Gordín na Oscar Cruz

27/nov

 

A Galeria Oscar Cruz, Itaim Bibi, São Paulo, apresenta a exposição individual do artista argentino Sebastián Gordín.

 

 

 

O conceito

 

 

Inventário

 

 

A palavra inventário, tal como a palavra invenção, vem do verbo Invenire do latim, cujo significado é encontrar buscando e contemporaneamente, buscar investigando. Buscar, encontrar, continuar procurando.

 

 

 

Inventariar e inventar. A associação dessas duas palavras da mesma família que atualmente são entendidas como opostos, a criação e a liberdade criadora, versus o contabilizar e o tédio burocrático, interessou-me porque senti que as duas juntas, como as duas faces de uma mesma moeda, falavam de mim e da minha maneira de criar: quando chego ao meu atelier, a primeira coisa que faço é ordenar e voltar a ordenar para ter diante de mim uma vez e outra vez mais, um mundo de objetos, livros, recordações, ferramentas e imagens acumuladas. Então, somente então enquanto olho tudo aquilo que habita o meu atelier, tudo aquilo que colecionei distraidamente só porque eu gostava da sua forma, sua cor e sua função no mundo das coisas reais, tudo aquilo que alimentou minhas paixões, acabam fazendo parte das minhas obras. A certeza de suas existências, de sua presença física e de sua maneira de respirar, me libera de ter que “inventar do nada”, me libera da pressão romântica da “originalidade”. Eles e eu podemos então, começar a trabalhar juntos, a buscar.

 

 

 

 

Até 30 de janeiro de 2016.

Fotografia de moda

24/nov

A Luste Editores promove o lançamento do livro “Quadros de Moda – Fotografia Contemporânea na Moda Brasileira”, com curadoria de Graziela Peres, Paulo Martinez e Waldick Jatobá, dia 26 de novembro, quinta-feira, às 19h, na Livraria Cultura, no Shopping Iguatemi São Paulo, Jardim Paulistano. No intuito de criar uma reflexão sobre o tema proposto, a publicação reúne trabalhos de 29 fotógrafos, atuantes e de extrema relevância na construção da indústria de moda no país, e aborda o lado artístico na realização das imagens, destacando o olhar preciso do artista em seu processo criativo.

 

Deixando de lado a sedução dos elaborados editoriais de moda, os profissionais Graziela Peres, Paulo Martinez e Waldick Jatobá se unem para a criação deste projeto pioneiro, um compêndio de fotografia de moda brasileira, sob a perspectiva do fotógrafo como artista. “Artista esse cuja missão primordial, e ao mesmo tempo misteriosa, é a de obter a impressão real do movimento, que está sempre relacionada com a dinâmica cotidiana”, comentam os curadores. Após inúmeras reuniões e uma pesquisa aprofundada e criteriosa em acervos que contemplam mais de 5 mil imagens, surgiu a publicação impar com o padrão de qualidade da Luste Editores. Além das obras mais icônicas de cada fotógrafo, o livro ainda conta suas trajetórias, experiências e “marcas registradas” na hora de capturar as cenas. Citando alguns nomes que compõem este poderoso time de artistas com imagens publicadas: André Schiliró, Bob Wolfenson, Daniel Klajmic, Felipe Morozini, Gui Paganini, Isabel Garcia, Jacques Dequeker, Klaus Mitteldorf, Renato de Cara e Vicente de Paulo, entre vários outros.

 

Ao evidenciar a linguagem artística de cada fotógrafo, “Quadros de Moda – Fotografia Contemporânea na Moda Brasileira” oferece uma gama de imagens que transcende a eficácia de textos e conceitos teóricos, uma vez que tais fotografias relatam, por si só, as mudanças culturais e de comportamento, bem como os momentos históricos e rupturas sociais ocorridos no Brasil – vistos, aqui, sob uma ótica por trás das grandes criações, editoriais e desfiles. Nas palavras de Luciane Fransciscone, gerente geral de marketing das Lojas Renner, apoiadora do projeto: “E qualquer semelhança com a arte não é mera coincidência. O fotógrafo extrai do momento sua própria obra, a partir de um olhar particular e delicado para as muitas possibilidades a sua frente. Escreve sem lápis e papel: basta um clique”.

