Graciela Hasper na Galeria Oscar Cruz

10/out

Depois de realizar sua primeira exposição na capital de seu país, no MAMBA – Museu de Arte Moderna de Buenos Aires -, Buenos Aires, Argentina, no final de 2013, a artista plástica Graciela Hasper realiza o mesmo feito individual no Brasil. “Obra recente”, é composta de uma instalação e nova série de pinturas e desenhos e o cenário para esta realização é o espaço expositivo da Galeria Oscar Cruz, Itaim Bibi, São Paulo, SP. Graciela Hasper reafirma nesta mostra, toda a sua intensa busca e pesquisa no campo das formas e de suas relações cromáticas.

 

 

A palavra da artista

 

“Sempre pintei círculos e retângulos com suas variações e deformações. Associo o ortogonal com a civilização, com a construção, com a cidade e com a casa. O cubo é a habitação. O quadrado é uma invenção do homem e as formas redondas são as figuras geométricas que se encontram na natureza. A natureza está repleta de círculos: o sol, a lua, os planetas, a gota d’água. E o círculo também é infinito… com algum tipo de pensamento místico. Todo artista abstrato tem uma relação com o absoluto, com o nada… A abstração é como conectar-se com seu interior. Por isso, para mim, a pintura se faz com os olhos fechados. A cor está muito desvalorizada. Há um que de feminino em trabalhar com tanta cor, e a partir daí se apresenta toda uma cadeia associativa com algo menor, secundário. Eu gosto de seguir pelo lado menos valorizado, ir pela margem do caminho, pelo não transitado. Eu gosto de seguir novos caminhos, outras estradas.”

 

 

Até 11 de novembro.

Para rever: Alex Flemming

Fotogravuras, móveis pintados – com escritos – e livros são algumas das obras em exposição Alex Flemming, na Biblioteca Mário de Andrade, Consolação, São Paulo, SP. A mostra tem curadoria de Mayra Laudanna. Nela, Alex Flemming mostra suas experiências artísticas com fotografias e gravuras que começaram na época em que ele era estudante da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP.

 

Alex é considerado um dos primeiros artistas no Brasil a utilizar essa técnica e, ainda assim, de modo não convencional. O artista interferia nas placas gravadas e após  a impressão da série, destacava alguma área da composição com pinceladas, a exemplo de “Garçom”, que tem a sua gravata borboleta em vermelho. Essas gravuras da série “Paulistana” e as que pertencem a série “Eros Expectante”, estão expostas no terceiro andar da Biblioteca.

 

Ainda nesse espaço, a mostra exibirá dois livros do artista: “Colagens & Desenhos” e “Alex Flemming”, este último feito com mapas do Brasil. No saguão da entrada principal estarão dispostos objetos construídos pelo artista ao longo de sua carreira, móveis e bicho mumificado, que se referem a uma das diretrizes do pensamento de Flemming: dar uma nova vida aos objetos.

 

No salão de leitura, ao qual se tem acesso a partir da avenida São Luís, serão estampadas imagens e carimbado o nome do artista, não só para relembrar procedimentos constantes em suas obras, como também para procurar despertar o interesse do leitor anônimo que usa esse espaço. Com a intenção de instigar o frequentador da Biblioteca e por quem passar por sua entrada principal, na Rua da Consolação, serão impressos nos vidros da fachada retratos que remetem a uma das obras mais conhecidas de Alex Flemming, os painéis com anônimos da Estação Sumaré do metrô.

 

 

Até 01 de novembro.

Dalí no Instituto Tomie Ohtake

09/out

O Instituto Tomie Ohtake, Pinheiros, São Paulo, SP, responsável pela organização da maior retrospectiva de Salvador Dalí já feita no país, traz agora a mostra para a sua sede. “Salvador Dalí”, em São Paulo, apresenta, no entanto, algumas novidades em relação à temporada carioca: cinco novas obras provenientes da Fundação Gala-Salvador Dalí e outras duas do Museu Reina Sofia, instituições detentoras da maioria dos trabalhos expostos. As obras que foram incluídas substituem alguns dos trabalhos da coleção do Museu Salvador Dalí, da Flórida, EUA.

