Monica Piloni na FASS

14/mar

A FASS, Vila Madalena, São Paulo, SP, reconhecida por trabalhar com fotos históricas, amplia suas atividades e cria plataforma voltada a artistas contemporâneos que usam a fotografia como suporte. A galeria inaugura o novo núcleo com “No meu quarto”, a primeira exposição individual de Monica Piloni na cidade. A curadoria é do expert Diógenes Moura.

 

“No meu quarto” reúne dez fotografias e um vídeo, regidos pela experimentação da artista na linguagem fotográfica, dando continuidade à sua reflexão no campo da escultura.  O conjunto de sua obra ressalta a obsessão pelo corpo, seu próprio corpo, reproduzido em escala natural e de forma hiper-realista. A artista esculpe pernas, braços e reproduz a cabeça e o rosto numa expressão de melancolia com olhos que parecem olhar através dos observadores.

 

“Perturbadores personagens surgem em corpos retalhados e reconfigurados insolitamente, que parecem buscar a integridade que lhes faz falta, a integridade que nos faz falta”, pondera Pablo di Giulio, fotógrafo e diretor da galeria. Segundo ele, ainda, essa é uma das inúmeras questões que sua obra traz à tona – sexualidade, representação e aparência vistas através da desconstrução do corpo no espaço.

 

Em “No Meu Quarto”, as fotografias trazem cenas quase performáticas, nas quais Piloni recria braços, pernas e cabeça no ambiente onde mora e com os elementos próprios desse universo. “Seu corpo desestruturado parece querer ocupar os espaços do cotidiano numa prática narcisista e exibicionista – na cama, no sofá, diante do espelho – na intimidade quase doentia de quem esta no seu pequeno mundo, no seu quarto que é também a sua mente, sua cabeça, a nossa”, destaca o diretor.

 

No dia 1o de abril, às 19h, a FASS promove um coquetel e conversa intimista com a artista, em seu espaço na Vila Madalena. Já, também na galeria, dias 8, 9,15 e 16 de abril, sempre às 19h30, um ciclo de quatro encontros abertos  ao público reunirá artistas e curadores para refletir sobre a questão do corpo como ponto de partida para a criação artística. Entre os participantes estão os curadores Diógenes Moura, Cláudia Fazzolari, Paulo Miyada e Thais Rivitti, além dos artistas Monica Piloni, Márcia Beatriz, Flávia Junqueira e Nino Cais. Informações e inscrições pelo site info@galeriafass.com.br (vagas limitadas).

 

As obras de Monica Piloni fazem parte de importantes coleções como de Bernardo Paz, no espaço cultural Inhotim, no Instituto Figueiredo Ferraz de Ribeirão Preto, e de outras particulares, como Blanca Soto em Madrid, Leon Tovar, em Nova York, Cleusa Garfinkel e Waldick Jatobá no Brasil

 

 

De 20 de março a 19 de abril.

Papa: livro e exposição

10/mar

O Museu de Arte Sacra de São Paulo – MAS/SP, Luz, São Paulo, SP, exibe “O Papa Sorriu”, exposição com curadoria de Rafael Alberto Alves. A mostra conta com caricaturas feitas por 38 cartunistas brasileiros e estrangeiros, e tem como intenção homenagear o Papa Francisco, o qual completa um ano de papado, mostrando simplicidade e bom humor no trato com todas as pessoas, fato evidenciado na ocasião de sua visita ao Brasil para a Jornada Mundial da Juventude, em 2013.

 

Impressionados com os sorrisos e abraços distribuídos pelo Papa, especialmente com os jovens, um grupo de cartunistas reuniu diversas obras que retratam o Pontífice e toda sua simpatia para com o povo. O resultado foi a publicação do livro intitulado “O Papa Sorriu”, entregue pessoalmente ao Papa Francisco pelo Arcebispo metropolitano de São Paulo, Dom Odilo Scherer, no início de 2014. Agora, alguns desses trabalhos ocupam as paredes do MAS/SP em exposição inédita: “Para nós, demonstra que fazemos sim arte. É a primeira vez que caricaturas entram em um museu de arte sacra. Parabéns a todos que acreditaram em mais essa empreitada de nossas flash expo”, comenta José Alberto Lovetro, presidente da Associação dos Cartunistas do Brasil.

