Na Hebraica

17/dez

A artista plástica Nair Kremer inaugura “Territórios Afetivos”, uma exposição bastante original na Galeria de Arte “A Hebraica”, Jardim Paulistano, São Paulo, SP, com curadoria de Berta Waldmam. Nair Kremer exibe séries compostas por diferentes suportes e técnicas, como desenhos, pinturas, serigrafias, gravuras e instalações, fazendo uma homenagem à Clarice Lispector.

 

Em “Territórios Afetivos”, Nair Kramer pauta-se em títulos de livros da escritora, redimensionando imagens em diversas composições, conforme os espaços e suportes utilizados. Assim, “A paixão segundo G. H.” é colocada como um quebra-cabeça; “Água-viva”, em serigrafias sobre jornal; “A Descoberta do Mundo”, são serigrafias sobre papel Couchet, trabalhadas com tinta acrílica; “Perto do Coração Selvagem”, tornou-se gravuras; “O Ovo e a Galinha”, foi brindado com estruturas arquitetônicas em madeira; “Laços de Família”, ganhou pinturas a óleo; “A Hora da Estrela”, recebeu composições e fotomontagens.

 

Um paralelo entre a artista e a escritora pode ser traçado a partir do processo de criação em que ambas se baseiam, pois a construção da obra se faz por acréscimo, ou seja, fragmentos migratórios retirados de seu lugar de origem, reinstalam-se na composição de novos objetos textuais e plásticos, os quais esperam ser re-significados. “Esses diálogos em diferentes direções favorecem os efeitos circulares, as vozes em eco, que assombram tanto a ficção de Clarice quanto a obra plástica de Nair.”, comenta entusiasmada a curadora Berta Waldmam.

 

 

De 23 de dezembro a 18 de fevereiro de 2014.

Duas mostras de Antonio Henrique Amaral

11/dez

O artista plástico Antonio Henrique Amaral inaugura, aos 78 anos, duas exposições em São Paulo. A primeira acontece na Pinacoteca do Estado, Praça da Luz; e a segunda estará em cartaz na Caixa Cultural, Praça da Sé. Para o jornalista Silas Martí, a obra do artista saiu no início “…do verde ao amarelo e ocre, … frutas que dominaram cerca de 200 pinturas do artista nos anos 1960 e 1970, entraram para a história da arte brasileira como metáfora tropical dos descaminhos da ditadura que começou com o golpe de 1964”.

 

Suas bananas estrearam com um estrondo em 1968, no auge da arte pop e da nova figuração, que dissolviam a austeridade do concretismo e viraram uma espécie de síntese colorida da tropicália de Caetano Veloso e Gilberto Gil. No começo, elas eram verdes, saudáveis, exuberantes. Depois, amadureceram até apodrecer. Foram parar no prato, destroçadas por garfos e enforcadas por cordas até que não sobrasse mais nada Agora, quase três décadas depois do fim da ditadura, Amaral e suas bananas são relembradas nessas duas mostras em São Paulo – uma retrospectiva com 160 obras na Pinacoteca  e a exposição de 100 desenhos e gravuras na Caixa Cultural. A curadoria da mostra da Pinacoteca é de Maria Alice Milliet,  que  vê uma série de elementos nas polêmicas telas. “A banana é o fálico, a latinidade, o luxuriante, o tropicalismo”, afirma. “Elas serviam para tudo.” Também serviram para alçar o artista ao panteão de sua geração no circuito das artes visuais no país.

 

 

A palavra do artista

 

“Queria esculhambar com o governo militar, que estava reduzindo o Brasil a mais uma república das bananas, como eram as republiquetas centro-americanas”.

 

“Meu desafio era pintar e, ao mesmo tempo, refletir sobre a tortura e as prisões numa coisa explosiva, sarcástica, de deboche.”

 

Ele lembra que na ditadura os censores do regime notaram as pencas de ironia plasmadas nas telas. “Mas eles cairiam no ridículo fechando uma exposição de bananas”, afirma. “Esse foi meu jeito de fazer uma sátira sem ser massacrado por eles.”

