Mostra inédita de Andy Summers

12/ago

A Leica Gallery São Paulo, Higienópolis, São Paulo, SP, promove sua inauguração com a mostra “Del Mondo”, exibição individual do músico e fotógrafo inglês Andy Summers, e curadoria de Karin Rehn-Kaufmann. A exposição, composta por 42 imagens em preto e branco, feitas entre 1978 e 2014, apresenta registros da vida do artista em viagens que fez ao redor do planeta, evidenciando um estilo de fotografia de rua emotivo e atento.

 

Desde 1978, Andy Summers exercita, com a fotografia, um olhar afiado. Quando os membros da banda The Police decidiram cada um seguir seu próprio caminho, em meados da década de 1980, o guitarrista se aproximou do jazz e da música clássica e, simultaneamente, passou a dedicar ainda mais tempo à câmera fotográfica. Sua produção artística é influenciada tanto por viagens, da Tanzânia a Shangai, quanto por seu profundo interesse pela música, experimentando diferentes tipos de filmes fotográficos, lentes, ângulos e composições. Saindo noite após noite, vagando pelas ruas com sua câmera, Andy Summers registrava cenas noturnas em lugares como Los Angeles, Tóquio, Londres, Bali, Nepal, Macau ou por onde quer que passasse. “É você e o mundo ao redor. Reagindo a isso. Olhando para isso. Se eu saio pela rua, estou olhando, estou procurando. Vendo o que aparece. Poderia ser uma forma, um movimento.”, comenta o fotógrafo.

 

Neste contexto, “Del Mondo” apresenta fotografias de vendedores, pedestres, motoristas, quartos de hotel, garçons e até do próprio artista. Cenas espontâneas, que o fotógrafo encontrava em suas andanças pelo mundo.

 

Esta mostra inédita no Brasil marca a inauguração da Leica Gallery São Paulo, a primeira na América do Sul, e traz ao país Karin Rehn-Kaufmann, responsável pela curadoria de todas as unidades da Leica Gallery no mundo. A partir de agosto, o público encontra um lugar dedicado à fotografia, localizado em uma região privilegiada de Higienópolis, entre universidades e escolas de arte e design. Construída em um edifício da década de 1930 – em processo de tombamento como Patrimônio Histórico -, a galeria reúne o estilo Art Deco da fachada com um espaço interior bastante moderno, complementado por dois containers, anexos ao edifício em uma área externa. A proposta da Leica Gallery São Paulo é apoiar artistas, promover workshops e encontros, no intuito de gerar uma relação íntima entre fotografia, espectador e espaço expositivo.

 

 

Até 05 de outubro.

Baró Galeria realiza retrospectiva de Almandrade

11/ago

A mostra é constituída de diversos suportes utilizados por Almandrade. São trabalhos elaborados dentro de princípios e critérios que vêm direcionando a produção do artista, por mais de quatro décadas.

 

Entre a geometria e o conceito, entre a forma e a palavra, entre o rigor espacial e a poesia. Assim caminha a obra do artista plástico Antonio Luis Morais Andrade, o Almandrade, expoente baiano da arte conceitual e, hoje, um dos grandes nomes das artes visuais brasileiras, com uma produção respeitada nos principais circuitos de arte do país e reconhecida internacionalmente. A partir do dia 22 de agosto, parte dessa produção poderá ser vista na Galeria Baró, Barra Funda, São Paulo, SP, integrando a mostra “Do Poema Visual a Poética do Plano e do Espaço”, sob curadoria de Marc Pottier.

 

Almandrade compromete-se com a pesquisa de linguagens artísticas que envolve artes plásticas, poesia e conceitos. No percurso do artista destaca-se a passagem pelo concretismo, poesia visual, poema / processo e a arte conceitual, nos anos 70, o que contribuiu fortemente com a incessante busca de uma linguagem singular, limpa, de vocabulário gráfico sintético. De certa forma, um trabalho que sempre se diferenciou da arte produzida na Bahia.