 

Com traços característicos acentuados, os artistas criam desenhos que provocam todos os tipos de reação nos espectadores, desde a surpresa até a ternura. Nas palavras de José Carlos Marçal de Barros, Diretor Executivo do MAS/SP: “Nas crônicas políticas e sociais, a caricatura constitui uma das mais aguçadas formas de expressão. Nada parece escapar aos olhos do caricaturista, cujo poder de síntese revela um invejável conhecimento sobre a realidade e sobre o ser humano.” Participam os cartunistas Alan Souto Maior, Alex Souza, Ariel Silva, Baptistão, Benjamim Cafalli, Bira Dantas, Bruno Honda Leite, Carlos Amorim, Claudio Duarte, Ed Carlos Joaquim, Eder Santos, Elihu Duayer, Fredson Silva, Gilmar Fraga, Gustavo Paffaro, J. Bosco, Jorge Barreto, José Alberto Lovetro, Junior Lopes, Luiz Carlos Altoé, Luiz Carlos Fernandes, Mello Cartunista, Mônica Fuchshuber, Nei Lima, Omar Figueroa Turcio, Paolino Lombardi, Quinho, Renato Stegun, Ricardo Soares, Rice Araujo, Rodrigo Brum, Sergio Mas, Sergio Raul Morettini, Seri Ribeiro Lemos, Vicente Bernabeu, Wal Alves, William Martins Ribeiro e William Medeiros.

 

 

De 14 de março a 30 de abril.

Obra de Aguilar em livro

O Museu da Casa Brasileira, Jardim Paulistano, São Paulo, SP, recebe dia 13 de março, para o lançamento do livro “José Roberto Aguilar: 50 Anos de Arte”, do pintor, escultor, escritor, curador, músico e performer. Com textos de Solange Lisboa, introdução de Nelson Aguilar e design de Fernanda Sarmento, é uma retrospectiva da carreira do artista, com cerca de 250 pinturas e 250 fotografias documentais que representam suas principais obras, inserindo-as em seu contexto original e traçando, assim, um panorama da cena cultural brasileira desde a década de 1960 até os dias atuais.

 

Composto por dois volumes, o livro apresenta trabalhos reunidos entre 1960 e 1989, no primeiro tomo, e de 1990 a 2010 no segundo, sendo os capítulos organizados por décadas, apresentando as pinturas de cada período, bem como páginas contextuais com fotos históricas, críticas, documentos e itens relativos a outras áreas além do campo das artes plásticas. Em geral, a publicação revela a facilidade que Aguilar possui de passear por diferentes suportes com total desenvoltura. Nesses 50 anos, o multiartista transitou entre a pintura – além de vídeoarte, vídeoinstalações e performances – e a liderança da “Banda Performática”, que mistura pintura, música, teatro e circo. A admiração pela literatura e pela mitologia torna tais assuntos sempre presentes em sua produção, ao se apropriar da escrita e dos signos, fazendo-os e “transcriando-os” como elementos integrantes em suas telas.

 

Com ritmo dinâmico de leitura, o livro acrescenta informações que podem ser consideradas genuínos recortes da cultura brasileira das últimas cinco décadas, no intuito de construir um relato histórico da relevante obra de Aguilar, bem como da cultura de vanguarda no Brasil.