 

Sou um incoerente confesso”, diz Amaral. “Sempre fui um lobo solitário no meio das tendências.”

 

Na Pinacoteca do Estado de São Paulo,

até 23 de fevereiro de 2014.

 

Na Caixa Cultural,

de 14 de dezembro até 16 de fevereiro de 2014.

 

Fonte: Silas Martí – Ilustrada/Folha de São Paulo.

Memórias do artista

03/dez

A Galeria Lume, Itaim-Bibi, São Paulo, SP, realiza a exposição “Avessos”, individual do artista plástico Lúcio Carvalho, com curadoria de Paulo Kassab Jr. A mostra é composta por 16 obras inéditas, entre fotos, esculturas, backlights e pinturas, totalizando a uma representação de uma coleção de memórias do artista por meio de lembranças reconstruídas.

 

Com recordações pessoais remontadas em suportes distintos, Lúcio Carvalho elabora suas obras a partir de elementos representativos de uma determinada época de sua vida, tais quais o onipresente coração, o crânio, o esqueleto animal, o pneu, entre outros. Cada um deles tem um significado único para o artista – como o pneu, que era um de seus “brinquedos” favoritos. Os trabalhos que compõem “Avessos” se apresentam como uma fusão de elementos da memória do artista. A série inédita possui uma intensa carga de memória afetiva e relata suas vivências.

 

Quando criança, Lúcio Carvalho conviveu com seus pais, avós, irmãos e primos em uma fazenda chamada “Não Sei”. O artista reparava e desenhava tudo ao seu redor, sempre em clima de diversão e amor, dentro de uma família muito extensa.  Entretanto, Lúcio Carvalho sentia-se deslocado nesse meio. Enquanto as demais crianças brincavam no campo e andavam a cavalo, o artista escondia-se embaixo da mesa ou em outros lugares, reparando o dia a dia na fazenda: “A mesma árvore onde brincávamos balançando em pneus, eram pendurados os alimentos. (…) Porém, ponderando sobre isso, eu percebi que meu trabalho é muito mais sobre os sentimentos nos quais se envolvem as minhas lembranças, do que simplesmente objetos pendurados. O “Avesso” é minha vontade de ver o contrário do que tudo aquilo representa como figura”, confessa o artista.

 

Nas palavras de Paulo Kassab Jr., diretor cultural da Lume e curador da exposição: “A nostalgia está sempre muito presente nos trabalhos de Lúcio Carvalho. Nessa série, observamos que todas as obras são acúmulos de memórias. Histórias contadas em uma única escultura, pintura ou fotografia. As cristaleiras de sua avó, usadas para guardar objetos e presentes importantes, misturam-se com os pneus que eram um dos seus brinquedos favoritos, envoltos em uma nevoa criada pela queima da cana de açúcar.”

 

 

 Até 21 de dezembro.

As pedras de Dan Fialdini

Autor de uma sofisticada linguagem escultórica, o artista plástico Dan Fialdini inaugurou na Ricardo Camargo Galeria, Jardim Paulistano, São Paulo, SP,  uma rara exposição – “Silêncio feito de pedra” –  com 18 esculturas em mármore, realizadas entre 2002 e 2012. Dan Fialdini passou uma década de trabalho com a pedra, dando-lhe forma, volume, relevo e expressão. O resultado é, segundo a palavra de Ricardo Camargo e Roberto Comodo “…uma obra que conjuga metafísica, o lúdico e o construtivismo”.

 

 

 
A palavra de Ricardo Camargo e Roberto Comodo

 

Essa diversidade única pode ser vista na mostra em peças como o elegante Casamento, feito com dois blocos de travertino. E que se contrapões a Ra, homenagem ao deus Sol egípcio que usa arenito do Paraná e folha de ouro. E ainda com as majestosas peças Know-a-bit, em mármore de Carrara; e Era assim, em travertino persa. Uma característica no vocabulário do escultor – a de manter a forma original da pedra em um dos lados da peça – é realçada em Lembranças do etnólogo.

