposição foi concebida a partir da maneira de vestir e de enfeitar as casas onde moram os italianos”, afirma Giorgio Forni, curador e presidente da Fondazione Sartirana Arte . “Escolhemos como recorte da Coleção o melhor do melhor, a ponta do iceberg, pode-se dizer”, conclui.

 

 

De 27 de maio  a 29 de junho.

Babenco apresenta Baccaro em “Deep”.

26/maio

O artista Thomas Baccaro abre exposição individual,  “Deep”, na Galeria Vilanova, Vila Nova Conceição, São Paulo, SP, para a qual contou com um apoio especial: o cineasta Hector Babenco assina o texto de apresentação.  A curadoria é de Bianca Boeckel. Thomas Baccaro apresenta onze  imagens,  realizadas na Itália entre novembro de 2013 a janeiro de 2014.

 

 

Texto de Hector Babenco

 

“Thomas, primeiro e talvez último mergulho no profundo. Vendo estes bucólicos flagrantes do Thomas, a última pergunta que viria não é necessária. Onde esta paisagem dorme? Esta frágil melancolia que este jovem artista deixa seu olho pousar. Melancolia seria uma palavra óbvia. A palavra é PROFUNDO. Há algo nesta neblina que não nos remete ao mar, ao contrário, ela nos deixa na terra. Não na desolação e sim no nascimento e na perenidade assustadora do que é, e de onde viemos… ”

 

 

 

De 27 de maio a 17 de junho.

Bahia, contemporânea Bahia

“Bahia, contemporânea Bahia” é o título da coletiva que a  Roberto Alban Galeria de Arte, Ondina, Salvador, Bahia, apresenta a com curadoria de Marcelo Campos. Esta exposição marca a iniciativa da galeria em apresentar a produção de arte visuais contemporânea na Bahia. “Esta exposição vem em um momento especial, no qual o nosso estado será o centro da arte no país, a 3ª Bienal da Bahia, com abertura prevista para o dia 29 de maio. Visitei diversos ateliês no estado e selecionei oito deles, independentemente de serem jovens artistas ou mais experientes. Esta exposição me conquistou, pois retrata um universo mais amplo em seus diversos elementos de criação”, observa Marcelo Campos. A diversificação da linguagem é um aspecto relevante na  exposição, com posta por pinturas, desenhos, fotografias, esculturas e instalações.

 

Em “Bahia, contemporânea Bahia”, cada artista selecionado traz suas referências. “Almandrade conviveu com Helio Oiticica e Paulo Brusky, Willyams Martins começou a produzir concomitantemente a eventos como a exposição que lançou pintores da Geração 80, Lara Viana estudou na Inglaterra nos centros acadêmicos que formaram Damien Hirst, Josilton Tom conviveu com os modernistas da terra e com os longos anos do importante Salão da Bahia. Március Kaoru pensa a partir da memória familiar, na produção de um nipo descendente em Salvador, Vinícius S.A. expande a apropriação dos objetos domésticos para as grandes instalações e Fábio Magalhães, cuja pintura ativa dissimula possíveis aderências a imagens baianas. Ao mesmo tempo, temos a surpresa de poder contar com um interesse fotográfico, instalativo e performático de Rosa Bunchaft, que faz da fotografia uma experiência imersiva”, afirma Marcelo Campos.

 

“Uma exposição como esta, sendo realizada em uma galeria comercial, serve também para suprir parte das lacunas institucionais, nas quais os museus exibem propostas tradicionais e as galerias abrem-se para ousadas proposições. A produção da arte contemporânea precisa do apoio de espaços como a do Roberto Alban Galeria de Arte, que abre as portas para a disseminação do potencial dos artistas. Estamos aproveitando este momento de efervescência em arte, no qual os olhos do mundo estarão voltados para a Bahia, entre maio e setembro deste ano, para reafirmar nossa proposta de fortalecimento da arte contemporânea”, explicam Roberto e Cristina Alban, proprietários da Roberto Alban Galeria de Arte.

