Mostra de Marina Rheingantz

31/out

A Galeria Fortes Vilaça, Vila Madalena, São Paulo, SP, apresenta “Terra Líquida”, quarta exposição individual de Marina Rheingantz exibindo pinturas inéditas de formatos variados, desde peças em grande formatos a outras de menores dimensões, que operam no limiar da figuração. São paisagens mínimas que remetem a falésias, serras, mares, charcos, campos e terras caipiras, lugares visitados e inventados que se descolam do real e incorporam a geometria e a textura da pintura.

 

Em “Terra Líquida”, trabalho que dá nome à exposição, emaranhados de poças d’água unificam a tela e criam caminhos entre elementos reconhecíveis que sugerem um clube hípico. Com mais de quatro metros de largura, é a maior pintura já executada por Marina, o que exigiu da artista um movimento constante de aproximação e distanciamento ao pintá-la, um movimento que se repete para o espectador. A composição sugere um processo de desconstrução de uma imagem com sucessivas camadas de pintura, resultando na reconstrução de uma memória.

 

No entanto, um olhar mais apurado revela o protagonismo da tinta no processo da artista. Marina não persegue uma ideia narrativa – ela deposita sobre a tela camadas de pinceladas robustas, trabalhando a superfície e ouvindo a pintura. Ao escutar a cor e a tinta, a imagem se insinua e a artista segue, agora sim de encontro a uma possível narrativa. A imagem não é o começo e nem o fim, ela acontece no meio do caminho.

 

Nas pinturas sobre linho da série “Bordados” as cores de fundo ganham tratamento quadriculado, como nos tecidos próprios para bordar, por meio de sutis alterações tonais e controladas pinceladas. Barras coloridas introduzem aos poucos novas cores no trabalho, enquanto linhas grossas traçam padrões assimétricos e sugestivas paisagens distendidas.

 

A abertura será pontuada pelo lançamento do livro “Terra Líquida”, pela Editora Cobogó, o qual abrange toda a produção da artista, com ensaio assinado pelo crítico e curador Rodrigo Moura.

 

 

 

Sobre a artista

 

 

Marina Rheingantz, nasceu 1983 em Araraquara, SP. A artista é graduada em artes plásticas pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP). Integrou o grupo de jovens artistas paulistas conhecido como 2000e8, que reafirmou a força da pintura como linguagem artística nos anos recentes. Teve mostras individuais no Centro Cultural São Paulo (2012) e no Centro Universitário Maria Antônia (2011), entre outras. Exposições coletivas incluem Projeto Piauí (Pivô Arte e Pesquisa, São Paulo, 2016), Soft Power (KunsthalKAdE, Amersfoort, Holanda, 2016), Os muitos e o um (Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, 2016) e No Man’s Land – Women Artists from the Rubell Family Collection (Contemporary Arts Foundation, Miami, 2015). Seutrabalho está em coleções como a da Pinacoteca do Estado de São Paulo, do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e do Itaú Cultural.

 

 

De 05 de novembro a 22 de dezembro.

Individual de Pedro Hurpia

19/out

Os fenômenos naturais, percebidos pelo homem quando emergem a superfície e elevam-se como aparência, ou ainda, quando o corpo é impactado diretamente por terremotos, deslizamentos de terras, ondas sonoras, margeiam a preocupação estética e as formas de apreensão na relação olhar/objeto na recente pesquisa do artista plástico brasiliense Pedro Hurpia. As obras, que se realizam em plataformas como fotografias, vídeos, desenhos, esculturas e instalações, compõem a primeira exibição individual do artista – no Jardim Paulista – na unidade de São Paulo da Galeria Marcelo Guarnieri.

 

A produção e o olhar de Pedro Hurpia remetem-nos aos artistas-pintores-viajantes, que durante as suas travessias em diferentes regiões e contextos, recolhem o material bruto usado em seus projetos. Para a mostra na Marcelo Guarnieri, por exemplo, o artista trabalha com desenhos de paisagens reais, registradas pela fotografia e paisagens construídas pelo real ou imaginário, realizados a partir dos padrões geológicos que constam nessas fotografias.

