Coletiva na Galeria Laura Marsiaj

22/jan

A Galeria Laura Marsiaj, Ipanema, Rio de Janeiro, RJ, apresenta a exposição coletiva “JUNTOS, APOLO e DIONISIO”, sob a curadoria da crítica de arte Ligia Canongia. A curadoria elencou os seguintes artistas (em ordem alfabética): Angelo Venosa, Antonio Dias, Daniel Senise, Fábio Miguez, José Damasceno, José Resende, Kilian Glasner, Laura Vinci, Marcos Chaves, Paulo Pasta e Paulo Vivacqua. A proposta da curadoria foi reunir artistas que fundem a bipolaridade entre as formas apolíneas e as dionisíacas, isto é, aquelas que primam pela definição de uma estrutura precisa e aquelas que carregam uma pulsão mais vital e romântica.

 

 

A palavra da curadora

 

“Essa tensão bipolar sempre esteve enraizada na civilização ocidental, como uma esquizofrenia crônica, gerando programas artísticos que pendiam ora para a grade matemática, ora para a prática mágica ou orgíaca.”

 

“A ideia da exposição é exatamente revelar como os artistas contemporâneos romperam essa dicotomia, fundindo os dois polos de sua oposição, e imiscuindo a energia dionisíaca no seio mesmo do equilíbrio apolíneo.”

 

“Os artistas escolhidos parecem impermeáveis às dicotomias que nortearam a tradição histórica da arte, propondo obras que entrelaçam o cogito com as experiências sensoriais, na busca de espacialidades mais complexas e dissonantes.”

 

 

De 28 de janeiro a 13 de março.

 

José Patrício na Chácara do Céu

13/jan

O Museu da Chácara do Céu, Santa Teresa, Rio de Janeiro, RJ, exibe a última edição do projeto Os Amigos da Gravura. Desta vez os trabalhos apresentados são do artista José Patrício e convidam o público a um mergulho em sua obra recente. José Patrício criou especialmente para Os Amigos da Gravura a obra “Vertigo”, cujo título remete a um dos mais famosos filmes de Alfred Hitchcock, no Brasil chamado “Um corpo que cai”, e conduz o olhar do expectador a um labirinto ao revés, um efeito inventado por Hitchcock que simula uma espécie de vertigem, na época chamado de contra zoom. Patrício também vai mostrar a série “Afinidades Cromáticas”,  de 2012, que será exposta pela primeira vez no Rio. São sete trabalhos nos quais o artista utiliza botões coloridos costurados sobre tela.

 

Segundo o crítico Paulo Sérgio Duarte “se nos detivermos nas Afinidades cromáticas somos levados à memória do jogo numérico de trabalhos anteriores de José Patrício com os dominós. Aqui o protagonista do jogo é mais prosaico e lidamos com ele todos os dias: o botão. Os botões são vários nos tamanhos e nas cores, mas nunca grandes demais, são comuns. Todo botão espera uma casa para cumprir sua função: abotoar, manter presas duas superfícies de tecido. Mas aqui sua utilidade está banida. Costurados na superfície com regularidade geométrica constituem uma multidão aprisionada, cada indivíduo em seu lugar, para se transformarem em superfície de uma obra de arte. O resultado é evidente, estão presos para nos prender, nos deter na trama vertiginosa de suas sutis variações de forma e cor. Na sua banalidade de coisa comum, juntos se erguem e se emancipam na “coisa” arte.”

 

As obras de Patrício se caracterizam pela preocupação com a forma e, ao mesmo tempo, pelos resultados inesperados de suas composições geometricamente organizadas.  O artista já trabalhou anteriormente com papel, produzido artesanalmente, ainda no início de sua trajetória, depois passou a explorar objetos prontos, feitos em série, passando para os dominós, até chegar aos botões de Afinidades Cromáticas. A exposição ocupa as duas salas expositivas do 3º andar do museu. A tiragem limitada da gravura “Vertigo” está sendo vendida na loja do próprio museu.