 

Na Bahia, Almandrade foi solitário no seu engajamento à arte concreta e conceitual. Ainda assim, conquistou o respeito crítico. Suas obras, alvo de pelo menos 30 exposições individuais, já frequentaram pelo menos quatro edições da Bienal de São Paulo e hoje integram importantes coleções particulares e de museus como Museu de Arte Moderna da Bahia, Museu de Arte do Rio Grande do Sul, Museu Nacional de Belas Artes (RJ), Pinacoteca Municipal de São Paulo, Museu Afro (SP) e Museu Nacional (DF).

 

 

Até 17 de outubro.

Smithsonian em SP

10/ago

O Museu Afro Brasil, Parque do Ibirapuera, Portão 10, São Paulo, SP, instituição da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, e a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil anunciam a abertura da exposição “Gullah, Bahia, África”.

 

A mostra apresentará ao público a vida e a pesquisa pioneira desenvolvida pelo primeiro linguista afro-americano, Lorenzo Dow Turner. Expoente acadêmico da comunidade negra americana nos anos 1930, Turner identificou a fala da comunidade gullah, do sul dos EUA, e rastreou seus registros na África e no Brasil, ligando, dessa forma, comunidades da diáspora africana através da linguagem. Originalmente criada e exibida em 2010 pelo Anacostia Community Museum, integrante da Smithsonian Institution, de Washington DC (EUA), a exposição tem curadoria da brasileira Alcione Meira Amos.

 

Fazem parte da mostra fotografias que registram o trabalho de campo do professor Turner; um painel comparando palavras usadas no gullah, inglês e português do candomblé, com as suas origens nas línguas da África; um raro registro da fala gullah e cinco vídeos, incluindo “Raízes da África: ligações entre as palavras”, mostrando falantes de línguas africanas, um americano, um gullah e um brasileiro, que repetem as mesmas palavras em cada uma das línguas, demonstrando suas raízes africanas.

 

 

Sobre a exposição

 

“Gullah, Bahia, África” conta três histórias em uma: a trajetória acadêmica de Lorenzo Dow Turner; sua jornada para desvendar um código linguístico e suas descobertas, que atravessaram continentes. Já nos anos 1930, a pesquisa pioneira de Turner demonstrou que, apesar da escravidão, os africanos trazidos aos EUA transmitiam sua identidade cultural a seus descendentes por meio de palavras, músicas e histórias.  Estudioso de várias línguas africanas, como twi, ewe, iorubá, bambara e wolof, além do árabe, Turner utilizou seu conhecimento para se dedicar à pesquisa da fala da comunidade gullah/geechee, da Carolina do Sul e da Geórgia, no sul dos EUA, até então desprezada como um “inglês mal falado”.  Os estudos de Turner confirmaram que, pelo contrário, o povo Gullah falava uma língua crioula, com elementos linguísticos próprios e da cultura de seus ancestrais africanos.

 

As explorações linguísticas pela diáspora africana levaram Turner até a Bahia, onde ele novamente validou sua descoberta a respeito das continuidades africanas.  Uma das seções da exposição é dedicada à pesquisa do Professor Turner sobre cultura afro-brasileira na Bahia, juntamente com algumas das mesmas línguas que influenciaram o gullah. Na Bahia, a sobrevivência da cultura africana pode ser percebida por Lorenzo Dow Turner particularmente no candomblé, quando integrantes dos terreiros reconheciam palavras em gravações que ele havia feito em outras partes do mundo.  Os muitos escritos de Turner incluem o livro “Africanismos do Dialeto Gullah” (Africanisms in the Gullah Dialect), publicado em 1949, que permanece como uma das principais referências para a pesquisa das línguas crioulas.

