Serpa + Zalszupin

19/out

A galeria Bergamin&Gomide, Jardins, São Paulo, SP, apresenta a exposição Serpa + Zalszupin. O carioca Serpa e o paulista de origem polonesa, Zalszupin, até onde se sabe não se conheciam, mas é surpreendente a simetria no trabalho de ambos. Enquanto Serpa recortava a tela em tiras e quadrados, Zalszupin recortava as folhas de jacarandá baiano para construir tampos de mesas executados para a L’Atelier. O período coberto pela obra de Zalszupin se inicia nos anos 1950, período de glória da arquitetura brasileira.

 

A paleta de cores encontrada em estudos de Serpa, da década de 1950 e 1960, parece ter sido transferida para os revestimentos escolhidos por Zalszupin para seus estofados. Até os tampos em mármore bege Bahia, o preferido de Zalszupin, se assemelham a pintura livre e mais abstrata desenvolvida por Serpa no início dos anos 1960.

 

A intenção da mostra é expor as semelhanças entre o desenho industrial do designer Jorge Zalszupin e a prática artistica de Ivan Serpa, durante os anos mais prolíficos de suas carreiras, entre as décadas de 1950 e 1970.

 

Pretendemos também com essa mostra, elevar o design a condição de arte. Exibindo um artista que nos anos 1950 criou o Grupo Frente, e teve como pupílos nomes como Lygia Clark, Lygia Pape e Helio Oiticica, ao lado de um dos maiores nomes do desenho nacional, pioneiro na utilização de compensado curvado no Brasil, demonstra a genialidade alcançada por estes mestres.

 

A galeria pretende apresentar uma integração despretensiosa entre o trabalho de cada artista. Em suas paredes, estarão cerca de 25 trabalhos de Ivan Serpa, entre pinturas e desenhos, produzidos entre os anos 1950 e 1970. As 17 peças de mobiliário serão ambientadas informalmente, como dispostas em uma residência.

 

 

De 24 de outubro a 04 de dezembro.

A Amazônia de João Farkas

15/out

Entre 1984 e 1993, João Farkas fez várias viagens à Amazônia brasileira para registrar o processo de ocupação da região impulsionada pelo garimpo. João Farkas não só fotografou o cotidiano dos garimpeiros, mas, também, dos ribeirinhos e da própria floresta – sua beleza, o trabalho dos seringueiros e o processo de desmatamento. As incursões do fotógrafo pela região da Amazônia renderam 12 mil fotos, destas, a Galeria Marcelo Guarnieri, selecionou 34 imagens para a exposição “Amazônia”, que estreia no próximo dia 24 de outubro, na unidade Jardins, em São Paulo, SP, inspirada no livro   “Amazônia Ocupada” (Edições Sesc e Editora Madalena), com 120 imagens, que chegará às livrarias em novembro deste ano.

 

O recorte apresentado propõe a releitura de uma visão singular de “Amazônia Ocupada”, de João Farkas. Durante este ano, o projeto do fotógrafo se desdobrou em alguns caminhos:  a individual na galeria, mostrando Sesc Bom Retiro, o livro, a caixa portfólio e uma exposição no Instituto Figueiredo Ferraz, em Ribeirão Preto. “O que diferencia esta mostra na Galeria  Marcelo Guarnieri – além do lançamento do livro e da caixa portfólio – é que o eixo curatorial recai para a seleção que prima pela liberdade de escolha e o tratamento diferenciado das imagens – sendo muitas delas inéditas ao público, que complementam a visão geo-etnográfica da exposição apresentada anteriormente no Sesc”, afirma João Farkas.

 

Destacam-se as imagens que mostram o cotidiano e a beleza da expressão dos corpos e rostos que compõem este cenário, como nas fotografias “Jovem Kaiapó”, “Índio Uru-Eu-Wau-Wau”, dos garimpeiros, lavradores e das trabalhadoras de bordéis flutuantes. Por outro lado, a espacialidade, a luz, a textura e as linhas geográficas em vistas áreas, imagens de troncos, minas, leitos de rios e garimpos.

 

A caixa portfólio (feita exclusivamente para a mostra) possui apenas 7 (sete) exemplares com 18 fotografias (40 x 27 cm – cada) acondicionadas em caixa de madeira executada pelo Instituto ACAIA.

 

 

Amazônia e Fotografia

 

Ainda criança, João Paulo Farkas esteve na Amazônia com a família. “Aquilo tudo me impressionou muito, desde as feiras e os mercados, com suas frutas, peixes, farinhas, tucupis, até o rosto das pessoas com mistura de sangue indígena. As ruas de Belém com suas mangueiras centenárias e, particularmente, uma visão aérea num voo entre Manaus e Belém, em que víamos de cima aquele rio imenso com seus meandros e igarapés penetrando o tapete verde da mata Amazônica, como se fosse um atlas escolar ao vivo. Aquela imagem nunca me abandonou”, declara.