 

 

Sobre o artista

 

Nascido em São Paulo em 1941, começou a participar da vida cultural brasileira em 1958, através do movimento “Kaos”, manifestação vanguardista de Jorge Mautner que incluía sessões de poesia, literatura e performance. Realizou sua primeira exposição em 1961. Em 1963, foi selecionado para a Bienal Internacional de São Paulo. Participou, em 1965, da mostra Opinião-65, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Recebe o Prêmio Itamaraty na Bienal de São Paulo, em 1967, onde volta a expor em 1969. Na década de 60, centraliza sua ação em seu atelier. Na virada dos anos70, se viu obrigado a viver no exterior, morando em Londres, onde realizou exposição em Birmingham. Retorna ao Brasil em 1973, e faz exposições no Rio e em São Paulo. Vive em Nova York entre 1974 e 1975, onde começa a realizar um trabalho pioneiro de vídeoarte. Participou de vídeoperformances no Beaubourg, em Paris, e no Festival de Vídeoarte de Tóquio, em 1978. Participa novamente da Bienal de São Paulo em 1979. Na década de 80, desenvolve grande atividade como pintor, realizando diversas exposições, inclusive na Alemanha e nos Estados Unidos. Paralelamente, reforça sua imagem de artista multimídia através de inúmeras performances, da criação e apresentações da Banda Performática, da realização de montagens e espetáculos em praças públicas. Compõe músicas, grava discos, escreve e edita livros. Desenvolve suas ligações com a religiosidade e a capacidade humana de transcendência. Nos anos 90, deu continuidade às suas múltiplas atividades e realizou duas mega exposições com quadros de grandes dimensões, no MASP e no MAM/SP (1991 e 1996), além de exposições no exterior. Tornou-se diretor da Casa das Rosas, São Paulo, SP, entre 1996-2002. Trabalhou como representante do Ministério da Cultura em São Paulo até 2007.

Galeria Deco: Ukiyo-ê e artistas contemporâneos

02/mar

A Galeria Deco, Boa Vista, São Paulo, SP, apresentara exposição “Ukiyo-ê, e Hoje”, em parceria com a Musashino Art University, de Tóquio, MuseuAfro Brasil e o Ateliê Fidalga. A mostra traz ao Brasil obras criadas por mestres japoneses dos séculos XVIII e XIX, final da era Edo (nome antigo de Tóquio), exibidas ao lado de produções contemporâneas de destacados artistas japoneses e nipobrasileiros, tais como Yayoi Kusama, Kazuo Wakabayashi, Takashi Fukushima e James Kudo, entre outros. Estão presentes na mostra obras históricas de Ukiyo-ê, dos artistas Tsukiyoka Yoshitoshi,1839-1892, Ochiai Yoshiki, discípulo do pintor Utagawa Kuniyoshi, 1797-1861, Kaisai Yoshitoshi, 1839-1892, entre outros com datas e autores desconhecidos, mas presentes em publicações do século XIX, como no livro “Ichiwan Kunichika” publicado em 1863.

 

 

O Ukiyo-ê, cujo significado se traduz como “Imagens do Mundo Flutuante” é a técnica e gênero artístico que retratou os costumes da cultura burguesa do período Edo -1603-1867- que reforçou o conceito da efemeridade da vida. Ao retratarem lutadores de sumô, gueixas, atores do teatro Kabuki e paisagens. O Ukiyo-ê é conhecido no mundo como pintura japonesa gravada no bloco de madeira (similar à xilogravura), ficou conhecido na Europa no final do século XIX, influenciando o modernismo – cubismo, impressionismo e pós-impressionismo, e artistas como Van Gogh, Monet e Degas. Na atualidade segue influenciando segmentos culturais como o mangá moderno, a montagem Korin e o Japão Pop.
A influência do Ukiyo-ê é marcante na produção dos artistas contemporâneos japoneses e nipobrasileiros presentes na mostra: Yayoi Kusama, Kazuo Wakabayashi, Utagawa Kuniyoshi, Takafumi Kijima, Yuichiro Tanaka, Sho Tanaka, Machi Miyamoto, Unno, James Kudo, Roberto Okinaka, Futoshi Yoshizawa, Yasushi Taniguchi, Takashi Fukushima, Kimi Nii e Midori Hatanaka.