 

Dan Fialdini foi assessor de Pietro Maria Bardi, o mítico diretor do Museu de Arte de São Paulo (Masp) por duas décadas, de 1970 ao início dos anos 90, onde também foi curador de exposições e montagens. Em seguida, passou a se dedicar primordialmente à escultura, um nobre ofício em que comemora 30 anos de atividade. A princípio, ele talhava o mármore com a técnica tradicional até ir à Carrara, na Itália, onde se aperfeiçoou e aprendeu novas maneiras de esculpir a pedra.

 

O artista prefere trabalhar em blocos maciços de mármore com tons claros, que ressaltam as sombras, dando maior dramaticidade às peças. O escultor lembra que o processo de esculpir é lento. Sem assistentes, é ele próprio que esculpe a pedra bruta. Uma atividade solitária e artesanal que contrasta com o marketing desenfreado de artistas que, com verdadeiras equipes, produzem obras em série.

 

Com várias esculturas que lembram cenários mediterrâneos, paisagens imaginárias e cidades mitológicas, esculpidas na dureza do mármore com sutileza poética, a obra de Dan Fialdini vista em conjunto transmite uma aura zen, que remete a um eloquente e sereno silêncio.

 

Ricardo Camargo
Roberto Comodo

 

 

Até 14 de dezembro.

Lançamento de Sabina de Libman

02/dez

A galeria Arte Aplicada, Jardins, São Paulo, SP, abriu a mostra “Pés & Livros”, do artista plástico Juliano Lopes, com curadoria de Sabina de Libman. Composta por uma série inédita de 18 obras, entre desenhos e pinturas sobre tela e livros antigos, os trabalhos mostram que “os pés” e “os livros” levam a todos os lugares (física e imaginariamente).

 

Nesta nova série, Juliano Lopes remete o espectador a momentos do cotidiano e da atual, em síntese: à contemporaneidade. Com um toque de metalinguagem, Juliano Lopes utiliza livros antigos (alguns com mais de cem anos) como suporte para determinadas pinturas. Tais livros foram cuidadosamente pesquisados em busca da perfeita harmonia com os desenhos; todos os textos são de sua escolha pessoal, com conteúdos que se relacionam com a proposta e o conceito da exposição. Na representação das figuras, a base técnica é o desenho em charcoal e grafite, com um cuidado anatômico realista, denso em certas partes e diluído em outras. Quanto às cores, seu critério foi o uso de variações das cores primárias e cores terrosas em tons baixos. Nas manchas de tinta acrílica somam-se linhas e riscos na construção de uma identidade transitória, mutável e quase sem delimitações, gerando movimento e espontaneidade aos trabalhos apresentados.

 

Registre-se que “Pés & Livros” é a primeira exposição de Juliano Lopes em São Paulo, uma descoberta para o público paulistano que admira a arte tanto de nomes consagrados como de novos talentos.

 

 

A palavra da curadora

 

“Criativo, domina com segurança o desenho e a pintura. Fiel ao princípio de que a obra de arte deve ser mágica, se apropria de velhos livros que usa como suporte para seus desenhos. Magia Pura. A Galeria Arte Aplicada tem o prazer de trazer a São Paulo esse promissor artista.”, afirma a conhecida marchande Sabina de Libman.

 

Até 14 de dezembro.

Planos de expansão

25/nov

A  Galeria Fortes Vilaça, Vila Madalena, São Paulo, SP, apresenta “Planos de expansão”, exposição coletiva com 13 artistas do time da galeria: Armando Andrade Tudela, Cerith Wyn Evans, Franz Ackermann, Gabriel Lima, Iran do Espírito Santo, Julião Sarmento, Los Carpinteros, Luiz Zerbini, Marine Hugonnier, Mauro Restiffe, Rodrigo Cass, Rodrigo Matheus e Sarah Morris.  A mostra se estrutura em dois eixos principais; arquitetura e urbanidade que ora se confrontam e ora se sobrepõem à abstração e geometria.