 

Dentre essas sete obras do mestre do surrealismo está o valioso e pequeno óleo sobre madeira “O espectro do sex-appeal”, de 1934. Do tamanho de meia folha de papel, atribui-se à pequena pintura a forma como Dalí plasmou, de modo concreto, o temor pela sexualidade. “Desnudo”, de 1924, que pertenceu a Federico García Lorca, “Homem com a cabeça cheia de nuvens”, de 1936, de profunda carga simbólica, com referência explícita a René Magritte e “O piano surrealista”, de 1937, fruto de sua colaboração com os Irmãos Marx, estão entre os trabalhos incluídos.

 

Um catálogo especial acompanha a exposição e aborda a totalidade das peças apresentadas, um total de 218, assim como sua recepção crítica entre escritores e especialistas de grande renome, como Eliane Robert Moraes, Paulo Miyada e Veronica Stigger.

 

A retrospectiva de Dalí, com curadoria de Montse Aguer, diretora do Centro de Estudos Dalinianos da Fundação Gala-Dalí, foi organizada para convidar o público a mergulhar por um universo onírico, simbólico e fantasioso. O conjunto de peças é formado por 24 pinturas, 135 trabalhos entre desenhos e gravuras, 40 documentos, 15 fotografias e quatro filmes. O espectador terá contato com a produção de Dalí desde os anos 1920 até seus últimos trabalhos, proporcionando ao visitante uma clara percepção de sua evolução, não só técnica, mas de suas influências, recursos temáticos, referências ideológicas e simbolismos.

 

Será possível ver as telas do período de sua formação como pintor – além do já citado “Desnudo”, “Retrato de meu pai e casa de Es Llaner”, de 1920, “Retrato de minha irmã”, de 1925, e “Autorretrato cubista”, de 1926. Tais pinturas, além de marcarem o início da pesquisa de Dalí, também dão mostras de sua vasta e instigante produção de retratos, que, em suas diferentes interpretações e abordagens, acompanham a metamorfose de um trabalho marcado pelo questionamento sobre a realidade.

 

A fase surrealista, que deu fama mundial ao artista catalão, será exibida através de telas que apresentam seu método paranóico-crítico de representação, com obras muito significativas como “O Sentimento de Velocidade”, de 1931, “Monumento imperial à mulher-menina”, de 1929, “Figura e drapeado em uma paisagem”, de 1935 e “Paisagem pagã média”, de 1937.

 

O público também poderá conferir a contribuição de Dalí para a sétima arte. Os filmes “O cão andaluz”, de 1929 e “A idade do ouro”, de 1930, codirigidos por Salvador Dalí e Luís Buñel, e “Quando fala o coração”, de 1945, de Alfred Hitchcock, cujas cenas do sonho foram desenhadas pelo artista, serão exibidos dentro do espaço expositivo, apresentando um pouco mais da diversidade e da linguagem adotada pelo artista. Além disso, duas mostras de cinema acontecem em paralelo à exposição: a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em outubro, que exibirá os filmes “O cão andaluz” e “A idade do ouro”, em suas versões integrais, e o Museu da Imagem e do Som (MIS) organizará a mostra “Surrealismo no Cinema”, entre os dias 16 e 21 de dezembro.

 

O acervo, por sua vez, apresenta documentos e livros da biblioteca particular de Dalí, provenientes do arquivo do Centro de Estudos Dalinianos, que dialogam com as pinturas proporcionando ao visitante uma viagem biográfica e artística pela carreira do pintor. É o caso dos títulos “Imaculada Conceição”, de 1930, de André Breton e Paul Eluard, e “Onan”, de 1934, de Georges Hugnet. As raridades tiveram seus frontispícios assinados por Salvador Dalí e retratam as bases do surrealismo na literatura.

