Beatriz Milhazes: O Círculo e seus amigos

06/nov

Chama-se “O Círculo e seus amigos”, a nova exposição individual de Beatriz Milhazes em São Paulo, SP, para a qual o Galpão Fortes Vilaça, Barra Funda será o espaço exibidor.  A artista apresenta nove pinturas inéditas que enfatizam a vibração ótica e cromática da Op Art, e padronagens e cores de origem tribal africana, entre outras.

 

Nesta série de trabalhos, as cores cítricas e o uso particular de dourados se rende a uma tonalidade mais escura, com a introdução do marrom e das cores de pigmentos naturais peruanos. A referência à Op Art, que em trabalhos anteriores aparecia de forma indireta, reaparece aqui em papel principal, num uso objetivo de recursos óticos, onde linhas e círculos saturam o plano em uma audaciosa justaposição de padrões geométricos. Na tela “Potato Dreaming”, dominada por tons de rosa, vinho e ocre, padrões em listras sobrepostos emprestam inquietação e movimento à uma estrutura que de outra forma seria rígida. Em “Flores e Árvores”, esta mesma sobreposição é radicalizada com a introdução de elementos vazados que confundem figura e fundo, sem que o olhar consiga estabelecer uma hierarquia.

 

Em outras composições a artista apresenta novas flores como um elemento central, cuja forma e estrutura são resultantes da observação da arte tribal. Em “Wild Potato”, a flor central se desfaz em listras orgânicas e algo psicodélicas de alto contraste, sobre um fundo de geometria precisa em cores igualmente contrastadas.” Igrejinha” traz a figura totêmica de um copo-de-leite ativado por tons elétricos, por sua vez preenchidos por um padrão de círculos irregulares recorrente nessa exposição.

 

Beatriz Milhazes consagrou-se como uma das maiores artistas da atualidade, desenvolvendo em trinta anos de carreira um vocabulário pictórico único, onde elementos da ornamentação se enredam com a tradição da pintura abstrata. Questões de um repertório visto muitas vezes como secundário –  das artes decorativas, da arte popular e do Carnaval – permeiam sua obra, em que a cor e a geometria são os elementos estruturantes. A artista desenvolveu uma técnica particular em que a tinta é aplicada primeiro sobre folhas de plástico que depois são transferidos para a tela, eliminando assim o gesto da pincelada. Esse modus operandi possibilita à artista uma enorme capacidade de experimentação aliada a um rigor formal.

 

 

Sobre a artista

 

Beatriz Milhazes nasceu no Rio de Janeiro em 1960 onde vive e trabalha. Na última década a artista teve importantes exposições individuais das quais podemos destacar: “Quatro Estações”, Centro de Arte Moderna – Fundação Calouste Gulbenkian, Portugal e Panamericano, MALBA, Argentina, 2012; Fondation Beyeler, Suíça, 2011; Fondation Cartier pour l’art contemporain, França, 2009; Beatriz Milhazes – Pinturas e Colagens, Pinacoteca do Estado de São Paulo, Brasil, 2008; 21st Century Museum of Contemporary Art, Japão, (2004; Domaine de Kerguéhennec-Centre d’Art Contemporain, France, 2003. A artista representou o Brasil na 50ª Bienal de Veneza em 2003, participou da Bienal de Shangai, China, em 2006 e das 24ª e 26ª Bienais de São Paulo em 1998 e 2004. Suas obras figuram nas mais importantes coleções do mundo, como MoMA, Nova York; Museo Nacional Reina Sofia, Madrid e  Metropolitan Museum of Art, Nova York, entre outros. “Meu Bem”, grande exposição panorâmica da artista, esteve recentemente em cartaz no Paço Imperial, Rio de Janeiro, e ainda em 2013, será apresentada no Museu Oscar Niemeyer, Curitiba, PR.

 

De 23 de novembro a 21 de dezembro.  

