Fortes Vilaça 2 – Galpão

19/set

“San Marco” é a segunda exposição individual de Mauro Restiffe na Galeria Fortes Vilaça. Agora, o artista ocupa o espaço do Galpão Fortes Vilaça, Barra Funda, São Paulo, SP,   com onze fotografias inéditas tiradas dos afrescos pintados por Fra Angelico dentro das celas dos frades no Mosteiro de San Marco, em Florença, Itália.

 

A investigação poética de Restiffe sobrepõe a linguagem documental e a referências da história da arte e da fotografia. A utilização do filme analógico preto e branco de alta sensibilidade não é aleatória, é um recurso formal que possibilita ao artista trabalhar a ideia de representação e de uma desconstrução do real. A granulação das imagens e as gradações de cinza funcionam como a tinta em uma tela – suas fotos são repletas de textura.

 

As obras da mostra rompem com a frontalidade de enquadramento características de outros trabalhos do artista. A fotografia é feita de modo que uma área homogênea escura fica em primeiro plano mas onde ainda assim é possível ver, através das sutis gradações de cinza, os detalhes dos arcos da entrada de cada cela. A questão arquitetônica constantemente presente na obra de Mauro aparece também aqui. O artista tira as fotos todas de um mesmo ângulo, usando o arco como um elemento repetido em uma estrutura minimalista.

 

Há um certo voyeurismo presente nas imagens que surge como uma novidade em seu trabalho. Os afrescos ficam ao fundo, distantes, como se olhássemos através de um buraco de fechadura. Mas diferentemente do que acontece no mosteiro, onde cada afresco é visualizado individualmente, na mostra é possível ver todos como um conjunto, assim observando as mínimas nuances e diferenças entre cada imagem.

 

As situações de representação e reprodução de obras de arte já foi abordada pelo artista em outras ocasiões. Na sua série “Vermeer”, em exposição atualmente em Inhotim, Brumadinho, Minas Gerias, Mauro Restiffe fotografa uma mesma obra do pintor holandês de várias maneiras. Já na exposição “Planos de Fuga” realizada pelo CCBB em 2012, a participação do artista se deu através da documentação de todas as obras da mostra.

 

Sobre o artista

 
Mauro Restiffe nasceu em São José do Rio Pardo em 1970 e vive e trabalha em São Paulo. Entre suas exposições individuais, destaca-se sua recente exposição individual “Obra” no MAC São Paulo, ainda em cartaz até outubro de 2013, com fotografias feitas durante a reforma do prédio projetado por Oscar Niemeyer. O artista participa ainda este ano da Bienal de Fotografia do MASP e do Panorama de Arte Brasileira do MAM de São Paulo. Sua obra está presente nas coleções do Inhotim, Brumadinho; Tate Modern, Londres; SFMOMA, São Francisco; Museu de Arte Moderna de São Paulo, entre outras.

 

Até 09 de novembro.

 

 

Novo espaço

18/set

Novo espaço ao lado do Parque Trianon, TRANSARTE,  em frente ao Trianon, São Paulo, SP, é inaugurado com obras do artista residente Timothy Cummings. Local para realizar ações expositivas, receber artistas residentes, promover obras sem referência local, que desafiem temáticas e os limites da representação, assim é o Transarte, novo espaço paulistano concebido por Lena Peres Oliveira no qual o artista norte-americano Timothy Cummings que, depois de mais de um ano de Brasil, produziu as cerca de 20 obras reunidas na mostra, com texto de apresentação de Jorge Colli. São pinturas em acrílico sobre madeira e obras em papel – intervenções em impressões na técnica digital print.

