Le Parc Lumière

24/out

Obras cinéticas de Julio Le Parc encontram-se em cartaz na Casa Daros, Botafogo, Rio de janeiro, RJ. Julio Le Parc nasceu em Mendoza, Argentina, em 1928. Em1958 mudou-se para Paris, onde vive até hoje. A turbulência política e social dos anos 1960 ofereceu um ambiente fértil para o desenvolvimento de uma obra ampla e variada, que lhe deu gradualmente reconhecimento internacional, como demonstra o prêmio que recebeu na Bienal de Veneza em1966. Nossa exposição na Casa Daros enfoca um dos aspectos mais importantes da obra do artista: sua preocupação com as alterações da luz. As peças na Coleção Daros Latinamerica, a maioria datada dos anos 1960, somam-se para formar uma grande sinfonia de luz em movimento. Ao lado de seus colegas do Groupe de Recherche d’Art Visuel (GRAV), nos anos 1960, Le Parc rompeu radicalmente com a convenção artística, ao rejeitar as imagens estáticas em favor de um dinamismo que coloca as obras de arte em fluxo constante, eliminando a possibilidade de pontos de vista fixos. O animado jogo de luz em suas obras transforma o espaço, ao dissolvê-lo e recriálo continuamente, tornando o espectador parte integral de uma Gesamtkunstwerk (obra de arte total). A substância material dos vários aparelhos e máquinas luminosas é transposta,de forma elegante e completa, para um plano imaterial. O artista estabelece um conjunto de condições básicas, mas as sobreposições e outras características dos fenômenos luminosos resultam do acaso. Essa abordagem aleatória gera constelações sempre novas e surpreendentes, que não podem ser totalmente captadas. Experimentar esses fugazes acontecimentos luminosos nos incentiva a refletir sobre a natureza instável da realidade e o curso irregular da própria vida, com todas as suas interrupções e mudanças.

 

 

As obras cinéticas de Le Parc resistem à interpretação em termos específicos. É essa a intenção do artista. Em um mundo em que tudo e todos são organizados — o que não deixa de ocorrer no reino supostamente livre da arte —, Le Parc oferece com suas obras cinéticas uma saída de nossa existência regimental, libertando os espectadores de seu estado de dependência, ao permitir que se tornem parte de uma experiência luminosa total. Buscando dar um maior grau de autodeterminação aos espectadores-participantes, Le Parc seria o último a lhes impor uma visão determinada: “O que importa é o que as pessoas veem, não o que alguém diz”. O caráter profundamente humano de sua obra e sua dimensão política estão no rigoroso repúdio a afirmações absolutas. Esta é uma arte livre e democrática, cheia de respeito pela humanidade, antiautoritária e avessa ao culto da genialidade. Le Parc expressou essas atitudes em seus numerosos manifestos artísticos e políticos. Mas Le Parc é também um mago único, com poderes irresistíveis. Com alegria e leveza, ele nos transporta para um universo caleidoscópico de luz que tremula, brilha, dança, salta e ondula, um reino de irresistível elegância e beleza, que exerce fascínio hipnótico. No jardim de luz encantado de Le Parc, tornamo-nos crianças de novo, absortos em nossos jogos, esquecidos do resto do mundo.

 

 

 

Sobre a Casa Daros

 

A Casa Daros é uma instituição da Daros Latinamerica, uma das mais abrangentes coleções dedicadas à arte contemporânea latino-americana, com sede em Zurique, Suíça. Daros Latinamerica conta com cerca de 1.200 obras, entre pinturas, fotografias, vídeos, esculturas e instalações, de mais de 117 artistas, e segue em expansão. A Casa Daros é um espaço de arte, educação e comunicação, que ocupa um casarão neoclássico do século XIX, preservado pelo Patrimônio da cidade do Rio de Janeiro. Projetado pelo arquiteto Francisco Joaquim Bethencourt da Silva (1831-1912), encontra-se em um terreno de mais de 12 mil metros quadrados, em Botafogo, Rio de Janeiro. O espaço apresenta exposições da Coleção Daros Latinamerica e tem forte foco em arte e educação – com diversas atividades para o público. Oferece, ainda, uma agenda de seminários e encontros com artistas no auditório, além da biblioteca especializada em arte latino-americana contemporânea, o Espaço de Documentação, o Espaço de Leitura com catálogos de exposições da coleção, restaurante/café e loja.