 

Depois disso, ele foi impactado pelas fotos de grandes revistas, como Manchete, National Geographic e, também, pelos livros de George Love e Claudia Andujar, impressos pela Gráfica Praxis no final da década de 70, que lhe mostraram uma maneira diferente de fotografar a região. “Também tem um gosto muito especial para mim o fato de que a Amazônia estava no radar do fotográfico e cinematográfico Thomaz Farkas, meu pai, a quem eu devo boa parte de minha formação humanística e o amor pelo Brasil e pelo povo. Ele adoraria estar aqui pra ver isto na parede”, completa.

 

Para Farkas, a fotografia sempre terá uma relação direta com a realidade e a leitura que um fotógrafo faz daquilo que o cerca, seu espaço e tempo, e pode impactar o seu público. “Desde que não se abuse desta mídia, a fotografia pode ter um papel de despertar, de mostrar, fazer conhecer. Mas uma coisa mudou desde o final do século 20. Hoje, a fotografia tem que trabalhar muito mais pela sensibilidade do que pela mera exibição de algo. Já não basta mostrar. Com os públicos muito mais expostos a imagens de todos os tipos, o ‘como’ se fotografa passou a ser tão importante quanto o ‘que’ se fotografa”.

 

 

Sobre o artista

 

João Paulo Farkas sempre esteve em contato com a fotografia. Após se graduar em Filosofia pela Universidade de São Paulo, mudou-se para Nova York, onde estudou no International Center of Photography e na School of Visual Arts. Foi fotógrafo correspondente das revistas Veja e IstoÉ e também trabalhou como editor de Fotografia. Ganhou o prêmio ABERTE e Bolsa Vitae de Artes/Fotografia. Seus trabalhos fazem parte de importantes acervos e museus brasileiros e integram o acervo do ICP (International Center of Photography). Em 2015, 16 imagens do fotógrafo passam a integrar o acervo da Maison Européenne de la Photographie, em Paris.

 

 

De 24 outubro a 28 de novembro.

Uma viagem ao Japão

Situada no bairro Vila Nova Conceição, São Paulo, SP, a Galeria Vilanova expõe “Somos Memória”, primeira individual da designer de interiores e fotógrafa carioca Ana Teresa Bello, com curadoria de Thomas Baccaro. Dividida em quatro séries – “Respiro e Silêncio”,” Pequenos Desvios do Olhar”, “Arquitetura da Luz” e “A Solidão de Cada Um” -, a mostra é composta por 15 imagens capturadas ao longo de uma viagem feita pela artista ao Japão, com paisagens urbanas intimistas, e cenas atemporais de um cotidiano muito distante.

 

 

“A memória é um recorte do mundo.”

 

Com esta definição, Ana Teresa Bello partiu para uma viagem solitária ao Japão, com o objetivo de fotografar seu projeto autoral “Somos Memória”, resultado de uma pesquisa da artista acerca da compreensão do tempo, do silêncio e do outro. Com este trabalho, Ana Teresa Bello também coloca em discussão o fato da maior parte da nossa memória estar, ao que tudo indica, gravada em nossos celulares e em redes sociais. “Muito me interessa o quanto o impulso de compartilhar na virtualidade, para legitimar uma experiência, arranca as pessoas de um senso de presença no real”, comenta. Reflexo de sua carreira paralela na área de Arquitetura, as imagens da artista ainda revelam uma preocupação com a harmonia das linhas e ângulos, e com a preservação da cena original, no enquadramento como foi clicada, sem pós-edição. Neste sentido, as imagens da artista revelam detalhes de uma experiência ímpar, seja dentro de um quarto incógnito, despido de qualquer traço nipônico, ou em cenas urbanas compostas de grafismo e desfoque, ou em retratos espontâneos, como a geisha “pós-moderna”, que anda pela rua isolada em seu smartphone, alheia a tudo.

 

Nesta primeira exibição individual, Ana Teresa Bello leva ao espectador uma Tóquio desacelerada, onde luz e sombra penetram silhuetas incomuns, nas fendas de uma arquitetura fria e brutal. Desta forma, “Somos Memória” oferece uma linha tênue entre a delicadeza da tradição e o espasmo da modernidade no Japão, em um processo de desbravamento do longínquo, do exótico e do misterioso. No fundo, a intenção da fotógrafa é dizer: “você é o lugar que habita, e você habita a sua própria memória, construída nesse lugar”. A coordenação é de Bianca Boekel.

 

 

De 20 de outubro a 14 de novembro.