 

Marcel Giró na Galeria Bergamin

05/nov

A Galeria Bergamin, Jardins, São Paulo, SP, exibe 40 fotografias vintage (ampliadas na época), feitas pelo artista catalão Marcel Giró, nos anos 1950. Giró foi um dos principais representantes do Modernismo da Escola Paulista e integrou o Foto Cine Clube Bandeirante.

 

A dupla de curadores, Iatã Cannabrava e Isabel Amado, elegeu imagens que evidenciam o crescimento da metrópole naqueles anos e deixam escapar a preocupação desta geração de fotógrafos em documentar as transformações das cidades, a industrialização e a modernidade, assim como o fizeram Paulo Pires, José Yalenti, Ademar Manarini, Eduardo Salvatore, Gaspar Gasparian e outros participantes do FCCB. São fragmentos como andaimes, antenas, muros riscados e construções, fotografias quase sem a presença da figura humana, que valorizam a arquitetura local, e incluem uma série menos literal, em que a geometria e as experimentações do Modernismo Paulista são ainda mais presentes.

 

“Com um olhar apurado de esteta, suas melhores fotografias têm origem de fato no banal e cotidiano”, diz Iatã Cannabrava. Para Isabel Amado, “nas sombras mais duras, na geometria mais fria, nos contrastes menos cadenciados: sempre há uma delicadeza que perpassa suas fotografias”.

 

Apesar da pouca atenção ao Modernismo da Escola Paulista, na última década importantes trabalhos como o livro de Helouise Costa, a circulação de coleções como a de fotografia modernista brasileira do Itaú e a inclusão no circuito de galerias de arte de alguns desses autores fizeram com que as obras guardadas pelas famílias viessem a aparecer. É o caso desta exposição, composta por obras mantidas sob a guarda de Toni Ricart, sobrinho do artista. Além de fotógrafo, Giró praticou montanhismo, tendo cruzado os Pirineus a pé. Antes do Brasil, esteve na Colômbia, e, ao passar por São Paulo, encontrou no FCCB o que havia de mais questionador na época, ou, pelo menos, o que havia de mais revolucionário na fotografia naquele momento de retomada da vida cotidiana após duas longas guerras.

 

 

Sobre Marcel Giró

 

Filho de industrial do setor têxtil, o catalão Marcel Giró foi um aficionado pela fotografia, praticou montanhismo e viajou o mundo como poucos. Alistou-se como voluntário no exército republicano durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939), o que já anunciava seu espírito político, questionador, observador. No final dos anos 40, mudou-se para São Paulo, onde renasceu sua vocação para fotografia, se tornando um dos principais membros da Escola Paulista de Fotografia, com origem no Foto Cine Clube Bandeirante.  Seu trabalho se caracteriza pela interpretação das formas abstratas de seu entorno e pela experimentação com a luz e sombra, acompanhando o movimento da fotografia moderna. Giró é citado mais de uma vez no livro seminal Fotografia Moderna no Brasil de Helouise Costa, e é dele o Estúdio Giró, o pioneiro da fotografia publicitária no Brasil. Viveu até os 98 anos de idade, morrendo em Mirassol, Barcelona, em 2011.

 

 

Sobre a Galeria Bergamin

 

Sem elenco fixo e com o objetivo de atender a arte e disseminar cultura no coração do Jardins, na Rua Oscar Freire, em São Paulo, a Galeria Bergamin, dos sócios Antonia Bergamin e Thiago Gomide, abriu sua primeira exposição no novo espaço em agosto de 2013, já com grandes nomes como Adriana Varejão, Hélio Oiticica, Nelson Leirner e Waltercio Caldas. A mostra coletiva apresentou obras onde os autores prestavam homenagens, correspondências e referências a outros artistas plásticos, como Lucio Fontana e Piet Mondrian, por exemplo. Com foco em arte do período pós-guerra, o espaço pretende se tornar referência também em prestação de consultoria para a criação de novas coleções ou aprimorar as já existentes.

 

De 05 de novembro a 15 de dezembro.