 

 

As obras de Franz Ackermann, Luiz Zerbini e Sarah Morris desconstroem elementos da arquitetura. Na pintura “Torrada”, de Luiz Zerbini, volumes são sobrepostos, um jogo de encaixes que forma um grande ponto de fuga. A superfície da tela é ativada por lacunas brancas que emprestam a imagem uma natureza virtual. Na tela de Ackermann podem-se ver detalhes de prédios fragmentados em uma composição acêntrica e acelerada. Em “Praça da Apoteose”, de Sarah Morris, o título revela a referência a Niemeyer, que de outra forma seria discreta e abstrata. A relação entre abstração e história está no centro da produção da artista e fica evidente na colagem “Black Tie”, onde as mesmas formas de Niemeyer se sobrepõem ao pôster americano do filme “Eles não usam black-tie”, de Leon Hirszman.

 

 

Armando Andrade Tudela apresenta uma escultura que sugere uma construção rígida onde materiais de natureza coorporativa, como acrílico, se misturam à juta. Esta obra, assim como o vídeo de Rodrigo Cass, faz referência ao neoconcretismo brasileiro e aos pavilhões de Hélio Oiticica, construídos através de planos de cor. Já a pintura de Gabriel Lima, “Leste”, – onde uma bandeira branca é sobreposta ao plano branco do painel -, transita entre a abstração e a significação nos obrigando a tomar um ponto de vista. Os trabalhos “Forma” de Rodrigo Matheus e “Les Actualités” de Marine Hugonnier traçam um diálogo explícito entre urbe e abstração. Marine contrapõe uma foto do World Trade Center à uma escultura abstrata, enquanto Matheus usa o título do trabalho para reforçar a abstração geométrica presente na arquitetura de edifícios. A cidade como cenário, tema, ponto de partida, plano em expansão é o fio condutor da mostra.

 

 

Até 24 de janeiro de 2014.

Vida Nova, na Galeria Emma Thomas

19/nov

A primeira individual de Rodrigo Bueno, o idealizador do singular “ateliê Mata Adentro”, na Galeria Emma Thomas, Jardins, São Paulo, SP, apresenta um novo desdobramento de sua pesquisa sobre o atrito entre Cultura e Natureza. A curadoria é de Agnaldo Farias. Bueno mostra a tensão entre a racionalidade e a irracionalidade, o ataque implacável das plantas, da umidade habitada por fungos, traças e cupins sobre as cadeiras, sofás e os vários objetos com que povoamos as nossas casas com a finalidade de obtermos conforto e aconchego. A vida prossegue, adverte Rodrigo Bueno, e não será a placidez das paredes cuidadosamente pintadas, como as paredes da sala de uma galeria, capaz de impedir esse fluxo, principal a ação do tempo em imagens icônicas da pintura e fotos históricas. A co-autoria de traças e fungos trazem ao espectador parte da pesquisa do ateliê Mata Adentro, que enfatiza a força da natureza reivindicando seu espaço.

 

Rodrigo recolhe objetos ou partes de objetos abandonados em depósitos ou em esquinas à espera dos caminhões de lixo, para despertá-los, devolve-los à vida, fazendo com que neles rebentem plantas, folhagens vivas e reluzentes, até então adormecidas pelos processos industriais. Suas obras celebram o fato de que, afinal, não há morte, mas transformação contínua, encadeamento de estados e transmutações.

 

Para a primeira e principal sala da galeria o artista optou por um exercício potente, operístico, no qual a natureza se impõe sobre objetos familiares e as rígidas estruturas do volume branco produzido pela arquitetura. Na segunda sala, menor, as fotografias e colagens sobre imagens retiradas da história da arte. Imagens clássicas, respeitáveis, mas já comprometidas pela sutil sublevação dos pequeninos seres que vicejam no corpo do papel, os insetos e fungos que teimamos em tratar como nojentos, e que a rigor compõem a própria seiva da vida.

 

De 21 de novembro a 11 de janeiro de 2014.

