Exposição-Homenagem

17/dez

A conhecida arquiteta, artista e galerista cariosa Anna Maria Niemeyer, falecida em junho deste ano, ganha exposição-homenagem, no Paço Imperial, Centro, Rio de Janeiro, RJ, sob curadoria de Lauro Cavalcanti, diretor do Paço.

 

A exposição “Anna Maria Niemeyer, um caminho” ocupa dois andares inteiros do prédio, onde estarão cerca de 300 ítens, entre obras de quase 60 artistas, documentos e projeções. A seleção do curador procurou ser abrangente, elegendo alguns artistas para salas individuais, como Jorge Guinle, lançado por AMN em junho de 1980, Victor Arruda, Beatriz Milhazes, Eliane Duarte, Efrain Almeida, Jorge Duarte e o pai da homenageada, Oscar Niemeyer. Esses artistas foram os que mais expuseram na galeria da Gávea e|ou os que tiveram contato mais estreito com Anna Maria.

 

Os trabalhos reunidos nessa exposição pertenceram, em sua maioria, à coleção pessoal da galerista, outros tiveram sua compra intermediada por ela e alguns foram cedidos pelos próprios artistas. Esta é a única oportunidade de apreciar o caminho visual de AMN em um mesmo local, já que sua coleção tomará destinos diversos.

 

Em 35 anos, sua galeria exibiu 240 artistas em 365 mostras. Por limites de tempo e espaço, nem todos foram contemplados com obras em exposição, mas estarão presentes em projeções. Há também uma sala destinada a ítens documentais da história da galerista.

 

Obras de Oscar Niemeyer (falecido em 06 de dezembro) abrem o segundo andar, que termina com a instalação de Fatima Villarin. Esse trabalho teria sido exibido, caso o funcionamento da galeria não tivesse sido interrompido.

 

Sobre Anna Maria Niemeyer

 

Como conselheira de programação do Paço, Anna Maria Niemeyer concebeu e realizou a mostra  “A caminho de Niterói”, da coleção João Sattamini, com curadoria de Victor Arruda. A exposição foi essencial na mudança de patamar do centro cultural no início dos anos noventa, e para alavancar o processo de construção do MAC-Niterói, através da demonstração da importância daquele conjunto de arte, até então desconhecido do público.

 

Entre outros projetos realizados, está o de consolidar Oscar Niemeyer também como artista plástico: Anna Maria editou séries de serigrafias, desenvolveu e mostrou suas peças de mobiliário, algumas assinadas por pai e filha, e também realizou os projetos e exibição de esculturas e de desenhos não arquitetônicos de ON. Junto com a filha mais velha, Ana Lucia Niemeyer, a galerista criou a Fundação Oscar Niemeyer para preservar obra e pensamentos do arquiteto.

 

Autores de obras da exposição: Ana Elisa Niemeyer, Anna Maria Maiolino, Anna Maria Niemeyer, Beatriz Milhazes, Bet Katona, Caetano de Almeida, Camille Kachani, Carlos Scliar, Carlos Zilio, Chico Cunha, Cristina Canale, Cristina Salgado, Delson Uchôa, Deneir, Edmilson Nunes, Efrain Almeida, Eliane Duarte, Evany Fanzeres, Farnese de Andrade, Fatima Villarin, Firmino Saldanha, Francisco Galeno, Gastão Manoel Henrique, Iclea Goldberg, Iole de Freitas, Ione Saldanha, Ivens Machado, Jadir Freire, Jeannette Priolli, João Carlos Goldberg, João Magalhães, Jorge Duarte, Jorge Guinle, José Patrício, Katie Van Scherpenberg, Luciano Figueiredo, Luiz Alphonsus, Luiz Ernesto, Luiz Pizarro, Luiz Zerbini, Manfredo de Souzanetto, Marcos Cardoso, Marcos Coelho Benjamin, Mario Azevedo, Mario Cravo, Mauricio Bentes, Monica Barki, Mônica Sartori, Nelson Leirner, Niura Bellavinha, Oscar Niemeyer, Paulo Pasta, Quirino Campofiorito, Ricardo Ventura, Rodrigo Andrade, Rosa Oliveira, Sante Scaldaferri, Toyota e Victor Arruda.

 

O curador contou com a consultoria de Helio Portocarrero e Leonor Azevedo, assessora de longa data da galerista, para este evento.

 

Até 17 de fevereiro de 2013.

Gerchman em Duque de Caxias

12/dez

 

A exposição “Rubens Gerchman – O garimpeiro do asfalto”, sob a curadoria de Marco Antonio Teobaldo, será exibida no SESC Duque de Caxias, Rio de Janeiro, RJ. De acordo com o curador, a mostra apresenta algumas séries do artista (“Beijo”, “Automóvel”, “Bicicleta”, “Multidão” e “Futebol”), um vídeo instalação e um dispositivo interativo chamado “Graffiti Digital”, em que o visitante poderá manipular digitalmente algumas imagens de obras do artista, fazer algumas intervenções e projetá-las na parede da galeria.