 

Com imagens fotográficas realizadas pelo próprio artista – salvo exceção das estereoscópicas dos vídeos e instalação – tratadas como referência inicial, parte-se para a composição, a recombinação e novos direcionamentos no desenho. O registro fotográfico procura captar aquilo que na formação geológica não se mostra de imediato, e que está oculto do campo de visão; neste sentido, o desenho é a revelação que faz justiça conferindo formas aos “ocultos” da própria natureza.

 

As noções de deslocamento e colapso, não aparecem somente na relação entre a fotografia e o fotografado – a natureza – mas ao próprio meio fotográfico. “A pesquisa surgiu quando adquiri um aparelho estereoscópico. As fotografias, utilizadas neste aparelho, são duplicadas e colocadas justapostas com uma leve diferença de deslocamento horizontal entre uma e outra. Com o aparelho colocado na posição correta do usuário, permite que se tenha uma ilusão tridimensional da imagem em questão”, conta o artista, que ficou interessado nas duas imagens idênticas e na possibilidade em se pensar uma “terceira imagem”, a partir deste método. Desde então, Hurpia passou a se interessar por essa investigação em seu processo criativo, com objetos e instalações que trouxessem esses duplos de uma maneira sutil, sem um aparato que causasse ilusões ópticas.

 

“obverso // reverso”, título da exposição, trata desse duplo da paisagem, que pode ser transfigurado na imagem impressa ou em “objetos-estruturas”. Em ambos os casos, a preocupação com o olhar, a dimensionalidade e a apreensão fenomênica do objeto: o frente e verso, direita e esquerda, obverso e reverso. Cada imagem e cada objeto se particularizam, também, por apresentarem um outro lado, que, para o artista, conjugam a possibilidade de abertura de realidades infinitas, além da superfície bidimensional e plana da imagem. No caso da formação geológica, lastro na natureza em que a inquietação do artista iniciou a sua “jornada”, segundo as palavras do próprio viajante Pedro Hurpia: “há um caminho e camadas para se chegar atrás de onde se encontrava anteriormente; longe do campo de visão, mas que pode ser projetada pela imaginação de experiências passadas”.

 

 
De 29 de outubro a 26 de novembro, na unidade São Paulo da Galeria Marcelo Guarnieri.

 

Galeria Millan exibe Tunga

13/out

Tunga, um dos mais potentes criadores da arte contemporânea brasileira, morreu precocemente em junho passado, aos 64 anos, deixando pronta aquela que seria a sua próxima exposição. A Galeria Millan, Pinheiros, São Paulo, SP,  dá continuidade aos planos do artista e inaugura, no dia 15 de outubro, em seus dois endereços, a mostra “Pálpebras”, reunindo um conjunto de trabalhos inéditos ou pouco vistos no Brasil.

 

Na sede da Millan poderão ser vistos os “Phanógrafos”, peças derivadas do série “Cooking Crystals” (2010). Pouco exibidas desde então, são caixas que servem como recipiente, ou suporte, para assemblages de diferentes objetos e materiais, como garrafas, cálices, âmbar, pedras ou elementos escatológicos. Objetos que, segundo Tunga escreveu, têm “algo de talismã, se configurando como uma lamparina”.

 

O segundo andar da galeria abrigará também projeções e desenhos, revelando, por exemplo, as conexões entre produções bidimensionais e tridimensionais, e enfatizando a importância da linha no trabalho do artista.

 

No Anexo Millan, novo espaço inaugurado em 2015, será exposta a série “Morfológicas”, esculturas orgânicas que remetem ao corpo, sensuais, por vezes surreais e muitas vezes eróticas – lembrando vulvas, glandes, línguas, bocas, dedos e seios – que se originaram de outros conjuntos de trabalhos (como a série “FromlaVoieHumide”, de 2014) mas nunca foram mostradas independentemente no Brasil, mesmo que respeitando sua posição um tanto indefinida entre estudo de forma (como indica o próprio título) e obra acabada.