 

O conjunto conta ainda com as ilustrações feitas para os clássicos da literatura mundial, como “Dom Quixote de La Mancha”, de Miguel de Cervantes, e “Alice no País das Maravilhas”, de Lewis Carrol. Merecem destaque os desenhos que ilustram o livro “Cantos de Maldoror”, de 1869, de Isidore Lucien Ducasse (mais conhecido como Conde de Lautréamont), autor de grande referência entre os jovens surrealistas. É possível reconhecer nesses desenhos, por exemplo, as muitas figuras recorrentes na obra de Dalí, como objetos cortantes, muletas, corpos mutilados etc. Eliane Robert Moraes, em texto que acompanha o catálogo da exposição, diz que, movidos por uma crescente revolta pós-guerra, esses artistas “viram na violência poética de Ducasse uma alternativa para seus dilemas estéticos e existenciais”.

 

“Queremos mostrar o Dalí surrealista, mas também aquele que se antecipa ao seu tempo, que é audacioso, que defende a liberdade de imaginação do artista em sua própria criação. Ao mesmo tempo, a mostra passeia pela trajetória artística e pessoal de Salvador Dalí”, explica Montse Aguer, curadora da exposição. “Após a visita, todos entenderão sua importância como artista, não só no surrealismo, mas na história da arte. Isso significa uma importante ligação com a arte contemporânea, enquanto Dalí parte de uma profunda compreensão e respeito pela tradição”, conclui.

 

Para trazer o acervo ao Brasil, o Instituto Tomie Ohtake participou de uma longa negociação com os museus envolvidos. “Foram cinco anos de muitas tentativas e conversas com os detentores das grandes coleções de Dalí, para se concretizar as exposições do artista no Brasil, pela primeira vez com pinturas, e com maior concentração na fase surrealista”, revela Ricardo Ohtake, presidente da instituição.

 

Segundo Ricardo Ohtake, o Instituto tem se destacado por realizar uma programação múltipla e independente, possível graças ao apoio de empresas que acreditam no poder da cultura e da arte na formação do país. “São parcerias que construímos em cada projeto” afirma. No caso da exposição de Dalí, foi fundamental o patrocínio em São Paulo, da Arteris, do IRB Brasil RE e da Vivo, o co-patrocínio da Atento e do Banco do Brasil e o apoio da BrasilCap, BrasilPrev, dos Correios, do Grupo Segurador BB Mapfre e da Prosegur.

 

 

 

De 18 de outubro 1 de janeiro de 2015.

Memória mutante

08/out

A constante reconstrução do espaço urbano central de São Paulo é tema de “Memória Mutante”, exposição de fotografias simultânea à mostra “Ibirapuera: modernidades sobrepostas”, que ocorre também na OCA, Pavilhão Lucas Nogueira Garcez, Parque Ibirapuera, Portal 3, São Paulo, SP, sob realização do Museu da Cidade.

 

A curadoria de Henrique Siqueira reúne 210 fotografias pertencentes à Coleção de Fotografias Iconográficas do Museu da Cidade de São Paulo e propõe o encontro das imagens de Militão Augusto de Azevedo (1862) e Ivo Justino (1970), como forma de dimensionar a complexidade das camadas de memória urbana.

 

Siqueira destaca que, há pouco mais de 100 anos, São Paulo assistiu ao desaparecimento da antiga Igreja da Sé e de todo o quarteirão ao seu redor, operação que marcou o começo das grandes obras destinadas à edificação de uma cidade moderna e cosmopolita. Ele reforça que o binômio demolir/construir, repetido no período da verticalização da área central e da implantação do plano viário de Prestes Maia, consolidou-se como um dos pilares da renovação urbana. “Privilegiando o novo, esta lógica de reconstrução ininterrupta desafiou a permanência dos espaços públicos, conduzindo a um apagamento da paisagem e do pensamento arquitetônico vigente no passado.”

 

Essa característica paulistana tem como consequência a ampliação do papel da fotografia no registro da história da cidade. Intencionalmente, o curador selecionou fotografias pontuais de casos históricos que agitaram a identificação afetiva da cidade, como a demolição do Belvedere Trianon, o incêndio da Estação da Luz ou a construção do Hangar do Campo de Marte. A mostra também apresenta a documentação realizada pela Seção de Iconografia da Prefeitura sobre as habitações populares e ensaios que reproduzem o cotidiano nas indústrias de tecelagem.