 

Fotógrafos: Andre Schiliró, André Passos, Bob Wolfenson, Claudia Guimaraes, Cristiano Madureira, Daniel klajmic, J. R. Duran, Fabio Bartelt, Felipe Morozini, Fernado Louza, Gil Inoue, Gui Paganini, Gustavo Zylbersztajn, Henrique Gendre, Isabel Garcia, Jacques Dequeker, Klaus Mitteldorf, Marcelo Gomes, Marcelo Krasilcic, Marcio Simnch, Murillo Meirelles, Nicole Heiniger, Paulo Bega, Paulo Vainer, Renato de Cara, Rogério Cavalcanti, Tiago Molinos, Vavá Ribeiro, Vicente de Paulo.

Individual de Jac Leirner

Chama-se “métrica mínima”, a exposição individual de Jac Leirner no Galpão Fortes Vilaça, Barra Funda, São Paulo, SP. A artista paulistana exibe um inédito corpo de trabalho, criado com jogos de sudoku que ela resolveu e colecionou ao longo de meses. Todas as obras se desenvolvem a partir do seu esforço de dar forma a processos abstratos como lógica, raciocínio e, em especial, a passagem do tempo.

 

Na série “métrica mínima”, exposta pela primeira vez na Bienal de Sharjah deste ano, a artista emprega estratégias íntimas da sua produção como acúmulo e reordenação, além de alternâncias entre alta e baixa cultura. O pensamento matemático inerente ao passatempo é traduzido através do rigor formal de Leirner, que dispõe os jogos sobre telas lineares de linho, separados por grupos de 9 ou de seus múltiplos (18, 27 e assim consecutivamente). As obras se assemelham a réguas, denotando seu interesse por medir o tempo – ou, mais especificamente, o tempo dedicado na resolução dos jogos. Pequenas variações na altura das telas acompanham o formato dos sudokus e ao mesmo tempo estabelecem uma noção de ritmo para os trabalhos.

 

As demais obras da exposição refletem o empenho da artista de esgotar as possibilidades plásticas do novo material, utilizando bordas, restos e impressões resultantes da prática do sudoku. Em “Números”, por exemplo, Leirner faz monotipias com papel carbono, decalcando a resolução dos jogos para outra superfície. Diferente das peças sobre linho, aqui os dígitos estão livres das grades quadradas e espalham-se aleatoriamente pelo papel, gerando áreas de concentração.

 

Em outro desdobramento, a artista cria colagens com tiras coloridas de jornal extraídas da seção de quadrinhos dos periódicos. O processo decorre do ato de recortar o sudoku, resultando em formas abstratas e jogos de palavras alinhados à tradição da poesia visual. É o caso de “Ilustração para um poema”, repleta de cortes retangulares, e também de “Free Style”, com cortes irregulares. “Nível Fácil, Nível Médio e Nível Difícil” seguem a mesma lógica construtiva e sintetizam a dificuldade dos jogos através de soluções formais.

 

Cada gesto da ação principal de completar e recortar o sudoku ganha contornos meditativos, como se a ação rápida e semi-inconsciente do cotidiano recebesse uma atenção redobrada, uma concentração máxima. As ações do atelier se tornam transparentes nas obras finalizadas: acertar ou errar, escrever ou rabiscar, recortar e reorganizar definem tanto estes trabalhos como o material de que são feitos.

 

 

Sobre a artista

 

Jac Leirner nasceu em São Paulo em 1961, onde vive e trabalha. Entre suas exposições individuais recentes, destacam-se: Funciones de una variable, Museo Tamayo (Cidade do México, 2014); Pesos y Medidas, CAAM (Las Palmas de Gran Canaria, Espanha, 2014), Hardware Seda – Hardware Silk, Yale School of Art (New Haven, EUA, 2012); Jac Leirner, Estação Pinacoteca (São Paulo, 2011). Seu extenso currículo de exposições inclui ainda participações em: Bienal de Sharjah (2015), Bienal de Istambul (2011), Bienal de Veneza (1997 e 1990), Documenta de Kassel (1992), Bienal de São Paulo (1989 e 1983). Sua obra está presente em diversas coleções importantes ao redor do mundo, como: Tate Modern (Londres), MoMA (Nova York), Guggenheim (Nova York), MOCA (Los Angeles), Carnegie Museum of Art (Pittsburgh, EUA), MAM (São Paulo), entre outras.