Sarau na Lume

A Galeria Lume, Jardim Europa, São Paulo, SP, convida para a edição de Outubro do Sarau na Lume, organizado por Mariana Portela, com o fotógrafo e artista plástico Gal Oppido. O formato do evento mantém-se democrático e privilegia os trabalhos autorais de todos os tipos, como apresentações e performances. “O espaço permite que exista o diálogo entre as mais diversas formas de arte.”, comenta a organizadora.

 

Nesse encontro, Gal fala de sua longa trajetória no circuito cultural, abordando tópicos relacionados a arte, fotografia e sexualidade, mas não em formato de discurso, e sim compartilhando vivências de alguém que conquistou respeito e admiração tanto de seus pares como de alunos e do público.

 

Após a palestra, os participantes terão o palco-jardim da galeria para compartilhar suas experiências, artes e criações. Haverá também a presença do Natural de Rua, uma biketruck que oferece apenas comidas artesanais e sustentáveis. Coordenação: Paulo Kassab Jr., Felipe Hegg e Victoria Zuffo.

 

Sobre o artista

 

Fotógrafo, arquiteto, músico e desenhista. Vive e trabalha em São Paulo, onde ministra curso de fotografia no MAM/SP. Forma-se em arquitetura na FAU/USP em 1975. Inicia, no ano seguinte, seu trabalho com fotografia, relacionando-a com o desenho. Passa a desenvolver trabalho independente como fotógrafo a partir de 1990. Suas especialidades são expressões corporais, arquitetura e artes cênicas. Na fotografia de arquitetura, desenvolve o trabalho de leitura de espaço a partir de um plano. Lança dois livros sobre a arquitetura da cidade de São Paulo: “Dos Degraus à História da Cidade”, em 1998, e “São Paulo 2000”, em 1999.

 

 

Sobre a organizadora

 

Mariana Portela é psicóloga e escritora. Nascida em São Paulo, capital, cresceu rodeada de livros e páginas amarelecidas. Sempre soube que a literatura dominava suas mãos e seus olhares pelo mundo. Organiza o Sarau da Lume, como espectadora de novos autores e compositores. Traz a esperança poética de tocar alguma alma através da leitura e da união das artes.

 

 

Data: 17 de outubro de 2015, sábado, das 16 às 22h

 

Local: Galeria LUME – Rua Gumercindo Saraiva, 54 – Jardim Europa – São Paulo, SP

Telefone: (11) 4883-0351

Ingressos: R$ 15,00

Patrícia Piccinini no CCBB/SP

14/out

“A evolução é uma história de extinções”, diz a artista Patricia Piccinini – e um passeio pelo Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo, onde estão abrigadas agora as 41 obras de sua mostra “ComCiência”, que nos faz indagar sobre o futuro.

 

Interessada na relação entre o natural e o artificial, a australiana cria algumas de suas esculturas hiper-realistas de silicone como se fossem seres híbridos originados de experimentações genéticas – suas Metafloras (2015), por exemplo, assemelham-se a flores de pele e pelos. “A genética é uma aposta no escuro e Patricia fala muito sobre uma ética flexível”, define Marcello Dantas, curador da exposição, primeira individual da criadora no País.

 

De fato, esse é um tema pungente levantado em “ComCiência”, que também será apresentada em Brasília. Entretanto, é importante destacar que, principalmente, a artista questiona por meio de sua pesquisa na maneira como se dá o nosso confronto com a estranheza.

 

As peças escultóricas de Patricia Piccinini, que podem levar até 18 meses de execução, têm, curiosamente, uma delicadeza apesar do aspecto orgânico e de certas metamorfoses. As criaturas da australiana, realizadas em um estúdio em Melbourne que, abrigado em uma antiga fábrica, mais parece um “laboratório de efeitos especiais de cinema”, como conta Dantas, inspiram afeto mesmo que fiquem entre o humano, o animal e o surreal. “Crio situações nas quais o público é convidado a sentir empatia”, afirma a artista. Logo no hall do CCBB, A Grande Mãe (2005) representa uma macaca gigante que amamenta um bebê. Já em O Tão Esperado (2008), um menino e um estranho ser estão adormecidos. “Para que você durma com uma pessoa, você tem que realmente confiar nela”, comenta.

“A questão emocional é fundamental na minha obra porque é através da emoção que nos engajamos em algo”, explica Patricia. “Hoje em dia é muito difícil chamar a atenção das pessoas”, diz a australiana sobre o conforto que sente com o caráter espetacular de suas obras. “Eu poderia fazer um trabalho entediante para provar quão intelectual eu sou, mas não é esse o meu objetivo. Quero me conectar com as pessoas. Sou inclusiva e o mundo da arte é o oposto.”

