CRISTINA IGLESIAS NA CASA FRANÇA-BRASIL

08/ago

Realizada e patrocinada pela Secretaria de Estado de Cultura, Casa França-Brasil e Citroën, “Lugar de reflexão”, a primeira individual da artista no Rio de Janeiro, apresenta nove obras que integraram a grande retrospectiva “Metonímia”, que aconteceu entre fevereiro e maio deste ano no Museu Rainha Sofia, em Madri, Espanha. A magia enigmática da monumental obra de Cristina Iglesias irá dialogar com o ambiente neoclássico da Casa França-Brasil, Centro, Rio de Janeiro, RJ.

 

Labirintos, poesia, sombras, força e delicadeza se apropriarão da Casa, com trabalhos emblemáticos na carreira da artista.  “Santa Fé”, que receberá os visitantes no vão central, é uma delas. Formada por um conjunto de gelosias (biombos entalhados), cujo traçado reproduz textos literários e no qual se percebe alguma influência dos entalhes característicos da arquitetura mourisca, “Santa Fé” impressiona à primeira vista. “O gradeado da gelosia filtra a luz do ambiente e atua como uma espécie de persiana que media a relação entre o espaço interior e o exterior “, diz Giuliana Bruno, especialista em arte, num dos textos do catálogo da retrospectiva espanhola.

 

Água, madeira, alabastro, formas vegetais e minerais transformam-se nos elementos escultóricos que traduzem a poética criada por Cristina Iglesias. A famosa “Casa vegetal III” é um bom exemplo. Ficará estrategicamente no pátio da Casa França-Brasil e formará uma espécie de percurso com “Santa Fé”, atraindo o olhar, instigando e aprofundando a magia. Cristina Iglesias trabalha no limite entre o escultórico e o arquitetônico: os materiais e as estruturas que utiliza procuram transformar o espaço em um lugar. Existe uma concatenação de labirintos e artifícios em seu trabalho: a flora metálica dos baixos-relevos de sua “Casa vegetal” ou de seus “Poços” dá a impressão de ser constituída por raízes, ramos, líquens ou folhas, quando na realidade é feita de uma vegetação fictícia. “Nenhum dos motivos que utilizo existe dessa forma na natureza, confessa a artista. “São pura ficção, que construo mesclando elementos que de fato existem na natureza, porém em composições impossíveis”.

 

Em obras como “Vers la terre” e “Poço III”, que estarão situadas, respectivamente, no fundo do vão central e no espaço entre as salas 1 e 2, a água torna-se também um elemento escultórico. A fascinação de Cristina Iglesias pela água rememora também a tradição muçulmana e as construções mouriscas, com seus jardins e fontes. Pelo fenômeno da erosão, a água traz fluidez e transparência, além de servir para consolidar a visão da artista, para quem a escultura, mais do que uma forma única e absoluta, é uma arte de metamorfoses e transições. As obras “Muro” e “Sem título 1”ocuparão a Sala 1, enquanto a “Casa de alabastro” estará na Sala 2. O Cofre será ocupado também pela artista principal, com a obra “Sem título 2”.

 

Para Evangelina Seiler, diretora da Casa França-Brasil, a mostra de Cristina Iglesias é seguramente uma das mais importantes de sua gestão. “É uma grande conquista para a Casa França-Brasil trazer ao Rio de Janeiro esta importante mostra, com curadoria da reverenciada Lynne Cooke. O público poderá verificar a força do trabalho de Cristina Iglesias, que é hoje um dos grandes nomes da arte contemporânea internacional”, afirma ela.

 

Sobre a artista

 

Uma das artistas contemporâneas espanholas de maior projeção internacional do momento, Cristina Iglesias iniciou sua carreira na década de 1980, mas foi a partir de 1993, ao participar da Bienal de Veneza ao lado do pintor Antoni Tàpies, então um dos maiores artistas vivos de seu país, que começou a ser reconhecida internacionalmente. “Naquele momento, sua reputação se consolidou tanto na Espanha quanto no exterior”afirma a curadora Lynne Cooke, em seu texto no catálogo da mostra espanhola. Nascida em novembro de 1956 em San Sebastián, no País Basco, Cristina Iglesias estudou Química em sua cidade natal. Entre 1980 e 1982, cursou Escultura e Cerâmica na Chelsea School of Art, em Londres. Em 1995 foi nomeada professora de escultura na Akademie der Bildenden Künste, em Munique, na Alemanha. Em 1989 conquistou, na Espanha, o Prêmio Nacional de Artes Plásticas e, em 2011, foi detentora do Prêmio de Artes Plásticas da terceira edição dos Prêmios Observatório D’Achtall. Realizou exposições individuais em vários museus em todo o mundo: Stedelijk Van Abbemuseum Eindhoven, 1995; Solomon R. Guggenheim Museum, Nova Iorque, 1997; Renaissance Society, Chicago; Palácio de Velázquez; Museu Nacional de Artes Rainha Sofia, Madri; Museu Guggenheim Bilbao, 1998; Carré D’Art Musée d’Art Contemporain, Nîmes, França, 2000; Museu Serralves, Porto, Portugal, 2002; Whitechapel Art Gallery, Londres e Museum of Modern Art Dublin, ambos em 2003; Ludwig Museum, Colônia, Alemanha 2006; Pinacoteca do Estado de São Paulo, 2008; Fondazione Arnaldo Pomodoro, Milão, 2009; e Marian Goodman Gallery de Nova Iorque e de Paris, ambas em 2011.