Dois no Espaço Cultural Citi

17/out

O Espaço Cultural Citi, Avenida Paulista, São Paulo, SP, exibe uma exposição que envolve muita curiosidade sobre os trabalhos dos artistas Braz Dias e Astrid Salles. A curadoria é do crítico de arte Jacob Klintowitz que rege esta junção poética dos dois artistas. Trata-se de uma mostra especial, pois as pinturas de Braz Dias estão abrigadas em coleções e não é fácil reuni-las. Já Astrid Salles, num período de recolhimento e meditação, criou além de pinturas, estandartes, ainda inéditos, “tão rememorativos das formas ancestrais e míticas”.

 

 A palavra do curador

 

Braz Dias e Astrid Salles:

 

o flautista azul e os estandartes.

 

Jacob Klintowitz

 

Sabemos de uma terra que está logo ali, próxima de nós, mas, apesar disto, ela está além e nunca a alcançamos. O pintor Braz Dias nunca precisou procurar por ela, não necessitou de nenhum cartógrafo, pois ele simplesmente vem de lá. É por isto que a sua pintura não é nostalgia, a alma com saudade da terra natal, da mítica Ítaca ou o tropismo em busca da pátria ideal.

 

A delicada e precisa fatura da pintura de Braz Dias está a serviço do registro da poesia de uma constelação visual extremamente rara. Na verdade, tão rara quanto a edição de um só exemplar, já que só ele canta esta gesta, a minuciosa descrição deste lugar, até então desconhecido, onde existe limpeza absoluta das cores, harmonia de formas suaves e personagens líricos, como o homem equilibrista, o pássaro da manhã, a mulher flor, o flautista, o boneco articulado e todas as portas e janelas se abrem para uma paisagem azul iluminada por um sol eterno.

 

Há um som subjacente nas pinturas e nos objetos de Astrid Salles. O ritmo visual é tão essencial neste trabalho que ele forma/cria uma tessitura que estrutura e delimita o seu destino. É o alfabeto desta escritura. A razão da aproximação da artista com as formas gráficas da cultura indígena se deve a afinidade com o seu desenho marcante e a capacidade de tornar o signo em símbolo. Os dados do cotidiano se tornam narração do permanente.

 

Os estandartes e os objetos-serpentes de Astrid Salles são a expressão amadurecida desta identificação com o ritmo melódico da linguagem pictórica. Ela os constrói com os elementos banais que existem ao seu redor e com o diálogo com a natureza mítica da elaboração indígena e a alegria das manifestações populares. Astrid Salles não recupera a cultura mítica ou reconstrói o folclore. Ela simplesmente utiliza os mesmos princípios para inventar o ritmo melódico dos seus objetos.

 

 

Até 03 de janeiro de 2014.

 

Estudos de Amilcar no IAC

Como resultado de uma pareceria entre o IAC, Instituto de Arte Contemporânea, Vila Mariana, São Paulo, SP, e o Instituto Amilcar de Castro, Nova Lima, MG, o público poderá ver pela primeira vez em exibição estudos de vários trabalhos que criaram o vocabulário do consagrado artista mineiro e obras realizadas do início ao final de sua trajetória em 2002.

 

Estudos em cartolina e uma série de cerca de 40 desenhos revelam o pensamento escultórico de Amilcar de Castro, bem como pequenas peças em aço inox para serem executadas em aço corten. Além deste grande núcleo que enfoca os processos do artista, a exposição, com curadoria de Rodrigo de Castro, se completa com cerca de 20 pinturas e cerca de 40 esculturas, obras realizadas durante os 40 anos de sua carreira (da década de 70 aos 2000). Há também um desenho, nunca apresentado ao público, anterior a este período, de 1947, época em que Amilcar de Castro convivia com Guignard, seu mestre.

 

A escultura de invenção formal e matriz construtiva, produzida por Amilcar de Castro, um dos líderes do movimento neoconcreto, evidencia o encontro íntimo entre o gesto e a matéria. Já suas telas revelam a força de seu desenho de origem gráfica, decorrente de sua trajetória na imprensa brasileira, de 1953 a 2002, na qual o artista fez história, ao renovar o visual de diversos veículos impressos. Amilcar de Castro costumava repetir que não era um pintor e sim um gráfico.