 

 

Sobre o projeto Os Amigos da Gravura

 

Raymundo de Castro Maya criou a Sociedade dos Amigos da Gravura no Rio de Janeiro em 1948. Na década de 1950 vivenciava-se um grande entusiasmo pelas iniciativas de democratização e popularização da arte, sendo a gravura encarada como peça fundamental a serviço da comunicação pela imagem. Ela estava ligada também à valorização da ilustração que agora deixava um patamar de expressão banal para alcançar status de obra de arte. A associação dos Amigos da Gravura, idealizada por Castro Maya, funcionou entre os anos 1953-1957. Os artistas selecionados eram convidados a criar uma obra inédita com tiragem limitada a 100 exemplares, distribuídos entre os sócios subscritores e algumas instituições interessadas. Na época foram editadas gravuras de Henrique Oswald, Fayga Ostrower, Enrico Bianco, Oswaldo Goeldi, Percy Lau, Darel Valença Lins, entre outros. Em 1992 os Museus Castro Maya retomaram a iniciativa de seu patrono e passaram a imprimir pranchas inéditas de artistas contemporâneos, resgatando assim a proposta inicial de estímulo e valorização da produção artística brasileira e da técnica da gravura. Este desafio enriqueceu sua programação cultural e possibilitou a incorporação da arte brasileira contemporânea às coleções deixadas por seu idealizador. A cada ano, três artistas plásticos são convidados a participar do projeto com uma gravura inédita. A matriz e um exemplar são incorporados ao acervo dos Museus e a tiragem de cada gravura é limitada a 50 exemplares. A gravura é lançada na ocasião da inauguração de uma exposição temporária do artista no Museu da Chácara do Céu. Neste período já participaram 44 artistas, entre eles Iberê Camargo, Roberto Magalhães, Antonio Dias, Tomie Ohtake, Daniel Senise, Emmanuel Nassar, Carlos Zílio, Beatriz Milhazes e Waltercio Caldas.

 

 

Sobre o artista

 

José Patrício nasceu em Recife, Pernambuco, em 1960, onde vive e trabalha até hoje. Quando jovem, estudou na Escolinha de Arte do Recife. Mais tarde, graduou-se em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Pernambuco. Já participou de diversas bienais, como a 22ª Bienal de São Paulo, São Paulo, SP, 1994; a 3ª Bienal de Artes Visuais do Mercosul, em Porto Alegre, RS, 2001; e a 8ª Bienal de Havana, Cuba, 2003. Suas mais recentes mostras individuais são: “A espiral e o labirinto”, Galeria Nara Roesler, São Paulo, SP, 2012; “José Patrício: o Número”, Caixa Cultural, Rio de Janeiro e no Centro Cultural Banco do Nordeste, Fortaleza, CE, 2010; “Expansão múltipla”, Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo, SP, 2008; e “Connections”, no Pharos Centre for Contemporary Art, Nicosia, Chipre, 2008. José Patrício é representado pela Galeria Nara Roesler, São Paulo, desde o ano 2000. Em 2013, tornou-se artista convidado a participar do projeto Amigos da Gravura no Museu da Chácara do Céu – Museus Castro Maya.

 

Até 10 de março.

Antonio Manuel no MAM-Rio

06/jan

O MAM-Rio, Parque do Flamengo, Centro, Rio de Janeiro, RJ, apresenta 21 obras de Antonio Manuel. Radicado no Brasil desde a infância, o artista português construiu aqui uma carreira marcada pela versatilidade: já enveredou por pintura, gravura, escultura, vídeo, desenho, performance. Essa multiplicidade de interesses se reflete na individual no MAM. Logo na entrada, assoma a recriação de um trabalho de 1998, “Ocupações/Descobrimentos”, formado por três grandes paredes de tijolos com um buraco em cada uma, convidando a uma espiada. Há uma inevitável sugestão de diálogo entre essa criação e uma série de bonitas pinturas em que Antonio Manuel faz furos na tela. Há ainda produções em técnica mista, um óleo sobre tecido e um vídeo, mas o que chama mesmo atenção são as instalações penetráveis a exemplo de “Fantasmas”, um cômodo repleto de pedaços de carvão suspensos por fios, dando a impressão de que estão flutuando.

 

 

A formação e o desenvolvimento da obra de Antonio Manuel se deram em estreita relação com o Museu de Arte Moderna. Há mais de 15 anos sem uma exposição institucional na cidade, trazê-lo agora ao museu é uma espécie de compromisso simbólico: com a sua própria história e com a arte brasileira. Não se trata de uma exposição retrospectiva, sua orientação não é para o passado, mas focada na atualidade de sua produção, tendo em vista articulações com o que já foi e projeções em direção ao que ainda está por vir. Acima de tudo, esta exposição aposta na coerência poética de uma produção múltipla e diversificada. O conceito de polifonia, extraído da teoria literária -significando uma multiplicidade de vozes agindo no interior de um mesmo romance – parece-me interessante para pensarmos a obra de Antonio Manuel. Nela percebemos muitas entonações afetivas e plásticas intensificando-se sem se fragmentarem. Nada menos apropriado para lidar com sua trajetória do que separá-la em duas fases: a político-performativa e a pictórico-formal. A opção em articular a exposição através das instalações foi para evidenciar o quanto o pensamento da forma reverbera na realidade, na vida, sendo esta disseminação sempre política: pelo que diz e pelo que silencia.