 

 

Sobre a curadora

 

Lynne Cooke foi curadora-chefe e vice-diretora do Museu Nacional Centro de Arte Rainha Sofia, Madri, de 2008 a 2010. Por mais de uma década as exposições, ensaios e outros projetos de Lynne Cooke têm sido uma força vital no mundo da arte contemporânea. Desde 1991 é curadora da Dia Art Foundation, em Nova Iorque. Foi co-curadora da Bienal de Veneza em 1986, da Carnegie International em 1991 e diretora artística da Bienal de Sidney, Austrália, 1996. É professora do Centro de Estudos Curatoriais do Bard College, além de ter sido professora convidada dos departamentos de pós-graduação de arte das universidades de Yale, Columbia e outras. Conquistou em 2000 o prêmio Curador Independente, oferecido pela Fundação Internacional Agnes Gund. Entre os numerosos trabalhos que publicou estão ensaios recentes sobre as obras de Francis Alÿs, Rodney Graham, Zoe Leonard, Agnes Martin, Diana Thater, Blinky Palermo, Jorge Pardo e Richard Serra.

 

 

De 14 de agosto a 20 de outubro.

(Em 14 de agosto, às 18h30: mesa-redonda com Cristina Iglesias e a curadora Lynne Cooke).

NOVÍSSIMOS!!!

07/ago


A Galeria de Arte Ibeu, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ, apresenta a exposição “Novíssimos 2013”, em sua 43ª edição, onde as inquietações comuns a artistas de diversas gerações e localidades estão reunidas em um mesmo espaço expositivo. O objetivo de ” NOVÍSSIMOS” é reconhecer e estimular a produção desses novos artistas, e com isso apresentar um recorte do que vem sendo produzido no campo da arte contemporânea brasileira.

 

Para a crítica de arte Fernanda Lopes, que assina o texto desta exposição: “Deslocar. Tirar alguém ou alguma coisa (seja um objeto ou ideia) do lugar competente, de seu papel ou função esperados. Esse parece ser o mote dos trabalhos dos 16 artistas selecionados para a 43a edição do Salão de Artes Visuais Novíssimos da Galeria IBEU. Em um contexto geral onde as dúvidas parecem não ter mais espaço, a produção selecionada para esta exposição parece ter como um ponto em comum a tentativa de indicar folgas, revelar falhas, abrir brechas em uma zona de conforto, restituindo ao público, à instituição e ao artista o incômodo e difícil benefício da dúvida.”

 

Em 51 anos de existência, participaram deste Salão artistas como Anna Bella Geiger, Ivens Machado, Ascânio MMM, Ana Holck, Mariana Manhães, Bruno Miguel, Pedro Varela, Gisele Camargo, entre outros. Até 2012, 566 artistas já haviam participado desta coletiva anual.
A edição “Novíssimos 2013” conta com a participação de 16 artistas que apresentam trabalhos em desenho, pintura, instalação, objeto, vídeo e fotografia. Os artistas selecionados são: André Terayama (São Paulo), Carolina Martinez (Rio de Janeiro), Daniel Frota (Rio de Janeiro), Eduarda Estrella (Rio de Janeiro), Fernanda Furtado (Rio de Janeiro), Frederico Filippi (São Paulo), Íris Helena (Paraíba), Luisa Marques (Rio de Janeiro), Luiza Crosman (Rio de Janeiro), Maíra Dietrich (São Paulo), Marcela Antunes (Rio de Janeiro), Marcelle Manacés (Rio de Janeiro), Mario Grisolli (Rio de Janeiro), Mayra Martins Redin (Rio de Janeiro), René Gaertner (Rio de Janeiro) e Rodrigo Moreira (Rio de Janeiro). O artista em destaque no Salão de Artes Visuais Novíssimos 2013 será contemplado com uma exposição individual na Galeria de Arte Ibeu em 2014.

