Fernando Lindote no MAR

27/nov

Por meio da trajetória de Fernando Lindote, a exposição “Fernando Lindote: trair Macunaíma e avacalhar o Papagaio”, com cerca de 180 obras explora o constante procedimento mórfico experimentado pelo artista. As distorções, deformações e transformações que compõem o processo da permanente metamorfose das linguagens estão presentes em toda a trajetória de Fernando Lindote. Com curadoria de Paulo Herkenhoff e cocuradoria de Clarissa Diniz e Leno Veras, a exposição, composta por quatro núcleos, traz desenhos, ilustrações, pinturas e esculturas do acervo e autoria de Lindote – incluindo obras criadas exclusivamente para a exposição no MAR – e também assinadas por outros artistas, como J. Carlos, Albert Eckhout, Victor Brecheret, Maria Martins, Glauco Rodrigues, Rivane Neueschwander além de obras, objetos, impressos e documentos.

 

O ponto de partida da mostra é o início da experiência de Lindote como aluno do cartunista Renato Canini – principal ilustrador brasileiro do Zé Carioca, o papagaio da Disney. A ave com as cores do Brasil – criada em 1942, quando os Estados Unidos buscavam ampliar o poder simbólico de políticas culturais e de diplomacia com a América do Sul – foi muito importante na carreira de Lindote e permeia até hoje sua obra, sendo constantemente revisitada e reinventada, assim como outros personagens estrangeiros com forte entrada na América Latina. As operações mórficas realizadas por Lindote no papagaio – e também por outros nomes – realizam um diálogo com o imaginário constituído desde a chegada do Europeu em nosso continente, o que originou alegorias da América, simbologias do Brasil e representações do Rio de Janeiro. A obra do artista que nomeia a exposição aponta a profunda relação da arte brasileira com a iconografia estrangeira que sempre debruçou seu olhar sobre a natureza tropical.

 

O primeiro núcleo apresenta o início da trajetória de Fernando Lindote nas artes focando na relação entre o artista e Renato Canini. Para contextualizar, a exposição também traz ilustrações de nomes como J. Carlos, Rivane Neueschwander, Glauco, Cláudio Tozzi, assim como exemplares de gibis do Zé Carioca, revista Cacique e O Pasquim. A segunda parte foca na biodiversidade presente nas representações da natureza dos trópicos, tendo o papagaio como um dos símbolos nacionais. O núcleo mostra as relações entre os imaginários dos nativos e dos colonizadores em relação à biodiversidade com obras de Lindote, Francisca Manuela Valadão, Albert Eckhout, Sérgio Allevato, Milton Guran, Ana Miguel e porcelanas Art Déco.

 

O terceiro módulo é composto por um grande número de obras produzidas por Lindote nos anos 1990 e 2015, principalmente, e que abordam a operação mórfica como procedimento plástico do artista, formador de um universo composto por escorrimentos e viscosidades. Completam esta terceira parte trechos do filme Saludos, amigos (Disney, 1948). A construção do imaginário da diversidade cultural através de representações do Rio de Janeiro conceitua o último núcleo. As obras aqui – além de bibelôs, cartões postais, tecidos, fotografias e personagens ícones do Rio e do Brasil – discutem o modo como a cidade foi usada na era das culturas de massa, consolidando-a como um espaço reconhecido internacionalmente por sua capacidade de configurar símbolos plásticos e gráficos.

 

A mostra “Fernando Lindote: trair Macunaíma e avacalhar o Papagaio” ocupará o térreo do Pavilhão de Exposições do MAR. Para marcar a abertura, às 11h acontece a Conversa de Galeria com a participação de Fernando Lindote, Paulo Herkenhoff, Clarissa Diniz e Leno Veras.

 

 

De 1º de dezembro a 24 de abril de 2016.

Prêmio CCBB Contemporâneo

24/nov

Contemplada com o Prêmio CCBB Contemporâneo, Carla Chaim inaugurou a mostra “Colapso da Onda”, CCBB Rio de Janeiro, Centro, Rio de Janeiro, RJ, com uma instalação de grande dimensão, criada especificamente para o espaço expositivo, e um livro de artista, de formato intimista, também inédito. Em comum entre os dois está o grafite em pó.

 

A instalação, que tem o mesmo título da individual, ocupa 80 m² e é construída com pó de grafite. A artista determinou metade da sala para “desenhar” no piso um retângulo que, girado 5º sobre seu eixo central, faz parte da forma subir a parede. Sobre a área delimitada, Carla polvilha manualmente 50 quilos de pó de grafite com uma peneira caseira. Já para aplicar o material na parede, a artista inventou uma técnica com compressor para pulverizar e fixar o grafite.

 

A arquitetura da sala faz parte da obra, sendo suporte da instalação, e o espectador experimenta um diálogo com o trabalho, que muda de feição virtualmente, dependendo da posição do visitante.

 

– O grafite em pó sugere uma matéria constituída de milhões de pontos que se unem e se transformam em um plano homogêneo, se tornando objeto, palpável, um desenho no espaço”, descreve a artista.

 

A pesquisa de Carla Chaim amplia o campo do desenho para além de traços sobre o papel. As questões do desenho são levadas para vídeos e instalações. Em “Colapso da Onda, o grafite, elemento corriqueiro e universal para desenhar, não é usado para traçar linhas ou delinear formas. Reduzido a pó, o grafite deixa de ser ferramenta para existir como matéria pura que preenche uma superfície determinada. O resultado é uma forma densa e opaca.