 

De 17 de outubro a 01 de fevereiro de 2014.

Brasília na galeria LUME

03/out

A  nova exposição no calendário da Galeria LUME, Itaim Bibi, São Paulo, SP, chama-se “A Construção de Brasília“, mostra individual do fotógrafo brasileiro Alberto Ferreira. Com curadoria de Paulo Kassab Jr. e composta por 12 imagens em preto e branco,  algumas inéditas, representa um retrato da euforia e das descrenças alastradas junto à inauguração da nova capital federal do país. A coordenação da mostra é de Felipe Hegg.

 

Alberto Ferreira ocupou, durante anos, importante cargo na imprensa e o fez com a ética e a obrigação jornalística de mostrar o acontecimento sem distorcer os fatos. Da mesma forma na fotografia, o artista apresenta não apenas belas imagens, mas também um senso crítico  deste momento histórico: o contraste entre políticos, exaltados com a capital federal,  talvez por sua distância das demais cidades; pessoas da alta sociedade, crentes em um novo país; e os candangos, construtores da cidade que, posteriormente, acabaram por ficar à margem do projeto habitacional, sendo obrigados a viver em periferias.

 

Acompanhando Juscelino Kubitschek em suas idas e vindas à nova capital, Alberto Ferreira presenciou todo o processo de construção da cidade e criou um dos mais importantes registros visuais deste momento. Nestas ocasiões, o fotógrafo teve diversas oportunidades de registrar cenas como a chegada do embaixador inglês, a interação entre as pessoas e a arquitetura modernista da cidade, a cerimônia inaugural de Brasília, alguns dos operários que trabalharam na obra, entre outras.

 

 

A palavra do curador

 

“Mais que um documentarista, Alberto Ferreira estava à frente de seu tempo e, diferente de outros que acompanharam a criação de Brasília, não se iludia com o novo projeto.  Em 1960, no ano da inauguração da capital, o fotógrafo já vislumbrava as dificuldades de se ter uma  capital no interior do país e os problemas trazidos por um planejamento que, sem intenção, segregava as diferentes classes sociais em suas zonas de habitação.”

 

 

De 08 de outubro a 14 de novembro.

 

 

Le Parc em São Paulo

30/set

A mostra “Julio Le Parc – Uma busca contíbua”, Galeria Nara Roesler, Jardim Europa, São Paulo, SP, percorre mais de 50 anos da produção artística de Julio Le Parc, incluindo tanto sua pesquisa da fenomenologia das estruturas através da pintura bidimensional, como seus ambientes imersivos e instalações de grande porte. Sua obra tem o papel desestabilizador de provocar a interação do indivíduo com o ambiente exigindo, simultaneamente, que tal envolvimento seja reconhecido. Apesar de seu papel fundamental na história da arte cinética, as telas, esculturas e instalações de Julio le Parc incluem questões relativas aos limites da pintura, por meio tanto de procedimentos mais próximos da tradição pictórica, tais como a acrílica sobre tela, quanto de assemblages ou aparatos mais propriamente cinéticos. A galeria promove um encontro com o artista e a curadora Estrellita B. Brodsky no dia da abertura às 17h30.

 

 

A palavra da curadoria

 

Julio Le Parc: Uma busca contínua por ESTRELLITA B. BRODSKY

 

Ao longo de seis décadas, Julio Le Parc buscou de maneira sistemática redefinir a própria natureza da experiência artística, trazendo o que ele chama de “perturbações dentro do sistema artístico”. Ao fazer isso, ele brincou com as experiências sensoriais do público e deu aos espectadores um papel ativo. Com seus colegas membros do Groupe de Recherche d’Art Visuel (GRAV) – um coletivo de artistas criado por Le Parc com Horacio García Rossi, Francisco Sobrino, François Morellet, Joël Stein e Jean-Pierre Vasarely (Yvaral) em Paris no ano de 1960 –, Le Parc gerou encontros diretos com o público ao desmontar o que eles consideravam ser as amarras artificiais das estruturas institucionais. Como expresso em seu manifesto Assez de mystifications [“Chega de Mistificações”, Paris, 1961], a intenção do grupo era encontrar maneiras de confrontar o público com obras de arte fora do ambiente museológico por meio de intervenções em espaços públicos com jogos subversivos, charges de cunho político e questionários bem-humorados.  Com tais estratégias, Le Parc e o GRAV transformavam espectadores em participantes com maior autoconsciência, tanto alcançando uma forma de nivelamento social como antecipando algumas das estratégias relacionais e colaborativas sociopolíticas que vêm se proliferando ao longo das duas últimas décadas.