 

Um desses projetos começou a ser confeccionado em grandes dimensões para a Feira Internacional de Arte Contemporânea (FIAC), em Paris. A peça, intitulada “A Seus Pés”, tem sete metros e – como é usual em seu trabalho – é composta por diferentes partes. O elemento central é uma forma roliça e longa, com unhas em cada extremidade, como se fossem dedos que apontam para lados distintos. A peça não chegou a ser fundida em versão final e o que o público verá é a prova de artista que há algum tempo habita o ateliê de Tunga.

 

“Pálpebras” não é uma tentativa de síntese ou de olhar retrospectivo, mesmo porque, no caso de Tunga, a noção de retrospectiva não faz sentido. Afinal, seu trabalho parece marcado por um retorno cíclico a um manancial de elementos, físicos e psíquicos, que ressurgem de tempos em tempos, transfigurados em diferentes leituras. É como se testemunhássemos, interagíssemos com fragmentos de alguma história ou ação passada, seja pelo caráter instável de seus arranjos, que permitem infinitas possibilidades de reagrupamento, seja pelas várias camadas de leitura que se sobrepõem, criando um hipnótico enigma.

 

Esses mesmos ecos temporais se fazem sentir nas obras mais recentes. Mesmo que em vários momentos assumam um caráter mais escultórico, os aspectos centrais de seus mais de 40 anos de intensa produção – período no qual Tunga flertou com o surrealismo, se avizinhou da arte conceitual e muitas vezes pareceu agir mais como um xamã ou um cientista – estão novamente presentes.

 

 

De 18 de outubro a 12 de novembro.

Nova coletiva no MAM-SP

10/out

O Museu de Arte Moderna de São Paulo, Parque do Ibirapuera, São Paulo, SP, apresenta a exposição Greve Geral, elaborada por alunos do curso Laboratório de Curadoria e Criação, sob supervisão da curadora Veronica Stigger. A mostra conta com 23 obras do acervo do MAM e é apresentada na biblioteca, no corredor de acesso dos profissionais da instituição e no saguão do museu. Intitulado de “A idade do ócio”, o curso foi realizado no próprio museu, tanto no segundo semestre de 2015 quanto nos primeiros meses deste ano. Os 16 participantes desenvolveram a linha curatorial, idealizaram a comunicação visual e escolheram produções de diferentes suportes que demostram situações de interrupção imprevistas do trabalho.

 

 

Segundo Veronica Stigger, vivemos em uma sociedade que transforma o trabalho no valor mais alto para preservar melhor as relações sociais e, principalmente, a produção. “Daí que toda forma de suspensão imprevista das atividades como a preguiça, o ócio e, sobretudo, a greve sejam sempre vistas como modos de resistência política”, explica a curadora. “Não por acaso, a mostra começa em um dos interstícios de espaços de trabalho do museu, o corredor de acesso, para se desenvolver na biblioteca”.

 

 

A exposição conta com obras que sugerem uma fuga da labuta e convidam ao repouso e à preguiça como as fotografias de Otto Stupakoff e Juan Esteves, o desenho de Eduardo Iglésias e a xilogravura de Eduardo Cruz. Outras produções demostram a inoperância da máquina capitalista como a serigrafia “Desestrutura para executivos I”, de Regina Silveira, além da imagem de uma engrenagem na pintura de Sergio Niculitcheff e o desenho de pregos de Cláudio Tozzi.

 

 

Há, ainda, a peça de acrílico “A câmara clara”, de Nelson Leirner, que recusa a própria condição de obra. A contradição fica por conta da suposta artificialidade de uma família saindo de férias na fotografia “Aero Willys”, de German Lorca. Outro ponto alto da mostra é que haverá um rodízio das obras selecionadas no meio do período de exposição, quando as produções feitas em papel serão trocadas por outras com o objetivo de exibir ainda mais obras do acervo do museu. Para complementar, o espaço expositivo da biblioteca propicia a exibição de livros e catálogos abertos em páginas que também exploram o tema da exposição.

 

 

Até 18 de dezembro.