 

Com destaque na exposição, as gravuras de Yayoi Kusama traduzem a sensação alucinante do mundo contemporâneo, refletindo as impressões do Japão pop; já as cinco obras de Utagawa Kuniyoshi representam a beleza de mulher em um diagrama satírico; Kazuo Wakabayashi reflete a influência do Ukiyo-ê imprimindo um padrão arrojado a composição; Takashi Fukushima grava na madeira usando pigmentos próprios; a satírica pintura de Takafumi Kijima utiliza a técnica nihonga aplicada ao Ukiyo-ê; James Kudo incorpora em sua produção o sentido japonês de Ogata Korin, 1658-1716.

 

 
Como parte da exposição, a professora – e presidente do departamento de pintura da Musashino Art University- Aguri Uchida e o professor Takefumi Kijima, realizam nos dias 08 e 09 e março um workshop em duas etapas na Galeria Deco. No primeiro dia, Aguri Uchida apresenta a técnica de sumi no papel washi, no segundo dia, Takafumi Kijima explora os pigmentos tradicionais da pintura japonesa.

 

 
A Musashino Art University, localizada em Tokio, é uma das principais universidades de Arte no Japão. Fundada em outubro de 1929 como Teikoku Art School (escola de arte Imperial) teve sua nomenclatura, alterada para Musashino Art School em dezembro de 1948 e posteriormente, em abril de 1962, para Musashino Art University. Entre os principais cursos figuram: pintura japonesa, escultura, desenho industrial, interiores, cenografia e arquitetura.

 

 

 
Até 25 de março.

Na galeria Oscar Cruz

28/fev

Representante da década de 1970, Luiz Alphonsus desenvolve uma linguagem conceitual própria, utilizando diversas mídias como suporte, dentre elas pintura, fotografia, instalações, intervenções urbanas e cinema experimental. Dentre os temas fundamentais do trabalho do artista figuram Cosmos, tempo e linguagem escrita, objetos de seus últimos trabalhos, realizados entre 2012 e 2014, integrantes da exposição “Design para uma viagem interestelar”, na galeria Oscar Cruz, Itaim-Bibi, São Paulo, SP.

 

Na série de novos trabalhos, o artista inclui dez telas e uma instalação que, em linhas retas, transcorre seu universo: vértices perdidos na escuridão cósmica buscam matéria e inteligência. O tempo, como marco da materialidade, representa o início e o fim do universo. Um eclipse alienígena, de uma estrela qualquer, alude à paisagem terrestre. Uma visão poética da origem da linguagem humana é dramatizada num trabalho composto por duas telas – Das estrelas vieram os símbolos: Criação e perpetuação da linguagem. As estrelas produzem seres que pensam sobre elas próprias. Em sua nucleossíntese está a origem de tudo, desde a matéria bruta ao supra-sumo do universo, a inteligência.

 

 

De 18 de março até 19 de abril.

Inéditos de Miró

25/fev

Inédita no Brasil, “A magia de Miró, desenhos e gravuras” está em cartaz na Caixa Cultural São Paulo, Centro, São Paulo, SP. A exposição apresenta obras do pintor e gravador catalão e traz fotografias registradas pelo curador Alfredo Melgar. Miró ficou conhecido mundialmente por sua criatividade e capacidade de experimentação, apresentando em suas obras inúmeras possibilidades de formas e de cores, compondo um mundo próprio, de sonhos e de magia.

 

Trata-se de uma exposição do colecionador Alfredo Melgar, que foi galerista e amigo de Miró por muitos anos. Melgar fez uma seleção de 69 obras de Miró e selecionou 23 fotos que ele mesmo fotografou Miró no ambiente de ateliê e produção artística.

 

No dia da inauguração, houve uma palestra com o galerista e curador Alfredo Melgar. O intuito é levar a arte para as ruas através da exibição ao ar livre de um documentário sobre a vida de Miró. Após a temporada em São Paulo, a exposição segue para as unidades da CAIXA Cultural em Curitiba (20 de maio a 20 de julho de 2014), Rio de Janeiro (28 de julho a 28 de setembro de 2014), Recife (7 de outubro a 7 de dezembro de 2014) e Salvador (16 de dezembro de 2014 a 8 de fevereiro de 2015).