Esculturas de Francisco Brennand

A obra escultórica do artista pernambucano Francisco Brennand, 86 anos, encontra-se exposta no Museu Afro Brasil, Parque do Ibirapuera, São Paulo, SP. Com a curadoria de Emanoel Araujo, a mostra “O Escultor Francisco Brennand – Milagres da Terra, dos Peixes e do Fogo” apresenta cerca de 80 esculturas: figuras mitológicas, pássaros, peixes, jacarés, lagartos, frutos e objetos nascidos de uma extraordinária técnica de cerâmica vitrificada. Do Recife, foram trazidos um painel inédito de cinco metros e uma série de obras dedicadas às pinturas de natureza morta do italiano Giorgio Morandi. Desde a década de 1970, quando restaurou a antiga olaria de seu pai, num projeto de integração da arte à arquitetura, o trabalho de Brennand conquistou reconhecimento internacional. Situado na Várzea do Recife, seu ateliê ocupa os espaços da fábrica histórica. Aberta à visitação pública, a Oficina Cerâmica Francisco Brennand é um dos principais marcos artísticos do Brasil, com um impressionante conjunto de esculturas e painéis.

 

No título da mostra, Emanoel Araujo ressalta a presença vibrante dos elementos Fogo e Terra no nascimento da arte de Brennand. Além de frutos, aves e peixes, “…há também o fogo, que é como uma bigorna que alisa a massa crespa, deixando espaço para a crosta grossa e uniforme da tinta colorida, de ocres e ferrugens, de onde escapam os azuis e os verdes, ou meios tons leves, foscos e brilhantes. Da cor que se transforma ardida pelo calor do fogo”, descreve o curador. Num poema dedicado ao escultor, o poeta João Cabral de Melo Neto também define o ofício de ceramista: “Prender o barro brando no ovo/ de não sei quantas mil atmosferas/ que o faça fundir no útero fundo/ que devolve à pedra a terra que era”. “Mostrar a escultura de Brennand em outro espaço que não seja o seu próprio, de Pernambuco, será sempre um desafio, diante do complexo diálogo criado por ele entre a escultura e o espaço em que ela se desenvolve, ora com a arquitetura, incluindo os antigos galpões da antiga fábrica de cerâmica, e ora se incorporando às ruínas deixadas pela ação dos anos e do passado da fábrica onde nasceu esse grande cenário”, avalia o curador.

 

 

Sobre o artista

 

Nascido em 11 de junho de 1927, na casa grande do Engenho São João, no Recife, Francisco de Paula Coimbra de Almeida Brennand é um dos mais importantes e premiados escultores do Brasil. Homem de múltiplos talentos (acumula ainda os dons de desenhista, pintor e ilustrador), ele participou de cursos com André Lhote e Fernand Léger em Paris, na década de 50. Autor de murais e painéis – dentre os quais o “Batalha dos Guararapes”, no centro do Recife -, Brennand já foi agraciado com o Prêmio Interamericano de Cultura Gabriela Mistral, da Organização dos Estados Americanos (OEA), atribuído por um júri internacional. Numa incursão pela política, integrou a Casa Civil do governo de Miguel Arraes, entre 1963 e 1964, quando o golpe militar depôs e prendeu o governador. À época, a convite de Arraes, assumiu a missão de transformar a antiga Casa da Detenção numa Casa de Cultura. “Pintor, ceramista, escultor, desenhista, designer, todos num só, dentro e fora de toda ortodoxia que define cada técnica dessas múltiplas linguagens, Francisco Brennand é um artista moderno, no sentido mais amplo dessa palavra. Seu universo, exposto nos gigantescos galpões da antiga olaria de seu pai ou, en plein air, no que se convencionou chamar Oficina, na Várzea, em Recife, exibe aí uma relação íntima entre a vida e a obra, seus avanços e recuos”, define Emanoel Araujo. Em 1971, Brennand iniciou as obras de restauro da Cerâmica São João da Várzea – fundada em 1917 -, instalando a partir de então seu ateliê e um arrojado projeto de esculturas cerâmicas. Em 1998, ganhou uma grande retrospectiva na Pinacoteca de São Paulo.