 

O segundo trabalho da exposição é um livro-obra, intitulado “Multiverso”, de 60 páginas, em que o pó de grafite é aplicado com algodão sobre as folhas dobradas aleatoriamente – as dobraduras diferem em cada uma. Ao serem abertas, as páginas revelam composições variadas. O original foi escaneado e impresso em offset, com tiragem de 500 exemplares, que serão distribuídos ao público. No período da mostra, haverá livros para o visitante manusear.

 

O crítico carioca Fernando Cocchiarale sugere, no texto de apresentação, que é bom descartar leituras estritamente formais da obra de Carla, favorecidas pela geometrização de parte de seus trabalhos. Os projetos da artista não estão a serviço da invenção formal, mas da formulação espacial de campos de experiência”. Cocchiarale propõe ainda um possível pano de fundo para a produção da artista: “o das poéticas de resistência à espetacularização que permeia a lógica do mercado.”

 

 

Sobre a artista

 

Carla Chaim, nasceu em São Paulo, SP, 1983 cidade onde vive e trabalha. É bacharel em Artes Plásticas pela FAAP – Fundação Armando Álvares Penteado, onde também fez pós-graduação em História da Arte. Entre os prêmios que recebeu, estão: Prêmio CCBB Contemporâneo, e o Prêmio FOCO Bradesco ArtRio, ambos em 2015, Prêmio Funarte de Arte Contemporânea [SP] e Prêmio Energias na Arte, no Instituto Tomie Ohtake [SP], onde participou também das exposições “Os primeiros dez anos”, 2011, e “Correspondências”, 2013. A artista fez residências artísticas em Arteles, Finlândia, 2013; Halka Sanat Projesi, Turquia, 2012; The Banff Centre for the Arts, Canadá, 2010. Em 2014, fez a individual “Pesar do Peso”, na Galeria Raquel Arnaud, SP, e “Norte”, em Lisboa, no Carpe Diem Arte e Pesquisa, e participou das coletivas “Afinidades”, no Instituto Tomie Ohtake e “Entre dois Mundos”, no Museu Afro-Brasil, SP. Carla tem obras nas coleções Ella Fontanals-Cisneros, Miami, EUA, Museu de Arte do Rio – MAR, RJ, e Ministério das Relações Exteriores, Itamaraty, Brasília.

 

 

Sobre Prêmio CCBB Contemporâneo 2015-2016

 

Em 2014, pela primeira vez, o Banco do Brasil incluiu no edital anual do Centro Cultural Banco do Brasil um prêmio para as artes visuais. É o Prêmio CCBB Contemporâneo, patrocinado pela BB Seguridade, que contemplou 10 projetos de exposição, selecionados entre 1.823 inscritos de todo o país, para ocupar a Sala A do CCBB Rio de Janeiro. O Prêmio é um desdobramento do projeto Sala A Contemporânea, que surgiu de um desejo da instituição em sedimentar a Sala A como um espaço para a arte contemporânea brasileira. Idealizado pelo CCBB em parceria com o produtor Mauro Saraiva, o projeto Sala A Contemporânea realizou 15 individuais de artistas ascendentes de várias regiões do país entre 2010 e 2013. A série de dez individuais inéditas, começou com o grupo  Chelpa Ferro (Luiz Zerbini, Barrão e Sergio Mekler), seguido das mostras de Fernando Limberger (RS-SP), Vicente de Mello (SP-RJ) e Jaime Lauriano (SP). Depois da de Carla Chaim (SP), vêm as de Ricardo Villa (SP), Flávia Bertinato (MG-SP), Alan Borges (MG), Ana Hupe (RJ) e Floriano Romano (RJ), até julho de 2016. Entre 2010 e 2013, o projeto que precedeu o Prêmio, realizou na Sala A Contemporânea exposições de Mariana Manhães, Matheus Rocha Pitta, Ana Holck, Tatiana Blass, Thiago Rocha Pitta, Marilá Dardot, José Rufino, do coletivo Opavivará, Gisela Motta&Leandro Lima, Fernando Lindote, da dupla Daniel Acosta e Daniel Murgel, Cinthia Marcelle, e a coletiva, sob curadoria de Clarissa Diniz.

 

 

Até 04 de janeiro de 2016.

Olhares femininos

23/nov

As fotógrafas Ana Araújo, Eliária Andrade, Evelyn Ruman, Luciana Whitaker, Luludi Melo, Márcia Zoet, Marlene Bergamo, Mônica Zarattini e Nair Benedicto inauguraram a exposição “Se me vejo, me veem”, na Galeria eg2o, na cidade de Paraty, Rio de Janeiro, RJ. A mostra propõe uma discussão sobre a violência contra a mulher, sendo que cada artista aborda o tema em suas diversas manifestações, gerando como resultado um quadro multifacetado de denúncias, esclarecimentos e sensibilizações.

 

Profissionais atuantes e respeitadas, mulheres atentas ao dia-a-dia. Cidadãs responsáveis. Com o lema “olhares de mulheres sobre uma questão de mulheres”, as nove fotógrafas se reúnem para aliar arte à luta contra uma triste realidade: o Brasil está em quinto lugar no ranking mundial de ocorrências de crimes contra a mulher. São agressões físicas, morais, sexuais e psicológicas, sustentadas pelas relações desiguais entre os gêneros. Desigualdade entranhada em nossa sociedade desde a sua formação, e no inconsciente da maioria dos brasileiros. Neste sentido, “Se me vejo, me veem” busca apresentar trabalhos que dialogam com o tema proposto, em um ambiente de liberdade na curadoria e expografia de cada trabalho das fotógrafas, as quais terão uma área individual e específica para mostrar e “denunciar” os aspectos deste assunto. Os suportes são diversificados, mas a imagem, crua e real, é a protagonista.

