Mostra na Anita Schwartz Galeria.

07/fev

A Anita Schwartz Galeria de Arte, Gávea, Rio de Janeiro, RJ,  inaugurou a programação de exposições de 2025 com “Inatividade contemplativa”, quinta edição do Projeto GAS, sob a curadoria de Cecília Fortes. Inspirada no livro “Vita contemplativa: ou sobre a inatividade”, do filósofo sul-coreano radicado na Alemanha, Byung-Chul Han, a nova exposição reverência a pausa, o respiro e a fruição do tempo livre como um momento de repouso sagrado que reúne em si intensidade vital. É um convite à suspensão do tempo, uma afirmação do elemento contemplativo.

“Inatividade contemplativa” bebe dessa fonte e reúne obras de artistas representados pela Anita Schwartz Galeria de Arte e alguns convidados, que se conectam com o princípio da contemplação como um momento rico de fruição. Completam o projeto duas ativações que se conectam à proposta conceitual, a serem realizadas em fevereiro e março, respectivamente: um sarau de poesia conduzido pela poeta carioca Luiza Mussnich, e uma prática de respiração consciente e de meditação sonora (sound healing), com Guga Dale e Victor Chateaubriand.

Os artistas e as obras

Adriana Vignoli apresenta esculturas, objeto e desenho-colagem que abordam a relação entre plantas e cosmologia, e a transmutação de materiais. Da apreciação de diferentes rios do Brasil nasce “Confluência”, composição digital de Claudia Jaguaribe. Em série recente, Fernando Lindote parte da contemplação das cores, formas e texturas das flores.   Gabriela Machado incorpora as formas da natureza e a observação do ambiente que a rodeia em paineis de grande escala e cores vibrantes. Luiz Eduardo Rayol manifesta o sublime através de “Toda a história do mundo”, uma pintura de contorno irregular. Rosana Palazyan registra em bordado a memória das folhas que viu nascer, das plantas adormecidas que germinaram no jardim e foram replantadas na terra do Parque da Catacumba. Thiago Rocha Pitta incorpora em afresco e aquarela elementos captados pela retina em momentos de observação minuciosa do céu, durante a noite: um eclipse, um cometa, a imagem do mapa celeste. E as composições abstratas de Tiago Mestre partem de uma constante observação do mundo e incorporam elementos como fogo, fumaça, corpos celestes e terrestres.

No segundo andar da galeria, Bruna Snaiderman nos instiga a desvendar o efeito óptico de sua obra laminada. Lenora de Barros saltita nas sílabas do silêncio com a sua poesia performática. Maria Baigur capta nosso olhar pelo movimento de marés improváveis, enquanto Maritza Caneca hipnotiza nossos sentidos num registro particular de luz e cor. Nathalie Ventura suscita reflexões acerca do sentido da existência e nossa relação com o meio-ambiente. E Thiago Rocha Pitta apresenta aquarelas em pequenos formatos, sugerindo reflexões acerca do ambiente natural e do universo onírico.

Até 22 de março.

A fruição do tempo.

31/jan

O calendário de exposições 2025 da Galeria Anita Schwartz, Gávea, Rio de Janeiro, RJ, abriu com a exposição coletiva “Inatividade Contemplativa” – 5ª edição do projeto GAS.

A mostra, que tem curadoria de Cecília Fortes apresenta obras dos artistas Adriana Vignoli, Bruna Snaiderman, Claudia Jaguaribe, Fernando Lindote, Gabriela Machado, Lenora de Barros, Luiz Eduardo Rayol, Maria Baigur, Maritza Caneca, Nathalie Ventura, Rosana Palazyan, Thiago Rocha Pitta e Tiago Mestre.

“Inatividade Contemplativa” reverencia a pausa, o respiro e a fruição do tempo livre como um momento de repouso sagrado que reúne em si intensidade vital. Inspirada no livro “Vita contemplativa: ou sobre a inatividade”, do filósofo sul-coreano radicado na Alemanha, Byung-Chul Han, “Inatividade Contemplativa” é um convite à suspensão do tempo, uma afirmação do elemento contemplativo.

A visitação segue até o dia 22 de março.

Individual de Marcelo Rezende.