 

 

Até 22 de janeiro de 2016.

Simon Evans na Fortes Vilaça

A Galeria Fortes Vilaça, Vila Madalena, São Paulo, SP, apresenta “Interior Design”, a segunda exposição individual de Simon Evans no Brasil. O artista britânico exibe trabalhos inéditos que reafirmam sua linguagem única, reconhecida por elaboradas colagens com fragmentos de papel, textos e imagens. O caráter obsessivo de suas composições mescla-se com o universo doméstico, evocado pelos objetos de sua casa e pelo interesse em materiais têxteis.

 

O uso do texto, amplamente explorado em toda a obra de Evans, adquire aqui uma presença oblíqua, abrindo espaço para que o desenho e a forma ganhem destaque. Os escritos de “Selfish Prayer Rug” (Tapete de Oração Egoísta) parecem menos interessados em formar palavras e mais propensos a criar padrões abstratos que acompanhem o relevo da superfície – um tapete de yoga. Em meio à confusão das letras, o artista delineia seu próprio corpo, assim como em “Exotic Souls Usual Price” (Almas Exóticas, Preço Normal). Neste trabalho, porém, sua silhueta é ladeada pelas folhas de árvores que recolheu no Rio de Janeiro, onde passou os últimos meses produzindo a  exposição.

 

A coleta em si revela um aspecto importante do trabalho de Evans, que atribui significado aos materiais que escolhe para então rearticulá-los em livre associação. A obra “Repetition of the idea of the form. Materials that deny us Immortality” (Repetição da ideia da forma. Materiais que nos negam a Imortalidade) reflete uma busca obstinada pela boa sorte ao apresentar centenas de trevos-de-quatro-folhas organizadas em uma quase-paisagem.

 

Em “The World Beats Art” (O Mundo Bate na Arte), a maior obra da mostra, Evans recria o tapete que possui em casa com fragmentos de fotos, desenhos e objetos que emulam a estampa original. “Door” (Porta), por sua vez, elabora-se por meio de um minucioso processo de tecelagem: pequenas tiras de papel são trançadas para compor uma trama. Ao conectar o público com suas narrativas pessoais, o artista expõe seu próprio interior e oferece uma experiência autêntica.

 

 

Sobre o artista

 

Simon Evans nasceu em 1972 em Londres e atualmente vive e trabalha em Nova York. Sua prática artística é permeada pela colaboração com Sarah Lannan, com quem é casado e também é sua parceira criativa. Entre suas exposições individuais, destacam-se: Only Words Eaten By Experience, MOCA Cleveland (EUA, 2013); First We Make the Rules, Then We Break the Rules (Simon Evans & Öyvind Fahlström), Kunsthalle Düsseldorf (Alemanha, 2012) e Kunsthal Charlottenborg (Copenhague, Dinamarca, 2012); How to Be Alone When You Live with Someone, MUDAM  (Luxemburgo, 2012); How to get about, Aspen Art Museum (EUA, 2005). O artista já participou das seguintes bienais: 12ª Bienal de Istambul (Turquia, 2011); 31º Panorama da Arte Brasileira, MAM (São Paulo, 2009); 27ª Bienal de São Paulo (2006); Bienal da Califórnia, OCMA (Newport Beach, EUA, 2004). Sua obra está presente em diversas coleções importantes, como Aspen Art Museum (Aspen, EUA), CIFO (Miami, EUA), Louisiana Museum of Modern Art (Humlebaek, Dinamarca), Miami Art Museum (Miami, USA), MUDAM (Luxemburgo), Philadelphia Museum of Art (Filadélfia, USA), SFMOMA (San Francisco, USA), entre outras.

 

 

Até 22 de dezembro.