 

O gesto oficial de colecionar fotografias na municipalidade inicia-se em 1938, com a aquisição do lote de negativos de vidro pertencente ao fotógrafo Aurélio Becherini, dando origem à atual Coleção de Fotografias Iconográficas do Museu da Cidade de São Paulo, de onde vieram todas as imagens apresentadas nessa exposição. Coube a outro fotógrafo, Benedito Junqueira Duarte, iniciar a ampliação e a primeira catalogação dessa coleção; hoje ela conta com mais de 70 mil fotografias que documentam a transformação urbana de São Paulo nos últimos 154 anos.

 

 

 De 09 de outubro de 2014 a 01 de fevereiro de 2015.

4ª Edição do Prêmio EDP

03/out

Em sua quarta edição, o Prêmio EDP nas Artes, parceria entre o Grupo EDP no Brasil e o Instituto Tomie Ohtake, Pinheiros, São Paulo, SP, com o apoio do Instituto EDP, anuncia os 10 finalistas para concorrer aos três primeiros lugares e participar da exposição no Instituto Tomie Ohtake (de 04 a 26 de outubro de 2014): Bruno Rios e Sara Não Tem Nome, de Belo Horizonte/MG; Daniel Lie, Gabriel Torggler, Janaína Wagner e Pedro Gallego, de São Paulo/SP; Felippe Moraes e Rodrigo Martins, do Rio de Janeiro/RJ; Flavio Yoshida, de Goiânia/GO e Ismael Monticelli, de Cachoeirinha/RS.

 

Dos 153 inscritos, foram selecionados 24 artistas. Após entrevistas individuais via skype, o júri indicou a lista dos 10 finalistas, que tiveram sua produção acompanhada pelo corpo de jurados entre julho e agosto de 2014. Esse acompanhamento diferencia o prêmio dos demais ao possibilitar um diálogo inédito entre o circuito da arte e participantes.

 

Os jovens artistas plásticos que se inscreveram para esta edição são provenientes de 13 Estados brasileiros: 100 de São Paulo; 18 do Rio de Janeiro; 08 de Minas Gerais; 07 do Rio Grande do Sul; 04 do Distrito Federal; 04 do Espírito Santo; 03 do Paraná; 02 de Goiás; 02 do Rio Grande do Norte; 01 do Mato Grosso do Sul. 01 de Pernambuco; 01 do Ceará; 01 da Bahia, além de um holandês residente no Brasil.

 

Compuseram o corpo de jurados: Ana Luiza Bringuente (Coordenadora da Ação Educativa do Instituto Tomie Ohtake); José Augusto Ribeiro (Curador da Pinacoteca do Estado de São Paulo); José Spaniol (Artista e Professor Universitário); Juliana Freire (Galerista da Galeria Emma Thomas); Olívia Ardui (Curadora do Núcleo de Pesquisa e Curadoria do Instituto Tomie Ohtake) e Virgílio Neto (Artista e 1º Lugar da 3ª Edição do Prêmio EDP nas Artes).

 

Os três vencedores, que serão anunciados na abertura da mostra, terão sua produção acompanhada por críticos durante um ano. Caberá ainda ao primeiro colocado uma bolsa de dois meses no The Banff Centre, no Canadá, ao segundo uma viagem ao exterior, pelo programa Dynamics Encounters, e ao terceiro cursos no Instituto Tomie Ohtake. Na edição anterior, em 2012, os vencedores foram o brasiliense Virgílio Neto (1º lugar), seguido pelo sergipano radicado em São Paulo Alan Adi (2º lugar) e pelo paulista André Terayama (3º lugar), enquanto a carioca Fernanda Furtado recebeu a menção honrosa. O vencedor Virgílio Neto ressalta o avanço que o Prêmio EDP nas Artes proporcionou à sua carreia:

 

“Quanto ao Prêmio EDP, há duas coisas que são importantes destacar. Uma é ter o seu trabalho exposto para um júri, para pessoas que estão no sistema da arte, mostrar e conversar com essas pessoas. A outra é participar de uma exposição, principalmente no Instituto Tomie Ohtake, um lugar muito importante para o circuito e que dá visibilidade  nacional. Além disso, tem a troca e o diálogo com outros colegas artistas. Já Banff foi a primeira grande residência que fiz, nunca tinha ido para a América do Norte. Foram dois meses de contato íntimo com o meu trabalho, porque lá você fica isolado e com toda uma infra-estrutura disponível para produzir e pensar sobre a sua obra. Há um grande respeito ao artista. A exposição que fiz depois, pela Funarte, surgiu, em grande parte, a partir dessa residência, dessa experiência”. O prêmio replica a experiência do Grupo EDP em desenvolver talentos nas artes plásticas. As edições anteriores nos mostraram que há jovens com grande potencial, mas sem oportunidades para projeção neste cenário.

 

 

Sobre o Instituto EDP

 

Instituição sem fins lucrativos responsável pelo desenvolvimento e coordenação das ações ambientais e sócio-culturais da EDP e suas controladas.

 

 

Sobre o Instituto Tomie Ohtake

 

O Instituto Tomie Ohtake, inaugurado em 2001, em São Paulo, é referência na América Latina por seu espaço diferenciado para exposições e por sua forte atuação no campo das artes no Brasil e no exterior. Suas exposições já conquistaram vários prêmios, entre os quais: ABCA – Associação Brasileira dos Críticos de Arte, como a melhor do Brasil de 2004; APCA – Associação Paulista dos Críticos de Arte, como melhor exposição de 2007; ABCA – Associação Brasileira dos Críticos de Arte pelo conjunto da programação, em 2007; APCA – Associação Paulista dos Críticos de Arte melhor iniciativa cultural pela programação, em 2008; APCA – Associação Paulista dos Críticos de Arte melhor exposição obra gráfica e indicação Prêmio Bravo melhor programação cultural, em 2009

 

 

De 04 a 26 de outubro de 2014.

Inéditos de Carlos Zilio

Nesta exposição na Galeria Raquel Arnaud, Vila Madalena, São Paulo, SP, Carlos Zilio dá prosseguimento à série apresentada no Centro Maria Antonia em 2011, exibindo trabalhos realizados em 2013 e 2014 nos quais se destaca a peculiar figura do tamanduá. A mostra reúne cerca de 10 obras em técnicas e suportes diversos, que aludem ao icônico animal, recorrente no imaginário do artista desde a sua infância. “Figura da minha história familiar, o tamanduá ganha nestas pinturas uma condição quase de totem no trabalho de subjetivação operado pela pintura”, diz Zilio.

 

Conforme ressalta Ronaldo Brito no texto de apresentação da mostra, “as telas recentes se transformaram em lugares do tempo – elas demandam investidas sucessivas, reviravoltas inesperadas; como o sonho, não se deixam dominar, parecem perseguir um objetivo secreto.”

 

Para Ronaldo Brito, o passado inquietante, fantasmático, às vezes revelador, nos leva a enxergar coisas que jamais notamos embora vivam debaixo de nossos olhos. O crítico cita um exemplo patente e literal na obra de Zilio: uma mancha indelével, no chão de granito do corredor que conduz ao ateliê do artista, “perfeita e inexplicavelmente idêntica à forma do tamanduá em queda livre.”O artista fotografou a mancha, cujas ampliações, com intervenções de suas pinceladas, integram esta exposição.

 

Carlos Zilio, segundo Ronaldo Brito,  pertence a uma geração que vivencia a inauguração da arte contemporânea no Brasil. Denominado pelo crítico como “Pós-pop”, esse grupo de artistas dispunha de um enorme leque de linguagens possíveis: da arte conceitual à interativa; das instalações às performances.