 

 

Até 23 de fevereiro de 2014.

John Graz Viajante

O Centro Cultural Correios, Centro, Rio de janeiro, RJ, apresenta a exposição “John Graz, Viajante”, uma seleção de desenhos, guaches, estudos em grafite, pinturas e outras peças desse artista nascido em Genebra e que se encantou com o universo de luzes e cores do Brasil, tendo se radicado no país desde os anos 1920. São 150 peças, selecionadas do acervo do Instituto John Graz, fundado em 2005, que reúne um total de 2.000 peças, além de realizar pesquisas, catalogação e reconhecimento de obras do artista. Trata-se da exibição de obras inéditas de um dos maiores representantes do modernismo brasileiro, em um passeio visual pelos países onde o artista viveu ou passou temporadas, como Brasil, Grécia, Espanha, Itália e Marrocos, além da terra natal, Suíça. Ao lado de Di Cavalcanti, Anita Malfatti e outros, o pintor, escultor, decorador, desenhista e artista gráfico John Graz expôs seu trabalho na Semana de Arte Moderna de 1922, contribuindo decisivamente para a renovação da pintura brasileira, influenciado pelos movimentos de vanguarda da Europa.

 

O curador da exposição, Sérgio Pizoli, relembra que John Graz era apaixonado por viagens desde a juventude. Logo após se formar na Escola de Belas Artes de Genebra, recebeu bolsa de estudos e viajou para Espanha; depois veio ao Brasil, onde se casou e se estabeleceu em São Paulo, tendo feito em seguida várias viagens pelo interior do país, destaque para o Amazonas, de onde retirou a inspiração para suas obras, como as anotações de índios e barcos dos rios amazônicos, um dos destaques da mostra.

 

O objetivo da exposição é levar ao público, através das imagens, a fazer esse passeio junto com o artista. Há desenhos feitos no Marrocos que serão expostos pela primeira vez, assim como anotações de motivos e deuses mitológicos (Diana era a sua preferida) feitos em sua temporada na Grécia. Pizoli explica que um dos traços da obra de John Graz é reunir às paisagens e elementos da natureza os elementos simbólicos de cada cultura.

 

A maioria das peças dessa mostra é de desenhos (a guache) – “uma técnica muito difícil e que poucos artistas ousam fazer” – acrescenta o curador. Conforme Pizoli, a escolha pelos desenhos, boa parte ainda em caráter de estudos a serem concluídos, é para demonstrar a impressionante qualidade de um lado ainda pouco conhecido do artista. “John Graz tem uma vasta obra ainda a ser resgatada. Quem não o conhece, terá agora uma ótima oportunidade. E para quem já o conhece, poderá apreciar obras inéditas”, afirma.

 

Até 24 de novembro.

 

 

Dia 24, Beatriz Milhazes, o catálogo

Ministério da Cultura, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, Banco Itaú Unibanco, Statoil, Base 7, Associação dos Amigos do Paço Imperial e o Centro Cultural Paço Imperial convidam para o lançamento do catálogo  da exposição “MEU BEM”, individual de Beatriz Milhazes, editado pela Base 7 Projetos Culturais, com textos do curador Frédéric Paul e registros fotográficos dos mais de 60 trabalhos da exposição. Na ocasião, terá um bate-papo com a artista e Lauro Cavalcanti, diretor da Instituição. A conversa acontecerá na Sala Academia dos Felizes, com capacidade para 80 pessoas. Senhas serão distribuídas para o público a partir das 17h.

 

 

Dia: 24 de outubro.