 

Ana Araújo retrata “Marias Marcadas pela Violência em Recife”. Sua cidade natal, onde reside e trabalha até o presente, segundo o mapa da violência 2012, é a sexta colocada no ranking de feminicídios do Brasil: “Aqui em Pernambuco irei documentar as mulheres sobreviventes, que ficaram marcadas física e emocionalmente por essa terrível cultura de violência contra a mulher”, define a artista.

 

“Para Onde Ir?”, de Eliária Andrade, mostra uma mulher que vive no abrigo Casa de Marta e Maria, espaço que oferece acolhimento para pessoas em situação de vulnerabilidade social, vindas das mais variadas situações de violência vivenciadas nas famílias e nas ruas, com histórico de abandono e maus tratos.

 

“Autoimagem” foi o tema escolhido por Evelyn Ruman, que em registros de um caso da vida real, aplica uma metodologia de intervenção social, por meio da fotografia que desenvolve há 27 anos. “A interferência artística do fotografado em seu próprio retrato amplia a percepção de sua identidade e estimula a recuperação da autoestima”, explica a autora.

 

Luciana Whitaker, com “Cesarianas Desnecessárias”, busca provocar uma reflexão sobre o polêmico assunto. Em sua opinião: “Procedimento feito sem necessidade, apenas com objetivos comerciais, coloca em risco a vida da mulher e do bebê”. Neste ensaio, as cicatrizes contam a história.

 

Luludi Melo, em “Maternidade – Mulheres com Deficiência”, discute a violência “duplamente qualificada” que sofre a mulher portadora de necessidades especiais.

 

Um pequeno recorte do projeto nacional que desenvolveu em parceria com o Museu da Pessoa para o projeto ViraVida – uma iniciativa do SESI na recuperação de crianças e adolescentes em situação de risco –, “Meninas e Adolescentes” é o aspecto levantado por Márcia Zoet. De acordo com a fotógrafa: “o quadro mostra a fragilidade da vitima, que sofreu durante 10 anos abuso paterno”. Um tema autoexplicativo é a escolha da fotógrafa Marlene Bergamo – “BANG BANG”. Imagens fortes que são retratos de fatos diários, hoje corriqueiros mas não menos cruéis, onde a morte é a ocorrência final. “Parto humanizado…?” é a discussão proposta por Mônica Zarattini, com destaque para a situação de uma mulher que, encaminhada para um hospital universitário na hora do parto, é submetida a procedimentos e recebe medicamentos desnecessários (como uma cobaia dos alunos).

 

Nair Benedicto participa com o vídeo “Não quero ser a próxima”, uma realização conjunta do Grupo Maria Bonita com a Agência F.4, sendo as integrantes Cecília Simonetti, Lais Tapajós, Nair Benedicto, Silvia Cavasin e Vera Simonetti. Produzido em 1985, versa sobre mulheres espancadas ou assassinadas pelos maridos ou companheiros. As fotografias são das entrevistadas e dos eventos públicos sobre o assunto, resultado das pesquisas em jornais e revistas.

 

 

Citando palavras das participantes do projeto Se me vejo, me veem: “Qualquer iniciativa que esclareça e contribua para que mulheres vítimas de violência reconheçam sua situação e percam a vergonha de pedir ajuda é válida, assim como para que a sociedade esteja alerta e consciente da seriedade da questão”.

 

 

Até 06 de janeiro de 2016.

Oi Futuro Ipanema apresenta

17/nov

O Oi Futuro Ipanema, Rio de Janeiro, RJ, apresenta, a partir de 21 de novembro, a exposição “Encontros Carbônicos 2015 – Futuro em disputa”, com 25 trabalhos dos artistas Andrea Hvistendahl, Cinthia Marcelle, Daniel Steegmann Mangrané, Tiago Mata Machado, Maíra das Neves & Pedro Victor Brandão, Marina Fraga, Pedro Urano, Milton Machado, Paulo Paes, Simone Cortezão e Rodrigo Amarante, este último também músico e compositor. Em dezembro, nos dias 12 e 13, a galeria receberá sessões interativas da obra “Our Move”, da artista sueca Andrea Hvistendahl, um jogo de tabuleiro em que os participantes organizam um mapeamento de agentes, relações de poder e territórios a partir de assuntos importantes para a sociedade. Cada peça posicionada no tabuleiro exige que se estabeleça um consenso entre os participantes e esta negociação é o próprio jogo.

 

Também em dezembro, de 18 a 20, será realizado um ciclo de conversas públicas sobre o futuro com os artistas Milton Machado, Louise Ganz e Ines Linke, o climatologista Alexandre Araújo Costa, o filósofo Rodrigo Nunes, a arquiteta Margareth Pereira, a professora Ivana Bentes, a curadora e crítica Daniela Labra, entre outros pesquisadores. Os curadores e organizadores de “Encontros Carbônicos” são Marina Fraga e Pedro Urano, artistas e editores da revista online de arte e ciência “Carbono”.

 

“A exposição reunirá obras inéditas e outras que serão revisitadas dentro de um novo contexto. Mais do que um culto ao novo, o que nos interessa é colocar obras, ideias e autores em relação”, afirmam os curadores Marina Fraga e Pedro Urano. Eles acrescentam que os encontros de dezembro buscam discutir “perspectivas sobre o futuro, e as formas de disputá-lo no presente, investigando eixos como previsões/provisões, utopia/distopia, construção/destruição, projeto/arbitrariedade, na direção da imaginação de novos modos de existência”.

 

O projeto é patrocinado pela Oi, Governo do Rio de Janeiro, Secretaria de Estado de Cultura, Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Rio de Janeiro. Com apoio cultural do Oi Futuro.