 

Do lado de fora, na fachada da sede do SESC, surgem sete murais criados por seis artistas e um coletivo artístico, inspirados na vida e na obra de Rubens Gerchman. O resultado foi possível graças a uma visita de sensibilização no Instituto Rubens Gerchman, dirigido por Clara Gerchman que afirma ser um dos propósitos principais do instituto promover o acesso às obras de seu pai, a um maior número de pessoas.

 

O nome da exposição surgiu a partir de uma entrevista do artista encontrada durante o período de pesquisa de produção, no qual ele mesmo se autoproclama “garimpeiro do asfalto”.  É numa atmosfera urbana e popular que o visitante encontrará alguns dos caminhos percorridos por Rubens Gerchman, como se estivesse entrando no ateliê do artista. Os artistas Carlos Bobi, Eduardo Denne, Fuso Coletivo, Geléia da Rocinha, Kajaman, Ozi e Wilson Domingues participam como convidados.

 

Até 01 de fevereiro de 2013.

10 anos de Zanini na MEMO

08/dez

 

A MEMO, Rua do Lavradio, Lapa, Rio de Janeiro, RJ, abre retrospectiva da primeira década de trabalho de Zanini de Zanine, apresentando sua produção como designer. Na mesma ocasião, lança um múltiplo em parceria com o artista plástico Walton Hoffmann, além de gravuras em serigrafia. A exposição, organizada por Marcelo Vasconcellos e Alberto Vicente – sócios, coincidentemente há dez anos do MEMO, loja de mobiliário brasileiro e agora também galeria de arte -, tem a curadoria do jornalista Sergio Zobaran, curador ainda da Mostra “Black” em SP, e do artista plástico Walton Hoffmann, que assina a sua montagem.

 

Mesas, cadeiras, poltronas, bancos, pufes, luminárias, cabideiros e vasos, criados a partir de materiais inusitados – como placas de moedas de 10 centavos, reaproveitando as chapas descartadas pela Casa da Moeda, ou “pranchas” de coloridos skates – compõem a coleção com linguagem urbana e inspiração cotidiana a ser apresentada aos cariocas e outros visitantes. Peças lúdicas, criadas por esse skatista e surfista, como o cavalinho de balanço em metacrilato e as lamparinas de bujões de gás, darão cor à exposição. Os trabalhos de Zanini têm plasticidade, organicidade e até humor rasgado, como no banco Cê senta (60), feito com placas de sinalização de trânsito.

 

Zanini se divide entre sua marcenaria em Jacarepaguá, que ele chama de atelier – onde tem como assistente, entre outros, um antigo e importante colaborador de seu pai, Reduzino – e o Studio Zanini localizado em um grande galpão em Santo Cristo. Recentemente, participou da ArtRio com alguns de seus móveis e antes de sua mostra na MEMO, irá expor seu trabalho na prestigiada feira ArtBasel em Miami, EUA . Em 2013 a mostra parte para São Paulo e outros estados brasileiros.

 

Sobre o artista

 

Zanini, 34 anos, filho de José Zanine Caldas (daí o nome Zanini de Zanine), seguiu os caminhos do pai na criação e execução de móveis. Formado em Desenho Industrial na PUC/RJ em 2002 e ex-estagiário de Sergio Rodrigues. De 2003 a 2012 participou das principais bienais de design da Alemanha, França, Itália, Inglaterra, Estados Unidos e acumulou mais de 15 prêmios no Brasil e no exterior. Hoje, ele integra o primeiro time dos mais importantes artistas brasileiros que criam e trabalham para o mercado internacional. Como o pai, Zanini tem uma linha de mobiliário em madeira em edições com número de peças limitado, como as que acaba de criar para a celebrada indústria italiana Capellini. Além disso, Zanini desenvolve diversas outras linhas de criação voltadas para a execução através da indústria em diversos materiais, da madeira com resíduo florestal ao plástico, sobras de insumos e grades antigas.

 

Zanine/Hoffmann

 

Para a exposição de Zanini de Zanine no MEMO, o artista plástico Walton Hoffmann e Zanini planejaram um múltiplo onde o trabalho dos dois pudesse fluir e manter suas características. Zanini selecionou a poltrona “Trez”, que foi utilizada por Hoffmann em duas diferentes formas. Seu desenho e ela própria, miniaturizada, no interior de uma caixa de acrilico, em formato de casa, constituida de quebras cabeças e espelhos. Os jogos e as impossibilidades são temas de investigação do trabalho de Hoffmann. O acrílico nos deixa ver as entranhas desse trabalho mas não nos revela automaticamente seus inúmeros sentidos.