 

(…) A produção artística de Le Parc evoluiu de estudos geométricos bidimensionais, com pequenas caixas de luz, para instalações de grande porte, ambientes imersivos e intervenções públicas na rua. No entanto, essa produção diversa tem em comum uma função desestabilizadora central: provocar a interação do indivíduo com seu ambiente, exigindo, ao mesmo tempo, um reconhecimento daquele envolvimento. A obra de Le Parc chamada Sphère bleue (Esfera azul, 2001/2013) é um enorme globo de quatro metros de diâmetro composto por quadrados de acrílico azul transparente que parece estar magicamente suspenso no ar. A luz refratada na parte exterior da esfera inunda o espaço que circunda o globo com um azul vibrante.

 

A experiência perceptiva que os visitantes têm da esfera oscila entre vê-la como algo que é transparente e impenetrável e, ao mesmo tempo, frágil e monumental; algo que distorce o que se vê além e cria a consciência de se estar vendo e sendo visto em um espaço comum recém-transformado.

 

Os componentes físicos das obras de Le Parc – folhas de material refletivo penduradas, esculturas enormes feitas de acrílico transparente, pinturas geométricas, estruturas de luz motorizadas, telas de metal distorcidas – são tão impressionantemente variados quanto as próprias estruturas. O feito geral, no entanto, é criar um ambiente e uma impressão que alteram os sentidos e são, muitas vezes, desorientadores. Em esculturas como Cellule à pénétrer adaptée (Célula penetrável adaptada, 1963/2012) ou Formes en contorsion (Formas em contorção, 1971), Le Parc dá ênfase à mutabilidade da percepção. A fragmentação se torna inerente à apreensão de obras nas quais espelhos, luzes refletidas ou projetadas, diferentes tipos de óculos, jogos e interações físicas confundem os sentidos. Assim, perspectivas cambiantes criam um dinamismo interno ou uma instabilidade essencial por meio das quais Le Parc questiona a precisão subjetiva e os modos tradicionais de exibição que, de acordo com o que ele escreve em seu influente texto Guerrilla culturel, servem apenas para perpetuar estruturas sociais de dominação.

 

(…) Para Le Parc, o objetivo é exatamente a interrogação e a reestruturação do entorno imediato. Ele busca uma total cumplicidade que exige do espectador não somente participação ativa, mas também autorreflexão. Dessa forma, a prática de Le Parc vai além do mero espetáculo visual rumo a um envolvimento físico com o presente – a arte enquanto concepção humana, uma que não pode mais permanecer estática ou absoluta.

 

 

Sobre o artista

 

Pioneiro na modalidade, Julio le Parc foi um dos fundadores, em 1960, do Groupe de Recherche d’Art Visuel (1960-68), coletivo de artistas ótico-cinéticos que se propunha estimular a participação dos observadores, amplificando a sua capacidade de percepção e ação. Coerentemente com essas premissas e, de maneira mais geral, com a aspiração, bastante difusa na época, a uma arte desmaterializada ou indiferente às exigências do mercado, o grupo apresentava-se em lugares alternativos e até na rua. As obras e instalações de Julio le Parc formadas apenas por jogos de luz e sombras são fruto direto desse contexto, em que a produção de uma arte efêmera e invendável tinha uma clara conotação sociopolítica.