 

 

Artistas e obras da exposição

 

Da artista Cinthia Marcelle, estarão na exposição os vídeos “Leitmotiv”(2011) e “O Século”(2011, 9’37”), realizado em parceria com Tiago Mata Machado. No primeiro, uma área vazia é recoberta, em alguns instantes, por correntes de água vindas de todos os lados. No segundo, vemos uma rua, e, a seguir, objetos voam de uma extremidade à outra, sem que se veja quem os arremessa. O mesmo passa a ocorrer do outro lado da tela, até que toda a paisagem, antes vazia, está coberta de entulho e fumaça.

 

Do artista Daniel Steegmann Mangrané serão apresentadas doze fotografias da série “Novos Estudos” (2013), sobre o aumento do desmatamento, e a instalação sonora “Surucuá, Teque‐teque, Arara” (2013), onde são escutados sons gravados na mata atlântica brasileira, que são serão interrompidos abruptamente, deixando o ouvinte com o som do espaço expositivo.

 

Da dupla Maíra das Neves & Pedro Victor Brandão será apresentada a escultura “Gigante minerador”(2014), uma máquina de mineração de criptomoedas, parte integrante da estrutura financeira criada pelos artistas, onde o fundo gerado pela máquina éutilizado por determinada comunidade para investir em projetos comuns. Também da dupla de artistas estará a série de fotografias “Formação da Supercélula”(2014), uma sequência fotográfica 3D em três partes: uma narrativa visual sobre a  invocação, a ação e os rastros de Thurisaz – o gigante do raio, da ruptura e da revolução – em um bosque, e ainda o vídeo“þ(thorn)”(2014), que será exibido no Teatro do Oi Futuro Ipanema.

 

Marina Fraga e Pedro Urano mostrarão a escultura “Tempo-fóssil” (Ampulheta de Betume), de 2015, uma ampulheta feita artesanalmente de vidro e madeira, e com betume no seu interior. Nela, a viscosidade do betume, resíduo final do petróleo, aponta para outra escala de tempo. Pedro Urano também apresentaráum díptico de 2015, “Sem título”, com duas fotografias justapostas que revelam o interior de um túnel. Em uma delas não há um fim visível. Na outra, épossível enxergar uma pequena abertura.

 

Do artista Milton Machado estarão duas fotografias (1990) das esculturas “Módulo de Destruição na Posição Alfa” e “Nômade”, que registram essas peças instaladas e expostas no Museo Civico Gibellina, na Sicília, Itália, em 1990. As esculturas partem de personagens conceituais da série “História do Futuro”, narrativa que trata de um sistema de pontes gigantescas de modo a reconstituir, artificial e progressivamente, a Pangeia, o continente único separado por cataclismos no período Cambriano. Seráexibido também o livro “História do Futuro”(2012), que reúne o processo do trabalho ilustrado com esboços, desenhos, textos, e imagens de instalações e exposições desenvolvidas pelo artista desde 1978. Com textos do autor, da psicanalista e crítica de arte Tania Rivera e do historiador da arte Guilherme Bueno, o livro apresenta um mundo imaginário e seus habitantes, personagens conceituais.

 

Do artista Paulo Paes estará a obra “Fisália Virgem” (2015) uma escultura composta por objetos de plástico descartados pelo consumo urbano e materiais naturais, que aguarda sua imersão no mar para, ao interagir com o meio, atrair e fixar vida marinha e assim consolidar um local com alta atividade biológica.

 

O músico e compositor Rodrigo Amarante expõe o filme musical “Mon Nom” (2015), realizado em animação, em que apresenta dois personagens caminhando por paisagens desérticas feitas a partir de colagens do artista. O vídeo é parte de uma série de filmes musicais do álbum “Cavalo”, criados e dirigidos por Rodrigo, em colaboração com outros artistas.

 

A artista Simone Cortezão produziu o vídeo “Subsolos” (2015) e apresenta uma versão inédita para a exposição, em que mostra o crescimento de uma cava de mineração que, cotidianamente, leva embora toda uma montanha atéoutros continentes.

 

 

Jogo interativo

 

No dias 12 e 13 de dezembro, o público será convidado a participar de sessões do jogo de tabuleiro interativo “Our Move (OM)”, 2011, conduzido pela sua criadora, a artista sueca Andrea Hvistendahl, na galeria Oi Futuro em Ipanema. O consenso entre os participantes é um aspecto fundamental do jogo: todos devem concordar sobre o posicionamento de cada peça. O objetivo do jogo é instaurar este processo de fomento de diálogos. Os participantes determinam um assunto, um lugar e contexto – um problema que envolve pessoas ou uma situação real. A partir das discussões, os jogadores definem os grupos de agentes envolvidos na situação e dispõem no tabuleiro as peças – feitas em acrílico colorido – que têm significados como: conhecimento, medo, violência, muros, pontes de comunicação, dinheiro, status, entre outros. As peças foram projetadas para gerar diferentes associações visuais e permitem um mapeamento das relações entre os grupos envolvidos no assunto debatido. “A obra ‘Our Move’ promove um mapeamento visual e material de situações complexas. Ao fomentar o diálogo e a construção de consensos, o jogo se revela um instrumento precioso para a disputa do futuro.”, observam os curadores. “Jogar o “Our Move” é, em geral, transformador: ele tensiona pré-conceitos, explicitando premissas tácitas econvidando cada participante a ouvir o outro, na direção não da mera tolerância, mas do desenvolvimento de uma espécie de ‘xenofilia’, para usar um conceito desenvolvido pelo artista dinamarquês Olafur Eliasson, ou seja, de um amor pela diferença, o oposto da xenofobia. O jogo revela um mundo aberto à fricção.”.