28/jan

Em “Poesia a Ferro e Fogo”, o artista Marcelo Rezende propõe um olhar particular sobre a Arquitetura, a História e a Cultura do Brasil. Através de sua obra, ele convida o espectador a um lugar onde a arte não é só uma representação, mas um processo contínuo de reinterpretação e reconstrução dos imaginários de cada um. A Galeria do Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto, Humaitá, Rio de Janeiro, RJ, abrigará esta exposição individual, que será inaugurada no dia 1º de fevereiro. A visitação seguirá  até 23 de fevereiro.

Com uma trajetória consolidada entre a arte e o design, Marcelo Rezende propõe uma reflexão sobre a urbanidade e a cultura brasileira, utilizando-se de formas e materiais que evocam tanto a memória quanto a transformação. Formado em Design e com estudos em arte na Suíça Alemã e na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, o artista se coloca como um mensageiro da poética visual, capaz de nos transportar para universos intensos e multifacetados.

A exposição “Poesia a Ferro e Fogo” revela um olhar sobre as periferias, marcadas pela escassez e pela contradição, mas também potentes criadoras de cultura e estética. Trazendo uma crítica à ordem social, o artista revisita o cenário urbano brasileiro através de um trabalho intenso com ladrilhos, gradis e elementos da arquitetura suburbana, criando novas leituras para esses objetos carregados de memória histórica.

Marcelo Rezende apresenta em suas obras uma cartografia do imaginário coletivo, onde os espaços sem Estado e sem comando ganham vida através de cores e formas que contestam e reconfiguram a paisagem da cidade. “Em sua pesquisa visual, o artista reconstrói a memória com a força do ferro e do fogo, incorporando o símbolo da luta cotidiana em um campo de ideias onde cada elemento expressa poesia e resistência”, revela o texto crítico de Mario Camargo.

Primeira exibição individual no Rio de Janeiro.

24/jan

 

A exposição “Marcelo Silveira – Entre o mar, o rio e a pedra”, entra em exibição na galeria Nara Roesler, Ipanema, Rio de Janeiro. Marcelo Silveira é um  celebrado artista pernambucano que realiza sua primeira mostra individual na cidade.

Com mostras individuais em várias cidades brasileiras e no exterior, Marcelo Silveira tem participado de importantes exposições coletivas, como a 29ª Bienal Internacional de São Paulo, em 2010, duas edições da Bienal do Mercosul, em Porto Alegre (2015 e 2005), a  4ª Bienal de Valência, no Centro del Carmen, no Museo de Bellas Artes de Valencia, Espanha, em 2007, e o Panorama da Arte Brasileira – “Contraditório”, com curadoria de Moacir dos Anjos, aberto em outubro de 2007 no Museu de Arte Moderna de São Paulo, e que seguiu em fevereiro seguinte para a Sala Alcalá 31, em Madrid, e foi visitado pelo então Ministro Gilberto Gil, dentro da programação da ARCO 2008, quando o Brasil foi o país convidado. Atualmente Marcelo Silveira está presente na coletiva Fullgás – Artes Visuais e Anos 1980 no Brasil, no Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro. Nara Roesler tem exposto o trabalho do artista nos últimos 25 anos, em seus espaços em São Paulo e em Nova York, e agora propicia sua primeira individual no Rio de Janeiro.

O artista consolidou sua trajetória ao longo de 40 anos como um dos grandes nomes da cena contemporânea. Mostrará esculturas em madeira cajacatinga pertencentes às séries “Bolofotes”, “Sementes” e “Peles”, além de obras da série “Cabeludas”, feitas com crina equina e aço inoxidável, e três obras da série “Hotel Solidão”, com colagens criadas a partir de capas e contracapas de edições brasileiras da revista “Grande Hotel”, que foram editadas entre 1947 e 1955. As obras foram selecionadas pelo artista em conjunto com o núcleo curatorial da Nara Roesler. O texto crítico é de Daniela Name, que fará uma visita guiada à exposição junto com o artista na abertura.

Em cartaz de 11 de fevereiro até 05 de abril.

A Gentil Carioca. Estamos de volta!

22/jan

 

We’re back!

Aproveite os últimos dias para visitar as exposições: “O Bastardo: My Black Utopia”, n’A Gentil Carioca, Higienópolis, São Paulo, SP; e, na galeria no Centro do Rio de Janeiro, RJ, a individual de “Kelton Campos Fausto: Ègbé Ọ̀run Ẹgbẹ́ Àiyé” e a mostra coletiva “Geometria Crepuscular”.