 

 

Até 30 de agosto.

Princípios simbólicos na Laura Marsiaj

06/ago

 

Em sua primeira individual na galeria Laura Marsiaj, Ipanema, Rio de Janeiro, RJ, Monica Piloni  mostra um par de esculturas, denominadas “Ímpar”. O trabalho de Monica Piloni está apoiado em princípios simbólicos que fazem referência a uma espécie de tríade entre o positivo, o negativo e o neutro, a doutrina das três forças que são a raiz de todos os sistemas e faz parte de um código suscetível de várias interpretações. No caso das esculturas, uma hiper-realista e a outra em bronze polido, estão suspensas por um trio de muletas criando uma tensão porém, em equilíbrio pleno na sua levitação. Suas formas foram extraídas da figura humana e reagrupadas numa colagem que triplica os pares e opostos como os seios e a perna esquerda, da mesma maneira que triplica os únicos pontos centrais como o umbigo e a vagina. Sua construção partiu do tetraktys, o símbolo primário da filosofia pitagórica, no qual um triângulo equilátero com um ponto central e quatro pontos em cada lado, representava o universo e a soma de todas as dimensões geométricas possíveis.

 

 

No Anexo

 

Na sala anexa serão exibidos dois vídeos de Monica Piloni, um deles com o título de “16B”  e outro também com o título de “Ímpar” que criará a atmosfera para esta série em que a artista está absorvida desde 2008. No vídeo “Ímpar”, o recurso de espelhamento tão ordinário e demasiadamente explorado foi conveniente para representar no plano o que já era construído tridimensionalmente.  Os momentos obscuros são iluminados por supostos ritos e intercalados com penetrações em planos fechados. Em “16B”, o número do apartamento onde foi seu antigo atelier, a própria artista interage com os seus objetos inanimados.

 

 

Até 29 de agosto.

 

Passagens bíblicas de Carlos Araujo

22/jul

 

A Sergio Gonçalves Galeria, Centro, Rio de Janeiro, RJ, apresenta “Genesis“, exposição individual de pinturas de Carlos Araujo, que retrata passagens bíblicas em 15 obras em óleo sobre tela. A mostra celebra a Jornada da Juventude e a vinda do Papa Francisco ao Brasil.  Há 30 anos Carlos Araujo trabalha apenas sobre o tema sacro, retratando citações da Bíblia, e reúne um acervo impressionante: já pintou 2 mil telas sobre 750 citações. Na mostra carioca, através de seu estilo o artista exibe obras relativas ao livro do Antigo Testamento.

 

 

Paralelamente à mostra será lançado o terceiro livro do artista, “Gênesis”, com 300 páginas, capa dura e sobrecapa, em tiragem de 3 mil exemplares. Composto por telas dispostas em ordem cronológica, traz títulos que fazem referência direta às passagens retratadas. Carlos Araujo morava em Paris quando um convite mudou sua carreira – e sua vida pessoal. “Em 1989, lancei um livro de litogravuras editado por Claude Draeger para a Édition Anthèse, que abordava a temática da não-espiritualidade como uma das causas da miséria humana. Pesquisando, vi que isso não tinha fim. Neste momento recebi uma encomenda de uma grande editora francesa para um livro sobre o Apocalipse de São João – um livro enorme, com capa de bronze. Foi a grande virada: digo que entrei na Bíblia quase por imposição. Mas nunca mais saí dela”, conta o artista.

 

 

A partir daí, Carlos Araujo entrou “em uma viagem sem fim”, como ele mesmo define. Não sem sacrifício. “À medida que você penetra neste universo, tudo o que você achava sobre as coisas deixa de ser e o que você não percebia passa a existir. Foram três anos de reviravolta pessoal, mas depois tudo passou a fluir mais facilmente. E tive a consciência do que teria de fazer com minha arte dali para a frente”, conta.  O galerista Sergio Gonçalves conhece o artista há bastante tempo, e queria muito trazê-lo para a galeria. “Araujo é o único artista brasileiro que tem um quadro no Museu do Vaticano, o painel “Anunciação”, de 1979, e também o único a expor no Parlamento Europeu”, atesta Gonçalves. A mostra no Vaticano aconteceu em 2009, na Basilica Papale di San Paolo, em decorrência do lançamento de seu primeiro livro, “Bíblia Citações” – uma edição de 685 páginas com  a reprodução de 900 obras, com 50cm de altura e pesando 10 quilos, cujo primeiro exemplar foi entregue ao Papa Bento XVI. A individual no Parlamento Europeu ocorreu em 2012 e denominava-se “Peintures de la Biblie”.