 

Argentino de Mendoza, Julio Le Parc nasceu em 1928 e hoje vive e produz em Paris. Participou das 2ª e 3ª edições da Bienal de Paris, França (1961 e 1963); da Bienal de Havana, Cuba (1984); e da Bienal do Mercosul, em Porto Alegre, Brasil (1999). Entre as exposições coletivas recentes que integrou estão: Tomorrow was already here (Museo Tamayo, Cidade do México, México, 2012); Level 1 (Centre Pompidou, Metz, França, 2012); Suprasensorial (Hirshhorn Museum, Washington, EUA, 2013; Museum of Contemporary Art, Los Angeles , EUA, 2011); e Uma aventura moderna (Museu Oscar Niemeyer, Curitiba, Brasil, 2009). Exposições individuais recentes incluem: Soleil froid (Palais de Tokyo, Paris, França, 2013); Le Parc – lumière (Biblioteca Luiz Angel Arango, Bogotá, Colômbia, 2007); Verso la luce (Castello di Boldeniga, Brescia, Itália, 2004); e Retrospectiva (Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo, Brasil, 2001). Suas obras fazem parte de acervos como: Museum of Modern Art, Nova Iorque, EUA; Museu de Arte Moderna de São Paulo, São Paulo, Brasil; Tate, Londres, Inglaterra; Museum Bymans-Van Beuningen, Roterdã, Holanda; e Massachussetts Institute of Technology List Visual Arts Center, Cambridge, EUA.

 

Até 30 de novembro.

 

 

Obras inéditas de Sylvia Martins

27/set

A galeria Paralelo, Pinheiros, São Paulo, SP, expõe “ALTER/NATIVAS”, exposição individual de pinturas da artista plástica Sylvia Martins, brasileira radicada em Nova Iorque. Com curadoria de Sergio Zobaran e coordenação de Andrea Rehder e Flávia Marujo, Sylvia Martins exibe 14 trabalhos que traduzem uma nova etapa em seu processo criativo, no qual experimenta técnicas e desdobramentos baseados no próprio ato de pintar.

 

Nesta série inédita, Sylvia Martins parte de um vazio tão intenso que o considera angustiante e, por meio de uma forte energia criativa, insere alguma informação aleatória sobre a tela em branco, como uma simples rajada de tinta, que ao escorrer cria certa textura. A partir de então, o gotejar de cor sobre cor resulta em camadas; A pintura começa a tomar forma, outras cores são introduzidas e um novo elemento surge para dar efeito de oxidação à tela: glitter. Na concepção de Sergio Zobaran, curador da mostra: “Tinta sobre tinta. E um quê de ouro, de brilho seco que transparece, mas nunca pretende dominar a tela. Um glitter que oxida, produz luminosidade, traz coerência.” A ideia da artista não é propor um tema específico. Em suas próprias palavras: “A natureza discursiva da minha pintura quer ser descoberta sem ser traduzida. Na maioria das telas, acho que transmito uma impressão visual de cascatas de cores. Faço uma espécie de narrativa não linear, onde cada tela tem linguagem própria. Vou do ‘very abstract’ até um figurativo sutil, porém elas (as telas) dialogam entre si.”

 

Desprendido de modas, tendências, escolas e discursos de ocasião, o trabalho de Sylvia Martins explora abstrações e, em alguns momentos, delicados elementos alegóricos, evocando imagens da natureza e formas orgânicas. Em “ALTER/NATIVAS”, a artista busca novos caminhos para sua nova fase – tanto no momento de concebê-la quanto em sua exposição. Ou seja, as alternativas fazem referência tanto à técnica na criação das pinturas quanto à possibilidade do observador enxergar, em formas abstratas, o que seu subconsciente lhe sugere.

 

 

Sobre a artista

 

Sylvia Martins nasceu em Bagé, no Rio Grande do Sul. Estudou pintura com Ivan Serpa, no MAM/RJ, Richard Pousette-Dart no Art Student’s League (NYC), e na School of Visual Arts (NYC). Seu tema é a própria pintura, que se cria através da obra, quase abstrações, que evocam imagens da natureza e formas orgânicas. Sylvia realizou inúmeras mostras no Brasil e em outros países como Estados Unidos, Japão, Inglaterra, França, Grécia, entre outros. Suas telas estão em coleções privadas, públicas e coorporativas, como Citibank, Chase Manhattan Bank, ambas nos Estados Unidos, assim como no Centro Cultural Correios – no Brasil. Artista de trânsito internacional, vive e trabalha entre o Rio de Janeiro e Nova Iorque.