 

Para a exposição comemorativa de 10 anos de trabalho de Zanini, foram feitos 10 exemplares, todos em cores distintas, tornando cada peça dessa série uma obra única. E o MEMO produziu, junto com os artistas, uma série de  10 serigrafias a partir dos desenhos de seus trabalhos, numeradas e assinadas pelo designer. Elas têm relação com seus móveis e foram impressas nas cores  correspondentes em que eles foram produzidos.

 

Sobre a Memo Brasil

 

A MEMO publicou recentemente o livro “Móvel Brasileiro Moderno” (Aeroplano Editora em parceria com a Fundação Getúlio Vargas – FGV Projetos), uma obra completa sobre o mobiliário brasileiro modernista com ênfase no trabalho de José Zanine Caldas, Sérgio Rodrigues, Oscar Niemeyer, Joaquim Tenreiro, Ricardo Fasanello, Geraldo de Barros, Lina Bo Bardi, entre outros nomes importantes do século 20. A mostra de Zanini dá continuidade à transformação da ME|MO em espaço plural, ampliando assim sua vocação mantendo o primeiro e o segundo andares exclusivos para exposições de arte. Tudo isso em um prédio do século 19 fincado no coração da Lapa, no centro do Rio de Janeiro. A região, é hoje o trecho do cenário carioca com maior vocação para as artes, dos ateliês de artistas a galerias e lojas.

 

Até 11 de fevereiro de 2013.

Livros na Cosmocopa

A Cosmocopa + Apicuri lançam dia 13 de dezembro no Shopping dos Antiquários, na Galeria Cosmocopa, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ, livros individuais sobre a obra dos artistas Felipe Barbosa e Leila Danziger.

 

O livro “Estranha economia” traça uma panorâmica da obra de Felipe Barbosa, com imagens de seus trabalhos no ateliê e em espaços expositivos. A edição, com foco no processo criativo do artista, apresenta textos críticos de Alvaro Seixas, Luciano Vinhosa e Sheila Cabo Geraldo. Estranha economia é também o título da série de trabalhos em que o artista usa objetos do cotidiano recobertos de picotes de papel-moeda e os agrupa em instalações que revelam ambientes familiares porém cheios de estranheza. Outras séries de trabalhos do artista mostram bolas de futebol desconstruídas em seus gomos e remontadas em planos ou outros formatos, palitos de fósforo agrupados para formar esferas orgânicas, casas de cachorro montadas em “condomínios”, martelos totalmente recobertos por pregos.

 

Já o livro “Todos os nomes da melancolia, de Leila Danziger, apresenta imagens de trabalhos reunidos sob o traço da melancolia o que para Luciano Vinhosa “… Leila nos prepara uma finíssima tessitura de narrativas visuais que retomam o tempo contemplativo da reflexão e da apreciação estética. É notável o cuidado artístico com que trata a presença ordinária das coisas que a cercam, transformando-as em um mundo extraordinário para os olhos e a imaginação, seja por meio de fotografias com referências ao mundo doméstico ou por meio de gravuras retomadas da história da arte, ou ainda pelo próprio ato de reconstruir novas imagens a partir de imagens já desgastadas. Por exemplo, quando trabalha com as folhas de jornais, escalpelando-as, Leila extrai delas todo o excesso para fixar apenas aquilo que interessa: uma imagem surpreendentemente bela de uma romã partida e/ou reinserindo em suas páginas linóleo-gravuras e versos, um balbuciar quase eloquente daqueles que tiveram suas vozes caladas à força”.  E Luciano Vinhosa prossegue afirmando que “… A melancolia, sentimento normalmente vivido na intimidade, ganha em seus trabalhos uma dimensão social e coletiva quando a artista a faz deslizar da experiência particular, centrada em seu universo familiar, para experiências mais amplas da humanidade: o massacre dos judeus na Segunda Guerra, a diáspora palestina, o sofrimento do negro desterrado tomado pela saudade de sua terra natal, o drama dos desabrigados…”.

Projeto de Acosta e Murgel

06/dez

Em mostra na Sala A Contemporânea do CCBB, Centro, Rio de Janeiro, RJ, os artistas Daniel Acosta (RS) e Daniel Murgel (RJ) unem-se, pela primeira vez, para um trabalho único. A exposição é um site specific e foi denominda pelos autores como “O sacrifício pela vida na guarita (Sacredfishyousystem)”.