 

Depois de suas primeiras exposições coletivas e individuais realizadas na primeira metade dos anos 70, Zilio é convidado a participar da Bienal de Paris em 1976 e acaba por passar um período de quatro anos morando na capital francesa. Nesse momento há uma transição em seu percurso e passa a privilegiar a pintura como principal suporte de sua atividade artística. Esse movimento acontece ainda nos anos 70, antes do retorno à pintura proposto pela Geração 80.

 

O aprendizado como aluno de Iberê Camargo no Instituto de Belas Artes da Guanabara (atual Escola de Artes Visuais do Parque Lage), também marcou profundamente o trabalho do artista. Na década de 1960, tornou-se assistente do famoso pintor, e logo percebeu que a desenvoltura pictórica de Iberê não era passível de repetição. Segundo Ronaldo Brito, Zilio “… tratou de tomar suas contra medidas— abandona o óleo virtuoso, utilizando, sobretudo o esmalte industrial, diversifica meios e modos para evitar que toda essa sincera agitação pictórica sugira ilusionismo de profundidade e termine, isto sim, numa franca convulsão de superfície”.

 

O que interessa ao artista é, sobretudo, a temporalidade que a pintura tem na história da arte. Segundo Carlos Zilio, a pintura possui uma potencialidade transhistórica. “Está no passado e no presente, permitindo sucessivas retomadas sempre carregadas de uma alta carga de expressão, e isso que me fascina”, afirma Zilio.  A sua relação afetiva com o tamanduá segue essa lógica de trazer à tona questões do passado que se colocam no presente. Essa possibilidade de entrar em contato com um embate de emoções, reativando e reatualizando memórias afetivas.

 

 

Sobre o Artista

 

Carlos Zilio, Rio de Janeiro, 1944. Vive e trabalha no Rio de Janeiro. Estudou pintura com Iberê Camargo no Instituto de Belas Artes e formou-se em Psicologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Participou de algumas das principais exposições brasileiras da década de 1960 – Opinião 66 e Nova Objetividade Brasileira, por exemplo, ambas no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro –, e de mostras com repercussão internacional: a 9ª, 20ª e a 29ª Bienais de São Paulo (1967, 1989, 2010), a 10ª Bienal de Paris (1977), a Bienal do Mercosul (2005) e Tropicália, apresentada em Chicago, Londres, Nova York e Rio de Janeiro. Na década de 1970 morou na França, onde se doutorou em Artes. Desde o retorno ao Brasil, em 1980, participou de inúmeras mostras coletivas e fez diversas individuais, entre as quais Arte e Política 1966-1976, nos Museus de Arte Moderna do Rio de Janeiro, de São Paulo e da Bahia (1996 e 1997), Carlos Zilio, no Centro de Arte Hélio Oiticica (Rio de Janeiro, 2000), que abrangeu sua produção dos anos 1990, e Pinturas sobre papel, no Paço Imperial (Rio de Janeiro, 2005) e na Estação Pinacoteca (São Paulo, 2006). A mais recente coletiva que tomou parte foi a exposição Brazil Imagine no Astrup Fearnley Museet, Oslo 2013 e MAC Lyon, 2014. Suas últimas exposições individuais foram no Museu de Arte Contemporânea do Paraná (Curitiba, 2010), no Centro Universitário Maria Antonia (São Paulo, 2010) e no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (2011). Zilio foi professor na Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em 2008, a editora Cosac Naify publicou o livro Carlos Zilio, organizado por Paulo Venancio Filho, sobre sua produção artística. A Galeria Raquel Arnaud representa o artista desde 1997.

 

 

De 09 de outubro a 19 de novembro.

Portinari: A capela da Nonna

02/out

O Museu de Arte Sacra de São Paulo – MAS-SP, equipamento da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, em parceria com o Museu Casa de Portinari, exibe “Capela da Nonna: Fé, Religiosidade e Arte”, uma reprodução em tamanho real do cômodo pintado pelo artista especialmente para que sua avó Pellegrina orar, porque em virtude da idade avançada e pouca saúde, não podia se locomover até a igreja da cidade (Brodowsqui). A obra apresenta os santos de devoção da “Nonna”.