 

A obra de Cummings é referencial ao projeto que busca oxigenar o circuito artístico. A definição do artista, pela revista inglesa Rooms, dá uma pista da liberdade que o espaço pretende abrir ao introduzir novas possibilidades às narrativas contemporâneas: “Pintor, cineasta, escultor, mas, acima de tudo, artista autodidata com foco claro na agenda de coisas vivas estranhas e misteriosas. Temas cativantes como a infância, o macabro, a beleza e a decadência são explorados em sua obra por uma densa camada de fascinação e loucura”. Lena Peres Oliveira conheceu o artista durante os seis anos em que trabalhou na galeria Catherine Clark que o representa em São Francisco. “Uma das questões que Timothy trata em sua obra é a de “gender” – gênero e também este é um dos temas que a Transarte está interessada, por isso sou entusiasta desde local em que estamos, tão próximo ao Trianon, diz a mentora do projeto.

Para Jorge Colli, a arte de Cummings que já foi remetida ao surrealismo, rompe qualquer classificação ao tratar de memória vivida e imaginada e memória fantástica. “Timothy Cummings consagrou sua vida a desenhar, pintar, numa respiração que mistura memória e devaneio, imagem e imaginação”, afirma o crítico. Segundo ele, ainda, a inocência é uma chave para se entrar na obra do artista, uma inocência nunca perdida, mas contrariada e poeticamente dolorosa. “Poesia da forma, poesia da imagem, doçura vazia dos olhares, elegância dos gestos, sugestão ambígua dos corpos, em que a sexualidade, como nos tempos da infância, abole a fronteira entre os sexos e instaura um clima erótico perturbador, prenhe de um decadentismo seguro de si: seguro de si pela própria inocência, verdadeira, essencial”, completa.

 

 

 
Sobre Timothy Cummings

 

Nasceu em Albuquerque, New Mexico, 1970, autodidata cuja narrativa e pinturas são primorosamente criadas de tal forma a desafiar sua falta de treinamento formal. A temática de sua obra normalmente consiste em crianças e adolescentes presos no mundo dos adultos e lutando com questões como sexualidade e orientação sexual. Representado pelas Galerias Catharine Clark na Califórnia e Nancy Hoffman em Nova Iorque, seus trabalhos participaram de exposições pelos Estados Unidos incluindo a San Francisco State University, o Yerba Buena Center for the Arts e a Galeria LACE, na Califórnia; The Art Museum e  a Florida International University, em Miami.

 

 

 
Sobre Maria Helena Peres Oliveira

 

Nasceu em São Paulo, 1960, formada em Química, foi docente e trabalhou em publicidade até o final da década de 80, quando se estabeleceu em São Francisco (EUA) onde completou seus estudos com mestrados em “Marketing” e “Arts Administration”. Neste mesmo período foi assistente de pesquisa de perfil de público do diretor de marketing do San Francisco Modern Art Museum (SFMOMA). Respondeu também pelo departamento de merchandising da San Francisco Opera House, gerenciou a galeria de arte contemporânea Catharine Clark Gallery e supervisionou a comunicação da San Francisco Art Dealers Association. Retornou ao Brasil em 2002, quando  se dedicou à produção e coordenação de exposições nacionais (CCBB, Pinacoteca, Memorial da América latina e MON de Curitiba) e internacionais a convite do Itamaraty na Índia, Inglaterra e Bélgica, e em instituições como o Circolo de Bellas Artes de Madrid (Espanha), e a Maison de L’Amerique Latine em Paris (França). É mestranda na área de Bens Culturais da FGV.

 

De 19 de setembro a 19 de dezembro.

 

Antônio de Dedé: Esculturas

12/set

Com curadoria de Roberta Saraiva, a Galeria Estação, Pinheiros, São Paulo, SP, apresenta 38 esculturas na individual do artista alagoano Antônio de Dedé que, em 2012 participou da coletiva “Histoires de Voir”, organizada pela Fundação Cartier, em Paris, e do projeto “Teimosia da Imaginação”, livro, documentário e exposição no Instituto Tomie Ohtake. Autodidata, Antônio de Dedé aprendeu a arte observando o pai trabalhar a madeira na carpintaria e diz ter uma relação “transparente com a sua criação”. Segundo ele, sua habilidade é um dom que surgiu da vontade de recriar o trabalho do pai. O resultado deste talento herdado pode ser visto neste conjunto de peças inusitadas, mas que fazem parte da sua realidade, como animais, santos e figuras humanas, com cores e tamanhos variados até dois metros de altura.