A Gentil Carioca | São Paulo

“My Black Utopia”, a primeira exposição individual do artista O Bastardo n’A Gentil Carioca São Paulo, Travessa Dona Paula, 108, Higienópolis, ficará em cartaz até o dia 31 de janeiro. O texto crítico é de Lilia Schwarcz: “Nesta sua nova exposição, chamada My Black Utopia, O Bastardo realiza uma operação de apropriação cultural; mas em sentido inverso. São protagonistas negros que invadem algumas telas, assim chamadas, clássicas, realizando com isso uma espécie de contra apropriação. O Bastardo ganhou renome no cenário das artes por conta da beleza de suas telas, do uso virtuoso das cores, do figurativismo arrojado e da maneira como insere símbolos de alto consumo nas roupas e nas laterais de seus vistosos personagens negros.”

A Gentil Carioca | Rio de Janeiro

“Ègbé ọ̀run Ẹgbẹ́ àiyé”, individual de Kelton Campos Fausto, Rua Gonçalves Lédo, 17, da galeria do Rio de Janeiro, tem texto de apresentação de Matheus Morani: “Em sua obra, a artista vai de encontro à disrupção entre o que é material e imaterial através das relações entre os campos terreno e espiritual segundo a cosmologia iorubá, propondo uma desorientação da razão para nos abrirmos à sensibilidade, ao mistério e ao indizível que nos envolve.”

Já a coletiva “Geometria Crepuscular”, Rua Gonçalves Lédo, 11, sobrado, propõe uma reflexão sobre a geometria na arte contemporânea, explorando uma abordagem que se afasta da rigidez formal e exata para incorporar aspectos mais sutis, sensoriais e subjetivos. Participam da mostra: Agrade Camíz, Aleta Valente, Desali, Dani Cavalier, Mariana Rocha, Mayra Carvalho, Novíssimo Edgar, Panmela Castro, Rose Afefé, Sallisa Rosa, Silia Moan, Siwaju, Vinicius Gerheim, Tainan Cabral, Xadalu Tupã Jekupé, Zé Tepedino.

Ambas as exposições ficam abertas até o dia 01 de fevereiro.

Horizonte Cerrado.

14/jan

Exposição no Centro Cultural Justiça Federal, Centro, Rio de Janeiro, RJ, apresenta um panorama da poética do Cerrado, a partir da coleção de Sergio Carvalho, ao mesmo tempo em que estabelece conversas-embates entre obras que configurem este universo que o centro excêntrico (em relação ao mapa cultural brasileiro) produz como discurso visual e estético. Com curadoria de Marília Panitz, a mostra reúne cerca de 140 obras de mais de 40 artistas, será inaugurada no dia 25 de janeiro.

O Bioma Cerrado é o segundo maior da América do Sul. As modernas capitais dos estados abarcados pelo bioma vão tendo que se haver com a potência da ancestralidade em seus entornos. Cada vez mais, os habitantes desses centros, e em especial aqueles cujo matéria prima do trabalho é a poética, lançam mão da natureza e da cultura ao redor, um redescobrimento que deixa sua marca na produção artística e na ação política de declarar suas especificidades em relação a outras regiões. E suas semelhanças. A proposta desta mostra é estudar, dentro da Coleção Sérgio Carvalho, os indícios de tal hipótese. Sérgio Carvalho é um colecionador de arte contemporânea brasileira, com um acervo que contempla todas as regiões do Brasil. Mas, talvez por viver em Brasília, tenha um documento dos mais interessantes da produção artística – do final do século passado e das duas primeiras décadas deste em que vivemos -, no centro do país. Com obras que abrangem as últimas décadas do século XX e as duas primeiras deste século, Horizonte Cerrado reflete a potência artística de uma região que, embora geograficamente central, é culturalmente excêntrica. Ao reunir produções dos estados do Centro-Oeste (Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal) e regiões limítrofes de Minas Gerais e Bahia, é possível traçar um mapeamento cultural que transcende fronteiras geopolíticas. O Cerrado, enquanto espaço físico e simbólico, influencia não apenas os que nasceram ali, mas também aqueles que, por escolha ou destino, passaram a habitá-lo, reinterpretando sua força e beleza em diversas linguagens artísticas.