 

O professor Marcelo Campos também fala sobre outra corrente artística: o modernismo. “Torna-se necessário, também, atualizar e rever o modernismo de longa duração que ainda predomina em grande parte do Brasil. Sim, é a hora de pensarmos o contemporâneo, por mais problemático que seja o termo,  para que possamos recodificar materiais e métodos, poéticas e imagens, abrindo caminho para os que se aventuram”, finaliza Marcelo Campos.

 

 

Artistas participantes:

 

Almandrade – Ousou ao ser o primeiro artista contemporâneo da Bahia. Construiu seu trabalho sem ter uma referência local, a partir da década de 1960. Almandrade é um artista que ativa interesses históricos, desenvolve imensamente a materialidade de procedência comum, banal, para pensar mensagens, palavras que se tornam poemas-visuais. Pertencente à geração que usava a arte como palavra de ordem, Almandrade manteve-se atento aos campos semânticos, para além da visualidade, produzindo situações que são, principalmente, jogos de linguagem.

 

Rosa Bunchaft – Premiada em 2013 com projeto participativo envolvendo uma fotografia artesanal da cidade, durante o 13º Salão Nacional de Artes, realizado na cidade de Itajaí-SC, um dos lugares mais interessantes sobre Arte Contemporânea. Rosa observa não somente o que será fotografado, mas seu entorno. Atualiza a imagem, pensando-a temporalmente. Calcula a ampliação da fotografia com seu próprio corpo. Cria longas exposições para que a fotografia funcione não somente como um clique definitivo, mas como possibilidade de alargamento do tempo, da mudança na paisagem, da alteração da luz. Com o uso do pinhole, Rosa cria uma outra configuração, utilizando-se de lugares de observação, frestas, janelas, bastiões, observatórios para criar imagens em amplas metragens lineares. Assim, recodifica o que antes chamávamos de imagem panorâmica.

 

Lara Viana – Baiana, soteropolitana, mas que exporá pela primeira vez em sua terra natal. Morou em Londres e estudou no Royal College of Art, na capital inglesa. A pintura de Lara Viana observa a tradição como sintoma, como mote a ser citado. Assim, vemos estudos refinados de poses, figuras, paletas que ora encontramos no porcelanato palaciano, ora vivenciamos em pinturas do Rococó. O que era imagem, retrato, torna-se fantasma. Sabemos que “fantasmas” são encarnações da própria ideia nuclear da pintura. Com isso, Lara potencializa com grande originalidade uma experiência imagética, ao mesmo tempo, abstrata e fenomenológica.

 

Josilton Tom – Vencedor em 2012 da XI Bienal do Recôncavo na categoria “Prêmio Aquisição”. Trabalha com esculturas em madeira, usando desde a caixa da feira aos mais nobres altares religiosos e salões da sociedade, a madeira pode criar distintas genealogias. Josilton Tom se mostra interessado em toda a amplitude desta matéria: o cheiro, a nobreza, a viralatice. E, assim, se apropria de madeiras novas, usadas, de demolição ou achadas ao relento. Suas peças trazem efeitos brancusianos, simulando partes do corpo, e esquemas como diagramas. De um simples gesto num arame, Josilton cria linhas, segmentos de reta, nós, encontros, observando extensões que se tridimensionalizam como malhas em desenhos quase biológicos.

 

Vinícius S. A. – A observação da luz é um dos mais recorrentes caminhos que a arte problematizou. Vinícius empenha-se nos exercícios de luz e na seleção de materialidades (terras, poeiras, pedras) para propor situações instalativas. Partindo tanto de fatos religiosos (lágrimas) quanto da violência dos panópticos (câmeras de segurança), Vinícius relaciona objetos de descarte e geringonças. Criam-se máquinas e ações do desejo para se chegar ao núcleo das estruturas, como alguém que se interessa por uma estética interna, subcutânea, epitelial. Realizou a exposição “Lágrimas de São Pedro” que percorreu diversas capitais, incluindo Salvador. Ainda neste mês de maio fará uma viagem para os Estados Unidos para uma exposição.

