MASP exibe Moda

26/out

O MASP, Avenida Paulista, São Paulo, SP, inaugurou a exposição “Arte na moda: Coleção MASP Rhodia”, na qual apresenta o conjunto completo da Coleção MASP Rhodia, doada em 1972, e composta por 78 peças produzidas nos anos 1960. Assinam a curadoria da mostra o diretor artístico Adriano Pedrosa, a curadora adjunta Patrícia Carta e o curador Tomás Toledo.

 

A coleção foi doada pela empresa química francesa Rhodia, que lançava seus fios sintéticos no Brasil, e utilizava desfiles e coleções de moda como forma de divulgação de seus produtos. Essa estratégia foi concebida por Lívio Rangan, então gerente publicitário da Rhodia, responsável por coordenar a criação das coleções e organizar os desfiles onde as roupas eram divulgadas. Estes se aproximavam mais de um espetáculo que de uma divulgação comercial, reunindo profissionais do teatro, dança, música e das artes para sua realização.

 

O vestuário exposto tem estampas criadas por artistas brasileiros como Willys de Castro, Aldemir Martins,Hércules Barsotti, Carybé, Ivan Serpa, Nelson Leirner, Manabu Mabe, Alfredo Volpi, Lula Cardoso Ayres e Antonio Maluf, entre outros. As escolhas dos artistas revelavam o interesse em dialogar com a arte contemporânea do momento e refletiam as principais tendências estéticas e programas artísticos do período.

 

A abstração concreta está presente nas peças de Hércules Barsotti, Willys de Castro e Antonio Maluf. Já a abstração informal aparece nos vestidos de Manabu Mabe e Antonio Bandeira, e as referências ao pop, nas peças de Carlos Vergara, e Nelson Leirner.

 

Outra preocupação era trazer para a coleção a temática da cultura popular brasileira, parte importante da história do museu, além de assunto frequente nas pesquisas de Lina Bo Bardi. As estampas criadas por Aldemir Martins, Carybé, Francisco Brennand, Genaro de Carvalho, Lula Cardoso Ayres, Manezinho Araújo, Gilvan Samico e Carmélio Cruz refletem o tema.

 

A moda esteve presente no MASP em eventos e exposições realizadas no passado, como o desfile de vestidos de Christian Dior, em 1951; o desfile de moda brasileira, em 1952; e o Festival de Moda – I Exposição Retrospectiva da Moda Brasileira, de 1971, no qual foram exibidas algumas das peças que estão presentes nesta mostra. A expografia desenvolvida para a exposição é uma combinação monocromática de dois elementos: bases horizontais elevadas do chão para os manequins e cortinas que criam planos verticais de fundo para as peças. Distribuídos pelo espaço expositivo do segundo subsolo, criam um percurso de visitação: se vistos de cima, uma composição gráfica de curvas e retas. A opção pela predominância da cor preta nos elementos expográficos permite destacar as cores vibrantes das peças e, ao mesmo tempo, controlar melhor a intensidade da iluminação, para preservar as peças têxteis, bastante sensíveis.

 

No contexto da exposição, será vendido um catálogo inédito com reprodução das 78 peças. Além do texto curatorial, o catálogo contará com comentário crítico da especialista Patrícia Sant’Anna, cuja tese de doutorado realizado na Universidade Estadual de Campinas, Unicamp, abordou a coleção MASP-Rhodia.

 

Estarão contemplados na publicação e na exposição os artistas Aldemir Martins, Alfredo Volpi, Antonio Bandeira, Antonio Maluf, Carlos Vergara, Carmélio Cruz, Carybé, Danilo Di Prete, Fernando Lemos, Fernando Martins, Francisco Brennand, Genaro de Carvalho, Gilvan Samico, Glauco Rodrigues, Hércules Barsotti, Hermelindo Fiaminghi, Isabel Pons, Ivan Serpa, João Suzuki, José Carlos Marques, Kenishi Kaneko, Licínio de Almeida, Lívio Abramo, Luigi Zanotto, Lula Cardoso Ayres, Manabu Mabe, Manezinho Araújo, Moacyr Rocha, Nelson Leirner, Tikashi Fukushima, Tomoshigue Kusuno, Waldemar Cordeiro e Willys de Castro.

 

 

O conceito da curadora adjunta

 

Para Patrícia Carta, o acervo único reúne a riqueza de um momento histórico marcado pela ascensão do prêt-à-porter e pela crescente industrialização do país. “A importância desta exposição, além de trazer a estética e a plasticidade da época, é aproximar a arte de outras áreas, como moda e design, e é um bom exemplo de dessacralização do espaço museológico.”

 

 

Sobre Patrícia Carta

 

É curadora adjunta de vestuário e moda do MASP, diretora da Carta Editorial, que publica Harper’s Bazaar e a revista Iguatemi, entre outros títulos. Foi diretora das publicações da Condé Nast, como a Revista Vogue, de 2003 a 2010. Na Folha de S.Paulo, foi editora de moda de 1992 a 1997.

 

 

Curso Arte, Moda e Museu

 

O Museu de Arte de São Paulo – MASP oferece, por meio do MASP Escola, uma grade abrangente se cursos livres voltados para interessados em artes — temas como fotografia, história da arte e moda são destaques. Desde o dia 21 de outubro, o museu oferece o curso “Arte, Moda e Museu”, ministrado por Lorenzo Merlino, que se propõe a localizar e relacionar características cruciais da história da moda, iniciando pela pré-história e as primeiras vestimentas, passando pela diferenciação por gênero da Idade Média, e chegando ao contexto recente da globalização expressa pelo Ready-to-Wear e o Fast Fashion. Os movimentos de vestuário serão apresentados de maneira cronológica com viés crítico e inter-relacional ao longo de oito aulas.