 

 

Araujo já tem dois livros com esta temática: além de “Bíblia Citações”, de 2007, lançou, em 2010, “Araujo – Pinturas do Antigo e Novo Testamento”. Na mostra atual  também será lançado o aplicativo para iPad Bíblia em 1000 imagens, com obras do Gênesis ao Apocalipse, lançado este mês em versão eletrônica em quatro línguas, e que até o fim do ano que vem será lançada em mais oito. “Até agora foram 2 mil quadros retratando 750 passagens. Como a Bíblia tem 35 mil citações, acho que ainda tenho um longo caminho pela frente”, diz o artista. “Além do mais, à medida que me aprofundo no estudo dos textos bíblicos, os quadros vão fluindo mais facilmente. E ao traduzir este ensinamento em imagens, me aproximo mais da igreja primitiva, em que as mensagens eram passadas pictoricamente, já que poucos sabiam ler. É quase uma missão: não sem sacrifício, mas com muito prazer”, finaliza.

 
Sobre o artista

 

Carlos Araujo nasceu em São Paulo, SP, 1950. Entre as principais exposições coletivas e individuais que realizou destacam-se: 1973 – Museu de Arte de São Paulo, MASP, São Paulo, SP, – integra a exposição “Imagens do Brasil”; 1974 – Museu de Arte de São Paulo, MASP, São Paulo, SP, – individual; 1979 – Museu de Arte de São Paulo, MASP, individual, Museu do Vaticano – painel “Anunciação”; 1984 -Museu de Arte Brasileira, MAB, São Paulo, SP, – individual; Fundação Armando Álvares Penteado, São Paulo, SP, lançamento, “Araujo”, Monografia – Éditions Anthèse, Claude Draeger, Paris; 1988 – lançamento, “Araujo – Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse”, livro-objeto – litografias originais – French Art Book Editions, Ariane Lancell, Paris; 1993 -Fundação Danielle Miterrand – painel “As crianças do Brasil”, Paris; 2007 – Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Florença, Sala Especial, Florença, Itália; lançamento, “Araujo – Bíblia – Citações 1028 pinturas” – livro, cujo primeiro exemplar foi entregue ao Papa Bento XVI pelo Governo do Estado de São Paulo; Fundação Casa França-Brasil – individual – Rio de Janeiro, RJ; 2008 – Carroussel du Musée du Louvre – coletiva, Paris; 2009 – Basílica Papal de São Paulo – individual, Vaticano; 2010 – Museu Brasileiro da Escultura, MuBE, – individual – São Paulo; 2012 – Parlamento Europeu – individual – Bruxelas, Bélgica.

 

 

De 23 de julho a 24 de agosto.

Alexandre Mury, Fricções históricas

19/jul

 

A Caixa Cultural, Centro, Rio de Janeiro, RJ, exibe em sua Galeria 1, a exposição“Fricções históricas”, mostra individual do artista plástico Alexandre Mury, com curadoria de Vanda Klabin e coordenação geral do marchand Afonso Costa. Nessa que será a primeira mostra institucional individual do artista, o espectador terá a oportunidade de conferir um panorama de imagens que, muito mais que se prestarem ao julgamento estético, instigam e provocam a reflexão sobre temas extremamente presentes. Os trabalhos de Mury evocam questões antropofágicas de autoria, tais como cópia, citação, releitura, recriação, crítica, apropriação, paródia, pastiche, já que ele trabalha a partir de obras consagradas, canônicas, portanto, de rápido reconhecimento. Sua proposta faz, assim, a discussão enveredar pelo questionamento do próprio papel da obra de arte em nossa sociedade.

 

A exposição “Alexandre Mury | Fricções históricas” apresenta um vídeo e 42 fotografias em grandes formatos, metade delas inéditas, todas protagonizadas pelo próprio artista, com provocativas releituras de obras consagradas da história da arte, ícones da cultura e do imaginário coletivo. São releituras do olhar único de Mury, que desenvolve um estudo não linear da história da arte, percorrendo do renascentista ao contemporâneo, passando pela Antiguidade e indo ao moderno. Uma das obras inéditas bastante esperadas para esta exposição é a versão de Mona Lisa, de Leonardo da Vinci. Para aparecer em sua leitura da obra renascentista, Mury raspou o cabelo, a barba e as sobrancelhas.
A alquimia poética que envolve os trabalhos de Alexandre Mury tem a capacidade de nos trazer questionamentos, inquietações, provocações e até um insistente desconforto aliado às ambiguidades de um prazer libidinoso. Desdobrar-se e despersonalizar-se ao estabelecer o seu eu como centro de todas as suas obras, por meio de um procedimento descontínuo e lacunar, gerado ao transformar a própria imagem constantemente e introduzir o seu ser como agente de suas investigações históricas, é exatamente a junção de acontecimentos que o torna portador de uma experiência artística bastante singular, diz a historiadora de arte e curadora da exposição, Vanda Klabin.