 

Por meio de painéis e recursos cênicos, o espaço original foi recriado com as dimensões e as mesmas pinturas feitas pelo artista: São Francisco de Assis, Santa Luzia, São Pedro, São João Batista, a Sagrada Família, entre outras. As imagens dos santos são reproduzidas com a feição de parentes e amigos do pintor, uma tradição presente na pintura do século XV, principalmente entre artistas flamengos e italianos, e que Portinari retomou.

 

Para Angelica Fabbri, diretora do Museu Casa de Portinari, a presente exposição “leva ao público este conjunto de arte sacra tão significativo e ímpar na obra de Candido Portinari, em forma de capela, feita para a avó num gesto de amor e carinho.”.

 

 

A partir de 07 de outubro.  

O realismo de Giovani Caramello

01/out

As esculturas de Giovani Caramello, artista representado pela OMA|Galeria, São Bernardo, SP, intrigam, e muito, o expectador ao exprimir de maneira realista sentimentos comuns, como ansiedade, tristeza e a sensação de que não há um passado ou um futuro, mas somente o presente. Assim, com esse mix, surgiram as obras de “Impermanência”, primeira mostra individual do artista, que será apresentada no Museu de Santo André. “Ter a chance de mostrar esse lado efêmero da vida por meio da minha arte é incrível. Nas minhas obras tento retratar sentimentos que deixam cada pessoa refletindo de uma maneira diferente. Acho que esse é o grande lance da arte”, conta.

 

Com clara inspiração em Ron Mueck, escultor australiano que utiliza efeitos especiais cinematográficos para criar obras de arte hiper-realistas, Caramello, que é andreense, iniciou sua carreira de escultor em 2010, como modelador 3D, e nunca mais parou. Nessa estreia, o público poderá conferir seis peças, produzidas com resina poliéster, silicone e fibra de vidro, que possuem como principal característica a humanidade. “É uma honra poder contar com o Giovani Caramello em nosso quadro de artistas representados. Afinal, seu talento para recriar detalhes corporais e faciais é fascinante e tenho certeza de que isso também deixará o público curioso para seguir os passos dele e passar a valorizar ainda mais este tipo de arte que já é muito bem aceita no exterior ”, diz Thomaz Pacheco, da OMA|Galeria.

 

 

De 10 a 30 de outubro.

Evento no Hospital Matarazzo

26/set

A mostra que ocupa todos os espaços do Hospital Matarazzo, Bela Vista, São Paulo, SP, denominada “Made by… Feito por Brasileiros”, oferece, além da gama de obras de arte contemporânea, uma programação paralela com performances e exibição de filmes. O público tem a chance de conferir um trabalho artístico sem-igual e ainda presenciar uma intervenção ao vivo, tudo sem pagar nada. A curadoria é de Marc Pottier.Entre os brasileiros, estão Tunga, Henrique Oliveira, Márcia e Beatriz Milhazes, Iran do Espírito Santo, Nuno Ramos e Vik Muniz. Eles dividem espaço com Adel Abdessemed, Moataz Nasr, Jean-Michel Othoniel, Joana Vasconcelos, Francesca Woodman, Tony Oursler e Kenny Scharf, entre outros artistas estrangeiros. Um dos destaques é a obra Baba Antropofágica, de Lygia Clark, criada em 1973. Para os fashionistas, a curiosidade é ver as imagens e os vídeos feitos por Oskar Metsavaht, da Osklen. Algumas peças foram encomendadas e criadas especialmente para o espaço. Os organizadores também propuseram parcerias entre artistas estrangeiros e brasileiros, que foram instigados a elaborarem trabalhos conjuntos.