 

Lorenzo Merlino tem 20 anos de experiência no mundo da moda, professor titular da cadeira de Estilo no curso de moda da Fundação Armando Álvares Penteado – FAAP desde 2010 e Pós-Graduado com nota máxima em História da Arte pela mesma instituição em 2013. Professor colaborador na Escola São Paulo, na Casa do Saber, no Senac e nas Faculdades Rio Branco. Desde abril é o novo figurinista-residente do Theatro Municipal de São Paulo.

 

 

Até 14 de fevereiro de 2016.

MASP expõe Léon Ferrari

O MASP, Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, Avenida Paulista, São Paulo, SP, expõe “León Ferrari: entre ditaduras”, um recorte do conjunto de obras doadas ao museu, pelo próprio artista, em 1991. A maioria dos trabalhos foi produzida em São Paulo, onde Ferrari viveu exilado por quinze anos. O artista chegou à capital paulista em 1976, após ter fugido de Buenos Aires no auge da “guerra sucia” (guerra suja), que devastou a Argentina e causou consequências fatais a Ferrari, cujo filho foi assassinado durante o período.  A mostra reúne, assim, mais de noventa obras que fazem referência aos regimes ditatoriais da América do Sul e questionam a forma repressiva com que exerciam o controle sobre a população, regulando estritamente todos os aspectos da vida cotidiana.

 

As obras da coleção do MASP incluem um conjunto de impressões em Xerox, gravuras e desenhos, bem como duas pinturas, uma escultura e um objeto, a maior parte delas produzidas durante sua estadia no Brasil, exceto dois trabalhos iniciais da década de 1960. As impressões em Xerox, foco da exposição, são bastante reveladores do contexto em que Ferrari estava trabalhando tanto na Argentina quanto no Brasil. O artista participou da rede de arte postal, que surgiu durante a década de 1960 e prosperou na década de 1970 em toda a América Latina. Em São Paulo, Ferrari esteve próximo de artistas que exploravam o potencial da mobilidade e a alta distribuição da mídia impressa e das artes gráficas em tempos de coerção política e econômica, e que, por isso, trabalhavam com diferentes técnicas gráficas, como heliografia, fotocópia, microfilme, letraset e videotexto. Destacam-se, nesse grupo, os artistas Carmela Gross, Hudinilson Jr., Regina Silveira e Julio Plaza, pioneiro no uso de videotexto no país e organizador de exposição de trabalhos feitos com essa tecnologia na Bienal de São Paulo de 1983, curada por Walter Zanini.

 

A primeira série de impressões, que se relaciona com a série Heliografias e com “Homens e Imagens” – livros de artista produzidos posteriormente por Ferrari –, utiliza-se da linguagem e da representação do desenho técnico e arquitetônico para transmitir os sistemas de controle da população e a regulamentação do cotidiano instrumentalizado pelos diversos aparatos ideológicos do Estado. A segunda série está relacionada com os livros de artista “Parahereges” e “Releitura”, e aborda especificamente aspectos religiosos e da Igreja Católica, criticando seu conservadorismo em relação à sexualidade e aos costumes sociais.

 

Pela primeira vez, reproduções das obras expostas e outras de Ferrari que integram o acervo do museu serão compiladas em um catálogo elaborado especialmente para a exposição. Assinam a curadoria da mostra o diretor artístico Adriano Pedrosa, a curadora-adjunta Julieta González e o curador Tomás Toledo.

 

 

Sobre o artista

 

León Ferrari nasceu em 1920 em Buenos Aires, Argentina, onde faleceu em 2013. Pintor, gravador, escultor e artista multimídia.  Considerado o maior artista plástico da Argentina, León Ferrari foi um crítico contundente da Igreja Católica e da ditadura militar em seu país, o que é evidente em grande parte de sua produção. Sem nunca ter cursado escola formal de artes, iniciou seu trabalho como escultor na Itália, onde residiu por três anos. Em 1955, realizou uma exposição individual na Galeria Cariola, em Milão. Em 1960, começou a fazer esculturas de arame e aço inoxidável, e, dois anos depois, produziu desenhos caligráficos e colagens. Em 1965, engajou-se no movimento cultural e político do Instituto Di Tella de Buenos Aires e abandonou a produção abstrata. Entre 1968 e 1969, participou dos eventos “Tucumán Arde” e “Malvenido Rockefeller”, em Buenos Aires. Em 1976, durante a ditadura militar na Argentina, exilou-se na cidade de São Paulo, época em que retomou a produção de esculturas em metal e intensificou a produção de trabalhos em fotocópia. Em 1977, passou a fazer esculturas sonoras em barras metálicas e interessou-se por novos meios expressivos, incentivado pela convivência com Regina Silveira e Julio Plaza (1938-2003).