Livro e exposição de Valeska Soares

06/out

A Galeria Fortes Vilaça, Vila Madalena, São Paulo, SP, apresenta “Lugar Comum”, quinta exposição individual de Valeska Soares.  Em esculturas e trabalhos de parede recentes a artista utiliza linho, bastidores de costura, tapeçaria e peças de mobiliário para explorar a relação entre a abstração, a memória e experiência cotidiana. “Lugar Comum” refere-se metaforicamente a um denominador emocional que estes objetos de natureza e épocas distintas criam na relação entre a obra e o público.

 

Ground (2016) dá título a um grupo de trabalhos composto por tapetes antigos recortados, pintados, dobrados e enrolados em composições geométricas simples que se estruturam em termos da escala e da padronagem – quase imperceptível pela idade dos tapetes – mas também do peso, brilho e cor.  A escolha do tapete parte do interesse por uma qualidade doméstica e transcultural, por ser um objeto de uso religioso, decorativo e até monetário presente em inúmeras culturas na história do Oriente e Ocidente.

 

A geometria também está presente nos trabalhos da série Conjunction (2016) feitos com bastidores de costura aplicados diretamente sobre linho cru e preto, sem chassis. Os bastidores delimitam áreas lisas na superfície drapeada que são então bordadas, pintadas ou laminadas. A paleta é reduzida ao tom bege do linho, ao vermelho, preto e branco das linhas e tintas e, finalmente, à prata e ao ouro que banham os bastidores da obra Constellation (2016). Referências históricas à Abstração Geométrica permeiam os trabalhos de forma oblíqua. Construtivismo, Minimalismo, Concretismo sugerem um lugar de origem da artista – e das obras – sem se revelar nominalmente em um trabalho ou outro.

 

Na obra que dá nome a exposição, Lugar Comum (2016), quatro cadeiras de madeira e palhinha são unidas por seus acentos formando uma cruz perfeita onde a forma toma o lugar da função. Num movimento igualmente preciso, Valeska substitui uma portinhola retangular de uma antiga porta por um espelho de latão para compor a obra Untitled (2016). Nas duas esculturas fica evidente o jogo entre abstração, afeto e memória que permeia todas as obras da exposição.

 

Na ocasião da abertura da exposição, foi lançada a publicação “Valeska Soares”, uma co-publicação das editoras Mousse (Milão) e Cobogó (Rio de Janeiro). O livro cobre a produção da artista nos últimos dez anos e inclui texto de Jens Hoffmann e uma entrevista com a artista conduzida por Kelly Taxter, respectivamente Diretor de Exposições e Curadora Assistente do Jewish Museum, Nova York (EUA).

 

 

Sobre a artista

 

Valeska Soares participou das Bienais de São Paulo (2008), Sharjah (2009), Istambul e Taipei (2006), além da 51ª Bienal de Veneza (2005). Em 2009, inaugurou um pavilhão individual no Inhotim Centro de Arte Contemporânea (MG). Entre suas exposições individuais destacam-se Jewish Museum, Nova York (EUA); Bronx Museum of the Arts, EUA; Museo de Arte Contemporáneo de Monterrey, México; New Museum, EUA. Sua obra está em importantes coleções públicas, como Hirsh horn Museum and Sculpture Garden, Washington; The Solomon R. Guggenheim Museum, Nova York; The Carnegie Museum of Art, Pittsburgh; Cisneros Fontanals Art Fundation, Miami; e Tate Modern, Londres.

 

 

 

Até 22 de outubro.

 

 

Olhar Compartilhado: Incerteza Viva

27/set

A Verve Galeria, Jardim Paulista, São Paulista, SP, implementando iniciativas em busca da melhor compreensão e proximidade do público com a arte contemporânea, em parceria com a artista plástica Anete Ring, abriga uma edição especial do projeto “Olhar Compartilhado”, onde a artista constrói leituras das obras, somando os olhares dos participantes, levantando dúvidas e questionamentos. O que está dentro do campo da arte contemporânea representada hoje pelos artistas da Bienal Internacional de São Paulo? Por que química, biologia, antropologia, literatura estão inseridas nas artes plásticas? Afinal, o que é arte e o que não é, é possível definir?