Velloso na Almacén/ Gávea

21/out

Estabelecido com um dos mais prestigiados artistas plásticos de Minas, Fernando Velloso volta ao Rio de Janeiro para mostrar “O Vermelho e o Negro”,  na Galeria Almacén, Shopping da Gávea, exposição individual com 25 obras em pintura acrílica sobre madeira e pintura automotiva sobre chapas de aço – e todas em vermelho e negro, como aponta o título, uma citação do clássico de Stendhal. A aparentemente dominante geometria das obras revela delicados desenhos e detalhes, inspirados na azulejaria luso-brasileira – “quem não conheceu uma casa no interior com azulejos hidráulicos, uma coisa tão nossa?”, pergunta ele.  As obras com acrílica sobre madeira de demolição incorporam relevos e detalhes originais das portas, tábuas, janelas.  Todas as peças têm dimensões variadas, e foram criadas em 2013, no atelier do artista em situado na mata que cerca Belo Horizonte, mais precisamente em Nova Lima. Fernando Velloso, que já expôs na unidade Barra da Almacén (e também, por duas vezes, na atual galeria ainda no tempo de Ana Maria Niemeyer), é artista exclusivo Almacén no Rio de Janeiro.

 

 

O ateliê e o palco

 

Há exatos 40 anos, o jovem belo-horizontino Fernando Velloso vivia uma grande mudança. Estava prestes a se formar em arquitetura pela UFMG, mas começava efetivamente uma carreira como artista plástico. A arquitetura, como profissão, ficaria para trás. “Talvez até a mesma força estranha que o tenha impelido a fazer o curso, a ponto de levá-lo até o fim, volta e meia se revele nas construções arquitetônicas de seus quadros”, diz ainda José Alberto Nemer em artigo sobre o artista. Nessas quatro décadas, Fernando Velloso vem trilhando diversos caminhos da linguagem artística – seus trabalhos, que podem ser vistos em uma linha do tempo no site do artista[2], mostram a exploração de suportes e técnicas variadas. “E me considero um pop caipira”, ele se diverte, mencionando em especial as criações casadas com o trabalho de cenografia, como no período do marcante patchwork do balé 21, do Grupo Corpo. Mas não de passagem – a cenografia é um campo onde sua expressão marcou época: foram oito cenários para o Grupo Corpo (incluindo, além do colorido 21, os tubos aéreos de Bach e as rosas gigantes de Nazareth), além de trabalhos para cinema (Tieta, de Cacá Dieges), televisão (Uma mulher vestida de sol, de Luiz Fernando Carvalho) e ópera (Les Doubles, Ópera Du Rhin, Strasbourg, Alemanha). Sobre essa dobradinha pintura-cenografia, “Fernando Velloso conserva em seu processo – e usando aqui um termo de Roland Barthes – um déplacement sémiologique, uma espécie de deslocamento para a linguagem artística de certos princípios que têm sua gênese na arquitetura. Basta ver com que fluência ele cria cenários para a dança e o cinema, enriquecendo o espaço cênico e reforçando no espetáculo seu poder de força criativa e coerência expressiva”, continua Nemer em seu artigo. E Velloso reforça: “na verdade,  eu sou mesmo é pintor e nunca me considerei cenógrafo, mas aprendi muito fazendo cenários – em termos de recursos, escala, proporção. O trabalho nos palcos não interferia na pintura – ao contrário, sempre acrescentou, enriqueceu meu vocabulário no ateliê. Mão dupla”. Nos elementos da obra de Fernando Velloso, já estiveram presentes recortes em metal, lona, folha de ouro, tecidos, chitas, palha, madeira, flores de pano, ready-mades como ex-votos e santinhos, fotografias familiares; evocações da barroca memória mineira, na intensa brasilidade da iconografia religiosa e popular, com dourados e cores explodindo nas telas. Também estão presentes na evolução estilística de Velloso a geometria e a sobriedade, nas formas e cores. “As heranças aqui parecem surgir de um olhar em direção a um momento de maturidade da arte brasileira: o concretismo, movimento da década de 1950 que busca a abstração”, escreveu em 2011 Katia Canton.

 

 

A galeria

 

A Almacén, galeria de Edson Thebaldi, está desde 1986 no CasaShopping da Barra da Tijuca;  expandiu-se e se estabeleceu em junho de 2013 no tradicional ponto onde funcionou de 1977 a 2012 a Galeria Anna Maria Niemeyer, no Shopping da Gávea; nesta unidade, Edson é sócio de Paulo Barros.

 

 

De 05 a 23 de novembro.