 

Encontro com a curadora da exposição Alcione Meira Amos: ”A Coleção Fotográfica de Lorenzo Dow Turner: Gullah Bahia África e os Retornados Afro-Brasileiros”(com visita à exposição)

 

Local: Museu Afro Brasil (Av. Pedro Álvares Cabral, s/n, Parque Ibirapuera, Portão 10, São Paulo, tel.: 11 3320-8900): 20/08, às 15h.

 

 

Sobre o Museu Afro Brasil

 

Inaugurado em 2004, a partir da coleção particular do diretor curador Emanoel Araujo, o Museu Afro Brasil construiu, ao longo de seus mais de 10 anos, uma trajetória de contribuições decisivas para a valorização do universo cultural brasileiro ao revelar a inventividade e ousadia de artistas brasileiros e internacionais, desde o século XVIII até a contemporaneidade.

 

O Museu Afro Brasil é uma instituição pública, subordinada à Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo e administrado pela Associação Museu Afro Brasil- Organização Social de Cultura. Ele conserva, em 11 mil m2 um acervo com mais de 6 mil obras, entre pinturas, esculturas, gravuras, fotografias, documentos e peças etnológicas, de autores brasileiros e estrangeiros, produzidos entre o século XVIII e os dias de hoje. O acervo abarca diversos aspectos dos universos culturais africanos e afro-brasileiros, abordando temas como a religião, o trabalho, a arte, a escravidão, entre outros temas ao registrar a trajetória histórica e as influências africanas na construção da sociedade brasileira.

 

O Museu exibe parte do seu Acervo na Exposição de Longa Duração, realiza Exposições Temporárias e dispõe de um Auditório e de uma Biblioteca especializada que complementam sua Programação Cultural ao longo do ano.

 

 

Sobre o Anacostia CommunityMuseum

 

Museu integrante da Smithsonian Institution, o Anacostia está localizado em Washington DC (EUA) e abriu suas portas em 1967, como o primeiro museu comunitário do país financiado com recursos federais.  O nome atual foi adotado em 2006, quando o museu ampliou seu foco, originalmente com uma ênfase afro-americana, para examinar o impacto de questões sociais contemporâneas em comunidades urbanas.

 

 

Até 18 de outubro.

Schoeler Editions na SP-Arte/Foto 2025

07/ago

A Schoeler Editions participa da SP-Arte/Foto 2015, Shopping JK Iguatemi | 3º piso, Vila Olímpia, levando para seu stand portfólios e prints avulsos de consagrados fotógrafos brasileiros e estrangeiros, como Bob Wolfenson, Marcelo Greco, Peter Scheier, entre outros. Durante a feira, a Schoeler Editions também apresenta uma edição comemorativa do portfólio de Cristiano Mascaro, que terá um único exemplar para venda, e homenageia o fotógrafo e editor Jay Colton, em memória ao quinto ano de seu falecimento, com a exposição de uma versão especial do trabalho “Haiku of Flowers”.

 

Após se estabelecer no mercado com portfólios e projetos editoriais de luxo, em edições limitadas e confeccionados com materiais de primeira qualidade, a Schoeler Editions apresenta novidades na SP-Arte/Foto 2015, como os novos prints da coleção de Marcelo Greco, agora em tamanho 1,0 x 1,5 m, que serão exibidos pela primeira vez nessas dimensões. Além desses novos prints, o portfólio de Cristiano Mascaro ganha duas unidades, uma para exibição e outra para venda, em uma versão exclusiva – com revestimento em linho preto, acabamento sofisticado e todas as 18 fotografias assinadas individualmente pelo autor -, comemorando a venda de 30 portfólios do fotógrafo. Ainda durante a feira, a Schoeler Editions exibe uma versão especial do portfólio de Jay Colton, Haiku of Flowers: em caixa revestida com seda preta, o trabalho conta com 24 imagens do fotógrafo americano e 17 Haikus, caligrafados por Sanae Yamazaki, a lendária primeira mulher diretora de arte da Times Magazine.