 

CONVERSAS ABERTAS – PROGRAMAÇÃO

DIA 18 DE DEZEMBRO, ÀS 19H

Imaginar o futuro

 

Daniela Labra – Curadora de artes visuais e crítica de arte, doutora em História e Crítica da Arte pela PPGAV EBA/UFRJ. Pesquisadora pós-doutoranda na ECO/UFRJ com o projeto ‘Depois do Futuro: Ruínas e reinvenções da Modernidade nas artes contemporâneas’.

Rodrigo Nunes –Filósofo –Doutor pelo Goldsmiths College (University of London) em Filosofia Moderna, Filosofia Continental Contemporânea, Metafísica e Filosofia Política, Filosofia e a Questão Ambiental.

Alexandre Araújo – Climatologista. Bacharel em Física pela Universidade Federal do Ceará (1992), Mestre em Física pela Universidade Federal do Ceará(1995), Doutor em Ciências Atmosféricas pela Colorado State University (2000), com Pós-Doutorados pela Universidade Federal do Ceará(2000-2001) e pela Universidade de Yale (2004-2005).

 

 

DIA 19 DE DEZEMBRO, ÀS 19H

Utopia/ distopia: construção e destruição, projeto e arbitrariedade

 

Margareth Pereira – Arquiteta, com graduação em Arquitetura e Urbanismo pela FAU-UFRJ (1978), graduação em Urbanismo pela Universitéde Paris VIII (1979), DEA em Etudes Urbaines (1984) e Doutorado (1988) pela Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales (1984). Realizou seu pos-doutorado na França (no Institut d’Urbanisme de Paris e na Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales) e na Inglaterra (Centre for Urban History da University of Leicester) em 2004.

Milton Machado – Artista, professor de história da arte da EBA/UFRJ, arquiteto-urbanista, formado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (FAU/UFRJ). É Mestre em planejamento urbano e regional pela UFRJ (1985) e Doutor em artes visuais pelo Goldsmiths College University of London (2000).Terceiro palestrante a confirmar

 

DIA 20 DE DEZEMBRO, ÀS 19H

Outros modos de existência

 

Ivana Bentes – Professora da Escola de Comunicação da UFRJ. Pesquisadora em Comunicação, cultura e política com mestrado e doutorado pela UFRJ. Atual Secretária de Cidadania e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura.É curadora na área de arte e mídia, cinema, audiovisual.Thislandyourland – dupla de artistas. Desenvolvem trabalhos em diversas mídias que relacionam arte, natureza e cidade. Em seu projeto “Thislandyourland”, trabalham questões em torno dos usos e do acesso à terra e realizam imagens que possibilitam pensar outros modos de vida.

 

Louise Ganz é artista visual, arquiteta, professora naEscola Guignard – UEMG e doutoranda na EBA-UFRJ.

 

Ines Link é artista visual, cenógrafa, professora da Universidade Federal de São João del Rei (MG) e doutora pela EBA-UFMG.

 

Paulo Petersen – Engenheiro agrônomo. Coordenadorexecutivoda AS-PTA- Agricultura Familiar e Agroecologia e vice-presidente da Associação Brasileira de Agroecologia. Engenheiro agrônomo formado pela Universidade Federal de Viçosa e Mestre em Agroecologia e Desenvolvimento Rural pela Universidade Internacional de Andaluzia. Integra o Fórum Permanente de Agroecologia da Embrapa e a Comissão Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica, órgão vinculado à Secretaria Geral da Presidência da República. Atua como editor da revista Agriculturas: experiência sem agroecologia e é membro do conselho editorial da Revista Brasileira de Agroecologia e da Agroecology and Sustainable Food Systems.

 

 

CARBONO – REVISTA ONLINE DE ARTE E CIÊNCIA

 

Fruto da vontade de reunir pesquisas, práticas e perspectivas interdisciplinares sobre o mundo, a revista online Carbono foi criada em 2012, já tendo produzido oito edições. No ano passado, seus editores, os artistas Marina Fraga e Pedro Urano, quiseram materializar os diálogos promovidos pela revista, e daísurgiu o projeto Encontros Carbônicos, pensado para realizar, junto ao público, esta experiência transdisciplinar. Nessa direção, “deslocamos a discussão do ambiente acadêmico para uma exposição de arte”, afirmam. “Obras de arte nos afetam sensorial e intelectualmente, muitas vezes instaurando uma realidade que diverge da racionalidade em que estamos acostumados a localizar o pensamento. Abre-se, então, uma fresta para novas idéias”.

 

 

De 20 de novembro a 20 de dezembro.

Janeiro.

EAV Parque Lage/ livro 40 anos

A Escola de Artes Visuais do Parque Lage promove dia 18 de novembro de 2015, às 19h, o lançamento do livro “O que é uma escola livre?” (Oca Lage e Editora Cobogó, 2015), uma compilação de mais de cem depoimentos escritos especialmente a convite da diretora da instituição, Lisette Lagnado. A publicação reúne mais de cem depoimentos de artistas, críticos, poetas, pensadores, professores, estudantes, curadores e dirigentes de instituições no Brasil e no exterior, que responderam à pergunta: “O que é uma escola livre?” Na noite de lançamento haverá leitura de trechos do livro, projeções no Palacete de imagens históricas, a cargo da artista Tina Velho e seus alunos do Núcleo de Arte e Tecnologia da EAV, em sincronia com obra sonora de Franz Manata e Saulo Laudares.  