 

 

Até 20 de abril.

Emma Thomas: Hugo Frasa e Adam Nankervis

23/fev

A galeria Emma Thomas, Jardins, São Paulo, inaugurou simultaneamente as exposições “N.A.A.T.”, do paulistano Hugo Frasa, e “Upon a painted ocean…”, do australiano Adam Nankervis. “N.A.A.T.” é a primeira exposição individual de Hugo Frasa. Ocupando a sala principal da galeria, o artista traça um panorama de sua produção, tendo como ponto de partida a série de pinturas inéditas, produzidas entre 2013 e 2014 com spray de tinta, numa forma de observação irônica à difusão contemporânea do concretismo brasileiro.

 

Ao redor dessa série, expondo seu processo de criação, apresenta-se uma constelação de obras composta por pinturas, fotos, objetos, música, vídeo e uma instalação. Através desses trabalhos, percebe-se o olhar crítico e sarcástico do artista sobre a produção contemporânea, evidenciando seu deslocamento geracional e seu diálogo entre racionalismo formal e estética pop, música, moda e comportamento de rua. Para o projeto expográfico e curadoria da mostra foi convidado o arquiteto Fernando Falcon.

 

Em “Upon a painted Ocean…”, Adam Nankervis se inspirou no poema “The Rhyme of the Ancient Mariner”, de Colleridge. O artista, em sua contínua investigação geopolítica, ambiental e sociocultural, sugere uma aterrorizante previsão no atual dilema de conflito global e negligência ambiental.

 

Em sua série fotográfica, Adam Nankervis trabalhou com David Medalla e Daniel Kupferberg, com retratos performáticos, cuja série intitula-se “The Albatross’ Nest”, aludindo às serpentes que enredam as ficções de marinheiros a bordo de um navio sem rumo. A série, que evoca o albatroz em sua jornada por alimento regurgitado em alto-mar, se confunde com a jornada do próprio artista, suas memórias, experiências e observações.

 

 

Sobre Hugo Frasa

 

Iniciou a graduação em artes plásticas na Faap em 2005. Ganha os prêmios 39ª Anual de Artes Plásticas Faap, São Paulo, 2007, e 40ª Anual de Artes Plásticas Faap, São Paulo, 2008. Descontente com o curso, abandona a faculdade em 2010. Desde então, participa de exposições coletivas (“Viés” | Galeria Vermelho, São Paulo, 2005; “Vorazes, grotescos e malvados” | Paço da Artes, São Paulo, 2006; “Bipolar” | Galeria Emma Thomas, São Paulo, 2007; “Coletiva inicial” | Mendes Wood, São Paulo, 2009; “Nichi Nichi Kore Ko Nichi” | Galeria Phosphorus, São Paulo, 2012; “Princípios Flexor” | Galeria Gramatura, São Paulo, 2012; “OIDARADIO sessions” | 30ª Bienal de São Paulo – A iminência das poéticas, São Paulo, 2012), compõe trilhas, produz vídeos, faz apresentações musicais e desenvolve séries de desenhos, pinturas, colagens, fotos e vídeos.

 

 

Sobre Adam Nankervis

 

Artista e curador, tem como marca registrada de seu trabalho a imersão na experimentação de formas sócio-esculturais e colisões estéticas. Entre seus projetos está “Another Vacant Space”, focado em trazer à tona aquilo que está oculto sob a temática, conteúdo e teoria, o efêmero, a exploração artística da destruição criativa e a reconstrução – um convite à contemporaneidade a ser história. Sua prática curatorial se funde com seus demais projetos. Adam Nankervis já expôs na Inglaterra, Ucrânia e Estados Unidos. O artista foi Coordenador Internacional da London Biennale entre 2000 e 2012, que surgiu como uma iniciativa de arte livre.