 

Convidada a fazer parte do catálogo da Library of Congress (Estados Unidos) com três de seus títulos – “Diário da Viagem” de Peter Scheier, “Internal Affair” de Marcelo Greco e “Falling Beauty” de Christian Maldonado -, a Schoeler Editions da continuidade a seu cronograma de eventos e lançamentos, seguindo a proposta de elaborar projetos editoriais exclusivos. Todas estas edições poderão ser adquiridas durante a feira e, posteriormente, pelo site da editora.

 

 

De 20 a 23 de agosto.

Faça aqui | Ana Luiza Dias Batista

06/ago

O Ateliê397, Vila Madalena, São Paulo, SP, com apoio da Secretaria de Cultura do Estado de

São Paulo – via ProAC apresenta a exposição “Faça aqui”, em que a artista Ana Luiza Dias

Batista mostra seis trabalhos novos. “Faça aqui” é a nova exposição de Ana Luiza Dias Batista

no Ateliê397, na qual a artista apresenta trabalhos inéditos. O nome da exposição é retirado

de placas que ficam em frente a pequenos estabelecimentos comerciais, anunciando seus

serviços. Um dos referentes importantes para a construção de parte dos trabalhos em exibição

são os chaveiros, esses pequenos comércios, portinhas ou quiosques que, por ocuparem um

espaço reduzido, acabam por criar curiosas estratégias para expandir sua visibilidade no

espaço público.

 

Em um de seus trabalhos a artista se utiliza de chaves descartadas, construindo um chão de

chaveiro (cimento com chaves incrustradas) na calçada em frente ao espaço expositivo e no

corredor externo do Ateliê397. Dentre as chaves presas no chão, está a que abre a porta do

Ateliê. Outros trabalhos integram a mostra: uma instalação sonora, na entrada do galpão; uma

obra feita com um miolo de fechadura colocado diretamente na parede que gira

incessantemente; um trabalho feito com buchas e parafusos – também na parede – formando

um jogo “Resta um”; um cofre cortado de modo a lembrar um cubo-mágico, além de uma

instalação com placas de chaveiros em forma de chaves gigantes.

 

A exposição dá continuidade à investigação da artista, que frequentemente trabalha com

objetos já conhecidos, modificando seus tamanhos, seu funcionamento, seu trajeto, suas

proporções. Tais alterações acrescentam-lhes camadas, criam pequenos enigmas,

interrupções, estabelecem novos significados. Com uma obra na qual a relação estabelecida

entre os objetos de arte e os espectadores tem papel importante, a artista propõe uma

experiência onde a suspensão do entendimento imediato e cotidiano é estendida,

intensificando os efeitos do contato com a arte.

 

 

Sobre a artista

 

Ana Luiza Dias Batista nasceu em São Paulo em 1978. Em 2000 formou-se em artes plásticas na

ECA-USP. Em 2001 fez individuais no Centro Cultural São Paulo e na galeria Adriana Penteado,

São Paulo. No ano seguinte realizou, com Eurico Lopes e Rodrigo Matheus, o Plano Copan,

projeto independente no edifício paulista. Participou das coletivas 20 anos – 20 artistas, 2002,

CCSP, To be political it has to look nice, 2003, Apexart, Nova York, MAM [na] Oca, São Paulo,

2006 e do simpósio São Paulo S.A., Situação n. 2, 2002. Expôs individualmente no Centro Maria

Antônia, São Paulo, 2004. Recebeu a Bolsa Pampulha e, em 2007, apresentou individual no

Museu da Pampulha, Belo Horizonte. No ano seguinte concluiu mestrado em artes visuais na

ECA/USP e, ainda em São Paulo, realizou, com Laura Andreato e João Loureiro, Vistosa, projeto

independente contemplado no Prêmio Conexão Artes Visuais da Funarte. Em 2009,

apresentou a individual Programa na Estação Pinacoteca, São Paulo, e recebeu prêmio da