 
Em três datas pré-definidas, um grupo será preparado e acompanhado a uma visita a Bienal Internacional de São Paulo, na sua 32ª edição – Incerteza Viva. Dois dos encontros ocorrem na galeria, onde serão discutidos os conceitos centrais que norteiam a curadoria e os artistas que compõe a mostra. Os encontros anteriores à visita permitem um brainstorm coletivo para que o grupo chegue às obras com “ainda mais questionamentos e com uma proposta de aproximação às poéticas dos artistas e das questões da arte”, diz Anete Ring.

 
São quatro as vertentes curatoriais apresentadas: narrativa/incerteza, cosmologia/incerteza, ecologia/incerteza e educação/incerteza. As conversas buscam construir um raciocínio de como se dá o fluxo entre estes temas e o trabalho dos artistas. As obras selecionadas de artistas como Pierre Huyghe, Francis Alis, Lais Myrhha, Franz Krajberg, Leon Hirszman, Koo Jeong A, serão comentadas e analisadas para possibilitar um melhor entendimento de suas trajetórias e suas proposições para esta edição.

 
A Bienal é um dos eventos mais importantes no mundo da arte contemporânea. A proposta central de “Olhar Compartilhado “ é a de possibilitar a potencialização da experiência da visita guiada à exposição, composta por obras de 81 artistas do mundo inteiro. “Todas as ações foram pensadas de forma participativa e ativa, aprimorando o olhar e a sensibilidade de cada um, compartilhando dúvidas, inquietudes e construindo uma experiência única”, define Anete Ring.

 
26, 27 (Verve Galeria) e 29 (Bienal de São Paulo) de setembro de 2016.
Horário: das 19h30 às 21h30

 

Sinais na Arte, MAM-SP

22/set

O MAM, Parque do Ibirapuera, São Paulo, SP, participa – de 27 a 30 de setembro – da VI Semana Cultural Sinais na Arte, com atividades focadas nas culturas surdas como oficinas, visitas guiadas e uma sessão de cinema com cinco curtas-metragens nacionais produzidos em Libras, seguido de um bate-papo em português em Libras sobre o cenário do público surdo em São Paulo.

 

Pioneiro no processo de acessibilidade do público surdo aos museus e instituições culturais, o Museu de Arte Moderna de São Paulo promove a VI Semana Cultural Sinais na Arte, com programação gratuita de atividades artísticas realizadas na língua brasileira de sinais (Libras). A ação demonstra como a Libras integra a cena de São Paulo por meio de uma programação que conta com oficinas, visitas mediadas e, pela primeira vez, apresenta a mostra SURDOCINE – O som e o Sentido, que exibe curtas-metragens nacionais produzidos em Libras.

 

O ciclo de filmes propõe um intercâmbio de percepções entre surdos e ouvintes com a apresentação de cinco curtas-metragens, legendados em português, que abordam diversas vivências da cultura surda. Realizado pela primeira vez no Festival Curta Brasília do ano passado, a mostra apresenta as produções O resto é silêncio (RJ), de 2015; Sophia (PB), de 2013; Os estranhos entre amigos (RS), de 2015; Atrás do mundo (SP), de 2009; A onda traz, o vento leva (PE), de 2010. Após a sessão de cinema que totaliza 70 minutos, acontece um debate (em libras e em português) com os participantes, mediado pelo educador Leonardo Castilho.

 

Segundo a coordenadora do Educativo e de Acessibilidade do MAM, Daina Leyton, a sexta edição do evento visa a comemorar as melhorias das condições de vida e de acesso à cultura do público surdo. “Vários avanços nas últimas décadas levaram à melhoria das condições de acesso da comunidade surda à vida social e diversos espaços públicos e privados contam com surdos trabalhando e profissionais com conhecimento de libras para receber bem o público surdo, como é o caso do MAM, ” completa.

 

Todas as atividades têm vagas limitadas. Para participar é necessário fazer inscrição prévia pelo telefone (11) 5085-1313 ou pelo e-mail: educativo@mam.org.br.

 

27/9 – Terça-feira

10h30- Experimentações com tintas naturais com Mirela Estelles. Descrição: Neste encontro os participantes são convidados a experimentar diversos gestos, movimentos e sensações a partir da vivência com tintas atóxicas feitas artesanalmente.