Artistas participantes.

Dirceu Maués, Fernanda Azou, Gisele Camargo, Irmãos Guimarães, Ismael Monticelli, Marcos Siqueira, Pedro Gandra, Athos Bulcão, Elder Rocha, Evandro Prado, Helô Sanvoy, Luiz Mauro, Miguel Ferreira, Raquel Nava, Rava, Virgílio Neto, Adriana Vignoli, Alice Lara, David Almeida, Florival Oliveira, Isadora Almeida, João Angelini, Karina Dias, Luciana Paiva, Ludmilla Alves, Marcelo Solá, Matias Mesquita, Pedro David, Pedro Ivo Verçosa, Wagner Barja, Andrea Campos de Sá, Walter Menon, Antônio Obá, Coletivo Três Pe, Derik Sorato, Léo Tavares, Valéria Pena Costa, Bento Ben Leite, Camila Soato, Fabio Baroli, Pamella Anderson.

O colecionador.

Residente em Brasília, Sérgio Carvalho, advogado, 64 anos, começou sua coleção de artecontemporânea em 2003, quando conheceu Nazareno, José Rufino, Eduardo Frota e  Valéria Pena-Costa, que o apresentaram a outros artistas. Encantado com o universo poético de cada um deles, Carvalho resolveu vender as gravuras de Oswaldo Goeldi que possuía para comprar fotografias de Lucia Koch. Hoje – 22 anos após iniciar sua coleção – Sérgio Carvalho reúne obras de alguns dos mais importantes artistas contemporâneos brasileiros, entre os quais Regina Silveira, Nelson Leirner, Iran do Espírito Santo, Efrain Almeida, Sandra Cinto, Emmanuel Nassar, Hildebrando de Castro, Rubens Mano, Berna Reale, Ana Elisa Egreja, Jonathas de Andrade, Flavio Cerqueira, Sofia Borges, Camila Soato e Rodrigo Braga, Zé Crente, Cícero e Mestre Paquinha.

Exibição das reflexões de Ismael Monticelli.

09/jan

A Casa França-Brasil, Centro, Rio de Janeiro, RJ, apresenta a exposição “O Teatro do Terror”, exibição individual de Ismael Monticelli (vencedor da quinta edição do Prêmio FOCO da ArtRio), que propõe uma reflexão sobre os ataques antidemocráticos ocorridos em 08 de janeiro de 2023. Em diálogo com o Futurismo – movimento artístico do início do século XX associado ao fascismo -, Ismael Monticelli realiza uma instalação que transforma o edifício projetado por Grandjean de Montigny em um palco de combate, violência e teatralidade, evidenciando o caráter midiático e espetacular da tentativa de golpe contra o Estado Democrático de Direito.

Após receber mais de 40 mil visitantes no Museu Nacional de Brasília, a instalação chega ao Rio de Janeiro em um momento simbólico de dois anos dos atos que vandalizaram as sedes dos Três Poderes, reexaminando suas complexidades, ressonâncias e desdobramentos. O público é convidado a refletir sobre como a violência se entrelaça com a celebração, ecoando na estética dos movimentos extremistas e suas representações culturais. Com texto assinado por Clarissa Diniz.

A instalação de Ismael Monticelli ocupa os 30 metros de extensão da nave central da Casa França-Brasil e apresenta uma cena de conflito com figuras humanas em escala real, pintadas em tinta acrílica sobre caixas de papelão abertas e recortadas. Para criar essas figuras, o artista se apropriou do imaginário das obras do italiano Fortunato Depero, produzidas na década de 1920. Nesse período, Depero estava alinhado ao programa estético e ideológico do futurismo, criando imagens que exploravam o tema da guerra e do combate. Em uma obra em particular, intitulada Guerra=Festa (1925), Depero retratou em tapeçaria uma cena da Primeira Guerra Mundial. No entanto, ao contrário das expectativas de truculência e sanguinolência, a imagem esconde a violência sob um véu alegre e lúdico, sugerido pela profusão de cores e formas na composição.