 

 

Sobre Julieta González

 

Atua como curadora-adjunta de Arte Moderna e Contemporânea do MASP, e curadora chefe e diretora interina do Museo Jumex, na Cidade do México. Recentemente ocupou os cargos de curadora sênior do Museo Rufino Tamayo, na Cidade do México, e curadora-adjunta do Bronx Museum, em Nova York. De 2009 a 2012, foi curadora associada de arte latino-americana da Tate Modern, de Londres; de 1999 a 2001, curadora do Museo Alejandro Otero, de Caracas; e de 1994 a 1997 e 2001 a 2003, curadora do Museo de Bellas Artes de Caracas. Assinou a cocuradoria da 2ª Trienal Poligráfica de San Juan, Latinoamérica y el Caribe, com Jens Hofmann e também com o diretor artístico do MASP Adriano Pedrosa e a curadora convidada Beatriz Santiago. González curou mais de trinta exposições, tais como Juan Downey: A Communications Utopia (2013), Rita McBride: Public Transaction (2013) e Tomorrow Was Already Here (2012), todos no Museu Tamayo, na Cidade do México; Ways of Working: The Incidental Object, Fondazione Merz,
Turin (2013); Parque Industrial, Galeria Luisa Strina, São Paulo (2012); Juan Downey: El ojo pensante, Fundación Telefónica, Santiago, Chile (2010); Farsites at Insite, San Diego/Tijuana (curadora-adjunta com diretor artístico Adriano Pedrosa, 2005); Etnografía modo de empleo, Museo de Bellas Artes de Caracas, Venezuela (2003); e Demonstration Room: Ideal House (com Jesús Fuenmayor, 2000-2002), Museo Alejandro Otero, Caracas, Venezuela. É mestre em Cultural Studies pela Goldsmiths University, de Londres, tendo participado do programa de estudos de curadoria do Whitney Museum (1997-1998). Estudou arquitetura na Universidad Simón Bolívar, em Caracas, Venezuela, e na École d’Architecture Paris-Villemin, em Paris. Editou diversos livros de artistas e contribuiu com inúmeros ensaios para catálogos e publicações internacionais.

 

 

Até 21 de fevereiro de 2016.

Ozi, primeira individual

23/out

Comemorando os 30 anos de atuação na cena cultural, o artista plástico Ozi inaugura sua primeira exposição individual, “Ozi Pop Up Show”, na galeria A7MA, Vila Madalena, São Paulo, SP. A curadoria é de Marco Antonio Teobaldo. O artista exibe um recorte dessa longa trajetória, através de uma combinação de 47 trabalhos nos quais utiliza, prioritariamente, a técnica do stencil.

 

Para a “festa”, Ozi expõe 17 remixagens do ícone pop Mickey Mouse, de quem é um fãn de longa data, e que também está presente em algumas séries de trabalhos: latas de spray costumizadas – “OZICANS 30 latas”. As “OZICANS” foram produzidas em comemoração aos 30 anos de arte e graffiti, e representam um pequeno recorte da produção com trabalhos antigos, atuais e algumas releituras divertidas de ícones de consumo.

 

Na inédita “MixMickey”, Ozi apresenta uma mixagem do Mickey Mouse com vários personagens de HQ, criando os “Mickeys híbridos”. Já em “Arte Ordinária”, os trabalhos são uma crítica bem humorada ao modo como uma cultura nos é imposta, sem que pensemos antecipadamente nas consequências que isso trará para nossa vida diária.Para o artista, sério e responsável em seu compromisso criativo e educacional, é importante não perder o viés da diversão. Sempre atento, sua inspiração vem do cotidiano.

 

Ozi atua nas ruas desde 1985, imprimindo suas ideias nos muros e paredes da cidade de São Paulo. Com seus trabalhos de stencil bem humorados, por vezes irônicos, questiona o capitalismo, a sociedade de consumo e religião, de forma divertida e descompromissada, sempre com um tom de crítica às mazelas humanas.

 

 

O conceito do artista

 

– “Notícias dos meios de comunicação, alguma frase ou algo que vejo pelas ruas. Alguns assuntos que me incomodam também tem minha atenção. Uso ícones bem conhecidos e de fácil aceitação pelo público, que coloco em situações incomuns. A ideia sempre é causar algum estranhamento para que as pessoas parem para refletir.”.

 

 

Sobre o artista

 

Ozi, artista plástico paulistano, iniciou suas atividades no graffiti em 1985, por incentivo e apoio de dois importantes artistas paulistas: Alex Vallauri (precursor do graffiti em São Paulo) e Maurício Villaça. Desde então, vem ocupando os muros da cidade com seu trabalho, tornando-se parte da primeira geração de artistas envolvidos com o graffiti. Tem participado ativamente da cena street art de São Paulo e de várias exposições no Brasil e exterior, sejam elas em galerias, museus, instituições culturais ou espaços ao ar livre.

 

 

Sobre a galeria

 

A7MA criada em 2012, por Enivo, Jerry Batista, Tché Ruggi, Cristiano Kana e Alexandre Enokawa. Do indivíduo ao coletivo, muito além de um nome – athima (alma em hindu), a ‘A7MA’ é a representação da união de duas casas artísticas: o ‘Coletivo 132’ e a ‘Fullhouse’. Com mais de 100 m² de arte, o repertório cultural da galeria possui mais de 30 exposições em seu catálogo e um acervo variado obras sendo considerada um dos principais espaços na cidade, interessado exclusivamente pela arte de rua.