 

O título da exposição recebeu uma tradução livre com a palavra sacrifício transformada em sacredfishyou – sagrado+peixe+você, em que YOU (você) pretende jogar o público para dentro do sistema. O desenvolvimento desta obra, site specific, começou, como conta Acosta, com o “re-conhecimento do trabalho de cada um, já que não nos conhecíamos antes do convite de Mauro Saraiva, programador da Sala“. A partir de então, visitaram os ateliês um do outro, conversaram sobre desenhos e projetos até chegarem a um único desenho. Ideias individuais foram cedendo espaço na direção do trabalho compartilhado, criando um título que indica um sistema em funcionamento.

 

São duas guaritas de isopor, suspensas em cantos opostos da sala. Dentro delas, muitas plantas e lâmpadas piscando constantemente como alarme. As plantas são irrigadas por um mecanismo que retira água de dois aquários com peixes, colocados sobre o piso, que são lentamente esvaziados por um sistema hidráulico. Com o tempo, os peixes ficam sem água. A vida das plantas significa a morte dos peixes. Entre as questões citadas por Acosta e Murgel, estão a de sistemas de segurança que nos prendem, cercam e isolam, as luzes que geram tensão, o mato crescendo nas guaritas e a ideia de “ruína”, como “o mote principal de desenvolvimento do trabalho”, segundo Acosta. Os artistas têm a presença expressiva da arquitetura em suas produções. Acosta trabalha mais com as questões artificiais da arquitetura, e Murgel, é influenciado pela arquitetura popular e seus materiais rústicos.

 

Sobre os artistas

 

Daniel Acosta nasceu em Rio Grande, RS, em 1965, vive e trabalha em Pelotas, RS.  Doutor em Arte pela ECA|USP, também é professor de escultura da Universidade Federal de Pelotas.  Seu trabalho busca a relação entre suas obras e outros elementos constitutivos do ambiente, como diz, “gerando consciência crítica sobre o que nos aborrece ou nos deixa felizes, nos encanta e mesmo nos define, já que, em nossos corpos ambulantes, nós também somos a cidade”.

 

Entre dezenas de individuais e coletivas, Acosta participou da Bienal Internacional de São Paulo de 2002, da Bienal do Mercosul de 1999, 2009 e 2011, e do Panorama de Arte Brasileira de 1997, no MAM-SP. Ele é do elenco da Galeria Casa Triângulo, SP, onde fez individuais em 1995, 2005, 2008 e 2010. Em ocasiões diversas, apresentou esculturas|mobiliários ou cabines|mobiliários para espaços urbanos. Entre elas “Riorotor”, Itaú Cultural|SP, “Kosmodrom”, Bienal do Mercosul de 2009, “Toporama”, permanentemente montada no foyer do Centro Cultural São Paulo desde 2010. Em 1997, Acosta teve livro sobre seu trabalho dentro da “Coleção Artistas da USP”, com  texto do crítico de arte Tadeu Chiarelli. Foi premiado em salões em Curitiba, Brasília, Salvador e Florianópolis.

 

Daniel Murgel nasceu em Niterói, RJ, em 1981. Vive e trabalha entre o Rio de Janeiro – terminando o bacharelato na EBA|UFRJ – e São Paulo. Filho e neto de arquitetos, Murgel reconhece a influência determinante da arquitetura em sua produção, com especial interesse na arquitetura popular, buscando, como diz, “poesia no ordinário e no feio”. Sua obra apresenta situações ligadas ao universo das ruínas urbanas, junto à presença da resistência da natureza em gramas que nascem em meio a calçadas. Este ano, o artista participou da coletiva “Espejos: en el camino al pais de las maravillas”, no Centro Cultural Haroldo Conti, em Buenos Aires, prédio que foi cativeiro de milhares de pessoas durante a ditadura na Argentina.

 

Murgel fez individuais nas galerias Laura Marsiaj e Mercedes Viegas (Rio de Janeiro, 2010 e 2008). Entre as coletivas destacam-se Novas aquisições de Gilberto Chateaubriand (MAM Rio, 2010), Arte in Loco (FUNCEB, Buenos Aires, 2009) e Museu Vazio (MAC-Niterói, 2007). Em 2010, foi premiado no Salão Nacional de Arte de Belo Horizonte|Bolsa Pampulha e indicado ao Prêmio Marcantônio Vilaça. Participou de residências artísticas em Buenos Aires (El Aleph Arte), em 2009, e em Belo Horizonte, em 2010|2011 (Bolsa Pampulha). Possui obras nas coleções Gilberto Chateaubriand|MAM Rio e Banco do Nordeste do Brasil.

 

Esta é a quinta mostra da temporada 2012-2013 deste espaço que o CCBB RJ destinou, desde 2009, exclusivamente à arte contemporânea brasileira.  A programação, idealizada pelo produtor Mauro Saraiva, reúne artistas que exemplificam a produção ascendente, vinda de cidades do nordeste, sul e sudeste do país. Esse ano, a Sala A Contemporânea já apresentou as individuais de José Rufino (PB), da dupla estabelecida Gisela Motta e Leandro Lima (SP), do coletivo carioca OPAVIVARÁ! e do gaúcho Fernando Lindote. Depois da dupla inventada Daniel Acosta e Daniel Murgel, vêm Cinthia Marcelle (MG), Eduardo Berliner (RJ) e uma coletiva, sob curadoria da pernambucana Clarissa Diniz, em abril de 2013.