 

 

Sobre o artista

 

Alexandre Mury nasceu em São Fidélis, RJ, 1976, onde reside. Artista por vocação, desde criança desenhou e pintou e aos 16 anos começou a fotografar. Em 1997, ingressa na Faculdade de Filosofia de Campos cursando Publicidade e Propaganda, que conclui em 2001. Lecionou em algumas faculdades entre 2003 e 2006, nos cursos de Comunicação Social e Design Gráfico. Atuou profissionalmente como diretor de arte em agências de publicidade de 2001 até 2010. Desde então, dedica-se exclusivamente ao trabalho de fotografia, participando de importantes coleções, como as de Gilberto Chateaubriand e Joaquim Paiva.

 

 

Sobre a curadora

 

Vanda Klabin é historiadora de arte, curadora de diversas exposições de arte e autora de artigos e ensaios sobre arte contemporânea. É formada em Ciências Políticas e Sociais, pela PUC-Rio e em História da Arte e Arquitetura pela Uerj. Fez pós-graduação em Filosofia e História da Arte, PUC-Rio. Nasceu, vive e trabalha no Rio de Janeiro.

 

 

De 20 de julho a 8 de setembro.

Lançamento e sessão de autógrafos

17/jul

A Mercedes Viegas Arte Contemporânea, Gávea, Rio de Janeiro, RJ, recebe em seu espaço para o lançamento do livro “Palácio: Alvaro Seixas, Hugo Houayek, Rafael Alonso” e uma sessão de autógrafos com os artistas. Na noite do evento será realizada também uma mostra relâmpago com obras dos três artistas. Alvaro Seixas é representado pela galeria, onde realizou mostra individual em 2012.

 

“Palácio” foi uma exposição que ocorreu nos meses de outubro e novembro de 2012, no Palácio Gustavo Capanema, Rio de Janeiro, com obras de Alvaro Seixas, Hugo Houayek e Rafael Alonso. Foram apresentados trabalhos concebidos especificamente para o mezanino do edifício, pensa­dos para estabelecerem um diálogo entre si e o prédio. A exposição resultou de projeto concebido pelos três artistas, contemplados com o Prêmio Funarte de Arte Contemporânea2011, Projéteis Funarte de Artes Visuais Rio de Janeiro.

 

O livro “Palácio: Alvaro Seixas, Hugo Houayek, Rafael Alonso” consiste não apenas de um catálogo que documenta e investiga exaustivamente a mostra em questão, mas explora também as produções individuais dos três artistas, a partir de imagens de algumas de suas mais significativas obras anteriores e de entrevista realizada com os artistas pelo crítico e curador de arte Felipe Scovino e pelo artista e crítico de arte Fernando Gerheim. A publicação conta com as versões em inglês dos textos originais em português.

 

 

Sobre os artistas

 

Alvaro Seixas, Rio de Janeiro, 1982, é artista visual. Atualmente cursa doutorado em linguagens Visuais no Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da Escola de Belas Artes na Universidade Federal do Rio de Janeiro, pela qual é Mestre, na mesma linha de pesquisa. Graduou-se em Pintura na mesma instituição. Em suas obras e escritos explora principalmente as noções de “pintura”, “abstração” e “apropriação”. Em 2011, publicou o livro Sobre o Vago – Indefinições na Produção Artística Contemporânea, pela editora Apicuri.

 

Hugo Houayek, Rio de Janeiro, 1979, é artista visual com mestrado em Linguagens Visuais no Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da Escola de Belas Artes na Universidade Federal do Rio de Janeiro, graduado em Pintura na mesma instituição.
Desenvolve uma pesquisa artística sobre o campo pictórico, suas margens e limites, en­tendendo a pintura, em suas próprias palavras, “como um corpo que nos olha incessantemente”. Publicou em 2011 o livro “Pintura como Ato de Fronteira – o confronto entre a pintura e o mundo”, também pela Editora Apicuri.

 

Rafael Alonso, Niterói, 1983, é artista visual. Cursa o mestrado em Linguagens Visuais no Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Graduou-se em Pintura na mesma instituição. Em seus trabalhos, propõe negociações entre a pintura e o cotidiano.

 

Data: 18 de julho, 19h.