 

 

A relação cromática dos “muros” com a paleta solar e mondrianesca de muitas pinturas, a ação de quebrá-los, a explicitação do tijolo, o movimento do corpo ao atravessá-lo, tudo fala de uma experiência ampliada no espaço: do museu e da cidade. As faces marcadas dos presos de “semiótica” e os carvões pendurados no “fantasma” são cicatrizes de uma mesma crise social em momentos históricos distintos. A forma flutuante a as cores primárias dos “frutos do espaço” se projetam para dentro e para fora dos planos chapados na superfície das telas. O líquido que pinga sobre a imagem, apagando a informação, contaminando-a, deslocando-a, liga esta última e inédita instalação aos “flans” do final dos anos 1960. Enfim, uma obra em movimento que segue atualizando-se enquanto exercício experimental de liberdade: como afirmou Pedrosa na noite de 1970 em que Antonio Manuel, neste mesmo museu, transformou corpo em obra. Uma espécie de síntese da máxima construtiva de que menos é mais.

 

 
Até 16 de fevereiro.

 

 

Homenagem Monumental

17/dez

Iole de Freitas dedica a Anna Maria Niemeyer escultura que integra o novo prédio da Fundação Getúlio Vargas, Botafogo, Rio de Janeiro, RJ. Iole de Freitas está entre os três artistas plásticos que a Fundação Getúlio Vargas convidou para criar obras especificamente para o novo prédio: um círculo de aço gigante, várias linhas que se agitam em torno e dão a impressão de quase ricochetear, mas se desviam em direções impossíveis e abraçam as igualmente gigantescas lâminas de policarbonato transparente.  A dança que se produz no ar, de impactante beleza, dá o tom de “Sopro” – obra de Iole de Freitas que, com sua impressionante monumentalidade, escala a arquitetura da Torre Oscar Niemeyer, o novíssimo prédio-sede da Fundação Getúlio Vargas, na Praia de Botafogo. Obra e edifício serão inaugurados no dia 16 de dezembro, às 12 horas.

 

“Sopro”, começa a descrever sua trajetória a uma altura de 2,5 m do chão.  A escultura de 9m x 9m está posicionada na entrada da Torre, em frente ao Auditório. Numa placa afixada à obra, a dedicatória a Anna Maria Niemeyer reflete os longos anos de amizade entre a artista e a galerista, recentemente falecida. Um toque de delicadeza que brilha no edifício que leva o nome de seu pai, o arquiteto Oscar Niemeyer, autor do projeto do conjunto arquitetônico. A inauguração da escultura e da Torre Oscar Niemeyer, o novo prédio da Fundação Getúlio Vargas, ocorreu no dia 16 de dezembro.

Tomie Ohtake no Rio

13/dez

O Centro Cultural Correios, Centro, Rio de Janeiro, RJ, exibe a exposição “Correspondências”, mostra organizada pelo Instituto Tomie Ohtake, que faz parte das comemorações do centenário da artista e conta com obras de sua produção desde 1956 até 2013, além de trabalhos de artistas contemporâneos. Com curadoria de Agnaldo Farias e Paulo Miyada, a homenagem em forma de mostra aproxima o trabalho de Tomie Ohtake de outros artistas através de interesses em comum, como o gesto, a cor e a textura, e o modo como cada um deles lida com essas características. A partir daí, revelam-se temas e sensações inesperados, tanto na obra de Tomie, como na de seus interlocutores. “Partindo do gesto, por exemplo, somos conduzidos pelas linhas curvas das esculturas de aço pintado de branco de Ohtake, que atravessam o espaço e lhe imprimem movimento, as quais se encontram com a linha inefável dos desenhos Waltercio Caldas e a linha espacial composta pelo acúmulo de notas de dinheiro de Jac Leirner”, ressaltam os curadores.