 

Antônio de Dedé começou a talhar aos 8 anos, criando brinquedos como carrinhos, aviões e peões que vendia pela vizinhança. Na adolescência, a sua obra se desenvolveu quando passou a trabalhar em uma olaria, onde usava o barro para “queimar os bonequinhos junto com as telhas” e, com isso, começaram a surgir patos, bonecos e cavalos modelados, queimados e pintados. “No meu trabalho, eu tava descobrindo o ouro”, conta o artista. Com o tempo, a olaria foi se extinguindo e de Dedé começou a usar a madeira como matéria prima principal para suas esculturas.

 

Sempre com muita cor, é possível encontrar peças de pequena escala com membros de proporção naturais, no entanto, o trabalho do artista é característico por suas esculturas geralmente verticais, com extremidades comprimidas, nas quais o corpo alongado com pés pequenos e os braços sem fim com mãos encolhidas geram um contraste particular. Para a curadora Roberta Saraiva, “as peças ganharam corpo e tamanho e se estabeleceram numa verticalidade de proporções curiosas, de expressão e colorido ricos, que fazem lembrar as carrancas que outrora se erguiam à proa dos barcos do rio São Francisco.” Com dentes, olhos arregalados, bigode, sobrancelha e unhas pintadas, cada detalhe dos personagens esculpidos por de Dedé é extremamente marcado.

 

A expressividade do entalhe e a dramaticidade de cada peça são características marcantes na obra de Antônio de Dedé. Um trabalho que, segundo a curadora, “se encaixa perfeitamente no conceito de arte popular, sobretudo se essa marca estiver ligada ao sentido da origem rural do artista e de sua magnitude com relação ao mercado da arte – mas também se encaixa em outros rótulos, se observada a complexidade de uma cosmogonia própria em primeiro plano.”

 

 

Sobre o artista

 

Antônio de Dedé nasceu em Lagoa da Canoa, AL, 1957. Seu nome civil é Antônio Alves dos Santos, filho de Dedé Lourenço, mora com os cinco filhos em sua cidade natal. Começou esculpindo seus brinquedos na infância. Assim como muitos artistas populares, migrou para a madeira por conta da escassez do barro. Seus primeiros trabalhos ainda eram de pequeno porte. Depois vieram as figuras do touro e do tigre, longilíneas e com os membros reduzidos, anunciando a proporção “esticada” dos trabalhos futuros do artista.

 

De 12 de setembro a 31 de outubro.

 

 

Galeria Pilar comemora 2 anos

10/set

A Galeria Pilar, Santa Cecília, São Paulo, SP, comemora seus dois anos de atividades com exposição panorâmica da artista argentina Marta Minujín. A mostra tem curadoria do argentino Rodrigo Alonso e reúne importantes obras da carreira da artista, desde sua produção efêmera e pioneira em instalações de ambiente dos anos 1960 até trabalhos mais recentes, da última década.

 

Na exposição, constam documentações e croquis de performances e instalações históricas, como “Obelisco Acostado”, realizada na Bienal de São Paulo, em 1978; e a ação “Repollos”, realizada em 1977, no MAC-USP. A mostra traz ainda a celebrada série de seis fotografias da ação “O pagamento da Dívida Argentina”, realizada com Andy Warhol, em 1985, em Nova York, desdobramentos dos famosos colchões do anos 1960, além da escultura “Catedral para o Pensamento vazio”.