Duas mostras individuais

19/nov

A Galeria Lume, Jardim Europa, São Paulo, SP, exibe, simultaneamente, as individuais “Areia Movediça”, de Talita Hoffmann, e “Eu Não Estou Aqui”, de ZNort, ambas com curadoria de Paulo Kassab Jr. Em “Areia Movediça”, Talita Hoffmann apresenta uma série com pinturas relacionadas a espaços em obra, construções, áreas abandonadas ou em constante transformação, mesclando desenhos arquitetônicos, cores e estruturas com elementos do design gráfico urbano. Por sua vez, ZNort utiliza técnicas e suportes variados, em trabalhos que abordam temas inerentes ao ser humano e ao “ser artista”, levantando questões como ser ou não ser algo, pertencer ou não a algum lugar, ter ou não ter valores – como status e reconhecimento.

 

Em sua individual, Talita Hoffmann estabelece uma relação entre a constante mudança dos espaços urbanos – de terrenos baldios a novas construções, além de áreas abandonadas – com o imaginário da areia movediça que, em sua opinião, tem sempre um aspecto cômico e fantasioso, elementos presentes em sua obra. Com influências que passam pelas cores e traços da arte naïf, até o design gráfico e a fotografia urbana, a artista se utiliza de estilo e técnica recorrentes em seu portfólio, porém, desta vez, não se nota a presença de personagens, focando exclusivamente nos detalhes arquitetônicos. Nas pinturas da exposição, podem ser observadas referências às técnicas de colagem e desenho, as quais fazem parte do processo criativo de Talita: “Geralmente parto de fotografias de espaços urbanos (…). A elas, junto outras imagens de catálogos, pedaços de publicidade, ou desenhos que vou coletando. Para esta série em especial, utilizei várias fotos do Google Maps, inclusive com as falhas em glitch’”.

 

Com inspiração filosófica, ZNort propõe uma reflexão aprofundada sobre devaneios existenciais. Em sua própria definição: “‘Eu Não Estou Aqui’ é uma forma de brincar com o aspecto místico que o artista exerce sobre o espectador. E quando digo “eu não estou aqui”, nego minha própria presença na obra. Eu não sou, eu não estou, eu não valho…”. Neste sentido, ZNort exibe obras em que busca utilizar materiais que dialoguem com cada conceito, em técnicas já dominadas pelo artista – como esculturas em madeira e parafina, e bordados -, bem como novos experimentos, a exemplo da substituição de bronze por concreto. Em algumas peças, ZNort pinta o concreto em cor de bronze, ressignificando um material considerado barato, ao lhe conferir uma aparência nobre. Citando uma peça da mostra, “Eu Valho um Milhão de Dólares” nos remete ao trabalho de Damien Hirst com borboletas reais, mas, aqui, utilizando borboletas de plástico, no intuito de apontar um contraponto ao preciosismo de sua referência.

 

Com estas exibições individuais de Talita Hoffmann e ZNort, a Galeria Lume marca o encerramento de seu calendário de exposições em 2015. A coordenação é de  Felipe Hegg e Victoria Zuffo

 

 

De 26 de novembro a 20 de janeiro de 2016.

Na Galeria Fortes Vilaça

17/nov

Paralelamente à exposição “Interior Design” de Simon Evans – que inaugura amanhã, 18/nov às 19h, na Galeria Fortes Vilaça, Vila Madalena, São paulo, SP, será apresentado o curta-metragem “Cutaways” da artista polonesa Agnieszka Kurant no segundo andar da galeria. Assim como a exposição de Evans, o filme será exibido até o dia 22/dezembro.

 

 

Realizado em parceria com o premiado editor de cinema Walter Murch de “Apocalypse Now” e “O Poderoso Chefão”, o trabalho de Kurant traz à tela o universo invisível de personagens que, apesar de concebidos e filmados para certas produções cinematográficas, foram completamente excluídos na edição final. Em seu filme, a artista escolhe três desses coadjuvantes omitidos para lhes dar sobrevida, extraídos de obras cultuadas de Kubrick, Tarantino e Sarafian. Entre os atores que aceitaram reprisar seus papéis, está a atriz Charlotte Rampling.