 

Agnaldo Farias e Paulo Miyada destacam também que a curvatura do gesto das mãos de Tomie anuncia-se nos indícios da circularidade presentes em suas primeiras telas abstratas produzidas na década de 1950 e culmina no círculo completo e na espiral, formas recorrentes nas últimas três décadas de sua produção. Esse percurso é apresentado em companhia de obras que extravasam o interesse construtivo da forma circular, como nas obras de Lia Chaia, Carla Chaim e Cadu. Uma vez que se forma o círculo, discute-se a cor, pele que corporifica toda a produção de Tomie Ohtake e que é fundamental aos artistas que são apresentados nesse grupo. “De contrastes improváveis a variáveis que demonstram a profundidade latente em um simples quadro monocromático, exemplos de pinturas dos anos 1970, figuram lado a lado com obras recentes de Tomie e com telas de especial sutileza na produção de artistas como Paulo Pasta e Dudi Maia Rosa”. Segundo eles, em Tomie, a cor é sempre realizada por meio da textura e da materialidade da imagem, que foi deixada a nu em suas “pinturas cegas” do final da década de 1950 e, desde então, nunca se recolheu, mesmo em telas feitas com delicadas camadas de tinta acrílica.

 

Complementa o pensamento dos curadores a tese de que há uma longa linha de experimentos que desfazem a ilusão da neutralidade do suporte da imagem pictórica, a qual se inicia muito antes das colagens cubistas e possui um momento decisivo nas iniciativas que ousaram liberar-se do verniz em parte de algumas pinturas realizadas no século XIX. “Essa linha de experimentos tem em Tomie uma pesquisadora aplicada, que pode reunir em torno de si figuras tão distintas como Flavio-Shiró, Arcangelo Ianelli, Oscar Niemeyer, Daniel Steegmann Mangrané e Carlos Fajardo”.  A exposição conta com 84 obras, sendo 28 de Tomie Ohtake e mais: Adriano Costa, Angela Detanico & Rafael Lain, Bartolomeu Gelpi, Carmela Gross, Cildo Meireles, Claudia Andujar, Cristiano Mascaro, Fabio Miguez, Israel Pedrosa, Karin Lambrecht,  Kimi Nii, Leda Catunda, Luiz Paulo Baravelli, Maria Laet, Nélson Félix, Nicolas Robbio, Paulo Pasta, Sergio Sister, Tiago Judas e Tony Camargo.

 

 

De 18 de dezembro até 09 de fevereiro de 2014.

Iole de Freitas em novo livro

09/dez

No dia 12 de dezembro, às 18h, Iole de Freitas lança o livro “Para que servem as paredes do museu?”, que documenta sua atuação na Casa Daros,  quando participou do“Programa de residência de pesquisa”, entre 2011 e 2013. O lançamento acontece na própria Casa Daros, Botafogo, Rio de Janeiro, RJ.

 

Com essa obra, a artista conclui uma etapa de seu questionamento “Para que servem as paredes do museu?”, que continuará a provocar reflexões e novas obras. A pesquisa envolveu a criação de uma obra gigantesca em meio à instabilidade da restauração da casa, em 2011, quando teve de trabalhar em condições “fugazes e temporárias”, para usar uma expressão da própria artista.

 

– No livro está o cerne de todo o trabalho realizado para a pesquisa na Casa Daros – comemora a artista. Na pesquisa, a ideia central foi acompanhar o processo de transformação do edifício, e projetar “utopias para lugares que estão mudando, junto com as ideias”, aponta Eugenio Valdés Figueroa, diretor de arte e educação da Casa Daros.

 

O livro também traz imagens da grande instalação de 100 metros quadrados criada pela artista para a inauguração da Casa Daros, em 2013, além de desenhos, maquetes, esboços e protótipos que nunca foram exibidos na sua totalidade, embasados por um texto que resume o processo: – Foram seis cadernos com anotações e esboços desse trabalho, conta a artista.

 

Uma entrevista de Iole de Freitas com Eugenio Valdés Figueroa é outro acréscimo importante. Os dois falam sobre as fases do projeto e o relacionam com momentos anteriores da obra da artista.

 

– Quero deixar claro que este não é um livro-catálogo, acrescenta Iole. Ao lado da “invasão” de ondas verdes (de policarbonato) há desenhos super delicados. São verdadeiros esboços de arquiteturas impossíveis, revela.

 

Confeccionado em três tipos de papel, o livro tem 104 páginas.