A Nova Mão Afro-Brasileira

O Museu Afro Brasil, Parque do Ibirapuera, São Paulo, SP, celebra os 25 anos do lançamento do livro-exposição “A Mão Afro-Brasileira – Significado da Contribuição Artística e Histórica” (de 1988, o ano do Centenário da Abolição da Escravatura) em 20 de novembro, Dia Nacional de Zumbi dos Palmares e da Consciência Negra, com a exposição “A Nova Mão Afro-Brasileira”, cuja curadoria traz a assinatura de Emanoel Araujo, com Salas Especiais e Retrospectivas com obras de artistas dos séculos XVIII e XIX, modernos e contemporâneos. Entre os homenageados, obras de Magliani, Maurino de Araújo e Yêdamaria. Além dos artistas expostos em outros momentos pelo Museu (Alex Hornest, Jorge dos Anjos, Rosana Paulino, Sidney Amaral, Tiago Gualberto e Washington Silvera), quinze contemporâneos foram incorporados à exposição: Advânio Lessa, Anderson Santos, Arjan Martins, Ayrson Heráclito, Claudinei Roberto, Eustáquio Neves, Herberth Sobral, Izidorio Cavalcanti, Lippe, Marcos Dutra, Moisés Patrício, Pedro Marighella, Renato Matos, Rener Rama e Sônia Gomes.

 

 

Sobre os artistas de “A Nova Mão Afro-Brasileira”.

 

Advânio Lessa

 
Mineiro, nascido em Ouro Preto, desde pequeno aprendeu com o tio e o avô a técnica de cestaria tradicional. Buscando ir além da técnica tradicional, procura na taquara e no cipó a inspiração para produzir suas obras de arte, baseadas na transformação da natureza.  Expôs na Europa e América do Norte, além de inúmeras exposições em Belo Horizonte e uma destacada participação em Mostra no Rio de Janeiro.

 

 

Anderson Santos

 
Pintor e desenhista, nascido em Salvador (BA), formou-se em Artes Plásticas pela Escola de Belas Artes (EBA/UFBA) em 1999, trabalhando desde então de maneira contínua, com as técnicas do óleo sobre tela, cartão ou madeira e desenho (grafite ou carvão sobre papel), realizando pintura figurativa realista. Realizou experimentos em vídeo, cartazes e storyboards para cinema. Atualmente é membro de um coletivo internacional responsável pela publicação da revista online Boardilla.

 

 

Arjan Martins

 
Artista Plástico, nascido no Rio de Janeiro, frequentou diversos cursos na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Desde 1995, participou de exposições nacionais no Rio de Janeiro, São Paulo e na Paraíba, e internacionais no Senegal e no Haiti. Recebeu o Prêmio “Projéteis da Arte Contemporânea” em 2005, no Rio de Janeiro, e foi contemplado com uma bolsa de estudos na Alemanha, através do Instituto Goethe. Dedica-se ao desenho e a pintura, em diferentes tamanhos e diversas superfícies.

 

Ayrson Heráclito

 
Artista visual e curador baiano, vive entre as cidades baianas de Cachoeira e Salvador e São Paulo (SP), onde realiza doutorado em Comunicação e Semiótica na Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP). Suas obras transitam pela instalação, performance, fotografia e audiovisual, abordando temas como a cultura afro-brasileira, o candomblé e a historia do Estado da Bahia. Realizou exposições individuais no seu estado natal e participou de mostras, festivais e Bienais nacionais e internacionais.

 

 

Claudinei Roberto da Silva

 
Artista plástico, professor e curador independente. É licenciado em Educação Artística pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP). Entre 1997 e 2002 organizou um projeto de exposições independentes com o grupo Olho SP, oriundo do Departamento de Artes da Escola de Comunicações e Artes da USP, realizando exposições em diversas instituições da cidade de São Paulo. Em 2005 fundou o ateliê OÇO, também na capital paulista, que já realizou de mais de 40 mostras de artes, atividades de arte-educação, debates e encontros desde a sua inauguração.