Ione Saldanha no MAM-Rio

16/out

O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro – MAM-Rio, Parque do Flamengo, Rio de Janeiro, RJ, mantém em cartaz a exposição ”Ione Saldanha: o tempo e a cor”, retrospectiva da artista. A exposição apresenta desde suas figuras e fachadas dos anos 1940 e 1950 até o amadurecimento do uso da cor passando pelas aproximações construtivas que inspiraram seu trabalho. A exposição “Ione Saldanha: o tempo e a cor” traz obras em suportes tradicionais e experimentais, lançando um olhar amplo sobre a trajetória da artista. As décadas de 1960 e 1980 ganham foco especial por tratar de períodos em que sua produção atingiu uma poética madura e particular, materializada pelo uso sensível da cor. A curadoria é de Luiz Camillo Osório.

 

 

Sobre a artista

 

Nascida em Alegrete, no Rio Grande do Sul, em 1919, Ione ainda criança viu a família envolvida no movimento de 1923, que marcou a história do estado pelo conflito entre chimangos e maragatos. Devido às ligações políticas, o pai da artista integrou o governo de Getúlio Vargas em 1930, o que determinou a ida da família para o Rio de Janeiro – cidade onde Ione Saldanha residiu até seu falecimento, em 2001. O flerte com a arte se deu desde cedo, através dos primeiros estudos com Pedro Corrêa de Araújo e das viagens a Florença e Paris. Durante os anos 1950 e 1960, seus trabalhos foram apreciados em diversas cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Santiago do Chile, Roma, Berna e Houston.

 

 

A palavra do curador

 

O início da trajetória de Ione Saldanha caracteriza-se por uma pintura figurativa, marcada por cores escuras, sombrias e interiorizadas. Voltada para cenas mais intimistas, via a pintura como crônica de uma experiência de mundo solitária e isolada.
Em meados da década de 1950 as fachadas vão se transformando em notações geométricas, que se são mais simples do ponto de vista da construção figurativa, são bem mais complexas no que diz respeito ao jogo rítmico de formas e cores. A pintura fica mais ventilada e o olho corre mais solto pela superfície da tela.
Entre o final da década de 1950 e meados da década seguinte, ela vai conquistando sua maioridade poética, seu estilo singular no qual descontração e vibração se complementam e se potencializam. Para isso ela faz uso de materiais precários, pedaços de ripa, bambus e bobinas, dando-lhes uma extraordinária pulsação lírica. A beleza é na sua obra uma afirmação singela do existir, um dizer sim à vida.
Luiz Camillo Osorio, curador

 

Até 10 de novembro.

 

A primavera no Fidalgo

15/out

“É necessário sair da ilha para ver a ilha,
não nos vemos se não nos saímos de nós” – José Saramago

 

Artur Fidalgo galeria, Rio de Janeiro, RJ, apresenta Suzana Queiroga com “Sobre ilhas e nuvens” e Daniel Tucci com “O que há de mais profundo no homem é a pele”, ambos em uma viagem fantástica e emocionante no coração de Copacabana! Suzana Queiroga, que também está em cartaz com a exposição “Olhos d’Água” no MAC-Niterói e com “Vida Secreta”, na vitrine da Travessa Ipanema, traz uma série inédita de pinturas, além de uma escultura e um vídeo. Sua narrativa, que paira no horizonte da melancolia, aborda com leveza a questão da transitoriedade. Daniel Tucci, que participou no mês passado da exposição “Em Obras”, com curadoria de Franz Manata, ocupa o Armazém Fidalgo e uma parte da galeria com uma instalação impactante sobre identidade.

 

 

Suzana Queiroga em “Sobre ilhas e nuvens”

 

Ela saiu em busca de ilhas desconhecidas e resolveu ter como guia as nuvens passageiras do céu. Uma missão que só poderia cair nas mãos de quem sabe sonhar. Explorou uma paleta de azuis profundos, violetados, cinzas azulados, chumbos esverdeados, rosas alaranjados. O tempo voa. Todos os tons que brilham dentro do infinito do céu, atravessam a pressão atmosférica e cortam a profundidade dos mares. O tempo escorre. Luz e vibração. Com sutileza e determinação, encontrou o que buscava. Nesse caminho solitário de quem se aventura na busca pelo desconhecido, Suzana Queiroga pintou a transitoriedade e o sublime. Revelou ilhas e nuvens que satélite nenhum seria capaz de registrar. Se na exposição do MAC, seu inflável suspenso no teto do museu tem o peso trágico da morte do pai, na galeria, as nuvens tem a leveza de quem aprendeu a contemplar a impermanência das coisas. Além de trazer esses tesouros, Queiroga mostra uma impressão na parede, singela e sutil, que durará somente o período da exposição. Apresenta também, pela primeira vez, desenhos e uma grande pintura.