Secretaria de Cultura de São Paulo. Fez individuais nas galerias Mendes Wood, São Paulo (2010

e 2011), Ybakatu, Curitiba (2010) e Marília Razuk, São Paulo (2015). Em 2013 participou, entre

outras, das exposições Beyond the Library, Frankfurt Buchmesse / Hall 4.1, Frankfurt, e Itochu

Aoyama Art Square, Tokyo, Conversation Pieces, NBK, Berlin, Imagine Brazil / Artist’s Books,

Astrup Fearnley Museet, Oslo, e Économie Domestique, La Maudite, Paris. Em 2014, concluiu

seu doutorado na ECA-USP.

 

 

De 10 de agosto a 04 de setembro.

Christian Boltanski na Baró : Heartbeats

05/ago

A Baró Galeria, Jardins, São Paulo, SP, exibe “ Heartbeats”, primeira exposição do artista

francês Christian Boltanski em uma galeria na América Latina. A mostra, é composta por uma

instalação imersiva que ocupa o térreo do espaço da galeria. A instalação é uma adaptação da

obra “work in progress” Les Archives du Coeur (Os Arquivos do Coração) que, desde 2005, vem

percorrendo diversas instituições de arte coletando batimentos cardíacos de audiências ao

redor do mundo. O trabalho – uma espécie de registro existencial universal, segundo o próprio

artista – vai ganhando forma a medida que esses registros públicos vão sendo adicionados ao

arquivo permanente do artista, instalado na remota ilha japonesa Teshima.

 

Em “Heartbeats”, o processo se inverte: em vez de coletar as batidas dos visitantes, Boltanski

compartilha suas próprias. Por meio de amplificadores, os sons ressoam pelo ambiente

convidando o público para um mergulho no coração do artista. O órgão, comumente associado

ao símbolo da vida, se apresenta aqui como elo comum ao mesmo tempo que compõe a

singularidade de todos os seres. Arquivos e diretórios fazem parte do fascínio do artista desde

os anos 1960. Para Boltanski, eles representam grandes paradoxos: se por um lado são uma

forma potente e preciosa de reconquistar as perdas, por outro são passíveis de limitações e

inverdades. A partir deles, seus trabalhos lançam reflexões acerca da morte, da passagem do

tempo e da luta pela conservação das “pequenas memórias emocionais”. Para ele, essas

últimas confrontam aquelas registradas em livros de história por serem as grandes

colecionadoras das particularidades das experiências humanas.

 

 

Sobre o artista

 

Christian Boltanski nasceu em 1944, em Paris e atualmente vive e trabalha em Malakoff, na

França. Escultor, fotógrafo, pintor e cineasta, é considerado hoje um dos mais consagrados

artistas contemporâneos. O francês foi vencedor de diversos prêmios incluindo o Kaiser Ring,

Goslar, em 2001, o Praemium Imperiale Award pela Japan Art Association, em 2007, e mais

recentemente o Generalitat Valenciana’s International Julio González Prize, este ano.

Participou das principais mostras de arte do mundo como a Documenta (1972, 1977 e 1987) e

a Bienal de Veneza (1980, 1993, 1995 e 2011) e teve grandes retrospectivas e individuais nas

mais renomadas instituições de arte incluindo o Centre Georges Pompidou, em Paris, os

museus de arte contemporânea de Chicago e de Los Angeles, o Park Avenue Armory, em Nova

Iorque e Serpentine e Whitechapel Gallery, em Londres. Boltanski também tem trabalhado

com projetos de teatro incluindo Théâtre du Châtelet, em Paris, e o Ruhr Triennale, na

Alemanha.