 

No mesmo período da mostra em São Paulo, a artista recria um de seus mais importantes trabalhos na 9a Bienal do Mercosul 2013, que ocorre entre 13de setembro e 10 de novembro de 2013 em Porto Alegre. Apresentada originalmente em 1966, no Instituto Torcuato de Tella, em Buenos Aires, a obra “Simultaneidad en Simultaneidad”, trata-se de um projeto internacional denominado “Three Countries Happening”, concebido em colaboração com os artistas Allan Kaprow (desde Nova York) e Wolf Vostell (desde Berlim). De Buenos Aires, Minujín usava todos os meios de comunicação (tv, telex e rádio), para criar uma invasão de mídia instantânea.

 

Sobre a artista

 

Marta Minujín é uma figura emblemática na história da autogestão de projetos na Argentina. Incansável “projetista”, Minujín transitou por múltiplas experiências durante sua produção. No início dos anos sessenta, realizava performances de caráter efêmero, como “La destruccíon”, realizada em Paris em 1963. Essa sua primeira obra autodenominada Happening, na qual convocou os artistas Alejandro Otero, Carlos Cruz Diez e Christo, para queimar e destruir seus trabalhos expostos

 

Até 26 de outubro.

 

Cristina Canale em Ribeirão Preto

30/ago

O Instituto Figueiredo Ferraz, Alto da Boa Vista, Ribeirão Preto, SP,  recebe a exposição “Protagonista e Domingo“, com obras de autoria da artista plástica Cristina Canale. São, ao todo, sete pinturas sobre tela e seis sobre papéis, que têm em comum o foco em uma figura centralizada, que protagoniza cenas cotidianas com um clima de still cinematográfico. Com curadoria da própria artista, a exposição tem apoio cultural da Galeria Marcelo Guarnieri.

 

Cristina Canale apresenta uma técnica que revela traços bastante singulares, com paisagens que retratam um mundo líquido, misturando cores de maneira harmônica.  Segundo a artista, “…esta exposição, assim como o meu trabalho atual, lida com noções de presença e ausência, com obras que oscilam entre a pintura pura e a narração figurativa”. Atualmente, a artista vive e trabalha em Berlim, na Alemanha, mantendo seu ateliê na capital carioca para longas temporadas de produção.

 

Sobre o Instituto

 

O Instituto Figueiredo Ferraz (IFF) é um espaço concebido para difusão de arte e cultura. Localizado na cidade de Ribeirão Preto, em São Paulo, busca trazer à cidade e região discussões e debates sobre as mais importantes manifestações artísticas no cenário nacional e internacional. Com vocação para as artes plásticas, o Instituto tem como ponto de referência a coleção Dulce e João Carlos Figueiredo Ferraz, em caráter permanente, e se propõe a trazer exposições temporárias, através de parcerias com as mais importantes instituições culturais do País. Para aproximar o público ao debate e estimular reflexões, o IFF oferece, além das exposições, um calendário de cursos e palestras com artistas, críticos, curadores e outros agentes das mais diversas áreas culturais.

 

Até 14 de Setembro.  

 

Correspondências. Mostra inaugural

23/ago

Com a exibição da mostra coletiva “Correspondências”, a Galeria Bergamin, realiza sua estreia no circuito de arte contemporânea. O espaço situa-se à rua Oscar Freire, 379, loja 01, Jardins, São Paulo, SP. A mostra é apresentada por Felipe Scovino. Para o evento inaugural foi selecionado expressivo elenco de nomes pontuais da arte brasileira. Entre os participantes da exposição constam obras em técnicas diversificadas como pinturas, objetos, esculturas e fotografias, assinadas por Adriana Varejão, Alair Gomes, Cildo Meireles, Emanuel Nassar, German Lorca, Hélio Oiticica e Neville D’Almeida, José Bento, José Resende, Lygia Pape, Mauro Restiffe, Miguel Rio Branco, Montez Magno, Nelson Leirner, Paulo Roberto Leal, Raymundo Colares, Sérgio Camargo, Thiago Rocha Pitta, Vik Muniz, Waltercio Caldas, Wanda Pimentel, Luciano Figueiredo e Marcelo Cidade.