É na fronteira entre a violência e o jogo que se situa Guerra = Festa, onde Fortunato Depero retratou o conflito como um grande espetáculo, uma celebração, num motim de formas e cores, alinhando-se completamente ao programa futurista de “glorificar a guerra” como uma força capaz de “curar, purificar a sociedade”. As obras de Fortunato Depero desse período parecem ressoar com os eventos de 08 de janeiro, que transformaram a violência e a destruição em um jogo festivo, um “turismo da violência”. Nos grupos de WhatsApp organizados para planejar a ação, os organizadores utilizavam uma mensagem em código para sinalizar a ocupação da Esplanada dos Ministérios, referindo-se ao evento como um ”dia de festa”. A senha escolhida foi: “Festa da Selma” (em alusão ao grito militar “Selva”).

Ismael Monticelli Monticelli escolheu o papelão como material principal para sua instalação, não apenas por suas propriedades físicas, mas também por sua história simbólica. Durante as Guerras Mundiais, o papelão desempenhou um papel crucial em diversas aplicações militares, como na fabricação de capacetes, contêineres de armazenamento e até embarcações. Devido à necessidade de redirecionar metais para o esforço de guerra, muitos itens cotidianos, que antes eram feitos de lata, chumbo e ferro fundido, passaram a ser produzidos em papelão.

Outra questão crucial da escolha do material é sua precariedade: “A instalação, que tem frontalidade evidente, utiliza a nave da Casa França-Brasil como um palco teatral desprovido de sua caixa cênica, expondo a fragilidade que sustenta o conflito retratado na parte frontal. Ao observar a obra por trás, revela-se uma paisagem de silhuetas de papelão, com as bordas borradas pela tinta e sustentadas por blocos de concreto. É uma espécie de cenografia que se desnuda, revelando suas próprias entranhas e ressaltando a vulnerabilidade inerente à materialidade e à narrativa que compõe”, ressalta o artista.

Um dos principais procedimentos artísticos de Ismael Monticelli é repensar imagens, histórias e narrativas estabelecidas, reorganizando-as ao confrontá-las com questões atuais. Em “O Teatro do Terror”, o artista revisita os eventos de 08 de janeiro à luz de uma das vanguardas do início do século XX – o futurismo. “Uma das primeiras perguntas que me fiz foi: como abordar esse acontecimento com uma estética e um programa ideológico que se alinhem a ele? O Futurismo me pareceu uma forma de pensar as invasões em Brasília, especialmente porque tanto essa vanguarda quanto o 08 de janeiro parecem compartilhar uma ânsia pela destruição de tudo”, comenta o artista.

O Futurismo e o Fascismo

Inaugurado há mais de 100 anos, o Manifesto Futurista (1909), escrito por Filippo Tommaso Marinetti e publicado no jornal francês Le Figaro, estabeleceu as bases de um programa que seria desenvolvido e refinado pelos artistas italianos ao longo dos anos. O manifesto exaltava a velocidade, a violência e a destruição como fontes de energia e renovação. Os futuristas celebravam a guerra, a masculinidade, o militarismo, o patriotismo como forças purificadoras, capazes de abrir caminho para uma nova ordem. A relação complexa do Futurismo com a guerra é destacada por sua postura paradoxal durante o conflito. Enquanto muitos movimentos vanguardistas, como o Dadaísmo, condenaram a guerra e as instituições responsáveis, os Futuristas, apoiaram-na entusiasticamente. Eles defendiam a destruição de museus, bibliotecas, universidades e qualquer resquício de sentimentalismo, que consideravam sinais de fraqueza. Para os futuristas, recomeçar do zero era essencial, incluindo a rejeição do feminismo e da igualdade social, vistos como valores ultrapassados e covardes.

A exposição é uma realização da Portas Vilaseca Galeria e dá início às comemorações dos 15 anos da galeria carioca em 2025.

Sobre o artista

Nasceu em Porto Alegre, RS, Brasil, em 1987. Vive e trabalha em Cachoeirinha, RS e Rio de Janeiro, RJ. A pesquisa de Ismael Monticelli tem como ponto de partida a observação sensível de seu entorno, com desdobramentos em ações dirigidas em criar uma organização racional. Ele apresenta instalações, objetos, fotografias, mostrando elementos domésticos de um ponto de vista alternativo e revelando o não visto. 2017 – Doutorando em Arte e Cultura Contemporânea/Processos Artísticos Contemporâneos, Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. 2012/2014 – Mestrado em Artes Visuais, Linha de Pesquisa: Processos de criação e poéticas do cotidiano, Universidade Federal de Pelotas – UFPel, Pelotas, RS, Brasil. 2006/2010 – Bacharelado em Artes Visuais, Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, Porto Alegre, RS, 2005/2010 Bacharelado em Arquitetura e Urbanismo, Universidade do Vale do Rio dos Sinos, São Leopoldo, RS.