 

 

Sobre a galeria Emma Thomas

 

 
A galeria Emma Thomas, das sócias Flaviana Bernardo e Juliana Freire, foi inaugurada em 2006 com o intuito de democratizar a arte contemporânea, modificando e adaptando as práticas do mercado a fim de aproximar a produção artística do público em geral. A galeria representa cerca de 14 artistas da nova geração. Em maio de 2012 ganhou o Prêmio de Melhor Galeria Jovem em Buenos Aires e em setembro de 2013 foi escolhida como segunda melhor galeria de São Paulo segundo a revista Época São Paulo. A galeria, em 2012, constrói sua nova sede nos Jardins e agrega uma nova sócia, Monica Martins. Além das mostras, projetos e feiras nacionais e internacionais, o novo programa da Emma Thomas promove o livre intercâmbio do conhecimento e do questionamento cultural.

 

 

Até 25 de março.

 

Janaina Tschäpe na Fortes Vilaça

17/fev

A Galeria Fortes Vilaça, Vila Madalena, apresenta a exposição “The Ghost in Between”, na qual Janaina Tschäpe, artista residente em NY, mostra seu mais recente filme. Produzida na Amazônia e apresentada em forma de dupla projeção, a obra enfoca o olhar romântico sobre um mundo a desbravar das viagens científico-exploratórias do século XVIII e XIX. A prática do vídeo e da fotografia é paralela à pintura e ao desenho no desenvolvimento da poética de Tschäpe. As diferentes mídias se influenciam permanentemente. Dentro destes quatro campos, ao longo dos anos, a artista recorreu diversas vezes à mitologia e à literatura em contraponto às descobertas da ciência para criar seres fantásticos, células e plantas fictícias, em um universo onde o real e o imaginário coabitam. O título do filme alude a um costume brincalhão dos habitantes do alto Amazonas de procurarem fantasmas em fotografias. Segundo eles o fantasma fica no limite entre o começo da vegetação ribeirinha e o seu próprio reflexo no rio. Para os povos indígenas que formam a base da população local, o mundo invisível é tão real quanto o visível e isto informa a rica e híbrida mitologia amazônica.

 

“The Ghost in Between” propõe uma viagem subjetiva ao flertar com a ideia romântica da busca pelo desconhecido. Vemos uma mulher navegando pela paisagem, refletida num Rio Negro imóvel e espelhado. A imagem vai se tornando abstrata, como as manchas simétricas do teste psicológico de Rorschach, e assim o mundo conhecido abre espaço para a existência de seres místicos. A mulher se metamorfoseia em menina e em criatura e volta a ser mulher. Há cenas povoadas por crianças e seres antropomórficos que ora permanecem imóveis, como em documentos etnográficos, e ora interagem com a natureza em cenas justapostas às sequências de paisagem. Em narrativa ambígua, por vezes beirando a exploração do exótico, a artista subverte e questiona precisamente o lugar de quem observa e é observado. O mundo imaginário e fantasioso, embebido de um velado romantismo ingênuo  nos leva a um lugar onde nada pode ser definido de fato, o lugar onde fantasmas habitam.

 

 

Sobre a artista

 

Janaina Tschäpe nasceu em Munich, Alemanha em 1973. Entre suas exposições individuais destacam-se Quimera no IMMA – Irish Museum of Modern Art, 2008; em 2009 a Trienal do Centro Internacional de Fotografia, Nova York e Museu de Arte Kasama Nichido, Japão. Já participou de exposições coletivas no MAC USP, São Paulo; MAM, Rio de Janeiro; LiShui Museum of Photography, China; New Museum, Nova York; Guggenheim Museum, New York entre outras.  Sua obra está em importantes coleções tais como Itaú Cultural, São Paulo, Brasil; Moderna Museet, Stockholm, Suécia; Inhotim Centro de Arte Contemporânea, Minas Gerais, Brasil; Centre Pompidou, Paris, França Museu Nacional Centro de Arte Reina Sophia, Madrid, Espanha.

 

Até 15 de março.