 

 

Daniel Tucci em “O que há de mais profundo no homem é a pele”

 

Partes, camadas, relações, o impensado. Tudo é manifesto na superfície, como escreveu o filósofo francês Valéry em frase que dá título à instalação: “Ce qu’il y a de plus profond en l’homme, c’est la peau”. O tatuador e artista plástico Daniel Tucci apresenta uma instalação com mais de 500 autorretratos. Em um mergulho no conceito de identidade na pós-modernidade, Tucci se multiplica como a força de uma propaganda bolchevique. Não resgata uma ideia platônica de representação, nem benjaminiana da reprodução versus a aura do autêntico. Tucci revela o ser que se torna a partir da junção de camadas de diferenças, conflitos e dualidades. No centro da vitrine do Armazém Fidalgo, coberta por centenas de azulejos com seu autorretrato em vermelho (a imagem é de um autorretrato sobreposto sobre um lenço de papel usado para limpar tatuagem), está uma escultura da cabeça do artista composta por mais de 70 camadas de acrílico forradas por esses lenços. Conforme o visitante de aproxima da vitrine e se posiciona no centro, ele percebe a formação do rosto do artista. Dentro da galeria, um autorretrato de 200×150 cm, feito a partir da trama de papéis que ele usa para limpar tatuagens impõe sua presença. Ali também serão expostos um lenço com sua imagem em silkscreen e azulejos.

 

De 17 de outubro até 16 de novembro.

 

Gentil-Lagoa

11/out

A Galeria A Gentil Carioca Lá, Av. Epitácio Pessoa 1674, sala 401, Lagoa, Rio de Janeiro, RJ, promove “Diferentes olhares: inserção dos artistas brasileiros no
cenário global”, tendo como convidados Stefano Baia Curioni, vice-presidente ASK Research Center, Universidade Bocconi; Marcio Fainziliber, colecionador, Presidente do Conselho do MAR; Eliana Finkelstein, Fundadora da Galeria Vermelho, Presidente da ABACT; Marcio Botner, fundador da Galeria A Gentil Carioca , Membro do Comitê ABMB, vice-presidente do Parque Lage, tendo como moderador da mesa-redonda Elsa Ravazzolo, representante da América do Sul e Central do Jornal The Art Newspaper.

 

Data: 10 de Outubro, às 18:30h.

Lançamento de catálogo

10/out

Quarta-feira, 30 de outubro, às 19h, tem visita guiada e lançamento do catálogo da exposição “Umas e Outras”, de Lenora de Barros, com as presenças da artista e da curadora Glória Ferreira, na Galeria Laura Alvim, Ipanema, Rio de Janeiro, RJ, com entrada franca. O catálogo será distribuído aos visitantes neste dia.

 

Essa é penúltima mostra da programação 2013 da Galeria, espaço da Secretaria de Estado de Cultura (SEC). Nela, Lenora de Barros exibe 65 colunas publicadas no “Jornal da Tarde”, de São Paulo, na década de 1990, vídeos inéditos, apresentados em díptico e tríptico, e uma intervenção sonora.

 

A exposição “Umas e Outras” está aberta ao público até 17 de novembro.

 

Legado Zanine

08/out

A Romanzza Design, Recreio dos Bandeirantes, Rio de Janeiro, RJ, apresenta a mostra “Legado Zanine: O uso da madeira por José Zanine Caldas e Zanini de Zanine”. Rogerio e Rafael Tanico, da T2 Design e proprietários da Romanzza Recreio, abriram a exposição homônima e receberam junto com a ABD – Associação Brasileira de Designers de Interiores, cerca de 120 arquitetos e designers que participaram de um bate papo com Zanini de Zanine.

 

Aos 35 anos e já consagrado como um dos nomes mais importantes do design brasileiro contemporâneo, Zanini  falou sobre a história da utilização da madeira como matéria-prima em sua carreira e na de seu pai, José Zanine Caldas, acompanhado por  Reduzino Vieira, que trabalhou com José Zanine Caldas por 30 anos, Marcelo Vasconcelos, da MeMo (Galeria de Design Mercado Moderno) e de Beto Consorte, da Branding Consult.