 

 

Novas Apostas

03/jul

 

A Galeria Laura Marsiaj, Ipanema, Rio de Janeiro, RJ, apresenta a mostra “Idolatria Vã”, que reúne obras de novas apostas da arte pictórica, incluindo Camila Soato, indicada ao “Prêmio Pipa 2013”. Idolatria Vã foi, historicamente, um medo da religião católica de substituição dos deuses por imagens que fossem idolatradas. Na mesma época, na história da pintura, no século XX, foi solicitada a autonomia da obra, uma espécie de aniquilamento da imagem, mas a idolatria sobre a forma continuou. “Hoje, percebemos que os ídolos são outros, anônimos, banais”, afirma o curador e crítico de arte Marcelo Campos.
Embalados pelo tema proposto é que novos artistas apresentam seus trabalhos na Galeria Laura Marsiaj. Na mostra “Idolatria Vã”, será conhecido o talento desvendado por Marcelo Campos através de um ano de acompanhamento dos trabalhos de três artistas selecionados: os jovens pintores Bruno Drolshagen e Rodrigo Martins, mais Camila Soato, Pablo Lobato e a espanhola Irene Grau, que apresentarão uma bela e recente produção em torno da pintura figurativa, dialogando entre si.

 

Na escolha dos trabalhos, evidenciaram- se características comuns entre os artistas como o estranhamento diante da paisagem, um interesse por retratar pessoas e cenas banais, além da narrativa fantasiosa. Segundo Marcelo Campos, também agregam-se elementos afetivos distantes, domesticidades, estrangeirismos, e os efeitos de luz nas pinceladas. São 20 telas, em óleo e acrílico e 3 fotografias de Pablo Lobato, que serão apresentadas no anexo da galeria seguindo as particularidades da mostra.

 

Até 25 de julho.

 

Elizabeth Jobim no MAM-RIO

19/jun

O MAM – Rio, Parque do Flamengo, Rio de Janeiro, RJ, apresenta a exposição “Elizabeth Jobim – Blocos”, sua primeira individual no Museu, com 13 obras da inédita série “Blocos”, produzidas este ano. Com curadoria de Luiz Camillo Osorio, a artista exibe blocos de dois metros de altura, com pinturas a óleo sobre tela e madeira. Cada trabalho – ou bloco – está disposto em conjuntos de um, dois ou três elementos, cada qual com uma cor distinta. Além do azu – marca da produção da artista – e cores escuras como o verde musgo e o bordeaux, estão nesta exposição trabalhos em cores vibrantes como amarelo limão, laranja e azul turquesa, ou neutras como cinza e ocre. As obras foram pensadas especialmente para o espaço do Museu.

 

Os primeiros elementos com volume aparecem em sua pintura a partir de 2008, quando as telas, dispostas lado a lado, tinham profundidades diversas e assim ganhavam relevo. Na mostra “Endless Lines”, na Lehman College Art Gallery, em Nova York, as telas recobriam as paredes e formavam um único trabalho, cercando o visitante. Nesta exposição, pela primeira vez na trajetória da artista, as obras ganham o espaço. “Antes, o visitante estava rodeado pelo trabalho, que ocupava as paredes. Agora, no MAM, o espectador é quem vai rodear o trabalho, com o seu corpo. A diferença é que a pintura desta vez não tem a parede para se apoiar”, ressalta Elizabeth Jobim.

 

 

Nestes trabalhos, a artista estabelece relações com o neoconcretismo, em especial com os “Objetos Ativos”, de Willys de Castro e os “Penetráveis” de Hélio Oiticica. Luiz Camillo Osorio, ao escrever sobre a exposição, observa que “…este novo momento da obra, todavia, já vinha amadurecendo há algum tempo, com os planos de cor se avolumando e se deslocando na superfície da pintura. Neste salto dos “Blocos” – que remetem aos objetos ativos de Willys de Castro e também aos objetos específicos de Donald Judd  – a estrutura geométrica fica mais solta, assumindo uma corporalidade mais frágil e menos impositiva. As relações de cor são criadas nos intervalos pelos quais o espectador caminha e a apreensão integral da forma instalada só se dá por partes e de modo fragmentado. Os “Blocos” são arejados, vibram com a presença da cor e deixam o olhar caminhar de modo sereno e sem pressa”.

 

“Esta exposição de Beth Jobim é um momento novo de sua obra, deslocando a pintura e a cor para atuarem diretamente no espaço real do espectador. Os ‘Blocos’ são ao mesmo tempo pintura, escultura e instalação. Eles funcionam isolados, como blocos ativos de cor, mas também podem ser integrados enquanto instalação, dinamizando todo o espaço a sua volta. O espectador deve percorrê-lo livremente, criando sua própria narrativa de apreensão e circulação. Creio, entretanto, que o elemento condutor será a atração cromática de cada bloco que vai puxando o movimento do corpo nesta ou naquela direção”, afirma o curador. Esta é a primeira exposição institucional da artista no Rio de janeiro desde “Aberturas”, realizada no Paço Imperial em 2006. Em 2010, a Pinacoteca do Estado de São Paulo organizou a exposição “Elizabeth Jobim – Em azul”.