 

Március Kaoru – Evidencia a potência de um artista dedicado ao fazer. Não aquele que prevê lugares de chegada, repetições. Percebem-se imagens de sua ascendência oriental coadunadas com um ar, um espírito entre os brinquedos populares e os altares orientais, herdados de pai para filho. Em outro sentido, o uso do bambu o possibilita pintar, gravar, decalcar situações como se estivéssemos lidando entre modos milenares e os meros excedentes de uma sociedade pós-industrial.

 

Willyams Martins – Pesquisa as peles da arquitetura. A arquitetura é e será cada vez mais a pele dos lugares. Hoje, tornou-se necessário pensarmos a sustentabilidade, o aproveitamento da luz solar, da água das chuvas. E a arquitetura se faz pele. Willyams pensa, antes, que precisamos preservar a beleza do que está gravado, subversivamente, nos muros da cidade, nos cárceres. Fatos que o conferiram a alcova de “ladrão de grafiti”, já que o artista inventara uma técnica de resinar os muros e retirar as marcas. Pensar o muro e suas inscrições, a pintura como pele, faz de Willyams um artista interessado em preservar a memória, roubando aquilo que já nasce fadado a desaparecer.

 

Fábio Magalhães – A pintura de Fábio Magalhães traz uma sedução evidente: a possibilidade de representação figurativa mais aproximada ao realismo fotográfico. Porém, Fábio subverte esta sedução inicial trazendo relações e referências da história da arte coadunadas com observações sobre práticas cotidianas. Como compreensão de tradições brasileiras, Magalhães funciona como um magarefe, personagem destinado a escarnar animais. Ao mesmo tempo, animais escarnados estão na história da pintura, como o Boi de Rembrandt. As pinturas de Fábio criam, potentemente, distintas filiações. Dos memento mori, Magalhães ironiza a certeza da morte com a sedução de um beijo, mas, antes de tudo, com a perplexidade de um ser perante um lago de narciso.

 

 

Sobre a curadoria

 

Marcelo Campos – Professor Adjunto do Departamento de Teoria e História da Arte do Instituto de Artes da UERJ. Professor da Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Doutor em Artes Visuais pelo PPGAV da Escola de Belas Artes/ UFRJ. Desenvolveu tese de doutorado sobre o conceito de brasilidade na arte contemporânea. Possui textos publicados sobre arte brasileira em periódicos e catálogos nacionais e internacionais. Curador das exposições: Laboratório de Artes Visuais do Porto Iracema das Artes, Dragão do Mar, Fortaleza, 2014. Elisa de Magalhães: Nenhuma Ilha, no Oi Futuro, Ipanema, Rio de Janeiro, 2013; Co-Curadoria junto com Paulo Herkenhoff da XVII UNIFOR Plástica, Fortaleza 2013; Crer em fantasmas, coletiva com Daniel Lannes, Fábio Baroli, Fábio Magalhães, Flávio Araújo, Thiago Martins de Melo, Caixa Cultural, Brasília, 2013; de Trajetórias: arte brasileira na Coleção Fundação Edson Queiroz, Espaço cultural UNIFOR, Fortaleza, 2013.

 

 

Sobre a 3ª Bienal da Bahia

 

Após uma lacuna de 46 anos, tempo decorrido desde o fechamento da 2ª Bienal de Artes Plásticas pelo regime militar, o Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA), junto com a Secretaria de Cultura do Estado (SECULT-BA), lança a 3ª Bienal da Bahia, que acontecerá entre os dias 29 de maio e 07 de setembro de 2014. Com uma programação que se estende por 100 dias, a  Bienal apresenta ao público exposições, ciclos de cinema, performances, atividades educativas e conversas públicas, envolvendo cerca de 150 artistas e 200 obras espalhadas por  Salvador e outras 9 cidades do interior baiano.

 

 

 

De 28 de maio a 12 de julho.