 

Pela primeira vez, Zanini, que chegou de Nova Iorque para participar do evento, reúne em uma mostra apenas peças em madeira para uma exposição, com destaque para a poltrona “Anil” e o banco “Joá”, criações dele, além da poltrona “Revisteiro”, assinada por Zanine Caldas. Na exposição poderão ser vistas cerca de 20 obras do designer e de seu pai, incluindo maquetes de madeira (registro dos projetos de acervo).

 

Rogerio Tanico alega que receber esta mostra é um privilégio para a casa e para os cariocas também. “ Zanini de Zanine recebeu os mais importantes prêmios de design do Brasil, além daqueles que trouxe de fora pelos móveis que criou nos dois segmentos e expôs nos principais eventos nacionais e internacionais da área. Hoje, ele assina peças para grandes marcas nacionais e internacionais como a francesa Tolix e as italianas Poltrona  Frau e Slamp. Quem sabe, num futuro próximo poderemos unir nossas marcas?” confidenciou Rogerio Tanico, lembrando que o mobiliário brasileiro precisa muito da assinatura do jovem designer.

 

 

Até 26 de outubro.

Daniel Feingold no MAM-Rio

O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Parque do Flamengo, Rio de Janeiro, RJ, exibe Daniel Feingold no Espaço Monumental do Museu com cerca de 60 obras inéditas. O artista apresenta fotografias e pinturas, produzidas especialmente para sua primeira exposição individual no MAM Rio. A mostra, em curadoria de Vanda Klabin, apresenta um conjunto de seis pinturas emblemáticas da trajetória do artista, produzidas entre 1999 e 2003. “Daniel Feingold possui um firme senso de direção, apesar de lidar com o fluxo do imprevisível até conseguir uma unidade pictórica. Explora as interrupções, as instabilidades e cria  um espaço complexo pelo enervamento intenso da superfície  da tela,  uma verdadeira malha flutuante de cores e geometria”, afirma a curadora.

 

A exposição está dividida em seis espaços distintos. Em uma sala sob o mezanino são apresentadas pela primeira vez 36 fotografias da série “Homenagem ao Retângulo”, feitas no Jardin des Plantes, em Paris, em 2007.  “São árvores em topiária, todas cortadas desta forma, retas, em cima e dos lados. Vi nelas uma relação espacial muito forte com o meu trabalho de pintura. Essas fotografias carregam a estrutura da minha pintura, a abstração geométrica e o pensamento plástico que busco em meu trabalho”, afirma Daniel Feingold. A curadora Vanda Klabin ressalta que as fotografias revelam “…um constante desdobrar do seu trabalho, onde a trama geométrica atua como um vetor de força no seu jogo de luz e sombra e cria novos acontecimentos plásticos que se agregam ao fluxo poético das suas pinturas”. Em outra sala, cinco pinturas da série “Yahweh”, em grandes formatos. São pinturas feitas em esmalte sintético preto fosco sobre tecido terbrim. Uma característica comum entre elas é que a tinta é diretamente escorrida sobre a tela. “É um conjunto que trata da religiosidade ao evocar a beatitude e a transcendência através da redutividade de elementos plásticos”, explica o artista.

 

Também fazem parte da exposição quatro pinturas da série “Estruturas”, que são “…obras extremamente gráficas”, em que predominam, em cada uma delas, as cores amarelo, vermelho e violeta. Neste mesmo espaço também encontram-se duas pinturas da série “Cromatistas”. “O ideário construtivista encontra ressonâncias através de uma intensa articulação de  diferentes linhas e cores que se traduzem por um fraseado sincopado e rítmico, pela emergência de uma estrutura de tramas, faturas em camadas e superposições de planos que trazem em si uma perturbadora espacialidade cromática”, conta a curadora. Outras seis pinturas também em grande formato, da série “Grades e Cortinas”, produzidas em 2012, e feitas em esmalte sintético sobre terbrim, ocupam mais um diferente espaço. “O artista aqui revela o seu enfrentamento direto com a pintura através da execução de unidades de grande escala. A exuberância da matéria nos pega desprevenidos ao combinar um sistema pictórico  com conceitos críticos, com o repensar a arte, seus limites, suas inquietações. O seu trabalho pulsa, irradia-se para as bordas e margens em formas ondulantes, fluidas, sempre materializando um novo gesto”, diz a curadora Vanda Klabin.