Local: Ateliê do MAM

 

28/9 – Quarta-feira

10h30- Oficina de performance com Leonardo Castilho. Descrição: No encontro, os participantes experimentam o corpo como linguagem poética e expressiva.

Local: Ateliê do MAM

 

14h- Mostra audiovisual em Libras Surdocine – O som e o sentido, seguido de debate com mediação do educador Leonardo Castilho

Local: Auditório do MAM

 

29/9 – Quinta-feira

10h30- Oficina Brincadeiras Poéticas em Português e Libras com os educadores Leonardo Castilho e Mirela Estelles. Descrição: Os participantes exploram diversos recursos poéticos por meio de poesias, músicas e brincadeiras.

Local: Ateliê do MAM

 

14h30- Jogo de poesias com o Corposinalizante. Descrição: Os participantes exploram diferentes formas de expressar e criar poesias.

Local: Ateliê do MAM

 

30/9 – Sexta-feira

10h- Visita mediada em Libras nas exposições O útero do mundo e Volpi – pequenos formatos com o educador Leonardo Castilho.

Local: espaço expositivo

Os Muitos e o Um

21/set

O título “Os muitos e o um” pauta o fundamento desta primeira exposição organizada a partir de uma das maiores e mais importantes coleções de arte no Brasil: “Andrea e José Olympio Pereira”. Na condução da curadoria, o consagrado crítico norte-americano Robert Storr, com o apoio de Paulo Miyada, curador do Instituto Tomie Ohtake, optou por privilegiar obras individualmente vigorosas, com potência própria, independentemente de possíveis diálogos que possam estabelecer com os demais trabalhos e produções reunidos.

 

“Cada uma destas decisões foi tomada após exame das qualidades especiais e pontos fortes de uma obra exclusiva, mesmo quando se considera seu lugar em um contexto mais amplo composto por outras obras do mesmo artista, conjuntos de obras de outros artistas de orientação semelhante e a obra completa de artistas de estilos e convicções evidentemente diferentes e possivelmente contrários”, afirma Storr.
 

Para a exposição, que ocupa todos os espaços expositivos do Instituto Tomie Ohtake, o curador selecionou cerca de trezentas peças – pintura, desenho, escultura, instalação e vídeo – de mais de cem artistas brasileiros, entre as mais de duas mil obras nacionais e internacionais pertencentes ao acervo particular. Segundo ele, trata-se de um conjunto que, além de sua monumentalidade, dispõe de trabalhos icônicos da produção de muitos artistas. A mostra, portanto, proporciona um olhar afinado sobre o panorama artístico contemporâneo brasileiro e seu momento anterior, ao focalizar a produção dos anos 1950 até hoje. “Estamos vivendo uma era pluralista e também um momento de excepcional diversidade e hibridez […] Em lugar algum este pluralismo é mais rico, heterogêneo e fecundo do que nas Américas; em nenhum lugar das Américas há maior efervescência artística de todos os tipos do que no Brasil”.
 

No elenco, integram um núcleo histórico nomes como Alfredo Volpi, Ivan Serpa, Lygia Clark, Lygia Pape, Mira Schendel, Willys de Castro, Helio Oiticica, Amilcar de Castro e Geraldo de Barros. Já no eixo central da exposição, que engloba os anos 1970 a 1990, há artistas que se destacam pela importância que desempenham na coleção, seja pelo volume de trabalhos, seja pelo papel que assumem na narrativa da arte contemporânea ou ainda pela variedade de suportes e linguagens que exploram, como Waltercio Caldas, Iran Espírito Santo, Anna Maria Maiolino, Paulo Bruscky, Miguel Rio Branco, Adriana Varejão, Tunga, Carmela Gross, Claudia Andujar, Luiz Braga, Leonilson, Jac Leirner, José Resende, Daniel Senise, Sandra Cinto, Ernesto Neto, Paulo Monteiro, Marcos Chaves, Rivane Neuenschwander, Rosangela Rennó, entre outros. Por fim, completa a mostra uma seleção de artistas que despontaram mais recentemente, indicando os desdobramentos e caminhos possíveis da arte contemporânea, como Erika Verzutti, Marina Rheingantz, Daniel Steegman, André Komatsu, Eduardo Berliner, Tatiana Blass e Bruno Dunley.