Mostra inaugural com Maxwell Alexandre.

08/jan

O Centro Cultural Municipal Oduvaldo Vianna Filho, conhecido como Castelinho do Flamengo, foi revitalizado e recuperado por meio do Programa Cultura do Amanhã, da Secretaria Municipal de Cultura (SMC). A primeira etapa das intervenções de restauro e revitalização foram entregues com a inauguração da Galeria Angelo Venosa, no térreo. De estilo eclético, o Castelinho possui três pavimentos e localiza-se na Praia do Flamengo, 158. Foi projetado pelo arquiteto italiano Gino Copede e executado pelo arquiteto brasileiro Francisco dos Santos, entre 1916 e 1918. Após a abertura da galeria, o imóvel, que é tombado pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade, seguirá em reforma. A previsão é de que o restauro integral, com a recuperação estrutural do casarão, seja entregue em agosto de 2025.

A mostra inaugural da nova galeria, foi “Clube: pinturas de berço”, do artista plástico Maxwell Alexandre, um dos mais conceituados nomes da arte contemporânea.

O nome do Centro Cultural é uma homenagem ao dramaturgo, ator e diretor de TV, Oduvaldo Vianna Filho, carinhosamente chamado de Vianinha.

Sobre o artista.

Talento carioca, cria da Rocinha, Maxwell Alexandre é o primeiro artista a ocupar a Galeria Angelo Venosa, que se estabelece como o Pavilhão Maxwell Alexandre 4. Ele apresenta 16 pinturas inéditas de um novo período de trabalho, todas em pequenos formatos, feitas em casa, com pastel seco e oleoso sobre linho. A série chama-se “Clube: pinturas de berço” e permanecerá em cartaz até 16 de março. A série “Clube: pinturas de berço” retrata os banhistas do Clube de Regatas do Flamengo, e foi apresentada pela primeira vez no Pavilhão Maxwell Alexandre 3, na Gávea, no Museu Histórico da Cidade.

Homenagem a um dos destaques da Geração 80

A galeria do Castelinho do Flamengo recebe o nome de um dos mais destacados artistas plásticos do país. Angelo Venosa (1954-2022), é natural de São Paulo e, aos 20 anos, transferiu-se para o Rio de Janeiro. Em terras cariocas construiu sua trajetória, cursando a Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI) e frequentando os cursos livres da Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Destacou-se na cena artística a partir dos anos 1980 e tornou-se um dos representantes mais proeminentes da chamada Geração 80, que defendia o retorno da pintura mais subjetiva e a liberdade de expressão em todos os segmentos culturais.

Três artistas no Centro Cultural Correios.

Trabalhos baseados na vida cigana.

Em “Optchá: a estrada é o destino” Katia Politzer apresenta trabalhos inéditos tendo a cultura cigana como referência na formação da gente brasileira, mas de pouco reconhecimento até aqui. Ancestralidade, identidade, migração, diáspora, sincretismo e respeito à diferença: eis o arco de humanidade envolvido.

“A minha ancestralidade é composta por migrações, diásporas e contribuições à identidade brasileira de dois povos que sofreram muitas perseguições: de um lado os judeus e de outro, os ciganos. Tanto judeus quanto ciganos sofreram na Inquisição e quase foram dizimados no Holocausto”, diz Katia Politzer.

A busca por liberdade, a conexão com a natureza, uma intuição aguçada e a celebração da vida são as características da alma cigana que mais interessaram à artista. A mostra individual será inaugurada dia 22 de janeiro.

Sobre a artista

Nascida no Rio de Janeiro, Katia Politzer desenvolve seu trabalho de arte em projetos. Dependendo da base conceitual, podem ser desenho, pintura, escultura ou instalação, em formatos que vão do pequeno ao grande, e com diferentes relações com a História da Arte. Os materiais variam da cerâmica, vidro, ao tecido, passando pelo cimento, silicone e matérias orgânicas como pão e o mofo. Vive e trabalha no Rio.