 

 

Sobre a galeria

 

A Baró Galeria abriu suas portas em 2010 e desde então se estabeleceu como referência em

arte internacional no circuito brasileiro. Dirigida por Maria Baró (espanhola de nascimento), a

galeria busca aprofundar o diálogo entre artistas, curadores, colecionadores e instituições

culturais através, principalmente, de trabalhos site-specific. Em sua nova fase, a galeria volta

sua atenção para grandes artistas que despontaram entre os anos 1970 e 1980, como o filipino

David Medalla, o mexicano e ex-integrante do grupo Fluxus, Felipe Ehrenberg, o brasileiro

Almandrade, o chinês Song Dong e agora o francês Christian Boltanski.

 

 

Até 12 de setembro.

Damián Ortega na Fortes Vilaça

A Galeria Fortes Vilaça, Vila Madalena, São Paulo, SP, apresenta “Paisagem”, a nova exposição de Damián Ortega. O artista mexicano emprega o isopor em dois novos trabalhos de grande escala. As instalações são um desenvolvimento do seu recente trabalho junto de escultores do carnaval carioca, no MAM do Rio de Janeiro. De um lado, o material de caráter efêmero se solidifica numa alusão à arquitetura modernista de São Paulo. De outro, ele se transforma numa paisagem abstrata onde sobras e desperdício desempenham papel central e revelam a ênfase dada ao processo.

 

Na obra “Abertura”, instalada no alto do saguão da galeria, Ortega recria em isopor e gesso uma secção do teto do terraço do Edifício Bretagne. Esse prédio, construído em 1959 e projetado por João Artacho Jurado, é considerado um marco da arquitetura paulistana. Os característicos círculos vazados do seu teto, que no prédio modernista permitem a passagem de luz e chuva, ecoam o desejo do artista de criar canais que conectem interior e exterior, como se sua obra fosse um exercício de abrir janelas.

 

Essa relação é explorada também em “Paisagem”, a instalação que dá nome à mostra. Ortega furou um cubo de isopor de 2,5 m a partir de seu centro, deixando que todo o pó do material se espalhasse pelo térreo da galeria. A “casca” do cubo permanece no espaço e age como a memória de sua forma, agora fragmentada em inúmeras partículas. Há aí uma certa ironia em fazer uma paisagem nevada para São Paulo, mas também o interessante jogo de trazer o interior do cubo para fora, que por sua vez está dentro de outro cubo, que é a galeria. Ortega enfatiza a experiência e o processo, evocando o interminável ciclo de transformação da matéria.

 

 

Sobre o artista

 

Damián Ortega nasceu na Cidade do México em 1967, e atualmente vive e trabalha entre sua cidade natal e Berlim. Entre suas exposições individuais, destacam-se: Casino, Hangar Bicocca (Milão, 2015); O Fim da Matéria, MAM (Rio de Janeiro, 2015); Cosmogonia Doméstica, Museo Jumex (Cidade do México, 2014); Apestraction, The Freud Museum (Londres, 2013); Do it yourself, Institute of Contemporary Art (Boston, 2009);  Champ de Vision, Centre Pompidou (Paris, 2008); The Uncertainty Principle, Tate Modern (Londres, 2005); Cosmic Thing, Institute of Contemporary Art (Filadélfia, 2002). Destacam-se ainda suas participações nas Bienais de Sharjah (2015), de Veneza (2013 e 2003), de Havana (2012), de São Paulo (2006), de Berlim (2006), de Sydney (2006) e de Gwangju (2002). Sua obra está presente em diversas coleções públicas ao redor do mundo, como MOMA (Nova York), MOCA (Los Angeles), CIFO (Miami), Centre Pompidou (Paris), Fundación Jumex (México) e Inhotim (Brumadinho), entre outras.

 

 

De 04 a 29 de agosto.