 

Até 06 de janeiro de 2013.

Exposição de Emmanuel Nassar

“Este Norte”, exposição individual de Emmanuel Nassar, sob curadoria de Felipe Scovino, no Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica, Rio de Janeiro, apresenta cerca de 55 trabalhos – pintura sobre tela, papel e chapas metálicas, e fotografias – datados entre 1988 e 2012, exemplificando a multiplicidade de leituras da obra deste artista paraense, radicado em São Paulo.

 

O título da mostra tem as mesmas iniciais do nome do artista, E e N, letras que também aparecem em várias telas, simbolicamente como pontos cardeais. Nassar avalia a alegoria das iniciais como o E sendo referência ao indivíduo, seu nome Emmanuel, e o N, ao coletivo, de Nassar, dos seus antepassados. Também pode remeter a Este (leste) e Norte, os pontos geográficos, ou ainda a Efêmero e Natureza ou Eu e Nós, como sugere o artista.

 

Scovino centra a curadoria para além das referências a uma geometria popular, que seria uma associação rasa ao trabalho de Nassar, e chega a “…um elemento cínico, sarcástico e, em certa medida, violento”, como ele conceitua. Nele estão, segundo o curador, pensamentos estéticos originários de várias representações da cidade – a gambiarra, a rua e seus acidentes – a um repertório que inclui Mondrian e outros artistas.

 

“Este Norte” não é uma retrospectiva, mas um panorama de tempos distintos da produção do artista. Nos encontros dos dois, durante o último ano, o curador identificou um aspecto menos avaliado da obra de Nassar, que é a revelação de um elemento mais ácido, às vezes, violento, como na presença mãos e braços decepados, a linguagem da rua nas chapas metálicas, um rifle e indivíduos acorrentados. Até então, a crítica aproximou a obra de Nassar ao popular, em detrimento da consideração de um lado cínico de sua produção.

 

A seleção de obras de “Este Norte” “foge de um Brasil exótico, quente ou espetacular. Há uma miséria que reina no país e está sendo relatada na sua obra”, defende Scovino, que dá como exemplo o processo de escolha e produção das chapas metálicas. “É essa ‘sujeira’ que me interessa apresentar ao público com essa exposição”, define o curador.

 

Nassar argumenta que passou a juventude na ditadura militar brasileira e seu trabalho tem a cor e a liberdade vigiada, a geometria, mas inclui uma perversão que pode estar em uma geometria imperfeita, como em “Mãodrian, de 1995, que remete ao pintor Mondrian, mas é feito com retas tortas, tem uma tramela de arame e um prego amarrado para, supostamente, sustentar o retângulo.

 

Incorporar dificuldades, remendos e improvisos ao conceito do trabalho é um dos orgulhos do artista. E exemplifica: “Tela que não passa na porta do apartamento vira díptico; as chapas são módulos de 90x90cm, porque isso permite diferentes adaptações a espaços expositivos. Elas viajam muitas vezes sem embalagem e vão se arranhando, o que foi incluído no trabalho e levou o artista a soluções mais brutas, mais perversas.

 

Os suportes que Nassar usa – tela, fotografia, chapas metálicas – podem provocar um embaralhamento no espectador. A pintura está muito próxima da fotografia e a chapa pode vir a ser “tela”, quando recebe tinta. O artista explica que sua ideia de arte é a de tirar de um contexto e dar outro significado. As chapas metálicas, de restos de propaganda, fragmentos de superfícies pintadas descartadas, se juntam a outras concebidas por ele. Com o tempo, elas se desgastam e o espectador já não consegue mais distinguir o que é lixo e o que foi criado pelo artista. As fotos são pinturas fotografadas e apresentadas junto com as pinturas reais. A intenção é mesmo a de confundir o olhar do visitante. Nassar batizou uma fase de seu trabalho de “popcopiado”, para conceituar o trabalho de “mixagem, de apropriação”, diz ele, que considera “acadêmico” se autodenominar único, sem influência”. “Somos popcopiados”, alega.

 

A palavra do artista

 

Eu copio dos neoconcretistas, eu copio do pop americano, eu copio de todo mundo e crio uma coisa que está tão copiada, que ninguém vai poder dizer que não é minha. […] Sempre achei que o perigo era copiar de uma só fonte. Se eu copiar de muitas fontes, ninguém vai poder dizer que já viu isso antes. São popcopiados. Uma profusão de cópias, que confunde o original e se torna um novo original.