 

Composta por pessoas cultivadas pelos anos de produção artística e outra dos passantes da Vila Madalena, uma coisa é rápido sacar sobre esse espaço. Ele é amigável e nada opressor – parece uma extensão da rua. A7MA representa a arte que nasceu nas ruas e permanece ganhando visibilidade e reconhecimento no mercado. A cada dia, a cada nova exposição, é como se renovassem na união e no propósito de aproximar a arte de quem quiser ser envolvido por ela.

 

 

De 29 de outubro a 14 de novembro.

Duas na Emma Thomas

22/out

A Galeria Emma Thomas, Jardins, São Paulo, SP, exibe, simultaneamente, a exposição “De tudo aquilo que não nos representa”, individual da artista Érica Ferrari, e “No lugar do ar”, ocupação da artista Carolina Martinez que integra a 3ª edição do Work.in.Process – projeto no qual um artista convidado expõe parte de seu processo criativo no segundo andar da galeria.

 

Em “De tudo aquilo que não nos representa”, Érica Ferrari parte de uma pesquisa sobre a funcionalidade do monumento na cidade e o uso do espaço de seu entorno. “Em recente período de residência em Berlim, fiz um estudo de observação dos monumentos daquela cidade. Por ser um lugar com uma história de conflitos e governos díspares, possui os mais variados tipos de monumentos e memoriais, que por vezes são resignificados e alterados com o passar do tempo”, ela conta. Voltando a São Paulo, a partir dessa experiência, a artista direcionou sua atenção aos monumentos da cidade, especialmente em relação aos seus significados como construções simbólicas e de uso.
Na mostra, Érica apresenta uma instalação com cerca de 3 metros de comprimento, feita com cimento, gesso, entulho e outros materiais de descarte. Nesta obra, a artista funde o espaço público que constitui o entorno de um monumento em escala real. Para tanto, foi escolhido como ponto de partida o Obelisco da Memória, o mais antigo monumento de São Paulo, situado no Largo da Memória, no centro da cidade. “Após pesquisar, decidi escolher esse obelisco pois ele funciona quase como um marco vazio, prestando homenagem a sua própria existência. No entanto, o uso publico do espaço em que se encontra é bastante significativo”, diz.

 

Para a artista, trata-se de uma tentativa de pensar sobre um espaço que deveria ser representativo em um sentido – como símbolo cívico – mas funciona de outras formas, como por exemplo ponto turístico, local de permanência de moradores de rua ou mesmo apenas como local de passagem.

 

Em “De tudo aquilo que não nos representa” também são apresentadas três obras de parede, produzidas com madeira, entulho e formica. Em uma delas, diversos obeliscos estão dispostos como em uma reunião ao redor de um espaço retangular vazio. Em outro trabalho, duas bandeiras permanecem hasteadas do lado de fora de uma sala deserta. Também será exibida uma projeção de um vídeo gravado nas cidades de Berlim e São Paulo, na qual a artista mostra a dinâmica que turistas, transeuntes e moradores mantêm com esses símbolos e com os espaços públicos que os circundam.

 

Já em “No lugar do ar”, 3ª edição do Work.in.Process, a artista Carolina Martinez abre ao público seu processo criativo e apresenta obras finalizadas, estudos e trabalhos ainda processo. O segundo andar da galeria será ocupado pelas pesquisas “Perímetros” e uma série de instalações nas quais a artista reflete sobre o vazio. “São pesquisas que sintetizam dois campos que venho explorando desde o início da minha produção: a pintura e a instalação”, conta Carolina.

 

“Perímetros” é uma série iniciada em 2014 em seu ateliê na antiga fábrica Behring. São placas de madeira com pinturas de cantos e ‘quinas’ onde surge o elemento tridimensional das ripas de madeira, representando um rodapé. As ripas ultrapassam o limite das placas pintadas sugerindo um perímetro imaginário e, de certa forma, completando o vazio da pintura. Nesta série, Carolina apresenta ripas não só com o seu significado simbólico, o canto, mas como traços que transformam a obra em objeto, trazendo volume e sombra. A obsessão por espaços vazios e perspectivas incomuns apresentados nesta série são recorrentes no embate estético e conceitual do desenvolvimento da artista, que tem arquitetura como formação.

 

A ocupação “No lugar do ar” também é composta por uma série de instalações que a artista desenvolve desde 2013 e que parte de um estudo realizado em uma residência artística em Nova York. Aqui, o ponto de partida é o site-specific, as características arquitetônicas do ambiente expositivo e seus potenciais apropriados. “A intenção é que através do deslocamento de um elemento ordinário arquitetura local, seja possível uma distorção na perspectiva e consequentemente, na percepção do espaço”, conta.

 

No início de 2015 esta série se desdobrou em “Rodapés Mutantes”, instalação com sessões de rodapés instaladas em cantos e parede numa dimensão escultórica, a partir das características do espaço e que desenha e sugere um movimento contínuo. “Essa é uma obra aberta onde os imprevistos e as falhas avançarão de forma inesperada, só vivenciada no ateliê até hoje, portanto inédita ao público.”