A arte sonora de Floriano Romano

03/dez

A Galeria Laura Alvim, Ipanema, Rio de Janeiro, RJ, exibe sob a curadoria de Glória Ferreira, “Sonar”, exposição individual do artista carioca Floriano Romano. São oito instalações sonoras, das quais seis inéditas, e 14 desenhos. Floriano Romano é um precursor em obras que combinam instalação, performance e som. Seu programa ‘Oinusitado’, na Rádio Madame Satã, entre 2002 e 2004, na Lapa, RJ, foi considerado excepcional em termos de artes visuais, música e poesia. Ele teve propostas sonoras transmitidas pela Rádio WKCR, Columbia, NY, 2004; Rádio Student, Liubliana, Eslovênia, 2006; Rádio Ressonance FM, Londres, 2008 e Rádio MEC/FM, RJ, entre 2005 e 2007.

 

A exposição “Sonar”, segundo Floriano Romano, é “toda baseada em ruído”. Cabe definir ruído para as artes, com um trecho do texto do folder da mostra, assinado pela curadora: “A palavra ruído, no senso comum, significa barulho, som ou poluição sonora não desejada. Adquire, porém, outros significados em diversas áreas. (…). Para Romano, além do aspecto político, por estar à margem e ser, assim, expressão desordenada, ‘o ruído é a expressão do mundo, é indeterminado, então ele toca direto nos sentidos, fala direto com os sentidos (…)’”.

 

Os trabalhos da exposição estão programados para não soarem ao mesmo tempo. O som de cada um cresce na medida que o do outro decresce. São eles: “O Estrangeiro” é um móvel com vinte gavetas, cada uma emitindo ruídos diferentes de cidades visitadas pelo artista;
“Radionovelas” se compõe de quatro a seis rádios antigos. De cada um sai uma curta história ficcional de autoria de Romano; “Acusmata” batiza uma instalação de parede com uma cavidade, da qual partem ruídos gravados no cruzamento de ruas do centro da cidade do Rio. Acusmata é quem não percebe a origem de um som; “Turbina” ficará na sala que dá para a praia de Ipanema. Tubos de PVC, perpendiculares à parede de 9m2, recobrem a superfície, onde se ouve o som do mar. Paisagem externa e som aqui se fundem; “O Passeio” intitula 29 caixas de papelão que repercutem ruídos de atritos do corpo humano gravados por dois bailarinos dirigidos pelo artista; “Kafka” tem três máquinas de escrever mecânicas, cujas teclas se movem sozinhas, acionadas por motores. O título se refere a uma cena do filme “O processo”, de Orson Wells, sobre o livro homônimo de Franz Kafka; “Polipoesia” são criações em texto veiculados em monitores de TV; Na área externa da galeria, está a instalação “Chuveiros Sonoros” com três duchas de piscina que “despejam” músicas cantadas no chuveiro por anônimos. A torneira regula o volume. Os desenhos abstratos são feitos com fita isolante sobre papel. As linhas dialogam entre o bi e o tridimensional. São realizados como performances, sem projeto anterior, e remetem à trajetória do movimento do encontro de pessoas.

 

 

Sobre o artista

 

Floriano Romano se intitula “artista visual e sonoro”. Seu programa de rádio “Oinusitado” foi ponto de encontro da cena de arte sonora carioca de 2002 a 2004. Ele trabalha com intervenções urbanas e sonoras, abertas à participação e produzidas pelo próprio público. A partir do imáginário da multidão, produz objetos ou ações sonoras voltadas para os passantes. Entre os prêmios e bolsas conquistados pelo artista estão: Prêmio Projéteis de Arte Contemporânea e o Prêmio Marcantonio Vilaça, da FUNARTE, 2012;  Prêmio Interações Estéticas da FUNARTE com o trabalho “Sapatos Sonoros”, 2009 e Prêmio Projéteis de Arte Contemporânea com a performance “S.W.O.L, Sample Way of Life”, 2008. Sua performance com a mochila sonora “Falante” foi premiada no Salão de Abril, Fortaleza, em 2007, e participou da coletiva “Futuro do Presente”, no Itaú Cultural, São Paulo, SP. Em 2000/1 ganhou a bolsa de Artista Residente pela Câmara Municipal do Porto, Portugal, e, em 2008, a Bolsa de Estímulo às Artes Visuais da FUNARTE, com o projeto de intervenção urbana “Lugares e Instantes”. Entre várias outras mostras, realizou, em 2011, o projeto “INTRASOM” no MAM-Rio e participou das coletivas Panorama da Arte Brasileira no MAM-SP e “Voces Diferenciales”, em Havana, Cuba. Em 2009 integrou a 7ª Bienal do Mercosul, com “Grito e Escuta”. Esteve na “Mostra Desenho das Ideias” com a ação sonora “Crude”, de Guilherme Vaz, usando a arquitetura do museu como instrumento para executar a composição, e na “Mostra Absurdo”, com seus “Chuveiros Sonoros”. Participou da coletiva “Desenhos&Diálogos” em 2010, na Anita Schwartz, RJ, através de quem participou também da ArtRio de 2011.