Lume na SP-Arte/Foto

A Galeria Lume participa da edição 2015 da SP-ARTE/FOTO, levando para seu stand um recorte de seu portfólio, com obras dos fotógrafos brasileiros Claudio Edinger, Gal Oppido e Penna Prearo, e do inglês Martin Parr. Entre as fotografias em exposição, o público encontra trabalhos diversificados como as séries “Rio de Janeiro”, de Claudio Edinger, “As Duas”, de Gal Oppido, a inédita “Celestinas”, de Penna Prearo, e “Amalfi”, uma prévia da individual de Martin Parr, que acontece ainda este ano.

 

Para 2015, a programação da galeria já incluiu as individuais de Alberto Ferreira e Kilian Glasner, a 1ª Coletiva Experimenta, além das feiras SP-Arte, Arte Lima e Paris Photo LA. Ainda estão previstas exposições de Florian Raiss, Claudio Alvarez e Martin Parr para este ano, bem como novas edições dos projetos paralelos Jazz na Lume e Sarau na Lume.

Os percursos nada óbvios de Alair Gomes

03/ago

POR VITOR ANGELO

 
Uma pequena pérola brilha em preto e branco, de forma intensa, no centro da cidade de São

Paulo. Desde sábado, a exposição “Alair Gomes – Percursos”, que fica até o dia 4 de outubro

na Caixa Cultural, na praça da Sé, joga luz não só para questões contemporâneas como o

voyeurismo e o desejo, a releitura do homoerotismo da Grécia clássica como o próprio status

da fotografia.

 

Alair Gomes, que teve seu trabalho reconhecido depois de sua morte, em 1992, utiliza as

contradições em seu jogo dialético de descobrir a essência da fotografia, o denominador

comum de uma imagem e isto só é possível de termos entendimento pela excelente curadoria

e montagem da exposição feita por Eder Chiodetto.

 

Logo na entrada da exposição temos as fotos até então inéditas feitas por Alair na Praça da

República, em São Paulo. É a antítese do que estamos acostumados a conhecer do que seria as

fotos de Gomes. Não estamos na região das praias, nem dos corpos seminus, apreciados à

distância por uma teleobjetiva, como nos seu conhecidíssimo trabalho conhecido como a série

fotográfica Sonatines, Four Feet. Aqui, ele se aproxima de seus objetos como identificação,

não como algo que deseja. Ele encara as pessoas com sua câmera, que sabem que estão sendo

encaradas e muitas vezes olham direto na lente, como reflexo. Elas estão razoavelmente

vestidas, mas aí entra outro um componente que o fotografo aprendeu com Antiguidade

Clássica e seu trabalho de fotografar as estátuas greco-romanas, conseguir extrair erotismo do

que vê.

 

Ele entende que o erotismo é um componente presente no êxtase e ora trabalha no campo da

sexualidade ora da religiosidade as confrontando no que existe de seus opostos e em suas

semelhanças como se fosse a síntese de uma Santa Teresa D’Ávila e um Marquês de Sade. Um

dos pulos do gato da exposição é colocar as Sonatines, de caráter mais terreno e físico com

seus Beach Triptychs que dialoga, à sua maneira (espiritual em carne), com os trípticos

religiosos da arte renascentista.

 

Existe também a questão da narrativa, ou movimento, como algo que se dá no tempo, e aquilo

que é estático, está hibernado de calor carioca e se dá no espaço. O que era um problema para

a pintura, a questão do movimento narrativo, para Alair é solução, está ali o que ele considera

o específico da fotografia, que a diferencia de outras artes visuais e podemos perceber isto de

forma clara nas Sonatines que contam uma história entre uma foto e outra. Mas isto não

invalida os closes estáticos e explícitos de pênis e ânus que encontramos em Symphony of

Erotic Icons, ali ele apreende aquilo que se dá no tempo (o sexo), como algo no espaço (o

desejo voyeur).

 

Os jogos em contradição que Alair cria em sua intensa experiência fotográfica também diz

muito de nós, da nossa vontade inerente de desejar, da solidão do olhar que deseja, da

distância (muitas vezes abissal, muitas vezes não) imaginada entre o que te erotiza e o prazer e

mais do que tudo: que aquilo que alimenta nosso desejo está muito mais em nós ( a tal

erotização) do que no que é desejado.