 

 

 

Texto de Felipe Scovino

 

Nessa exposição, que inaugura o novo espaço e momento da Galeria Bergamin, o que se apresenta são estratégias de correspondência. Para além da heterogeneidade de discursos, propostas e suportes, estão diante de nós diálogos, associações e afinidades. Em alguns casos, regidos por uma ironia (como nas obras de Emmanuel Nassar e Nelson Leirner) ou associações livres e poéticas que nos fazem pensar na ampliação do suporte feito por quem homenageia (como são os casos das obras de German Lorca, Miguel Rio Branco e Thiago Rocha Pitta, nas quais a fotografia transita em direção a pintura, ganhando texturas, luz, elementos táteis, pulsantes que a faz estar em uma situação fronteiriça). As oposições também existem, seja através das formas, técnicas, linguagens e assuntos, sem, entretanto, formar um sentido geral definitivo ou hierarquizá-los prematuramente, isto porque a abrangente condição artística na sua atualidade não se fixa em parâmetros históricos e critérios artísticos precisos e definitivos. As homenagens a Lucio Fontana são um exemplo disso. O seu romântico corte abrupto, seco e libertador sobre a tela transforma-se na obra de Leirner em um abrir e fechar zíperes. Passamos a rasgar o tecido numa atitude explicitamente dadá. Por outro lado, na obra de Adriana Varejão a tela se transforma numa epiderme na qual os azulejos se revelam como um corpo violentado.

 

As correspondências não estão somente apresentadas nas homenagens feitas pelos artistas a seus colegas, mas conseguimos perceber nessa correspondência livre e direta, as predileções, argumentos e diálogos que acontecem entre homenageado e quem homenageia.  A diversidade e heterogeneidade não estão só nos temas, assuntos ou conteúdos, mas também – e aqui é outro ponto de qualidade da exposição, a sua capacidade de revelar a multiplicidade de pesquisas na contemporaneidade – nas linguagens e nas mídias nas quais as obras podem aparecer ora como pintura, escultura ou fotografia, ou ainda como algo de indefinida e incerta sistematização.

 

 

De 08 de agosto a 28 de setembro.

MARISCAL NO TOMIE OHTAKE

Reafirmando seu compromisso de realizar mostras de artes plásticas, arquitetura e design, o Instituto Tomie Ohtake , Pinheiros, São Paulo, SP, traz, em parceira com a Tok&Stok, a exposição “Todas as cores de Mariscal” apresentando o universo multidisciplinar e irreverente de Javier Mariscal, um dos designers mais criativos e versáteis da atualidade. A mostra é construída a partir do desenho e das cores, ferramentas básicas com as quais trabalha o designer catalão, que ganhou fama mundial ao criar o bonequinho “Cobi”, mascote dos Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992.

 

Responsável pela curadoria da exposição, o Estúdio Mariscal traz cerca de 60 obras, entre mobiliário, objetos, luminárias, pinturas, desenhos, brinquedos e projetos gráficos do criador da animação “Chico & Rita”, ambientada na Havana dos anos 40, que concorreu ao Oscar de 2012. A produção de Mariscal guarda como identidade a forte gestualidade do traçado à mão, o desenho – sempre seminal em todo o seu processo criativo –, que resulta numa variada gama de imagens e objetos que aludem a um universo único. “Mariscal joga com as formas e as cores para criar esse universo tão pessoal e artístico onde teima em celebrar a alegria de viver”, destaca a curadoria.