 

De 03 de outubro a 09 de novembro.

Nazareno em livro

A Galeria Emma Thomas, jardins, São Paulo, SP, lançou o livro “Num lugar não longe de você”. A edição exibe parte da produção dos últimos dez anos de criação do artista plástico Nazareno. O livro contempla notavelmente os desenhos do artista que em sua obra gráfica mescla o uso de imagens/ palavras/textos (pelos quais é conhecido) os mesmos são plenos de observações ora irônicas, ora poéticas acompanhadas de imagens alusivas a temas associados ao sujeito contemporâneo frente aos desafios cotidianos em sua busca por uma possível transcendência. O material traz um grande número de imagens de obras finalizadas, além de exibir registros dos cadernos de esboços e diários de imagens pessoais possibilitando ao leitor uma aproximação aos elementos que fazem parte do imaginário do artista.

 

Sobre o artista

 

Nazareno, São Paulo, SP, 1967. Vive e trabalha em São Paulo, SP. Nazareno aborda em suas obras aspectos relativos à memória, infância, contos de fadas, narrativas… bem como a fragilidade do sujeito contemporâneo frente à impossibilidade de transcendência. Realizadas em variadas mídias como desenho, esculturas, instalações, vídeos, gravuras, entre outras, são trabalhos que potencializam a atenção do espectador pelo caráter de sua miniaturização evidenciando outras realidades e eventualmente conduzindo o adulto/espectador a um estranhamento em seu rebaixamento a uma condição infantil. Com uma  carreira que conta com exposições nacionais e internacionais nos últimos quinze anos, além de prêmios e publicações em revistas, catálogos e livros de arte as obras do artista estão em diversas coleções públicas e privadas.

Nelson Screnci na Arte Aplicada

24/set

A galeria Arte Aplicada, Cerqueira César, São Paulo, SP, inaugura a mostra “Caminhos”, exposição individual de pinturas do artista plástico Nelson Screnci. Com curadoria de Sabina de Libman, 10 telas inéditas fazem uma analogia entre caminhos reais e os trajetos percorridos pelo artista ao longo de sua carreira. Nesta nova série, Nelson Screnci apresenta pinturas que contém assuntos aparentemente dissonantes, como bibliotecas, paisagens imaginárias, estudos de perspectiva inversa, releituras de flores a partir de quadros históricos, florestas de frontalidades febris, etc. Todavia, analisadas em conjunto, tais temáticas formam um único corpo, atingindo a intenção do artista de explorar os elementos comuns existentes entre as telas.

 

A partir de uma pesquisa concentrada em exercícios de linguagem visual – como a interação entre cores e as articulações das formas -, Nelson Screnci optou pelo uso de cores de forma mais pura, estruturando as relações de tons com maior sutileza. Ao finalizar os trabalhos com camadas finas e transparentes, o artista procura um resultado pleno, de delicadas harmonias. Sobre seu processo criativo, Nelson Screnci observa: “As obras são construídas como uma casa. Primeiro o alicerce, proveniente das ideias iniciais, de exercícios de desenho, ou de alguma inspiração. Depois as outras partes que se assentam sobre esta primeira composição, como o desenho estrutural, a eliminação de excessos e a determinação das áreas de cor básicas. E, finalmente, cobrindo tudo, o trabalho poético de construção de uma imagem final, com jogos de luzes, definição de detalhes, texturas e tons de cores variados.”