 

 

Até 09 de março de 2014.

Convite da Gentil Carioca

02/dez

A galeria Gentil Carioca convida para “ALALAÔ!” que acontecerá na praia, no mar e no céu do Arpoador, Rio de Janeiro, RJ, nesse sábado, dia 30 de novembro, a partir de 17hs. Como parte do projeto “SOMOS TODOS AMARILDO”, serão apresentados os seguintes trabalhos: BLOCKINI – Celina Portela; CANGAÇO – Opavivará; MENSAGEM AMBULANTE – Ernesto Neto; VOLTA PRO MAR OFERENDA – Guga Ferraz; ‘STAMOS EM PLENO MAR – Laura Taves; PAISAGENS FLUTUANTES – Paulo Paes; UM MAR DE AMOR – Ronald Duarte; BLOCK LETTER – Alexandre Vogler; ENTREVISTA COM O VÂNDALO – lançamento do libreto com o quarto ato da peça escrita por Luiz Eduardo Soares que está sendo montada por Marcus Faustini; DESAPARECIDOS DA DEMOCRACIA NO RIO DE JANEIRO: Joana Cseko+Isabel Ferreira + Fabio Araujo + Ícaro dos Santos.

 

 

Dia 30 de novembro

 

SEIS MOSTRAS NO PAÇO IMPERIAL

29/nov

O Paço Imperial, Centro, Rio de Janeiro, RJ, espaço dirigido por Lauro Cavalcanti, volta a ter inaugurações múltiplas. As seis mostras individuais apresentam escultura, pintura, desenho, fotografia e material documental de artistas novos e históricos. É para todos os gostos e o Paço tem entrada franca reunindo artistas novos e históricos em seus três andares de espaço expositivo:

 

 

MARIANA MANHÃES | “EVENTO”

 

Em “Evento”, Mariana Manhães, mostra “máquinas orgânicas” e desenhos de sua produção mais recente, todos inéditos no Rio de Janeiro. A artista concebe esculturas de chão e de parede que interagem consigo mesmas, criando um sistema de convivência na área de exposição.
Unidas pelos materiais – plástico, pvc, câmera de vídeo e sensores, cada máquina é comandada unicamente por vídeos de animação de louças da casa-ateliê de Mariana. A projeção se move, atinge os sensores que vão inflar e desinflar os volumes de plástico das obras. O trabalho capta seus próprios estímulos luminosos para colocar as peças em movimento. Os desenhos, expressão pouco conhecida da produção de artista, surgem dos esboços de obras escultóricas. O conjunto desta mostra são ensaios visuais do comportamento dos sacos de plásticos usados nas esculturas. Eles resultam da sobreposição de folhas de papel vegetal, cuja translucidez dá a noção de movimento dos volumes.

 

 

WILMA MARTINS: RETROSPECTIVA. COTIDIANO E SONHO

 

A artista mineira Wilma Martins, radicada no Rio, apresenta uma retrospectiva com 140 ítens – pinturas, gravuras, desenhos, aquarelas, livros e documentos, celebrando 80 anos de idade e 60 de carreira, sob  curadoria do crítico Frederico Morais. A mostra segue para o Museu de Arte da Pampulha, BH, e para o Instituto Tomie Ohtake, SP, em 2014.  “Wilma Martins: Retrospectiva. Cotidiano e Sonho”, o primeiro panorama completo de sua produção, de 1955 a 2008, está montada em núcleos de cada uma das linguagens que a artista trabalhou e como elas se relacionam. Por exemplo, um mesmo tema tratado na pintura e no desenho. As ilustrações que Wilma realizou para jornais e livros infantis serão apresentadas em vitrines. O segmento documental reúne catálogos, fotografias e recortes de jornal.

 

“Cotidiano”, sua série mais famosa, de desenhos, pinturas e litografias, tem cenários domésticos que abrem espaço para animais, de elefantes a formigas. Sobre a presença de bicho na cena caseira, Wilma avalia que ele seria “um prisioneiro, um visitante ou anjo exterminador que irá transformar aquele espaço e a rotina do cotidiano.” Há telas em que cristais atravessam paisagens em narrativas fantásticas; em outras, figuras geométricas são formadas por corpos humanos. “A necessidade de compatibilizar o cotidiano e o sonho é que parece guiar a mão de Wilma Martins quando ela desenha ou pinta”, escreveu Ferreira Gullar sobre a artista.