 

“Como celebrar os quarenta anos de uma das instituições mais cultuadas da cidade por seu compromisso com a redemocratização do país e a emergência de novos valores?”, indaga Lisette Lagnado no texto de apresentação. “Este modesto livro se propõe a interrogar o futuro de uma escola de arte consagrada por uns e outros como ‘lugar anárquico’ ou espaço para trocas, ‘jardim da oposição’ e invenção de percursos, espaço mítico de experiência e formação de plateias”, explica. “Longe de pretender ser exaustivo, procurou-se dar voz às múltiplas e contraditórias expectativas em torno da missão de uma escola de arte no século 21”. Lisette Lagnado conta que os depoimentos poderiam ter até trezentas palavras, serem “uma única frase, ou ainda virem na forma de uma imagem”. “A publicação contemplou professores fundadores e atuais, ex-diretores, ex-alunos e estudantes em vias de formação, além de artistas e figuras públicas que tenham passado pela EAV ou se dediquem à difusão da arte e da cultura”, destaca.

 

Marcio Botner, presidente da Oca Lage, organização social que administra a Escola, instituição pertencente à Secretaria Estadual de Cultura, diz que a EAV Parque Lage “é o Taj Mahal da cultura”. “Foi um presente de amor de Henrique Lage para sua mulher, a cantora lírica Gabriella Besanzoni”, e que seria “importante conhecermos o passado e entendermos o presente para darmos um salto para o futuro. Isto é que é liberdade!”. Para a elaboração do livro, Lisette Lagnado coordenou uma comissão editorial integrada por Fernando Cocchiarale, Helio Eichbauer e Roberto Conduru (que formam a Comissão de Ensino da Escola), Marcio Botner, e Marcelo Campos, coordenador do Memória Lage, projeto selecionado pelo Edital Petrobras 2012, que reuniu, catalogou e digitalizou cinco mil documentos do acervo da EAV Parque Lage. “O que é uma escola livre?” integra uma série de atividades em torno das comemorações dos 40 anos da Escola de Artes Visuais do Parque Lage.

 

 

Sobre a EAV Parque Lage

 

Fundada em 1975 pelo artista  Rubens Gerchman (1942-2008), que a dirigiu até 1979, a EAV Parque Lage é uma referência no país pela liberdade criativa e seu caráter pluridisciplinar, e também está intimamente ligada à cidade do Rio de Janeiro, por suas atividades artísticas e culturais. Foi cenário de emblemáticos filmes do Cinema Novo, como “Terra em Transe” (1967), de Glauber Rocha, e “Macunaíma” (1969), de Joaquim Pedro de Andrade, e ainda de “O homem do Rio” (1964), de Philippe de Broca, com Jean-Paul Belmondo e Ariane Mnouchkine. A Escola de Artes Visuais do Parque Lage ocupa uma área de cerca de 175 mil metros quadrados, à beira da Floresta da Tijuca, e aos pés do Corcovado, e tanto sua área verde, com variedade de espécies da Mata Atlântica, como seu conjunto arquitetônico, são tombados como patrimônio paisagístico, ambiental e cultural pelo IPHAN. Seu Palacete-sede foi construído em 1924 pelo empresário Henrique Lage para sua mulher, a cantora lírica Gabriella Besanzoni (Roma, 1888-1962), e o casal se notabilizou pelas festas e saraus que ofereciam à sociedade da época.

 

 

Sobre a Cpobog

 

Criada em 2008, a Editora Cobogó é especializada na publicação de livros sobre arte e cultura contemporâneas. Entre os diversos títulos lançados estão livros de Andy Warhol (A filosofia de Andy Warhol  e Popismo), Hans Ulrich Obrist (Hans Ulrich Obrist – Entrevistas vols. 1 a 6, Caminhos da Curadoria); Ariane Mnouchkine (A arte do presente);  John Cage (De segunda a um ano);  Merce Cunningham (O dançarino e a dança), além das coleções Dramaturgia, com importantes textos do teatro contemporâneo brasileiro e internacional, e O Livro do Disco, que mergulha no universo de álbuns emblemáticos da história da música brasileira e internacional. Em artes visuais, o catálogo da editora inclui as monografias bilíngues dos artistas brasileiros contemporâneos Adriana Varejão, Erika Verzutti, Nuno Ramos, Efrain Almeida, Rivane Neuenschwander, Paulo Nazareth, Laura Lima, Rodrigo Andrade, Luiz Braga, Alexandre da Cunha e Paulo Monteiro, entre outros. Além disso, também foram publicados os panoramas Pintura Brasileira séc. XXI, Desdobramentos da Pintura Brasileira séc. XXI, Fotografia na Arte Brasileira séc. XXI e Outras Fotografias na Arte Brasileira séc. XXI.

 

“TRANS” mostra de Victor Arruda

10/nov

Na exposição “TRANS”, individual de Victor Arruda na Artur Fidalgo galeria, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ, serão exibidas onze pinturas realizadas entre 2014 e 2015. Victor Arruda retrabalha algumas das imagens mais recorrentes em sua produção desde a década de 70, motivado por seu interesse pela psicanálise.

 

Segundo o artista: “Escolhi o título “TRANS” porque tem tudo a ver com minha ATITUDE e com palavras e/ou CONCEITOS que muito me interessam no momento: TRANSVALORAÇÃO, TRANSVIAR. TRANSVERSAL, TRANSPOR, TRANSPARÊNCIA, TRANSMISSÃO, e – last but not least – TRANSVANGUARDA & TRANSGÊNERO…”.