 

Desenhista por formação, a artista, que nasceu em 1965 em Serra Leoa, mas vive na Austrália desde 1972, executa suas obras com a ajuda de um time de profissionais. “Trabalho com iluminadores, maquiadores, pessoas da indústria do cinema que conseguem traduzir os meus desenhos, que nascem da minha imaginação, para formas tridimensionais”, destaca Patricia, que também cria – e exibe em “ComCiência” – fotografias e filmes.

 

 

Até 04 de janeiro de 2016.

 

Fonte: Diário do Grande ABC – Cultura & Lazer

As Aventuras de Pierre Verger

09/out

O Museu Afro Brasil, instituição da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, Parque do Ibirapuera, São Paulo, SP, em parceria com a Fundação Pierre Verger, inaugurou a exposição “As Aventuras de Pierre Verger”. A mostra foi elaborada para possibilitar, inclusive ao público infanto-juvenil, a apreciação da obra do etnólogo e babalaô, reconhecido como um dos maiores nomes da história da fotografia no mundo.

 

Reunindo cerca de 270 imagens registradas por Pierre Verger em diversas partes do mundo,  destacando o cruzamento da fotografia com vídeos, tecidos artesanais de diferentes países e artes sequenciais (quadrinhos), a exposição marca a finalização do projeto Memórias de Pierre Verger, patrocinado pela Petrobrás e pela Odebrecht e que, por quatro anos, encampou a tarefa de duplicar digitalmente o valoroso acervo fotográfico da Fundação e de concluir o seu acondicionamento em condições adequadas.

 

A mostra que chega ao Museu Afro Brasil já foi exibida em Salvador, no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA), de março a maio de 2015, com um grande sucesso de público, recebendo mais de 30.000 visitantes.

 

A curadoria e coordenação é de Alex Baradel, responsável pelo acervo da Fundação Pierre Verger, é uma das mais completas realizadas pela instituição criada pelo próprio fotógrafo francês na Bahia, local que escolheu para residir depois de viajar pelo mundo registrando as expressões culturais e o cotidiano de diversos povos.

 

O público é convidado a “embarcar” numa instigante viagem que retrata as experiências vividas por Pierre Verger (Paris, 1902 — Salvador, 1996), em um século marcado pelo desbravamento de fronteiras e guerras mundiais.

 

 

Fronteiras

 

A exposição está dividida em nove módulos: Paris, Viagens, Polinésia, Saara, China, Peru, África, Projeto e Educativo. São cerca de 220 imagens expostas ao longo do circuito e outras 50 que integram os vídeos que compõem a exposição. Onze ilustrações do artista visual baiano Bruno Marcello (Bua) também acompanham a mostra, retratando o personagem Verger em diversos episódios e contextos vividos por ele.

 

A exposição se destaca também por explorar o paralelo entre a obra de Verger e As Aventuras de Tintim, histórias em quadrinhos editadas entre 1929 e 1983, bastante populares e que se tornaram clássicas graças ao apuro estético dos traços e aos roteiros bem elaborados pelo autor belga Georges Prosper Reni, mais conhecido como Hergé.

 

 

Até 30 de dezembro.

Nário Barbosa: além do clique

Enquanto a sociedade ainda discute o que é atividade masculina e feminina, Nário Barbosa, artista representado pela OMA | Galeria, comprova que tradição é tradição e que esta pode virar arte quando se permite ultrapassar barreiras pré-existentes do tipo. Isso porque, ele que é reconhecido por atuar como repórter fotográfico há mais de 22 anos – venceu um dos principais prêmios, o Metro Challenge Photo 2014, na categoria Fuga Urbana – decidiu, em 1997, unir duas paixões: a fotografia e os bordados aprendidos com as mulheres de sua família. De lá para cá, não parou mais e ampliou sua criatividade ao criar imagens com costura e outras intervenções, formando peças únicas. “Nasci em uma cidade sergipana em que muitas pessoas vivem do artesanato. Então, esse universo sempre me foi comum. Quando eu tive a ideia de alterar os meus registros, logo imaginei que o ponto cruz, por exemplo, seria uma de minhas experimentações”, conta o artista.

 

Desde então, seus registros compõem coleções e comumente são inseridas em projetos de decoração de ambientes. Segundo o galerista da OMA | Galeria, Thomaz Pacheco, o segredo das obras de Nário está nas emoções que elas causam, principalmente a primeira vista. “O trabalho que ele faz, sempre gera algum tipo de comoção. Alguns ficam curiosos em identificar o que foi feito na obra. Outros acham uma loucura mexer em um registro fotográfico. Outros se encantam com a complexidade que ele consegue atingir fazendo simples modificações. É muito interessante observar essas reações”, comenta.