 

Wilma Martins [BH, 1934] foi aluna de Guignard, Misabel Pedrosa e Anna Letycia ainda na capital mineira. Ela participou das Bienais Internacionais de São Paulo, Liubliana, Biella/Itália, Santiago do Chile, Porto Rico, Veneza, Cali/Colômbia, da Trienal de Carpi/Itália e da Xylon V, Genebra e Berlim, e de diversas mostras de arte brasileira na América Latina, EUA e Europa. Ela ganhou o Prêmio Itamaraty, na Bienal Internacional de São Paulo de 1967, Prêmio de Viagem ao Exterior do Salão Nacional de Arte Moderna de 1975 e o Prêmio Principal do Panorama de Arte Atual Brasileira em 1976, no Museu de Arte Moderna de São Paulo.

 

 

VICENTE DE MELLO | BRASÍLIA UTOPIA LÍRICA

 

“Brasília Utopia Lírica” é uma série fotográfica inédita de Vicente de Mello, na qual o artista propõe “uma leitura subjetiva e atemporal da cidade de Brasília”, como define ele. Em 23 imagens em preto e branco, realizadas em 2011, Vicente exemplifica sua concepção de arquitetura e urbanismo de uma cidade continuamente fotografada e seu consequente desgaste de imagem. Este foi o ponto de partida para o fotógrafo evitar caminhos já percorridos e se despir de vícios do olhar. As fotos desta exposição são as “de uma cidade atualizada, em sua fotogenia clássica, onde pontuo uma reorganização da narrativa histórica iconográfica”, revela Vicente.

 

Há imagens de lugares conhecidos e de pontos pouco comentados, entre os quals o artista cita a torre de TV, desenhada por Lucio Costa, a escultura “Rito do Ritmo” de Maria Martins, nos jardins do Alvorada, formas desconhecidas de edifícios de Oscar Niemeyer, os painéis de Athos Bulcão e nova Ponte JK, do arquiteto Alexandre Chan. Mas o título de cada fotografia denuncia um traço identificador. Vicente de Mello vive e trabalha no Rio de Janeiro. Ele tem obras na Coleção Gilberto Chateaubriand | MAM Rio, Coleção da Maison Européenne de la Photographie, Paris, Coleção Lhoist, Bruxelas, Bélgica, Coleção Joaquim Paiva, RJ, Coleção José Roberto de Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto, MASP-Coleção Pirelli, entre outras. Já expôs em instituições importantes como CCBB RJ,  Pinacoteca do Estado de São Paulo, MAM SP, MAM Rio, Fundação DAROS, Suíça, Fondation Cartier pour l´art contemporain, Paris,  MAMAM, Recife; MAC SP e MAM Brasília.

 

 

ROGERIO LUZ | DESENHOS (1991-2013)

 

O artista plástico, ensaísta  e poeta Rogerio Luz mostra 67 desenhos de 1991 a 2013, expressão pela qual foi premiado quatro vezes em salões, entre 1973 e 1980. Seus trabalhos sobre papel são exemplos de um sistema manual do princípio de repetição. Ao não reproduzir de modo técnico um original, a forma das séries resulta em variações deste original e leva o espectador “à leitura de sequências ou passagens – como no cinema ou na música – sem destino resolutivo”, avalia Luz. A seleção do artista segue linhas de continuidade na maneira de conceber e realizar os desenhos, acentuando traços permanentes e, ao mesmo tempo, diferenças de interpretação e realização.

 

Rogerio Luz é formado Filosofia pela UFRJ, mestre em Comunicação pela Universidade Católica de Louvain [UCL], Bélgica. De volta ao Brasil, foi lecionar na UFPb. No início dos anos 1970, frequentou cursos de artes plásticas no MAM Rio. Voltou a morar na Europa, de 1983 a 1987. Em Paris, obteve o título de doutor pela UCL. Foi professor da ECO|UFRJ até 1998 e professor visitante da Comunicação e de Artes Visuais da UERJ até 2008. Luz tem quatro livros de poemas publicados: Diverso entre Contrários (Rio, Editora Contra Capa, 2004), Correio Sentimental (São Paulo, Giz Editoral, 2006) Escritas (Goiânia, Editora da Universidade Federal de Goiás, 2011) e As Palavras (São Paulo, Scortecci Editora, 2013).