 

Com o título de certa forma metafórico – no sentido de que os “caminhos” também se referem a sua própria trajetória -, Nelson Screnci revela seu universo de indagações e deixa ao espectador a tarefa de identificá-las. “Talvez as obras de arte sejam mesmo isto para o espectador: marcas do pensamento e da sensibilidade humana, deixadas nas trilhas do tempo para lembrar aos que vierem depois que por ali passou alguém sonhando com coisas às vezes só realizáveis pela arte, ou pela imaginação de quem cria.”, diz a curadora Sabina de Libman.

 

 

Sobre o artista

 

Nascido em São Paulo, em 1955, Nelson Screnci é artista plástico, professor de Artes Visuais e de História da Arte. Formado na FAAP em 1982, recebeu no ano seguinte o Prêmio Pirelli-MASP. Desde então participa ativamente do circuito cultural realizando palestras, cursos, artigos e exposições. O seu trabalho integra também o acervo de importantes museus nacionais e internacionais, além de servir de referência em diversas publicações culturais. Utilizando-se de recursos compositivos tais como a multiplicação de imagens ou a analogia entre obras históricas, propõe um exercício criativo e poético com a intenção de provocar no expectador o questionamento da condição humana diante da realidade contemporânea.

 

 
De 28 de setembro a 19 de outubro

Fortes Vilaça 1

19/set

Recebeu o título de “Desenhos”, a nova exposição individual de Iran do Espírito Santo na Galeria Fortes Vilaça, Vila Madalena, São Paulo, SP. A mostra traça um panorama histórico da produção de desenhos do artista, que vai de 1993 à produção atual, apresentando um recorte de 108 trabalhos, inéditos em sua grande maioria. O desenho está presente em toda a produção artística de Iran do Espírito Santo. É a maneira como organiza seus pensamentos, onde o trabalho bidimensional informa a prática tridimensional e vice-versa. Sua produção sobre papel é extensa e os trabalhos selecionados para a mostra procuram abranger esta diversidade. São desenhos feitos com os mais diversos materiais, tais como carvão, caneta, pastel, aquarela e grafite.

 

A seleção de obras da mostra privilegia os trabalhos onde o desenho é o meio e muitas vezes o assunto. “SPRD” é uma série de desenhos recentes, dos quais 14 serão apresentados na exposição. O título é um termo usado em publicações para designar duas páginas abertas de um livro, aqui desenhadas pelo artista com linhas muito finas, em grafite, traçadas paralelamente umas às outras. Outra série apresentada é a “Line and Shadow”, de 2010, onde vemos apenas duas singelas linhas dispostas formando diferentes ângulos.

 

Os três trabalhos mais antigos da mostra, de 1993, são desenhos de observação de peças do vestuário. “Jacket” , “Shoes” e “Shirt’ diferem muito da maioria dos trabalhos guardando no entanto um enorme interesse pelo detalhamento das superfícies. Em “Project for Corrections”, de 2000, Iran desenha pedras facetadas de diferentes tamanhos que futuramente ele realizaria como esculturas, e “Study for Extension” é um projeto realizado em 1997 para uma pintura na parede do SFMOMA. Um livro inteiramente dedicado aos desenhos de Iran do Espírito Santo está em produção e será lançado – em 2014 – com todos os desenhos presentes na exposição atual.

 

Sobre o artista

 

Iran do Espírito Santo nasceu em Mococa em 1963 e vive e trabalha em São Paulo. Já participou de diversas exposição importantes dentre as quais: as 48ª e 52ª Bienais de Veneza, a 19ª Bienal Internacional de São Paulo, a 6ª Bienal de Istambul e a 5ª Bienal do Mercosul. Retrospectiva realizada em 2006/2007 no MAXXI, Museo Nazionale delle Arti del XXI Secolo, Roma; no Irish Museum of Modern Art, Dublin; e na Estação Pinacoteca, São Paulo. Suas obras figuram nas coleções do MoMA, Nova York; do Museum of Contemporary Art de San Diego; do MAXXI, Roma, entre outras. Este mês o artista inaugura sua primeira escultura pública nos EUA, como parte do programa Public Art Fund; a obra ficará na praça Doris C. Freedman, na entrada do Central Park, até fevereiro de 2014.

 

Até 09 de novembro.