 

Sou um repetidor daquilo que eu faço, em todas as linguagens. Sempre estou fazendo o mesmo”, confessa o artista. Nassar diz “adorar a ideia de que as pessoas confundam a autoria de seus trabalhos. É a ideia de apropriação contaminada pela minha autoria” explica.

 

Na mostra, há pintura copiada de foto de Nassar e há foto dele a partir de sua pintura. É a cópia da cópia. Ele confessa gostar da ideia de confundir aquilo que foi feito por ele, aquilo que não foi feito por ele, mas que foi editado, trazido, unido pelo artista.   

 

Os suportes podem variar, mas Nassar nunca deixa de pensar como pintor. Ao mesmo tempo, ele não está refém do material da pintura. Há casos em que ele nem pega na tinta, mas na câmera fotográfica. Os trabalhos desta série ele intitula “pintura fotografada”.

 

Em vários momentos, Nassar equilibra cores dissonantes, como um verde fosforescente com cinza e preto. Há ainda a incidência de preto, cinza e chumbo no fundo da tela, que formam uma composição cromática distinta de outros pintores de sua geração. Há chapas autorais, outras são simplesmente apropriadas e algumas, interferidas por ele, que valoriza a economia de recursos e não considera errar nunca, porque sempre existe a recuperação e a reutilização.

 

Sobre o artista

 

Emmanuel Nassar nasceu em 1949, no Pará. Vive e trabalha em São Paulo. Começou a expor em 1979 e, a partir de então, fez dezenas de individuais no Brasil e em Lisboa, Berlim, Colônia e outras cidades alemãs, e Amsterdam. Nassar participou de várias Bienais internacionais, como a de São Paulo, do Mercosul, de Tijuana (México), Cuenca (Equador), Havana (Cuba) e Veneza. Ele tem obras nas coleções institucionais nacionais, como MAM Rio, MNBA, MAM SP, MAC USP, Itaú, Marcantonio Vilaça, MAMAM, e internacionais, como Patricia Phelps de Cisneros (NY-Caracas), Suermondt-Ludwig-Museum (Aachen, Alemanha), Aachen, Germany e Universidade de Essex – Collection of Latin American Art (Colchester, Inglaterra).

 

A mostra será acompanhada de catálogo bilíngue (português e inglês), de  84 páginas, com reprodução em cores dos trabalhos expostos e outros, e texto inédito do curador Felipe Scovino. A exposição “Este Norte”, de Emmanuel Nassar,é uma produção de Mauro Saraiva | Tisara Arte Contemporânea e foi contemplada pelo Pró Artes Visuais da Secretaria Municipal  de Cultura. Na abertura, sábado, 1º de dezembro, tem som de Bruno Queiros, Icaro dos Santos e Quito (Nuvem) e DJ Nepal, das 16 às 21h, e conversa do curador Felipe Scovino com o artista, às 17h.

 

Até 03 de fevereiro de 2013.

Henrique Oliveira no Rio

26/nov

Henrique Oliveira realiza a maior exposição individual de sua carreira, no Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica, Centro, Rio de Janeiro, RJ, sob curadoria da cientista social e historiadora de arte Vanda Klabin. São oito pinturas e cinco esculturas, datadas de 2008 a 2012, entre as quais algumas inéditas dentro e fora do país, emprestadas de coleções particulares e institucionais.A mostra será acompanhada de catálogo de 35 páginas, com reprodução de todos os trabalhos expostos e texto da curadora Vanda Klabin produzida por Mauro Saraiva | Tisara Arte Contemporânea.

 

As pinturas e esculturas de Henrique Oliveira, de dimensões arquitetônicas, têm despertado interesse internacional. Em janeiro de 2013, ele embarca para Paris, para uma residência de seis meses, que culminará com uma exposição individual, no Palais de Tokyo, na capital francesa.

 

Na sua produção, pintura e escultura não são expressões estanques. “O movimento da pintura está presente na escultura”, diz o artista. A curadora Vanda Klabin aponta certa paridade entre os dois meios: “Sua pintura, com vibrantes contrastes, harmonias dissonantes, grumos espessos e com alta voltagem cromática, tem uma conotação ambígua e é também transformada em linguagem tridimensional a desdobrar-se no espaço”.

 

Nas esculturas, Henrique Oliveira superpõe lascas de compensado flexível descartado, de tapumes de obras urbanas. Fixadas por parafusos, elas criam volumes. Em seguida, ele intervém com tinta acrílica diluída, quase aquarela, de maneira que a textura do material não mude.

 

Oliveira descreve seus trabalhos tridimensionais como a ampliação de uma textura, de um empasto de tinta a óleo, em alguns casos. Outros são “mais naturais, como tumores”, diz ele. Nos títulos que cria, essas formas aparecem compondo palavras infamiliares: Xilonoma, Xilempasto, inspiradas em consultas ao Atlas of Gross Pathology e a The New Atlas of Human Anatomy.