 

 

Sobre a artista

 

 

Elizabeth Jobim nasceu em 1957 no Rio de Janeiro, onde estudou desenho e pintura com Anna Bella Geiger, Aluísio Carvão e Eduardo Sued. Formou-se em Comunicação Visual na PUC/RJ, em 1981. Cursou especialização em História da Arte e da Arquitetura Brasileira em 1988-1989. De 1990 a 1992, fez mestrado em Fine Arts, MFA, na School of Visual Arts de Nova York. Lecionou no Ateliê de Desenho e Pintura da Escola de Artes Visuais do Parque Lage, Rio de Janeiro), em 1994 e 2010. Entre as exposições que participou, destacam-se: Salão Nacional de Artes Plásticas, no Museu de Arte Moderna, Rio de Janeiro, 1982/1983; Como vai você Geração 80?, no Parque Lage, Rio de Janeiro, 1984; Rio hoje, no MAM-RIO, 1989; Panorama da arte atual brasileira, no MAM – SP, 1990); Influência poética: dez desenhistas contemporâneos, Amilcar de Castro e Mira Schendel, no Paço Imperial, Rio de Janeiro, 1996; Brasil arte contemporânea brasileira, na Galeria Nacional de Belas Artes, Pequim, China, 2001; O espírito de nossa época: coleção Dulce e João Carlos de Figueiredo Ferraz, no MAMA – Rio e MAM – SP, 2001; Caminhos do contemporâneo – 1952/2002, no Paço Imperial, Rio de Janeiro, 2002  e 5ª Bienal do Mercosul, Porto Alegre, RS, 2005; Aberturas, no Paço Imperial, Rio de Janeiro, 2006;  Endless lines, na Lehman College Art Gallery, Nova York, 2008  exposta concomitantemente à instalação Sem fim, na Lurixs Arte Contemporânea, Rio de Janeiro; Voluminous, na Frederico Sève Gallery, Nova York, 2009; Em azul, na Estação Pinacoteca, São Paulo, 2010; Art in Brasil 1950-2011 – Europalia 2011, no Palais des Beaux-Arts, Bruxelas, Bélgica, 2011; Mineral, na Lurixs Arte Contemporânea, Rio de Janeiro, 2012 e Forma e Presença, na Simões Assis Galeria de Arte Curitiba, PR, 2013) e Aproximações Contemporâneas, na Roberto Alban Galeria de Arte, Salvador, BA, 2013. Elizabeth Jobim é filha do famoso compositor Tom Jobim.

 

 

De 20 de junho a 18 de agosto.

Mulheres no CCBB

14/jun

“ELLES: Mulheres artistas na coleção do Centro Pompidou” é um dos cartazes do Centro Cultural Banco do Brasil, CCBB, Centro, Rio de Janeiro, RJ. Trata-se de uma exposição de obras de artistas mulheres da coleção do Centro Georges Pompidou/ Musée National d’Art Moderne, Paris, França, que abriga a maior coleção de arte contemporânea da Europa. O recorte apresenta desenhos, instalações, pinturas, esculturas, fotografias e vídeos de mais de sessenta artistas pioneiras que revolucionaram, cada uma a seu modo, os conceitos artísticos de seu tempo. Com humor, desprezo, sensualidade e ambigüidade, essas mulheres representam os principais movimentos de Arte Moderna, desde a abstração às questões contemporâneas mais prementes. A curadoria é assinada por Emma Lavigne e Cécile Debray e a organização geral é do próprio Centro Pompidou.

“ELLES” percorre a trajetória da arte contemporânea produzida por mulheres e oferece ao espectador diferentes ângulos de visão – oportunidades para explorar distintas visões e perspectivas a partir do universo de cada criadora. Muitas delas, inclusive, estão representadas em mais de uma seção, devido às características de determinadas obras.

 

As seções e as artistas

 

A primeira seção, “Tornar-se uma artista”, homenageia a pioneira Sonia Delaunay e está subdividida em três subseções: Pioneiras (obras das homenageadas e da portuguesa Maria Helena Vieira da Silva), “A parte do inconsciente” apresenta as surrealistas, com obras de Marie Laurencin, Dorothea Thanning e Germaine Dulac, entre outras e “Questionando o gênero”, trabalhos de Valérie Belin, Suzanne Valadon, Pipilotti Rist e outras.