 

Com mais de trinta anos de intensa atividade, Javier Mariscal desenhou objetos para as mais prestigiadas empresas. Moroso, HP, Camper, Uno, Absolut, H&M, e Magis são algumas das marcas que apostaram no estilo versátil do designer espanhol. A exposição pretende submergir o espectador no universo da “fábrica Mariscal”, e assim introduzi-lo ao coração do seu processo criativo e fazê-lo perceber, através dessa experiência, o impulso vital gerado por Javier Mariscal e sua equipe.

 

 

Sobre o artista:

 

Javier Mariscal nasceu em Valencia, 1950, atua em todas as disciplinas do design: mobiliário, interiores, gráfico, paisagismo, pintura, escultura, ilustração, multimedia e animação. Junto com a equipe do Estudio Mariscal, fundado em 1989, o designer realizou, entre muitos trabalhos, a criação do Mascote dos Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992; o design de interior e gráfico da H&M Barcelona; o décimo primeiro andar do Hotel Silken Puerta America, em Madri; a imagem gráfica da 32ª. Edição da America´s Cup; a identidade gráfica e campanhas de comunicação para a Camper for Kids; exposições sobre sua obra em La Pedreira de Barcelona e no Design Museum de Londres; a divulgação da nova Lei Infantil da Catalunha e ainda publicou os livros Mariscal Drawing Life e Sketches. Em 2010 estreou o longa-metragem de animação Chico & Rita, co-dirigido com Fernando Trueba, que concorreu ao Oscar em 2012. Em 2013 lançou seis versões completamente inovadoras e divertidas da famosa Hello Kitty.

 

Até 29 de setembro.

 

No Galpão Fortes Vilaça

15/ago

Chama-se “O problema de Molyneaux”  a segunda individual de João Maria Gusmão e Pedro Paiva em São Paulo, cartaz no Galpão Fortes Vilaça, Barra Funda, São Paulo, SP. Destaque na atual edição da Bienal de Veneza, os artistas apresentam fotografias, esculturas em bronze e filmes em 16mm, todos recentes ou inéditos.

 

Gusmão e Paiva exploram referências ao existencialismo na tradição filosófica, à literatura metafísica assim como ao proto-surrealismo de Alfred Jarry. O título da exposição é extraído de uma questão filosófica, proposta por William Molyneux a John Locke sobre a recuperação da visão. Um homem nascido cego, que sente a diferença entre formas, tais como uma esfera e um cubo, poderia também distingui-las pela visão caso pudesse começar a ver? O problema é comentado por Locke em seu Ensaio acerca do Entendimento Humano sobre as bases do conhecimento e dos mecanismos de cognição da mente humana.

 

Na primeira sala de exposição, oito esculturas de bronze propõem alegorias sobre a natureza das imagens, ilusões óticas e fenômenos físicos. Em Coisas Redondas, uma série de objetos circulares são conectados de forma que parecem ser quadrados sob certos ângulos. Bola de tênis reproduz o movimento de uma bolinha quicando sobre o pedestal. Cavaleiro é uma imagem distorcida que também cria uma ilusão de tridimensionalidade sob determinado ponto de vista. Uma vez que aludem com humor à linguagem científica, estes objetos revelam a natureza narrativa da ciência e da filosofia em suas tentativas de apreensão do mundo.

 

A segunda sala de exposição foi transformada numa grande sala de projeção com cinco filmes curtos em 16mm. Na grande tela as sequências se desenrolam em loop. Três sóis se põem entre rochedos, um homem cego devora um mamão papaia e frutos geometrizados rodopiam no ar como se fossem um sistema planetário. O ruído do projetor ⎯ os filmes não têm som ⎯ é uma lembrança permanente da materialidade das imagens.