 

As pinturas se constituem de um misto de procedimentos. A tela é colocada no chão, Henrique joga a tinta e deixa escorrer, mas também usa a pincelada e a raspagem com espátula. Esses procedimentos não se fundem. Por isso, o resultado é semelhante a uma “colagem”, segundo ele. A profusão de cores não cria volumes. O relevo é o da própria tinta. A exposição foi contemplada pelo Pró Artes Visuais da Secretaria Municipal  de Cultura.

 

Sobre o artista

 

Mestre em Poéticas Visuais pela ECA-USP, Henrique tem um currículo de 17 individuais e 49 coletivas em cidades brasileiras e em Paris, Bruxelas, Linz [Áustria], Washington, Houston, Cleveland, New Orleans, Miami e Boulder [EUA], Brisbane [Austrália], Monterrey, Tijuana [México] e Buenos Aires, em pouco mais de uma década de carreira. O artista participou da Bienal Internacional de São Paulo de 2010, da Bienal do Mercosul e da de Monterrey, ambas em 2009. O artista é detentor dos prêmios APCA 2011 – Destaque do Ano, São Paulo; CNI SESI Marcantonio Vilaça 2009; Festival de Cultura Inglesa|Conselho Britânico, São Paulo; Projéteis FUNARTE de Arte Contemporânea 2006, RJ; Fiat Mostra Brasil 2006 e Visualidade Nascente | Centro Universitário Maria Antonia 2005, entre outros. Ganhou bolsas de residência e pesquisa de The Fountainhead Residency – Miami; do Smithsonian Institute – Washington DC; da Cité Internationale des Arts, Paris, e outras da FAPESP de mestrado e de iniciação científica. Com obras em coleções institucionais, como Pinacoteca Municipal,  Itaú, Museu de Afro-Brasil, Metrópolis [SP], MAC Rio Grande do Sul, MAM Rio e Gallery of Modern Arte de Brisbane, Henrique Oliveira, nascido em Ourinhos, SP, em 1973, vive e trabalha na capital paulista. Em 2004, ele se formou em Artes Plásticas pela ECA-USP e em Comunicação Social pela ESPM.

 

Na abertura, sábado, 01 de dezembro, tem som de Bruno Queiros, Icaro dos Santos e Quito (Nuvem) e DJ Nepal, das 16 às 21h, e conversa da curadora com o artista, às 16h.

 

De 01 de dezembro a 03 de fevereiro de 2013.

Mostra de Fernanda Gomes

A Galeria Laura Alvim, Ipanema, Rio de Janeiro, RJ, apresenta, sob a curadoria do crítico Fernando Cocchiarale,  a exposição individual de Fernanda Gomes. Há mais de vinte anos, a artista  vem construindo uma obra singular, inclassificável dentro dos parâmetros tradicionais das artes visuais, com repercussão Brasil e no exterior. O trabalho de Fernanda Gomes é muito particular, diferente de tudo a que se está acostumado, mas seu currículo demonstra que ela é incensada mundo afora. Um exemplo: o Centre Pompidou (Beaubourg), Paris, acabou de adquirir uma obra da artista que em suas palavras, “dá importância ao que a maioria acha banal”.

 

Fernanda Gomes realizou mostras individuais e coletivas em quase todos os países da Europa, além dos Estados Unidos, México, Austrália, Nova Zelândia e Japão. Participou das bienais internacionais de São Paulo, 1994, Istambul, 1995, Sydney, 1998 e Veneza, 2003. Neste momento, participa da Bienal Internacional de São Paulo. Seu trabalho faz parte, entre outras, das coleções do Miami Art Museum, Tate Modern, Fundación/Colección Jumex, Vancouver Art Gallery, MAM-Rio e Museu Serralves, em Portugal, onde também desenvolveu escultura permanente para o parque do museu.

 

A palavra da artista

 

“Penso uma exposição como um momento preciso em uma atividade contínua, aberto para uma dimensão comum a todos. Inclui o lugar, em toda sua amplitude. O espaço da galeria é também lugar, território ao mesmo tempo mítico e familiar, Ipanema! Inclui a praia, a rua, a praça, o morro. Expande-se esta dimensão na experiência do encontro, em um espaço da cidade, para a cidade, com possibilidades infinitas e imprevisíveis.”