Na Marcelo Guarnieri/Jardim Paulista

Residente em Londres e São Paulo, a artista brasileira Mariannita Luzzati apresenta, na Galeria

Marcelo Guarnieri, Jardim Paulista, São Paulo, SP, individual de sua recente produção. Com

pinturas e desenhos figurativos, Mariannita Luzzati mostra paisagens naturais do Brasil, com

destaque a apuração das cores, a preocupação com as formas e com os volumes.

 

“As paisagens de Luzzati, embora tomando por base lugares específicos, são suficientemente

abstratas para remeter a inúmeras referências e memórias. Como espectadores, temos a

sensação de “já termos estado ali”, de conhecermos os lugares e, sendo assim, dada a sua falta

de especificidade, eles falam às nossas experiências individuais, nossas lembranças pessoais e,

portanto, nossa constituição psicológica.” Afirma Gabriel Pérez-Barreiro in: Mariannita Luzzati

e a Pintura de Paisagem em Geral.

 

Após a fase de exercício na pintura abstrata e do uso intenso das cores, a artista Mariannita

Luzzati apresenta série inédita de telas e pequenos desenhos. Quatro anos fotografando e

pesquisando as paisagens naturais do Brasil, fizeram com que a artista, nascida e criada em

São Paulo, se reaproximasse dos cenários que compõem a imaginação e a memória do país,

como os balneários litorâneos e as montanhas de lugares como Minas Gerais, Rio de Janeiro e

Espírito Santo. Naquilo que Luzzati intitula de “alerta do olhar”, a visão externa e distanciada

das coisas, – dividir seu tempo entre Londres e SP desde 1994 – fez com que o seu trabalho de

pesquisa na pintura se aproximasse, cada vez mais, do exercício do figurativo, do interesse

pelas formas e pelos volumes, em consonância com a apuração das cores.

 

Intitulando-se como pintora, a artista pertencente à geração dos anos 90, Mariannita Luzzati

busca a aproximação com a dimensão das formas das geologias brasileiras – especialmente a

volumetria das montanhas de estados como o Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo –

na tentativa de retirá-las do estado de deturpação, seja pelo olhar ou pelo Tempo, para

restaurar estas paisagens na pintura e no desenho.

 

Em um processo que integra fotografia, pintura e desenho, com suas técnicas e linguagens

próprias, o trabalho começou a quatro anos fotografando estes espaços; das lentes das

câmeras, as paisagens ganham contornos figurativos, e reaparecem, num outro sentido, em

telas horizontais, verticais e quadradas de dimensões que fogem dos padrões de tamanhos

habituais. Neste momento, o interesse é a captação da dimensão espacial, o apuro do uso de

cores, transitando numa cartela primária e sóbria com brancos, cinzas, esverdeados e pretos.

Não convencionais para uma paisagem e espírito brasileiros, a justificativa na escolha destes

tons, encontra-se na percepção da artista da intensidade da luz no Brasil, em oposição, por

exemplo, à luz de Londres, que revela, no primeiro caso, uma sutileza de tonalidade das cores.

Destaca-se, então, a necessidade pela pintura, que cria universos que adquirem personalidade

e transformam a natureza num espaço monumental.

 

Como exercício da geografia e do espacial nas artes, a etapa seguinte é transformar o olhar das

paisagens, depois da pintura feita, em desenhos de pequenos tamanhos. “Para mim, o

desenho é uma depuração da pintura”, afirma a artista, que, após um hiato de muitos anos

sem desenhar, volta a aproximar o traço do desenho feito com lápis duro como se fosse a

ponta seca da gravura em metal, sem perder o brilho da maior preocupação do seu trabalho: o

rigor e a beleza das formas.

 

 

De 15 de agosto a 15 de setembro.