 

Em novembro, as peças do artista poderão ser vistas na PARTE – Feira de Arte Contemporânea –, edição Paço das Artes, entre os dias 4 e 8, no estande da OMA | Galeria. Além dele, outros cinco artistas representados pela galeria – Andrey Rossi, Daniel Melim, Giovani Caramello, RIEN e Thiago Toes – e uma artista visual convidada, Juliana Veloso, vão apresentar suas mais recentes e inéditas produções.

 

 

Entre 04 e 08 de novembro.

Na Casa do Bandeirante

08/out

A Casa do Bandeirante, Praça Monteiro Lobato, s/n, Butantã, São Paulo, SP, abriga “Arrasto” a nova exposição individual de Marcelo Moscheta, vencedor do PIPA Voto Popular Exposição 2010. A exposição é um relato da expedição realizada pelo artista em toda a extensão do Rio Tietê, desde sua nascente em Salesópolis até a foz no Rio Paraná, entre março e agosto de 2015.

 

Nesse período, foram coletadas rochas, argilas, areias e minerais diversos das duas margens, e tudo foi documentado e classificado. O resultado é um pequeno museu de curiosidade e memórias, em que o artista flerta com a arqueologia, a geografia e a história dos Bandeirantes. Durante esta jornada, Moscheta catalogou, coletou, documentou e classificou argilas, rochas, areias e minerais das duas margens do rio. Com este material de referências de arqueologia, geologia e do movimento dos bandeirantes paulistas, o artista formou um pequeno museu de curiosidades sobre as particularidades do leito do rio.

 

Um dos destaques desta obra fica por conta de um grande desenho de uma queda d’água do Rio Tietê, adicionado ao que foi coletado na expedição. Expostos lado a lado, desenho e rochas criam um diálogo entre representação e a paisagem transferida para o interior da obra.

 

Durante todo o período da instalação, será distribuída, gratuitamente, uma publicação sobre a expedição do artista, com relatos de viagem, fotos da produção da instalação e textos dos artistas plásticos: Divino Sobral e Douglas de Freitas, além do próprio Moscheta.

Sobre a Casa do Bandeirante

 

A Casa do Bandeirante representa um dos exemplares típicos das habitações rurais paulistas construídas entre os séculos XVII e XVIII, localizadas predominantemente junto à bacia dos rios: Tietê e o seu afluente Pinheiros.O local tem uso museológico desde 1955.

 

Mais que uma exposição, o projeto “Arrasto”recebeu a Bolsa Funarte de Estímulo à Produção em Artes Visuais 2014 e resulta também em uma publicação, com distribuição gratuita, sobre a expedição, com textos de Divino Sobral, Douglas de Freitas e do próprio artista, além de fotos e relatos.

 

 

 

Até 19 de dezembro.

Martin Parr : Covers Exhibition

A Galeria Lume, Jardim Europa, São Paulo, SP, exibe “Covers Exhibition”, exposição individual do fotógrafo britânico Martin Parr, com curadoria de Iatã Cannabrava e Paulo Kassab Jr. Ao propor um conceito curatorial inédito, a mostra é composta por 22 fotografias – a maior parte nunca exposta no Brasil -, coloridas e em preto e branco, que foram capas de livros publicados pelo artista entre 1982 até 2014, e que traduzem seu estilo irônico, crítico e bem humorado de registrar os hábitos da sociedade moderna. Além das fotografias, uma linha do tempo conta a trajetória de Martin Parr, montada com as 76 capas de todos os seus livros.

 

Aos olhares mais ingênuos, as imagens de Martin Parr podem parecer exageradas, com temas estranhos, cores gritantes e perspectivas incomuns. “Ao mesmo tempo, suas fotografias nos mostram, de um jeito penetrante, o modo como vivemos, como nos apresentamos uns aos outros, e a que damos valor.”, comenta o curador alemão Thomas Weski. Não à toa sua fama de “cronista da sociedade moderna”, Martin Parr cria narrativas sobre o cotidiano de forma única e original, capturando o momento na exata fração de tempo, sempre munido de um olhar crítico e, de certa forma, satírico. Na própria definição do artista: “Com a fotografia, gosto de criar ficção a partir da realidade. Eu tento fazer isso tirando o preconceito natural da sociedade e acrescentando um toque especial.”. Sua pesquisa, há várias décadas, recai sobre as singularidades da vida em sociedade e aborda temas como lazer, consumo e comunicação, permitindo uma justaposição de imagens entre signos universais e experiências visuais incomuns, sem a intenção de resolver ou discutir contrassensos – o que agrega um toque de excentricidade em sua obra.