 

 

A palavra da curadora

 

Esta exposição de Daniel Feingold consolida  as suas afinidades com o território da pintura, ao enfatizar a qualidade da matéria e o embate com a tensão da tela, que é o núcleo plástico de seu trabalho. O ideário construtivista encontra ressonâncias por meio de uma intensa articulação de  diferentes linhas e cores que se traduzem por um fraseado sincopado e rítmico, pela emergência de uma estrutura de tramas, faturas em camadas e superposições de planos que trazem em si uma perturbadora espacialidade cromática.

 

O artista tem um firme senso de direção, apesar de lidar com o fluxo do imprevisível até conseguir uma unidade pictórica. Ele explora as interrupções, as instabilidades e cria um espaço complexo pelo enervamento intenso da superfície da tela, uma verdadeira malha flutuante de cores e geometria. Feingold aqui revela o seu enfrentamento direto com a pintura através da execução de unidades de grande escala.  A exuberância da matéria nos pega desprevenidos, ao combinar um sistema pictórico  com conceitos críticos, com o repensar a arte, seus limites, suas inquietações. O seu trabalho pulsa, irradia-se para as bordas e margens em formas ondulantes, fluidas, sempre materializando um novo gesto.

 

A trama interna das suas grandes superfícies pictóricas traz uma espécie de desordem de possibilidades e se apresenta, por vezes, como empenas. Ora parecem se arquear para fora da tela, ora ocupa lugares tremulantes nos planos frontais, mas sempre parecem querer se expandir no espaço ao redor. O gesto original se dissolve nas linhas oscilantes que se dilatam ao serem vertidas nesse universo descentrado pelo próprio deslizamento e pelo peso gravitacional da matéria viscosa da tinta, sempre à deriva, com múltiplas direções, obstruções, áreas de suspensão e intervalos luminosos, quase como uma fenda na interpretação do mundo.

 

A sequência fotográfica de Feingold tem maior imediaticidade, reivindica um exercício de metalinguagem e cria um novo espaço para a sua arte transitar. Revela um constante desdobrar do seu trabalho, em que a trama geométrica atua como um vetor de força no seu jogo de luz e sombra e cria novos acontecimentos plásticos que se agregam ao fluxo poético das suas pinturas. As obras aqui presentes revelam a sua potência pictórica, a sua presença estética e reafirmam um frescor e uma atualidade ímpares.

 

Vanda Klabin é cientista social, historiadora e curadora de arte.

 

 

SOBRE O ARTISTA

 

Daniel Feingold nasceu em 1954, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha. É artista plástico desde 1988, e desenvolve trabalhos em pintura, fotografia e escultura. Graduado em Arquitetura pela FAUSS, no Rio de Janeiro, em 1982. Mestrado em Pintura pelo Pratt Institute, Brooklyn, em New York, em 1997. Dentre suas principais exposições individuais estão mostras no Atelier Sidnei Tendler, em Bruxelas, na Bélgica, em 2011; na 5ª Bienal Mercosul, em Porto Alegre, em 2005; no Centro Maria Antonia, em São Paulo, e no Espaço Cultural Sérgio Porto, no Rio de Janeiro, ambas em 2003; no Paço Imperial, no Rio de Janeiro, em 2001, entre outras. São destaques de exposições coletivas: “Arte Brasileira e Depois na Coleção Itaú”, no Paço Imperial, no Rio de Janeiro, em 2011; “Escape from New York”, na Nova Zelândia, em 2010, na Austrália, em 2009 e em 2007; “Minus Space Show”, no PS1 Cont Art Center, em Nova York, em 2008; “Chroma”, no MAM Rio, em 2005; “Artist in the Marketplace”, no Bronx Museum, em Nova York, em 1998; “Gravidade e Aparência”, no Museu Nacional de Belas Artes, em 1993; mostra no Centro Cultural São Paulo, em 1991, entre outras.

 

Até 17 de novembro.