No Centro Cultural Correios, Centro, Rio de Janeiro, RJ.

Até 08 de março.

Igbá Odù: Os braços fortes da Memória

A exibição individual da artista Reitchel Komch propõe questionamentos acerca da diáspora africana no Brasil e da matriz negra. Em “Igbá Odù: Os braços fortes da Memória”, Reitchel Komch instiga o espectador como utopias de superação de um processo social historicamente nocivo à matriz negra de nossa formação. Segundo a artista, “trata-se de uma visão da arte, em cujas pinturas, esculturas, tótens, portais, simbolizam uma progressão espiritual do mundo físico. Utilizando, cabaças, fios têxteis (a juta, o algodão, o linho), hastes de ferro, eu me questino: onde estão as nossas vozes?”.

Sobre a artista

Reitchel Komch, carioca, vive e trabalha no Rio de Janeiro. Artista visual de tendência neoexpressionista, atua em suportes diversos – com foco em revisões/reinvenções de mitologias ancestrais (o Iroko, por exemplo) e em dispositivos para visibilidade de etnia historicamente marginalizada, com superação do trauma (os africanos escravizados e forçados à imigração para o Brasil).

No Centro Cultural Correios, Centro, Rio de Janeiro, RJ.

Até 08 de março.

A Obra é o Jogo

A exposição individual de Dorys Daher é uma imersão singular que une o universo da sinuca, a arquitetura e as artes visuais. Esta é a proposta da artista em sua exposição “A Obra é o Jogo”, com curadoria de Aline Reis. Dorys Daher é arquiteta. Suas obras dialogam com memórias afetivas e experiências contemporâneas, rompendo fronteiras entre o familiar e o experimental.

“A disposição dos meus trabalhos no espaço combina referências do design arquitetônico com movimentos coreografados em torno de uma mesa de sinuca, criando um diálogo entre o jogo, o ateliê e o escritório de arquitetura”, explica a artista.

No Centro Cultural Correios RJ.

Até 08 de março.

 

As identidades do país.

13/dez

A nova exposição do Museu de Arte do Rio, Centro, Rio de Janeiro, RJ, reúne obras de importantes artistas brasileiros, colocando-as em diálogo com as imagens fabulares da afro-diáspora e das expressões visuais dos povos originários.

Ao cruzar fronteiras culturais e narrativas ancestrais, a mostra “Atlânticofloresta” no MAR, anuncia a riqueza do país assim como a necessidade de resistência das identidades que moldam o Brasil. A histórica relação com o oceano Atlântico e a floresta Amazônica, as causas vinculadas às questões da terra como resistência e protesto e a celebração da cultura dos povos afro-brasileiros e indígenas são os temas das narrativas que chegam ao mais carioca dos museus.

Com curadoria de Marcelo Campos, Amanda Bonan, Amanda Rezende, Thayná Trindade e Jean Carlos Azuos, a mostra é uma ampliação e um desdobramento da exposição “Atlântico Vermelho” que foi inaugurada em 16 de abril de 2024, em Genebra, na Suíça. Foi a primeira vez que uma exposição ocorreu durante o Fórum Permanente de Afrodescendentes da ONU, considerado o evento mais importante das Nações Unidas sobre a questão étnico-racial.

Cerca de 160 obras entre pinturas, fotografias, desenhos, esculturas, manufaturas têxteis e vídeos estarão na mostra, mais de 90% dessas obras fazem parte da Coleção MAR. O acervo do Museu de Arte do Rio conta com mais de 30 itens museológicos e cresce a cada ano com as doações recebidas. Entre os artistas que participam de “Atlânticofloresta” estão Rosana Paulino, Jaime Lauriano, Jaider Esbell, Lidia Lisboa, Denilson Baniwa, Ayrson Heráclito, Nádia Taquary, Xadalu Jekupé Tupã, Dalton Paula, Menegildo Isaka Huin Kuin, André Vargas, Maré de Mattos, Grupo Karajá, Yhuri Cruz, Gustavo Caboco, Ventura Profana, entre outros.

Até 25 de fevereiro de 2025.