 

Sobre os artistas

 

João Maria Gusmão, Lisboa, 1979 e Pedro Paiva, Lisboa, 1978, colaboram criando objetos, instalações e filmes em 16 e 35mm desde 2001. Já participaram de diversas Bienais, tais como: 8ª Bienal de Gwangju, Coréia do Sul, em 2010; 53ª Bienal de Veneza, 2009, na qual representaram Portugal; 6ª Bienal do Mercosul, Brasil, em 2007; 27ª Bienal de São Paulo, Brasil, 2006. Dentre suas exposições individuais, destacam-se: em 2011, Alien Theory, no Frac Île-de-France, Le Plateau, Paris; There’s nothing more to tell because this is small, as is every fecundation, no Museo Marino Marini, Florença; Tem gwef tem gwef dr rr rr no Kunsthalle Dusseldorf; em 2010 e On the Movement of the Fried Egg and Other Astronomical Bodies, na Ikon Gallery, Birmingham.

 

De 10 de agosto a 14 de setembro.

“In Motion” na Raquel Arnaud

A Galeria Raquel Arnaud, Vila Madalena, São Paulo, SP, apresenta a exposição coletiva “Em Movimento” (“In Motion”) na qual destacam-se os mais significativos artistas em abstração cinética que a marchande Raquel Arnaud vem trabalhando ao longo dos anos. A exposição reúne 14 obras assinadas por nomes seminais como Carlos Cruz-Diez, Jesús Rafael Soto, Luis Tomasello e François Morellet dividem o espaço do primeiro piso da galeria com trabalhos dos artistas Dario Pérez-Flores e Hugo Demarco, da segunda geração e ainda com Elias Crespin e Wolfram Ullrich. A primeira exposição desta vertente artística na galeria foi do venezuelano Carlos Cruz-Diez, em 1987. Segundo Raquel Arnaud, a presente coletiva é uma homenagem ao artista, que em 2013 comemora 90 anos. A galeria também introduziu Jesús Rafael Soto no circuito brasileiro. Paralelamente, no segundo piso, a paulistana Silvia Mecozzi apresenta a individual “Branco de Si”, exposição que reúne trabalhos em mármore realizados pela artista no último ano.

 

 Sobre os artistas:

 

Carlos Cruz-Diez, 1923, Venezuela. É internacionalmente reconhecido pelas suas Fisicromias e Cromointerferências nos espaços e pelas suas obras esculturais em grande escala que exploram a teoria e a prática de cor.

 

Jesús Rafael Soto, 1923-2005, Venezuela. Tempo e movimento foram as principais preocupações nas obras de pintura e escultura e na arte cinética do artista venezuelano. Famoso pelos seus “Penetráveis”, esculturas em que o observador pode atravessar e interagir, Soto mudou para Paris em 1951, onde travou conhecimento com alguns artistas alemães e suíços, entre os quais Josef Albers, e passou a tratar a independência da cor para resolver conscientemente o que chamava de “a ambivalência especial da cor”.

 

Luis Tomasello, 1915, Argentina. Após seus estudos em Buenos Aires, mudou-se para Paris em 1957, onde se juntou a um grupo de artistas cinéticos e de OP arte. Tornou-se conhecido pelas suas “Atmosferas cromáticas”, esculturas fragmentadas que mudavam o padrão das cores, luz e sombra.

 

Dario Pérez-Flores, 1936, Venezuela. Sobre a influência de Jesús Soto e Carlos Cruz-Diez, Pérez-Flores se juntou ao movimento ótico de 1970. Criou trabalhos que sutilmente geram uma vibração ótica, uma atmosfera cromática mutante, atraindo o espectador ao centro da obra.

 

Hugo Demarco, 1932-1995, Argentina. Demarco começou cedo a expandir sua prática na pintura, explorando novos materiais que permitiram sua diferente abordagem com a cor. Mesmo declarando nenhuma afiliação, seus trabalhos combinam a herança do construtivismo e a ampla tradição da Bauhaus, a autonomia da arte e sua natureza experimental. Focando a cor e o movimento, ele pinta telas e cria relevos e objetos motorizados que desafiam a percepção do espectador.