 

 

Eustáquio Neves

 
Fotógrafo e videoartista autodidata, pesquisa e desenvolve técnicas alternativas e multidisciplinares, manipulando negativos e cópias. Nos últimos três anos tem pesquisado as mídias eletrônicas, incluindo a sequência e o movimento. Seu trabalho vem sendo amplamente divulgado em várias mostras no Brasil e no exterior, onde tem recebido prêmios e a consagração do público e da crítica.

 

 

Herberth Sobral

 
Artista plástico, fotógrafo e designer nascido em Minas Gerais. Como artista plástico, apropria-se de conhecimentos, técnicas e materiais diversos como xilogravuras, pinturas, desenhos, cédulas e bonecos, para construir a sua própria linguagem, sempre voltada para a representação do cotidiano. Em suas obras, o artista aborda a temática do comportamento: pensamentos e atos realizados através de práticas culturais.

 

 

Izidorio Cavalcanti

 
Nascido em Gameleira, Pernambuco, reside e trabalha no Recife, onde se formou em Desenho Arquitetônico no Liceu de Artes e Ofícios. Trabalhando com arte há 20 anos, explora as mais diversas técnicas e utiliza diferentes linguagens, desde o desenho até a performance. Atualmente, integra o Grupo MAMÃE e BO (Branco do Olho). Participou de diversas exposições coletivas e individuais em São Paulo, Ceará, Paraíba, Goiás, Rio de janeiro, Florianópolis, Sergipe, Pernambuco e Valência (Espanha).

 

 

Lippe

 
Artista e poeta que vive e trabalha entre as cidades de Rio de Janeiro e Berlim. Em sua produção, aproxima diversas linguagens artísticas visuais e a literatura, para problematizar temas de emergência humana tais como a memória, a utopia, a morte e o trauma histórico. Criando obras repletas de narrativas e referências históricas, o artista busca expor as fraquezas do homem, seus dilemas, glórias e tragédias, ao logo da história.

 

 

Marcos Ricardo Dutra

 
Natural de Pequizeiro (TO) e radicado em Palmas, capital do estado. Sua formação artística se deu através de leituras, experimentações, participação em oficinas e seminários. Desde 1992 participou de diversas exposições coletivas e individuais no Brasil. Foi artista convidado de uma exposição em Paris em 2005, quando representou o Estado do Tocantins no projeto “Ano do Brasil na França”. Em 2009, participou com a exposição “O Pão Nosso de cada dia” do projeto SESC Amazônia das Artes, percorrendo as capitais dos Estados que constituem a Amazônia Legal. Sua produção artística abrange esculturas, instalações, pintura e intervenções urbanas.

 

 

Moisés Patrício

 
Artista multimídia e arte-educador, Moisés Patrício nasceu no bairro de Santo Amaro, de São Paulo, em 22 de outubro de 1984. Aos 10 anos, inscreveu-se na oficina de pintura e grafite dos Meninos de Arte de Santo André. Durante todo o período em que durou a oficina, chegou a trabalhar como assistente do professor e a participar de várias exposições e eventos. Hoje, trabalha e vive como artista e educador em São Paulo. É membro-fundador do Atelier Coletivo DES (Dialéticas Sensoriais), que, desde 2006, realiza ações coletivas estéticas, produzindo exposições, instalações dialéticas sobre arte contemporânea e urbanidade nas periferias de Santo André e São Paulo.

 

 

Pedro Marighella

 
Artista visual nascido em Salvador (BA), graduado em Artes Plásticas pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia (2011). Desde 2004, desenvolve projetos na área de criação, design, ilustração, animação, vídeo, artes visuais e cenografia. Integrou o coletivo GIA (Grupo de Interferência Ambiental) entre 2003 e 2009. Tem como principais interesses o olhar sobre processos culturais, sociais e históricos, com destaque para o potencial crítico da diversão. Ganhador da Bienal do Recôncavo de 2011.