 

“Será uma exposição que parte mais de princípios do que de projetos, como me agrada fazer. Sem temas ou sistemas determinados, mas pensando também no desenho como início de tudo. Desenho: verbo e substantivo. Desenho que é também risco na superfície do mundo, ação e tempo, o inseto e seu trajeto e o vento na areia. Registro de vôo, mapas, cartas de navegação, marcas que tentamos apagar, nódoas nos tecidos, aquarelas da umidade dos dias, e o pó, terra, ferrugem! Ver as coisas, todas as coisas, em sua beleza. Desenho que é pensamento plástico essencial, vocabulário ancestral que cria outros roteiros para a imaginação. Todos desenhamos quando crianças. Porque tantos param de desenhar?”

 

Até 17 de fevereiro de 2013.

José Rufino na Casa França-Brasil

Um gigantesco corpo de herói – 193 m³ -, construído a partir de memórias físicas, traços e materiais coletados, empreende na Casa França-Brasil, Centro, Rio de Janeiro, RJ, uma odisseia particular, concebida pelo artista visual José Rufino, em cuja obra o passado e o presente se enfrentam permanentemente. O “Ulysses” de José Rufino ocupará todo o vão central do prédio da Casa França-Brasil. Seu corpo, impregnado de vivências, sentimentos e essências da cidade – cuja Baía de Guanabara se transforma, por comparação, na costa da Grécia por onde Ulysses viajou – é uma ponte entre os muitos passados e os futuros possíveis para um Rio ao mesmo tempo heroico e comum, eterno e presente no aqui e agora.

 

A baía de Guanabara se transforma na Grécia de Ulysses pelas mãos de José Rufino, artista contemporâneo que é também paleontólogo, e tem uma relação permanente com o passado. O convite da Casa França-Brasil levou-o a imaginar uma nova Odisseia, em que os traços do Rio – madeiras, pedras, ferros, concreto, conchas, cerâmicas etc. – são recombinados para compor o corpo do herói. A composição deste novo e monumental Ulysses demanda toda uma logística que começa com a coleta de materiais. Desde setembro, José Rufino tem vindo ao Rio para esse garimpo pessoal das memórias impressas nas matérias recicladas e reutilizadas, que carregam suas próprias memórias.

 

José Rufino começa seus trabalhos muitas vezes a partir do lugar que ocupará. Uma obra de tal magnitude não poderia ser elaborada sem testes muito rigorosos. O espaço ideal para a primeira fase de montagem foi conseguido através de uma parceria do artista com o Galpão Aplauso, espaço cultural e social que funciona no Santo Cristo, e que prepara jovens artistas para as várias facetas que compõem o mundo do espetáculo.

 

Até 17 de fevereiro de 2013.

Aluísio Carvão na Caixa Cultural Rio

23/nov

A Caixa Cultural Rio de Janeiro inaugura a exposição “Aluísio Carvão – Mestre das Cores”, reunindo cerca de 80 obras de diversas fases do artista. Além das pinturas, a exposição apresenta objetos, capas de livros e revistas criadas pelo artista, formando um panorama completo da obra de um dos mais conceituados pintores brasileiros.

 

A mostra, com curadoria de Denise Mattar, faz um percurso afetivo e retrospectivo da obra do artista. As obras serão apresentadas em núcleos temáticos. No primeiro ficarão obras da fase construtivista. Esse núcleo também contemplará as obras do Neoconcretismo. Da mesma época são as capas para os cadernos de Jornalismo e Comunicação do Jornal do Brasil.

 

O segundo núcleo reúne a série intitulada “Pipas”, dos anos 1980, com trabalhos que lembram o movimento e as cores de sua infância, e as obras dos anos 1990, em que a cor adquire densidade, sensualidade e movimento. As cores têm concretude e se fundem, formando imagens alegres, dando intensidade, criando limites e espaços.

 

No terceiro núcleo, será apresentada uma cronologia ilustrada do artista. “Sua obra é luminosa, suas cores fortes ou suaves passam a sensação do equilíbrio e de alegria. É uma festa para os olhos. Sua arte, no entanto, não seguiu um curso natural de evolução, foi marcada principalmente por uma necessidade fremente de experienciar a cor e as formas”, afirma a curadora Denise Mattar.

 

Sobre o artista

 

Aluísio Carvão iniciou sua trajetória como pintor ainda menino, em Belém do Pará. Em Belém, e a seguir no Amapá, sua pintura era figurativa, de cores vibrantes e sólidas. A luz dos trópicos o influenciou profundamente. Ao adotar o Rio de Janeiro, em 1949, entra no curso de Ivan Serpa e com ele participou do movimento construtivista. Aluísio foi um dos criadores do “Grupo Frente”, junto com Ivan Serpa, Hélio Oiticica, Lygia Clark, Lygia Pape e Ferreira Gullar, expoentes do movimento construtivista brasileiro. Dedicou-se a uma pintura abstrata, em que as questões da forma e da cor são preponderantes, mas foi com o movimento Neoconcreto que o artista aboliu a diferenciação entre forma, cor e fundo.

 

Até 13 de janeiro de 2013.