 

 

Sobre Érica Ferrari

 

Nascida em 1981, em São Paulo, é formada em Artes Visuais pela USP. Participou de exposições com o grupo Hóspede e individualmente. Ganhou Prêmios Aquisições em importantes salões de arte do Brasil e recebeu prêmios públicos de incentivo à produção. Nos últimos anos produz instalações e painéis a partir de pesquisa em torno das relações entre a arquitetura, a paisagem e a história. Isso inclui estudos sobre a densidade histórica e simbólica das construções arquitetônicas, as diferentes representações da ideia de paisagem e dos elementos que compõem visualmente nossa compreensão do que é construído e do que é natural. As peças são apresentadas como objetos ou painéis, geralmente construídos com materiais comumente usados em casas e móveis como madeira, gesso e fórmica. Erica apresentou exposições individuais na Galeria Emma Thomas, no Palácio das Artes (Minas Gerais), no Museu de Arte de Ribeirão Preto (São Paulo), na 32° ARCO em Madrid e no Prêmio Festival Cultura Inglesa. Foi artista residente na Casa Tomada (São Paulo), no Sculpture Space em Utica (Nova York) e na Rampa (Madrid). No ano passado, apresentou exposições individuais no Pivô e no Paço das Artes, ambos em São Paulo. De abril a julho desde ano esteve em residência no GlogauAIR, em Berlim, produzindo um novo corpo de trabalhos.

 

 

Sobre Carolina Martinez

 

Artista carioca que através de pintura, fotos Polaroid ou instalações site-specific, estuda o espaço, a arquitetura e o vazio. Procura por conexões que existem entre espaços urbanos invisíveis, arquitetura e cenas da vida cotidiana que muitas vezes passam despercebidas. Em suas obras site-specific busca deslocar algo padrão na arquitetura e de alguma forma procura elevar um elemento ordinário da arquitetura ao status de Escultura. Como no caso dos rodapés na Galeria Laura Marsiaj (Rio de Janeiro, 2013) e do roda-teto na Residency Unlimited (Nova York,2015), ao desafiar noções convencionais de arquitetura, distorço a percepção que o espectador tem do espaço. Através de fotos Polaroid procura vazios urbanos e lugares geralmente negligenciados na rotina contemporânea. Assim, a ideia das suas fotografias é mostrar textura e poesia em cenas comuns das grandes cidades, olhando para trás, para a cidade, o espaço real, que é palpável e moldável. Suas pinturas são constantemente apresentadas como um corpo integrado de trabalho que estabelece associações em busca de aspectos (e perspectivas) dos espaços urbanos invisíveis, arquitetura e rotina contemporânea.

 

 

Até 14 de novembro.

A mostra das Musas

21/out

Tassi Espaço Cultural, Pacaembu, São Paulo, SP, abre a mostra coletiva “Musas”, com curadoria de Elizabeth Tenani e obras de Edu Cardoso, Fabrini Crisci, Flammarion Vieira, Piero Figura e Sonia Menna Barreto. O conceito curatorial busca reunir artistas em torno de um tema comum, propondo que cada um crie novas peças para homenagear suas respectivas musas.

 

Para a exposição a Tassi, convidou cinco artistas para que revelem ao público suas musas, mulheres renomadas, que os influenciam ou inspiram de alguma forma. Neste sentido, Edu Cardoso elege Dona Beja para a homenagem, personalidade influente na região de Araxá, Minas Gerais, durante o século XIX. Esta escolha não se deu apenas pelo fato da mitológica beleza de Dona Beja, mas também por sua vida e história estarem repletas de mistérios. “(…) me remete a uma plasticidade com uma certa aura surreal e que tem tudo a ver com a identidade do meu trabalho”, comenta o artista, que apresenta, na mostra, uma tela, pintada com tinta acrílica, tinta óleo e alguns detalhes de tinta spray dourada. Fabrini Crisci, por sua vez, exalta a figura de Marlene Dietrich, atriz e cantora alemã, por quem sempre foi fascinado. “Já pintei várias vezes Marlene e sempre fico hipnotizado com o olhar penetrante sedutor e fatal dela. Morei alguns anos na Alemanha, trabalhando em cabarets, em um destes espetáculos uma atriz, representando Marlene Dietrich, se apaixonava por um autômato, o qual eu representava. Maravilhoso quando o artista ‘encontra’ sua Musa”, relembra Fabrini.

 

Flammarion Vieira participa da mostra celebrando Frida Kahlo, por se identificar com a artista na estética, no modo como viveu amores, dores e paixões. Flammarion já trabalha com este tema há anos, e utiliza colagem e assamblage, inspirado também por Farnese de Andrade e Jean Dubufet. Já Piero Figura resgata o modo alegre e contagiante de Carmen Miranda, escolha que se deu em razão da estética e pela forma lúdica que a artista apresentava o Brasil, sempre cantando e cheia de vida. “Imagino a personagem sempre como se ela estivesse fazendo algo exclusivamente para mim, congelo este instante e reproduzo, utilizando a técnica acrílica sobre canvas”, comenta. Por fim, Sonia Menna Barreto homenageia Catarina de Bragança, Rainha Consorte da Inglaterra, Escócia e Irlanda, entre 1662 e 1685. Após realizar várias pesquisas para um determinado trabalho, Sonia descobriu que foi Catarina, quando na ocasião do casamento com o rei inglês Charles II, quem levou para lá o hábito do chá com bolinhos das 5h; hábito seguido e cultuado pelos ingleses até hoje. “Também introduziu na Corte Inglesa o hábito de servir as refeições em pratos de porcelana, e também inventou o garfo! Foi uma mulher admirável”, diz a artista.

 

Com esta mostra inédita, a Tassi Espaço Cultural confirma sua inserção no circuito cultural paulistano, com proposito de contribuir para a formação artística da população local. De uma forma descontraída, a mostra “Musas” oferece ao público a oportunidade de entrar em contato com a história de personalidades importantes, que inspiram a criatividade em diversas pessoas.