IWAJLA KLINKE EM SÃO PAULO

14/fev

Coerente em sua proposta de apostar em projetos de artistas residentes, que desafiam pelas temáticas e limites da representação, além de iluminar a questão do gênero, o Transarte, São Paulo, SP, realiza sua segunda exposição com obras de Iwajla Klinke.

 

A artista alemã, que nasceu em 1976 e mora em Berlim, reúne nesta mostra alguns trabalhos de suas expedições pela Europa, Canadá e Brasil realizados em 2013. O núcleo brasileiro – inédito – apresenta séries de retratos e composições de elementos da natureza que a surpreenderam. Usando a fotografia pura, sem luz artificial e sem manipulação digital, ela evidencia a sua lente Cult. “Iwajla negocia, com o delírio e a fantasia, sua maneira realista e despudorada de transgredir”, afirma Maria Helena Peres, idealizadora e diretora do espaço Transarte.

 

Sua obra, tão particular quanto a sua figura, já que Klinke é andrógina, estabelece relações do humano e da natureza com o sagrado. Sua forma de retratar pessoas, como a realizada no Brasil, conforme escreve Jorge Colli, “faz com que as imagens cheguem ate nós como vindas de um sonho embebido em espiritualidade”. Já nas chamadas “naturezas mortas” que produziu também por aqui, ela lança mão de pedaços de frutos, alimentos e plantas ao redor, para ali mesmo retirar toda a exuberância destas formas orgânicas que a provocaram. “Elas se organizam como as de Eckhout, um Eckhout convertido, católico, e tomado pela mística de Zurbarán”, escreve o crítico.

 

Com fundo neutro, preto ou marron, Klinke usa luz natural para criar efeito sépia remetendo a uma pintura de Vermeer, conforme ressaltou o crítico e colaborador da Art News e do Wall Street International, David Galloway, sobre a mostra da artista em cartaz até março, na galeria Voss, em Dusseldorf. “O que também parece irradiar em suas sobras é uma luz interior, espécie de epifania profundamente enraizada nos rituais cujas origens podem ter sido esquecidas, mas cuja energia espiritual persiste”, destaca Galloway.

 

Sobre a artista

 

Fotógrafa e cineasta baseada em Berlin, Iwajla Klinke estudou Ciência Política, Estudos Judaicos e Estudos Islâmicos na Universidade Livre de Berlim e trabalhou como jornalista durante muitos anos antes de dirigir seu primeiro filme, “Moskobiye”, em 2004. Seu segundo filme, “The Raging Grannies Anti Occupation Club” (o clube anti-ocupação das vovós enfurecidas), foi lançado para aclamação da crítica em 2007. Com obras no acervo da Saatchi Gallery, em Londres, Klinke, graças a seu interesse pela internet, tem um grande número de seguidores em suas redes sociais.

 

 

De 20 de fevereiro a 11 de junho.

Larry Bell na White Cube/SP

Importante nome da arte contemporânea norte-americana, o artista Larry Bell terá pela primeira vez uma mostra dedicada exclusivamente ao seu trabalho no Brasil na White Cube, Vila Mariana, São Paulo, SP. A mostra, denominada “The Carnival Series”, apresenta séries de  pinturas e esculturas inéditas, além de outros trabalhos produzidos nas décadas de 80 e 90.

 

Bell iniciou sua carreira no começo dos anos 60, quando a cena de artes plásticas americana fazia a transição do Expressionismo Abstrato e o Pop Art para o Minimalismo, e fez parte do movimento “Light and Space” (Luz e Movimento), formado por um grupo seleto de artistas renomados, como Robert Irwing – com quem chegou a ter aulas de pintura em aquarela -, James Turrell, Peter Alexander, Craig Kauffman, John McCracken, Doug Wheeler e Maria Nordman, entre outros. O artista deu os primeiros passos na pintura, mas logo passou a criar colagens usando vidro e espelho, materiais que obtinha em seu trabalho diurno numa loja de molduras. Essas assemblages foram o embrião das chamadas “caixas de sombra”, pequenas instalações que, por sua vez, evoluíram para as “Esculturas em Cubo”, talvez a sua série mais icônica. Durante o processo de produção das faces parcialmente refletivas destes cubos, Bell descobriu uma técnica de revestimento industrial metálica, com a qual conseguia cobrir uniformemente uma superfície de vidro, um tipo de acabamento que subvertia visualmente o volume espacial e a translucidez da escultura. O artista aprimorou ainda mais o método que inventara ao adquirir o seu próprio tanque a vácuo, uma máquina de grandes proporções que possibilitou novas explorações e diferentes maneiras de manipular esse procedimento.