 

 

Performances e exibições de filmes

 

Márcia e Beatriz Milhazes

 

Nos dias 27 e 28 de setembro, no edifício que abrigava a seção de Maternidade, as irmãs Márcia e Beatriz Milhazes apresentam a performance de “Camélia”, uma dança do olhar, sem acomodações, através de múltiplos detalhes de formas geométricas articuladas e sobrepostas. Márcia fica à frente da coreografia com sua Companhia de Dança, enquanto que Beatriz assina a cenografia.Debruçados sobre a cena dourada, membros da Márcia Milhazes Companhia de Dança desenham com os seus corpos, gestos divididos em três interlúdios como sonetos sussurrados entre si.

 

 

Tunga

 

Os visitantes da exposição poderão também assistir no jardim do bloco A à performance de Tunga, diariamente em dois horários: das 10 às 13 e das 14 às 17 horas. Nessa performance de movimentos leves e calmos, o milho, que simboliza a fertilidade feminina, é debulhado com uma rapidez que entra em contraste com o movimento vagaroso de costurar as pérolas que representam o esperma solidificado.

 

 

Vídeos

 

Paralelamente a essas performances, a mostra conta com exibições permanentes de vídeos e filmes de artistas nacionais e internacionais no bloco E. A programação se divide em quatro projetos:

 

– Everything I Want, com curadoria de Nadja Romain;

– Cinema Yamanjá, com filmes da 3ª Bienal da Bahia;

– Mostra Vídeo Tal, de Gabriela Maciel & André Sheik;

– Com curadoria de Marc Pottier, os projetos “Espírito da Floresta”, de Amilton Pellegrino de Mattos e Ibã Huni Kuin; “Manifesto do Naturalismo Integral”, de Sepp Baendereck.

 

 

Até 12 de outubro.

A volta de Thomas Cohn

25/set

A Galeria Thomas Cohn, Jardim Paulistano, inicia outro ciclo de atividades com novo espaço e novo conceito. Com mais de 30 anos de experiência, o conhecido marchand pretende abrir um novo capítulo no cenário das artes visuais, inaugurando a primeira galeria de joias de arte no Brasil, com obras únicas ou pequenas edições assinadas por artistas contemporâneos internacionais. As exposições serão complementadas com programas educativos, que incluem palestras e workshops com algumas das maiores autoridades do universo da joalheria de arte internacional.

 

Intitulada “Colares Contemporâneos”, a mostra inaugural reúne joias de cerca de 30 artistas oriundos de 12 países como Alemanha, Holanda, Suécia, Noruega, Estônia, Taiwan e Coréia do Sul. Entre os participantes figuram artistas seminais do segmento, que se destacam em carreiras de sucesso, com exposições em museus e galerias, além de dirigirem academias e ministrarem em importantes escolas de arte da Europa, EUA e Austrália, como Annelies Planteijdt (Noruega), Bettina Speckner (Alemanha), Beppe Kessler (Holanda), Karin Johansson (Suécia), Mallory Weston (EUA), Liv Blavarp (Noruega), Kadri Mälk e Tanel Veenre (Estônia)Sara Borgegard (Suécia), Myung Urso (Coréia do Sul) e Phoebe Porter (Austrália), entre outros.

 

Diferente da joia clássica, afinal um produto industrial, a joia de arte é valorizada pela qualidade artística (mão de obra) e não pelos materiais usados. Propõe arte vestível que identifica o grau de cultura e bom gosto da pessoa ao invés do seu status socio-econômico.  Permite a quem a usa levar arte no corpo e do corpo à rua.

 

A joalheria contemporânea surgiu como especialidade a partir dos anos 1970, mas antes disso grandes artistas como Picasso, Man Ray, Salvador Dalí e Magritte criaram peças para serem usadas no corpo. É um nicho do mercado de arte inovador, que vem encontrando cada vez mais espaço com a colocação de novas galerias no mercado, com a institucionalização do setor por coleções de importantes museus (como o MoMA de Nova York e o Stedelijk, de Amsterdã), com o surgimento de feiras de arte especializadas (como as anuais Schmuck, em Munique; Sieraad, em Amsterdã; e Collect, em Londres), e com revistas com foco no assunto, como  Art Aurea (Alemanha) e a Current Obsession (Holanda).

 

 

Até 11 de outubro.