 

 

A palavra do artista

 

Venho há algum tempo refletindo a respeito das imagens recorrentes em meu trabalho. Objetos, (revólver, chave, buraco de fechadura, cigarro, faca, sapatos, maços de dinheiro, etc) partes de corpos que surgem, muitas vezes desconectados, decepados (olho, seio, pênis, cabeça, mão, braço, o coração “anatômico”…), situações envolvendo sexo e abuso de poder financeiro (como nas pinturas “Salário Mais Justo”, “Dr. Jorginho”, “As Vítimas (que se fodam)” ou atitudes hipócritas (tanto nas questões pessoais “O Anjo de Irajá”, “O homófobo Ingênuo”, como sociais ” Cena Carioca”). Sem falar dos “abismos”, série em que as repetições reafirmam o sentido das obras. Tenho pensado muito a respeito de como e por que razão volto aos mesmos signos, às mesmas cenas, situações… Seriam fixações neurótica e/ou tentativas – inconscientes – de escapar delas?   Há uma teoria – freudiana – sobre sonhos recorrentes em pessoas que sofreram grandes traumas. Talvez algo semelhante ocorra na arte (pelo menos no caso de alguns artistas, como eu…). Mesmo que em situações muito menos graves – mas sérias o suficiente para causar perturbações.

 

Sou um artista contemporâneo e minha produção está ligada não apenas ao conhecimento da história da arte, que é o meu principal interesse intelectual, mas também à psicanálise. Faço análise psicanalítica há muitos, muitos anos, e também leio bastante a respeito. Tenho assistido, como ouvinte, a muitos cursos e palestras, e alguns psicanalistas têm escrito textos sobre minhas pinturas, etc.

 

Essa PERMEABILIDADE tem sido importante e fértil para mim, e é nela que me apoio para aprofundar minha curiosidade a respeito das repetições obsessivas que percebo em meu trabalho. É por acreditar profundamente que esse constante retorno tem influenciado no meu processo de amadurecimento e de transformação que resolvi criar esta nova série de pinturas, onde as imagens se repetem, mais uma e outra vez, iguais ou como se vistas em seu próprio espelho. No meu próprio espelho (de Alice, obviamente). E, espero, se reflitam no espelho próprio de cada um que as olhe.

 

 

De 11 de novembro a 11 de dezembro.

No studio 512

O Studio 512, Jardim Botânico, Rio de Janeiro, RJ, exibe “Por acaso…”, exposição individual de fotos dos anos 70 assinadas por Chico Mascarenhas. Inicia sua carreira de fotógrafo em 1970 como free lancer da revista Manchete em Portugal e, a partir de 1971, integra a equipe da sucursal da revista em Paris, até 1975. Neste ano cobre a Revolução dos Cravos para a agência Sipa Press. De volta ao Rio em 1976, trabalha novamente como fotógrafo free lancer para diversas publicações, dedicando-se também à fotografia de Arquitetura. Em 1981, deixa a fotografia profissional e funda o restaurante Guimas. A curadoria é de Milton Guran.

 

 

Dias 12, 13 e 14 de novembro.

Sete artistas na Anita Schwartz

04/nov

Anita Schwartz Galeria de Arte, Gávea, Rio de Janeiro, RJ, inaugura a exposição “Silêncio impuro”, com 16 obras dos artistas Artur Lescher, Cadu, Carla Guagliardi, Nuno Ramos, Otavio Schipper, Tatiana Blass e Waltercio Caldas. Com curadoria de Felipe Scovino, serão apresentadas esculturas, instalações, fotografias e vídeos, onde “o som é um índice, pois as obras operam com o seu lado negativo no qual ele (som) é silenciado. O que existe, ou melhor, aquilo que se expande pelo espaço é a imagem do som, isto é, as mais distintas suposições que podemos ter sobre qual som poderia ser ouvido se finalmente aquilo que o impede (uma amarra, uma solda, ou ainda o livre entendimento de que a obra possa ser compreendida também como uma partitura) fosse revelado ou reinterpretado”, explica o curador.

 

Da artista Carla Guagliardi estarão as esculturas “O lugar do ar” (2015), e “Partitura” (2012), em que “tudo parece ruir ou estar prestes a desabar, mas por outro lado as obras evidenciam uma dinâmica que é própria da natureza do som: querem o ar”, diz o curador, que vê uma ligação direta desses trabalhos com as fotografias da série “Partitura” (2010), de Artur Lescher: “Estão lá o ruído, o som, a música, mas acima de tudo o silêncio como vibração”. Ele vê esta mesma ligação com o trabalho “Hemisférios” (2015), de Cadu, onde “a condição de partitura também se faz presente”. Esta situação é semelhante à obra da série “Pagão” (2010), de Nuno Ramos, em que objetos musicais estão fixados no meio de uma pedra-sabão. Também estará na exposição o relevo sobre papel “Für Elise” (2006), de Cadu. Da artista Tatiana Blass estará o vídeo “Metade da fala no chão – Piano surdo” (2010), no qual o piano é coberto por uma mistura de cera e vaselina que vai impedindo, progressivamente, que ele produza sons. Já a instalação “Lá dentro” (2010), de Waltercio Caldas, feita com aço inox, granito, vinil e fios de lã. “Como os intervalos de uma partitura, ele constrói silêncios, dita ritmos, auxilia na compreensão da vibração”. Do artista Otavio Schipper estarão quatro trabalhos em bronze da série “Empty Voices” (2011). “A obra de Schipper, em especial, assim como a de Guagliardi, pertencem ao ar, porque é nesse lugar que se constrói uma superfície vibrátil, virtual e potente. As obras da exposição revelam uma potência sem igual: um inesperado sussurro que não para de vibrar em suas estruturas”, diz o curador.