 

 

“SERGIO CAMARGO, CONSTRUTOR DE IDEIAS”

 

E

 

“WILLYS DE CASTRO, DEFORMAÇÕES DINÂMICAS”

 

 

Completam a programação deste bloco do Paço Imperial mais duas individuais de artistas históricos já falecidos: “Sergio Camargo, construtor de ideias” e “Willys de Castro, deformações dinâmicas”. As curadoras Piedade Grinberg, da mostra do escultor Sergio Camargo, e Marilucia Bottallo, da do pintor, escultor e artista gráfico Willys de Castro apostam que a revelação de ítens do acervo e do arquivo documental destes artistas pode criar novas percepções à obra deles como um todo.

 

Para “Sergio Camargo, construtor de ideias”, Piedade Grinberg selecionou 100 ítens entre documentos, fotos, desenhos, estudos, rabiscos, frases, obras em pequenos formatos, divididos em seis núcleos: ateliês, esquemas, esquemas vermelhos, madeira, relevo azul e xadrez.

 

Em “Willys de Castro, deformações dinâmicas”, a curadora Marilucia Bottallo reuniu esquemas, esboços, fotografias, notas, partituras musicais, artigos de jornais e revistas, manuscritos, datiloscritos e correções, que ressaltam sua preocupação com a composição de séries, que acentuam o raciocínio moderno impresso em todas as suas experiências e pesquisas como artista: poemas, música, artes plásticas e gráficas.

 

A possibilidade de ter acesso ao arquivo documental e pessoal de um artista, cria circunstâncias inusitadas em relação à percepção de sua produção.  As descobertas dos segredos sutilmente guardados, os escritos, os arcabouços, esboços, pequenos detalhes que decorreriam dos croquis, rascunhos, projetos, são, muitas vezes, a essência do método, os pensamentos iniciais, que exigem uma parcela de indiscrição, de invasão da privacidade, de indiscutível constatação da dimensão da intimidade. Todos os ítens das duas exposições são do acervo em comodato do Instituto de Arte Contemporânea [IAC], de São Paulo.

 

Até 16 de fevereiro de 2014.

Ana Durães na Sergio Gonçalves Galeria

Aproximar o passado do presente é a proposta da artista plástica Ana Durães, que apresenta obras recentes na sua mais nova exposição “Novos Pretos Novos”, cartaz da Sergio Gonçalves Galeria, Centro, Rio de Janeiro, RJ. A artista mergulha na obra de Rugendas, trazendo uma abordagem contemporânea através de pinturas, stencils e grafittis. A ideia para o novo tema surgiu quando, pensando em trabalhar o universo do Rio Antigo, resolveu mergulhar no mundo de Johann Moritz Rugendas, alemão viajante do século XIX, que chegou como espião no Brasil e criou, dentre inúmeras obras, um precioso acervo sobre a vida dos escravos.

 

Pesquisando sobre o tema, Ana descobriu que o Brasil teve o maior mercado de africanos escravizados da história da humanidade. E no Rio de Janeiro, quando desembarcavam, eram levados para depósitos na Rua Direita (atualmente Rua Primeiro de Março) onde eram colocados à venda nas calçadas. Após 1769 o desembarque foi transferido para o Cais do Valongo (hoje Gamboa) e o local se transformou num comércio de escravos à céu aberto. Por não terem nenhuma habilidade para os serviços da lavoura ou domésticos, eles eram chamados de “Pretos Novos”. Daí surgiu o nome da exposição, que faz uma releitura desses escravos através das obras de Rugendas e de amigos da artista que foram retratados em suas telas, como o cantor Chico César.

 

Ana Durães utiliza a arcaica técnica do estêncil sobre superfícies preparadas com camadas de tinta que, em alguns casos, sofreram intervenções como oxidação, ou apropriação de matérias decalcadas. É um processo que demanda tempo entre uma etapa e outra, para que a artista crie a sua própria “arqueologia”. “Novos pretos novos” traz, ainda, grandes retratos e outros menores que são exibidos com pequenas paisagens, aves e até inusitados helicópteros, compondo um cenário com elementos que evocam alegria. Sentimento que Ana busca, de alguma maneira, devolver aos personagens criados. A curadoria é de Marco Antonio Teobaldo.

 

 

De 30 de novembro a 18 de janeiro de 2014.