 

Dez obras da famosa série de Bell conhecida como “Mirage Paintings” (Pinturas de Miragem), que consiste em trabalhos compostos por camadas de papéis de origens diversas, películas e tinta acrílica aplicada, integram a mostra em São Paulo. Concebidas a partir do final dos anos 80, as colagens continuam a brincar com temas de ambiguidade espacial e ilusão ótica. As obras ganham suas formas não apenas através da interferência do alumínio na superfície dos materiais, mas também na compressão, absorção e aderência das películas à tela, por meio de um processo de laminação aquecida. A exposição inclui “Spider Web”, a primeira “Mirage Painting” criada por Bell, “Second Chance” e “Leon”, todas de 1988, além de trabalhos mais recentes da série, como “Chequered Demon #193” (1990) e “The Vertical Landscape #192” (1990), nas quais aprofundou a sua experimentação com materiais, a pintura gestual e passou a usar uma palheta de cores mais clara, fatores que elevaram o nível de complexidade das obras.

 

A série de colagens “The Mardi Gras” ou “The Carnival Series”, modo como Bell se refere a elas, são suas mais coloridas e festivas montagens até o momento. Nestes trabalhos, o artista revisita a forma feminina clássica, apresentando a figura sentada de maneira audaciosamente Pop, que ele descreve como carnaval, daí o nome da mostra. Em suas colagens mais recentes, ele apoia-se na linguagem do Cubismo com montagens de bordas sinuosas cortadas que se assemelham à figura feminina ou, talvez, o formato curvado de um violão. Bell repetiu estas formas em três esculturas, suspensas por fios de nylon, feitas com Mylar, uma película de poliéster, revestidas em ambos os lados para criar uma superfície espelhada. Em seguida, ele faz uma espécie de nó com o próprio filme, criando um objeto cinético multidimensional que constantemente reflete e refrata a sempre variável luz natural do espaço que o cerca.

 

 

Sobre o artista

 

Larry Bell nasceu em Chicago, em 1939, e hoje vive e trabalha entre Los Angeles e a cidade de Taos, no Novo México. Suas obras já percorreram diversos museus dos EUA, em mostras individuais, que incluem o Pasadena Art Museum, Califórnia (1972); Oakland Museum of Art, Califórnia, 1973; Fort Worth Art Museum, Dallas, 1975 e 1977; Washington University, Missouri, 1976; Detroit Institute of Arts, Michigan, 1982; Museum of Contemporary Art, Los Angeles, 1986; Denver Art Museum, Colorado, 1995 e o Albuquerque Museum, Novo México, 1997. Mais recentemente, o artista realizou exposições solo no Kunstmuseum Bergen, Noruega, 1998, e no Reykjavik Municipal Art Museum, Islândia, 1998, além de uma retrospectiva no Carré d’Art Musée d’art Contemporain de Nimes, France, (2011. Em 2012, Bell participou da grande mostra coletiva ‘Pacific Standard Time: Art in LA 1945-1980’, sediada no Getty Center, em Los Angeles, que celebrou a arte contemporânea da Costa Oeste americana daquele período. Em outubro de 2014, o Chinati Foundation, em Marfa, Texas, inaugura uma exposição dedicada exclusivamente às grandes instalações de vidro de Larry Bell.

 

 

De 18 de fevereiro a  22 de março.