 

Ao longo desses mais de 40 anos dedicados à fotografia, Martin Parr produziu constantemente e lançou 76 livros, publicados desde o início da década de 1980 – até então, o fotógrafo registrava tudo em preto e branco; a partir de 1983, passa a usar apenas filmes coloridos, quando a saturação de cores se torna uma das principais características de sua produção. Em sua primeira individual no circuito cultural brasileiro, a proposta dos curadores é apresentar este trabalho em uma montagem nunca vista: contar a trajetória do artista através das capas de seus 76 livros, em uma linha do tempo, destacando 22 dessas capas em fotografias ampliadas para a exposição.

 

Por transcender os tradicionais tipos de fotografia, as imagens de Martin Parr se encaixam tanto no contexto da arte, em exposições e livros, como nos campos da publicidade e do jornalismo. Assim, ao desvendar toda a genialidade deste verdadeiro artista, a Galeria Lume oferece ao público a chance de entrar em contato com um dos fotógrafos mais importantes da atualidade, cuja obra é referência e fonte de inspiração às gerações mais novas de profissionais. Como diz o artista: “Fotografia é sorte, mas é sorte merecida.”. A coordenação é de Felipe Hegg e Victoria Zuffo.

 

 

De 15 de outubro a 14 de novembro.

34º Panorama no MAM-SP

30/set

Destacar as primeiras manifestações artísticas tridimensionais de que se tem notícia, produzidas entre 4.000 e 1.000 anos A.C., no território que hoje é o Brasil e propor uma experimentação sobre como isso pode dialogar com a produção nacional contemporânea. Esse é o mote do “34º Panorama da Arte Brasileira – da pedra da terra daqui”, mostra bienal do Museu de Arte Moderna de São Paulo, Parque do Ibiorapuera, São Paulo, SP, com curadoria de Aracy Amaral, curadoria adjunta de Paulo Miyada e consultoria do arqueólogo prof. André Prous.

 

Para traçar um paralelo entre as esculturas pré-históricas encontradas em uma faixa que se estende no que hoje é o sudeste do Brasil até o Uruguai e propor um diálogo atual, os curadores convidaram Berna Reale, Cao Guimarães, Cildo Meireles, Erika Verzutti, Miguel Rio Branco e Pitágoras Lopes – seis artistas de gerações e regiões diferentes e com pesquisas artísticas contrastantes. Os selecionados produzem trabalhos que conjecturam o Brasil e que são apresentados ao lado das cerca de 60 esculturas líticas em pedra polida exibidas pela primeira vez numa grande exposição, que une o presente e o passado e aguça a discussão sobre a arte nacional.

 

A ideia dos curadores é trabalhar questões de território, paisagem e passagem do tempo, fazendo com que as esculturas arqueológicas atuem como núcleo condutor da exposição. Os artistas exercem são os interlocutores da ancestralidade ao mostrar a relação estabelecida entre passado e presente por meio das obras elaboradas, exclusivamente, para a mostra e feitas em diferentes suportes como vídeos, esculturas, fotografias, pinturas e instalações. O resultado revela um conteúdo visceral, telúrico e eventual afinidade com os artefatos pré-históricos. “As preciosidades da nossa remota antiguidade são de indiscutível perícia técnica, inventividade formal e coesão estilística e cultural”, explica a curadora Aracy Amaral.

 

O “34º Panorama da Arte Brasileira – da pedra da terra daqui” é uma chance de projetar o horizonte poético e plástico de povos que lidaram com a passagem do tempo de maneira distinta da atitude – ora extrativista, ora desenvolvimentista – que predomina na ocupação do Brasil desde o período colonial até hoje. Segundo estudos, as peças pré-históricas tinham utilidade religiosa e de ritual e foram encontradas em sambaquis (morros artificiais feitos de conchas) edificados há milhares de anos por sucessivas gerações das populações costeiras chamadas de povos sambaquieiros. “Os montes de conchas formam uma poderosa imagem de como construir relações profundas com ideias de ancestralidade e de tempo, mas que, infelizmente, são tratados com indiferença pela maior parte dos pesquisadores e artistas brasileiros, um reflexo da desatenção que temos sobre nossa própria história”, comenta Paulo Miyada.