 

 

De 05 de novembro a 22 de dezembro.

Giovani Caramello, nova série

Em novembro, ele que emocionou e intrigou os fãs de esculturas hiper-realistas em todo o Brasil está de volta e com novidades. Após um período em pesquisa e produção, Giovani Caramello, artista representado pela OMA | Galeria, São Bernardo do Campo, São Paulo, SP, apresenta sua mais nova série de esculturas, ainda inédita, a “Segunda Chance”, na PARTE – Feira de Arte Contemporânea –, edição Paço das Artes, em novembro. Composta, inicialmente, por quatro bustos, sendo que somente duas estarão disponíveis para visitação no estande da galeria durante o evento, as peças contam com uma cicatriz no peito que faz uma alusão a cirurgia de transplante de coração. “Para o Giovani todos nós temos possibilidades de renascer todos os dias, e uma das formas mais frequentes de ‘renascer’ em um estado positivo é a proximidade com a morte material. Isso nos faz refletir a respeito do quão frágil a matéria é e como podemos aproveitar as chances diárias que nos são dadas”, revela Thomaz Pacheco, da OMA | Galeria.

 

Entre as curiosidades da nova série estão o próprio processo produtivo de cada peça, que dura em média dois meses para ser finalizado, e os materiais que tornam as texturas mais próximas a de um ser humano real, como fios de cabelos naturais e a aplicação de silicone por toda a extensão da peça.  Segundo o artista, a inspiração de “Segunda Chance” deu-se na fragilidade da vida e a oportunidade de sempre tentar algo novo e melhor todos os dias. “Minha motivação veio de diversas fontes, como em um livro que li e o autor faz afirmações sobre a nossa capacidade de renascer diariamente. Ao criar essa série,  eu mesmo tentei algo novo, por exemplo, ao iniciar as quatro obras simultaneamente. Arrisquei para acertar e ainda estou pensando se vou manter essa metodologia, mas o mais válido nisso tudo é que tentei uma coisa diferente em meu trabalho”, conta.

 

Em novembro, as peças do artista poderão ser vistas na PARTE – Feira de Arte Contemporânea –, edição Paço das Artes, São Paulo, SP, entre os dias 4 e 8, no estande da OMA | Galeria. Além dele, outros cinco artistas representados pela galeria – Andrey Rossi, Daniel Melim, Nario Barbosa, RIEN e Thiago Toes – e uma artista visual convidada, Juliana Veloso, vão apresentar suas mais recentes e inéditas produções. Enquanto o evento não começa, confira as primeiras imagens de I, da série “Segunda Chance”.

 

 

Sobre a OMA Galeria

 

A OMA | Galeria é o primeiro espaço privado de artes visuais do ABC. Localizada em São Bernardo do Campo, a galeria está sob os cuidados do galerista Thomaz Pacheco. Em pouco tempo, o espaço tornou-se referência na região e destaca-se no circuito das artes por seus projetos culturais, como encontros, workshops e debates (promovidos pelo OMA| Educação e OMA | Cultural), e por seu quadro de artistas representados (Andrey Rossi, Daniel Melim, Giovani Caramello, Henrique Belotti, Nario Barbosa, RIEN e Thiago Toes).

 

 

De 04 a 08 de novembro na  PARTE – Feira de Arte Contemporânea, São Paulo, SP. 

Museu Afro Brasil celebra aniversário

20/out

O Museu Afro Brasil, Parque do Ibirapuera, São Paulo, SP, abre três novas exposições no dia 23 de outubro – comemorando seu aniversário de 11 anos: “Cartas ao Mar” – com fotografias de Eustáquio Neves, “Raízes e Fragmentos – uma viagem ao território mental” – do artista Duda Penteado e “A nossa invenção da arte” – da coleção de Ladi Biezus, que também ganha um catálogo da exposição com lançamento no mesmo dia.

 

 

Exposição “A nossa invenção da arte”

 

Esta mostra, que revela a força da arte tradicional popular, é composta por obras da coleção de Ladi Biezus, uma coleção de arte feita sem intencionalidade, ao longo de 45 anos.

 

Biezus define esta coleção como “Feita sempre de encantamentos avassaladores, sempre por obras tidas como companheiras para a vida, e, portanto, guardadas no templo destinado ao culto pessoal. A exceção à permanência em culto foram alguns presentes feitos a familiares e amigos em momentos muito especiais. Agora chegamos à época dos balanços, à época da prestação de contas a mim mesmo. É maravilhoso deter o olhar sobre uma por uma das obras, relembrar os artistas amigos e cheios de ilusões, desfrutar a inesgotável fascinação que elas ainda exercem e incorrer na tentação de lançar um olhar panorâmico” e ainda complementa “Esta coleção não pretende ser um panorama exaustivo de tudo quanto de bom a arte do povo brasileiro produziu nos últimos 50 anos. São obras que naturalmente aconteceu reunirem-se ao longo do caminho”.

 

Fazem parte desta mostra: José Antonio da Silva, Isabel de Jesus, Mirian Inês da Silva, Emygdio de Souza, Valdomiro de Deus Souza, Mestre Guarany, Mestre Dezinho, Mestre Vitalino, Mestre Nosa, Raimundo de Oliveira, Elza O S, Conceição dos Bugres, Véio (Cicero Alves dos Santos), Ivonaldo Veloso de Mello, Maria Auxiliadora e o inestimável Agnaldo Manoel dos Santos.