 

 

 

Sobre o curador

 

 

Robert Storr, artista, crítico e curador, foi o primeiro americano a ser nomeado diretor de artes visuais da Bienal de Veneza (2004 e 2007).  Foi curador do departamento de pintura e escultura do Museu de Arte Moderna – MoMA, em Nova Iorque (1990 e 2002), onde organizou exposições temáticas como Dislocations and Modern Art Despite Modernism, e individuais de importantes artistas, como Elizabeth Muray, Gerhard Richter, Max Beckmann, Tony Smith e Robert Ryman. Foi professor de História da Arte Moderna no Institute at Fine Arts, na New York University. Atualmente é professor de pintura na Yale University.

 

 

 

Até 23 de outubro.

Rubem Valentim – A Pintura Pulsa

19/set

A Galeria Berenice Arvani, Jardins, São Paulo, SP, exibe série de trabalhos de Rubem Valentim com curadoria assinada por Celso Fioravante. Rubem Valentim é considerado um dos maiores artistas representantes da cultura afro-brasileira. Movido por questões ideológicas, buscou na cultura popular africana as características que norteariam seu trabalho até o final da vida, em suas pinturas, esculturas e objetos. Ele sintetizou os elementos presentes nos cultos de candomblé, como os oxês de Xangô em objetos
geométricos, em linearidade.

 

 
Rubem Valentim criou uma espécie de escrita para esses elementos, uma nova signografia, uma arte semiótica, que promove uma leitura profunda, sintética e habilidosamente cromatizada da identidade afro-brasileira.

 

 

Até 21 de outubro.

OLHO : Vídeo arte

15/set

A mostra “OLHO video art cinema”, em sua segunda edição, que apresenta: Território não Mapeado / Uncharted Land, apresenta 16 obras de artes em vídeo de artistas brasileiros e internacionais. Com entrada gratuita, a Cinemateca Brasileira (SP), o Cine 104 (BH) e a Cinemateca do MAM (RJ) recebem mostra de artistas contemporâneos brasileiros e internacionais.

 

A segunda edição da mostra, “OLHO video art cinema”, acontece na Cinemateca Brasileira em São Paulo (nos dias 29, 30 de setembro e 01 e 02 de outubro), no Cine 104 em Belo Horizonte (nos dias 06, 07 e 08 de outubro) e no Rio de Janeiro (nos dias 17, 18 e 19 de outubro) trazendo uma seleção de filmes de artistas hoje relevantes para a Arte Contemporânea.

 

São eles (nome, país e número de títulos na Mostra): Ana Vaz (BR, três títulos), Anri Sala (AL, um título),Basim Magdy (EG, dois títulos), Ben Rivers (EN, três títulos), Graeme Arnfield (EN, dois títulos), Fiona Tan (RI, um título), Letícia Ramos (BR, um título), Mihai Grecu (RO, dois títulos), Shingo Yoshida (JP, um título) e Yael Bartana (IS, um título).

 

A mostra, que apresenta 16 títulos que abrangem o período de produção dos autores entre os anos de 2003 e 2016, tem curadoria de Alessandra Bergamaschi (graduada em Comunicação pela Universidade di Bolonha, doutoranda em História da Arte pela Puc-Rio) e Vanina Saracino (MFA em Estética e Teoria da Arte Contemporânea na Universidade Autônoma de Barcelona, UAB, curadora do canal de arte IkonoTV, Berlim, Alemanha), criadoras, em 2013, do coletivo cultural OLHO, projeto que pretende tornar-se uma plataforma criativa e crítica para os profissionais que estão refletindo sobre o estatuto da obra de arte a partir da imagem em movimento.

 

“Olho – video art cinema” busca apresentar ao público uma mostra internacional  que explora as possibilidades oferecidas pelo cinema como espaço de recepção para a videoarte.