 

François Morellet, 1926, França. Para o artista francês um trabalho de arte basta por si só. Seus títulos são sofisticados e descrevem as condições da produção da obra. Em sua extensa carreira trabalhou com inúmeros materiais, mas determinado a encontrar um novo modo de expressão, começou a usar o neon em 1963, material cujas especificações como luminosidade e o fato de ser manufaturada, o interessavam.

 

Elias Crespin, 1965, Venezuela. Suas esculturas – eletrocinéticas – são composições simples de figuras geométricas, que suspensas por fios invisíveis e animadas mecanicamente por complexas formas matemáticas computadorizadas, geram movimentos de extrema leveza e harmonia.

 

Wolfram Ullrich, 1961, Alemanha. Trabalha com abstrações geométricas tridimensionais. Suas obras lidam com o ambiente espacial da instalação, dinamizando as relações entre espaço e movimento como variáveis constantes.

 

 Até 14 de setembro.

Suzuki no Espaço Citi

14/ago

O Espaço Cultural Citi, Paulista, São Paulo, SP, inaugurou exposição “Yukio Suzuki – O Exato Momento da Inefável Aparência das Coisas”, mostra póstuma de pinturas e desenhos. A curadoria é do crítico Jacob Klintowitz. Trata-se de uma exposição de rara oportunidade, pois o artista sempre foi muito discreto no seu convívio público. E é uma mostra de imensa delicadeza pois este é o perfil de sua obra.

Yukio Suzuki por Jacob Klintowitz
Yukio Suzuki.

 

O exato momento da inefável aparência das coisas.

Um homem contempla a imagem de um homem projetada num espaço sem registro e parâmetros. Espaço no qual está ausente a gravidade. Um espaço na Terra que parece não pertencer à Terra. Nem a gravidade da atração dos corpos, nem a gravidade de comportamento do homem que sabe o que seja a realidade. Em Yukio Suzuki a verdade é um complexo sistema de aparências, reflexos da aparência e percepção de sombras.

 

Yukio Suzuki, 1926-2004, foi um artista único, inventor de visualidades sutis. Foi pioneiro da ideia de apropriação, que nele foi grandiosa: certo dia ele se apropriou da praia de Copacabana. Na foto lá está Yukio, sereno, e uma pedra com a sua assinatura pousada na areia mais conhecida do país. E, ao mesmo tempo, foi o mais silencioso dos artistas. Ele tinha a convicção de que a obra falava por si mesmo. Era assim que se movia.

 

Suzuki não sabia de realidade nenhuma que não fosse a de imagens existentes em dois planos, o físico e o pressentido. Ou, talvez, em três, o físico, o psíquico e o de uma sensação intuída, habitante em lugar desconhecido. E é esta intuição, além da categorização, distante da nomeação, o que se impõe no seu percurso. Yukio Suzuki é o artista que registra o sistema do que não está sistematizado, do existente apenas porque sentido por um ser humano.

 

A comprovação da existência desta intuição, o que lhe dá súbita corporeidade, é ter sido captada por este artista que se entrega à ela, que aceita o luminoso mundo, já distante das sombras, que se impõe a ele como um modelo absoluto e ao qual ele se submete e dedica a vida. Sentir é o objetivo do artista e com uma delicadeza infinita apesar de humana, ele assinala este sentimento do mistério. É uma arte do inefável e ele, de uma modéstia infinita apesar de humana, está a serviço do inefável e é o seu sacerdote.

 

Poucas vezes encontramos um artista tão disponível e que se deseja instrumento de seu sentimento do mistério. Talvez, em algum momento, este artista sorriu diante de seu continente descoberto, do imerso que emerge, mas este sorriso não aflorou e permaneceu, também ele, como um movimento interior, como o reconhecimento de que ele encontrara a sua verdadeira pátria, o lugar dos reflexos da aparência, o desfiladeiro das sombras, o horizonte do arco-íris, o continente do inefável, que parece o ter escolhido como porta-voz.
Até 11 de outubro.