 

 

Sobre o Museu Afro Brasil

 

Inaugurado em 2004, a partir da coleção particular do Diretor Curador Emanoel Araujo, o Museu Afro Brasil construiu, ao longo de seus 11 anos, uma trajetória de contribuições decisivas para a valorização do universo cultural brasileiro ao revelar a inventividade e ousadia de artistas brasileiros e internacionais, desde o século XVIII até a contemporaneidade. O Museu Afro Brasil é uma instituição pública, subordinada à Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo e administrado pela Associação Museu Afro Brasil – Organização Social de Cultura. Ele conserva, em 11 mil m2 um acervo com mais de 6 mil obras, entre pinturas, esculturas, gravuras, fotografias, documentos e peças etnológicas, de autores brasileiros e estrangeiros, produzidos entre o século XVIII e os dias de hoje. O acervo abarca diversos aspectos dos universos culturais africanos e afro-brasileiros, abordando temas como a religião, o trabalho, a arte, a escravidão, entre outros temas ao registrar a trajetória histórica e as influências africanas na construção da sociedade brasileira. Em 11 anos o Museu Afro Brasil já recebeu quase 2 milhões de visitantes, em uma história marcada por exposições de grandes nomes e grandes temas que fazem parte da construção da identidade da cultura brasileira.

Serpa + Zalszupin

19/out

A galeria Bergamin&Gomide, Jardins, São Paulo, SP, apresenta a exposição Serpa + Zalszupin. O carioca Serpa e o paulista de origem polonesa, Zalszupin, até onde se sabe não se conheciam, mas é surpreendente a simetria no trabalho de ambos. Enquanto Serpa recortava a tela em tiras e quadrados, Zalszupin recortava as folhas de jacarandá baiano para construir tampos de mesas executados para a L’Atelier. O período coberto pela obra de Zalszupin se inicia nos anos 1950, período de glória da arquitetura brasileira.

 

A paleta de cores encontrada em estudos de Serpa, da década de 1950 e 1960, parece ter sido transferida para os revestimentos escolhidos por Zalszupin para seus estofados. Até os tampos em mármore bege Bahia, o preferido de Zalszupin, se assemelham a pintura livre e mais abstrata desenvolvida por Serpa no início dos anos 1960.

 

A intenção da mostra é expor as semelhanças entre o desenho industrial do designer Jorge Zalszupin e a prática artistica de Ivan Serpa, durante os anos mais prolíficos de suas carreiras, entre as décadas de 1950 e 1970.

 

Pretendemos também com essa mostra, elevar o design a condição de arte. Exibindo um artista que nos anos 1950 criou o Grupo Frente, e teve como pupílos nomes como Lygia Clark, Lygia Pape e Helio Oiticica, ao lado de um dos maiores nomes do desenho nacional, pioneiro na utilização de compensado curvado no Brasil, demonstra a genialidade alcançada por estes mestres.

 

A galeria pretende apresentar uma integração despretensiosa entre o trabalho de cada artista. Em suas paredes, estarão cerca de 25 trabalhos de Ivan Serpa, entre pinturas e desenhos, produzidos entre os anos 1950 e 1970. As 17 peças de mobiliário serão ambientadas informalmente, como dispostas em uma residência.

 

 

De 24 de outubro a 04 de dezembro.

A Amazônia de João Farkas

15/out

Entre 1984 e 1993, João Farkas fez várias viagens à Amazônia brasileira para registrar o processo de ocupação da região impulsionada pelo garimpo. João Farkas não só fotografou o cotidiano dos garimpeiros, mas, também, dos ribeirinhos e da própria floresta – sua beleza, o trabalho dos seringueiros e o processo de desmatamento. As incursões do fotógrafo pela região da Amazônia renderam 12 mil fotos, destas, a Galeria Marcelo Guarnieri, selecionou 34 imagens para a exposição “Amazônia”, que estreia no próximo dia 24 de outubro, na unidade Jardins, em São Paulo, SP, inspirada no livro   “Amazônia Ocupada” (Edições Sesc e Editora Madalena), com 120 imagens, que chegará às livrarias em novembro deste ano.

 

O recorte apresentado propõe a releitura de uma visão singular de “Amazônia Ocupada”, de João Farkas. Durante este ano, o projeto do fotógrafo se desdobrou em alguns caminhos:  a individual na galeria, mostrando Sesc Bom Retiro, o livro, a caixa portfólio e uma exposição no Instituto Figueiredo Ferraz, em Ribeirão Preto. “O que diferencia esta mostra na Galeria  Marcelo Guarnieri – além do lançamento do livro e da caixa portfólio – é que o eixo curatorial recai para a seleção que prima pela liberdade de escolha e o tratamento diferenciado das imagens – sendo muitas delas inéditas ao público, que complementam a visão geo-etnográfica da exposição apresentada anteriormente no Sesc”, afirma João Farkas.

 

Destacam-se as imagens que mostram o cotidiano e a beleza da expressão dos corpos e rostos que compõem este cenário, como nas fotografias “Jovem Kaiapó”, “Índio Uru-Eu-Wau-Wau”, dos garimpeiros, lavradores e das trabalhadoras de bordéis flutuantes. Por outro lado, a espacialidade, a luz, a textura e as linhas geográficas em vistas áreas, imagens de troncos, minas, leitos de rios e garimpos.