 

 

“Cutaways” retrata o encontro de personagens de produções distintas, como se tivessem ganhado vida autônoma e passassem a compartilhar o mesmo limbo narrativo. O enredo toma como base os roteiros originais de cada filme, aproveitando inclusive algumas das falas. Três atores aceitaram reprisar seus papéis depois de anos da trama original: Charlotte Rampling como a caronista de Vanishing Point (de Richard C. Sarafian, 1971, lançado no Brasil como Corrida contra o Destino); Abe Vigoda como o advogado e melhor amigo do protagonista em The Conversation (de Francis Ford Coppola, 1974, lançado no Brasil como A Conversação); e Dick Miller como o dono do ferro-velho de Pulp Fiction (de Quentin Tarantino, 1994).

 

 

Uma sequência de nomes hollywoodianos encerra a projeção, informando que vários outros atores também interpretaram personagens fantasmas em suas carreiras. A tipografia de cada nome é baseada naquela usada nos cartazes de seus respectivos filmes, como se a artista propusesse um jogo de descobrir de quais títulos eles foram excluídos.

 

 

 

Sobre Agnieszka Kurant

 

 

Agnieszka Kurant nasceu em 1978 em Lodz, na Polônia, e atualmente vive e trabalha em Nova York. Dentre suas exposições individuais, destacam-se: exformation, Sculpture Center (Nova York, 2013) e Stroom den Haag (Haia, Holanda, 2013); 88.2 MHz, Objectif Exhibitions (Antuérpia, Bélgica, 2012), Theory of Everything, Museum of Modern Art (Varsóvia, Polônia, 2012). Já participou da diversas mostras importantes como a Bienal Performa de Nova York (2013 e 2009), Bienal de Arquitetura de Veneza (2010), Bienal de Bucareste (2008), Bienal de Moscou (2007), além de diversas outras coletivas em instituições como Guggenheim (Nova York, 2015), MoMA PS1 (Long Island, 2013), Witte de With (Roterdã, 2011), Tate Modern (Londres, 2006), Palais de Tokyo (Paris, 2004), entre outros.

 

 

 

Até 22 de dezembro.

Livro de Inos Corradin

16/nov

O crítico de arte Jacob Klintowitz comunica que o pintor Inos Corradin homenageará a sua cidade de eleição, Jundiaí, São Paulo, SP, com uma exposição de pinturas na bela sede do SESC. Também na programação, o lançamento do livro de sua autoria sobre o trabalho do artista, denominado “O ilusionista na estrada”. O conhecido crítico afirma ainda que terá “….a alegria de dar uma palestra sobre o extraordinário percurso de sua pintura e o diálogo que ela mantém com a Commedia dell’arte e com a nossa época”.

 

 

A palavra do autor e crítico de arte

 

A seguir, um recorte mínimo do que Jacob Klintowitz já escreveu sobre o artista e cuja síntese emocional é: “…ao fim e ao cabo, em Inos Corradin todo mar é lua e toda lua é sonho”.
“A alma manifesta do trabalho de Inos Corradin, aquele que o acompanha desde sempre, o Ilusionista, o mágico, este artista da transformação e das aparências…”.

 

“Talvez Inos Corradin seja só um pintor poeta, esteja entre aqueles cuja obra pretenda traçar um mapa do labirinto incompreensível e indecifrável que é a nossa vida neste universo feito de formas que englobam formas e de presenças que não vemos”.

 

“O cotidiano, para os paisagistas, adquire uma notável identidade. De certa maneira, ao imaginar ou colher um fragmento, o paisagista inventa a paisagem: ele acorda a memória do Paraíso.”

 

 

A partir de 24 de novembro.

O hobby em Fernando Ribeiro

10/nov

A Galeria Mônica Filgueiras, Jardins, São Paulo, SP, expõe “Meu Hobby na Arte”, do artista plástico Fernando Ribeiro, com curadoria de Marcello Hirsch e Felipe Giaffone. Autointitulado um “piloto frustrado”, o artista recria nas telas alguns modelos de carros que gostaria de ter pilotado, utilizando a mesma técnica de outros trabalhos para buscar resultados inéditos.