 

 

Até 06 de fevereiro de 2016.

Comunicado Casa Daros

30/out

A Coleção Daros Latinamerica, sediada em Zurique, Suíça, informa que o imóvel neoclássico localizado em Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro, que abriga desde 2006 a Casa Daros, será vendido para o grupo Eleva Educação.

 

Até 13 de dezembro de 2015, a Casa Daros segue com sua programação normal, de quarta a domingo, com as exposições “Cuba – Ficción y fantasia” e “Nada Absolutamente Nada”, o Cine Daros, as atividades de arte e educação, e o restaurante-café Mira!

 

 

Histórico  

 

Comprado no início de 2006 pela Daros Latinamerica, uma empresa de sociedade anônima, o prédio projetado por Francisco Joaquim Bethencourt da Silva (1831-1912) passou por uma monumental e minuciosa obra de restauro e modernização. Construído em 1866 para ser um internato, o prédio tem mais de 11 mil metros quadrados em dois pavimentos, em um terreno de 12 mil metros quadrados, com pátios internos e um jardim frontal de palmeiras imperiais.

 

A educação sempre foi um dos pilares do projeto Casa Daros, e ao decidir encerrar as atividades deste espaço, a Coleção Daros Latinamerica tinha como meta encontrar uma instituição dentro da área de cultura ou educação que zelasse pelo patrimônio arquitetônico tão cuidadosamente restaurado. E encontrou no grupo Eleva Educação este compromisso.  As duas instituições formalizaram a venda do imóvel, que passará efetivamente para as mãos do grupo brasileiro, sediado na cidade do Rio de Janeiro, em fevereiro de 2016.

 

Inaugurada em março de 2013, a Casa Daros realizou emblemáticas exposições com  obras da Coleção Daros Latinamerica, como “Cantos Cuentos Colombianos”, “Le Parc Lumière – Obras cinéticas de Julio Le Parc”, “Fabian Marcaccio – Paintant Stories”, “Ilusões”, “Made in Brasil”, e “Cuba – Ficción y fantasia”, em cartaz. Além dessas, foram realizadas mais de quinze outras mostras, assim como numerosas performances, conversas abertas com artistas, oficinas e encontros criativos, entre outras atividades, recebendo até o momento um público de 270 mil pessoas.

 

A partir de 2016, a Coleção Daros Latinamerica se dedicará, exclusivamente, a dar visibilidade à excelência de suas 1.200 obras – de mais de 120 artistas nascidos ou que vivem na América Latina –, por meio de exposições em importantes museus e espaços de arte, em todo o mundo.

 

 

Sobre a Eleva Educação

 

Controladora de uma rede que oferece educação de excelência a mais de 25 mil alunos nas escolas que opera, e a outros 30 mil, por meio de sua plataforma de ensino, a Eleva é uma empresa do grupo Gera Venture Capital, focado 100% em educação. Desde a criação do Gera, Jorge Paulo Lemann é atuante em seu Conselho, como parte da sua crença de longo prazo no avanço da educação no Brasil. Com a compra do imóvel, a Eleva Educação assume com a população da cidade do Rio de Janeiro o compromisso de manter uma das suas mais belas edificações, com a garantia de futuro para a histórica tradição do espaço com a educação.

Desenhos e bronzes

29/out

O artista e escultor mineiro Leo Santana estreia na Galeria Scenarium, Centro Antigo, Rio de Janeiro, RJ, a exposição “Do Outro Lado do Desenho”. Mundialmente conhecido por sua obra “Drummond no Calçadão”, instalada desde 2002 em Copacabana, o artista escolheu o Rio de Janeiro como ponto de partida para apresentar a diversidade da sua obra em uma nova trajetória.

 

Em 25 anos de criação, a escultura em bronze tem sido a manifestação principal do seu trabalho em diversos espaços públicos do Brasil e do exterior. Eternizadas em bronze, figuras importantes das artes e da história brasileiras foram homenageadas pela contribuição inestimável que deram à nossa cultura. A principal característica das esculturas em bronze de Leo Santana, figuradas em tamanho natural, é o fato de se relacionarem no mesmo nível do chão, sem pedestal, com o público circundante. Talvez por isso, Drummond no Calçadão seja, atualmente, um dos monumentos públicos mais visitados, fotografados e abraçados do Rio de Janeiro.

 

Na obra de Leo Santana, a vivência do tridimensional amadureceu e ele vem encontrando, em sua trajetória criativa, “grande satisfação em experimentar o outro lado do objeto desenhado”.  Para essa nova exposição, serão apresentadas peças em bronze, de dimensões variadas, que dialogam com desenhos especialmente criados a partir da observação do artista destas mesmas esculturas. Do outro lado do desenho está o vulto pleno, a tridimensionalidade, o movimento. O jogo entre claro e escuro, presente tanto no desenho quanto nas esculturas, será explorado em toda a exposição. “Os volumes são feitos de claros e escuros. No desenho, o artista desenha a sombra. Na escultura, a sombra surge pelo volume criado pelo artista. Essa inversão do processo, de criar desenhos utilizando esculturas como modelos, poderá ser percebida pelo público durante a exposição”, explica o artista. Ao todo, estarão expostos na Galeria 16 desenhos e 28 esculturas em bronze, algumas delas com o tamanho quase real de uma pessoa.

 

O histórico casarão do século XIX, totalmente restaurado e situado no coração do Rio Antigo, foi escolhido por Leo Santana para expor suas obras em razão da riqueza de contrastes presentes no lugar. A Galeria Scenarium é um espaço multicultural.

 

 

De 27 de outubro a 21 de novembro.