 

“Abstração colorida/abstração excêntrica”, a segunda seção, também é dividida em três partes. Na primeira, “Excêntrica”, obras de Louise Bourgeois, Joan Mitchell e Maria Helena Vieira da Silva; “Colorida” abriga trabalhos de Marthe Wéry e Aurélie Nemours; e “Espaços infinitos”, a terceira subseção, contempla as artistas Geneviève Asse e Vera Molnar.

 

A terceira seção, “Feminismo e a crítica do poder”, talvez a mais provocativa e polêmica,  reúne a maior parte das obras. A subseção “Pânico genital”, subdividida em “Espaço doméstico” e “Reflexão”, apresenta trabalhos de Orlan, Nikki de Saint Phalle, Sonia Andrade, Hanna Wilke e outras. Na subseção “Enfrentando a história”, as brasileiras Anna Bella Geiger, Anna Maria Maiolino e Letícia Parente dividem a cena com Sigalit Landau e Marta Minujin.

“Musas contra o museu”, a terceira subseção, reúne ainda o vídeo “Museum Highlights: a gallery talk”, de Andrea Fraser, de 1989, o painel “Guerrilla Girls” (que será produzido no Brasil) e trabalhos das artistas Agnès Thurnauer e Sherrie Levine.
Na quarta seção, “O corpo”, o público pode conferir os trabalhos de artistas como Nan Goldin, Eleanor Antin e Carolee Schneemann, entre outras.

 

Em “Narrativas”, a quinta e última seção, figuram obras de Sophie Calle, Annette Messager e das brasileiras Rosângela Rennó e Rivane Neuenschwander, entre outras.

 

Sucesso desde o lançamento em Paris, em 2009, a exposição “ELLES: Mulheres Artistas na coleção do Centro Pompidou” foi exibida em Seattle, EUA, entre outras cidades.

 

 

Até 14 de julho.

Vanda Klabin Seleciona

A Galeria Athena Contemporânea, Shopping Cassino Atlântico, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ, apresenta a mostra coletiva “Entrecruzamentos”. A exposição, com curadoria de Vanda Klabin, terá como tema o corpo e apresentará fotografias de oito artistas importantes do cenário da fotografia contemporânea brasileira, entre eles Alaír Gomes, Alexandre Mury, Brígida Baltar, Eduardo Masini, Paulo Bruscky, Raquel Versieux, Raphael Couto, Yuri Firmeza e Rodrigo Braga. A mostra está no circuito do FotoRio 2013, Encontro Internacional de Fotografia do Rio de Janeiro.

 

“As fotografias não são somente pontos de referência, muitas vezes elas são detonadoras de ideias”. A frase de Francis Bacon, segundo Vanda Klabin, explica sobre o projeto de organizar a coletiva. Ela conta que o conjunto de obras proposto é um painel significativo de artistas atuantes no cenário da fotografia: “ – Essa mostra nasceu de um diálogo visual entre os trabalhos aqui apresentados, tendo o corpo como elemento constitutivo para sua realização, como um fluxo poético em suas múltiplas enunciações e desdobramentos conceituais, primordiais para a constituição do imaginário contemporâneo”, afirma Vanda.

 

Sobre os artistas

 

 

Alair Gomes – O artista teve uma sala em sua homenagem na Bienal de São Paulo do ano passado e em 2009, teve uma exposição individual na MEP, Maison Européene de la Photographie.

Alexandre Mury – Vai realizar exposição individual na Caixa Cultural, Rio de Janeiro, em julho e tem obras no acervo do Museu de Arte do Rio e no MAM-Rio.

Brígida Baltar – Fez uma exposição individual nas Cavalariças do Parque Lage em 2012 e participou de uma exposição em abril no MAM, Salvador, Bahia.

Eduardo Masini – Realizará exposição individual no Museu Inimá de Paula, Belo Horizonte, MG, em agosto deste ano.

Paulo Bruscky – Realizou uma exposição no Laboratório Interactivo de Arte, Ciencia y Tecnologia – Plataforma Bogotá, Colômbia, onde teve seu trabalho discutido. Tem obras no acervo da Tate e MOMA.

Raphael Couto – Participou da exposição “A imagem em questão”, Parque Lage, 2012.

Raquel Versieux – Fez uma residência na Croácia com o lançamento de um livro chamado “Neven” e acabou de participar do Rumos Itaú Cultural, no Paço Imperial

Rodrigo Braga – Participou da Bienal de São Paulo em 2012 e após ganhar o prêmio ICCO SP-Arte 2013, cumprirá período de residência em NY no RU, Residency Unlimited.

Yuri Firmeza – Participa de exposição coletiva no MAR, Rio de Janeiro. Encontra-se com exposição em Santander na Espanha. Está na coleção do MAM, Centro Cultural Banco do Nordeste, entre outros.

 

 

De 18 de junho a 20 de julho.