 

Em uma tentativa de unir a arte que domina com uma paixão pessoal, Fernando Ribeiro apresenta sua nova série de pinturas, as quais abordam o universo automobilístico. Pintados em tinta acrílica sobre papel algodão, alguns modelos icônicos de carros são reproduzidos nas obras inéditas do artista. “Busquei colocar minha visão nas tonalidades, mas mantive a base das cores, ressalvando o critério iconográfico de cada modelo de carro”, comenta. Neste sentido, citando alguns dos trabalhos que perfazem a mostra, Fernando recria a famosa McLaren de Ayrton Senna, que tinha como patrocinadora uma grande marca de cigarros; o Porsche esportivo que carregava a logomarca do famoso vermute italiano; o lendário modelo de corridas Elf-Tyrrell, entre muitos outros.

 

Em “Meu Hobby na Arte”, Fernando Ribeiro constrói uma relação cronológica e histórica com o automobilismo, por meio de suas pinturas realistas, e fala sobre uma paixão que nunca havia sido abordada em sua obra. Imagens tradicionais, familiares principalmente aos aficionados pelo tema, porém impressas com a visão do artista, “(…) em ângulos distorcidos, grandes oculares de minha ótica”, como define o próprio.

 

 

De 12 a 28 de novembro.

Mauricio Nahas no Museu Afro Brasil

O Museu Afro Brasil, Parque do Ibirapuera, acesso pelo porão 3, instituição da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, recebe a exposição “D​o Pó da Terra”,​ com 50 imagens em preto e branco feitas pelo fotógrafo Mauricio Nahas no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. A mostra, que tem curadoria de Diógenes Moura, faz parte de um projeto que envolve o lançamento de um livro de fotografias e de um longa documentário, todos produzidos com um mesmo objetivo: revelar quem são e como vivem os artistas da região, em sua maioria mulheres.

 

O projeto “D​o Pó́ da Terra”,​ idealizado pelo produtor e agente fotográfico Fernando Machado, tem como objetivo lançar um novo olhar – mais verdadeiro e sensível – sobre a produção artística em cerâmica e argila dos moradores da região conhecida por sua realidade miserável. Desemprego, seca, altas taxas de mortalidade, alcoolismo, violência e o solo condenado pela monocultura do eucalipto fizeram com que o Vale do Jequitinhonha recebesse o apelido de Vale da Miséria.

 

No ano que o Museu Afro Brasil comemora 11 anos de história, seu Diretor Curador, Emanoel Araujo comenta: “Por certo a sensibilidade de Mauricio Nahas foi tocada pelas paisagens do magnífico rio Jequitinhonha e por sua gente – rostos, mãos de barro batido, sofrimento, muito sol e nuvens cortando a dureza desse mesmo sol que anuncia um céu estrelado para amenizar a noite desse lugar sagrado e profético, o palco da criação desses magníficos artistas” e complementa: “São homens e mulheres, doces criaturas do sertão, livres nas suas imaginações como o pó da terra. Vive toda essa gente a criar outras gentes, outras formas, outras cenas que muitas vezes se tornam realidade, que transcendem a realidade da própria vida, uma espécie de sonho que se realiza das mãos cheias de barro fazendo nascer as fantasias idealizadas.”

 

Em 2013, Fernando Machado e Mauricio Nahas decidiram percorrer o Vale para documentar em um filme a vida em comum entre a figura humana e a natureza das coisas. “O Vale é como uma joia rara, valiosa, que precisava ser vista, preservada e entendida como tal”, conta Fernando Machado. Foram 3.300 quilômetros rodados em sete cidades: Santana do Araçuaí́, Caraí, Minas Novas, Itinga, Coqueiro do Campo, Itaobim e Ladainha. Lá encontraram mulheres fortes, chefes de família, que convivem com alcoolismo, pobreza, falta de perspectiva e abandono dos companheiros que muitas vezes migram por conta do desemprego. Mulheres que através do trabalho artesanal encontraram a chance de sustento para a família. É o caso de dona Zezinha (Maria José Gomes da Silva), uma das artesãs mais prestigiadas da região, que já́ teve seus trabalhos expostos na sede da ONU, em Nova York, em 2013. Outra personagem marcante – e uma das pioneiras entre as artistas do Vale – é dona Izabel (Izabel Mendes da Cunha), criadora das famosas noivas de cerâmica que hoje caracterizam a arte local. Ela começou o trabalho com a argila quando criança, incentivada pelo desejo de ter uma boneca e por ver sua mãe e sua avó fazerem panelas e potes.