 

 

Sambaquis e povos sambaquieiros

 

Sambaquis são montes de conchas e valvas de moluscos criados pelo homem e encontrados ao redor do mundo em contextos e dimensões variadas. Os sambaquis foram formados em intervalos que podiam durar mais de mil anos e crescer em altura e extensão, chegando a ser altos como um prédio de seis andares e largos como um quarteirão. Alguns serviam de base para habitação, cemitério ou centro cerimonial, enquanto outros ainda tinham funções múltiplas como habitação, ateliês de trabalho e sítio funerário. Embora pudessem reunir sepultamentos, os sambaquis perdiam referência a pessoas ou momentos específicos para atuar como um monumento à própria ideia de ancestralidade. No Brasil há concentrações desse tipo de estrutura, com destaque para a faixa de, aproximadamente, mil quilômetros de extensão no litoral sul do país. É a essa região que estão associados os chamados povos sambaquieiros que possuíam raro dom para o trato do material do entorno e que manipulavam pedras com refinamento e precisão. Ao longo de milhares de anos, essa povoação produziu centenas de sambaquis, peças líticas, ferramentas e artefatos, mas sofreu gradual desaparecimento. Antes da chegada dos portugueses, novos grupos indígenas, primeiro os Gês e depois os belicosos tupis-guaranis conquistaram a região da costa, trazendo novos costumes e crenças. Hoje, sambaquis são preservados como patrimônio arqueológico, mas até algumas décadas atrás eram utilizados como fonte para materiais de construção. Nas desmontagens, objetos, ferramentas, artefatos e sepultamentos foram perdidos. Muitas das peças em exposição foram descobertas em desmontes de fins extrativistas e removidas sem o registro arqueológico adequado. Agora, por lei, apenas escavações arqueológicas organizadas podem intervir nos sambaquis remanescentes. Foram registradas quase 300 esculturas de pedra ou de osso, mas dezenas desapareceram desde meados do século XX. As peças preservadas são conservadas em museus, sendo que as maiores coleções estão nas cidades de Joinville e Florianópolis (SC), Porto Alegre (RS), Rio de Janeiro (RJ) e centros de pesquisa em arqueologia.

 

 

A Exposição

 

A Grande Sala apresenta dois vetores: o primeiro eixo contempla as cerca de 60 peças líticas exibidas em vitrines posicionadas longitudinalmente pelo espaço expositivo. A maior parte dessas esculturas são de rochas magmáticas, chamadas de diabásios, e que eram produzidas por polimento e lascamento, trabalhadas com ajuda de água e areia e, por vezes, afiadas em pedras abrasivas. As peças provêm de diversas instituições como Museu de Arqueologia e Etnologia da USP; Museu Nacional, da UFRJ; Instituto de Ciências Humanas, da UFPEL; Museu Arqueológico de Sambaqui de Joinville (MASJ); Museu de Arqueologia e Etnologia (MArquE) da UFSC; Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da UFPR; Museu do Homem do Sambaqui, de Florianópolis; além de Div. Museos y Patrimonio Dpto. Cultura e Museo de Arte Precolombino e Indígena (MAPI), ambos do Uruguai.

 

A outra parte da exposição contempla as obras feitas, exclusivamente, para este Panorama e que são apresentadas numa ordem que remete ao passado distante e vai trazendo, aos poucos, o público de volta para o tempo atual. Introduzindo os visitantes ao universo dos povos sambaquieiros, a primeira obra exibida é a do mineiro Cao Guimarães, que viajou para o litoral de Santa Catarina para verificar os lugares em que antes existiam sambaquis. Sob um viaduto de Florianópolis, Cao encontrou um solo coberto de conchas, ostras e berbigões. Não era um sambaqui envolto pela urbanização, mas um terreno ocupado por trabalhadores que passam o dia separando moluscos das valvas. O artista criou uma fabulação sobre o lugar e a relação com o tempo e a paisagem. As imagens atuais foram articuladas em um vídeo que atravessa tempos distintos do mesmo território somado a material de arquivo de monumentos mexicanos que, juntos, formam o vídeo-ensaio “Filme em Anexo”, de 15 minutos, que conecta a questão de território e poematiza o espaço e o tempo.

 

Miguel Rio Branco, conhecido por trabalhar pintura, foto e vídeo de forma sinestésica e por abordar questões do território brasileiro sem se ater a classificações, apresenta a instalação “Wishful thinking”, que envolve toneladas de pedras, entulho, plantas e televisões. Numa sala fechada e clara, o artista cria uma ruína construída, mas com ares de estufa, que mostra como a natureza quer tomar seu lugar de volta e provoca inquietações sobre o que aconteceria com o planeta com o possível fim da humanidade. Nas TVs são exibidas uma série de fotografias que ilustram fragmentos de cidades envelhecidas, quebradas, cenas de abandono e detritos. O projeto é uma versão imersiva que mostra um caminho a percorrer, abordando pensamentos, memórias e processos de transformação. “Em outras palavras, esta nova obra reforça o caráter enigmático da mostra, trazendo parcelas daquilo que é do território. Neste caso enquadrado como zona de decaimento, sujeira, tensão, relaxamento e, ao mesmo tempo, inexplicável beleza”, explica Miyada.