 

A caixa portfólio (feita exclusivamente para a mostra) possui apenas 7 (sete) exemplares com 18 fotografias (40 x 27 cm – cada) acondicionadas em caixa de madeira executada pelo Instituto ACAIA.

 

 

Amazônia e Fotografia

 

Ainda criança, João Paulo Farkas esteve na Amazônia com a família. “Aquilo tudo me impressionou muito, desde as feiras e os mercados, com suas frutas, peixes, farinhas, tucupis, até o rosto das pessoas com mistura de sangue indígena. As ruas de Belém com suas mangueiras centenárias e, particularmente, uma visão aérea num voo entre Manaus e Belém, em que víamos de cima aquele rio imenso com seus meandros e igarapés penetrando o tapete verde da mata Amazônica, como se fosse um atlas escolar ao vivo. Aquela imagem nunca me abandonou”, declara.

 

Depois disso, ele foi impactado pelas fotos de grandes revistas, como Manchete, National Geographic e, também, pelos livros de George Love e Claudia Andujar, impressos pela Gráfica Praxis no final da década de 70, que lhe mostraram uma maneira diferente de fotografar a região. “Também tem um gosto muito especial para mim o fato de que a Amazônia estava no radar do fotográfico e cinematográfico Thomaz Farkas, meu pai, a quem eu devo boa parte de minha formação humanística e o amor pelo Brasil e pelo povo. Ele adoraria estar aqui pra ver isto na parede”, completa.

 

Para Farkas, a fotografia sempre terá uma relação direta com a realidade e a leitura que um fotógrafo faz daquilo que o cerca, seu espaço e tempo, e pode impactar o seu público. “Desde que não se abuse desta mídia, a fotografia pode ter um papel de despertar, de mostrar, fazer conhecer. Mas uma coisa mudou desde o final do século 20. Hoje, a fotografia tem que trabalhar muito mais pela sensibilidade do que pela mera exibição de algo. Já não basta mostrar. Com os públicos muito mais expostos a imagens de todos os tipos, o ‘como’ se fotografa passou a ser tão importante quanto o ‘que’ se fotografa”.

 

 

Sobre o artista

 

João Paulo Farkas sempre esteve em contato com a fotografia. Após se graduar em Filosofia pela Universidade de São Paulo, mudou-se para Nova York, onde estudou no International Center of Photography e na School of Visual Arts. Foi fotógrafo correspondente das revistas Veja e IstoÉ e também trabalhou como editor de Fotografia. Ganhou o prêmio ABERTE e Bolsa Vitae de Artes/Fotografia. Seus trabalhos fazem parte de importantes acervos e museus brasileiros e integram o acervo do ICP (International Center of Photography). Em 2015, 16 imagens do fotógrafo passam a integrar o acervo da Maison Européenne de la Photographie, em Paris.

 

 

De 24 outubro a 28 de novembro.

Uma viagem ao Japão

Situada no bairro Vila Nova Conceição, São Paulo, SP, a Galeria Vilanova expõe “Somos Memória”, primeira individual da designer de interiores e fotógrafa carioca Ana Teresa Bello, com curadoria de Thomas Baccaro. Dividida em quatro séries – “Respiro e Silêncio”,” Pequenos Desvios do Olhar”, “Arquitetura da Luz” e “A Solidão de Cada Um” -, a mostra é composta por 15 imagens capturadas ao longo de uma viagem feita pela artista ao Japão, com paisagens urbanas intimistas, e cenas atemporais de um cotidiano muito distante.

 

 

“A memória é um recorte do mundo.”

 

Com esta definição, Ana Teresa Bello partiu para uma viagem solitária ao Japão, com o objetivo de fotografar seu projeto autoral “Somos Memória”, resultado de uma pesquisa da artista acerca da compreensão do tempo, do silêncio e do outro. Com este trabalho, Ana Teresa Bello também coloca em discussão o fato da maior parte da nossa memória estar, ao que tudo indica, gravada em nossos celulares e em redes sociais. “Muito me interessa o quanto o impulso de compartilhar na virtualidade, para legitimar uma experiência, arranca as pessoas de um senso de presença no real”, comenta. Reflexo de sua carreira paralela na área de Arquitetura, as imagens da artista ainda revelam uma preocupação com a harmonia das linhas e ângulos, e com a preservação da cena original, no enquadramento como foi clicada, sem pós-edição. Neste sentido, as imagens da artista revelam detalhes de uma experiência ímpar, seja dentro de um quarto incógnito, despido de qualquer traço nipônico, ou em cenas urbanas compostas de grafismo e desfoque, ou em retratos espontâneos, como a geisha “pós-moderna”, que anda pela rua isolada em seu smartphone, alheia a tudo.

 

Nesta primeira exibição individual, Ana Teresa Bello leva ao espectador uma Tóquio desacelerada, onde luz e sombra penetram silhuetas incomuns, nas fendas de uma arquitetura fria e brutal. Desta forma, “Somos Memória” oferece uma linha tênue entre a delicadeza da tradição e o espasmo da modernidade no Japão, em um processo de desbravamento do longínquo, do exótico e do misterioso. No fundo, a intenção da fotógrafa é dizer: “você é o lugar que habita, e você habita a sua própria memória, construída nesse lugar”. A coordenação é de Bianca Boekel.

 

 

De 20 de outubro a 14 de novembro.