 

“Os artesãos do Vale do Jequitinhonha (também naïfs) se apropriam de um instante para em seguida imortalizá-lo em suas obras: o barro, a química da água, a percepção de tudo o que está entre as mãos, a vida/corpo como um filtro. Uma espécie de espelho íntimo onde estão representados os desejos e as esperanças de ir do ontem e do hoje ao muito além. Trata-se de um ato de perpetuação. Da construção de um mundo que surge do interior profundo” explica o curador, Diógenes Moura.

 

As imagens do documentário, que será́ lançado no primeiro semestre de 2016 e que tem produção da Notorious Films e direção de Mauricio Nahas, f​oram captadas em 2013. Já as fotografias que estão no livro e na exposição foram produzidas no começo de 2015 em uma segunda viagem ao Vale, com o objetivo de fotografar as paisagens e personagens mais marcantes. O livro “D​o Pó da Terra” (Edições Notorious Films/208 páginas) tem imagens de Mauricio Nahas e textos de Diógenes Moura, Emanoel Araújo e Fernando Machado, e será́ lançado no mesmo dia da abertura da mostra.

 

 

De 12 de novembro a 03 de janeiro de 2016.

 

Coletiva sobre o Tempo

04/nov

Situada na Vila Mariana, São Paulo, SP, a  Fauna Galeria, em parceria com a Kamara Kó, exibe “Para Ver Se o Tempo Volta”, exibição coletiva dos artistas Alberto Bitar, Ionaldo Rodrigues,Keyla Sobral e Octavio Cardoso, com curadoria de Mariano Klautau Filho. Não obstante a conterraneidade dos artistas – todos de Belém do Pará -, o elemento que reúne os 20 trabalhos desta mostra é a convergência de suas poéticas em torno do tempo, não no sentido de cultivar nostalgias, mas de exercer certo domínio sobre ele.

 

Ao misturar suportes, estabelecendo diálogos entre a fotografia com outros materiais, a proposta de Mariano Klautau Filho é exaltar a experiência com o tempo na construção da imagem fotográfica como exercício de ficção. Em todos os trabalhos expostos, pode ser observado o domínio sobre o tempo e suas “velocidades”, sendo este o fio condutor para abordar a temática e outras questões levantadas em “Para Ver Se o Tempo Passa”. Mariano Klautau Filho, curador, ainda destaca a constatação da irreversibilidade do tempo e seu efeito devastador em experiências pessoais, “Algo com o qual não se pode combater, mas se pode jogar, iludir, negacear”, comenta.

 

Neste sentido, Octavio Cardoso apresenta 3 imagens de sua produção mais recente, nas quais desfia a trama entre tempo e espaço, dissimulando a quietude de uma natureza obscura. O tempo parece imobilizado, seja no conforto uterino de uma cama ou no rigor frontal da árvore à contraluz.Ionaldo Rodrigues, por sua vez, trabalha com diversas câmeras de pequeno formato, celulares e imagens precárias. Nas 3 fotografias que exibe, perfaz um recorte sofisticado de sua produção em cor, somado ao conjunto de imagens realizadas em Cianótipo e Papel Salgado.

Alberto Bitar cria uma velocidade do tempo alterada, num misto de aceleração e recuo construídos a partir da experiência espaço-tempo. Em 5 fotografias e 1 vídeo, o artista desvenda sua obra essencialmente urbana, se valendo de recortes da memória pessoal, de casas onde habitou e de resquícios de experiência familiar. Funcionando como uma espécie de arremate da exposição, Keyla Sobral apresenta seus desenhos, palavras, objetos e imagens escondidas, em um universo bastante pessoal, sutil e aparentemente frágil. Tal delicadeza, entretanto, oculta um leve amargor em alguns momentos, e em outros uma ironia pontual diante das perdas.

 

Extraído de um neon de Keyla Sobral – “Ando de costas para ver se o tempo volta” -, o título da mostra reitera um pouco da dimensão e da intenção desta pequena reunião de trabalhos, como define Mariano Klautau Filho: “superar o imponderável; recuar, se for necessário, e saber matar o tempo”.

 

 

 

De 05 de novembro a 19 de dezembro.