 

O carioca Cildo Meireles, um dos nomes mais importantes da arte brasileira e reconhecido internacionalmente por lidar com temas referentes a território, história, política e memória traz uma obra onírica e simbólica. Para a exposição, Cildo realiza Fronteiras Verticais, um dos projetos da série Arte Física, concebido em 1969, quando tinha 21 anos. O trabalho consiste em elevar a altitude do país em alguns centímetros ao utilizar um pequeno fragmento de kimberlito (pedra de valor geológico) no cume do Pico da Neblina, ponto mais alto do Brasil, com 2.994 metros de altitude, localizado no norte do Amazonas próximo à fronteira com a Venezuela. Ao colocar em ação, o artista polemiza noções de território em um projeto de alcance simbólico. Para a realização da obra, o artista contou com a participação de yanomamis, índios detentores do espaço naquela região para a expedição de cerca de duas semanas. Extremamente cuidadoso em zelar pela integridade do local, sagrado para essa etnia, a pequena pedra foi aderida sem agressão ao espaço. O projeto, que foi levado a cabo pelo também artista Edouard Fraipont e assistido por Miguel Escobar, é apresentado em vídeo, acompanhado de estudos, documentos e registros fotográficos da empreitada.

 

A mais jovem entre os artistas selecionados, a paulistana Erika Verzutti pertence a uma geração mais recente, mas já com reconhecimento da crítica. Escultora, o trabalho de Erika é difícil de definir por ser mais intuitivo, porém repleto de referências, sejam elas históricas, artísticas ou de design. Ao inventar, misturar e embaralhar, a artista cria formas simples possíveis de traçar relação de comparação com os zoólitos pela afinidade morfológica, tamanho e semelhança. A peça-chave para a exposição são os “cemitérios”, obras que ela trabalha ao longo do ano e dão errado ou não são utilizadas. Então, as peças abandonadas são acumuladas e depois reunidas numa só criando um grande trabalho, que possui notável relação com os sambaquis e com símbolos funerários que refletem sobre a passagem do tempo e mostram uma ancestralidade explícita.

 

Pitágoras Lopes apresenta oito telas em grandes formatos que estão entre o abstrato e o figurativo e misturam manchas, rabiscos e texturas. Pintor que produz com compulsão, Pitágoras passou meses trabalhando para a mostra e utilizando cores arenosas e terrosas, azuis marinhos e traços que fazem pensar em registros rupestres e silhuetas análogas às peças sambaquieiras, além de conchas, mares e morros. O artista goiano tem um trabalho que mistura referências e bebe da água da pintura de rua, do pop e da ilustração, mas sem ser classificado em nenhuma delas. “A produção visual de Pitágoras enreda uma espécie de cosmogonia na qual a observação atenta de um cotidiano marginal converge com a fantasia e com o delírio”, exemplifica Miyada.

 

Por fim, a paraense Berna Reale, artista comprometida com o presente e com a problemática social do País, apresenta duas obras que finalizam o fluxo da exposição e, ao mesmo tempo, trazem o público de volta para a atualidade. A primeira é um vídeo que ilustra a corrupção e a violência ao misturar políticos engravatados e vítimas fatais da violência urbana. O segundo trabalho é uma instalação ambientada numa sala fechada e escura que simula uma boate popular, onde o som são sirenes e barulhos típicos de uma viatura policial e a iluminação são as luzes vermelhas e azuis de emergência filtradas por uma tela fixada no teto e perfurada por tiros à queima roupa de diferentes calibres. Para contrastar com o clima tenso e pesado, no centro do inferninho são oferecidos aos visitantes suspiros dispostos em bandejas. “À pergunta “para que pode servir a arte”, a obra de Berna Reale responde sempre: a arte serve para estar junto com os conflitos do seu tempo. Não para resolvê-los, não para ensinar algo sobre eles e nem para apagá-los, mas, ao contrário, para torná-los presentes, visíveis e ásperos, ” finaliza o curador.

 

 

Sala Paulo Figueiredo

 

A Sala Paulo Figueiredo fica reservada para ser um espaço de aprofundamento do tema proposto pelo 34º Panorama da Arte Brasileira – da pedra da terra daqui. No local, são apresentados alguns zoólitos, acompanhados de ferramentas utilizadas na confecção das peças líticas e que também pertencem aos museus das universidades. No centro da sala, mesas e vitrines apresentam informações sobre o contexto da civilização dos povos sambaquieiros com explicações, perguntas e respostas, mapas e ilustrações. Nas paredes, são exibidos trabalhos anteriores ou recentes dos seis artistas selecionados e que se relacionam, de algum modo, com a mostra na Grande Sala.

 

 

De 3 de outubro a 18 de dezembro