 

 

Renato Matos

 
Músico, ator e artista plástico baiano, radicado em Brasília desde 1974. Na Capital Federal, participou do “Concerto Cabeças”, em 1977, considerado um marco cultural da cidade. Frequentou cursos livres de música na Universidade de Berkeley, EUA, e apresentou-se na Europa. Atuante na cena musical de Brasília, liderou a banda Acarajazz. Sua composição Um telefone é muito pouco foi gravada por Leo Jaime com sucesso e é considerada uma das canções mais representativas da cidade de Brasília. Gravou quatro álbuns independentes, além de ter atuado em filmes nacionais.

 

 

 

Rener Rama

 
Artista baiano, formado em Artes Plásticas e mestre em Artes Visuais pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com ênfase em pintura e processos criativos. Embora utilize diferentes linguagens artísticas, como fotografia, vídeo e objeto; dedica-se especialmente e há mais de 25 anos, em desenvolver pesquisas e trabalhos explorando as possibilidades e linguagens da pintura, suas técnicas e caminhos expressivos. Realizou exposições individuais em São Paulo e Salvador e se fez presente em exposições coletivas Brasil afora.

 

 

Sônia Gomes

 
Nascida em Caetanópolis, Minas Gerais, um importante centro da indústria têxtil brasileira, a artista utiliza tecidos, linhas e objetos encontrados para compor esculturas e estruturas. É autodidata e tem como principal inspiração as suas experiências de vida, produzindo a partir de seus sentimentos internos, percepções e observações do cotidiano. Expôs em mostras individuais e coletivas, em galerias no Brasil e no exterior, com destaque.

 

A partir de 20 de novembro.

TOMIE OHTAKE – GESTO E RAZÃO GEOMÉTRICA

No mês em que a artista completa 100 anos, em 21 de novembro, o Instituto Tomie Ohtake, Pinheiros, São Paulo, SP, realiza a terceira exposição em comemoração ao seu centenário, com curadoria de Paulo Herkenhoff. Em “Tomie Ohtake – Gesto e Razão Geométrica”, o crítico, ao reunir cerca de 60 trabalhos, a maioria pinturas, aborda como o racionalismo da construção g
eométrica encontra a pincelada gestual que propõe a linha orgânica, formando aí uma das características importantes da obra da artista.

 

Segundo Herkenhoff – profundo estudioso de Tomie, curador de várias mostras sobre a artista, como “Pinturas Cegas”, realizada no ano passado e que agora, dia 19 de novembro, será inaugurada no MAR – Museu de Arte do Rio de Janeiro, do qual é diretor cultural – uma questão chave atravessa toda a obra de Tomie: a intangibilidade da perfeição. “Ao contrário do racionalismo da geometria ocidental, Ohtake experimenta incessantemente a imprecisão’, afirma.

 

Nesta grande mostra comemorativa, a partir de trabalhos seminais e de um expressivo conjunto que traz variações formais, como os retângulos, as sombras, a arquiteturas, as elipses, os círculos, as sobreposições, o curador percorre o inesgotável vocabulário plástico do universo de Tomie. Para Herkenhoff, a vontade geométrica da artista não se reduz a uma lógica única e está dispersa entre experiências singulares. “Certa pintura de Ohtake representa a adesão à dita “geometria sensível da América Latina”; noutros casos, está a geometria imprecisa e uma geometria cósmica”, destaca.

 

Outras reflexões de Paulo Herkenhoff o fizeram optar pela pauta geométrica nesta principal mostra em homenagem ao centenário de Tomie. Segundo ele, a geometria da artista, fora da exegese canônica do concretismo, expande o campo e o torna mais complexo. “A pintora contribuiu para a formulação da geometria transcultural do Brasil, que envolve sua relação com algumas imagens estéticas que envolvem valores espirituais, como o “enso”, o círculo imperfeito no Zen Budismo, e a relação da forma com a sombra, um valor da cultura japonesa tradicional”, completa o curador.

 

De 22 de novembro a 02 de fevereiro de 2014.